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ECONOMIA PARA ENGENHARIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prezado(a) aluno(a)! 
Continuando os estudos sobre a evolução do pensamento econômico, nesta 
aula vamos abordar sobre outras correntes de pensamento econômico, que 
moldaram a teoria e a prática econômica ao longo da história. 
A Escola Psicológica Austríaca, fundada por Carl Menger no século XIX, 
enfatiza a importância da ação individual e da subjetividade na determinação do 
valor econômico, desafiando as abordagens mais tradicionais que priorizavam 
aspectos quantitativos. O Marxismo, com suas críticas ao capitalismo e foco nas 
relações de classe, trouxe uma perspectiva alternativa que questiona a distribuição 
de riqueza e poder na sociedade. 
Por fim, a Fisiocracia destacou-se como uma das primeiras escolas de 
pensamento econômico, enfatizando o papel da agricultura como fonte primária de 
riqueza e defendendo uma abordagem naturalista para a economia, dentre outras 
Escolas que serão detalhadas durante esta aula. 
Essas correntes não apenas refletem diferentes visões sobre como a 
economia funciona, mas também influenciam políticas públicas e debates 
contemporâneos sobre desenvolvimento econômico e justiça social. 
 
Citations: 
[1] https://www.institutoliberal.org.br/blog/entenda-diferencas-entre-a-
escola-austriaca-e-a-escola-de-chicago-de-economia/ 
[2] https://mises.org.br/article/688/as-raizes-escolasticas-da-escola-
 AULA 03 – 
ESCOLA DE LAUSANNE 
O MARXISMO 
A FISIOCRACIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 ESCOLA PSICOLÓGICA AUSTRÍACA OU ESCOLA DE VIENA E A TEORIA DA 
UTILIDADE MARGINAL 
Karl Menger foi o principal cientista da escola psicológica, que ganhou destaque 
a partir de 1870. Em 1871, ele desenvolveu uma teoria do valor de troca fundamentada 
no princípio da utilidade marginal, uma ideia que foi simultaneamente abordada pelo 
economista inglês Stanley Jevons em 1871 e pelo francês Léon Walras em 1874. 
Apesar de não serem amplamente divulgadas no mundo ocidental devido à 
barreira da língua, as obras de Menger formaram a base dos estudos teóricos que se 
desenvolveram na Alemanha e na Áustria. Entre seus seguidores, destacaram-se 
Friedrich von Wieser e Eugen Böhm-Bawerk, que realizaram importantes contribuições, 
especialmente nas áreas da teoria do capital e da taxa de juros. 
A revolução mengeriana representou, fundamentalmente, uma mudança no foco 
dos estudos econômicos: ao invés de se concentrar na riqueza e na forma como é 
produzida, distribuída e consumida, típica dos autores clássicos, Menger direcionou sua 
análise para as necessidades humanas, sua satisfação e a avaliação subjetiva dos 
bens. Ele observou que os indivíduos possuem escalas de preferência que surgem de 
diversos motivos. Além disso, notou que os bens desejados pelos consumidores 
frequentemente têm uma oferta inferior à demanda, levando cada pessoa a classificar 
seus desejos conforme a importância que lhes atribui (VASCONCELLOS, 2023). 
Com base no estudo das escalas de preferência de um indivíduo em relação a 
diversos bens, considerando as limitações impostas pela natureza, o confronto entre as 
preferências dos agentes econômicos e outros fatores, Menger buscou reconstruir a 
atividade econômica. Ele superou a abordagem dos clássicos, que se restringiam ao 
estudo dos problemas de preços em uma economia de troca e acreditavam que o valor 
dos bens era determinado pela quantidade de trabalho incorporada a eles. Menger 
propôs uma teoria do valor que explicasse a importância subjetiva atribuída pelos 
indivíduos aos bens, fundamentando o valor na utilidade de um bem que existe em 
quantidade limitada (noção de margem) e em sua capacidade de satisfazer as 
necessidades dos agentes econômicos. 
Outra figura de destaque na Escola de Viena, foi Böhm-Bawerk, que atuou como 
professor e foi ministro das Finanças da Áustria em três ocasiões. Com uma abordagem 
formal e dedutiva, ele se dedicou a analisar a natureza do capital e seu papel no 
 
 
processo produtivo. Böhm-Bawerk buscou conciliar duas visões opostas: as 
desvantagens da restrição ao consumo e as vantagens das futuras expansões da 
produção, fundamentando-se na teoria subjetiva do valor. Ele acreditava que o homem 
econômico, motivado pelo desejo de maximizar a utilidade, tende a supervalorizar as 
necessidades imediatas e subestimar a intensidade dos desejos futuros. Isso leva à 
necessidade de compensar a poupança atual com o pagamento de juros, uma vez que 
essa poupança representa o sacrifício de satisfações presentes. 
3.1 Escola de Cambridge 
Seu principal representante, Alfred Marshall, foi professor de Economia Política 
na Universidade de Cambridge e exerceu uma enorme influência sobre gerações de 
pensadores econômicos, elevando a escola que leva o nome da sua universidade a 
uma posição de destaque. Sua obra, Principles of Economics (primeira edição em 
1890), foi considerada por Keynes como o marco inicial da era moderna da ciência 
econômica britânica. 
Marshall via a economia como o estudo da humanidade nas atividades 
cotidianas, entendendo-a como uma ciência do comportamento humano, em vez de 
uma mera ciência da riqueza. Para ele, o objetivo das contribuições teóricas deveria 
ser a clarificação de problemas práticos, uma posição que contrasta fortemente com a 
de Walras. Ele se esforçou para tornar suas análises acessíveis ao grande público, 
adotando um estilo simples e claro. Ao contrário de seus contemporâneos neoclássicos, 
evitou o uso de exposições matemáticas. 
A complexidade do sistema econômico e a variedade de motivos que influenciam 
o comportamento humano, levaram Marshall a desenvolver técnicas para o estudo 
sistemático da economia. Ele buscou simplificar a análise ao reduzir o número de 
variáveis a proporções gerenciáveis e criar um método para mensurar comportamentos. 
Utilizando o método dedutivo ou abstrato, separou uma variável ou um setor da 
economia de cada vez, partindo do pressuposto de que seu comportamento não teria 
uma influência significativa sobre o restante da atividade econômica (princípio da 
desprezibilidade dos efeitos indiretos). Isso não implica que a parte da economia não 
analisada permaneça inalterada, mas sugere que, se o pequeno setor em questão for 
 
 
afetado por uma mudança externa, sua adaptação resultará em um impacto desprezível 
sobre o restante da economia. 
A dificuldade em medir as motivações humanas, que representam um desafio 
para a investigação científica, decorre do fato de que nem todas as motivações são 
mensuráveis. Isso levou Marshall a observar que uma grande parte da vida humana é 
direcionada para a obtenção de ganho econômico, permitindo que as motivações sejam 
avaliadas por meio de um denominador comum: a moeda. No entanto, ele notou que a 
aplicação desse denominador a indivíduos pode não ser válida, recomendando seu uso 
em relação a grandes grupos ou organismos sociais, onde a quantidade de indivíduos 
é suficiente para nivelar as diferenças de renda. Assim, o estudo dos preços, tanto de 
bens quanto de fatores, tornou-se a principal área de investigação de Marshall, com o 
objetivo de identificar as regularidades da atividade econômica. 
Ele se tornou famoso por seu exemplo de aplicação da metodologia dedutiva ou 
abstrata, para investigar a interação entre as forças de oferta e demanda, explicando 
assim o surgimento do preço de equilíbrio. 
3.2 Escola matemática ou escola de Lausanne e a teoria do equilíbrio geral 
Esta escola foi fundada pelo francês Léon Walras, que atuou como professor de 
Economia na Faculdade de Direito de Lausanne de 1870 a 1892, sendo sucedido por 
Vilfredo Pareto. 
A análise do equilíbrio geral representa uma abordagem alternativa à 
metodologia utilizada por Marshall para determinar o preço. Cournot já havia 
reconhecido a importância de considerar todo o sistema econômicopara encontrar 
soluções completas para problemas relacionados a partes desse sistema. No entanto, 
foi Walras quem desenvolveu um sistema matemático para demonstrar o equilíbrio 
geral, destacando a interdependência de todos os preços dentro do sistema econômico, 
além das relações entre micro e macroeconomia. Ele mostrou que as atividades das 
unidades de produção (famílias, empresas) não podem ser compreendidas de forma 
isolada ou separadas da economia como um todo. 
Ele buscou distinguir entre economia pura e economia aplicada, argumentando 
que o status da economia como ciência pura não deveria ser comprometido por 
interesses que tentassem alinhar as teorias aos problemas dos negócios públicos. 
 
 
Enquanto os autores da Escola de Lausanne se concentraram na busca pelo equilíbrio 
geral, Marshall e seus discípulos da Escola de Cambridge focaram na determinação do 
preço de um bem ou fator analisado individualmente. 
3.3 O marxismo 
Karl Marx é o principal representante do movimento que leva seu nome. Ele se 
opôs aos processos analíticos dos economistas clássicos e às suas conclusões, 
fundamentando-se no que Lenin considerou a maior criação da humanidade no século 
XIX: a filosofia alemã, a economia política inglesa e o socialismo francês. 
Marx criticou a doutrina populacional de Malthus, argumentando que as 
diferenças entre os diversos estágios da evolução econômica e seus modos de 
produção são fundamentais. Ele afirmava que uma mudança no sistema produtivo 
poderia transformar uma aparente escassez populacional em um excedente 
demográfico (VASCONCELLOS, 2023). 
Marx concentrou-se em épocas históricas específicas, contestando os casos 
hipotéticos apresentados pelos clássicos, como Adam Smith, que discutiu um estágio 
"primitivo e rude" da sociedade. Ele criticou as construções abstratas que não levavam 
em conta a dinâmica interna do processo histórico nem as leis econômicas próprias de 
cada estágio histórico. 
Além de se envolver em disputas metodológicas com o classicismo, Marx 
reformulou a análise do valor, embora tenha utilizado diversos elementos da teoria do 
valor-trabalho clássica, especialmente de Ricardo. Ele desenvolveu conceitos que se 
tornaram amplamente conhecidos, como mais-valia, capital variável, capital constante 
e exército de reserva industrial, além de analisar a acumulação de capital, a distribuição 
da renda e as crises econômicas. 
Marx afirmava que o valor da força de trabalho é determinado, assim como o de 
qualquer outra mercadoria, pelo tempo de trabalho necessário para sua produção. Ele 
desenvolveu argumentos para demonstrar que esse valor se baseia nos insumos 
necessários à subsistência dos trabalhadores e em seu treinamento. No entanto, as 
condições de produção do sistema capitalista forçam os trabalhadores a vender mais 
tempo de trabalho do que o necessário para produzir valores equivalentes às suas 
necessidades básicas. Assim, os trabalhadores são obrigados a aceitar as condições 
 
 
impostas pelos empregadores, pois não têm fontes alternativas de renda. Dessa forma, 
seu dia de trabalho é composto pelo tempo necessário para produzir valores que 
atendem às suas exigências de manutenção e por um tempo excedente. O valor gerado 
pelo tempo de trabalho excedente é apropriado pelos detentores dos meios de 
produção – os capitalistas –, o que Marx chamou de mais-valia. 
Por sua própria natureza, o capitalismo tende a acentuar a separação entre as 
classes sociais. Com o avanço tecnológico, um número crescente de trabalhadores é 
rebaixado em suas habilidades, passando a realizar operações de rotina e tarefas 
repetitivas. Além disso, a substituição de trabalhadores por máquinas aumenta o 
exército de reserva de desempregados – uma consequência do modo de produção 
capitalista, que mantém o poder nas mãos dos capitalistas e assegura uma abundante 
oferta de trabalho a salários de subsistência. Ademais, entre os próprios capitalistas, a 
difusão das máquinas e a dinâmica do sistema fazem com que pequenos empresários 
ou aqueles com menos recursos desapareçam, tornando-se também dependentes dos 
proprietários dos meios de produção. 
Além disso, a existência do exército de reserva industrial também explica a 
tendência dos salários a se manterem no nível de subsistência: os capitalistas podem 
recorrer à mão de obra desempregada para substituir aqueles que buscam salários 
mais altos. Muitos autores afirmam que a contribuição de Marx à análise econômica é 
uma extensão da escola clássica, elaborada de forma engenhosa. Outros contestam 
essa visão veementemente, insistindo que a análise separada das diversas teorias 
marxistas compromete a unidade do marxismo, que abrange um conjunto de Filosofia, 
Sociologia, História e Economia. Por fim, alguns acusam os economistas burgueses de 
um complô do silêncio em relação à obra de Marx, devido à sua sociologia da revolução, 
que defende a derrubada violenta da ordem capitalista. 
3.4 A escola clássica 
Embora a maioria dos autores tenha considerado Adam Smith como o apologista 
da emergente classe industrial capitalista, é importante destacar que sua simpatia 
frequentemente se voltava para os operários e trabalhadores rurais, opondo-se aos 
privilégios e à proteção estatal que sustentavam o sistema mercantil. 
O caráter otimista de Smith se destacou em relação aos mercantilistas que o 
 
 
precederam e a Malthus, que o sucedeu. Ele acreditava no egoísmo inato dos seres 
humanos e na harmonia natural de seus interesses: cada indivíduo se esforça, em 
busca de seu próprio benefício, para encontrar a aplicação mais vantajosa para seu 
capital, o que, por sua vez, o leva a preferir opções que também beneficiem a 
sociedade. O constante e incessante esforço de cada pessoa para melhorar sua 
condição é frequentemente suficientemente poderoso para manter o progresso natural 
das coisas em direção à melhoria, mesmo diante da extravagância do governo e dos 
erros administrativos. 
Ou seja, o conceito de troca: essa ideia, aliada à tendência de acumular mais 
riqueza e ascender socialmente, leva o trabalhador a economizar, produzir o que a 
sociedade necessita e enriquecer a comunidade. Os seres humanos têm essa 
inclinação natural (VASCONCELLOS, 2023). 
Se o governo se abster de intervir nos assuntos econômicos, a Ordem Natural 
poderá se manifestar. Contudo, assim como os fisiocratas, Smith não afirmava que 
essa ordem fosse espontânea; era um objetivo a ser alcançado. 
Apesar da abundância de exemplos e digressões, A Riqueza das Nações contém 
o que seu subtítulo promete: uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza 
das nações. Em termos modernos, o autor busca desenvolver uma teoria do 
crescimento econômico. 
A principal explicação de Smith para o desenvolvimento econômico está nas 
primeiras páginas de sua obra: a divisão do trabalho – uma expressão que, embora 
pareça simples, é usada por ele em dois sentidos distintos, que podem ser entendidos 
nos tempos modernos como a especialização da força de trabalho, que acompanha o 
progresso econômico, e a alocação da força de trabalho em diversas áreas de 
emprego. 
Ao destacar o mercado como regulador da divisão do trabalho, Smith fez uma 
distinção entre valor de uso e valor de troca, atribuindo relevância econômica apenas 
ao último. Ele considerou o valor como algo distinto do preço, afirmando que o trabalho 
é a medida do valor. Analisou a distribuição da renda ao discutir os três componentes 
do preço natural: salários, lucros e rendas da terra. 
A partir dos problemas relacionados ao valor e à distribuição da renda, Smith 
avançou para a análise dos mecanismos de mudança econômica e dos fatores que 
influenciam a alocação da força de trabalho entre empregos produtivos e improdutivos. 
 
 
O modelo teórico de desenvolvimento econômico de Smith estava intimamente ligado 
à sua política econômica: ao criticar o padrão mercantilistade regulamentação estatal 
e controle, ele defendia a ideia de que a concorrência maximiza o desenvolvimento 
econômico e que os benefícios desse crescimento seriam compartilhados por toda a 
sociedade. 
De maneira geral, os críticos de Smith argumentam que sua obra não é original, 
exceto pela organização dos temas e pela forma de apresentação. No entanto, 
reconhecem que ele selecionou exemplos tão significativos que sua importância 
perdura até hoje, conseguindo combinar materiais históricos e analíticos de maneira 
excepcionalmente eficaz (VASCONCELLOS, 2023). 
Seus admiradores, por outro lado, consideram A Riqueza das Nações uma 
notável conquista intelectual, que oferece uma visão abrangente do progresso 
econômico dentro de um tratamento teórico desvinculado de interesses particulares, ao 
contrário de seus predecessores. 
Entre seus discípulos, destacam-se Malthus, Ricardo, Stuart Mill e Say 
(representante francês da escola clássica), todos com contribuições significativas para 
a construção da ciência econômica. Em geral, eles buscaram esclarecer certos pontos 
ambíguos ou inconsistentes na obra de Smith. 
Thomas Robert Malthus dedicou-se a precisar a terminologia teórica em 
Definitions in Political Economy e a analisar empiricamente a Economia, reconhecendo, 
no entanto, a fragilidade dos fundamentos empíricos de muitas proposições 
amplamente aceitas, bem como as deficiências dos dados estatísticos. Ele ganhou 
notoriedade com a obra An Essay on the Principle of Population, publicada 
anonimamente na primeira edição (1798), cuja recepção calorosa o levou a preparar 
mais seis edições (a última em 1826). Malthus também escreveu diversos panfletos e 
artigos sobre temas contemporâneos, além de sua maior obra teórica – The Principles 
of Political Economy Considered with a View to Their Practical Application. 
A lei da população de Malthus (1909, p. 6) desenvolveu um aspecto que Smith 
deixara incompleto: 
[...] a potência da população é infinitamente maior do que a potência da terra 
na produção de subsistência para o homem. A população, quando não 
controlada, cresce a uma taxa geométrica. A subsistência só cresce a uma taxa 
aritmética. Um ligeiro conhecimento dos números mostrará a imensidão da 
primeira potência em relação à segunda. 
 
 
Os fatos, no entanto, demonstraram que Malthus subestimou tanto o ritmo 
quanto o impacto do progresso tecnológico. Além disso, ele não conseguiu prever a 
revolução agrícola que transformaria radicalmente a oferta de alimentos, nem as 
técnicas de controle da fertilidade humana. 
Em relação às propriedades autorreguladoras dos mercados, Malthus se afastou 
de seus contemporâneos e apresentou contribuições que foram posteriormente 
desenvolvidas por James Mill e Say. 
David Ricardo trabalhou na mesma linha de Malthus, buscando expandir a 
tradição iniciada por Smith. No entanto, ao contrário de Smith e Malthus, que usaram 
muitos exemplos ilustrativos, Ricardo, com sua abordagem lógica rigorosa, era mais 
direto e formal. Ele construiu um sistema abstrato em que suas conclusões decorrem 
de axiomas. 
O interesse de Ricardo pela teorização econômica surgiu em sua meia-idade, 
após ter acumulado riqueza como especialista em títulos governamentais e banqueiro. 
Incentivado por James Mill, ele se dedicou à redação dos Principles of Political 
Economy and Taxation, publicado em 1817. Nas duas primeiras edições, Ricardo 
demonstrou otimismo em relação às consequências sociais do maquinismo, mas na 
terceira edição revisou sua posição, concluindo que as máquinas poderiam causar 
desemprego tecnológico e deteriorar as condições de vida dos trabalhadores. Essa 
visão contrastava com a crença de Smith na harmonia de interesses entre as diversas 
classes sociais e se tornaria um tema central na obra de Marx (VASCONCELLOS, 
2023). 
Ricardo elucidou as interconexões entre a expansão econômica e a distribuição 
da renda, abordando os problemas do comércio internacional e defendendo o livre-
cambismo. No entanto, como observou Leachman, grandes ideias frequentemente 
resultam em consequências inesperadas: Ricardo jamais teria imaginado que suas 
teorias inspirariam socialistas ricardianos, como William Thompson, John Gray, 
Thomas Hodgskin, John Francis Bray, Charles Hall e outros, que incorporaram 
elementos utópicos (a construção de uma comunidade baseada na bondade e na 
racionalidade humanas) à crença em uma Economia e Psicologia científicas. 
John Stuart Mill, filho do economista James Mill, buscou sistematizar e consolidar 
a análise clássica iniciada por Adam Smith. No entanto, ao fazê-lo, ele modificou 
algumas premissas, tornando-se conhecido na história do pensamento econômico 
 
 
como um revisionista. Mill introduziu preocupações com a justiça social na Economia, 
o que lhe rendeu o título de clássico de transição entre sua escola e as reações 
socialistas. A reinterpretação das leis que regem a atividade econômica, especialmente 
no que diz respeito à distribuição da renda, talvez represente a modificação mais 
significativa que Mill fez em relação à tradição clássica. 
Jean Baptiste Say, jornalista, industrial, parlamentar e professor de Economia no 
Collège de France, foi o principal representante francês da escola clássica. Ele revisitou 
a obra de Smith para corrigi-la e complementá-la em vários aspectos, resultando em 
seu Cours d’Économie politique. Say deu especial atenção ao empresário e ao lucro, 
subordinando o problema das trocas à produção, o que levou à sua famosa concepção 
de que "a oferta cria a demanda equivalente", conhecida como Lei de Say. 
Stuart Mill e Marx estavam preocupados com as consequências sociais da 
industrialização em sua época, especialmente em relação ao baixo padrão de vida da 
crescente classe trabalhadora, que vivia em favelas urbanas e carecia das mais básicas 
condições sanitárias. Eles também se opuseram à longa jornada de trabalho, aos 
salários baixos e à ausência de legislação trabalhista e previdenciária. No entanto, se 
o sucesso da industrialização fosse avaliado pelo crescimento da produção, pelo 
aumento do comércio internacional ou pela acumulação de capital produtivo, esse 
sucesso seria inegável. Esse contraste evidenciava para ambos que o sistema de 
distribuição de renda não estava funcionando adequadamente na economia capitalista 
em expansão. 
Além disso, o crescimento industrial parecia estar associado a instabilidades 
econômicas que ocorriam com uma regularidade impressionante. Tanto Stuart Mill 
quanto Marx perceberam que o instrumental teórico legado pelos economistas 
clássicos não era adequado, pois se baseava na suposição de uma "harmonia de 
interesses" e na ordem natural e providencial, que não se confirmavam na prática 
(HUNT, 2000). 
Ambos os autores, no entanto, discordaram quanto à solução para os problemas 
sociais. Stuart Mill argumentou que a distribuição da renda era suscetível à intervenção 
humana e defendeu políticas voltadas para o bem-estar geral, especialmente em favor 
da classe trabalhadora. Em contrapartida, Marx criticou Mill por tentar conciliar a 
economia política do capital com as demandas do proletariado, entendido como a 
classe "sem propriedade" ou que possui apenas sua força de trabalho, enfatizando que 
 
 
essas exigências não podiam mais ser ignoradas. 
3.5 A fisiocracia 
A fisiocracia, um movimento que não existia em 1750, conquistou a atenção de 
Paris e Versalhes entre 1760 e 1770, mas já estava esquecida por volta de 1780, exceto 
por alguns economistas, como observou Schumpeter. Considerada por muitos como 
mais uma "seita" de filósofos-economistas do que uma escola econômica propriamente 
dita, surgiu e desapareceu rapidamente, em torno do doutor Quesnay, médico da corte 
e protegido de Madame Pompadour. Sua posição garantiu, por um tempo, um status 
privilegiado para a fisiocracia na vida intelectual da alta sociedadefrancesa (HUNT, 
2000). 
Justo e honesto, pedante e doutrinador, leal à sua protetora e resistente às 
tentações do ambiente da corte, Quesnay poderia ser descrito, na expressão de 
Schumpeter, como um maçante respeitável. 
Entre seus discípulos, destacaram-se: o marquês de Mirabeau, autor de várias 
obras, especialmente Philosophie, considerado um importante manual de ortodoxia 
fisiocrática, e L’Ami, que traz reflexões sobre o quadro econômico de Quesnay; Paul 
Mercier de la Rivière, descrito como “impulsivo e grosseiro”, que escreveu outro 
importante manual fisiocrático – L’ordre naturel et essentiel des sociétés politiques; G. 
F. Le Trosne, advogado que se interessou mais pelas relações entre o sistema 
fisiocrático e o Direito Natural; o padre Nicolas Baudeau, que se converteu ao "credo" 
fisiocrático após uma forte oposição, tornando-se um dos seus mais eficazes 
propagadores; Pierre S. Dupont de Nemours, talvez o mais inteligente do grupo, que, 
segundo Schumpeter, possuía o talento brilhante de um pianista, mas não de um 
compositor, e que reuniu e comentou as obras dos fisiocratas, especialmente as de 
Quesnay; Turgot, intendente de Limoges e ministro de Luís XVI, que teve a 
oportunidade de aplicar as ideias econômicas de sua escola; e Karl Friedrich Margrave 
de Baden, posteriormente grão-duque de Baden, um dos políticos mais capazes de sua 
época, que fez várias tentativas para implementar a fisiocracia em seu principado. 
Os fisiocratas conquistaram um público atento entre os nobres da corte e os 
governantes da época, como Catarina da Rússia, Gustavo III da Suécia, Estanislau da 
 
 
Polônia, José II da Áustria, entre outros, que tentaram implementar algumas de suas 
máximas sobre um bom governo. 
A fisiocracia se estabeleceu, principalmente, como uma doutrina da ordem 
natural: o universo é regido por leis naturais, absolutas, imutáveis e universais, 
desejadas pela providência divina para a felicidade da humanidade. Os seres humanos, 
por meio da razão, podem descobrir essa ordem. 
Alguns autores consideram as teorias de Quesnay sobre o Estado e a sociedade 
meras reformulações da doutrina escolástica, que atendiam aos interesses dos nobres 
e da sociedade. Alguns até destacam uma certa tendência teológica no pensamento de 
Quesnay, no entanto, a maioria concorda em reconhecer a natureza puramente 
analítica ou científica de sua obra econômica. 
Precursor em diversos campos, Quesnay destacou-se na formulação de 
princípios de filosofia social utilitarista, resumidos na expressão obter a máxima 
satisfação com um mínimo de esforço. No âmbito do harmonismo, que seria 
desenvolvido no século XIX, ele reconheceu o antagonismo de classes, mas acreditava 
na compatibilidade universal ou na complementaridade dos interesses pessoais em 
uma sociedade competitiva. Em relação à teoria do capital, Quesnay afirmava que os 
empresários agrícolas deveriam iniciar suas atividades devidamente equipados, ou 
seja, com um capital – no sentido de riqueza acumulada – antes de começar a 
produção; no entanto, ele não analisou a formação e o comportamento do capital 
monetário e do capital real (HUNT, 2000). 
Em 1764, Adam Smith, então professor de Filosofia Moral na Universidade de 
Glasgow, teve a oportunidade de se encontrar com Quesnay, Turgot e outros fisiocratas 
durante uma visita à França. Doze anos depois, ele se tornaria o líder da escola 
clássica, que, junto com a escola fisiocrática, marcaria o início da fase verdadeiramente 
científica da Economia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
HUNT, E. K.; Serman, H. J. História do pensamento econômico. Petrópolis: Vozes, 
2000. 
MALTHUS, Thomas Robert. An essay on the principle of population. Nova York: 
Macmillan. p. 6.1909. 
VASCONCELLOS, M. A S; GARCIA, M. E. Fundamentos de Economia.7. ed. São 
Paulo: SaraivaUni, 2023. 
 
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