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Universidade Federal do Rio Grande do Sul Departamento de Engenharia Mecânica ENG03080 – Metrologia e Qualidade AULA PRÁTICA Nº2: MICRÔMETRO Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Engenharia, Departamento de Engenharia Mecânica – Rua Sarmento Leite, 425 – Porto Alegre/RS. RESUMO: Foram desenvolvidas as habilidades necessárias para a utilização do micrômetro, isto é, a correta leitura e manuseio. Ademais, às medições realizadas com o micrômetro foram aplicados alguns conceitos chave de estatística, como erro aleatório, incerteza-padrão, tendência e correção. PALAVRAS-CHAVE: micrômetro, erro sistemático, erro aleatório. INTRODUÇÃO O micrômetro é um instrumento utilizado para fazer medições lineares com elevado grau de precisão, tendo uma resolução de 0,01mm ou em alguns casos até 0,001mm. O tipo mais comum de micrômetro possui um arco rígido que liga as faces de medição e é utilizado para fazer medições externas como espessura, diâmetro, largura, entre outros. Mas existem variados tipos de micrômetro para diferentes finalidades, sendo os principais o de arco profundo (semelhante ao citado anteriormente, mas com o arco maior para medir espessuras de bordas ou saliências), com discos nas hastes, com contato em forma de V, de profundidade, para roscas, para medir paredes de tubos, etc. METODOLOGIA Foram realizadas diversas medições de uma peça cilíndrica com o micrômetro. Utilizou-se um grande número de medições visando obter uma maior sensibilidade na análise, de modo que caso uma possível medida estivesse fora das conformidades, esta não refletiria em todo o processo. De posse dos valores obtidos nas medições, fez-se o cálculo da tendência, correção, indicação corrigida, erro aleatório, incerteza padrão, repetitividade, incerteza padrão da média e repetitividade da média. Procedimento Experimental O micrômetro foi fixado no suporte pelo arco, sempre com o cuidado de não tocar nos sensores. Com o encosto móvel recuado, a peça foi posicionada entre ele e o batente. O tambor foi girado, fazendo com que as faces do encosto móvel e do batente tocassem a peça. Efetuado o contato, sem pressão exagerada, girou-se a catraca até que fossem emitidos três cliques para obter-se, então, a medida almejada. Tanto o valor inteiro como o meio milímetro adicional foram dados na escala fixa. Buscou-se depois a coincidência entre a linha de escala fixa e o traço do tambor para obter a parcela centesimal a ser somada. Os componentes mencionados podem ser visualizados na Fig. 1. Figura 1. Partes constituintes do micrômetro Equações Governantes A tendência (Td) de um conjunto de medições é uma estimativa do erro sistemático e é dada pela eq. (1), onde VVC é o valor verdadeiro convencional. A correção (C) é a constante que, ao ser adicionada à indicação, compensa os erros sistemáticos, e é igual à tendência com o sinal oposto. O erro sistemático pode ser corrigido somando-se a cada valor individual de medição a correção; essa operação é chamada de indicação corrigida, eq.(2). Já o erro aleatório é imprevisível, porém pode ser estimado a partir da eq.(3). A medida da componente aleatória do erro de medição é chamada de incerteza-padrão (u), e é igual ao desvio padrão amostral (s) como mostra a eq.(4). A repetitividade, eq.(5), define a faixa dentro da qual o erro aleatório é esperado, para uma dada probabilidade. Na eq.(5), t é o coeficiente de Student para o nível de significância especificado e ν = n-1 graus de liberdade. Td = média - VVC (1) ICi = Ii – C (2) Eai = VVC - ICi (3) u = s = [(∑ (Ii – média)2) / (n-1)]1/2 (4) Re = ± u∙tα/2,ν (5) RESULTADOS E DISCUSSÃO Dada a peça metálica da Fig.2, foram aferidos os diâmetros da peça, com exceção do diâmetro B, em diferentes planos com um micrômetro de 0,01mm de resolução. Para a repetitividade foi utilizado uma confiabilidade de 95%. Os dados referentes às medições podem ser vistos na Tab. 1. Figura 2. Peça medida com o micrômetro Tabela 1.Medições e dados estatísticos Diâmetro ΦF ΦD ΦC ΦA VVC (mm) 12,00 16,00 20,00 24,00 Tendência (mm) 0,01 1,00 0,45 0,07 Correção (mm) -0,01 -1,00 -0,45 -0,07 Incerteza-Padrão (mm) 0,02 0,01 0,02 0,03 Repetitividade (mm) ±0,04 ±0,04 ±0,05 ±0,07 Repetitividade da Média (mm) 0,00 0,01 0,01 0,01 Incerteza-Padrão da Média (mm) 0,01 0,01 0,01 0,03 Os dados de tendência mostrados na Tab. 1 foram representados graficamente como curva de erros. O gráfico da Fig. 3 representa a distribuição dos erros sistemáticos e aleatórios ao longo da faixa de medição. Figura 3. Gráfico da curva de erros No eixo horizontal representa-se o valor da indicação. No eixo vertical, o erro de medição, sendo que o ponto central representa a tendência (Td) e, em torno desta, traçam-se os limites esperados para o erro aleatório estimados por: limite superior: Td + Re; limite inferior: Td – Re. Os valores máximos de tendência e a variação máxima de repetitividade podem ser verificados tanto na Tab. 1 como na Fig. 3. A máxima tendência ocorre em nos 16,00mm com um valor de 1,00mm e a variação máxima de repetitividade ocorre em 24,00mm com ±0,07mm. Nota-se que a estimativa para o erro sistemático (Td) alcançou valores maiores em determinados diâmetros, quando comparados ao experimento com o paquímetro (Tdmax=-0,61mm). A faixa na qual se espera estar contido o erro aleatório (Re), no entanto, foi reduzida em todos os diâmetros medidos. O erro máximo deste experimento foi de 1,04mm, no diâmetro D, enquanto um erro máximo (-0,66mm) menor foi obtido para o experimento nº01. Durante o experimento, foram analisadas ainda três questões propostas referentes à medição com o micrômetro: “Descreva os fatores que podem causar erros de leitura no micrômetro.” Paralaxe, manuseio do instrumento por operador inexperiente (não utilização da catraca), temperatura do instrumento e ou do mensurando muito diferente da indicada (cerca de 20°C), além disso, impurezas (sujeira) no mensurando ou no próprio instrumento podem afetar a medição. “Explique a função do relógio comparador incorporado ao micrômetro na medição de peças em produção seriada.” O relógio comparador serve para determinar a diferença existente entre um valor predeterminado e o valor medido. “Cite uma aplicação para o micrômetro com batente em V e com discos nas hastes.” O primeiro é indicado para medir peças com número ímpar de faces. O segundo, devido a sua maior área de contato, facilita a medição de papel, borracha, couro, entre outros, além de servir também para medir dentes de engrenagens. CONCLUSÃO Alguns erros na coleta podem ter prejudicado os resultados do experimento, elevando o erro sistemático, e deveriam ter sido minimizados para se ter um experimento conciso com a realidade. Obteve-se, no entanto, uma faixa aceitável para o erro aleatório. O processo foi satisfatório, uma vez que possibilitou a análise dos erros e a comparação entre estes a partir de dois instrumentos de medição. AGRADECIMENTOS Agradecemos aos colegas participantes e ao Professor Arnaldo Ruben Gonzalez, responsável pela disciplina Metrologia e Qualidade. REFERÊNCIAS Labmetro UFSC. “Laboratório de Metrologia e automatização”. 21 Abr. 2015, DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE Os autores são os únicos responsávelveis pelo material incluso neste trabalho.