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Governo e Transformação Digital Segurança Cibernética: Controles 1 a 6 do CIS Controls Enap, 2023 Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diretoria de Desenvolvimento Profissional SAIS - Área 2-A - 70610-900 — Brasília, DF Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diretoria de Desenvolvimento Profissional Conteudista/s André Gheventer (Conteudista, 2023); Raphael Carlos Santos Machado (Conteudista, 2023); Wladmir Araújo Chapetta (Conteudista, 2023). Curso desenvolvido no âmbito da Diretoria de Desenvolvimento Profissional – DDPRO 3Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Sumário Módulo 1 – Inventário e Controle de Ativos Corporativos e de Software: Controles 1 e 2 Unidade 1: Inventário e Controle de Ativos Corporativos: Controle 1 ..............6 1.1 Por que é Importante Inventariar e Gerenciar Ativos Corporativos?................... 6 1.2 Quais Procedimentos Gerais e Técnicas o Inventário de Ativos Corporativos Deve Compreender? ........................................................................................................ 9 1.2.1. Quais as Medidas de Segurança? ....................................................................... 11 1.3 A Descoberta Ativa ................................................................................................... 13 1.4 A Descoberta Passiva de Ativos .............................................................................. 14 1.5 Análise de Logs Dhcp ............................................................................................... 17 1.6. O Tratamento de Ativos Não Autorizados ............................................................ 18 Referências ............................................................................................................ 19 Unidade 2: Inventário e Controle de Ativos de Software: Controle 2 ..............20 2.1. Por que é Importante Inventariar e Gerenciar Ativos de Software? ................. 20 2.2 Quais os Procedimentos Gerais e as Técnicas que o Inventário de Ativos de Software Deve Compreender? ...................................................................................... 23 2.3. Como Criar um Inventário de Software? .............................................................. 28 2.4 Lista de permissões .................................................................................................. 28 Referências ............................................................................................................ 30 Módulo 2 – Proteção de Dados e Configuração Segura de Ativos Corporativos e Software: Controle 3 e 4 Unidade 1: Proteção de Dados: Controle 3 ......................................................... 31 1.1. Por que é Importante Proteger os Dados? .......................................................... 31 1.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas a Proteção de Dados Deve Compreender? ................................................................................................................ 35 1.3. Como Proteger seus Dados ................................................................................... 41 Referências ............................................................................................................ 44 4Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Unidade 2: Configuração Segura de Ativos Corporativos e de Software: Controle 4 ............................................................................................................... 45 2.1. Por Que é Importante Configurar os Ativos Corporativos e de Software de Forma Segura? ................................................................................................................ 45 2.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas a Configuração Segura de Ativos Corporativos e Software Deve Compreender? ........................................................... 46 2.3. Como Proteger os Ativos Corporativos e de Software? ...................................... 53 Referências ............................................................................................................ 56 Módulo 3 – Gestão de Contas e de Controle de Acesso: Controles 5 e 6 Unidade 1: Gestão de Contas: Controle 5 ............................................................ 57 1.1. Por Que é Importante Gerir Contas de Usuários? .............................................. 57 1.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas a Gestão de Contas Deve Compreender? ................................................................................................................ 59 1.3. O Inventário e a Proteção de Credenciais de Usuários ..................................... 64 Referências ............................................................................................................ 66 Unidade 2: Gestão do Controle de Acesso: Controle 6.......................................67 2.1. Por Que é Importante Controlar o Acesso e os Privilégios de Usuários? ........ 67 2.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas o Controle de Acesso Deve Compreender? ................................................................................................................ 69 2.3. Como Proteger as Credenciais da sua Organização? .......................................... 75 Referências ............................................................................................................ 76 5Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Apresentação e boas-vindas Seja bem-vindo(a) ao curso Segurança Cibernética: Controles 1 a 6 do CIS Controls! Antes de iniciar, assista ao vídeo de apresentação do curso: Apresentação do curso Por meio de conceitos e técnicas básicas, este curso fornecerá uma visão geral para implementação dos controles 1 a 6 do CIS e você compreenderá os pontos mais relevantes para a implementação desses controles. O curso está dividido em três módulos, que são: • Módulo I: Inventário e Controle de Ativos Corporativos e de Software: Controles 1 e 2 • Módulo II: Proteção de Dados e Configuração Segura de Ativos Corporativos e Software: Controle 3 e 4 • Módulo III: Gestão de Contas e de Controle de Acesso: Controles 5 e 6 Sempre que for relevante, faremos referências a publicações e a documentos técnicos que objetivam abordar questões comuns e difundir melhores práticas em matéria de privacidade e segurança da informação, relacionando-as aos controles do CIS Controls abordados no curso. Nesse sentido, cabe mencionar um documento dirigido aos órgãos e às entidades da Administração Pública Federal, o “Guia do Framework de Privacidade e Segurança da Informação”, documento de autoria da Secretaria de Governo Digital (SGD). No Anexo IV deste documento, a SGD disponibilizou uma “tabela de controles e medidas de cibersegurança”, correlacionando os controles do CIS a outras referências relevantes. Clique aqui para acessar. Pronto(a) para iniciar? Então, continue a leitura e bons estudos! https://youtu.be/9hrXbUZ2Zy4 https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/ppsi/guia_framework_psi.pdf 6Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Módulo 1 Inventário e Controle de Ativos Corporativos e de Software: Controles 1 e 2 Neste módulo, você começará sua trajetória no fortalecimento da cultura de segurança cibernética dentro de sua organização e aprenderá conceitos, procedimentos e técnicas fundamentais para a gestão de ativos corporativos e de software, com base nos Controles 1 e 2 do CIS Controls. A Secretaria de Governo Digital (SGD) disponibiliza um documento, cujo preenchimento tem a finalidade de auxiliar os órgãos e as entidades da Administração Pública Federal a elaborar a sua Política de Gestão de Ativos no âmbito institucional. Clique aqui para acessar. Unidade 1: Inventário e Controle de Ativos Corporativos: Controle 1 Ao final da unidade, você deverá ser capaz de reconhecer os principais conceitos,em: https://www.cisecurity.org/controls/v8/. Acesso em: 25 jul. 2023. CENTER FOR INTERNET SECURITY (CIS). Essential Guide to Election Security. [S. l.]: CIS, 2023. Disponível em: https://essentialguide.docs.cisecurity.org/en/latest/index. html. Acesso em: 25 jul. 2023. CHENG, Long; LIU, Fang; YAO, Danfeng. Enterprise data breach: causes, challenges, prevention, and future directions. Wires Data Mining and Knowledge Discovery, [s. l.], v. 7, n. 5, p. e1211, 2017. Disponível em:https://wires.onlinelibrary.wiley.com/ doi/10.1002/widm.1211. Acesso em: 25 jul. 2023. FREEPIK COMPANY. [Banco de Imagens]. Freepik, Málaga, 2023. Disponível em: https://www.freepik.com/. Acesso em: 8 out. 2023. IBM. Cost of a Data Breach: Report 2023. [S. l.]: IBM, 2023. Disponível em: https:// www.ibm.com/reports/data-breach. Acesso em: 25 de jul. 2023. RUBRIK. The State of Data Security: The Hard Truths. [S. l.]: Rubrik, [s. d.]. Disponível em: https://www.rubrik.com/content/dam/rubrik/en/resources/report-review/rpt- rubrik-zero-labs-sprint-report.pdf. Acesso em: 25 jul. 2023. THALES. 2023 Data Threat Report - Global Edition. 2023. Disponível em: https://cpl. thalesgroup.com/data-threat-report. Acesso em: 25 jul. 2023. 45Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Unidade 2: Configuração Segura de Ativos Corporativos e de Software: Controle 4 Ao final da unidade, você deverá ser capaz de recordar os principais conceitos, procedimentos e técnicas relacionadas ao processo de configuração segura de ativos corporativos e de software, relativos ao Controle 4 do CIS Controls. 2.1. Por Que é Importante Configurar os Ativos Corporativos e de Software de Forma Segura? A parte dos ataques cibernéticos mais comuns pode ser evitada por meio das configurações adequadas de segurança. Entretanto, muitas organizações não se atentam ao instalar novos ativos e mantêm, por exemplo, as configurações padrões (também chamadas de configurações de fábrica). Esse cenário pode ser confortável e até agilizar as instalações, mas isso pode ocasionar possíveis riscos de segurança gerados por configurações padrões fracas e/ou obsoletas pré-carregadas e já conhecidas pelos agentes maliciosos. Configurações vulneráveis e/ou fracas e/ou obsoletas podem estar relacionadas à: escolha de protocolos e/ou cifras inseguras ou inadequadas; portas, serviços e softwares desnecessários; configurações permissivas; além das credenciais administrativas com senhas padrões, como admin/admin. Ataque de negação de serviço. Fonte: Freepik (2023). 46Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Um bom exemplo de exploração dessas configurações padrões foi o ataque de negação de serviço (DoS - Denial Of Service - , em inglês) perpetrado pela botnet Mirai em 2016, rede que tem foco em dispositivos IoT. Na época, 400.000 dispositivos IoT foram comprometidos pela botnet Mirai após a realização de combinações de credenciais padrões, e juntos conseguiram derrubar serviços conhecidos como o Twitter e a Netflix. Até hoje, as soluções de segurança detectam ataques da botnet Mirai (MARZANO et al., 2018). Como exemplo mais recente, foi detectada uma vulnerabilidade no Apache Superset Software, em abril de 2023, causada por configuração padrão insegura que pode resultar em execução remota de código. Mais informações sobre essa vulnerabilidade podem ser encontradas aqui. Entretanto, mesmo depois da aplicação de uma configuração de segurança adequada em um ativo, essa configuração deverá ser reavaliada continuamente, durante toda a vida útil do ativo, buscando evitar a degradação da segurança após atualizações e/ ou as correções de softwares. Atenção! Todas as mudanças realizadas nos ativos para os ajustes de configuração de segurança devem ser registradas e autorizadas, a fim de manter o rastreamento quando necessário. De forma complementar, é possível que algumas configurações e credenciais padrões nos ativos corporativos e de software não sejam identificadas ou que ajustes errados nas configurações padrões sejam aplicados. E, nesse caso, é preciso que controles adicionais de segurança sejam implementados para proteger os ativos. Atenção! As configurações seguras devem ser aplicadas em dispositivos conectados localmente na infraestrutura da organização, assim como nos dispositivos que se conectam remotamente e nos mantidos em ambientes de nuvem. 2.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas a Configuração Segura de Ativos Corporativos e Software Deve Compreender? Em particular, as organizações utilizam muitos ativos corporativos e de software, às vezes com tecnologias e características semelhantes e/ou até iguais, como os https://cve.mitre.org/cgi-bin/cvename.cgi?name=CVE-2023-27524 47Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública desktops e os sistemas operacionais dos dispositivos dos usuários finais e de servidores, equipamentos de rede, entre outros. Por padrão, esses dispositivos são fornecidos de fábrica com configurações que buscam facilitar as suas instalações e reconfigurações, embora essas não sejam as ideais do ponto de vista de segurança. Realizar as configurações de segurança de forma adequada nos dispositivos é uma tarefa essencial para a manutenção da segurança, da conformidade, da operação e da continuidade dos negócios da organização. O OWASP (Open Source Foundation for Application Security) é uma comunidade online que cria e disponibiliza, de forma gratuita, artigos, metodologias, documentação, ferramentas e tecnologias no campo específico da segurança de aplicações web. Um dos documentos disponibilizados se chama “OWASP Top 10”, que representa amplo consenso sobre os riscos de segurança mais críticos para aplicativos da web. Veja na figura a seguir que as configurações incorretas de segurança (Security Misconfiguration) estão entre os riscos mais críticos para o OWASP. OWASP Top 10. Fonte: OWASP (2021). Entre as vulnerabilidades identificadas pelo OWASP estão as falhas de segurança na codificação, as funcionalidades ativas e/ou instaladas de forma desnecessária, as credenciais padrões não alteradas, as versões obsoletas etc. Saiba mais sobre o OWASP Top 10 clicando aqui. Para proteger os dispositivos, o CIS recomenda inicialmente o estabelecimento e a manutenção de um processo de gerenciamento de configuração segura dos ativos, podendo estar contido em uma política e/ou em um normativo da organização. O CIS recomenda que o processo tenha quatro etapas, conforme a figura e as descrições abaixo. https://owasp.org/Top10/ 48Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diagrama do processo de gerenciamento de configuração segura proposto pelo CIS (2022). Saiba mais sobre cada etapa recomendada na figura acima no modelo de Política de Gerenciamento de Configuração Segura, disponibilizado pelo CIS (disponível aqui). De forma geral, é necessário que sejam estabelecidas, mantidas, aplicadas, monitoradas e ajustadas linhas de base (baselines) de configurações seguras. Uma baseline de segurança é um conjunto documentado mínimo de configurações de segurança acordadas que permitem a implantação por padrão mais segura de determinados dispositivos e seus componentes. Entretanto, um dos desafios no estabelecimento de uma baseline de segurança é que não existe um conjunto perfeito de configurações de segurança para cada dispositivo e contexto. É um ponto de partida que cada organização deverá avaliar conforme o seu modelo de negócios e/ou ambiente de tecnologia e/ou seu apetite ao risco. Felizmente, podemos encontrar diversas recomendações, checklists e modelos de baselines de segurança na internet, como: • CIS Benchmarks (disponível aqui) • Microsoft Security Compliance Toolkit (SCT) (disponível aqui) O NIST define o conceito de hardening como sendo um processo destinado a eliminar os meios de ataque, corrigindo vulnerabilidades e desativando serviços não essenciais. Esse conceito se assemelha ao do baseline de segurançae muitos fazem a consolidação tratando o processo com o termo hardening baseline. https://www.cisecurity.org/insights/white-papers/secure-configuration-management-for-cis-control-4 https://www.cisecurity.org/cis-benchmarks https://learn.microsoft.com/en-us/windows/security/operating-system-security/device-management/windows-security-configuration-framework/security-compliance-toolkit-10 49Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública O NIST também disponibiliza um guia sobre a temática em sua “Special Publication 800-128”. Para acessar, clique aqui. 2.2.1 Quais as Medidas de Segurança? De forma geral, é preciso também estabelecer meios técnicos para conseguir realizar a proteção dos ativos corporativos e de software. No vídeo a seguir, faremos uma breve explicação das medidas de segurança do Controle 4 que buscam realizar a proteção dos ativos corporativos e de software. Controle 4 do CIS Controls Em linhas gerais, para a configuração segura de ativos corporativos e de software, as seguintes medidas de segurança técnicas são recomendadas pelo CIS: 1. Configurar bloqueios automáticos, conforme medidas de segurança 4.3 e 4.10 do CIS Controls v8. Para melhor compreender essa medida, veja uma breve explanação sobre dois conceitos/técnicas que estão relacionados aos acessos físicos (ou presenciais) não autorizados, aos dados e às informações dos dispositivos. + Ameaça interna (Insider threat) A Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura (CISA - Cybersecurity & Infrastructure Security Agency), responsável por fortalecer a segurança cibernética e a proteção das infraestruturas do governo dos EUA, explica que uma ameaça interna é o potencial de uma pessoa interna à organização de usar o seu acesso autorizado, conscientemente ou não, para, por exemplo, acessar e divulgar informações confidenciais e/ou restritas sem permissão. Veja mais aqui. + Ataque de força bruta É uma técnica de ataque contendo atividades sistemáticas, com mecanismos interativos ou repetitivos, para tentar adivinhar, por exemplo, a composição de credenciais de acesso de um usuário. https://nvlpubs.nist.gov/nistpubs/SpecialPublications/NIST.SP.800-128.pdf https://youtu.be/Mv069-UBWlE https://www.cisa.gov/topics/physical-security/insider-threat-mitigation/defining-insider-threats 50Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Com base nas informações acima, a recomendação do CIS é que se faça o bloqueio automático das sessões dos usuários após um período de inatividade, mitigando, assim, o risco de agentes maliciosos internos acessarem os dispositivos corporativos conectados na infraestrutura da organização enquanto os usuários estiverem ausentes. De forma complementar, para reduzir o risco do sucesso de ataques de força bruta locais (presenciais) em dispositivos portáteis do usuário final, faz-se necessário, quando possível, impor o bloqueio automático após um limite pré-determinado de tentativas de autenticação com falha. Dessa forma, o acesso não autorizado aos dados e às informações de um dispositivo roubado e/ou perdido é dificultado. Atenção! O CIS recomenda que o bloqueio da sessão seja realizado em até 15 minutos de inatividade nos ativos com sistemas operacionais de uso geral e em até 2 minutos se for um dispositivo móvel. 2. Faça uso de firewalls nos ativos servidores e de usuário final, conforme medidas de segurança 4.4 e 4.5 do CIS Controls v8. Basicamente, o uso de firewalls locais nos dispositivos, sejam de dispositivos de usuários finais, sejam de servidores, objetiva o fornecimento de uma camada adicional de proteção que analisa e impede o tráfego de dados não compatíveis com as atividades da organização. Uso de firewalls. Fonte: Freepik (2023). Nesse sentido, o firewall local pode impedir uma série de atividades maliciosas que fazem uso de portas e serviços disponibilizados desnecessariamente e sem gestão e/ou monitoração das equipes técnicas, por descuido nas configurações 51Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública de segurança. Na prática, por exemplo, um servidor web, com configurações e credenciais padrões, pode ser disponibilizado em um dispositivo que não necessita desse serviço, permitindo que agentes maliciosos tentem acessar remotamente o dispositivo por meio de vulnerabilidades no servidor web. 3. Gerenciamento seguro de ativos e softwares corporativos, conforme medida de segurança 4.6 do CIS Controls v8. Essa medida está relacionada ao gerenciamento da segurança dos ativos ao longo de seus ciclos de vida e do uso dos baselines de segurança. As organizações devem estar cientes dos potenciais riscos de segurança gerados pelos provisionamentos de novos dispositivos corporativos. O CIS recomenda o uso de um conceito de controle de versões por meio de técnica chamada de “infraestrutura como código” (infrastructure-as-code/IaC) para mitigar esses riscos. Em um modelo de IaC, o gerenciamento e o provisionamento de infraestrutura são realizados por meio de código. Nesse cenário, arquivos com codificação de configurações baseadas nas baselines de segurança são usados no momento da instalação de um dispositivo, por exemplo. Assim, o processo de provisionamento de um dispositivo é mais consistente, reproduzível e rápido, podendo até ser automatizado, evitando, assim, que possíveis falhas nas configurações de segurança sejam aplicadas nos procedimentos manuais. Um componente do IaC muito importante quando se usa esse tipo de modelo é o controle de versão das baselines de segurança, que objetiva manter um histórico das modificações e de seus responsáveis. Ao realizar as atividades administrativas para o provisionamento e a gestão dos ativos, utilize protocolos seguros de comunicação, como o SSH e o HTTPS. Desse modo, evita-se que o tráfego seja interceptado por agentes maliciosos que possam comprometer as configurações de segurança. 4. Gerenciar as contas padrões e os serviços desnecessários, conforme medidas de segurança 4.7 e 4.8 do CIS Controls v8. Como já discutido anteriormente, credenciais padrões pré-configuradas, como logins de usuário root e administrador, e mantidas nos dispositivos em produção, assim 52Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública como a manutenção de serviços desnecessários, incrementam as vulnerabilidades e a superfície de ataque dos agentes maliciosos. Desativar ou inutilizar essas credenciais e serviços desnecessários são atividades fundamentais e a melhor prática para a segurança cibernética. Se não for possível desativar e/ou inutilizar uma credencial padrão, no mínimo e o mais breve possível, troque a senha. Caso necessite de privilégios administrativos para realizar as atividades de gestão dos ativos, crie credenciais novas. Entretanto, não crie essas credenciais com nomes que possam indicar as suas funções, por exemplo, user_admin ou super_user, e prejudicar a rastreabilidade. De forma complementar, não utilize essas credenciais para atividades corriqueiras do dia a dia, como a navegação na internet. 5. Configure servidores DNS confiáveis, conforme medida de segurança 4.9 do CIS Controls v8. Servidores DNS podem estar comprometidos por agentes maliciosos, às vezes até servindo para a distribuição de malware. Um tipo de ataque cibernético conhecido em que o tráfego é desviado de forma maliciosa de um site legítimo para um site falso é chamado de envenenamento do Sistema de Nomes de Domínio (DNS poisoning). Esse ataque também pode ser conhecido por sequestro de DNS (DNS hijacking), redirecionamento, falsificação ou envenenamento de cache. Então, para mitigar os riscos do uso de um DNS comprometido, configure os ativos para usar servidores DNS internos controlados pela própria organização e/ou externos com boa reputação, que não necessariamente serão os do seu provedor de comunicação internet (ISP). Os serviços DNS da Cloudflare (1.1.1.1) ou do Google (8.8.8.8) são exemplos desses provedores externos públicos de DNS.Saiba mais sobre DNS seguro clicando aqui. 6. Realize a limpeza remota dos dados corporativos de dispositivos portáteis de usuário final, conforme medida de segurança 4.11 do CIS Controls v8. Qual é a maior preocupação em casos de perda e/ou roubo de um smartphone pessoal, por exemplo? Alguém pode obter acesso à nossa lista de contatos, aos https://www.kaspersky.com.br/blog/secure-dns-private-dns-benefits/20820/ 53Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública aplicativos de bancos e/ou às credenciais para acessos a serviços na internet com intenções maliciosas? Desse mesmo modo, as organizações também devem se preocupar com os dados confidenciais e/ou restritos mantidos localmente nos ativos corporativos, principalmente nos dispositivos móveis dos usuários, como notebooks e smartphones. Em particular, o risco de um dispositivo corporativo móvel ser perdido ou roubado existe, e uma alternativa para reduzir possíveis acessos e violações aos dados confidenciais mantidos nesse tipo de dispositivo é configurar soluções e tecnologias de limpeza remota (Remote Wipe) que permitem a execução de comandos de exclusão desses dados sem precisar do acesso físico (presencial). 7. Separe os espaços de trabalho, conforme medida de segurança 4.12 do CIS Controls V8. Mesmo com os controles de segurança implementados nos dispositivos móveis corporativos utilizados pelos usuários finais, ainda sim existe o risco de esses serem comprometidos por agentes maliciosos após, por exemplo, um acesso particular a um site malicioso e/ou um simples clique em link de e-mail phishing que consiga instalar um malware no dispositivo. Nesse caso, é possível que um agente malicioso consiga acessar dados e serviços corporativos mantidos no dispositivo. E, para ajudar na prevenção desse tipo de ataque, a recomendação do CIS é aplicar recursos e/ou funcionalidades que possibilitem a separação da área de trabalho nesses dispositivos, de modo que as aplicações e os dados corporativos fiquem separados dos dados e das aplicações pessoais. 2.3. Como Proteger os Ativos Corporativos e de Software? Neste item você verá algumas técnicas e soluções utilizadas na proteção dos ativos corporativos e de software. 2.3.1. Mobile Device Management (MDM) Basicamente, o MDM é um conceito utilizado para designar soluções tecnológicas que permitem o gerenciamento remoto de dispositivos móveis, podendo incluir funcionalidades diversas, como habilitar e desabilitar serviços, separar os espaços 54Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública de trabalho, configurar regras de senhas, fazer backups, customizar as proteções de telas, realizar limpezas remotas (Remote Wipe), localizar dispositivos perdidos e/ou roubados, entre outras. Neste tópico, você verá três soluções que permitem realizar o bloqueio dos dispositivos após tentativas falhas de autenticação local e/ou de separar os espaços de trabalho: • Microsoft InTune Device Lock O Microsoft InTune Device Lock faz parte da família de soluções de MDM da Microsoft e permite o bloqueio do dispositivo após tentativas falhas de autenticação local. É uma solução multiplataforma baseada em nuvem que permite o gerenciamento remoto de dispositivos Android, iOS e macOS. • Apple Configuration Profile A Apple disponibiliza um recurso chamado “Apple Configuration Profile” que permite diversas configurações de segurança em dispositivos iOS, como o bloqueio do dispositivo após falhas de autenticação local e a separação dos espaços de trabalho. Entretanto, para usar esse recurso, é necessário que o responsável pela configuração faça os procedimentos localmente (ou presencialmente) ou poderá usar uma solução de MDM da Apple. • Android Work Profile É uma funcionalidade nativa em smartphones android que permite a separação dos espaços de trabalho. 2.3.2. Security Content Automation Protocol (SCAP) Agora você verá duas ferramentas baseadas no SCAP que permitem verificar as conformidades de segurança por meio de baselines de segurança. SCC Desenvolvida pela Naval Information Warfare Center (NIWC Atlantic), anteriormente chamada de SPAWAR Atlantic (veja mais aqui). CIS-CAT Lite O CIS-CAT Lite é uma ferramenta gratuita desenvolvida pelo CIS baseada no SCAP. Entretanto, a sua versão gratuita é bem limitada e não disponibiliza a mesma quantidade de baselines de segurança quanto à versão paga CIS-CAT Pro (veja mais aqui). https://www.microsoft.com/pt-br/security/business/microsoft-intune https://support.apple.com/pt-br/guide/deployment/dep1d7afa557/web https://support.google.com/work/android/answer/6191949?hl=en https://public.cyber.mil/stigs/scap/ https://learn.cisecurity.org/cis-cat-lite 55Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública O NIST também disponibiliza baselines de segurança que podem ser utilizadas com as ferramentas compatíveis com SCAP. Saiba mais aqui. Que bom que você chegou até aqui! Agora é a hora de testar seus conhecimentos. Para isso, acesse o exercício avaliativo disponível no ambiente virtual. Bons estudos! https://ncp.nist.gov/repository 56Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Referências BRASIL. Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Guia do Framework de Privacidade e Segurança da Informação. Programa de Privacidade e Segurança da Informação (PPSI). versão 1.1.2. Brasília, DF: SGD, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/ppsi/ guia_framework_psi.pdf. Acesso em: 2 out. 2023. CENTER FOR INTERNET SECURITY (CIS). CIS Controls v8. [S. l.]: CIS, 2021. Disponível em: https://www.cisecurity.org/controls/v8/. Acesso em: 25 jul. 2023. CENTER FOR INTERNET SECURITY (CIS). Essential Guide to Election Security. [S. l.]: CIS, 2023. Disponível em: https://essentialguide.docs.cisecurity.org/en/latest/index. html. Acesso em: 25 jul. 2023. CENTER FOR INTERNET SECURITY (CIS). How to Create a Data Protection Plan. CIS, [s. l.], [s. d,]. Disponível em: https://www.cisecurity.org/insights/blog/how-to-create-a- data-protection-plan. Acesso em: 2 out. 2023. FREEPIK COMPANY. [Banco de Imagens]. Freepik, Málaga, 2023. Disponível em: https://www.freepik.com/. Acesso em: 8 out. 2023. MARZANO, A. et al. The Evolution of Bashlite and Mirai IoT Botnets. In: IEEE Symposium on Computers and Communications (ISCC), 2018, Natal. Proceedings [...] Natal, Brazil: IEEE, 2018. p. 813-818. Disponível em: https://ieeexplore.ieee.org/ document/8538636. Acesso em: 25 jul. 2023. OWASP. OWASP Top Tem. [S. l.]: Owasp, 2021. Disponível em: https://owasp.org/ www-project-top-ten/. Acesso em: 25 jul. 2023. 57Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Gestão de Contas e de Controle de Acesso: Controles 5 e 6 Neste módulo, por meio de processos e técnicas básicas, você aprenderá como proteger as credenciais de acesso contra usos não autorizados. Unidade 1: Gestão de Contas: Controle 5 Ao final da unidade, você deverá ser capaz de esclarecer os principais conceitos, procedimentos e técnicas relacionadas ao processo de gestão de contas, relativos ao Controle 5 do CIS Controls. 1.1. Por Que é Importante Gerir Contas de Usuários? Contas ainda válidas depois que usuários deixam a organização, contas de teste inativas ou remanescentes, contas compartilhadas que não foram alteradas em meses ou anos e contas de serviço incorporadas em códigos para o funcionamento e a integração de aplicações que o pessoal técnico nem lembra mais para que serve. Esses exemplos lhe soam familiar? E usuários que utilizam a mesma senha corporativa em serviços públicos e/ou particulares na internet? Esse contexto e as violações envolvendo credenciais são mais comuns do que se imagina. Em junho de 2023, o Group-IB, empresa especializada em segurança cibernética, identificou que mais de 100 mil contas cadastradas na base do ChatGPT estão sendo negociadas em mercados ilícitos na Dark Web, estando o Brasil entre os mais afetados, conformefigura a seguir. Ademais, muitas empresas estão integrando o ChatGPT em seu fluxo operacional (SHESTAKOV, 2023). Módulo 3 58Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Credenciais do ChatGPT comprometidas. Fonte: Adaptado de Shestakov (2023) No relatório “2023 Data Breach Investigations Report”, da Verizon (2023), empresa de telecomunicações dos EUA, com dados de 2022 sobre incidentes e violações cibernéticas, foi identificado que 86% das violações ocorridas em Aplicações Web ocorreram por meio do uso de credenciais roubadas. Acesse o relatório da Verizon, clicando aqui. O roubo de credenciais é um dos principais objetivos dos ciberataques. Com as credenciais roubadas, esses criminosos conseguem acessar de forma legítima os ativos corporativos e de softwares como se fossem os proprietários dessas credenciais, podendo violar dados valiosos da organização. Proteger as credenciais é uma das atividades mais importantes para uma organização. A figura abaixo ilustra o resultado da investigação da Verizon (2023). https://www.verizon.com/business/resources/reports/2023-data-breach-investigations-report-dbir.pdf 59Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Violações em aplicações Web. Fonte: Adaptado de Verizon (2023). Atenção! Contas administrativas ou altamente privilegiadas são alvos específicos, porque permitem que atacantes adicionem outras contas ou façam alterações em ativos que podem torná- las mais vulneráveis a outros ataques. O material elaborado pela Microsoft chamado “Contas atraentes para roubo de credenciais” (MICROSOFT, 2023) alerta e exemplifica diversas vulnerabilidades ao se usar credenciais privilegiadas (disponível aqui). 1.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas a Gestão de Contas Deve Compreender? Tratando-se de gestão de contas, os três primeiros aspectos a se observar são: visibilidade, visibilidade e visibilidade. As credenciais são o principal ponto de entrada https://learn.microsoft.com/pt-br/windows-server/identity/ad-ds/plan/security-best-practices/attractive-accounts-for-credential-theft 60Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública de uma organização e precisam de atenção especial, mas primeiro é preciso saber onde estão, com quem estão e para que são utilizadas. Desse modo, as credenciais também são ativos que devem ser inventariados e rastreados, de forma semelhante aos ativos corporativos e de software. Novamente, o primeiro passo é estabelecer e manter o inventário de todas as contas de usuários e serviços gerenciados pela organização, não somente das contas com acessos privilegiados, para, em seguida, aplicar as proteções adequadas. É importante que esse inventário inclua, pelo menos, o nome da conta (login), o seu proprietário e o departamento, se tem privilégio administrativo ou não, se a conta é local ou não, o propósito da conta, caso seja de serviço, e a data de revisão. Em seguida, de posse do inventário, mantenha uma rotina periódica para validar se todas as contas ativas ainda estão autorizadas a serem usadas. É possível e muito comum que usuários, terceirizados ou não, que saíram da organização ainda estejam com a conta ativa, assim como possíveis contas de serviços que não são mais necessárias. Atente-se para as novas contas adicionadas desde a revisão anterior do inventário, especialmente as contas com privilégios administrativos e de serviço. Em particular, procure entender o processo de criação e a autorização dessas contas. 1.2.1. Quais as Medidas de Segurança? O CIS recomenda algumas medidas técnicas para mitigar os riscos de roubo e mau uso das credenciais da organização. No vídeo a seguir, faremos uma breve explicação das medidas de segurança do Controle 5 que buscam realizar a gestão de contas. Controle 5 do CIS Controls Veja, a seguir, os principais conceitos e técnicas que são tratados pelas medidas propostas para o Controle 5. https://youtu.be/ZUYrsMTCyss 61Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 1. Usar senhas fortes e exclusivas, conforme medida de segurança 5.2 do CIS Controls v8. As senhas ainda continuam sendo um dos temas mais importantes para a proteção das credenciais. Uma senha “forte” ajuda a manter os atacantes longes dos sistemas e dos serviços corporativos. No entanto, mesmo uma senha dita “forte” requer outras proteções complementares para reduzir o risco de violações, como um Múltiplo Fator de Autenticação (MFA – Multi-factor Authentication), principalmente para os acessos aos dados confidenciais, críticos e/ou por meio de contas com privilégios administrativos. O MFA é um conceito de autenticação em que um usuário fornece mais de um fator de validação, além da senha, para ter acesso a um site, a um aplicativo ou a um recurso, como um código recebido no celular e/ou em e-mail. A Hive Systems, empresa com foco em cibersegurança com sede nos EUA, é bastante conhecida por uma tabela chamada de “Hive Systems Password Table”, que lista o tempo de quebra de uma senha conforme o seu tamanho e complexidade. Em 2023, a empresa resolveu incrementar o tema complementando os resultados por meio do uso do ChatGPT. Veja os resultados abaixo e a mudança do cenário. Como pode ser visto, com o uso dessa ferramenta, os tempos de quebra caíram consideravelmente, quando olhamos os cenários de senhas mais complexas. Tempo que um hacker leva para quebrar a senha usando força bruta. Fonte: Hive Systems (2023) 62Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Tempo que o ChatGPT leva para quebrar a senha usando inteligência artificial. Fonte: Hive Systems (2023) Saiba mais sobre as tabelas disponibilizadas pela empresa Hive Systems clicando aqui. Veja algumas dicas sobre o tema: • Quer saber se o seu endereço de e-mail já apareceu em algum vazamento? Clique aqui e faça a consulta. • Quer saber se a sua senha já apareceu em algum vazamento ou em banco de senhas? Clique aqui e faça a consulta. • Quer validar se a sua senha é realmente forte? Clique aqui e faça a consulta. • Quer gerar uma senha forte? Clique aqui e veja como. 2. Desabilitar contas inativas, conforme medida 5.3 do CIS Controls v8. Como já dito anteriormente, contas podem ainda estar ativas de forma desnecessária. Portanto, essas contas precisam ser desativadas ou excluídas o mais breve possível e sempre que possível. Entretanto, é importante sinalizar que uma conta pode estar sem uso por diversos motivos, por exemplo: conta de usuário que não trabalha mais na organização; https://www.hivesystems.io/password https://haveibeenpwned.com/ https://haveibeenpwned.com/Passwords https://password.kaspersky.com/pt/ https://passwordwolf.com/ 63Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública conta que foi usada para testes pontuais; conta de usuário de licença médica; conta de serviço de sistema utilizada em períodos ou em finalidades específicas e que ainda é necessária; ou conta de aplicação desativada. Portanto, avalie sempre cada situação antes de realizar a desativação ou a exclusão de uma conta. O CIS deixa o alerta recomendando excluir ou desativar uma conta inativa após um período de 45 dias de inatividade, se suportado. Atenção! Normativos legais podem exigir que as contas não sejam excluídas e/ou reutilizadas, somente inutilizadas, a fim de manter o rastreamento para auditorias futuras e conformidades. 3. Restrinja os privilégios de administrador, conforme medida 5.4 do CIS Controls v8. Contas com privilégios administrativos devem ser utilizadas somente para as tarefas que requeiram esse perfil. Agentes maliciosos buscam principalmente e intermitentemente as contas com privilégios administrativos para realizarem as violações, já que com essas contas será possível acessar e desativar possíveis controles de segurança, criar, alterar e/ou remover contas, instalar softwares e malwares, entre outras atividades. Portanto, não facilite! Usar contas com privilégios administrativos para as tarefas rotineiras,como a navegação na internet e/ou a leitura de e-mails, deve ser evitado. Lembre-se de que, mesmo com todos os cuidados, podemos inadvertidamente acessar um site malicioso, ou clicar em um link, e baixar e instalar um malware. Por exemplo, o Centro Nacional de Segurança Cibernética (NSCS - National Cyber Security Centre), órgão do Gabinete de Segurança das Comunicações do Governo da Nova Zelândia, disponibiliza recomendações para se tratar contas com privilégios administrativos, e ressalta: Restringir os privilégios administrativos está entre as quatro estratégias mais importantes para se mitigar as invasões cibernéticas. (NCSC, 2023) Acesse as recomendações do NCSC clicando aqui. https://www.ncsc.govt.nz/assets/NCSC-Documents/NCSC-Restricting-Admin-Priviledges-Explained.pdf 64Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Atenção! Não se esqueça de considerar também para análise dessa medida os privilégios locais de administração muitas vezes concedidos para os dispositivos dos usuários finais. 4. Centralizar a gestão de contas, conforme medida de segurança 5.6 do CIS Controls v8. Essa medida parece óbvia, já que muitos irão dizer que usam o Active Directory da Microsoft e/ou um serviço de LDAP no Linux. Contudo, é possível que existam contas locais nos dispositivos de usuários finais e/ou de servidores, seja para possível necessidade técnica, seja por ser uma conta padrão mantida. Ademais, essas contas locais podem ter privilégios administrativos. Centralizar a gestão de contas em um serviço de diretório facilita a gestão, a monitoração e, por exemplo, o rápido bloqueio dos acessos de uma conta quando necessário. 1.3. O Inventário e a Proteção de Credenciais de Usuários Existem diversas soluções e ferramentas técnicas que podem apoiar na gestão de contas, mas vamos nos concentrar em apenas sinalizar alguns conceitos e recomendações que podem ser utilizados, para que posteriormente seja mais fácil analisar as possíveis alternativas, ferramentas e soluções técnicas disponíveis: Gestão de Identidades e Acessos (Identity and Access Management / IAM): É o conceito de solução cujo objetivo é garantir que os usuários e os dispositivos certos possam acessar os recursos certos, como sistemas, redes e dados, pelos motivos certos e no momento certo. Uma solução de IAM pode ser fornecida como serviço em nuvem, instalada localmente (on-premise) ou híbrida, assim como pode ser composta por processos e ferramentas. Elevação de privilégios: É a estratégia de ataque cibernético em que um agente malicioso, usando um acesso e/ou uma conta com privilégio padrão, consegue explorar um erro, uma falha de 65Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública projeto ou um descuido na configuração em um sistema operacional ou software de aplicação e executar comandos que permitirão obter acessos privilegiados. Tradeoff da segurança da informação: Um dos maiores desafios dos líderes de segurança atualmente é chegar ao nível adequado dos controles de segurança que não penalize os processos de negócio. Muitos até fazem uso da frase “Quanto mais conveniente menos segurança”. Entretanto, vamos dar um exemplo prático. O CIS recomenda o uso de senhas exclusivas para todos os ativos corporativos e cita que as melhores práticas do mercado recomendam o uso de senhas com, no mínimo, 8 caracteres para contas que usam MFA e uma senha de 14 caracteres para contas que não usam MFA. O CIS disponibiliza um guia com recomendações e demais informações sobre a construção e o uso de senhas (veja aqui). Gerenciador de senhas ou cofre de senhas: São tecnologias de cofres virtuais que permitem armazenar diversas credenciais de acesso com segurança. Essas soluções podem atuar com múltiplos fatores de autenticação, salvar suas senhas exclusivas para cada ativo e/ou serviço, e até preencher automaticamente quando necessitar fazer uso das senhas. • Dados pessoais podem ser vazados por meio da criação, do uso e da divulgação de credenciais. Portanto, ao criar uma conta, abstenha-se de obter mais dados pessoais do que o necessário. • Os agentes maliciosos podem tentar roubar as credenciais acessando o banco de dados do Active Directory e/ou o LDAP e/ou diretamente os arquivos /etc/passwd e /etc/shadow. Mantenha esses ambientes seguros. Você chegou ao final desta unidade de estudo. Caso ainda tenha dúvidas, reveja o conteúdo e se aprofunde nos temas propostos. Até a próxima! https://www.cisecurity.org/insights/white-papers/cis-password-policy-guide 66Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Referências HIVE SYSTEMS. Password-table. Hive Systems, 2023. Disponível em: https://www. hivesystems.io/password. Acesso em: 28 jul. 2023. MICROSOFT. Contas atraentes para roubo de credenciais. Microsoft, [s. l.], 2023. Disponível em: https://learn.microsoft.com/pt-br/windows-server/identity/ad-ds/ plan/security-best-practices/attractive-accounts-for-credential-theft. Acesso em: 28 jul. 2023. NATIONAL CYBER SECURITY CENTRE (NCSC). Restricting Administrative Privileges Explained. Disponível em: https://www.ncsc.govt.nz/assets/NCSC-Documents/ NCSC-Restricting-Admin-Priviledges-Explained.pdf. Acesso em: 28 jul. 2023. SHESTAKOV, D. Group-IB Discovers 100K+ Compromised ChatGPT Accounts on Dark Web Marketplaces; Asia-Pacific region tops the list. 2023. Disponível em: https:// www.group-ib.com/media-center/press-releases/stealers-chatgpt-credentials/. Acesso em: 28 jul. 2023. VERIZON. 2023 Data Breach Investigations Report (DBIR). Disponível em: https:// www.verizon.com/business/resources/reports/2023-data-breach-investigations- report-dbir.pdf. Acesso em: 28 jul. 2023. 67Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Unidade 2: Gestão do Controle de Acesso: Controle 6 Ao final da unidade, você deverá ser capaz de reconhecer os principais conceitos, procedimentos e técnicas relacionadas ao processo de gestão de controle de acesso, relativos ao Controle 6 do CIS Controls. 2.1. Por Que é Importante Controlar o Acesso e os Privilégios de Usuários? Organizações podem conceder às contas mais privilégios do que precisam. Isso se dá por conveniência, descuido, negligência e/ou complexidade do procedimento. Conceder, por exemplo, uma permissão total e/ou colocar o usuário em um grupo de administração do domínio e/ou do computador local é mais rápido e mais fácil, entretanto incrementa o risco desnecessariamente em caso de comprometimento de uma credencial dessa e pode até incorrer em não conformidades legais. As contas devem ter apenas a autorização mínima necessária para a função. Acesso e privilégio de usuários. Fonte: Freepik (2023). 68Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública A principal causa das violações nas aplicações web é o roubo de credenciais. Um agente malicioso de posse de uma credencial válida terá a liberdade de acessar os mesmos recursos concedidos para o usuário responsável pela credencial roubada. Diante dessa situação e dos riscos associados, é importante também reduzir ou limitar os impactos gerados pelos roubos de credenciais, tornando as violações bem-sucedidas menos eficazes. Proteger as identidades digitais nunca foi tão crucial quanto os ataques cibernéticos que aumentam rapidamente em sofisticação e volume. O comportamento dos funcionários costuma ser a principal causa dos incidentes relacionados à identidade (IDSA, 2023). De acordo com o relatório “Trends in Securing Digital Identities de 2023” (IDSA, 2023), 90% das organizações sofreram pelo menos uma violação relacionada à identidade em 2022. Nesse estudo, constatou-se que 68% das organizações que sofreram uma violação baseada em identidade em 2022 responderam que tiveram impactos diretos no negócio. Além disso, o relatório da IDSA identificou também que 42% dos entrevistados disseram que a implementação de uma autenticação multifator (MFA) para todos os usuários poderia ter evitado ou minimizado o efeito dos incidentes,seguido de revisões oportunas de acesso a dados sensíveis (40%) e acesso privilegiado (34%). Acesse o relatório da IDSA clicando aqui. Autenticação MFA resistente a phishing Um novo conceito de proteção para aumentar a confiabilidade do uso do MFA contra ataques do tipo phishing chamado de “autenticação MFA resistente a phishing” ou, em inglês, “phishing resistant MFA authentication” foi citado no relatório da IDSA, e 83% dos entrevistados informaram que estão otimistas e que será uma ótima e sólida tecnologia para o futuro A Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura (CISA) publicou uma notícia em seu site com o seguinte conteúdo traduzido “O MFA resistente a phishing é a chave para a tranquilidade” (CISA, 2022). Como parte dos planos de longo e médio https://www.idsalliance.org/white-paper/2023-trends-in-securing-digital-identities/ 69Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública prazo para aplicar os princípios Zero Trust, a CISA incentiva todas as organizações a implementarem o “MFA resistente a phishing”. Diante disso, também foi gerado o documento chamado de “Implementing Phishing- Resistant MFA” (disponível aqui). Confiança Zero (Zero Trust) Um conceito, relacionado também à gestão dos privilégios e aos acessos, muito discutido e replicado pelos fornecedores de soluções de segurança é o da “Confiança Zero (Zero Trust)”. A “Confiança Zero” é um conceito criado com base na crença de que a confiança implícita sempre é uma vulnerabilidade e, portanto, a segurança deve ser projetada com uma estratégia – nunca confie, sempre verifique. Basicamente, a Confiança Zero restringe o acesso aos recursos de tecnologia da informação (TI) usando processos rigorosos de verificação de identidade e de dispositivo (VMWARE, 2022). Como leitura complementar, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) disponibiliza dois documentos relacionados à confiança zero e à identidade digital, são eles: • NIST SP 800-207. Zero Trust Architecture. 2020. Disponível aqui. • NIST SP 800-63. Digital Identity Guidelines. 2023. Disponível aqui. 2.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas o Controle de Acesso Deve Compreender? Inicialmente, a recomendação do CIS prioriza o estabelecimento de processos para concessão e revogação de privilégios, de preferência automatizados, que incluam os níveis adequados de aprovação e que possam apoiar no gerenciamento de todo o ciclo de vida do acesso. Importante aqui sinalizar que a concessão e a revogação de privilégios também estão relacionados com as mudanças de funções dos usuários. Sim, a equipe técnica de TI é a responsável e a detentora de conhecimentos para realizar as atividades de cadastro, de desativação e/ou de exclusão de credenciais na organização, entretanto somente o responsável pelo dado ou pela informação, geralmente com um perfil não técnico, que saberá analisar a função do solicitante e conceder os acessos adequados nas aplicações corporativas. https://www.cisa.gov/sites/default/files/2023-01/fact-sheet-implementing-phishing-resistant-mfa-508c.pdf https://nvlpubs.nist.gov/nistpubs/SpecialPublications/NIST.SP.800-207.pdf https://pages.nist.gov/800-63-4/ 70Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública A concessão de privilégios baseada em função (Role Based Access Control - RBAC) é uma das práticas mais utilizadas e recomendadas pelo CIS cujo objetivo é mitigar os impactos gerados pelos roubos e/ou pelo mau uso das credenciais. Junto a essa técnica, alguns conceitos também são incorporados como: “necessidade de saber”, “privilégio mínimo”, “segregação de funções” e “requisitos de privacidade”. Entenda cada um desses conceitos a seguir: + Necessidade de saber É a justificativa ou a finalidade específica para se ter o acesso a um ativo de informação. + Privilégio mínimo É a prática de imposição que limita o acesso e o que se pode fazer com esse ativo de informação. É muito importante que cada usuário tenha apenas a autorização mínima necessária para atender a sua função precípua no momento. + Segregação de funções É um controle adicional que aborda o potencial de abuso de privilégios autorizados e ajuda a reduzir o risco de atividades maliciosas sem conluio. Um bom exemplo está na Instrução Normativa nº 3 do GSI/PR (disponível aqui), em que é solicitada a designação de um responsável pela avaliação de conformidade de acordo com os aspectos relativos à segurança da informação. Vale notar que esse responsável não poderá fazer parte da equipe de gestão de segurança da informação do órgão ou da entidade. + Requisito de privacidade É o uso e a gestão apropriados dos dados e das informações armazenados e disponibilizados aos usuários. Estes devem ser gerenciados de maneira adequada em todo o seu ciclo de vida, com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural, conforme sinalizado na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei nº 13.709/2018). Importante, também, para dar a garantia e a confiabilidade ao processo de concessão e revogação de privilégios, identificar e manter atualizados os registros dos sistemas de autenticação e autorização da empresa, incluindo aqueles mantidos na infraestrutura da organização ou em provedores de serviços remotos. É uma questão de visibilidade e, para algumas organizações, conformidade. Nesse sentido, não menos importante, é sempre procurar reforçar as proteções das credenciais e reduzir as atividades técnicas manuais, que incrementam as chances de falhas. Por fim, particularmente, o CIS entende da complexidade de se implementar todas as medidas recomendadas e a quantidade de vulnerabilidades que as organizações https://www.gov.br/gsi/pt-br/composicao/SSIC/dsic/legislacao/copy_of_IN03_consolidada.pdf 71Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública necessitam tratar, mas também enxerga que existem medidas mínimas essenciais para se iniciar a proteção da organização. Essas medidas foram consolidadas pelo CIS no documento “Estabelecendo uma Higiene Cibernética essencial" (disponível aqui). 2.2.1. Quais as Medidas de Segurança? A seguir, você verá alguns conceitos e medidas técnicas para reduzir possíveis falhas geradas pelas atividades manuais de revogação e concessão de privilégios, assim como mitigar os riscos do roubo de credenciais. No vídeo a seguir, faremos uma breve explicação das medidas de segurança do Controle 6 que buscam realizar o controle de acesso e o de privilégios. Controle 6 do CIS Controls A seguir, veja os principais conceitos e técnicas que são tratados pelas medidas propostas para o Controle 6: 1. Centralizar, se possível ou ao máximo possível, priorizando os ativos críticos que mantêm operacional a organização, o controle de acesso por meio de serviços de diretório ou os provedores de SSO (Single Sign- On), conforme medida de segurança 6.7 do CIS Controls v8. Esse tipo de implementação permitirá que um usuário faça o login uma única vez e consiga acessar os serviços e as aplicações da organização sem necessitar se autenticar novamente e/ou se reinserir os possíveis fatores adicionais de autenticação e/ou memorizar senhas exclusivas de cada acesso. Diagrama básico de um conceito de SSO. Fonte: Autoria própria. https://www.cisecurity.org/insights/white-papers/establishing-essential-cyber-hygiene https://youtu.be/s6WSIq8r5TQ 72Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 2. Exija, pelo menos e quando possível, que todos os sistemas e aplicativos corporativos expostos na internet, assim como os acessos remotos e os administrativos, façam uso de dois ou mais fatores de autenticação (MFA), conforme medidas de segurança 6.3, 6.4 e 6.5 do CIS Controls v8. Esse conceito reforça a necessidade de proteção adicional à tradicional autenticação, utilizando apenas um nome de usuário e senha. Existem diversas soluções disponíveis no mercado para se implementar o conceito de MFA,cabendo à organização avaliar qual melhor se encaixa em seu modelo de negócios. O diagrama abaixo exemplifica a utilização de um celular no processo de autenticação com o uso de MFA. Exemplo de autenticação com o uso de MFA. Fonte: Autoria própria. Como medida de segurança adicional de proteção recomendada pelo CIS para se restringir a exposição de credenciais administrativas, na falta de outras soluções técnicas específicas, o uso do conceito chamado de “Jump Box” (ou Jump Server ou Jump Host) é uma alternativa. “Jump Box” pode ser um computador seguro ao qual todos os administradores se conectam primeiro antes de iniciar qualquer tarefa administrativa. Pode ser usado como ponto de origem para se conectar a outros servidores ou a ambientes não confiáveis. Diagrama básico do conceito de “Jump Box”. Fonte: Autoria própria. 73Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Veja algumas dicas sobre esse tema: • A Gestão de Acesso Privilegiado (Privileged Access Management - PAM) é um conceito que tem foco em monitorar, detectar e impedir o acesso privilegiado não autorizado a recursos críticos, oferecendo a visibilidade sobre quem está usando uma credencial privilegiada e o que está fazendo enquanto está conectado com ela, assim como possíveis anomalias. Ao identificar que um usuário está tentando usar ou acessar um recurso com privilégios administrativos, políticas definidas serão aplicadas, podendo realizar um bloqueio e/ou requerer outro fator de autenticação. • Ao estabelecer processos para concessão e revogação de privilégios, discuta com os envolvidos a possibilidade do disparo de eventos para as partes interessadas. Por exemplo, o desligamento de um profissional pode desferir uma rotina e/ou um processo que alerte aos responsáveis sobre a necessidade de revogação dos privilégios, ou que até faça isso automaticamente, quando possível. • Credenciais inseridas em códigos de aplicações é um dos grandes desafios e “dores de cabeça” para a equipe de segurança da informação. É muito comum, e um erro, serem incluídos tokens e/ou senhas em texto claro no código das aplicações. De forma adicional, oportunidades de negócio estão requerendo integração entre as suas aplicações e/ou de terceiros, sem o domínio dos níveis de segurança implementados nestes. De forma geral, o uso de uma API (Application Programming Interfaces) é o caminho para a integração, que nada mais é que um conjunto de definições e protocolos. Portanto, é imprescindível dar a atenção adequada para a segurança dessas APIs. Em uma pesquisa da SANS Institute (System Administration, Networking and Security) de 2023, sobre segurança de API, foi identificado que, conforme a figura a seguir, menos de 50% das empresas estão usando ferramentas de teste de segurança de APIs (SANS, 2023). Acesse a pesquisa aqui. https://www.sans.org/white-papers/2023-sans-survey-api-security/ 74Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Pesquisa sobre a utilização de ferramentas de proteção nas organizações. Fonte: SANS (2023) Atenção! Códigos de aplicações da organização que são mantidos em nuvem pública podem conter credenciais de acesso. Não se esqueça de avaliar e de inventariar esses ambientes também. Para finalizar este item, apesar das recomendações de segurança sobre os padrões de complexidade das senhas, com tamanhos mínimos e diversas combinações, deixaremos aqui o recente conceito sobre o tema, para que cada organização possa iniciar os seus estudos e entendimentos: “Autenticação sem senha” (Passwordless authentication). Esse é um conceito sendo altamente discutido em que o usuário não usa uma senha no processo de autenticação. Em vez disso, tecnologias com senhas de uso único (OTP - On time password) e/ou de biometria fazem a substituição. Você já deve ter percebido isso ao entrar em algum sistema apenas com o CPF e o uso de biometria, por exemplo. Para se aprofundar mais sobre esse conceito, acesse os seguintes documentos: • Passwordless Authentication — The next breakthrough in secure digital transformation. World Economic Forum. 2020. Disponível aqui. • The State of Passwordless Security Report. Vanson Bourne and HYPR. 2023. Disponível aqui. https://www.weforum.org/whitepapers/passwordless-authentication-the-next-breakthrough-in-secure-digital-transformation/ https://get.hypr.com/2023-passwordless-security-report 75Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 2.3. Como Proteger as Credenciais da sua Organização? Veja algumas orientações e ferramentas para o uso de um MFA na prática: • GCA Cybersecurity Toolkit A Global Cyber Alliance (GCA) consolidou diversos links que apontam para os procedimentos técnicos necessários para se implementar um MFA em diversos serviços disponíveis na internet. • Google Authenticator Esse aplicativo do Google adiciona uma camada extra de segurança às diversas contas on-line com uma segunda etapa de verificação no login. Isso significa que, além da senha, será necessário inserir um código gerado pelo Google Authenticator no smartphone. • Microsoft Authenticator Esse aplicativo da Microsoft permite que você use o seu telefone, e não a sua senha, para você se autenticar em serviços como o Outlook, OnDrive, Office, entre outros. De forma complementar, a sua impressão digital, o Face ID ou o PIN fornecerão uma segunda camada de segurança nesse processo de verificação de duas etapas. • Duplo fator de autenticação em dispositivos Apple. Esse é um método de segurança nativo em dispositivos Apple. Que bom que você chegou até aqui! Agora é a hora de testar seus conhecimentos. Para isso, acesse o exercício avaliativo disponível no ambiente virtual. Bons estudos! https://gcatoolkit.org/tool/set-up-2fa-on-your-accounts/ https://support.google.com/accounts/answer/1066447?hl=pt&co=GENIE.Platform%3DAndroid https://www.microsoft.com/pt-br/security/mobile-authenticator-app https://support.apple.com/en-us/HT204915 76Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Referências CISA. Defend Today, Secure Tomorrow. Implementing Phishing-Resistant MFA. [S. l.], 2022. Disponível em: https://www.cisa.gov/sites/default/files/2023-01/fact-sheet- implementing-phishing-resistant-mfa-508c.pdf. Acesso em: 29 jul. 2023. FREEPIK COMPANY. [Banco de Imagens]. Freepik, Málaga, 2023. Disponível em: https://www.freepik.com/. Acesso em: 8 out. 2023. IDENTITY DEFINED SECURITY ALLIANCE (IDSA). 2023 Trends in Securing Digital Identities. [S. l.]: IDSA, 2023. Disponível em: https://www.idsalliance.org/white- paper/2023-trends-in-securing-digital-identities/. Acesso em: 29 jul. 2023. LORD, B. Phishing Resistant MFA is Key to Peace of Mind. CISA, [s. l.], 2023. Disponível em: https://www.cisa.gov/news-events/news/phishing-resistant-mfa-key-peace- mind. Acesso em: 30 jul. 2023. MICROSOFT. Contas atraentes para roubo de credenciais. Microsoft, 2023. Disponível em: https://learn.microsoft.com/pt-br/windows-server/identity/ad-ds/plan/security- best-practices/attractive-accounts-for-credential-theft. Acesso em: 28 jul. 2023. SANS. 2023 SANS Survey on API Security. SANS Institute, 2023. Disponível em: https://www.sans.org/white-papers/2023-sans-survey-api-security/. Acesso em: 30 jul. 2023. VMWARE. O que é segurança de confiança zero? VMWARE, [s. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.vmware.com/br/topics/glossary/content/zero-trust-security.html. Acesso em: 30 jul. 2023. WORLD ENCONOMIC FORUM. Passwordless Authentication: The next Breakthrough in Secure Digital Transformation. World Economic Forum, [s. l.], 2020. Disponível em: https://www.weforum.org/whitepapers/passwordless-authentication-the-next- breakthrough-in-secure-digital-transformation. Acesso em: 29 jul. 2023. Inventário e Controle de Ativos Corporativos e de Software: Controles 1 e 2 Unidade 1: Inventário e Controle de Ativos Corporativos: Controle 1 1.1 Por que é Importante Inventariar e Gerenciar Ativos Corporativos? 1.2 Quais ProcedimentosGerais e Técnicas o Inventário de Ativos Corporativos Deve Compreender? 1.2.1. Quais as Medidas de Segurança? 1.3 A Descoberta Ativa 1.4 A Descoberta Passiva de Ativos 1.5 Análise de Logs Dhcp 1.6. O Tratamento de Ativos Não Autorizados Referências Unidade 2: Inventário e Controle de Ativos de Software: Controle 2 2.1. Por que é Importante Inventariar e Gerenciar Ativos de Software? 2.2 Quais os Procedimentos Gerais e as Técnicas que o Inventário de Ativos de Software Deve Compreender? 2.3. Como Criar um Inventário de Software? 2.4 Lista de permissões Referências Proteção de Dados e Configuração Segura de Ativos Corporativos e Software: Controle 3 e 4 Unidade 1: Proteção de Dados: Controle 3 1.1. Por que é Importante Proteger os Dados? 1.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas a Proteção de Dados Deve Compreender? 1.3. Como Proteger seus Dados Referências Unidade 2: Configuração Segura de Ativos Corporativos e de Software: Controle 4 2.1. Por Que é Importante Configurar os Ativos Corporativos e de Software de Forma Segura? 2.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas a Configuração Segura de Ativos Corporativos e Software Deve Compreender? 2.3. Como Proteger os Ativos Corporativos e de Software? Referências Gestão de Contas e de Controle de Acesso: Controles 5 e 6 Unidade 1: Gestão de Contas: Controle 5 1.1. Por Que é Importante Gerir Contas de Usuários? 1.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas a Gestão de Contas Deve Compreender? 1.3. O Inventário e a Proteção de Credenciais de Usuários Referências Unidade 2: Gestão do Controle de Acesso: Controle 6 2.1. Por Que é Importante Controlar o Acesso e os Privilégios de Usuários? 2.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas o Controle de Acesso Deve Compreender? 2.3. Como Proteger as Credenciais da sua Organização? Referênciasos procedimentos e as técnicas relacionadas ao processo de gestão de ativos corporativos, relativos ao Controle 1 do CIS Controls. 1.1 Por que é Importante Inventariar e Gerenciar Ativos Corporativos? Inicialmente, precisamos entender a definição de um ativo corporativo. Para o CIS, um ativo corporativo é: Qualquer dispositivo fisicamente, virtualmente, ou remotamente, conectado na infraestrutura da organização, e também aqueles mantidos nos https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/ppsi/modelo_politica_gestao_ativos.pdf 7Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública ambientes em nuvem, incluindo, mas não se limitando a: dispositivos de usuários finais, incluindo portáteis e móveis; dispositivos de rede; dispositivos não computacionais/Internet das Coisas (IoT); e servidores (CIS, 2021). Na figura a seguir, o CIS exemplifica alguns equipamentos compreendidos dentro da definição de um ativo corporativo. Ativos corporativos. Fonte: Adaptado de CIS (2022). Então, inventariar e controlar os ativos corporativos é um processo que também abrange um conceito conhecido como Gestão Ativa, que contempla atividades de: inventário, rastreamento e correção de ativos. Esse processo é muito importante para se conhecer a totalidade dos ativos corporativos que, por exemplo, sustentam os dados críticos da organização, incluindo dados pessoais, e que precisam ser monitorados e protegidos de forma apropriada. Ademais, esse processo também ajuda na identificação de ativos não gerenciados e não autorizados, para posterior remoção ou remediação. O desafio Agentes maliciosos realizam varreduras contínuas na internet buscando, através de possíveis vulnerabilidades existentes nos ativos corporativos expostos, realizar acessos não autorizados a dados, a informações e a demais ativos mantidos internamente na organização. As atividades maliciosas estão cada vez mais 8Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública complexas, automatizadas, crescendo exponencialmente e muito difíceis de se detectar e, às vezes, até mesmo de se bloquear. E, para aumentar o desafio, os ativos corporativos estão em constante mudança, seja por requerimentos do negócio, seja por adequações de configurações, seja por necessidades de atualização. Dessa forma, o Controle 1 do CIS Controls torna-se um pré-requisito e um dos mais críticos para se conseguir mitigar os riscos de segurança em uma organização. Afinal, as organizações não podem defender o que não sabem que possuem. Lembre-se: novos ativos são constantemente adquiridos, outros são retirados, enquanto muitos ativos são simplesmente perdidos (CIS, 2022). Manter uma visão atual e precisa dos ativos corporativos deve ser um processo contínuo e dinâmico. Em linhas gerais, esse controle é o ponto de partida para se iniciar a implementação dos controles do CIS. Dessa forma, mantenha em mente: • Se a organização não sabe o que possui, então não pode aplicar a proteção adequada. A visibilidade é essencial! Para se ter efetividade na Gestão Ativa, a organização precisa conhecer com precisão os seus ativos corporativos. • Uma organização pode possuir muitos ativos corporativos e precisará escolher por onde começar a análise e a aplicação das proteções. Por exemplo, um ativo servidor de rede utilizado internamente pelas equipes de desenvolvimento não necessitará das mesmas proteções que um ativo servidor de rede com serviços expostos na internet. As proteções aplicadas devem ser apropriadas para cada ativo conforme a sua importância para a organização. • Os ativos corporativos podem estar vulneráveis, passíveis de falhas e/ou de explorações maliciosas. Quase todos os ataques cibernéticos bem-sucedidos exploram vulnerabilidades básicas, como software sem patches, configurações insatisfatórias, credenciais expostas e soluções desatualizadas. • Não se esqueça de que é necessário identificar os ativos corporativos mantidos na infraestrutura local da organização e/ou em provedores externos, como os serviços em nuvem. 9Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública • Os princípios de privacidade, como os contidos na Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018 - LGPD), devem ser incorporados ao processo, tanto do ponto de vista tecnológico quanto do processual. O conhecimento sobre um dispositivo, onde ele está localizado, quem está usando-o e como está usando, podem fornecer informações sobre um determinado indivíduo (“dados pessoais”). 1.2 Quais Procedimentos Gerais e Técnicas o Inventário de Ativos Corporativos Deve Compreender? 1. O primeiro procedimento a ser compreendido refere-se à visibilidade dos ativos corporativos. Nesse contexto, é importante coletar as características de cada ativo corporativo. Por exemplo: qual é o tipo desse ativo, onde está localizado, como se dá o acesso ou como se chega até ele, se está dentro ou fora da organização, qual o seu endereço de rede/endereço IP, nome do ativo, portas e protocolos de segurança configurados, se está na nuvem, se é um ativo móvel, quem é o responsável pelo ativo, entre outros. Algumas características dos ativos corporativos podem ser restringidas por soluções de segurança, como firewalls, buscando evitar uma exposição que pode facilitar ações maliciosas. 2. Uma vez que a organização realizou a coleta das características dos ativos corporativos, os próximos passos incluem, por exemplo, a correlação e a análise da criticidade do ativo corporativo com os processos organizacionais. Lembre-se: não menos importante, após coletar as características dos ativos corporativos, será necessário identificar aqueles ativos que não estão autorizados a ingressar na infraestrutura da organização e que deverão ter posteriormente os tratamentos específicos. O CIS recomenda que o tratamento desses ativos já seja realizado dentro das atividades do Controle 1. Um termo usado para descrever alguns tipos específicos de ativos não autorizados é a Shadow IT, conhecido no Brasil como TI invisível. A Shadow IT é qualquer software, hardware ou recurso de TI usado em uma rede corporativa sem a aprovação do 10Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública departamento de TI e, muitas vezes, sem seu conhecimento ou supervisão (IBM, [s.d.]). Quer ler mais sobre a Shadow IT? Veja o artigo da IBM disponível aqui. Shadow TI. Fonte: Freepik (2023). Em linhas gerais, é o uso de, por exemplo, equipamentos, aplicativos, programas e serviços em processos organizacionais, sem a aprovação da área de TI, geralmente até manipulando dados corporativos. Obviamente, ao mesmo tempo em que há tradição e certa lógica em busca da inovação por trás da Shadow IT, o descontrole no tratamento desses ativos pode criar sérios problemas. Como o próprio nome diz, as ações desses dispositivos e aplicativos poderão ser invisíveis até que os prejuízos sejam grandes demais para se ignorar. Os dados coletados dos ativos corporativos com as demais informações geradas podem ser registrados, por exemplo, em uma planilha Excel. O CIS disponibiliza um modelo de planilha para manter o registro de ativos chamado de “Planilha de Rastreamento de Ativos de Hardware e Software”. Para acessá-la, clique aqui. https://www.ibm.com/br-pt/topics/shadow-it https://www.cisecurity.org/insights/white-papers/cis-hardware-and-software-asset-tracking-spreadsheet 11Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 1.2.1. Quais as Medidas de Segurança? Esse controle requer ações técnicas e processuais conjugadas em um processo que presta contas e gerencia o inventário de ativos corporativos e todos os dados associados ao longo de seu ciclo de vida. No vídeo a seguir, você verá breve explicação das medidas de segurança do Controle 1, que buscam realizar a proteção dos ativos corporativos. Controle 1 do CIS Controls Em linhas gerais, um processo de gerenciamento de ativos corporativos deve contemplar as seguintes medidas de segurançanecessárias para a composição do inventário e para o controle desses ativos: • Usar uma ferramenta de descoberta ativa e/ou passiva para a coleta dos dados, conforme medidas de proteção 1.3 e 1.5 do CIS Controls v8. Enquanto uma ferramenta de descoberta ativa envia pacotes pela rede para acessar diretamente o ativo alvo e coletar os dados, uma ferramenta de descoberta passiva faz a coleta dos dados do ativo alvo “escutando” o tráfego da rede, não existindo, então, uma interação junto ao ativo. Por essa diferença na forma de coleta, a descoberta ativa é considerada intrusiva, pode ser detectada e pode gerar instabilidades no ativo alvo. Atenção! A coleta realizada pelas ferramentas automatizadas pode conter, de forma clara, ou, até mesmo, por meio da combinação de identificadores, vínculos que podem ser considerados como dados pessoais. • Fazer uso do log DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) para validar e atualizar o inventário, conforme medida de proteção 1.4 do CIS Controls v8. O log do DHCP pode servir como fonte alternativa de dados de rede dos ativos corporativos para atualizar e/ou validar com os capturados pelas ferramentas de descoberta ativa e passiva. • Identifique, no inventário, os ativos corporativos não autorizados em sua rede e realize o tratamento, conforme a medida de proteção 1.2 do CIS Controls v8. https://youtu.be/t9UPRwOB4DQ 12Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública A identificação de um ativo que não está no inventário pode ser classificada como um “evento de segurança da informação” e requer investigação e execução de atividades de tratamento apropriadas. Veja a definição de “evento de segurança da informação”, segundo o Glossário de Segurança da Informação, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI, 2021). Qualquer ocorrência identificada em um sistema, serviço ou rede, que indique uma possível falha da política de segurança, falha das salvaguardas ou mesmo uma situação até então desconhecida, que possa se tornar relevante em termos de segurança. Após identificar um ativo que não está no inventário, a organização deve realizar a investigação o mais breve possível para decidir se o ativo será classificado como não autorizado, e, assim, removê-lo da rede, negar a sua conexão remota à rede ou, até mesmo, colocá-lo em quarentena para posterior análise. Um ativo não autorizado conectado na infraestrutura da organização pode gerar um “incidente de segurança da informação”, definido pelo GSI/PR como sendo “qualquer evento adverso, confirmado ou sob suspeita, relacionado à segurança dos sistemas de computação ou das redes de computadores”. Lembre-se: Os ativos corporativos devem ser identificáveis por meio de dados únicos, relevantes, precisos, detalhados e atualizados. Veja algumas dicas a seguir: + Identificação de Ativos Quando possível e aplicável, fixe uma etiqueta de identificação em cada ativo corporativo para facilitar presencialmente o seu reconhecimento e correlação com o inventário. Entretanto, não inclua na etiqueta dados que possam ferir os princípios de privacidade contidos na LGPD e/ou em outros normativos legais, como o nome ou o identificador de um usuário. + Guia Framework de Privacidade e Segurança O Anexo IV do Guia do Framework de Privacidade e Segurança da Informação correlaciona as medidas de segurança do Controles 1 do CIS Controls às 13Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Normas Complementares do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR) e com alguns requerimentos dispostos na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Acesse aqui. O CIS disponibiliza um modelo de documento para a definição de uma política de gerenciamento de ativos corporativos. Acesse o documento aqui. 1.3 A Descoberta Ativa 1.3.1 O que é a Descoberta Ativa? Como mencionado rapidamente na seção anterior, a descoberta ativa é realizada por intermédio de ferramenta que usa uma rede como meio para realizar varredura em busca dos ativos corporativos. Há uma interação entre a ferramenta e o ativo encontrado para a coleta de dados. Ao identificar os ativos, a descoberta ativa pode coletar, por exemplo, informações do sistema operacional, protocolos e portas em uso, serviços, vulnerabilidades, status de atividade e demais informações do ativo alvo. 1.3.2. Exemplo de Como Realizar a Descoberta Ativa com Apoio Ferramental Agora, falando da prática, veremos sucintamente como podemos realizar o inventário dos ativos corporativos. Uma ferramenta de descoberta ativa muito utilizada no mercado é o NMAP, disponível para download no site do fabricante (acesse aqui). Essa ferramenta é gratuita, de código aberto e bastante utilizada para a realização de inventários e auditoria de segurança. Para a coleta dos dados, não é necessário que os destinos tenham agentes (ou softwares) instalados. A ferramenta está disponível em sua versão para execução por meio de uma linha de comando ou por uma interface gráfica chamada de ZENMAP. Os resultados da coleta do NMAP são facilmente entendíveis na própria interface gráfica do ZENMAP, na saída da execução do NMAP ou, até mesmo, em um bloco de notas. https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/ppsi/guia_framework_psi.pdf https://www.cisecurity.org/insights/white-papers/enterprise-asset-management-policy-template https://nmap.org/download.html 14Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública O fabricante da ferramenta também disponibiliza um guia de referência com diversos exemplos úteis do uso da ferramenta (disponível aqui). Atenção! É relativamente comum observar alguns efeitos colaterais do uso de uma ferramenta de descoberta ativa, dependendo da configuração, tais como instabilidades, alertas e/ ou excessos de logs nos ativos de destino. Portanto, muita atenção ao se executar uma ferramenta de descoberta ativa. A execução de qualquer ferramenta de descoberta ativa: (1) planejamento para identificar e mitigar riscos; (2) obter o comprometimento de partes interessadas, e; (3) possivelmente, executar estudos e testes de viabilidade dentro de condições pré-estabelecidas em um ambiente controlado. Veja algumas dicas em relação à descoberta ativa: + Utilização de NDIFF O CIS recomenda que a ferramenta de descoberta ativa seja executada regularmente. Dependendo da quantidade de ativos corporativos alvos do NMAP, a identificação de possíveis mudanças entre os resultados de cada execução da ferramenta pode ser extremamente trabalhosa e complexa. Uma ferramenta muito útil e que ajuda na identificação dessas possíveis mudanças é o NDIFF, disponibilizada de forma integrada ao se fazer download do NMAP. Um guia de referência também é disponibilizado aqui. + Automatização de execuções As execuções periódicas podem ser automatizadas por meio de scripts batch, usando o comando “cron”, em sistemas operacionais linux, ou pelo agendador de tarefas do Windows, usando o comando “at” ou “schtasks”. O comando “at” está sendo descontinuado pela Microsoft. 1.4 A Descoberta Passiva de Ativos 1.4.1 O que é a Descoberta Passiva? A descoberta passiva usa a observação do tráfego na rede para identificar e coletar dados dos ativos corporativos de uma organização. Não há interação ativa entre a ferramenta de descoberta e o ativo de destino para a coleta dos dados. Existe https://nmap.org/book/man.html https://nmap.org/book/ndiff-man.html 15Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública apenas uma análise no tráfego de rede que busca identificar os dados pertinentes sobre os ativos. Em geral, utiliza-se um software que monitora os pacotes que transitam em redes de computadores. Esse tipo de software é também popularmente chamado de sniffer. Geralmente esse tipo de software é utilizado em tarefas e em processos de administração de redes para detectar problemas ou conexões suspeitas, testar se as senhas usadas na rede estãorealmente sendo criptografadas e realizar uma série de outras atividades relacionadas à segurança. 1.4.2. Exemplo de Como Realizar a Descoberta Passiva com Apoio Ferramental Uma das ferramentas mais conhecidas para realizar a descoberta passiva é o Wireshark, disponível para download no site do fabricante (acesse aqui). Assim como o NMAP, essa ferramenta também é gratuita e de código aberto. As funcionalidades do Wireshark são bem parecidas com as da ferramenta também utilizada para análise de tráfego de rede, chamada ”tcpdump”, mas com interface gráfica que permite a definição e a utilização de filtros mais facilmente. E como funciona o Wireshark? Resumidamente, os pacotes de rede são capturados pela interface de rede onde o Wireshark está sendo executado. Para coletar o tráfego de uma rede, um procedimento bastante utilizado é o “espelhamento de porta”, em inglês port mirroring, em que o tráfego de uma porta específica de um switch de rede é enviado (espelhado) para a porta de conectividade do Wireshark, conforme pode ser visto na figura a seguir: https://www.wireshark.org/ 16Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Diagrama básico de um espelhamento de porta. Fonte: Autoria própria Atenção! Embora a captura do tráfego de rede por meio da ferramenta Wireshark não seja invasiva, não requerendo interação com o ativo alvo, é sempre uma boa prática pedir permissão àqueles que gerenciam a rede antes de realizar a varredura. A figura abaixo é um exemplo da tela do Wireshark após a captura de pacotes de rede. Tela básica do Wireshark com a coleta dos dados. Fonte: Wireshark ([s. n.]). 17Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 1.5 Análise de Logs Dhcp 1.5.1 O que são logs do DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol)? O DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) é uma ferramenta que oferece configuração dinâmica com concessão de endereços IP de host, máscara de sub- rede, default gateway (gateway padrão), número IP de um ou de mais servidores DNS e outras informações importantes na configuração de ativos que se conectam na rede corporativa. Os logs do DHCP são as informações sobre essas dinâmicas de configuração de ativos em uma rede. Em geral, essas informações estão formatadas com o registro temporal da manutenção ou das mudanças de possíveis configurações de rede ocorridas ao longo do tempo. Em um sistema operacional Windows, os logs são mantidos por padrão no diretório “%systemroot%\system32\dhcp”, em arquivos de texto no formato “DhcpSrvLog-.log” para IPv4 ou DhcpV6SrvLog-.log para IPv6, em que XXX é o dia de coleta do log. A seguir, você verá a imagem do diretório de logs de um DHCP no sistema operacional Windows. Exemplo dos logs DHCP do IPV4 no Windows. Fonte: Autoria própria. Lembre-se: é preciso validar se o DHCP está ativo e configurado adequadamente. 18Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 1.6. O Tratamento de Ativos Não Autorizados Como os ativos não autorizados não são gerenciados pela equipe de TI, eles geralmente estão repletos de vulnerabilidades que os agentes maliciosos podem tentar explorar para obter acesso à rede, aos dados e às informações da organização. Importante definir e manter um processo periódico que identifique e trate os ativos que não estão presentes no inventário. Soluções de controle de acesso à rede, conhecidas como NAC (Network Access Control), automatizam e podem facilitar o tratamento dos ativos não autorizados por meio de políticas com requerimentos mínimos para a conexão à rede. Quer entender mais sobre solução de controle de acesso à rede? Acesse o artigo da Cisco (disponível aqui). Você chegou ao final desta unidade de estudo. Caso ainda tenha dúvidas, reveja o conteúdo e se aprofunde nos temas propostos. Até a próxima! https://www.cisco.com/c/en/us/products/security/what-is-network-access-control-nac.html 19Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Referências BRASIL. Portaria GSI/PR nº 93, de 18 de outubro de 2021. Aprova o glossário de segurança da informação. Brasília, DF: Presidência da República, 2021. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gsi/pr-n-93-de-18-de-outubro- de-2021-353056370. Acesso em: 20 ago. 2023. CENTER FOR INTERNET SECURITY (CIS). CIS Controls v8. [S. l.]: CIS, 2021. Disponível em: https://www.cisecurity.org/controls/v8/. Acesso em: 25 jul. 2023. CENTER FOR INTERNET SECURITY (CIS). Enterprise Asset Management Policy Template. [S. l.]: CIS, 2022. Disponível em: https://www.cisecurity.org/insights/white- papers/enterprise-asset-management-policy-template. Acesso em: 18 ago. 2023. FREEPIK COMPANY. [Banco de Imagens]. Freepik, Málaga, 2023. Disponível em: https://www.freepik.com/. Acesso em: 8 out. 2023. IBM. O que é a shadow IT? IBM, [s. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.ibm.com/ br-pt/topics/shadow-it. Acesso em: 18 ago. 2023. WIRESHARK. Homepage. Wireshark, [s. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www. wireshark.org/. Acesso em: 2 out. 2023. 20Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Unidade 2: Inventário e Controle de Ativos de Software: Controle 2 Ao final da unidade, você deverá ser capaz de recordar os principais conceitos, os procedimentos e as técnicas relacionadas ao processo de gestão de ativos de software, relativos ao Controle 2 do CIS Controls. 2.1. Por que é Importante Inventariar e Gerenciar Ativos de Software? Inicialmente, precisamos entender a definição de um ativo de software. Para o CIS, ativos de software são: Programas e outras informações operacionais usadas em um ativo corporativo. Os ativos de software incluem sistemas operacionais e aplicativos. Um aplicativo é um programa, ou grupo de programas, hospedado em ativos corporativos e projetado para usuários finais. Já um sistema operacional é um software de sistema instalado em ativos corporativos que gerencia recursos de hardware e software, e fornece serviços comuns para os programas (CIS, 2021). Veja abaixo uma figura com sugestão de nomenclatura distinguindo tipos de software de acordo com o CIS Controls. 21Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Categorização de softwares. Fonte: Adaptado de CIS (2022). Assim como para os ativos corporativos, as varreduras contínuas realizadas pelos agentes maliciosos também buscam por vulnerabilidades nos softwares dos sistemas, dos serviços e das aplicações corporativas expostas na internet. A finalidade é a mesma: tentar explorar possíveis vulnerabilidades que possam permitir acessos não autorizados a dados, a informações e ao próprio ativo que sustenta o software. Por exemplo: usuários que utilizam navegadores sem patches de segurança e acessam sites maliciosos ou clicam em anexos contaminados podem instalar programas maliciosos, como backdoors e bots, podendo, assim, permitir o acesso não autorizado dos agentes maliciosos no dispositivo em uso. Além disso, muitas organizações estão passando por transformações digitais, seja em busca de novas oportunidades na internet, seja em melhoria dos serviços e dos processos internos, seja por necessidades do negócio. Esse contexto tende a deixar as organizações mais dinâmicas e também acarreta mudanças constantes nos sistemas e nas aplicações corporativas, que podem aumentar o risco de exposição de falhas na codificação e/ou de vulnerabilidades dos softwares utilizados. Uma das principais ações para mitigar os riscos de exploração de possíveis vulnerabilidades expostas é a atualização e a correção de software (patch). Contudo, as técnicas utilizadas pelos agentes maliciosos estão cada vez mais sofisticadas e aptas a detectar e a explorar as vulnerabilidades dos softwares ainda não conhecidas pelos seus fabricantes. Esse tipo de exploração é conhecido como “Dia Zero” ou “Zero-Day”. 22Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Vetor e superfície de ataque são termos utilizados para sinalizar os possíveis caminhos,métodos e/ou oportunidades que os agentes maliciosos aproveitam para buscar explorar vulnerabilidades nos ativos corporativos e de softwares. Quer saber mais? Acesse o artigo de Cloudflare (disponível aqui). Entretanto, sem um inventário completo e preciso dos softwares em uso na organização não será possível, de forma preventiva, identificar as suas possíveis vulnerabilidades e realizar as correções antes que os agentes maliciosos tentem realizar as explorações. Atenção! O inventário de software também objetiva identificar se existem violações de licenciamento em potencial e aplicativos desnecessários ou que infringem a política de segurança da organização. Para ajudar na identificação de possíveis violações de licenciamento em potencial, separamos aqui cinco definições de categorias de software que comumente são confundidas (GNU, [s. d.], OPEN SOURCE INITIATIVE, 2006). + Software livre É qualquer programa de computador que pode ser usado, copiado, estudado, modificado e redistribuído sem nenhuma restrição. É permitido vender software livre, entretanto as mesmas liberdades são válidas para o comprador. + Freeware ou software gratuito Não possui definição clara e aceita, mas é qualquer programa de computador que permite a redistribuição, mas não a modificação. Em geral, o código- fonte não é disponibilizado, e a modificação do programa é proibida. + Código aberto (do inglês open source) É o programa de computador que tem seu código-fonte disponibilizado, mas não garante absolutamente nada sobre a sua distribuição, modificação e comercialização. Na verdade, o termo “código aberto” somente afirma que qualquer um pode ter acesso ao código do programa, mas é seu desenvolvedor quem determina as condições de uso. A partir do final da década de 1990, essa denominação passa a contemplar o software que é licenciado de forma que o detentor do direito autoral fornece o direito de https://www.cloudflare.com/pt-br/learning/security/glossary/attack-vector/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_de_computador https://pt.wikipedia.org/wiki/Software_de_computador https://pt.wikipedia.org/wiki/Código_fonte https://pt.wikipedia.org/wiki/Código_aberto 23Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública estudar, de modificar e de distribuir o software de graça para qualquer um e para qualquer finalidade (CURRION; SILVA; VAN DE WALLE, 2007). + Shareware É um programa de computador distribuído livremente e que vem com permissão para redistribuir cópias, mas diz que qualquer um que continue usando uma cópia é obrigado a pagar por uma licença. Geralmente, possui algum tipo de limitação até que seja adquirida uma licença. + Software privado ou personalizado É um software desenvolvido para um usuário (geralmente organização ou empresa). Esse usuário o mantém e o usa, mas não o libera para o público como código-fonte ou como binários. 2.2 Quais os Procedimentos Gerais e as Técnicas que o Inventário de Ativos de Software Deve Compreender? Conforme já citado anteriormente, nesse controle o primeiro procedimento a ser compreendido refere-se também à visibilidade, agora dos ativos de software. Portanto, é importante realizar uma coleta dos softwares que estão em uso na organização de forma precisa e detalhada, buscando registrar, por exemplo: título, fabricante, data da instalação, versão, objetivo de negócio, caso tenha, endereços de internet (URL), em qual dispositivo está instalado, quem é o responsável pelo software, entre outros. Ativos de software. Fonte: Freepik (2023). https://pt.wikipedia.org/wiki/Programa_de_computador 24Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Uma vez que a organização realizou a coleta dos ativos de software, os próximos passos incluem, por exemplo, a correlação e a análise da criticidade, o envolvimento do ativo com os processos organizacionais, assim como se ele é ou não suportado pela organização, com posterior tratamento específico. Atenção! O CIS recomenda que o tratamento desses ativos de software não suportados já seja realizado dentro das atividades do Controle 2, conforme medida de segurança 2.3 - Endereçar o software não autorizado. O CIS propõe o uso do protocolo SCAP (Security Content Automation Protocol) para apoiar na identificação de falhas e de vulnerabilidades dos softwares. Como citado, o SCAP não é uma ferramenta, e sim um protocolo que pode ser utilizado livremente pelos fabricantes de ferramentas comerciais ou não, para verificação de conformidades de segurança. O “National Vulnerability Database (NVD)”, mantido pelo NIST, é o repositório de conteúdo do governo dos EUA com base nas especificações de automação de segurança do SCAP. Saiba mais sobre o repositório mantido pelo NVD clicando aqui. Apesar de o CIS citar o SCAP nos comentários do Controle 2, você pode ver com mais detalhes sobre esse protocolo e como utilizá-lo no Controle 4 “Configuração segura de ativos corporativos e software”, já que, a partir desse controle, iniciam-se as avaliações de segurança dos softwares. 2.2.1. Quais as Medidas de Segurança? De forma geral, é preciso estabelecer meios de mapear quais softwares são suportados e autorizados para a instalação e a execução na organização (incluindo sistemas operacionais e aplicativos), bem como fazer a inclusão em uma lista de permissões, buscando, assim, garantir que somente esses softwares possam ser executados e acessados. No vídeo a seguir, faremos uma breve explicação das medidas de segurança do Controle 2 que buscam realizar a proteção dos ativos de software. Controle 2 do CIS Controls https://nvd.nist.gov/ https://youtu.be/wfgVfT5SBUY 25Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública De acordo com o Controle 2 do CIS, um processo de gerenciamento de ativos de software deve contemplar as seguintes medidas de segurança necessárias para a composição do inventário e para o controle desses ativos: 1. Utilizar ferramentas automatizadas de inventário de software, conforme a medida de proteção 2.4 do CIS Controls v8. De forma geral, as organizações costumam suportar e necessitar de grande quantidade de softwares para a operação dos seus processos organizacionais. Muitos desses softwares dependem de outros que às vezes não são conhecidos no momento da instalação. Além disso, dependendo do modelo de privilégios utilizado pela organização, outros softwares poderão até ser instalados sem que a área técnica responsável fique ciente. Entre eles estão: sistemas operacionais, aplicativos de processamento de textos, navegadores web, bancos de dados, leitores de pdf, compressores de arquivos, anti-malwares, ferramentas de colaboração, ferramentas de backup, virtualização, aplicações financeiras etc. Dependendo do tamanho da organização ou da quantidade de dispositivos em uso na sua infraestrutura, a tarefa de coleta manual e periódica desses softwares torna-se uma atividade muito demorada, custosa, complexa, além de propensa a falhas. Dependendo do modelo de negócio e do dinamismo da organização, a coleta manual pode, até mesmo, ser inviável. Então, quando possível, é recomendável que a detecção e a coleta sejam realizadas de forma automatizada. 2. Faça uso de lista de permissões de software, bibliotecas e scripts autorizados, conforme as medidas de proteção 2.5, 2.6 e 2.7 do CIS Controls v8. Seguindo o raciocínio citado anteriormente, a automatização do controle dos softwares que podem ser instalados e executados, denominados softwares autorizados, busca a prevenção e a redução dos riscos de não conformidades legais e da exposição de vulnerabilidades que podem ser exploradas por agentes maliciosos. Para automatizar o controle dos softwares autorizados, podemos fazer uso de ferramentas que utilizam lista de permissões com a seleção dos softwares, bibliotecas e scripts autorizados da organização. A lista de permissões pode conter a descrição de softwares assim como os possíveis arquivos e/ou extensões permitidas, como.dll, ocx, evitando também o carregamento de bibliotecas que podem ser maliciosas. De acordo com o NIST (POWELL et al., 2022), uma lista de permissões é uma lista com aplicativos e componentes de aplicativos, como bibliotecas e arquivos de 26Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública configuração, autorizados a estarem instalados e/ou ativos em um host de acordo com uma linha de base bem definida. Saiba mais sobre listas de permissões na página do glossário do NIST (acesse aqui). Entretanto, muitos agentes maliciosos utilizam programas legítimos, como o PowerShell, nativo do Windows, para executar scripts maliciosos que podem desativar funcionalidades de proteção contra malware instalados no dispositivo ou até fazer o carregamento e a execução de outros softwares para permitir o ataque. Dessa forma, sugerimos duas ações: • Se você não precisa do PowerShell, desative-o. • Se você precisa do PowerShell, procure assinar os scripts que podem ser executados. Saiba mais sobre a assinatura de scripts na página da Microsoft (acesse aqui). 3. Identifique no inventário os ativos de software não autorizados em sua rede e realize o tratamento, conforme as medidas de proteção 2.2 e 2.3 do CIS Controls v8. Resumidamente, isso significa determinar quais desses softwares são ou não suportados e, em seguida, determinar quais entrarão na lista de autorizados. Os suportados podem ser incluídos na lista de autorizados. Entretanto, se o software não for suportado, mas for necessário para o cumprimento da missão da empresa, faça a inclusão dele no inventário, documentando uma exceção e detalhando os controles de mitigação e a aceitação do risco residual. Caso contrário, o software não suportado deve ser classificado como não autorizado. Em particular, é preciso haver distinção clara entre software não suportado e não autorizado. Veja: + Software não suportado Qualquer software que não está mais recebendo atualizações do vendedor ou da área responsável, devido à descontinuação do produto, à falta de aquisição ou à renovação de licenças do produto etc. Alguns exemplos de https://csrc.nist.gov/glossary/term/application_allowlisting https://learn.microsoft.com/pt-br/powershell/module/microsoft.powershell.core/about/about_signing?view=powershell-7.3 27Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública controle de mitigação para o uso de um software não suportado são: (1) limitar a sua execução a dispositivos específicos, que preferencialmente estejam fora do domínio da rede corporativa; (2) limitar o seu uso em sub-redes específicas e isoladas do restante da infraestrutura de rede da organização; (3) limitar os usuários que podem usá-los etc. + Software não autorizado Qualquer software que sabidamente seu uso representa um risco à segurança da organização. Entre eles, aqueles não suportados e sem documentação de exceção. Aqui podemos citar, por exemplo, os softwares que infringem a política de segurança e/ou de licenciamento e/ou por conter vulnerabilidades não aceitas que podem ser exploradas por agentes maliciosos. Ao identificar um software não autorizado, a organização deverá fazer o tratamento o mais breve possível, por exemplo, removendo-o do dispositivo e/ou aplicando bloqueios que impeçam a execução. Atenção! Preferencialmente, trate apenas o software atualmente suportado como autorizado no inventário de software. Veja algumas dicas: • Um ativo corporativo pode vir instalado com softwares não suportados e desnecessários para a organização, gerando um risco de segurança em potencial. Então, em geral, toda aquisição deve ser encarada como um ponto de verificação e de atualização do inventário de software. • O CIS disponibiliza um modelo de planilha para documentar o inventário. Clique aqui para visualizá-la. • O Anexo IV do Guia do Framework de Privacidade e Segurança da Informação correlaciona as medidas de segurança do Controles 2 do CIS Controls às Normas Complementares do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR) e a alguns requerimentos dispostos na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Lembre-se: uma empresa sem um inventário completo dos ativos de software não pode determinar se possui software vulnerável ou se há violações de licenciamento em potencial (CIS, 2021). https://www.cisecurity.org/insights/white-papers/cis-hardware-and-software-asset-tracking-spreadsheet 28Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 2.3. Como Criar um Inventário de Software? Existem diversas ferramentas automatizadas de inventário de software, comerciais ou não. Muitas dessas ferramentas permitem gerar e personalizar relatórios que ajudam no controle e no gerenciamento dos softwares, além da possibilidade de aplicação de poderosos filtros. 2.3.1. PowerShell O PowerShell é uma solução de automação de tarefas multiplataforma que consiste em um shell de linha de comando, em uma linguagem de script e uma estrutura de gerenciamento de configuração. O PowerShell pode ser executado no Windows, no Linux e no macOS. O Windows PowerShell vem instalado por padrão em todos os Windows, começando com o Windows 7 SP1 e Windows Server 2008 R2 SP1. É possível identificar os softwares instalados em um ativo corporativo usando comandos dentro do próprio PowerShell. Saiba mais sobre o PowerShell clicando aqui. 2.3.2. Outras Ferramentas Grátis Para a Coleta de Softwares A seguir, confira outras ferramentas que podem ser obtidas e utilizadas gratuitamente para apoiar a implementação desse controle. • Spiceworks (disponível aqui) • OpenAudIT (disponível aqui) 2.4 Lista de permissões Existem diversas soluções comerciais que possibilitam a implementação de uma lista de permissões de softwares, incluindo, por exemplo, algumas soluções de proteção contra malwares. https://learn.microsoft.com/pt-br/windows-server/administration/windows-commands/powershell https://www.spiceworks.com/free-pc-network-inventory-software https://www.open-audit.org/ 29Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública O AppLocker é uma ferramenta incluída nos sistemas operacionais Windows e que possibilita a criação de regras para permitir ou negar a execução de softwares, podendo ser configurada também por meio de políticas de grupo (GPO – Group Policy Object). A configuração é feita pelo Editor de Diretiva de Grupo Local e é necessário validar se o serviço “Identidade de Aplicativo” está ativado. Saiba mais sobre o AppLocker clicando aqui. Que bom que você chegou até aqui! Agora é a hora de testar seus conhecimentos. Para isso, acesse o exercício avaliativo disponível no ambiente virtual. Bons estudos! https://learn.microsoft.com/pt-br/windows/security/application-security/application-control/windows-defender-application-control/applocker/what-is-applocker 30Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Referências CENTER FOR INTERNET SECURITY (CIS). Guide to Enterprise Assets and Software. [S. l.]: CIS, 2022. Disponível em: https://www.cisecurity.org/insights/white-papers/ guide-to-enterprise-assets-and-software. Acesso em: 25 jul. 2023. CURRION, Paul; SILVA, Chamindra de; VAN DE WALLE, Bartel. Open source software for disaster management. Communications of the ACM, New York, v. 50, n. 3, p. 61- 65, 2007. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.1145/1226736.1226768. Acesso em: 25 jul. 2023. FREEPIK COMPANY. [Banco de Imagens]. Freepik, Málaga, 2023. Disponível em: https://www.freepik.com/. Acesso em: 8 out. 2023. GNU PROJECT/Free Software Foundation (GNU). Categorias de softwares livres e não livres. GNU: [s. n.], [s. d.]. Disponível em: https://www.gnu.org/philosophy/ categories.pt-br.html. Acesso em: 16 out. 2023. OPEN SOURCE INITIATIVE. The Open Source Definition. 2006. Disponível em: https://opensource.org/osd/. Acesso em: 16 out. 2023. POWELL, M. et al. NIST SPECIAL PUBLICATION 1800-10. Protecting Information and System Integrity in Industrial Control System Environments:Cybersecurity for the Manufacturing Sector. NIST, 2022. Disponível em: https://csrc.nist.gov/pubs/ sp/1800/10/final. Acesso em: 15 mar. 2022. 31Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Proteção de Dados e Configuração Segura de Ativos Corporativos e Software: Controle 3 e 4 Neste módulo, você verá cenários, orientações e dicas de como reduzir os riscos de violação de dados e de como tornar seus ativos mais seguros. Unidade 1: Proteção de Dados: Controle 3 Ao final da unidade, você deverá ser capaz de reconhecer os principais conceitos, procedimentos e técnicas relacionadas ao processo de proteção de dados, relativos ao Controle 3 do CIS Controls. 1.1. Por que é Importante Proteger os Dados? Os dados não estão mais apenas dentro da fronteira de uma empresa. Podem estar em dispositivos portáteis e/ou desktops da própria organização, nos computadores pessoais dos usuários que trabalham em casa, em plataformas em nuvem de colaboração como o Microsoft Teams, ou mesmo mantidos em serviços públicos online para armazenamento de arquivos em nuvem, como o Dropbox, o Google Drive, etc. Muitas dessas opções podem estar vulneráveis a várias formas de ataque cibernético. Usar o mesmo nível de proteção e/ou tratamento para todos os dados, independentemente da importância e da confidencialidade destes, é uma vulnerabilidade. Usuários mal-intencionados, ou até descuidados, podem, por exemplo, deixar dados confidenciais expostos publicamente ou aproveitar a ausência das proteções para, de forma não autorizada, coletar, compartilhar, apagar ou mesmo realizar alterações nesses dados. Esse tipo de situação é comumente chamado de “violação de dados” (CHENG; LIU; YAO, 2017). Violação de dados. Fonte: Freepik (2023). Módulo 2 32Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Em um relatório sobre os custos de violação de dados (IBM,2022), identificou-se que 83% das organizações sofreram mais de uma violação de dados durante o ano de 2022, com impactos na ordem de milhões de dólares, conforme gráfico a seguir. Em 45% dessas violações, identificou-se que ocorreram em soluções baseadas na nuvem. Custo de uma violação de dados, mensurado em milhões de dólares. Fonte: adaptado de IBM (2022) Já em uma pesquisa realizada pela Thales (2023), organização especializada na área de cibersegurança, foram apontadas falhas humanas na aplicação dos controles preventivos sobre os dados corporativos! 33Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Falhas humanas em vazamento de dados. Fonte: Adaptado de Thales (2023). A Rubrik, empresa colaboradora do CIS na área de cibersegurança, em sua pesquisa com dados de 2022 sobre o atual cenário de ameaças cibernética, sinalizou (Rubrik, [s. d.]): • Os dados estão crescendo mais rápido e em mais lugares do que pensamos. Em uma organização típica, o volume dos dados irá triplicar nos próximos cinco anos. • Muitas vezes, as organizações não sabem que estão sob ataque até que os atacantes as informem. • 96% dos líderes de TI e de segurança estão preocupados se as suas organizações terão capacidade para manter a continuidade dos negócios após um ataque cibernético. Saiba mais sobre a pesquisa da Rubrik, clicando aqui. Diante desse cenário, é importante que as organizações mantenham proativamente a conformidade e o controle sobre os seus dados, entendendo os impactos em casos de violações, gerando e mantendo os procedimentos de proteção adequados e, não menos importante, empregando esforços para obter a colaboração de seus https://www.rubrik.com/content/dam/rubrik/en/resources/report-review/rpt-rubrik-zero-labs-sprint-report.pdf 34Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública stakeholders nessa questão. Nesse sentido, há um pensamento relativamente popular no tema Segurança Cibernética que devemos sempre ter em mente: Seja proativo em sua postura de segurança. Na linha da conformidade, no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018) dita os regramentos gerais para a proteção dos dados pessoais, sejam estes para organizações da iniciativa privada seja da pública. O Artigo 46 da LGPD determina que: Os agentes de tratamento devem adotar medidas de segurança, técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou qualquer forma de tratamento inadequado ou ilícito. (BRASIL, 2018). Já o Artigo 52 adverte que “os agentes de tratamento de dados, em razão das infrações cometidas às normas previstas nesta Lei, ficam sujeitos às seguintes sanções administrativas aplicáveis pela autoridade nacional”. Em julho de 2023 a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), autarquia de natureza especial, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, responsável por zelar pela proteção de dados pessoais e por regulamentar, implementar e fiscalizar o cumprimento da LGPD no Brasil, aplicou a primeira multa por descumprimento à referida lei (veja aqui). Entretanto, uma penalidade financeira por não conformidade não é o único impacto relacionado à proteção dos dados. Violações de dados podem gerar prejuízo à imagem e à reputação da organização, impactando nas receitas e gerando também despesas não planejadas para o tratamento. O Comitê Central de Governança de Dados, composto por representantes de organizações da sociedade atuantes na temática de Proteção de Dados Pessoais, disponibiliza um documento com orientações de boas práticas aos órgãos e às https://www.gov.br/anpd/pt-br/assuntos/noticias/anpd-aplica-a-primeira-multa-por-descumprimento-a-lgpd 35Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional para as operações de tratamento de dados pessoais, conforme previsto no Art. 50 da LGPD. Acesse aqui. 1.2. Quais Procedimentos Gerais e Técnicas a Proteção de Dados Deve Compreender? Inicialmente, é importante identificar quais dados a sua organização produz, retém e consome, bem como quão críticos eles são para os processos e para a missão da organização. Buscando evitar a divulgação não autorizada, a alteração ou o uso indevido dos dados, a primeira medida recomendada pelo CIS é o estabelecimento e a manutenção de um processo de gestão de dados para todo o seu ciclo de vida, com tarefas e procedimentos que abordem a confidencialidade e a criticidade dos dados, o processamento e o armazenamento, os alinhamentos legais e regulatórios, o proprietário dos dados e como os dados devem ser classificados, manuseados, retidos e/ou descartados. Alguns pontos de atenção na criação desse processo são sinalizados pelo CIS no post “How to Create a Data Protection Plan” (disponível aqui). Cumpre reforçar que a LGPD define papéis e responsabilidades quanto ao tratamento de dados pessoais. Portanto, a organização deverá se atentar e incorporar ao processo de gestão de dados as disposições relacionadas contidas na lei. A Secretaria de Governo Digital disponibiliza um Guia de Elaboração de Inventário de Dados Pessoais que tem por finalidade apresentar orientações com o intuito de auxiliar os órgãos e as entidades da Administração Pública Federal, direta, autárquica e fundacional a realizar o levantamento e o registro dos dados pessoais tratados no âmbito institucional. (Disponível aqui). Importante ainda ressaltar que os dados organizacionais devem ser categorizados de acordo com o nível de sensibilidade e relevância, podendo ser rotulados como exemplificado pelo CIS em: “Sensível”, “Confidencial” e “Público”. A classificação de dados usando critérios rigorosos e bem definidos ajuda a distinguir dados confidenciais e críticos dos demais, facilitando a implementação das proteções de segurança. https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/guias/guia_lgpd.pdf https://www.cisecurity.org/insights/blog/how-to-create-a-data-protection-planhttps://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/ppsi/guia_inventario_dados_pessoais.pdf 36Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Nível de sensibilidade. Após essa categorização, com base no plano de gestão de dados, será necessário realizar um inventário preciso dos dados organizacionais, incluindo o mapeamento do fluxo desses dados, compreendendo, pelo menos, os dados críticos para a operação e a missão da organização. Nesse momento, será essencial identificar quais são esses dados produzidos, quem consome e como são consumidos, como são retidos e descartados, bem como os possíveis impactos em caso de “violação de dados”. Com os dados inventariados, analisados e documentados, a organização poderá avaliar as medidas de segurança que são necessárias para reduzir os riscos de violação. 1.2.1. Quais as Medidas de Segurança? De forma geral, é preciso também estabelecer meios técnicos para conseguir realizar a proteção dos dados. No vídeo a seguir, faremos uma breve explicação das medidas de segurança do Controle 3 que buscam realizar a proteção dos dados. Controle 3 do CIS Controls https://youtu.be/HuvW_s9dw5k 37Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Em linhas gerais, para a proteção dos dados, as seguintes medidas de segurança técnicas são recomendadas pelo CIS: 1. Configurar listas de controle de acesso aos dados, conforme medida de proteção 3.3 do CIS Controls v8. Aqui estamos falando de permissão de acesso, limitando o acesso do usuário com base na necessidade de conhecimento. O usuário deverá ter uma razão legítima para acessar, por exemplo, um determinado dado, uma informação, um sistema de arquivo, um banco de dados e aplicações. Em seguida, podemos aplicar o princípio do privilégio mínimo para granular mais o acesso. Se o usuário precisa apenas consultar determinado dado, não serão permitidas ações para alteração e/ ou exclusão. 2. Realizar a retenção e o descarte seguro dos dados, conforme medida de proteção 3.4 e 3.5 do CIS Controls v8. Nessas medidas, é preciso atender às diretrizes que estão no processo de gestão de dados quanto à retenção e ao descarte dos dados. É a implementação prática, com os prazos mínimos e máximos de retenção, e o método de descarte dos dados, sempre vinculados à sua sensibilidade e criticidade. Você sabia que os agentes maliciosos podem vasculhar um lixo de uma organização em busca de dados e informações sensíveis e/ou confidenciais? Essa técnica é chamada de Dumpster Diving. Embora essa prática possa parecer estranha, na verdade é um método de ataque muito comum! 3. Criptografar dados em trânsito e repouso, conforme medidas de proteção 3.10 e 3.11 do CIS Controls v8. Primeiro, veja a definição de criptografia do Glossário de Segurança da Informação, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República: Criptografia é a arte de proteção da informação, por meio de sua transformação em um texto cifrado (criptografado), com o uso de uma chave de cifragem e de procedimentos computacionais previamente estabelecidos, a fim de que somente o(s) possuidor(es) da chave de decifragem possa(m) reverter o texto https://www.gov.br/gsi/pt-br/composicao/SSIC/dsic/glossario-de-seguranca-da-informacao-1 38Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública criptografado de volta ao original (texto pleno). A chave de decifragem pode ser igual (criptografia simétrica) ou diferente (criptografia assimétrica) da chave de cifragem. (BRASIL, 2021) Em linhas gerais, os dados digitais podem estar em três estados: em repouso, em trânsito ou em uso, quando está sendo processado. Contudo, nesse controle, vamos nos concentrar nos dados em repouso e nos dados em trânsito. Para esse tema, utilizaremos também como referência o guia desenvolvido pelo CIS (2023), chamado The Essential Guide to Election Security. Nesse guia, o CIS detalha na prática diversas medidas recomendadas. Veja a diferença entre dados em repouso e dados em trânsito: + Dados em repouso Para o CIS (2021), quaisquer dados que não estejam sendo ativamente transferidos podem ser considerados como “dados em repouso”. Isso inclui dados armazenados nos discos rígidos dos dispositivos de usuários finais, em servidores, storages, pendrives e/ou em provedores de serviços de nuvem terceirizados. Importante citar que esses dados em repouso podem estar basicamente em um formato estruturado (ex.: dados armazenados em bancos de dados) ou não (ex.: textos, vídeos, imagens e áudios). Atividades maliciosas contra dados em repouso geralmente incluem tentativas de obter acesso físico ao hardware em que os dados são armazenados e, em seguida, de realizar a exfiltração ou o comprometimento desses dados. + Dados em trânsito Já os dados considerados “dados em trânsito” estão se movendo entre dispositivos, como em redes privadas ou na internet, podendo, durante essa transferência, ficarem expostos a interceptações não autorizadas. O ataque chamado de man-in-the-middle é bem comum e se caracteriza basicamente por um agente malicioso se posicionando entre dois dispositivos e interceptando os dados trafegados, seja para ter um acesso não autorizado, seja para manipular os dados. Para reduzir os riscos de violações, ou interceptações não autorizadas dos dados, faz-se o uso da criptografia. 39Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Mas, por onde começar? Novamente, deveríamos centrar as ações de proteção em dados confidenciais e/ou críticos para a organização. É preciso se basear no processo de gestão de dados para que se possa priorizar a aplicação dessa medida. A partir da identificação do tipo de dispositivo que necessitará da criptografia dos dados, a organização deverá selecionar a tecnologia para essa aplicação. Existem várias soluções no mercado, incluindo soluções comerciais e gratuitas. Entretanto, a implementação incorreta de criptografia, o uso de algoritmos de criptografia fracos ou o gerenciamento inseguro de chaves de criptografia podem gerar vulnerabilidades e riscos de violação de dados. Portanto, avalie bem as características técnicas de cada solução. Atenção! Preste atenção no dispositivo em que os seus logs de auditoria e o seu backup estão armazenados e avalie, quando possível, a aplicação da criptografia. É muito comum, nas técnicas de ataques, que os agentes maliciosos busquem esses ativos para realizar os comprometimentos e garantir o sucesso das suas atividades. 4. Segmentar o processamento e o armazenamento de dados com base na confidencialidade e na criticidade dos dados, conforme medida de segurança 3.12 do CIS Controls v8. As medidas de proteção devem ser priorizadas e estar baseadas no processo de gestão de dados. Portanto, os ativos corporativos e de software que fazem parte da operação e da missão da organização e/ou que sustentam os dados confidenciais e/ ou críticos devem ser priorizados. Nesse contexto, podemos entender que os ativos não priorizados poderão conter vulnerabilidades ainda não tratadas. Dessa forma, é possível que explorações sejam realizadas em ativos menos críticos para se conseguir ter o acesso aos dados confidenciais e críticos da organização. A técnica de ataque que se pode encaixar nesse exemplo é conhecida como “movimento lateral”, em que um agente malicioso se aproveita das falhas e/ou dos direitos de acesso atuais para navegar, ou se movimentar, pelo ambiente. “Idealmente, a rede deveria ser separada para que os ativos corporativos do mesmo nível de sensibilidade estejam na mesma rede e separados dos ativos corporativos com diferentes níveis de sensibilidade.” (CIS, 2021). 40Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 5. Auditar e monitorar o acesso aos dados confidenciais e/ou críticos, conforme medidas de proteção 3.13 e 3.14 do CIS Controls v8. De maneira geral, os dados confidenciais e/ou críticos da organização estão aptos a serem consultados, modificados, apagadose/ou até transmitidos. Entretanto, essas ações podem ser realizadas de forma não autorizada e/ou com intenções maliciosas, aproveitando, por exemplo, vulnerabilidades nos ativos corporativos e de softwares, falhas nas permissões de acesso e/ou por descuido também. Mas, por vezes, a organização fica sabendo dessas ações não autorizadas apenas quando ocorre um incidente de segurança. Mais uma vez, com base no processo de gestão de dados, faz-se necessário aplicar medidas para o controle dos dados confidenciais e/ou críticos seja pelo registro dos acessos e das atividades realizadas nos dados, que, por exemplo, pode ser realizado por funções do próprio sistema e/ou aplicação, seja por procedimentos e técnicas de proteção para prevenir possíveis perdas e vazamentos. O conceito utilizado no mercado para tratar de forma preventiva os possíveis vazamentos, perdas e/ou exfiltrações dos dados confidenciais e/ou críticos é chamado de DLP (Data Loss Prevention). Na prática, um DLP atua escutando, analisando e identificando esses dados no ambiente e aplicando os controles de segurança necessários e configurados. Por exemplo, o DLP poderá bloquear o acesso e/ou a transferência de um dado, estruturado ou não, por um usuário que não seja autorizado. Entretanto, para que essa solução seja eficaz, é necessário ter precisão na seleção dos dados a serem “monitorados” pelo DLP, evitando alertas falsos e/ou bloqueios de atividades legítimas que podem impactar na operação da organização. Em linhas gerais e dependendo da estratégia da corporação e do processo de gestão de dados, um DLP poderá analisar os dados em trânsito, escutando o tráfego da rede, assim como os dados em repouso, por exemplo, em apenas um ativo corporativo. Dica: O Anexo IV do Guia do Framework de Privacidade e Segurança da Informação (disponível aqui) correlaciona as medidas de segurança do Controles 3 do CIS Controls às Normas Complementares do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR) e a alguns requerimentos dispostos na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/ppsi/guia_framework_psi.pdf 41Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública 1.3. Como Proteger seus Dados Existem diversas ferramentas e técnicas que podem ser utilizadas para a proteção preventiva de dados, comerciais ou não. Muitas dessas ferramentas necessitam de conhecimentos mais específicos. Contudo, faremos aqui uma breve explicação de algumas ferramentas para a criptografia, a fim de fornecer uma visão geral e ajudar em avaliações posteriores. 1.3.1. Criptografia de Dados em Repouso 1.3.1.1 Windows BitLocker O BitLocker é uma tecnologia de criptografia nativa e específica para ambientes Windows que protege seus dados contra acesso não autorizado, criptografando sua unidade e exigindo senha de acesso. Para configurar o BitLocker no Windows 10, por exemplo, basta clicar em Iniciar, digitar BitLocker e depois clicar em Gerenciar o BitLocker. Uma tela semelhante a de baixo será aberta. Clique em “Ligar BitLocker” e siga as instruções. Tela inicial do BitLocker. Fonte: Autoria própria. Pontos de atenção com relação à ativação e ao uso do BitLocker: + Dispositivos com recurso TPM (Trusted Platform Module) O TPM é um chip instalado em diversos dispositivos e que inclui vários mecanismos adicionais de segurança. Caso o seu dispositivo não tenha um chip TPM (Trusted Platform Module) instalado, será necessário configurar 42Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública preliminarmente o BitLocker para uso sem as funcionalidades do TPM, por meio do Editor de Diretiva de Grupo Local. + Chave de recuperação Ao ativar o BitLocker, será solicitada a geração de uma chave de recuperação. Essa chave pode ser utilizada caso seja perdida ou esquecida a senha de acesso. Salve essa chave em um lugar seguro e lembre que, se um agente malicioso conseguir acesso à chave de recuperação, também conseguirá acessar o dispositivo criptografado. + Padrão do BitLocker O BitLocker por padrão é usado para proteger o seu dispositivo, entretanto, se um agente malicioso acessar um dispositivo sem a proteção do BitLocker e/ou de outra ferramenta de criptografia, poderá, por exemplo, ativar o BitLocker, criptografar o dispositivo e manter em seu poder a senha e a chave de recuperação. Então, se não for usar o BitLocker, crie procedimentos para ele não ser ativado. Saiba mais como configurar o BitLocker clicando aqui. Para saber mais sobre TPM, clique aqui. 1.3.1.2 VeraCrypt VeraCrypt é um software multiplataforma gratuito de criptografia de disco, de código aberto, para Windows, Mac OSX e Linux. Semelhante ao BitLocker, entretanto com características próprias que deverão ser analisadas pontualmente. Para baixar e saber mais sobre o VeraCrypt, clique aqui. Acesse o tutorial básico para a instalação do VeraCrypt clicando aqui. 1.3.1.3 Apple FileVault O Apple FileVault é uma ferramenta de criptografia nativa e específica dos sistemas operacionais Mac. https://www.dell.com/support/kbdoc/pt-br/000125409/como-habilitar-ou-desabilitar-o-bitlocker-com-tpm-no-windows https://learn.microsoft.com/pt-br/windows/security/hardware-security/tpm/trusted-platform-module-overview https://www.veracrypt.fr/en/Home.html https://veracrypt.eu/en/Beginner's%20Tutorial.html 43Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Saiba mais sobre o Apple FileVault clicando aqui. 1.3.1.4 Linux dm-crypt O dm-crypt é um subsistema de criptografia de disco transparente para dispositivos em bloco disponível em ambientes Linux. Mais informações sobre o uso do dm-crypt podem ser acessadas aqui. 1.3.2. Criptografia de Dados em Trânsito Para impedir a interceptação do tráfego por agentes maliciosos, é necessário aplicar uma criptografia dos dados durante o fluxo pela rede. Para criptografar os dados confidenciais e/ou críticos da organização que estão em trânsito, algumas ações são recomendadas, como: • 1. Faça uso de certificados SSL (HTTPS, e não HTTP) nos servidores que armazenam as aplicações. Configure protocolos de segurança atualizados, como o TLS v1.2 ou o TLS 1.3. Os protocolos TLS 1.1 ou TLS 1.0 são obsoletos e vulneráveis. Avalie também as cifras de segurança. Clique aqui para ver mais sobre protocolos e cifras de segurança. • 2. Use FTPS, SFTP, SCP para a transferência de dados, e não FTP ou RCP. De preferência, faça a desativação dessas funcionalidades. • 3. Use SSH, e não Telnet para fazer as conexões remotas. De preferência, faça a desativação do Telnet. • 4. Exija de seus provedores e parceiros as mesmas recomendações acima. Você chegou ao final desta unidade de estudo. Caso ainda tenha dúvidas, reveja o conteúdo e se aprofunde nos temas propostos. Até a próxima! https://support.apple.com/pt-br/guide/deployment/dep82064ec40/web https://www.ibm.com/docs/en/cloud-private/3.1.1?topic=installation-encrypting-volumes-by-using-dm-crypt https://www.cloudflare.com/pt-br/learning/ssl/why-use-tls-1.3/ 44Enap Fundação Escola Nacional de Administração Pública Referências BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Brasília, DF: Presidência da República, 2018. BRASIL. Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Guia do Framework de Privacidade e Segurança da Informação. Programa de Privacidade e Segurança da Informação (PPSI). versão 1.1.2. Brasília, DF: SGD, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/governodigital/pt-br/seguranca-e-protecao-de-dados/ppsi/ guia_framework_psi.pdf. Acesso em: 2 out. 2023. BRASIL. Portaria GSI/PR nº 93. Aprova o glossário de segurança da informação. Brasília, DF: Presidência da República, 2021. Disponível em: https://www.in.gov.br/ en/web/dou/-/portaria-gsi/pr-n-93-de-18-de-outubro-de-2021-353056370. Acesso em: 25 jul. 2023. CENTER FOR INTERNET SECURITY (CIS). CIS Controls v8. [S. l.]: CIS, 2021. Disponível