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Conteudista: Prof.ª M.ª Fany Govetri Sena Crispim Revisão Textual: Luiza Venturini Objetivos da Unidade: Conhecer as principais características biológicas e necessidades nutricionais na infância; Aplicar as recomendações para orientação nutricional desde a introdução alimentar até o período escolar; Compreender os processos que interferem nas escolhas alimentares das crianças em fase pré-escolar e associá-los às recomendações nutricionais, para a elaboração de planos alimentares adequados a esse público. 📄 Material Teórico 📄 Material Complementar 📄 Referências Planejamento Alimentar para Lactentes e Pré- escolares Introdução Você já parou para pensar que o período da infância é aquele em que ocorre o desenvolvimento de grande parte das potencialidades humanas? Dessa forma, qualquer distúrbio que ocorrer nessa época pode ser responsável por graves consequências para o indivíduo durante sua vida adulta. Nesta Unidade, vamos apresentar as principais características do desenvolvimento infantil, a evolução na oferta da alimentação, as recomendações nutricionais para cada fase e a base para o planejamento alimentar. Porém, antes disso, vamos conhecer como se denominam cada uma das idades na infância? Considera-se recém-nascido o bebê desde o nascimento até completar 28 dias. Depois, denominamos lactente o bebê no período entre 29 dias até dois anos de idade. Pré-escolar é a criança entre dois a seis anos de idade; escolar entre seis a dez anos de idade; e adolescente entre dez a 19 anos de idade. Os primeiros mil dias de vida são considerados os mais importantes para o desenvolvimento físico e mental do ser humano. Essa fase inclui os 270 dias de gestação e os dois primeiros anos de vida (730 dias). É nesse período que ocorre o maior estirão de crescimento, o desenvolvimento dos sistemas nervoso e imunológico e a programação metabólica. Página 1 de 3 📄 Material Teórico O estado nutricional da mãe e a sua alimentação interferem no crescimento e no desenvolvimento do feto e no seu peso ao nascimento. A alimentação materna durante a gestação também influencia o paladar e o olfato do futuro bebê, porque as nuances de sabor são transmitidas pelo líquido amniótico. Após o nascimento até os dois anos de idade, a alimentação se torna essencial para suprir as necessidades nutricionais, contribuir para um bom desenvolvimento e uma programação metabólica adequada, prevenindo a obesidade e as doenças crônicas. Nessa fase, se a criança formar bons hábitos alimentares, terá mais chance de ser um adulto saudável. Hoje, também se fala que, não só os mil dias, mas os primeiros 2.200 dias de vida da criança, que compreendem da preconcepção até os cinco anos, são importantes para a saúde. Isso porque, além do crescimento, do desenvolvimento e da programação metabólica, é importante o equilíbrio do organismo por meio do desenvolvimento da microbiota intestinal. A colonização bacteriana equilibrada e diversificada é importante para o desenvolvimento da criança e do seu sistema imunológico, favorecendo uma menor ocorrência de alergias e doenças metabólicas na vida adulta. Embora a formação da microbiota intestinal ocorra de forma mais intensa até os dois anos, a colonização acontece até pelo menos os cinco anos de idade. Aspectos Fisiológicos e Nutricionais do Lactente Nesta Disciplina, iremos abordar apenas as características e recomendações para os recém-nascidos a termo (aqueles nascidos após a 38ª semana de gestação). Os aspectos dos bebês recém-nascidos pré-termo ou prematuros serão abordados em outra Disciplina. Então, assim que o bebê a termo nasce, é muito comum que seu peso tenha alterações nas duas primeiras semanas. A maioria dos bebês pode perder peso por várias razões, como: a evaporação do líquido extracelular, a adaptação metabólica (porque o bebê passou a viver em um ambiente externo ao uterino, ele deixa de receber os nutrientes diretamente da placenta), além da excreção das fezes. Tudo isso contribui para a sua perda de peso. Essa perda de peso costuma ser entre 5% e 10%. Por volta do 8º ou 10º dia após o nascimento, já ocorre o processo de recuperação dessa perda, porém ela depende do tipo de alimentação do bebê e de outros fatores, como os fisiológicos e ambientais. Nos primeiros seis meses de vida, espera-se um ganho de peso maior que 20 g/dia, e a partir do segundo semestre, maior que 15 g/dia. Geralmente, os bebês dobram o peso do nascimento aos seis meses e o triplicam aos 12 meses. O ganho em altura é mais lento que o ganho em peso, sendo que, no final do primeiro ano de vida, o bebê aumenta 50% do seu comprimento (Vitolo, 2008, p. 167). É importante saber que, do nascimento até os quatro meses de vida, existe uma imaturidade de alguns sistemas orgânicos, por exemplo: o bebê faz movimentos involuntários com a língua, ficando com ela para fora da boca e empurrando tudo o que Reflita Afinal, será que a criança já pode experimentar outros alimentos líquidos, além do leite materno, logo após o nascimento? é colocado nela (protrusão de língua); existe pouca produção de enzimas digestivas (amilases salivar e pancreática), sendo causa de cólicas e diarreia; incapacidade de sobrecarga renal (baixa taxa de filtração glomerular e baixa capacidade de concentração); maior permeabilidade da mucosa intestinal, podendo absorver moléculas de proteínas intactas, resultando em uma resposta imune e desenvolvimento de alergia alimentar. Por essas razões, indica-se a oferta de apenas o leite materno nos primeiros seis meses de vida, pois irá prevenir o bebê de ter problemas como as alergias alimentares, as deficiências nutricionais, o ganho excessivo ou insuficiente de peso, a anemia, as cólicas e a obstipação intestinal. Sendo assim, “o aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança e constitui a mais sensível, econômica e eficaz intervenção para redução da morbimortalidade infantil” (BRASIL, 2009, p. 9). Necessidades Nutricionais e Planejamento Alimentar para Lactentes Antes de se falar em planejamento alimentar, é importante conhecer as necessidades e recomendações nutricionais de cada idade, a fim de se realizar um planejamento adequado a cada indivíduo e para cada fase. No caso dos lactentes, que são as crianças até dois anos de idade, as necessidades e recomendações serão demonstradas nos tópicos a seguir. Energia Devido ao crescimento e ao desenvolvimento, os recém-nascidos possuem uma necessidade energética de três a quatro vezes mais que o adulto. Essas necessidades podem ser estimadas a partir de equações para o cálculo do Gasto Energético Basal (GEB), que é o gasto destinado ao metabolismo basal, com a criança em repouso, e do Gasto Energético Total (GET), que é o GEB acrescido do gasto com as atividades diárias. Dessa forma, com base no Gasto Energético Total (GET), iremos determinar o valor da energia que será oferecida através dos alimentos, a fim de suprir as necessidades de energia do indivíduo, ou seja, o Valor Energético Total (VET) do plano alimentar. Quais equações podemos utilizar? Veja nos Quadros a seguir: Quadro 1 – Equações para Estimativa do Gasto Energético Basal (GEB) para Crianças de 0 a 2 anos Referência Sexo Idade Equação para o GEB (FAO/OMS/UNU, 1985) Masculino 0 a 2 anos (60,9 × P) – 54 Feminino 0 a 2 anos (61 × P) – 51 (Schofield, 1985) Masculino 0 a 2 anos (0,167 × P) + (15,174 × E) – 617,6 Feminino 0 a 2 anos (16,252 × P) + (10,232 × E) – 413,5 Referência Sexo Idade Equação para o GEB (Schofield, 1985) Masculino 0 a 2 anos 59,48 × P – 30,33 Feminino 0 a 2 anos 58,29 × P – 31,05 P: peso (kg); I: idade (anos); E: estatura (centímetros). Fonte: FAO/WHO/UNU, 1985; SCHOFIELD, 1985, n.p. Quadro 2 – Equações para Estimativa do Gasto Energético Total (GET) de Crianças de 0 a 2 anos Referência Idade Equação para o GET (FAO/OMS/UNU, 1985) 0 a 3 meses 116 Kcal/Kg/dia 3 a 6 meses 99 Kcal/Kg/dia6 a 9 meses 95 Kcal/Kg/dia 9 a 12 meses 101 Kcal/Kg/dia Média durante o primeiro ano de vida 103 Kcal/Kg/dia Referência Idade Equação para o GET DRI - IOM (2023) 0 a 2,99 meses – masculino EER = -716,45 – (1,00 × idade) + (17,82 × altura) + (15,06 × peso) + 200 0 a 2,99 meses – feminino EER = -69,15 – (80,00 × idade) + (2,65 × altura) + (54,15 × peso) + 180 3 a 5,99 meses – masculino EER = -716,45 – (1,00 × idade) + (17,82 × altura) + (15,06 × peso) + 50 3 a 5,99 meses – feminino EER = -69,15 + (80,0 × idade) + (2,65 × altura) + (54,15 × peso) + 60 6 meses a 2,99 anos – masculino EER = -716,45 – (1,00 × idade) + (17,82 × altura) + (15,06 × peso) + 20 6 meses a 2,99 anos – feminino EER = -69,15 + (80,0 × idade) + (2,65 × altura) + (54,15 × peso) + 20/15* Referência Idade Equação para o GET P: peso (kg); I: idade (anos); E: estatura (para as equações da FAO: Estatura em centímetro; para as equações das DRI: Estatura em metros). * Dos 6 meses aos 2,99 anos, a energia de depósito para o crescimento para meninas varia entre: 6 meses a 11,99 meses: 20 kcal/d; 1 a 2,99 anos: 15 kcal/d. Fonte: FAO/WHO/UNU, 1985; National Academies of Sciences, Engineering and Medicine, 2023, n.p. Proteína A necessidade proteica da criança também é maior que a do adulto, devido ao crescimento. Dessa forma, para garantir uma quantidade suficiente de aminoácidos essenciais, é importante oferecer proteínas de alto valor biológico (proteínas de origem animal), na proporção de dois terços do total recomendado. As recomendações estão descritas nos Quadros a seguir: Quadro 3 – Níveis Seguros de Ingestão de Proteínas para Lactentes Idade (anos) Níveis seguros de ingestão de proteínas (g/Kg/dia) 0 a 6 meses 1,31 6 a 12 meses 1,14 Idade (anos) Níveis seguros de ingestão de proteínas (g/Kg/dia) 12 a 18 meses 1,03 Fonte: WHO/FAO/UNU, 2007 Quadro 4 – Valores Diários de EAR e AI ou RDA para Proteína Segundo as DRIs Idade Proteína EAR (g/kg/d) AI ou RDA (g/d) AI ou RDA (g/kg/d) 0 a 6 meses ND 9,1 1,52 7 a 12 meses 1,0 11 1,2 1 a 3 anos 0,87 13 1,05 ND: não foi possível estabelecer este valor. Fonte: OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 144 Por exemplo, um bebê de oito meses que está com o peso adequado para o seu comprimento, ou seja, está em eutrofia, apresenta 8,5 kg. Então, devemos multiplicar seu peso pela recomendação proteica, sendo 8,5 x 1,2 (RDA) = 10,2 gramas de proteína/dia. Caso a criança não esteja com o peso adequado, a indicação para os cálculos é que seja utilizado o peso ideal para o seu comprimento, segundo as tabelas/curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Carboidrato Como você já viu anteriormente, logo ao nascimento, o bebê ainda possui imaturidade na produção de algumas enzimas, como é o caso das amilases salivar e pancreática, que não conseguem degradar o amido em sua totalidade até o 6º mês de vida. Portanto, não se recomenda a oferta de muito amido, pois não haverá digestão perfeita, o que promoverá a fermentação do carboidrato no cólon, com formação de gases, causando cólicas e diarreia. Desse modo, novamente chegamos à conclusão de que o leite materno é o alimento perfeito para essa fase da vida. Importante! Sempre que a recomendação for em g/kg/dia, devemos multiplicar o valor da recomendação em grama, pelo peso da criança. Sobre as recomendações nutricionais, seguimos as DRIs, sendo: Quadro 6 – Valores Diários de EAR, AI ou RDA e AMDR para Carboidrato Segundo as DRIs Idade Carboidrato EAR (g/d) AI ou RDA (g/d) AMDR 0 a 6 meses ND 60 ND 7 a 12 meses ND 95 ND 1 a 3 anos 100 130 45 – 65% do VET ND: não foi possível estabelecer este valor. AMDR: a variação de distribuição aceitável de macronutriente (AMDR) é a faixa de ingestão da fonte particular de energia dada como porcentagem que está associada ao risco reduzido de doença crônica que fornece as ingestões dos nutrientes essenciais. Fonte: TRUMBO et al., 2002/2003, n.p.; OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 102 Lipídio A oferta adequada de lipídios para o lactente é importante para a formação do sistema nervoso central, porque a gordura é necessária para a mielinização e o crescimento dos neurônios, assim como para o desenvolvimento da retina, fazendo parte de substâncias importantes da membrana celular (SILVA; MURA, 2016, p. 368). Os lipídios também são considerados fonte de energia, fornecem ácidos graxos essenciais e são responsáveis pelo transporte das vitaminas lipossolúveis. Quanto menor a sua cadeia, melhor é sua absorção. O leite materno fornece os ácidos graxos essenciais de que o lactente necessita, em quantidades adequadas, e é de extrema importância para o desenvolvimento do bebê. As recomendações nutricionais para os lipídios, segundo as DRIs, são: Quadro 7 – Valores Diários de AI ou RDA e AMDR para Lipídio Segundo as DRIs Idade Lipídio AI ou RDA (g/d) AMDR 0 a 6 meses 31 ND 7 a 12 meses 30 ND 1 a 3 anos ND 30 – 40% do VET ND: não foi possível estabelecer este valor. AMDR: a variação de distribuição aceitável de macronutriente (AMDR) é a faixa de ingestão da fonte particular de energia dada como porcentagem que está associada ao risco reduzido de doença crônica que fornece as ingestões dos nutrientes essenciais. Fonte: TRUMBO et al. (2002/2003, n.p.); OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 122 Vitaminas e Minerais Todas as vitaminas e todos os minerais são importantes durante a infância, porém alguns nutrientes precisam de maior atenção. Por exemplo, o ferro é um dos nutrientes de maior preocupação em recém-nascidos. Os bebês que nasceram a termo e possuem peso adequado geralmente apresentam reservas de ferro adequadas, porém, a alimentação após o nascimento será essencial para a manutenção dessa reserva. Você já pensou naquelas crianças que não recebem o leite materno? Será que o leite de vaca possui a mesma absorção de ferro, na mesma quantidade? A resposta é não. Embora o leite não contenha grande quantidade de ferro, o leite materno possui melhor biodisponibilidade, favorecendo a absorção de 50% da quantidade de ferro presente. Já o ferro do leite de vaca é absorvido somente em 10%. Normalmente, as reservas de ferro da criança são suficientes até o 6º mês de vida, caso seja eutrófica e tenha uma boa alimentação. Por essa razão, é necessária a introdução de novos alimentos a partir dessa idade. E como é a absorção do ferro dos alimentos? Depende do tipo do ferro. Para o ferro heme, proveniente da carne vermelha e derivados, frango e peixe, a absorção é próxima de 20%. Já para as fontes de ferro não heme como os vegetais, grãos, ovos e laticínios, a absorção é próxima de 5%, podendo ser aumentada na presença de ácido ascórbico (vitamina C) e carnes. Porém, o excesso de fitatos e oxalatos podem diminuir sua absorção. Portanto, ao introduzir novos alimentos para a criança, a alimentação deve ser bastante variada. A vitamina A é outro nutriente ao qual devemos dar importância, porque existem evidências de que ela reduz a gravidade de doenças e a mortalidade em crianças, devido ao seu importante papel no sistema imunológico (VITOLO, 2008, p. 197). Portanto, a criança que apresenta deficiência dessa vitamina pode estar mais sujeita às infecções. As recomendações de ingestão para os micronutrientes, sendo as vitaminas e os minerais, são descritas pelas Dietary Reference Intakes (DRIs) do Instituto de Medicina (IOM) dos Estados Unidos. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Evolução na Oferta dos Alimentos Como você já viu nos conteúdos anteriores, logo que o bebê nasce, não há alimento melhor que o leite materno, por várias razões. Você, como futuro profissional da área da saúde, deverá incentivar as mães a adotar o aleitamento materno como alimentação exclusiva, pelo menos até o sexto mês de vida da criança. Leitura Dietary Reference Intakes: Aplicabilidade das Tabelas em Estudos Nutricionais Você deverá verificar todas as recomendações nutricionais de vitaminas e mineraispara a população, inclusive para a infância. https://www.scielo.br/j/rn/a/YPLSxWFtJFR8bbGvBgGzdcM/?format=pdf&lang=pt Porém, quais são as definições adotadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e também reconhecidas no mundo inteiro? O aleitamento materno geralmente é classificado em: Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto o Ministério da Saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo por seis meses, podendo ser complementado até os dois anos ou mais. Sobre a introdução dos alimentos Aleitamento materno exclusivo: quando a criança recebe somente leite materno, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos, com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos; Aleitamento materno predominante: quando a criança recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água (água adocicada, chás, infusões), sucos de frutas e fluidos rituais; Aleitamento materno: quando a criança recebe leite materno (direto da mama ou ordenhado), independentemente de receber ou não outros alimentos; Aleitamento materno complementado: quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou semi-sólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria, a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas ele não é considerado alimento complementar; Aleitamento materno misto ou parcial: quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite (BRASIL, 2009, p. 12). complementares antes dos seis meses, alegam que pode haver prejuízos à saúde da criança, porque a introdução precoce de outros alimentos está associada a maior frequência de diarreia, risco de desnutrição, deficiência de nutrientes, como ferro e zinco, interrupção precoce do aleitamento materno etc. Até mesmo após os seis meses, o leite materno é importante, porque é fonte de vitamina C, vitamina A, proteínas e anticorpos que melhoram o sistema imunológico da criança. O leite materno tem várias vantagens em relação a outros leites e é importante por várias razões, entre elas: protege contra infecções e evita mortes infantis, evita diarreia, diminui o risco de alergias, reduz a chance de obesidade e o risco de hipertensão e diabetes, melhora o desenvolimento da cavidade oral, contribui para o desenvolvimento cognitivo, favorece o vínculo mãe-filho, entre outras. A partir dos seis meses, podemos seguir as recomendações dos Quadros abaixo: Quadro 8 – Esquema para Introdução Alimentar Idade Textura Tipo de alimento Quantidade Até o 6º mês – Leite materno Aleitamento materno por livre demanda 6º mês Alimentos bem amassados Introdução de frutas (papa*) Iniciar com 2 a 3 colheres de sopa e aumentar a Idade Textura Tipo de alimento Quantidade quantidade conforme aceitação 6º ao 8º mês Alimentos bem amassados Introdução da primeira papa salgada** 2/3 de uma xícara ou tigela de 250 ml 9º ao 11º mês Alimentos bem cortados ou levemente amassados Gradativamente iniciar alimentos sólidos 3/4 de uma xícara ou tigela de 250 ml 12º mês Alimentos bem cortados ou levemente amassados Alimentação da família Uma xícara ou tigela de 250 ml * Papa diz respeito à consistência do alimento, ou seja, amassado ou raspado. ** Expressões como “papa de vegetais com carne” ou outra que dê ideia de consistência (de purê) e variedade também podem ser empregadas como outras estratégias para uma boa comunicação em saúde. Fonte: Adaptado de Sociedade Brasileira de Pediatria, 2012, p. 31 Quadro 9 – Esquema Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos que estão em Aleitamento Materno De 6 a 7 meses De 8 a 12 meses A partir de 12 meses Aleitamento materno sob livre demanda*; 1 papa de frutas no meio da manhã; 1 papa salgada no final da manhã; 1 papa de frutas no meio da tarde. Aleitamento materno sob livre demanda*; 1 papa de frutas no meio da manhã; 1 papa salgada no final da manhã; 1 papa de frutas no meio da tarde; 1 papa salgada no final da tarde. Aleitamento materno sob livre demanda*; 1 refeição pela manhã (mingau ou leite batido com fruta); 1 fruta; 1 refeição básica da família no final da manhã; 1 fruta; 1 refeição básica da família no final da tarde. * O leite materno deve ser oferecido em livre demanda, porém o intervalo entre a mamada que antecede as principais refeições deve ser espaçado, respeitando, assim, os sinais de fome e saciedade da criança. Fonte: BRASIL, 2009, p. 77 Quadro 10 – Esquema Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos Não Amamentadas Menores de 4 meses 4–8 meses Maiores de 8 meses Manhã Alimentação láctea Leite + cereal ou tubérculo Leite + cereal ou tubérculo Intervalo Alimentação láctea Papa de fruta Fruta Almoço Alimentação láctea Papa salgada Papa salgada ou refeição básica da família Lanche Alimentação láctea Papa de fruta Fruta ou pão, ou bolacha sem recheio Jantar Alimentação láctea Papa salgada Papa salgada ou refeição básica da família Noite Alimentação láctea Leite + cereal ou tubérculo Leite + cereal ou tubérculo Fonte: BRASIL, 2009, p. 91 Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Em 2019, o Ministério da Saúde (MS) publicou o novo guia alimentar para crianças menores de dois anos, fornecendo informações sobre os grupos alimentares, sobre cozinhar em casa, planejamento de compras e na cozinha, quantidades a serem Leitura Saúde da Criança: Nutrição Infantil, Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Você deverá ler o material completo do Ministério da Saúde sobre aleitamento e todos os detalhes da alimentação complementar, contendo detalhes sobre os tipos de alimentos a serem ofertados https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf oferecidas, utensílios adequados e receitas. Seu link para acesso está logo a seguir e também nas referências bibliográficas. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Aspectos Fisiológicos e Nutricionais do Pré- escolar A fase pré-escolar compreende a faixa etária de dois a seis anos de idade. É considerada um grupo vulnerável nas questões biológicas, emocionais, sociais e afetivas por estar em um processo de constante crescimento e desenvolvimento. Leitura Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos Essa nova versão do Guia Alimentar serve como uma ferramenta de apoio para os pais e para os profissionais da saúde realizarem ações educativas com a população. É bastante importante, também, porque ensina a diferenciar os alimentos ultraprocessados dos in natura e minimamente processados, utilizando uma linguagem acessível, com informações práticas e atualizadas. http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/guia_da_crianca_2019.pdf Após os dois anos, a velocidade de crescimento da criança tende a se estabilizar, para voltar a acelerar somente na adolescência, com o início da puberdade. Embora esse padrão varie de criança para criança, nesse período até a adolescência, é comum se ganhar de 2 a 3 kg/ano e de 6 a 8 cm de estatura a cada ano. Na fase pré-escolar, a velocidade de crescimento declina, e, consequentemente, o apetite e a ingestão alimentar diminuem. É comum observar que as crianças limitam a variedade de alimentos ingeridos, diminuem o consumo de vegetais e carnes, têm preferências por doces e guloseimas, prolongam muito as refeições e se distraem com facilidade (SILVA; MURA, 2016, p. 401). Nessa faixa etária, o sistema metabólico e o digestório apresentam funções semelhantes às de um indivíduo adulto, porém o volume gástrico ainda é menor, aproximadamente 200 a 300 ml. A bagagem genética que a criança traz pode interferir nas suas preferências alimentares, e, a partir do seu nascimento, ela começa a receber influências do meio ambiente, como: sua alimentação inicial, se foi aleitamento materno ou não; a característica da alimentaçãocomplementar no primeiro ano de vida; como foram as experiências alimentares na infãncia, se positivas ou negativas; os hábitos alimentares Reflita Você já parou para pensar que os hábitos alimentares começam a ser formados desde antes de a criança nascer? da família (porque a criança também aprende por “imitação”); as condições socioeconômicas; o nível de escolaridade familiar; entre outras influências. Como a inapetência infantil e a falta de interesse pela alimentação são muito comuns nessa fase pré-escolar, é importante que os profissionais de saúde orientem os pais a não fazer chantagem com a criança para obrigá-la a comer, ou distraí-la com brincadeiras, televisão ou jogos na hora das refeições, porque isso leva a uma alteração do comportamento alimentar normal da criança. Durante esse período, muitas crianças apresentam neofobia e/ou seletividade alimentar. Você já ouviu falar sobre isso? A neofobia alimentar é caracterizada pela dificuldade em aceitar alimentos novos ou desconhecidos. Por essa razão, os pais devem ter paciência e oferecer várias vezes o mesmo alimento, por exemplo, de oito a dez vezes, até terem certeza de que realmente a criança não gostou do sabor. Podem, também, tentar preparar o mesmo alimento de formas diferentes para verificar se a criança não gostou da apresentação ou realmente do sabor do alimento. A seletividade alimentar se refere à criança que rejeita uma grande variedade de alimentos. Dessa forma, a sua alimentação é caracterizada por uma variedade muito pequena, com baixa ingestão de nutrientes, como vitamina E, vitamina C, folato e fibras, provavelmente pelo baixo consumo de vegetais. Muitas vezes, a inapetência também pode ter origem comportamental ou orgânica. A inapetência comportamental é quando a origem é familiar e a base é psicogênica. Por exemplo, a criança deixa de comer para chamar atenção e verifica que essa estratégia funciona. Então, isso acaba gerando um ciclo vicioso, porque os pais têm medo de que a criança fique sem comer, oferecem tudo o que a criança deseja, quando ela quer, e o ciclo dificilmente será rompido. Geralmente, nesses casos, os pais têm dificuldade de estabelecer limites e disciplina para a criança, sendo necessário o trabalho conjunto do nutricionista e do psicólogo com os pais e a criança. Já a inapetência orgânica pode estar associada à deficiência de nutrientes, principalmente o ferro, quando a criança fica apática e desinteressada de um modo geral, inclusive pela alimentação. Nesse caso, é necessária a suplementação, mas sempre com diagnóstico laboratorial anterior. Outro fator importante a ser observado é o uso da mamadeira. A partir dos dois anos, a mamadeira precisa ser substituída pelo copo, porém é muito comum observar crianças utilizando mamadeira e chupeta até quatro ou cinco anos de idade. Necessidades Nutricionais e Planejamento Alimentar para Pré-escolares A fim de se realizar um planejamento alimentar adequado, vamos conhecer as necessidades e recomendações nutricionais do pré-escolar nos tópicos a seguir. Energia Quadro 11 – Equações para Estimativa do Gasto Energético Basal (GEB) para Crianças de 3 a 10 anos Referência Sexo Idade Equação para o GEB FAO/OMS/UNU, 1985) Masculino 3 a 10 anos (22,7 × P) + 495 Feminino 3 a 10 anos (22,5 × P) + 499 Referência Sexo Idade Equação para o GEB (Schofield, 1985) Masculino 3 a 10 anos (19,59 × P) + (1,303 × E) + 414,9 Feminino 3 a 10 anos (16,969 × P) + (1,618 × E) + 371,2 (Schofield, 1985) Masculino 3 a 10 anos (22,7 × P) + 505 Feminino 3 a 10 anos (20,3 × P) + 486 P: peso (kg); I: idade (anos); E: estatura (centímetros). Fonte: FAO/WHO/UNU, 1985; SCHOFIELD, 1985, n.p. Quadro 12 – Equações para Estimativa da Necessidade Energética (EER) de Crianças Acima de 3 Anos Idade Sexo NAF EER (kcal/dia) 3 a 13,99 anos M Sedentário EER = -447,51 + (3,68 × idade) + (13,01 × altura) + (13,15 × peso) + 20/15/25* Idade Sexo NAF EER (kcal/dia) Pouco ativo EER = 19,12 + (3,68 × idade) + (8,62 × altura) + (20,28 × peso) + 20/15/25 Ativo EER = -388,19 + (3,68 × idade) + (12,66 × altura) + (20,46 × peso) + 20/15/25 Muito ativo EER = -671,75 + (3,68 × idade) + (15,38 × altura) + (23,25 × peso) + 20/15/25 F Sedentário EER = 55,59 – (22,25 × idade) + (8,43 × altura) + (17,07 × peso) + 15/30** Pouco ativo EER = -297,54 – (22,25 × idade) + (12,77 × altura) + (14,73 × peso) + 15/30 Ativo EER = -189,55 – (22,25 × idade) + (11,74 × altura) + (18,34 × peso) + 15/30 Muito ativo EER = -189,55 – (22,25 × idade) + (11,74 × altura) + (18,34 × peso) + 15/30 * A energia de depósito para o crescimento para meninos varia entre: 3 anos: 20 kcal/d; 4 a 8 anos: 15 kcal/d; 9 a 13 anos: 25 kcal/d. ** A energia de depósito para o crescimento para meninas varia entre: 3 anos: 15 kcal/d; 4 a 8 anos: 15 kcal/d; 9 a 13 anos: 30 kcal/d. Idade Sexo NAF EER (kcal/dia) NAF: nível de atividade física. EER: necessidade estimada de energia. Fonte: National Academies of Sciences, Engineering and Medicine, 2023, n.p. Proteína Quadro 13 – Valores Diários de EAR, AI ou RDA e AMDR para Proteína Segundo as DRIs Idade Proteína EAR (g/kg/d) AI ou RDA (g/d) AI ou RDA (g/kg/d) AMDR 1 a 3 anos 0,87 13 1,05 05 – 20 % do VET 4 a 8 anos 0,76 19 0,95 10 – 30 % do VET AMDR: a variação de distribuição aceitável de macronutriente (AMDR) é a faixa de ingestão da fonte particular de energia dada como porcentagem que está associada ao risco reduzido de doença crônica que fornece as ingestões dos nutrientes essenciais. Fonte: OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 144 Carboidrato Quadro 14 – Valores Diários de EAR, AI ou RDA e AMDR para Carboidrato Segundo as DRIs Idade Carboidrato EAR (g/d) AI ou RDA (g/d) AMDR 1 a 3 anos 100 130 45 – 65% do VET 4 a 8 anos 100 130 45 – 65% do VET ND: não foi possível estabelecer este valor. AMDR: a variação de distribuição aceitável de macronutriente (AMDR) é a faixa de ingestão da fonte particular de energia dada como porcentagem que está associada ao risco reduzido de doença crônica que fornece as ingestões dos nutrientes essenciais. Fonte: TRUMBO et al., 2002/2003, n.p.; OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 102 Lipídio Quadro 15 – Valores Diários de AI ou RDA e AMDR para Lipídio Segundo as DRIs Idade Carboidrato AI ou RDA (g/d) AMDR (g/d) 1 a 3 anos ND 30 – 40% do VET 4 a 8 anos ND 25 – 35% do VET ND: não foi possível estabelecer este valor. AMDR: a variação de distribuição aceitável de macronutriente (AMDR) é a faixa de ingestão da fonte particular de energia dada como porcentagem que está associada ao risco reduzido de doença crônica que fornece as ingestões dos nutrientes essenciais. Fonte: TRUMBO et al., 2002/2003, n.p.; OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 122 Vitaminas e Minerais Todas as vitaminas e todos minerais são importantes durante a infância, porém alguns nutrientes precisam de maior atenção, como o cálcio, o ferro e a vitamina A, pois a deficiência desses nutrientes pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento das crianças, além de causar anemia e prejuízos na imunidade. A seguir, temos as recomendações: Quadro 16 – Recomendações Diárias de Consumo Segundo as DRIs Idade Cálcio (mg/dia) Ferro (mg/dia) Vitamina A (µg/dia RE) 1 a 3 anos 700 7 300 4 a 8 anos 1000 10 400 Fonte: OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 170; ROSS, 2011, n.p. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Planejamento Alimentar Como você já viu antes, o pré-escolar está conquistando sua independência, fazendo suas descobertas, mas também há alterações nas práticas alimentares. É a partir dos dois anos de idade que as crianças começam a demonstrar suas preferências e a escolher o que querem comer, podendo surgir a inapetência e a seletividade alimentar, além do consumo excessivo de alimentos calóricos e não saudáveis, como os ultraprocessados, e de baixa qualidade nutricional, que podem comprometer o seu crescimento e desenvolvimento. O apetite geralmente é reguladopelos alimentos preferidos pela criança, sendo estimulado pela forma de apresentação da alimentação, por exemplo, a cor, a textura, o cheiro. Frequentemente, os alimentos preferidos pela criança são os de sabor doce e muito calóricos. Cabe aos profissionais de saúde orientar os pais sobre quando os consumir e Leitura Dietary Reference Intakes: Aplicabilidade das Tabelas em Estudos Nutricionais Você deverá verificar todas as recomendações nutricionais de vitaminas e minerais para a população, inclusive para a infância. https://www.scielo.br/j/rn/a/YPLSxWFtJFR8bbGvBgGzdcM/?format=pdf&lang=pt em qual quantidade. Quando a criança já for capaz de se servir à mesa e comer sozinha, essa conduta deverá ser permitida e estimulada. Devem ser respeitadas as preferências alimentares individuais tanto quanto possível. A criança possui mecanismos internos de saciedade, portanto, deve ser permitido o seu controle de ingestão e não se deve insistir no consumo além de sua saciedade. A alimentação deve ser lúdica, estimulando a participação ativa da criança no preparo dos alimentos e a sua curiosidade pelos aromas, pelas texturas, pelas cores e pelos sabores. O quadro a seguir mostra algumas soluções para possíveis problemas alimentares: Quadro 17 – Soluções Possíveis para Situações de Inadequação Alimentar Situação Soluções possíveis Recusa carnes Oferecer carnes macias, em porções pequenas; Incluir bolo de carne e preparações com carne; Oferecer outras fontes de proteína. Bebe pouco leite Oferecer derivados de leite (outros laticínios); Situação Soluções possíveis Usar leite em algumas preparações; Permitir uso do canudo. Bebe muito leite Oferecer água quando a criança estiver com sede; Limitar a ingestão de leite; Trocar mamadeira pelo uso do copo. Recusa verduras, legumes e frutas No preparo, procure deixar os vegetais mais duros; Se recusar verduras e legumes, ofereça frutas; Prepare de modo a ser consumido com as mãos; Oferecer com frequência; Servir junto com outros alimentos de melhor aceitação. Situação Soluções possíveis Come muitas guloseimas Limitar a compra e o preparo; Evitar chantagens e recompensas; Evitar oferecer doces como lanches; Reduzir o uso do açúcar; Orientar o responsável a não oferecer doces. Neofobia alimentar Provar o alimento de oito a dez vezes; Variar o modo de preparo. O planejamento das refeições poderá ter a seguinte distribuição: 3 refeições principais (café da manhã, almoço e jantar) – 15% a 35% do VET; 3 lanches intermediários (lanche da manhã, lanche da tarde e lanche da noite) – 5% a 15% do VET. Orientações para Formação de um Bom Hábito Alimentar na Criança Orientações para Formação de um Bom Hábito Alimentar na Criança Algumas orientações podem ser fornecidas aos pais, a fim de que auxiliem nas boas condutas e na formação de bons hábitos alimentares na criança: Evitar um volume excessivo de alimento no prato da criança. Permitir que ela controle seu consumo alimentar e que ela se alimente sozinha; Deixar a criança preparar os alimentos de modo que a autoalimentação seja facilitada, deixando-a manipular o alimento, apresentando diferentes texturas; Diversificar os alimentos, o modo de preparo e a apresentação das refeições de modo a estimular a criança. Seja criativo, deixe o prato colorido e visualmente atrativo; Ajustar a consistência dos alimentos entre pastosa e branda para facilitar a mastigação; Evitar petiscos duas horas antes das grandes refeições e reduzir a ingestão hídrica durante a refeição para evitar a saciedade precoce e a diminuição da ingestão de alimentos; Habituar a criança e a família com petiscos mais saudáveis, como frutas frescas picadas, desidratadas, legumes crus picados, queijo branco picado etc; Alimentos novos devem ser oferecidos em pequenas quantidades e, se a criança recusar várias vezes, deve-se variar a forma de preparo; Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Não estimular o consumo de alimentos enquanto a criança assiste à TV, pois ela pode criar o hábito de comer compulsivamente; É necessário estabelecer um tempo definido e suficiente por refeição. Se nesse período a criança não aceitar os alimentos, a refeição deve ser encerrada, sem fazer comentários, e oferecer algum alimento apenas na próxima refeição; Não oferecer sobremesa como recompensa ou retirá-la como punição, porque a supervalorização desse tipo de alimento pode promover a preferência alimentar; Não forçar a criança e nem castigá-la no caso de recusa alimentar. Fazer uso de chantagens e castigos só contribui para a recusa alimentar. Leitura Pirâmide Alimentar para Crianças de 2 a 3 Anos Conheça a pirâmide alimentar infantil para crianças de dois a três anos, que auxilia na elaboração de planos alimentares qualitativos e quantitativos. https://periodicos.puc-campinas.edu.br/nutricao/article/view/9113/6497 Utilização de Tabelas de Composição Química de Alimentos e Substitutos ou Equivalentes Alimentares Para começarmos o cálculo de um cardápio ou plano alimentar, é necessário utilizar uma tabela de composição química de alimentos. Ela também é utilizada para a elaboração de uma lista de substitutos ou equivalentes alimentares. Você sabe o que é isso? Por exemplo, no cardápio que você elaborou, há na refeição uma porção de biscoito que equivale a 100 calorias. Quais outros alimentos, do grupo dos carboidratos, podem substituir essa porção de biscoito e em qual quantidade irão fornecer um valor próximo de 100 calorias? O mesmo pode ser feito em relação à equivalência de nutrientes, como a proteína. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Leitura Tabela Brasileira de Composição de Alimentos A tabela de composição química de alimentos mais utilizada é a TACO. https://www.nepa.unicamp.br/wp-content/uploads/sites/27/2023/10/taco_4_edicao_ampliada_e_revisada.pdf Inicialmente, como podemos utilizar a tabela? Vamos usar, como exemplo, o café da manhã de um pré-escolar, contendo: 1 copo americano de iogurte natural, 1 fatia de pão de forma, 1 colher de chá cheia de geleia de morango e 1 maçã pequena. A princípio, precisamos converter as medidas caseiras em gramas. Para isso, podemos utilizar a tabela de medidas caseiras do IBGE que está no material complementar. Depois, precisamos utilizar a tabela de composição dos alimentos para obter o valor de proteína, carboidrato e lipídio de cada um dos alimentos. Mas, atenção! A tabela apresenta os valores por 100 gramas de alimento. Precisamos fazer o cálculo para ajustar ao tamanho da porção consumida. Veja o exemplo a seguir: O iogurte natural, na tabela, a cada 100 gramas possui 4,1 g de proteína. Porém, a criança consumiu 150 gramas. Então, precisamos fazer o cálculo da “regra de 3”. Veja: 100g = 4,1 150g = X, então 150 × 4,1 = 615 ÷ 100 = 6,15g de proteína Devemos fazer esse cálculo para todos os nutrientes e para todos os alimentos, de acordo com a gramagem de cada um deles. Veja o Quadro a seguir: Quadro 18 – Cálculo do Cardápio Utilizando a Tabela de Composição de Alimentos Alimento Medida caseira Valor em grama* Proteína (g)** Carboidrato (g)** Iogurte 1 copo 150 6,15 2,85 Alimento Medida caseira Valor em grama* Proteína (g)** Carboidrato (g)** natural americano Pão de forma 1 fatia 25 2,35 12,47 Geleia de morango 1 colher de chá cheia 9,5 0,2 2,29 Maçã fuji 1 unidade pequena 90 0,27 13,68 TOTAL 8,97 31,29 * Dados obtidos da tabela do IBGE. ** Dados obtidos da tabela TACO. Depois de realizados os cálculos, precisamos descobrir o valor calórico dessa refeição. Foram somadas as quantidades de proteína, carboidrato e lipídio, então devemos multiplicar cada uma pelo valor calórico do nutriente. Ou seja: Proteína: 8,97g × 4 kcal = 35,88 kcal Carboidrato: 31,29g × 4 kcal = 125,16 kcal Lipídio: 5,42g × 9 kcal = 48,48 kcal Então: 35,88 + 125,16 + 48,48 = 209,52 kcal na refeição As listas de alimentos substitutos ou “equivalentes” devemser elaboradas sempre fornecendo o mesmo valor calórico que o alimento de referência no modelo do cardápio, como ocorre com os alimentos de referência da pirâmide alimentar. A partir da tabela de medidas caseiras, é necessário verificar qual a quantidade de alimento que atinge a gramagem necessária do alimento para alcançar o valor calórico do alimento de referência. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos A Comida de Bebê Série de 40 episódios com Rita Lobo, prof. Carlos A. Monteiro e as nutricionistas Patrícia Constante Jaime, Daniela Neri e Denise Magarian, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP. Página 2 de 3 📄 Material Complementar Filmes Muito Além do Peso Comida de Bebê #1: Uma introdução à comida de verdadeComida de Bebê #1: Uma introdução à comida de verdade https://www.youtube.com/watch?list=PLx-RfqJiTFaqacH6bqqua1wWcUOAuL0PE&v=NfYWZTre9iQ Criança, a Alma do Negócio MUITO ALÉM DO PESO | TrailerMUITO ALÉM DO PESO | Trailer Criança, a Alma do Negócio | TrailerCriança, a Alma do Negócio | Trailer https://www.youtube.com/watch?v=rb-P-nk2ULA https://www.youtube.com/watch?v=17F92D2DxOY Leitura Consenso do ILSI Brasil sobre Vegetarianismo nos Primeiros Cinco Anos de Vida: Repercussões na Saúde, Manejo e Recomendações Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Micronutrientes: da Gestação aos 6 Primeiros Anos de Vida Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Dinâmica da Composição do Leite Humano e suas Implicações Clínicas Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Tabela de Medidas Referidas para os Alimentos Consumidos no Brasil https://ilsibrasil.org/publication/consenso-do-ilsi-brasil-sobre-vegetarianismo-nos-primeiros-cinco-anos-de-vida-repercussoes-na-saude-manejo-e-recomendacoes/ https://ilsibrasil.org/wp-content/uploads/sites/9/2019/05/Fasc%C3%ADculo-Vol.-9-Micronutrientes-v.5.pdf https://ilsibrasil.org/wp-content/uploads/sites/9/2018/11/Fasc%C3%ADculo-Vol.-8-Din%C3%A2mica-da-Composi%C3%A7%C3%A3o-do-Leite-Humano.pdf Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Manual Fotográfico de Quantificação Alimentar Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv50000.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5296370/mod_resource/content/1/Manual%20Fotogra%CC%81fico%20de%20Quantificac%CC%A7a%CC%83o%20Alimentar.pdf BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: . Acesso em: 06/09/2023. FAO/WHO/UNU. Energy and protein requirements. Report of a joint FAO/WHO/UNU Expert Consultation. World Health Organ Tech Rep., [s.l.], n. 724, p. 1-206, 1985. WHO/FAO/UNU Expert Consultation. Protein and amino acid requirements in human nutrition. World Health Organ Tech Rep., n. 935, p. 1-265, 2007. NATIONAL Academies of Sciences, Engineering and Medicine. Dietary Reference Intakes for Energy. Washington: The National Academies Press, 2023. Disponível em: . Acesso em: 18/10/2023. OTTEN, J. A.; HELLWIG, J. P.; MEYERS, L. D. Dietary Reference Intakes: the essential guide to nutriente requirements. Washington: The National Academies Press, 2006. RODRIGUES, V. B. Nutrição e desenvolvimento humano. 1. ed. São Paulo, SP: Pearson, 2015. (e-book) Página 3 de 3 📄 Referências ROSS, A. C. et al. Dietary Reference Intakes for Calcium and Vitamin D: what dietetics practitioners need to know. J Am Diet Assoc., [s.l.], v. 111, n. 4, p. 524-527, abr. 2011. SCHOFIELD, W. N. Predicting basal metabolic rate, new standards and review of previous work. Hum Nutr Clin Nutr., [s.l.], v. 39, supl. 1, p. 5-41, 1985. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de orientação do departamento de nutrologia. 3. ed. Rio de Janeiro, SBP, 2012. Disponível em: . SILVA, S. M. C. S.; MURA, J. D. P. Tratado de alimentação, nutrição & dietoterapia. 3. ed. São Paulo: Payá, 2016. TRUMBO, P.; SCHLICKER, S.; YATES, A. A.; POOS, M. Food and Nutrition Board of the Institute of Medicine, The National Academies. Dietary reference intakes for energy, carbohydrate, fiber, fat, fatty acids, cholesterol, protein and amino acids. J Am Diet Assoc., [s.l.], v. 102, n. 11, p. 1621-1630, nov. 2002. VITOLO, M. R. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Rubio, 2008.