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Conteudista: Prof.ª M.ª Fany Govetri Sena Crispim
Revisão Textual: Luiza Venturini
Objetivos da Unidade:
Conhecer as principais características biológicas e necessidades nutricionais na
infância;
Aplicar as recomendações para orientação nutricional desde a introdução
alimentar até o período escolar;
Compreender os processos que interferem nas escolhas alimentares das crianças
em fase pré-escolar e associá-los às recomendações nutricionais, para a
elaboração de planos alimentares adequados a esse público.
📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
Planejamento Alimentar para Lactentes e Pré-
escolares
Introdução
Você já parou para pensar que o período da infância é aquele em que ocorre o
desenvolvimento de grande parte das potencialidades humanas? Dessa forma,
qualquer distúrbio que ocorrer nessa época pode ser responsável por graves
consequências para o indivíduo durante sua vida adulta.
Nesta Unidade, vamos apresentar as principais características do desenvolvimento
infantil, a evolução na oferta da alimentação, as recomendações nutricionais para cada
fase e a base para o planejamento alimentar.
Porém, antes disso, vamos conhecer como se denominam cada uma das idades na
infância?
Considera-se recém-nascido o bebê desde o nascimento até completar 28 dias.
Depois, denominamos lactente o bebê no período entre 29 dias até dois anos de idade.
Pré-escolar é a criança entre dois a seis anos de idade; escolar entre seis a dez anos de
idade; e adolescente entre dez a 19 anos de idade. 
Os primeiros mil dias de vida são considerados os mais importantes para o
desenvolvimento físico e mental do ser humano. Essa fase inclui os 270 dias de
gestação e os dois primeiros anos de vida (730 dias). É nesse período que ocorre o
maior estirão de crescimento, o desenvolvimento dos sistemas nervoso e imunológico
e a programação metabólica. 
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📄 Material Teórico
O estado nutricional da mãe e a sua alimentação interferem no crescimento e no
desenvolvimento do feto e no seu peso ao nascimento. A alimentação materna durante
a gestação também influencia o paladar e o olfato do futuro bebê, porque as nuances de
sabor são transmitidas pelo líquido amniótico.
Após o nascimento até os dois anos de idade, a alimentação se torna essencial para
suprir as necessidades nutricionais, contribuir para um bom desenvolvimento e uma
programação metabólica adequada, prevenindo a obesidade e as doenças crônicas.
Nessa fase, se a criança formar bons hábitos alimentares, terá mais chance de ser um
adulto saudável.
Hoje, também se fala que, não só os mil dias, mas os primeiros 2.200 dias de vida da
criança, que compreendem da preconcepção até os cinco anos, são importantes para a
saúde. Isso porque, além do crescimento, do desenvolvimento e da programação
metabólica, é importante o equilíbrio do organismo por meio do desenvolvimento da
microbiota intestinal. 
A colonização bacteriana equilibrada e diversificada é importante para o
desenvolvimento da criança e do seu sistema imunológico, favorecendo uma menor
ocorrência de alergias e doenças metabólicas na vida adulta.
Embora a formação da microbiota intestinal ocorra de forma mais intensa até os dois
anos, a colonização acontece até pelo menos os cinco anos de idade.
Aspectos Fisiológicos e Nutricionais do Lactente
Nesta Disciplina, iremos abordar apenas as características e recomendações para os
recém-nascidos a termo (aqueles nascidos após a 38ª semana de gestação). Os
aspectos dos bebês recém-nascidos pré-termo ou prematuros serão abordados em
outra Disciplina.
Então, assim que o bebê a termo nasce, é muito comum que seu peso tenha alterações
nas duas primeiras semanas. A maioria dos bebês pode perder peso por várias razões,
como: a evaporação do líquido extracelular, a adaptação metabólica (porque o bebê
passou a viver em um ambiente externo ao uterino, ele deixa de receber os nutrientes
diretamente da placenta), além da excreção das fezes. Tudo isso contribui para a sua
perda de peso.
Essa perda de peso costuma ser entre 5% e 10%. Por volta do 8º ou 10º dia após o
nascimento, já ocorre o processo de recuperação dessa perda, porém ela depende do
tipo de alimentação do bebê e de outros fatores, como os fisiológicos e ambientais.
Nos primeiros seis meses de vida, espera-se um ganho de peso maior que 20 g/dia, e a
partir do segundo semestre, maior que 15 g/dia. Geralmente, os bebês dobram o peso
do nascimento aos seis meses e o triplicam aos 12 meses. O ganho em altura é mais
lento que o ganho em peso, sendo que, no final do primeiro ano de vida, o bebê
aumenta 50% do seu comprimento (Vitolo, 2008, p. 167).
É importante saber que, do nascimento até os quatro meses de vida, existe uma
imaturidade de alguns sistemas orgânicos, por exemplo: o bebê faz movimentos
involuntários com a língua, ficando com ela para fora da boca e empurrando tudo o que
Reflita 
Afinal, será que a criança já pode experimentar outros alimentos
líquidos, além do leite materno, logo após o nascimento?
é colocado nela (protrusão de língua); existe pouca produção de enzimas digestivas
(amilases salivar e pancreática), sendo causa de cólicas e diarreia; incapacidade de
sobrecarga renal (baixa taxa de filtração glomerular e baixa capacidade de
concentração); maior permeabilidade da mucosa intestinal, podendo absorver
moléculas de proteínas intactas, resultando em uma resposta imune e
desenvolvimento de alergia alimentar.
Por essas razões, indica-se a oferta de apenas o leite materno nos primeiros seis
meses de vida, pois irá prevenir o bebê de ter problemas como as alergias alimentares,
as deficiências nutricionais, o ganho excessivo ou insuficiente de peso, a anemia, as
cólicas e a obstipação intestinal.
Sendo assim, “o aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de vínculo,
afeto, proteção e nutrição para a criança e constitui a mais sensível, econômica e eficaz
intervenção para redução da morbimortalidade infantil” (BRASIL, 2009, p. 9).
Necessidades Nutricionais e Planejamento Alimentar para
Lactentes
Antes de se falar em planejamento alimentar, é importante conhecer as necessidades e
recomendações nutricionais de cada idade, a fim de se realizar um planejamento
adequado a cada indivíduo e para cada fase.
No caso dos lactentes, que são as crianças até dois anos de idade, as necessidades e
recomendações serão demonstradas nos tópicos a seguir.
Energia
Devido ao crescimento e ao desenvolvimento, os recém-nascidos possuem uma
necessidade energética de três a quatro vezes mais que o adulto. Essas necessidades
podem ser estimadas a partir de equações para o cálculo do Gasto Energético Basal
(GEB), que é o gasto destinado ao metabolismo basal, com a criança em repouso, e do
Gasto Energético Total (GET), que é o GEB acrescido do gasto com as atividades
diárias.
Dessa forma, com base no Gasto Energético Total (GET), iremos determinar o valor da
energia que será oferecida através dos alimentos, a fim de suprir as necessidades de
energia do indivíduo, ou seja, o Valor Energético Total (VET) do plano alimentar.
Quais equações podemos utilizar? Veja nos Quadros a seguir:
Quadro 1 – Equações para Estimativa do Gasto Energético Basal (GEB) para Crianças
de 0 a 2 anos
Referência Sexo Idade
Equação para o
GEB
(FAO/OMS/UNU,
1985)
Masculino
0 a 2
anos
(60,9 × P) – 54
Feminino
0 a 2
anos
(61 × P) – 51
(Schofield, 1985)
Masculino
0 a 2
anos
(0,167 × P) +
(15,174 × E) –
617,6
Feminino
0 a 2
anos
(16,252 × P) +
(10,232 × E) –
413,5
Referência Sexo Idade
Equação para o
GEB
(Schofield, 1985)
Masculino
0 a 2
anos
59,48 × P –
30,33
Feminino
0 a 2
anos
58,29 × P –
31,05
P: peso (kg); I: idade (anos); E: estatura (centímetros).
Fonte: FAO/WHO/UNU, 1985; SCHOFIELD, 1985, n.p.
Quadro 2 – Equações para Estimativa do Gasto Energético Total (GET) de Crianças de
0 a 2 anos
Referência Idade Equação para o GET
(FAO/OMS/UNU,
1985)
0 a 3 meses 116 Kcal/Kg/dia
3 a 6 meses 99 Kcal/Kg/dia6 a 9 meses 95 Kcal/Kg/dia
9 a 12 meses 101 Kcal/Kg/dia
Média durante
o primeiro ano
de vida
103 Kcal/Kg/dia
Referência Idade Equação para o GET
DRI - IOM
(2023)
0 a 2,99 meses
– masculino
EER = -716,45 – (1,00
× idade) + (17,82 ×
altura) + (15,06 ×
peso) + 200
0 a 2,99 meses
– feminino
EER = -69,15 – (80,00
× idade) + (2,65 ×
altura) + (54,15 ×
peso) + 180
3 a 5,99 meses
– masculino
EER = -716,45 – (1,00
× idade) + (17,82 ×
altura) + (15,06 ×
peso) + 50
3 a 5,99 meses
– feminino
EER = -69,15 + (80,0 ×
idade) + (2,65 ×
altura) + (54,15 ×
peso) + 60
6 meses a 2,99
anos –
masculino
EER = -716,45 – (1,00
× idade) + (17,82 ×
altura) + (15,06 ×
peso) + 20
6 meses a 2,99
anos –
feminino
EER = -69,15 + (80,0 ×
idade) + (2,65 ×
altura) + (54,15 ×
peso) + 20/15*
Referência Idade Equação para o GET
P: peso (kg); I: idade (anos); E: estatura (para as equações da FAO: Estatura em
centímetro; para as equações das DRI: Estatura em metros).
* Dos 6 meses aos 2,99 anos, a energia de depósito para o crescimento para
meninas varia entre: 6 meses a 11,99 meses: 20 kcal/d; 1 a 2,99 anos: 15 kcal/d.
Fonte: FAO/WHO/UNU, 1985; National Academies of Sciences, Engineering and Medicine,
2023, n.p.
Proteína
A necessidade proteica da criança também é maior que a do adulto, devido ao
crescimento. Dessa forma, para garantir uma quantidade suficiente de aminoácidos
essenciais, é importante oferecer proteínas de alto valor biológico (proteínas de
origem animal), na proporção de dois terços do total recomendado.
As recomendações estão descritas nos Quadros a seguir:
Quadro 3 – Níveis Seguros de Ingestão de Proteínas para Lactentes
Idade
(anos)
Níveis seguros de
ingestão de proteínas
(g/Kg/dia)
0 a 6
meses
1,31
6 a 12
meses
1,14
Idade
(anos)
Níveis seguros de
ingestão de proteínas
(g/Kg/dia)
12 a 18
meses
1,03
Fonte: WHO/FAO/UNU, 2007
Quadro 4 – Valores Diários de EAR e AI ou RDA para Proteína Segundo as DRIs
Idade
Proteína
EAR
(g/kg/d)
AI ou RDA
(g/d)
AI ou RDA
(g/kg/d)
0 a 6 meses ND 9,1 1,52
7 a 12
meses
1,0 11 1,2
1 a 3 anos 0,87 13 1,05
ND: não foi possível estabelecer este valor.
Fonte: OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 144
Por exemplo, um bebê de oito meses que está com o peso adequado para o seu
comprimento, ou seja, está em eutrofia, apresenta 8,5 kg. Então, devemos multiplicar
seu peso pela recomendação proteica, sendo 8,5 x 1,2 (RDA) = 10,2 gramas de
proteína/dia.
Caso a criança não esteja com o peso adequado, a indicação para os cálculos é que seja
utilizado o peso ideal para o seu comprimento, segundo as tabelas/curvas de
crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Carboidrato
Como você já viu anteriormente, logo ao nascimento, o bebê ainda possui imaturidade
na produção de algumas enzimas, como é o caso das amilases salivar e pancreática,
que não conseguem degradar o amido em sua totalidade até o 6º mês de vida.
Portanto, não se recomenda a oferta de muito amido, pois não haverá digestão perfeita,
o que promoverá a fermentação do carboidrato no cólon, com formação de gases,
causando cólicas e diarreia.
Desse modo, novamente chegamos à conclusão de que o leite materno é o alimento
perfeito para essa fase da vida.
Importante!
Sempre que a recomendação for em g/kg/dia, devemos multiplicar o
valor da recomendação em grama, pelo peso da criança.
Sobre as recomendações nutricionais, seguimos as DRIs, sendo:
Quadro 6 – Valores Diários de EAR, AI ou RDA e AMDR para Carboidrato Segundo as
DRIs
Idade
Carboidrato
EAR (g/d)
AI ou RDA
(g/d)
AMDR
0 a 6 meses ND 60 ND
7 a 12 meses ND 95 ND
1 a 3 anos 100 130
45 – 65%
do VET
ND: não foi possível estabelecer este valor.
AMDR: a variação de distribuição aceitável de macronutriente (AMDR) é a faixa de
ingestão da fonte particular de energia dada como porcentagem que está
associada ao risco reduzido de doença crônica que fornece as ingestões dos
nutrientes essenciais.
Fonte: TRUMBO et al., 2002/2003, n.p.; OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 102
Lipídio
A oferta adequada de lipídios para o lactente é importante para a formação do sistema
nervoso central, porque a gordura é necessária para a mielinização e o crescimento dos
neurônios, assim como para o desenvolvimento da retina, fazendo parte de
substâncias importantes da membrana celular (SILVA; MURA, 2016, p. 368).
Os lipídios também são considerados fonte de energia, fornecem ácidos graxos
essenciais e são responsáveis pelo transporte das vitaminas lipossolúveis. Quanto
menor a sua cadeia, melhor é sua absorção.
O leite materno fornece os ácidos graxos essenciais de que o lactente necessita, em
quantidades adequadas, e é de extrema importância para o desenvolvimento do bebê.
As recomendações nutricionais para os lipídios, segundo as DRIs, são:
Quadro 7 – Valores Diários de AI ou RDA e AMDR para Lipídio Segundo as DRIs
Idade
Lipídio
AI ou RDA
(g/d)
AMDR
0 a 6 meses 31 ND
7 a 12 meses 30 ND
1 a 3 anos ND
30 – 40% do
VET
ND: não foi possível estabelecer este valor.
AMDR: a variação de distribuição aceitável de macronutriente (AMDR) é a faixa de
ingestão da fonte particular de energia dada como porcentagem que está
associada ao risco reduzido de doença crônica que fornece as ingestões dos
nutrientes essenciais.
Fonte: TRUMBO et al. (2002/2003, n.p.); OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 122
Vitaminas e Minerais
Todas as vitaminas e todos os minerais são importantes durante a infância, porém
alguns nutrientes precisam de maior atenção.
Por exemplo, o ferro é um dos nutrientes de maior preocupação em recém-nascidos.
Os bebês que nasceram a termo e possuem peso adequado geralmente apresentam
reservas de ferro adequadas, porém, a alimentação após o nascimento será essencial
para a manutenção dessa reserva. Você já pensou naquelas crianças que não recebem o
leite materno? Será que o leite de vaca possui a mesma absorção de ferro, na mesma
quantidade?
A resposta é não. Embora o leite não contenha grande quantidade de ferro, o leite
materno possui melhor biodisponibilidade, favorecendo a absorção de 50% da
quantidade de ferro presente. Já o ferro do leite de vaca é absorvido somente em 10%.
Normalmente, as reservas de ferro da criança são suficientes até o 6º mês de vida, caso
seja eutrófica e tenha uma boa alimentação. Por essa razão, é necessária a introdução
de novos alimentos a partir dessa idade.
E como é a absorção do ferro dos alimentos? 
Depende do tipo do ferro. Para o ferro heme, proveniente da carne vermelha e
derivados, frango e peixe, a absorção é próxima de 20%. Já para as fontes de ferro não
heme como os vegetais, grãos, ovos e laticínios, a absorção é próxima de 5%, podendo
ser aumentada na presença de ácido ascórbico (vitamina C) e carnes. Porém, o excesso
de fitatos e oxalatos podem diminuir sua absorção.
Portanto, ao introduzir novos alimentos para a criança, a alimentação deve ser
bastante variada.
A vitamina A é outro nutriente ao qual devemos dar importância, porque existem
evidências de que ela reduz a gravidade de doenças e a mortalidade em crianças, devido
ao seu importante papel no sistema imunológico (VITOLO, 2008, p. 197). Portanto, a
criança que apresenta deficiência dessa vitamina pode estar mais sujeita às infecções.
As recomendações de ingestão para os micronutrientes, sendo as vitaminas e os
minerais, são descritas pelas Dietary Reference Intakes (DRIs) do Instituto de Medicina
(IOM) dos Estados Unidos.
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Evolução na Oferta dos Alimentos
Como você já viu nos conteúdos anteriores, logo que o bebê nasce, não há alimento
melhor que o leite materno, por várias razões. Você, como futuro profissional da área
da saúde, deverá incentivar as mães a adotar o aleitamento materno como alimentação
exclusiva, pelo menos até o sexto mês de vida da criança.
Leitura
Dietary Reference Intakes: Aplicabilidade das Tabelas em Estudos
Nutricionais
Você deverá verificar todas as recomendações nutricionais de
vitaminas e mineraispara a população, inclusive para a infância.
https://www.scielo.br/j/rn/a/YPLSxWFtJFR8bbGvBgGzdcM/?format=pdf&lang=pt
Porém, quais são as definições adotadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e
também reconhecidas no mundo inteiro?
O aleitamento materno geralmente é classificado em:
Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto o Ministério da Saúde
recomendam o aleitamento materno exclusivo por seis meses, podendo ser
complementado até os dois anos ou mais. Sobre a introdução dos alimentos
Aleitamento materno exclusivo: quando a
criança recebe somente leite materno, direto da
mama ou ordenhado, ou leite humano de outra
fonte, sem outros líquidos ou sólidos, com
exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas,
sais de reidratação oral, suplementos minerais
ou medicamentos;
Aleitamento materno predominante: quando a criança recebe,
além do leite materno, água ou bebidas à base de água (água
adocicada, chás, infusões), sucos de frutas e fluidos rituais;
Aleitamento materno: quando a criança recebe leite materno
(direto da mama ou ordenhado), independentemente de receber
ou não outros alimentos;
Aleitamento materno complementado: quando a criança recebe,
além do leite materno, qualquer alimento sólido ou semi-sólido
com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa
categoria, a criança pode receber, além do leite materno, outro
tipo de leite, mas ele não é considerado alimento complementar;
Aleitamento materno misto ou parcial: quando a criança recebe
leite materno e outros tipos de leite (BRASIL, 2009, p. 12).
complementares antes dos seis meses, alegam que pode haver prejuízos à saúde da
criança, porque a introdução precoce de outros alimentos está associada a maior
frequência de diarreia, risco de desnutrição, deficiência de nutrientes, como ferro e
zinco, interrupção precoce do aleitamento materno etc. 
Até mesmo após os seis meses, o leite materno é importante, porque é fonte de
vitamina C, vitamina A, proteínas e anticorpos que melhoram o sistema imunológico
da criança.
O leite materno tem várias vantagens em relação a outros leites e é importante por
várias razões, entre elas: protege contra infecções e evita mortes infantis, evita
diarreia, diminui o risco de alergias, reduz a chance de obesidade e o risco de
hipertensão e diabetes, melhora o desenvolimento da cavidade oral, contribui para o
desenvolvimento cognitivo, favorece o vínculo mãe-filho, entre outras.
A partir dos seis meses, podemos seguir as recomendações dos Quadros abaixo:
Quadro 8 – Esquema para Introdução Alimentar
Idade  Textura
Tipo de
alimento
Quantidade
Até o
6º
mês 
– Leite materno
Aleitamento
materno por
livre
demanda
6º
mês 
Alimentos
bem
amassados
Introdução de
frutas (papa*)
Iniciar com 2
a 3 colheres
de sopa e
aumentar a
Idade  Textura
Tipo de
alimento
Quantidade
quantidade
conforme
aceitação
6º ao
8º mês
Alimentos
bem
amassados
Introdução da
primeira papa
salgada**
2/3 de uma
xícara ou
tigela de 250
ml
9º ao
11º
mês
Alimentos
bem
cortados ou
levemente
amassados
Gradativamente
iniciar
alimentos
sólidos
3/4 de uma
xícara ou
tigela de 250
ml
12º
mês
Alimentos
bem
cortados ou
levemente
amassados
Alimentação da
família
Uma xícara
ou tigela de
250 ml
* Papa diz respeito à consistência do alimento, ou seja, amassado ou raspado.
** Expressões como “papa de vegetais com carne” ou outra que dê ideia de
consistência (de purê) e variedade também podem ser empregadas como outras
estratégias para uma boa comunicação em saúde.
Fonte: Adaptado de Sociedade Brasileira de Pediatria, 2012, p. 31
Quadro 9 – Esquema Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos que estão em
Aleitamento Materno
De 6 a 7 meses De 8 a 12 meses A partir de 12 meses
Aleitamento
materno sob
livre
demanda*;
1 papa de
frutas no
meio da
manhã;
1 papa
salgada no
final da
manhã;
1 papa de
frutas no
meio da
tarde.
Aleitamento
materno
sob livre
demanda*;
1 papa de
frutas no
meio da
manhã;
1 papa
salgada no
final da
manhã;
1 papa de
frutas no
meio da
tarde;
1 papa
salgada no
final da
tarde.
Aleitamento
materno sob
livre demanda*;
1 refeição pela
manhã (mingau
ou leite batido
com fruta);
1 fruta;
1 refeição básica
da família no
final da manhã;
1 fruta;
1 refeição básica
da família no
final da tarde.
* O leite materno deve ser oferecido em livre demanda, porém o intervalo entre a
mamada que antecede as principais refeições deve ser espaçado, respeitando,
assim, os sinais de fome e saciedade da criança.
Fonte: BRASIL, 2009, p. 77
Quadro 10 – Esquema Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos Não
Amamentadas
Menores de 4
meses
4–8 meses
Maiores de 8
meses
Manhã
Alimentação
láctea
Leite +
cereal ou
tubérculo
Leite + cereal
ou tubérculo
Intervalo
Alimentação
láctea
Papa de
fruta
Fruta
Almoço
Alimentação
láctea
Papa
salgada
Papa salgada
ou refeição
básica da
família
Lanche
Alimentação
láctea
Papa de
fruta
Fruta ou pão,
ou bolacha
sem recheio
Jantar
Alimentação
láctea
Papa
salgada
Papa salgada
ou refeição
básica da
família
Noite
Alimentação
láctea
Leite +
cereal ou
tubérculo
Leite + cereal
ou tubérculo
Fonte: BRASIL, 2009, p. 91
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Em 2019, o Ministério da Saúde (MS) publicou o novo guia alimentar para crianças
menores de dois anos, fornecendo informações sobre os grupos alimentares, sobre
cozinhar em casa, planejamento de compras e na cozinha, quantidades a serem
Leitura 
Saúde da Criança: Nutrição Infantil, Aleitamento Materno e
Alimentação Complementar
Você deverá ler o material completo do Ministério da Saúde sobre
aleitamento e todos os detalhes da alimentação complementar,
contendo detalhes sobre os tipos de alimentos a serem ofertados
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf
oferecidas, utensílios adequados e receitas. Seu link para acesso está logo a seguir e
também nas referências bibliográficas.
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Aspectos Fisiológicos e Nutricionais do Pré-
escolar
A fase pré-escolar compreende a faixa etária de dois a seis anos de idade. É considerada
um grupo vulnerável nas questões biológicas, emocionais, sociais e afetivas por estar
em um processo de constante crescimento e desenvolvimento.
Leitura 
Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos
Essa nova versão do Guia Alimentar serve como uma ferramenta de
apoio para os pais e para os profissionais da saúde realizarem ações
educativas com a população. É bastante importante, também, porque
ensina a diferenciar os alimentos ultraprocessados dos in natura e
minimamente processados, utilizando uma linguagem acessível, com
informações práticas e atualizadas.
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/guia_da_crianca_2019.pdf
Após os dois anos, a velocidade de crescimento da criança tende a se estabilizar, para
voltar a acelerar somente na adolescência, com o início da puberdade. Embora esse
padrão varie de criança para criança, nesse período até a adolescência, é comum se
ganhar de 2 a 3 kg/ano e de 6 a 8 cm de estatura a cada ano.
Na fase pré-escolar, a velocidade de crescimento declina, e, consequentemente, o
apetite e a ingestão alimentar diminuem. É comum observar que as crianças limitam a
variedade de alimentos ingeridos, diminuem o consumo de vegetais e carnes, têm
preferências por doces e guloseimas, prolongam muito as refeições e se distraem com
facilidade (SILVA; MURA, 2016, p. 401).
Nessa faixa etária, o sistema metabólico e o digestório apresentam funções
semelhantes às de um indivíduo adulto, porém o volume gástrico ainda é menor,
aproximadamente 200 a 300 ml.
A bagagem genética que a criança traz pode interferir nas suas preferências
alimentares, e, a partir do seu nascimento, ela começa a receber influências do meio
ambiente, como: sua alimentação inicial, se foi aleitamento materno ou não; a
característica da alimentaçãocomplementar no primeiro ano de vida; como foram as
experiências alimentares na infãncia, se positivas ou negativas; os hábitos alimentares
Reflita
Você já parou para pensar que os hábitos alimentares começam a ser
formados desde antes de a criança nascer?
da família (porque a criança também aprende por “imitação”); as condições
socioeconômicas; o nível de escolaridade familiar; entre outras influências.
Como a inapetência infantil e a falta de interesse pela alimentação são muito comuns
nessa fase pré-escolar, é importante que os profissionais de saúde orientem os pais a
não fazer chantagem com a criança para obrigá-la a comer, ou distraí-la com
brincadeiras, televisão ou jogos na hora das refeições, porque isso leva a uma alteração
do comportamento alimentar normal da criança.
Durante esse período, muitas crianças apresentam neofobia e/ou seletividade
alimentar. Você já ouviu falar sobre isso?
A neofobia alimentar é caracterizada pela dificuldade em aceitar alimentos novos ou
desconhecidos. Por essa razão, os pais devem ter paciência e oferecer várias vezes o
mesmo alimento, por exemplo, de oito a dez vezes, até terem certeza de que realmente
a criança não gostou do sabor. Podem, também, tentar preparar o mesmo alimento de
formas diferentes para verificar se a criança não gostou da apresentação ou realmente
do sabor do alimento.
A seletividade alimentar se refere à criança que rejeita uma grande variedade de
alimentos. Dessa forma, a sua alimentação é caracterizada por uma variedade muito
pequena, com baixa ingestão de nutrientes, como vitamina E, vitamina C, folato e
fibras, provavelmente pelo baixo consumo de vegetais.
Muitas vezes, a inapetência também pode ter origem comportamental ou orgânica. A
inapetência comportamental é quando a origem é familiar e a base é psicogênica. Por
exemplo, a criança deixa de comer para chamar atenção e verifica que essa estratégia
funciona. Então, isso acaba gerando um ciclo vicioso, porque os pais têm medo de que
a criança fique sem comer, oferecem tudo o que a criança deseja, quando ela quer, e o
ciclo dificilmente será rompido. Geralmente, nesses casos, os pais têm dificuldade de
estabelecer limites e disciplina para a criança, sendo necessário o trabalho conjunto do
nutricionista e do psicólogo com os pais e a criança. Já a inapetência orgânica pode
estar associada à deficiência de nutrientes, principalmente o ferro, quando a criança
fica apática e desinteressada de um modo geral, inclusive pela alimentação. Nesse caso,
é necessária a suplementação, mas sempre com diagnóstico laboratorial anterior.
Outro fator importante a ser observado é o uso da mamadeira. A partir dos dois anos, a
mamadeira precisa ser substituída pelo copo, porém é muito comum observar crianças
utilizando mamadeira e chupeta até quatro ou cinco anos de idade. 
Necessidades Nutricionais e Planejamento Alimentar para
Pré-escolares
A fim de se realizar um planejamento alimentar adequado, vamos conhecer as
necessidades e recomendações nutricionais do pré-escolar nos tópicos a seguir.
Energia
Quadro 11 – Equações para Estimativa do Gasto Energético Basal (GEB) para Crianças
de 3 a 10 anos
Referência Sexo Idade
Equação para o
GEB
FAO/OMS/UNU,
1985)
Masculino
3 a 10
anos
(22,7 × P) + 495
Feminino
3 a 10
anos
(22,5 × P) + 499
Referência Sexo Idade
Equação para o
GEB
(Schofield,
1985)
Masculino
3 a 10
anos
(19,59 × P) +
(1,303 × E) +
414,9
Feminino
3 a 10
anos
(16,969 × P) +
(1,618 × E) + 371,2
(Schofield,
1985)
Masculino
3 a 10
anos
(22,7 × P) + 505
Feminino
3 a 10
anos
(20,3 × P) + 486
P: peso (kg); I: idade (anos); E: estatura (centímetros).
Fonte: FAO/WHO/UNU, 1985; SCHOFIELD, 1985, n.p.
Quadro 12 – Equações para Estimativa da Necessidade Energética (EER) de Crianças
Acima de 3 Anos
Idade Sexo NAF EER (kcal/dia)
3 a 13,99
anos
M
Sedentário
EER = -447,51 + (3,68 ×
idade) + (13,01 × altura) +
(13,15 × peso) + 20/15/25*
Idade Sexo NAF EER (kcal/dia)
Pouco
ativo
EER = 19,12 + (3,68 ×
idade) + (8,62 × altura) +
(20,28 × peso) + 20/15/25
Ativo
EER = -388,19 + (3,68 ×
idade) + (12,66 × altura) +
(20,46 × peso) + 20/15/25
Muito
ativo
EER = -671,75 + (3,68 ×
idade) + (15,38 × altura) +
(23,25 × peso) + 20/15/25
F
Sedentário
EER = 55,59 – (22,25 ×
idade) + (8,43 × altura) +
(17,07 × peso) + 15/30**
Pouco
ativo
EER = -297,54 – (22,25 ×
idade) + (12,77 × altura) +
(14,73 × peso) + 15/30
Ativo
EER = -189,55 – (22,25 ×
idade) + (11,74 × altura) +
(18,34 × peso) + 15/30
Muito
ativo
EER = -189,55 – (22,25 ×
idade) + (11,74 × altura) +
(18,34 × peso) + 15/30
* A energia de depósito para o crescimento para meninos varia entre: 3
anos: 20 kcal/d; 4 a 8 anos: 15 kcal/d; 9 a 13 anos: 25 kcal/d.
** A energia de depósito para o crescimento para meninas varia entre: 3
anos: 15 kcal/d; 4 a 8 anos: 15 kcal/d; 9 a 13 anos: 30 kcal/d.
Idade Sexo NAF EER (kcal/dia)
NAF: nível de atividade física.
EER: necessidade estimada de energia.
Fonte: National Academies of Sciences, Engineering and Medicine, 2023, n.p.
Proteína
Quadro 13 – Valores Diários de EAR, AI ou RDA e AMDR para Proteína Segundo as DRIs
Idade
Proteína
EAR
(g/kg/d)
AI ou
RDA
(g/d)
AI ou
RDA
(g/kg/d)
AMDR
1 a 3 anos 0,87 13 1,05
05 – 20 %
do VET
4 a 8
anos
0,76 19 0,95
10 – 30 %
do VET
AMDR: a variação de distribuição aceitável de macronutriente (AMDR) é a faixa de
ingestão da fonte particular de energia dada como porcentagem que está
associada ao risco reduzido de doença crônica que fornece as ingestões dos
nutrientes essenciais.
Fonte: OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 144
Carboidrato
Quadro 14 – Valores Diários de EAR, AI ou RDA e AMDR para Carboidrato Segundo as
DRIs
Idade
Carboidrato
EAR
(g/d)
AI ou RDA
(g/d)
AMDR
1 a 3 anos 100 130
45 – 65%
do VET
4 a 8 anos 100 130
45 – 65%
do VET
ND: não foi possível estabelecer este valor.
AMDR: a variação de distribuição aceitável de macronutriente (AMDR) é a faixa de
ingestão da fonte particular de energia dada como porcentagem que está
associada ao risco reduzido de doença crônica que fornece as ingestões dos
nutrientes essenciais.
Fonte: TRUMBO et al., 2002/2003, n.p.; OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 102
Lipídio
Quadro 15 – Valores Diários de AI ou RDA e AMDR para Lipídio Segundo as DRIs
Idade
Carboidrato
AI ou RDA (g/d) AMDR (g/d)
1 a 3 anos ND 30 – 40% do VET
4 a 8 anos ND 25 – 35% do VET
ND: não foi possível estabelecer este valor.
AMDR: a variação de distribuição aceitável de macronutriente (AMDR) é a faixa de
ingestão da fonte particular de energia dada como porcentagem que está
associada ao risco reduzido de doença crônica que fornece as ingestões dos
nutrientes essenciais.
Fonte: TRUMBO et al., 2002/2003, n.p.; OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 122
Vitaminas e Minerais
Todas as vitaminas e todos minerais são importantes durante a infância, porém alguns
nutrientes precisam de maior atenção, como o cálcio, o ferro e a vitamina A, pois a
deficiência desses nutrientes pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento
das crianças, além de causar anemia e prejuízos na imunidade. A seguir, temos as
recomendações:
Quadro 16 – Recomendações Diárias de Consumo Segundo as DRIs
Idade
Cálcio
(mg/dia)
Ferro
(mg/dia)
Vitamina A
(µg/dia RE)
1 a 3 anos 700 7 300
4 a 8 anos 1000 10 400
Fonte: OTTEN; HELLWIG; MEYERS, 2006, p. 170; ROSS, 2011, n.p.
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ACESSE
Planejamento Alimentar
Como você já viu antes, o pré-escolar está conquistando sua independência, fazendo
suas descobertas, mas também há alterações nas práticas alimentares.
É a partir dos dois anos de idade que as crianças começam a demonstrar suas
preferências e a escolher o que querem comer, podendo surgir a inapetência e a
seletividade alimentar, além do consumo excessivo de alimentos calóricos e não
saudáveis, como os ultraprocessados, e de baixa qualidade nutricional, que podem
comprometer o seu crescimento e desenvolvimento.
O apetite geralmente é reguladopelos alimentos preferidos pela criança, sendo
estimulado pela forma de apresentação da alimentação, por exemplo, a cor, a textura, o
cheiro. 
Frequentemente, os alimentos preferidos pela criança são os de sabor doce e muito
calóricos. Cabe aos profissionais de saúde orientar os pais sobre quando os consumir e
Leitura 
Dietary Reference Intakes: Aplicabilidade das Tabelas em Estudos
Nutricionais
Você deverá verificar todas as recomendações nutricionais de
vitaminas e minerais para a população, inclusive para a infância.
https://www.scielo.br/j/rn/a/YPLSxWFtJFR8bbGvBgGzdcM/?format=pdf&lang=pt
em qual quantidade. 
Quando a criança já for capaz de se servir à mesa e comer sozinha, essa conduta deverá
ser permitida e estimulada. Devem ser respeitadas as preferências alimentares
individuais tanto quanto possível. 
A criança possui mecanismos internos de saciedade, portanto, deve ser permitido o
seu controle de ingestão e não se deve insistir no consumo além de sua saciedade.
A alimentação deve ser lúdica, estimulando a participação ativa da criança no preparo
dos alimentos e a sua curiosidade pelos aromas, pelas texturas, pelas cores e pelos
sabores.
O quadro a seguir mostra algumas soluções para possíveis problemas alimentares: 
Quadro 17 – Soluções Possíveis para Situações de Inadequação Alimentar
Situação Soluções possíveis
Recusa carnes
Oferecer carnes macias, em porções
pequenas;
Incluir bolo de carne e preparações
com carne;
Oferecer outras fontes de proteína.
Bebe pouco
leite Oferecer derivados de leite (outros
laticínios);
Situação Soluções possíveis
Usar leite em algumas preparações;
Permitir uso do canudo.
Bebe muito
leite
Oferecer água quando a criança estiver
com sede;
Limitar a ingestão de leite;
Trocar mamadeira pelo uso do copo.
Recusa
verduras,
legumes e
frutas
No preparo, procure deixar os vegetais
mais duros;
Se recusar verduras e legumes, ofereça
frutas;
Prepare de modo a ser consumido com
as mãos;
Oferecer com frequência;
Servir junto com outros alimentos de
melhor aceitação.
Situação Soluções possíveis
Come muitas
guloseimas
Limitar a compra e o preparo;
Evitar chantagens e recompensas;
Evitar oferecer doces como lanches;
Reduzir o uso do açúcar;
Orientar o responsável a não oferecer
doces.
Neofobia
alimentar
Provar o alimento de oito a dez vezes;
Variar o modo de preparo.
O planejamento das refeições poderá ter a seguinte distribuição:
3 refeições principais (café da manhã, almoço e jantar) – 15% a
35% do VET;
3 lanches intermediários (lanche da manhã, lanche da tarde e
lanche da noite) – 5% a 15% do VET.
Orientações para Formação de um Bom Hábito
Alimentar na Criança
Orientações para Formação de um Bom Hábito Alimentar na Criança
Algumas orientações podem ser fornecidas aos pais, a fim de que auxiliem nas boas
condutas e na formação de bons hábitos alimentares na criança:
Evitar um volume excessivo de alimento no prato
da criança. Permitir que ela controle seu consumo
alimentar e que ela se alimente sozinha;
Deixar a criança preparar os alimentos de modo que a
autoalimentação seja facilitada, deixando-a manipular o alimento,
apresentando diferentes texturas;
Diversificar os alimentos, o modo de preparo e a apresentação das
refeições de modo a estimular a criança. Seja criativo, deixe o
prato colorido e visualmente atrativo;
Ajustar a consistência dos alimentos entre pastosa e branda para
facilitar a mastigação;
Evitar petiscos duas horas antes das grandes refeições e reduzir a
ingestão hídrica durante a refeição para evitar a saciedade precoce
e a diminuição da ingestão de alimentos;
Habituar a criança e a família com petiscos mais saudáveis, como
frutas frescas picadas, desidratadas, legumes crus picados, queijo
branco picado etc;
Alimentos novos devem ser oferecidos em pequenas quantidades
e, se a criança recusar várias vezes, deve-se variar a forma de
preparo;
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ACESSE
Não estimular o consumo de alimentos enquanto a criança assiste
à TV, pois ela pode criar o hábito de comer compulsivamente;
É necessário estabelecer um tempo definido e suficiente por
refeição. Se nesse período a criança não aceitar os alimentos, a
refeição deve ser encerrada, sem fazer comentários, e oferecer
algum alimento apenas na próxima refeição;
Não oferecer sobremesa como recompensa ou retirá-la como
punição, porque a supervalorização desse tipo de alimento pode
promover a preferência alimentar;
Não forçar a criança e nem castigá-la no caso de recusa alimentar.
Fazer uso de chantagens e castigos só contribui para a recusa
alimentar.
Leitura 
Pirâmide Alimentar para Crianças de 2 a 3 Anos
Conheça a pirâmide alimentar infantil para crianças de dois a três
anos, que auxilia na elaboração de planos alimentares qualitativos e
quantitativos.
https://periodicos.puc-campinas.edu.br/nutricao/article/view/9113/6497
Utilização de Tabelas de Composição Química de
Alimentos e Substitutos ou Equivalentes
Alimentares
Para começarmos o cálculo de um cardápio ou plano alimentar, é necessário utilizar
uma tabela de composição química de alimentos. Ela também é utilizada para a
elaboração de uma lista de substitutos ou equivalentes alimentares. Você sabe o que é
isso?
Por exemplo, no cardápio que você elaborou, há na refeição uma porção de biscoito que
equivale a 100 calorias. Quais outros alimentos, do grupo dos carboidratos, podem
substituir essa porção de biscoito e em qual quantidade irão fornecer um valor próximo
de 100 calorias? O mesmo pode ser feito em relação à equivalência de nutrientes, como
a proteína.
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ACESSE
Leitura 
Tabela Brasileira de Composição de Alimentos
A tabela de composição química de alimentos mais utilizada é a TACO.
https://www.nepa.unicamp.br/wp-content/uploads/sites/27/2023/10/taco_4_edicao_ampliada_e_revisada.pdf
Inicialmente, como podemos utilizar a tabela?
Vamos usar, como exemplo, o café da manhã de um pré-escolar, contendo: 1 copo
americano de iogurte natural, 1 fatia de pão de forma, 1 colher de chá cheia de geleia de
morango e 1 maçã pequena.
A princípio, precisamos converter as medidas caseiras em gramas. Para isso, podemos
utilizar a tabela de medidas caseiras do IBGE que está no material complementar.
Depois, precisamos utilizar a tabela de composição dos alimentos para obter o valor de
proteína, carboidrato e lipídio de cada um dos alimentos. Mas, atenção! A tabela
apresenta os valores por 100 gramas de alimento. Precisamos fazer o cálculo para
ajustar ao tamanho da porção consumida. Veja o exemplo a seguir:
O iogurte natural, na tabela, a cada 100 gramas possui 4,1 g de proteína. Porém, a
criança consumiu 150 gramas. Então, precisamos fazer o cálculo da “regra de 3”. Veja:
100g = 4,1
150g = X, então 150 × 4,1 = 615 ÷ 100 = 6,15g de proteína
Devemos fazer esse cálculo para todos os nutrientes e para todos os alimentos, de
acordo com a gramagem de cada um deles. Veja o Quadro a seguir:
Quadro 18 – Cálculo do Cardápio Utilizando a Tabela de Composição de Alimentos
Alimento
Medida
caseira
Valor
em
grama*
Proteína
(g)**
Carboidrato
(g)**
Iogurte 1 copo 150 6,15 2,85
Alimento
Medida
caseira
Valor
em
grama*
Proteína
(g)**
Carboidrato
(g)**
natural americano
Pão de
forma
1 fatia 25 2,35 12,47
Geleia de
morango
1 colher de
chá cheia
9,5 0,2 2,29
Maçã fuji
1 unidade
pequena
90 0,27 13,68
TOTAL 8,97 31,29
* Dados obtidos da tabela do IBGE.
** Dados obtidos da tabela TACO.
Depois de realizados os cálculos, precisamos descobrir o valor calórico dessa refeição.
Foram somadas as quantidades de proteína, carboidrato e lipídio, então devemos
multiplicar cada uma pelo valor calórico do nutriente. Ou seja:
Proteína: 8,97g × 4 kcal = 35,88 kcal
Carboidrato: 31,29g × 4 kcal = 125,16 kcal
Lipídio: 5,42g × 9 kcal = 48,48 kcal
Então:
35,88 + 125,16 + 48,48 = 209,52 kcal na refeição
As listas de alimentos substitutos ou “equivalentes” devemser elaboradas sempre
fornecendo o mesmo valor calórico que o alimento de referência no modelo do
cardápio, como ocorre com os alimentos de referência da pirâmide alimentar.
A partir da tabela de medidas caseiras, é necessário verificar qual a quantidade de
alimento que atinge a gramagem necessária do alimento para alcançar o valor calórico
do alimento de referência.
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta
Unidade:
  Vídeos  
A Comida de Bebê
Série de 40 episódios com Rita Lobo, prof. Carlos A. Monteiro e as
nutricionistas Patrícia Constante Jaime, Daniela Neri e Denise
Magarian, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição
e Saúde da USP.
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📄 Material Complementar
  Filmes  
Muito Além do Peso
Comida de Bebê #1: Uma introdução à comida de verdadeComida de Bebê #1: Uma introdução à comida de verdade
https://www.youtube.com/watch?list=PLx-RfqJiTFaqacH6bqqua1wWcUOAuL0PE&v=NfYWZTre9iQ
Criança, a Alma do Negócio
MUITO ALÉM DO PESO | TrailerMUITO ALÉM DO PESO | Trailer
Criança, a Alma do Negócio | TrailerCriança, a Alma do Negócio | Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=rb-P-nk2ULA
https://www.youtube.com/watch?v=17F92D2DxOY
  Leitura  
Consenso do ILSI Brasil sobre Vegetarianismo nos
Primeiros Cinco Anos de Vida: Repercussões na Saúde,
Manejo e Recomendações
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ACESSE
Micronutrientes: da Gestação aos 6 Primeiros Anos de
Vida
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ACESSE
Dinâmica da Composição do Leite Humano e suas
Implicações Clínicas
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ACESSE
Tabela de Medidas Referidas para os Alimentos
Consumidos no Brasil
https://ilsibrasil.org/publication/consenso-do-ilsi-brasil-sobre-vegetarianismo-nos-primeiros-cinco-anos-de-vida-repercussoes-na-saude-manejo-e-recomendacoes/
https://ilsibrasil.org/wp-content/uploads/sites/9/2019/05/Fasc%C3%ADculo-Vol.-9-Micronutrientes-v.5.pdf
https://ilsibrasil.org/wp-content/uploads/sites/9/2018/11/Fasc%C3%ADculo-Vol.-8-Din%C3%A2mica-da-Composi%C3%A7%C3%A3o-do-Leite-Humano.pdf
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ACESSE
Manual Fotográfico de Quantificação Alimentar
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ACESSE
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv50000.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5296370/mod_resource/content/1/Manual%20Fotogra%CC%81fico%20de%20Quantificac%CC%A7a%CC%83o%20Alimentar.pdf
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação
complementar. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em:
. Acesso em: 06/09/2023. 
FAO/WHO/UNU. Energy and protein requirements. Report of a
joint FAO/WHO/UNU Expert Consultation. World Health Organ Tech Rep., [s.l.], n. 724, p.
1-206, 1985.
WHO/FAO/UNU Expert Consultation. Protein and amino acid requirements in human
nutrition. World Health Organ Tech Rep., n. 935, p. 1-265, 2007.
NATIONAL Academies of Sciences, Engineering and Medicine. Dietary Reference Intakes
for Energy. Washington: The National Academies Press, 2023. Disponível em:
. Acesso em: 18/10/2023.
OTTEN, J. A.; HELLWIG, J. P.; MEYERS, L. D. Dietary Reference Intakes: the essential guide
to nutriente requirements. Washington: The National Academies Press, 2006.
RODRIGUES, V. B. Nutrição e desenvolvimento humano. 1. ed. São Paulo, SP: Pearson,
2015. (e-book)
Página 3 de 3
📄 Referências
ROSS, A. C. et al. Dietary Reference Intakes for Calcium and Vitamin D: what dietetics
practitioners need to know. J Am Diet Assoc., [s.l.], v. 111, n. 4, p. 524-527, abr. 2011.
SCHOFIELD, W. N. Predicting basal metabolic rate, new standards and review of previous
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SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de orientação do departamento de
nutrologia. 3. ed. Rio de Janeiro, SBP, 2012. Disponível em:
.
SILVA, S. M. C. S.; MURA, J. D. P. Tratado de alimentação, nutrição & dietoterapia. 3. ed.
São Paulo: Payá, 2016.
TRUMBO, P.; SCHLICKER, S.; YATES, A. A.; POOS, M. Food and Nutrition Board of the
Institute of Medicine, The National Academies. Dietary reference intakes for energy,
carbohydrate, fiber, fat, fatty acids, cholesterol, protein and amino acids. J Am Diet Assoc.,
[s.l.], v. 102, n. 11, p. 1621-1630, nov. 2002. 
VITOLO, M. R. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Rubio, 2008.

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