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Introdução Sabendo do conceito de federalismo �scal, é possível procedermos à aplicação prática do ponto de vista tributário, seguindo com o aprendizado do último dos impostos estaduais, o Imposto sobre a Causa Mortis e Doação (ITCMD), cuja competência de recolhimento pertence aos Estados e ao Distrito Federal e a previsão consta da Constituição Federal do Brasil (CF) de 1988, no inciso I do artigo 155. E, na sequência, iniciaremos os estudos sobre dois dos impostos municipais previstos na Constituição Federal: o Imposto Sobre Serviços de qualquer Planejamento tributário avançado Unidade 2 - Tributos: Estadual e Municipais Autora: Marjory Alves Hirata Revisor: Tatiane Antonovz Iniciar 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%2… 1/25 natureza (ISS) e o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), previstos respectivamente nos incisos II e III do artigo 156. Vamos lá? 1. ITCMD – Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação Assim como nas demais explicações, seguiremos a estrutura da regra-matriz do tributo, para entender melhor o último dos impostos estaduais, previsto no artigo 155, inciso I da Constituição Federal do Brasil de 1988. A base legal dos tributos estaduais varia conforme o Estado, no entanto, todos devem seguir as limitações impostas pela Constituição Federal. No caso do ITCMD, o Código Tributário Nacional também apresenta, nos artigos 35 a 42, os contornos do tributo, que também devem ser seguidos pelas legislações estaduais. O ITCMD é o imposto estadual que recai sobre as transmissões gratuitas de bens e direitos, como heranças (por isso da expressão em latim “causa mortis”, ou seja, transmissão ocasionada por conta de morte) e doações. Vamos entender por meio da análise de sua regra-matriz. 1.1. Regra-matriz do ITCMD Ao analisar a regra-matriz do ITCMD, percebemos que se trata de um imposto sobre a transmissão de bens não onerosa, devido ao Estado em que é realizada a transmissão do bem móvel, ou onde se situa o bem imóvel. 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%2… 2/25 Vejamos em detalhes regra-matriz do ITCMD: Hipótese de Incidência: Consequente: Para efetuar corretamente o recolhimento deste imposto, é preciso uma série de cuidados, pois são muitos os elementos a serem analisados na equação. Deve-se analisar, em primeiro lugar, o tipo de operação - se herança ou doação. Sabendo destas informações, pode-se seguir para constatar se se trata de bem móvel ou imóvel . No caso de transmissão de bens imóveis , ou de direitos relacionados a ele (como por exemplo o usufruto), é importante atentar para o fato dela ser onerosa ou não pois, sendo onerosa, o imposto devido será o imposto municipal ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis), o qual trataremos mais adiante, e não o imposto estadual ITCMD. Além disso, em se tratando de bens imóveis, o Estado competente para cobrar o tributo é aquele em que se encontra o imóvel, independentemente de a doação ou o inventário/arrolamento, no caso de herança, forem processados em outro Estado. Assim, imaginemos um terreno situado no Estado de Amazonas, de propriedade de uma pessoa residente em Minas Gerais, a qual o doa para uma pessoa residente do Rio Grande do Sul. Nesta situação, o donatário gaúcho deverá recolher o ITCMD ao Estado do Amazonas. Outro ponto relevante no caso de transmissão não onerosa de bens imóveis, é a base de cálculo considerada pela legislação dos Estados. Alguns Estados, como o Estado de São Paulo, por exemplo, utilizam tabelas de referência para determinar, conforme a área e proporção do imóvel, seu “valor venal de referência”. Porém, este valor costuma ser maior que o “valor venal” utilizado para cobrar o IPTU (ou ITR - Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, no caso de 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%2… 3/25 imóvel rural), resultando, portanto, na incidência do ITCMD sobre uma base maior e, consequentemente, no valor do imposto a recolher mais caro. Existem diversas decisões jurisprudenciais entendendo indevida a cobrança do ITCMD sobre o valor venal de referência - ao invés do valor venal utilizado para �ns de cálculo do IPTU. Assim, para realizar um planejamento tributário e�ciente, é preciso ter em conta eventuais benefícios de acionar um advogado para ingressar com ação judicial que assegure o recolhimento do ITCMD sobre um valor menor. Já no caso de bens móveis, o ITCMD deverá ser recolhido ao Estado em que o inventário ou arrolamento for processado, ou ainda, em caso de doação, para o Estado em que o doador seja residente ou domiciliado. Mas e no caso de bens móveis em que o doador more fora do País, ou que o inventário/arrolamento tenha sido processado no exterior ? Nestes casos, a Constituição Federal prevê a necessidade de uma Lei Complementar especí�ca, elaborada pela União Federal, para regular a norma geral da situação. No entanto, esta lei não foi criada e alguns Estados, como o de São Paulo, por exemplo, usando da chamada “competência residual para legislar” - quando ausente lei especí�ca sobre determinado assunto, de competência da União - dão sua própria interpretação para situação e a regulamentam em suas respectivas leis. A cobrança, nesses casos, pode ser contestada por vias judiciais. Existem precedentes favoráveis e esta situação pode ser incluída para �ns de planejamento �scal. Você sabia Atualmente, a legalidade da cobrança de ITCMD sobre operações de doação feitas por doadores residentes ou domiciliados no exterior, ou de heranças em que o inventário/arrolamento tenha sido processado no exterior, se encontra sob julgamento no Superior Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário nº 851.108. Por se tratar de “recurso sob repercussão geral”, o entendimento dado 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%2… 4/25 Quando falamos sobre os tipos de bens móveis, a gama de possibilidades é ampla. Podem ser corpóreos, como por exemplo os veículos, jóias, dinheiro, etc.; ou incorpóreos, como direitos, ações, títulos de crédito, etc. É relevante analisar o tipo de bem transmitido, pois, dependendo de sua natureza, pode ser que não seja considerado como sujeito à tributação do ITCMD. Um exemplo comum, utilizado largamente em planejamentos tributários, é o seguro de vida. O artigo 794 do Código Civil determina que ele não con�gura herança, portanto, diversos Estados não tributam este tipo de transmissão no momento do inventário/arrolamento. Vale conferir as Soluções de Consulta do Estado de interesse, para apurar o entendimento aplicado por ele. No caso de bens que demandem apuração do valor, o contribuinte poderá realizar avaliação do bem e apresentá-lo judicialmente. Caso essa avaliação seja dispensável, pois o valor é facilmente constatável, o contribuinte pode apenas declará-lo, em moeda nacional, referente à data em que o critério material/fato gerador ocorreu. Assim, por exemplo, no caso da herança de uma soma de valores em moeda estrangeira, a declaração deverá trazer o valor em moeda nacional, considerando o câmbio da data do falecimento (critério material no caso de herança). Para realizar o recolhimento deste tributo, é necessário elaborar declaração listando os bens móveis e imóveis a serem transmitidos, sob o valor venal, ou seja, o valor de mercado daqueles bens, na data em que ocorreu o critério material/fato gerador do imposto. Ao �nal, será gerada uma guia de recolhimento chamada Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais (“DARE”). àquele caso será aplicado a todos osdemais casos no País. Con�ra a seguir artigo recente sobre o assunto: https://www.conjur.com.br/2020-out-26/suspenso- julgamento-cobranca-itcmd-doacoes-exterior . Você sabia 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%2… 5/25 https://www.conjur.com.br/2020-out-26/suspenso-julgamento-cobranca-itcmd-doacoes-exterior https://www.conjur.com.br/2020-out-26/suspenso-julgamento-cobranca-itcmd-doacoes-exterior Para que se possa proceder aos regulares registros da transferência dos bens perante os cartórios de registros de imóveis, ou nos Tabelionatos de Notas, ou ainda, se se tratar de transferência por meio judicial, é necessário apresentar a declaração do ITCMD e as respectivas guias de pagamento (DAREs) e comprovantes de recolhimento. É importante que se tenha em conta, também, que, no caso de transmissão de bens em razão de morte, ou seja, por herança, o ITCMD deve ser declarado e pago em até 60 dias do óbito, já que, passado esse prazo, o Estado pode aplicar uma multa, cujo percentual pode variar de Estado para Estado, sobre o valor do tributo atrasado, além de juros e correção monetária. No Estado de São Paulo, por exemplo, a multa por atraso no ITCMD, quando superior a 60 dias da data do falecimento, é de 10% sobre o imposto devido. E, caso o atraso seja superior a 180 dias, a multa é de 20%. As aplicações são múltiplas e variadas . Um exemplo comum é o caso da meação (divisão de bens) de um casal que se divorcia. Quando um dos cônjuges decide deixar para o outro parte superior ao que lhe seria devido, por exemplo, no caso de regime de comunhão parcial de bens, em que cada um �ca com metade do que adquiriu durante o matrimônio, e um dos cônjuges decide deixar um imóvel para o outro que represente mais da metade desse patrimônio divisível, superando em 10% o total devido. Neste caso, por con�gurar espécie de doação, incidirá o ITCMD sobre esses 10% excedentes. Quando falamos de doações, é importante mencionar que nem todas as transmissões gratuitas se sujeitam ao recolhimento do ITCMD, pois os Estados costumam oferecer isenções legais para determinadas transmissões, com base no tipo ou no limite de valor. Por exemplo, alguns Estados, como São Paulo, isenta do ITCMD a transmissão de valor anual de até 2.500 Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo - unidade atualizada de medida em real. No ano de 2020, cada Ufesp corresponde a R$27,61); e, no caso de herança, isenta a transmissão de bem imóvel residencial de até 5.000 Ufesps, caso os herdeiros ali morem e não possuam outro imóvel, entre outras possibilidades. Para melhor compreender a prática, vale a pena conferir o site da Secretaria da Fazenda do Estado, na aba “ITCMD”. Veja, a seguir, o exemplo do portal do Estado de São Paulo: https://www10.fazenda.sp.gov.br/ITCMD_DEC/Default.aspx. 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%2… 6/25 https://www10.fazenda.sp.gov.br/ITCMD_DEC/Default.aspx Existem ainda hipóteses legais de redução da base de cálculo previstas em alguns Estados. Analisando a legislação paulista novamente, por exemplo, sobre a transmissão de direitos relacionados a bens imóveis, há previsão de redução para tributação do ITCMD nos seguintes moldes, previstos no artigo 9º da Lei 10.705/00: - transmissão não onerosa do domínio útil, ou do usufruto: a base de cálculo passa a ser de ⅓ do valor venal; e - transmissão não onerosa do domínio direto, ou da nua propriedade (propriedade sem poder de posse ou uso): a base de cálculo passa a ser de ⅔ do valor venal. A transmissão de bens para pessoas jurídicas, para �ns de integralização de capital social, em geral não é tributada pelo ITCMD. No entanto, alguns Estados têm alterado sua interpretação para cobrar o imposto quando o valor utilizado para integralizar o bem imóvel no capital social da empresa superar a contrapartida em ações da empresa, con�gurando uma espécie de doação. Este é um entendimento recente e controvertido, que pode ser objeto de discussão judicial. Vimos que a análise da legislação de cada Estado e a obtenção de informações próprias nos portais das Secretarias de Fazenda dos Estados são elementos fundamentais para aferir elementos essenciais da tributação do ITCMD e, por consequência, para viabilizar a elaboração de um planejamento tributário sucessório ou patrimonial que leve tudo isso em consideração. Você sabia Acompanhar as tendências é uma tarefa imprescindível dos pro�ssionais responsáveis pela elaboração de planejamentos tributários. Atualmente, tramita no Senado um Projeto de Resolução para aumentar as alíquotas máximas do ITCMD dos atuais 8%, para 16%. Caso aprovada, é de se esperar uma grande movimentação dos Estados para ajustar sua legislação e in�ar sua arrecadação, o que prejudicará muitas pessoas que passarão a ter de 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%2… 7/25 1.2. Situações problema - prática (cálculo e contabilização) Para melhor assimilar a aplicação prática do ITCMD, abordaremos 3 exemplos, nos utilizando da legislação do Estado de São Paulo como base. Exemplo 1 João da Silva era residente e domiciliado na capital do Estado de São Paulo e faleceu no dia 01º de janeiro de 2020. Tinha uma esposa e um �lho. Deixou como patrimônio para ambos os seguintes bens: - 1 único imóvel em São Paulo, onde residia a família, no valor já convertido de 5.500 Ufesps. - O valor de um seguro de vida, assegurando R$100.000,00 em caso de morte. - 50 cotas de ações de uma empresa; - 1 carro de R$25.000,00 segundo a tabela utilizada pelo Estado para calcular o IPVA. O ITCMD será devido em até 30 dias do óbito, sendo que, a partir dos 61º dia, haverá incidência de multa de 10% pelo atraso. recolher mais tributo. Con�ra aqui o projeto: https://legis.senado.leg.br/sdleg- getter/documento?dm=7964978&ts=1560377128899&disposition=inline . Além de alterações por Resolução do Senado Federal, também se deve atentar para possíveis alterações nas legislações dos Estados nos quais se realiza o planejamento tributário. Um exemplo é o Estado de São Paulo, o qual apresenta proposta de lei para alterar a alíquota atual de 4% do ITCMD para alíquotas progressivas de até 8%, conforme o valor dos bens transmitidos. Con�ra a proposta aqui: https://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=1000322805 . 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%2… 8/25 https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=7964978&ts=1560377128899&disposition=inline https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=7964978&ts=1560377128899&disposition=inline https://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=1000322805 Se o �lho for menor de 18 anos o inventário deverá ser judicial. Caso contrário, os herdeiros poderão realizar a inventário de forma extrajudicial perante o cartório de notas. Considerando que o ITCMD em SP é de 4% sobre o valor venal dos bens. Vamos analisar cada um dos bens transferidos. No caso do bem imóvel, o ITCMD é recolhido onde ele se situa. Portanto, à primeira vista se poderia pensar que deveria ser recolhido 4% sobre as 5.500 Ufesps (o valor venal do bem). Porém, como vimos, é preciso analisar se o valor venal utilizado para o cálculo é o valor venal de referência e se, neste caso, o valor venal de IPTU não seria menor, reduzindo portanto a base de cálculo sobre a qual incide o imposto. Eventualmente, averiguar se vale ou não a pena ajuizar ação judicial para adequar a base de cálculo a ser utilizada ao valor venal do IPTU. Além disso, como vimos no �nal do item anterior, em São Paulo, uma das isenções legais recai sobre imóveisde até 5.000 Ufesps, em que resida a família e desde que não haja outro imóvel. Assim, no caso examinado, os requisitos de residência da família e inexistência de outro imóvel foram preenchidos. O valor limite, porém, foi superado em 500 Ufesps. Sendo assim, até 5.000 Ufesps o ITCMD é isento, enquanto que sobre as 500 Ufesps excedentes, incidirá o percentual de 4% do imposto. No caso de seguro de vida, vimos que o Código Civil determina que o valor a ser recuperado da apólice diante do sinistro de morte do segurado não con�gura herança. Assim, apesar de dever constar da declaração de transmissão de bens, não é tributada pelo ITCMD. A transmissão das cotas por herança está sujeita ao ITCMD. Porém, há controvérsias sobre o valor das cotas. Se não se tratarem de cotas negociadas na bolsa de valores, por meio da qual é possível aferir com facilidade o valor de cada cota na data do óbito, ou próximo, a apuração pode ser um problema. 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%2… 9/25 Sabemos que as cotas de uma empresa representam o valor do balanço patrimonial da referida sociedade, na conta do patrimônio líquido. Porém, se essa sociedade tem patrimônio líquido negativo, seu valor patrimonial seria nulo, portanto o ITCMD incidiria sobre base negativa, resultando em nenhum imposto a recolher. Porém, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo vem aplicando o entendimento de que, nesses casos, o valor das cotas seria aquele inventariado. Existem ações judiciais paulistas sobre o tema, em que restou decidido que o valor das cotas seria, no caso de patrimônio líquido negativo, o valor histórico das cotas. Assim, percebe-se que este é um ponto sensível e que deve ser analisado ao realizar um planejamento sucessório. Por �m, no caso de veículo o valor do ITCMD será o de 4% x os R$25.000,00 = R$1.000,00. Exemplo 2 Em 16 de junho de 2020, a paulista Marília doa uma obra de arte avaliada no valor já convertido de 3.000 Ufesps para o amigo Júlio, da Bahia. Considerando se tratar de uma doação, deve-se levar em conta o local de domicílio do doador. Sendo São Paulo, a princípio, quem recolhe o tributo seria Júlio. Porém, a legislação Paulista determina que, caso o donatário (quem recebe a doação) não more no Estado, o responsável pelo recolhimento do ITCMD passa a ser o doador. Assim, Marília teria de pagar sobre o valor que excede a faixa de isenção legal, que, em São Paulo, como falamos, é de 2.500 Ufesps, a alíquota do Estado. O resultado seria 4% x o correspondente a 500 Ufesps. Exemplo 3 O casal paulista Marcelo e Giovana, casados no regime de comunhão parcial de bens, resolve se divorciar. Na divisão dos bens, Giovana decide deixar para Marcelo a casa em que moravam, apesar de a casa representar 100% dos bens obtidos no curso do matrimônio. 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 10/25 No momento da divisão dos bens, chamada de “meação” de bens, Marcelo terá de recolher ITCMD sobre 50% do valor da casa, já que pertencia à Giovana, que a doou no momento da separação. Encerramos, portanto, os estudos dos impostos estaduais (ICMS, IPVA e ITCMD) e iniciaremos agora os estudos dos impostos municipais (ISS, ITBI e IPTU), a começar pelo ISS. 2. ISS – Imposto Sobre Serviços de qualquer natureza O Imposto Sobre Serviços de qualquer natureza é um tributo de competência Municipal, atualmente regulado pela norma geral da Lei Complementar nº 116/2003. E, assim como o ICMS, o ISS é um imposto indireto, recaindo a carga �nanceira sobre o consumidor �nal do serviço. Os serviços sujeitos à tributação do ICMS, ou seja, os de transporte intermunicipal ou interestadual e os de comunicação, não se sujeitam ao ISS. Assim como os demais tributos de competência Municipal, a norma responsável por regular o ISS de cada um dos 5.570 Municípios do Brasil deve ser editada e publicada por cada um deles, porém, sempre atendendo aos parâmetros estipulados pela Constituição Federal, no artigo 156, bem como às delimitações trazidas pela Lei Complementar nº 116/2003. Vejamos a seguir a regra-matriz do ISS, para melhor compreender a estrutura do tributo. 2.1. Regra-matriz do ISS A regra-matriz do ISS é a seguinte: 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 11/25 Hipótese de Incidência: Consequente: A partir da análise da regra-matriz do ISS, percebemos a amplitude de sua aplicação. Todos os serviços, com exceção daqueles objetos do ICMS (transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação), constantes da tabela anexa da Lei Complementar (LC) nº 116/2003 estão sujeitos ao recolhimento do ISS. Ao analisar a aplicação deste imposto, portanto, é fundamental que se observem alguns pontos de atenção, a começar pelo tipo de serviço prestado , os quais são listados e identi�cados por meio de um código previsto na lista da LC nº 116/2003. Veja-se, por exemplo, o primeiro da lista: E da espécie: “1.01 – Análise e desenvolvimento de sistemas”. Como este serviço não consta como uma das exceções previstas nos incisos I a XXV, do artigo 3º da Lei Complementar nº 116/2003, o recolhimento do ISS sobre ele será devido no local do estabelecimento prestador , ou seja, onde o contribuinte desenvolve a atividade de prestar serviços, de forma temporária ou permanente, independentemente da denominação de sede, �lial, agência, posto de atendimento, sucursal, escritório de representação, entre outros. É importante que se tenha em conta que o estabelecimento prestador é aquele que efetivamente participe da prestação de serviços , no qual exista a estrutura necessária para a realização do trabalho. Assim, por exemplo, pensemos no caso de uma empresa que forneça serviços de informática, situada em São Paulo, e que venda o serviço de análise de sistemas. Toda a estrutura de computadores e os funcionários, necessários à execução do serviço, estão �xados no Município vizinho, em Guarulhos. Nesta situação, o estabelecimento prestador que participa efetivamente da prestação de serviços é Guarulhos, considerando que no Município de São Paulo há apenas uma unidade da empresa responsável pela intermediação de venda de serviços, onde se capta a clientela. 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 12/25 No caso de prestadores de serviços que não possuam um estabelecimento prestador, como é o caso de muitos autônomos, o Município responsável pela cobrança do imposto será o do domicílio deste prestador - e não do estabelecimento prestador, o qual ele não possui. O imposto é devido assim que o serviço é executado e a nota �scal de prestação de serviços é emitida, levando em consideração o valor do serviço prestado. A depender da legislação de cada Município e da interpretação dada pelo Poder Judiciário, nas ações que ali chegam sobre o assunto, é possível que existam deduções da base de cálculo (o valor do serviço). Um exemplo, de dedução legal de valores da base de cálculo do ISS é sobre valores de materiais de construção sujeitos ao ICMS e utilizados para execução de uma obra de construção civil. É preciso estar atento ao portal da Secretaria da Fazenda Municipal e ao andamento de discussões judiciais acerca de possíveis deduções de ISS, em sites de notícias con�áveis, pois estas deduções impactam algumas possibilidades de planejamento tributário. Além das deduções, a Lei prevê ainda a isenção de serviços exportados. Não há controvérsias sobre a não incidência do ISS quando um serviço é inteiramente prestado fora do País. No entanto, quando o serviço é prestado dentro do País para um estrangeiro,o resultado útil pode ser veri�cado aqui ou no exterior. Não é tarefa fácil identi�car onde se deu o resultado útil e isso impacta diretamente a incidência ou isenção do ISS no caso analisado. Estudaremos estas possibilidades no próximo capítulo. Quanto à tributação por ISS ou ICMS, é possível que um mesmo estabelecimento realize operações que possam acarretar na incidência de ISS e de ICMS. Por exemplo, um salão de cabeleireiros que faça uma escova progressiva em uma cliente e que aproveite para vender a ela um produto capilar necessário à manutenção do tratamento dos cabelos. O serviço de escova progressiva está sujeito ao ISS, enquanto a venda do produto capilar para manutenção de tratamento se sujeitará ao recolhimento do ICMS. 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 13/25 Porém, o ISS jamais incide sobre uma operação na qual incida o ICMS e vice e versa. A LC nº 116/2013 é clara a respeito em sua lista anexa. Na prática, é comum, ainda, surgirem dúvidas sobre a natureza do bem comercializado , se se trata de serviço ou de mercadoria e, portanto, se está sujeito ao ISS ou ao ICMS. Um exemplo clássico é do serviço de grá�cas. Imagine duas situações: uma grá�ca que produza e venda (a) 100 calendários personalizados, com o logotipo do cliente; e (b) 100 calendários de mesa padrão, do portfólio da grá�ca e vendidos para qualquer pessoa. Essas operações seriam circulação de mercadoria, sujeita ao ICMS, ou produção de um serviço, sujeita ao ISS? O entendimento aplicado pelas Prefeituras ao caso é aquele adotado pelo Superior Tribunal de Justiça na Súmula 156 e pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 94.939, de que, no caso de produção de bens personalizados, como na situação (a), por exemplo com o nome e logotipo do cliente, se trataria de prestação de serviços, por ser algo feito sob medida, especialmente para o cliente, e que não poderia ser vendido à outra pessoa como mercadoria comum. Assim, se sujeitaria ao ISS. Já na hipótese (b), na qual não há prestação de um serviço personalizado, a operação seria de circulação de mercadorias, sujeita ao ICMS. STJ. Súmula n° 156: "A prestação de serviço de composição grá�ca, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." O exemplo é amplamente utilizado para dirimir con�itos de competência para cobrar entre os Estados e os Municípios para uma série de bens, como por exemplo, os softwares . A produção de um software customizado conforme as peculiaridades exigidas por um cliente é considerada sujeita ao ISS, enquanto que a venda de programas de software padrão, sem customizações e exigências personalizadas, se sujeita ao ICMS. Ainda assim, é preciso estar atento às interpretações do Estado e do Município envolvidos nesses tipos de operações, pois isso pode ser fonte de divergências e de discussões judiciais, que podem interferir na elaboração de um planejamento tributário e�ciente. 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 14/25 As plataformas de streaming, que transmitem �lmes e séries em troca de um valor mensal, por exemplo, foram alvos de tentativas de tributação por ambos os entes federados: o Estado, com o ICMS, e os Municípios, com o ISS. Até que, recentemente, a Lei Complementar 157/2016 incluiu na lista anexa da LC nº 116/2003 a “disponibilização, sem cessão de�nitiva, de conteúdos de áudio, vídeo, imagem e texto por meio da internet” (código 1.09). Quanto ao tipo de serviço prestado, é importante destacar a situação das locações de bens móveis ou imóveis não estão sujeitas ao ISS , não apenas por não constarem da lista anexa de serviço, como também, no caso especí�co da de móveis, por haver a Súmula 31 do Supremo Tribunal Federal, que entende a tributação sobre essa operação inconstitucional, já que não se trataria de uma “obrigação de fazer” algo, portanto, não é um serviço, para �ns da tributação. Por �m, vale lembrar que a legislação anterior à da LC nº 116/2003, do Decreto-lei nº 406/1968 (artigo 9º, § 3º), previa um regime diferenciado de ISS para sociedades pro�ssionais. E a maior parte da jurisprudência dos tribunais entende que esta disposição não foi excluída pela LC nº 116/03, continuando válida. Segundo esta norma, no caso dos serviços prestados por sociedade de pro�ssionais liberais, o ISS devido é o de uma quantia �xa anual por pro�ssional habilitado na sociedade - e não sobre o valor do faturamento dos serviços cobrados. Porém os tribunais judiciais superiores entendem que, para aplicar tal regime, é preciso que a sociedade preste serviços de caráter personalíssimo - e não tenha caráter empresarial. Um exemplo é o das sociedades de advogados ou de médicos. Esta é uma opção que pode se mostrar bastante vantajosa em planejamentos tributários. Um dos aspectos mais importantes para a elaboração de um planejamento tributário envolvendo o ISS, portanto, diz respeito à análise das legislações municipais, conforme o tipo de serviço prestado e a escolha do Município para o estabelecimento do prestador de serviço, já que, como regra geral, é o local em que será devido o imposto 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 15/25 e a atratividade das alíquotas é algo que costuma ensejar uma guerra �scal entre os Municípios, a qual trataremos nas próximas unidades. 3. ISS - Imposto Sobre Serviços - destinação Após abordarmos a regra geral do ISS, trataremos agora das regras relacionadas às hipóteses de exceção: aquelas nas quais os serviços prestados constam do rol de exceções dos incisos I a XXV do artigo 3º da LC nº 116/2003, e que, portanto, o ISS não é devido ao Município do estabelecimento do prestador de serviços, mas sim do tomador de serviços. 3.1. Objetivo e/ou destinação: Município do prestador ou do tomador. Alguns tipos de serviço, por sua própria natureza, costumam ser efetuados em local diverso daquele do prestador, por demandar a transferência de mão-de-obra para o Você sabia Acesse aqui o site da LC nº 116/2003 e con�ra a lista anexa de serviços tributáveis pelo ISS e as exceções do artigo 3º, incisos I a XXV: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp116.htm . Veja a seguir uma tabela de exemplo destas exceções, trazida pelo site da Prefeitura de São Paulo: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/fazenda/servicos/iss/index.php? p=2494 . 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 16/25 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp116.htm https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/fazenda/servicos/iss/index.php?p=2494 https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/fazenda/servicos/iss/index.php?p=2494 local da execução da prestação do serviço, por exemplo, a construção civil, serviços de limpeza e de segurança, etc. Em razão disso, o legislador buscou ajustar a incidência do ISS, para que fosse devido ao Município em que estes serviços se realizam, também chamado de Município do tomador do serviço. O legislador elencou nos incisos I a XXV do artigo 3º da LC nº 116/2003 os tipos de serviços sujeitos à regra de exceção, na qual, ao invés de se recolher o ISS ao Município do estabelecimento do prestador, se recolhe ao do tomador do serviço. Recentemente a Lei Complementar nº 175/2020 acresceu algumas hipóteses ao rol da regra de exceção da LC nº 116/2003, como por exemplo o serviço de arrendamento mercantil (conhecido como leasing) e alguns serviços contratados (tomados) por hospitais, empresas de planos de saúde, etc. Além disso, estanorma também previu, para alguns destes serviços, a partilha do valor do ISS entre o Município tomador e prestador. A partilha será progressiva a partir do ano de 2021 até 2023, quando o imposto será inteiramente devido ao Município do tomador. Porém, se não houver convênio �rmado entre os Municípios envolvidos na prestação de serviços, o próprio Município do tomador fará essa transferência, não precisando o contribuinte se preocupar em recolher para um e para outro. Será preciso, como sempre, atenção às legislações municipais examinadas nos casos concretos. Na situação destes serviços, o Município do tomador do serviços (onde é executado o trabalho), receberá o valor de ISS devido conforme a alíquota local e o tipo de serviço exercido. Porém, nessas hipóteses, quem é o responsável legal pelo recolhimento do tributo não é o prestador do serviço, mas sim o tomador. A lei prevê, portanto, à semelhança da substituição tributária do ICMS, uma atribuição de responsabilidade pelo recolhimento do ISS ao contratante (tomador), como substituto do sujeito passivo do ISS, ou seja, do prestador de serviços (substituído). Fica a cargo do tomador contratante, portanto, descontar do valor a ser pago ao prestador de serviço a quantia de ISS devida, ou seja, realizar a retenção do ISS, para depois o recolher ao Município em que o serviço foi executado. 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 17/25 O fato de a legislação ser municipal e de existirem tantos Municípios e tantas realizações de serviços entre eles certamente é um entrave para os prestadores de serviço e deve ser analisado minuciosamente para a elaboração de um planejamento �scal, inclusive atentando para as obrigações acessórias cabíveis. Alguns Municípios, como o de São Paulo, exigem que qualquer prestador de serviços de outro Município que preste serviços na cidade de São Paulo efetue, como obrigação acessória necessária, o cadastro prévio no sistema da Prefeitura de São Paulo. Por �m, após tratar de prestações de serviços intermunicipais constantes do rol de exceções do artigo 3º da LC nº 116/2003, cabe ainda tratarmos do ISS devido no caso de prestação de serviço internacional, também presente neste rol. Como vimos, a exportação é isenta de ISS. Porém, para que o serviço seja considerado exportado, é preciso que, quando realizado ou iniciado no País, para não-residente, tenha seu resultado útil, ou seja, o aproveitamento da utilidade do serviço, fora do Brasil. Cada Município tem uma interpretação própria sobre a forma de apuração do local deste resultado útil. É preciso veri�car em cada caso. Já no caso de importação de serviços, ou seja, quando o serviço provém do exterior, por exemplo, realizado internamente no Brasil por um não-residente, ou caso tenha se iniciado fora do Brasil e concluído aqui, o ISS é devido, seguindo a legislação do Município do tomador do serviço. 3.2. Situações problema – prática (cálculo e contabilização) Para compreender a aplicação prática do ISS, vejamos alguns exemplos: Para compreender a aplicação prática do ISS, vejamos alguns exemplos: 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 18/25 Teste seus conhecimentos ( Atividade não pontuada ) Giordana Hans Waltzchkov é uma artista plástica que reside em Alphaville. Seu ateliê está situado na cidade de São Paulo e, dentre as suas atividades, todas dentro do Estado, estão a de esculpir animais em pedra, pintar, sob encomenda, quadros realistas dos clientes ou dos seus familiares e realizar exposições artísticas em alguns museus de Campinas (este último serviço se enquadra nas exceções dos incisos I a XXV do artigo 3º). Selecione abaixo a alternativa que melhor representa a tributação devida por Juliana: (a) ICMS ao Estado de São Paulo, pela venda das esculturas. ISS ao Município de Alphaville pela venda dos quadros personalizados e ISS ao Município de São Paulo pelas exposições artísticas. (b) ISS ao Município de Alphaville, pela venda das esculturas. ISS ao Município de São Paulo pela venda dos quadros personalizados e ISS ao Município de Campinas pelas exposições artísticas. (c) ICMS ao Estado de São Paulo, pela venda das esculturas. ISS ao Município de São Paulo pela venda dos quadros personalizados e ISS ao Município de Campinas pelas exposições artísticas. (d) ISS ao Município de São Paulo, pela venda das esculturas. ISS ao Município de Alphaville pela venda dos quadros personalizados e ISS ao Município de Campinas pelas exposições artísticas. Resposta 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 19/25 4. ITBI – Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis O ITBI é um imposto municipal, devido na transmissão de bens imóveis, ou cessão de seus direitos de compra, ou ainda de direitos reais (relacionados à imóveis e terrenos, com exceção de direitos de garantia), entre pessoas vivas e de forma onerosa. Portanto, nunca é devido em razão de herança ou de forma gratuita, por doação (estas últimas operações estão sujeitas ao já estudado ITCMD, imposto estadual). Ele consta do artigo 156, inciso II da Constituição Federal. Vejamos a seguir a estrutura deste tributo. 4.1. Regra-matriz do ITBI A regra-matriz do ITBI é a seguinte: Hipótese de Incidência: A partir da análise da regra-matriz do ITBI percebe-se que o critério material, ou fato gerador, do imposto, exige a ocorrência de uma transmissão de bem imóvel ou de direito real sobre imóvel, ou ainda uma cessão de direitos de compra de um bem imóvel. Quando se trata da transmissão de qualquer destes bens e direitos, conforme o nosso Código Civil, a sua concretização - portanto, o momento em que incide o ITBI (critério temporal) - só é válida se realizada por escritura pública, perante o Cartório de Registro de Imóveis. Portanto, a mera promessa de ceder um direito de compra de um imóvel, por exemplo, não basta para con�gurar a hipótese de incidência do ITBI. É preciso que se realize o ato formal da lavratura e registro da escritura pública, ou de sua alteração 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 20/25 registral perante o cartório, para que a transmissão ocorra legalmente. E é a partir deste momento que o imposto passa a ser devido. O ITBI será apurado e pago ao Município em que se encontra o bem imóvel e a transmissão pode ocorrer por diversas formas de negócios, como a aquisição por compra e venda, o pagamento de uma dívida com o imóvel (conhecido como dação em pagamento), a permuta (troca de bens), cessão dos direitos de compra e venda de um imóvel, etc. A base de cálculo do imposto será o que for maior: ou o valor da transação, ou o valor venal (de mercado) do bem imóvel ou do direito real, sendo que, no caso de cessão de direito de compra de imóvel, a base de cálculo também é o valor venal do bem envolvido na transação. Porém, neste último caso, a dívida pela cessão desse direito de compra pode ser abatida da base de cálculo do ITBI, quando o imóvel envolvido for adquirido e registrado. Alguns Municípios, como o de São Paulo, por exemplo, utilizam como base de cálculo um valor denominado “ valor venal de referência ”, a partir de uma tabela de valores de imóveis publicada anualmente. Porém, é possível ajuizar ação para pedir que o Município utilize como base de cálculo do ITBI o valor da venda ou o valor venal do IPTU, que costuma ser menor, ao invés deste valor venal de referência. O Tribunal de Justiça de São Paulo , por exemplo, já declarou o uso do valor venal de referência, para �ns de apuração de ITBI, inconstitucional. Segundo o tribunal,esta tabela só pode servir de parâmetro para veri�car se o valor da operação de venda foi razoável (ou se con�gurou doação, por exemplo). Este é um ponto de atenção na elaboração de planejamentos tributários e�cientes. É importante esclarecer que a Constituição Federal prevê no artigo 156, § 2º, inciso I da Constituição Federal, hipótese de imunidade do ITBI, ou seja, de não incidência do imposto, para os casos de (i) integralização de bem imóvel ao capital social de uma empresa, ou seja, quando passa a compor o patrimônio líquido desta; (ii) ou ainda em razão de fusão, incorporação, cisão ou extinção da pessoa jurídica. Desde que a atividade preponderante da pessoa jurídica não seja de compra e venda de bens imóveis ou direitos a eles relacionados, a locação de bens imóveis ou o arrendamento mercantil (chamado de “leasing”). 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 21/25 O Código Tributário Nacional de�ne em seu artigo 37, § 1º,que se considera atividade preponderante quando mais de 50% da receita operacional da pessoa jurídica adquirente, nos 2 anos anteriores e nos 2 anos posteriores à aquisição, decorre das transações mencionadas. A possibilidade de aproveitar deste tipo de imunidade também deve ser considerada para �ns de elaboração de planejamentos sucessórios, muito comuns no caso de famílias proprietárias de imóveis, os quais futuramente serão transferidos aos �lhos e poderão ser objeto de incidência do ITCMD, em caso de herança/doação, ou do ITBI, caso transferido onerosamente em vida, ou integralizado para holdings patrimoniais. É importante atentar para a legislação local, pois os Municípios também costumam atribuir isenções para casos especí�cos. Na Cidade de São Paulo, por exemplo, a compra de imóvel �nanciado pelo Fundo Municipal de Habitação, ou via Programa Minha Casa Minha Vida, são isentos. Além disso, São Paulo também prevê anualmente, para compra do primeiro imóvel, um limite de isenção, por exemplo, em 2020, o valor de imóvel isento é de até R$176.441,44. 4.2. Situações problema – prática (cálculo e contabilização) Para compreender a aplicação prática do ITBI, vejamos alguns exemplos: Exemplo 1 Paulo adquire um imóvel em março de 2020 por R$2 milhões em São Paulo, capital. O valor venal usado para cálculo do IPTU também é de R$2 milhões e o valor venal de referência é de R$3 milhões. Nesse caso, a base de cálculo correta seria a maior entre o valor venal do IPTU ou da compra, porém ambos são iguais. Todavia, como vimos, o Município de São Paulo utiliza como base de cálculo o valor venal de referência. Assim, o adequado seria ajuizar uma ação e pleitear a aplicação da base de cálculo do valor venal do IPTU. Veja a diferença de valores a recolher. Em São Paulo, a alíquota de ITBI é de 3%: 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 22/25 R$2 milhões x 3% = R$60 mil Contrato no qual o arrendador (proprietário de um ativo, como por exemplo, um banco, proprietário de uma casa) cede ao arrendatário, o direito de posse e uso deste bem. Ao �nal do contrato, o arrendatário pode comprar o bem com o valor do contrato (arrendamento mercantil �nanceiro), devolver o bem, ou prorrogar o contrato (arrendamento mercantil operacional). R$3 milhões x 3% = R$90 mil Exemplo 2 Maria possui um imóvel em São Paulo/SP de R$500 mil e decide integralizá-lo em sua empresa de decoração, usando da imunidade da operação. Porém, 1 ano depois sua empresa passa a alugar imóveis decorados. Neste caso, a princípio a operação era imune do ITBI. Porém, a partir do momento em que a empresa mudou sua atividade preponderante, para incluir a locação de imóveis, e dentro dos 2 anos pré e pós integralização no capital social, conforme previsto no Código Tributário, a imunidade é perdida e o ITBI passa a ser devido neste momento. A alíquota de ITBI em São Paulo é de 3%, portanto, o valor a pagar será de R$15.000,00. Teste seus conhecimentos ( Atividade não pontuada ) Analise as seguintes a�rmações e selecione a alternativa correta, conforme a tributação aplicada: (a) Rafael adquiriu um imóvel e o integralizou no capital social de sua empresa de compra e venda de imóveis. Ele não recolheu nenhum imposto. 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 23/25 (b) Rodrigo herdou de seus avós uma casa na Praia Grande. Após alguns anos, a vendeu para Raul, um senhor aposentado. Recolheu-se o ITCMD e ITBI. (c) Mayra recebeu, como doação de seus pais, o imóvel em que mora, por ser próximo à faculdade. Na transmissão, recolheram o ITBI. (d) Letícia fez um contrato de aluguel para locar a casa onde moraria. Ao �m do contrato, decidiu adquirir a casa da locadora. Ela recolheu o ITCMD. Resposta Síntese Nesta unidade aprendemos o último dos impostos Estaduais, o ITCMD e dois dos impostos Municipais, o ISS e o ITBI. Pudemos perceber que o ITCMD e o ITBI podem ser confundidos facilmente se não nos atentarmos ao caráter oneroso ou gratuito da transmissão de bens imóveis. Além disso, ao analisarmos o ISS, percebemos que nem sempre a linha divisória entre um produto ou serviço é clara. Um ponto relevante do ISS tem a ver com saber identi�car corretamente quem é o Município competente para recolher o imposto em prestações intermunicipais. Também aprendemos, por �m, que existem peculiaridades a serem examinadas em cada legislação, que podem ser importantes para a elaboração de um planejamento tributário e�ciente, como discussões jurídicas sobre bases de cálculo dos tributos, preenchimento de requisitos para isenções e imunidades, etc. Download do PDF da unidade 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 24/25 Bibliografia JESUS, Isabela Bonfá e outros. Manual de DireitoJESUS, Isabela Bonfá e outros. Manual de Direito e Processo Tributário. 5. ed. rev. e atual. - Sãoe Processo Tributário. 5. ed. rev. e atual. - São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019.Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019. FANJUL, A. P. FANJUL, A. P. Gramática de español paso a paso Gramática de español paso a paso .. São Paulo: Santillana-Moderna, 2006.São Paulo: Santillana-Moderna, 2006. PATROCÍNIO, José Antônio. ISS: Teoria, Prática ePATROCÍNIO, José Antônio. ISS: Teoria, Prática e Jurisprudência. 4. ed. rev., atual. e ampl. - SãoJurisprudência. 4. ed. rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2017.Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2017. 30/11/2024, 12:34 NEG_PLTRAV_21_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=6WJjNTm24odhpCyLAccLPA%3d%3d&l=B0lJVyJgkxXXUrotPqVJ4Q%3d%3d&cd=j8rTpt%… 25/25