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Remediação de Solos e Fitorremediação INTRODUÇÃO • A elevada demanda de tempo e recursos para remediação tem levado a um novo enfoque que considera a intervenção sobre áreas contaminadas em função do risco apresentado. • A gerência de risco compreende o processo de avaliação do risco e ações de redução do risco. • No processo de avaliação, a investigação geoambiental é a atividade destinada a determinar o grau de contaminação do solo e sua distribuição espacial, visando estabelecer uma estratégia para a remediação da área afetada. • A fitorremediação pode ser vista como uma das ações de redução de risco que compreende a técnica do emprego de vegetais na descontaminação do solo e das águas subterrâneas ou na reabilitação de áreas degradadas. O PROCESSO DE AVALIAR RISCOS ENVOLVE • Identificação e caracterização de áreas potencialmente contaminadas; • Análise do perigo decorrente da exposição dos receptores aos contaminantes; • Estimativas de danos ou malefícios prováveis; e • Avaliação da aceitabilidade do risco. • A Investigação Geoambiental é parte do processo de avaliação de risco. A AÇÃO DE REDUZIR RISCOS ENVOLVE: • A seleção, implementação e monitoramento de estratégias de remediação. • As estratégias de remediação compreendem medidas de descontaminação, confinamento e/ou restrição de utilização da área. • Note-se que o monitoramento tanto pode ser um processo de avaliação de áreas contaminadas como uma ação de controle sobre a remediação. CONCEITOS E DEFINIÇÕES • PERIGO - propriedade ou situação que tem potencial para causar um mal (pode ser físico, químico ou biológico). •MAL - dano à saúde, ao meio ambiente, às estruturas físicas ou de serviços, ao patrimônio ou à economia. • AVALIAÇÃO DE RISCO - processo sistemático para identificar e analisar o risco (qualitativo ou quantitativo). • GERÊNCIA DE RISCO - processo decisório envolvendo a aceitação do risco ou a redução das suas conseqüências ou a probabilidade de sua ocorrência. • A cadeia FONTE-CAMINHO-ALVO - a possibilidade de algum mal acontecer (risco) depende de a cadeia estar completa, ou seja: há contaminação, existem caminhos com potencial de migração e receptores passíveis de dano. O PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO GEOAMBIENTAL • Abordar a investigação geoambiental no contexto da análise de risco para evitar a coleta de informações erradas ou desnecessárias sobre a cadeia fonte-caminho-alvo. • Planejar a investigação e estabelecer objetivos. • O objetivo principal da investigação é prover informações suficientes sobre a fonte, os caminhos e os alvos para permitir uma avaliação de risco tal que seja possível delinear ações de remediação ou dispensá-las. • Verificar se a cadeia fonte-caminho-alvo está completa. • O contaminante não é o único interesse da investigação, são igualmente importantes os caminhos e os alvos sob risco em face do contato com o contaminante. PONTOS CRÍTICOS DA INVESTIGAÇÃO GEOAMBIENTAL • Pressões impostas pelos clientes em relação a prazos e custos. • Excesso de confiança na capacidade do método de investigação identificar todos os perigos. • Nenhuma investigação pode explorar mais que uma fração do todo. • Basta uma amostra para provar a contaminação. No entanto, o propósito deve ser determinar a natureza e extensão da contaminação e sua relação com o meio. FASES DA INVESTIGAÇÃO GEOAMBIENTAL • Fase preliminar - desenvolver o modelo conceitual fonte-caminho-alvo, prover informações para a identificação do perigo e para o planejamento das fases subseqüentes. • Fase exploratória - com limitadas intrusões destinadas a testar/confirmar hipóteses ou a presença de substâncias e levantar dados para o planejamento da fase posterior. • Fase principal - dominada por técnicas intrusivas para avaliar o perigo, estimar o risco e apontar modalidades preferenciais de remediação. • Outras fases como a suplementar para obter dados específicos e a de pós-remediação para avaliação de desempenho. A INVESTIGAÇÃO PRINCIPAL ENVOLVE: • Estratégia para amostragem • Atividades no campo • Coleta de amostras • Uso de técnicas de perfuração e selagem • Acondicionamento das amostras • Investigação do meio hídrico • Procedimentos analiticos TÉCNICAS DE REMEDIAÇÃO • As ações de remediação devem ser exeqüíveis em termos técnicos e de custo e compatíveis com as necessidades ambientais. • Os métodos de remediação podem envolver medidas restritivas de utilização da área, de descontaminação, de contenção, e monitoramento de processos de atenuação natural. • As ações ou medidas, utilizadas isoladamente ou combinadas, visam reduzir o risco ou administrar um risco aceitável, conforme o objetivo a alcançar e sua performance esperada. MECANISMOS DE CONTAMINAÇÃO • O mecanismo mais comum é a infiltração de águas pluviais, lixiviado, solubilizando ou dissolvendo substâncias perigosas e transportando para camadas inferiores e aqüíferos. • No trajeto descendente uma parte dessas substâncias fica retida no poros do solo e outra parte prossegue interagindo com o solo, podendo alcançar o freático. • Atingindo o aqüífero o mecanismo de transporte é intensificado, ocorrendo espalhamento e aumento do alcance da contaminação. • Embora possa haver alguma diluição ou dispersão do contaminante, pode ocorrer bioacumulação em tecidos. CARACTERÍSTICA DOS CONTAMINANTES • As características mais importantes dos contaminantes do ponto de vista da remediação são: • Mobilidade – associada ao estado, espécie química, solubilidade, volatilidade, densidade, viscosidade e outras características físico-químicas que afetem sua interação com o solo. • Degradabilidade – associada a estabilidade química da substância ou ao seu potencial para ser decomposta. • Periculosidade – associada ao potencial da substância causar algum mal, seja de natureza física, química, ou biológica. REDUÇÃO DO RISCO - REMEDIAÇÃO • Na gerência de risco, os métodos de remediação procuram reduzir o risco interferindo na cadeia fonte-caminho-alvo, seja neutralizando a fonte, bloqueando os caminhos ou protegendo os alvos. • Neutralização – remoção, transformação da substância em outra menos perigosa , estabilização química ou física. • Bloqueio – contenção visando interromper o fluxo migratório, seja atuando sobre o meio físico ou sobre o contaminante durante o transporte. • Proteção – remoção dos alvos ou proteção individual com equipamentos O QUE É A FITORREMEDIAÇÃO? • A fitorremediação é uma tecnologia emergente que usa diversos vegetais para degradar, extrair, imobilizar ou conter contaminantes presentes no solo e nas águas subterrâneas. Está ligada ao emprego de técnicas de: • Contenção – atuando sobre a mobilidade da substância perigosa, evitando o espalhamento da contaminação; e • Remoção - procedimento visando atenuar, degradar ou transformar o contaminante em substância menos perigosa ou não-perigosa . • Disposição e tratamentos fora da região contaminada são considerados como complementos das técnicas de remoção. COMO ATUA A FITORREMEDIAÇÃO? • Redução da contaminação a concentrações aceitáveis ou interferência nos mecanismos de transporte a fim de evitar que o contaminante entre em contato com os alvos sob risco. • A redução da contaminação pode se dar por remoção ou por mecanismos de degradação da substância contaminante. • A ação sobre os mecanismos de transporte está circunscrita à contenção, seja por retenção ou controle da migração da água subterrânea contaminada ou por imobilização do contaminante pelo vegetal. MECANISMOS DA FITORREMEDIAÇÃO. • Degradação – se dá na rizosfera com participação dos microorganismos ou no interior das plantas pela própria fisiologia do vegetal. • Extração - acumulação no tecido vegetal, em especial na parte aérea, com posterior colheita e destinação ou por transpiração. • Contenção – retenção no solo ou nas raízes, tornando indisponível ou imobilizando o contaminante, ou atuação sobre mecanismos de transporte. LIMITAÇÕES DA FITORREMEDIAÇÃO • Alcance do sistema radicular – o contato físico das raízes com a massa contaminada está limitadoa poucos metros da superfície. • Taxa de crescimento do vegetal - a velocidade de crescimento pode limitar a efetividade do processo e normalmente o vegetal tem que ser cultivado em outro ambiente até atingir a fase adulta. • Concentração do contaminante – pode afetar/inibir o crescimento do vegetal, provocar magnificação pela cadeia trófica ou causar impacto ambiental ou a saúde humana, exigindo controle ou tratamento diferenciado. TÉCNICAS DE FITORREMEDIAÇÃO • FITOEXTRAÇÃO – absorção do contaminante pelas raízes, translocação para a parte aérea, com posterior coleta, tratamento e disposição. • Desvantagens – hiperacumulação de metais prejudica o crescimento; biomassa colhida tem que ser disposta ou processada adequadamente; metais podem ser fitotóxicos; e estudos em laboratório não refletem condições de campo. RIZOFILTRAÇÃO • Consiste na concentração, no sistema radicular, de substâncias presentes na fase dissolvida do solo. • Emprega o mecanismo de contenção, podendo haver extração por colheita ou retirada no caso de cultivo hidropônico , seguido de tratamento e disposição. • Vantagens – plantas terrestres ou aquáticas, tratamento in situ ou ex situ. • Desvantagem – controle contínuo de pH, entendimento das reações, cultivo inicial em estufa, os resultados experimentais podem diferir do campo, e destinação. FITOESTABILIZAÇÃO • Processo semelhante a rizofiltração porém sem a remoção do solo ou do vegetal. • A técnica é de contenção por concentração, no sistema radicular, de substâncias presentes no solo. • Vantagens – não há retirada de solo, baixo custo, não gera resíduos, controle de lixiviação e erosão, e a revegetação incrementa a restauração do ecossistema. • Desvantagem – os contaminantes permanecem no local, manter vegetação por longo período, controle contínuo das reações na rizosfera, evitar translocações,pode requerer intensa fertilização do solo. • Aplicável a metais e substâncias orgânicas. RIZODEGRADAÇÃO • Essa técnica envolve o mecanismo de biodegradação com a participação de microorganismos do solo e da rizosfera. • A técnica é de remoção pela absorção pelo vegetal ou perda de periculosidade da substância contaminante. • Vantagens – o contaminante é removido, há pouca translocação, pode ocorrer mineralização, baixo custo. • Desvantagem – longo tempo, a textura do solo pode limitar o desenvolvimento das raízes, mascaramento com mecanismos vistos a seguir, concorrência dos exsudatos com o contaminante orgânico. • Aplicável a substâncias orgânicas. FITODEGRADAÇÃO • Essa técnica envolve o processo de transformação do contaminante pelo metabolismo da planta ou por compostos produzidos pelas plantas. • A técnica é de remoção e pressupõe absorção pelo vegetal, fato que depende de algumas características das substâncias como hidrofobicidade, solubilidade ou polaridade . • Vantagens – enzimas podem degradar o contaminante em ambiente sem microorganismos. • Desvantagem – alguns produtos derivados podem se formar e serem difíceis de detectar. FITOVOLATILIZAÇÃO • Essa técnica envolve o mecanismo de absorção e transpiração do contaminante pelas planta, modificado ou não pelo seu metabolismo. • Vantagens – compostos podem ser liberados em formas menos tóxicas. • Desvantagem – impacto sobre a qualidade do ar, alguns compostos liberados podem ser mais tóxicos que são absorvidos ou podem se acumular na madeira ou frutos. CONTROLE HIDRÁULICO • Essa técnica envolve o mecanismo de absorção e transpiração do contaminante pela planta, modificado ou não pelo seu metabolismo. • Vantagens – compostos podem ser liberados em formas menos tóxicas. • Desvantagem – impacto sobre a qualidade do ar, alguns compostos liberados podem ser mais tóxicos que são absorvidos ou podem se acumular na madeira ou frutos. • Aplicável a substâncias orgânicas, metais, águas subterrâneas, solos e sedimentos como lodos de estações de tratamento. COBERTURA VEGETAL • A aplicação dessa técnica não é recomendada para sistemas de cobertura de aterros de resíduos sólidos municipais em razão da contínua geração de gases que podem ser tóxicos para as planta e por requisitos de desempenho normalmente exigidos para os sistemas de cobertura final como prevenir a migração ou liberação de gases. •Vantagens - pode reduzir as necessidades e requisitos de manutenção minimizando a erosão superficial e estabelecendo um ecossistema sustentável; menores custos; a vegetação pode proporcionar um ambiente aeróbio cuja atividade microbiana pode reduzir a formação de gases ou degradá-los; •Desvantagens-Necessidade de inspeções para assegurar uma apropriada cobertura vegetal pois pode ocorrer predomínio de algumas espécies sobre outras originalmente plantadas e necessárias para a funcionalidade do método; • Tendência de raízes mortas criarem caminhos para a infiltração da água; • Risco de magnificação pela cadeia alimentar; CORREDORES MARGINAIS • Destinam-se a proteger corpos ou cursos d’água do escoamento superficial e subterrâneo de água contaminada, degradando a pluma de contaminação trazida pela vazão afluente sem impedir o fluxo. • Funcionam como barreiras permeáveis onde o mecanismo de degradação atua quando da passagem do fluxo de forma a permitir que a vazão efluente esteja livre da contaminação ou essa tenha sido reduzida a níveis aceitáveis pelo metabolismo das plantas. Estabilidade sobre Acidente na Barragem Na mineração a geração de resíduos sólidos é parte do processo de produção que envolve a lavra e o beneficiamento do minério de ferro. O resíduo sólido proveniente da extração é denominado estéril e o resíduo sólido do beneficiamento é denominado rejeito. Grande parte da disposição desses resíduos se faz por barragens de rejeitos. A disposição do rejeito é feita usualmente na forma de polpa, com alto teor de água e baixo de sólidos, transportada por meio de tubulação, e lançada na direção de montante a partir da crista do barramento. Desse método de disposição decorre uma elevada quantidade de água na bacia de acumulação,água essa que necessita ser convenientemente drenada para que se possa aumentar a resistência ao cisalhamento do material depositado.Os Acidentes em barragens de rejeitos estão relacionados ao balanço hídrico nessas estruturas, além do método construtivo e da gestão de segurança da operação. As barragens de contenção de rejeitos, construídas pelo método a montante, normalmente, envolvem um dique de partida e sucessivos diques de alteamentos sobre a praia consolidada de rejeitos, a montante do dique anterior. Esse tipo de construção, embora mais simples e econômico, está sujeito a críticas relacionadas com o controle construtivo, o estado não consolidado do material de fundação e a alguma ineficiência do sistema de drenagem interna. Naturalmente, o principal fator preocupante do ponto de vista geotécnico é a presença de água na bacia de acumulação, seja essa água proveniente do processo de lançamento do rejeito ou do ingresso natural decorrente de escoamento superficial e subterrâneo e da precipitação direta no local. O controle da linha freática no rejeito e nos diques que compõem o barramento é fundamental para o estabelecimento da segurança da contenção. Propriedades Geotécnicas dos Materiais Em geral, o propósito da retroanálise é estabelecer determinados parâmetros de resistência e/ou condições de carregamento que poderiam apresentar o material diante de um fato conhecido. Esse fato conhecido poderia ser, por exemplo, a geometria da cicatriz de ruptura. No entanto, para iniciar o procedimento de análise é necessário estabelecer ou fixar determinados parâmetros que podem ser considerados mais plausíveis ou menos sujeitos às variações, tal que, apenas determinado conjunto de parâmetros poderiam variar para se obter um resultado desejado. No entanto, toda bacia haverá de se comportar como um todo, com regiões resistentes e regiões fracas, com comportamento drenado e não drenado, dificultando a determinação de qual mecanismo de fato atuou de forma decisiva para a ruína. BARRAGENS DE REJEITO Asatividades de mineração estão dentre as que causam maiores impactos ao meio ambiente. Em muitos países onde o controle ambiental é deficitário, a mineração gera conflitos socioambientais devido à interferência nos ecossistemas e nas comunidades. Assim, é imprescindível que se desenvolvam novas tecnologias. Muitas das empresas de mineração aplicam recursos adicionais com vistas ao controle ambiental, desde o início do projeto até a mitigação ambiental. Nessa atividade, os resíduos sólidos estão dentre os principais responsáveis pelo impacto ambiental das mineradoras. O tratamento e armazenamento visando minimizar custos e maximizar a segurança estão dentre os principais objetivos das mineradoras para cumprir as exigências ambientais visto que a disposição dos resíduos geralmente é catalogada como um custo adicional sem retorno dentro do projeto. De uma forma geral há dois tipos de resíduos produzidos pelas atividades mineradoras, os estéreis e os rejeitos. No decapeamento da jazida são produzidos materiais sem valor econômico, denominados de estéreis, que geralmente são dispostos em pilhas e utilizados algumas vezes no próprio sistema de extração do minério. Já os rejeitos são resultantes do processo de beneficiamento do minério e pode conter elevado grau de toxicidade, além de partículas dissolvidas e em suspensão, metais pesados e reagentes. Nos processos de beneficiamento, a quantidade gerada de rejeitos é muito alta, e a disposição é feita, dependendo dos objetivos econômicos da mineradora, em superfície, ou vinculada no processo de extração do minério de forma subterrânea ou a céu aberto. DIFERENÇAS ENTRE BARRAGENS CONVENCIONAIS E BARRAGENS DE REJEITO As barragens convencionais costumam ser construídas com materiais provenientes de uma ou poucas jazidas, com características semelhantes de densidade e umidade. A compactação das sucessivas camadas buscam a homogeneidade de comportamento do maciço. O que se almeja é evitar contrastes comportamentais acentuados que possam induzir campos de condutividade hidráulica, de deformação ou de tensão. Nas barragens de rejeito, a homogeneidade não é um condicionante de projeto, e costumam apresentar certa heterogeneidade devido às diferentes épocas de alteamento e materiais utilizados provenientes de diferentes frentes de lavra. Especialmente em barragens alteadas pelo método de montante ou de linha de centro, os alteamentos são realizados sobre rejeitos depositados em curto intervalo de tempo e consequentemente encontram-se pouco consolidados, apresentando menor resistência ao cisalhamento. Além disso, não existe compactação das camadas adjacentes, a não ser pelo tráfego de equipamentos durante a construção. A exemplo da curva de compactação, existe uma altura de queda ótima que define a massa específica máxima. Para alturas de queda inferiores à ótima, a energia de deposição seria insuficiente e para alturas de queda maiores que a ótima, a energia seria tanta que erodiria a praia já depositada. Embora o lançamento na altura seja desejável, na prática isto não seria exequível, pois implicaria na mudança constante da posição do canhão. Outra diferença notável entre barragens convencionais e barragens de rejeito é o tratamento dado à percolação pelo maciço ou pela fundação. Em barragens convencionais, a quantidade de água perdida por percolação costuma ser insignificante em comparação com os volumes utilizados na operação da obra (geração de energia, captação para uso humano ou industrial) e perdidos por evaporação e infiltração no reservatório. Desta forma, a percolação é apenas controlada, evitando geração de excessos de poropressão e carreamento de material. O controle da drenagem se dá pela utilização de filtros verticais e tapetes drenantes. Em barragens de rejeito, muitas vezes não se pode confiar na eficiência desse sistema de drenagem a longo prazo, devido a possíveis cristalizações impermeabilizantes causadas por reações químicas no rejeito. Além disso, especialmente para barragens de contenção de rejeito de minério de ferro, a água é mantida no reservatório visando apenas a clarificação, estando assim o tempo necessário para garantir a decantação dos finos em suspensão. Uma vez atingidos os padrões exigidos, a água pode ser lançada no curso d’água da bacia na qual a barragem foi instalada. Em alguns casos, porém, o reservatório de rejeitos é utilizado também como reservatório de água para uso na planta de beneficiamento. Nesse caso, cuidados especiais são necessários no que diz respeito à impermeabilização do maciço. BARRAGENS DE REJEITO As barragens de rejeito podem ser construídas com material compactado proveniente de áreas de empréstimo, ou com material do próprio rejeito, partículas de granulometria mais grossa, que podem ser separadas pelo processo de ciclonagem. As Barragens de Rejeito construídas ou alteadas com o próprio material do rejeito podem ser construídas pelos métodos: a) Método de montante; b) Método de linha de centro; c) Método de jusante. Barragens alteadas pelo método de jusante e pelo método de linha de centro geralmente são construídas com o uso de ciclones, onde o material de maior granulometria (underflow), é utilizado para o alteamento do dique de contenção e os finos (overflow), são depositados atrás do dique. As deposições se dão pelo aterro hidráulico. A utilização da técnica do aterro hidráulico aplicado ao método de montante proporciona uma redução de custos de construção pela facilidade na execução de barragens, sendo assim, o método mais atrativo para as mineradoras. Entretanto, problemas construtivos e de segurança podem ocorrer, principalmente devido à falta de controle das características do rejeito e das variáveis de descarga durante o lançamento. Desta forma, aumenta-se a necessidade de estudos mais detalhados das propriedades do rejeito de modo a reduzir as incertezas geradas quanto às características do aterro formado com a sua utilização. MÉTODOS DE ALTEAMENTO DE BARRAGENS PARA CONTENÇÃO DE REJEITOS As barragens de contenção de rejeitos são estruturas construídas ao longo do tempo visando à diluição dos custos no processo de extração mineral por alteamentos sucessivos. Assim, um dique de partida é construído inicialmente e a barragem passa por alteamentos ao longo da vida útil, podendo ser construídas com material compactado proveniente de áreas de empréstimo, ou com o próprio rejeito. Para isso, têm-se três métodos, conforme já citado: montante, jusante ou linha de centro. Método de Montante O método de montante é o mais antigo, simples e econômico método de construção de barragens. A etapa inicial na execução deste tipo de barragem consiste na construção de um dique de partida,normalmente de material argiloso ou enrocamento compactado. Após realizada esta etapa, o rejeito é lançado por canhões (spigots) e (ou) por hidro-ciclones em direção a montante da linha de simetria do dique, formando assim a praia de deposição, que se tornará a fundação e eventualmente fornecerá material de construção para o próximo alteamento. Este processo continua sucessivamente até que a cota final prevista em projeto seja atingida. Geralmente é o mais econômico em curto prazo, pois permite obter a menor relação entre volumes de areia / lama. Embora seja o mais utilizado pela maioria das mineradoras, o método de montante apresenta um baixo controle construtivo, tornando-se crítico principalmente em relação à segurança. O agravante neste caso está ligado ao fato dos alteamentos serem realizados sobre materiais previamente depositados e não consolidados. Assim, sob condição saturada e estado de compacidade fofo, esses rejeitos (granulares) tendem a apresentar baixa resistência ao cisalhamento e susceptibilidade à liquefação por carregamentos dinâmicos e estáticos. Tem-se também que esse método de alteamento apresenta inerente risco de ruptura por liquefação, especialmente em regiões de alta sismicidade. Rupturas por percolação e piping também são possíveis devido à pequena distância entre a lagoa de decantação eo talude de jusante. Esse problema pode ser evitado por ângulos suaves na praia de deposição e segregação e sedimentação de partículas mais grossas junto à face de montante. Sistemas de drenagem e filtros evitam aumentos excessivos de poropressões e controlam a poluição da água subterrânea, quando for o caso. Ressalte-se também que nesse método construtivo existe uma dificuldade na implantação de um sistema interno de drenagem eficiente para controlar o nível d’água dentro da barragem,constituindo um problema adicional com reflexos na estabilidade da estrutura. Método de Jusante Neste método, a etapa inicial consiste na construção de um dique de partida, normalmente de solo ou enrocamento compactado. Depois de realizada esta etapa, os alteamentos subsequentes são realizados para jusante do dique de partida. As vantagens envolvidas no processo de alteamento para jusante consistem no controle do lançamento e da compactação, de acordo com técnicas convencionais de construção; nenhuma parte ou alteamento da barragem é construída sobre o rejeito previamente depositado; além disso, os sistemas de drenagem interna podem ser instalados durante a construção da barragem, e prolongados durante seu alteamento, permitindo o controle da linha de saturação na estrutura da barragem e então aumentando a estabilidade; a barragem pode ser projetada e subsequentemente construída apresentando a resistência necessária ou requerida, inclusive resistir a qualquer tipo de forças sísmicas, desde que projetadas para tal, já que há a possibilidade de seguimento integral das especificações de projeto. Método de Linha de Centro Barragens alteadas pelo método de linha de centro apresentam uma solução intermediária entre os dois métodos citados anteriormente, apresentando vantagens dos dois métodos anteriores, tentando minimizar suas desvantagens. Neste método torna-se possível a utilização de zonas de drenagem internas em todas as fases de alteamento, o que possibilita o controle da linha de saturação. Este controle promove uma dissipação de poropressões tornando o método apropriado para utilização inclusive em áreas de alta sismicidade. Como grande vantagem deste método em relação ao de jusante, pode-se destacar a necessidade de um menor volume de material compactado para construção do corpo da barragem, mas esse tipo de estrutura pode apresentar ângulos muito inclinados na face de montante. Uma vez que os rejeitos passam a ser usados como principal material de construção, o projeto e construção de barragens de rejeito deve incluir cada vez mais princípios geotécnicos na obtenção de parâmetros e controle de qualidade, em substituição aos procedimentos empíricos normalmente utilizados. Há uma maior necessidade de investigação das propriedades e características dos rejeitos de modo a reduzir as incertezas geradas no comportamento global dessas estruturas. As incertezas das características do aterro estão relacionadas com o processo de deposição do rejeito na praia e com o próprio rejeito. Algumas variáveis como vazão e concentração da mistura lançada conduzem de forma marcante para um alto grau de heterogeneidade do material depositado. No caso de depósitos de rejeito de minério de ferro lançados hidraulicamente, pode-se encontrar em determinadas regiões da barragem zonas com alta concentração de partículas de ferro. Este tipo de seleção é função do processo de segregação hidráulica, que tende a gerar uma seleção granulométrica em função do tamanho, da forma e da massa específica das partículas e conduz à formação de zonas com propriedades geotécnicas distintas. ESCOLHA DO MÉTODO DE ALTEAMENTO DAS BARRAGENS DE REJEITO A escolha de um ou outro método de execução irá depender de uma série de fatores, tais como: a) tipo de rejeito; b) características geotécnicas e nível de produção dos rejeitos; c) graus de poluição física, química e físico-química; d) necessidade de reservar água ou a necessidade do controle das águas percoladas; e) sismicidade da região onde se localiza o barramento; f) topografia, hidrologia, hidrogeologia e geologia local; g) custos do método de execução. Dentre as práticas normais das empresas mineradoras, o método de montante tem ganho um importante espaço em função dos baixos custos e alta flexibilidade construtiva. As barragens construídas pelo método de montante com a utilização de rejeitos, como materiais de construção, costumam apresentar problemas no comportamento, como a alta susceptibilidade ao piping,superfícies erodíveis e alta probabilidade de liquefação sob condições de carregamento sísmicos em rejeitos fofos e saturados. Geossintéticos O que vem a ser um produto Geossintético? São materiais ou produtos industrializados, ou seja, em que pelo menos um dos seus componentes é fabricado com polímeros sintéticos ou naturais. Basicamente, os Geossintéticos servem para projetos relacionados na área de geotecnia. Sua aplicação é indicada quando a obra necessita seu desempenho por um curto período de tempo, após o qual sua degradação não irá afetar a qualidade de/a finalidade da obra. Quais seriam as vantagens da utilização de Geossintéticos em obras geotécnicas? Entre as principais vantagens da utilização deste sistema, destacam-se: instalação rápida da camada drenante, produtividade, maior capacidade de armazenamento do aterro, melhoria da estabilidade de taludes, alta capacidade de escoamento, entre outras. Os tipos de Geotêxteis? -Geotêxteis: Os mais tradicionais, e os mais usuais entre os geossintéticos, feitos com não-tecidos ou tecidos, geralmente de PP ou de poliéster.No Brasil, são já relativamente frequentes em obras, nas quais podem desempenhar inúmeras funções: separação, filtragem, drenagem, reforço, controle de erosão, entre outras. -Geomembranas: é um tipo de geossintético produzido por tecnologias como extrusão de PE e calandragem de PVC, sua impermeabilidade lhes assegura espaço crescente em aplicações como impermeabilização de aterros sanitários e barragens de rejeitos, concentração de minérios, sistemas de armazenamento de água em propriedades rurais, reservatórios para criação de peixes e outros animais aquáticos. -Geogrelhas – Extrudadas em PE ou PP, ou tecidas em poliéster, polipropileno, PVA, poliamidas, são similares a grades, cujo contato tanto com o solo superior quanto com o inferior proporciona ancoragem bastante firme, que reforça e estabiliza solos mais moles, muros de contenção, taludes. -Geocélulas – Estruturas tridimensionais, em formato de colmeia de abelhas, em PE ou em PP, podem ser aplicadas em revestimento de canais e de taludes, ou como suporte de carga em bases de pavimentos, entre outras situações. -Geomantas – Peças tridimensionais feitas com filamentos de PP, PE ou poliamida.Utilizadas em maior escala em sistemas de controle de erosão, sozinhas ou em combinação com alternativas tradicionalmente utilizadas com essa finalidade – como grama e hidrossemeadura –, ou como núcleos de geocompostos. -Geocompostos – Combinações de geossintéticos com outros materiais.Alguns deles: geocomposto bentonítico, feito com duas camadas de geotêxteis intercaladas com uma camada de bentonita; geocomposto cimentício, com camada interna de argamassa cimentícia; gabiões metálicos revestidos com polímeros. PRINCIPAIS PROPRIEDADES As propriedades dos Geossintéticos derivam dos seguintes fatores: a - Processo de Fabricação - A diversidade dos processos de fabricação é muito grande, devido aos vários tipos de Geossintéticos existentes e suas combinações. Conforme já citado nas definições (II), os principais processos são: - Adesão - Fusão - Calandragem - Impregnação - Colagem - Não Tecimento - Corrugação - Tecimento - Entrelaçamento -tricoteamento - Extrusão b-Matéria-Prima - Vários tipos de matéria-prima são empregadas na fabricação dos Geossintéticos. Os mais utilizados são: - PP - Polipropileno - PA- Poliamida - PET - Poliéster - PVC - Policloreto de Vinila - PEAD - Polietileno de alta densidade - PS - Poliestireno A combinação destes dois fatores é que irá criar oconjunto de propriedades do produto final. Apresentamos as principais propriedades que são levadas em conta em um projeto e especificação de Geossintéticos Normalização dos Geossintéticos No início da comercialização e utilização dos Geossintéticos, especialmente os geotêxteis, não existiam Normas específicas para definir ensaios e parâmetros que o engenheiro pudesse correlacionar com as condições reais de uma obra. Assim, até meados da década de 70, utilizavam-se ensaios oriundos da indústria têxtil como referência de padrões de resistência, permeabilidade, abrasão, estouro, densidade superficial etc. DRENAGEM DRENAGEM – MANTER A CARGA HIDRÁULICA BAIXA TRATAR OU REUTILIZAR O EFLUENTE OTIMIZAR A OPERAÇÃO DO ATERRO. CONCEPÇÕES ADOTADAS COBERTURA “IMPERMEÁVEL” O MAIS CEDO POSSÍVEL -REDUZ O VOLUME DE EFLUENTES A SEREM TRATADOS. -REDUZ A QUANTIDADE DE EFLUENTES NO ATERRO - PROLONGA A VIDA ÚTIL DO CONTAMINANTE. PERMITIR O FLUXO PARA ACELERAR A LIXIVIAÇÃO - O SISTEMA DE DRENAGEM ENTRA LOGO EM CARGA. -REMOVE O CONTAMINANTE MAIS RAPIDAMENTE. -AUMENTA O VOLUME A SER TRATADO. -SE A DRENAGEM FALHAR A CARGA DO ATERRO AUMENTA PROJETO -SISTEMA DE DUTOS PERFURADOS DISTRIBUÍDOS NO FUNDO DO ATERRO E PROTEGIDOS POR TRINCHEIRAS, TAPETES DRENANTES E/OU GEOTÊXTEIS. -O PROJETO DEVE ASSEGURAR A DRENAGEM ADEQUADA, A PROTEÇÃO ESTRUTURAL DOS DUTOS E MINIMIZAR A COLMATAÇÃO. COMPOSIÇÃO DO SISTEMA DE COLETA E REMOÇÃO DO EFLUENTE -REVESTIMENTO IMPERMEÁVEL (GEOMEMBRANA E ARGILA COMPACTADA) NA BASE DO ATERRO. -CAMADA PROTETORA/SEPARADORA (GEOTÊXTIL) ENTRE O REVESTIMENTO IMPERMEÁVEL (GEOMEMBRANA e ARGILA) E A CAMADA DRENANTE. -NA CAMADA DRENANTE, ARRANJO DE TUBOS PERFURADOS EM TAPETES E TRINCHEIRAS, COLETANDO O PERCOLADO PARA REMOÇÃO. -CAMADA FILTRANTE ACIMA DA CAMADA DRENANTE PARA MINIMIZAR A COLMATAÇÃO DOS DUTOS PERFURADOS. -RESERVATÓRIO PARA RECEBIMENTO DO EFLUENTE REMOVIDO. CRITÉRIOS PARA O PROJETO -DETERMINAÇÃO DO VOLUME DE EFLUENTE GERADO. -DETERMINAÇÃO DO VOLUME A SER COLETADO E REMOVIDO. -DETERMINAÇÃO DO TEMPO DE FUNCIONAMENTO DO SISTEMA. COLMATAÇÃO E FILTRAGEM -COLMATAÇÃO POR ACÚMULO DE PARTÍCULAS- VERIFICADA POR TESTE DE GRADIENTE HIDRÁULICO DIFICULDADE DE AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO A LONGO PRAZO. -COLMATAÇÃO POR PRECIPITAÇÃO QUÍMICA PRECIPITAÇÃO DE ESPÉCIES QUÍMICAS INSOLÚVEIS CAUSANDO BLOQUEIO OU CIMENTAÇÃO. -COLMATAÇÃO POR FORMAÇÃO DE BIOFILME CAUSADA PELA MATÉRIA ORGÂNICA E NUTRIENTES QUE PROPORCIONAM CRESCIMENTO DA BIOTA NOS RESÍDUOS, GEOTÊXTEIS. A COLMATAÇÃO PROVOCA AUMENTO NO VOLUME DE EFLUENTE RETIDO NO CORPO DO ATERRO, PODENDO: -FACILITAR O PROCESSO DE TRANSPORTE DE CONTAMINANTES PELOS TALUDES DO ATERRO. -REDUZIR O VOLUME ÚTIL DO ATERRO. -TRANSFORMAR TAPETES DRENANTES COLMATADOS EM PARTE DO PROCESSO DE TRANSPORTE POR DIFUSÃO, FACILITANDO O TRANSPORTE LATERAL DO CONTAMINANTE PELO RESÍDUO. CRITÉRIOS PARA REDUZIR O PROCESSO DE COLMATAÇÃO -MAXIMIZAR A VELOCIDADE DO EFLUENTE NOS DRENOS REDUZINDO A SEDIMENTAÇÃO DE PARTÍCULAS – AUMENTANDO A DECLIVIDADE, A PERMEABILIDADE OU AMBOS. -MAXIMIZAR OS VAZIOS DO TAPETE DRENANTE – REDUZ A PROBABILIDADE DOS VAZIOS SEREM BLOQUEADOS. -MINIMIZAR A ÁREA SUJEITA A FORMAÇÃO DE BIOFILME – AUMENTO DO DIÂMETRO DAS PARTÍCULAS FORMADORAS DA CAMADA DRENANTE.