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1 AVALIAÇÃO CLÍNICA FACIAL E CORPORAL, ELABORAÇÃO DE FICHA DE ANAMNESE, ELABORAÇÃO DE TCLE, BIOÉTICA E RESPONSABILIDADE LEGAL POR CLÍNICA DE ESTÉTICA 1 Sumário ANAMNESE E AVALIAÇÃO CORPORAL ................................................................. 2 CLASSIFICAÇÕES ERRÔNEAS DA FIBROEDEMA GELOIDE (CELULITE)..... ......................................................................................................... 4 DISTRIBUIÇÃO DA GORDURA CORPORAL ............................................................... 5 ESTRUTURAS DA PELE E AVALIAÇÃO FACIAL .................................................. 11 TIPOS DE PELE ....................................................................................................... 15 PELE SECA ............................................................................................................ 15 PELE OLEOSA ...................................................................................................... 16 PELE NORMAL ..................................................................................................... 17 PELE MISTA ............................................................................................................. 18 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) ........................ 20 APLICAÇÃO DO TCLE NO BRASIL ........................................................................ 21 ASPECTOS LEGAIS DO TCLE ................................................................................ 22 ELABORAÇÃO DO TCLE ........................................................................................ 23 RESPONSABILIDADE CIVIL E REGULAMENTAÇÃO DAS CLÍNICAS DE ESTÉTICAS .............................................................................................................. 26 DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA E ASPECTOS LEGAIS PARA ABERTURA DE CLÍNICA DE ESTÉTICA ........................................................................................... 29 REFÊRENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 31 2 ANAMNESE E AVALIAÇÃO CORPORAL Antes de iniciar algum tratamento estético, é necessário que se realize uma anamnese para avaliar se o paciente encontra-se apto a receber quaisquer forma de tratamento. A anamnese é também essencial para escolha do tratamento mais apropriado, local a ser tratado, tempo de sessões, quantidade de sessões e definir o protocolo a ser utilizado. Também é fundamental que se compare os resultados obtidos antes e após o tratamento. É necessário destacar ainda, a necessidade de adoção de alguns cuidados no decorrer da anamnese e avaliação corporal, garantindo que os dados coletados sejam fidedignos. BUENO (2015) sugere que é preciso investigar o estilo de vida do cliente, por exemplo: uma cliente que consome muito açúcar, farinha branca, sal e leite, terá um processo inflamatório crônico sistêmico, que vai agir contra os tratamentos estéticos; outro fator que irá contra é o jejum prolongado, que poderá prejudicar no resultado final do tratamento. Figura 1: Ficha De Anamnese Corporal: Questionamento 3 Fonte: SOUZA (2016) No processo de avaliação corporal, o cliente deve ser encaminhado para frente de um espelho, no qual são apontadas as disfunções estéticas, e suas possíveis soluções. Nesse momento é também realizado o teste de digitopressão em pernas e braços, o qual é executado com o polegar, pressionando sobre a pele do indivíduo de cinco a dez segundos, o que serve para análise da presença de edema no local. A 4 coloração da pele pressionada deve retornar ao normal no mesmo tempo da pressão, caso não retorne verifica-se presença de edema. Neste teste pode-se notar o sinal de Godet ou cacifo, caracterizado pela depressão da pele pressionada. Nesse momento, avalia-se também o fibroedema geloide (celulite). AGNE (2015) destaca a importância do conhecimento profissional sobre o aspecto celulítico, correspondente à tríade: fibrose, gordura e flacidez. A palpação é uma técnica essencial para este processo, ou, pelo menos, para diferenciação desta com a gordura e a flacidez. Para determinação da real situação, o movimento correto a ser executado pelo profissional é o deslizamento da mão de baixo para cima sobre a área a ser examinada, esticando a pele e sentindo se realmente há retrações. Caso não existam, será possível concluir que trata-se simplesmente de gordura localizada ou flacidez. Classificações Errôneas da Fibroedema Geloide (Celulite) Cabe ao profissional avaliar a pele de forma correta, devido a gordura acumulada e a consequente fibrose cutânea proporcionarem o aspecto “casca de laranja”, e este, quando visível, é definido de maneira precipitada como celulite. As crianças, com bastante periodicidade, apresentando acúmulo de gordura, principalmente nos glúteos. Em diversas situações este acúmulo são designados erroneamente como celulite, o que só seria correto caso essas crianças possuíssem alguma alteração vascular, o que nesta idade não é comum. Levando em conta os exemplos, chega-se ao consenso de que não basta observar para se fazer uma correta avaliação. Deve-se executar uma avaliação manual, através da palpação, e utilizar métodos e técnicas mais apropriadas, tais como os filmes termográficos (AGNE, 2015). 5 DISTRIBUIÇÃO DA GORDURA CORPORAL Nem todo corpo feminino segue o mesmo padrão de distribuição de gordura. Existem variantes como idade e etnia, que são fortemente relacionadas com esta distribuição e, por vezes, são estas formas que incomodam mais as mulheres do que o próprio acúmulo de gordura, além da genética familiar, que também exerce grande influência neste padrão (SUZUKI; SCHNEIDER, p.40, 2013). Figura 2: Exemplos de Padrão da Distribuição da Gordura no Corpo Feminino Figura (A) corpo retângulo, (B) triângulo invertido, (C) pera, (D) Ampulheta. Fonte: Suzuki; Schneider, p. 41, 2013. Os autores supracitados destacam ainda que: A gordura localizada não é difícil de ser notada, tem forte correlação com as formas do corpo. Utilizar um esquema com figuras corporais e atentar aos pontos de maior acúmulo é um modo prático e eficaz durante a anamnese. Uma avaliação detalhada das estrias e flacidez (tissular e muscular) também é importante. SUZUKI; SCHNEIDER (2013, p. 42). 6 Figura 3: Avaliação de Estrias Fonte: SOUZA (2016) A avaliação da flacidez tissular (de pele) é realizada pela inspeção visual, pois o tecido com flacidez apresenta dobras, vincos/marcas. É por meio do pinçamento que se pode perceber a diminuição da tensão e consistência do tecido dérmico (GARDIN; CIECKOVICZ, 2011). Figura 4: Avaliação da Flacidez Fonte: SOUZA (2016) Na avaliação de flacidez tissular (de pele) é necessário fazer o teste de pinçamento. O teste consiste em puxar a pele com os três primeiros dedos da mão, deixando por cinco segundos. Assim, conta-se o tempo em que a pele demora a voltar ao seu estado normal, caso o tempo ultrapasse os cinco segundos, há flacidez (SOUZA, 2016). 7 Figura 5: Ficha de Anamnese Corporal: Medidas Fonte: SOUZA (2016) 8 FILHO (2003) define a perimetria como a mensuração, geralmente em centímetros, da circunferência de determinada região corporal. Jardim (2015) ressalta que uma boa perimetria faz toda a diferença, e as medidas do seu clientepodem dizer muito sobre ele. Inclua nas medidas (perimetria) braços, pernas, costas, busto, cintura, panturrilhas. Para a realização da perimetria é importante ter em mãos: • Lápis dermatográfico • Fita métrica Alguns cuidados descritos pelo autor supracitado devem ser seguidos, visando que os resultados finais não sejam comprometidos os. São eles: • Marcar corretamente os pontos dos perímetros, utilizando caneta ou lápis dermatográfico; • Medir sempre um ponto fixo, pois a variação aponta erros; • Medir sempre sobre a pele nua; • Nunca utilizar fita elástica ou de baixa flexibilidade; • Nunca esquecer o dedo entre a fita e a pele; • Não dar pressão excessiva, nem deixar a fita frouxa; • Realizar três medidas e calcular a média; • Não medir o avaliado após qualquer tipo de atividade física. Outro cuidado importante para a realização da perimetria é que ela seja realizada pela mesma pessoa, com a mesma fita métrica utilizada anteriormente. GUIRRO; GUIRRO (2002) comentam que com a padronização dos procedimentos são alcaçados dados mais concretos. Veja agora o passo a passo de como realizar a perimetria: É ideal que a cliente esteja de biquíni, no caso das mulheres, e bermuda no caso dos homens. Pede-se para o cliente ficar em posição ortostática. Nesta posição, o cliente fica em pé, deixando os pés um pouco afastados e membros superiores naturalmente estendidos junto ao corpo. • Perimetria abdômen: marca-se 10 cm acima do umbigo e 5 cm abaixo, para medição. Lembrando que se deve padronizar a perimetria, então, mede-se com a fita métrica, acima da marcação ou abaixo. É preciso verificar se a fita está 9 alinhada e tomar cuidado para não colocar o dedo entre a pele da cliente e a fita. Os dados devem ser tomados no mesmo momento da fase inspiratória do cliente. • Perimetria Glúteos: o profissional deve posicionar-se e tomar as medidas lateralmente ao cliente, a fita métrica deverá ser posicionada no ponto de maior massa muscular das nádegas. • Culotes: para obtermos a perimetria dos culotes, deve-se colocar a fita métrica logo abaixo da prega glútea, num plano horizontal. • Perimetria das coxas: posiciona-se a fita métrica no plano horizontal, em nível do ponto distal, que é medido a 5 cm da borda superior da patela. • Perimetria do braço: com o braço flexionado, contração máxima do músculo, põe-se a fita métrica na região de maior massa muscular. O registro fotográfico também pode auxiliar na prevenção de alguns erros que podem ocorrer no decorrer da perimetria. Neste registro é essencial que se adotem certas precauções, como distância da fotografia, a luminosidade da sala, posição do cliente, área a ser fotografada, e o fundo da fotografia, devendo ser aplicados os mesmos em todas as fotos. Em determinadas situações é interessante desenvolver uma ficha com alterações posturais do paciente, como por exemplo, no caso de um indivíduo que possua postura inadequada e queixe de gordura abdominal, o que pode indicar apenas uma alteração postural. Há ainda outros métodos avaliativos, como por exemplo a bioimpedância, um aparelho que possibilita estimar a faixa de peso ideal conforme peso de estrutura óssea e muscular, idade e sexo. É um método de avaliação corporal bastante utilizado, devido possuir uma boa precisão, um custo relativamente baixo e por não ser invasivo. A adipometria baseia-se na mensuração da dobra cutânea, sendo utilizado para isto o adipômetro. Equipamento que possibilita uma avaliação com precisão da redução de gordura em aréas específicas. As medidas devem ser realizadas do lado direito do paciente, devendo estar íntegra e sem cicatrizes a sua pele. Ao iniciar a medição das dobras cutâneas, deve-se palpar o local com os dedos indicador e polegar da mão esquerda, e marcar com um lápis dermatográfico. É necessário que a dobra cutânea permaneça pinçada com os dedos, não provocando dor ao cliente, 10 com a palma da mão virada para o mesmo. Observe a forma de pinçamento a cada ponto da dobra subcutânea. Coloque o adipômetro perpendicular à dobra cutânea segurando o cabo com a mão direita. Com o dedo indicador, acione o “gatilho” da garra móvel e faça a leitura do equipamento. Repita a leitura três vezes no mesmo local, as leituras maior e menor não devem variar mais do que 5% da leitura média. Caso isso aconteça, repita por mais três vezes as medidas. Considere a média das três medidas a medida final. , 11 ESTRUTURAS DA PELE E AVALIAÇÃO FACIAL O sistema tegumentar é formado pela pele e seus vários órgãos acessórios, como as glândulas sudoríparas e sebáceas, receptores sensoriais, cabelos e unhas (GERSON et al., 2011b). A pele recobre todo o corpo humano, possuindo diversas funções vitais como: • Proteção contra o atrito, a perda de água, a invasão de micro-organismos e a radiação ultravioleta; • Função termorreguladora; • Função na sensação do tato; • Auxilia na excreção de substâncias; entre outras. É o maior órgão do corpo humano, representando cerca de 15% do peso corporal, possuindo variações estruturais ao longo de sua extensão. A pele é constituída pelo tegumento e os seus anexos, que são: • Unhas; • Glândulas sebáceas; • Glândulas sudoríparas; • Glândulas mamárias. O estrato superior da pele possui metade da espessura de uma folha de papel, sendo formado por células queratinócitas e melanócitas. As células de melanócitos possuem como função a proteção contra os raios solares, sendo responsáveis pela melanina, que é a pigmentação natural da pele. A epiderme tem sua principal função à proteção contra agentes agressores, tais como bactérias e fungos, e por possuir espaços reduzidos entre as células, é considerada não totalmente impermeável, portanto, substâncias de baixo peso molecular podem atravessar a primeira camada, como corantes, pigmentos e compostos farmacêuticos e cosméticos (GIARETTA, 2015). Ao redor das células da epiderme estão os lipídios, que protegem contra a perda de água e a desidratação. A epiderme é constituída por cinco camadas, chamadas de estratos: a camada superior é o estrato córneo, seguida pelo estrato lúcido, estrato granuloso, estrato espinhoso e estrato germinativo (GERSON et al., 2011a). 12 O estrato córneo é a camada superior e mais externa da pele, muito fino, embora seja capaz de se regenerar, desintoxicar o corpo e responder a estímulos. É constituído, principalmente, por queratina, uma proteína fibrilar que fornece proteção à pele. É encontrada em todas as camadas da epiderme. As células conhecidas como queratinócitos constituem 95% da epiderme, elas são perdidas continuamente pela descamação e substituídas por novas células que vão até a superfície. Esse processo é conhecido como rotatividade celular. A taxa média de rotatividade é a cada 28 dias ou mais, dependendo da idade. No estrato córneo, os queratinócitos endurecem e se tornam corneócitos, as células protetoras. As células e o óleo se combinam para formar uma camada protetora no estrato córneo. Os desmossomas, que são conexões intercelulares, geram força para as células. Encontramos também células escamosas (achatadas) que protegem as outras camadas (GERSON et al., 2011a). O estrato lúcido é uma camada transparente sob o estrato córneo, é uma camada translúcida composta por pequenas células que deixam a luz atravessar. Essa camada é encontrada nas palmas das mãos e sola dos pés. Os queratinócitos dessa camada contêm queratina transparente. Essa pele mais grossa é constituída de cadeias epidérmicas que permitem um atrito melhor quando caminhamos e usamos as mãos. Essa camadaforma nossas impressões digitais e pegadas (GERSON et al., 2011a). O estrato granuloso é composto de células que se assemelham a grânulos e são cheias de queratina. A produção de queratina e lipídeos intercelulares ocorre aqui. Na medida em que as células se tornam queratinizadas, se movem para a superfície e substituem as células soltas pelo estrato córneo. Substâncias hidratantes naturais como triglicerídeos, cerâmicas, ceras entre outros lipídeos formam componentes da função de barreira da pele (GERSON et al., 2011a). No estrato espinhoso, uma camada espinhosa sobre a camada basal, as células continuam se dividindo e mudando de formato, e as enzimas continuam gerando lipídeos e proteínas. Os apêndices das células se assemelham a espinhas cheias de picos e se tornam desmossomas, estruturas que ajudam a fortalecer e manter as células juntas, no estrato espinhoso que se encontram células imunes, que protegem o 13 corpo contra infecções identificando o material estranho (antígenos). As células imunes ajudam a destruir esses invasores estranhos (GERSON et al., 2011a). O estrato germinativo, também conhecido como camada basal da epiderme, é a camada viva, localizada sobre a camada papilar da derme, constituída das células basais, é a camada inferior da epiderme. A mitose (divisão celular) ocorre continuamente na camada basal da célula. Quando as células se dividem, elas migram até a superfície e se tornam fortes e protetoras. Aqui elas produzem lipídeos, que a mantêm juntas. O estrato germinativo também contém as células melanócitos. Que produzem a melanina. As células de Merkel – que são as células sensoriais, e receptores de toque, também se localizam nessa camada (GERSON et al., 2011a). A junção dermoepidérmica é o mecanismo da pele de unir as duas camadas, pois se ele não existisse nós teríamos a epiderme separada da derme, ou seja, a epiderme “cairia”. A função da zona da membrana basal é fornecer a ancoragem e a adesão da epiderme com a derme, mantendo a permeabilidade nas trocas entre estes dois componentes e atuando como filtro para a transferência de materiais e células inflamatórias ou neoplásicas. Como a epiderme não é vascularizada, suas células recebem os nutrientes necessários devido a esta junção. A derme é a camada que vem abaixo da epiderme e possui ligação como estrato germinativo devido à junção dermoepidérmica. Nela encontramos anexos cutâneos, vasos sanguíneos e linfáticos e redes nervosas. Ela também possui camadas, porém não são tantas como na epiderme. Apresenta apenas duas camadas: a derme papilar e a derme reticular. A derme papilar é mais delgada e altamente vascularizada, formada por feixes delicados de fibras colágenas (principalmente do tipo III) e elásticas, dispostas em uma rede frouxa, circundada por abundante gel de mucopolissacarídeos. Já a derme reticular compõe a maior parte da espessura da derme, e é constituída de fibras colágenas (principalmente do tipo I) entrelaçadas, além de fibras elásticas que estão dispostas paralelamente à superfície da pele. E a última camada é formada pelo tecido adiposo e chamada de tecido subcutâneo ou hipoderme. É constituída de tecido conjuntivo frouxo e localiza-se abaixo da derme. Não é considerada parte da pele e tem como principal função 14 manter a temperatura do corpo, dar forma e contorno ao corpo, armazenamento de energia e dar mobilidade a toda a pele. Sua espessura varia de acordo com cada indivíduo, pois ela é formada por acúmulo de gordura em suas células, os adipócitos. DUARTE (2015) explana que a capacidade de armazenamento energético é virtude altamente ilimitada. Resulta do aumento das reservas de cada adipócito (favorecimento da lipogênese relativamente à lipólise) e da replicação e diferenciação de pré-adipócitos. A ausência de limite representa vantagem adaptativa em curto prazo, e desvantagem em longo prazo, traduzida em disfunção endócrino-metabólica. Hipoderme ou tecido subcutâneo é a terceira camada da pele, a mais profunda, formada basicamente por células de gordura, sendo assim, sua espessura é bastante variável, conforme a constituição de cada pessoa. Ela apoia e une a epiderme e derme ao resto do corpo. Além disso, a hipoderme mantém a temperatura do seu corpo e acumula energia para o desempenho das funções biológicas, é isolante térmico, modela a superfície corporal, absorve choques mecânicos e é responsável pela fixação dos órgãos internos, pois se posiciona entre eles, fazendo assim um preenchimento (GIARETTA, 2015). 15 TIPOS DE PELE A correta identificação dos tipos de pele é fundamental para selecionar com sucesso produtos cosméticos eficazes. Embora existam tantas variações sutis de tipos de pele quanto ao número de seres humanos, certas características predominantes permitem que os tipos de pele sejam agrupados em quatro classificações, e as condições em outras seis (MICHALUN; MICHALUN, 2010). Segundo Gerson et al. (2011c) as pessoas nascem com um tipo de pele, que é determinado pela genética e a etnia. O tipo de pele é baseado principalmente pela quantidade de sebo que é produzido nos folículos das glândulas sebáceas e na quantidade de lipídios encontrados entre as células. Os tipos de pele podem ser classificados em quatro categorias: normal, oleosa, mista e seca. Na maior parte dos casos, os indivíduos têm uma combinação de tipos de pele, tais como uma zona T (testa nariz e queixo). O metabolismo celular e a produção de óleo/ lipídios se tornam mais lentos à medida que envelhecemos. Pele Seca A pele seca se desenvolve como resultado de glândulas sebáceas pouco ativas. Embora hereditária como a pele oleosa, também é consequência do envelhecimento. Como todas as atividades corporais diminuem com o tempo, o mesmo acontece com a atividade das glândulas sebáceas. A pele seca tende a ficar desidratada, poderá tornar-se escamosa, áspera e apresentar pruridos. Raramente apresenta cravos, e quando aparecem é na região do nariz. A falta de oleosidade na pele reduz sua capacidade de reter umidade, já que a oleosidade da pele age como barreira natural contra a perda de umidade. A pele seca caracteriza-se por ser muito fina, bastante delicada e tênue. A secreção insuficiente de óleo na pele não gera a ‘cola’ necessária para reter as células na camada córnea. Como resultado, a pele seca tem menos células na camada córnea que a pele oleosa (MICHALUN; MICHALUN, 2010). Produtos oclusivos podem reduzir a perda de água, para conter a umidade e proteger a camada superior da barreira da pele, que ajudam a combater a 16 desidratação. Biotipo cutâneo – Alípica • Óstios: muito finos • Espessura: fina • Coloração: normal • Textura: suave ao tato • Brilho: natural, com tendência ao opaco • Fatores climáticos: pouco resistentes • Tendência à descamação, aparecimento de linhas finas. Embora seja comum para uma pessoa com a pele seca, a desidratação é uma condição que pode ser observada em todos os tipos de pele. A pele desidratada não tem água. Isso é diferente de pele seca, que não contém óleo. É muito importante lembrar essa diferença, porque até mesmo a pele oleosa pode estar desidratada e precisar de hidratação. A pele desidratada pode ter aspecto fino, descamada, esticada e seca, a pele que precisa de umidade tende a absorver os produtos rapidamente. A desidratação pode ser causada por vários fatores internos e externos, como medicamentos e produtos. Beber muita água e tratar a pele com umectantes e hidratantes pode ajudar a minimizar os efeitos de uma pele seca (GERSON et al., 2011c). Pele Oleosa A pele oleosa éuma condição hereditária que se desenvolve em consequência da excessiva ativação das glândulas sebáceas, esta atividade é controlada pelo andrógeno, ou hormônio masculino (MICHALUN; MICHALUN, 2010). Segundo GERSON et al. (2011c), o tamanho do folículo (estios) é maior e contém mais óleo. Se os poros forem de tamanhos visível ou grande na maior parte do rosto, isso geralmente indica pele oleosa, esse tipo de pele requer mais higienização e esfoliação que os outros tipos, pois é mais propensa a manchas, porque os poros ficam com maior quantidade de sebo e impedem as células mortas de saírem, e acabam se acumulando, com esse acúmulo faz a pele parecer mais 17 grossa e pálida, manchas e comendões são comuns. A limpeza excessiva pode piorar a situação, porque remove o manto ácido da pele e irrita, se ela ficar sem óleo perde seu equilíbrio, com isso pode ocorrer do organismo se defender e acabar produzindo mais sebo para tentar proteger o tecido da pele, independentemente do tipo de pele, o objetivo é equilibrar a função da barreira. É muito importante equilibrar a produção do sebo por meios de tratamentos e produtos (GERSON et al., 2011c). Biotipo cutâneo – Lipídica normal • Óstios: profundos e visíveis • Espessura: espessa • Coloração: normal • Textura: mais áspera ao tato • Brilho: intenso • Fatores climáticos: resistentes • Predominante em indivíduos jovens. Suporta sabões e detergentes. MICHALUN; MICHALUN (2010) afirmam que não são raros os indivíduos com pele oleosa concluírem que não precisem de hidratante porque têm a pele oleosa, mas é muito importante diferenciar, a oleosidade vem das glândulas sebáceas e a umidade dos canais intercelulares. Pele Normal A pele normal tem um bom equilíbrio entre a água e o óleo, às vezes, ela pode oscilar entre seca e oleosa. Os folículos têm um tamanho normal e a pele geralmente não apresenta manchas (GERSON et al., 2011c). A pele normal tem hidratação, tônus muscular e resiliência perfeitos, produzidos pela umidade e pelos tecidos adiposos, há uma intensa atividade biológica na camada basal, a circulação sanguínea é ativa e o metabolismo equilibrado, a pele normal tem uma aparência macia, hidratada, carnuda, suave e nova, além de apresentar brilho e cor saudáveis. A camada córnea tem uma textura fina e não há rugas, linhas ou poros abertos visíveis (MICHALUN; MICHALUN, 2010). 18 O envelhecimento em virtude da passagem do tempo, exposição ao sol e outros elementos externos, como clima rigoroso, desidratação e cuidados insuficientes constituem o principal fator de deterioração da pele normal. Existem outros fatores que incluem como, consumo insuficiente de água, dieta inadequada etc. É apropriada proteção contra a oxidação causada pelos radicais livres, o uso consistente de hidratantes e protetores durante o dia ajudam a impedir a perda de umidade. Biotipo cutâneo – Eudérmica • Óstios: finos • Espessura: normal • Coloração: normal • Textura: normal • Brilho: natural • Fatores climáticos: resistentes • Suporta contato com sol, sabões e detergentes. Pele Mista A pele mista pode ser oleosa e seca, ou oleosa e normal ao mesmo tempo. A zona T no centro do rosto é mais oleosa. Essa área possui maior número de glândulas sebáceas e óstios maiores. As áreas externas do rosto podem ser normais ou secas e apresentar descamação por causa da desidratação ou do acúmulo de células mortas (GERSON et al., 2011c). Biotipo cutâneo – Mista • Óstios: profundos e visíveis na zona T e pouco visíveis no resto do rosto • Espessura: normal • Coloração: normal • Textura: suave • Brilho: normal • Fatores climáticos: resistentes • Níveis de hidratação aparentemente e uniformes. 19 As características descritas acima são de grande utilidade para você conseguir avaliar corretamente a pele de seu cliente. No início, você pode questionar sobre estas características ao seu cliente para confirmar a sua avaliação. 20 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) O documento intitulado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi criado nos primórdios da bioética, devido à preocupação que existia com as pesquisas realizadas com seres humanos. Essa apreensão perdura até os dias atuais e ocupava lugar de destaque nas discussões das pesquisas cientificas. (SAKAGUTI, TRINDADE, 2007). O primeiro relato sobre a utilização do TCLE foi um documento elaborado para estabelecer uma relação entre o pesquisador e o pesquisado. O registro é datado em 19 de outubro de 1833. O médico estadunidense, Willian Beaumount (1785-1853) realizou seus trabalhos com o consentimento de Alexis St. Martin. Esse apresentava um ferimento provocado por arma de fogo, no qual era possível observar o seu estômago (SAKAGUTI; TRINDADE, 2007). No documento firmado entre as partes, ficou estabelecido que o médico fosse custear todas as despesas do pesquisado, além disso, forneceria uma remuneração no valor de U$ 150,00. O estudo durou um ano e sofreu fortes críticas éticas pela forma como foi desenvolvido, pois o pesquisado não recebeu todas as informações necessárias e o seu envolvimento com o experimento não aconteceu de forma voluntária. No entanto, esse relato é considerado o vanguardista do TCLE (MINOSSI, 2011). Durante a história da bioética, observamos que nem sempre houve uma preocupação com o participante de um experimento ou até mesmo de um procedimento médico. Existe uma infinidade de relatos com o desrespeito causado por cientistas ou médicos que não se preocupavam com a autonomia das pessoas. Esses fatos envolviam dor, sofrimento, humilhação e até mesmo mortes. O perfil das pessoas que tinham sua autonomia privada eram prisioneiros de guerra, pobres, escravos e condenados à morte (SAKAGUTI; TRINDADE, 2007). Foi somente a partir do Código de Nuremberg que o consentimento voluntário passou a ser tratado com uma prerrogativa dos pesquisados. Em seu artigo 1º, o código destaca que o consentimento voluntário do ser humano é extremamente essencial para o desenvolvimento de uma pesquisa. No entanto, vários médicos e cientistas não respeitam essa diretriz. O motivo seria a associação que muitos 21 profissionais faziam com os crimes cometidos durante a guerra, com isso, suas penalidades ou exigências não valeriam para as pesquisas realizadas no pós-guerra (SAKAGUTI; TRINDADE, 2007). Também podemos destacar a Declaração Universal dos Direitos do Humanos que foi assinada em dezembro de 1948, na cidade de Paris, representando a primeira tentativa da humanidade em estabelecer paramentos humanitários válidos para todos os habitantes do planeta, independente de cor, sexo, classe social, religião, língua, entre outros. (SAKAGUTI, TRINDADE, 2007). No fim dos anos 1950, nos Estados Unidos, vários pacientes começaram a denunciar pesquisadores que omitiram informações a respeito dos procedimentos. Porém, foi somente a partir da década de 1960 com a Declaração de Helsinque que os consentimentos passaram a receber uma análise mais detalhada (SAKAGUTI, TRINDADE, 2007). Por fim, em 1993, ocorreu à criação das “Diretrizes Éticas Internacionais para Pesquisas Biomédicas Envolvendo Seres Humanos”. Esse documento promoveu uma valorização dos TCLE em todas as pesquisas com seres humanos (SAKAGUTI, TRINDADE, 2007). Aplicação do TCLE no Brasil No Brasil, a regulamentação do TCLE começou com a produção de 2 documentos elaborados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) – Resolução no 1.081, de 12 de março de 1982 – e peloMinistério da Saúde na década de 1980 – Portaria no 16, de 27 de novembro de 1981. Esses documentos estabeleceram as normas para a utilização do TCLE nos primórdios na década de 1980 (MINOSSI, 2011). Durante a primeira Conferência Brasileira de Bioética, realizada em julho de 1996, foi confirmado que na pesquisa brasileira muitos pesquisados raramente eram informados ou até mesmo perguntados se gostariam de participar de um estudo. Devido a isso, o Conselho Nacional de Saúde revisou as normas éticas para a realização de pesquisas com seres humanos no país, estabelecidas pela Resolução no 1/1988. Essa resolução foi formulada no ano de 1988 e estabelece que todas as pessoas que participavam de pesquisa em território brasileiro deveriam ser 22 informadas por escrito de todos os riscos e objetivos do estudo. Coloca também que os participantes teriam a sua autonomia respeitada, para decidir se iriam ou não participar do estudo. (HARDY et al., 2002). Com isso, uma comissão do Conselho Nacional de Saúde foi formada e ouviu diferentes nichos da população para elaborar um documento detalhado e abrangente. Ao fim do processo, a Resolução no 196/1996, sobre Pesquisas Envolvendo Seres Humano, foi publicada e encontra-se atualmente em vigor (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1996). A expressão termo de consentimento livre e esclarecido é uma tradução dos termos da língua francesa consentement livre et ésclaire, que por sua vez deriva da expressão inglesa informed consent (SAKAGUTI; TRINDADE, 2007). As instruções presentes na Resolução no 196/1996 relata que todas as pesquisas que utilizam seres humanos, independente da área de atuação, devem submeter seu estudo a um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Devido a isso, todas as instituições brasileiras que realizam esse tipo de pesquisa foram obrigadas a construir um CEP. Na impossibilidade de uma instituição construir um CEP, ela deve submeter seus trabalhos ao CEP de outro centro, preferencialmente, o CEP de uma faculdade, universidade, instituto de pesquisa ou outro órgão que possui indicação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP/MS) para realização dos seus trabalhos (Hardy et al., 2002). Ademais, o TCLE deve ser submetido ao CEP de acordo com as diretrizes da resolução no 196/1996. O comitê irá avaliar se o TCLE esclarece os pontos principais da pesquisa e se permite que o indivíduo pesquisado apresente autonomia e voluntariedade para tomar sua decisão. No entanto, em procedimentos médicos ou biomédicos que são realizados dentro do consultório, não se faz necessário que o TCLE passe pela aviação de um CEP, porque não está sendo realizada uma pesquisa cientifica. Porém, é de extrema importância que o documento seja avaliado por um advogado especialista em ética, para garantir que esteja redigido de acordo com os princípios éticos, além de garantir a idoneidade do documento. Aspectos legais do TCLE De acordo com a resolução no 196/1996, o TCLE deve ser preenchido em 2 23 vias. O documento deve conter a identificação do participante de uma pesquisa e/ou paciente, do representante legal (caso haja), nome do pesquisador e/ou biomédico(a) esteta, data e assinatura de todos em todas as folhas. Uma via fica com paciente e/ou pesquisado e a outra é arquivada pelo profissional (SAKAGUTI; TRINDADE, 2007). Uma das finalidades do TCLE é servir como uma peça contratual entre o profissional e o paciente, conforme os princípios jurídicos, defendendo os direitos das partes envolvidas na causa junto à justiça e no conselho de classe do profissional (SAKAGUTI; TRINDADE, 2007). Por outro lado, de acordo com uma vertente, o TCLE é um documento informativo e esclarecedor. Por isso, não deveria ser utilizado com instrumento de defesa do profissional, pois, para muitos profissionais da saúde que trabalham com procedimentos minimamente invasivos (injetáveis), essas táticas são vistas como um desvio da prática sensata, induzida principalmente por profissionais incompetentes, devido ameaça de processos por negligência profissional. Além disso, apesar de o paciente ter assinado o TCLE concordando com o tratamento, nada impede que ele entre na justiça e processe o esteta em casos de erros ou falta de assistência por parte do profissional (MINOSSI, 2011). Caso o biomédico queira utilizar as imagens do paciente em algum congresso ou artigo cientifíco, é necessário uma autorização especial ou “Autorização do Uso de Imagem”, que pode estar embutida em um item dentro do TCLE. Nessa autorização, deve estar escrito a maneira pela qual as imagens serão utilizadas e como a identidade do paciente será preservada (SAKAGUTI; TRINDADE, 2007). Elaboração do TCLE De acordo com as normas da resolução no 196/1996, o TCLE é um documento elaborado pelo pesquisador ou biomédico(a) e precisa ter a assinatura ou impressão digital do paciente e/ou responsável legal e visto do profissional. Em alguns casos, também é utilizado a assinatura de uma testemunha para dar mais credibilidade ao documento. Além disso, o termo precisa ser elaborado em uma linguagem acessível, de preferência sem a utilização de termos técnicos, e deve apresentar os seguintes itens: (SILVA et al., 2005; SAKAGUTI; TRINDADE, 2007; 24 MINOSSI, 2011). • Título (nome do procedimento que será realizado). • Introdução do experimento ou tratamento. • Objetivos (finalidade do procedimento). • Metodologia (descrever a técnica que será utilizada). • Complicações ou riscos que o tratamento possui (pré-tratamento, durante, após). • Benefícios esperados. • Orientações para o pós-procedimento. • Informações do profissional, tais como: nome completo, telefone, endereço da clínica, número do CRBM. • Identificação do paciente (nome, CPF, RG, endereço). • Data, cidade e estado em qual foi realizado o tratamento; • Garantia de esclarecimento a qualquer momento sobre o tratamento ao paciente. • Preservação da identificação do paciente, caso o profissional queira usar as imagens do tratamento em revistas, artigos, congressos, entre outros, Mediante autorização do uso de imagem. • Assinatura ou impressão digital das partes envolvidas (paciente, biomédico(a) e testemunha). • Declaração que as informações prestadas foram efetivamente entendidas. Para tornar a compressão do texto do TCLE mais fácil, é imprescindível seguir as seguintes orientações (ARAUJO et al., 2010): • Elaborar frases curtas, com palavras de fácil entendimento, Facilitando dessa maneira a localização do paciente sobre temática do TCLE. • Ser direto e breve na redação do texto, Para que o paciente possa ler todo o TCLE e absorver todas as informações necessárias. • Formular todo o texto em linguagem leiga. Ou seja, utilizar expressões que são comuns à população e a linguagem biomédica. • Colocar as informações mais importantes no começo do parágrafo, facilitando a absorção do conteúdo mais importante. 25 • Elaborar frases na ordem direta e na voz ativa. • Citar os benefícios do tratamento antes dos malefícios que ele pode causar. • Evitar o uso de adjetivos e eufemismo. • Utilizar títulos e subtítulos em destaque, para introduzir melhor o assunto abordado no TCLE e facilitar a compreensão. 26 RESPONSABILIDADE CIVIL E REGULAMENTAÇÃO DAS CLÍNICAS DE ESTÉTICAS A responsabilidade civil é definida como um direito de reparar um dano que uma pessoa causa a outra. O causador do dano sofrido pode pedir na justiça reparaçãopelo malefício causado a ele. Essa norma é baseada pelo princípio de que ninguém pode lesar o interesse ou direito de outro indivíduo. Isto é descrito no artigo 927 do Código Civil, que diz: “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”. Já os artigos 186 e 187 relatam (OLIVEIRA, 2008): • Art 186: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito (ANGHER, 2015). • Art 187: Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes (ANGHER, 2015). Além disso, o parágrafo único do artigo 927 do Código Civil relata que: “haverá obrigação de reparar o dano independentemente de culpa”. Ou seja, a culpa não é um fator primordial do código, essenciais são a conduta humana, o dano ou lesão realizada e vínculo de causalidade entre a conduta e o dano (ANGHER, 2015). Na responsabilidade civil, a culpa é designada quando o executor do malefício não possuía a intenção de provocá-lo, porém, devido à imprudência, imperícia e negligência, causou um dano e deve repará-lo. A imprudência acontece devido à precipitação do profissional, quando por falta de medidas de prevenção e atenção na realização de determinado procedimento, causa um dano ou lesão ao paciente. A imprudência ocorre quando o biomédico(a) esteta não possui prática ou conhecimento teórico para a realização do procedimento. Já a imperícia acontece quando o executor acredita que possui todos os conhecimentos teóricos e práticos para a execução do tratamento, no entanto, ele não está preparado pela inexistência de conhecimento, aptidão, capacidade e competência. Por fim, a negligência é definida quando o biomédico(a) esteta não toma os cuidados necessários, não assiste a realização do procedimento com a devida cautela e diligência, agindo com total descuido (OLIVEIRA, 2008). 27 Quando a existência de um dos fatores supracitados for comprovada em algum procedimento estético, fica caracterizada a culpa do agente. Ou seja, o biomédico(a) deverá reparar o malefício causado ao paciente, pois sem a intenção acabou por provocar um dano ou lesão. Por outro lado, há a possibilidade de a responsabilidade civil ser excluída quando a culpa pelo malefício for do próprio paciente, a lesão adquirida ter sido ocasionada por terceiros, por caso fortuito ou força maior e cláusula de não indenizar (OLIVEIRA, 2008). Isto é, a culpa do paciente acontece quando o dano realizado for ocasionado pelo próprio paciente. Exemplo: o biomédico(a) esteta recomenda que o paciente não tome sol após o CO2 fracionado ou peeling para evitar manchas, não obstante, o paciente não segue as recomendações. Terceiros causam algum tipo de maléfico ao paciente que compromete o tratamento. E caso fortuito ou de força maior sucede quando procede de efeitos imprevistos ou inevitáveis. Esses princípios estão listados no Código Civil, artigo 393 (OLIVEIRA, 2008). • Art 393: o devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caos fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado (ANGHER, 2015). ➢ Parágrafo único do Art 393: o caso fortuito ou força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir (ANGHER, 2015). No caso do biomédico (a) esteta, o tipo de dano mais evidente que pode provocar é o dano estético que lesa a beleza física do paciente, comprometendo a harmonia corporal. Este tipo de lesão pode ser permanente, o que impossibilita a correção do malefício. Ademais, o dano estético em muitos casos, vem acompanhado de lesões morais ou materiais, por isso elas são consideradas eventos complexos que devem ser analisadas não somente no âmbito estético, mas também em relação à expectativa criada pelo procedimento que não foi correspondida (OLIVEIRA, 2008). A lesão estética no paciente provoca sofrimento, pois esse esperava uma alteração positiva da sua aparência sem a modificação física maléfica. Não obstante, essa modificação ocasiona no paciente uma dor moral, além de uma alteração física 28 desagradável (OLIVEIRA, 2008). Exemplos: cicatrizes, hipercromias, hipocromias, entre outros. Com a publicação do Código de Defesa do Consumidor, pela Lei no 8.078/1990, os profissionais liberais da saúde e estabelecimentos que prestam serviço, tais como: clínicas, consultórios, hospitais e laboratórios, passaram a ser equiparados a prestadores de serviços da saúde. O biomédico(a) prestador de serviços liberais é aquele que presta serviços diretamente ao paciente no consultório. Já o prestador de serviços empresarial é aquele que presta serviços em ambientes empresariais, tais como: clínicas, hospitais, laboratórios. O artigo 14, § 4º, relata a responsabilidade civil desses profissionais (OLIVEIRA, 2008). • Art. 14. O fornecedor de serviços responde independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos (ANGHER, 2015). ➢ § 4º A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação da culpa (ANGHER, 2015). Logo, há a necessidade de provar que existiu culpa por parte do profissional. Não obstante, fica implícita a possibilidade de inversão do ônus de prova devido à hipossuficiência do paciente em relação ao profissional da saúde (CDC, Art. 6 o, inciso VIII) (OLIVEIRA, 2008). • Art. 6o São direitos básicos do consumidor (ANGHER, 2015): ✓ VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências (ANGHER, 2015). Por fim, ressaltamos que é de extrema importância que o biomédico(a) esteta consulte um advogado especializado nesta área antes de começar a exercer sua profissão, para que as dúvidas do âmbito jurídico sejam elucidadas. Ademais, as informações repassadas nesta unidade são baseadas nas sanções empregadas aos 29 médicos, tendo em vista que até o presente momento não existem condutas específicas aos biomédicos(as) estetas. Documentação exigida e aspectos legais para abertura de clínica de estética O primeiro passo para abertura de uma clínica de estética é a contratação de um contador. Esse profissional está devidamente habilitado para elaborar os atos constitutivos da empresa, além de auxiliar o biomédico(a) esteta na escolha da forma do tipo de empresa que mais se adequada para o projeto, no preenchimento dos formulários exigidos pelos órgãos que realizam a inscrição de pessoas jurídicas e ceder informações sobre a legislação tributária pertinente ao negócio. Ademais, para legalizar uma clínica de estética, faz-se necessário procurar os órgãos governamentais específicos que regulamentam o funcionamento desses estabelecimentos. As fases do registro empresarial são os seguintes: 1) Registrar a empresa nos órgãos: • Junta comercial; • Corpo de Bombeiros Militar; • Secretária da Receita Federal (CNPJ); ›Secretária Estadual da Fazenda; Cadastramento na Caixa Econômica Federal no sistema “Conectividade Social – INSS FGTS; • Cadastramento na prefeitura do município onde a empresa a clínica será sediada para obtenção do alvará de funcionamento; • Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (a empresa ficará obrigada ao recolhimento anual de ContribuiçãoSindical Patronal). 2) Visitar a prefeitura da cidade sede da clínica para fazer a consulta local. 3) Obter o alvará de licença sanitária e adequar às instalações físicas do imóvel de acordo com as regulamentações do Código Sanitário. No âmbito federal, a fiscalização das normatizações do código de responsabilidade é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), já na esfera estadual a responsabilidade é da Secretária Estadual e da Secretária Municipal de Saúde. 4) Registrar a clínica no Conselho Regional de Biomedicina responsável pela 30 jurisdição do estado no qual o empreendimento foi fundado. O biomédico(a) esteta também deve consultar as portarias municipais e estaduais que fiscalizam e regularizam o setor de clínicas de estéticas na cidade e estado de origem. A fiscalização federal é realizada pela ANVISA e a seguir estão listadas algumas portarias federais: • Resolução no 5.186, de 20 de novembro de 2009: determinar, como medida de interesse sanitário, a suspensão, em todo território nacional, de propagandas de equipamentos para bronzeamento artificial PARADISO E DORATA, com registros vencidos junto à ANVISA, veiculados pelo site. • Resolução no 5.185, de 20 de novembro de 2009. D.O.U no 222, de 20/11/2009: determinar, como medida de interesse sanitário, a suspensão, em todo território nacional, das propagandas do produto PLATAFORMA POWER PLATE, sem registro junto à ANVISA, veiculadas pelo site. • Resolução nº 51, de 24 de março de 2003: classifica os aparelhos ativos, eletro estimuladores, para utilização em educação física, embelezamento e correção estética na classe de risco II, regra nove, conforme previsto pelo parágrafo único do art. 1º da RDC no 185, de 22 de outubro de 2001. • Lei no 6.360, de 23 de setembro de 1976: dispõe sobre a vigilância sanitária de medicamentos, drogas, cosméticos, saneantes e outros. Além disso, toda empresa que presta serviços ou fornece algum tipo de produto precisam observar e respeitar as regras que compõem o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que foi publicado em 11 de setembro de 1990, e regulariza as regras que compõe a relação entre consumidor e fornecedores. 31 REFÊRENCIAS BIBLIOGRÁFICAS AHN, K.Y.; PARK, M.Y.; PARK, D.H.; HAN, D.G. Botulinum toxin A for the treatment of facial hyperkinetic wrinkle lines in Koreans. Plast Reconstr Surg, 2000; 105(2):778 84. ANDERSON R.R. In vivo fiuorescence of human skin. A potential marker of photoaging (letter). Arch Dermatol, 1989;125:999-1000. ANGHER AJ. Vade Mecum Acadêmico de Direito Ridell. 20ª Ed. São Paulo: Rideel, 2015. ANJOS, L.A. Índice de massa corporal como indicador do estado nutricional de adultos: revisão da literatura. Rev Saúde Pública, 1992: 26(6): 431-6. ARANTES, P. Protocolos Estéticos, 2013. Revista Negócio Estética. ARAUJO, D.V.P.; CAMPOS, E.L.; ZOBOLI, P.; MASSAD, E. 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