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����������Relatório - Plano de Aula ��14/08/2012 23:43 ����������� ����������Página: � PAGE �32�/� NUMPAGES �41� ����������������������� Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 1 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Compreender a ementa da disciplina e o Plano de Curso; - Reconhecer a importância da disciplina para a atividade jurídica em geral; - Identificar as partes que compõem algumas das peças processuais e relacioná-las às disciplinas de Português Jurídico, pelo viés da Teoria Tridimensional do Direito. - Compreender a relevância dos fatos do caso concreto para a aplicação do direito objetivo. TEMA Estrutura das peças processuais e Teoria Tridimensional do Direito: contribuição das disciplinas de Português Jurídico. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Apresentação da ementa da disciplina 2. Estrutura textual das peças processuais 2.1. Parte narrativa 2.2. Parte argumentativa 2.3. Parte injuntiva 3. Teoria Tridimensional do Direito Contribuição das disciplinas de Português Jurídico para a produção de peças processuais PROCEDIMENTO DE ENSINO Ao longo do semestre, trabalharemos, preferencialmente, casos da área cível, entretanto, para a primeira aula, escolhemos um tema de direito penal porque nossos alunos já estudam essa disciplina e isso facilitaria uma primeira interação com eles. A intenção é apresentar o programa de nossas disciplinas de forma inovadora e inteligente, sem a previsível organização linear da ?lista de conteúdos? e da ementa. O principal objetivo da estratégia é criar um contexto de persuasão sobre a importância das disciplinas de português jurídico para a formação dos profissionais de direito. Se julgar pertinente, leve textos que tratem da valorização do português jurídico na atualidade. Não pretendemos uma abordagem jurídica dos tipos penais relativos à ofensa ao bem jurídico vida, mas a compreensão de que são os fatos do caso concreto que determinam a necessidade de tantos tipos penais para tipificar a conduta ?matar alguém?. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Sabemos que uma das expectativas dos estudantes do Curso de Direito é iniciar, quanto antes, a produção das principais peças processuais, em especial a petição inicial. As disciplinas Teoria e Prática da Narrativa Jurídica (segundo período), Teoria e Prática da Argumentação Jurídica (terceiro período) e Teoria e Prática da Redação Jurídica (quarto período) pretendem, juntas e progressivamente, ajudar você a desenvolver todas as habilidades e competências necessárias à consecução dessa tarefa, em especial: a) organização das idéias; b) seleção e combinação de informações; c) produção convincente dos argumentos; d) identificação das características estruturais de cada peça; e) redação em conformidade com a norma culta da língua etc. Para isso, é necessário, em primeiro lugar, identificar a macroestrutura linguística da peça, bem como os requisitos impostos pelo art. 282 do CPC: Art. 282 do CPC ? A petição inicial indicará: Inciso I-o juiz ou tribunal, a que é dirigida; Inciso II-os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e do réu; Inciso III-o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; Inciso IV-o pedido, com as suas especificações; Inciso V-o valor da causa; Inciso VI-as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; Inciso VII-o requerimento para a citação do réu. No mesmo sentido, vejamos quais os requisitos exigidos, por exemplo, para a sentença. Art. 458 do CPC ? São requisitos essenciais da sentença: Inciso I-O relatório, que conterá os nomes das partes, a suma do pedido e da resposta do réu, bem como o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; Inciso II-Os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; Inciso III-O dispositivo, em que o juiz resolverá as questões, que as partes lhe submeterem. Esses dois documentos ? bem como outros ? mostram-nos que há uma regularidade na organização das peças processuais: são indispensáveis a narrativa dos fatos importantes da lide, a fundamentação de um ponto de vista e aplicação da norma, em forma de pedido, decisão, etc. Não importa se a narrativa dos fatos será denominada ?dos fatos? (petição inicial) ou ?relatório? (sentença, parecer, acórdão). Também não cabe, neste momento, nomear a parte argumentativa como ?do direito? (petição inicial) ou fundamentação (parecer). Pretendemos apenas, nesta primeira aula, como já dissemos, que o estudante de Direito perceba que as peças processuais seguem, independente de suas peculiaridades, uma estrutura regular: narrar, fundamentar e pedir. Essa estrutura não existe sem motivação. Uma proposta teórica, internacionalmente conhecida, chamada Teoria Tridimensional do Direito, do jusfilósofo brasileiro Miguel Reale, defende que o Direito compõe-se de três dimensões: FATO, VALOR e NORMA. E como a universidade pensou as disciplinas de Português Jurídico diante dessa perspectiva? Adiante, uma síntese do que se pretende em cada matéria. Em Teoria e Prática da Narrativa Jurídica (segundo período), serão estudadas com profundidade todas as questões relativas à produção do texto narrativo, primeira dimensão do direito, que consiste na exposição de todos os fatos importantes para a adequada solução da lide. Teoria e Prática da Argumentação Jurídica (terceiro período) terá como objeto principal de estudo a Teoria da Argumentação, segundo a proposta de Chaïm Perelman, oportunidade em que as técnicas e estratégias para a produção do texto jurídico-argumentativo e a respectiva aplicação da norma serão minuciosamente analisadas. Por meio dos tipos de argumento, e todos os demais recursos linguísticos e discursivos disponíveis ao profissional do direito, o aluno será estimulado a defender as teses que julgar adequadas. Por fim, em Teoria e Prática da Redação Jurídica (quarto período), não mais produziremos isoladamente as partes narrativa ou argumentativa, mas uma peça inteira. Elegemos o parecer técnico-formal especialmente porque não será necessária capacidade postulatória para redigi-lo, ou seja, mesmo não sendo ainda advogado, em princípio, já se pode produzir esse documento com validade processual. Motivado por essa explicação, leia os casos concretos que seguem e responda à questão. Caso concreto 1 O caso ocorreu em Teresópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro, no ano de 2005. Uma mulher de 36 anos, desempregada, estava casada com um mecânico, também desempregado. Os dois moravam em um barraco de 10 metros quadrados, junto com seus três filhos. O mais velho tinha seis anos de idade; o filho do meio, quatro; o caçula, um ano e meio. É importante mencionar que essa mulher, Marcela, estava gestando o quarto filho. No mês de fevereiro daquele ano, em decorrência das fortes chuvas, um deslizamento de terra arrastou, ladeira abaixo, o lar em que vivia essa família. A mãe conseguiu salvar os dois filhos mais velhos, entretanto o caçula, ainda aprendendo a andar, não conseguiu sair a tempo. Morreu soterrado. Por tudo o que aconteceu, Marcela entrou em trabalho de parto. Chegou ao hospital público mais próximo e foi submetida a uma cesariana. Assim que ouviu o choro do bebê, prematuro, pediu para segurá-lo um pouco no colo. A enfermeira o permitiu. Marcela beijou a criança e jogou-a para trás. O menino caiu no chão, sofreu traumatismo craniano e morreu. Perguntada por que tomara aquela atitude, disse que não gostaria que seu filho passasse por tudo o que os demais estavam passando: fome e miséria. Um exame realizado no Instituto Médico Legal apontou que Marcela não se encontrava em estado puerperal[1] no momento em que matou o próprio filho. Caso concreto 2 Este segundo caso ocorreu em São Paulo. A secretária Adriana Alves engravidou do namoradoe, sem saber explicar por qual motivo, não contou o fato para ele; também não contou para mais ninguém. Seus pais, com quem morava, não sabiam de sua gravidez. Não compartilhou esse segredo com amigas ou colegas de trabalho. Definitivamente, ninguém conhecia a gestação de Adriana. Com o passar dos meses, Adriana não recebeu qualquer tipo de acompanhamento ou cuidado pré-natal especial; escondia a barriga com cintas e usava roupas largas. No mês de dezembro de 2006, quando participava de uma festa de final de ano, no escritório em que trabalha, sentiu-se mal e foi para casa. Sua intenção era realizar o parto sozinha e jogar a criança em um rio próximo à sua casa. Ocorre, porém, que o parto não transcorreu tranquilamente. Adriana teve complicações e teve de puxar à força a criança. Depois, matou-a afogada na bacia de água quente que separou para realizar o parto. Para se livrar da justiça, jogou a criança, já morta, no rio, enrolada em um saco preto. Muito debilitada, foi a um hospital buscar ajuda para si, mas não soube explicar o que aconteceu. Após breve investigação da Polícia, Adriana confessou tudo o que fizera. Exames comprovaram que ela estava sob o estado puerperal. Questão a) Vimos que, em ambos os casos, as acusadas praticaram o mesmo fato (conduta), qual seja, ?matar alguém?. Entretanto, o Código Penal prevê diversos tipos penais para essa conduta, a depender das circunstâncias como o fato foi praticado. Produza uma ?tabela? como a do exemplo abaixo. Indique, pelo menos, cinco artigos. Dispositivo: art. 157, § 3º do CP (latrocínio) Transcrição: art. 157: Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. §3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa. Comentário das especificidades: o agente tem o dolo de matar e de roubar. Nessa hipótese, o roubo é o crime-fim, enquanto o homicídio é crime-meio. Dispositivo: art. 129, §3º do CP (lesão corporal seguida de morte) Transcrição: art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. § 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o resultado, nem assumiu o risco de produzí-lo: Pena - reclusão, de quatro a doze anos. Comentário das especificidades: o agente pratica a lesão corporal de maneira dolosa e o homicídio de maneira culposa, ou seja, trata-se de um crime preterdoloso: dolo no antecedente e culpa no consequente. b) Ao perceber que as circunstâncias como a conduta é praticada influenciam substancialmente o crime imputado ao agente, o profissional do direito deve estar atento para selecionar todas as informações que não podem deixar de constar de sua exposição dos fatos. Identifique nos dois casos concretos quais informações não podem deixar de ser narradas e as indique em tópicos. c) Quais crimes praticaram Marcela e Adriana? Defenda seus pontos de vista em um parágrafo. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 2 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Reconhecer as peças processuais como ?gênero textual? distinto; - Identificar os tipos textuais narrativo, descrito, dissertativo argumentativo e injuntivo nas peças processuais; - Compreender a interdependência desses tipos textuais e qual a sua contribuição para a competência redacional das peças processuais. TEMA Gênero e tipologia textuais nas peças processuais. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Gênero textual 2. Tipologia textual 2.1. Texto narrativo 2.2. Texto descritivo 2.3. Texto argumentativo 2.4. Texto injuntivo 3. Peças processuais e utilização dos diversos tipos textuais PROCEDIMENTO DE ENSINO Recomendamos ao professor que explique aos alunos cada um dos tipos textuais e aplique esse conteúdo a diversas peças processuais. Seria interessante utilizar modelos de peças disponíveis na Internet ou em manuais de redação jurídica. Pedimos, porém, que seja evitada a explicação pela aula expositiva clássica. Não podemos desconsiderar que a universidade adotou a metodologia do caso concreto em que o conteúdo pertinente à aula deve ser progressivamente apresentado à medida que a análise dos casos concretos/fragmentos de texto vai se desenvolvendo. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA No Direito, é de grande relevância o que se denomina tipologia textual: narração, descrição, dissertação. O que torna essa questão de natureza textual importante para o direito é sua utilização na produção de peças processuais como a petição inicial, que apresenta diferentes tipos de texto, a um só tempo. Para melhor compreender essa afirmação, observe o esquema da petição inicial e perceba como essa peça pertence a um tipo textual híbrido do discurso jurídico, o que exige do profissional do direito o domínio pleno desse conteúdo. INSERIR AQUI O ANEXO 1 Questão 1 Identifique a tipologia textual predominante em cada um dos fragmentos listados e justifique sua resposta com elementos do próprio texto. Fragmento 1 O presente estudo propõe trazer reflexões acerca do aborto, ou interrupção da gestação, de fetos anencefálicos, aos quais correspondem aos fetos com malformação genética que impossibilita o desenvolvimento do encéfalo e, por isso, acarreta um mau prognóstico do mesmo; Deste modo, sugere-se ponderar os princípios jurídicos fundamentais, como o direito à vida do feto e à saúde, em sua totalidade, da gestante, e a criação de uma política pública de saúde que proporcione suporte científico ao magistrado. No primeiro capítulo, em um breve histórico relevante, pretende-se abordar a aceitabilidade social e jurídica do aborto em diferentes contextos e sociedades, bem como, enfocar a criminalização do aborto como meio de proteção à vida intra-uterina. No segundo capítulo, serão discutidas as condições jurídicas do nascituro, ou seja, se a ele são atribuídos direitos e deveres enquanto sujeito de direitos, delineando diferentes teorias que versam acerca de tal temática. Ainda, no mesmo capítulo, serão apresentadas sucintas considerações acerca do direito à vida enquanto direito fundamental. (...) (Monografia apresentada por Leonardo José da Rocha Rezende ao Curso de Preparação à Carreira da Magistratura da EMERJ. Orientadores: Ricardo Martins e Néli Cavalieri Fetzner. Disponível em: <http://www.emerj.tjrj.jus.br/paginas/biblioteca_videoteca/monografia/ Monografia_pdf/2012/LeonardoRezende_Monografia.pdf>. Acesso em: 01 jul. 2012.) Fragmento 2 A perspectiva analítica adotada parte do pressuposto de que um dos fatores que alimentam dissensos reside na lógica do contraditório presente na prestação jurisdicional e em todo o campo do Direito brasileiro, tanto em suas manifestações práticas, como nas teóricas e doutrinárias. A origem desta lógica, tanto quanto registra a história do saber jurídico, já era encontrada nos exercícios de contradicta realizados nas primeiras universidades que ministraram o ensino jurídico durante a Idade Média, particularmente na Itália, berço europeu deste ensino (Berman, 1983). Por ser constituída de argumentação infinita, a lógica do contraditório necessita da manifestação de uma autoridade que a interrompa para que seja dada continuidade aos procedimentos judiciais nos tribunais brasileiros. (...) (Rafael Mario Iorio Filho e Hustana Vargas. Controle Social e Representações: a polifonia sobre o ECA nas escolas cariocas. Disponível em: <http://www.foxitsoftware.com>. Acesso em: 01 jul. 2012.) Fragmento 3 O caso ocorreu em Teresópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro, no anode 2005. Uma mulher de 36 anos, desempregada, estava casada com um mecânico, também desempregado. Os dois moravam em um barraco de 10 metros quadrados, junto com seus três filhos. O mais velho tinha seis anos de idade; o filho do meio, quatro; o caçula, um ano e meio. É importante mencionar que essa mulher, Marcela, estava gestando o quarto filho. No mês de fevereiro daquele ano, em decorrência das fortes chuvas, um deslizamento de terra arrastou, ladeira abaixo, o lar em que vivia essa família. A mãe conseguiu salvar os dois filhos mais velhos, entretanto o caçula, ainda aprendendo a andar, não conseguiu sair a tempo. Morreu soterrado. Por tudo o que aconteceu, Marcela entrou em trabalho de parto. Chegou ao hospital público mais próximo e foi submetida a uma cesariana. Assim que ouviu o choro do bebê, prematuro, pediu para segurá-lo um pouco no colo. A enfermeira o permitiu. Marcela beijou a criança e jogou-a para trás. O menino caiu no chão, sofreu traumatismo craniano e morreu. (...) (Plano de aula 1 desta disciplina) Fragmento 4 "De acordo com a inicial de acusação, ao amanhecer, o grupo passou pela parada de ônibus onde dormia a vítima. Deliberaram atear-lhe fogo, para o que adquiriram dois litros de combustível em um posto de abastecimento. Retornaram ao local e enquanto Eron e Gutemberg despejavam líquido inflamável sobre a vítima, os demais atearam fogo, evadindo-se a seguir. Três qualificadoras foram descritas na denúncia: o motivo torpe porque os denunciados teriam agido para se divertir com a cena de um ser humano em chamas, o meio cruel, em virtude de ter sido a morte provocada por fogo e uso de recurso que impossibilitasse a defesa da vítima, que foi atacada enquanto dormia. A inicial, que foi recebida por despacho de 28 de abril de 1997, veio acompanhada do inquérito policial instaurado na 1ª Delegacia Policial. Do caderno informativo constam, de relevantes, o auto de prisão em flagrante de fls. 08/22, os boletins de vida pregressa de fls. 43 a 45 e o relatório final de fls. 131/134. Posteriormente vieram aos autos o laudo cadavérico de fls. 146 e seguintes, o laudo de exame de local e de veículo de fls. 172/185, o exame em substância combustível de fls. 186/191, o termo de restituição de fls. 247 e a continuação do laudo cadavérico, que está a fls. 509. O Ministério Público requereu a prisão preventiva dos indiciados. A prisão em flagrante foi relaxada, não configurada a hipótese de quase flagrância, por não ter havido perseguição, tendo sido os réus localizados em virtude de diligências policiais. [...] (Disponível em: http://jus.uol.com.br/revista/texto/16291/o-caso-do-indio-pataxo -queimado-em-brasilia. Acesso em: 10 de dezembro de 2010) Fragmento 5 A televisão tem uma grande influência na formação pessoal e social das crianças e dos jovens. Funciona como um estímulo que condiciona os comportamentos, positiva ou negativamente. A televisão difunde programas educativos edificantes, tais como o Zig Zag, os documentários sobre Historia, Ciências, informação sobre a atualidade, divulgação de novos produtos… Todavia, a televisão exerce também uma influência negativa, ao exibir modelos, cujas características são inatingíveis pelas crianças e jovens em geral. As suas qualidades físicas são amplificadas, os defeitos esbatidos, criando-se a imagem do herói / heroína perfeitos. Esta construção produz sentimentos de insatisfação do eu consigo mesmo e de menosprezo pelo outro.A violência é outro aspecto negativo da televisão, em geral. As crianças/jovens tendem a imitar os comportamentos violentos dos heróis, o que pode colocar em risco a vida dos mesmos. O mesmo acontece com o visionamento de cenas de sexo. As crianças formam uma imagem destorcida da sua sexualidade, potenciando a pratica precoce de sexo e suscitando distúrbios afetivos. Em jeito de conclusão, é legítimo que se imponha às estações de televisão uma restrição de exibição de material violento ou desajustado à faixa etária nas suas grelhas de programação, dado que a exposição a este tipo de conteúdos é extremamente prejudicial no desenvolvimento das crianças e dos jovens, pois, tal como diz o povo, “violência só gera violência”. (Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/31355681/exemplo-texto>. Acesso em: 01 jul. 2012.) Fragmento 6 Vontade de fazer; vontade própria; consciência; capacidade de decidir e se conduzir em decorrência da própria decisão. Quando relacionado a um crime - crime doloso - diz-se que a pessoa se conduziu por vontade própria, ou seja, tinha realmente a intenção de praticar aquela conduta. Entretanto, o dolo não está relacionado apenas às condutas criminosas, mas à vontade consciente da pessoa que pratica qualquer conduta. A adolescência é o período da vida em que a pessoa está adquirindo dolo, ou seja, capacidade de decidir e se conduzir por suas decisões, podendo ser responsabilizada por suas condutas. (Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/dolo/>. Acesso em: 01 jul. 2012) Questão 2 Acesse o site do STF ou do STJ e transcreva trecho de um voto em que a narração está a serviço da argumentação. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 3 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Distinguir a narrativa jurídica simples da narrativa jurídica valorada; - Identificar as características que marcam esses dois tipos de narrativa; - Compreender a relação entre o tipo de narrativa e a peça processual produzida; - Conhecer as principais características da narrativa jurídica. TEMA Narrativa jurídica simples e narrativa jurídica valorada. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Algumas características da narrativa jurídica 1.1. Impessoalidade 1.2. Verbos no passado 1.3. Paragrafação 1.4. Elementos constitutivos da demanda (Quem quer? O quê? De quem? Por quê?) 1.5. Correta identificação do fato gerador 2. Narrativa jurídica simples 3. Narrativa jurídica valorada 4. A construção de versões PROCEDIMENTO DE ENSINO Recomendamos a aula dialogada como procedimento de ensino. Os elementos da narrativa forense e a organização cronológica dos fatos serão objeto de estudo de outra semana de aula. É importante que o aluno entenda que não é a peça processual que se mostra imparcial ou valorada, mas a sua narrativa. Os documentos produzidos pelos advogados, por exemplo, possuem narrativas valoradas, enquanto as narrativas de sentenças, pareceres e acórdãos são imparciais. Seria interessante se o professor pudesse mostrar fragmentos de narrativas de diversas peças e comentá-los. Não abordaremos todas as características da narrativa nesta aula, a fim de que cada conteúdo seja desenvolvido com profundidade e consistência. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Como vimos anteriormente, as peças processuais têm um denominador comum: precisam, em primeiro lugar, narrar os fatos importantes do caso concreto, tendo em vista que o reconhecimento de um direito passa pela análise do fato gerador do conflito e das circunstâncias em que ocorreu. Ainda assim, vale dizer que essa narrativa será imparcial ou parcial, podendo ser tratada como simples ou valorada, a depender da peça que se pretende redigir. Pode-se entender, portanto, que valorizar ou não palavras e expressões merece atenção acurada, pois poderá influenciar na compreensão e persuasão do auditório.[1] Essa valoração das informações depende dos mecanismos de controle social que influenciam a compreensão do fato jurídico. É preciso lembrar que são diferentes os objetivos de cada operador do direito; sendo assim, o representante de uma parte envolvida não poderá narrar os fatos de um caso concreto com a mesma versão da parte contrária. Por conta disso, não se poderia dizer que todas as narrativas presentes no discurso jurídico são idênticas no formato e no objetivo, visto quedependem da intencionalidade de cada um. NARRATIVA SIMPLES DOS FATOS É uma narrativa sem compromisso de representar qualquer das partes. Deve apresentar todo e qualquer fato importante para a compreensão da lide, de forma imparcial. Sugerimos iniciar por “trata-se de questão sobre...” NARRATIVA VALORADA DOS FATOS É uma narrativa marcada pelo compromisso de expor os fatos de acordo com a versão da parte que se representa em juízo. Por essa razão, apresenta o pedido (pretensão da parte autora) e recorre a modalizadores. Sugerimos iniciar por “Fulano ajuizou ação de ... em face de Beltrano, na qual pleiteia ...” Leia a narrativa que segue abaixo: ANDREAS ALBERT VON RICHTHOFEN moveu AÇÃO DE EXCLUSÃO DE HERANÇA em face de sua irmã SUZANE LOUISE VON RICHTHOFEN, por manifesta indignidade desta, pois teria ela, aos 31 de outubro de 2002, em companhia do seu namorado, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, e do irmão dele, Cristian Cravinhos de Paula e Silva, barbaramente executado seus pais, Manfred Albert Von Richthofen e Marísia Von Richthofen, vez que golpearam as vítimas até a morte. Com a inicial (fls. 02/07) vieram os documentos de fls. 08/59. Houve um pedido de desistência formulado pelo autor por motivo de foro íntimo (fls. 71). Sobre este pedido o Ministério Público se manifestou pelo indeferimento (fls. 76), pois cabia ao tutor do então menor Andreas zelar pelos interesses do menor, que são indisponíveis. O pedido foi indeferido (fls. 78) e prosseguiu-se a demanda. Por seu turno, a requerida interpôs recurso contra a decisão de fls. 78 e, posteriormente, interpôs recurso pela, exceção de incompetência, tendo o Tribunal de Justiça negado provimento a ambos os pedidos (fls. 213/216 e 231/233). A requerida apresentou contestação às fls. 145/174 alegando, em síntese, que o real interesse do Autor, e de seus familiares, não é o externado quando da propositura da ação e para tanto invocou o reconhecimento de contradições, que restaram materializadas no mencionado pedido de desistência da ação. Requereu, caso não venha prevalecer o pedido de desistência, a improcedência da ação. A réplica, apresentada pelo autor às fls. 190/192, veio acompanhada com os documentos de fls. 193/216. Às fls. 257 dos autos, o requerente, ao atingir a maioridade, reiterou todos os pedidos e requereu o prosseguimento da lide com julgamento antecipado. A decisão de fls. 294 suspendeu o processo até o julgamento final da ação penal movida contra a requerida. O autor interpôs agravo de instrumento (fls. 322/327), tendo o Tribunal de Justiça mantido a decisão atacada (fls. 352/354), permanecendo os autos no arquivo. Por fim, o autor manifestou-se às fls. 337/338 e 361/363 pelo julgamento da ação, visto que a requerida já foi condenada irrecorrivelmente pela morte de seus pais, requisito para que seja excluída, pois apesar de ter interposto recursos na esfera criminal, todos os pedidos foram negados, comprovando-se o trânsito em julgado da ação penal condenatória. Juntou aos autos os documentos de fls. 339/345 e 364/399. É o relatório. Fundamento e decido. O feito comporta julgamento antecipado, nos termos do disposto no artigo 330, I, do Código de Processo Civil, e a procedência da ação é medida que se impõe. Conheço desde logo do pedido, pois se trata de matéria exclusiva de direito, estando a lide definida com a condenação penal, transitada em julgado, da herdeira Suzane Louise Von Richthofen pela morte de seus pais, pela qual foi condenada a 39 anos de reclusão e seis meses de detenção. A indignidade é uma sanção civil que causa a perda do direito sucessório, privando da fruição dos bens o herdeiro que se tornou indigno por se conduzir de forma injusta, como fez Suzane, contra quem lhe iria transmitir a herança. A prova da indignidade juntada aos autos (fls. 339/345) comprovou a co-autoria da requerida no homicídio doloso praticado contra seus genitores. Assim, restou demonstrada sua indignidade, merecendo ser excluída da sucessão, sendo aplicável ao caso o inciso I, do artigo 1.814, do Código Civil que estabelece que são excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários: I - que houverem sido autores, co-autores ou partícipes de homicídio, ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente. Conforme bem ensina Sílvio de Salvo Venosa: "É moral e lógico que quem pratica atos de desdouro contra quem lhe vai transmitir uma herança torna-se indigno de recebê-la." (Direito Civil, 4ª edição, 2004, página n° 78). Ante o exposto, julgo PROCEDENTE a presente Ação de Exclusão de Herança que Andreas Albert Von Richthofen moveu em face de Suzane Louise Von Richthofen e, em conseqüência, declaro a indignidade da requerida em relação à herança deixada por seus pais, Manfred Albert Von Richthofen e Marísia Von Richthofen, em razão do trânsito em julgado da ação penal que a condenou criminalmente pela morte de ambos os seus genitores, nos exatos termos do disposto no artigo 1.814, I, do Código Civil. Condeno também a requerida a restituir os frutos e rendimentos dos bens da herança que porventura anteriormente percebeu, desde a abertura da sucessão, nos termos do § único, artigo 1.817, também do Código Civil. Condeno a requerida ao pagamento das custas e despesas processuais, bem como dos honorários advocatícios, que, diante dos critérios do art. 20, do Código de Processo Civil, fixo em 15 % sobre o valor corrigido da causa, ressalvando que tal verba será cobrada, se o caso, nos termos dos artigos 11, § 2º e 12, da Lei nº 1.060/50. Junte-se cópia deste decisório nos autos principais de inventário dos genitores do autor. P.R.I. (grifei) (Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/19722/a-deserdacao-ante-a-ausencia-de-afetividade-na-relacao-parental/2>. Acesso em: 01 jul 2012.) Questões a) Resuma, em até cinco linhas, qual a versão narrada pela parte. b) Identifique, na transcrição desse segmento, pelo menos três informações que a parte contrária não teria narrado. Justifique por quê. [1] Barros, Orlando Mara. Comunicação & Oratória. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2001, p. 138. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 4 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Aplicar, na produção do texto narrativo valorado, as estratégias modalizadoras; - Compreender o fenômeno narrativo não como manipulação da verdade (problema de ética), mas como construção de uma versão verossímil dos fatos; - Rescrever fragmentos de textos jurídicos que apresentem problemas de norma culta no tocante à linguagem forense. TEMA Modalização e questões gerais de norma culta aplicadas à linguagem jurídica. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Narrativa jurídica valorada 1.1. Uso de modalizadores 1.2. Verossimilhança e diferentes versões dos fatos 2. Português jurídico e questões gerais de norma culta 2.1. Uso dos conectores ?eis que?, ?de vez que?, ?vez que? e ?posto que? 2.2. Uso de ?ocorre que? e ?inobstante? 2.3. Pontuação nas orações subordinadas adjetivas e produção de sentido no discurso jurídico 2.4. Regras gerais para o registro dos dispositivos legais 2.5. Uso de estrangeirismos 2.6. Uso de letras maiúsculas nos termos que se referem às partes (autor, réu, requerente, requerido etc.) 2.7. Uso de ?através de? 2.8. Uso de abreviações e a questão de ?a fls.? e ?de fls.? 2.9. Uso dos pronomes ?esse? e ?este? 2.10. Uso de ?o mesmo? e ?onde? PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. Entendemos por modalizadores todas as marcas lingüísticas disparadoras de raciocínio jurídico. Podem ser estratégias modalizadoras a seleção vocabular, a adjetivação, a ordem dos elementos na frase, a entonação etc. É a presença do modalizador que auxilia a produção da narrativa valorada; sua ausência marca uma tendência de imparcialidade. Esta aula o auxiliará no aprofundamento da identificação dos modalizadores. Aproveite, ainda, para discutir o efeito discursivo que esses elementos trazempara o texto em que são usados, mesmo porque, como vimos, a subjetividade de seu uso favorece interpretações distintas de como serão compreendidos pelo juiz. Ressalte que há modalizadores mais evidentes e outros mais sutis e assinale que os muito evidentes (?empresas inescrupulosas?, por exemplo) podem ser prejudiciais à narrativa quando traduzem uma valoração pejorativa, preconceituosa, agressiva para as partes. Lembre a seus alunos que as discussões levadas ao judiciário devem ser pautadas pela ética e pelo profissionalismo; a lide não pode ser uma ?questão pessoal?. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA A modalização consiste na atitude do falante em relação ao conteúdo objetivo de sua fala. Um dos elementos discursivos mais empregados na modalização consiste na conveniente seleção lexical. De fato, em muitos casos, uma mesma realidade pode ser apresentada por vocábulos positivos, neutros ou negativos, tal como ocorre em: sacrificar / matar / assassinar; compor / escrever / rabiscar; cidadão / réu / assassino. Dessa forma, uma leitura eficiente deve captar tanto as informações explícitas quanto as implícitas. Portanto, um bom leitor deve ser capaz de ?ler as entrelinhas?, pois, se não o fizer, deixará escapar significados importantes, ou pior ainda, concordará com idéias ou pontos de vista que rejeitaria se os percebesse. Assim, para ser um bom produtor de texto jurídico, é necessário que o emissor esteja apto a utilizar os recursos disponíveis na língua a serviço da modalização. Não se trata de mentir ou manipular, o que constituiria verdadeiro problema de ética profissional e humana. Trata-se, isso sim, de construir versões verossímeis sobre como se desenvolveu a lide. Leia o texto a seguir. Questão 1 A narrativa adiante expõe abstrata e genericamente os fatos relativos a uma ação indenizatória. Tendo em vista ser a narrativa de uma petição inicial, reescreva o texto, preenchendo as lacunas e modalizando fartamente o texto com informações relevantes. O autor, em abril de 2003, adquiriu da ré veículo novo (descrição do bem) de sua própria fabricação. Ocorre que, quando da realização de uma viagem para a cidade vizinha, em (data), enquanto trafegava pela rodovia _____, o autor foi obrigado a frear o veículo para não bater em um caminhão que estava na sua frente (Boletim de Ocorrência incluso, doc. n.º 2). Todavia, o freio do veículo não funcionou e o autor bateu na traseira do referido caminhão. Em razão do acidente, o veículo do autor teve perda total, não podendo ser recuperado, conforme laudo acostado (doc. 3). Além disso, o autor ficou hospitalizado pelo prazo de 60 (sessenta) dias, como demonstra o atestado médico incluso (doc. 4), período em que deixou de exercer suas atividades comerciais e perceber o valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Não obstante o dano material anteriormente mencionado, o autor sofreu lesões corporais que resultaram em cicatrizes e a incapacidade temporária para o trabalho, como demonstra o laudo médico juntado (doc. 5). Por outro lado, dias após o acidente, a ré publicou em órgão de imprensa (jornal e DVD acostados – doc. 6 e 7), convocação para que todos os consumidores adquirentes dos veículos da mencionada marca comparecessem às concessionárias para substituição de determinada peça do freio, uma vez que ocorreu um defeito na fabricação. (Disponível em: <http://processoemdebate.files.wordpress.com/2010/09/modelo-de-petic3a7c3a3o-inicial.pdf>. Acesso em: 01 jul. 2012.) Questão 2 Leia os fragmentos adiante e rescreva-os, adequando-os à norma culta da Língua Portuguesa. A) Os autos foram apensados aos da medida cautelar de sustação de protesto, através do qual a autora logrou a sustação liminar do protesto. B) Insta salientar que a informante Ana Buarque, secretária do demandante, não narra qualquer humilhação que este tenha sofrido, até mesmo porque era a depoente que ia ao 7º Ofício de Imóvel tentar resolver a pendência, ora sozinha, ora em companhia da Dra. Maria dos Milagres. C) A culpa, em sede penal, precisa ser demonstrada. D) O advogado apelou, sob a alegação de que o magistrado desconsiderou os documentos de fls. 30-34, os quais, por certo, comprovarão a obrigação do réu. E) O consumidor, que é hipossuficiente, faz jus à inversão do ônus da prova. F) É inadmissível inovar o pedido em sede de recurso, visto que não se pode recorrer do que não foi objeto de discussão e decisão em primeira instância (RT 811/282). G) A contestante opõe-se apenas a esse item: o pedido de renovação, pois pretende a retomada para uso próprio, posto que seu objeto social é muito mais amplo do que o da Autora. H) Incumbia à autora provar os fatos, através de perícia, que deve ser tempestivamente requerida ao magistrado. I) Considerando que os meios de verificação das chamadas telefônicas são informatizados e, inobstante suscetíveis de inúmeras falhas, não resta configurada, in casu, a abusividade que ensejaria a devolução em dobro. J) Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se neste andar (Lei/DF Nº 3212 de 30.10.03) L) Todavia, o registro lhe foi negado, sem o menor fundamento, posto que conforme certidão de ônus reais do imóvel, emitida em 22/06/2010, o imóvel estava livre de impedimentos. M) Ocorre que outra indisponibilidade foi averbada no dia 11/09/2008 e, mais uma vez, o Autor precisou ingressar com demanda para cancelamento do gravame, o que aconteceu em 04/05/2010. N) Leia atentamente os fragmentos abaixo. marque a letra correspondente à alternativa correta quanto ao registro dos dispositivos legais. a) ?A inobservância dos incisos I e II do artigo 226 do Código Penal, não gera a nulidade dos autos de reconhecimento.? b) ?Tal regramento regimental afeiçoa-se, dando-lhe aplicação aos arts 96, I, a e 125 § 1o, da Constituição da República Federativa do Brasil.? c) ?O recorrente alegou que fora contrariada a literalidade do art. 485 IV e V c/c os arts 295, I, p. ú., II e III, e 267, I e IV, do CPC.? d) ?O MP denunciou Xênio Zamir por atitude comportamental subsumida no art.121, § 2º, II e IV c/c o art. 61, II, ?e? do CP.? CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 5 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Compreender a relevância da polifonia para a produção do discurso jurídico; - Reconhecer a polifonia como fenômeno intertextual; - Rescrever trechos e parágrafos por meio de paráfrases (citações indiretas); - Dominar as recomendações da ABNT acerca do uso de citações diretas. TEMA Polifonia e intertextualidade na construção do discurso jurídico. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Polifonia e intertextualidade 1.1. Citação direta 1.1.1. Citação de até 3 linhas e orientações da ABNT 1.1.2. Citação de mais de 3 linhas e orientações da ABNT 1.2. Citação indireta (paráfrase) 1.2.1. Reprodução ideológica de conteúdos PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. Recomendamos que este encontro seja utilizado para refletir sobre a importância da polifonia. Todas as vozes que auxiliam no conhecimento dos fatos que compõem a lide serão bem-vindas. Em muitos processos, o único meio de esclarecer os acontecimentos é ouvindo as partes, as testemunhas, as autoridades policiais que realizaram diligências etc. Mesmo com a presença de provas documentais no processo, a polifonia terá sua importância, ainda que relativizada pela eventual inconsistência dessas falas. Sugerimos ajudar o aluno a conhecer os recursos linguísticos que marcam a polifonia. É possível trabalhar, também, os tipos de discurso (direto, indireto e indireto livre) e sua colaboração para a produção da narrativa forense. No terceiro semestre, a polifonia receberá outra conotação, a de informação que ajudará no desenvolvimento do argumento de autoridade e do argumento de prova. Assinale, talvez, essa questão,mas somente a aprofunde em Teoria e prática da Argumentação Jurídica. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA No ato de interpretar um texto, não é apenas necessário o conhecimento da língua, mas também se faz imprescindível que o receptor tenha em seu arquivo mental as informações do mundo e da cultura em que vive. Ao ler/ouvir um discurso, o receptor acessa diferentes memórias. Portanto, interpretar depende da capacidade do receptor de selecionar mentalmente outros textos. Quem não tem conhecimento armazenado, cultura, leitura de mundo, terá dificuldade, quer na construção de novos discursos, quer na captação das intenções do emissor do discurso. ELEMENTOS LINGUÍSTICOS QUE TÊM O PAPEL DE MARCAR A POLIFONIA: Conjunções conformativas - segundo, conforme, como, etc. Verbos introdutores de vozes (dicendi – verbos de dizer) - dizer, falar, (verbos mais neutros); enfatizar, afirmar, advertir, ponderar, confidenciar, alegar (verbos modalizados). Maneiras de realizar uma citação: citação direta (transcrição) e citação indireta (paráfrase). Transcrição consiste na cópia literal de trecho ou fragmento. Até três linhas citadas, usar apenas aspas, sem qualquer destaque especial. Quando a transcrição tiver mais de três linhas, usar destaques conforme orientação da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Paráfrase é um resumo, cuidadoso e original, do conteúdo da obra ou trecho lido, elaborado com as próprias palavras do pesquisador. (...) Deve ser redigida com bastante clareza e exatidão, de modo a possibilitar, no futuro, a sua utilização sem necessidade de retorno à obra original. (MARCHI, Eduardo Silveira. Guia de Metodologia Jurídica. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 240). Questão 1 Leia a ementa do julgado abaixo (Relator: Ministro Celso de Mello - Ag.Reg. no Recurso Extraordinário 477.554 Minas Gerais), e parafraseie, em texto corrido, na forma de parágrafo, essas ideias em até cinco linhas. Contemple de forma concisa todo o conteúdo presente na ementa. UNIÃO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO – alta relevância social e jurídico-constitucional da questão pertinente às uniões homoafetivas - legitimidade constitucional do reconhecimento e qualificação da união estável homoafetiva como entidade familiar: posição consagrada na jurisprudência do supremo tribunal federal (ADPF 132/RJ e ADi 4.277/DF) - o afeto como valor jurídico impregnado de natureza constitucional: a valorização desse novo paradigma como núcleo conformador do conceito de família - o direito à busca da felicidade, verdadeiro postulado constitucional implícito e expressão de uma ideia-força que deriva do princípio da essencial dignidade da pessoa humana – alguns precedentes do supremo tribunal federal e da suprema corte americana sobre o direito fundamental à busca da felicidade - princípios de yogyakarta (2006): direito de qualquer pessoa de constituir família, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero - direito do companheiro, na união estável homoafetiva, à percepção do benefício da pensão por morte de seu parceiro, desde que observados os requisitos do art. 1.723 do código civil - a força normativa dos princípios constitucionais e o fortalecimento da jurisdição constitucional: elementos que compõem o marco doutrinário que confere suporte teórico ao neoconstitucionalismo - recurso de agravo improvido. Questão 2 Assim como no exercício anterior, leia o fragmento, compreenda seu sentido global e parafraseie seu conteúdo. O repertório limitado usado nos discursos dos juízes constitui-se dos seguintes signos: 1) Citação de doutrinadores; 2) O uso do tom doutrinário; 3) Citação de jurisprudências, como argumentos de autoridade; 4) Citação de jurisprudências anteriores a Constituição de 1988; 5) Discursos de mera autoridade e afirmação; 6) Citações auto-referentes praticadas pelos juízes; 7) O uso ipsis litteris dos pareceres dos membros do Ministério Público (que funcionam como “fiscais da lei”); 8) O uso do processo civil como uma estratégia de evitar a decisão do mérito da questão; 9) O uso e interpretações de citações legais; e, finalmente 10) O uso de digressões históricas e doutrinárias. Este repertório limitado, que acabou de ser descrito acima, se opera regularmente em bases de três grandes estratégias argumentativas por parte dos discursos dos juízes: ESTRATÉGIA 1) a descontextualização histórica, que se define pelo uso de citações e referências de obras doutrinárias e de jurisprudências de contextos históricos os mais distintos, muitos vezes de períodos não democráticos e de circunstâncias temáticas diversas, como se houvesse uma grande linha de continuidade histórica, ou melhor, como se houvesse uma atemporalidade que permitiria este trabalho do bricoleur em usar este material a sua disposição; ESTRATÉGIA 2) a descontextualização geográfica, o uso de citações e referências de obras doutrinárias e de jurisprudências concebidas para outros sistemas jurídicos que não o brasileiro. Nos parece que por esta estratégia o bricoleur trabalha sob a perspectiva de um Direito universal aplicável para qualquer lugar.; e finalmente, ESTRATÉGIA 3) a descontextualização de sentidos, entendida como o uso de fragmentos da doutrina jurídica e do processo civil, muitas vezes, por argumentos de autoridade, como bem lhe aprouver, e como tal fora de seus sentidos primeiros, para conceber a sua obra decisória. (Professor Rafael Iorio. A impossibilidade da igualdade jurídica no Brasil) Questão 3 o texto adiante é rico em polifonia. Identifique essas ocorrências. TEXTO[1]: CPI pede ajuda da Interpol para rastrear negócios de Cachoeira A CPI Mista que investiga as relações do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários pediu ajuda da Interpol, a polícia internacional, para rastrear os negócios do contraventor. O requerimento pedindo ajuda da Interpol foi de autoria do vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e foi já encaminhado para a Polícia Federal, responsável por repassar a solicitação de apoio nas investigações. De acordo com Teixeira, há suspeitas de que o contraventor tenha negócios no exterior. Segundo o deputado, em depoimento à CPI no último dia 10 de maio, o delegado da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, afirmou que Cachoeira tinha uma empresa sediada no exterior e um bingo com endereço em uma das ilhas britânicas, a ilha de Curaçao, perto da costa venezuelana. "Ele tem bens no exterior. Disseram que ele tem cassinos, tinha um site do exterior e pedimos rastreamento de todas as contas no exterior. Não recebemos nada ainda. Ainda não sabemos se a Interpol já começou a trabalhar, mas esperamos ter logo estes dados", afirmou o deputado. No depoimento, segundo o relato dos parlamentares, o delegado disse que o objetivo de Cachoeira com os negócios fora do país seria a lavagem do dinheiro obtido através de atividades ilegais. As empresas, ainda segundo Teixeira, seriam operadas por laranjas. O deputado disse ainda que a construtora Delta realizou depósitos em outras empresas de fachada do grupo do bicheiro. [1] Disponível em: <http://g1.globo.com/politica/noticia/2012/07/cpi-pede-ajuda-da-interpol-para-rastrear-negocios-de-cachoeira.html>. Acesso em: 02 jul. 2012. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 6 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Identificar os fatos que constarão na narrativa jurídica. - Distinguir os fatos juridicamente importantes daqueles que são esclarecedores das questões importantes. - Desenvolver raciocínio jurídico capaz de levar à compreensão de que os fatos que não são usados, direta ou indiretamente, na fundamentação da tese, não precisam ser narrados. TEMA Seleção dosfatos da narrativa jurídica. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Classificação dos fatos 1.1. Fatos juridicamente importantes 1.2. Fatos que contribuem para a compreensão dos que são relevantes 1.3. Fatos que dão ênfase a informações relevantes 1.4. Fatos que satisfazem a curiosidade do leitor 2. Seleção de fatos para a produção da narrativa jurídica PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Num relato pessoal, interessa ao narrador não apenas contar os fatos, mas justificá-los. No mundo jurídico, entretanto, muitas vezes, é preciso narrar os fatos de forma objetiva, sem justificá-los. Ao redigir um parecer, por exemplo, o narrador deve relatar os fatos de forma objetiva antes de apresentar seu opinamento técnico-jurídico na fundamentação. Antes de iniciar seu relato, o narrador deve selecionar o quê narrar, pois é necessário garantir a relevância do que é narrado. Logo, o primeiro passo para a elaboração de uma boa narrativa é selecionar os fatos a serem relatados. Leia o caso concreto que segue e sublinhe todas as informações que precisam ser observadas em uma narrativa imparcial. Em seguida, liste, em tópicos, todas essas informações que devem ser usadas no relatório. Caso concreto SÃO PAULO - O Conselho Tutelar de Santa Bárbara d'Oeste, cidade a 135 quilômetros de São Paulo, investiga o caso de um adolescente de 14 anos que aparece em vídeos do Youtube amarrado a uma árvore e gritando, pedindo por socorro. A denúncia chegou por um email, recebido na quarta-feira pelos conselheiros da cidade. O menor foi localizado e confirmou o caso de bullying. Pelo menos dez adolescentes, com idades entre 11 e 17 anos, são suspeitos de atacar o estudante, que relatou que as agressões eram constantes. O conselheiro Robério Xavier Bonfim conta que os agressores foram identificados e chamados no Conselho Tutelar, onde compareceram acompanhados dos pais e negaram a autoria dos vídeos. - Eles não revelam quem fez as publicações, mas os pais dos menores se comprometeram que os vídeos seriam retirados do ar e de fato foram deletados algumas horas depois da conversa no Conselho - conta Bonfim. O menor, vítima de bullying, estudava na mesma escola dos agressores, a Escola Estadual Jorge Calil Assad Sallim. Depois do início das investigações do Conselho Tutelar, o menor foi transferido de escola, para evitar que novas agressões pudessem acontecer. As informações levantadas pelo Conselho Tutelar foram encaminhadas para a Delegacia de Defesa da Mulher da cidade, onde foi registrado um boletim de ocorrência na semana passada. Paralelamente às investigações da Polícia Civil, devem correr as apurações do Ministério Público de Santa Bárbara d'Oeste, que deve receber até o fim da tarde desta sexta-feira os documentos e informações levantadas pelo Conselho Tutelar. A promotora da Infância e da Juventude, Daniela Reis Pastorello, vai assumir as investigações do caso. O Conselho Tutelar explica que os dois órgãos foram acionados para agilizar as investigações sobre os ataques publicados na internet. Recorra às fontes, se julgar pertinente LEI N.º 5.089 de 6 de outubro de 2009 Dispõe sobre a inclusão de medidas de conscientização, prevenção e combate ao Bullying escolar no projeto pedagógico elaborado pelas escolas públicas do Município do Rio de Janeiro e dá outras providências. Art. 1° As escolas públicas da educação básica do Município do Rio de Janeiro deverão incluir em seu projeto pedagógico medidas de conscientização, prevenção e combate ao Bullying escolar. Parágrafo único. A Educação Básica é composta pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Art. 2° Entende-se por Bullying a prática de atos de violência física ou psicológica, de modo intencional e repetitivo, exercida por individuo ou grupos de indivíduos, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidar, agredir, causar dor, angústia ou humilhação à vitima. Parágrafo único. São exemplos de Bullying acarretar a exclusão social: subtrair coisa alheia para humilhar; perseguir; discriminar; amedrontar; destroçar pertences; instigar atos violentos, inclusive utilizando-se de meios tecnológicos. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 7 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Compreender a necessidade de organização cronológica dos fatos na narrativa jurídica; - Identificar corretamente o fato gerador da demanda; - Desenvolver interesse pela pesquisa, com acesso a fontes principiológicas, legais, doutrinárias e jurisprudências. TEMA Organização dos fatos na narrativa jurídica. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Formas de organização dos fatos na narrativa 1.1. Organização cronológica 1.2. Organização acronológica 2. Identificação do fato gerador 3. Organização linear dos fatos nas narrativas cível e criminal PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA No discurso jurídico, é necessário ater-se aos fatos do mundo biossocial que levaram ao litígio. Ao procurar um advogado, o cliente fará, logo de início, um relato dos acontecimentos que, em sua perspectiva, causaram-lhe prejuízo do ponto de vista moral ou material. Contará sua versão do conflito, marcada, geralmente, por comoção, frequentes rodeios e muita parcialidade. Já compreendemos, nas aulas anteriores, que saber selecionar essas informações é importante e esse procedimento depende não só da peça que se quer redigir, mas também de uma visão crítica madura e acurada. Ao profissional do Direito caberá, em seguida, organizar as informações importantes obtidas nessa conversa, com vistas à estruturação da narrativa a ser apresentada na petição inicial. Sempre que o advogado elencar fatos, haverá entre eles um lapso temporal, imprescindível para a narrativa, a qual, por sua própria natureza, deve respeitar a cronologia do assunto em pauta, ou seja, a estrita ordem dos acontecimentos na realidade. A essa narrativa chama-se também narrativa linear. Sobre esse assunto, leia, também, o capítulo “Narração e descrição: textos a serviço da argumentação”, do livro Lições de argumentação jurídica: da teoria à prática. Ao contrário, não se deve apresentar fatos em sequência alterada, não-linear. Para Victor Gabriel Rodríguez, a utilização da narrativa linear evidencia para o leitor o encadeamento lógico entre os acontecimentos, crucial para se estabelecerem os nexos de causalidade e alcançar também maior clareza textual. Adiante, uma tabela com vocabulário da área semântica de tempo, a fim de orientá-lo na produção das narrativas. VOCABULÁRIO DA ÁREA SEMÂNTICA DE TEMPO[1]: Tempo em geral: idade, era, época, período, ciclo, fase, temporada, prazo, lapso de tempo, instante, momento, minuto, hora, etc. Fluir do tempo: o tempo passa, flui, corre, voa, escoa-se, foge, etc. Perpetuidade: perenidade, eternidade, duração eterna, permanente, contínua, ininterrupta, constante, tempo infinito, interminável, infindável, etc. Sempre, duradouro, indelével, imorredouro, imperecível, até a consumação dos séculos, etc. Longa duração: largo, longo tempo, longevo, macróbio, Matusalém, etc. Curta duração: tempo breve, curto, rápido, instantaneidade, subitaneidade, pressa, rapidez, ligeireza, efêmero, num abrir e fechar d 'olhos, relance, momentâneo, precário, provisório, transitório, passageiro, interino, de afogadilho, presto, etc. Cronologia, medição, divisão do tempo: Cronos, calendário, folhinha, almanaque, calendas, cronometria, relógio, milênio, século, centúria, década, lustro, quinquênio, triênio, biênio, ano, mês, dia, tríduo, trimestre, bimestre, semana, anais, ampulheta, clepsidra,etc. Simultaneidade: durante, enquanto, ao mesmo tempo, simultâneo, contemporâneo, coevo, isocronismo, coexistente, coincidência, coetâneo, gêmeo, ao passo que, à medida que, etc. Antecipação: antes, anterior, primeiro, antecipadamente, prioritário, primordial, prematuro, primogênito, antecedência, precedência, prenúncio, preliminar, véspera, pródomo, etc. Posteridade: depois, posteriormente, a seguir, em seguida, sucessivo, por fim, afinal, mais tarde, póstumo, "in fine", etc. Intervalo: meio tempo, interstício, ínterim, entreato, interregno, pausa, tréguas, entrementes, etc. Tempo presente: atualidade, agora, já, neste instante, o dia de hoje, modernamente, hodiernamente, este ano, este século, etc. Tempo futuro: amanhã, futuramente, porvir, porvindouro, em breve, dentro em pouco, proximamente, iminente, prestes a, etc. Tempo passado: remoto, distante, pretérito, tempos idos, outros tempos, priscas eras, tempos d'antanho, outrora, antigamente, coisa antediluviana, do tempo do arroz com casca, tempo de amarrar cachorro com linguiça, etc. Frequência: constante, habitual, costumeiro, usual, corriqueiro, repetição, repetidamente, tradicional, amiúde, com frequência, ordinariamente, muitas vezes, etc. Infrequência: raras vezes, raro, raramente, poucas vezes, nem sempre, ocasionalmente, acidentalmente, esporadicamente, inusitado, insólito, de quando em quando, de vez em vez, de vez em quando, de tempos em tempos, uma que outra vez, etc. CASO CONCRETO Famílias velam corpos trocados em hospital estadual de Saracuruna O Globo, 21 de abril de 2009, p. 16. Francisca Constantina de Souza, de 49 anos, e Helena dos Santos, de 51 anos, morreram, no último domingo, no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, Caxias. Comunicadas, as duas famílias prepararam os enterros. Mas os corpos foram trocados. Na funerária, em Itaguaí, Daniele Moura, de 25 anos, descobriu que a mulher que estava no caixão não era sua mãe, Francisca. No Cemitério de Queimados, a família Santos velava Francisca acreditando se tratar de Helena. Apenas no início da tarde de ontem, o filho de Helena, Elias Santos, de 30 anos, soube da reclamação da família de Francisca. Ele já estava desconfiado. De acordo com os amigos, Helena era evangélica e não pintava as unhas ou fazia as sobrancelhas. - É uma verdadeira bagunça - disse Elias. Uma foto do corpo de Francisca, enviada por celular para a família dela, acabou com a dúvida. A filha Daniele lamentou o absurdo da situação: - Outras pessoas estão fazendo o velório da minha mãe. Olhem o que fizeram com as nossas famílias. Helena, mãe de cinco filhos, que foi atropelada, foi levada para o Hospital de Saracuruna e morreu no domingo. Francisca foi internada no dia 28 de março com aneurisma cerebral. Também na manhã de domingo, o hospital avisou a família sobre sua morte. O engenheiro químico Daniel de Moura Barbosa, de 54 anos, ex-marido de Francisca, reconheceu o corpo, mas disse ter sido pressionado por funcionários do hospital a dizer que se tratava da ex-mulher. Segundo o advogado Ricardo Felipe Meira de Carvalho, a família de Francisca vai denunciar o fato ao Ministério Público e mover uma ação por danos morais e materiais contra o estado. Questão 1 Considere que informações juridicamente importantes são aquelas que precisam constar na narrativa da peça porque a lei, a doutrina e/ou a jurisprudência consideram essas informações como importantes. Assim, realize uma pesquisa e indique as fontes principiológicas, legais, doutrinárias e jurisprudenciais que contribuam para a percepção de quais informações são juridicamente importantes para a solução da lide. Questão 2 Produza uma narrativa simples – em texto corrido, adequadamente dividido em parágrafos – para o caso concreto com a exposição cronológica dos fatos. [1] GARCIA, Othon M. Comunicação em Prosa Moderna. 22. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2004, cap. 1.6.5.5.1. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 8 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Produzir narrativas simples condizentes com todas as orientações dadas ao longo do semestre. TEMA Produção de narrativa jurídica simples: relatório. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Produção de Relatório Jurídico 1.1. Seleção de fatos 1.2. Presença dos elementos da narrativa forense (o quê, quem, onde, quando, como, por quê, por isso...) 1.3. Organização Cronológica 1.4. Correta identificação do fato gerador 1.5. Uso adequado do tempo verbal 1.6. Adequação à norma culta 1.7. Uso de polifonias 1.8. Foco narrativo na terceira pessoa 1.9. Ausência de modalizadores PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. Esta é a primeira aula em que os alunos reúnem todas as informações necessárias à produção do texto jurídico narrativo. Haverá outras aulas reservadas à mesma finalidade. Isso se dá porque entendemos que o aluno necessita exercitar a produção textual em vários encontros, tanto para a fixação das orientações dadas quanto pela própria necessidade de desenvolver as habilidades relativas à redação de documentos escritos. Sugerimos que o professor produza a narrativa com o aluno em sala de aula. Pelo que conhecemos de nossos alunos, eles desejam de nós produções de narrativas que sirvam como ?modelo? de apoio para as suas próprias produções. Poderíamos trazer pronta essa narrativa e disponibilizá-la na copiadora, mas o fazer-com é de fundamental importância para a formação de procedimentos de raciocínio jurídico, razão pela qual sugerimos produzir o texto em sala. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA O relatório é um tipo de narrativa em que os fatos importantes de uma situação de conflito devem ser cronologicamente organizados, sem interpretá-los (ausência de valoração); apenas informá-los na lide ou demanda processual. Segundo De Plácido (2006, p.1192), relatório ?designa a exposição ou a narração acerca de um fato ou de vários fatos, com a discriminação de todos os seus aspectos ou elementos relevantes?. QUESTÃO: Leia atentamente o caso concreto e produza um relatório. Observe todas as orientações acumuladas ao longo do semestre. Caso concreto Numa festa de estudantes de psicologia no Clube Israelita Brasileiro, em Copacabana (RJ), um universitário posou para fotos exibindo um dos mais fortes símbolos do nazismo, uma suástica tatuada na perna. Era 13 de dezembro de 2011. A imagem foi parar na internet. A pedido da Federação Israelita do Rio, a polícia deu início a uma investigação e prendeu ontem o estudante de publicidade Luiz Vinícius, de 23 anos, que vai responder em liberdade por crime de discriminação e preconceito, com pena de dois a cinco anos de prisão. Outras duas pessoas ligadas a ele, Diego, de 23, e um estudante de administração de 17 anos também foram detidos. O crime chocou a comunidade judaica. O Clube Israelita foi fundado no século passado por imigrantes judeus. O delegado titular da 12ª DP (Copacabana), Antenor Martins, disse que os três fazem parte de um grupo neonazista e que outras pessoas são investigadas: — Ele era o cabeça. Tinha uma tatuagem gigante da suástica. Na sua casa, achamos farto material sobre o nazismo e a Gestapo (polícia secreta de Hitler). Em depoimento, ele disse que era adepto do nazismo, do fascismo e do integralismo. Com mandado de busca e apreensão, os policiais encontraram na casa de Luiz Vinícius, no Grajaú, revistas alusivas ao nazismo e conteúdo antissemita. O computador do rapaz foi apreendido. Foram encontradas fotos em que ele aparece com a mão em riste como se fizesse a saudação nazista. Luiz Vinícius disse na delegacia que era grande admirador de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler. Segundo o delegado, o acusado declarou que estudava o assunto em sua monografia. Na delegacia, o próprio pai do rapaz teria ficado chocado ao tomar ciência das acusações. Os outros dois detidos trocavaminformações sobre o tema com Luiz Vinícius por meio de um site de relacionamentos. O adulto responderá pelo mesmo crime. Os policiais ainda estudam como será conduzido o inquérito em relação ao menor. Pelo menos mais duas pessoas ainda são investigadas. Ontem também foram cumpridos mandados de busca em endereços na Tijuca e em Copacabana. O delegado pretende que grupo seja enquadrado na Lei n. 7716/89 que trata de crimes de discriminação ou preconceito contra raças, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Um dos incisos diz que é crime fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos que utilizem a cruz suástica. Presidente do Clube Israelita há cinco anos, César Benjor, lamentou o episódio: — Na minha gestão a única coisa proibida é discriminar. A gente aluga o clube para todos, de festas gays a aniversários de protestantes. Sempre recebendo as pessoas com amor e carinho. O que aconteceu foi inaceitável. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 9 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Redigir narrativas jurídicas valoradas com coesão e coerência textuais; - Utilizar com moderação e consistência as estratégias modalizadoras; - Produzir uma versão dos fatos que interesse ao pólo ativo da demanda. TEMA Produção de narrativa jurídica valorada: versão da parte autora. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Narrativa jurídica valorada 1.1. Diferentes versões sobre um mesmo fato jurídico 1.2. Uso de modalizadores 1.3. Produção Textual PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. Até o presente momento, nosso aluno já deve ter compreendido como selecionar as informações importantes do caso concreto e como organizá-las no texto. Também já deve conhecer todas as demais características que particularizam a produção da narrativa jurídica. Acreditamos que todas essas marcas (cronologia, seleção de informações, uso do tempo verbal, impessoalidade, identificação do fato gerador do conflito, modalização) tenham sido bem trabalhadas em sala de aula. A bibliografia recomendada auxilia consistentemente no aprofundamento desse conteúdo. Ainda assim, não há dúvidas de que, mais do que compreender o conteúdo, os alunos precisam ter a oportunidade de produzir textos de natureza jurídica, porquanto a prática constante dessa atividade leva ao desenvolvimento das habilidades necessárias à prática profissional. Este encontro e o próximo destinam-se a esse fim, especialmente no que couber à narrativa valorada. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA CASO CONCRETO MÃE É PRESA POR DEIXAR BEBÊ TRANCADO DENTRO DO CARRO PARA VER SHOW EM SP SÃO PAULO. Uma mãe deixou a filha de um ano trancada dentro do carro em um estacionamento e foi ver a apresentação do grupo de pagode Exaltasamba na casa de shows Porto Alcobaça, na em Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. A menina permaneceu duas horas trancada. Um manobreiro ouviu o choro da criança, de madrugada, e pediu ajuda à polícia. Kátia de Paula Torres, 25 anos, foi detida uma hora depois e pode perder a guarda da filha, Maria Fernanda Torres. A menina estava dormindo no banco traseiro de um Tempra azul, quando o veículo foi deixado no estacionamento às 23h30min. Kátia seguiu para ver o show com um casal de amigos, enquanto o manobreiro Bruno Rafael de Souza estacionava o veículo. A criança não foi vista por Souza porque dormia e tinha um cobertor sobre ela. Por volta da 1h30min, o manobrista ouviu o choro da criança. Ele se aproximou do carro e encontrou a menina de pé sobre o banco. A mãe da criança afirmou que a menina costuma dormir a noite inteira e deixou ao lado da cadeirinha do bebê um dispositivo denominado ?babá eletrônica?, que permite ouvir qualquer som emitido pela criança a distância. Afirma que não ouviu o choro da filha porque o dispositivo recém comprado apresentou defeito. O Globo, 25/10/2006 Textos de apoio Código Penal Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Relevância da omissão § 2° - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. Art. 14 - Diz-se o crime: Crime consumado I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal; Decreto-lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Art. 27, § 2° - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL TÍTULO II - DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS CAPÍTULO I - DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Art. 5°. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990 Art. 5° - Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Art. 22 - Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais. Art. 24 - A perda e a suspensão do pátrio poder serão decretadas judicialmente, em procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação civil, bem como na hipótese de descumprimento injustificado dos deveres e obrigações a que alude o art. 22. Questão 1 Produza uma tabela com duas colunas, a fim de elencar, na primeira, as informações que contribuem para reforçar a versão da parte autora e, na segunda, as que podem auxiliar a ré. Lembre-se de apenas selecionar as informações que são juridicamente relevantes para a solução da lide em análise no judiciário. Questão 2 Tendo em vista que o pólo ativo do processo (autor - MP), em Ação Penal Pública, pretende a condenação do pólo passivo (ré - mãe da criança) pela prática de um crime, produza a narrativa jurídica valorada de acusação, com respeito a todas as orientações dadas ao longo do semestre. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 10 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Compreender que o silêncio quanto às afirmações da parte autora na narrativa da inicial torna esses fatos não controvertidos; - Desenvolver técnicas de resposta às questões de fato do caso concreto; - Modalizar a narrativa jurídica a favor do réu; - Dimensionar as dificuldades de exercer a defesa em certos casos concretos.TEMA Produção de narrativa jurídica valorada: versão da parte ré. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Narrativa jurídica valorada 1.1. Diferentes versões sobre um mesmo fato jurídico 1.2. Uso de modalizadores 1.3. Produção Textual 1.4. Técnicas de resposta PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. Sugerimos estimular a leitura de peças processuais de resposta na Internet e em manuais de redação jurídica. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA De acordo com o art. 300 do CPC: “compete ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir” (grifos inexistentes no original). Pela leitura gramatical do dispositivo legal, percebe-se que a contestação é a peça que comporta quase toda a defesa do réu. É nesse instrumento que o réu deve rebater todos os argumentos do autor, demonstrando, claramente, a impossibilidade de sucesso da demanda. Vale dizer ainda que, na contestação, o réu poderá se manifestar sobre aspectos formais e materiais. Os argumentos de origem formal se relacionam à ausência de algum tipo de formalidade processual exigida pela lei, e que não fora observada pelo autor em sua peça inicial. Essas falhas, dependendo da sua natureza e gravidade, podem ocasionar fim do processo antes mesmo de o magistrado apreciar o conteúdo do direito pretendido. A imperfeição apontada pelo réu retiraria do autor a possibilidade de seguir adiante, ou retardaria o procedimento até que fosse sanada a imperfeição. Essa é a chamada defesa indireta, quando se consegue procrastinar o processo. Já os aspectos materiais se relacionam ao conteúdo de fato ou ao direito que o autor reivindica, o próprio mérito da causa. É a chamada defesa direta ou de mérito, na qual o réu ataca o fato gerador do direito do autor, ou as conseqüências jurídicas que o autor pretende. O princípio da concentração (ou princípio da eventualidade) determina que o réu deve, de uma só vez, em uma única peça – na contestação – alegar toda a matéria de defesa, tanto processual, quanto de mérito. Não há possibilidade, como no Processo Penal, de aguardar um momento mais propício para expor as teses de defesa. No Processo Civil é necessário que o réu apresente de forma concentrada todas as matérias de defesa que serão utilizadas na própria contestação. Diante dessa breve explicação, não é prudente que o réu desconsidere o poder que tem a sua contestação para a defesa, pois esse é o momento oportuno para que ele possa bloquear a intenção autoral, sob pena de não poder mais se socorrer de determinados argumentos de defesa que não foram alegados tempestivamente. Observe que nem tratamos da revelia... (Adaptado a partir de www.jurisway.org.br) Apresentamos esse breve referencial teórico para esclarecer o mínimo necessário à compreensão da contestação, porém ressalvamos que somente nos interessam, nesta oportunidade, as questões relativas à narrativa da resposta. Não enfrentaremos as alegações de matéria processual, tampouco as de discussão teórico-doutrinária quanto ao assunto em discussão. Leia o texto que segue. Magistrado, que estava em veículo sem placa, alega ter sido desacatado AUTOMÓVEL DE JUIZ foi rebocado porque estava circulando sem placa Uma agente de trânsito recebeu voz de prisão do juiz João Carlos de Souza Correa, titular da 1ª Vara de Búzios, que alegou ter sido desacatado por ela depois de ser parado numa blitz da Operação Lei Seca, na Lagoa, durante a madrugada de ontem. O magistrado, que passou no teste do bafômetro, dirigia um Land Rover preto sem placa, e estava sem a carteira de habilitação no momento da abordagem. Ao verificar a data da nota fiscal do carro, a funcionária constatou que o período de 15 dias para emplacamento havia expirado e informou que o veículo seria rebocado. Segundo a agente, o juiz deu voz de prisão após ela questionar o fato de ele não saber desse prazo. — Eu disse: “o senhor é juiz e alega desconhecer a lei?” Ele disse que eu o estava insultando e que me daria voz de prisão. Ele queria que o tenente da PM que fica na operação me prendesse. Como isso não ocorreu, ele deu a voz de prisão e queria que eu entrasse no carro da polícia. Mas me recusei e fui num carro da Lei Seca até a delegacia —- disse Luciana Tamburini, que trabalha na operação há dois anos, desde o início da Lei Seca. Habilitação de juiz estava com a mulher dele O caso foi registrado na 14ª DP (Leblon) como desacato. Correa disse que, ao ser abordado pelos funcionários na blitz, fez o exame e apresentou a documentação do veículo: — Minha habilitação estava na bolsa da minha mulher. Estávamos voltando de Búzios, porque foi meu plantão no sábado. Parei para comer algo e ela foi para casa, com meu documento. Depois, ela levou a carteira para mim. Sobre o emplacamento, não sabia que o prazo era tão curto. Vou cobrar do despachante, que não me alertou. Minha placa deve ser entregue nesta segunda — contou Correa. — Faltou habilidade por parte da agente. Sou um magistrado. Imagina eu, que faço Justiça, sendo injustiçado. Ela disse: “Ele é juiz, não é Deus”. Foi desacato. Luciana confirma que disse a tal frase, mas contou que estava conversando com um colega sobre a intenção do juiz de levá-la no carro da polícia até a delegacia. Segundo Luciana, Correa cometeu outra infração ao retirar o carro retido na blitz e conduzi-lo sem habilitação até a delegacia. O juiz nega: — O oficial da blitz permitiu que eu saísse — garantiu Correa, que já foi investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) devido a sentenças polêmicas proferidas por ele em processos sobre disputas fundiárias em Búzios. A documentação de Correa ficou com Luciana até eles chegarem à delegacia. Ela, o juiz e policiais que trabalham dando apoio à blitz da Lei Seca prestaram seus depoimentos sobre o caso e, depois de ser ouvido, Souza Correa teve seu veículo rebocado. A agente ainda disse que vai entrar com uma representação contra o juiz, por abuso de autoridade. — A prisão foi ilegal. Eu estava no exercício da minha função. Trabalhando em operações, já tive que me esconder de tiroteio perto de favela, vi pessoas agredirem agentes e até juiz criando caso por causa de multa. Mas nunca passei por nada parecido com isso — disse Luciana. Questão 1 Realize pesquisa legal, doutrina e jurisprudencial sobre o assunto a fim de se instrumentalizar sobre as possibilidades modalizadoras a favor do réu. Questão 2 Produza uma narrativa valorada a favor da parte ré. Recorra a farta modalização. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 11 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Compreender a relação entre fato narrado e produção dos argumentos; - Aprimorar a função argumentativa de suas narrações; - Diferenciar o texto Narrativo do argumentativo. TEMA Função argumentativa da narração: a questão do ponto de vista (1). ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Função argumentativa da narração 2. Narração a serviço da argumentação 3. Fato e valoração PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Como veremos, a narrativa comporta uma função argumentativa, pois é da narrativa que se extraem os fatos e as provas que servem de base para que se possa inferir uma determinada valoração e, em seguida, justificá-la, mediante um tipo de argumento. Reconhecemos a importância dessa narrativa, por exemplo, quando nos inteiramos de que o Código de Processo Civil, em seu art. 535, II estabelece que é possível embargar uma decisão de mérito quando a fundamentação omitir um ponto sobre o qual o Juiz ou o Tribunaldevesse ter se pronunciado. Isso representa dizer que tudo o que se registra no relatório cumpre uma função argumentativa, que se concretiza na fundamentação. Assim, a seleção daquilo que se narra deve ser criteriosa a fim de fornecer base sólida aos argumentos que visam à defesa de uma determinada tese. Os esquemas abaixo revelam essa conexão que se opera na construção de um argumento: Esquema: FATO A médica indicou o uso do analgésico xyz. VALORAÇÃO Agiu, portanto, com imperícia, JUSTIFICATIVA porque sabia que a paciente era alérgica ao medicamento Ao desenvolver o parágrafo argumentativo, poderíamos redigi-lo assim: Importa destacar que a médica Maria das Dores Silva, que atendeu a paciente e indicou-lhe o analgésico xyz, agiu de forma imperita. Isso porque, segundo a mãe da paciente, essa lhe informou que sua filha tinha alergia àquele medicamento e, mesmo assim, foi-lhe ministrada uma dose suficiente para causar-lhe o choque anafilático. Questão Leia o texto, selecione pelo menos cinco fatos importantes da narrativa e produza um esquema à semelhança da que apresentamos anteriormente. Orientações: não é necessário redigir o parágrafo argumentativo ainda. Não se preocupe com qual tipo de argumento estamos produzindo. Nosso interesse nesta aula é compreender a relação que existe entre o fato narrado e sua função argumentativa, pois, como vimos, a narração está a serviço da argumentação. Texto MANDATO NÃO É EMPREGO Luiz Garcia 15.20.2011 - O Globo - p. 07 A partir de amanhã, o Supremo Tribunal Federal começa a julgar a primeira de cinco ações contra pensões vitalícias pagas a ex-governadores. De carona, vai a julgamento também uma ação da Ordem dos Advogados contra o pagamento de décimo quarto salário a deputados estaduais do Pará. Eles embolsam esse dinheiro sempre que a Assembleia Legislativa suspende o recesso para se reunir extraordinariamente. Não é a primeira vez que o STF trata do assunto: em 2007, o tribunal cassou a pensão vitalícia concedida a Zeca do PT, ex-governador do Mato Grosso do Sul, e não deve ser a última. Outro dia, três outros políticos que confundem mandato com emprego pediram e conseguiram receber o benefício: Ana Júlia Carepa (PT), do Pará; Leonel Pavan (PSDB), de Santa Catarina; e Roberto Requião (PMDB), do Paraná. Na Paraíba - que já ostenta o desonroso título de estado que mais gasta com pessoal acima do que é permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal - ganham a pensão ex-governadores e suas viúvas. Rombo nas finanças estaduais, no momento: R$2,8 milhões por ano. Um dinheirão para um estado nordestino sem dinheiro para jogar fora. Não é a primeira vez que tenho a melancólica pachorra - que o Houaiss define como "paciência embotada", e a gente fica sem saber se é virtude ou defeito - de tratar do assunto. Portanto, se vocês acham que já leram o que se segue, não se espantem; foi aqui mesmo. Torço para perder, um dia, esse motivo para teimosa indignação. Mas é preciso voltar a ele de vez em quando, na esperança de que, um dia desses, a classe política brasileira tome as providências necessárias para tirar essa questão das páginas dos jornais e da pauta dos tribunais. Com certeza é difícil, devido aos interesses a serem contrariados, mas não deixa de ser simples na formulação. Basta que seja aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente uma lei deixando claro o que sempre foi óbvio: mandatos políticos não são empregos públicos. Ocupá-los, o que ninguém faz contra a vontade - nem mesmo em estado de dócil constrangimento - proporciona privilégios indispensáveis, como carro oficial e diversos outros, mas praticamente todos (ex-presidentes da República têm direito a algumas compreensíveis exceções) desaparecem quando o mandato termina. Ou deveriam desaparecer. A expressão "governador aposentado" é, ou deveria ser, uma contradição em termos. O que é um jeito meio pedante de designar algo absurdo, inconcebível. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 12 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Compreender a importância do fato para a produção dos argumentos na fundamentação; - Reconhecer a validade persuasiva da organização de um bom conjunto probatório; - Identificar quais argumentos usam o fato como seu principal elemento de construção; - Produzir parágrafos coesos e coerentes. TEMA Função argumentativa da narração: a questão do ponto de vista (2). ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Produção da narrativa jurídica e seleção do conjunto probatório argumentativo 2. Argumentação pelo fato 3. Implícitos, pressupostos e defesa de teses 4. Argumento pró-tese PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Escreveu Errico Malatesta, teórico italiano, que, sendo a prova o meio objetivo pelo qual o espírito humano se apodera da verdade, sua eficácia será tanto maior, quanto mais clara, mais plena e mais seguramente ela induzir no espírito a crença de estarmos de posse da verdade. Para se conhecer, portanto, a eficácia da prova, é preciso conhecer como se refletiu a verdade no espírito humano, é preciso conhecer, assim, qual o estado ideológico, relativamente à coisa a ser verificada, que ela induziu no espírito com sua ação. Assim, o profissional do direito, diante de um caso concreto, analisa e interpreta os fatos para, em seguida, valorar tais elementos de acordo com as alternativas oferecidas pelas fontes do Direito. Fica, pois, evidente a importância da narrativa dos fatos e das provas a fim de fornecer os elementos necessários para que se compreenda o caso, interprete-o e concretize essa interpretação mediante a argumentação. Caso concreto Dijanira Baptista foi fumante inveterada por trinta anos. Ela era casada com Mauro Costa e tinha dois filhos: Mauro Costa Jr. e Paulo Baptista Costa. Seus familiares alegam que a companhia de cigarros sempre ocultou informações e dados sobre a nocividade do cigarro à saúde. A vítima fumava dois maços de cigarro por dia, cerca de 500.000 cigarros em trinta anos, e que tal fato, aliado à falta de informações sobre o produto nocivo, teria sido o responsável pelo contraimento da doença. Além do mais, só recentemente as companhias são obrigadas a restringir o horário de veiculação de propagandas e a emitir comunicado de que o fumo é prejudicial à saúde. Isso, infelizmente, não chegou a impedir que Dijanira se tornasse viciada em cigarros, uma vez que era fumante de longa data, motivo pelo qual a família pleiteia indenização por dano. Após a descoberta do câncer, lutou duramente contra o vício: "Minha mãe tentou parar de fumar, mas as crises horríveis de abstinência e a depressão atrapalharam muito. Quando conseguiu vencer o vício, a metástase estava diagnosticada". Em 28 de setembro de 1999, faleceu em decorrência de câncer pulmonar, provocado pelo fumo excessivo do cigarro de marca Hollywood, da companhia Souza Cruz S.A. Paulo Gomes, advogado representante da Souza Cruz, afirma que a empresa cumpre as determinações legais e que seu produto apresenta todas as informações aos consumidores. Em relação às propagandas, sustenta que a apresentação de jovens saudáveis em ambientes paradisíacos não é prática apenas da indústria tabagista: "Desconheço a existência de publicidade que vincule produtos a modelos desgraciosos ou cenários deprimentes, que causem repulsa ao público-alvo. Ademais, os consumidores têm o livre-arbítrio de escolher o que consumir e o quanto consumir". Segundo o advogado da família, os estudos comprovam a nocividade do cigarro, que contêm mais de quatro mil substâncias químicas: "Entre elas está o formol usado na conservação de cadáver, o fósforo, utilizado como veneno para ratos e o xileno, uma substância cancerígena que atrapalha o crescimento das crianças. Se o cigarro não mata de câncer,há 56 outras doenças causadas por seu uso e exposição. É óbvio que a propaganda é indutora de seu consumo". Notícia de jornal (adaptação) Questão 1 Faça breve pesquisa jurisprudencial e identifique se existe condenação transitada em julgado para empresas tabagistas cujos consumidores morreram ou ficaram com doenças graves decorrentes desse produto. Cite as fontes de sua pesquisa. Questão 2 Continue sua pesquisa a fim de esclarecer se há como demonstrar nexo causal entre a conduta e o resultado. Justifique sua resposta. Questão3 Na impossibilidade ou na dificuldade de recorrer às fontes citadas nas questões anteriores, como você propõe que seja defendida a tese de que a empresa Souza Cruz tem responsabilidade civil com os consumidores ou com seus sucessores? CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 13 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Diferenciar casos concretos simples de casos concretos complexos; - Redigir diferentes intróitos para a fundamentação simples das peças processuais; - Identificar os argumentos que devem compor a estrutura da fundamentação simples; - Redigir todos esses argumentos, inclusive os já produzidos no encontro anterior. TEMA Fundamentação simples. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Fundamentação simples 1.1. Argumento pró-tese 1.2. Argumento de oposição 1.3. Argumento de autoridade 2. Diferentes tipos de intróito 3. Coesão e coerência textuais aplicadas ao texto jurídico argumentativo: noções elementares PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada, marcada pela produção de parágrafos. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA A fundamentação simples é aquela em que a subsunção do fato à norma mostra-se suficiente para resolver o caso concreto. Na verdade, os casos concertos simples são aqueles cuja fundamentação pode ser realizada apenas com um argumento pró-tese, um argumento de autoridade e um argumento de oposição. Os casos concretos complexos exigem estrutura argumentativa muito mais elaborada, a qual somente será trabalhada em Teoria e Prática da Argumentação Jurídica. O argumento pró-tese caracteriza-se por ser extraído dos fatos reais contidos na narrativa. Deve ser o primeiro argumento a compor a fundamentação simples. A estrutura adequada para desenvolvê-lo seria: Tese + porque + e também + além disso. Cada um desses elos coesivos introduz fatos distintos favoráveis à tese escolhida. O argumento de autoridade é aquele constituído com base na legislação, na doutrina, na jurisprudência e/ou em pesquisas científicas comprovadas. O argumento de oposição apóia-se no uso dos operadores argumentativos concessivos e adversativos, essa estratégia permite antecipar as possíveis manobras discursivas que formarão a argumentação da outra parte durante a busca de solução jurisdicional para o conflito, enfraquecendo, assim, os fundamentos mais fortes da parte oposta. Compõe-se da introdução de uma perspectiva oposta ao ponto de vista defendido pelo argumentador, admitindo-a como uma possibilidade de conclusão para, depois, apresentar, como argumento decisório, a perspectiva contrária. TEXTO Mãe da menina defende o marido, denunciado por turistas em Fortaleza FORTALEZA. Um italiano de 40 anos foi preso em flagrante, na Praia do Futuro, em Fortaleza, depois se ser denunciado por um casal de turistas de Brasília por beijar a filha, de 8 anos, na boca. Os denunciantes, de 70 e 75 anos de idade, disseram que o italiano, que estava ao lado da mulher, acariciou partes íntimas da menina. O estrangeiro, acusado de pedofilia e estupro, argumentou que deu apenas um “selinho” na boca da filha e fez carinhos, como qualquer pai, enquanto brincava com ela na piscina da barraca. A mulher dele, que é brasileira, confirmou na delegacia que tinha sido um carinho comum entre pai e filha. Mesmo assim, o delegado plantonista José Barbosa Filho, da 2ª Delegacia, de Aldeota, optou por fazer o flagrante com base na nova lei que equipara abuso a estupro. O gerente da barraca, Heitor Batista, disse que o italiano foi advertido por um funcionário, a pedido do casal de Brasília, antes que a polícia fosse chamada. O advogado Flávio Jacinto Silva, contratado para defender o italiano, acusa o delegado de ter registrado o flagrante porque estava com pressa para se livrar logo do assunto e ir embora. O casal de turistas teria dito aos policiais na praia que o homem estaria praticando atos libidinosos com a menina. Na delegacia, as testemunhas disseram que, além de beijar a menina na boca, o italiano teria pegado nas partes íntimas dela. O advogado afirma que o pai apenas pegou na “parte de cima do biquíni da filha”. Advogado diz que na Europa é hábito dar “selinho”. O italiano foi preso por crime de estupro de vulnerável, artigo 217-A da nova lei que trata dos crimes contra a dignidade sexual. Na Delegacia de Combate à Exploração de Crianças e do Adolescente (Dececa), a delegada Ivana Timbó tomou o depoimento da menina. Segundo o advogado, a criança disse que os selinhos são comuns em sua casa e que beija o pai dessa forma diariamente. O advogado disse que a família mora na Itália e passava férias de 15 dias no Brasil. A mulher, segundo ele, está em pânico e em estado de choque com a prisão do marido. — Filhos e pais se cumprimentam com um selinho. Isso é habito na Europa; no Brasil é que ainda não é — disse ele. O advogado argumenta ainda que os carinhos do pai na filha ocorreram em local público, e isso demonstra que não havia outro tipo de intenção por parte do italiano. — A barraca em que eles estavam é uma das mais populares da Praia do Futuro, onde as famílias vão com seus filhos. Todo mundo vê a piscina, é ambiente público, aberto. Não tem nenhum delito — argumentou. Novas testemunhas devem ser ouvidas antes do prazo de dez dias para a conclusão do inquérito. O italiano está preso na carceragem da 2ª Delegacia. Segundo o investigador Eli Miranda, o estrangeiro — que trabalha na Itália e passa as férias no Brasil — frequenta a mesma barraca há 12 anos. — A lei realmente é boa e oportuna. É abominável se conviver com a exploração de quem não pode se defender — disse a delegada Ivana. Se julgar pertinente, recorra às fontes: Estupro Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. § 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. § 2o Se da conduta resulta morte: Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos Violação sexual mediante fraude Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. Questão Produza a fundamentação simples para o caso concreto. O texto deverá conter Intróito, argumentos pró-tese, de autoridade, de oposição e conclusão. Observação: sabemos que são vários os tipos de intróito, por exemplo, “explanação de ideia inicial”, “enumeração”, “localização do fato no tempo e no espaço”, “exemplificação”, “retomada histórica” etc. Produza aquele que entender mais adequado para o caso, considerando-se a temática e a tese que escolheu. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 14 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Aperfeiçoar a produção das narrativas jurídicas; - Desenvolver diferentes estratégias paraa narrativa dos fatos controvertidos; - Produzir textos coesos e coerentes. TEMA Produção da narrativa simples e da narrativa valorada: orientações finais. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Narrativa jurídica simples e valorada 2. Cronologia dos fatos 2.1. Caso concreto com poucos fatos controvertidos 2.2. Caso concreto com muitos fatos controvertidos 3. Coesão e coerência textuais PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Ao longo do semestre, estudamos todo o conteúdo necessário à produção das narrativas jurídicas. Neste encontro, já a título de revisão para as últimas provas, vamos aprimorar pontualmente algumas orientações sobre como organizar a cronologia dos fatos do caso concreto. Se houver eventuais pontos controvertidos, sugerimos seguir a ordem cronológica e, no ponto da controvérsia, por meio da polifonia, mostrar as duas versões. Se, porém, as partes possuem versões muito diferentes sobre grande parte dos eventos, melhor seria narrar, em primeiro lugar, a versão de quem acusa (parte autora) e, depois, a versão da parte ré, estratégia que ainda observa a cronologia dos eventos, uma vez que, no processo, autores pronunciam-se antes dos réus. QUESTÃO Com base nas informações sobre os casos que seguem, redija um relatório para cada caso concreto. Caso concreto 1 Na tarde de domingo, o vendedor ambulante Francisco Lopes da Silva foi autuado e preso em flagrante pelo atropelamento, seguido de morte de uma jovem de 14 anos e ferimentos em duas outras, ao dar marcha-ré para entrar na garagem de sua casa com a saveiro de um amigo. Ele estava bêbado e não possuía carteira de habilitação. O ambulante demonstrou ser duplamente irresponsável ao dirigir veículo alheio, após ingerir bebida alcoólica e dirigir sem ter habilitação. Embora Francisco pudesse estar tentando fazer um favor a um amigo, ele nunca poderia ter assumido tal responsabilidade. Na realidade, tanto o ambulante, quanto o dono do carro, são solidariamente responsáveis pelo trágico acontecimento naquela tarde de domingo. Francisco, pelos motivos já aqui registrados; o dono do carro, por não perceber, embora também sob o efeito do álcool, que estava entregando, nas mãos do acusado, uma arma poderosa contra a vida – seu veículo. Como a irresponsabilidade das pessoas, atos impensados, atitudes infelizes, são capazes de, num curto espaço de tempo, transformar uma tarde, um final de semana, em uma verdadeira tragédia? Sim, pois aquelas três jovens estavam conversando, devaneando em seus mundos de adolescentes, na calçada de casa, em local aparentemente seguro e, de repente, a tragédia – o ato mal feito – o fim para Gláucia, a tristeza para as famílias, o horror estampado na mente de Esteice e de Thaís! Passado o momento de torpor, aí sim, chega a realidade, a revolta, a tentativa de agressão e de linchamento. Tudo muito natural até para a realidade de então. Além disso, se analisarmos melhor os fatos, veremos que não cabe a desculpa apresentada por Francisco, pelo fato de ter sido pego em flagrante delito na direção do veículo objeto do atropelamento – aliás, muito sem propósito. O depoimento de uma das vítimas é incisivo ao afirmar ter visto Francisco circular na direção de referido veículo por diversas vezes, na rua do acidente, antes de provocá-lo. Ao mesmo tempo, não cabe a desculpa de embriaguez para fugir às responsabilidades. Pelo menos ela não foi capaz de afetar o raciocínio do acusado ao desculpar os próprios atos. Cabe aqui ressaltar que o nosso Código Penal, em seu artigo 121 qualifica o homicídio dizendo o seguinte: “Art. 121 - Matar alguém; Pena- reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos;” e o art. 18, I caracteriza o crime doloso como sendo aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. No caso presente, o ambulante cometeu contra Gláucia o crime de homicídio doloso, pois a parte final do inciso I diz: “assumiu o risco de produzi-lo”. Realmente, ao dirigir um carro sem carteira de habilitação ele assumiu o risco de produzir o resultado morte. Entretanto, ao atropelar e causar ferimentos nas duas outras adolescentes, ele também infringiu a norma penal – tentativa de homicídio, isto é, melhor dizendo, homicídio tentado – pela combinação do art. 121 do Código Penal com o art. 14, II. No crime tentado, a consumação não chega a ocorrer por circunstâncias alheias à vontade do agente. Neste caso, a consumação não ocorreu porque as vítimas estavam próximas ao muro da casa, que impediu a consumação. Diante de todo o acima exposto, requeremos que o acusado seja incurso nos crimes de homicídio doloso de Gláucia e, em relação à Thaís e Esteice, crime de homicídio tentado, devendo também o dono do veículo ser indiciado como coautor nos crimes citados. Caso concreto 2 A estudante Lígia Lara Santos, de 20 anos, foi presa em 08 de março de 2011 após confessar o assassinato do pai, o pedreiro Lauro Joaquim da Silva, de 48 anos. Ela contou à polícia que o pai se tornava agressivo quando bebia e a ameaçava de morte. Disse ainda que, cansada das agressões, pediu ajuda ao namorado, Ricardo Cardoso da Silva, 18 anos, com quem se relacionava há oito meses, para se livrar do pai. A estudante, que se mostrou calma durante todo depoimento, disse que o relacionamento familiar sempre foi ruim e que a mãe está presa por tráfico de drogas. O casal foi coincidentemente abordado pela polícia porque os policiais suspeitaram de que os dois estivessem levando produto de roubo. O crime ocorreu por volta das 3h da manhã, quando o pedreiro, depois de passar a noite em um bar, voltava para casa, no bairro de Cangaíba, na Zona Leste de São Paulo. Ao entrar, foi surpreendido pela filha e o namorado. Enquanto o rapaz segurava o pedreiro, Lígia o atingiu com cerca de 30 facadas. O corpo foi amarrado com pedaços de corda de varal. Embrulhado em lençóis, cobertor, tapete e saco plástico preto e posto em um carrinho do tipo utilizado para transportar bagagem. A ideia, segundo a estudante, era jogar o corpo num córrego próximo. Antes de deixar a casa, os criminosos ainda trocaram de roupa. Na rua, a dupla foi abordada por policiais da 3ª Companhia do 8º Batalhão da Polícia Militar, que desconfiaram de que o casal estivesse transportando mercadoria roubada. Percebendo a aproximação da PM, Ricardo fugiu, mas Lígia foi presa. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 15 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e Prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Aprimorar a produção da fundamentação simples; - Produzir textos coesos e coerentes. TEMA Produção da fundamentação simples: introdução à argumentação jurídica. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Fundamentação simples 1.1. Argumento pró-tese 1.2. Argumento de oposição 1.3. Argumento de autoridade 2. Diferentes tipos de intróito 3. Coesão e coerência textuais aplicadas ao texto jurídico argumentativo: noções elementares PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Esta aula continua a proposta de revisitação do conteúdo já trabalhado, a fim de aprimorar as competências e habilidades necessárias à produção do texto jurídico, as quais não são alcançadas, por certo, em um único encontro. Questão Leia o caso concreto disponível para a aula de hoje e produza a fundamentação simples para o caso concreto. Reiteramos que o texto deverá conter Intróito, argumentos pró-tese, de autoridade, de oposição e conclusão. Caso Concreto Helô Pinheiro já não é tão garota, e nem é mais de Ipanema. Mora há 25 anos em São Paulo, mas ainda é conhecida internacionalmente como a “Garota de Ipanema”, musa inspiradora de dois dosmaiores compositores brasileiros, o maestro Tom Jobim e o poeta Vinícius de Moraes. Há 36 anos, Tom e Vinícius tomavam suas cervejinhas no bar Veloso e se encantaram com o rebolado de Heloísa Eneida Meneses Pais Pinto, uma normalista de corpo dourado, que passava pela Rua Montenegro a caminho do mar. Daí compuseram a música que é a segunda mais tocada no mundo todo. “Garota de Ipanema”, a canção, contabiliza 4,8 milhões de execuções por ano. E rende muito dinheiro. Os herdeiros de Tom, como a viúva Ana Beatriz Lontra, os filhos Maria Luiza Helena Lontra Jobim, Paulo e Elizabeth Ermany Jobim; e os de Vinícius, como os filhos Pedro, Luciana, Maria e Georgiana, entraram na Justiça para que Helô Pinheiro deixe de usar a marca Garota de Ipanema, nome de sua loja de roupas no Shopping Villa Lobos, em São Paulo. - Não sei por que a mulher do Tom e os filhos de Vinícius não gostam de mim. Se eles pensam que estou nadando em dinheiro por usar a marca Garota de Ipanema na minha lojinha em São Paulo, estão enganados. Ela foi aberta há oito meses e mal consigo pagar o aluguel do shopping e as três funcionárias. Montei a loja com R$ 100 mil emprestados, mas vou levar uns dois anos para ter lucro. Em 36 anos como a Garota de Ipanema, nunca tentei ganhar dinheiro com isso. Helô Pinheiro registrou a marca Garota de Ipanema Comércio de Roupas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), em 1988. Dez anos depois, ela conseguiu aprovação da marca. Mesmo assim, a viúva de Tom e os filhos de Vinícius entraram na 1a. Vara Cível do Fórum de Pinheiros, em São Paulo, com uma ação de protesto exigindo que ela deixe de usar a marca. Eles a consideram uma propriedade das famílias dos compositores. Querem que o juiz Pedro Luiz Baccarat da Silva estabeleça uma multa diária para Helô, caso ela não tire imediatamente as fotos de Tom e Vinícius que a Garota de Ipanema expôs em sua loja. - Eles querem que eu e minha família passemos fome? A loja Garota de Ipanema foi a forma que encontrei para garantir a sobrevivência da minha família. Dos quatro filhos que tenho, dois ainda moram comigo. Um deles, o Fernandinho, de 22 anos, é deficiente, não fala direito, não lê, não escreve e depende de mim. Quando ele nasceu, sofreu falta de oxigenação no cérebro. Minha filha, Ticiane, de 23 anos, só agora está fazendo uns trabalhos no programa “Zorra Total”, na Globo. Meu marido Fernando, que é engenheiro metalúrgico e com quem estou casada há 35 anos, está desempregado há cinco anos. Ninguém dá emprego para um homem de 60 anos – desabafa Helô Pinheiro, em seu apartamento de classe média, na Zona Oeste de São Paulo, decorado com inúmeras fotos dela ao lado de Tom e Vinícius, além de recortes de jornais e revistas emoldurados com frase dos compositores sobre as razões que os levaram a se inspirar em Helô para compor o mais famoso de todos os sucessos da bossa nova. _ Uma das filhas de Tom disse que não queria ver fotos do pai decorando uma loja de roupas cafonas. Ora, ela nem conhece minha loja. Não viu as roupas que eu vendo! Fiquei revoltada e acho que isso já é o suficiente para que eu a processe por danos morais. Mas não quero confusão. Só quero vender minhas roupas e sustentar meus filhos. Os filhos de Vinícius já ganham milhões com o direito autoral das músicas do pai. Podiam me deixar em paz aqui com minha loja. Afinal, eu sou a Garota de Ipanema. Não há dinheiro que tire esse título de mim. Helô Pinheiro entrou na Justiça com uma ação para mostrar que tem o direito de usar a marca Garota de Ipanema. Não há como divorciar Helô da Garota de Ipanema. Caso necessário, considere, em sua fundamentação, as seguintes fontes: Na hora de utilizar referências (como, por exemplo, uma imagem que pode servir de base para a criação de outra) é necessário que a pessoa tenha cautela para não fazer uso de uma obra que não seja de sua própria autoria e assim evitar problemas. E, para que haja uma orientação prévia do que não é permitido fazer e amparo em casos de uso indevido de imagem e apropriação indevida de conteúdo, existe a Lei de Direitos Autorais. (Advogado do Escritório RR Advogados Associados) Art. 46, I da Lei de Direitos autorais: Não constitui ofensa aos direitos autorais a reprodução: c) de retratos, ou de outra forma de representação da imagem, feitos sob encomenda, quando realizada pelo proprietário do objeto encomendado, não havendo a oposição da pessoa neles representada ou de seus herdeiros. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL � Disciplina: CCJ0009 - TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA Semana Aula: 16 DESCRIÇÃO DO PLANO DE AULA Teoria e prática da Narrativa Jurídica OBJETIVO O aluno deverá ser capaz de: - Sanar todas as eventuais dúvidas acumuladas ao longo do semestre. TEMA Revisão do conteúdo e aplicação prática. ESTRUTURA DO CONTEÚDO 1. Narrativa simples 2. Narrativa valorada 3. Fundamentação simples PROCEDIMENTO DE ENSINO Aula dialogada. RECURSO FÍSICO Data show, retroprojetor, capítulos dos livros didáticos sugeridos na bibliografia básica, textos variados e peças processuais disponíveis na internet. APLICAÇÃO PRÁTICA/ TEÓRICA Com base nas informações sobre o caso que segue abaixo, redija uma narrativa valorada, como estudada em aula. Observação: professor e alunos podem entender que, ao invés da narrativa valorada, deve ser produzido ainda outro relatório ou a fundamentação simples. Onde: Rio de Janeiro (RJ) Quem ativo: Banco Futuro Tranquilo, com matriz situada na Rua Treze de Outubro, 324, Centro, Curitiba, Paraná. Quem passivo: Ubiraci Sampaio de Mendonça, 48, motorista de táxi, casado, morador na Rua dos Igarapés, 13, Bairro dos Amores, Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Quando: abril de 2004 Fato: Pedido de indenização por dano moral, material e lucros cessantes. Como: (informações organizadas de maneira acronológica) ( ) A fiscalização não aceita a alegação de que o imposto foi pago porque não há condição de ler mais nada no boleto a não ser o registro do caixa. ( ) O boleto para o pagamento do IPVA é emitido automaticamente por um caixa automático e é em papel impresso eletrostaticamente. ( ) O Sr. Ubiraci paga o IPVA do seu carro em uma agência do Banco Futuro Tranquilo, no último dia de prazo para o pagamento do referido tributo. ( ) O passageiro abandona o táxi e segue para o aeroporto sem pagar a corrida. ( ) A impressão é sensível à luz e de baixa durabilidade, e apaga-se em menos de três meses. ( ) O Sr. Ubiraci é detido em uma blitz de trânsito, com um passageiro no carro, na Linha Vermelha às 13h, no dia 21 de abril de 2004. Consequência: O automóvel é apreendido pelos policiais devido à falta de comprovação de pagamento do IPVA Depoimentos: 1) Josué Medeiros Rosa, 29 anos, policial militar: – O taxista não estava ok com os documentos do carro. Coisa de bandalha. Tá cheio disso por aí. Era caso de retenção do veículo. O táxi está no depósito e vai ficar lá até a apresentação do IPVA pago. 2) Otto von Liebermann: – Ninguém respeitar horário nesta país! Eu chamar uma táxi com dois horas de antecedência. O polícia não ter bom vontade, como o resto do povo brasileira. Eu perdeu meu avião. Quem vai pagar o meu hotel? 3) Seu Ubiraci: – Eu avisei para a caixa do banco, na mesma hora, que aquilo ia apagar logo. Ela disse que não podia fazer nada. O documento é impresso pela máquina. Aquele papel não presta para nada, não. Tá vendo? E agora? Quem paga o meu preju? Hoje em dia, prá trabalhar está difícil, imagine ficar sem meu ganha-pão. O banco tem que responder por isso. CONSIDERAÇÃO ADICIONAL