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AULA 04 2. CRESCIMENTO MICROBIANO 2 .1 PRINCIPAIS ASPECTOS E EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS ARA0023- MICROBIOLOGIA E IMUNOLOGIA Por que os meios de cultura para crescimento bacteriano devem ser inicialmente estéreis? • Na natureza, os microrganismos encontram-se formando populações mistas. • Por outro lado, os procedimentos laboratoriais para o diagnóstico, depende da obtenção de biomassa microbiana na forma de populações puras, isto é, populações homogêneas quanto ao tipo de microrganismo, cultivados em meios de cultura sem a presença de outras formas de vida contaminantes. CONDIÇÕES PARA O CULTIVO DOS MICRORGANISMOS • A obtenção de uma cultura pura a partir de uma cultura mista denomina-se isolamento. ISOLAMENTO: semeadura dos microrganismos na superfície de meios de cultura sólidos em placas de Petri, o que permitirá a formação de colônias (que são populações isoladas que crescem na superfície destes meios). CONDIÇÕES PARA O CULTIVO DOS MICRORGANISMOS • Como todos os seres vivos, os microrganismos necessitam de nutrientes apropriados ao seu desenvolvimento, assim como condições físicas ou ambientais favoráveis. • Quando cultivados em laboratório, estas necessidades devem ser respeitadas. • Assim, pode-se dizer que em um ciclo natural na água, solo, ar, na nossa superfície corporal e de outros animais, etc os microrganismos conseguem sobreviver pela utilização de materiais orgânicos e inorgânicos existentes nestes ambientes. CONDIÇÕES PARA O CULTIVO DOS MICRORGANISMOS • Para crescer os microrganismos precisam de água e macronutrientes. • Macronutrientes: carbono, nitrogênio, enxofre, fósforo. • Micronutrientes: ferro, cobre, zinco, magnésio, manganês... -> atuam como coenzimas e cofatores e são necessários em baixa concentração. CONDIÇÕES PARA O CULTIVO DOS MICRORGANISMOS • O ciclo artificial (meio de cultura) é o modo que empregamos em laboratório para cultivarmos os microrganismos. • Chamamos de meio de cultura ao conjunto de substâncias necessárias ao crescimento e multiplicação dos microrganismos. • Chamamos de inóculo os microrganismos colocados em um meio de cultura para iniciar o crescimento. MEIO DE CULTURA No ciclo artificial tentamos reproduzir as condições naturais fornecendo: • Substâncias nutritivas em concentrações adequadas, que devem servir como: MEIO DE CULTURA No ciclo artificial tentamos reproduzir as condições naturais fornecendo: • Condições ambientais favoráveis: MEIO DE CULTURA Os meios de cultura são utilizados em três diferentes tipos de consistência: • Sob a forma líquida (denominados de meios líquidos ou caldos): utilizados para crescimento em massa (não promovem a formação de colônias, mas sim, crescimento por dispersão). MEIOS DE CULTURA Os meios de cultura são utilizados em três diferentes tipos de consistência: • Sob a forma sólida (denominados de meios sólidos ou solidificados, obtidos pela adição de ágar ao meio): propiciam a formação de colônias sobre ou dentro do substrato sólido. • Ideal para realização de isolamento de colônias (1,5 % a 2% de ágar) MEIOS DE CULTURA Os meios de cultura são utilizados em três diferentes tipos de consistência: • Sob a forma semissólida (denominados de meios semissólidos, obtidos pela adição de pequena quantidade de ágar ao meio): para verificação de motilidade (0,5% a 0,75% de ágar). MEIOS DE CULTURA • O ágar é um polissacarídeo obtido de um grupo de algas marinhas vermelhas (normalmente Gelidium spp.). • No começo do século 20, o ágar tornou-se o agente solidificante de escolha ao invés da gelatina em meios de cultura para microbiologia, pois mantém sua firmeza em temperaturas necessárias para o crescimento de muitos patógenos e geralmente é mais resistente a degradação por enzimas bacterianas (P.F. = 95ºC). MEIOS DE CULTURA MEIOS DE CULTURA Quanto a função, os meios de cultura podem ser divididos em: • Meios de transporte: meios utilizados para garantir a viabilidade dos microrganismos que não podem ser semeados logo após a coleta e que poderiam morrer. • Ex.: Ringer- Pras (próprio para transporte de bactérias anaeróbias). MEIOS DE CULTURA Quanto a função, os meios de cultura podem ser divididos em: • Meios de triagem: meios utilizados para identificação presuntiva ou separação de bactérias em grandes grupos ou níveis taxonômicos mais amplos. • Ex. separação de bactérias de uma mesma família - Ágar tríplice açúcar ferro (TSI) quando utilizado para triagem de bactérias da família Enterobacteriaceae. MEIOS DE CULTURA Quanto a função, os meios de cultura podem ser divididos em: • Meios enriquecidos: aumentam a possibilidade de crescimento da espécie desejada, quando a mesma se encontra em pequeno número, ou demanda nutrientes/fatores de crescimento particulares. • Adicionam-se ao meio substâncias de enriquecimento, tais como sangue, soro, ovo, extrato de levedura, extrato de carne, vitaminas, etc. • Ex: Ágar sangue. MEIOS DE CULTURA Quanto a função, os meios de cultura podem ser divididos em: • Meios enriquecidos: Um meio base (p. ex: triptona de soja, infusão de coração e cérebro, base Brucella); e sangue (de carneiro, cavalo ou coelho). Sangue ou a hemoglobina são adicionados ao meio base ainda quente. MEIOS DE CULTURA Quanto a função, os meios de cultura podem ser divididos em: • Meios seletivos: inibem o desenvolvimento de determinados microrganismos, devido à adição de substâncias inibidoras (antibióticos, sais biliares, substâncias químicas, corantes, etc), favorecendo o crescimento dos microrganismos de interesse. • Ex. Meio Bacteroides Bile Esculina (BBE) Utilizado para o isolamento e identificação presumível do grupo Bacteroides fragilis. A inibição seletiva dos anaeróbios facultativos e de grande parte dos organismos anaeróbios gram-positivos é obtida através da amicacina e da bile de bovino. A diferenciação do B. fragilis baseia-se na hidrólise da esculina, que reage com o sal de ferro (citrato de amónio férrico) para produzir um complexo castanho-escuro a preto. MEIOS DE CULTURA Quanto a função, os meios de cultura podem ser divididos em: • Meios indicadores ou diferenciais: meios que revelam uma propriedade bioquímica particular, permitindo uma identificação presuntiva. • Ex.: caldo lactose com vermelho neutro (indicador de fermentação da lactose). MEIOS DE CULTURA Quanto a função, os meios de cultura podem ser divididos em: • Meios seletivos-indicadores ou seletivos-diferenciais: são utilizados para o isolamento e identificação presuntiva de microrganismos. MEIOS DE CULTURA Exemplo: Ágar MacConkey (seletivo por conter cristal violeta e sais biliares que inibem o crescimento de bactérias Gram positivas e Gram negativo exigentes, e indicador da fermentação da lactose evidenciada pelo vermelho neutro). MEIOS DE CULTURA Quanto a função, os meios de cultura podem ser divididos em: • Meios redutores: meios que servem para crescimento de bactérias anaeróbias obrigatórias, pois possuem substâncias capazes de se combinar com o oxigênio dissolvido, eliminando-o do meio de cultura. • Ex. BHI (brain heart infusion) com L-cistina. FATORES DE CRESCIMENTO MICROBIANO FATORES DE CRESCIMENTO MICROBIANO TEMPERATURA: é o fator ambiental mais importante que afeta a multiplicação de microrganismos. • Os microrganismos podem se multiplicar em uma faixa muito ampla de temperatura: - 35º a 90ºC. FATORES DE CRESCIMENTO MICROBIANO CLASSIFICAÇÃO DOS MICRORGANISMOS QUANTO A TEMPERATURA Cada espécie bacteriana cresce a temperaturas mínima, ótima e máxima específicas. Temperatura mínima de crescimento: menor temperatura na qual a espécie pode crescer. Temperatura ótima de crescimento: temperatura na qual a espécie cresce melhor. Temperatura máxima de crescimento:maior temperatura na qual o crescimento é possível. FATORES DE CRESCIMENTO MICROBIANO CLASSIFICAÇÃO DOS MICRORGANISMOS QUANTO A TEMPERATURA FATORES DE CRESCIMENTO MICROBIANO CLASSIFICAÇÃO DOS MICRORGANISMOS QUANTO A TEMPERATURA • Psicrófilos: crescem entre 0 a 20ºC, T ótima: 10 a 15ºC (profundeza dos oceanos ou em certas regiões polares). • Psicrotróficos: capacidade de se desenvolver entre 0 a 7ºC (deterioração de alimentos em baixa temperatura). • Mesófilos: T ótima entre 25 a 40ºC, mínima: 5 e 25ºC e máxima: entre 40 e 50ºC. • Termófilos: T ótima entre 45 a 65ºC, mínima: 35 a 45ºC e máxima: entre 60 e 90ºC. A maioria concentra-se no grupo de mesófilas, principalmente as de interesse médico, veterinário e agronômico. ATMOSFERA GASOSA FATORES DE CRESCIMENTO MICROBIANO pH • O pH em torno da neutralidade, isto é, em torno de 6,5 – 7,5, é o mais favorável para a maioria dos microrganismos. FATORES DE CRESCIMENTO MICROBIANO PRESSÃO OSMÓTICA FATORES DE CRESCIMENTO MICROBIANO PRESSÃO OSMÓTICA Necessitam dos sais para o crescimento Não necessitam, mas conseguem crescer A maioria dos microrganismos deve ser cultivada em meio constituído quase que apenas de água. REPRODUÇÃO BACTERIANA Crescimento: aumento do protoplasma celular pela síntese de ácidos nucléicos, proteínas, polissacarídeos e lipídeos; e absorção de água e eletrólitos. • Termina na divisão celular. Multiplicação: resposta necessária à pressão de crescimento. MODO DE REPRODUÇÃO BACTERIANA Cissiparidade (ou fissão binária): formação de um septo equatorial na região do mesossomo e divisão da célula-mãe, em duas células filhas. • "Cocos“: em qualquer direção, • "bacilos e espirilos”: no sentido transversal. TEMPO DE GERAÇÃO • TEMPO DE GERAÇÃO = Tempo para a população duplicar. Ele varia consideravelmente entre os organismos e com as condições ambientais, como a temperatura. A maioria das bactérias tem um tempo de geração de 1 a 3 horas; outras requerem mais de 24 horas por geração. Onde: td= tempo de geração t= tempo de crescimento n = número de gerações Td = t / n TEMPO DE GERAÇÃO • TEMPO DE GERAÇÃO: Depende: • da espécie • do meio empregado • das condições de cultivo Ex: E. coli - 17 min em caldo lactosado a 37ºC - 12,5 min em leite a 37ºC CURVA DE CRESCIMENTO BACTERIANO • Fase lag • Fase log • Fase estacionária • Fase de morte celular CURVA DE CRESCIMENTO BACTERIANO Fase lag (A): esta fase de crescimento ocorre quando as células são transferidas de um meio para outro ou de um ambiente para outro. • Esta é a fase de ajuste e representa o período necessário para adaptação das células ao novo ambiente. • As células nesta fase aumentam no volume total em quase duas ou quatro vezes, mas não se dividem pois as células estão sintetizando DNA, novas proteínas e enzimas, que são um pré-requisito para divisão. CURVA DE CRESCIMENTO BACTERIANO Fase exponencial ou log (B): nesta fase, as células estão se dividindo a uma taxa geométrica constante até atingir um máximo de crescimento. • Os componentes celulares como RNA, proteínas, peso seco e polímeros da parede celular estão também aumentando a uma taxa constante. • Como as células na fase exponencial estão se dividindo a uma taxa máxima, elas são muito menores em diâmetro que as células na fase Lag. • A fase de crescimento exponencial normalmente chega ao final devido à depleção de nutrientes essenciais, diminuição de oxigênio em cultura aeróbia ou acúmulo de produtos tóxicos. CURVA DE CRESCIMENTO BACTERIANO Fase estacionária (C): durante esta fase, há rápido decréscimo na taxa de divisão celular. • Eventualmente, o número total de células em divisão será igual ao número de células mortas, resultando na verdadeira população celular estacionária. • A energia necessária para manter as células na fase estacionária é denominada energia de manutenção e é obtida a partir da degradação de produtos de armazenamento celular, ou seja, glicogênio, amido e lipídeos. CURVA DE CRESCIMENTO BACTERIANO Fase de morte ou declínio (D): quando as condições se tornam fortemente impróprias para o crescimento, as células se reproduzem mais lentamente e as células mortas aumentam em números elevados. • Nesta fase o meio se encontra deficiente em nutrientes e ricos em toxinas produzidas pelos próprios microrganismos. CURVA DE CRESCIMENTO BACTERIANO Por que os meios de cultura para crescimento bacteriano devem ser inicialmente estéreis?