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SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 
1 HISTÓRICO DA BIOSSEGURANÇA ....................................................................... 4 
2 DEFINIÇÕES DA BIOSSEGURANÇA ..................................................................... 8 
2.1 Biossegurança na estética .................................................................................. 11 
3 RISCOS RELACIONADOS ÀS ATIVIDADES DE BELEZA. .................................. 14 
3.1 Riscos biológicos ................................................................................................ 16 
3.2 Risco químico ..................................................................................................... 18 
3.3 Riscos físicos ...................................................................................................... 19 
3.4 Riscos ergonômicos ............................................................................................ 20 
3.5 Equipamentos de Proteção Individual ................................................................. 20 
4 ESTERILIZAÇÃO ................................................................................................... 25 
5 DESINFECÇÃO ...................................................................................................... 27 
5.1 Desinfecção de alto nível .................................................................................... 28 
5.2 Desinfecção de médio nível ................................................................................ 28 
5.3 Desinfecção de baixo nível ................................................................................. 29 
6 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE ....................... 30 
6.1 Etapas do gerenciamento de resíduos ............................................................... 31 
6.2 Classificação e manejo dos resíduos gerados na área de beleza ...................... 34 
6.3 Como minimizar riscos associados aos resíduos ............................................... 38 
7 LEGISLAÇÕES E REGULAMENTAÇÕES NAS ÁREAS DE ESTÉTICA .............. 39 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 43 
 
 
 
 
 
3 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Prezado aluno, 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é 
que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da 
nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à 
execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da 
semana e a hora que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
1 HISTÓRICO DA BIOSSEGURANÇA 
Desde a divulgação das descobertas de Louis Pasteur sobre os 
microrganismos e a formulação da teoria microbiana das doenças em 1862, surgiu 
uma crescente preocupação com os cuidados a serem tomados em ambientes 
hospitalares. A teoria de Pasteur postulava que as doenças tinham sua origem na 
transmissão de microrganismos, instigando a necessidade de medidas preventivas. 
No entanto, o conceito de biossegurança só começou a ser amplamente discutido na 
década de 1970, coincidindo com os avanços significativos na engenharia genética. 
Nesse período, um experimento pioneiro foi conduzido, inserindo um gene relacionado 
à produção de insulina na bactéria E. coli. A repercussão desse experimento foi tão 
marcante que levou à realização da Conferência de Asilomar, na Califórnia 
(STAPENHORST, 2018). 
Durante a Conferência de Asilomar, realizada para discutir os riscos associados 
à engenharia genética e a segurança dos laboratórios, também foi abordada a 
necessidade de implementar medidas de contenção para mitigar os riscos aos 
trabalhadores envolvidos nesse campo. Assim, essa conferência não apenas lançou 
luz sobre os desafios éticos e de segurança da engenharia genética, mas também 
marcou um marco importante no desenvolvimento das diretrizes de biossegurança e 
na conscientização sobre os riscos potenciais associados à manipulação de 
microrganismos em ambientes laboratoriais (STAPENHORST, 2018). 
A partir da Conferência de Asilomar, a comunidade científica recebeu um alerta 
crucial sobre a importância da biossegurança no emprego das técnicas desenvolvidas 
na engenharia genética. Diante dessa conscientização, percebeu-se a necessidade 
premente de estabelecer normas, legislações e regulamentações específicas para 
regulamentar essas atividades, visando a segurança tanto dos profissionais 
envolvidos quanto do público. Nesse período, observou-se um aumento preocupante 
de doenças entre profissionais de saúde na Inglaterra e na Dinamarca, como 
tuberculose e hepatite B, o que reforçou ainda mais a importância da implementação 
de práticas de biossegurança. Essas constatações destacaram a relevância de 
 
5 
 
medidas preventivas e protocolos de segurança para evitar a transmissão de 
microrganismos nocivos (STAPENHORST, 2018). 
À medida que a globalização avançou, acompanhada pelo aumento da 
circulação de pessoas e mercadorias, e com a crescente ameaça do uso de armas 
biológicas em potenciais atentados terroristas, a preocupação com a biossegurança 
transcendeu os limites de laboratórios e hospitais. A necessidade de proteger não 
apenas os profissionais de saúde, mas também a sociedade em geral, tornou-se uma 
prioridade, levando a um crescente reconhecimento da importância da biossegurança 
em diversos contextos (STAPENHORST, 2018). 
No ano de 1981, com a emergência da epidemia de AIDS e o primeiro registro 
documentado de contágio acidental em um profissional da saúde, renovou-se a ênfase 
na importância da biossegurança. Diante desse cenário, em 1987, foram 
estabelecidas as precauções universais, uma iniciativa recomendada pelo Centers for 
Disease Control and Prevention (CDC). O objetivo dessas precauções era disseminar 
diretrizes abrangentes, delineando as medidas a serem adotadas para prevenir a 
transmissão dos vírus HIV e da hepatite B (STAPENHORST, 2018). 
As precauções universais representaram um marco significativo na promoção 
da biossegurança, proporcionando diretrizes claras e abrangentes para profissionais 
de saúde e outros envolvidos na prestação de cuidados. Estas medidas destinavam-
se a proteger tanto os profissionais de saúde quanto os pacientes, contribuindo para 
minimizar os riscos de contágio e reforçando a necessidade contínua de práticas 
seguras no ambiente de assistência à saúde (STAPENHORST, 2018). 
No contexto brasileiro, a primeira legislação referente à biossegurança foi 
instituída por meio da Resolução n.º 1 do Conselho Nacional de Saúde, em 1988, 
quando foram estabelecidas normas relacionadas à pesquisa e à saúde (BRASIL, 
1988). Contudo, somente em 1995, essa resolução foi formalmente consolidada 
legalmente por meio da Lei n.º 8.974 e do Decreto de Lei n.º 1.752 (STAPENHORST, 
2018). 
A Lei n.º 8.974, abrange a minimização de riscos associados aos Organismos 
Geneticamente Modificados (OGMs) e visa promover a saúde nos âmbitos do 
ambiente de trabalho, meio ambiente e comunidade. Um desdobramento significativo 
dessa legislação foi a criação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurançaespecíficas ajuda a proteger tanto os 
profissionais da estética quanto os consumidores. Elas abrangem uma variedade de 
áreas, desde a qualificação e formação dos profissionais até a segurança dos 
produtos e equipamentos utilizados nos procedimentos estéticos. Além disso, as 
regulamentações muitas vezes abordam questões éticas, promovendo a 
transparência, honestidade e respeito pelos direitos dos clientes. 
A implementação eficaz dessas regulamentações contribui para elevar o 
padrão da indústria de estética, fortalecendo a confiança do público nos serviços 
 
42 
 
oferecidos. Profissionais qualificados e treinados adequadamente, aliados a práticas 
seguras, resultam em experiências mais positivas para os clientes, reduzindo riscos 
de complicações e efeitos adversos. 
Entretanto, é importante ressaltar que as legislações devem ser dinâmicas, 
acompanhando as inovações tecnológicas e as mudanças nas tendências da 
indústria. A colaboração contínua entre profissionais, reguladores e instituições 
educacionais é essencial para garantir que as regulamentações estejam alinhadas 
com as necessidades em constante evolução do setor. 
Em suma, as legislações e regulamentações desempenham um papel crucial 
na construção de uma indústria de estética ética, segura e profissional. Elas são 
fundamentais para o crescimento sustentável do setor, proporcionando benefícios 
tanto para os profissionais quanto para os clientes, ao promover práticas responsáveis 
e garantir a integridade do campo da estética. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALMEIDA, R. Riscos e benefícios das atividades de beleza: uma revisão da 
literatura. Revista Brasileira de Dermatologia. Rio de Janeiro, v. 93, n. 4, pág. 555-
560, 2018. 
ANTUNES, H. M., et al. Biossegurança e Ensino de Medicina na Universidade 
Federal de Juiz de Fora, (MG). Revista Brasileira de Educação Médica, v. 34, n. 3, 
2015. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 10004: 
Resíduos sólidos; classificação. Rio de Janeiro, 2004. Disponível em: 
https://encurtador.com.br/uvxH0. Acesso em: 21 dez. 2023. 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 7500: 
Identificação para o transporte terrestre, manuseio, movimentação e 
armazenamento de produtos. Rio de Janeiro, 2004. Disponível em: 
https://encurtador.com.br/tyJM9. Acesso em: 21 dez. 2023. 
BRASIL. Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. Assistência segura: uma 
reflexão teórica aplicada a prática. Brasília: Anvisa. 2017. 
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC Anvisa nº 222, de 28 de 
março de 2018. Regulamenta as Boas Práticas de Gerenciamento dos Resíduos 
de Serviços de Saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 
DF. Disponível em: https://encurtador.com.br/cjoU6. Acesso em: 20 dez. 2023. 
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da diretoria colegiada - 
RDC Nº 63, de 25 de novembro de 2011. Dispõe sobre os requisitos de boas 
práticas de funcionamento para os serviços de saúde. Disponível em: Acesso em: 
20 dez. 2023. 
BRASIL. Conselho Federal de Biomedicina. Resolução CFBM Nº 197, de 21 de 
fevereiro de 2011. Dispõe sobre as atribuições do profissional biomédico no 
exercício da saúde estética e atuar como responsável técnico de empresa que 
executam atividades para fins estéticos. Disponível em: 
https://encurtador.com.br/jqJN8. Acesso em: 20 dez. 2023. 
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução CFF nº 573, de 22 de maio de 
2013. Dispõe sobre as atribuições do farmacêutico no exercício da saúde 
estética e da responsabilidade técnica por estabelecimentos que executam 
atividades afins. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em: 
https://encurtador.com.br/qxOST. Acesso em: 20 dez. 2023. 
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução CFF nº 585, de 29 de agosto de 
2013. Regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico e dá outras 
providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em: 
https://encurtador.com.br/cjoU6
https://encurtador.com.br/qxOST
 
44 
 
https://encurtador.com.br/fnpIQ. Acesso em: 20 dez. 2023. 
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução CFF nº 616, de 25 de novembro 
de 2015. Define os requisitos técnicos para o exercício do farmacêutico no 
âmbito da saúde estética, ampliando o rol das técnicas de natureza estética e 
recursos terapêuticos utilizados pelo farmacêutico em estabelecimentos de 
saúde estética. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em: 
https://encurtador.com.br/buLNQ. Acesso em: 20 dez. 2023. 
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resoluções 417, 418/2004 e 431/2005. 
Código de ética da profissão farmacêutica. Brasília: CFF, 1998. Disponível em: 
https://encurtador.com.br/dpFJQ. Acesso em: 20 dez. 2023. 
Brasil. Conselho Federal de Fisioterapia. Resolução COFFITO nº 394, de 25 de 
novembro de 2011. Disciplina a especialidade profissional de fisioterapia 
dermatofuncional e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 
Disponível em: https://encurtador.com.br/dINU8. Acesso em: 20 dez. 2023. 
BRASIL. Conselho Federal de Odontologia. Resolução CFO Nº 198, de 29 de janeiro 
de 2019. Reconhece a Harmonização Orofacial como especialidade 
odontológica, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 
Disponível em: https://encurtador.com.br/vDJK7. Acesso em: 20 dez. 2023. 
BRASIL. Lei nº 12.592, de 18 de janeiro de 2012. Dispõe sobre o exercício das 
atividades profissionais de Cabeleireiro, Barbeiro, Esteticista, Manicure, 
Pedicure, Depilador e Maquiador. Brasília: Presidência da República, 2012. 
Disponível em: https://encurtador.com.br/empxO. Acesso em: 6 ago. 2020. 
BRASIL. Lei nº 13.643, de 03 de abril de 2018. Regulamenta as profissões de 
esteticista, que compreende o esteticista e cosmetólogo, e de técnico em 
estética. Brasília. Disponível em: https://encurtador.com.br/nFQT1. Acesso em: 20 
dez. 2023. 
BRASIL. Lei nº 13.643, de 3 de abril de 2018. Regulamenta as profissões de 
Esteticista, que compreende o Esteticista e Cosmetólogo, e de Técnico em 
Estética. Brasília: Presidência da República, 2018. Disponível em: 
https://encurtador.com.br/akAH0. Acesso em: 20 dez. 2020 
BRASIL. Lei nº 8.974, de 5 de janeiro de 1995. Revogada pela Lei nº 11.105 de 24 de 
março de 2005. Dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança. Brasília. 
Disponível em: https://encurtador.com.br/hozFV. Acesso em: 20 dez. 2023. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Biossegurança em saúde: prioridades e estratégias 
de ação. Brasília: MS, 2010 
COSTA, M. A. F.; COSTA, M. F. B. Educação e competências em biossegurança. 
Revista Brasileira de Educação Médica, v. 38, n. 1, 2013. 
 
https://encurtador.com.br/dpFJQ
 
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COSTA, M.A.F. Biossegurança: segurança química básica para ambientes 
biotecnológicos e hospitalares. São Paulo: Ed. Santos, 1996 
FIOCRUZ. Biossegurança em foco. Recife: Fiocruz-PE, 2020 
GARBACCIO, J. L.; OLIVEIRA, A. C. O risco oculto no segmento de estética e 
beleza: uma avaliação do conhecimento dos profissionais e das práticas de 
biossegurança nos salões de beleza. Texto Contexto Enfermagem, Florianópolis, 
v. 22, n. 4, 2013. 
GOBBO, D. P. Estética facial e essencial: orientação para o profissional de 
estética. São Paulo: Atheneu Editora, 2010. 
NOGUEIRA, I. A., et al. Manual de biossegurança em acupuntura. Rio de Janeiro: 
Secretaria de Estado da Saúde; 2003. 
PIATTI, I. L. Biossegurança estética e imagem pessoal. Formalização do 
estabelecimento: Exigências da Vigilância Sanitária em Biossegurança. Curitiba-
PR. 2013 
RAMOS, J. M. P. Biossegurança e embelezamento de beleza e afins. São Paulo: 
Atheneu Editora, 2009. 
STAPENHORST, A., et al. Biossegurança. Grupo A, 2018. 
 
TEIXEIRA, P; VALLE, S. Biossegurança: uma abordagem multidisciplinar. Rio de 
Janeiro: Fiocruz, 1996.6 
 
(CTNBio), responsável por abordar questões relativas à saúde dos trabalhadores, ao 
meio ambiente e à biotecnologia. 
A CTNBio desempenha um papel crucial na supervisão e regulamentação de 
atividades que envolvem biossegurança no Brasil. Além disso, essa iniciativa 
evidencia a preocupação do país com a segurança nos laboratórios e a saúde dos 
trabalhadores, especialmente considerando a maior exposição destes a agentes 
químicos e biológicos. A legislação estabelecida sinaliza um compromisso com 
práticas seguras, promovendo a proteção da saúde pública e do meio ambiente diante 
do avanço da biotecnologia (STAPENHORST, 2018). 
Antes desse marco, em 1992, ocorreu a Conferência das Nações Unidas sobre 
Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro. Nesse encontro, chefes de 
estado de 178 países se reuniram para discutir medidas voltadas à redução da 
degradação ambiental. Durante essa conferência, foi estabelecido o Protocolo de 
Cartagena de Biossegurança, cuja entrada em vigor ocorreu somente em 2003 
(STAPENHORST, 2018). 
O Protocolo de Cartagena é um acordo internacional cujo objetivo é estabelecer 
normas e diretrizes relativas à movimentação de Organismos Vivos Modificados 
(OVM) através de fronteiras. A finalidade principal é garantir um nível mais elevado de 
proteção e segurança à diversidade biológica e à saúde humana. Este protocolo 
representa uma resposta global à necessidade de regulamentação e controle rigoroso 
no transporte e manipulação de OVMs, reconhecendo a importância de prevenir 
possíveis impactos negativos sobre o meio ambiente e a saúde pública em escala 
internacional (STAPENHORST, 2018). 
No ano de 2005, a legislação referente à biossegurança no Brasil passou por 
uma alteração significativa com a revogação da Lei n.º 8.974, de 1995, pela Lei n.º 
11.105/05. Esta última promulgou normas de segurança e métodos de fiscalização 
voltados para atividades que envolvem Organismos Geneticamente Modificados 
(OGMs) e seus derivados. O principal objetivo dessa legislação é garantir a 
preservação da saúde humana, animal e vegetal, além da proteção do meio ambiente 
(STAPENHORST, 2018). 
A Lei n.º 11.105/05 introduziu a criação do Conselho Nacional de 
Biossegurança (CNBS) e estabeleceu a obrigatoriedade de formação da Comissão 
 
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Interna de Biossegurança (CIBio) em instituições de ensino, pesquisa científica, 
desenvolvimento tecnológico e produção industrial que utilizam técnicas de 
engenharia genética ou conduzem pesquisas com OGMs. Adicionalmente, essa 
legislação promoveu uma reestruturação na Comissão Técnica Nacional de 
Biossegurança (CTNBio) e apresentou disposições relacionadas à Política Nacional 
de Biossegurança (PNB) (STAPENHORST, 2018). 
Essa revisão legislativa reforça o compromisso do Brasil em estabelecer 
diretrizes mais abrangentes e específicas para regulamentar as atividades que 
envolvem OGMs, assegurando, assim, a segurança e a integridade nos campos da 
pesquisa, desenvolvimento tecnológico e produção industrial no país. 
Dessa forma, ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) foi atribuída a 
responsabilidade pela condução da Política Nacional de Biossegurança (PNB), 
incluindo o estabelecimento de diretrizes e o poder de decisão em última instância. 
Além disso, o CNBS detém a prerrogativa de decidir sobre a conveniência e 
oportunidade de qualquer Organismo Geneticamente Modificado (OGM). Por outro 
lado, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) assumiu a 
incumbência de estabelecer normas, emitir decisões técnicas, analisar a avaliação de 
risco, autorizar pesquisas e decidir sobre a necessidade de licenciamento ambiental 
para atividades envolvendo OGMs (STAPENHORST, 2018). 
A nova legislação incorpora o Princípio da Precaução, alinhando-se com a 
Declaração do Rio de 1992 e o Protocolo de Cartagena, os quais também fazem 
menção a esse princípio. O Princípio da Precaução preconiza que a ausência de 
comprovação científica não deve ser motivo para adiar a implementação de medidas 
preventivas adequadas, visando evitar danos à saúde humana e ao meio ambiente. 
Assim, as políticas de saúde e ambientais devem focar na previsão, prevenção e 
mitigação de danos, sempre considerando a minimização da degradação ambiental 
como um objetivo primordial (STAPENHORST, 2018). 
Atualmente, a biossegurança figura como uma disciplina interdisciplinar crucial 
em diversas áreas, abrangendo a saúde, a pesquisa, a indústria e o meio ambiente. 
A necessidade de um constante aprimoramento do conhecimento e das práticas de 
biossegurança é imperativa, visando assegurar a segurança das pessoas, prevenir a 
disseminação de agentes patogênicos e minimizar os impactos negativos no meio 
 
8 
 
ambiente. A manutenção de elevados padrões de biossegurança torna-se essencial 
para enfrentar os desafios contemporâneos e garantir o bem-estar coletivo, refletindo 
um compromisso contínuo com a proteção da saúde pública e a preservação 
ambiental. 
2 DEFINIÇÕES DA BIOSSEGURANÇA 
Acredita-se que a origem do uso do jaleco remonta à Idade Média. Durante 
esse período, a presença de sujeira e resquícios de sangue nas vestimentas dos 
médicos era interpretada como um sinal de que eles atendiam a inúmeros pacientes, 
o que lhes conferia respeito e reconhecimento. No entanto, a adoção do jaleco branco 
e limpo como norma só ocorreu após a confirmação científica, por meio de estudos, 
de que muitas doenças eram transmitidas devido à falta de higiene e desinfecção, 
tanto no que diz respeito ao jaleco quanto ao ambiente em que os procedimentos eram 
realizados. A mudança para jalecos limpos e brancos reflete a compreensão da 
importância da assepsia para prevenir a propagação de doenças e promover 
ambientes de cuidado mais seguros. 
No Brasil, foi necessária a implementação de uma lei com o intuito de 
sensibilizar os profissionais sobre os riscos associados ao uso do jaleco em locais 
públicos, especialmente em estabelecimentos como restaurantes, lanchonetes, 
padarias e meios de transporte coletivo. A legislação destaca os potenciais perigos 
que essa prática pode representar para a saúde das pessoas. 
A maioria dos micro-organismos é invisível a olho nu, e a simples aparência e 
o aroma de limpeza podem ser enganosos. Embora o jaleco seja um equipamento de 
proteção essencial no ambiente de trabalho para quem o utiliza, fora desse contexto 
ele pode se tornar um veículo de transmissão de doenças e, além disso, estar sujeito 
à contaminação, representando riscos para pacientes, colegas de trabalho e todos 
que frequentam os espaços envolvidos. 
A criação dessa legislação ressalta a importância de conscientizar os 
profissionais da saúde sobre a responsabilidade associada ao uso do jaleco e reforça 
a necessidade de práticas higiênicas rigorosas para garantir a segurança de todos, 
 
9 
 
tanto no ambiente de trabalho quanto em lugares públicos. 
O exemplo do jaleco é apenas uma ilustração; há bastante tempo, as 
implicações do trabalho na vida e saúde humana têm sido objeto de discussão e 
análise em diversos estudos. Nesse contexto, a compreensão consolidou-se de que 
as práticas de biossegurança desempenham um papel fundamental na proteção da 
vida e na promoção da saúde e bem-estar da população. Essas ações visam mitigar 
riscos, garantir ambientes seguros e contribuir para a preservação da integridade 
física e mental dos indivíduos, refletindo um compromisso com a qualidade de vida e 
a segurança ocupacional (FIOCRUZ, 2020). 
Como profissional ou estudante na área da estética e da beleza, a 
biossegurança é de extrema relevância para suas práticas. No entanto, antes de 
aprofundar nesse tema, é crucial compreender que a biossegurança constitui um 
conjunto de ações direcionadas para a prevenção, minimização e eliminação de riscos 
inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico 
e prestação de serviços.O objetivo primordial é preservar a saúde do ser humano e 
dos animais, bem como a integridade do meio ambiente, contribuindo para a qualidade 
dos resultados obtidos nesses contextos. Essa abordagem reflete um compromisso 
com a segurança e bem-estar, ressaltando a importância de práticas seguras e 
responsáveis nas diversas áreas ligadas à estética e à beleza (FIOCRUZ, 2020). 
O conceito de biossegurança é abrangente e complexo. A interligação da 
biossegurança com diversos ambientes e os riscos associados ultrapassa a 
preocupação exclusiva com micro-organismos, demandando uma perspectiva mais 
abrangente. A biossegurança opera como um instrumento essencial para a 
preservação da saúde humana e do meio ambiente. Esta abordagem ampla ressalta 
a importância de práticas e medidas preventivas que visam garantir a segurança e o 
bem-estar não apenas das pessoas, mas também do ecossistema circundante. 
A susceptibilidade a doenças também está relacionada à exposição e aos 
procedimentos realizados no ambiente de trabalho. Fatores como calor, frio, radiação, 
substâncias químicas, estresse, agentes infecciosos e riscos ergonômicos, entre 
outros, podem contribuir ou influenciar de maneira variada e cumulativa no 
agravamento de problemas de saúde. Esses elementos representam potenciais 
ameaças à saúde ocupacional, destacando a importância de medidas preventivas e 
 
10 
 
práticas de biossegurança para mitigar os riscos associados às atividades laborais 
(SILVA; BARBOSA; PONTES, 2014). 
A biossegurança transcende a aplicação exclusiva em laboratórios de estudos. 
Este campo abrange a proposição de ações, técnicas, normas e condutas seguras 
com o propósito de prevenir, controlar, reduzir e minimizar riscos inerentes a diversas 
atividades que possam comprometer a saúde humana e animal, assim como o meio 
ambiente. Desse modo, torna-se evidente que seu objetivo primordial é proporcionar 
uma proteção ampla, abrangendo o trabalhador, a comunidade e o meio ambiente. A 
busca por práticas seguras e responsáveis em diferentes contextos reflete o 
compromisso da biossegurança com a preservação da integridade e bem-estar nos 
mais diversos cenários. 
O termo "biossegurança" teve sua origem na Conferência de Asilomar, 
realizada nos Estados Unidos na década de 1970, a qual abordou os impactos da 
engenharia genética. Contudo, foi apenas na década seguinte que a Organização 
Mundial da Saúde (OMS) conceituou formalmente a biossegurança como um conjunto 
de práticas preventivas destinadas ao manuseio de agentes patogênicos. Além disso, 
a OMS incorporou a classificação dos riscos em categorias biológicas, químicas, 
físicas, radioativas e ergonômicas. Essa definição abrangente e a categorização dos 
riscos refletem a necessidade de estratégias abrangentes para proteger a saúde 
humana, animal e ambiental nas atividades que envolvem a manipulação de materiais 
potencialmente perigosos (FIOCRUZ, 2020). 
Atualmente, a biossegurança no Brasil é abordada em duas vertentes distintas: 
a biossegurança praticada e a legal. A abordagem prática da biossegurança 
concentra-se principalmente em instituições de saúde, onde os fatores de risco 
químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais são prevalentes, 
enquadrando-se no âmbito da segurança ocupacional. Essa prática de biossegurança 
é respaldada por normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho, portarias do 
Ministério da Saúde e resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) 
(FIOCRUZ, 2020). 
Por outro lado, a biossegurança legal é regulamentada pela Lei n.º 11.105/2005 
e aplicada em instituições e situações que envolvem a manipulação de Organismos 
Geneticamente Modificados (OGMs) e pesquisas com células-tronco embrionárias. 
 
11 
 
Essa vertente legal da biossegurança estabelece diretrizes específicas e padrões para 
garantir a segurança em atividades que lidam com questões biotecnológicas e 
genéticas, assegurando o controle e a prevenção de riscos associados a essas 
práticas. Ambas as vertentes, a prática e a legal, são fundamentais para promover um 
ambiente seguro e responsável em diversas áreas que lidam com potenciais riscos à 
saúde humana, animal e ambiental (FIOCRUZ, 2020). 
Como é perceptível, a biossegurança está intrinsecamente ligada à execução 
das atividades dos profissionais na área da estética e da beleza. Uma vez que esses 
estabelecimentos também são categorizados como prestadores de serviços 
relacionados à saúde, é essencial compreender os riscos inerentes a essas atividades 
e adotar medidas de prevenção e controle de infecções para mantê-los seguros e 
conforme as regulamentações vigentes. A seguir, será abordada a relação desses 
princípios com a estética e como aplicá-los no cotidiano da profissão. 
2.1 Biossegurança na estética 
A biossegurança na estética é uma parte essencial da prática profissional que 
visa garantir a segurança tanto dos profissionais quanto dos clientes, minimizando o 
risco de contaminação e a propagação de doenças. Aqui estão alguns aspectos 
fundamentais relacionados à biossegurança na estética (ANVISA, 2017): 
• Higienização e Esterilização de Instrumentos: A correta higienização e 
esterilização de instrumentos são medidas cruciais. Instrumentos não 
esterilizados podem ser fontes de infecções, portanto, é fundamental adotar 
práticas adequadas para garantir a eliminação de micro-organismos 
patogênicos. 
• Descarte Adequado de Resíduos: Os resíduos gerados durante 
procedimentos estéticos, como agulhas, gazes ou qualquer material 
contaminado, devem ser descartados de maneira adequada, seguindo as 
normas e regulamentações locais. Isso é essencial para prevenir a 
disseminação de infecções e proteger o meio ambiente. 
• Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI): Profissionais da 
estética devem utilizar EPIs apropriados, como luvas, máscaras e óculos 
 
12 
 
de proteção, dependendo do procedimento realizado. Esses equipamentos 
ajudam a minimizar o contato direto com substâncias químicas, fluidos 
corporais e outros agentes potencialmente contaminantes. 
• Assepsia do Ambiente de Trabalho: Manter um ambiente limpo e 
asseptizado é fundamental para a biossegurança. Superfícies de trabalho, 
macas e áreas de atendimento devem ser regularmente limpas e 
desinfetadas para prevenir a proliferação de micro-organismos. 
• Anamnese e Avaliação Prévia: Antes de realizar qualquer procedimento 
estético, é importante conduzir uma anamnese detalhada e uma avaliação 
prévia do cliente. Isso ajuda a identificar possíveis contraindicações, 
alergias ou condições médicas que possam influenciar no tratamento. 
• Atualização Profissional: Manter-se atualizado sobre as práticas e técnicas 
mais recentes, assim como as regulamentações e normas vigentes, é 
essencial para garantir uma prática segura e eficaz na área da estética. 
• Treinamento Contínuo: Os profissionais da estética devem passar por 
treinamentos contínuos em biossegurança, promovendo a conscientização 
sobre práticas seguras, uso correto de equipamentos e atualizações nas 
diretrizes do setor. 
Apesar das normas técnicas estabelecidas pela legislação sanitária em vigor e 
das discussões contínuas sobre biossegurança em estabelecimentos de estética e 
beleza, as denúncias e os problemas relacionados à prevenção e ao controle de 
infecções têm sido recorrentes. Notavelmente, entre os serviços classificados como 
de interesse para a saúde, os de estética e embelezamento recebem o maior número 
de denúncias (ANVISA, 2017). 
Esse cenário destaca a importância de uma atenção redobrada e práticas 
rigorosas de biossegurança nesses estabelecimentos, visando não apenas a 
conformidade com as normativas legais, mas principalmente a proteção da saúde dos 
profissionais e dos clientes. A necessidade de reforçar medidas preventivas e 
educativas nesse setor se faz evidente para mitigar os riscos de infecções e garantirum ambiente seguro e saudável para todos os envolvidos (ANVISA, 2017). 
Na área da estética, a biossegurança desempenha um papel crucial na 
asseguração da segurança tanto dos profissionais quanto dos clientes durante os 
 
13 
 
procedimentos. Com o crescimento da popularidade das clínicas de estética e dos 
salões de beleza, torna-se essencial que os profissionais estejam plenamente 
conscientes dos riscos envolvidos e adotem medidas adequadas para preveni-los 
(GARBACCIO, 2013). 
O aumento da demanda por serviços estéticos impõe uma responsabilidade 
ainda maior aos profissionais, exigindo uma abordagem diligente em relação à 
higiene, esterilização de instrumentos, uso adequado de equipamentos de proteção 
individual, e a implementação de práticas que minimizem os riscos de infecção e 
garantam a segurança de todos os envolvidos. O comprometimento com a 
biossegurança não apenas assegura a integridade da prática profissional, mas 
também promove a confiança e o bem-estar dos clientes, fundamentais para o 
sucesso e a reputação desses estabelecimentos (GARBACCIO, 2013). 
De acordo com Piatti (2013), a biossegurança em estética envolve ações para 
prevenir e minimizar os riscos associados a procedimentos cirúrgicos, corporais e 
capilares. É importante destacar que existe um risco de exposição cutânea durante 
procedimentos como a limpeza de pele, em que é feita a extração de comedões, 
podendo ocasionar uma exposição cutânea, que será abordado mais para frente. Por 
isso, é necessário que os profissionais estejam atentos e tomem todas as medidas de 
segurança necessárias. 
Assim, a biossegurança configura-se como um processo contínuo de análise 
dos riscos enfrentados diariamente pelos profissionais da área de estética durante a 
prestação de serviços na cabine de estética. Essa avaliação abrange uma variedade 
de aspectos, incluindo os procedimentos adotados e a prática de boas condutas no 
ambiente de trabalho. A principal prioridade é assegurar a segurança de todos os 
envolvidos, abrangendo tanto os profissionais que realizam os procedimentos quanto 
os pacientes que os recebem, bem como o próprio ambiente onde são executados. 
Isso implica que os procedimentos devem ser seguros e capazes de proporcionar 
resultados de qualidade. Esse enfoque sistemático na biossegurança visa não apenas 
cumprir normas e regulamentos, mas também promover um ambiente confiável e 
protegido para todos os participantes no âmbito da estética. 
É fundamental que os profissionais da área de saúde estejam plenamente 
conscientes dos riscos aos quais estão expostos em seu ambiente de trabalho e 
 
14 
 
adotem medidas preventivas apropriadas. Isso se justifica pelo fato de que, ao realizar 
procedimentos, esses profissionais podem entrar em contato com patógenos 
causadores de doenças, tais como hepatite B e C, herpes, gripe, tuberculose, micoses 
e HIV. Além disso, há a exposição a produtos químicos tóxicos que emitem odores 
prejudiciais à saúde. O conhecimento e a aplicação de práticas seguras tornam-se, 
assim, essenciais para proteger a saúde e o bem-estar dos profissionais da saúde, 
além de garantir um ambiente seguro para os pacientes. 
Torna-se fundamental a divulgação de informações sobre biossegurança e a 
implementação de práticas seguras, para proteger os profissionais, os 
pacientes/clientes e o meio ambiente. Nesse contexto, é essencial aderir às normas 
estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e empregar 
métodos que estejam conforme as boas práticas de biossegurança. Esse 
comprometimento com diretrizes regulatórias e boas práticas contribui 
significativamente para garantir a segurança e a integridade nas diversas atividades 
que envolvem riscos à saúde humana, animal e ambiental. 
Em síntese, a biossegurança na estética é um compromisso constante com 
práticas seguras e responsáveis. Ao seguir as diretrizes estabelecidas, os 
profissionais da estética contribuem para um ambiente de trabalho seguro, protegendo 
a saúde tanto dos clientes quanto deles mesmos. 
3 RISCOS RELACIONADOS ÀS ATIVIDADES DE BELEZA. 
De acordo com Ramos (2009), a análise dos riscos possibilita a adoção de 
medidas para minimizar os potenciais consequências prejudiciais. Na esfera da 
cosmetologia e estética, diversos riscos em potencial podem ser identificados e 
classificados durante a execução dos procedimentos. Um exemplo notável é o uso 
prolongado do secador, o qual pode acarretar riscos físicos, como exposição ao calor 
e ruído, além de apresentar riscos ergonômicos, como adoção de posições forçadas 
e movimentos repetitivos. Essa abordagem destaca a importância de uma análise 
criteriosa dos riscos inerentes às práticas na cosmetologia, visando a implementação 
de medidas preventivas para salvaguardar a saúde e a segurança dos profissionais e 
 
15 
 
clientes. 
Baseado em estudos de autoras como Piatti: 
Existe perigo no manuseio de determinados produtos químicos ou biológicos, 
por exemplo, porém o risco dessa atividade pode ser considerado baixo se 
forem observados todos os cuidados necessários e se forem utilizados os 
equipamentos de proteção adequados (PIATTI, 2013, p. 1). 
Conforme Almeida (2018), a indústria da beleza figura como uma das áreas 
mais lucrativas globalmente, contudo, as atividades relacionadas à beleza apresentam 
riscos que frequentemente são negligenciados. Esses riscos podem abranger a 
exposição a produtos químicos perigosos e a contaminação por objetos não 
esterilizados, o que potencialmente resulta em doenças graves. Portanto, é de 
extrema importância que tanto os profissionais do setor quanto os consumidores 
estejam cientes desses riscos e adotem medidas para minimizá-los. A implementação 
de regulamentações e fiscalização torna-se, assim, crucial para assegurar que a 
indústria da beleza opere de maneira segura e responsável. Essas medidas 
contribuem não apenas para a proteção dos profissionais envolvidos, mas também 
para a preservação da saúde e segurança dos consumidores. 
A indústria da beleza é uma das mais lucrativas do mundo, mas os riscos 
associados à sua prática são muitas vezes minimizados ou ignorados. A falta 
de regulamentação e fiscalização nesse setor pode permitir que produtos 
potencialmente perigosos entrem no mercado e sejam utilizados sem 
conhecimento dos consumidores. Por isso, é importante que órgãos 
reguladores e profissionais da área trabalhem juntos para garantir que a 
indústria da beleza opere de forma segura e ética, protegendo a saúde e o 
bem-estar dos consumidores e trabalhadores envolvidos (ALMEIDA, 2018, p. 
555-560). 
Diante desse contexto, é essencial permanecer vigilante em relação aos riscos 
presentes na cabine de estética, adotando cuidados de biossegurança que visem a 
minimização dos riscos biológicos, físicos, químicos e ergonômicos. Essa postura 
proativa e atenta às diversas dimensões de risco contribui para a promoção de um 
ambiente seguro e saudável, tanto para os profissionais que atuam na cabine quanto 
para os clientes envolvidos nos procedimentos estéticos. 
 
Quadro 1. Classificação e descrição dos principais riscos ocupacionais 
em grupos, de acordo com sua natureza e padronização das cores correspondentes 
 
16 
 
 
 
Fonte: Hokeberg et al. (2006) 
3.1 Riscos biológicos 
Os riscos biológicos na área da estética e cosmetologia envolvem micro-
organismos provenientes de seres vivos como bactérias, leveduras, fungos e 
parasitas. Esses riscos incluem materiais contaminados com secreções, sangue, 
pelos, unhas e pele. Para garantir a segurança no ambiente de trabalho é importante 
avaliar esses riscos e conhecer os micro-organismos mais comuns na transmissão de 
doenças infecciosas. 
 Abaixo estão informações básicas sobre os principais micro-organismos e 
como doenças infecciosas envolvidas nos processos biológicos na área da beleza. 
 
 
• Micro-organismos: 
Os micro-organismossão seres extremamente pequenos e não podem ser 
vistos a olho nu, sendo necessário o uso de um microscópio para observá-los. Eles 
são compostos por bactérias, alguns fungos, protozoários e vírus; desempenham 
papéis importantes na natureza, como a reciclagem da matéria orgânica. No entanto, 
 
17 
 
algumas espécies podem causar doenças, sendo consideradas patogênicas. 
Uma doença infecciosa é uma condição clínica que ocorre quando há um 
desequilíbrio entre as defesas do corpo, o número e a virulência dos microrganismos, 
facilitando a sua invasão nos órgãos e tecidos do corpo. 
• Vias de transmissão e contaminação dos micro-organismos 
Existem duas formas de transmissão dos agentes infecciosos: a direta e 
indireta. Na transmissão direta, o contágio ocorre através do contato físico entre o 
transmissor e o receptor, seja pela pele ou pelas secreções. Já na transmissão 
indireta, a infecção ocorre por objetos contaminados, principalmente aqueles que 
cortam ou perfuram, ou pela transferência de micro-organismos de uma pessoa, ou 
objeto para outra, conhecida como infecção cruzada. 
Os micro-organismos podem ser propagados principalmente por meio das 
seguintes vias: 
➢ Via área: o contato por via área acontece quando inalamos micro-
organismos que estão presentes em partículas de aerossóis e gotículas. 
Essas partículas podem ficar suspensas no ar e se propagar por uma 
grande distância, contaminando muitas pessoas. É importante ter 
cuidado com esse tipo de contato, pois pode levar à disseminação rápida 
de doenças infecciosas. 
➢ Via cutânea: o contágio ocorre por meio de contato de sangue e 
secreções contaminadas com a pele não integra. A mão é considerada 
uma fonte importante na transmissão de micro-organismos. 
Para Nogueira et al. (2003) as formas de contágio ocupacional podem ocorrer 
por meio de: 
➢ Exposição em mucosas: quando há respingos na face que envolvam 
olho, nariz ou boca; 
➢ Exposição percutânea: lesões provocadas por instrumentos perfurantes, 
e cortantes (exemplo: agulhas e alicates); 
➢ Exposição cutânea: contato com a pele não integra, como pústulas, 
dermatites e outros; 
➢ Via ocular: a contaminação da mucosa conjuntival ocorre por 
lançamentos de gotículas ou aerossóis de material infectante nos olhos. 
 
18 
 
Vale ressaltar que esses riscos são muito comuns na cabine de estética, 
principalmente em procedimentos faciais como: limpeza de pele, microagulhamento, 
peeling químico. 
3.2 Risco químico 
O risco químico ocorre quando uma pessoa manuseia produtos químicos que 
podem ser prejudiciais à saúde. A toxicidade é a capacidade de uma substância em 
causar danos em um organismo ou ecossistema. De acordo com especialistas, todas 
as substâncias são tóxicas, mas a gravidade dos efeitos depende da dose e da 
sensibilidade do organismo em questão. O risco de intoxicação é a probabilidade de 
uma substância química causar efeitos negativos. 
No caso dos salões de beleza, a aplicação de produtos cosméticos na pele e 
cabelos representam riscos químicos. Os produtos usados em cores e alisamento 
podem conter ingredientes como amônia, hidróxidos, substâncias ácidas, alcalinas e 
oxidantes, a qual são as principais fontes de riscos químicos nesse ambiente. É 
importante estar atento aos perigos que esses produtos químicos podem representar 
e tomar medidas de segurança para minimizar os riscos. 
➢ Vias de penetração das substâncias químicas no organismo: 
➢ Via respiratória: aspiração de vapores ou gases emanados de 
substâncias tóxicas. É a via mais comum e rápida de entrada de 
substâncias no interior do corpo. 
➢ Via oral: ingestão de qualquer tipo de substância tóxica, geralmente 
acidentalmente. 
➢ Via cutânea: contato direto com substâncias químicas tóxicas, 
ocasionando lesões locas e até mesmo queimaduras. Podem também 
ser absorvidas, atingindo a corrente sanguínea. 
➢ Via ocular: por meio de contato com substâncias químicas que emanam 
vapores ou gases na mucosa ocular. 
 
19 
 
3.3 Riscos físicos 
É considerado risco físico as inúmeras formas de energia que os trabalhadores 
possam estar expostos e em que os coloca em vulnerabilidade física. Vejamos: 
Ruídos: ruídos intensos e permanentes acarretam reflexos em todos os 
organismos, não só no aparelho auditivo, mas também alterando o humor, e a 
capacidade de concentração. 
Temperaturas excessivas: Quando estamos expostos a temperaturas muito 
altas, podemos enfrentar problemas de saúde como desidratação, erupções cutâneas, 
problemas no coração e circulação sanguínea, insolação e outros. Na área de 
cosmética e estética, existem procedimentos que podem ser perigosos para os 
profissionais que os requerem, como uma autoclave usada para esterilização, 
ambientes sem ar condicionado e uso da secadora de cabelo. Todos esses fatores 
podem causar riscos à saúde e precisam ser monitorados para garantir a segurança 
de todos os envolvidos. 
Radiações: são formas de energia transmitidas por ondas eletromagnéticas. A 
absorção das radiações pelo organismo é responsável pelo aparecimento de diversas 
lesões. Elas podem ser classificadas em dois grupos: 
➢ Radiações ionizantes: os operadores de raio-x e radioterapia estão 
evidenciados a este tipo de risco. 
➢ Radiações não-ionizantes: existem dois tipos de radiação que podem 
ser perigosos para a saúde: a radiação infravermelha, produzida em 
fornos, e a radiação ultravioleta, gerada por equipamentos como lasers 
e micro-ondas. Esses tipos de radiação podem causar vários efeitos 
negativos, como problemas nos olhos (conjuntivite e catarata), 
queimaduras, e lesões na pele. Na área de cosmetologia e estética, os 
profissionais podem estar expostos a esses riscos ao trabalhar com 
equipamentos capilares e de estética que usam laser. Por isso, é 
importante que eles tomem cuidado e usem equipamentos de proteção 
para minimizar os riscos à saúde. 
 
20 
 
3.4 Riscos ergonômicos 
Os riscos ergonômicos são considerados uma ciência que estuda a ligação 
entre as pessoas e seu ambiente de trabalho, ou seja, são todos os comportamentos 
que podem prejudicar a saúde dos indivíduos no ambiente de trabalho. Portanto, 
esforço físico, levantamento de peso, má postura, longas jornadas de trabalho, 
situações estressantes, movimentos monótonos e repetitivos são considerados riscos 
ergonômicos. 
3.5 Equipamentos de Proteção Individual 
Considera-se Equipamento de Proteção Individual (EPI) todo dispositivo ou 
produto utilizado pessoalmente pelo trabalhador para proteção contra riscos que 
possam ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. 
Segundo Gobbo (2010), os profissionais de beleza devem evitar o contato com 
sangue e secreções (matéria orgânica) e devem utilizar barreiras protetoras, que são 
muito eficazes na redução da contaminação microbiana. 
A seguir, segundo a autora Piatti (2013), as características dos principais EPIs 
e os motivos pelos quais cada EPI é necessário para os procedimentos estéticos: 
 
• Máscaras/ respiradores: 
 
Este EPI é utilizado quando há risco de respingos nas mucosas das cavidades 
oral e nasal, para proteger o trato respiratório superior de micro-organismos contidos 
em partículas e aerossóis ao tossir, espirrar ou falar, por exemplo. 
Por isso, durante procedimentos em cabines de estética, principalmente faciais, 
o uso desses EPIs é fundamental, pois a proximidade entre cliente e profissional evita 
a contaminação cruzada. 
 
21 
 
Figura 2 - Imagem do Equipamento de Proteção Individual (máscara) 
Fonte: encurtador.com.br/lnzO8 
 
 
 
 
• Luvas: 
 
As mãos são protegidas com luvas e devem ser utilizadas para evitar o contato 
da pele com matéria orgânica (sangue, secreções ou mucosas) durante os 
procedimentos. Observe que as luvas devem ser usadas para cada manutenção e 
descartadas ao final do procedimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
Figura 3 - Imagem ilustrativa do Equipamento de ProteçãoIndividual (luvas). 
 Fonte: encurtador.com.br/loENS 
• Touca ou gorro descartável: 
O uso de touca ou gorro pelo profissional evita a contaminação cruzada entre 
o paciente e o profissional. Portanto, é descartado após o uso. 
 
Figura 4 - Imagem do gorro descartável. (Equipamento de Proteção Individual) 
 
 Fonte: https://bityli.com/fp7Lle 
https://bityli.com/fp7Lle
 
23 
 
 
• Jaleco: 
Os jalecos fornecem uma barreira protetora, evitando que a pele e as roupas 
do profissional fiquem expostas a sangue e secreções orgânicas, bem como à 
contaminação por produtos químicos. Seu uso, portanto, evita o transporte de 
microorganismos para outro local. 
Outro ponto importante é que não é recomendado usar jaleco fora do 
ambiente de trabalho. É importante ressaltar que devem ser substituídos quando 
estiverem sujos. 
Figura 5 - Imagem do jaleco. (Equipamento de Proteção Individual). 
Fonte: encurtador.com.br/rz026 
 
• Óculos de proteção: 
 
Diante do risco imediato de líquido, sangue, secreções e produtos químicos 
entrarem nos olhos, os óculos têm a mesma finalidade das máscaras, atuando como 
uma barreira à propagação da infecção. Há também óculos de proteção ao manusear 
lasers. A proteção rigorosa dos olhos é necessária devido aos riscos de danos 
 
24 
 
irreversíveis ou cicatrizes na córnea e na esclerótica. Profissionais e pacientes devem 
usar óculos de proteção especiais para a potência do laser. 
Além da exposição direta ao laser, a exposição indireta de superfícies reflexivas 
também deve ser considerada. Os lasers podem ser refletidos por superfícies 
metálicas (espelhos ou vidros refletivos). 
 
Figura 6 - Imagem ilustrativa dos óculos de proteção. Equipamento de Proteção 
Individual (EPI) 
Fonte: encurtador.com.br/mtPXZ 
 
 
25 
 
Figura 7 - Imagem ilustrativa do (EPI) Equipamento de Proteção Individual, óculos 
de proteção utilizado pelo cliente ao receber tratamento com o laser. 
Fonte: https://bityli.com/IpDKe1 
 
4 ESTERILIZAÇÃO 
Ao realizar a esterilização, é necessário ter em mente que o instrumental deve 
ser preparado, por meio da descontaminação, lavagem, secagem e empacotamento. 
Além disso, para que a esterilização seja eficaz, a escolha da embalagem adequada 
é fundamental, levando em consideração o processo de esterilização e o tipo de 
material que será esterilizado. 
A embalagem deve ser capaz de resistir a gotículas de água, rasgos e 
perfurações, ser livre de resíduos tóxicos como alvejantes e corantes, permitir a 
entrada e remoção dos agentes esterilizantes, ser uma barreira contra micróbios e 
não apresentar furos. (ANTUNES et al., 2015). 
Existem dois tipos de processos de esterilização mais comuns: físicos e 
químicos. Os processos físicos incluem calor seco (estufa), calor úmido (autoclave), 
radiações esterilizantes (como raios gama-cobalto e ultravioleta), filtração e 
microesferas de vidro. Já o processo químico pode ser feito com óxido de etileno, 
https://bityli.com/IpDKe1
 
26 
 
plasma de peróxido de hidrogênio ou soluções químicas (COSTA,1996). 
Para realizar a esterilização em estufa, é importante seguir cuidadosamente o 
tempo adequado (60 minutos a 170 °C ou 120 minutos a 160 °C) e usar as 
embalagens corretas em recipientes metálicos fechados. O monitoramento deve ser 
feito usando um termômetro acessório, pois o termômetro da estufa não mede a 
temperatura interna, mas sim a temperatura da base. 
Alguns fatores podem levar ao fracasso da esterilização em estufa, como tempo 
incorreto, interrupção do ciclo, excesso de instrumentos nas caixas metálicas, 
exposição das embalagens que impedem a circulação do ar quente, falta de controle 
de temperatura e sobrecarga da capacidade da estufa. 
A esterilização em autoclave é um dos métodos mais seguros, pois utiliza 
temperatura, pressão e umidade para destruir microrganismos. Uma das vantagens é 
a rapidez do processo e a possibilidade de esterilização de materiais como gaze e 
algodão, sem que percam suas propriedades. No entanto, esse método pode causar 
manchas e corrosão nos instrumentos (COSTA, 1996). 
O tempo de esterilização varia conforme a temperatura e pressão utilizadas. 
Para autoclaves com temperatura de 121 °C e 1 atmosfera de pressão, o tempo 
necessário é de 30 minutos. Já para as que atingem 132 °C e 1 atmosfera de pressão, 
são necessários 15 minutos. Em autoclaves de alto vácuo do tipo cassete, uma 
exposição de 4 minutos a 132 °C é suficiente. 
As causas de insucesso na esterilização em autoclave incluem sobrecarga de 
material, embalagem com pouca água, abertura do equipamento antes do total 
esfriamento favorecendo a condensação de água, manutenção e limpeza 
inadequadas, embalagens não indicadas para esterilização, queda da energia elétrica 
durante o ciclo. 
Com relação ao método químico de esterilização, existem substâncias que 
podem ser utilizadas, mas é necessário seguir um protocolo rigoroso de limpeza dos 
instrumentos antes do processo. Além disso, a imersão dos instrumentos leva muito 
tempo e os cuidados especiais devem ser tomados após a conclusão do processo, 
como enxágue em água estéril, secagem em compressa esterilizada e uso imediato. 
Devido a essas exigências, a operacionalização deste método é difícil. Os 
produtos químicos utilizados para esterilização são geralmente tóxicos e podem 
 
27 
 
causar alergias na pele, mucosas e olhos, sendo necessário que o operador utilize 
equipamentos de proteção individual e trabalhe em ambiente ventilado. 
O processo de esterilização em estufas e autoclaves carece de controle de 
desempenho do equipamento. Para tanto, o controle físico envolve a observação de 
dispositivos presentes no aparelho, o termômetro e manovacuômetro na autoclave e 
o termostato e termômetro na estufa (ANTUNES et al., 2015). 
O uso de indicadores químicos durante o processo de esterilização é essencial 
para garantir o acompanhamento do método. Esses indicadores podem estar 
presentes na própria embalagem do material ou em forma de fita adesiva, que deve 
ser afixada nos pacotes a serem esterilizados. Eles são compostos por tinta 
termoquímica que muda de cor quando expostos à determinada temperatura e tempo. 
Além disso, existem os indicadores multiparamétricos, que são colocados 
internamente nas embalagens e consistem em uma tira de papel impregnada com 
tinta termocrômica que muda de cor conforme a exposição à temperatura por tempo 
determinado. 
Tão importante quanto o processo de esterilização em si e seu controle, é a 
armazenagem apropriada dos instrumentos esterilizados, uma vez que isso feito de 
forma inadequada poderá haver uma quebra da “cadeia de esterilidade” (ALMEIDA, 
2009). Indica-se que o local de armazenagem deve ser limpo, protegido do meio 
externo e utilizado exclusivamente para este fim. 
O tempo de armazenagem dos materiais esterilizados recomendo pelo 
Ministério da Saúde é de 7 dias para esterilização por processo físico, sem haver 
distinção entre os tipos de embalagem e condições de armazenagem. 
5 DESINFECÇÃO 
A desinfecção, seja por métodos físicos ou químicos, visa eliminar a maioria 
dos micro-organismos presentes, contribuindo para a redução do risco de 
contaminação. Este processo é crucial em ambientes onde a presença de patógenos 
pode representar uma ameaça à saúde (BRASIL, 2010). Portanto, a desinfecção é 
valiosa para reduzir a carga microbiana e minimizar riscos, as substâncias 
 
28 
 
empregadas nos procedimentos de desinfecção seguem a classificação conforme sua 
capacidade em alto, médio e baixo nível. 
5.1 Desinfecção de alto nível 
O processo de inativação de esporos bacterianos resistentes e outras formas 
de microrganismos vegetativos e patogênicos é conhecido como esterilização. O 
glutaraldeido a 2% é um exemplo de substância que pode ser utilizada para realizar a 
esterilização.Este desinfetante é capaz de agir em 30 minutos de exposição, o que o 
torna uma opção eficiente para possibilitar a obtenção de materiais médicos e 
odontológicos. É importante ressaltar que a escolha do desinfetante deve ser feita de 
acordo com as características do material a ser desinfetado e as propriedades do 
próprio desinfetante. 
Além do glutaraldeido, existem outras substâncias que podem ser utilizadas 
para a esterilização, como o óxido de etileno, o formaldeído e o peróxido de 
hidrogênio. Cada uma dessas substâncias possui propriedades e indicações 
específicas, que devem ser levadas em consideração na escolha do desinfetante 
adequado. 
Por fim, é fundamental ressaltar a importância do uso adequado dos 
desinfetantes, seguindo as orientações de diluição, tempo de exposição e modo de 
aplicação indicada pelo fabricante. O uso incorreto desses produtos pode não apenas 
comprometer a eficácia da esterilização, mas também colocar em risco a saúde das 
pessoas envolvidas no processo. 
5.2 Desinfecção de médio nível 
Os agentes desinfetantes de grau intermediário são capazes de eliminar a 
maioria dos microrganismos, mas não conseguem erradicar todos os esporos 
bacterianos. Exemplos de desinfetantes de grau incluem compostos iodados, 
fenólicos e álcoois. 
Os compostos iodados são frequentemente utilizados para desinfetar a pele e 
as mucosas, sendo amplamente utilizados em hospitais e clínicas. Os fenólicos são 
 
29 
 
eficazes na influência de superfícies e objetos, apresentando uma ação prolongada. 
Já os álcoois, como etanol e isopropanol, são utilizados para desinfetar as mãos e 
instrumentos médicos. É crucial destacar que o uso de desinfetantes de grau 
intermediário deve ser realizado de acordo com as instruções do fabricante, 
respeitando o tempo de contato e a quantidade adequada para cada superfície ou 
material a ser desinfetado. 
 Porém, é importante ressaltar que, embora os desinfetantes de nível médio 
sejam eficazes na maioria das situações, eles não são capazes de eliminar todos os 
tipos de microrganismos, como os esporos bacterianos e alguns vírus mais 
resistentes. Nestes casos, é necessário o uso de desinfetantes de nível alto, como o 
glutaraldeido e o ácido peracético, que possuem maior poder de ação e são capazes 
de eliminar uma variedade maior de microrganismos. 
Além disso, é fundamental que a limpeza e obediência sejam realizadas de 
forma regular e constante, principalmente em ambientes hospitalares e outros locais 
onde há grande circulação de pessoas e risco de contaminação. O objetivo é reduzir 
a carga de microrganismos presentes no ambiente e prevenir a disseminação de 
doenças infecciosas. 
É importante ressaltar que a escolha do desinfetante adequado e a correta 
aplicação do produto devem ser realizadas por profissionais capacitados, seguindo as 
orientações do fabricante e as normas de segurança e biossegurança. Dessa forma, 
é possível garantir a eficácia da limpeza e secreção, proteger a saúde dos 
profissionais e pacientes, e contribuir para um ambiente mais seguro e saudável. 
5.3 Desinfecção de baixo nível 
Nesse caso, os produtos apresentam baixa atividade bactericida e são capazes 
de inativar apenas alguns tipos de vírus e fungos. Esses desinfetantes são usados 
para limpeza de superfícies, e não para artigos críticos ou semicríticos. Os exemplos 
incluem a clorexidina e compostos quaternários de amônio. 
Assim como na limpeza de instrumentais em clínicas de estética, todo 
procedimento de desinfecção do ambiente de trabalho deve ser precedido por uma 
limpeza geral com água e sabão para remover a sujeira. Superfícies fixas, como 
 
30 
 
paredes, janelas, portas, tetos e pisos, não representam risco de infecção se mantidas 
limpas. É importante estabelecer uma rotina de limpeza periódica, conforme a área ou 
quando houver sujidade visível. 
Para desinfetar superfícies fixas, como o chão de uma clínica, é indicado 
realizar uma limpeza diária com um desinfetante de baixo nível no início e fim do 
expediente. Caso haja material biológico visível, é necessário limpar a área com água 
e sabão, secar com papel toalha descartável e, em seguida, aplicar um desinfetante 
de nível médio. Não é recomendado o uso de hipoclorito de sódio em pisos cerâmicos, 
já que isso pode corroer essas superfícies devido a falhas que podem estar presentes. 
As paredes não são uma fonte primária de infecção cruzada, portanto devem 
ser limpas semanalmente ou quando apresentarem sujidades visíveis. Quando 
contaminadas por material biológico devem ser tratadas como o piso. Elas devem ser 
esfregadas em sentido único, com esponja ou pano, com uso de desinfetantes de 
médio e baixo nível, depois devem ser enxaguadas e secadas com pano limpo. Como 
nos pisos, não é recomendado o uso de hipoclorito (COSTA,1996). 
Já para a limpeza dos armários e bancadas, é recomendável serem 
desinfetados após cada paciente, especialmente quando se realizam procedimentos 
semicríticos e críticos. Os desinfetantes recomendados são à base de fenol sintético, 
álcool a 70% ou ácido peracético. 
É essencial desinfetar equipamentos como cadeira, maca e mochos após cada 
uso em um novo paciente. No entanto, é importante escolher cuidadosamente o 
desinfetante a ser utilizado, levando em conta alguns critérios. Superfícies metálicas 
não devem ser limpas com hipoclorito de sódio, por exemplo. 
O álcool a 70% pode causar ressecamento em superfícies plásticas e 
opacidade do material. É fundamental lembrar que a aplicação adequada do álcool é 
essencial para a eficácia da operação: deve ser friccionado por 30 segundos, deixar 
secar e repetir a operação três vezes. 
6 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE 
O relacionamento entre os seres humanos e o ambiente tem mostrado que as 
 
31 
 
atividades humanas estão causando impactos ambientais que ameaçam o futuro. Por 
essa razão, é importante implementar ações que minimizem esses impactos, incluindo 
o gerenciamento adequado de resíduos sólidos de serviços de saúde, que podem 
causar danos ambientais, sociais e biológicos se não forem tratados corretamente. 
Com a crescente necessidade de desenvolvimento sustentável, as regulamentações 
estão se tornando cada vez mais rigorosas, obrigando as empresas e 
estabelecimentos a adotarem medidas para controlar o consumo ambiental. 
Os resíduos provenientes de serviços de saúde são gerados em diversas áreas 
relacionadas ao atendimento à saúde, incluindo serviços de cuidados em domicílio e 
trabalhos de campo. A fim de proteger a saúde pública e preservar o meio ambiente, 
a RDC n.º 222/2018 estabelece que o gerenciamento desses resíduos deve ser 
baseado em procedimentos científicos, técnicos, normativos e legais para minimizar 
a produção de resíduos e garantir sua disposição segura e eficiente em instalações 
permitidas, licenciadas pelo órgão ambiental competente. É importante ressaltar que 
as instituições de saúde são responsáveis por seguir os procedimentos desde a 
geração até a disposição final desses resíduos. 
Neste cenário, é fundamental que todos os estabelecimentos que geram 
resíduos de serviços de saúde sejam cuidadosamente observados em relação às 
questões de biossegurança, pois os resíduos apresentam alto risco de infecção. Para 
evitar danos, é necessário implementar procedimentos de prevenção, emergência e 
controle de mortalidade. Portanto, os aspectos de biossegurança estão ligados ao 
gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, como destacado pelo IPEA em 
2012. 
6.1 Etapas do gerenciamento de resíduos 
O manejo dos RSSS é entendido como um conjunto de medidas de gestão de 
resíduos desde a geração até a disposição final, incluindo as etapas mostradas na 
Figura 8 e descritas abaixo. 
 
32 
 
Figura 8 – Etapas do gerenciamento de resíduos. 
 Fonte: Adaptado de Bezzon; Fernandes, 2019. 
 
• Segregação: 
O processo de segregação de resíduosconsiste na separação dos mesmos no 
local e momento em que são gerados, levando em consideração suas características 
físicas, químicas, biológicas, estado físico e riscos envolvidos. É essencial que o 
pessoal responsável seja capacitado para realizar essa tarefa honrosa. Os principais 
objetivos da segregação são: minimizar a contaminação de resíduos considerados 
comuns, permitir a adoção de procedimentos específicos para o perigo de cada grupo 
de resíduos, reduzir os riscos para a saúde e reciclar ou reutilizar parte dos resíduos 
considerados comuns, conforme destaca Ramos (2009). 
• Acondicionamento: 
Uma etapa de acondicionamento envolve o processo de embalar os resíduos 
segregados em sacos ou recipientes que podem evitar vazamentos e resistir a 
punções e rupturas, a fim de reduzir os riscos de contaminação e facilitar a coleta, o 
armazenamento e o transporte, conforme apontado por Ramos (2009). É importante 
que a capacidade dos recipientes utilizados para o acondicionamento seja adequada 
à quantidade de resíduos gerados diariamente. Além disso, é essencial seguir as 
recomendações para esta etapa e supervisão rigorosamente. Os sacos de 
 
33 
 
acondicionamento devem ser colocados em lixeiras com tampa que não exija contato 
manual. 
Figura 9 – Modelos de recipientes acondicionadores de RSS. 
Fonte: Contemar Ambiental, 2017. 
 
• Identificação: 
É um conjunto de procedimentos que permitem a identificação de resíduos em 
sacos e recipientes e fornecem informações sobre o uso correto de resíduos. 
Etiquetas específicas para resíduos devem ser colocadas em sacos de embalagens, 
recipientes coletores internos e externos, áreas de armazenamento, em local bem 
visível com símbolos, cores e frases, seguindo a NBR 7500 (ABNT, 200) e RDC n.º 
222/2018 conforme a Figura 10: 
 
34 
 
Figura 10 - Símbolos de identificação dos grupos. 
Fonte: NBR 7500 (ABNT, 2004) e a RDC n.º 222/2018. 
6.2 Classificação e manejo dos resíduos gerados na área de beleza 
A classificação dos RSSS é confirmada na RDC n.º 222 (BRASIL, 2018) com 
base em sua composição e propriedades biológicas, físicas e químicas. O objetivo da 
classificação é garantir o manejo adequado desses resíduos tanto interna quanto 
externamente nas unidades de saúde. 
 A gestão dos resíduos começa com a separação dos diferentes tipos no 
momento da utilização. Cada recipiente de embalagem deve ter uma etiqueta 
autoadesiva indicando o tipo de resíduo e uma lista dos resíduos que devem ser 
depositados nesses aterros. Recomenda-se a programação visual padronizada dos 
símbolos e descrições utilizadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
 
Figura 11 - Classificação dos Resíduos de Saúde segundo a Resolução RDC n.º 
222/2018 
 
Fonte: Adaptado de RDC n.º 222/2018. 
 
• Resíduos Infectantes (GRUPO A): 
 
Esses são materiais que possuem ou têm exposição a microrganismos, ou 
substâncias biológicas, tais como sangue e secreções. Na prática de cosmetologia e 
estética, há diversos tipos de resíduos infectantes, incluindo unhas, cutículas, 
instrumentos de manicure, cabelos, ceras com pelos, luvas, máscaras, toucas, 
algodão, gazes, lençóis descartáveis e papel protetor de macas, os quais podem estar 
contaminados com material biológico. 
Os resíduos classificados no grupo A devem ser guardados de maneira 
adequada para o processo de tratamento, utilizando sacos plásticos brancos opacos, 
resistentes, impermeáveis e marcados com o símbolo de risco biológico, além de ter 
um rótulo de fundo branco com desenhos e contornos pretos, acompanhado pela frase 
"resíduo infectante". Esses sacos plásticos devem ser colocados em recipientes com 
tampa, pedal e identificação, conforme normas protegidas pela RDC n.º 222/2018. 
 
 
 
36 
 
• Resíduos Químicos (GRUPO B): 
 
Os resíduos químicos são aqueles que contêm substâncias químicas capazes 
de apresentar riscos à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas 
características de corrosividade, reatividade, inflamabilidade, toxicidade, 
citogenicidade e explosividade. 
Na área de cosmetologia e estética, é possível encontrar diversos tipos de 
resíduos químicos, incluindo embalagens de produtos cosméticos contendo 
substâncias tóxicas como amônia, peróxido de hidrogênio, tioglicolato, receitas 
esfoliantes, entre outras, além de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como 
luvas contaminadas com produtos químicos tóxicos. 
O grupo B também inclui resíduos de saneantes, desinfetantes (incluindo 
recipientes contaminados por eles) e outros produtos perigosos, conforme a 
classificação da NBR 10004 (ABNT, 2004), tais como substâncias tóxicas, corrosivas, 
inflamáveis e reativas. É necessário distinguir os resíduos químicos que apresentam 
riscos à saúde ou ao meio ambiente daqueles que podem ser reciclados. No caso de 
resíduos recicláveis, devem ser segregados e armazenados separadamente. 
Os resíduos podem ser descartados na rede coletora de esgoto ou em corpos 
receptores, desde que estejam conforme as diretrizes para resíduos ambientais, 
geradores de resíduos hídricos e de saneamento. Entretanto, quando se trata de 
solventes e outros produtos químicos líquidos, é preciso evitar o lançamento na rede 
de esgoto. Nesses casos, deve-se utilizar recipientes individuais feitos de materiais 
compatíveis com o líquido armazenado, resistentes, rígidos e estanques, com tampa 
rosqueada e vedante. Além disso, é fundamental observar as exigências de 
conformidade química entre o resíduo e as embalagens utilizadas. 
Os resíduos sólidos de natureza química devem ser colocados em sacos 
plásticos apropriados e identificados com símbolos e frases que alertam sobre os 
riscos químicos, sendo então acomodados em recipientes rígidos, com tampas que 
não necessitam de contato manual. As embalagens secundárias, que não entraram 
em contato com o produto, podem ser separadas e destinadas à reciclagem. A 
identificação dos resíduos químicos é realizada por meio do símbolo de risco 
adequado, segundo a NBR 7500 (ABNT, 2004), e com informações sobre a 
 
37 
 
substância química e as frases de risco antioxidantes. 
 
 
• Rejeitos Radioativos (GRUPO C): 
 
Os rejeitos radioativos pertencentes ao Grupo C são originados de atividades 
humanas que envolvem a presença de radionuclídeos em quantidades que excedem 
os limites de eliminação estabelecidos pelas normas da Comissão Nacional de 
Energia Nuclear (CNEN). Estes materiais são considerados inadequados para 
reutilização ou não contemplados para tal finalidade. 
Este grupo abrange uma variedade de fontes, incluindo materiais provenientes 
de laboratórios de pesquisa e ensino na área de saúde, laboratórios de análises 
clínicas, assim como serviços de medicina nuclear e radioterapia. Nos casos em que 
esses materiais contenham radionuclídeos em concentrações superiores aos limites 
permitidos, são classificados como rejeitos radioativos do Grupo C. 
É importante ressaltar que a categorização neste grupo se dá não apenas pela 
natureza dos materiais, mas também pela inadequação ou ausência de previsão para 
sua reutilização. Assim, o descarte apropriado desses rejeitos é fundamental para 
garantir a segurança e a conformidade com as normas regulatórias estabelecidas pela 
CNEN. 
 
 
• Resíduos recicláveis (GRUPO D): 
 
Os resíduos comuns têm as mesmas características dos resíduos domésticos 
e devem ser acondicionados de acordo com as orientações dos órgãos locais 
responsáveis pelo serviço de limpeza urbana, porém, os sacos plásticos não precisam 
ser identificados conforme preconiza RDC n.º 222/2018. 
Caso o estabelecimento recicle os resíduos, eles podem ser acondicionados 
no local de geração em recipientes específicos para cada tipo de material reciclado 
(papel, plástico, metal, vidro). As cores dos recipientes devem ser segundo a 
Resolução CONAMA n.º 275, de 25 de abril 2001, que estabelece um código de cores 
 
38para identificar cada tipo de resíduo. No caso de se utilizar o código de cores durante 
a separação para reciclagem, é importante também utilizar sacos coloridos, a fim de 
identificar corretamente os resíduos separados. 
 
• Resíduos perfurocortantes (GRUPO E): 
 
Materiais perfurocortantes ou escarificantes incluem agulhas, lâminas de 
barbear, pinças, navalhas, tesouras, espátulas, alicates, cortadores de unha e todos 
os utensílios de vidro quebrados no estabelecimento. 
Para garantir a segurança, os objetos cortantes e perfurantes devem ser 
colocados em recipientes robustos e resistentes a furos e vazamentos, com uma 
tampa e etiquetas adotadas que sigam as normas protegidas pela NBR 13853 da 
ABNT (2018). É expressamente proibido esvaziar esses recipientes ou reutilizá-los. 
Além disso, os recipientes devem ser identificados com o símbolo de 
substância infectante da NBR 7500 da ABNT (2004), com etiquetas de fundo branco, 
contornos pretos e desenhos, além da inscrição "resíduo perfurocortante" e quaisquer 
outros riscos adicionais. 
6.3 Como minimizar riscos associados aos resíduos 
Toda atividade desenvolvida em estabelecimento de saúde e beleza implica em 
riscos, em maior ou menor grau. Conforme Ramos (2009), sem procurar esgotar as 
possibilidades existentes, pode-se citar algumas formas de minimizar os riscos 
gerados por resíduos em estabelecimentos de saúde e beleza: 
a) evitando a contaminação de resíduos comuns através da segregação; 
b) utilizar equipamentos de proteção individual e coletivo apropriados para cada 
atividade; 
c) oferecendo treinamento abrangente para todo o pessoal do estabelecimento, 
para poder trabalhar com segurança e seguir procedimentos; 
d) adaptando o layout das instalações do estabelecimento para minimizar o 
trajeto dos resíduos; 
e) planejando horários e rotas das diferentes atividades do estabelecimento 
 
39 
 
para evitar conflitos que possam aumentar o risco de contaminação; 
f) identificar recipientes e locais que contenham resíduos perigosos por meio 
de símbolos, núcleos e expressões específicas; 
g) protegendo as áreas de armazenamento temporário de RSSS por meio da 
instalação de telas ou grades, a fim de impedir a entrada de vetores (como insetos e 
pequenos animais); 
h) desenvolvendo e implementando procedimentos de trabalho que visam 
reduzir a ocorrência de incidentes envolvendo resíduos; 
i) utilizar a educação em saúde ambiental como meio de conscientizar as 
pessoas sobre os riscos relacionados às atividades do estabelecimento; 
j) encorajando a participação de todos os funcionários do estabelecimento de 
saúde e beleza na identificação de riscos e na criação de ideias para minimizar 
problemas. 
7 LEGISLAÇÕES E REGULAMENTAÇÕES NAS ÁREAS DE ESTÉTICA 
As legislações e regulamentações direcionadas aos procedimentos estéticos 
variam conforme a área e a profissão. É importante que os profissionais envolvidos 
em procedimentos estéticos sejam aceitáveis, preparados e sigam as normas e 
regulamentos aceitáveis. Dessa forma, é possível garantir a segurança e a qualidade 
dos procedimentos estéticos para todos os envolvidos. 
A atuação na área de estética dentro do âmbito farmacêutico está sujeita a 
diversas legislações e regulamentações, visando assegurar a segurança, qualidade e 
ética nos serviços prestados. No contexto brasileiro, a regulamentação é estabelecida 
por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Conselho 
Federal de Farmácia (CFF). Abaixo, destacam-se algumas considerações relevantes: 
• Resolução do CFF n.º 585/2013: Essa resolução regulamenta as atribuições 
do farmacêutico esteta, definindo as competências e limites da atuação 
profissional. Ela estabelece, por exemplo, que procedimentos invasivos são 
de competência exclusiva de profissionais médicos, delimitando claramente 
as responsabilidades do farmacêutico no campo da estética. 
 
40 
 
• Lei n.º 13.643/2018: Essa lei regulamenta a profissão de esteticista. O 
farmacêutico esteta, segundo a Resolução CFF n.º 585/2013, pode atuar na 
área da estética, respeitando as limitações de sua formação. 
• Código de Ética do Farmacêutico: Elaborado pelo CFF, esse código 
estabelece os princípios éticos que devem nortear a conduta do farmacêutico 
em todas as áreas de atuação, incluindo a estética. É fundamental que 
profissionais estejam cientes e adotem os princípios éticos previstos nesse 
código em sua prática diária. 
Ainda assim, a área farmacêutica conta com a resolução n.º 573, de 22 de maio 
de 2013, dispõe sobre as atribuições do farmacêutico no exercício da saúde estética 
e da responsabilidade técnica por estabelecimentos que executam atividades afins, e 
a resolução n.º 616, de 25 de novembro de 2015 que define os requisitos técnicos 
para o exercício do farmacêutico no âmbito da saúde estética, ampliando o rol das 
técnicas de natureza estética e recursos terapêuticos utilizados pelo farmacêutico 
em estabelecimentos de saúde estética. 
Portanto, a legislação e regulamentação na área de estética farmacêutica 
buscam criar um ambiente seguro e ético para a prestação de serviços, protegendo 
tanto os profissionais quanto os consumidores. O farmacêutico que atua nesse 
contexto deve estar sempre atualizado e segundo essas normativas, garantindo a 
qualidade dos serviços oferecidos e o respeito às normas estabelecidas pelos órgãos 
competentes. 
Na área de Biomedicina, a Resolução n.º 197, de 21 de fevereiro de 2011, 
dispõe sobre as atribuições do profissional biomédico no exercício da saúde estética 
e atuar como responsável técnico de empresa que executam atividades para fins 
estéticos. 
Na Odontologia, a Resolução CFO n.º 198, de 17 de março de 2019, estabelece 
as normas para a realização de procedimentos estéticos odontológicos, como 
clareamento dental, facetas e lentes de contato dentais. Além disso, o Conselho 
Federal de Odontologia é responsável por regulamentar a atuação dos profissionais 
na área de harmonização orofacial, que envolvem procedimentos estéticos como 
aplicação de toxina botulínica e preenchimento labial. 
 
41 
 
Na Fisioterapia, a Resolução COFFITO n.º 394, de 25 de novembro de 2011, 
estabelece as competências do fisioterapeuta em dermato-funcional, que envolvem 
procedimentos estéticos como a massagem modeladora, a drenagem linfática e a 
eletroestimulação. Além disso, o fisioterapeuta pode atuar em procedimentos 
invasivos, como a carboxiterapia e a intradermoterapia, desde que tenha formação 
específica e seja devidamente habilitado. 
Na Medicina, o Conselho Federal de Medicina é o órgão regulador dos 
procedimentos estéticos realizados por médicos, estabelecendo as normas para a 
realização de procedimentos estéticos invasivos, como cirurgias plásticas, e não 
invasivas, como a aplicação de toxina botulínica e preenchimento facial. Além disso, 
a Sociedade Brasileira de Medicina Estética regulamenta a atuação dos médicos na 
área de medicina estética, que envolve procedimentos estéticos não respiratórios para 
melhorar a aparência da pele, como lasers e peelings. 
A lei n.º 13.643, de 03 de abril de 2018, regulamenta as profissões de 
esteticista, que compreende o esteticista e cosmetólogo, e de técnico em estética. Em 
resumo, as regulamentações para os procedimentos estéticos variam conforme a área 
e a profissão, mas todas visam garantir a segurança e a qualidade dos serviços 
prestados aos pacientes. Por isso, é fundamental que os profissionais estejam sempre 
atualizados e segundo as normas e regulamentos. 
A legislação e regulamentação nas áreas de estética desempenham um papel 
crucial na promoção da segurança, qualidade e ética nos serviços oferecidos aos 
clientes. Ao longo do tempo, o setor de estética passou por uma evolução significativa, 
levando os legisladores a estabelecer normas e diretrizes para garantir práticas 
profissionais responsáveis. 
A presença de regulamentações

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