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2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 1 HISTÓRICO DA BIOSSEGURANÇA ....................................................................... 4 2 DEFINIÇÕES DA BIOSSEGURANÇA ..................................................................... 8 2.1 Biossegurança na estética .................................................................................. 11 3 RISCOS RELACIONADOS ÀS ATIVIDADES DE BELEZA. .................................. 14 3.1 Riscos biológicos ................................................................................................ 16 3.2 Risco químico ..................................................................................................... 18 3.3 Riscos físicos ...................................................................................................... 19 3.4 Riscos ergonômicos ............................................................................................ 20 3.5 Equipamentos de Proteção Individual ................................................................. 20 4 ESTERILIZAÇÃO ................................................................................................... 25 5 DESINFECÇÃO ...................................................................................................... 27 5.1 Desinfecção de alto nível .................................................................................... 28 5.2 Desinfecção de médio nível ................................................................................ 28 5.3 Desinfecção de baixo nível ................................................................................. 29 6 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE ....................... 30 6.1 Etapas do gerenciamento de resíduos ............................................................... 31 6.2 Classificação e manejo dos resíduos gerados na área de beleza ...................... 34 6.3 Como minimizar riscos associados aos resíduos ............................................... 38 7 LEGISLAÇÕES E REGULAMENTAÇÕES NAS ÁREAS DE ESTÉTICA .............. 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 43 3 INTRODUÇÃO Prezado aluno, O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 1 HISTÓRICO DA BIOSSEGURANÇA Desde a divulgação das descobertas de Louis Pasteur sobre os microrganismos e a formulação da teoria microbiana das doenças em 1862, surgiu uma crescente preocupação com os cuidados a serem tomados em ambientes hospitalares. A teoria de Pasteur postulava que as doenças tinham sua origem na transmissão de microrganismos, instigando a necessidade de medidas preventivas. No entanto, o conceito de biossegurança só começou a ser amplamente discutido na década de 1970, coincidindo com os avanços significativos na engenharia genética. Nesse período, um experimento pioneiro foi conduzido, inserindo um gene relacionado à produção de insulina na bactéria E. coli. A repercussão desse experimento foi tão marcante que levou à realização da Conferência de Asilomar, na Califórnia (STAPENHORST, 2018). Durante a Conferência de Asilomar, realizada para discutir os riscos associados à engenharia genética e a segurança dos laboratórios, também foi abordada a necessidade de implementar medidas de contenção para mitigar os riscos aos trabalhadores envolvidos nesse campo. Assim, essa conferência não apenas lançou luz sobre os desafios éticos e de segurança da engenharia genética, mas também marcou um marco importante no desenvolvimento das diretrizes de biossegurança e na conscientização sobre os riscos potenciais associados à manipulação de microrganismos em ambientes laboratoriais (STAPENHORST, 2018). A partir da Conferência de Asilomar, a comunidade científica recebeu um alerta crucial sobre a importância da biossegurança no emprego das técnicas desenvolvidas na engenharia genética. Diante dessa conscientização, percebeu-se a necessidade premente de estabelecer normas, legislações e regulamentações específicas para regulamentar essas atividades, visando a segurança tanto dos profissionais envolvidos quanto do público. Nesse período, observou-se um aumento preocupante de doenças entre profissionais de saúde na Inglaterra e na Dinamarca, como tuberculose e hepatite B, o que reforçou ainda mais a importância da implementação de práticas de biossegurança. Essas constatações destacaram a relevância de 5 medidas preventivas e protocolos de segurança para evitar a transmissão de microrganismos nocivos (STAPENHORST, 2018). À medida que a globalização avançou, acompanhada pelo aumento da circulação de pessoas e mercadorias, e com a crescente ameaça do uso de armas biológicas em potenciais atentados terroristas, a preocupação com a biossegurança transcendeu os limites de laboratórios e hospitais. A necessidade de proteger não apenas os profissionais de saúde, mas também a sociedade em geral, tornou-se uma prioridade, levando a um crescente reconhecimento da importância da biossegurança em diversos contextos (STAPENHORST, 2018). No ano de 1981, com a emergência da epidemia de AIDS e o primeiro registro documentado de contágio acidental em um profissional da saúde, renovou-se a ênfase na importância da biossegurança. Diante desse cenário, em 1987, foram estabelecidas as precauções universais, uma iniciativa recomendada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC). O objetivo dessas precauções era disseminar diretrizes abrangentes, delineando as medidas a serem adotadas para prevenir a transmissão dos vírus HIV e da hepatite B (STAPENHORST, 2018). As precauções universais representaram um marco significativo na promoção da biossegurança, proporcionando diretrizes claras e abrangentes para profissionais de saúde e outros envolvidos na prestação de cuidados. Estas medidas destinavam- se a proteger tanto os profissionais de saúde quanto os pacientes, contribuindo para minimizar os riscos de contágio e reforçando a necessidade contínua de práticas seguras no ambiente de assistência à saúde (STAPENHORST, 2018). No contexto brasileiro, a primeira legislação referente à biossegurança foi instituída por meio da Resolução n.º 1 do Conselho Nacional de Saúde, em 1988, quando foram estabelecidas normas relacionadas à pesquisa e à saúde (BRASIL, 1988). Contudo, somente em 1995, essa resolução foi formalmente consolidada legalmente por meio da Lei n.º 8.974 e do Decreto de Lei n.º 1.752 (STAPENHORST, 2018). A Lei n.º 8.974, abrange a minimização de riscos associados aos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) e visa promover a saúde nos âmbitos do ambiente de trabalho, meio ambiente e comunidade. Um desdobramento significativo dessa legislação foi a criação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurançaespecíficas ajuda a proteger tanto os profissionais da estética quanto os consumidores. Elas abrangem uma variedade de áreas, desde a qualificação e formação dos profissionais até a segurança dos produtos e equipamentos utilizados nos procedimentos estéticos. Além disso, as regulamentações muitas vezes abordam questões éticas, promovendo a transparência, honestidade e respeito pelos direitos dos clientes. A implementação eficaz dessas regulamentações contribui para elevar o padrão da indústria de estética, fortalecendo a confiança do público nos serviços 42 oferecidos. Profissionais qualificados e treinados adequadamente, aliados a práticas seguras, resultam em experiências mais positivas para os clientes, reduzindo riscos de complicações e efeitos adversos. Entretanto, é importante ressaltar que as legislações devem ser dinâmicas, acompanhando as inovações tecnológicas e as mudanças nas tendências da indústria. A colaboração contínua entre profissionais, reguladores e instituições educacionais é essencial para garantir que as regulamentações estejam alinhadas com as necessidades em constante evolução do setor. Em suma, as legislações e regulamentações desempenham um papel crucial na construção de uma indústria de estética ética, segura e profissional. Elas são fundamentais para o crescimento sustentável do setor, proporcionando benefícios tanto para os profissionais quanto para os clientes, ao promover práticas responsáveis e garantir a integridade do campo da estética. 43 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, R. Riscos e benefícios das atividades de beleza: uma revisão da literatura. Revista Brasileira de Dermatologia. Rio de Janeiro, v. 93, n. 4, pág. 555- 560, 2018. ANTUNES, H. M., et al. 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Conselho Federal de Farmácia. Resolução CFF nº 585, de 29 de agosto de 2013. Regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em: https://encurtador.com.br/cjoU6 https://encurtador.com.br/qxOST 44 https://encurtador.com.br/fnpIQ. Acesso em: 20 dez. 2023. BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução CFF nº 616, de 25 de novembro de 2015. Define os requisitos técnicos para o exercício do farmacêutico no âmbito da saúde estética, ampliando o rol das técnicas de natureza estética e recursos terapêuticos utilizados pelo farmacêutico em estabelecimentos de saúde estética. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em: https://encurtador.com.br/buLNQ. Acesso em: 20 dez. 2023. BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resoluções 417, 418/2004 e 431/2005. Código de ética da profissão farmacêutica. Brasília: CFF, 1998. Disponível em: https://encurtador.com.br/dpFJQ. Acesso em: 20 dez. 2023. Brasil. Conselho Federal de Fisioterapia. Resolução COFFITO nº 394, de 25 de novembro de 2011. Disciplina a especialidade profissional de fisioterapia dermatofuncional e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em: https://encurtador.com.br/dINU8. Acesso em: 20 dez. 2023. BRASIL. Conselho Federal de Odontologia. Resolução CFO Nº 198, de 29 de janeiro de 2019. Reconhece a Harmonização Orofacial como especialidade odontológica, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em: https://encurtador.com.br/vDJK7. Acesso em: 20 dez. 2023. BRASIL. Lei nº 12.592, de 18 de janeiro de 2012. Dispõe sobre o exercício das atividades profissionais de Cabeleireiro, Barbeiro, Esteticista, Manicure, Pedicure, Depilador e Maquiador. Brasília: Presidência da República, 2012. Disponível em: https://encurtador.com.br/empxO. Acesso em: 6 ago. 2020. BRASIL. Lei nº 13.643, de 03 de abril de 2018. Regulamenta as profissões de esteticista, que compreende o esteticista e cosmetólogo, e de técnico em estética. Brasília. Disponível em: https://encurtador.com.br/nFQT1. Acesso em: 20 dez. 2023. BRASIL. Lei nº 13.643, de 3 de abril de 2018. Regulamenta as profissões de Esteticista, que compreende o Esteticista e Cosmetólogo, e de Técnico em Estética. Brasília: Presidência da República, 2018. Disponível em: https://encurtador.com.br/akAH0. Acesso em: 20 dez. 2020 BRASIL. Lei nº 8.974, de 5 de janeiro de 1995. Revogada pela Lei nº 11.105 de 24 de março de 2005. Dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança. Brasília. Disponível em: https://encurtador.com.br/hozFV. Acesso em: 20 dez. 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Biossegurança em saúde: prioridades e estratégias de ação. Brasília: MS, 2010 COSTA, M. A. F.; COSTA, M. F. B. Educação e competências em biossegurança. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 38, n. 1, 2013. https://encurtador.com.br/dpFJQ 45 COSTA, M.A.F. Biossegurança: segurança química básica para ambientes biotecnológicos e hospitalares. São Paulo: Ed. Santos, 1996 FIOCRUZ. Biossegurança em foco. Recife: Fiocruz-PE, 2020 GARBACCIO, J. L.; OLIVEIRA, A. C. O risco oculto no segmento de estética e beleza: uma avaliação do conhecimento dos profissionais e das práticas de biossegurança nos salões de beleza. Texto Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 22, n. 4, 2013. GOBBO, D. P. Estética facial e essencial: orientação para o profissional de estética. São Paulo: Atheneu Editora, 2010. NOGUEIRA, I. A., et al. Manual de biossegurança em acupuntura. Rio de Janeiro: Secretaria de Estado da Saúde; 2003. PIATTI, I. L. Biossegurança estética e imagem pessoal. Formalização do estabelecimento: Exigências da Vigilância Sanitária em Biossegurança. Curitiba- PR. 2013 RAMOS, J. M. P. Biossegurança e embelezamento de beleza e afins. São Paulo: Atheneu Editora, 2009. STAPENHORST, A., et al. Biossegurança. Grupo A, 2018. TEIXEIRA, P; VALLE, S. Biossegurança: uma abordagem multidisciplinar. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1996.6 (CTNBio), responsável por abordar questões relativas à saúde dos trabalhadores, ao meio ambiente e à biotecnologia. A CTNBio desempenha um papel crucial na supervisão e regulamentação de atividades que envolvem biossegurança no Brasil. Além disso, essa iniciativa evidencia a preocupação do país com a segurança nos laboratórios e a saúde dos trabalhadores, especialmente considerando a maior exposição destes a agentes químicos e biológicos. A legislação estabelecida sinaliza um compromisso com práticas seguras, promovendo a proteção da saúde pública e do meio ambiente diante do avanço da biotecnologia (STAPENHORST, 2018). Antes desse marco, em 1992, ocorreu a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro. Nesse encontro, chefes de estado de 178 países se reuniram para discutir medidas voltadas à redução da degradação ambiental. Durante essa conferência, foi estabelecido o Protocolo de Cartagena de Biossegurança, cuja entrada em vigor ocorreu somente em 2003 (STAPENHORST, 2018). O Protocolo de Cartagena é um acordo internacional cujo objetivo é estabelecer normas e diretrizes relativas à movimentação de Organismos Vivos Modificados (OVM) através de fronteiras. A finalidade principal é garantir um nível mais elevado de proteção e segurança à diversidade biológica e à saúde humana. Este protocolo representa uma resposta global à necessidade de regulamentação e controle rigoroso no transporte e manipulação de OVMs, reconhecendo a importância de prevenir possíveis impactos negativos sobre o meio ambiente e a saúde pública em escala internacional (STAPENHORST, 2018). No ano de 2005, a legislação referente à biossegurança no Brasil passou por uma alteração significativa com a revogação da Lei n.º 8.974, de 1995, pela Lei n.º 11.105/05. Esta última promulgou normas de segurança e métodos de fiscalização voltados para atividades que envolvem Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) e seus derivados. O principal objetivo dessa legislação é garantir a preservação da saúde humana, animal e vegetal, além da proteção do meio ambiente (STAPENHORST, 2018). A Lei n.º 11.105/05 introduziu a criação do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) e estabeleceu a obrigatoriedade de formação da Comissão 7 Interna de Biossegurança (CIBio) em instituições de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e produção industrial que utilizam técnicas de engenharia genética ou conduzem pesquisas com OGMs. Adicionalmente, essa legislação promoveu uma reestruturação na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e apresentou disposições relacionadas à Política Nacional de Biossegurança (PNB) (STAPENHORST, 2018). Essa revisão legislativa reforça o compromisso do Brasil em estabelecer diretrizes mais abrangentes e específicas para regulamentar as atividades que envolvem OGMs, assegurando, assim, a segurança e a integridade nos campos da pesquisa, desenvolvimento tecnológico e produção industrial no país. Dessa forma, ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) foi atribuída a responsabilidade pela condução da Política Nacional de Biossegurança (PNB), incluindo o estabelecimento de diretrizes e o poder de decisão em última instância. Além disso, o CNBS detém a prerrogativa de decidir sobre a conveniência e oportunidade de qualquer Organismo Geneticamente Modificado (OGM). Por outro lado, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) assumiu a incumbência de estabelecer normas, emitir decisões técnicas, analisar a avaliação de risco, autorizar pesquisas e decidir sobre a necessidade de licenciamento ambiental para atividades envolvendo OGMs (STAPENHORST, 2018). A nova legislação incorpora o Princípio da Precaução, alinhando-se com a Declaração do Rio de 1992 e o Protocolo de Cartagena, os quais também fazem menção a esse princípio. O Princípio da Precaução preconiza que a ausência de comprovação científica não deve ser motivo para adiar a implementação de medidas preventivas adequadas, visando evitar danos à saúde humana e ao meio ambiente. Assim, as políticas de saúde e ambientais devem focar na previsão, prevenção e mitigação de danos, sempre considerando a minimização da degradação ambiental como um objetivo primordial (STAPENHORST, 2018). Atualmente, a biossegurança figura como uma disciplina interdisciplinar crucial em diversas áreas, abrangendo a saúde, a pesquisa, a indústria e o meio ambiente. A necessidade de um constante aprimoramento do conhecimento e das práticas de biossegurança é imperativa, visando assegurar a segurança das pessoas, prevenir a disseminação de agentes patogênicos e minimizar os impactos negativos no meio 8 ambiente. A manutenção de elevados padrões de biossegurança torna-se essencial para enfrentar os desafios contemporâneos e garantir o bem-estar coletivo, refletindo um compromisso contínuo com a proteção da saúde pública e a preservação ambiental. 2 DEFINIÇÕES DA BIOSSEGURANÇA Acredita-se que a origem do uso do jaleco remonta à Idade Média. Durante esse período, a presença de sujeira e resquícios de sangue nas vestimentas dos médicos era interpretada como um sinal de que eles atendiam a inúmeros pacientes, o que lhes conferia respeito e reconhecimento. No entanto, a adoção do jaleco branco e limpo como norma só ocorreu após a confirmação científica, por meio de estudos, de que muitas doenças eram transmitidas devido à falta de higiene e desinfecção, tanto no que diz respeito ao jaleco quanto ao ambiente em que os procedimentos eram realizados. A mudança para jalecos limpos e brancos reflete a compreensão da importância da assepsia para prevenir a propagação de doenças e promover ambientes de cuidado mais seguros. No Brasil, foi necessária a implementação de uma lei com o intuito de sensibilizar os profissionais sobre os riscos associados ao uso do jaleco em locais públicos, especialmente em estabelecimentos como restaurantes, lanchonetes, padarias e meios de transporte coletivo. A legislação destaca os potenciais perigos que essa prática pode representar para a saúde das pessoas. A maioria dos micro-organismos é invisível a olho nu, e a simples aparência e o aroma de limpeza podem ser enganosos. Embora o jaleco seja um equipamento de proteção essencial no ambiente de trabalho para quem o utiliza, fora desse contexto ele pode se tornar um veículo de transmissão de doenças e, além disso, estar sujeito à contaminação, representando riscos para pacientes, colegas de trabalho e todos que frequentam os espaços envolvidos. A criação dessa legislação ressalta a importância de conscientizar os profissionais da saúde sobre a responsabilidade associada ao uso do jaleco e reforça a necessidade de práticas higiênicas rigorosas para garantir a segurança de todos, 9 tanto no ambiente de trabalho quanto em lugares públicos. O exemplo do jaleco é apenas uma ilustração; há bastante tempo, as implicações do trabalho na vida e saúde humana têm sido objeto de discussão e análise em diversos estudos. Nesse contexto, a compreensão consolidou-se de que as práticas de biossegurança desempenham um papel fundamental na proteção da vida e na promoção da saúde e bem-estar da população. Essas ações visam mitigar riscos, garantir ambientes seguros e contribuir para a preservação da integridade física e mental dos indivíduos, refletindo um compromisso com a qualidade de vida e a segurança ocupacional (FIOCRUZ, 2020). Como profissional ou estudante na área da estética e da beleza, a biossegurança é de extrema relevância para suas práticas. No entanto, antes de aprofundar nesse tema, é crucial compreender que a biossegurança constitui um conjunto de ações direcionadas para a prevenção, minimização e eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços.O objetivo primordial é preservar a saúde do ser humano e dos animais, bem como a integridade do meio ambiente, contribuindo para a qualidade dos resultados obtidos nesses contextos. Essa abordagem reflete um compromisso com a segurança e bem-estar, ressaltando a importância de práticas seguras e responsáveis nas diversas áreas ligadas à estética e à beleza (FIOCRUZ, 2020). O conceito de biossegurança é abrangente e complexo. A interligação da biossegurança com diversos ambientes e os riscos associados ultrapassa a preocupação exclusiva com micro-organismos, demandando uma perspectiva mais abrangente. A biossegurança opera como um instrumento essencial para a preservação da saúde humana e do meio ambiente. Esta abordagem ampla ressalta a importância de práticas e medidas preventivas que visam garantir a segurança e o bem-estar não apenas das pessoas, mas também do ecossistema circundante. A susceptibilidade a doenças também está relacionada à exposição e aos procedimentos realizados no ambiente de trabalho. Fatores como calor, frio, radiação, substâncias químicas, estresse, agentes infecciosos e riscos ergonômicos, entre outros, podem contribuir ou influenciar de maneira variada e cumulativa no agravamento de problemas de saúde. Esses elementos representam potenciais ameaças à saúde ocupacional, destacando a importância de medidas preventivas e 10 práticas de biossegurança para mitigar os riscos associados às atividades laborais (SILVA; BARBOSA; PONTES, 2014). A biossegurança transcende a aplicação exclusiva em laboratórios de estudos. Este campo abrange a proposição de ações, técnicas, normas e condutas seguras com o propósito de prevenir, controlar, reduzir e minimizar riscos inerentes a diversas atividades que possam comprometer a saúde humana e animal, assim como o meio ambiente. Desse modo, torna-se evidente que seu objetivo primordial é proporcionar uma proteção ampla, abrangendo o trabalhador, a comunidade e o meio ambiente. A busca por práticas seguras e responsáveis em diferentes contextos reflete o compromisso da biossegurança com a preservação da integridade e bem-estar nos mais diversos cenários. O termo "biossegurança" teve sua origem na Conferência de Asilomar, realizada nos Estados Unidos na década de 1970, a qual abordou os impactos da engenharia genética. Contudo, foi apenas na década seguinte que a Organização Mundial da Saúde (OMS) conceituou formalmente a biossegurança como um conjunto de práticas preventivas destinadas ao manuseio de agentes patogênicos. Além disso, a OMS incorporou a classificação dos riscos em categorias biológicas, químicas, físicas, radioativas e ergonômicas. Essa definição abrangente e a categorização dos riscos refletem a necessidade de estratégias abrangentes para proteger a saúde humana, animal e ambiental nas atividades que envolvem a manipulação de materiais potencialmente perigosos (FIOCRUZ, 2020). Atualmente, a biossegurança no Brasil é abordada em duas vertentes distintas: a biossegurança praticada e a legal. A abordagem prática da biossegurança concentra-se principalmente em instituições de saúde, onde os fatores de risco químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais são prevalentes, enquadrando-se no âmbito da segurança ocupacional. Essa prática de biossegurança é respaldada por normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho, portarias do Ministério da Saúde e resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) (FIOCRUZ, 2020). Por outro lado, a biossegurança legal é regulamentada pela Lei n.º 11.105/2005 e aplicada em instituições e situações que envolvem a manipulação de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) e pesquisas com células-tronco embrionárias. 11 Essa vertente legal da biossegurança estabelece diretrizes específicas e padrões para garantir a segurança em atividades que lidam com questões biotecnológicas e genéticas, assegurando o controle e a prevenção de riscos associados a essas práticas. Ambas as vertentes, a prática e a legal, são fundamentais para promover um ambiente seguro e responsável em diversas áreas que lidam com potenciais riscos à saúde humana, animal e ambiental (FIOCRUZ, 2020). Como é perceptível, a biossegurança está intrinsecamente ligada à execução das atividades dos profissionais na área da estética e da beleza. Uma vez que esses estabelecimentos também são categorizados como prestadores de serviços relacionados à saúde, é essencial compreender os riscos inerentes a essas atividades e adotar medidas de prevenção e controle de infecções para mantê-los seguros e conforme as regulamentações vigentes. A seguir, será abordada a relação desses princípios com a estética e como aplicá-los no cotidiano da profissão. 2.1 Biossegurança na estética A biossegurança na estética é uma parte essencial da prática profissional que visa garantir a segurança tanto dos profissionais quanto dos clientes, minimizando o risco de contaminação e a propagação de doenças. Aqui estão alguns aspectos fundamentais relacionados à biossegurança na estética (ANVISA, 2017): • Higienização e Esterilização de Instrumentos: A correta higienização e esterilização de instrumentos são medidas cruciais. Instrumentos não esterilizados podem ser fontes de infecções, portanto, é fundamental adotar práticas adequadas para garantir a eliminação de micro-organismos patogênicos. • Descarte Adequado de Resíduos: Os resíduos gerados durante procedimentos estéticos, como agulhas, gazes ou qualquer material contaminado, devem ser descartados de maneira adequada, seguindo as normas e regulamentações locais. Isso é essencial para prevenir a disseminação de infecções e proteger o meio ambiente. • Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI): Profissionais da estética devem utilizar EPIs apropriados, como luvas, máscaras e óculos 12 de proteção, dependendo do procedimento realizado. Esses equipamentos ajudam a minimizar o contato direto com substâncias químicas, fluidos corporais e outros agentes potencialmente contaminantes. • Assepsia do Ambiente de Trabalho: Manter um ambiente limpo e asseptizado é fundamental para a biossegurança. Superfícies de trabalho, macas e áreas de atendimento devem ser regularmente limpas e desinfetadas para prevenir a proliferação de micro-organismos. • Anamnese e Avaliação Prévia: Antes de realizar qualquer procedimento estético, é importante conduzir uma anamnese detalhada e uma avaliação prévia do cliente. Isso ajuda a identificar possíveis contraindicações, alergias ou condições médicas que possam influenciar no tratamento. • Atualização Profissional: Manter-se atualizado sobre as práticas e técnicas mais recentes, assim como as regulamentações e normas vigentes, é essencial para garantir uma prática segura e eficaz na área da estética. • Treinamento Contínuo: Os profissionais da estética devem passar por treinamentos contínuos em biossegurança, promovendo a conscientização sobre práticas seguras, uso correto de equipamentos e atualizações nas diretrizes do setor. Apesar das normas técnicas estabelecidas pela legislação sanitária em vigor e das discussões contínuas sobre biossegurança em estabelecimentos de estética e beleza, as denúncias e os problemas relacionados à prevenção e ao controle de infecções têm sido recorrentes. Notavelmente, entre os serviços classificados como de interesse para a saúde, os de estética e embelezamento recebem o maior número de denúncias (ANVISA, 2017). Esse cenário destaca a importância de uma atenção redobrada e práticas rigorosas de biossegurança nesses estabelecimentos, visando não apenas a conformidade com as normativas legais, mas principalmente a proteção da saúde dos profissionais e dos clientes. A necessidade de reforçar medidas preventivas e educativas nesse setor se faz evidente para mitigar os riscos de infecções e garantirum ambiente seguro e saudável para todos os envolvidos (ANVISA, 2017). Na área da estética, a biossegurança desempenha um papel crucial na asseguração da segurança tanto dos profissionais quanto dos clientes durante os 13 procedimentos. Com o crescimento da popularidade das clínicas de estética e dos salões de beleza, torna-se essencial que os profissionais estejam plenamente conscientes dos riscos envolvidos e adotem medidas adequadas para preveni-los (GARBACCIO, 2013). O aumento da demanda por serviços estéticos impõe uma responsabilidade ainda maior aos profissionais, exigindo uma abordagem diligente em relação à higiene, esterilização de instrumentos, uso adequado de equipamentos de proteção individual, e a implementação de práticas que minimizem os riscos de infecção e garantam a segurança de todos os envolvidos. O comprometimento com a biossegurança não apenas assegura a integridade da prática profissional, mas também promove a confiança e o bem-estar dos clientes, fundamentais para o sucesso e a reputação desses estabelecimentos (GARBACCIO, 2013). De acordo com Piatti (2013), a biossegurança em estética envolve ações para prevenir e minimizar os riscos associados a procedimentos cirúrgicos, corporais e capilares. É importante destacar que existe um risco de exposição cutânea durante procedimentos como a limpeza de pele, em que é feita a extração de comedões, podendo ocasionar uma exposição cutânea, que será abordado mais para frente. Por isso, é necessário que os profissionais estejam atentos e tomem todas as medidas de segurança necessárias. Assim, a biossegurança configura-se como um processo contínuo de análise dos riscos enfrentados diariamente pelos profissionais da área de estética durante a prestação de serviços na cabine de estética. Essa avaliação abrange uma variedade de aspectos, incluindo os procedimentos adotados e a prática de boas condutas no ambiente de trabalho. A principal prioridade é assegurar a segurança de todos os envolvidos, abrangendo tanto os profissionais que realizam os procedimentos quanto os pacientes que os recebem, bem como o próprio ambiente onde são executados. Isso implica que os procedimentos devem ser seguros e capazes de proporcionar resultados de qualidade. Esse enfoque sistemático na biossegurança visa não apenas cumprir normas e regulamentos, mas também promover um ambiente confiável e protegido para todos os participantes no âmbito da estética. É fundamental que os profissionais da área de saúde estejam plenamente conscientes dos riscos aos quais estão expostos em seu ambiente de trabalho e 14 adotem medidas preventivas apropriadas. Isso se justifica pelo fato de que, ao realizar procedimentos, esses profissionais podem entrar em contato com patógenos causadores de doenças, tais como hepatite B e C, herpes, gripe, tuberculose, micoses e HIV. Além disso, há a exposição a produtos químicos tóxicos que emitem odores prejudiciais à saúde. O conhecimento e a aplicação de práticas seguras tornam-se, assim, essenciais para proteger a saúde e o bem-estar dos profissionais da saúde, além de garantir um ambiente seguro para os pacientes. Torna-se fundamental a divulgação de informações sobre biossegurança e a implementação de práticas seguras, para proteger os profissionais, os pacientes/clientes e o meio ambiente. Nesse contexto, é essencial aderir às normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e empregar métodos que estejam conforme as boas práticas de biossegurança. Esse comprometimento com diretrizes regulatórias e boas práticas contribui significativamente para garantir a segurança e a integridade nas diversas atividades que envolvem riscos à saúde humana, animal e ambiental. Em síntese, a biossegurança na estética é um compromisso constante com práticas seguras e responsáveis. Ao seguir as diretrizes estabelecidas, os profissionais da estética contribuem para um ambiente de trabalho seguro, protegendo a saúde tanto dos clientes quanto deles mesmos. 3 RISCOS RELACIONADOS ÀS ATIVIDADES DE BELEZA. De acordo com Ramos (2009), a análise dos riscos possibilita a adoção de medidas para minimizar os potenciais consequências prejudiciais. Na esfera da cosmetologia e estética, diversos riscos em potencial podem ser identificados e classificados durante a execução dos procedimentos. Um exemplo notável é o uso prolongado do secador, o qual pode acarretar riscos físicos, como exposição ao calor e ruído, além de apresentar riscos ergonômicos, como adoção de posições forçadas e movimentos repetitivos. Essa abordagem destaca a importância de uma análise criteriosa dos riscos inerentes às práticas na cosmetologia, visando a implementação de medidas preventivas para salvaguardar a saúde e a segurança dos profissionais e 15 clientes. Baseado em estudos de autoras como Piatti: Existe perigo no manuseio de determinados produtos químicos ou biológicos, por exemplo, porém o risco dessa atividade pode ser considerado baixo se forem observados todos os cuidados necessários e se forem utilizados os equipamentos de proteção adequados (PIATTI, 2013, p. 1). Conforme Almeida (2018), a indústria da beleza figura como uma das áreas mais lucrativas globalmente, contudo, as atividades relacionadas à beleza apresentam riscos que frequentemente são negligenciados. Esses riscos podem abranger a exposição a produtos químicos perigosos e a contaminação por objetos não esterilizados, o que potencialmente resulta em doenças graves. Portanto, é de extrema importância que tanto os profissionais do setor quanto os consumidores estejam cientes desses riscos e adotem medidas para minimizá-los. A implementação de regulamentações e fiscalização torna-se, assim, crucial para assegurar que a indústria da beleza opere de maneira segura e responsável. Essas medidas contribuem não apenas para a proteção dos profissionais envolvidos, mas também para a preservação da saúde e segurança dos consumidores. A indústria da beleza é uma das mais lucrativas do mundo, mas os riscos associados à sua prática são muitas vezes minimizados ou ignorados. A falta de regulamentação e fiscalização nesse setor pode permitir que produtos potencialmente perigosos entrem no mercado e sejam utilizados sem conhecimento dos consumidores. Por isso, é importante que órgãos reguladores e profissionais da área trabalhem juntos para garantir que a indústria da beleza opere de forma segura e ética, protegendo a saúde e o bem-estar dos consumidores e trabalhadores envolvidos (ALMEIDA, 2018, p. 555-560). Diante desse contexto, é essencial permanecer vigilante em relação aos riscos presentes na cabine de estética, adotando cuidados de biossegurança que visem a minimização dos riscos biológicos, físicos, químicos e ergonômicos. Essa postura proativa e atenta às diversas dimensões de risco contribui para a promoção de um ambiente seguro e saudável, tanto para os profissionais que atuam na cabine quanto para os clientes envolvidos nos procedimentos estéticos. Quadro 1. Classificação e descrição dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acordo com sua natureza e padronização das cores correspondentes 16 Fonte: Hokeberg et al. (2006) 3.1 Riscos biológicos Os riscos biológicos na área da estética e cosmetologia envolvem micro- organismos provenientes de seres vivos como bactérias, leveduras, fungos e parasitas. Esses riscos incluem materiais contaminados com secreções, sangue, pelos, unhas e pele. Para garantir a segurança no ambiente de trabalho é importante avaliar esses riscos e conhecer os micro-organismos mais comuns na transmissão de doenças infecciosas. Abaixo estão informações básicas sobre os principais micro-organismos e como doenças infecciosas envolvidas nos processos biológicos na área da beleza. • Micro-organismos: Os micro-organismossão seres extremamente pequenos e não podem ser vistos a olho nu, sendo necessário o uso de um microscópio para observá-los. Eles são compostos por bactérias, alguns fungos, protozoários e vírus; desempenham papéis importantes na natureza, como a reciclagem da matéria orgânica. No entanto, 17 algumas espécies podem causar doenças, sendo consideradas patogênicas. Uma doença infecciosa é uma condição clínica que ocorre quando há um desequilíbrio entre as defesas do corpo, o número e a virulência dos microrganismos, facilitando a sua invasão nos órgãos e tecidos do corpo. • Vias de transmissão e contaminação dos micro-organismos Existem duas formas de transmissão dos agentes infecciosos: a direta e indireta. Na transmissão direta, o contágio ocorre através do contato físico entre o transmissor e o receptor, seja pela pele ou pelas secreções. Já na transmissão indireta, a infecção ocorre por objetos contaminados, principalmente aqueles que cortam ou perfuram, ou pela transferência de micro-organismos de uma pessoa, ou objeto para outra, conhecida como infecção cruzada. Os micro-organismos podem ser propagados principalmente por meio das seguintes vias: ➢ Via área: o contato por via área acontece quando inalamos micro- organismos que estão presentes em partículas de aerossóis e gotículas. Essas partículas podem ficar suspensas no ar e se propagar por uma grande distância, contaminando muitas pessoas. É importante ter cuidado com esse tipo de contato, pois pode levar à disseminação rápida de doenças infecciosas. ➢ Via cutânea: o contágio ocorre por meio de contato de sangue e secreções contaminadas com a pele não integra. A mão é considerada uma fonte importante na transmissão de micro-organismos. Para Nogueira et al. (2003) as formas de contágio ocupacional podem ocorrer por meio de: ➢ Exposição em mucosas: quando há respingos na face que envolvam olho, nariz ou boca; ➢ Exposição percutânea: lesões provocadas por instrumentos perfurantes, e cortantes (exemplo: agulhas e alicates); ➢ Exposição cutânea: contato com a pele não integra, como pústulas, dermatites e outros; ➢ Via ocular: a contaminação da mucosa conjuntival ocorre por lançamentos de gotículas ou aerossóis de material infectante nos olhos. 18 Vale ressaltar que esses riscos são muito comuns na cabine de estética, principalmente em procedimentos faciais como: limpeza de pele, microagulhamento, peeling químico. 3.2 Risco químico O risco químico ocorre quando uma pessoa manuseia produtos químicos que podem ser prejudiciais à saúde. A toxicidade é a capacidade de uma substância em causar danos em um organismo ou ecossistema. De acordo com especialistas, todas as substâncias são tóxicas, mas a gravidade dos efeitos depende da dose e da sensibilidade do organismo em questão. O risco de intoxicação é a probabilidade de uma substância química causar efeitos negativos. No caso dos salões de beleza, a aplicação de produtos cosméticos na pele e cabelos representam riscos químicos. Os produtos usados em cores e alisamento podem conter ingredientes como amônia, hidróxidos, substâncias ácidas, alcalinas e oxidantes, a qual são as principais fontes de riscos químicos nesse ambiente. É importante estar atento aos perigos que esses produtos químicos podem representar e tomar medidas de segurança para minimizar os riscos. ➢ Vias de penetração das substâncias químicas no organismo: ➢ Via respiratória: aspiração de vapores ou gases emanados de substâncias tóxicas. É a via mais comum e rápida de entrada de substâncias no interior do corpo. ➢ Via oral: ingestão de qualquer tipo de substância tóxica, geralmente acidentalmente. ➢ Via cutânea: contato direto com substâncias químicas tóxicas, ocasionando lesões locas e até mesmo queimaduras. Podem também ser absorvidas, atingindo a corrente sanguínea. ➢ Via ocular: por meio de contato com substâncias químicas que emanam vapores ou gases na mucosa ocular. 19 3.3 Riscos físicos É considerado risco físico as inúmeras formas de energia que os trabalhadores possam estar expostos e em que os coloca em vulnerabilidade física. Vejamos: Ruídos: ruídos intensos e permanentes acarretam reflexos em todos os organismos, não só no aparelho auditivo, mas também alterando o humor, e a capacidade de concentração. Temperaturas excessivas: Quando estamos expostos a temperaturas muito altas, podemos enfrentar problemas de saúde como desidratação, erupções cutâneas, problemas no coração e circulação sanguínea, insolação e outros. Na área de cosmética e estética, existem procedimentos que podem ser perigosos para os profissionais que os requerem, como uma autoclave usada para esterilização, ambientes sem ar condicionado e uso da secadora de cabelo. Todos esses fatores podem causar riscos à saúde e precisam ser monitorados para garantir a segurança de todos os envolvidos. Radiações: são formas de energia transmitidas por ondas eletromagnéticas. A absorção das radiações pelo organismo é responsável pelo aparecimento de diversas lesões. Elas podem ser classificadas em dois grupos: ➢ Radiações ionizantes: os operadores de raio-x e radioterapia estão evidenciados a este tipo de risco. ➢ Radiações não-ionizantes: existem dois tipos de radiação que podem ser perigosos para a saúde: a radiação infravermelha, produzida em fornos, e a radiação ultravioleta, gerada por equipamentos como lasers e micro-ondas. Esses tipos de radiação podem causar vários efeitos negativos, como problemas nos olhos (conjuntivite e catarata), queimaduras, e lesões na pele. Na área de cosmetologia e estética, os profissionais podem estar expostos a esses riscos ao trabalhar com equipamentos capilares e de estética que usam laser. Por isso, é importante que eles tomem cuidado e usem equipamentos de proteção para minimizar os riscos à saúde. 20 3.4 Riscos ergonômicos Os riscos ergonômicos são considerados uma ciência que estuda a ligação entre as pessoas e seu ambiente de trabalho, ou seja, são todos os comportamentos que podem prejudicar a saúde dos indivíduos no ambiente de trabalho. Portanto, esforço físico, levantamento de peso, má postura, longas jornadas de trabalho, situações estressantes, movimentos monótonos e repetitivos são considerados riscos ergonômicos. 3.5 Equipamentos de Proteção Individual Considera-se Equipamento de Proteção Individual (EPI) todo dispositivo ou produto utilizado pessoalmente pelo trabalhador para proteção contra riscos que possam ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. Segundo Gobbo (2010), os profissionais de beleza devem evitar o contato com sangue e secreções (matéria orgânica) e devem utilizar barreiras protetoras, que são muito eficazes na redução da contaminação microbiana. A seguir, segundo a autora Piatti (2013), as características dos principais EPIs e os motivos pelos quais cada EPI é necessário para os procedimentos estéticos: • Máscaras/ respiradores: Este EPI é utilizado quando há risco de respingos nas mucosas das cavidades oral e nasal, para proteger o trato respiratório superior de micro-organismos contidos em partículas e aerossóis ao tossir, espirrar ou falar, por exemplo. Por isso, durante procedimentos em cabines de estética, principalmente faciais, o uso desses EPIs é fundamental, pois a proximidade entre cliente e profissional evita a contaminação cruzada. 21 Figura 2 - Imagem do Equipamento de Proteção Individual (máscara) Fonte: encurtador.com.br/lnzO8 • Luvas: As mãos são protegidas com luvas e devem ser utilizadas para evitar o contato da pele com matéria orgânica (sangue, secreções ou mucosas) durante os procedimentos. Observe que as luvas devem ser usadas para cada manutenção e descartadas ao final do procedimento. 22 Figura 3 - Imagem ilustrativa do Equipamento de ProteçãoIndividual (luvas). Fonte: encurtador.com.br/loENS • Touca ou gorro descartável: O uso de touca ou gorro pelo profissional evita a contaminação cruzada entre o paciente e o profissional. Portanto, é descartado após o uso. Figura 4 - Imagem do gorro descartável. (Equipamento de Proteção Individual) Fonte: https://bityli.com/fp7Lle https://bityli.com/fp7Lle 23 • Jaleco: Os jalecos fornecem uma barreira protetora, evitando que a pele e as roupas do profissional fiquem expostas a sangue e secreções orgânicas, bem como à contaminação por produtos químicos. Seu uso, portanto, evita o transporte de microorganismos para outro local. Outro ponto importante é que não é recomendado usar jaleco fora do ambiente de trabalho. É importante ressaltar que devem ser substituídos quando estiverem sujos. Figura 5 - Imagem do jaleco. (Equipamento de Proteção Individual). Fonte: encurtador.com.br/rz026 • Óculos de proteção: Diante do risco imediato de líquido, sangue, secreções e produtos químicos entrarem nos olhos, os óculos têm a mesma finalidade das máscaras, atuando como uma barreira à propagação da infecção. Há também óculos de proteção ao manusear lasers. A proteção rigorosa dos olhos é necessária devido aos riscos de danos 24 irreversíveis ou cicatrizes na córnea e na esclerótica. Profissionais e pacientes devem usar óculos de proteção especiais para a potência do laser. Além da exposição direta ao laser, a exposição indireta de superfícies reflexivas também deve ser considerada. Os lasers podem ser refletidos por superfícies metálicas (espelhos ou vidros refletivos). Figura 6 - Imagem ilustrativa dos óculos de proteção. Equipamento de Proteção Individual (EPI) Fonte: encurtador.com.br/mtPXZ 25 Figura 7 - Imagem ilustrativa do (EPI) Equipamento de Proteção Individual, óculos de proteção utilizado pelo cliente ao receber tratamento com o laser. Fonte: https://bityli.com/IpDKe1 4 ESTERILIZAÇÃO Ao realizar a esterilização, é necessário ter em mente que o instrumental deve ser preparado, por meio da descontaminação, lavagem, secagem e empacotamento. Além disso, para que a esterilização seja eficaz, a escolha da embalagem adequada é fundamental, levando em consideração o processo de esterilização e o tipo de material que será esterilizado. A embalagem deve ser capaz de resistir a gotículas de água, rasgos e perfurações, ser livre de resíduos tóxicos como alvejantes e corantes, permitir a entrada e remoção dos agentes esterilizantes, ser uma barreira contra micróbios e não apresentar furos. (ANTUNES et al., 2015). Existem dois tipos de processos de esterilização mais comuns: físicos e químicos. Os processos físicos incluem calor seco (estufa), calor úmido (autoclave), radiações esterilizantes (como raios gama-cobalto e ultravioleta), filtração e microesferas de vidro. Já o processo químico pode ser feito com óxido de etileno, https://bityli.com/IpDKe1 26 plasma de peróxido de hidrogênio ou soluções químicas (COSTA,1996). Para realizar a esterilização em estufa, é importante seguir cuidadosamente o tempo adequado (60 minutos a 170 °C ou 120 minutos a 160 °C) e usar as embalagens corretas em recipientes metálicos fechados. O monitoramento deve ser feito usando um termômetro acessório, pois o termômetro da estufa não mede a temperatura interna, mas sim a temperatura da base. Alguns fatores podem levar ao fracasso da esterilização em estufa, como tempo incorreto, interrupção do ciclo, excesso de instrumentos nas caixas metálicas, exposição das embalagens que impedem a circulação do ar quente, falta de controle de temperatura e sobrecarga da capacidade da estufa. A esterilização em autoclave é um dos métodos mais seguros, pois utiliza temperatura, pressão e umidade para destruir microrganismos. Uma das vantagens é a rapidez do processo e a possibilidade de esterilização de materiais como gaze e algodão, sem que percam suas propriedades. No entanto, esse método pode causar manchas e corrosão nos instrumentos (COSTA, 1996). O tempo de esterilização varia conforme a temperatura e pressão utilizadas. Para autoclaves com temperatura de 121 °C e 1 atmosfera de pressão, o tempo necessário é de 30 minutos. Já para as que atingem 132 °C e 1 atmosfera de pressão, são necessários 15 minutos. Em autoclaves de alto vácuo do tipo cassete, uma exposição de 4 minutos a 132 °C é suficiente. As causas de insucesso na esterilização em autoclave incluem sobrecarga de material, embalagem com pouca água, abertura do equipamento antes do total esfriamento favorecendo a condensação de água, manutenção e limpeza inadequadas, embalagens não indicadas para esterilização, queda da energia elétrica durante o ciclo. Com relação ao método químico de esterilização, existem substâncias que podem ser utilizadas, mas é necessário seguir um protocolo rigoroso de limpeza dos instrumentos antes do processo. Além disso, a imersão dos instrumentos leva muito tempo e os cuidados especiais devem ser tomados após a conclusão do processo, como enxágue em água estéril, secagem em compressa esterilizada e uso imediato. Devido a essas exigências, a operacionalização deste método é difícil. Os produtos químicos utilizados para esterilização são geralmente tóxicos e podem 27 causar alergias na pele, mucosas e olhos, sendo necessário que o operador utilize equipamentos de proteção individual e trabalhe em ambiente ventilado. O processo de esterilização em estufas e autoclaves carece de controle de desempenho do equipamento. Para tanto, o controle físico envolve a observação de dispositivos presentes no aparelho, o termômetro e manovacuômetro na autoclave e o termostato e termômetro na estufa (ANTUNES et al., 2015). O uso de indicadores químicos durante o processo de esterilização é essencial para garantir o acompanhamento do método. Esses indicadores podem estar presentes na própria embalagem do material ou em forma de fita adesiva, que deve ser afixada nos pacotes a serem esterilizados. Eles são compostos por tinta termoquímica que muda de cor quando expostos à determinada temperatura e tempo. Além disso, existem os indicadores multiparamétricos, que são colocados internamente nas embalagens e consistem em uma tira de papel impregnada com tinta termocrômica que muda de cor conforme a exposição à temperatura por tempo determinado. Tão importante quanto o processo de esterilização em si e seu controle, é a armazenagem apropriada dos instrumentos esterilizados, uma vez que isso feito de forma inadequada poderá haver uma quebra da “cadeia de esterilidade” (ALMEIDA, 2009). Indica-se que o local de armazenagem deve ser limpo, protegido do meio externo e utilizado exclusivamente para este fim. O tempo de armazenagem dos materiais esterilizados recomendo pelo Ministério da Saúde é de 7 dias para esterilização por processo físico, sem haver distinção entre os tipos de embalagem e condições de armazenagem. 5 DESINFECÇÃO A desinfecção, seja por métodos físicos ou químicos, visa eliminar a maioria dos micro-organismos presentes, contribuindo para a redução do risco de contaminação. Este processo é crucial em ambientes onde a presença de patógenos pode representar uma ameaça à saúde (BRASIL, 2010). Portanto, a desinfecção é valiosa para reduzir a carga microbiana e minimizar riscos, as substâncias 28 empregadas nos procedimentos de desinfecção seguem a classificação conforme sua capacidade em alto, médio e baixo nível. 5.1 Desinfecção de alto nível O processo de inativação de esporos bacterianos resistentes e outras formas de microrganismos vegetativos e patogênicos é conhecido como esterilização. O glutaraldeido a 2% é um exemplo de substância que pode ser utilizada para realizar a esterilização.Este desinfetante é capaz de agir em 30 minutos de exposição, o que o torna uma opção eficiente para possibilitar a obtenção de materiais médicos e odontológicos. É importante ressaltar que a escolha do desinfetante deve ser feita de acordo com as características do material a ser desinfetado e as propriedades do próprio desinfetante. Além do glutaraldeido, existem outras substâncias que podem ser utilizadas para a esterilização, como o óxido de etileno, o formaldeído e o peróxido de hidrogênio. Cada uma dessas substâncias possui propriedades e indicações específicas, que devem ser levadas em consideração na escolha do desinfetante adequado. Por fim, é fundamental ressaltar a importância do uso adequado dos desinfetantes, seguindo as orientações de diluição, tempo de exposição e modo de aplicação indicada pelo fabricante. O uso incorreto desses produtos pode não apenas comprometer a eficácia da esterilização, mas também colocar em risco a saúde das pessoas envolvidas no processo. 5.2 Desinfecção de médio nível Os agentes desinfetantes de grau intermediário são capazes de eliminar a maioria dos microrganismos, mas não conseguem erradicar todos os esporos bacterianos. Exemplos de desinfetantes de grau incluem compostos iodados, fenólicos e álcoois. Os compostos iodados são frequentemente utilizados para desinfetar a pele e as mucosas, sendo amplamente utilizados em hospitais e clínicas. Os fenólicos são 29 eficazes na influência de superfícies e objetos, apresentando uma ação prolongada. Já os álcoois, como etanol e isopropanol, são utilizados para desinfetar as mãos e instrumentos médicos. É crucial destacar que o uso de desinfetantes de grau intermediário deve ser realizado de acordo com as instruções do fabricante, respeitando o tempo de contato e a quantidade adequada para cada superfície ou material a ser desinfetado. Porém, é importante ressaltar que, embora os desinfetantes de nível médio sejam eficazes na maioria das situações, eles não são capazes de eliminar todos os tipos de microrganismos, como os esporos bacterianos e alguns vírus mais resistentes. Nestes casos, é necessário o uso de desinfetantes de nível alto, como o glutaraldeido e o ácido peracético, que possuem maior poder de ação e são capazes de eliminar uma variedade maior de microrganismos. Além disso, é fundamental que a limpeza e obediência sejam realizadas de forma regular e constante, principalmente em ambientes hospitalares e outros locais onde há grande circulação de pessoas e risco de contaminação. O objetivo é reduzir a carga de microrganismos presentes no ambiente e prevenir a disseminação de doenças infecciosas. É importante ressaltar que a escolha do desinfetante adequado e a correta aplicação do produto devem ser realizadas por profissionais capacitados, seguindo as orientações do fabricante e as normas de segurança e biossegurança. Dessa forma, é possível garantir a eficácia da limpeza e secreção, proteger a saúde dos profissionais e pacientes, e contribuir para um ambiente mais seguro e saudável. 5.3 Desinfecção de baixo nível Nesse caso, os produtos apresentam baixa atividade bactericida e são capazes de inativar apenas alguns tipos de vírus e fungos. Esses desinfetantes são usados para limpeza de superfícies, e não para artigos críticos ou semicríticos. Os exemplos incluem a clorexidina e compostos quaternários de amônio. Assim como na limpeza de instrumentais em clínicas de estética, todo procedimento de desinfecção do ambiente de trabalho deve ser precedido por uma limpeza geral com água e sabão para remover a sujeira. Superfícies fixas, como 30 paredes, janelas, portas, tetos e pisos, não representam risco de infecção se mantidas limpas. É importante estabelecer uma rotina de limpeza periódica, conforme a área ou quando houver sujidade visível. Para desinfetar superfícies fixas, como o chão de uma clínica, é indicado realizar uma limpeza diária com um desinfetante de baixo nível no início e fim do expediente. Caso haja material biológico visível, é necessário limpar a área com água e sabão, secar com papel toalha descartável e, em seguida, aplicar um desinfetante de nível médio. Não é recomendado o uso de hipoclorito de sódio em pisos cerâmicos, já que isso pode corroer essas superfícies devido a falhas que podem estar presentes. As paredes não são uma fonte primária de infecção cruzada, portanto devem ser limpas semanalmente ou quando apresentarem sujidades visíveis. Quando contaminadas por material biológico devem ser tratadas como o piso. Elas devem ser esfregadas em sentido único, com esponja ou pano, com uso de desinfetantes de médio e baixo nível, depois devem ser enxaguadas e secadas com pano limpo. Como nos pisos, não é recomendado o uso de hipoclorito (COSTA,1996). Já para a limpeza dos armários e bancadas, é recomendável serem desinfetados após cada paciente, especialmente quando se realizam procedimentos semicríticos e críticos. Os desinfetantes recomendados são à base de fenol sintético, álcool a 70% ou ácido peracético. É essencial desinfetar equipamentos como cadeira, maca e mochos após cada uso em um novo paciente. No entanto, é importante escolher cuidadosamente o desinfetante a ser utilizado, levando em conta alguns critérios. Superfícies metálicas não devem ser limpas com hipoclorito de sódio, por exemplo. O álcool a 70% pode causar ressecamento em superfícies plásticas e opacidade do material. É fundamental lembrar que a aplicação adequada do álcool é essencial para a eficácia da operação: deve ser friccionado por 30 segundos, deixar secar e repetir a operação três vezes. 6 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE O relacionamento entre os seres humanos e o ambiente tem mostrado que as 31 atividades humanas estão causando impactos ambientais que ameaçam o futuro. Por essa razão, é importante implementar ações que minimizem esses impactos, incluindo o gerenciamento adequado de resíduos sólidos de serviços de saúde, que podem causar danos ambientais, sociais e biológicos se não forem tratados corretamente. Com a crescente necessidade de desenvolvimento sustentável, as regulamentações estão se tornando cada vez mais rigorosas, obrigando as empresas e estabelecimentos a adotarem medidas para controlar o consumo ambiental. Os resíduos provenientes de serviços de saúde são gerados em diversas áreas relacionadas ao atendimento à saúde, incluindo serviços de cuidados em domicílio e trabalhos de campo. A fim de proteger a saúde pública e preservar o meio ambiente, a RDC n.º 222/2018 estabelece que o gerenciamento desses resíduos deve ser baseado em procedimentos científicos, técnicos, normativos e legais para minimizar a produção de resíduos e garantir sua disposição segura e eficiente em instalações permitidas, licenciadas pelo órgão ambiental competente. É importante ressaltar que as instituições de saúde são responsáveis por seguir os procedimentos desde a geração até a disposição final desses resíduos. Neste cenário, é fundamental que todos os estabelecimentos que geram resíduos de serviços de saúde sejam cuidadosamente observados em relação às questões de biossegurança, pois os resíduos apresentam alto risco de infecção. Para evitar danos, é necessário implementar procedimentos de prevenção, emergência e controle de mortalidade. Portanto, os aspectos de biossegurança estão ligados ao gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, como destacado pelo IPEA em 2012. 6.1 Etapas do gerenciamento de resíduos O manejo dos RSSS é entendido como um conjunto de medidas de gestão de resíduos desde a geração até a disposição final, incluindo as etapas mostradas na Figura 8 e descritas abaixo. 32 Figura 8 – Etapas do gerenciamento de resíduos. Fonte: Adaptado de Bezzon; Fernandes, 2019. • Segregação: O processo de segregação de resíduosconsiste na separação dos mesmos no local e momento em que são gerados, levando em consideração suas características físicas, químicas, biológicas, estado físico e riscos envolvidos. É essencial que o pessoal responsável seja capacitado para realizar essa tarefa honrosa. Os principais objetivos da segregação são: minimizar a contaminação de resíduos considerados comuns, permitir a adoção de procedimentos específicos para o perigo de cada grupo de resíduos, reduzir os riscos para a saúde e reciclar ou reutilizar parte dos resíduos considerados comuns, conforme destaca Ramos (2009). • Acondicionamento: Uma etapa de acondicionamento envolve o processo de embalar os resíduos segregados em sacos ou recipientes que podem evitar vazamentos e resistir a punções e rupturas, a fim de reduzir os riscos de contaminação e facilitar a coleta, o armazenamento e o transporte, conforme apontado por Ramos (2009). É importante que a capacidade dos recipientes utilizados para o acondicionamento seja adequada à quantidade de resíduos gerados diariamente. Além disso, é essencial seguir as recomendações para esta etapa e supervisão rigorosamente. Os sacos de 33 acondicionamento devem ser colocados em lixeiras com tampa que não exija contato manual. Figura 9 – Modelos de recipientes acondicionadores de RSS. Fonte: Contemar Ambiental, 2017. • Identificação: É um conjunto de procedimentos que permitem a identificação de resíduos em sacos e recipientes e fornecem informações sobre o uso correto de resíduos. Etiquetas específicas para resíduos devem ser colocadas em sacos de embalagens, recipientes coletores internos e externos, áreas de armazenamento, em local bem visível com símbolos, cores e frases, seguindo a NBR 7500 (ABNT, 200) e RDC n.º 222/2018 conforme a Figura 10: 34 Figura 10 - Símbolos de identificação dos grupos. Fonte: NBR 7500 (ABNT, 2004) e a RDC n.º 222/2018. 6.2 Classificação e manejo dos resíduos gerados na área de beleza A classificação dos RSSS é confirmada na RDC n.º 222 (BRASIL, 2018) com base em sua composição e propriedades biológicas, físicas e químicas. O objetivo da classificação é garantir o manejo adequado desses resíduos tanto interna quanto externamente nas unidades de saúde. A gestão dos resíduos começa com a separação dos diferentes tipos no momento da utilização. Cada recipiente de embalagem deve ter uma etiqueta autoadesiva indicando o tipo de resíduo e uma lista dos resíduos que devem ser depositados nesses aterros. Recomenda-se a programação visual padronizada dos símbolos e descrições utilizadas. 35 Figura 11 - Classificação dos Resíduos de Saúde segundo a Resolução RDC n.º 222/2018 Fonte: Adaptado de RDC n.º 222/2018. • Resíduos Infectantes (GRUPO A): Esses são materiais que possuem ou têm exposição a microrganismos, ou substâncias biológicas, tais como sangue e secreções. Na prática de cosmetologia e estética, há diversos tipos de resíduos infectantes, incluindo unhas, cutículas, instrumentos de manicure, cabelos, ceras com pelos, luvas, máscaras, toucas, algodão, gazes, lençóis descartáveis e papel protetor de macas, os quais podem estar contaminados com material biológico. Os resíduos classificados no grupo A devem ser guardados de maneira adequada para o processo de tratamento, utilizando sacos plásticos brancos opacos, resistentes, impermeáveis e marcados com o símbolo de risco biológico, além de ter um rótulo de fundo branco com desenhos e contornos pretos, acompanhado pela frase "resíduo infectante". Esses sacos plásticos devem ser colocados em recipientes com tampa, pedal e identificação, conforme normas protegidas pela RDC n.º 222/2018. 36 • Resíduos Químicos (GRUPO B): Os resíduos químicos são aqueles que contêm substâncias químicas capazes de apresentar riscos à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de corrosividade, reatividade, inflamabilidade, toxicidade, citogenicidade e explosividade. Na área de cosmetologia e estética, é possível encontrar diversos tipos de resíduos químicos, incluindo embalagens de produtos cosméticos contendo substâncias tóxicas como amônia, peróxido de hidrogênio, tioglicolato, receitas esfoliantes, entre outras, além de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como luvas contaminadas com produtos químicos tóxicos. O grupo B também inclui resíduos de saneantes, desinfetantes (incluindo recipientes contaminados por eles) e outros produtos perigosos, conforme a classificação da NBR 10004 (ABNT, 2004), tais como substâncias tóxicas, corrosivas, inflamáveis e reativas. É necessário distinguir os resíduos químicos que apresentam riscos à saúde ou ao meio ambiente daqueles que podem ser reciclados. No caso de resíduos recicláveis, devem ser segregados e armazenados separadamente. Os resíduos podem ser descartados na rede coletora de esgoto ou em corpos receptores, desde que estejam conforme as diretrizes para resíduos ambientais, geradores de resíduos hídricos e de saneamento. Entretanto, quando se trata de solventes e outros produtos químicos líquidos, é preciso evitar o lançamento na rede de esgoto. Nesses casos, deve-se utilizar recipientes individuais feitos de materiais compatíveis com o líquido armazenado, resistentes, rígidos e estanques, com tampa rosqueada e vedante. Além disso, é fundamental observar as exigências de conformidade química entre o resíduo e as embalagens utilizadas. Os resíduos sólidos de natureza química devem ser colocados em sacos plásticos apropriados e identificados com símbolos e frases que alertam sobre os riscos químicos, sendo então acomodados em recipientes rígidos, com tampas que não necessitam de contato manual. As embalagens secundárias, que não entraram em contato com o produto, podem ser separadas e destinadas à reciclagem. A identificação dos resíduos químicos é realizada por meio do símbolo de risco adequado, segundo a NBR 7500 (ABNT, 2004), e com informações sobre a 37 substância química e as frases de risco antioxidantes. • Rejeitos Radioativos (GRUPO C): Os rejeitos radioativos pertencentes ao Grupo C são originados de atividades humanas que envolvem a presença de radionuclídeos em quantidades que excedem os limites de eliminação estabelecidos pelas normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Estes materiais são considerados inadequados para reutilização ou não contemplados para tal finalidade. Este grupo abrange uma variedade de fontes, incluindo materiais provenientes de laboratórios de pesquisa e ensino na área de saúde, laboratórios de análises clínicas, assim como serviços de medicina nuclear e radioterapia. Nos casos em que esses materiais contenham radionuclídeos em concentrações superiores aos limites permitidos, são classificados como rejeitos radioativos do Grupo C. É importante ressaltar que a categorização neste grupo se dá não apenas pela natureza dos materiais, mas também pela inadequação ou ausência de previsão para sua reutilização. Assim, o descarte apropriado desses rejeitos é fundamental para garantir a segurança e a conformidade com as normas regulatórias estabelecidas pela CNEN. • Resíduos recicláveis (GRUPO D): Os resíduos comuns têm as mesmas características dos resíduos domésticos e devem ser acondicionados de acordo com as orientações dos órgãos locais responsáveis pelo serviço de limpeza urbana, porém, os sacos plásticos não precisam ser identificados conforme preconiza RDC n.º 222/2018. Caso o estabelecimento recicle os resíduos, eles podem ser acondicionados no local de geração em recipientes específicos para cada tipo de material reciclado (papel, plástico, metal, vidro). As cores dos recipientes devem ser segundo a Resolução CONAMA n.º 275, de 25 de abril 2001, que estabelece um código de cores 38para identificar cada tipo de resíduo. No caso de se utilizar o código de cores durante a separação para reciclagem, é importante também utilizar sacos coloridos, a fim de identificar corretamente os resíduos separados. • Resíduos perfurocortantes (GRUPO E): Materiais perfurocortantes ou escarificantes incluem agulhas, lâminas de barbear, pinças, navalhas, tesouras, espátulas, alicates, cortadores de unha e todos os utensílios de vidro quebrados no estabelecimento. Para garantir a segurança, os objetos cortantes e perfurantes devem ser colocados em recipientes robustos e resistentes a furos e vazamentos, com uma tampa e etiquetas adotadas que sigam as normas protegidas pela NBR 13853 da ABNT (2018). É expressamente proibido esvaziar esses recipientes ou reutilizá-los. Além disso, os recipientes devem ser identificados com o símbolo de substância infectante da NBR 7500 da ABNT (2004), com etiquetas de fundo branco, contornos pretos e desenhos, além da inscrição "resíduo perfurocortante" e quaisquer outros riscos adicionais. 6.3 Como minimizar riscos associados aos resíduos Toda atividade desenvolvida em estabelecimento de saúde e beleza implica em riscos, em maior ou menor grau. Conforme Ramos (2009), sem procurar esgotar as possibilidades existentes, pode-se citar algumas formas de minimizar os riscos gerados por resíduos em estabelecimentos de saúde e beleza: a) evitando a contaminação de resíduos comuns através da segregação; b) utilizar equipamentos de proteção individual e coletivo apropriados para cada atividade; c) oferecendo treinamento abrangente para todo o pessoal do estabelecimento, para poder trabalhar com segurança e seguir procedimentos; d) adaptando o layout das instalações do estabelecimento para minimizar o trajeto dos resíduos; e) planejando horários e rotas das diferentes atividades do estabelecimento 39 para evitar conflitos que possam aumentar o risco de contaminação; f) identificar recipientes e locais que contenham resíduos perigosos por meio de símbolos, núcleos e expressões específicas; g) protegendo as áreas de armazenamento temporário de RSSS por meio da instalação de telas ou grades, a fim de impedir a entrada de vetores (como insetos e pequenos animais); h) desenvolvendo e implementando procedimentos de trabalho que visam reduzir a ocorrência de incidentes envolvendo resíduos; i) utilizar a educação em saúde ambiental como meio de conscientizar as pessoas sobre os riscos relacionados às atividades do estabelecimento; j) encorajando a participação de todos os funcionários do estabelecimento de saúde e beleza na identificação de riscos e na criação de ideias para minimizar problemas. 7 LEGISLAÇÕES E REGULAMENTAÇÕES NAS ÁREAS DE ESTÉTICA As legislações e regulamentações direcionadas aos procedimentos estéticos variam conforme a área e a profissão. É importante que os profissionais envolvidos em procedimentos estéticos sejam aceitáveis, preparados e sigam as normas e regulamentos aceitáveis. Dessa forma, é possível garantir a segurança e a qualidade dos procedimentos estéticos para todos os envolvidos. A atuação na área de estética dentro do âmbito farmacêutico está sujeita a diversas legislações e regulamentações, visando assegurar a segurança, qualidade e ética nos serviços prestados. No contexto brasileiro, a regulamentação é estabelecida por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF). Abaixo, destacam-se algumas considerações relevantes: • Resolução do CFF n.º 585/2013: Essa resolução regulamenta as atribuições do farmacêutico esteta, definindo as competências e limites da atuação profissional. Ela estabelece, por exemplo, que procedimentos invasivos são de competência exclusiva de profissionais médicos, delimitando claramente as responsabilidades do farmacêutico no campo da estética. 40 • Lei n.º 13.643/2018: Essa lei regulamenta a profissão de esteticista. O farmacêutico esteta, segundo a Resolução CFF n.º 585/2013, pode atuar na área da estética, respeitando as limitações de sua formação. • Código de Ética do Farmacêutico: Elaborado pelo CFF, esse código estabelece os princípios éticos que devem nortear a conduta do farmacêutico em todas as áreas de atuação, incluindo a estética. É fundamental que profissionais estejam cientes e adotem os princípios éticos previstos nesse código em sua prática diária. Ainda assim, a área farmacêutica conta com a resolução n.º 573, de 22 de maio de 2013, dispõe sobre as atribuições do farmacêutico no exercício da saúde estética e da responsabilidade técnica por estabelecimentos que executam atividades afins, e a resolução n.º 616, de 25 de novembro de 2015 que define os requisitos técnicos para o exercício do farmacêutico no âmbito da saúde estética, ampliando o rol das técnicas de natureza estética e recursos terapêuticos utilizados pelo farmacêutico em estabelecimentos de saúde estética. Portanto, a legislação e regulamentação na área de estética farmacêutica buscam criar um ambiente seguro e ético para a prestação de serviços, protegendo tanto os profissionais quanto os consumidores. O farmacêutico que atua nesse contexto deve estar sempre atualizado e segundo essas normativas, garantindo a qualidade dos serviços oferecidos e o respeito às normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Na área de Biomedicina, a Resolução n.º 197, de 21 de fevereiro de 2011, dispõe sobre as atribuições do profissional biomédico no exercício da saúde estética e atuar como responsável técnico de empresa que executam atividades para fins estéticos. Na Odontologia, a Resolução CFO n.º 198, de 17 de março de 2019, estabelece as normas para a realização de procedimentos estéticos odontológicos, como clareamento dental, facetas e lentes de contato dentais. Além disso, o Conselho Federal de Odontologia é responsável por regulamentar a atuação dos profissionais na área de harmonização orofacial, que envolvem procedimentos estéticos como aplicação de toxina botulínica e preenchimento labial. 41 Na Fisioterapia, a Resolução COFFITO n.º 394, de 25 de novembro de 2011, estabelece as competências do fisioterapeuta em dermato-funcional, que envolvem procedimentos estéticos como a massagem modeladora, a drenagem linfática e a eletroestimulação. Além disso, o fisioterapeuta pode atuar em procedimentos invasivos, como a carboxiterapia e a intradermoterapia, desde que tenha formação específica e seja devidamente habilitado. Na Medicina, o Conselho Federal de Medicina é o órgão regulador dos procedimentos estéticos realizados por médicos, estabelecendo as normas para a realização de procedimentos estéticos invasivos, como cirurgias plásticas, e não invasivas, como a aplicação de toxina botulínica e preenchimento facial. Além disso, a Sociedade Brasileira de Medicina Estética regulamenta a atuação dos médicos na área de medicina estética, que envolve procedimentos estéticos não respiratórios para melhorar a aparência da pele, como lasers e peelings. A lei n.º 13.643, de 03 de abril de 2018, regulamenta as profissões de esteticista, que compreende o esteticista e cosmetólogo, e de técnico em estética. Em resumo, as regulamentações para os procedimentos estéticos variam conforme a área e a profissão, mas todas visam garantir a segurança e a qualidade dos serviços prestados aos pacientes. Por isso, é fundamental que os profissionais estejam sempre atualizados e segundo as normas e regulamentos. A legislação e regulamentação nas áreas de estética desempenham um papel crucial na promoção da segurança, qualidade e ética nos serviços oferecidos aos clientes. Ao longo do tempo, o setor de estética passou por uma evolução significativa, levando os legisladores a estabelecer normas e diretrizes para garantir práticas profissionais responsáveis. A presença de regulamentações