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ECONOMIA E NEGÓCIOS
Unidade III
7 MACROECONOMIA
Esta unidade está dedicada a apresentar a você alguns assuntos introdutórios e relativos à  teoria 
macroeconômica bem como seus questionamentos centrais. Aborda assuntos relacionados à contabilidade 
social, notadamente, as medidas de atividade econômica, a identidade entre renda e produto bem como 
os conceitos de valor bruto da produção e valor agregado até chegar à medida maior, que é o PIB e suas 
variantes. Moeda e inflação também estão presentes nesta unidade.
A teoria macroeconômica tem por objetivo fundamental analisar como são determinadas as 
variáveis econômicas em sua forma agregada. Essa teoria, também chamada de abordagem de equilíbrio 
geral, procura analisar se o nível de atividade econômica tem crescido ou diminuído, se os preços das 
mercadorias, conjuntamente, têm apresentado elevação ou diminuição.
Diferentemente da teoria microeconômica, a macroeconômica observa grandes mercados, como 
todos os mercados de bens e serviços, o mercado de trabalho, o mercado monetário em decorrência 
da participação da moeda como meio de troca por mercadorias, o mercado de títulos e, por fim, o 
mercado de divisas internacionais, pois os países mantêm relações internacionais entre si, de modo 
que as moedas internacionais, as chamadas divisas, que são reguladas pelo mercado cambial ou 
pelo governo, também são objeto de investigação desta teoria. Preocupa‑se, portanto, em estudar 
o conjunto dos consumidores de uma sociedade, assim como o conjunto de empresas dessa mesma 
sociedade. Seu interesse é determinar os fatores que influenciam o nível total de renda e o produto 
do sistema econômico.
Os fatos macroeconômicos afetam a vida de todos nós. Muitos empresários planejam a elevação 
ou diminuição das quantidades produzidas de seus bens levando em conta qual será, por exemplo, o 
comportamento da renda da sociedade durante um determinado período.
 Observação
Com relação à renda, a preocupação macroeconômica reside em 
conhecer o nível de renda de todos os indivíduos de uma sociedade, 
diferentemente da microeconomia, que está preocupada com a renda do 
consumidor individual.
Podemos, por uma primeira aproximação, listar alguns dos questionamentos levantados pela teoria 
macroeconômica:
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Unidade III
• Qual é o comportamento do nível geral de preços?
• Qual o comportamento do nível geral de produção de mercadorias?
• Qual é a taxa de salários dos trabalhadores?
• Qual é o nível de emprego e de desemprego?
• Qual é o comportamento da taxa de juros da economia?
• Qual é a quantidade de moeda que circula em um sistema econômico?
• Qual é a quantidade de divisas internacionais que um país mantém como reserva?
• Qual é a variação da taxa de câmbio entre a moeda nacional e a internacional?
• Qual é o tamanho do endividamento do governo?
• Qual é a taxa de investimento das empresas?
Segundo Gregory Mankiw (1995, p. 2),
 
os macroeconomistas são cientistas que procuram explicar o funcionamento 
da economia como um todo. Reúnem dados sobre rendas, preços, desemprego 
e outras variáveis em diferentes épocas e diferentes países. Procuram, então, 
elaborar teorias gerais que ajudem a explicar esses dados.
Figura 55 – Análise macroeconômica
Disponível em: https://bit.ly/3GFwfQ4. Acesso em: 3 abr. 2023.
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ECONOMIA E NEGÓCIOS
A teoria macroeconômica compreende, então, a análise de todos os mercados, envolvendo 
todos os preços e as quantidades das mercadorias, admitindo que modificações em algum mercado 
específico ou em qualquer de suas variáveis afetam o comportamento de outros mercados. Vamos 
exemplificar para ficar mais claro qual é o nosso objetivo.
Pense que, em um determinado momento, uma empresa do ramo farmacêutico não esteja muito 
bem em suas finanças. De grande porte, tem aproximadamente 250 funcionários diretos. Para ajustar 
sua estrutura de custos, anuncia uma política de demissão envolvendo 80 funcionários. Essas pessoas 
perderão seus empregos e, dessa forma, deixarão de ter renda. Se deixarão de ter renda, como conseguirão 
atender às necessidades de consumo de sua cesta? Pense que essas 80 pessoas sejam chefes de famílias 
compostas de quatro membros: pai, mãe, dois filhos. Esse chefe, agora desempregado, não tem mais 
condições de pagar o estudo particular dos filhos, que ainda são menores de idade. Dessa forma, os 
filhos dependerão do ensino público. A família também possuía convênio médico (seguro‑saúde), que 
também deixará de ser pago. Caso algum membro dessa família precise de cuidados médicos, dependerá 
também do serviço público. Menos roupas serão adquiridas; as idas ao cinema serão cortadas, assim 
como o refrigerante e o sorvete no final de semana. Quem foi afetado com a demissão efetuada pela 
indústria farmacêutica?
• os funcionários, com a perda do emprego;
• os membros da família dos funcionários que perderam o emprego;
• a escola dos filhos dos funcionários que perderam o emprego, pois deixarão de receber as 
mensalidades, podendo ter dificuldade para manter sua estrutura de custos;
• a empresa que administrava o convênio médico dessa família, que pode ter dificuldade para 
remunerar os médicos conveniados;
• o governo, e duplamente: primeiro pela perda de arrecadação com impostos, em função da queda 
de consumo; segundo pelo aumento das despesas, tanto na rede pública de ensino quanto no 
sistema único de saúde, pois aumentarão os atendimentos;
• a empresa de exibição de filmes nos cinemas, já que algumas famílias cortarão esse tipo de lazer;
• a empresa que produz refrigerantes, bem como o mercadinho da esquina que os vende;
• o sorveteiro e a indústria que produz sorvetes.
Vamos adiante. As escolas que deixarão de receber mensalidades também têm funcionários. 
Se diminuir o número de alunos, o mesmo ocorrerá com o número de professores, assistentes e demais 
trabalhadores que, por sua vez, também perderão renda. A empresa que administra convênio médico 
terá o mesmo problema: mais pessoas sem renda. Aqui você já é capaz de pensar o que vai acontecer 
com os demais setores da economia.
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Unidade III
Em uma situação como a descrita, algo deve ser feito para que a atividade econômica volte a 
ser operante, bem como os empregos retomados. É nesse contexto que a atuação do governo se faz 
presente na análise macroeconômica. É a partir da análise de equilíbrio geral que são formuladas as 
diretrizes da política econômica. Portanto, o conhecimento da macroeconomia ajuda as autoridades 
públicas a avaliar políticas alternativas, por meio dos instrumentos de intervenção, sejam eles por parte 
fiscal, monetária, cambial, de rendas ou demais instrumentos de política.
Conforme Moraes (1996, p. 196),
 
A macroeconomia estuda o comportamento de variáveis que representam 
a soma (ou a média) de quantidades e preços em mercados numa escala 
nacional. O tipo de modelo que se associa à macroeconomia é, por essa 
razão, chamado de agregativo. Os principais problemas estudados pelo 
enfoque macroeconômico são o desemprego, a inflação, os efeitos das 
políticas econômicas sobre estas variáveis, o crescimento econômico e a 
distribuição de renda.
Podemos esquematizar a divisão do estudo da economia:
Economia
Empresas Famílias Governo País
Estudo do comportamento 
econômico de
Estudo do comportamento 
econômico do
MACROECONOMIAMICROECONOMIA
Se divide em
Figura 56 – Divisão do estudo da economia: micro e macro
Em um sistema econômico moderno, produz‑se grande variedade de bens e serviços, desde 
automóveis até parafusos e alfinetes, como aparelhos eletroeletrônicos, produtos hortifrutigranjeiros 
e serviços médicos e bancários. Sem contar laranjas, sapatos, ventiladores e mais um monte de bens e 
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ECONOMIA E NEGÓCIOS
serviços que você possa pensar. Como medir tudo isso? Uma das maneiras de avaliar o desempenho da 
economia é medindo a produção agregada de bens e serviços. Mas como somar a produção de pares de 
sapatos com quilos de maçãs e litros de leite? Como medir tudofísica que um instrumento deve reunir para ser reconhecido como moeda e, 
assim, exercer suas funções é a transferibilidade, isto é, capacidade de que seja trocada de mãos, 
digamos de possuidor, à medida que as transações econômicas são efetuadas. É fácil visualizar tal 
característica: pense em uma feira livre, dessas em que produtos do tipo frutas, verduras e legumes 
sejam comercializados. Pronto: você está diante de um vendedor de frutas e se interessa pelas laranjas 
que está vendendo. Adquire uma dúzia e pagará tantas unidades monetárias pela compra, digamos, 
sejam UM$ 6,00. Você retira de seu bolso três cédulas de UM$ 2,00 e as passa para as mãos do vendedor 
assim que ele lhe entrega um saco plástico com sua dúzia de laranjas. Agora, o que você tem são 
laranjas; o vendedor, suas cédulas. Depois, chega outro comprador também interessado em adquirir uma 
dúzia de laranjas ao mesmo preço, UM$ 6,00, só que esse comprador passa ao vendedor uma cédula 
de UM$ 10,00. Como a compra é somente de UM$ 6,00, o vendedor deve entregar UM$ 4,00. Simples: 
retira da caixa de madeira (aquela em que guarda as cédulas e moedas de menor valor) duas cédulas 
de UM$ 2,00 e repassa ao comprador como troco. Observe então que as cédulas que você passou para 
as mãos do vendedor possivelmente foram parar nas mãos de outro comprador. Vejamos o que Lopes e 
Rossetti (2005, p. 27) dizem sobre tal característica.
 
Outra característica essencial da moeda diz respeito à facilidade com 
que deve processar‑se sua transferência, de um possuidor para outro. Se 
a moeda estiver materializada em uma mercadoria qualquer ou em uma 
cédula emitida e garantida pelo Estado, é desejável que tanto a mercadoria 
quanto a cédula não tragam quaisquer registros que identifiquem seu 
atual possuidor. Recorrendo [...] ao clássico exemplo do gado, sua utilização 
como moeda‑mercadoria ficaria prejudicada se cada um de seus sucessivos 
proprietários tivesse necessidade de gravar a fogo sua marca na pele do 
animal. Ao cabo de certo número de transações, não restariam mais espaços 
para novas marcas. O mesmo aconteceria caso as transferências de cédulas 
se processassem unicamente via endosso de um possuidor para outro. 
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ECONOMIA E NEGÓCIOS
Embora, de um lado, esta característica reduza a segurança dos que possuem 
a moeda em uso, de outro lado, facilita o processo de troca. E,  tendo em 
vista que uma das funções básicas da moeda é a de facilitar esse processo, 
sua perfeita e fácil transferibilidade converte‑se em um de seus atributos 
mais importantes.
A moeda ainda deve ser, na medida do possível, difícil de se falsificar, já que tal característica 
aumenta a confiança do público de que não há reprodução indevida, auxiliando, consequentemente, 
a sua aceitação generalizada. Além das características identificadas, a moeda deve ser manuseável e 
transportável, para que a função meio de troca não seja prejudicada, impondo ao seu detentor custos 
de transação. Sobre isso,
 
O manuseio e o transporte da moeda não podem prejudicar nem dificultar 
sua utilização. Se o porte da moeda for dificultado, sua utilização certamente 
será pouco a pouco descartada. Os primeiros metais, não preciosos, utilizados 
como moeda, foram um a um descartados à medida que a descoberta de 
novas minas e o desenvolvimento da tecnologia da fundição e usinagem 
os tornou abundantes, reduzindo seu valor por unidade de peso. Sua 
substituição por ouro e prata decorreu essencialmente de fatores ligados 
à facilidade de manuseio e transporte, dado que uma pequena quantidade 
(reduzido peso) desses metais preciosos sempre correspondeu a um grande 
valor (LOPES; ROSSETTI, 2005, p. 27).
 Observação
Somente reunindo características físicas e econômicas a moeda 
consegue exercer suas funções de intermediário de trocas, unidade de 
conta e reserva de valor.
É interessante destacar que, com o avanço da tecnologia, notadamente no âmbito da tecnologia 
de  informação, promovida pela revolução da microeletrônica e dos computadores, novas formas de 
moeda surgem, a exemplo da moeda eletrônica representada pelos cartões, chamado de dinheiro 
eletrônico.
Nesse contexto, é necessário efetuar um passeio pela história e conhecer as diversas formas 
que a moeda assumiu ao longo dos tempos. Desde a Antiguidade, os povos a utilizam para efetuar 
trocas de mercadorias. Inicialmente, as trocas eram efetuadas de forma direta, pois os seres humanos 
viviam em pequenas comunidades, nas mais primitivas culturas, e a economia funcionava à base 
de escambo. Esse sistema exigia a coincidência de desejos, pois apenas produtos encontravam‑se 
disponíveis para trocas. Conforme Passos e Nogami (2016, p. 446),
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Unidade III
imaginem um indivíduo que tenha maçãs e queira castanhas. Seria uma 
coincidência fora do comum encontrar um outro indivíduo que tivesse 
gostos exatamente opostos, ansioso por vender castanhas e comprar maçãs. 
Ainda que aconteça o fora do comum, não há garantia de que os desejos das 
duas partes, no que se refere às quantidades e aos termos de troca exatos, 
coincidam. Da mesma forma, a menos que um alfaiate faminto encontre 
um fazendeiro nu que tenha alimentos e o desejo de ter um par de calças, 
nenhum dos dois pode realizar o negócio.
Figura 58 – Trocas de produtos por produtos: escambo
Adaptado de: https://cutt.ly/IwqR1cf9 e https://cutt.ly/8wqR1zqS. Acesso em: 25 maio 2023.
 Observação
Percebe‑se que, com o desenvolvimento da divisão do trabalho e a 
maior especialização na produção de mercadorias, a prática rudimentar de 
escambo tornou‑se difícil.
Nos primórdios, o ser humano vivia em pequenas comunidades de uma única família, e se 
utilizava da vegetação e da caça disponíveis na região que habitava. Esses recursos eram os únicos 
com os quais contava para a sua subsistência. Imagine um agricultor de cenouras, por exemplo. 
Se ele produz cenouras, o produto de seu trabalho são cenouras. Contudo, não só de cenouras vive 
tal agricultor e sua família. Dependem da produção alheia para sobreviver. Dependem, portanto, da 
troca de seu excedente pelo excedente de produção de outra pessoa. Suponha que tal agricultor 
de cenouras precise adquirir carne para sua alimentação. O que ele tem para trocar são cenouras e 
precisará encontrar no mercado algum produtor que venda carnes e que deseje cenouras em troca. 
Fácil, não? Não, nem um pouco. E o manuseio? E o transporte? E a durabilidade, características 
físicas da moeda? E a divisibilidade? Parece realmente não ser fácil.
Assim, as sociedades se empenharam para desenvolver um sistema em que um equivalente geral fosse 
aceito como meio de trocas, iniciando, assim, um sistema de trocas indiretas que passa a ser intermediado 
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ECONOMIA E NEGÓCIOS
por algum bem que representasse aceitação e curso geral. Estamos tratando da era mercadoria‑moeda 
ou, simplesmente, moedas‑mercadorias. Foram utilizados como moedas‑mercadorias o gado, o fumo, 
o azeite de oliva, pessoas escravizadas, o sal etc.
 Saiba mais
Para observar quais são os tipos de moeda e também em quais períodos 
elas foram utilizadas pelos povos, acesse o site do Banco Central do Brasil. 
Ali há um breve histórico da origem e evolução do dinheiro. Consulte o 
site a seguir.
BANCO CENTRAL. A história do dinheiro no Brasil. Brasília, [s.d.]b. 
Disponível em: https://bit.ly/3zhsQ5X. Acesso em: 29 mar. 2023.
 Lembrete
Para que uma mercadoria possa ser utilizada como moeda, ela 
deve apresentar as características de durabilidade, divisibilidade, 
homogeneidade, bem como facilidade no manuseio e transporte, 
características que não eram reunidas em alguns dos exemplos citados 
neste livro‑texto, apesar de as moedas‑mercadorias terem facilitado um 
pouco a vida dos agentes.
Lopes e Rossetti (2005, p. 28) destacam que:
 
No princípio, as primeiras moedas foram mercadorias. Estas deveriam 
ser suficientemente raras (para que tivessem valor) e deveriam atender 
a uma necessidade comum e geral (para que pudessem ser aceitas sem 
restriçõespor todos os integrantes dos grupos envolvidos em operações 
de trocas indiretas). Desta forma, os primeiros tipos de mercadorias 
tinham, essencialmente, valor de uso. Sendo este comum e geral, 
passavam a ter, concomitantemente, valor de troca. Só com o correr do 
tempo, com a passagem de um tipo de moeda para outro, os instrumentos 
monetários foram submetidos a um processo gradual, porém lento, de 
desmaterialização, em decorrência do qual a exigência de valor de uso 
foi progressivamente abandonada, enfatizando‑se de forma crescente 
o valor de troca.
O quadro a seguir, adaptado de Lopes e Rossetti (2005, p. 30), oferece exemplos dos principais tipos 
de moedas‑mercadorias utilizadas pelos povos da Antiguidade, da Idade Média e da Idade Moderna.
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Unidade III
Quadro 4 – Exemplos de principais tipos de moeda‑mercadoria
Épocas e regiões Principais moedas‑mercadorias
Antiguidade
Egito Cobre, anéis de cobre, como subdivisão da 
unidade‑peso
Babilônia e Assíria Cobre, prata e cevada
Lídia Peças metálicas cunhadas
Pérsia Gado, sobretudo bovinos e ovinos
Bretanha Barras de ferro, espadas de ferro, pessoas 
escravizadas
Índia Animais domésticos, arroz, metais, a exemplo de 
ouro e cobre
China Conchas, seda, metais, instrumentos agrícolas, 
cereais e sal
Idade Média
Ilhas Britânicas Moedas de couro, gado, ouro e prata em 
unidades‑peso
Alemanha Gado, cereais, como aveia e centeio, mel, 
moedas cunhadas – ouro e prata
Islândia Gado, tecidos, peixes secos, como bacalhau
Noruega Gado bovino, tecidos, manteiga, 
peles curtidas
Rússia Gado bovino, peles de esquilo e de marta, pratas 
em unidades‑peso
China Arroz como instrumento de troca e unidade de 
conta, chá, sal, peças de ferro, estanho e prata
Japão Anéis de cobre cobertos com ouro e prata, 
pérolas, ágata, arroz
Idade Moderna
Estados Unidos Época colonial: fumo, cereais, carne‑seca, 
madeira e gado
Austrália Rum, trigo e carne
Canadá Peles e cereais
França Metais preciosos e cereais
Alemanha e Áustria Terra como denominador comum de valores, 
gado como instrumento de troca
Japão Arroz e warrants, emitidos por depósitos desse 
cereal
Se pensarmos um pouco nos tipos de moeda que foram usados até então, não será difícil compreender 
que deixaram de ser utilizados devido à dificuldade em representar as características essenciais que se 
exigem dos instrumentos monetários para o desempenho de suas funções, o que faz com que sua 
aceitação geral seja comprometida. Seria extremamente difícil manter a confiança em mercadorias 
que não se apresentassem como homogêneas, ou mesmo naquelas em que a ação do tempo fizesse 
destruir ou alterasse suas características. Percebe‑se claramente que a maioria delas não apresentava 
divisibilidade nem transferibilidade, portanto, tinha manuseabilidade comprometida.
A tais dificuldades acrescentamos aquilo que se reconhece por justaposição entre o valor de uso 
e o valor de troca na mercadoria que seria utilizada como instrumento de troca. Caso a unidade 
monetária, ou seja, tal mercadoria pudesse ser usada como bem de consumo ou como instrumento 
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ECONOMIA E NEGÓCIOS
de trabalho, as operações de troca com base nessa unidade acabavam por não apresentar diferenças 
pronunciadas em relação ao escambo. Em razão das dificuldades acentuadas, as mercadorias de 
expressivo valor de uso tornaram‑se pouco satisfatórias como unidades monetárias.
Outra forma de moeda utilizada pelas sociedades antigas foram as moedas preciosas, representando 
a era da moeda metálica ou do metalismo, notadamente pelo uso do ouro e da prata. Também 
fizeram parte desse período o cobre, o bronze e o ferro. O ouro, em barra, teve um valor incorporado. 
O mesmo ocorreu com as unidades de prata. São mercadorias que, por não apresentarem depreciação, 
carregam seu valor ao longo dos tempos, permitindo às pessoas guardá‑las para serem usadas em 
trocas de mercadorias no melhor momento. Para Lopes e Rossetti (2005, p. 29),
De forma geral, os metais foram as mercadorias que mais se ajustaram 
às funções monetárias, não só porque suas características intrínsecas 
aproximam‑se das características essenciais que se exigem dos instrumentos 
monetários, como também porque seu valor de uso não compromete nem 
compete tão diretamente com seu valor de troca. Mais ainda: a utilização de 
metais viabilizou o processo de cunhagem, por meio do qual se certificava 
seu peso e se garantia sua circulação, notadamente quando esse processo 
era realizado ou administrado por chefes de Estado.
Considerando os metais, a exemplo do cobre, do bronze ou mesmo do ferro, geralmente eram 
apresentados em sua forma mercantil, seja em lingotes, em barras ou ainda cunhados. Contudo, como 
existem em abundância na natureza, não conseguem reunir determinadas características necessárias 
para sua aceitação geral. O fato de ser abundante, bem como a possibilidade de descoberta de novas 
jazidas, faz comprometer uma de suas funções básicas, qual seja, a de servir como reserva de valor. 
Daí em diante, sua progressiva substituição pelo ouro e prata admitidos como metais monetários por 
excelência decorreu fundamentalmente dessas razões. Estes, além de atenderem de maneira mais 
satisfatória às funções principais da moeda, possuem características intrínsecas que se ajustam de modo 
mais perfeito às qualidades essenciais que a moeda deve preencher. Lopes e Rossetti (2005, p. 31‑32) 
destacam algumas razões para o uso de ouro e prata:
 
— em todos os países, em todas as épocas, os metais preciosos sempre foram 
muito procurados e desejados, quer em razão de seus usos materiais, quer 
em razão de seu caráter simbólico e de seu valor mítico, como meios de 
expressão de poder e riqueza.
— o ouro e a prata, enquanto instrumentos monetários, eram suficientemente 
escassos e as novas quantidades descobertas eram insignificantes em 
relação ao estoque existente, de tal forma que seu valor se mantinha 
relativamente estável ao longo do tempo, confirmando a confiança do 
público e favorecendo sua aceitação irrestrita.
Apesar de mais se assemelhar com as funções e características da moeda, são também mercadorias 
que, para serem trocadas por outras, dependem da dupla coincidência de desejos. Novamente: e o 
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Unidade III
manuseio? E o transporte? E a durabilidade, características físicas da moeda? E a divisibilidade? Parece 
que o ouro e a prata também não foram as melhores alternativas para a moeda, por isso a sociedade 
caminhou para outra forma alternativa: a era da moeda‑papel (JUDENSNAIDER; MANZALLI, 2011).
Essa era será favorecida pela multiplicação das trocas entre povos de uma mesma região, e mesmo 
entre regiões e países diferentes, o que provoca mais dificuldades para que a moeda metálica continue 
sendo utilizada como instrumento de pagamento. Seu transporte tornou‑se relativamente difícil e 
muito suscetível a riscos, a exemplo de roubo. Assim, as sociedades se empenharão para a criação 
e o uso de instrumentos monetários mais adaptáveis a seu tempo e necessidade, inclusive com a 
efetivação de operações de crédito. “Ademais, as relações comerciais só poderiam desenvolver‑se se 
esse novo instrumento monetário passasse a ser aceito de forma ampla, ainda que tivesse a necessária 
contrapartida de lastro metálico integral” (LOPES; ROSSETTI, 2005, p. 32).
Conforme Carlos Passos e Otto Nogami (2016, p. 451),
 
a moeda representativa ou moeda‑papel veio eliminar, portanto, as 
dificuldades que os comerciantes enfrentavam em seus deslocamentos pelas 
regiões europeias, facilitando a efetivação de suas operações comerciais e 
de crédito, especialmente entre as cidades italianas e a região de Flanders. 
A sua origem está na solução encontrada para que os comerciantes pudessem 
realizar os seus empreendimentos comerciais. Em vez de partirem carregando 
a moeda metálica, levavam apenas um pedaço de papel denominado 
certificado de depósito, que era emitido por instituições conhecidas como 
“Casas de Custódia”, e onde os comerciantes depositavamas suas moedas 
metálicas, ou quaisquer outros valores, sob garantia.
Tal modalidade de moeda, um papel, um certificado de depósito, desempenhava boa função. Tinha 
nele incorporado um valor representativo, inicialmente com lastro de 100% e com garantia de aceitação, 
uma vez que expressava ali uma determinada quantidade de valor.
 
Com a circulação espontânea de certificados representativos de depósitos 
de ouro e prata, estava criada uma nova modalidade de moeda, denominada 
moeda representativa ou moeda‑papel, com lastro de 100% e com garantia 
de plena conversibilidade, já que seus detentores podiam, a qualquer 
momento e sem prévio aviso, trocá‑la pelos metais depositados que deram 
origem à sua emissão. Essa garantia, regularmente confirmada pelo nome e 
honradez das casas de custódia de maior tradição, acabou por transformar 
essa nova moeda em instrumento preferencial de troca e de reserva de 
valor, generalizando‑se e ampliando‑se seu uso com o passar do tempo 
(LOPES; ROSSETTI, 2005, p. 33).
Dessa modalidade, a sociedade avançou para outro tipo de moeda: a moeda fiduciária ou 
papel‑moeda.
143
ECONOMIA E NEGÓCIOS
 Observação
Moeda fiduciária, de fidúcia, garantia.
Para Lopes e Rossetti (2005, p. 33),
 
a experiência de custódia e da conversibilidade mostrou que o lastro 
metálico integral (de 100%) em relação aos certificados em circulação não 
era necessário para a operacionalização desse novo sistema monetário. Essa 
constatação decorreu da percepção de que a reconversão da moeda‑papel 
em metais preciosos não era solicitada por todos os seus detentores ao 
mesmo tempo. Além disso, enquanto uns solicitavam a reconversão, outros 
ensejavam novas emissões, levando às casas de custódia novas quantidades 
de ouro e prata para depósito.
Vamos entender melhor isso. As casas de custódia funcionavam como uma espécie de banco, onde 
alguns agentes depositavam barras de ouro bem como suas peças de prata e, em troca, recebiam um 
papel representando aquele valor. 
Quilos de ouro x preço do ouro = valor do ouro
Valor do ouro depositado = um papel escrito o quanto vale
De posse de tal documento, papel‑moeda, exerciam‑se as trocas comerciais. O recebedor de tal 
documento possuía agora o direito de ir até a casa de custódia e resgatar o valor ali identificado. 
Tal reconversão nem sempre era necessária, de forma que grande quantidade de ouro permanecia 
depositada em tais casas e os “guardiões dos metais preciosos” poderiam começar a emitir papéis não 
mais lastreados (LOPES; ROSSETTI, 2005, p. 33). Inaugura‑se, então, um período em que a emissão de 
papel‑moeda será exercida‑se as por particulares até que o governo chame para si tal responsabilidade. 
Vale destacar as características do papel‑moeda:
• seu lastro era inferior a 100%, pois as emissões poderiam ser efetuadas em maior quantidade do 
que o próprio metal precioso reservado na casa emissora do certificado de depósito;
• menor garantia de conversibilidade, já que todos, ao mesmo tempo, não podiam transformar 
papéis em metal, pois o volume de moeda representado nos papéis era maior do que o volume de 
ouro verdadeiramente existente na casa de custódia;
• se todos os depositários tivessem necessidade de, ao mesmo tempo, efetuar a conversão dos 
papéis em ouro, o sistema quebraria;
144
Unidade III
• como a emissão era efetuada por particulares, e ainda não estava nas mãos do Estado, o sistema 
era frágil por naturalidade, porém, ainda como destacam Paulani e Braga (2020, p. 260), os fiéis 
depositários de metais preciosos e que viriam, tempos depois, a se tornar os bancos na forma 
como conhecemos,
[...] perceberam uma coisa interessante: era extremamente pequena a 
probabilidade de que todos aqueles que lá tinham depositado suas moedas de 
ouro e prata viessem reclamá‑las ao mesmo tempo. Logo, uma vez que os recursos 
eram ali depositados, eles podiam ser emprestados a outros agentes, mediante 
o pagamento de juros. Assim, se se dispusesse, por exemplo, de $ 100.000 em 
moedas de ouro depositadas, poder‑se‑ia emprestar uma parcela razoável delas, 
digamos $ 80.000, a outros agentes, pois dificilmente mais do que 20% do valor 
desses depósitos viria a ser simultaneamente exigido por seus detentores. Feito 
isso, o montante de moeda na economia teria sido imediatamente transformado 
em $ 180.000, pois aqueles que tomaram os empréstimos ficaram com um 
poder de compra de $ 80.000 em mãos, sem que os proprietários originais 
desses recursos tivessem perdido seu direito a eles – não nos esqueçamos de 
que eles tinham em mãos seus recibos de depósitos, os quais passaram a ser tão 
aceitos como forma de pagamento quanto as próprias moedas de ouro e prata. 
Desse modo, cada depósito feito gerava, para a economia, um valor adicional de 
moeda da ordem de 80%. Assim que as casas que guardavam as moedas de ouro 
e prata descobriram esse fenômeno, elas se transformaram em bancos.
Nesse contexto, pergunta‑se: a cargo de quem ficava o controle de tais emissões pelas casas de 
custódia? Como até então não havia controle das emissões de certificados nem a facilidade de ruína 
do processo, o Estado viu‑se obrigado a regulamentar as emissões via estabelecimento de alguns 
mecanismos. Vejamos o que destacam Lopes e Rossetti (2005, p. 34) sobre o assunto.
 
1. Sistema de cobertura integral. Esse sistema consiste em tornar as emissões 
iguais ao montante do encaixe metálico. Foi adotado na Inglaterra, em 1844 
(Pell Act), tendo sido o Banco da Inglaterra autorizado a emitir notas até 
o limite de seu encaixe‑ouro, mais um montante fixo, de 18 milhões de 
libras, inexpressivo em relação ao capital do banco. O mesmo sistema foi 
adotado pelos Estados Unidos, em 1874, quando as emissões passaram a 
ser limitadas pelo montante dos depósitos dos bancos no Tesouro Nacional.
2. Sistema de reserva proporcional. Esse sistema consiste em estabelecer 
uma relação legal entre a emissão e o encaixe metálico. Esta relação variou 
muito entre os países, dentro de uma faixa de 30% (Alemanha e Bélgica) até 
40% (Estados Unidos, com a implantação, em 1913, dos Bancos Federais de 
Reserva, Itália, Suíça e Holanda).
3. Sistema de teto máximo. Esse sistema consiste na fixação de um teto 
máximo de emissão, sem relação com o encaixe metálico. Foi praticado 
145
ECONOMIA E NEGÓCIOS
pela França de 1870 a 1928. Esse sistema apresentou a vantagem de ser 
mais flexível que os de cobertura integral e de reserva proporcional, 
ensejando a mais fácil regulação da oferta monetária em relação às 
necessidades da economia.
Para o caso do Brasil, o uso mais intenso da moeda fiduciária foi no período de 1815 a 1913, marcado 
por tensão e medo provocado por alguns desastres financeiros mundiais. Percebia‑se que as economias 
das moedas fiduciárias eram instáveis e que controles rigorosos se faziam necessários. Seria no período 
de 1888 a 1890 que tal moeda, também chamada de inconversível, encontraria no Brasil tendência à 
regulação, que ficaria a cargo de um banco central instigado pelo governo na promoção de estabilidade 
tanto cambial quanto monetária. Conforme Abreu e Coelho (2009, p. 67),
 
Para o Brasil, a adoção da moeda fiduciária significava liberar as medidas 
relacionadas ao crescimento econômico com o balanço de pagamentos. 
A moeda fiduciária permitia livrar as condições domésticas das oscilações 
dos movimentos de capital e das relações de troca, mas impunha sobre 
o país a instabilidade cambial, pois a taxa de câmbio seria ajustada no caso 
de choque de qualquer natureza. Assim, a taxa de câmbio influenciava a 
economia brasileira a custo de uma crescente instabilidade.
 Saiba mais
Para mais detalhes sobre a moeda na economia brasileira, indicamos o 
livro a seguir:
HUGON, P. A moeda: introdução à análise e às políticas monetárias e à 
moeda no Brasil. São Paulo: Pioneira, 1967.
Em termos de economia mundial, algumas tentativas de conversibilidade foram adotadas com a 
criação de dois sistemas: o primeiro, chamado de Gold exchange standard,previa conversibilidade de 
notas nacionais em divisas internacionais, que deveriam, estas últimas, ser conversíveis em ouro. O outro 
sistema, Gold bullion standard, requeria que as notas deveriam ser conversíveis em lingotes de ouro, 
uma vez que estes não seriam usados como meio de pagamento na economia nacional. Todavia,
 
Com a crise de 1929‑1933 (Grande Depressão), esses esforços resultaram 
inúteis, tendo sido abandonada desde então a ideia dessas modalidades de 
conversão. A partir de então, com a exceção do dólar, que manteve até 
1971 a tradição e a garantia de lastro metálico proporcional, as moedas 
nacionais deixaram de ter garantias metálicas. Os lastros, sob a forma de 
metais preciosos, ficaram no passado (LOPES; ROSSETTI, 2005, p. 35).
146
Unidade III
 Lembrete
Lembra‑se das principais características da moeda fiduciária? São elas: 
não existência de lastro metálico, total inconversibilidade e monopólio 
estatal das emissões.
Da modalidade de moeda fiduciária até a modalidade da moeda bancária, manual ou 
escritural, como conhecemos hoje foi questão de tempo. É possível compreender que na atualidade 
o papel‑moeda se é a forma dominante, o que serve não somente para as cédulas das quais estamos 
acostumados, mas também para as moedas metálicas, aquelas de menor valor representativo, mas 
não menos importante para o sistema monetário devido aos seus múltiplos e submúltiplos. O que 
diferencia o papel‑moeda das moedas da Antiguidade é que as temos apenas como algum material 
que carrega consigo seu poder de compra, e não mais seu valor intrínseco assim como acontecia 
com metais preciosos, por exemplo. O uso de tal artigo como moeda ainda é efetuado na base da 
confiança, por isso seu uso é generalizado.
 
Ao lado da moeda fiduciária, de emissão não lastreada e monopolizada 
pelo Estado, de curso forçado e de poder liberatório garantido por 
disposições legais, desenvolveu‑se uma outra modalidade de moeda: 
a moeda bancária, escritural ou invisível. O desenvolvimento desta moeda 
aconteceu de forma acidental. Foi precipitado pela independência do 
poder decisório dos departamentos bancários e monetário do Banco da 
Inglaterra, no século XIX. A não conscientização de que os depósitos 
bancários, movimentados por cheques, eram uma forma de moeda, 
ajudou a expansão dos meios de pagamento, pelo efeito multiplicador 
desses depósitos (LOPES; ROSSETTI, 2005, p. 35).
Com a chegada da moeda bancária, que representa na atualidade a maior parcela dos meios de 
pagamento que são utilizados pela coletividade, transforma‑se o que vem a ser moeda como representante 
de valor, de meio de pagamento, de unidade de conta ou mesmo de reserva de valor ao longo do tempo. 
Tal forma de moeda, criada pelos bancos comerciais, acaba por responder pela totalidade dos depósitos 
à vista de curto prazo existentes nesse tipo de estabelecimento da mesma forma que transforma o 
sistema de crédito na economia capitalista moderna. Como sua movimentação dá‑se basicamente por 
uso dos cheques, e na atualidade pelo uso da moeda de plástico (cartões eletrônicos) e transações 
eletrônicas, seu caráter invisível fica cada vez mais evidente.
Consideradas todas as formas que a moeda assumiu durante os tempos, podemos verificar as 
formas que assume em uma economia moderna como a de nossos tempos. Assim, podemos dizer 
que o montante de moeda que temos a nossa disposição, os meios de pagamento (MP) dividem‑se 
em papel‑moeda em poder do público (PMPP) e os depósitos à vista nos bancos comerciais (DVbc). 
Portanto, MP = PMPP + DVbc.
147
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Ademais, podemos considerar ser PMPP moeda manual (cédulas e moedas metálicas) e DVbc moeda 
escritural (depósitos ou representação de saldos positivos e/ou negativos em contas correntes).
Conforme destaca Teixeira (2002, p. 20),
 
No sistema fiduciário, o papel‑moeda é a moeda por excelência. Quando 
alguém tem algum pagamento para realizar, pode, sem nenhuma 
restrição, usar dinheiro – papel‑moeda – para efetuá‑lo. Caso não tenha a 
disponibilidade em dinheiro, tem a alternativa de emitir um cheque contra 
a sua conta de depósito à vista nos bancos comerciais. A conversibilidade do 
cheque em dinheiro – quando há saldo – faz dele um instrumento monetário 
de aceitação generalizada. Sendo assim, o saldo dos depósitos à vista, contra 
o qual cheques são emitidos, faz parte do estoque de meios de pagamento 
da economia. Mas por que não os depósitos de poupança ou de qualquer 
outra aplicação financeira? E se alguém resgatar uma dívida ou fizer um 
pagamento utilizando diretamente um ativo, como um lote de terreno ou 
um carro? Seriam esses ativos também incluídos no conceito de moeda?
Com a pergunta deixada pelo autor, podemos pensar em diversos artigos que podem ser utilizados 
como meio de troca, já que possuem certa propriedade monetária. Pense em quantas pessoas, ao adquirir 
uma casa, por exemplo, não oferecem um carro como parte de pagamento. Outra pessoa que tenha uma 
dívida com um amigo e não possui dinheiro em espécie para pagar a dívida, mas a paga oferecendo 
uma joia, por exemplo. Se pensarmos assim, em termos de economia monetária, voltaríamos à época do 
escambo, das trocas diretas, em que bens são adquiridos por bens. A nós parece não existir tal intenção: 
já deixamos o assunto para trás. Respondendo então à pergunta do autor, carros e casas, joias e quadros, 
por exemplo, não podem ser incluídos nos conceitos de moeda pelo simples motivo de que seu valor é 
variável, e que eles apresentam, na maioria das vezes, baixo grau de liquidez.
Pense, por exemplo, no valor de um carro zero quilômetros que acaba de ser retirado de uma 
concessionária. Que valor ele terá a partir do momento que seu possuidor sair com ele da loja? Será o 
mesmo de quando estava efetuando a compra? Certamente não. Assim que estiver nas ruas, passa a se 
deteriorar, por mais impecável que esteja; deprecia‑se, portanto, seu valor é relativo no tempo: perde 
valor com o passar dos tempos.
Contudo, se pensarmos de forma contrária: um automóvel daqueles produzidos digamos nos anos 
1940. Hoje ele seria considerado relíquia, um item de colecionador. Qual valor tem esse automóvel? 
Será o mesmo para quem o possui e para quem poderia possuí‑lo? Se seu amigo fosse o dono desse 
automóvel antigo e tivesse uma dívida com você, os dois dariam o mesmo valor para o automóvel?
Exemplo de aplicação
Faça uma breve reflexão sobre as obras de arte, como o quadro de algum pintor famoso. O valor 
que está ali inserido é mais sentimental do que comercial. É interessante notar a dificuldade em se 
estabelecer, ou mesmo mensurar, o grau de liquidez de um ativo que não seja a moeda.
148
Unidade III
Teixeira (2002, p. 21) é ainda mais específico:
 
De forma semelhante, um cheque dá ao cliente acesso à sua conta‑corrente 
de depósitos à vista. O cheque é descontado pelo seu valor de face, mas um 
cliente não pode, no arranjo atual, emitir diretamente um cheque contra a 
sua conta de depósitos de poupança ou contra qualquer outra aplicação 
financeira a prazo. Restrições impostas limitam a liquidez dessas aplicações. 
Saques ou transferências fora das datas preestabelecidas implicam 
perdas. Obviamente, as aplicações com liquidez diária e vinculadas com a 
conta‑corrente gozam do mesmo grau de liquidez dos depósitos à vista. 
Como essas facilidades variam ao longo do tempo, fica clara a razão das 
mudanças, ao longo dos tempos, dos conceitos de moedas.
O fato é que o questionamento deixado pelo autor nos remete efetivamente ao que, do ponto 
de vista da economia monetária, deve ser considerado como meio de pagamento do ponto de vista 
conceitual e convencional. Estamos nos referindo a algo que tenha liquidez, que esteja associado à 
noção de liquidez.
A questão da liquidez aqui colocada refere‑se, em primeiro momento, à diferença entre preços: de 
compra e de venda de algo que possa ser considerado como ativo. Imagine uma situação hipotética 
em que notas, papel‑moeda em poder dopúblico, possam ser compradas. Vamos supor que você 
esteja interessado em adquirir duas notas de UM$ 50,00. Quanto terá que pagar? Certamente, a conta 
rápida que acabou de fazer em sua cabeça foi UM$ 100,00. Ou que seu desejo seja adquirir cinco 
moedas metálicas de UM$ 0,25. Quanto custará? No mínimo, você deverá dispor de UM$ 1,50 para tal 
aquisição acontecer.
Diante das situações apresentadas, a única coisa que percebemos é que valores estão sendo trocados 
por valores, objetos monetários estão sendo trocados por objetivos monetários que apresentam o mesmo 
valor entre si. Portanto, não houve ganho para quem vendeu ou comprou, e não houve perda para quem 
vendeu ou comprou. Nessa situação hipotética – afinal, ninguém compra dinheiro em real situação de 
racionalidade –, a liquidez é tão absoluta que não haverá nenhum ganho ou perda. O preço de venda é 
igual ao preço de compra.
 Observação
O que poderíamos admitir em uma situação como essa é que, em 
algum momento, pessoas necessitam trocar unidades monetárias: tenho 
uma cédula de UM$ 100,00 mas necessito, por algum motivo, de duas de 
UM$ 50,00. Isso é uma prática corriqueira nas mais diferentes transações 
comerciais de nosso tempo.
Ainda do ponto de vista da economia monetária e da dinâmica das economias capitalistas em 
termos de evolução, não se pode afirmar qual tipo de ativo monetário deve sempre ser considerado 
149
ECONOMIA E NEGÓCIOS
como moeda e qual deve ser excluído. Tal classificação, ou consideração, dependerá do grau de liquidez 
que consegue alcançar em diferentes épocas. Como a história econômica mostrou, e a nós não cabe 
aqui resgatar, alguns ativos apresentam variabilidade em seu grau de liquidez e, assim, a definição de 
moeda também se altera ao longo do tempo. É o que destacam Lopes e Rossetti (2005, p. 125):
Há ativos que dão ao agente econômico que os possuem um certo 
rendimento sob a forma de juros ou de dividendos; são assim, 
respectivamente, os títulos de renda fixa ou as ações. Outros, como o 
capital instrumental, podem ser acionados no processo de produção 
e assim gerar futuros rendimentos aos seus detentores. Outros ainda, 
como os bens de consumo possuídos em dado instante, podem atender 
a relevantes necessidades correntes, satisfazendo exigências essenciais. 
Todos, porém, excetuando‑se a moeda, sofrem desgastes ou, então, 
acarretam despesas de manutenção ou estocagem com o correr do tempo. 
[...]. Cabe acrescentar que os ativos podem ter diferentes graus de liquidez, 
aqui entendida a liquidez como a capacidade que o ativo revela em se 
transformar em moeda. Consequentemente, a moeda é então admitida 
como a liquidez por excelência. E é exatamente este seu atributo que a 
diferencia dos demais ativos, além do fato de o seu custo de manutenção 
ou estocagem ser negligenciável, evidentemente inexistindo inflação.
Considerando a declaração anterior, podemos perceber que somente será considerado moeda, no 
ponto de vista da economia monetária, o ativo que apresentar os seguintes atributos:
• seu rendimento, em espécie, deve ser zero, resultado da inalterabilidade de seu valor de face, 
nominal;
• o custo de mantê‑la estocada é praticamente imperceptível;
• deve apresentar a liquidez máxima.
O que a diferencia dos ativos financeiros bem como dos bens físicos é justamente a reunião dos 
atributos destacados, pois os ativos financeiros, representados pelas aplicações financeiras, ou títulos, 
como preferem os teóricos da economia monetária, oferecem a possibilidade de render juros quando 
aplicados. Aqui, quando convertida em aplicação financeira, a moeda perde sua principal característica 
de liquidez imediata, liquidez por excelência.
Pense: você tem tantas unidades monetárias depositadas em sua conta‑corrente em um determinado 
banco e não tem a perspectiva de utilizar tal saldo no momento. Aproveitará as oportunidades oferecidas 
pelo mercado financeiro e efetuará uma aplicação do valor que não será utilizado. Para tanto, deverá 
efetuar uma transferência de sua conta‑corrente para uma aplicação financeira: retirará saldo de 
DVbc, depósito à vista nos bancos comerciais e, portanto, do ponto de vista convencional da economia 
monetária, haverá uma diminuição no MP, meios de pagamento.
150
Unidade III
Por qual motivo fará tal aplicação? Certamente, para fazer render aquele saldo que não será usado 
no momento. Tal aplicação gera algum rendimento, portanto, mudará o valor de face da moeda que 
estava depositada em conta‑corrente. Isso é importante reter: o fato de efetuar uma aplicação financeira 
altera um dos atributos da moeda.
 Observação
É fato que tal aplicação financeira pode alterar o valor de face, nominal, 
da moeda para mais ou para menos. Tudo dependerá do tipo de aplicação 
financeira escolhida, e se seus rendimentos serão positivos ou negativos.
E no caso dos bens físicos? Estes certamente apresentam custos de estocagem e manutenção 
significativos e devem ser considerados. Portanto, se possuem custos significativos, diferenciam‑se da 
moeda liquidez por excelência. Vamos explicar melhor tal raciocínio.
Imaginemos que aquela aplicação financeira por você efetuada tenha um objetivo: adquirir um 
patrimônio, uma casa, por exemplo. A aquisição da casa requer certo volume monetário que deve ser 
acumulado por algum tempo – se pensarmos em uma compra à vista, certamente. Pronto, a casa já foi 
adquirida e com ela alguns custos, no mínimo de manutenção, aquilo que chamamos de depreciação do 
patrimônio. É a isso que estamos nos referindo quando afirmamos que os ativos físicos, os bens físicos, 
apresentam custo de estocagem e manutenção consideráveis.
Berchielli (2003, p. 17) também contribui:
 
O grau de liquidez de um ativo depende de dois fatores: custos de transação 
incorridos quando o agente transforma seu ativo em moeda. Por exemplo, 
para negociar uma ação no mercado secundário (Bolsa de Valores), seu 
portador deve pagar uma comissão à corretora encarregada da operação. 
A esse custo podemos acrescentar o recolhimento de impostos ao governo; 
e tempo gasto para transacionar o ativo no mercado a um preço razoável, 
ou o prazo de aplicação, no caso de alguns ativos financeiros. Tomemos 
como exemplo os imóveis: para vender um imóvel a um preço próximo do 
preço potencial, é necessário, às vezes, aguardar vários meses até que surja 
um comprador disposto a pagá‑lo. Alternativamente, o proprietário poderia 
reduzir o preço para vender o imóvel mais rapidamente. Isso implica uma 
perda de capital, o que representaria um custo.
Uma empresa, por exemplo, deve decidir qual montante monetário manter em caixa físico, 
moeda física em suas dependências para despesas correntes; quanto de moeda manter depositada 
em conta‑corrente em banco para as despesas que estão programadas conforme determina 
sua administração de fluxo de caixa; quanto pode manter em aplicações financeiras se seu 
fluxo de caixa é positivo e está trabalhando com certa segurança financeira. Ainda: quanto 
de sua produção final manter em estoque para atender possível demanda; quanto de insumos 
151
ECONOMIA E NEGÓCIOS
de produção manter em estoque para atender à necessidade do setor de produção. O quanto 
manter remete à questão de custo de estocagem. Pois bem: então quais são os atributos que 
devem reunir os títulos e os bens físicos para que sejam diferenciados da moeda? Novamente 
recorremos a Lopes e Rossetti (2005, p. 126‑127) para esclarecer.
— possibilidade de gerar ou estar gerando rendimentos ou serviços que 
satisfaçam às necessidades correntes do agente econômico.
— custos de manutenção e de estocagem significantemente diferentes de 
zero, observando‑se que, quanto a este aspecto, os bens físicos, de uma forma 
geral, apresentam estes tipos de custos mais elevados que os dos títulos.
— graus diferentes de liquidez, mas necessariamente inferiores ao da moeda; 
cabe assinalar que certos bens físicos (talvez mesmo a maioria deles) são 
praticamente ilíquidos.
O quadro a seguir sumarizaos atributos tanto da moeda quanto de outros ativos.
Quadro 5 
Formas 
de ativo
Rendimentos 
proporcionados
Custo de manutenção 
e estocagem
Grau 
de liquidez
Ativos 
monetários Zero Negligenciável Máximo
Títulos
Fixo ou variável 
(normalmente 
superior a zero)
Significativo
Inferior ao 
dos ativos 
monetários
Bens físicos
Possíveis, mas, 
necessariamente, 
incertos
Superior ao dos títulos
Geralmente 
inferior ao dos 
títulos
Adaptado de: Lopes e Rossetti (2005, p. 126).
Em termos de economia monetária, convenciona‑se classificar os ativos por ordem decrescente 
de liquidez, iniciando pela moeda manual (cédulas e moedas metálicas) e os depósitos à vista de 
conta‑corrente em bancos comerciais; segue‑se a classificação para ativos financeiros não monetários, 
a exemplo de títulos públicos, depósitos de poupança e aqueles a prazo. Nesse conjunto ainda estão 
os títulos privados, até que seja possível chegar aos bens físicos dos mais variados tipos, quais sejam, 
automóveis, obras de arte, imóveis, máquinas que apresentam baixa liquidez.
Para o caso da economia brasileira, podemos ter em mente que as cédulas e as moedas metálicas que 
estão em poder do público, MM, os depósitos a vista da coletividade em poder dos bancos comerciais, DBC, 
dos bancos múltiplos, DBM, do Banco do Brasil, DBB, e também das caixas econômicas, DCE, representam a 
máxima liquidez em termos de moeda. Assim, a oferta de moeda no Brasil M, considerando seu conceito 
restrito, qual seja, o de meios de pagamento, pode ser representado por:
M = MM + DBC + DBM + DBB + DCE
152
Unidade III
 Saiba mais
Sugere‑se a leitura do livro indicado a seguir, em especial, o capítulo 17, 
intitulado “As propriedades essenciais dos juros e do dinheiro”. Neste capítulo, 
Keynes aborda os principais atributos da moeda bem como de outros ativos, 
empregando uma visão ímpar.
KEYNES, J. M. A teoria geral, do emprego, do juro e da moeda. São Paulo: 
Atlas, 1982.
Para que o PMPP seja efetivamente utilizado pela coletividade, o Banco Central, na qualidade de 
autoridade monetária, precisa, junto com a Casa da Moeda, emitir moeda, PME, ou seja, papel‑moeda 
emitido. Todavia, nem todo PME converte‑se em PMPP, pois o próprio Banco Central retém parte desses 
recursos. Portanto, são necessárias algumas distinções.
Serão considerados o PME, o total de moeda manual que foi criado pela Casa da Moeda mediante 
pedido do Banco Central e que se encontra em poder do público não bancário, no caixa do sistema 
bancário comercial ou como reserva no caixa do próprio Banco Central. Do conceito de PME surge o de 
PMC (Papel‑Moeda em Circulação). Este é representado pela diferença entre o saldo de papel‑moeda 
emitido e a reserva em caixa do Banco Central. Por fim, o saldo de PMPP estará representado quando 
se considera a diferença entre o saldo de papel‑moeda em circulação e o caixa do sistema comercial.
 Observação
Veja que o sistema não bancário é representado por todos os agentes da 
economia, excetuando‑se o Banco Central e o sistema bancário comercial.
Esquematizando:
Papel‑Moeda em Circulação = Papel‑Moeda Emitido – Caixa do Banco Central (retenção)
Por sua vez, os bancos comerciais também não colocam à disposição da sociedade todo o volume 
monetário de que o Banco Central injetou. Parte desses recursos os bancos comerciais retêm em encaixe 
técnico. Assim,
Papel‑Moeda em Circulação = Papel‑Moeda Emitido – Caixa do Banco Central – Encaixe técnico bancário
Desse modo, temos:
Papel‑Moeda em Poder do Público = Papel‑Moeda Emitido – Caixa do Banco Central – Caixa do 
sistema bancário comercial
153
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Já que estamos tratando dos meios de pagamento, importante trazer o que destacam Lopes e 
Rossetti (2005, p. 129) sobre o assunto.
 
Com relação ao papel‑moeda e moedas metálicas em poder do público, MM, 
componente da oferta monetária também denominado moeda manual ou 
moeda corrente, cumpre esclarecer que não se trata efetivamente do saldo 
em circulação nem do saldo emitido. [...] São considerados como moeda 
apenas os meios de pagamento possuídos pelos agentes econômicos não 
bancários. A moeda manual que se encontra de posse das unidades familiares, 
nos caixas das empresas não bancárias (aqui também incluídas as do setor de 
intermediação financeira não bancária, isto é, as demais instituições do sistema 
financeiro do país com exclusão dos bancos comerciais, do Banco do Brasil e 
das caixas econômicas), e das instituições das três esferas do governo é que se 
considera para o efeito desse conceito convencional de meios de pagamento. 
Cabe observar que é exatamente esse critério que leva à caracterização dos 
depósitos à vista, também denominados moeda bancária ou moeda escritural 
como o segundo componente dos meios de pagamento e uma economia 
moderna. Isto porque, como indica o próprio senso comum, os agentes 
econômicos citados incluem entre suas disponibilidades monetárias imediatas 
as somas disponíveis de moeda manual e os seus depósitos à vista, sacáveis a 
qualquer instante e sem prévio aviso, mediante o simples preenchimento de 
uma ordem de pagamento, representada, no caso, pelo cheque.
Se prestarmos atenção, como estamos de uma forma convencional tratando dos meios de 
pagamento, estamos ainda examinando uma das principais funções da moeda, qual seja, a de servir 
como intermediário de trocas. Assim, do ponto de vista da economia monetária, considerar os meios 
de pagamento é considerar exclusivamente a moeda como intermediária de trocas. Caso o tratamento 
da oferta monetária passe a considerar outra função da moeda, a reserva de valor, teríamos outro 
conceito do ponto de vista da economia monetária: o conceito de quase‑moeda. Estudemos a seguir 
tal conceito.
Entende‑se por quase‑moeda tudo aquilo que não é moeda no seu sentido de liquidez. Se 
papel‑moeda em poder do público e depósitos à vista nos bancos comerciais são considerados moeda 
porque possuem liquidez por excelência do ponto de vista da economia monetária, qualquer outro 
ativo financeiro que não envolva esses dois bens como ativos físicos passa a ser considerado como 
quase‑moeda. Assaf Neto (2021, p. 12) pode nos ajudar a compreender:
São designados por quase‑moeda os títulos emitidos pelo Governo Federal, ou 
por instituições financeiras e empresas públicas, e negociados no mercado por 
um valor inferior ao de sua emissão (deságio). O deságio verificado na negociação 
desses títulos é geralmente explicado pela longa maturidade do resgate ou 
inadimplência do emitente. Por essa desvalorização no mercado esses papéis 
foram, muitas vezes, conhecidos por moedas podres. Estes títulos podem ser 
utilizados para pagamentos de determinadas dívidas junto ao Governo Federal. 
154
Unidade III
Os quase‑moeda foram também adquiridos por investidores estrangeiros 
interessados em participar das privatizações das companhias estatais brasileiras, 
ocorridas nas décadas de 1980 e 1990. [...] No caso brasileiro, podem ser 
classificados por quase‑moedas os títulos da dívida externa conhecidos por 
bradies, Títulos da Dívida Agrária (TDA), debêntures da Siderbras (antiga holding 
estatal do setor siderúrgico) entre outros ativos não monetários.
E o autor continua:
O conceito de quase‑moeda também pode ser explicado, de forma mais ampla, 
pelos ativos financeiros, que costumam pagar algum rendimento, apresentam 
alto grau de liquidez e risco bastante reduzido. São representados, em sua maior 
parte, por títulos públicos. Alguns exemplos, títulos emitidos pelo Tesouro 
Nacional, depósitos de poupança etc. A própria moeda pode ser considerada 
como quase‑moeda, porém apresenta duas importantes diferenças: 
(a) a moeda é sempre usada para transações, e o ativo quase‑moeda não 
é aceito em todas as transações (em geral, é aceito para pagamento de 
tributos); (b) a moeda não rende juros, e a quase‑moeda costuma oferecer 
rendimentos (ASSAF NETO, 2021, p. 12).
Já sabemos que a moeda manual é aquela disponibilizada pelo Banco Central à coletividadeque 
utiliza de seus mecanismos para tanto. Mas como surgem os depósitos à vista e como podem multiplicar 
os meios de pagamento? Essa é uma pergunta interessante e que não pode ficar sem resposta.
Como os bancos comerciais são instituições autorizadas pelo Banco Central a receber depósitos à vista, 
são também as instituições que criam a moeda escritural. De forma bastante genérica, pois não é esse o 
intuito de nosso estudo, qual é a principal atividade bancária? A intermediação monetária, ou seja, guardar 
depósitos de agentes superavitários e financiar agentes deficitários. Quando um agente superavitário 
efetua um depósito em um banco, este tem agora uma escritura: o banco lhe deve aquele valor. Quando 
um agente deficitário toma um empréstimo junto de um banco, a instituição bancária que concedeu 
o empréstimo realiza uma operação contábil de criação de depósito à vista. Pelas palavras de Teixeira 
(2002, p. 24):
Quando um cliente deposita uma determinada soma de dinheiro em sua 
conta‑corrente, as reservas dos bancos comerciais são acrescidas pelo 
mesmo valor. Se aos bancos não é requerido reter reservas equivalentes 
a 100% dos seus depósitos, o volume de reservas existentes lhe permitirá 
expandir os seus negócios por meio da liberação de novos empréstimos para 
os seus clientes. Como os valores desses empréstimos são creditados nas 
contas‑correntes dos clientes, a expansão das atividades dos bancos, por 
empréstimos, gera a criação de novos depósitos.
Na economia moderna, os agentes econômicos dificilmente mantêm moeda em sua forma 
manual e, portanto, preferem a escritural na forma de depósitos. Com relação a isso, Lopes e 
155
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Rossetti (2005, p.  135) elencam algumas razões que explicam por que os agentes preferem a 
moeda escritural.
 
— os depósitos bancários à vista são mais seguros e oferecem maiores 
garantias aos seus detentores. Comparativamente com a moeda manual, 
são menos passíveis de perdas e roubo.
— o manejo de cheques, para efetuar pagamentos, é mais fácil, 
principalmente quando se trata de transações de grande vulto.
— a manutenção de saldos médios nos bancos comerciais facilita a obtenção 
de empréstimos, quer por parte das empresas (para o financiamento do 
processo de produção), quer por parte das unidades familiares (para o 
financiamento do consumo de bens e serviços, em antecipação a rendimentos 
que estas esperam auferir no futuro).
— os pagamentos por intermédio de cheques permitem o melhor controle 
e a melhor contabilização das despesas, ao mesmo tempo em que podem 
servir de comprovante para determinadas finalidades legais [...].
— a concessão de aberturas automáticas e limitadas de crédito, superiores 
aos saldos existentes, de que são exemplos no Brasil os cheques especiais, 
levam os agentes econômicos (no caso, notadamente as famílias) a se 
utilizarem, de forma generalizada, dos bancos comerciais como depositários 
de suas reservas.
Veja como a operação de criação de moeda escritural acontece: o banco recebe um depósito à vista 
que guardará em seu poder até que alguém solicite um empréstimo; o banco empresta o depósito 
à vista de um agente a outro agente via outro depósito bancário. Assim, há uma multiplicação dos 
depósitos bancários e, portanto, dos meios de pagamento. Estamos tratando, portanto, de operações 
contábeis. Para conceder um crédito no valor de UM$ 10.000,00, o banco lança, no lado do ativo do seu 
balancete, uma operação de empréstimo. No lado do passivo, lançará uma operação de depósito. Pronto, 
o banco, ao conceder empréstimo, criou moeda escritural, meio de pagamento.
7.4 Política econômica atual: políticas econômicas (f iscal e monetária) 
e o papel do Banco Central
Agora temos condições de tratar das questões relacionadas à política monetária. Entende‑se por 
política monetária toda ação tomada pelo Banco Central quanto ao padrão monetário de um país. 
O Banco Central, considerada autoridade monetária em qualquer país, além de demais funções, tem a 
função de preservar o valor da moeda ao longo do tempo. É responsável pelo controle direto da liquidez 
no sistema econômico de determinado país. Para o Banco Central desempenhar suas funções, alguns 
instrumentos de política monetária devem ser adotados. São eles:
156
Unidade III
• emissão de moeda;
• administração da taxa de juros;
• coeficiente de recolhimento compulsório;
• operação de redesconto;
• operação de open market;
• seleção do crédito.
Entre as principais atribuições de competência do Banco Central do Brasil no Sistema Monetário e 
Financeiro Nacional, podemos destacar:
• Fiscalizar as instituições financeiras, aplicando, quando necessário, as penalidades previstas em lei. 
Essas penalidades podem ir desde uma simples advertência aos administradores até a intervenção 
para saneamento ou liquidação extrajudicial da instituição.
• Conceder autorização às instituições financeiras quanto a funcionamento, instalação ou 
transferências de suas sedes e aos pedidos de fusão e incorporação.
• Executar a emissão de moeda e controlar a liquidez do mercado, bem como efetuar as operações 
de compra e venda de títulos públicos e federais.
Vejamos as características de cada um dos instrumentos de política monetária.
A emissão monetária é a forma primária de controle monetário por parte do governo, pois expande 
e contrai o volume de moeda disponível na economia de acordo com seus objetivos. Com isso, é possível 
controlar a liquidez da economia, e, por consequência, o multiplicador bancário – capacidade de os 
bancos comerciais expandirem meios de pagamento – também é controlado.
Entende‑se por recolhimento compulsório a reserva legal determinada pelo Banco Central. Trata‑se 
da parcela dos depósitos à vista e a prazo que os bancos devem manter em caixa ou junto ao Banco 
Central. Para entender melhor: a lei exige que os bancos repassem ao Banco Central uma parte dos 
depósitos à vista que a coletividade efetua nos bancos comerciais. Assim, o Banco Central regula a 
liberdade de os bancos comerciais negociarem todo o volume de dinheiro que têm a sua disposição. 
Assim, o Banco Central exercita sua função de banqueiro dos bancos e salvaguarda os direitos dos 
correntistas (JUDENSNAIDER; MANZALLI, 2011).
Da mesma forma que os bancos comerciais estão obrigados a repassar parte de seus saldos 
monetários captados por meio dos depósitos à vista, podem, quando necessário, e atendendo a certas 
exigências, solicitar auxílio ao Banco Central. Para tanto, utilizam‑se da operação de redesconto.
157
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Com esse instrumento de política monetária, o Banco Central tem o objetivo de auxiliar instituições 
financeiras em dificuldades monetárias. Tal dispositivo é acionado por bancos comerciais que já recorreram 
ao mercado interbancário, na tentativa de cobrir seus saldos deficitários e não obtiveram sucesso por motivo 
justificado. Assim, a última opção seria pedir ajuda, ou cobertura monetária, junto ao Banco Central.
Nesse aspecto, o Banco Central desempenha outro papel, o de ser emprestador de última instância. 
Motivo: quando um banco comercial recorre ao Banco Central para cobrir possível déficit de caixa, faz que 
este intensifique sua fiscalização naquele banco. A instituição emprestará os recursos necessários, mas a taxas 
de juros punitivas.
Outro instrumento de política monetária é a operação de open market, ou, se preferir, operação 
de mercado aberto. É com esse instrumento que o Banco Central efetua leilões de venda e compra de 
títulos públicos para arrecadar recursos com a sociedade para efetuar gastos ou simplesmente diminuir 
liquidez, ou recomprar os títulos vendidos anteriormente.
Se admitirmos um open market de venda, significa que o Banco Central está vendendo títulos 
públicos, colocando‑os à disposição para a aplicação por parte da sociedade e, dessa forma, retirando 
moeda de circulação. Esse é um exemplo de política monetária contracionista. De outra maneira, será 
expansionista quando forutilizado um open market de compra. Assim, o Banco Central devolve os 
recursos que tomou emprestados.
No Brasil atual, o principal instrumento de política monetária utilizado é a administração da taxa 
de juros. Podemos entender por juros o custo da moeda, do dinheiro. Agentes superavitários de moeda, 
que têm poupança ou qualquer outra aplicação financeira, recebem juros por deixar seu dinheiro à 
disposição para uso de outrem. De forma contrária, agentes deficitários de moeda pagam juros quando 
necessitam de recursos que são de outrem.
O juro é uma variável muito importante na economia e, por essa razão, um dos mais importantes 
instrumentos de política monetária. Trabalhados como taxa, taxa de juros, toda vez que essa taxa sobe, 
investimentos industriais produtivos são freados, desencorajados, pois um empresário que toma de 
um banco certa quantia de dinheiro para investir na produção deve levar em consideração o quanto 
pagará pela tomada de empréstimo e o quanto receberá de lucros pelo investimento efetuado. Assim, 
dada uma taxa de juros mais elevada em um tempo qualquer, o custo do dinheiro fica também 
mais elevado. O mesmo ocorrerá com o custo do crédito. Com uma taxa de juros mais elevada, o 
crédito ao consumidor também sobe, pois as sociedades de crédito cobrarão um preço mais elevado 
pelo montante de dinheiro que emprestarão. Resultado: diminuição dos investimentos na produção, 
conforme o caso do nosso empresário, e também diminuição do consumo por parte de nosso cidadão 
tomador de crédito. Quando os empresários não investem na produção e consumidores não adquirem 
produtos, resulta em queda de produção de mercadorias, do emprego e da geração de renda. Então, a 
economia entra em um processo recessivo, contracionista (JUDENSNAIDER; MANZALLI, 2011).
Por outro lado, a Política Fiscal compreende ações do governo relacionadas ao seu orçamento, o 
orçamento do setor público. Ela definirá o quanto o governo irá arrecadar e o quanto poderá gastar. 
158
Unidade III
O Estado adquire receita via impostos, tributos e taxas, pagas pelo contribuinte, no intuito de manter a 
ordem e os serviços providos pelo governo.
A arrecadação governamental, chamada de receita do governo, é feita via produção, circulação e 
consumo de mercadoria, além de movimentações financeiras, renda, entre outros. Para Judensnaider 
e Manzalli (2011), entre os principais geradores de renda do governo, citamos como exemplo, e de 
forma genérica:
• receitas provenientes da produção e circulação de mercadorias:
— circulação de mercadorias: ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
— produção industrial: IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados);
• receitas provenientes da geração e apropriação da renda:
— geração de renda: IR (Imposto de Renda);
• receitas provenientes da propriedade, da acumulação de capital e das relações internacionais:
— sobre a propriedade: IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano);
— sobre herança: IH (Imposto sobre Herança);
— sobre operações financeiras: IOF (Imposto sobre Operações Financeiras);
— sobre relações internacionais: II (Imposto sobre Importações).
O governo realiza gastos no intuito de suprir as necessidades da população não preenchidas pela 
iniciativa privada. Entre esses gastos, estão:
• máquina do governo: manutenção dos serviços básicos e administrativos;
• investimentos: construção de escolas, hospitais, rodovias etc.;
• transferência de renda: programas que visam auxiliar a população de baixa renda.
Uma política fiscal será expansionista quando o governo aumenta seus gastos ou mesmo quando 
diminui a carga tributária sobre a sociedade. Ou seja, quando repassa maior volume de recursos 
monetários para a sociedade por meio de seus gastos ou quando deixa a sociedade com maior volume 
de dinheiro, diminuindo sua arrecadação.
Quando o governo adota uma política fiscal expansionista, alguns efeitos na economia são gerados:
159
ECONOMIA E NEGÓCIOS
• descontrole das contas públicas, pois os gastos podem ser, em algum momento, superiores às 
receitas e, dessa maneira, o governo não consegue formar poupança;
• aumento da inflação, uma vez que haverá maior volume de dinheiro em circulação, aumentado o 
consumo e os preços dos produtos;
• redução na credibilidade externa devido ao descontrole orçamentário;
• redução dos investimentos empresariais, pois o governo assume a liderança de aumentar a 
demanda agregada via gastos governamentais e produção;
• redução do desemprego por ativar a atividade econômica (JUDENSNAIDER; MANZALLI, 2011).
E no caso de uma política fiscal contracionista? As consequências, entre outras, serão:
• equilíbrio nas contas do governo ou o que podemos chamar de superávit orçamentário;
• aumento da credibilidade no exterior devido austeridade;
• elevação dos níveis de investimento estrangeiros pois o país transmite maior segurança 
administrativa;
• diminuição das transferências governamentais com relação a sociedade.
O governo necessita da política fiscal para poder prover a sociedade de bens públicos. Ainda: para 
arcar com as funções alocativa, distributiva e estabilizadora, precisa gerar recursos. Como vimos, entre 
as diversas fontes de receita, a principal é a arrecadação tributária. A fim de aproximar um sistema 
tributário do “ideal”, é importante que alguns aspectos principais sejam observados.
Um dos princípios da tributação, chamado princípio dos benefícios, diz que as pessoas deveriam 
pagar os impostos com base nos benefícios que recebem dos serviços do governo. Este princípio tenta 
tornar os bens públicos semelhantes aos bens privados, para chegar, por aproximação, ao valor dos 
bens para o agente que o adquire. Por sua vez, o princípio da capacidade de pagamento versa que os 
impostos deveriam ser cobrados de acordo com a possibilidade que o agente tem de suportar o imposto. 
Tal princípio leva a duas noções de equidade: à equidade horizontal, que diz que contribuintes com 
capacidades de pagamento similares devem pagar a mesma quantia; e à equidade vertical, que afirma 
que contribuintes com maior capacidade de pagar impostos devem pagar mais impostos. Certamente, 
a equidade vertical atenderia ao princípio da progressividade. Outro princípio, o da neutralidade, exige 
que o sistema tributário não provoque uma distorção da alocação de recursos e que, dessa forma, não 
prejudique a eficiência do sistema.
O sistema tributário brasileiro está longe de representar um ótimo de Pareto, ou seja, está longe 
da eficiência administrativa e da justiça social. Devido à multiplicidade de impostos e alíquotas e à 
incidência sobre insumos, o efeito final do sistema brasileiro de impostos indiretos sobre os preços 
160
Unidade III
também não é muito transparente. Com relação à tributação direta e indireta, algumas considerações 
devem ser feitas:
• Impostos indiretos são aqueles cobrados de produtores com relação a produção, venda, 
compra ou uso de bens e serviços. Frequentemente, impostos indiretos são arrecadados em 
vários estágios do processo de produção e venda, de forma que seus efeitos sobre os preços 
pagos pelo consumidor final na cadeia de transações não são claros. O efeito final sobre os 
preços, diante da tributação indireta, depende não apenas da proporção pela qual os impostos 
são passados à frente em cada estágio de produção, mas também da estrutura precisa das 
transações interindustriais.
• Impostos diretos, a exemplo do imposto sobre o patrimônio, podem ser cobrados regularmente 
em função do simples ato de posse dos ativos durante determinado período. É o caso do 
IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) e do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos 
Automotores) e atendem ao princípio da equidade e da progressividade.
Os impostos diretos incidem sobre o indivíduo, mas nem sempre estão associados à capacidade 
de pagamento de cada contribuinte. O Imposto de Renda de Pessoa Física é o imposto pessoal por 
excelência, assim, é aquele que se adapta aos princípios daequidade e progressividade, à medida que 
permite, de fato, uma discriminação entre os contribuintes no que diz respeito à sua capacidade de 
pagamento (JUDENSNAIDER; MANZALLI, 2011).
Do lado das empresas, o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica incide sobre o lucro e apresenta um 
problema: ele pode contrariar os princípios da equidade e da progressividade, tendo em vista que não 
se pode ter certeza de que o ônus do imposto sobre o lucro recaia integralmente sobre o produtor. 
Em outras palavras, a empresa pode reagir à cobrança do imposto sobre os lucros repassando‑o, pelo 
menos em parte, para os preços finais de seus produtos, onerando, assim, os consumidores.
7.5 Relações com o exterior e mercado cambial: política cambial e 
comercial atual
No mundo moderno, e por que não falar nas economias modernas, as relações de produção, 
distribuição, consumo e acumulação não ocorrem apenas no âmbito da economia fechada. 
Fluxos de importações e exportações são visíveis, o que representa a relação internacional de um 
país. No entanto, independentemente de tais fluxos serem bens, pessoas ou finanças, envolvem 
valores monetários, ou seja, relação entre diferentes moedas. Aqui entra em cena outro tipo de 
política econômica, a política cambial. Ela é a política responsável pelo fluxo de moeda internacional 
no país. O controle da quantidade de moeda estrangeira é feito pela taxa de câmbio. Esta é a relação 
existente entre duas moedas de diferentes países. Ela pode ser valorizada ou desvalorizada. Quando a 
moeda nacional está mais cara que a moeda estrangeira, dizemos que a taxa de câmbio está valorizada. 
Por exemplo, com UM$ 1,00 se adquire US$ 1,20. Veja: com uma unidade da moeda nacional é possível 
adquirir mais que uma unidade da moeda estrangeira. Já quando a moeda nacional é mais barata que 
a moeda estrangeira, percebe‑se um câmbio desvalorizado. Assim, para adquirir US$ 1,00, é necessária 
uma quantidade maior de moedas nacionais; no caso, UM$ 1,20. A política cambial tem sido vital para 
161
ECONOMIA E NEGÓCIOS
a manutenção do nível de emprego no país, principalmente para os setores exportadores, que, com uma 
taxa de câmbio desvalorizada, têm mais incentivo para vender produtos ao exterior.
Figura 59 – Dólar como moeda estrangeira e divisa internacional
Disponível em: https://bit.ly/3LZy0v2. Acesso em: 28 mar. 2023.
Portanto, a taxa de câmbio reflete as necessidades de unidades monetárias nacionais para adquirir 
uma unidade monetária de uma moeda estrangeira. É no mercado cambial que são determinadas as 
taxas de câmbio, variável nominal, sob diferentes regimes cambiais: câmbio fixo, câmbio flutuante, 
dirty floating ou ainda o currency board. Em um regime cambial fixo, a taxa de câmbio é administrada 
pelo Banco Central, que fixa o valor do câmbio para um período específico. Já no câmbio flutuante, ou 
flexível, a taxa de câmbio é definida pelo mercado, ou seja, pelas interações entre demanda e oferta de 
divisas internacionais (JUDENSNAIDER; MANZALLI, 2011).
Admite‑se por dirty floating câmbio com flutuação suja. O que significa? Significa que o Banco 
Central de um país pode, mesmo em um câmbio flutuante, exercer pressão sobre a taxa de câmbio, 
ou seja, pode fazê‑la flutuar até que seja fixada em uma meta estabelecida. Por exemplo: suponha 
um país em que o regime cambial seja flutuante, e que as interações entre demandantes e ofertantes 
de divisas internacionais tenham conduzido a taxa de câmbio para um nível que somente favorece o 
importador de mercadorias. Assim, se aumenta o volume de importações de mercadorias de um país, 
menor será a produção interna desse país, e, portanto, pode ter elevada sua taxa de desemprego. 
Diante de tal preocupação, o Banco Central pode interferir no mercado cambial e, por meio de 
compra e/ou venda de divisas internacionais, fazer flutuar a taxa de câmbio até um ponto em que 
sejam favorecidas as exportações.
Por sua vez, o currency board é um regime cambial em que um país adota como moeda corrente 
a moeda estrangeira na qual está ancorada, quando atravessa, ou adota, políticas de estabilização 
162
Unidade III
monetária na tentativa de controlar a inflação. Há ainda que acrescentar outra diferença: a diferença 
entre a taxa de câmbio real e a taxa de câmbio nominal, que reside na diferença de inflação entre os 
países e entre uma e outra taxa.
Ainda quanto às relações internacionais entre diferentes países, outra política é utilizada, qual 
seja, a política comercial. Enquanto a política cambial trata dos preços internacionais, a comercial 
trata, ou cuida, das condições em que o comércio internacional ocorre. Subsídios a importação ou 
exportação, tarifas comerciais, quotas ou mesmo barreiras e liberalização de comércio são assuntos 
concernentes a tal política.
 Saiba mais
No Brasil, o órgão responsável pela política comercial é a Camex (Câmara 
de Comércio Exterior). Esse órgão tem a atribuição de formular, adotar, 
implementar e coordenar as políticas e atividades relativas ao comércio 
exterior brasileiro, à atração de investimentos estrangeiros diretos, a 
investimentos brasileiros no exterior, aos temas tarifários e não tarifários e 
ao financiamento às exportações com o objetivo de promover o aumento 
da produtividade e da competitividade das empresas brasileiras no mercado 
internacional. Você poderá obter mais informações em:
BRASIL. Camex – Câmara de Comércio Exterior. Brasília, [s.d.]. Disponível 
em: https://bit.ly/42ObvPK. Acesso em: 28 mar. 2023.
7.5.1 Impacto dos resultados de contas externas no ambiente de negócios
Da mesma forma que as atividades econômicas internas de um país são contabilizadas, conforme 
estudamos no tratamento das medidas e dos agregados macroeconômicos, as relações econômicas 
internacionais entre diferentes países também são registradas, ou seja, contabilizadas. Tal contabilização 
ocorre no chamado balanço de pagamentos.
O balanço de pagamentos é o registro sistemático de todas as transações econômicas efetuadas 
entre residentes e não residentes de um país durante determinado período. Tal registro atende à 
subdivisão de transações correntes (TC), movimentos do mercado real de bens e serviços e movimentos 
de capitais (CF), representados por fluxos de moeda, renda, crédito e investimentos. Portanto, o registro 
do balanço de pagamentos considera o lado real e o lado monetário das relações internacionais.
O saldo de TC é o resultado das contas do lado real da economia: balança comercial, balança de 
serviços e a balança de rendas, esta última dividida em duas subcontas – renda primária e secundária. 
A conta balança comercial (BC) apresenta o saldo free on board (FOB) de exportações e importações 
de bens realizadas durante determinado período. A conta balança de serviços (BS) registra os saldos 
das operações de serviços realizadas entre o país e os outros, a exemplo de transportes, seguros e 
163
ECONOMIA E NEGÓCIOS
aluguéis de equipamentos. Já a conta de rendas, em sua primeira e maior subconta, a renda primária, 
registra o envio e recebimento de lucros obtidos por empresas domiciliadas no Brasil ou no exterior; os 
lucros obtidos através da posse de ativos financeiros; a remuneração de empregados e reinvestimentos. 
Na conta de renda secundária ficam registradas as transferências pessoais, que na versão anterior 
do balanço de pagamentos era chamada simplesmente de transferências unilaterais, que se trata do 
saldo das transações que não envolvem contrapartida, a exemplo de donativos (na forma monetária 
ou em produtos) que um país envia a outro sem que o país recebedor ofereça algo em troca. Em geral, 
apresentam‑se na forma de ajuda humanitária, remessa de alimentos e medicamentos. Assim,
TC = BC + BS + BR (Primária + Secundária)
Os saldos das contas capital e financeira representam os fluxos monetários realizados entre diferentes 
países durante determinado período, subdivididos em conta capital, que representam os envios e 
recebimentos de recursos para pagamentosde bens não financeiros não produzidos, como o pagamento 
de royalties ou de passes de atletas. Na conta financeira ficam registrados os saldos de investimento 
direto no país (IDP), que se constituem em investimento em ativos fixos, e investimentos financeiros (em 
carteira), por exemplo, ações, títulos públicos, debêntures etc.
No balanço de pagamentos, o registro sistemático das transações atende ao princípio contábil 
das partidas dobradas, a partir do qual um lançamento a débito em uma conta corresponderá a um 
lançamento a crédito em outra conta, sendo o contrário verdadeiro. Assim, pela lógica contábil, o saldo 
das contas deve ser zero. Sistematizando,
BP = TC + CC + CF = 0
O quadro a seguir destaca a estrutura do balanço de pagamentos.
Quadro 6 
Balanço de pagamentos
A
Balança comercial (mercadorias)
Importações FOB (débito)
Exportações FOB (crédito)
B
Balança de serviços (saldos de contas: podem apresentar 
tanto débitos como créditos)
Viagens internacionais (turismo, negócios), transportes 
(fretes), seguros, rendas de capitais (juros, dividendos e lucros), 
serviços diversos (royalties, assistência técnica, aluguéis 
de equipamentos), serviços governamentais (embaixadas, 
consulados, representações no exterior) 
164
Unidade III
Balanço de pagamentos
C
Balança de rendas (remuneração de fatores)
Renda primária (emolumentos obtidos através de investimento 
e trabalho): salário, lucros, dividendos e juros
Renda secundária: transferência de recursos sem a exigência 
de contrapartida, por exemplo, o envio de donativos para 
outro país
D
Conta capital (recursos para pagamentos de bens não 
financeiros não produzidos)
Royalties, passes de atletas, direitos autorais
E
Conta financeira
Investimento direto estrangeiro (IDE) e investimento direto no 
país (IDP)
Reinvestimentos (reinvestimentos de empresas já instaladas 
no país)
Empréstimos e financiamentos (financiamentos de bancos 
estrangeiros de curto e longo prazo)
Investimentos em ativos financeiros (ações, títulos e 
debêntures, por exemplo)
F
Erros e omissões
Saldo da conta financeira (‑) saldo de transações 
correntes (‑) saldo da conta capital = erros e omissões
 Saiba mais
Desde 2015, o Banco Central sistematiza as informações do balanço 
de pagamentos de acordo com a mais nova edição do Manual de 
Balanço de Pagamentos e Posição Internacional do Fundo Monetário 
Internacional (FMI), o BPM 6. Para saber mais, acesse:
BANCO CENTRAL. Perguntas frequentes (FAQs) sobre a conversão de 
BPM5 para BPM6. Brasília, [s.d.]c. Disponível em: https://bit.ly/2STA0KY. 
Acesso em: 28 mar. 2023.
8 PROBLEMAS ECONÔMICOS CONTEMPORÂNEOS
Por mais que as sociedades mostrem avanços ao longo do tempo, tanto econômicos quanto sociais, 
ainda são persistentes alguns entraves, que chamaremos de problemas econômicos contemporâneos. 
Eles também são uma preocupação para empresas, sobretudo para a gestão de negócios, e um deles é a 
inflação, tema que estudaremos a seguir.
165
ECONOMIA E NEGÓCIOS
8.1 Inflação: conceituação e tipos
A inflação caracteriza‑se pelo generalizado e persistente crescimento nos níveis de preços, ou seja, 
ocorre inflação em um período em que um elevado volume de mercadorias tem seus preços majorados 
e sequencialmente, dia a dia, mês a mês os preços sobem sem que, necessariamente, seus custos 
de produção tenham apresentado elevação. Assim, quando há inflação, torna‑se necessária maior 
quantidade de moeda para adquirir as mesmas mercadorias. Resultado: perda do poder aquisitivo 
da moeda, que pode, com isso, causar sérios distúrbios à economia e à sociedade de forma geral 
(SILVA; LUIZ, 2018).
Em períodos de inflação elevada, a moeda deixa de desempenhar uma de suas principais funções, 
a de preservar valor ao longo do tempo. Nessa situação, como viveu a sociedade brasileira boa parte 
dos anos 1970 e 1980, a moeda perde seu valor assim que é recebida. Suponha uma pessoa que receba 
hoje seu salário, digamos UM$ 1.500,00, e que o índice de inflação no mês corrente, medido pelos 
mais diversos índices disponíveis, esteja em torno de 40%. Se essa pessoa deixar o salário guardado no 
armário e for usá‑lo daqui a trinta dias, os UM$ 1.500,00 representarão poder de compra de exatamente 
UM$ 900,00. E por que isso ocorre? Receber algum dinheiro em um período inflacionário e não utilizá‑lo 
o mais rápido possível faz com que haja a perda de seu valor. Em nosso exemplo, perda de UM$ 600,00. 
Significa que os preços das mercadorias ficaram 40% mais elevados e a quantidade de moeda disponível 
não mais será capaz de adquirir a mesma quantidade de mercadoria que era adquirida anteriormente. 
Quem sofre? Na maior parte das vezes, como salienta Mankiw (2020), a população de baixa renda.
Precisamos entender como é produzida a inflação, ou seja, por que ela existe e quais são as suas 
causas. Basicamente, são três os tipos de inflação, e um deles é a de demanda. Vejamos o que diz 
Mankiw (2020, p. 636):
 
Vamos supor que observamos, ao longo de um determinado período de 
tempo, o preço de um sorvete de casquinha aumentar de 5 cents para um 
dólar. Que conclusão poderíamos tirar do fato de que as pessoas estão 
dispostas a dar muito mais dinheiro em troca de um sorvete? É possível que 
as pessoas estejam gostando mais de sorvete (talvez porque algum químico 
tenha desenvolvido um novo e maravilhoso sabor). Mas, provavelmente, não 
é esse o caso. O mais provável é que as pessoas continuem apreciando o 
sorvete da mesma forma e que, com o passar do tempo, a moeda usada para 
comprá‑lo tenha se tornado menos valiosa. De fato, o primeiro entendimento 
sobre a inflação é de que ela tem mais a ver com o valor da moeda do que 
com o valor dos bens.
Portanto, o que define o valor da moeda é a relação entre sua demanda e sua oferta, assim como é 
determinado o preço do tomate nos mais variados mercados. Se há mais tomate sendo ofertado, o preço 
do tomate será relativamente baixo; caso haja pequena quantidade de tomate sendo ofertado, ou seja, 
disponível à sociedade, seu preço tende a ser relativamente mais elevado.
166
Unidade III
Figura 60 – Relação moeda e inflação
Disponível em: https://bit.ly/42OGhrG. Acesso em: 28 mar. 2023.
Voltando ao tema, conforme Samuelson (1979), a inflação de demanda, ou de consumo, é causada 
pelo crescimento do volume de moeda disponível ao público não necessariamente acompanhado pelo 
crescimento da produção. Para a demanda se concretizar, é necessária a existência de moeda, assim, a 
inflação de demanda pode ser entendida como excesso de moeda em circulação, ou seja, quando há 
expansão de liquidez. Nesse caso, os preços tendem a aumentar devido à grande quantidade de dinheiro 
em circulação influenciando o consumo da população. Por seu turno, os empresários, ao observarem o 
elevado consumo e que há grande quantidade de moeda em poder do público, elevam os preços no afã 
de que a venda será certa.
Ribeiro (1990) explica que uma das características da inflação de demanda é que ela ocorre em 
períodos de expansão da economia, a exemplo do experimentado pelo milagre econômico brasileiro, 
no qual o governo investiu fortemente na industrialização do país, elevando os níveis de produção e 
superando períodos anteriores. Tais medidas diminuíram o desemprego, expandindo renda e consumo.
Outro tipo de inflação é o de oferta, ou seja, explicado pelas condições de oferta de produtos 
ou pelo comportamento de seus custos de produção, ou mesmo pela disponibilidade de fatores de 
produção que são utilizados como bens intermediários. A inflação de oferta ocorre quando os custos 
de produção aumentam, ou seja, quando se paga mais para produzir determinados bens ou ofertar 
determinados serviços. Assim, pode ocorrer inflação de oferta diante de:
• diminuição da oferta de um fator de produção;
• elevação nos preços dos fatores de produção;
• aumento nos custos da produção derivado de elevação de tributação;
167
ECONOMIA E NEGÓCIOS
• acréscimo nos salários pagos pelas empresas, casoisso em uma única unidade de medida 
para verificar qual o produto agregado de uma nação?
7.1 Composição do PIB e demais agregados macroeconômicos: 
visão conceitual e analítica do caso do Brasil no século XXI
A pergunta que se faz aqui presente reside em saber como medir a produção realizada pelo 
sistema econômico, tendo em mente que a produção é contínua no tempo e os bens e serviços são 
produzidos e consumidos, sendo necessário produzi‑los novamente, pois grande parte das necessidades 
humanas exige um consumo contínuo, como é o caso da alimentação, que precisa ser feita diariamente 
(SILVA; LUIZ, 2018).
É nesse contexto que surge a contabilidade nacional: “método de mensuração e interpretação da 
atividade econômica que tem como objetivo medir a produção que se realiza em um sistema econômico 
em um determinado período” (SILVA; LUIZ, 2018, p. 44). Para medir o produto de uma nação, temos 
que ter em mente as quantidades de mercadorias que são vendidas em determinado período e seus 
respectivos preços. Quando são usados os preços de mercado, pares de sapatos, quilos de maçãs e litros 
de leite podem ser somados e comparados, conforme acentuado na tabela a seguir.
Tabela 11 – Utilização dos preços de 
mercado para somar diferentes produtos
Produto Quantidade Preço Valor de mercado
Pares de sapatos 1.000 pares UM$ 40,00 o par UM$ 40.000,00
Maçãs 3.000 quilos UM$ 3,00 o quilo UM$ 9.000,00
Leite 5.000 litros UM$ 1,30 o litro UM$ 6.500,00
Total UM$ 55.500,00
Com o exemplo apresentado, podemos chegar à medida de produto nacional, que será dado pelo 
valor monetário dos bens e serviços finais produzidos durante um determinado período, normalmente um 
ano. Nesse exemplo, o produto nacional dessa nação hipotética seria de UM$ 55.500,00. Considerando 
o fluxo circular da renda, podemos ver como ocorre essa operação.
 Observação
Não é possível somar unidades com quilos mais litros, porém é possível 
somar o valor monetário que representam.
Já sabemos que o fluxo circular da renda mostra os fluxos reais e monetários. No fluxo real, temos 
de um lado bens e serviços sendo destinados das famílias às empresas. Quanto ao fluxo monetário, as 
112
Unidade III
famílias geram receitas às empresas como pagamento da aquisição de bens e serviços, e as empresas 
geram rendas às famílias como remuneração pela utilização dos fatores de produção. Relembrando:
Fluxo monetário
Fluxo real
Mercado de 
bens e serviços
Mercado de 
fatores de produção
FamíliasEmpresas
Figura 57 – Fluxo circular da renda
Agora, o fluxo circular da renda mostra o desenvolvimento de outros dois mercados: o 
mercado de bens e o de fatores, que fazem parte do mercado real. No de bens, aquele em que as 
empresas vendem às famílias sua produção, são estabelecidos os preços das mercadorias e suas 
respectivas quantidades.
Já no mercado de fatores, aquele em que as famílias vendem às empresas fatores de produção, 
são fixadas as remunerações de cada um desses fatores e em quais quantidades serão utilizadas. Por 
exemplo, é no mercado de fatores que serão determinados os valores dos salários da mão de obra que 
será empregada.
 Observação
Na teoria microeconômica, os mercados também são considerados, 
tanto em termos de demanda como de oferta e, portanto, de determinação 
de preços e quantidades. Lá, a discussão é individual; aqui, no agregado.
Portanto, o fluxo circular da renda, na forma apresentada, é uma versão bastante simplificada da 
realidade ou do funcionamento de uma economia. Todavia, apesar de simples, podemos retirar a partir 
dele vários conceitos, por exemplo, os conceitos de produto nacional e de renda nacional.
113
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Já sabemos que o produto nacional (PN) é o valor monetário de todos os bens e serviços finais 
produzidos na economia em determinado. Assim, a renda nacional (RN) será o total de pagamentos 
efetuados aos fatores de produção que foram utilizados para a obtenção desse produto.
Desse modo, estamos dizendo que há uma identidade entre produto e renda: PN = RN.
Vejamos com um exemplo.
Tabela 12 – Produção e renda
Produção Renda
Sapatos UM$ 40.000,00 Salários UM$ 25.900,00
Maçãs UM$ 9.000,00 Juros UM$ 10.480,00
Leite UM$ 6.500,00 Aluguel UM$ 8.430,00
Lucros UM$ 10.690,00
Total UM$ 55.500,00 Total UM$ 55.500,00
Conforme o exemplo, temos que o produto total da economia, o produto nacional, foi de 
UM$ 55.500,00. Para que fossem produzidos sapatos, maçãs e leite nesse país, foi necessário utilizar 
trabalhadores, capital, terra e capacidade empresarial. Se esses fatores de produção foram usados, então 
eles foram remunerados.
O total de produção de sapatos, maçãs e leite gerou UM$ 25.900,00 em salários, UM$ 10.480,00 de 
juros, UM$ 8.430,00 de pagamentos pelo aluguel e, por fim, UM$ 10.690,00 de lucro, que foi reinvestido 
na própria produção. Contudo, essa renda que foi gerada na produção deve retornar à produção na 
forma de consumo.
 Observação
Estamos, por simplificação, supondo que essa economia hipotética 
produza apenas três bens, mas sabemos que, além deles, há uma enorme 
variedade. Os valores são meramente ilustrativos.
Portanto, chegamos à outra identidade:
Produto = Renda = Consumo
De outra forma:
Produto Nacional = Renda Nacional = Dispêndio Nacional
PN = RN = DN
114
Unidade III
Vejamos:
Tabela 13 – Produção, renda e consumo (em UM$)
Produção Renda Dispêndio
Sapatos 40.000,00 Salários 25.900,00 Despesas de consumo
Maçãs 9.000,00 Juros 10.480,00 Alimentação 17.400,00
Leite 6.500,00 Aluguel 8.430,00 Vestuário 3.420,00
Lucros 10.690,00 Habitação 7.330,00
Higiene 1.480,00
Saúde 5.330,00
Transporte 2.900,00
Educação 10.280,00
Lazer 730,00
Outras despesas
Impostos 1.080,00
Despesas com acumulação
Poupança 5.550,00
Total 55.500,00 Total 55.500,00 Total 55.500,00
 Observação
Ao analisar a tabela anterior, você consegue visualizar o fluxo circular 
da renda? A produção está representando as empresas; a renda, os 
consumidores; e o dispêndio, a renda retornando às empresas.
Além dos conceitos de produto nacional, renda nacional e de dispêndio nacional, devemos proceder 
ao conhecimento de outros conceitos, que também surgem através do fluxo circular da renda.
Vamos supor que essa economia hipotética da qual estamos tratando também produza pães, 
já que existem gastos com alimentação, conforme demonstrado pelas categorias de dispêndio.
Sabemos que os pães que nos alimentam quando tomamos nosso café pela manhã não surgem do 
nada, mas sim são produzidos através da combinação de fatores de produção. Sabemos, ainda, que um 
dos fatores de produção bastante importante à produção de pães é a farinha, que é derivada do trigo. 
Observemos a seguir como isso ocorre.
O trigo é proveniente da atividade agrícola, setor primário da economia. Será transformado em 
farinha, através do processo de industrialização, categorizando, então, o setor secundário da economia. 
Após o trigo ser transformado em farinha, ela será utilizada para, entre demais coisas, ser transformada 
em pão, que será comercializado no setor terciário da economia.
115
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Vamos admitir que quem transforma o trigo em farinha não produza trigo, mas sim o adquira, e 
que o mesmo aconteça com o produtor de pães. Ele não produz farinha, mas sim a compra para usá‑la. 
Então, no preço do pão estão inclusos os custos de fabricação, da mesma forma que no preço da venda 
final da farinha está incluso o gasto com a aquisição de trigo. Vejamos um exemplo que apresente 
relações entre diferentes setores de atividade econômica. Os setores de atividade econômica são:
• setor primário: atividades de extração, agricultura e pecuária;
• setor secundário: atividades da indústria;
• setor terciário: atividades do comércio e dos serviços.
A tabela a seguir destaca o exemplo:
Tabela 14 – Estágios de produção de pão (em UM$)
Estágios da produção Vendas do período Custos do período Valor adicionado
Trigo 30,00 – 30,00
Farinha 50,00 30,00 20,00
Pão 90,00 50,00 40,00
Totalsejam reajustados acima da correção monetária 
do período ou por convenção coletiva e sindical;
• monopolização de determinado setor, diminuindo as possibilidades de concorrência;
• demais ocorrências que representem estreita relação entre custos de produção de um bem e seu 
preço.
Resumindo, para Silva e Luiz (2018, p. 116),
 
a inflação de custos tem origem na oferta de bens e serviços. É causada 
pela elevação dos custos de produção, repassados para o consumidor pelo 
aumento do preço do produto. Um fator agravante é o controle do mercado 
(monopólio ou oligopólio), que permite aos empresários obterem lucros 
extraordinários pelo aumento dos preços dos seus produtos, pois não há 
perigo de concorrência.
O outro tipo de inflação, a inercial, difere das outras pois nesta há tendência à perpetuidade. Significa 
que a inflação de um período é automaticamente repassada para o período seguinte. De que forma? 
Pela indexação, que consiste em reajustar pagamentos, ou valores futuros, pela inflação do presente. 
Observe o exemplo muito bem desenvolvido por Silva e Luiz (2018, p. 116‑117):
 
Imaginemos que o Sr. Alberto tome emprestado R$ 100.000,00 de seu 
amigo, Sr. Carlos, e prometa pagar‑lhe em dois meses. Nesse período, 
supondo uma economia inflacionária com taxas mensais de 10%, teremos 
uma inflação acumulada de 21% nos dois meses que correspondem ao 
prazo do empréstimo. Pontualmente, no final do período, o Sr. Alberto 
entrega ao amigo os R$ 100.000,00 que havia tomado emprestado. 
Resultado, o Sr.  Carlos foi prejudicado, pois os R$ 100.000,00 que 
recebeu do amigo valem menos do que os R$ 100.000,00 que ele havia 
emprestado dois meses antes. Por sua vez, o Sr. Alberto saiu ganhando, 
pois pagou apenas R$ 100.000,00 quando deveria ter pago, pelo menos 
R$ 121.000,00. [...] Se o Sr. Alberto e o Sr. Carlos tivessem combinado, na 
ocasião do empréstimo, que o montante emprestado seria corrigido pela 
inflação, o Sr. Carlos receberia R$ 121.000,00 e não se sentiria lesado pelo 
favor que prestou ao amigo.
Em função disso, ou seja, para não haver distorções entre ganhadores e perdedores, contratos de 
trabalho, contratos de aluguel, preços de mercadorias e valores de outras transações são protegidas, 
pelo uso da indexação, de corrosão monetária.
Uma observação a ser feita sobre a inflação inercial é que ela tende a se manter em determinado 
patamar por um período, depois volta a crescer e, finalmente, estabiliza‑se em um novo patamar por 
168
Unidade III
algum tempo. Esse processo ocorre porque as correções dos preços satisfazem aos agentes por um 
tempo, ou seja, essas correções elevam a participação dos agentes na renda.
 Saiba mais
Para compreender melhor o processo inflacionário no Brasil, sugerimos 
a leitura de alguns textos complementares.
BRESSER‑PEREIRA, L. C. Inflação inercial e Plano Cruzado. Brazilian 
Journal of Political Economy, v. 6, n. 3, Jul./Sep. 1986. Disponível em: 
https://bit.ly/3zfSTdR. Acesso em: 29 mar. 2023.
BRESSER‑PEREIRA, L. C.; NAKANO, Y. Hiperinflação e estabilização 
no Brasil: o primeiro Plano Collor. Brazilian Journal of Political Economy, 
v. 11, n. 4, Oct./Dec. 1991. Disponível em: https://bit.ly/40rEjvV. Acesso em: 
29 mar. 2023.
BRESSER‑PEREIRA, L. C. A economia e a política do Plano Real. Brazilian 
Journal of Political Economy, v. 14, n. 4, Oct./Dec. 1994. Disponível em: 
https://bit.ly/3KkdunS. Acesso em: 29 mar. 2023.
8.1.1 Formas de combate à inflação: política econômica brasileira atual no combate 
à inflação
Há diversas formas para o governo combater o processo inflacionário. No período mais recente do 
Brasil, a política protagonista tem sido a monetária, aquela entendida como toda ação tomada pelo 
Banco Central com relação ao padrão monetário de um país. O Banco Central, considerado autoridade 
monetária em qualquer país, entre outras funções, tem a de preservar o valor da moeda ao longo do 
tempo. É responsável pelo controle direto da liquidez no sistema econômico de determinado país. 
Para o bom entendimento de como se operacionaliza a política monetária, Carvalho et al. (2015) 
propõem que se divida a discussão em três partes principais: objetivos, metas e instrumentos.
Quanto aos objetivos, eles geram uma discussão bastante controversa entre os acadêmicos. 
Uma das pautas é a existência ou não do trade‑off entre emprego e inflação, conforme proposto 
pela curva de Phillips, bem como da existência de uma taxa natural de desemprego determinada 
tanto por fatores reais da economia como por outros de imperfeições de mercado. Deixando de 
lado as discussões sobre a aplicabilidade ou não da intervenção governamental por intermédio 
da política monetária, o fato é que devemos assumir que seu objetivo final seja efetivamente a 
busca pela estabilidade de preços. Porém, vê‑se aqui um objetivo que nem sempre é passível de ser 
alcançado. Na busca dos reais objetivos da política monetária, percebe‑se que este se confunde com 
os reais objetivos do governo como um todo e, assim, destacamos aqui aqueles mais relacionados 
às questões monetárias, sem desprezo daqueles que não estão elencados neste livro‑texto:
169
ECONOMIA E NEGÓCIOS
• estabilidade de preços;
• manutenção de certo nível de emprego;
• crescimento e desenvolvimento econômico;
• estabilidade de taxa de câmbio;
• prevenção de falências bancárias;
• manutenção da saúde do sistema financeiro;
• manutenção da confiança dos investidores estrangeiros.
No que diz respeito às metas, elas estão divididas em intermediárias e operacionais.
Nas intermediárias, tem‑se em mente que a atuação da política monetária sobre a economia não 
seja imediata, mas que leva algum tempo até que seus efeitos sejam percebidos.
Uma coisa é o formulador da política econômica pensar como a coletividade reagiria a uma 
determinada ação, outra é a reação propriamente dita e efetivamente tomada pelos agentes econômicos.
 Observação
O policy maker (legislador) pode pensar que uma política monetária 
expansionista de queda na taxa de juros influenciará positivamente 
os agentes econômicos a tomarem empréstimos e, portanto, ativar 
a economia via liquidez. Não se pode fazer tal afirmação pelo simples 
motivo de que não sabemos como o agente econômico recebe tal ação da 
autoridade monetária.
Assim, as metas intermediárias são referências, sinais ao Banco Central de que sua ação terá ou não 
o efeito desejado. Convenciona‑se indicar o comportamento da taxa de juros de longo prazo bem 
como a composição dos agregados monetários como metas intermediárias. Funcionam como uma 
espécie de indicadores de política monetária em função do seu comportamento presente com base no 
que foi tomado de ação monetária no passado. Isso ocorre porque:
• tais indicadores oferecem ao Banco Central informações imediatas e também baseadas em séries 
históricas e contínuas sobre os impactos que os instrumentos até então utilizados estão causando 
na economia;
• auxiliam a autoridade monetária a medir, ou mesmo perceber, se o impacto global das ações da 
política está de acordo com suas intenções, se em direção expansionista ou contracionista.
170
Unidade III
Quanto às metas operacionais, são resultado direto da operacionalização de um determinado 
instrumento de política monetária, estando, de certa forma, ligados aos intermediários. Com o emprego 
de qualquer instrumento de política monetária, o Banco Central consegue causar impacto nas taxas de 
juros ou mesmo na forma pela qual os bancos se relacionam com os depósitos à vista que têm à sua 
disposição. Daqui em diante fica fácil compreender quais são as metas operacionais: determinação 
da taxa básica de juros de curto prazo e controle das reservas bancárias. Conforme destacam 
Carvalho et al. (2015, p. 159),
 
O Banco Central não pode controlar simultaneamente a taxa de juros básica e 
o nível de reservas bancárias. Isto porque se o Banco Central pretende alcançar 
uma determinada meta de taxa de juros, ele deve abrir mão do controle sobre o 
nível de reservas,que neste caso funciona como a variável de ajuste; por outro 
lado, se o Banco Central tenta alcançar uma determinada meta monetária 
agregada, ele perde o controle sobre a taxa de juros, pois esta deve ser permitida 
variar de acordo a alcançar o nível consistente com a meta monetária.
Com relação aos instrumentos, devem ser entendidos como os métodos e meios usados na 
implementação da política monetária e que afetam diretamente algumas variáveis operacionais, com 
vistas a alcançar as metas intermediárias desejadas. Podemos entender que as variáveis operacionais 
estejam no âmbito dos bancos comerciais e da forma como a autoridade monetária reagirá à adoção 
da política monetária, também ponderando como o público se comporta diante da mesma medida. 
Para tanto, a fim de medir o impacto das alterações de base monetária sobre a oferta de moeda na 
economia, utiliza‑se o multiplicador monetário como importante informação operacional. Está certo 
que o multiplicador monetário também não oferece informações totalmente afirmativas, pois carrega 
consigo o comportamento dos agentes e dos bancos ao longo do tempo e determinado por este tempo. 
O comportamento dos agentes sempre muda, conforme as circunstâncias. Mesmo assim, e assumindo 
que o multiplicador monetário possa ser útil, podemos esquematizar o que apresentamos.
Os instrumentos 
de política monetária
Impactam 
variáveis operacionais
Interligadas com 
metas intermediárias
Conquistam os 
objetivos finais
Figura 61
171
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Para exercer suas funções, o Banco Central usa os seguintes instrumentos:
• emissão de moeda;
• administração da taxa de juros;
• coeficiente de recolhimento compulsório;
• operação de redesconto;
• operação de open market;
• seleção do crédito.
Entre as principais atribuições de competência do Banco Central do Brasil no Sistema Monetário e 
Financeiro Nacional, podemos destacar:
• Fiscalizar as instituições financeiras, aplicando, quando necessário, as penalidades previstas em lei. 
Essas penalidades podem ir desde uma simples advertência aos administradores até a intervenção 
para saneamento ou liquidação extrajudicial da instituição.
• Conceder autorização às instituições financeiras em relação a funcionamento, instalação ou 
transferências de suas sedes e a pedidos de fusão e incorporação.
• Executar a emissão de moeda e controlar a liquidez do mercado, bem como efetuar as operações 
de compra e venda de títulos públicos e federais.
Uma vez que o estoque de moeda se expressa como o produto do multiplicador monetário pela 
base monetária, M
m
B
� �� , os instrumentos de controle dos meios de pagamento, manipulados pelas 
autoridades monetárias, podem ser diretos ou indiretos. Os primeiros são os que controlam a base 
monetária; os outros são os que afetam o multiplicador monetário. Conforme Teixeira (2002, p. 37), 
“define‑se instrumento direto como as ações que as autoridades monetárias podem, e devem, tomar 
para controlar os seus próprios resultados. Essas ações afetam diretamente a base monetária”.
Como vimos, no sistema de moeda fiduciária, ou seja, aquele em que há criação de meios de 
pagamento pelos bancos comerciais bem como de sua multiplicação, parece não haver limites 
físicos para a emissão ou expansão da base monetária. Assim, arranjos institucionais precisam ser 
criados para impor limites à expansão da base, pois, do contrário, as principais funções do Banco 
Central estariam comprometidas.
172
Unidade III
 Observação
Esses arranjos não são únicos, mas constituem o cerne das questões 
relativas à independência ou não do Banco Central e a definição de 
uma âncora para garantir a estabilidade. A estabilidade exige que o 
Banco Central, além de órgão emissor, assuma o papel de controlador da 
moeda. Necessita não só de independência para fixar metas para o estoque 
de moeda, mas também de instrumentos institucionais efetivos para 
corrigir quaisquer desvios.
Assim, um dos instrumentos de intervenção direta seria a própria emissão monetária, forma primária 
de controle monetário por parte do governo, pois expande e contrai o volume de moeda disponível na 
economia de acordo com seus objetivos. Com isso, é possível controlar a liquidez da economia, ou seja, 
a base monetária, e, por consequência, o multiplicador bancário – capacidade de os bancos comerciais 
expandirem meios de pagamento – também é controlado.
Por outro lado, será possível perceber que os instrumentos de intervenção indireta são aqueles que 
o Banco Central utiliza para interferir na capacidade de os bancos comerciais criarem novos depósitos 
e, desse modo, o nível de meios de pagamento. Um desses instrumentos é o recolhimento compulsório.
Entende‑se por recolhimento compulsório a reserva legal determinada pelo Banco Central. 
Trata‑se da parcela dos depósitos à vista e a prazo que os bancos devem manter em caixa ou no 
Banco Central. Para que entenda melhor: uma parte dos depósitos à vista que a coletividade efetua 
nos bancos comerciais deve ser repassada ao Banco Central. Assim, o Banco Central regula a liberdade 
de os bancos comerciais negociarem todo o volume de dinheiro que têm a sua disposição. Se o 
objetivo for limitar a expansão do crescimento dos meios de pagamento, a autoridade monetária 
aumentará a taxa de reserva compulsória. Assim, o Banco Central exercita sua função de banqueiro 
dos bancos e salvaguarda os direitos dos correntistas (JUDENSNAIDER; MANZALLI, 2011).
Vejamos o que explica Teixeira (2002, p. 38):
Se, para um volume de reservas – por exemplo de R$ 100,00 –, a taxa de 
reserva compulsória for de 20%, não havendo reservas contingenciais, o 
multiplicador bancário será igual a 5, e os bancos poderão atingir R$ 500,00 
de depósitos à vista. Se, porém, as autoridades monetárias aumentarem a 
taxa de reserva compulsória, por exemplo, 40%, o multiplicador bancário 
se reduzirá para R$ 250,00. Haverá, portanto, uma redução da expansão 
do estoque dos meios de pagamento. Entretanto, uma política de aumento 
significativo da taxa de reservas compulsórias poderá ter outros efeitos 
colaterais. Se R$ 100,00 era, de fato, o nível de reservas livres, a elevação 
dessa taxa limitará a expansão dos bancos. Se, no entanto, os bancos não 
tivessem reservas livres e seus depósitos já estivessem no nível de R$ 500,00, 
com a taxa de reservas compulsórias de 40%, os bancos, para lastrear os 
seus R$ 500,00 de depósitos, necessitariam de R$ 200,00 de reservas.
173
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Sempre que a autoridade monetária altera o percentual do recolhimento compulsório, os bancos 
comerciais adotam medidas para se adequar ao novo cenário, ou expansionista ou contracionista. Como 
os bancos comerciais não podem criar moeda manual, a expansividade de seus negócios em caso de 
política de recolhimento compulsório contracionista dar‑se‑ia por intermédio da captação de recursos 
no mercado. Isso certamente faria elevar a taxa de juros como forma de impulsionar a coletividade a 
efetuar depósitos bancários, transformando‑os em aplicações, ou seja, quase‑moeda. Por outro lado, tal 
atitude da autoridade monetária, que ensejará elevação dos juros por parte dos bancos comerciais, trará 
efeitos negativos para o lado real da economia, quais sejam, diminuição do consumo, da produção e 
da própria geração de renda. Por essa razão, a autoridade monetária deve avaliar o impacto econômico 
para além da tomada de decisão monetária.
Há duas formas de os bancos comerciais cumprirem com a obrigação do compulsório. Uma delas, 
mais rígida e sujeita a penalidades tanto pecuniárias como administrativas, o banco comercial deve, 
diariamente e durante todo o período de movimentação, encerrar o movimento bancário com saldo 
positivo na conta reservas bancárias que seja, no mínimo, igual ao exigível. Na segunda alternativa, mais 
branda e flexível para os bancos comerciais, o banco deve cumprir o recolhimento compulsório pelas 
médias das posições diárias de depósito durante o período de movimentação, sendodefinido um valor 
mínimo que o banco deve manter depositado em todos os dias do período. Assim, saldos positivos de um 
dia podem ser compensados por saldos negativos de outro dia sem prejuízo para a instituição. Conforme 
explicam Carvalho et al. (2015, p. 167), as principais funções do recolhimento compulsório são:
• fornecimento de liquidez ao sistema bancário;
• controle de crédito;
• estabilização da demanda por reservas bancárias.
Os autores ainda acentuam o seguinte:
 
A tendência mundial nos últimos anos tem sido a de eliminação do 
recolhimento compulsório da execução da política monetária, sob o 
argumento de que ele diminui a competitividade bancária, uma vez 
que seu custo recai normalmente sobre os bancos comerciais, e de que 
possui baixa efetividade diante das inovações financeiras postas em 
prática pelos bancos, criando novos tipos de depósitos não sujeitos a 
recolhimento compulsório. [...] No Brasil, a tendência geral tem sido 
de redução da importância dos recolhimentos compulsórios, como 
evidenciado pela redução paulatina de recolhimentos compulsórios 
nas diferentes modalidades de depósitos e pela redução da incidência 
em algumas modalidades de depósitos, que tiveram recentemente suas 
alíquotas zeradas, como depósitos a prazo de reaplicação automática, 
depósitos judiciais e sobre garantia por fiança bancária e adiantamento 
sobre contrato de câmbio‑exportação e em moeda nacional‑importação 
(CARVALHO et al., 2015, p. 166).
174
Unidade III
Da mesma forma que os bancos comerciais estão obrigados a repassar parte de seus saldos monetários 
captados por meio dos depósitos à vista, podem, quando necessário e atendendo a certas exigências, solicitar 
auxílio ao Banco Central. Para tanto, utilizam‑se da operação de redesconto. Teixeira (2002, p. 39) explica 
o motivo de esse instrumento ser assim denominado:
 
Redescontos são empréstimos efetuados pelas autoridades monetárias aos 
bancos comerciais [...]. O cliente desconta um título no banco comercial e 
este, por sua vez, desconta o mesmo título no Banco Central. Por isso, esta 
modalidade de transação é chamada redesconto. Assim, como o negócio de 
um banco comercial consiste em captar recursos a uma determinada taxa 
e emprestá‑los a taxas superiores, dependendo da taxa que as autoridades 
monetárias estiverem cobrando, os empréstimos de redesconto podem ser 
uma fonte de recursos para os bancos comerciais.
Da mesma forma com que aciona o recolhimento compulsório, a operação de redesconto também 
pode ter característica de expansividade ou de contração. Em caso de expansividade, quando a autoridade 
monetária deseja aumentar o ritmo de expansão dos meios de pagamento, ela envidará esforços para 
diminuir a taxa cobrada em tal operação. Com tal sinalização do Banco Central, a de baixa nas taxas 
cobradas pela operação, os bancos comerciais podem sentir‑se tentados a recorrer à operação elevando 
seus níveis de reservas livres, os quais poderão ser transformados em empréstimos, depósitos à vista, e 
multiplicar os meios de pagamento na economia.
Caso a opção seja por uma política monetária contracionista, quando o objetivo da autoridade 
monetária é diminuir a capacidade de multiplicação dos meios de pagamento, o contrário será exercido. 
A autoridade monetária criará dificuldades para empréstimos aos bancos comerciais, cobrando, por 
exemplo, taxas elevadas em tal operação, que fará com que os bancos comerciais revejam suas posições: 
se continua interessante recorrer a tal operação ou se o melhor seria recorrer a outras formas de captação 
de recursos para continuar exercendo suas atividades de multiplicação dos meios de pagamento. 
Certamente, se o banco comercial optar pela operação com juros elevados, o que se espera é que os 
empréstimos que fará a seus possíveis correntistas, e os juros deles decorrentes, estarão influenciados 
pelos juros que serão pagos pelo banco comercial.
 Observação
É uma decisão difícil para o Banco Central e para os bancos comerciais. 
A decisão do primeiro impacta a decisão do segundo, que, por sua vez, 
impacta a coletividade.
Com esse instrumento de política monetária, o Banco Central tem o objetivo de auxiliar 
instituições financeiras em dificuldade monetária. Tal instrumento é acionado por bancos comerciais 
que já recorreram ao mercado interbancário para cobrir seus saldos deficitários e não obtiveram 
sucesso por motivo justificado. Assim, a última opção seria pedir ajuda, ou cobertura monetária, ao 
Banco Central. Nesse aspecto, o Banco Central desempenha outro papel, o de ser emprestador de 
175
ECONOMIA E NEGÓCIOS
última instância. Motivo: quando um banco comercial recorre ao Banco Central para cobrir possível 
déficit de caixa, faz que o Banco Central intensifique sua fiscalização naquele banco. O Banco Central 
emprestará os recursos necessários, mas a taxas de juros punitivas. Sobre isso, Teixeira (2002, p. 39) 
acrescenta o seguinte:
 
Empréstimos de redesconto são práticas normais do mundo bancário. 
Por meio deles, o Banco Central socorre bancos comerciais em eventuais 
dificuldades de caixa. Assim, se um determinado banco estiver recorrendo a 
esse tipo de empréstimos com certa frequência, o mercado poderá entender 
que esse banco está com problemas de solvência. Se, em decorrência, 
acontecer uma corrida, esse banco, como qualquer outro, mesmo saudável, 
corre o risco de insolvência. Em virtude disso, é comum os banqueiros serem 
bastante reservados no uso de empréstimos de redesconto.
O quadro a seguir apresenta algumas informações interessantes sobre o recolhimento compulsório 
em que passamos a efetuar adequação:
Quadro 7 
Condições Modalidade redesconto
Envolve Títulos e valores mobiliários e direitos creditórios 
descontados integrantes do ativo da instituição bancária
Prazos
Até 15 dias úteis, podendo ser recontratadas desde que 
o prazo total não ultrapasse 45 dias úteis, destinados 
a satisfazer necessidades de liquidez provocadas pelo 
descasamento de curto prazo no fluxo de caixa de 
instituição bancária e que não caracterizem desequilíbrio 
estrutural
Até 90 dias corridos, podendo ser recontratadas desde 
que o prazo total não ultrapasse 180 dias corridos, 
destinados a viabilizar o ajuste patrimonial de instituição 
bancária com desequilíbrio estrutural
Taxa de 
redesconto
Variável em função dos ativos e estabelecida, segundo 
critérios definidos pelo Banco Central, levando‑se em 
conta o valor presente, o valor de mercado, o risco de 
crédito, o prazo de vencimento, a liquidez e a volatilidade 
do preço de cada ativo
Venda 
de ativos 
redescontados
Preço do redesconto adicionado de valor correspondente 
à aplicação, sobre o preço do redesconto e pelo prazo da 
operação, com taxa fixada pela Diretoria Colegiada do 
Banco Central e válida na data da realização da operação
Adaptado de: Carvalho et al. (2015).
176
Unidade III
Conforme já estudado, outro instrumento de política monetária é a operação de open market 
(operação de mercado aberto), com o qual o Banco Central realiza leilões de venda e compra de títulos 
públicos para arrecadar recursos com a sociedade para efetuar gastos ou simplesmente diminuir liquidez, 
ou recomprar os títulos vendidos anteriormente. Consiste, portanto, na prática de as autoridades 
monetárias venderem ou comprarem os seus títulos para ajustar o volume de reservas disponíveis no 
mercado. Em termos de economia monetária, tal instrumento também é conhecido como sintonia fina 
de mercado. Teixeira (2002, p. 40) justifica o nome do instrumento:
 
É chamado de aberto por constituir um mercado de títulos, cujo 
acesso é disponível para o público em geral. Só os bancos comerciais 
têm acesso a empréstimos de redesconto. Este é o mercado fechado. 
Porém, qualquer instituição ou pessoa pode perfeitamente aplicar 
os seus recursos na aquisição de títulos governamentais no mercado 
aberto por meio de fundos específicos disponíveis em instituições 
bancárias ou financeiras.
Carvalho et al. (2015, p. 177)ainda acrescentam:
 
Este instrumento é recomendado tanto para realização da gerência de 
liquidez, como para a sinalização da taxa de juros básica. Nessas operações, 
o sinal do rumo da política é enviado por intermédio da divulgação da taxa 
de juros pela qual foram negociados os títulos ou reservas entre o Banco 
Central e o mercado.
Se admitirmos um open market de venda, significa que o Banco Central está vendendo títulos 
públicos, colocando‑os à disposição para a aplicação por parte da sociedade e, dessa forma, retirando 
moeda de circulação. Esse é um exemplo de política monetária contracionista: será utilizado caso 
a autoridade monetária julgue haver muita liquidez no mercado, o que poderá causar inflação 
ou desvalorização da moeda. Ainda: a autoridade monetária procura conter a expansão dos 
meios de pagamento. Para tanto, com regras predeterminadas e bem estabelecidas, fará leilões de 
venda de títulos em que os potenciais compradores efetuam suas ofertas e os agentes procurarão 
definir seus preços de comercialização. Observe a seguir o que destaca Teixeira (2002, p. 40):
 
Os preços negociados representam um desconto sobre os preços de 
resgate. Se um título com valor de resgate de R$ 100,00 e vencimento 
para daqui a um mês for leiloado por R$ 95,00, houve um desconto de 
R$ 5,00. Com esses dados é também possível calcular a taxa de juros. 
Se o adquirente está aplicando R$ 95,00 para receber R$ 100,00 em um 
mês, o valor dos juros será de R$ 5,00 e a taxa de juros correta de 5,26%, 
o resultante do valor dos juros dividido pelo valor aplicado. Há quem 
calcule a taxa de juros incorretamente considerando o valor de resgate. 
Nesse caso, a taxa de juros seria de exatos 5%.
177
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Nesse instante, é essencial perceber a ligação entre a colocação de títulos, a diminuição da liquidez 
e a taxa de juros: ela é imediata. Como os leilões de títulos acontecem inicialmente pela colocação 
por parte do governo federal, as taxas de juros a que esses títulos estão sendo negociados não 
refletem as taxas de juros de mercado porque aqui, no mercado, as taxas sofrem variação conforme 
o grau de liquidez, do mercado e do título, e os prazos de vencimento. Os agentes procurarão 
uma taxa de juros que lhes dê mais segurança levando em consideração as variáveis ali envolvidas. 
Soma‑se a isso a forma com que o portfólio de investimentos do agente está formado e quais são 
seus objetivos com o investimento que ali estão sendo efetuados via aquisição de títulos. Estamos 
chamando a atenção aqui para o fato de que a decisão pela aquisição de títulos requer também a 
decisão de não reter moeda. Se a opção for pela aquisição do título, o agente perderá, em termos 
de liquidez, por abrir mão de deter a moeda com alto poder de expansão. Notadamente, precisam 
decidir se reterão títulos ou moeda corrente. Efetuadas então as considerações, Teixeira (2002) diz 
que a análise da relação entre colocação de títulos, liquidez e taxa de juros pode também ser efetuada 
pelo lado da retenção de moeda, ou, como se denomina no âmbito da economia monetária, pelo 
lado da demanda de moeda, Md.
A análise pelo lado da demanda por moeda parte do princípio de que a demanda por moeda depende 
do nível de renda do agente, Y, e do nível de taxa de juros, i. Enquanto a demanda por moeda apresenta 
uma relação positiva no que se refere à renda, denota relação negativa quanto à taxa de juros. Podemos 
representar da seguinte maneira:
Md = f (Y,i)
Considerando em termos de função linear, a função demanda por moeda será indicada da 
seguinte forma:
Md = aY – bi
Nela, os parâmetros da função são a e b.
Como vimos, a oferta dos meios de pagamento, M, é produto do multiplicador monetário, m, 
pela base monetária, B, ou seja, M = mB, a substituição da base monetária pelos seus componentes, 
quais seja, papel‑moeda em poder do público, PMPP, e as reservas dos bancos comerciais, Et. 
Assim, teríamos:
M = m (PMPP + Et)
Segue‑se que o equilíbrio no mercado monetário pode ser expresso com a igualdade entre a demanda 
e a oferta, de forma que:
M = Md
Efetuando a substituição da demanda e oferta de moeda em funções comportamentais, a exemplo 
de sua linear, temos:
178
Unidade III
aY – bi = m (PMPP + Et)
Resolvendo em termos de taxa de juros, temos:
i
b
aY m PMPP Et� � � � � � � � �� �
�
�
�
�
� � � �� ��� ��
1
Como são dados os a e b, e conhecendo o nível de renda (Y), o multiplicador monetário (m), e a 
quantidade de papel‑moeda em poder do público (PMPP), é possível perceber a relação inversa entre 
o volume de reservas (Et) e a taxa de juros (i). Por depender de tantos parâmetros, essa é uma relação 
sujeita a oscilações, que também depende das intenções dos agentes. Mesmo com isso, temos condições 
de verificar tais relações no gráfico adiante expressando a oferta (s) de reservas pelas autoridades 
monetárias e a demanda (d) de reservas pelos bancos comerciais.
i1
s1
s0
s2
c
a b
i0
R0R2 R1 R
d1
d0
i
Figura 62 – Oferta e demanda por reservas bancárias
O que é possível depreender da análise do gráfico? Iniciando pelo ponto a, que representa o equilíbrio 
entre demanda e oferta de reservas, vê‑se que a taxa de juros, i0, corresponde a R0.
Admitindo um possível aumento da demanda de reservas, conforme demonstrado pelo deslocamento 
positivo da correspondente curva para d1, e que não houve qualquer alteração quanto ao fluxo regular 
de reservas representado pela função s0, é perceptível pelo conhecimento da teoria econômica que 
haverá diminuição de liquidez no mercado, ocasionando, por consequência, elevação nas taxas de juros 
conforme i1. Caso o Banco Central deseje manter a taxa de juros no nível inicial, ou seja, em i0, somente 
o fará se o nível de reservas que estará à disposição dos bancos comerciais fosse aumentado para R1, 
conforme demonstrado pelo ponto b.
179
ECONOMIA E NEGÓCIOS
No entanto, restaria à autoridade monetária atuar com o open market de compra, resgatando 
títulos no mercado e provocando uma política monetária expansionista. Qual é o efeito disso? Ao 
retirar títulos do mercado, a autoridade monetária estaria interferindo positivamente na liquidez 
da economia no montante correspondente à diferença entre R1 e R0. Em termos de mercado, o 
comportamento da autoridade monetária faz deslocar positivamente a função oferta de reservas, 
conforme representado pela curva s1. Ao final da operação, a quantidade de moeda injetada no 
sistema recompõe as necessidades de acréscimo de reservas pelos bancos comerciais.
O que ocorreria caso pensássemos em outra situação também partindo do equilíbrio entre i0 e R0? 
Nessa oportunidade, se a autoridade monetária tem como intenção diminuir a possibilidade de expansão 
dos meios de pagamento, atuará com um open market de venda de títulos, provocando diminuição na 
quantidade de reservas que está nas mãos dos bancos comerciais.
Em termos de efeito de mercado, o que se vê é um deslocamento da curva de oferta de reservas, 
que agora será s2. Da mesma forma que pensamos anteriormente, no caso de permanecerem constantes 
das intenções de demanda, tal função não sofrerá qualquer deslocamento, sendo certo que o volume 
de reservas diminuirá para R2, conforme demonstrado pelo ponto c, e o Banco Central terá conquistado 
seu objetivo de diminuição da multiplicação dos meios de pagamento por parte dos bancos comerciais. 
Qual é o efeito disso? Vê‑se claramente subida dos juros na economia, que agora são i1.
 
A atuação das autoridades monetárias no mercado aberto é uma opção entre 
níveis de liquidez e níveis de taxas de juros. Se escolherem fixar a taxa de juros, 
poderá ocorrer expansão das reservas, implicando aumento do estoque de 
moeda e crescimento da demanda agregada. Se houver um correspondente 
aumento da oferta agregada, haverá expansão da produção, da renda e do 
emprego. Sem a expansão da oferta agregada limitando o aumento do estoque 
de moeda por meio da fixação do volume de reservas, mas, neste caso, a 
taxa de juros subiria.A escolha depende, portanto, da percepção do formulador 
da política monetária quanto aos possíveis e prováveis ajustes da economia. 
É importante destacar também que a autoridade monetária pode atuar no 
mercado aberto captando recursos apenas para se autofinanciar. Nesse caso, 
a sua atuação difere do que se tem discutido até aqui. Se, por exemplo, com 
o objetivo de reduzir a liquidez, a autoridade monetária interferir vendendo 
títulos, a moeda corrente arrecadada será retirada de circulação e o saldo do 
papel‑moeda em poder do público no mercado reduziria. Se, no entanto, a 
autoridade monetária atuar vendendo títulos somente como forma de financiar 
gastos governamentais, a moeda corrente arrecadada voltaria para a circulação, 
pois seria utilizada para saldar contas ou pagamentos governamentais. Nesse 
caso, o saldo do papel‑moeda em circulação não sofreria nenhuma alteração, 
mas a dívida mobiliária do governo aumentaria. No final, haveria um sistema 
misto de controle da política monetária conjugada com a captação de recursos 
para o financiamento governamental. Fazendo isso, o governo evita a emissão 
primária de moeda e a expansão dos meios de pagamento, mas eleva a dívida e 
requerimentos maiores de pagamentos futuros de juros (TEIXEIRA, 2002, p. 43).
180
Unidade III
Comparativamente aos outros instrumentos de política monetária tratados, o coeficiente de 
recolhimentos compulsórios e a operação de redesconto, o open market parece ser mais ágil por 
provocar efeitos mais rápidos na economia, pois possibilita à autoridade monetária efetuar, se for o 
caso, o controle direto e diário do volume da oferta de moeda. Com ele também é possível manipular 
as taxas de juros a curto prazo, além de permitir tanto às instituições financeiras quanto à coletividade 
em geral a realização de aplicações financeiras a prazos diferenciados. Para tal, oferece condições para 
que a sociedade efetue melhor alocação de seus recursos que, por ventura, estejam ociosos em algum 
momento. Poder‑se‑ia dizer ainda que tal instrumento oferece ao Banco Central a possibilidade da 
criação de liquidez para os títulos públicos. É o que ratificam Carvalho et al. (2015, p. 177):
A utilização deste instrumento para reduzir a volatilidade da taxa de juros é 
justificada não somente por ser o instrumento mais ágil para fazer sintonia 
fina de liquidez, pois atua diretamente sobre as reservas bancárias, como 
também pelo fato de que a tendência mundial de redução dos recolhimentos 
compulsórios, ao aumentar a instabilidade da demanda por reservas, requer 
a utilização de um instrumento flexível para a realização do gerenciamento 
de liquidez. Em particular, o esforço dos bancos centrais em reduzir a 
volatilidade no mercado de reservas – com impactos sobre a taxa de juros – 
tem levado à redução da maturidade das intervenções e, ao mesmo tempo, 
ao aumento de sua frequência. Para este fim, as operações compromissadas 
são o instrumento preferido pelos bancos centrais na gerência de liquidez, 
já que possibilitam o ajuste de liquidez sem afetar o preço dos títulos 
utilizados como garantias.
Outro instrumento da política monetária que entraria naqueles de intervenção indireta é o chamado 
controle e seleção do crédito. O tratamento desse tipo de instrumento causa no âmbito dos estudiosos 
da economia monetária certa divergência. O motivo? Enquanto uns acham que tal controle é importante 
em termos de preservar a credibilidade do sistema monetário como um todo ao longo do tempo, outros 
acreditam que tal intervenção restringe a operação dos agentes quanto ao livre funcionamento dos 
mercados e que, portanto, a autoridade monetária influenciaria posições de equilíbrio quando de seu 
desejo. Lopes e Rossetti (2005, p. 268) destacam que:
 
Tradicionalmente, à semelhança dos demais instrumentos monetários, o 
controle e a seleção do crédito era utilizado para direcionar os recursos 
captados pelos bancos comerciais. Gradativamente, porém, esse instrumento 
passou a ser estendido às demais instituições financeiras não bancárias, com 
relação às quais as autoridades monetárias detêm poderes semelhantes 
aos aplicados ao sistema bancário. Isto significa uma forma de extensão 
do controle das autoridades monetárias sobre os passivos financeiros das 
instituições não bancárias. Assim, ainda que se entenda deva o conceito de 
moeda abranger esses passivos, sua submissão ao controle central se torna 
possível, ainda que operacionalmente complexa.
181
ECONOMIA E NEGÓCIOS
O que se debate em termos de economia monetária é que tal instrumento, de alguma forma, é 
utilizado tanto pelo Banco Central contra cadastros de pessoa física negativados, os chamados CPFs 
negativados, quanto pelas próprias instituições financeiras, bancárias ou não bancárias, quando da 
análise de crédito de pessoas físicas ou jurídicas quando necessitam tomar empréstimo. As modalidades 
são as mais variadas e, em razão de seu dinamismo, não poderíamos mencioná‑las neste livro‑texto: 
as modalidades de seleção de crédito existentes hoje podem não ser as mesmas de amanhã. O Banco 
Central pode impor regras de procedimentos em relação aos seus regulados assim como o Conselho 
Monetário Nacional também pode fazê‑lo, tanto em sentido de melhorar as condições de crédito quanto 
em termos de apertá‑las.
No Brasil, hoje o principal instrumento de política monetária utilizado é a administração da taxa 
de juros. Podemos entender por juros o custo da moeda, do dinheiro. Agentes superavitários de moeda, 
que têm poupança ou qualquer outra aplicação financeira, recebem juros por deixar seu dinheiro à 
disposição para uso de outrem. De forma contrária, agentes deficitários de moeda pagam juros quando 
necessitam de recursos que são de outrem.
 Observação
Atualmente, a principal taxa de juros que é administrada pelo Banco 
Central é a Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia). Ela vem sendo 
o principal instrumento de política monetária da atualidade.
O juro é uma variável muito importante na economia e, por essa razão, um dos mais importantes 
instrumentos de política monetária. Trabalhado como taxa, taxa de juros, toda vez que essa taxa sobe, 
investimentos industriais produtivos são freados, desencorajados, pois um empresário que toma certa 
quantia de dinheiro de um banco para investir na produção deve ponderar o quanto pagará pela 
tomada de empréstimo e o quanto receberá de lucros pelo investimento produtivo efetuado. Assim, dada 
uma taxa de juros mais elevada em um tempo qualquer, o custo do dinheiro fica também mais elevado. 
O mesmo ocorrerá com o custo do crédito. Com uma taxa de juros mais elevada, o crédito ao consumidor 
também sobe, pois as sociedades de crédito cobrarão um preço mais elevado pelo montante de dinheiro 
que emprestarão. Resultado: diminuição dos investimentos na produção, conforme o caso do nosso 
empresário, bem como diminuição do consumo por parte de nosso cidadão tomador de crédito. Quando 
os empresários não investem na produção e consumidores não adquirem produtos, há queda de produção 
de mercadorias, do emprego e da geração de renda. A economia entra, então, em um processo recessivo, 
contracionista (JUDENSNAIDER; MANZALLI, 2011).
182
Unidade III
 Saiba mais
Você pode obter mais informações acerca do uso da política monetária 
no site do Banco Central do Brasil. Procure pelas Atas de Reunião do Copom. 
Ao ler as atas, você poderá perceber de que forma a política monetária está 
sendo conduzida no Brasil.
Disponível em: www.bcb.gov.br. Acesso em: 28 mar. 2023.
Carvalho et al. (2015, p. 161) oferecem um quadro que estrutura os instrumentos clássicos da 
política monetária, suas metas e os objetivos dos quais nos utilizamos.
Quadro 8 
Instrumentos de 
política monetária
Metas 
operacionais
Metas 
intermediárias
Objetivos finais de 
política monetária
Recolhimentos 
compulsórios
Taxa de juros de 
curto prazo
Taxa de juros de 
longo prazo Inflação
Redesconto 
de liquidez
Nível de atividade 
econômicaOperações de 
mercado aberto
Reservas 
bancárias
Agregados 
monetários
Taxa de desemprego 
e estabilidade do 
sistema financeiro
Adaptado de: Carvalho et al. (2015).
Tanto Teixeira (2002) quanto Lopes e Rossetti (2005) destacam mais um instrumento de política 
monetária: a chamada persuasão moral. O que faz os autores tratarem desse instrumento é o fato de 
que, existindo interesses coincidentes das autoridades monetárias e do sistema bancário, o interessante 
seria que cada um deles colocassem seus objetivos, um ao outro, de forma que a clareza entre os 
participantes reinasse. Tal clareza contaria ainda com a participação dos banqueiros nessa empreitada 
para que suas decisões empresariais levassem em consideração os objetivos da política monetária. 
A persuasão moral estaria ainda nas mãos da autoridade monetária, no caso, do Banco Central. Por 
qual motivo? Simplesmente porque este é o órgão fiscalizador e regulamentador das atividades 
monetárias que são operacionalizadas pelos bancos comerciais. Bastaria à autoridade monetária expor 
aos bancos comerciais seus reais objetivos com a política monetária e os bancos comerciais atuariam 
de forma a garantir que os objetivos da autoridade fossem conquistados. Assim, a própria autoridade 
monetária poderia abrir mão de acionar qualquer instrumento de política monetária, seja recolhimento 
compulsório, seja redesconto, seja mesmo open market. A própria intervenção do Banco Central nos 
mercados seria reduzida, digamos, se um “acordo de cavalheiros” entre os participantes fosse firmado a 
partir da própria persuasão.
183
ECONOMIA E NEGÓCIOS
A figura a seguir esquematiza a ação do Banco Central com a utilização dos instrumentos tratados.
Modificações da 
oferta monetária
Modificações do custo 
e do preço do crédito
Influências sobre 
os dispêndios no 
mercado do produto
Ação dos instrumentos da 
política monetária (taxa de 
reservas, redesconto, open 
market e controles diretos)
Mudanças no montante 
e na proporção das 
reservas dos bancos
Influências sobre o montante 
dos empréstimos e depósitos
Figura 63
Adaptada de: Lopes e Rossetti (2005, p. 270).
No Brasil, o controle da inflação via uso da política monetária está inserido no chamado regime de 
metas para inflação. Entender o regime de metas para inflação implementado em diferentes economias 
durante a década de 1990 é compreender uma mudança de postura dos governos, principalmente, 
da autoridade monetária quanto à adoção da política monetária, que passa a ser pautada com o 
fim de adquirir estabilidade de preços e transparência de todo o processo. A intenção é obter maior 
credibilidade por parte da autoridade monetária perante a sociedade, para que os reais objetivos da 
autoridade sejam conquistados.
Dois são os principais pressupostos do regime de inflation targeting: o primeiro relacionado à não 
mais operacionalidade apresentada pelo monetarismo de Friedman e a crença de que políticas monetárias 
ativas são fortes o bastante para impactar variáveis reais da economia como aquele teórico acreditava, 
a saber: nível de produto e de emprego. A realidade econômica de agora revela efeitos inócuos quando 
do uso de políticas monetárias expansionistas, pois os agentes formam suas expectativas, não sendo 
mais ingênuos como antes.
184
Unidade III
Outro pressuposto — que, de certa maneira não está dissociado do primeiro — é o de que, 
independentemente da influência provocada pela política econômica, existe nas economias uma taxa 
natural de desemprego que é determinada tanto por fatores reais como por fatores institucionais.
Se o monetarismo até então vigente parece não mais apresentar importância em para a 
formulação de política econômica, tal regime receberá forte influência dos economistas teóricos da 
escola neoclássica e suas hipóteses das expectativas racionais. Como os agentes econômicos detêm 
informações, mesmo que assimétricas, é com uso delas que formam suas expectativas quanto às reais 
razões da adoção da política monetária por parte do formulados e, a partir daí, tomam suas decisões 
com relação à moeda e aos investimentos. Como bem explicam Carrara e Correa (2012, p. 443),
 
A escola de pensamento neoclássica consolidou‑se durante a década de 
1970, quando inúmeras críticas abalaram o consenso keynesiano que havia 
predominado na macroeconomia durante as décadas de 1950 e 1960. Robert 
Lucas, Thomas Sargent e Neil Wallace foram os precursores dessas críticas e 
de algumas novas hipóteses introduzidas pela referida escola, destacando‑se 
a aversão às ideias dos keynesianos de intervenção macroeconômica e a 
não concordância com a caracterização dos instrumentos utilizados pelos 
agentes para formarem suas expectativas, postulada por Friedman. Ou seja, 
os neoclássicos rejeitavam a ideia das expectativas adaptativas, tanto que 
no seu lugar propuseram a hipótese das expectativas racionais. Por outro 
lado, incorporaram dois elementos cruciais do monetarismo: a hipótese da 
existência de uma taxa natural de desemprego e a concepção monetarista 
de que a inflação é um fenômeno essencialmente monetário.
Para os teóricos da escola neoclássica, a política monetária é ineficaz para afetar variáveis reais 
da economia pelos seguintes motivos: os agentes econômicos formam suas expectativas com bases 
racionais; existe uma inconsistência temporal da política monetária e o que se convenciona chamar 
de viés inflacionário. O que isso significa? Que a autoridade monetária anuncia uma certa direção 
da política monetária, se expansionista ou contracionista, e, com base em tal anúncio de direção, os 
agentes econômicos formulam suas posições – reação à política – com base no informado. Bastaria 
então à autoridade monetária realmente adotar a postura anunciada, sem criar desconfiança por 
parte do mercado de como agirá. Isso tem uma ligação direta com a questão da credibilidade a ser 
conquistada pela autoridade monetária para que seus objetivos sejam conquistados. De outro modo, 
se não adotar a postura realmente informada aos agentes, o mercado reagirá de forma contrária aos 
objetivos pretendidos e a questão da reputação piora a situação da economia.
Com isso, temos que a adoção de tal regime se baseia no reconhecimento fundamental de que o 
objetivo da política monetária seja a manutenção de níveis baixos de inflação e que eles sejam estáveis 
no tempo: é uma questão de clareza em termos de objetivos. Mais do que uma questão de clareza, a 
adoção de tal regime faz que a autoridade monetária assuma compromisso, inclusive institucional, na 
busca de estabilidade.
185
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Muito bem: se estamos falando em compromissos, e institucionais, compromissos com o quê? 
Já sabemos que é com a inflação, desde que seja baixa e estável, mas quão baixa? Qual estabilidade 
manter? É nesse instante que são anunciadas uma meta numérica para inflação e uma estimativa de 
tempo para que seja alcançada. Conforme asseveram Carvalho et al. (2015, p. 140),
 
Tal estrutura de política monetária, segundo defensores do regime de metas 
de inflação, aprimora a comunicação entre o público e o setor empresarial e 
os mercados, por um lado, e os policy‑makers, de outro. Também proporciona 
disciplina, prestação de contas ao público, transparência e alguma 
flexibilidade à política monetária. A chamada credibilidade é fundamental 
na condução da política monetária para evitar problemas relacionados à 
inconsistência temporal, ou seja, busca de resultados imediatos e temporários 
em termos de nível de produto em detrimento de perdas duradouras. Neste 
sentido, a adoção de um banco central independente proporcionaria uma 
maior credibilidade junto aos agentes econômicos e sinalizaria um maior 
comprometimento da autoridade monetária com a baixa inflação.
 Observação
Nesse contexto, sabe‑se que o compromisso é numérico e temporal.
E qual será o instrumento de política monetária a ser usado para conquistar o nível de inflação 
desejado? Esse instrumento é a taxa básicade juros, que atuará de forma a fazer que a inflação tenda 
a convergir para a meta estabelecida. Porém, por essa vertente, a administração da taxa de juros 
da economia deve estar de acordo com as condições de mercado e não deve interferir no bom 
funcionamento do mercado de bens, a não ser que ele esteja provocando inflação, pois isso seria 
contrária aos objetivos da política monetária. Ainda para os crédulos desse regime, a política fiscal 
deverá estar subordinada aos objetivos e compromissos da política monetária, e não o inverso. Como 
sabemos, os efeitos expansionistas ou contracionistas provocados em uma economia pela política 
fiscal são mais ágeis do que os da política monetária. Porém, com tal mudança de postura, e com visão 
e alcance de longo prazo, a eficácia da política monetária dependerá da transparência na condução 
da política bem como de seus mecanismos de ação a serem implementados ao longo do tempo. Isso 
requer melhoria na comunicação entre autoridade monetária e coletividade de forma geral para que 
todos estejam alinhados.
Quanto à transparência e comunicação, o uso da mídia impressa e de outros veículos é essencial, 
inclusive pela publicação – por parte da autoridade monetária – de relatórios com dados históricos 
dos níveis de inflação que foram conquistados com o uso dos instrumentos de política monetária. 
Nessas comunicações, a importância reside na apresentação das razões técnicas e os reais motivos de 
a autoridade monetária tomar este ou aquele caminho anunciado, isto é, o caminho futuro para que a 
sociedade “pegue a mesma estrada”.
186
Unidade III
Nesse instante, vale acentuar o seguinte: quando o Banco Central, na qualidade de autoridade 
monetária, vem a público esclarecer sua posição, tal esclarecimento é sempre no sentido de avisar a 
sociedade de que manterá a mesma trajetória de taxa de juros em caso de a inflação estar a caminho 
da meta estabelecida ou se deverá mudar de rota em caso contrário. Se o caso contrário acontecer, 
primeiro são esclarecidos quais são os motivos que fizeram a inflação fugir da meta definida para depois 
anunciar a rota de correção. Muitas vezes, a fuga da inflação da meta fixada está na própria política 
econômica adotada, suas formas e períodos, o que fará com que a autoridade monetária reconheça 
perante o público que errou em suas previsões e tomadas de atitude.
Assim, percebe‑se que a autoridade monetária, ao assumir compromissos com a sociedade, e 
tornando claros tais compromissos para a sociedade, terá que deixar de atuar de forma discricionária 
e a seu intento, apenas. Em razão dos compromissos assumidos e declarados, a margem de manobra 
para que a autoridade monetária traia a sociedade parece diminuir. Segundo teóricos da escola 
neoclássica e adeptos do regime de metas de inflação, vieses inflacionários sempre são criados quando 
a autoridade monetária não adota a política econômica da forma como foi anunciada, portanto, 
ferem a credibilidade de sua atuação e da política. Por conseguinte, os agentes econômicos deixam 
de acreditar e tomar suas decisões, independentemente da política econômica. Qual é o resultado? 
Política econômica com um objetivo, e sociedade com outro.
É na questão da credibilidade e reputação que reside a tese da independência do Banco Central, que, 
conforme Carrara e Correa (2012, p. 445), se desenvolve tendo como base:
 
o trinômio credibilidade‑reputação‑transparência, estabelecido por alguns 
estudiosos da teoria neoclássica, e encontrou grande respaldo em países 
desenvolvidos. A proposta das metas inflacionárias, por sua vez, surgiu como 
um desdobramento da tese da IBC, e sua motivação inicial se encontra na 
formulação do problema da inconsistência temporal, originalmente realizada 
por Kydland e Prescott.
 Saiba mais
A respeito da tese da independência do Banco Central, consulte a 
referência a seguir.
SICSÚ, J. A tese de independência do Banco Central e a estabilidade de 
preços: uma aplicação do método Cukierman à história do FED. Rio de Janeiro: 
UFRJ, 1996. Disponível em: https://bit.ly/3nuibT1. Acesso em: 28 mar. 2023.
187
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Então, para que o regime de metas seja efetivo, o que é necessário? Primeiro, deve‑se fazer a 
escolha de uma meta que seja pontual ou mesmo de uma banda. Enquanto uma meta estabelecida 
pode ser mais bem compreendida pela população diante do anúncio de um número específico, no 
caso um percentual de inflação aceitável e requerido, o uso de bandas não se apresenta tão simples. 
Nesse caso, o anúncio não se faz apenas com um número, ou um nível, se preferir, mas sim de um 
intervalo de aceitação, com teto máximo e teto mínimo. Enquanto a primeira opção é mais palatável em 
termos de público, engessa a política monetária em termos de compromissos críveis, a segunda opção 
promove o inverso: é mais difícil de a sociedade compreender e seguir os compromissos institucionais, 
porém permite maior flexibilidade à autoridade monetária quanto ao manejo da política econômica, 
notadamente a monetária, em direção aos objetivos firmados.
Em segundo lugar, deve‑se partir para a escolha do período de tempo no qual se espera alcançar 
a meta. Nesse contexto, também há duas opções para a autoridade monetária: a adoção de metas 
curtas, digamos anuais, representa uma condição maior de compromisso por parte da autoridade 
monetária quanto à estabilidade dos preços. Aqui a autoridade monetária busca credibilidade e abre 
mão de flexibilidade. Se a opção for pela adoção de metas em horizontes temporais mais alongados, 
possíveis choques endógenos ou exógenos contra a inflação podem ser amenizados, pois o Banco 
Central optou pela flexibilidade em vez de reputação (não que esta também deixe de ser considerada 
pelo mercado).
Por fim, mas não menos importante, para que o regime de metas de inflação seja efetivo e condizente 
com o que se deseja por parte da autoridade monetária, deve‑se definir um índice de preços a ser 
adotado como referência para a meta. Aqui também se apresentam algumas opções de escolha, e a 
autoridade monetária deverá optar por um índice do tipo preços ao consumidor, no caso, um índice 
cheio. Outra opção é a adoção do que se convenciona chamar, em termos de economia monetária, de 
um núcleo de inflação, core inflation: “esta opção exclui do índice de preços ao consumidor os itens que 
causam perturbações transitórias ou autocorrigíveis, e que tem pouca relação com os movimentos mais 
permanentes de preços” (CARVALHO et al., 2015, p. 141).
Nesse contexto, também vem à tona um trade‑off: enquanto a opção pelo core inflation apresenta 
a vantagem de expurgar da inflação choques temporários, oferece à autoridade monetária condições 
mais certeiras quanto à conquista da meta fixada, abrindo mão de certa credibilidade em função do 
entendimento da população quanto à composição do índice. Aqui temos uma questão de percepção: 
o Banco Central pode estar correto quanto ao estabelecimento da meta para inflação e estar na trajetória 
correta e a sociedade ainda sentir seus efeitos, em caso de sua existência. Assim, a confusão pode causar 
perda de credibilidade à autoridade monetária.
Em termos de Brasil, tal regime foi adotado em um momento em que o governo de Fernando 
Henrique Cardoso e sua equipe econômica viu acontecer fortes desvalorizações da moeda em função de 
ataques especulativos contra o real e seu programa de estabilização em condições de economia aberta. 
Segundo Carvalho et al., (2015), instituídas pelo Decreto n. 3.088, de 2 de junho de 1999, em sequência 
da opção pelo câmbio flutuante,
 
188
Unidade III
as metas são propostas pelo Ministro da Fazenda, mas decididas e 
anunciadas pelo Conselho Monetário Nacional, que é constituído pelo 
Ministro da Fazenda, Ministro do Planejamento e o Presidente do Banco 
Central. Além do centro da meta, expresso pela variação do Índice de 
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, o CMN 
determina o intervalo de tolerância adotado, que tem variado em 2%e 2,5% acima e abaixo da meta central, de modo a permitir algum grau 
de flexibilidade à política monetária. Foi delegada a responsabilidade 
pelo cumprimento das metas de inflação ao Banco Central do Brasil 
(CARVALHO et al., 2015, p. 142).
 Saiba mais
Convidamos você a conhecer o Decreto n. 3.088, que instituiu o regime 
de metas no Brasil.
BRASIL. Decreto n. 3.088, de 21 de junho de 1999. Brasília, 1999. 
Disponível em: https://bit.ly/3LXwHg8. Acesso em: 28 mar. 2023.
No âmbito do Banco Central do Brasil, estão a cargo de seus dirigentes as decisões sobre a política 
monetária, acenando certa independência deste órgão, mas não de forma totalmente declarada. 
O que se vivencia em termos de economia brasileira moderna é que tais decisões não sofrem influência 
política do governo federal. As decisões de política monetária são adotadas em função de técnica 
econômica e racionalidade. Por seu turno, o Banco Central utiliza o Comitê de Política Econômica 
(Copom), do qual a diretoria do Banco faz parte. Desde o início de sua instituição, em 1996, os 
objetivos do Copom são:
• implementar a política monetária;
• definir a meta da taxa Selic e seu eventual viés;
• analisar o Relatório de Inflação.
Para cumprir com seus objetivos, os membros do Copom se reúnem a cada 45 dias, efetuam 
análise do comportamento da economia do último período, fazem suas projeções para o período 
seguinte com base nas informações do passado e do presente e tomam suas decisões. Tais decisões 
serão veiculadas pela mídia e, depois, formalmente trazidas às claras para a sociedade via Atas de 
Reunião do Copom.
189
ECONOMIA E NEGÓCIOS
 Saiba mais
Você pode ter acesso a todas as atas das reuniões do Copom, que são 
publicadas na página do Banco Central do Brasil:
BANCO CENTRAL. Atas do Comitê de Política Monetária – Copom. Brasília, 
2023. Disponível em: https://cutt.ly/DwqlENiQ. Acesso em: 25 maio 2023.
No link a seguir, é possível conferir a história do Copom:
BANCO CENTRAL. Definição e histórico. Brasília, [s.d.]a. Disponível em: 
https://bit.ly/3ZXDXfq. Acesso em: 28 mar. 2023.
8.2 Crescimento e desenvolvimento econômico: conceituação, indicadores e 
demais considerações
Agora vamos verificar o que pode ser tratado em termos conceituais sobre subdesenvolvimento, 
crescimento e desenvolvimento e também algumas formas de mensuração.
Quando se trata de subdesenvolvimento, há dois pontos de vista: aquele que trata a questão como 
maneira ideológica, uma mera classificação no tempo das condições sociais e econômicas de um país 
comparado a outros, mesmo que de estruturas diferentes. Com esse olhar, a caracterização dar‑se‑ia 
por análises conjunturais, sem que uma raiz econômica fosse, de fato, concreta. O outro reside na 
escolha de fatos mais concretos, ligados à estrutura econômica e social de uma nação, que permitem 
a classificação de subdesenvolvido. Aos fatos concretos são atribuídos fatores históricos, territoriais e 
regionalização, acesso aos meios de produção e geração de renda, para citar alguns.
Conforme destaca Souza (2009), a definição de subdesenvolvimento passa pela noção de que o 
crescimento demográfico ocorra de maneira mais rápida do que o crescimento econômico e, diante 
de tal irregularidade, não tarda para que a renda e a riqueza se concentrem nas mãos de poucos, 
o que gera, por consequência, pobreza e miséria para as classes menos favorecidas. Ainda como 
decorrência, indicadores sociais e ambientais apresentam‑se de menor qualidade em relação aos de 
países desenvolvidos. Por sua vez, as estruturas econômicas, no que diz respeito à inovação tecnológica, 
não se apresentam totalmente adequadas para que sejam superados os entraves colocados ao país 
nessa situação.
Para Sandroni (1999, p. 580), subdesenvolvimento é uma:
 
situação inferior do sistema econômico‑social de um país em relação 
aos padrões econômicos das nações industrializadas. Evidencia‑se por 
indicadores como exportação baseada em produtos primários, forte 
participação de produtos industrializados na pauta de importação, 
190
Unidade III
importação acentuada de tecnologia e capitais estrangeiros, persistência 
de elevadas taxas de desemprego, baixa produtividade, baixa renda 
per capita, mercado interno bastante limitado, baixo nível de poupança 
e subconsumo acentuado. [...] O subdesenvolvimento está ligado ao 
problema da dependência, que atinge desde países extremamente pobres, 
como Bangladesh, até países de considerável nível de industrialização e 
diversificação do aparelho produtivo, como o Brasil, México e mesmo os 
ricos Estados árabes produtores de petróleo.
Outra característica marcante do subdesenvolvimento é que os países classificados dessa forma 
apresentam instabilidade política e econômica, além de serem altamente dependentes de acesso a 
tecnologia e capitais de países ditos avançados. Mesmo que exista produção industrial, a maior parte do 
que é produzido tem como destino o consumo interno, ficando a cargo da base exportadora produtos de 
baixo valor agregado, notadamente aqueles provenientes do setor primário. Na medida em que maior 
quantidade de países entra no comércio internacional, a questão da produtividade e da competitividade 
impera, desfavorecendo aqueles países cuja pauta exportadora não é diversificada ou não é tão competitiva 
em relação aos demais. Nesse aspecto, o que dita a regra da competitividade são custos de produção, 
preços internos e para exportação, bem como os logísticos, determinados pela questão territorial.
Além de questões de produtividade e competitividade, elevadas taxas de inflação e dificuldades 
orçamentárias de governos de países subdesenvolvidos colocam‑se como entraves quanto à capacidade 
do setor público em financiar projetos em áreas chamadas estratégicas, ou infraestruturais, a exemplo 
de transportes, educação, saúde, comunicações e área social, a fim de diminuir suas desigualdades.
No mundo contemporâneo, uma questão que se coloca presente quanto à classificação de 
países como subdesenvolvidos e desenvolvidos é que, uma vez conceituados como tal, seria para 
todo o sempre. O que estamos tentando dizer? É que, uma vez que um país seja caracterizado como 
subdesenvolvido, isso lhe confere uma marca, independentemente se por determinação ideológica ou 
por condições reais de classificação. Da mesma forma que em algumas épocas a classificação dos países 
atendia à denominação centro‑periferia, a nova denominação da literatura econômica passou a adotar 
desenvolvido e emergente: ao primeiro, dá‑se uma conotação permanente e, ao segundo, uma condição 
não permanente, mas de possibilidades de conquista ao desenvolvimento.
 Observação
Muitas vezes faz‑se referência a um país como emergente com o 
emprego da expressão BEM: big emerging markets.
A denominação centro‑periferia é um conceito cunhado pela Comissão Econômica para América 
Latina (Cepal) para descrever um processo de multiplicação do avanço tecnológico na economia 
mundial que seja passível de explicar a distribuição de seus ganhos entre os participantes. Ocorre que, 
com o avanço do capitalismo industrial e a chamada nova divisão internacional do trabalho, os ganhos 
derivados das relações entre diferentes regiões não foram distribuídos uniformemente.
191
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Para Bielschowsky (2000, p. 16),
a tese parte da ideia de que o progresso técnico se desenvolveu de forma 
desigual nos dois polos. Foi mais rápido no centro, em seus setores industriais, 
e, ainda mais importante, elevou simultaneamente a produtividade de todos 
os setores das economias centrais, provendo um nível técnico mais ou menos 
homogêneo em toda a extensão dos seus sistemas produtivos. Na periferia, 
que teve a função de suprir o centro com alimentos e matérias‑primas a 
baixo preço, o progresso técnico só foi introduzido nos setores de exportação, 
que eram verdadeiras ilhas de alta produtividade, em forte contraste com o 
atraso do restante do sistema produtivo.
É, portanto, com base em tal ideiaque reside a tese também desenvolvida pela Cepal da deterioração 
dos termos de troca, pois enquanto o progresso técnico ocorre nos países ditos já industrializados, 
aquelas economias a industrializar estão produzindo bens primários e seus preços relativos de troca são 
bastante díspares: a economia da periferia exporta bens de baixo valor agregado para importar bens 
de elevado valor agregado, fazendo que ocorra transferência de excedente e de ganhos de produtividade 
para o centro. Assim, a divisão internacional do trabalho somente faria acirrar a disparidade entre os 
polos, visto que o centro apresenta tendência a reduzir sua taxa de expansão das importações de bens 
primários conforme seu progresso técnico avança para a forma poupadora de bens primários. Com isso, 
podemos abordar os fundamentos teóricos da economia subdesenvolvida.
Conforme destaca Souza (2009), considerada em sua forma mais simples, na assim chamada forma 
primitiva, na economia subdesenvolvida estão alguns setores entendidos como os de subsistência, 
o de mercado interno e o de mercado externo e há relações entre eles. Composto de pequenos 
latifúndios de baixa produtividade e dedicados à produção agrícola está o setor de subsistência. Ali 
está concentrada a produção das atividades relacionadas à agricultura de subsistência, porque a 
monetização é quase inexistente. O consumo exercido pelo setor é de sua própria produção, restando 
pequena parte do que foi produzido para abastecimento do mercado de setor externo, que, de acordo 
com seu desempenho, pode beneficiar ou prejudicar o dinamismo do mercado rural, assim com o 
urbano e o industrial.
 Observação
Em relação às características indicadas ao setor de subsistência, é 
comum encontrar alusão ao setor terciário da economia como formado 
por desempregados das áreas rurais ou mesmo aqueles que exercem 
trabalho ocasional.
192
Unidade III
Quanto ao setor de mercado interno, Souza (2009, p. 18‑19) diz que:
em seu estágio inicial de desenvolvimento, é formado por atividades ligadas ao 
atendimento da população residente e ao fornecimento de insumos e serviços 
às empresas e pessoas vinculadas ao comércio externo, como alimentos, 
matérias‑primas beneficiadas, embalagens, transportes. No processo de 
desenvolvimento, o setor industrial urbano leva vantagens em seu relacionamento 
com o setor agrícola, através da extração do excedente gerado neste último 
setor. O setor agrícola apresenta superávits em balança comercial, porque suas 
exportações excedem o volume de importações, uma vez que suas necessidades 
de consumo são supridas pelo setor de mercado interno. Esse superávit em 
moeda estrangeira é utilizado no financiamento de importações e máquinas, 
equipamentos e insumos industriais utilizados no setor industrial urbano.
Figura 64 – Colheita de café no estado de São Paulo em 1902, 
caracterizando a economia agroexportadora
Disponível em: https://bit.ly/3TYQfTl. Acesso em: 28 mar. 2023.
A figura a seguir mostra a estrutura de uma economia subdesenvolvida. Porém, para que se possa 
compreendê‑la, Souza (2009, p. 19) adverte que algumas considerações devem ser efetuadas:
(a) A balança comercial da economia nacional mantém‑se equilibrada; (b) 
o valor das exportações do meio rural (XR) apresenta‑se significativamente 
superior ao valor das exportações do meio urbano industrial (XU), pelo menos 
nas fases iniciais do processo de desenvolvimento; (c) o meio rural mantém 
superávit na balança comercial (XR > MR); (d) o meio urbano e industrial 
apresenta déficit em sua balança comercial com o exterior (XU MR) = (YUR > YRU)
Para Souza (2009, p. 20),
 
A equação acima diz que, no equilíbrio, o déficit do meio rural com o meio 
urbano e industrial (YUR > YRU) fica financiado por seu superávit com o 
exterior (XR > MR). Por seu turno, a produção do meio urbano e industrial 
(YU) destina‑se ao próprio meio urbano (YUU), à exportação (XU) e ao meio 
rural (YUR). A produção destinada ao mercado externo e ao meio urbano 
e industrial (XU + YUR) compõe‑se de produtos industrializados e serviços. 
O equilíbrio do meio urbano industrial é dado por (XU YRU), 
ou seja, o déficit do meio urbano e industrial com o exterior (XU YRU). Como o segundo membro das duas equações anteriores é 
mesmo, temos que (XR > MR) = (XU MR) = (XUde produzir bens de consumo na economia doméstica, interna. 
Quando as exportações exercidas pelo meio rural, (XR) não apresentarem crescimento ao mesmo tempo 
que cresce o potencial importador do setor urbano e industrial, o que se verificará na economia serão 
195
ECONOMIA E NEGÓCIOS
déficits comerciais (X170,00 80,00 90,00
Conforme o exemplo, temos que o trigo foi vendido ao mercado pelo valor de UM$ 30,00. 
Portanto, quem adquiriu o trigo teve um dispêndio total de UM$ 30,00. Provavelmente, quem 
adquiriu o trigo seja aquela indústria que o transformará em farinha. Após a transformação do 
trigo em farinha, ela será vendida ao mercado ao valor de UM$ 50,00. Como nesse preço de venda 
da farinha está embutido o custo de produção, ou seja, o custo com a aquisição de fatores de 
produção, o que o setor secundário agregou ao produto dessa economia foi somente UM$ 20,00, 
ou seja, a diferença entre o preço de venda de sua mercadoria e os valores gastos com bens 
intermediários.
Seguindo esse raciocínio, a farinha foi vendida no mercado ao preço de UM$ 50,00, e quem a 
adquiriu teve um dispêndio total de mesmo valor. Mas quem comprou a farinha a transformará 
em pão, que será o produto da venda do setor terciário da economia. O pão, de acordo com o 
exemplo, será vendido por UM$ 90,00, mas, como foram gastos UM$ 50,00 em custos de fatores 
de produção, agora foram agregados ao produto nacional dessa economia somente UM$ 40,00. 
Portanto, chegamos a novos conceitos: valor bruto e valor agregado.
Entende‑se por valor bruto da produção o cálculo do que cada ramo de atividade recebeu 
com as vendas de bens, que no exemplo anterior representaria UM$ 170,00. Entende‑se por valor 
agregado ou valor adicionado o cálculo do que cada ramo de atividade adicionou ao valor do 
produto final, em cada etapa do processo produtivo, que nesse exemplo é de UM$ 90,00.
116
Unidade III
Assim, o valor do produto agregado dessa economia é UM$ 90,00, que corresponde à produção 
do último bem final dessa economia. Esse valor pode também ser encontrado somando‑se o valor 
adicionado em cada etapa do processo produtivo. Já o valor bruto da produção é a soma do valor de 
cada um dos bens na economia, que, no nosso exemplo, é igual a UM$ 170,00. Esse valor apresenta 
o problema da dupla contagem, já que no valor de cada produto também foram incluídos os valores 
dos insumos necessários à sua produção, ou seja, o chamado consumo intermediário. Então,
VBP – VBI = VA
Onde:
VA = valor agregado ou valor adicionado
VBP = valor bruto da produção
VBI = valores de bens intermediários
A tabela a seguir sumariza os valores encontrados em cada setor de atividade econômica.
Tabela 15 – Valor bruto da produção, 
valor de bens intermediários, valor agregado (em UM$)
Setor de atividade econômica Atividade VBP VBI VA
Setor primário Trigo (agricultura) 30,00 ‑ 30,00
Setor secundário Farinha (indústria alimentícia) 50,00 30,00 20,00
Setor terciário Pão (comércio) 90,00 50,00 40,00
Total 170,00 80,00 90,00
A partir da identidade macroeconômica básica em que produto seja igual à renda que é igual 
ao dispêndio, podemos verificar como são demonstradas as demais medidas agregativas de um 
sistema econômico. Iniciaremos pelo produto interno bruto (PIB).
O PIB refere‑se ao valor agregado de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do 
território econômico do país, independentemente da nacionalidade dos proprietários das unidades 
produtoras desses bens e serviços, excluindo as transações intermediárias. É obtido através da 
seguinte forma:
PIB = C + I + G + X + M
Onde:
PIB = produto interno bruto
C = consumo das famílias
117
ECONOMIA E NEGÓCIOS
I = investimento das empresas
G = gastos do governo
X = exportações
M = importações
Outra medida agregada é o produto nacional bruto (PNB), obtido pelo valor de mercado de todos os 
bens e serviços finais produzidos na economia em determinado período. Sua fórmula é:
PNB = C + I + G + (X – M)
Onde:
PNB = produto nacional bruto
C = consumo das famílias
I = investimento das empresas
G = gastos do governo
(X – M) = exportações líquidas
Exemplo de aplicação
Pesquise nos mais diversos meios de informação por que motivo o Brasil anuncia PIB e os Estados 
Unidos anunciam PNB. Verá que há uma razão significativa.
 Saiba mais
Acesse o site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e 
veja como esse instituto divulga os dados da produção dos três setores da 
economia bem como a estimativa do PIB.
Disponível em: www.ibge.gov.br. Acesso em: 3 abr. 2023.
Após definir o PNB como o valor de mercado dos bens e serviços finais produzidos na economia, 
em um determinado período, e que, portanto, é avaliado em termos monetários, precisamos observar um 
aspecto bastante importante.
118
Unidade III
Se, por exemplo, anunciamos que de um ano para o outro houve aumento no PNB de um país da 
ordem de 25%, resta descobrir o que causou esse aumento: se foram as quantidades de mercadorias 
que aumentaram ou se foram os preços das mercadorias que sofreram elevação. Para tanto, precisamos 
diferenciar PNB nominal de PNB real.
O PNB nominal mede o valor da produção aos preços prevalecentes no período durante o qual o bem 
é produzido. Já o PNB real mede o valor da produção em qualquer período aos preços de um ano base. 
Ele nos mostra uma estimativa real ou física na produção entre anos específicos.
Outra medida de atividade econômica pode ser verificada através do produto nacional líquido 
(PNL), o agregado econômico que define o valor dos bens e serviços finais realmente acrescentados 
à riqueza nacional. Consiste na produção líquida total gerada pela economia de um país no período 
de um ano. Ele diferencia‑se do PNB por considerar apenas os investimentos líquidos, ou seja, exclui 
dos investimentos brutos a depreciação. Desconsidera o desgaste de fatores de produção fixos da 
economia. Dessa forma,
PNL = C + Iℓ + G + (X – M)
Onde:
PNL = produto nacional líquido
C = despesas com consumo
Iℓ = despesas com investimentos líquidos
G = despesas do governo
(X – M) = exportações líquidas
7.2 Economia do setor público
É fato que os governos existem na vida das pessoas, gostemos ou não. Independentemente da 
posição política adotada por um governante, poderá ou não alegrar a sociedade de um determinado 
país ou desagradar por completo. Tal fato deve‑se claramente ao tipo de atitude política escolhida, e, 
para efeito do estudo deste livro‑texto, devemos considerar as opções pela política econômica adotada 
em determinado tempo. Uma política econômica mais desenvolvimentista tende a agradar boa parte 
da população, principalmente aos empresários, que terão novas oportunidades de investimentos; 
consequentemente, as camadas das classes mais baixas da população serão favorecidas, pois haverá 
vagas emprego. Por outro lado, uma política econômica mais austera, aquela na qual a opção 
governamental é por política contracionista, não é completamente agradável quando se espera 
crescimento de renda no curto prazo e elevação dos empregos e gastos públicos. O fato é que a opção 
pela política econômica se dá de acordo com as circunstâncias que se apresentam ao governante ou 
simplesmente permeia sua formação e opção política.
119
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Deixando de lado questões normativas das políticas públicas bem como da presença do governo 
nas economias modernas, o fato é que devemos considerar elementos racionais que fundamentam a 
presença dos governos nas sociedades. Nesse sentido, Giambiagi e Além (2016) chamam a atenção para 
a existência de falhas de mercado que impedem a situação de ótimo de Pareto.
 Saiba mais
O ótimo de Pareto, proposição devida ao engenheiro e economista 
franco‑italiano Vilfredo Frederico Damaso Pareto, versa que em determinada 
situação em que se encontre dois agentes, para que um ganhe, necessariamente, 
outro deve perder.
Leia mais no artigo a seguir, de Eduardo Goulart Pimenta:
PIMENTA, E. G. Direito, Economia e relações patrimoniais privadas. 
Revista de Informação Legislativa, Brasília, v. 43, n. 170, p. 159‑173, abr./
jun. 2006. Disponível em: https://cutt.ly/CwrCcfZh. Acesso em: 16 jun. 2023.
As falhas de mercado abordadas por Giambiagi e Além (2016) são: existência de bens públicos, 
existência de monopólios naturais, externalidades,cada setor 
da industrialização diversificada terá condições de produzir para exportação. Com o uso dos recursos 
oriundos da base exportadora, de forma gradual poderá haver liberalização de importações devido 
à existência de superávit comercial suficiente para pagamento das importações. Nesse ponto, Souza 
(2009, p. 154) afirma que ocorreu “a maturidade da indústria”. Agora que a economia se apresenta 
aberta ao exterior, não mais apenas com vistas às exportações, mas também a importações, temos o 
aumento da concorrência e maior disponibilidade interna de bens. Resultado: crescimento do bem‑estar 
da sociedade; a economia está mais madura e moderna.
Todavia, como nem tudo é perfeito, há que se considerar distorções do modelo de substituição de 
importações quando adotado de forma irrestrita.
Da mesma forma que pontos positivos são destacados na literatura sobre o assunto, uma das maiores 
críticas que o modelo recebe reside no fato de a renda ser bastante concentrada e que, em seu início, 
a diminuição da disponibilidade de recursos internos do que haveria no caso de livre concorrência faz 
com que os preços aumentem, causando perda de bem‑estar para a sociedade às expensas da elevação 
dos lucros empresariais.
Ainda na linha das críticas, há que se considerar questões relacionadas à produtividade e 
competitividade da nação que se apresenta basicamente dependente das condições internas de 
produção. Como a comparação da produção interna com as condições internacionais praticamente 
não é permitida, devido à economia fechada, o que perdura na maioria das vezes são projetos de 
investimentos com elevados custos e taxas de retorno baixas e muito a longo prazo (SOUZA, 2009). 
Como o setor a ser protegido é o industrial à revelia do primário, a elevação nos custos de produção 
cria uma cadeia de subida de preços que afeta o setor primário, diminuindo seu bom desempenho 
em relação ao setor externo, pois os preços de exportações também se elevam. Como consequência, 
ocorrem a perda de competitividade para este setor e queda nos superávits comerciais, que deveriam 
ser utilizados para pagar importações de bens de capital.
Outra crítica que se trava acerca do assunto refere‑se aos custos da 
proteção: estes aumentam quando o país passa da fase fácil de substituição 
de importações (produção interna de bens não duráveis de consumo e seus 
199
ECONOMIA E NEGÓCIOS
componentes), para a fase mais difícil (artigos de consumo intermediários 
e de consumo durável); esses custos continuam aumentando nas fases 
superiores, quando a economia passa a produzir bens de capital e outras 
manufaturas de tecnologia mais intensiva, para os quais as condições de 
produção interna não são favoráveis; este último ponto se deve à pequena 
dimensão do mercado interno, inexistência de fornecedores oferecendo 
produtos de qualidade, com preços competitivos, insuficiência de oferta de 
pessoal técnico e de mão de obra mais especializada, o que eleva os salários 
a serem pagos (SOUZA, 2009, p. 156).
Pensando especificamente para as economias da América Latina em seu período de industrialização, 
o modelo de substituição de importações parte do princípio de ser resultado da interação dinâmica 
entre o desequilíbrio externo e as novas demandas de importação resultantes da expansão industrial 
promovida pelo capitalismo. Para Bielschowsky (2000, p. 25),
 
a rapidez e a profundidade do processo como um todo dependem, primeiro, 
da capacidade de cada economia no sentido de adaptar sua estrutura 
produtiva às novas demandas da expansão industrial (o que, por sua vez, 
depende do nível de diversificação do sistema produtivo prévio ao início 
do processo e do tamanho absoluto dos mercados internos) e, segundo, da 
evolução da capacidade de importação da economia.
Retomando a relação entre os diferentes setores da estrutura de uma economia subdesenvolvida 
(setor de subsistência, mercado interno industrial, setor de exportação), na situação de longo prazo, a 
economia doméstica terá condições de produzir aqueles bens que antes eram importados, a exemplo 
dos bens de capital e tecnologia. Souza (2009) declara ser essa uma fase posterior do processo de 
desenvolvimento. Pelas palavras do autor,
 
Em fase mais primitiva, é o próprio setor de subsistência que produz as 
manufaturas para seu próprio consumo, através do artesanato e das 
chamadas indústrias rurais ou de “fundo de quintal”. Em uma fase 
posterior, com a expansão das exportações de produtos primários, esses 
bens manufaturados nas próprias fazendas vão sendo gradativamente 
substituídos por artigos industrializados importados. Esses bens importados 
de tecnologia superior, e mais baratos, deslocam a produção do artesão. 
Em uma fase mais adiantada, é a vez de algumas manufaturas importadas 
cederem seu lugar à produção nacional, efetuada em escala industrial. Para 
que isso ocorra, costuma‑se estabelecer forte esquema protecionista, sem o 
qual a indústria nacional não teria condições de competir com os produtos 
importados mais baratos, de melhor qualidade e com tradição no mercado 
(SOUZA, 2009, p. 22).
No modelo nada funciona sem a existência do elemento‑chave, qual seja, a demanda 
externa por produtos primários. É tal demanda que oxigena o empresário do setor de mercado 
200
Unidade III
interno, diminuindo gradualmente a produção de subsistência no produto nacional. Percebe‑se 
um deslocamento do eixo dinâmico da economia, quando o setor de mercado interno passa 
paulatinamente a concentrar sua produção naqueles bens que antes eram importados e destinados 
ao consumo do meio rural, inclusive.
 
Surtos ou crises do setor de mercado externo produzem efeitos de 
encadeamento de expansão ou de contração do setor de mercado interno. 
Quanto maiores forem os multiplicadores da base exportadora, tanto 
maiores serão os efeitos de encadeamento do setor de mercado externo no 
conjunto da economia (SOUZA, 2009, p. 22).
Independentemente de seus pontos positivos ou negativos, de questão ideológica ou de crítica, 
qual será o resultado do processo, ou seu fim, se assim podemos considerar?
Conforme o setor de mercado interno apresenta desenvolvimento em termos de produção, atrelados 
a este surgem como demanda derivada outras atividades locais, a exemplo daquelas ligadas à prestação 
de serviços ou mesmo atividades comerciais ou outras indústrias dedicadas à produção daquilo que, por 
naturalidade, se pode substituir por produção interna, o que antes era importado. Assim, verifica‑se que 
qualquer investimento que ocorrer no âmbito do setor de mercado interno representa importância ímpar 
ao descobrir novas possibilidades de exportações assim como para o crescimento econômico da nação. 
Qual é o resultado disso? Quando a economia atingir a maturidade, exemplar desempenho da economia 
nacional passa a ser comandado por um conjunto de transformações pelas quais a economia passou 
e que afetam o setor de mercado interno, independentemente do desempenho da base exportadora. 
Daí em diante, a economia ingressa em outro estágio.
E quanto ao desenvolvimento? Vimos que o volume de exportações de bens primários por uma 
economia subdesenvolvida é essencial para o surgimento, ou transformação, dessas economias em 
desenvolvidas, ou em via de desenvolvimento. O que vai, de certa forma, diferenciar uma da outra – 
subdesenvolvida da desenvolvida – é o grau de industrialização desta última, que necessita de elevados 
níveis de investimentos, portanto, de capital, que muitas vezes é produzido no âmbito das exportações de 
bens primários. Nesse aspecto, conforme ressalta Souza (2009), como os investimentos são constituídos, 
em grande parte, por bens de capital importados, são as exportações que representam a contrapartida 
da poupança para seu financiamento. Assim,
 
há uma mudança no caráter da base exportadora, e foi isso que ocorreu no 
Brasil após 1950: as exportações, de fator determinante do nível de renda, 
passaram a ser o elemento estratégico no processo de formaçãode capital 
(SOUZA, 2009, p. 23).
Para aquela economia que já se encontra industrializada, a importância do que se chama de base 
exportadora tem efeitos sobre o multiplicador do setor de mercado interno bem como sobre a necessidade 
de financiamento de importação de bens de capital, se assim necessário. O que é importante perceber é 
que somente haverá exportação de bens em duas condições: a primeira é a demanda externa e a segunda, 
a produção interna com excedente. O aumento das exportações de bens produzidos internamente injeta 
201
ECONOMIA E NEGÓCIOS
recursos na economia doméstica que podem tanto ser utilizados para ampliar o consumo interno por 
bens internos como ampliar as condições de aquisição de bens de capital que são importados; assim, 
saldos comerciais positivos impulsionam o acesso à tecnologia, gerando economias de escala e elevação 
da produtividade da economia doméstica.
Para Souza (2009, p. 23),
a base exportadora aparece como a causa do crescimento econômico das 
regiões subdesenvolvidas, principalmente nos seus primeiros estágios, e 
como elemento dinâmico de aumento de eficiência e competitividade em 
economias industrializadas. A industrialização surge em uma etapa posterior 
e como consequência do desenvolvimento inicial da base exportadora. 
Em outras palavras, uma agricultura em expansão e uma base econômica 
diversificada representam maiores níveis de renda, que se traduzem em 
maior grau de consumo, de poupança e de investimento.
Até que não sejam superados os entraves do subdesenvolvimentismo, a base exportadora estará 
restrita a poucos bens agrícolas e, por consequência, seus efeitos multiplicadores serão instáveis. Assim, o 
decolar da economia em desenvolvimento estará na dependência dos seguintes fatores:
• crescimento de suas exportações, determinado pelo nível de produtividade e competitividade da 
economia doméstica;
• grau de integração das cadeias produtivas internas;
• estrutura interna de distribuição de renda;
• eliminação dos estrangulamentos do desenvolvimento econômico.
Antes de caracterizar o que vem a ser desenvolvimento, é necessário entender o que é crescimento 
econômico: há tempos, economistas percebem que são imensas as diferenças entre crescimento e 
desenvolvimento. Se crescimento significa apenas o aumento da renda per capita, desenvolvimento implica 
conhecer os beneficiários do aumento da renda. Em outras palavras, desenvolvimento requer distribuição de 
renda, para que o crescimento não seja concentrador ou excludente. Ainda, desenvolvimento exige respeito 
ambiental, já que isso está intrinsecamente ligado às condições de sustentabilidade da atividade econômica.
Vejamos com mais detalhes. Há muito os economistas discutem as diferenças entre os conceitos 
de desenvolvimento e de crescimento. O debate nasceu da percepção de que, apesar das elevadas taxas de 
desempenho econômico, vários países apresentavam baixos níveis de qualidade de vida dos seus habitantes. 
Essa análise fez que os economistas elaborassem outras medidas de mensuração que não as meramente 
quantitativas de produção ou de “crescimento”. Quer dizer, buscou‑se entender o que poderia determinar 
padrão de qualidade de vida, estabelecendo‑se que esse padrão seria mensurador do desenvolvimento humano 
(incluído aí o desenvolvimento econômico). A partir daí, criaram‑se indicadores para que o padrão pudesse 
ser determinado. De uma forma extremamente simplificada, buscou‑se entender não apenas o tamanho do 
“bolo” (representativo da produção de bens e serviços), mas o quanto ele poderia saciar a fome das pessoas.
202
Unidade III
O raciocínio é simples: o fato de um bolo ser grande ou pequeno não significa que ele tem condições 
de saciar a fome das pessoas. Se forem poucas, é possível que todas fiquem satisfeitas; se o bolo for 
pequeno, se as pessoas forem poucas, mas uma delas ficar com metade, a satisfação será menor. 
O mesmo raciocínio vale para um bolo grande e um contingente enorme de pessoas. Ainda, se o bolo 
crescer, mas o número de pessoas aumentar mais do que o crescimento do bolo, é bem provável que a 
insatisfação persista. Dessa forma, o crescimento seria dado pelo tamanho do bolo; em contrapartida, 
o desenvolvimento seria dado pela saciedade das pessoas ao se alimentar do bolo. Mais: não seria 
suficiente o tamanho médio de cada fatia do bolo para que se pudesse concluir pela saciedade ou não 
das pessoas; haveria que se saber o quanto de justiça teria sido utilizada para a divisão do bolo.
Vamos estudar a seguir as medidas de crescimento e desenvolvimento.
8.2.1 Medidas de crescimento: PNB e PIB
O produto nacional bruto (PNB) e o produto interno bruto (PIB) são medidas que possibilitam 
mensurar o tamanho do bolo. O PNB per capita e o PIB per capita dão a noção de média de apropriação 
do produto por habitante: o PNB per capita dá o valor de cada parcela de PNB apropriada por habitante; 
da mesma forma, o PIB per capita dá o valor de cada parcela do PIB apropriada por habitante.
Vejamos, então, a diferença entre os dois conceitos.
O PIB representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos no país (ou 
na região considerada) em determinado período. Para o seu cálculo, ele descarta a renda do exterior, tanto a 
recebida quanto a enviada. Considerando‑se N o número de habitantes, o PIB per capita será dado por:
PIB per capita = PIB / N
O PNB difere do PIB porque ele considera tanto as rendas enviadas para o exterior quanto as recebidas 
pelo exterior. Assim:
PNB = PIB – Ree (receita enviada para o exterior) + Rre (receita recebida do exterior)
O PNB per capita será dado por:
PNB per capita = PNB / N
Nos países em desenvolvimento, o PNB é menor do que o PIB. Isso ocorre porque, nesses países, há 
considerável remessa de lucros para o exterior.
No que diz respeito ao desenvolvimento, há controvérsias quanto ao seu real significado. Para 
Souza (2009), há uma corrente de economistas que explicam o desenvolvimento como subproduto do 
crescimento. Aqui residem modelos que enfatizam a acumulação de capital e sua igual repartição como 
forma de desenvolvimento e melhoria das condições de uma nação. A ideia é a de que o crescimento 
203
ECONOMIA E NEGÓCIOS
econômico, distribuindo diretamente a renda entre os proprietários dos fatores de produção, quaisquer 
deles, leva à melhoria dos padrões de vida e ao desenvolvimento econômico.
No mundo contemporâneo, vê‑se que a coisa não é tão simples assim: o desenvolvimento 
econômico não pode ser confundido com crescimento, porque os frutos dessa expansão nem sempre 
beneficiam a economia como um todo e o conjunto da população. Por mais que haja crescimento 
exacerbado da produção industrial, isso pode ser reflexo tanto da elevação da produtividade da mão 
de obra quanto reflexo da expansão da demanda de mercados internos ou internacionais. Ainda: a 
expansão do produto pode atender também à elevação da produtividade industrial como derivado 
da mecanização da produção, experiência vivida por diversas economias que conseguiram superar os 
entraves do subdesenvolvimentismo e conheceram a tecnologia como forma de produção poupadora 
de mão de obra.
Associado ao crescimento econômico, podem estar ocorrendo outros efeitos perversos, tais como:
• transferência de renda para outros países: isso reduz a capacidade de a economia doméstica 
importar e realizar investimentos tecnológicos;
• apropriação de excedente, produtivo ou financeiro, por poucas pessoas: isso eleva a 
concentração da renda e da riqueza em detrimento da precarização das condições de outra 
parcela da sociedade;
• baixos salários aos empregados de setores industriais: isso limita o crescimento da demanda e dos 
investimentos nos setores que produzem alimentos e outros bens de consumo popular;
• dificuldades para implantação de atividades interligadas às empresas que mais crescem, 
exportadoras ou de mercado interno: isso impacta negativamente a produtividade do país.
Outra corrente encaraque crescimento e desenvolvimento sejam coisas distintas: enquanto o primeiro 
é um mero indicador quantitativo do produto de uma nação, o outro envolve mudanças qualitativas em 
diversas frentes, a exemplo de estrutura econômica e produtiva de um país, melhoria no relacionamento 
com o meio ambiente, diminuição da pobreza e da miséria.
Para Bresser‑Pereira e Gala (2008, p. 79),
O desenvolvimento econômico depende, do lado da oferta, dos recursos 
naturais existentes, do estoque de capital físico disponível e da capacidade 
humana de produção, e, do lado da demanda, da acumulação de capital, 
do consumo e das exportações. Oferta e demanda devem crescer de forma 
equilibrada, mas uma característica universal das economias capitalistas, 
e principalmente das em desenvolvimento, é que a oferta geralmente 
excede a demanda, ocorre generalizado desemprego de recursos humanos, 
e emigração de pessoal educado para os países ricos é alta e as taxas de 
crescimento são baixas.
204
Unidade III
Por essa visão, entende‑se desenvolvimento econômico como um processo de longo prazo em que 
ocorre a acumulação de capital, e o progresso técnico é incorporado para elevar a produtividade do 
capital e da força de trabalho em termos de produtividade. Para Berlinck e Cohen (1970, p. 47),
 
No processo de desenvolvimento, assim definido, já se acham implícitos 
os fenômenos socioeconômicos que necessariamente o acompanham: 
transferência de grandes massas da população do campo para as cidades, 
constituição de um parque industrial mais ou menos amplo, aumento da 
produtividade do trabalho, melhoria do padrão de vida tanto da população 
urbana como da rural, elevação de seu nível cultural.
8.2.2 Medidas de desenvolvimento: IDH, curva de Lorenz e índice de Gini
Alguns indicadores permitem avaliar o grau de desenvolvimento econômico de uma nação. Vamos 
estudá‑los a seguir.
A mensuração do desenvolvimento humano, feita por meio do Índice de Desenvolvimento 
Humano (IDH), se contrapõe ao conceito de crescimento econômico. Parte‑se do princípio de que, 
para verificar o avanço de uma população em termos de desenvolvimento, é necessário analisar 
demais condições da sociedade, a exemplo da expectativa de vida e questões relacionadas aos níveis 
educacionais que vão além da questão puramente econômica, financeira.
O índice, criado pelos economistas Mahbub ul Haq e Amartya Sen, é construído levando‑se em conta:
• a Renda Nacional Bruta (RNB) per capita (corrigida pela paridade do poder de compra tendo 
como base o ano de 2005);
• a longevidade (medida pela expectativa de vida ao nascer);
• a educação (avaliada por dois indicadores: média de anos de educação de adultos e expectativa 
de anos de escolaridade para crianças em idade de iniciar a vida escolar).
O IDH é interpretado da seguinte forma:
Tabela 16 
Variação do IDH Categoria
IDH 0,800 Países com desenvolvimento humano muito elevado
Adaptada de: PNUD (2015).
205
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Portanto, quanto mais próximo de 1, maior será o desenvolvimento humano.
 Observação
Há que se considerar que o índice não abrange todos os aspectos de 
desenvolvimento e não é uma representação da “felicidade” das pessoas, 
nem indica “o melhor lugar no mundo para se viver” (PNUD, 2007).
 Destaque
As mudanças na metodologia do IDH em 2010
Não é a primeira vez que o IDH passa por mudanças. A disponibilidade de novos dados 
e as sugestões de alguns críticos fizeram com que o índice se adaptasse ao longo das 
últimas décadas. A fim de possibilitar que sejam verificadas tendências no desenvolvimento 
humano, a equipe responsável pelo relatório usou uma nova metodologia para calcular 
o IDH de 2010 e dos anos subsequentes.
Os pilares do IDH não foram alterados: o índice varia de 0 a 1 (quanto mais 
próximo de 1, maior) e engloba três dimensões fundamentais do desenvolvimento 
humano: conhecimento (mensurado por indicadores de educação), saúde (medida pela 
longevidade) e padrão de vida digno (medido pela renda). Mas houve modificações em 
alguns indicadores e no cálculo final do índice.
Subíndice de longevidade
Não mudou: continua sendo medido pela expectativa de vida ao nascer.
Subíndice de educação
É o único que engloba dois indicadores, e ambos foram alterados. Sai a taxa de 
alfabetização, entra a média de anos de estudo da população adulta (25 anos ou mais). Para 
averiguar as condições da população em idade escolar, em vez de taxa bruta de matrícula, 
passa a ser usado o número esperado de anos de estudos (expectativa de vida escolar, ou 
tempo durante o qual uma criança ficará matriculada se os padrões atuais se mantiverem ao 
longo de sua vida escolar). Essas alterações foram feitas porque alguns países, sobretudo os 
do topo do IDH, haviam atingido níveis elevados de matrícula bruta e alfabetização – assim, 
esses indicadores vinham perdendo a capacidade de diferenciar o desempenho dessas nações. 
Na avaliação do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), as novas variáveis captam 
melhor o conceito de educação e permitem distinguir com mais precisão a situação dos países. 
No entanto, assim como os indicadores anteriores, os novos não consideram a qualidade da 
educação. No método antigo, a taxa de analfabetismo tinha peso 2 nesse subíndice e a taxa de 
matrícula, peso 1. Agora, os dois novos indicadores têm pesos semelhantes.
206
Unidade III
Subíndice de renda
O PIB (Produto Interno Bruto) per capita foi substituído pela RNB (Renda Nacional 
Bruta) per capita, que abrange os mesmos fatores que o PIB, mas também leva em conta 
recursos enviados ou recebidos do exterior – a RNB acaba por ser uma maneira de captar 
melhor as remessas vindas de imigrantes (seu cálculo não inclui o lucro enviado por 
empresas para o exterior) e de computar a verba de ajuda humanitária recebida pelo 
país, por exemplo. Antes se usava o logaritmo natural do PIB per capita, agora se usa o 
logaritmo natural da renda. Também foi mantido o modo como os valores são expressos: 
em dólar corrigido pela paridade do poder de compra (PPC), considerada a variação do 
custo de vida entre os países.
Normalização dos subíndices
Para poder comparar indicadores diferentes (a renda é expressa em dólares; 
a expectativa, em anos, por exemplo), cada subíndice é transformado numa escala de 0 a 
1. Por isso, estabelece‑se um valor máximo e mínimo para cada indicador. Até o relatório 
anterior ao produzido de acordo com o novo método, os níveis máximos eram fixados 
pelo próprio RDH; no mais recente, foram usados os valores máximos verificados na série 
de dados (desde 1980), com o objetivo de eliminar a arbitrariedade na escolha desses 
níveis máximos e mínimos.
Cálculo
Até a edição de 2009, o IDH era calculado como a média simples dos três subíndices 
(somavam‑se os três e dividia‑se o resultado por três). A partir do relatório de 2010, 
recorre‑se à média geométrica: multiplicam‑se os três subíndices e calcula‑se a raiz 
cúbica do resultado. Antes, um desempenho baixo em uma dimensão poderia ser 
diretamente compensado por um desempenho melhor em outra. Com o novo cálculo, 
essa compensação perde força – um valor ruim em um dos subíndices tem impacto 
maior em todo o índice. Além disso, a metodologia permite que 1% de queda na 
expectativa de vida, por exemplo, tenha o mesmo impacto que 1% de queda na renda 
ou na educação.
Nível de desenvolvimento humano
O RDH deixa de classificar o nível de desenvolvimento de acordo com valores fixos 
e passa a utilizar uma classificação relativa. A lista de países é dividida em quatro 
partes semelhantes. Os 25% com maior IDH são os de desenvolvimento humano 
muito alto; o quartil seguinte representa os de alto desenvolvimento; o terceiro grupo 
apresenta desenvolvimento médio e os 25% que registram menor IDH revelam baixo 
desenvolvimento humano.
Adaptado de: PNUD Brasil(2007).
207
ECONOMIA E NEGÓCIOS
A curva de Lorenz, ilustrada a seguir, se forma pela união dos pontos bidimensionais obtidos pelos 
eixos X e Y: no eixo X, temos a proporção acumulada da população; no eixo Y, a proporção acumulada 
da renda apropriada (IPECE, 2006).
X
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
A
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%
C
B
α
Y
α
β
Figura 67 – Curva de Lorenz
Adaptada de: Ipece (2006).
Se a distribuição for perfeita, teremos a curva na forma de uma reta de 45°: por exemplo, 20% da 
população se apropriarão de 20% da renda. Assim, quanto maior for a “barriga” (a área representada 
por α), mais desigual será a distribuição de renda. Na figura anterior, por exemplo, aproximadamente 
50% da população se apropriam de 20% da renda.
Já o índice de Gini:
 
mede o grau de desigualdade existente na distribuição de indivíduos 
segundo a renda domiciliar per capita. Seu valor varia de 0, quando não 
há desigualdade (a renda de todos os indivíduos tem o mesmo valor), a 1, 
quando a desigualdade é máxima (apenas um indivíduo detém toda 
a renda da sociedade e a renda de todos os outros indivíduos é nula) 
(PNUD BRASIL, 2007).
Assim, o índice é uma medida que objetiva “corrigir” os valores médios obtidos por meio do quociente 
entre produto e população. Ele não representa o “tamanho médio da fatia do bolo”, mas o quão justa é 
a divisão do bolo.
Veja novamente a figura relativa à curva de Lorenz. Geometricamente, o índice de Gini é obtido pelo 
quociente entre α e a soma de α e ß, da seguinte forma:
208
Unidade III
G = α / (α + ß)
Se a desigualdade é zero, quer dizer, se a distribuição de renda é perfeita, α é igual a zero; portanto, 
G = 0. Se, hipoteticamente, um único indivíduo se apropriar de toda a renda, ß tenderá a zero e G 
tenderá a 1. Quanto maior a “barriga” representada por α, maior será o valor de G.
Como já acentuamos algumas medidas de desenvolvimento, deve‑se caracterizar o 
desenvolvimentismo enquanto prática e política. As discussões sobre o desenvolvimentismo nas 
economias capitalistas surgiram por volta dos anos 1930 em função da Grande Depressão, período 
em que as políticas de desenvolvimento passaram a enfatizar a industrialização via substituição de 
importações, com incentivos eventuais às exportações. Trata‑se, além disso, de se pensar o 
desenvolvimento econômico das nações liderado por políticas governamentais que impulsionam a 
demanda agregada e a produção.
Do ponto de vista da teoria econômica, haverá uma mudança de eixo em termos de análise 
econômica: enquanto as economias capitalistas, antes da Grande Depressão, eram analisadas pelo 
lado da oferta (valendo a máxima de Jean‑Baptiste Say de que a oferta cria sua própria procura, bem 
como a noção de magic hands smithiana), com a Depressão e seus efeitos, e no luminar das teorias 
keynesianas, a análise econômica volta‑se, agora, para o lado da demanda – a demanda efetiva.
 Observação
Note que o princípio da demanda efetiva já havia sido discutido por 
Malthus antes de Keynes colocá‑lo em prática. Kalecki também faz uso 
do mesmo conceito.
Pensando em termos de desenvolvimentismo em ambiente de substituição de importações, 
algumas medidas governamentais fazem‑se necessárias para o intento (SOUZA, 2009), a exemplo de:
• adoção de barreiras alfandegárias e intervenções no mercado cambial, com a manipulação da 
taxa de câmbio e confisco de divisas;
• controle quantitativo de importações, a fim de evitar a fuga de divisas com gastos supérfluos e 
proporcionar mercado para a indústria nacional nascente;
• incentivos a indústrias específicas, através de créditos subsidiados e renúncias fiscais, com a 
participação de empresas estatais e de empresas estrangeiras;
• aumento do poder de compra das populações rurais, por meio de políticas agrícolas, envolvendo 
crédito, seguro, preços mínimos, estoques reguladores, investimentos em estradas rurais, 
comercialização da produção e reforma agrária;
• implantação de infraestrutura de transportes, energia e comunicações.
209
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Para que a economia consiga atravessar o estágio do subdesenvolvimento para o desenvolvimento, a 
política desenvolvimentista deverá estar centrada em alguns pontos chamados de estrangulamento, cuja 
solução no curto prazo não é tão simples. Vejamos alguns desses entraves a seguir.
Um deles está relacionado à dificuldade em a economia doméstica conseguir diversificar a produção 
interna e, por consequência, melhorar sua pauta de exportações para que sejam conquistados saldos 
superavitários em transações correntes no balanço de pagamentos.
Por que é difícil diversificar a produção interna?
Para que haja diversificação da produção, o empresário deve entrar em ação no sentido de buscar 
novas alternativas em produzir aquilo que o mercado deseja. Mais: é necessário seu tino empreendedor, 
criativo, arrojado e visionário em termos de verificar o que a demanda está esperando de sua produção. 
Não somente a demanda interna, mas, principalmente, a internacional. Em ambiente de economia em 
que as relações internacionais não são tão fortes, o acesso a novos meios de produção e novas formas 
de invenção se apresenta como entrave ao empreendedorismo e criação.
Outros fatores que prejudicam bastante o dinamismo da indústria em termos de modernização 
residem nos baixos índices de escolaridade de uma população, que, por consequência, causa escassez 
de qualificação profissional, o que gera custos empresariais de desenvolvimento profissional. 
Como a taxa de poupança da economia também não é tão elevada, a capacidade creditícia fica 
reduzida, influenciando para cima as taxas de juros, que inibe o empresariado à tomada de crédito. 
Resultado: poucos recursos para investimentos produtivos, tanto de qualificação técnica quanto 
de força de trabalho.
Souza (2009, p. 24) diz que:
 
Geralmente, é o Estado quem exerce uma ação coordenada do 
desenvolvimento e quem procura vencer esses estrangulamentos. Em 
fases mais avançadas do processo de desenvolvimento, os principais 
estrangulamentos decorrem do esgotamento do modelo de substituição 
de importações, em razão da pequena dimensão do mercado interno para 
algumas substituições, como bens de capital, da insuficiência de capital e da 
concentração da renda.
E o autor continua:
A transição de uma economia de subsistência para uma economia 
industrializada, com amplo setor de mercado interno, pressupõe a transição 
de inúmeros obstáculos criados pelo próprio crescimento econômico. 
Nesse processo, o desenvolvimento ocorreria por etapas, começando pela 
economia de subsistência, passando pelas exportações e pelas inovações 
tecnológicas, e terminando pela era do consumo de massa com altos 
níveis de bem‑estar para o conjunto da população nacional, a exemplo do 
welfare‑state (SOUZA, 2009, p. 24).
210
Unidade III
Deve‑se a Rostow (1974) a noção de que o desenvolvimento ocorre por etapas em que a economia 
apresenta dinâmica como característica. Para ele, o desenvolvimento pode ser visto como um processo de 
evolução de economia de subsistência, primitiva, a uma forma mais avançada, com tecnologia avançada e de 
consumo de massa. O pensamento rostowiano está enraizado em considerações de que nações insuficientemente 
desenvolvidas conseguem superar seus entraves até conseguirem alcançar o desenvolvimento econômico 
dito satisfatório (SARMENTO, 2008). O modelo de desenvolvimento estaria dividido em cinco etapas:
• Primeira etapa: economia predominantemente agrícola e na qual a maior parcela da população 
está empregada neste setor. Devido à baixa tecnologia de produção e processos rudimentares, a 
produtividade é baixa e o quantum produzido é suficiente para atender à demanda com certa 
folga. A posse da terra é símbolo de poder e riqueza, conferindo‑se grande importância a clãs, 
famílias e castas.
• Segunda etapa: chamada de criação das pré‑condições para o arranco ou para a decolagem 
via o crescimento. Aqui já se verificaavanço tecnológico na produção do setor primário e alguns 
insights na indústria ainda modesta e leve expansão da demanda em mercados mundiais. Há uma 
demanda social por melhores níveis educacionais devido à ascensão da classe média, e aquela classe 
dominante tradicional passa a sofrer com a concorrência de grupos industriais urbanos. O Estado 
é induzido a efetuar gastos em benefício do bem‑estar da população e se verificam aumentos nos 
investimentos em infraestrutura de transporte, comunicações e energia, bem como na produção 
de matérias‑primas estratégicas para a indústria favorecidas pelo crédito bancário por causa do 
surgimento de tal atividade. Pelas palavras de Souza (2009, p. 247), “criam‑se, desse modo, forças 
endógenas e autônomas para o crescimento econômico autossustentado”, em que prevalece a 
ideia da valorização da expertise individual do ser humano quanto ao seu potencial criativo.
• Terceira etapa: fase do arranco ou decolagem propriamente dita, em que foram superados os 
entraves até então vigentes. É uma fase em que o desenvolvimento surge com normalidade e tem‑se 
o surgimento de novas indústrias tecnologicamente interligadas e cujos lucros são reinvestidos na 
criação de novas condições de produção. Verifica‑se a criação de novos grupos empresariais, o que 
favorece o crescimento do emprego, inclusive no setor de serviços, apoiando o bom desenvolvimento 
do comércio e da indústria do setor produtor de bens de consumo. Não tardam a aparecer as inovações 
tecnológicas e produção de novos produtos, bem como o acesso a novas fontes de insumos de 
produção, sobretudo no campo agrícola, que agora também consome bens industrializados.
• Quarta etapa: denominada etapa da marcha para a maturidade, com:
um longo intervalo de crescimento econômico continuado, no qual a 
economia assimila a tecnologia moderna. Implanta‑se a indústria de bens de 
capital e a economia aumenta suas exportações de produtos manufaturados, 
com tecnologia intensiva. A sociedade passa a gerar internamente grande 
parte da tecnologia que adota em seu processo produtivo. Na fase da 
maturidade econômica, a economia desenvolve indústrias diferentes 
daquelas que geraram a decolagem. É uma etapa em que a economia 
demonstra que possui as aptidões técnicas e organizacionais para produzir 
não tudo, mas qualquer coisa que decida produzir (SOUZA, 2009, p. 247).
211
ECONOMIA E NEGÓCIOS
• Quinta etapa: é chamada etapa do consumo em massa, em que a economia é liderada pelos 
setores produtores de bens de consumo duráveis e setor de serviços que facilitam a vida da 
população. Há ligeira queda de preços da economia devido a melhores condições de oferta e maior 
competitividade entre as empresas, o que faz com que o salário real se eleve, permitindo o consumo 
em massa. “Nesta fase, o Estado investe mais na assistência social. É o chamado estado de bem‑estar 
social, característico dos anos 1950‑1970 nos países desenvolvidos” (SOUZA, 2009, p. 247).
O desenvolvimentismo, no Brasil, marca uma ideologia econômica que sustenta um projeto de 
industrialização como forma de superar entraves até então fixados pela economia agroexportadora, ou 
primária, se preferir, bem como aqueles colocados pelo próprio modelo de substituição de importações: 
economia fechada e baixa produtividade, para citar alguns.
Segundo Bielschowsky (2000), , há no contexto brasileiro duas linhas de interpretação sobre 
o desenvolvimentismo: uma ligada ao setor privado e outra ao setor público. No que diz respeito ao 
setor privado, a ideia prevalecente era a da proteção aos interesses da classe empresarial propondo 
uma visão nacionalista, mas os economistas que trabalhavam no setor público apresentavam certa 
dualidade: enquanto uns, os não nacionalistas, propunham que as ações desenvolvimentistas 
deveriam ser tomadas pelo mercado, a partir dos interesses empresariais, os chamados de nacionalistas 
preconizavam a estatização de setores estratégicos, a exemplo de energia, mineração e transporte, 
além do favorecimento à indústria de base.
Assim, percebem‑se as origens do desenvolvimentismo durante o período de 1930 a 1945, que se 
consolidaria na década de 1950 sob dois pilares distintos, mas interligados. O primeiro, ligado ao setor 
privado, propunha um projeto de industrialização de forma planejada e que atendesse aos interesses do 
capital industrial à época dominante. Aqui forte papel foi desempenhado por dois núcleos de reflexão 
sobre o tema: o Conselho Econômico (CNI) e o Departamento Econômico. Bielschowsky (2000, p. 79) 
destaca que:
 
Essa pequena elite empresarial vivenciava o que se pode denominar, sem 
risco, experiência pioneira em planejamento econômico. No esquema 
corporativo do Estado Novo, os líderes empresariais tiveram participação 
em várias das muitas agências econômicas governamentais que se criaram. 
Estabeleceu‑se, dessa forma, um fértil cruzamento ideológico entre sua 
visão de mundo e as ideias e os conceitos desenvolvimentistas que se 
formavam nos novos órgãos federais, nos quais se discutia a respeito de 
comércio exterior, energia, transportes, indústria siderúrgica e tantos outros 
temas de âmbito nacional. O ponto culminante desse momento pioneiro de 
concepção desenvolvimentista foi a apresentação, por Roberto Simonsen, 
em 1944, do projeto de criação de uma Junta Nacional de Planificação no 
Conselho Nacional de Política Industrial e Comercial.
O desenvolvimentismo interpretado pelas ideias de Simonsen (BIELSCHOWSKY, 2000), representando 
a classe do setor privado, baseava‑se nos seguintes aspectos:
212
Unidade III
• uma das formas de dizimar a pobreza seria pela via da industrialização integrada;
• a industrialização brasileira acompanharia um processo de reestruturação que vinha acontecendo 
nas economias da América Latina;
• a industrialização somente avançaria com apoio das correções das falhas de mercado pelo Estado; 
para tanto, protecionismo e intervenção estatal seriam indispensáveis;
• a intervenção estatal deveria ir além dos instrumentos triviais de políticas públicas, deveria incluir 
investimentos em setores estratégicos.
Pelo lado do setor público, conforme acentuado, havia duas correntes: dos não nacionalistas e dos 
nacionalistas. Como bem afirma Bielschowsky (2000, p. 103),
Desde suas origens, nas décadas de 1930 e 1940, o desenvolvimentismo foi 
uma ideologia econômica com fortes vínculos com o nacionalismo. Havia então 
toda uma inclinação ideológica, por parte da maioria dos adeptos do projeto de 
superação do atraso brasileiro pela via da industrialização, no sentido de desconfiar 
das possibilidades de se obter um concurso positivo do capital estrangeiro nesse 
projeto. Os mais radicais viam o capital estrangeiro como um bloco monolítico de 
interesses imperialistas, antagônicos ao projeto. E, mesmo entre os moderados, 
predominava a visão de que, pelo menos nos setores fundamentais para a 
industrialização (energia, transporte, mineração etc.), o Estado deveria garantir o 
controle decisório, deslocando o capital estrangeiro ou impedindo sua entrada.
De visão não nacionalista destaca‑se Roberto Campos, considerado como o economista de maior 
expressão em um período em que a economia brasileira passava de sua estrutura agroexportadora 
para a economia industrial, agora internacionalizada. Tal projeto de desenvolvimento deveria incluir a 
questão do planejamento da industrialização. Ele propunha que:
 
se deveria procurar contornar a arcaica máquina administrativa brasileira, 
incapaz de executar as tarefas do desenvolvimentismo através da formação 
de equipes de planejamento e administração voltadas para a formulação e 
execução de uma política de investimentos básicos (BIELSCHOWSKY, 2000, 
p. 109).
Quanto à visão nacionalista do desenvolvimentismo, a defesa era da constituição de um capitalismo 
industrial moderno no país. Para estes, o desenvolvimento seria alcançado pela intervenção por 
investimentos estatais em setores estratégicos, admitindo que não se deveriaesperar as boas intenções 
dos empresários do setor privado. Conforme destaca Bielschowsky (2000, p. 129),
O grande encontro dos desenvolvimentistas nacionalistas deu‑se em meados 
dos anos 1950, quando Furtado e Barbosa Oliveira fundaram o Clube dos 
Economistas, órgão que reuniu algumas dezenas de técnicos nacionalistas 
do governo federal e alguns desenvolvimentistas do setor privado.
213
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Vale acentuar alguns pontos importantes do pensamento desenvolvimentista nacionalista:
• defesa de intervenção estatal na economia;
• políticas econômicas orientadas ao planejamento;
• subordinação da política monetária à política de desenvolvimento;
• adoção, por parte do Estado, de medidas econômicas de cunho social.
 Saiba mais
Para estudar mais sobre o pensamento desenvolvimentista, cujo 
principal expoente é Celso Furtado, consulte a obra a seguir, em especial 
o capítulo 5.
BIELSCHOWSKY, R. Pensamento econômico brasileiro: o ciclo ideológico 
do desenvolvimento 1930‑1964. Rio de Janeiro: Contraponto, 2000.
8.3 Mercado de trabalho, desigualdade e mobilidade social
Um dos temas contemporâneos muito importante também estudados pela ciência econômica é o 
mercado de trabalho, o que envolve as condições de trabalho e o acesso à população a tal mercado para 
que, assim, seja possível a participação das pessoas na sociedade de consumo bem como a diminuição 
das desigualdades e a mobilidade social em termos de ascensão e pertencimento.
É no mercado de trabalho em que são encontradas as oportunidades de emprego e geração de 
renda para que as necessidades humanas possam ser atendidas, tanto em termos de consumo quanto 
em termos de realização pessoal. Portanto, não basta pensar em questões monetárias, mas em questões 
sociais e morais, principalmente.
8.3.1 Políticas públicas atuais promotoras de crescimento e desenvolvimento: política 
de rendas
A política de rendas é usada pelo governo que procura melhorar a distribuição da renda e a justiça 
social. Ela atua diretamente sobre os fatores de produção e tenta reduzir os conflitos entre o capital e o 
trabalho. Melhorias nas condições de salários e trabalho, encargos trabalhistas mais justos, distribuição 
de resultados, por parte das empresas, aos seus funcionários, são alguns de seus objetivos, assim como 
propor um sistema de preços mínimos garantidores de consumo para a população de baixa renda.
214
Unidade III
Na economia brasileira, podemos usar como exemplo de política de rendas os seguintes programas:
• política de preços mínimos;
• política salarial;
• programas de renda mínima;
• Bolsa Família.
 Saiba mais
Saiba mais sobre o programa Bolsa Família acessando o site da Caixa 
Econômica Federal:
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Bolsa Família. Brasília, [s.d.]. Disponível 
em: https://bit.ly/3ZnSDnN. Acesso em: 28 mar. 2023.
8.4 A questão ambiental: degradação do meio ambiente e 
desenvolvimento sustentável
Outra preocupação contemporânea está ligada às questões do meio ambiente, biodiversidade e 
desenvolvimento sustentável. Sabe‑se que algumas atividades de produção, por suas características 
próprias, agridem o meio ambiente para que necessidades humanas possam ser atendidas. Porém, 
não podemos apenas pensar no momento atual, em que a produção ocorre sem que sejam pensadas 
também as formas de manutenção das condições de produção para o futuro, tendo em mente que nem 
todos os fatores de produção são renováveis e se exaurem ao longo do tempo. Assim, questões sobre 
desenvolvimento sustentável também integram as análises e preocupação da economia aplicada aos 
negócios, uma vez que não se pode comprometer as condições futuras de produção.
 Saiba mais
Com relação ao assunto, acesse a referência indicada a seguir, que 
acentua os objetivos de desenvolvimento sustentável no Brasil apoiados 
pelas Nações Unidas.
Disponível em: https://brasil.un.org/pt‑br/sdgs. Acesso em: 28 mar. 2023.
215
ECONOMIA E NEGÓCIOS
 Resumo
Nesta unidade, apresentamos as medidas de atividade econômica 
efetuando uma introdução ao estudo da teoria macroeconômica. Vimos as 
diferenças entre os diversos agregados macroeconômicos bem como entre 
valor bruto da produção e valor agregado. Aprendemos ainda como se 
calcula o PIB. Além disso, foram consideradas as políticas de que o governo 
se utiliza para conduzir a sociedade e, nesse sentido, foi possível perceber 
que a macroeconomia estuda a coordenação geral das atividades 
econômicas, isto é, a forma e os meios pelos quais uma economia, com 
milhares de produtos e de agentes, pode funcionar em harmonia e, 
na maioria das vezes, encontrar o equilíbrio ou tender a ele. Mas como 
nem sempre esse equilíbrio geral é atingido, a macroeconomia também 
estuda as razões ou causas das falhas dessa coordenação, bem como as 
suas possíveis correções, por meio de políticas econômicas apropriadas. 
Essas falhas se manifestam por desequilíbrios, tais como instabilidade do 
nível de preços, do balanço de pagamentos e do crescimento da renda, 
causando repercussões na oferta de emprego. Diante dessas falhas, temos 
a condução da política econômica como norteadora dos objetivos que um 
governo pretende traçar para sua sociedade.
A política monetária enfatiza sua atuação sobre os meios de pagamento, 
títulos públicos e taxas de juros, modificando o custo e o nível de oferta do 
crédito. O Banco Central costuma realizar diversos empréstimos, conhecidos 
por empréstimos de assistência à liquidez, às instituições financeiras, 
visando equilibrar suas necessidades de caixa diante de um aumento mais 
acentuado de demanda por recursos de seus depositantes. A esse tipo de 
instrumento dá‑se o nome de operação de redesconto.
A política fiscal centraliza suas preocupações nos gastos do setor 
público e nos impostos cobrados da sociedade, procurando, por meio de 
maior eficácia no equilíbrio entre a arrecadação tributária e as despesas 
governamentais, atingir determinados objetivos macroeconômicos e 
sociais. Se o governo elevar a cobrança de impostos das empresas, duas 
importantes repercussões estão previstas: redução dos resultados, o que 
torna o capital investido menos atraente, e também menor capacidade de 
investimento, por acumular menores fluxos de caixa, tornando a empresa 
mais dependente de empréstimos para financiar sua atividade.
Por sua vez, a política cambial está baseada na administração das taxas 
de câmbio, promovendo alterações das cotações cambiais e, de modo mais 
216
Unidade III
abrangente, no controle das transações internacionais executadas por um 
país. É fixada, na maior parte das vezes, para facilitar as necessidades de 
expansão da economia e promover seu desenvolvimento econômico.
Esta unidade abordou ainda aspectos relacionados à inflação, sendo esta 
caracterizada pela contínua, persistente e generalizada expansão do nível 
geral de preços. O processo de expansão dos preços, por sua vez, resulta em 
uma perda do poder aquisitivo da moeda e pode, com isso, causar sérios 
distúrbios à economia e à sociedade de forma geral. Usualmente, é um 
processo que prejudica as classes mais pobres da população, na medida 
em que beneficia as classes mais ricas, levando ao aumento do nível de 
desigualdade social. Nesse sentido, para combater tal fenômeno, destacamos 
as formas alternativas de combate à inflação, que no Brasil atual está 
pautada no regime de metas para inflação e no controle da taxa de juros. 
Por fim, foram acentuados os problemas econômicos contemporâneos.
217
ECONOMIA E NEGÓCIOS
 Exercícios
Questão 1. Leia o texto a seguir.
Inflação de demanda
Este é o tipo de inflação relacionada à procura por produtos e serviços: quando há mais procura do 
que a quantidade oferecida pelo mercado. Seguindo a lei da oferta e demanda, quando a demanda está 
em um nível muito acima do da oferta, é normal que ocorra aumento de preços.
Disponível em: https://bit.ly/3Kgu5Zw. Acesso em: 28 mar. 2023.
Com base na leitura e nos seus conhecimentos, avalie as asserções e a relaçãoproposta entre elas.
I – A inflação de demanda, ou de consumo, ocorre em períodos de retração da economia.
porque
II – Nesses períodos, existe o crescimento do volume de moeda disponível ao público sem que ele 
seja acompanhado pelo crescimento da produção.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
A) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II justifica a I.
B) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II não justifica a I.
C) A asserção I é verdadeira, e a asserção II é falsa.
D) A asserção I é falsa, e a asserção II é verdadeira.
E) As asserções I e II são falsas.
Resposta correta: alternativa D.
Análise das asserções
I – Asserção falsa.
Justificativa: nos períodos de expansão da economia, existe maior quantidade de moeda no mercado, 
e isso faz com que a demanda por produtos e serviços aumente. O aumento da demanda provoca aumento 
nos preços, sem que, necessariamente, tenham sido aumentados os valores dos fatores de produção.
218
Unidade III
II – Asserção verdadeira.
Justificativa: nos períodos de expansão da economia, a maior quantidade de moeda no mercado 
provoca pressão sobre os preços pelo aumento da demanda.
Questão 2. Leia o texto a seguir.
O que é o PIB
O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, um estado ou uma cidade, 
geralmente em um ano. Todos os países calculam o seu PIB nas suas respectivas moedas.
O PIB mede apenas os bens e serviços finais para evitar dupla contagem. Se um país produz R$ 100,00 
de trigo, R$ 200,00 de farinha de trigo e R$ 300,00 de pão, por exemplo, seu PIB será de R$ 300,00, pois 
os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão.
Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. 
Dessa forma, levam em consideração também os impostos sobre os produtos comercializados.
O PIB não é o total da riqueza existente em um país. Esse é um equívoco muito comum, pois dá a sensação 
de que o PIB seria um estoque de valor que existe na economia, como uma espécie de tesouro nacional.
Na realidade, o PIB é um indicador de fluxo de novos bens e serviços finais produzidos durante um 
período. Se um país não produzir nada em um ano, o seu PIB será nulo.
Adaptado de: https://bit.ly/3ntdRmY. Acesso em: 28 mar. 2023.
O PIB de um país é um dado importante sobre o comportamento de sua economia. Entretanto, 
ele tem limitações e não indica, necessariamente, se um país é rico ou pobre, pois refere‑se ao valor 
agregado de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território econômico do país, e isso 
depende da extensão territorial e da quantidade populacional.
Com relação à riqueza da população de um país, assinale a alternativa que destaca o índice econômico 
mais apropriado para representar a riqueza individual dos cidadãos de um país.
A) Produto Nacional Bruto (PNB).
B) Taxa de juros.
C) Taxa de inflação.
D) Saldo da balança comercial.
E) PIB per capita.
Resposta correta: alternativa E.
219
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: o PNB é obtido pelo valor de mercado de todos os bens e serviços finais produzidos na 
economia em um dado período. Ele é semelhante ao PIB.
B) Alternativa incorreta.
Justificativa: embora a taxa de juros possa ser um indicativo da estabilidade de uma economia, ela 
não representa a riqueza das pessoas do país. Podemos ter uma país de pessoas pobres com taxas de 
juros baixas.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: a inflação é a medida que mostra o avanço dos preços em relação aos fatores de 
produção. Ela mede o quanto os preços subiram em relação a períodos anteriores. Ela não mostra a 
riqueza das pessoas de um país.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: o saldo da balança comercial é o saldo free on board (FOB) de exportações e importações 
de bens realizados em determinado período. O saldo de um país pode ser nulo, e as pessoas podem ser 
mais ricas do que as de um país com superávit nessa balança.
E) Alternativa correta.
Justificativa: quando dividimos o PIB pelo número de habitantes de um país, obtemos um valor 
médio da riqueza dessas pessoas. Essa medida é mais apropriada para apresentar a riqueza individual 
dos cidadãos de um país. Vale ressaltar, entretanto, que, embora o PIB per capita seja o melhor entre os 
apresentados, ele é uma medida que mostra o valor médio e não leva em consideração a distribuição de 
renda no país.
220
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WESSELS, W. Microeconomia: teoria e aplicações. São Paulo: Saraiva, 2002.
Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000mercados incompletos, falhas de informação e, por 
último, mas não menos importante, a ocorrência de desemprego e inflação.
Riani (2012, p. 12‑13) sumariza a questão da seguinte forma:
No mundo real existem quatro características principais que dificultariam, 
ou até mesmo impossibilitariam a obtenção ótima através do setor privado. 
Assim, o governo emerge como um elemento capaz de intervir na alocação 
de recursos, que atua paralelamente ao setor privado, procurando estabelecer 
a produção ótima dos bens e serviços que satisfaçam às necessidades da 
sociedade. As quatro características que podem ser consideradas como falhas 
de mecanismos de mercado em atender às necessidades da sociedade são: 
indivisibilidade do produto; externalidades; custo de produção decrescente 
e mercados imperfeitos; riscos e incertezas na oferta dos bens.
A partir de Giambiagi e Além (2016), bem como em Riani (2012), observemos em pormenores a 
importância de cada uma das falhas de mercado que fazem necessária a interferência do governo 
nos mercados.
Existência de bens públicos
Os bens públicos são aqueles cujo consumo e uso é indivisível ou não rival. Significa que o consumo 
do bem por parte de um indivíduo não prejudica o consumo do mesmo bem pelos demais integrantes 
120
Unidade III
da sociedade. Parte‑se do princípio de que, uma vez da existência do bem público, todos se beneficiam 
dela, independentemente se uns mais, outros menos. Outra característica importante do bem público 
é a da não exclusão no consumo. Para poder exemplificar, pense no caso de uma cidade em que as 
ruas ainda não estejam todas pavimentadas, algumas são de terra e outras de asfalto. O governo dessa 
cidade decide asfaltar todas as ruas ainda não asfaltadas. Assim, todas as pessoas que utilizam essa rua, 
moradoras ou não, serão beneficiadas da atitude governamental.
Pois bem: as ruas estão asfaltadas e a população foi beneficiada do investimento público, mas 
como custear esse investimento entre a população? Quem deverá pagar mais ou menos pelo uso das 
ruas asfaltadas? Somente as pessoas que residem naquela rua? Contando a quantidade de vezes que 
um indivíduo e seu automóvel utilizam a rua em um determinado período? A nós parece difícil poder 
ratear o custo desse bem entre os beneficiados. Conforme Riani (2012, p. 13),
os bens indivisíveis são aqueles cujos benefícios não podem ser individualizados, 
tornando ineficaz o estabelecimento dos preços via sistema de mercado [...]. 
A não exclusividade deve‑se ao fato de que, como esses bens não seriam 
vendidos através do sistema de mercado, via preços, a eles não se aplica o 
direito de propriedade.
Sobre o assunto, Riani (2012) chama a atenção para o fato de que, em um tipo de oferta pública 
como essa, a pavimentação de uma cidade não faz sentido em termos de investimentos privados, mas sim 
apenas nos públicos, caso pensemos na viabilidade econômica do projeto. Sabe‑se que qualquer tipo de 
investimento, seja público, seja privado, almeja algum tipo de retorno. Se pensarmos nos investimentos 
privados, o retorno do investimento se dá na forma de lucros, que serão acumulados em um primeiro 
momento para depois serem reinvestidos ou alocados para outra atividade também na forma de 
investimentos. Quanto aos investimentos públicos, estes também são efetuados visando retorno no futuro, 
só que não necessariamente na forma de lucros monetários que serão acumulados. O retorno almejado é 
o social: a melhoria das condições sociais, de diferentes fontes e formas.
Giambiagi e Além (2016) reforçam ser:
justamente o princípio da não exclusão no consumo dos bens públicos que 
torna a solução de mercado, em geral, ineficiente para garantir a produção 
da quantidade adequada de bens públicos requerida pela sociedade. É por 
esta razão que a responsabilidade pela provisão de bens públicos recai 
sobre o governo, que financia a produção desses bens através da cobrança 
compulsória de impostos.
 Observação
Você até pode pensar que a pavimentação de nosso exemplo seja 
efetuada por uma empresa privada, especializada nesse tipo de serviço. Na 
maior parte das vezes, é assim mesmo que ocorre. Porém, quem contrata 
tal empresa privada é o próprio governo, portanto, é ele quem financia a 
obra. Ou seja, o gasto é público.
121
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Existência de monopólios naturais
O mercado de monopólio é aquele que apresenta características completamente diferentes dos 
mercados concorrenciais devido à existência, no monopólio, de um lado, um único empresário dominando 
inteiramente a oferta e, de outro, todos os consumidores, não restando alternativa ao consumidor a 
busca por bens substitutos perfeitos.
 
No Brasil, com a privatização dos serviços de utilidade pública – 
Telecomunicações e Energia Elétrica –, o governo criou a Agência Nacional de 
Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 
com o intuito de regular as atividades desses setores, por natureza pouco 
competitivos e que prestam um serviço essencial à população. Também tem 
a função de regular o mercado há diversos órgãos do governo, como o Cade 
e a Secretaria de Direito Econômico (REZENDE, 2012, p. 29).
Externalidades
Implicam custos e benefícios sociais diferentes do custo e do benefício privados. Enquanto os 
custos e benefícios privados são medidos em termos de preço – quanto custou para fabricar; quanto 
custou para adquirir –, os sociais são diferentes. Por qual motivo? Porque estamos tratando de um 
assunto que analisa os impactos causados em um agente alheio àquele tomador da decisão individual. 
Exemplifiquemos: pense em um empreendedor que monte uma casa noturna na rua em que você 
reside. A legislação permite casas comerciais no local, e o empreendedor montou uma casa noturna 
em que o som ao vivo seja o chamariz da freguesia. O volume e a qualidade do som – da música – 
pode agradar quem frequenta o local por uma questão de diversão; porém, pode desagradá‑lo por 
diversos motivos: você não aprecia a música que ali é tocada, o volume do som incomoda, há maior 
quantidade de carros estacionados na rua, impedindo que algum parente que venha visitá‑lo deixe 
seu automóvel em frente ao portão de sua casa. Pois bem: elencamos aqui efeitos negativos causados 
pela nova casa noturna. A isso chamamos de externalidade negativa. Ela ocorre quando algum agente 
toma determinada decisão que lhe favorece – no caso, o empreendedor – e que retire bem‑estar de 
outro agente – no caso, você.
Por outro lado, há as externalidades positivas. Pense que seu vizinho de frente contrate um segurança 
particular e instale uma guarita em frente à casa dele. Esse segurança particular cuidará da vigilância da 
casa de quem o contratou e, por consequência, trará mais segurança aos demais moradores daquela rua. 
Caso esse segurança particular perceba algo de diferente na rua, tratará de avisar aos demais moradores 
do local. Vemos aqui então a ocorrência de externalidade positiva. Para Giambiagi e Além (2016, p. 7),
 
a existência de externalidade justifica a intervenção do Estado, que 
pode ser através: a) da produção direta ou da concessão de subsídios, 
para gerar externalidades positivas; b) de multas ou impostos, para 
desestimular externalidades negativas; e c) da regulamentação.
122
Unidade III
 Saiba mais
No capítulo 1 da obra indicada a seguir, Riani (2012) expande a 
discussão das externalidades explicando os efeitos da produção sobre o 
consumo, os efeitos da produção sobre a produção bem como os efeitos 
externos do consumo. As análises com gráficos que o autor efetua são 
bem ilustrativas.
RIANI, F. Economia do setor público: uma abordagem introdutória. 5. ed. 
Rio de Janeiro: LTC, 2012.
Mercados incompletos
Uma das principais características dos mercados incompletos é aquela em que o setor privado não 
esteja totalmente à vontade quanto à oferta de um bem ou serviço. O que o faz não estar totalmente à 
vontade? Segurança quanto ao futuro e quanto ao retorno do investimento que foiefetuado. É o que 
Riani (2012) chama de riscos e incertezas na oferta dos bens. Diz ainda que:
 
A falta de conhecimento perfeito por parte dos vendedores e dos compradores 
relacionado com os riscos de mercado, a falta de perfeita mobilidade dos 
recursos, a incerteza quanto à maximização dos lucros por parte das firmas e 
a escassez de determinados recursos produtivos, particularmente os recursos 
naturais, são características do mundo real que mostram a inviabilidade 
do atendimento de alguns dos pressupostos requeridos para se atingir a 
produção ótima de todos os bens econômicos necessários e desejados pela 
sociedade (RIANI, 2012, p. 19).
Existem determinadas atividades que são indispensáveis ao desenvolvimento do país ou ao 
bem‑estar da sociedade, mas que, pelas razões apresentadas, não seriam oferecidas no mercado se não 
houvesse a intervenção do governo. Nesse aspecto, Giambiagi e Além (2016) citam o Banco Nacional 
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como principal órgão brasileiro de financiamento 
de longo prazo para investimentos em todos os segmentos da economia. Vários investimentos 
produtivos, seja na agricultura, na indústria ou no comércio, para todo tamanho de empresa podem 
requerer elevado volume de recursos nos investimentos iniciais e, muitas vezes, a iniciativa privada 
(os bancos) fica receosa em efetuar os empréstimos na dúvida se o tomador terá condições de 
honrar com a devolução dos recursos tomados. Dessa forma, procurando mitigar o risco de uma 
possível inadimplência, os bancos privados elevam as taxas de juros de empréstimos, dificultando os 
investimentos privados. É nesse âmbito que o BNDES entra como empresa pública federal: oferecendo 
empréstimos por vezes subsidiados pelo governo, fomentando, então, os investimentos produtivos e 
ativando a economia.
123
ECONOMIA E NEGÓCIOS
 Saiba mais
Conheça mais sobre o BNDES acessando seu site:
Disponível em: http://www.bndes.gov.br. Acesso em: 3 abr. 2023.
A falta de conhecimento perfeito por parte dos vendedores e dos compradores relacionado 
com os riscos do mercado, a falta da perfeita mobilidade dos recursos, a incerteza quanto à 
maximização dos lucros por parte das firmas e a escassez de determinados recursos produtivos, 
particularmente os naturais, são características do mundo real que mostram a inviabilidade do 
atendimento de alguns dos pressupostos requeridos para se atingir a produção ótima de todos os 
bens econômicos necessários e desejados pela sociedade. Nisso reside outra falha de mercado, a 
falha de informação.
Falhas de informação
Nos casos de falhas de informação, a intervenção do Estado justifica‑se em razão de o 
mercado, por si só, não fornecer dados suficientes para que os consumidores tomem suas decisões 
racionalmente. A  exemplo de ilustração, considere o mercado de automóveis usados. Pense na 
seguinte situação: você está interessado em adquirir um automóvel usado e encontra no jornal 
um anúncio exatamente do automóvel que procura. Liga para o anunciante para verificar preços, 
condições do automóvel, quilometragem percorrida e coisas do tipo. Quem dos dois agentes tem 
mais informações sobre o automóvel? Você ou a pessoa que pretende vendê‑lo? Será que o vendedor 
lhe oferecerá todas as informações necessárias, e reais, para que você possa tomar a decisão pela 
compra ou não? Caso o automóvel tenha estado imerso em alguma enchente, o vendedor falará 
para você? Aqui estamos chamando a atenção para o fato de que, em determinados mercados, 
alguns têm mais informações do que outros. A isso Fernando Rezende (2012) denomina assimetria 
de informações.
Para esses casos, a forma de atuação do Estado pode ser mediante a introdução de uma legislação 
que induza a uma maior transparência, promovendo maior proteção tanto para vendedores quanto para 
consumidores. Como exemplo, temos o Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Desemprego e inflação
Apesar de serem fenômenos completamente diferentes, sendo o primeiro considerado pela economia 
uma variável do mercado real e o segundo uma variável nominal proveniente do mercado monetário, 
caminham conjuntamente.
124
Unidade III
7.2.1 O setor público como produtor de bens e serviços: visão conceitual e 
investimentos infraestruturais da atualidade
É consenso entre os autores Nascimento (2021), Giacomoni (2022), Giambiagi e Além (2016), Riani 
(2012) e Matias‑Pereira (2017) que se deve a Richard Musgrave a definição do que sejam as funções do 
governo. Segundo Giacomoni (2022, p. 22),
 
Richard Musgrave propôs uma classificação das funções econômicas do 
Estado, que se tornaram clássicas no gênero. Denominadas as “funções fiscais”, 
o autor as considera também como as próprias “funções do orçamento”, 
principal instrumento de ação estatal na economia. São três as funções: 
a) promover ajustamentos na alocação de recursos (função alocativa); 
b) promover ajustamentos na distribuição de renda (função distributiva); e 
c) manter a estabilidade econômica (função estabilizadora).
Vejamos a seguir essas três funções básicas.
Função alocativa
Designa a alocação de recursos pela atividade estatal quando não houver eficiência da iniciativa 
privada ou quando a natureza da atividade indicar a necessidade da presença do Estado. A intervenção 
estatal na alocação de recursos justifica‑se naqueles casos que não são de interesse do setor privado. É o 
processo pelo qual o governo divide os recursos para utilização no setor público e privado, oferecendo 
bens públicos, semipúblicos e meritórios, como rodovias, segurança, educação e saúde aos cidadãos. Dessa 
forma, está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos adequadamente pelo sistema 
de mercado (NASCIMENTO, 2021). Nesse sentido, cabe ao governo decidir pelo tipo e pela quantidade de 
bens públicos que ofertará, ou seja, a qual(is) tipo(s) de necessidade(s) atenderá.
Conforme Riani (2012), para assegurar uma alocação mais eficiente dos recursos, o governo não 
precisa produzir ou gerar diretamente o bem ou o serviço. Ele poderá fazê‑lo ou induzir a oferta pelo 
setor privado. Nesse aspecto, existem quatro possibilidades de atuação do governo:
• alocação, por parte do governo, de recursos diretos para a produção e, portanto, a oferta dos bens, 
de que são exemplos a defesa nacional e seus serviços de segurança pública;
• compras governamentais, em que o governo adquire a produção efetuada por outras empresas e 
repassa os bens à sociedade, por exemplo, medicamentos, merenda escolar ou mesmo campanha 
de vacinação;
• indução ao setor privado ao aumento da produção via subsídios ou incentivos fiscais, favorecendo 
a produção e provocando queda de preços de venda, beneficiando determinada população;
• empresas estatais, em que o governo chama para si a responsabilidade da produção de algum bem 
ou serviço que não seja oferecido pela iniciativa privada.
125
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Função distributiva
Nem sempre toda a riqueza que é gerada em um país é distribuída de forma igualitária entre seus 
pertencentes, o que, por vezes, cria a chamada desigualdade social. Nesse sentido, Riani (2012, p. 22) 
esclarece que:
fatores tais como oportunidade educacional, mobilidade social, habilidade 
individual, mercado de trabalho, propriedades dos fatores de produção 
etc. levam, dentro de uma economia de livre mercado, a desigualdades 
na apropriação da renda e da riqueza gerada pelo sistema econômico. 
[...] O mercado funcionando livremente sem a interferência do governo 
não se preocupará com a concentração de renda e da riqueza, uma vez 
que as atividades econômicas alcancem seus objetivos, atingindo frações 
segmentadas da sociedade detentoras de recursos para suas compras. Assim, 
a possibilidade espontânea da desconcentração da renda torna‑se ilusória.
Diante do exposto, vê‑se que cabe ao Estado promover a melhoria na distribuição da renda por 
intermédio do gasto público como principal instrumento de política pública. Tal afirmação apoia‑se 
em Nascimento (2021,p. 80), em que a “função distributiva refere‑se à distribuição, por parte do 
governo, de rendas e riquezas”. Por outro lado, Rezende (2012), Giambiagi e Além (2016) destacam 
que, além dos gastos governamentais, a exemplo de transferências, a tributação progressiva aliada 
aos subsídios auxilia no processo de distribuição do produto. Enquanto os programas de transferência 
apresentam‑se de forma direta quanto à redistribuição, a tributação progressiva oferece condições 
de o governo arrecadar recursos das camadas mais abastadas da sociedade e utilizá‑los como forma de 
financiamento de programas voltados para a parcela da população de mais baixa renda. Aqui, a forma 
de redistribuição seria por melhoria dos atendimentos públicos nos sistemas de saúde ou mesmo 
utilizados para financiamento da construção de moradias populares.
Giacomoni (2022, p. 25) complementa que, por mais que as políticas distributivas estejam inseridas 
no ambiente de correção de falhas de mercado, acabam por vezes sendo encaradas como “problemas 
de política e de filosofia social”, pois cabe à sociedade avaliar o que vem a ser justiça distributiva. 
Concordando que a distribuição de renda também seja uma questão de orçamento público, educação 
gratuita, capacitação profissional e programas de desenvolvimento comunitário, são também exemplos 
de política pública com efeito distributivo.
 Saiba mais
Conheça mais sobre os programas de distribuição de renda no Brasil e 
seus efeitos na economia. Consulte a referência a seguir.
SOUZA, A. P. Políticas de distribuição de renda no Brasil e o Bolsa 
Família. São Paulo: FGV, 2011. Disponível em: https://bit.ly/432rHNd. 
Acesso em: 3 abr. 2023.
126
Unidade III
Função estabilizadora
Está estreitamente ligada ao desemprego e à inflação enquanto falhas de mercado, pois, de forma 
abrangente, visa assegurar um desejável nível de emprego e estabilidade nos preços que não são 
totalmente controlados pelo sistema de livre mercado. Conforme Riani (2012, p. 22),
 
quando o desemprego prevalece, o governo aumenta o nível de demanda 
no mercado, elevando seus gastos ou diminuindo seus tributos, recolocando 
a produção no pleno emprego. Por outro lado, se há inflação, o governo 
pode reduzir a demanda de mercado, ajustando seus gastos e/ou a carga 
tributária, o que contribui para a diminuição e o controle de preços.
Do ponto de vista da política fiscal, o governo pode corrigir o desemprego enquanto falha 
de mercado pela elevação dos gastos públicos aumentando a quantidade de dinheiro no sistema 
econômico, o que incentiva a sociedade a elevar o consumo, bem como incentiva as empresas a 
aumentar seus níveis de produção. Dessa forma, com maior produção, as empresas passam a contratar 
mais pessoas, o que expande a renda. O mesmo efeito será gerado se a opção for pelo uso da diminuição 
de tributação. Porém, com a expansão da demanda, os preços sobem, o que ocasiona inflação. Assim, 
paralelamente, o governo pode utilizar demais instrumentos, a exemplo da monetária, para manter a 
estabilidade de preços.
Para Giacomoni (2022, p. 26),
 
o orçamento público é um importante instrumento da política de estabilização. 
No plano da despesa, o impacto das compras do governo sobre a demanda 
agregada é expressivo, assim como o poder de gastos dos funcionários públicos. 
No lado da receita, não só chama a atenção o volume, em termos absolutos, 
dos ingressos públicos, como também a variação na razão existente entre a 
receita orçamentária e a renda nacional, como consequência das mudanças 
existentes nos componentes da renda.
Do que foi apresentado até o momento, caro aluno, é possível perceber certa relação entre as falhas 
de mercado e as funções do governo. As falhas de mercado são decorrência, em parte, da liberdade que 
os agentes econômicos detêm na sociedade e, em parte, pela própria existência de recursos disponíveis 
nessa sociedade. Dessa forma, ao haver falhas do sistema, o governo é chamado para colocar, vamos 
assim dizer, ordem. Pois bem: como se dá essa ordem? Parte dela por leis, regulamentos e decretos que 
cerceiam a liberdade de alguns. De outra forma, há que se preocupar com o desenvolvimento dessa 
mesma sociedade, no sentido de conduzi‑la para a modernidade, ao progresso, e, nesse aspecto, a 
política pública se faz presente. 
Entretanto, somente é possível fazer política pública almejando alguns objetivos. De forma genérica, 
a literatura até aqui utilizada salienta que todos os governos, em maior ou menor grau, têm os mesmos 
objetivos, quais sejam, crescimento e desenvolvimento econômico, manutenção do emprego e da renda, 
estabilidade monetário‑financeira e distribuição equitativa da renda, para citar alguns. No entanto, para 
127
ECONOMIA E NEGÓCIOS
que o governo consiga atingir seus objetivos, torna‑se necessário o planejamento como visão de futuro. 
Trata‑se, portanto, de imaginar hoje como seria o amanhã se algumas medidas fossem adotadas.
Nesse aspecto, o planejamento governamental que se faz por política pública requer, de um lado, 
recursos monetários para que se coloque em prática determinada ação e, de outro, as fontes de 
tais recursos. Podemos claramente fazer analogia como um indivíduo comum. Suponha que tenha 
um amigo que deseje adquirir sua casa própria e que está prestes a se casar. Para conquistar o 
patrimônio, algumas ações podem ser tomadas, entre elas, a do planejamento financeiro: daqui 
quanto tempo deseja adquirir tal patrimônio, qual seu valor, em qual localidade, qual quantidade de 
recursos monetários já está disponível, em que tipo de aplicação financeira esse recurso disponível 
está alocado, quanto ainda precisa acumular, se a opção é pela compra à vista ou, ainda, qual a 
melhor forma de financiamento caso o desejo seja por pagar parte à vista e financiar o restante. 
Mesmo na opção pelo financiamento, em quanto tempo será pago e qual o valor de cada prestação.
 Observação
Note que acabamos de oferecer um exemplo corriqueiro, um daqueles 
que em algum momento permeia nossa vida.
Tomemos agora como exemplo uma empresa e também a tomada de decisão que ela precisa 
efetuar. Pense em uma empresa do setor de bebidas que está percebendo queda de vendas de um 
de seus principais produtos: o refrigerante Sabor Gostoso. Após essa percepção, e imaginando 
que a empresa tenha efetuado uma pesquisa de mercado para verificar a real causa de queda 
de venda do refrigerante Sabor Gostoso, verificou‑se que uma concorrente (nova marca) está 
atraindo consumidores que antes eram fiéis àquela marca. Pois bem: trata‑se de um problema de 
vendas, portanto, de falta de entrada de recursos na empresa. Se há queda de vendas, haverá, por 
consequência, queda de receita.
Diante de tal situação, a empresa decide por uma campanha de marketing para atrair novamente 
os consumidores que agora foram para a empresa de refrigerantes Sabor Quase Gostoso. Para a 
campanha de marketing, ela precisará efetuar investimentos, dispor de algum recurso monetário ou 
recorrer a empréstimo. Deverá saber quanto recurso poderá dedicar a essa campanha, ponderando a 
manutenção de seus departamentos, de seus gastos fixos de produção e assim por diante. Chamamos 
atenção ao fato de que uma nova fonte de gasto deverá fazer parte do orçamento da empresa. 
Por qual motivo? Ela gastará certa quantia monetária com a campanha de marketing esperando retorno 
de tal investimento. Independentemente de o retorno ser o esperado, o fato é que dinheiro saiu de 
algum lugar, e isso não pode acontecer sem que se saiba qual fonte o financiará. Portanto, planejamento 
financeiro e orçamento também são vitais nessa situação.
128
Unidade III
 Lembrete
Agora, volte sua atenção novamente para os objetivos governamentais 
de que falamos anteriormente.
Os objetivos do governo são: crescimento e desenvolvimento econômico, 
manutenção do emprego e da renda, estabilidade monetário‑financeira e 
distribuição equitativa da renda.
A lista de objetivos governamentais parece pequena. Contudo,se olhada com mais cuidado, vê‑se 
grande infinidade de ações a serem tomadas para cada um dos objetivos a serem alcançados. Tomando 
o caso do Brasil, destacam‑se sua extensão territorial, as necessidades prementes e específicas de cada 
região. Cada governo, com sua política, ideologia, suas crenças e, por vezes, interesses, pode privilegiar 
determinada sociedade instalada em uma região que será a recebedora da política pública em detrimento 
de outra. Contudo, não se pode generalizar para o caso brasileiro. O fato é que os governos devem adotar 
critérios racionais no desenho de suas políticas públicas em que se privilegie a técnica como decisão 
estratégica no estabelecimento das prioridades sociais. Daí que se faz necessário o recomendado por 
Matias‑Pereira (2017, p. 278): “facilitar a solução de problemas pela ação catalisadora aplicada a toda a 
comunidade através de um planejamento estratégico, baseado na previsão do que vai acontecer, é um 
bom caminho a ser seguido pelo governo”.
Ainda para Matias‑Pereira (2017, p. 278),
 
o planejamento estratégico [é] a antítese da política, pois o mesmo presume 
racionalidade, o que raramente existe no governo. A política exige resultados 
rápidos, ao lugar de raciocinar e agir pensando no longo prazo, pois são 
esses resultados que garantem a permanência nos cargos.
Com isso, é possível perceber que o planejamento requer, antes de tudo, compromisso com atitudes 
racionais que gerem os resultados positivos esperados pelos envolvidos.
7.3 Moeda: origens, funções, motivos e demanda por moeda
Ponderando a questão histórica e suas sociedades chamadas de pré‑capitalistas, a exemplo do 
antigo sistema feudal, as trocas de bens entre as sociedades praticamente não aconteciam e, quando 
aconteciam, eram consideradas aquelas diretas, ou seja, bem por bem, mercadoria por mercadoria, não 
ensejando a necessidade do uso da moeda como facilitador de tais transações. Pensando em termos 
de uma economia simples, não moderna e não monetizada, a produção que era exercida pelos seres 
humanos era trocada em sistema de escambo, o que limita a atuação dos agentes.
Com a evolução das sociedades, dos mercados e, portanto, das trocas, a intermediação monetária 
começa a se fazer presente e a sociedade avança para um sistema de trocas indiretas. Neste, bens são 
129
ECONOMIA E NEGÓCIOS
trocados por moedas e moedas são trocadas por bens. Com o avanço, a moeda passa a fazer parte das 
economias, sendo considerada até uma necessidade social, exercendo suas funções e integrando a vida 
das pessoas. Contudo, como se pode definir moeda? A princípio, é todo ativo capaz de liquidar quaisquer 
compromissos contratuais à vista ou futuros. Assim, vamos refletir sobre o que vem a ser moeda. Ela é 
um artigo utilizado para efetuar trocas. Dá‑se moeda em troca de algo. Trabalhamos em troca de moeda; 
o termo designa moedas metálicas e papel‑moeda, as cédulas que utilizamos.
Vamos pensar um pouco. A moeda tem valor? Você, por acaso, já encontrou alguém nas ruas 
de sua cidade vendendo moedas, vendendo dinheiro? Possivelmente não. Por qual motivo? Antes da 
resposta, reflita mais um pouco. Qual é o valor de uma cédula (nota) de UM$ 20,00? Quanto vale uma 
nota de UM$ 100,00? Qual é o valor de uma moeda metálica de UM$ 1,00? Parece estranho dizer, 
mas, nas economias modernas, as notas e as moedas não têm qualquer valor; elas representam valor! 
Representar valor significa ter poder aquisitivo. Uma cédula de UM$ 50,00 expressa um poder  de 
compra de cinquenta unidades monetárias. Uma cédula de UM$ 10,00 possui um poder de compra 
de dez unidades monetárias e assim por diante. Esse deve ser o motivo pelo qual não encontramos 
pessoas nas ruas vendendo moedas, pois qualquer pessoa se negaria a vender uma nota de 
UM$ 100,00 por um valor mais baixo do que ela vale e ninguém aceitaria pagar mais do que esse valor 
pela nota. Nesse aspecto, Carvalho et al. (2015, p. 1) dizem que:
A moeda é um objeto que responde a uma necessidade social decorrente da 
divisão do trabalho. A divisão social do trabalho característica da economia 
capitalista moderna especializou unidades de produção e indivíduos. 
Os agentes econômicos se tornaram, assim, extremamente independentes. 
Necessitam fazer inúmeras compras e vendas em períodos, às vezes, bastante 
curtos. Uma sociedade sem moeda teria uma vida econômica pouco 
ágil. O tempo para se concretizar uma transação comercial aumentaria 
demasiadamente, e o desgaste físico e mental para se realizar tal operação 
seria, talvez, insuportável. Por exemplo, diante de uma chuva inesperada, um 
indivíduo desejoso de adquirir um guarda‑chuva e que tivesse um excedente 
em laranjas teria que encontrar alguém que tivesse um excedente de laranjas. 
Esse tipo de coincidências é chamado de coincidência mútua e complementar 
de necessidades. Elas podem ocorrer, mas certamente são raras e sua busca 
desgasta física e mentalmente os interessados em transações específicas.
Podemos pensar que a moeda seja uma mercadoria, mas não uma qualquer. Trata‑se de uma 
específica, que reúne a propriedade de ser trocada por qualquer outra mercadoria. Basta ter em mãos 
cédulas ou moedas metálicas para poder trocá‑la por qualquer artigo que represente exatamente as 
unidades monetárias incorporadas na moeda. Se tivermos em mãos UM$ 80,00, podemos adquirir 
qualquer mercadoria que tenha um preço idêntico ou menor do que esse valor e que esteja disponível 
para venda, obviamente.
A especial característica que a moeda reúne é a de ser aceita em qualquer situação. Veja um exemplo: 
seria muito difícil, em uma economia moderna, adquirir mercadorias pagando, ou trocando, por outras 
mercadorias como à época do escambo. Caso você queira um sapato novo, você não conseguirá trocar 
130
Unidade III
no mercado pelo seu trabalho direto. Haveria a necessidade de dupla coincidência de desejos: o seu 
desejo em ter os sapatos e o do vendedor em utilizar sua força de trabalho. Agora, de posse da moeda, 
tudo fica mais fácil. Se o vendedor coloca à venda os sapatos que você deseja, basta que você tenha 
poder de compra, representado pela moeda, e os compre, pagando em moeda. Pronto, efetuamos uma 
troca indireta: moeda por mercadoria, no caso do comprador; e mercadoria por moeda, do vendedor. 
Vale ainda ressaltar o que destacam Carvalho et al. (2015, p. 2):
 
Em uma economia monetária, os agentes recebem suas remunerações em 
moeda e podem, portanto, fazer planos mais flexíveis. Adquirem liberdade 
para comprar o que desejarem e quando desejarem, em geral, sem qualquer 
perda de tempo ou desgaste físico e mental com as dificuldades em 
realizar transações que requerem coincidências muito específicas. Quando 
desejarem comprar guarda‑chuvas, utilizam moeda, que possui aceitação 
geral a qualquer tempo.
 Observação
Se a moeda, então, pode ser pensada como uma mercadoria, mas uma 
mercadoria especial, ela deve também desempenhar algumas funções.
Devido ao desenvolvimento da divisão do trabalho que especializou pessoas e empresas enquanto 
produtores de mercadorias, nas economias modernas há um volume absurdamente grande de 
mercadorias à disposição da sociedade. Com a divisão do trabalho, os agentes econômicos tornaram‑se 
cada vez mais interdependentes uns dos outros, cada um depende do trabalho do outro ou depende, 
para seu bem‑estar, da produção do outro (JUDENSNAIDER; MANZALLI, 2011). Dessa forma, realiza‑se 
um volume grandioso de trocas indiretas e, nesse aspecto, a moeda desempenha uma de suas principais 
funções: ser intermediária de trocas (meio de trocas).
A função intermediária de trocas, ou, se preferir, meio de troca ou ainda meio de pagamento, permite 
que mercadorias sejam compradas e vendidas em diferentes períodos sem depender da coincidência 
de desejos. Entende‑se então que meio de pagamento ou meio de troca é a função de intermediar 
as milhares de trocas entre os agentes, permitindo que vendas e compras sejam realizadas em datas 
diferentes. Com isso, é possívelseparar a venda da compra. Para Carvalho et al. (2015, p. 2),
 
A troca com intermediação monetária separa as transações comerciais em 
operações de compra e operações de venda, permitindo um sistema de trocas 
indiretas. É muito mais fácil vender mercadorias e/ou serviços por moeda 
e, posteriormente, comprar outras mercadorias e/ou serviços pagando em 
moeda do que trocar coisas diferentes por coisas diferentes. A função de 
intermediário de trocas é uma função básica da moeda. Ao permitir que 
vendas e compras sejam feitas em datas diferentes, a moeda exerce a função 
de meio de pagamento.
131
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Além de servir como intermediário de trocas, a moeda exerce outras funções básicas: servir como 
unidade de conta e reserva de valor.
A função unidade de conta da moeda está representada nos diversos contratos existentes na economia. 
Em um contrato de trabalho, por exemplo, a função unidade de conta aparece no valor do salário ali grafado: 
x unidades monetárias. Em um contrato de prestação de serviços, também desempenha sua função unidade 
de conta no valor que será pago pelo contratante, ao contratado, mediante o serviço prestado. Está ainda 
representada nos preços dos produtos. Uma camisa, por exemplo, que está à disposição em uma vitrine de uma 
loja qualquer. Lá está, possivelmente em uma etiqueta, a indicação do valor daquele produto. Tantas unidades 
monetárias. Lá está, portanto, a moeda exercendo sua função de unidade de conta. Outro nome que pode ser 
atribuído a essa função da moeda é moeda de conta. A moeda de conta que aparece ou nos contratos ou nos 
preços dos produtos determina qual é o montante de moeda corrente necessário para aquela troca.
A função unidade de conta está relacionada à de meio de troca. Nessa função, a moeda é a 
unidade de medida monetária da economia, ou seja, é a medida do valor das diferentes mercadorias 
que são trocadas no mercado. A moeda foi capaz, com a disseminação das trocas comerciais, de ser 
uma mercadoria peculiar capaz de mensurar o valor das outras mercadorias. Assim, é possível que as 
mercadorias sejam trocadas entre si a partir dessa medida comum que a moeda permite avaliar.
Imaginemos uma sociedade como nos dias de hoje. Há uma diversidade enorme de contratos 
estabelecidos entre os agentes econômicos que precisam ser liquidados. Como garantir essa liquidação? 
Inicialmente, é necessário que todos os contratos tenham uma unidade monetária comum. É dessa 
maneira que a moeda exerce sua função de unidade de conta, ou seja, no caso brasileiro, a maior parte 
dos contratos internos são realizados em reais. Outro exemplo seria em um supermercado onde os 
preços das mercadorias são todos dados em uma única moeda, qual seja, o real.
 
A função unidade de conta é extremamente importante. Nas sociedades 
capitalistas modernas, a divisão do trabalho transformou a produção de 
mercadorias e serviços em um processo complexo. Por vezes, inúmeras 
firmas participam da produção de uma única mercadoria (automóveis, 
por exemplo). Assim sendo, é necessário que existam instrumentos que 
coordenem as decisões de produção desses diversos agentes econômicos. 
São os contratos estabelecidos entre tais agentes que possibilitam a refinada 
coordenação que é necessária entre os participantes desse complexo processo 
produtivo. Os contratos entre os trabalhadores e as firmas fixam as tarefas 
que serão desempenhadas, o número de horas da jornada de trabalho, o 
salário monetário a ser recebido, entre outros quesitos. Os contratos entre as 
firmas estabelecem as datas de entrega de insumos, as suas especificações 
técnicas, o valor monetário dos pagamentos a serem feitos pelo comprador 
etc. Os contratos entre as firmas e os bancos fixam o limite de crédito 
entre as partes, a taxa de juros, os pagamentos mínimos que podem 
ser efetuados pela empresa e muito mais. Percebe‑se que há algo que é 
comum a todos os contratos: a unidade de medida monetária da economia 
(CARVALHO et al., 2015, p. 2).
132
Unidade III
Lopes e Rossetti (2005, p. 21‑22) denominam essa função da moeda como medida de valor e 
apresentam suas principais vantagens:
 
– racionaliza e aumenta o número de informações econômicas, via sistema 
de preços, tornando possível uma atuação mais racional de produtores e de 
consumidores e ampliando as margens de eficiência operacional do sistema 
econômico como um todo.
– torna possível a contabilização da atividade econômica e a administração 
racional das unidades de produção, fator de importância crucial para o 
desenvolvimento da economia e a resultante ampliação do bem‑estar.
– permite a construção de sistemas de contabilidade social, para cálculo 
dos valores agregados da produção, do investimento, do consumo, da 
poupança e de outros fluxos macroeconômicos, de grande importância no 
planejamento e na administração da economia como um todo.
Outra função desempenhada pela moeda é servir de reserva de valor, pois a moeda permite alocar 
nossas transações ao longo do tempo de acordo com nossas conveniências. Assim, dá ao detentor de 
moeda a possibilidade de reter recursos por períodos longos sem que tal atitude lhe imponha qualquer 
custo de carregamento. De posse de unidades monetárias, e dada a existência de mercados à vista e a 
prazo, seu possuidor tem o direito de reservar tal moeda para consumo ou para pagamento futuro.
Conforme destacam Lopes e Rossetti (2005, p. 22),
 
Até a Teoria Geral, de Keynes [...], esta função da moeda era desprezada, 
embora reconhecida. Ao enfatizar a incerteza inerente a uma economia 
monetária, Keynes trouxe a função reserva de valor para o primeiro plano. 
A proporção da moeda conservada em relação aos outros ativos depende de 
uma série de fatores que interferem na preferência do público. Após Keynes, 
a análise desses fatores e do grau em que é exercida a preferência pela 
liquidez passou a constituir‑se em importante área de investigação teórica 
e de interesse prático. As duas principais razões que levam à preferência pela 
utilização da moeda como reserva de valor são, sem síntese, as seguintes: a) 
a pronta e mediata aceitação da moeda, quando da decisão de convertê‑la 
em outros ativos, financeiros ou reais. A essa aceitação adiciona‑se a 
particularidade de ser a moeda um ativo conversível em ampla área 
geográfica; b) a imprevisibilidade do valor futuro de outros ativos, sobretudo 
os não financeiros. Nada garante que o valor desses outros ativos esteja a 
um nível adequado quando vierem a ser utilizados. Na maior parte dos casos, 
os ativos reais perdem (alguns quase completamente) a reversibilidade. 
Há bens de uso durável que, imediatamente após sua aquisição em primeira 
mão, não são mais reversíveis ao valor com que foram adquiridos.
133
ECONOMIA E NEGÓCIOS
Em economias com estabilidade monetária (sem inflação), a moeda consegue exercer tal função, 
de poder reservar, ou preservar seu valor ao longo do tempo. Em períodos de inflação elevada, a erosão 
dos ativos monetários será uma consequência. Um agente, quando detém riqueza, pode guardá‑la sob 
diversas maneiras. Por exemplo, uma aplicação financeira em um banco, em bens imóveis ou mesmo na 
forma monetária. Essa segunda opção é escolhida quando a moeda apresenta uma estabilidade de valor 
e, por isso, a economia não pode apresentar inflação.
 Lembrete
Para que um ativo ou um bem sejam considerados uma moeda, é 
necessário que ele desempenhe as três funções. Caso algumas dessas funções 
não forem satisfeitas, o uso da moeda passa a ser questionado e pode não 
ser aceito, deteriorando‑a até sua invalidade. No Brasil, durante a segunda 
metade dos anos 1980, devido ao problema da inflação elevada, portanto, 
de perda de sua função de reserva de valor, o país teve várias moedas.
Lopes e Rossetti (2005) ressaltam existir mais funções que são desempenhadas pela moeda: uma delas 
é a função liberatória, ou seja, a capacidade de saldar dívidas, liberar quem efetuou um pagamento de 
ser cobrado no futuro, liberandoo possuidor da moeda de uma situação passiva no futuro. Acrescentam 
que esse poder é garantido pelo Estado, que pode forçar o curso da moeda, impondo sua aceitação 
como forma de pagamento, desde que a sociedade a aceite. Continuam:
 
Há assim fortes vínculos entre a função liberatória da moeda e o grau 
em que esta é aceita pela sociedade. A aceitação generalizada, que se 
estabelece essencialmente como uma manifestação de natureza social, é 
que, em realidade, garante à moeda o exercício dessa importante função 
(LOPES; ROSSETTI, 2005, p. 23).
Outra função a ser destacada é de a moeda servir como padrão de pagamentos diferidos, que 
significa a facilidade da distribuição de pagamentos ao longo do tempo, e aqui surge o crédito.
 Observação
Na sociedade moderna, a moeda como padrão de pagamentos 
diferidos aparece nas compras a prazo e com pagamentos de prestações 
ao longo do tempo.
Trata‑se de uma função relevante para o funcionamento de uma economia moderna, viabilizando os 
fluxos de produção e renda, que, embora simultâneos e interdependentes, desenvolvem‑se por etapas, 
exigindo que, ao longo delas, sejam antecipados diferentes tipos de pagamento.
 
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Unidade III
Os salários, de forma geral, constituem um exemplo bastante claro de um 
pagamento diferido. Na maior parte dos casos, os salários representam, 
em essência, uma forma de adiantamento. Embora a empresa não possa 
dispor daquilo que produz antes que o ciclo de produção esteja terminado, 
os trabalhadores que se ocupam das diferentes fases da produção não 
podem esperar que o processo produtivo se conclua, para que seu trabalho 
seja remunerado. De igual forma, os empresários recorrem a empréstimos 
para variadas finalidades, desde os que se destinam ao financiamento do 
giro de seus negócios até os que atendem a necessidades relacionadas a 
investimentos em capital fixo (LOPES; ROSSETTI, 2005, p. 24).
Por fim, cabe destacar outra função da moeda, qual seja, a de servir como instrumento de poder, 
seja ele econômico, político e social, a partir do momento que se admite ser também a moeda um 
instrumento de crédito, um título de crédito. “Os que o detêm possuem direitos de haver sobre os bens e 
serviços disponíveis no mercado, tanto maiores e mais amplos quanto maior for o montante disponível 
de moeda” (LOPES; ROSSETTI, 2005, p. 24).
Para que a moeda desempenhe suas funções, algumas características particulares devem ser reunidas. 
Entre as características estão as econômicas, entendidas como custo de estocagem e custo de transação 
negligenciáveis ou próximos de zero. O que isso significa? Significa que, para manter a moeda, seu custo 
deve ser zero; para transportá‑la, também deve ter um custo zero.
 Observação
Claro que aqui não se está pensando no caso das aplicações financeiras, 
em que os juros recebidos pelo não uso da moeda representaria um custo 
de oportunidade para as economias modernas.
 
O trigo, por exemplo, tem reduzidas chances de se tornar moeda em uma 
economia desenvolvida porque o seu custo de estocagem não é desprezível 
e seu custo de transporte ao mercado (custo de transação) pode ser elevado. 
O trigo, o sal, a soja, entre outros, se eleitos socialmente como moeda, 
onerariam em demasia seus possuidores (CARVALHO et al., 2015, p. 3).
As outras características da moeda, as físicas, dizem que a moeda deve apresentar indestrutibilidade 
e inalterabilidade, homogeneidade, divisibilidade, transferibilidade, além de facilidade de manuseio e 
transporte. Vejamos a importância de cada uma.
A indestrutibilidade, bem como sua inalterabilidade, é importante, pois a moeda não deve se 
deteriorar, na medida em que os agentes econômicos a utilizam em termos de troca. Nesse sentido, 
a moeda deve ser durável, isto é, deve manter suas características físicas, para que a sua condição de 
ser aceita de forma generalizada seja mantida e não prejudique o seu último detentor. Além disso, 
“a indestrutibilidade e a inalterabilidade são obstáculos à sua falsificação, tornando‑se, assim, atributos 
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ECONOMIA E NEGÓCIOS
acessórios, também importantes para a confiança do público e a aceitação geral da moeda” (LOPES; 
ROSSETTI, 2005, p. 26). Dessa forma, tal característica combina com outra, a de a moeda reunir 
homogeneidade, ou seja, de ser conhecida em qualquer localidade, ser igual em qualquer local e tempo 
para que seja reconhecida e, assim, aceita.
Perceba que no caso das economias modernas, monetizadas, particularmente no caso da economia 
brasileira, a característica de homogeneidade aparece nas cédulas que o Banco Central coloca à disposição 
da coletividade para que esta efetue suas trocas produtivas. Uma cédula de UM$ 100,00 tem a mesma 
representatividade como instrumento de troca e unidade de conta em qualquer local do território 
nacional, seja em algum estado da região Norte, seja da região Sul. Admite‑se que o cidadão comum 
reconhece naquele papel, naquela cédula, a representatividade de UM$ 100,00. Apenas devemos pensar 
com cuidado quanto à função reserva de valor em diferentes regiões devido aos diferentes preços das 
mercadorias e, portanto, ao custo de vida em diferentes regiões. Assim, UM$ 100,00 valem mais ou 
menos em diferentes localidades.
 Observação
Perceba que estamos destacando que há diferentes níveis de inflação 
em diferentes regiões do país e que, portanto, o poder de compra da moeda 
também é diferente.
Quanto ao assunto, Lopes e Rossetti (2005, p. 26) esclarecem que:
 
Duas unidades monetárias distintas, de igual valor, devem ser rigorosamente 
iguais. Suponhamos, por exemplo, nos primórdios da evolução histórica 
da moeda, uma determinada mercadoria usada como instrumento de 
intermediação de trocas. As diferentes unidades dessa mercadoria devem, 
necessariamente, ser iguais, homogêneas quanto às suas características 
intrínsecas. Admitamos que o arroz, em dada época e lugar, atendesse a 
essa função. Neste caso, se dois indivíduos chegassem a um acordo sobre o 
valor de uma transação, poderia acontecer que o comprador pensasse pagar 
a dívida com arroz de grãos miúdos e quebrados, enquanto o vendedor 
imaginasse receber arroz de grãos graúdos e inteiros. A possibilidade desse 
tipo de desentendimento, resultante da não homogeneidade, é um exemplo 
claro da necessidade de que unidades monetárias do mesmo valor sejam 
efetivamente iguais para que a moeda possa exercer suas funções essenciais.
O que há a se destacar sobre a característica divisibilidade? Ela é necessária porque a moeda deve 
poder ser fracionada em múltiplos e submúltiplos, para que as transações que exigem valor fracionado 
ou transações que movimentem grandes valores sejam realizadas sem custos adicionais. Imagine se 
existisse na economia monetária apenas um tipo de cédula, digamos de UM$ 50,00. Todos os produtos 
deveriam ter, no mínimo, esse preço, desde uma bala até qualquer outro produto ou mesmo serviços 
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Unidade III
prestados pelos correios: daí em diante, somente seria admitido um múltiplo de UM$ 50,00. Os preços 
seriam, então, UM$ 100,00, UM$ 150,00, UM$ 200,00...
Assim, a característica de divisibilidade permite que os valores monetários sejam quebrados em 
diferentes valores, desde os centavos, as dezenas, os milhares e assim por adiante. Sobre o assunto, Lopes 
e Rossetti (2005, p. 26‑27) elucidam que:
 A moeda deve possuir múltiplos e submúltiplos em quantidade e variedade, 
que tanto as transações de grande porte quanto as pequenas possam 
realizar‑se sem dificuldade. Se, por hipótese, em uma economia só existirem 
cédulas monetárias de determinado valor, a maior parte das transações 
será dificultada, senão mesmo impraticável. Se o valor da única cédula em 
circulação fosse excepcionalmente baixo e se não existissem outros meios 
para se efetuarem pagamentos, as transações de maior vulto esbarrariam 
em inúmeras dificuldades operacionais. Contrariamente, se existisse uma 
única cédula de elevado valor, ficariam prejudicadas as transações menores.
Outra característica