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AULA 6 
 COMPUTAÇÃO EM NUVEM 
Prof. Armando Kolbe Júnior 
 
 
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TEMA 1 – ANÁLISE DE RISCO 
Todas as atividades que envolvem o aporte de grandes quantias exigem o 
desenvolvimento de atividades ROI (Return of Investment). Uma das primeiras 
providências é efetuar um estudo de análise de riscos, que cria indicativos de 
mensuração a serem verificados pelos núcleos de auditoria associados, internos 
ou também terceirizados. 
A tecnologia da computação em nuvem é uma área em que a decisão de 
migração deve ser antecedida por um estudo detalhado, no qual todas as 
possibilidades de erro sejam analisadas. Devem ser tomados cuidados especiais, 
com a definição de planos de contingência, estabelecidos com o propósito de 
diminuir ou eliminar qualquer possibilidade de solução de continuidade nos 
serviços desenvolvidos, considerando a importância da agilidade nas respostas, 
como é exigido na sociedade contemporânea. 
A tecnologia da computação em nuvem não tem sua análise de riscos 
focada em um único tópico, como em muitas outras tecnologias inovadoras. Há 
diferentes tópicos que devem ser analisados e aplicados, a depender das 
circunstâncias. Esse estudo é normalmente desenvolvido a partir do principal 
aspecto dos riscos: a perda de segurança, privacidade e integridade dos dados 
armazenados nos grandes servidores das provedoras da computação em nuvem. 
Sangoria et al. (2010) desenvolvem um estudo que nos interessa transmitir, 
pois permite que adaptemos suas considerações em uma lista que orienta quais 
as áreas nas quais as análises devem ser conduzidas: 
1. Riscos de segurança: acesso, disponibilidade, sobrecarga na rede, 
integridade, segurança, localização, desagregação; 
2. Riscos de privacidade; 
3. Riscos com consumidores das informações. 
As colocações da lista anterior determinam a forma como as questões de 
análise de riscos são abordadas. Após a análise individual de cada um dos 
tópicos, há necessidade de determinação de níveis de segurança para prevenção 
das situações de vulnerabilidade que foram detectadas. Neste ponto, deve ser 
determinada a questão do “grau de risco”, e especificadas as técnicas que 
poderão ser utilizadas, balanceando custo e extensão da recuperação. É preciso 
lembrar que tudo isso é desenvolvido antes de colocar as informações na nuvem, 
 
 
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de modo que quando isso acontece, alguns fatores determinantes para a análise 
podem ser alterados. 
Se tal fato vier a acontecer, uma análise de riscos com a estrutura em 
funcionamento deve ser acionada, desenvolvendo análises similares, porém a 
partir de condições de um contexto diferenciado. Independentemente de qual 
situação será enfrentada, o trabalho desenvolvido tem como principal objetivo 
garantir, aos clientes dos serviços da computação em nuvem, que os dados 
armazenados estarão seguros, e determinar quais foram as ações adotadas, de 
acordo com os balizadores existentes como condicionantes. Custos, impactos das 
condições de perda e recuperações parciais aceitáveis são balanceados para que 
a melhor política venha a ser adotada. 
Apontadas as condições de risco que devem ser levadas em consideração, 
advêm questões de periodicidade de avaliação. Qual a frequência mais 
recomendada para as verificações dos riscos pontuados? Os autores do estudo 
consideram que isso depende, em muito, do efeito de perdas ou de paralisações 
nos serviços oferecidos. 
O custo envolvido aumenta diretamente com a periodicidade da verificação; 
por outro lado, o fator de risco diminui à medida em que o número de atividades 
de verificação cresce. É mais um aspecto no qual a busca pelo ponto de equilíbrio 
acontece por meio de um balanceamento do grau de prejuízo, com relação ao 
aumento de custo. O mais importante é que uma abordagem ideal é aquela que 
reduz a zero os riscos determinados, o que podemos considerar que é impossível. 
Dessa forma, é preciso chegar o mais próximo do balanceamento ideal; a 
empresa deve conseguir, pela solução adotada, a diminuição dos fatores de risco, 
que passam a ser assumidos a níveis aceitáveis, quando a empresa desenvolve 
a migração para o ambiente em rede. A determinação de riscos e de mecanismos 
de segurança é constante no dia a dia da operação de ambientes nos quais a 
plataforma da computação em nuvem está sendo utilizada. 
TEMA 2 – SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO 
Em estruturas estabelecidas com a utilização da computação em nuvem, a 
segurança é uma das principais preocupações, como já destacamos em diversos 
pontos deste material. À medida em que há crescimento do número de empresas 
que migram, surgem novas propostas de utilização dos avanços tecnológicos, 
 
 
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que, se ainda não dão garantia total, afastam para cada vez mais longe perigos 
que foram enfrentados desde o advento da nova tecnologia. 
O crescimento da perspectiva BYOC (Bring Your Own Cloud) para 
aproveitamento das facilidades de mobilidade total é na atualidade uma das áreas 
mais vulneráveis a ataques. Atitudes politicamente incorretas tomadas por 
agentes humanos secundam, em importância, as preocupações com a segurança 
dos dados. 
Outras possibilidades já foram exaustivamente tratadas, e estabelecidos 
procedimentos de segurança razoavelmente confiáveis, o que ainda não 
aconteceu com as duas condições de risco apresentadas nos parágrafos 
anteriores. Ainda há um longo caminho a percorrer para que as estruturas em 
nuvem, venham a se tornar completamente seguras e garantam privacidade e 
integridade dos dados, com diminuição ou eliminação das perdas. Aos poucos, o 
crescimento das áreas de cibercrime, também apoiada por tecnologias e sistemas 
cada vez mais sofisticados, está trazendo novos problemas que devem ser 
analisados. 
O crescimento de apps de produtividade também se mostra em uma 
progressão que traz preocupações, pela evidente facilidade com que os 
problemas podem vir a acontecer. Aumenta o número de fatores que devem ser 
analisados nas atividades de levantamento de riscos. 
Todos esses fatos ocorrem, de forma mais evidente, no último biênio, e 
devem crescer e se manifestarem com toda a intensidade nos anos 2020, quando 
a evolução da computação em nuvem deve atingir um grande percentual do 
número de empresas que já migraram ou em fase de migração (números que 
podem atingir elevados percentuais, superiores a 92% da totalidade das empresas 
que trabalham com a TI, como suporte para suas operações). 
Alguns gerentes de TI, mais pessimistas, insistem em enxergar um 
horizonte toldado por nuvens escuras. Isso se deve ao fato de que grande parte 
das novas aplicações desenvolvidas não traz nenhuma preocupação com a área 
de riscos que são adicionados aos dados e serviços armazenados, com a 
utilização das grandes bases de dados e componentes da infraestrutura de 
atendimento às plataformas de computação em nuvem. 
O crescimento do desenvolvimento de apps e sua interligação com 
elementos externos que podem ser ligados aos computadores das organizações 
também se configura como um destaque nas preocupações com a segurança da 
 
 
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informação. Por melhores que sejam as intenções, sempre fica uma 
vulnerabilidade que pode expor as bases de dados, que contêm dados sensíveis 
aos ataques externos. 
Não são poucas as pessoas que consideram a colocação do parágrafo 
anterior como impossível de acontecer, preferindo confiar na integridade dos 
elementos que trabalham dentro da própria organização, que podem estar, ainda 
que inadvertidamente, disseminando elementos de alto risco. Aqui reside um dos 
pontos de dificuldade na manutenção da segurança da informação. 
Os principais elementos prejudiciais que podem ocorrer com a perda da 
segurança são: 
 Ocorrência de perda ou roubo de propriedade intelectual, com aumento das 
atividades de pirataria dos mais diversos elementos digitalizados e 
colocados nos arquivos da nuvem. 
 Ausência de ações reguladoras legais, ou de mecanismosde defesa 
corporativa, o que dificulta a identificação da origem dos problemas. 
 Falta de controle sobre as ações e equipamentos mantidos sob controle 
dos usuários finais. 
 Disseminação de programas mal-intencionados (malwares), distribuídos 
tanto no interior da organização, como postos sem medidas protetivas, no 
acesso aos dados sensíveis colocados na nuvem. 
 Perda de clientes por violações contratuais dos acertos mantidos nas 
cláusulas de contratos SLA. 
 Diminuição da confiança demonstrada pelos clientes, quando falhas de 
divulgação são disseminadas. Na grande rede, estes fatos são colocados 
e se disseminam como uma praga de difícil controle. O poder da multidão 
é sensível à crença em notícias falsas (fake news), e assim a disseminação 
de informações inverídicas podem afetar a credibilidade da organização. 
 Falta de obrigatoriedade de revelação das situações de violação, com os 
próprios mantenedores das estruturas da computação em nuvem 
defendendo aqueles que desenvolvem atitudes politicamente incorretas, 
como demonstra a negativa de grandes conglomerados em expor tais fatos. 
 Consequente falta de proteção, devido aos fatos observados, constantes 
desta lista. 
 Consequente perdas de receita que ocorrem com a debandada dos clientes 
para outros provedores. 
 
 
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É preciso que a empresa fornecedora reconheça que a reação do mercado 
pode tomar rumos que podem acabar por inviabilizar a continuidade dos seus 
negócios, quando a empresa contratante acredita que parte da responsabilidade 
está na ausência de um trabalho de levantamento que identifique 
apropriadamente a credibilidade da fornecedora. Quando tais fatos ocorrem, é 
possível perceber um coro crescente de clientes que evitam companhias que 
oferecem serviços de nuvem, sem dar as garantias necessárias à manutenção da 
segurança. 
Os serviços de TI adotam alguns procedimentos que representam cuidados 
a serem tomados: 
 Melhorar do controle dos serviços de autenticação e autorização de acesso. 
 Melhorar o gerenciamento de controle externo de procedimentos de 
identificação e gestão de acessos, com fragmentação dos níveis de acesso, 
fornecendo aos usuários finais acesso ao que ele realmente necessita, sem 
aberturas desnecessárias, nos arquivos que contêm dados sensíveis. 
 Determinar o desenvolvimento de rotinas e programas para controle de 
confidencialidade, integridade e disponibilidade dos dados. 
 Estabelecer rotinas de monitoramento de segurança, utilização e 
determinação de responsabilidades por falhas. 
 Estabelecer um plano que determine as políticas de gerenciamento de 
segurança das ações dos usuários finais envolvidos com acesso a dados 
sensíveis, principalmente quando estão colocados na nuvem. 
Com tais medidas, voltadas para o controle interno e de usuários finais, há 
a possibilidade de diminuição de problemas de segurança, mas não a garantia de 
segurança total. 
TEMA 3 – COMPARATIVO COMPUTAÇÃO EM NUVEM E OUTSOURCING 
Na atualidade, as estratégias de sourcing ganham novas visões, com a 
evolução dos serviços da computação em nuvem; passam a ser apresentadas 
como algo diferente das atividades de outsourcing tradicionais. 
Esse panorama justifica o retorno ao tema de forma um pouco mais 
aprofundada, mas agora partindo do fato de que a atividade de migração para a 
computação em nuvem é uma atividade de outsourcing. Essa conceituação 
ganhou importância em autores como Johnson (2014), que considera que tal 
 
 
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integração é importante para o sucesso da migração para a computação em 
nuvem. 
Com esse posicionamento, o autor coloca fim em uma discussão que tendia 
a se tornar estéril, não contribuindo em nada para a evolução das atividades 
migratórias para uma nova tecnologia. Assim, independentemente de apresentar 
características diferenciadas, a migração para a computação em nuvem pode ser 
melhor vista como uma atividade de outsourcing. O autor ensaia considerar que a 
única diferença para as atividades de sourcing normais é a exigência de um 
processo de governança, devido ao volume e à importância dos serviços 
executados, que podem acabar colocando, nas mãos de terceiros, o futuro da 
empresa. A diferenciação na assinatura dos contratos está na determinação de 
níveis elevados nos contratos SLA – Service Level Agreement, anteriormente 
tratados neste material. 
Carsltroem (2016) traz considerações sobre tais contratos, considerando 
as principais características diferenciadoras: 
 Diferenças no escopo do contrato, devido ao elevado nível de importância 
e possível dependência criada; 
 Duração contratual, sujeita a revisões constantes, principalmente devido à 
dependência direta com a evolução tecnológica na área de informação e 
comunicação, característica na sociedade contemporânea; 
 A diferença entre os mercados de provedores; os que oferecem a 
computação em nuvem têm estruturas potentes, que podem ser 
sustentadas por consórcios de empresas, com elevados recursos 
financeiros envolvidos; 
 Flexibilidade contratual, considerando a volatilidade do mercado e 
diferentes condições de sazonalidade, que podem ser alteradas por fatores 
externos, alheios a termos pactuados contratualmente; 
 O foco único e exclusivo nas áreas de TI das empresas; 
 Atividades de auditoria mais frequentes e exigentes. 
Apesar de todos estes diferenciais, ainda assim é possível considerar a 
migração para a computação como uma atividade de outsourcing empresarial. 
 
 
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TEMA 4 – PRIVACIDADE DA INFORMAÇÃO 
Uma das áreas de maior dificuldade para os departamentos de TI é o 
tratamento das questões de privacidade. Os controles que devem ser 
estabelecidos são um primeiro ponto de quebra da privacidade, com invasão pela 
empresa de dados confidenciais dos colaboradores. É o ponto em que analistas 
consideram que seja possível observar a lei de Murphy em ação (se algo pode 
dar errado, certamente irá dar errado). 
As informações valiosas sobre os colaboradores nas empresas são 
altamente sensíveis, e se juntam aos cuidados relativos à privacidade, tomados 
no nível empresarial. O melhor exemplo são os dados médicos e dados referentes 
a rendimentos auferidos. São informações desejáveis, e um dos principais alvos 
das atividades de inteligência competitiva, desenvolvida por setores de gestão de 
pessoas das empresas concorrentes. 
O mesmo acontece com as informações que são colocadas na nuvem e na 
grande rede pela empresa, também alvo das mesmas atividades de inteligência 
competitiva desenvolvida pela concorrência. Aqui podem servir, como exemplo, 
planos agressivos de ataque ao mercado consumidor, desenvolvidos por 
departamentos estratégicos nas empresas, e um dos alvos preferenciais das 
atividades de espionagem industrial, rebatizada com um nome mais elegante: 
inteligência competitiva. 
Atualmente, os níveis de complacência com relação às questões de 
integridade, como pode ser observado no dia a dia das empresas (empréstimos 
de senhas, senhas guardadas em arquivos de texto sem proteção, inexistência de 
punições mais rigorosas dos casos identificados), servem para facilitar a quebra 
de privacidade da informação, tanto pessoal dos colaboradores, como da 
empresa. É uma situação de alto risco, e assim recomenda-se cuidados com 
relação à colocação de informações na nuvem. 
O progresso cada vez maior nas rotinas de encriptação de dados traz uma 
luz no final do túnel, com relação às questões de manutenção da privacidade, mas 
que ainda são insuficientes para a garantia de situações de risco zero. A utilização 
da biometria aumenta, de forma significativa, as esperanças de estejamos nos 
aproximando dessa situação altamente desejável. 
Há uma movimentação intensa na área de pesquisas no tocante ao 
enfrentamento isolado de questões de isolamento e de garantia de privacidade 
 
 
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dos dados, que são tratadas de forma separada e por diferentes pessoas, alémde desenvolvidas e apontadas nos contratos SLA, pactuados com a fornecedora 
dos serviços de nuvem, no âmbito externo. Mas não há como a empresa se furtar 
de ter o seu controle interno; sua ausência revela falta de cuidado com as 
questões de privacidade. 
Os abastecedores de nuvem, que criam os dados sensíveis para a 
empresa, a partir de atividades Big Data e Data Analisys, podem representar um 
desafio para os fornecedores de serviços de nuvem, considerando que sua 
interferência com serviços internos ainda é considerada uma ingerência 
inaceitável por parte da grande maioria das empresas. O aumento do volume de 
terceirização das atividades-fim das empresas (liberado pela legislação atual) 
pode derrubar a vulnerabilidade e fazer com que o controle da privacidade dos 
dados das empresas seja prioritário em relação às questões de privacidade 
individuais. Ganha cada vez mais importância a efetivação do trinômio: 
consentimento de acesso, monitoração da utilização e garantia da segurança de 
dados. 
O tratamento isolado de segurança e privacidade permitiu um avanço no 
enfrentamento dos desafios, com o surgimento de diferentes técnicas para 
garantia de privacidade, mas que ainda apresentam um custo elevado, o que 
diminui as vantagens relativas a menores custos do armazenamento de dados em 
provedores da computação em nuvem. Há soluções comerciais e acadêmicas, 
mas elas ainda divergem na imposição de controles, com preocupações com 
relação ao social, em destaque nas soluções acadêmicas, que não são 
consideradas pelas soluções corporativas. 
Outra preocupação é a questão da preservação digital, que traz cada vez 
mais perto um apuramento na legislação de gestão eletrônica de documentos, 
também inserida como uma preocupação no que diz respeito às questões de 
privacidade. A duplicação de bases de dados, contendo informações sensíveis, 
por estruturas de bancos de dados descentralizadas, situadas em localidade 
geograficamente separadas e distantes, pode vir a representar um problema. 
As cópias disparadas para todos os pontos, queiram ou não os defensores 
dessa política, representam um elemento de vulnerabilidade para os dados 
sensíveis, tanto pessoais quanto corporativos. A necessidade de cuidados se 
multiplica, e esse aspecto pode trazer custos que são capazes de inviabilizar a 
migração para a computação em nuvem. 
 
 
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A terceirização do isolamento necessita ser tratada à parte; a encriptação 
apenas não representa um elemento de segurança para que seja possível atingir 
o risco zero. Medidas complementares são necessárias, além de controles 
adicionais. 
Estudos desenvolvidos por Moia (2016) permitem a montagem de uma lista 
de cuidados que podem ser considerados de forma geral como aplicáveis às 
questões de manutenção da privacidade da informação: 
 Buscar estabelecer e manter uma política de criptografia das informações 
armazenadas nas bases de dados dos provedores de nuvem 
(principalmente por ser esse serviço, por ser uma atividade terceirizada); 
 Combinar questões de controle de redundância com a necessidade de 
preservação digital; 
 Estabelecer o máximo nível de sigilo, com respeito aos aspectos legais de 
acesso à informação; 
 Estabelecer políticas trust-no-one, exigindo garantias adicionais nos 
contratos SLA sobre os aspectos de manutenção de privacidade. 
Com os cuidados relacionados na lista acima, que resumem os estudos de 
Moia (2016), é possível garantir um nível satisfatório de manutenção da 
integridade dos dados armazenados nas grandes bases de dados dos provedores 
da computação em nuvem. 
TEMA 5 – INTEGRIDADE DA INFORMAÇÃO 
Com relação aos aspectos de segurança, um último cuidado está voltado à 
garantia da integridade da informação. Trata-se da garantia de que os dados que 
são acessados para cópia ou leitura permaneçam os mesmos, desde a data de 
sua inserção nas grandes bases de dados, não tendo sido modificados, alterados 
ou danificados por qualquer ação, seja ela de erro de sistema ou erro humano, 
desde o último acesso autorizado. 
A definição acima é a mais aceita para identificar o termo, mas não é 
suficiente para garantir a manutenção de integridade. Ela representa um protocolo 
de intenção que exige, para ser efetivado, um trabalho cuidadoso. Aqui, 
novamente, entra em confronto a questão do desenvolvimento do serviço pelo já 
terceirizado fornecedor de serviços da nuvem, ou mesmo quando feito de forma 
interna, no que se refere às atividades de auditoria da empresa. 
 
 
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Pelo que tivemos oportunidade de apontar para o leitor, consideramos 
possível que, neste ponto, ele esteja mais inclinado a considerar que a nuvem 
representa uma plataforma computacional relativamente insegura, principalmente 
quando não são identificados mecanismos de proteção e quando não é pactuado 
um contrato com cláusulas que garantam o cumprimento da proposta de 
manutenção da integridade. 
Os cuidados devem ser tomados com relação aos seguintes aspectos: 
 Falta de criptografia funcional e eficaz; 
 Ausência de proteção contra comportamentos maliciosos, seja de 
programas ou tomados por pessoas envolvidas; 
 Deficiência nos planos de recuperação para casos de implosão das 
estruturas estabelecidas; 
 Falta de rotinas de gestão do controle da redundância. 
Estas são as principais ameaças possíveis. Elas estão colocadas em um 
nível macro, podendo cada uma das falhas ser dividida em falhas de diversos 
pontos nas ações tomadas para segurança, privacidade e integridade das 
informações. São riscos colocados a partir da tomada da decisão de terceirização, 
com a contratação de serviços de computação em nuvem. 
Na computação em nuvem, a manutenção da “coerência” dos dados é 
esperada e dada como certa, assim que encerrada a fase de cadastramento. A 
partir de então, eles permaneceriam imutáveis. Isso não leva em consideração os 
problemas de perda das informações, seja por acidentes naturais ou por acidentes 
resultantes de atitudes politicamente incorretas. Tal fato deveria ser garantido 
pelos serviços da nuvem e pelas rotinas de segurança dos grandes repositórios, 
criados para preservação digital, atividade cada vez mais comum, e que logo 
deverá se tornar obrigatória para todos os dados, criados em formatos digitais, 
que possam ser alterados. 
Para garantir a integridade dos dados armazenados na grande nuvem, são 
necessárias rotinas específicas, visando a inalterabilidade dos dados, 
acidentalmente ou deliberadamente, e também o seu sumiço. Há custos 
envolvidos, os quais, da mesma forma como foi assinalado nos casos de 
segurança e privacidade, podem gerar outros custos, o que distancia a solução 
de terceirização de serviços na nuvem da proposta de redução de custos, que 
pode ter motivado a migração inicialmente. 
 
 
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A confiança do usuário/cliente nos abastecedores está baseada na eficácia, 
nem sempre atendida, de cláusulas de proteção estabelecidas em contratos SLA, 
que definem mútuas obrigações de garantia da integridade da informação. Quanto 
maior for a atividade de manutenção dos dados armazenados, maiores serão os 
riscos de perda dessa condição. 
Aqui também podemos elencar uma lista de tópicos relacionados com os 
cuidados a serem tomados na recuperação dos dados, seja por colaboradores da 
empresa ou por técnicos do fornecedor dos serviços. Há a necessidade de que 
sejam estabelecidos: 
 Protocolos de identificação de erros aos quais os dados estão sujeitos; 
 Uma metodologia eficiente de codificação dos dados, de modo a 
proporcionar a recuperação em caso de perdas; 
 Formas de espelhamento e cópia imediata dos dados, assim que eles 
forem alterados, além da necessidade de alguma forma de registro (log) 
das atividades, desde o último acesso, com o registro da nova 
configuração. 
Com tais cuidados é possível, então, garantir a eficácia da proposta de 
manutenção da integridade de dados que foramtransferidos e armazenados nas 
grandes bases, que servem de suporte aos serviços oferecidos pelos provedores 
da computação em nuvem. O sistema criado com apoio nas exigências 
apresentadas na lista supramencionada pode ser viabilizado de forma distribuída, 
cobrindo todos os locais onde a informação está replicada, com a garantia de 
segurança. 
As rotinas de garantia são altamente complexas, sendo por isso objeto de 
estudos de cursos especificamente voltados para a privacidade da informação –
como ressaltamos, essa atividade, atualmente, não é mais desenvolvida como 
uma sub-rotina do controle de segurança. Na atualidade, segurança, privacidade 
e integridade, ainda que tenham surgido como um trinômio apontado como rotinas 
de segurança, assumem uma posição de independência nos estudos, tendo cada 
uma delas um corpo de conhecimento específico. 
 
 
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