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matriz de Atividade INDIVIDUAL Estudante: Leticia Vasconcelos Medina Disciplina: Responsabilidade Civil Turma: Online (0424-2) Tarefa 1 Antes de adentrar no tópico de responsabilidade civil é necessário esclarecer que a relação entre a atividade hospitalar e o paciente é caracterizada como de consumo. Isso corre, pois o Código de Defesa do Consumidor “CDC” considera: i) consumidor toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final (art. 2º, caput), ii) fornecedor toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços (art. 3º, caput) e iii) serviço toda e qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. (art. 3º, § 2°). Portanto, o hospital ao ser considerado como prestador de serviços precisa ser responsabilizado como tal, respondendo por defeitos relativos à prestação de serviços, independentemente da existência de culpa (art. 14) ¹. Dessa forma, não é necessário a caracterização de culpa, visto que, o elemento subjetivo da culpa é descartado quando se constata a ocorrência de algum evento em que haja um dano, assim, é possível concluir que “onde há lesão, há reparação” ². No que tange o hospital, existem três hipóteses da responsabilização: i) atos extramédicos – que não envolvem a atuação direta do médico; ii) serviços dos paramédicos – prestados pelo pessoal da enfermagem e/ou outros profissionais da saúde; e iii) atos essencialmente médicos – praticados por médicos. O item “i” mencionado acima pode ser verificado na situação 1, em que o paciente (Geromel) obteve queimaduras em uma mão e nos pés, devido a um chuveiro defeituoso no quarto do hospital, ocasionando uma internação prolongada que fez com que ele perdesse um negócio certo, visto que, a concretização dele dependia de sua presença. Ocorre que o hospital possui um “contrato de hospedagem” com o paciente, ou seja, a obrigação do hospital vai além da segurança do paciente nos procedimentos, devendo sempre adotar todas as medidas necessárias para assegurar a sua integridade, evitando qualquer acidente que possa vir a ocorrer. Assim, ocorre o que chamamos de responsabilidade objetiva. Primeiramente, a responsabilidade civil estabelece a obrigação de um indivíduo reparar um dano que causou a outro (art. 186 CC) ³. De um modo geral, os pressupostos são: i) conduta, ii) dano e iii) nexo causal. Quanto ao hospital, por se tratar da objetividade, em conjunto com o artigo citado acima também incide o art. 927 do Código Civil ⁴. Assim, o Geromel somente irá precisar provar que houve a caracterização do dano (as queimaduras) para que o hospital pode ser responsabilizado pelo fato. Ademais, neste caso, existe a teoria da perda de uma chance, que é caracterizada quando alguém fica privado de obter uma determinada vantagem. O paciente devido a internação acabou por perder um negócio certo e por este fato será necessário que o hospital arque com a indenização por essa perda, assim, tal valor deverá ser fixado pelo julgador dentro de uma lógica razoável. Por fim, apesar do hospital ter que responsabilizar o paciente, existe a possibilidade de uma ação de regresso, caso tenha ocorrido uma vistoria ou o produto (chuveiro) esteja dentro do prazo de garantia (art. 934 CC) ⁵. O item “iii” mencionado nas hipóteses de responsabilidade do hospital pode ser verificado na situação 3, em que o paciente (Henrique) após receber a alta de um procedimento cirúrgico, passou a sentir náuseas e acredita que seu mal-estar é decorrente da atuação do médico anestesista. Ocorre que em os médicos podem ser responsabilizados em atos essencialmente praticados em decorrência da sua própria atuação, desde que comprovado a sua culpa. Nessas situações, o hospital poderá chegar a ser responsabilizado solidariamente, caso seja comprovada a imperícia, imprudência ou negligência do médico. A principal questão será o fato de o médico possuir ou não vínculo com o hospital, ocasião em que poderá haver a exceção da responsabilização do hospital. Neste caso, se tratando de anestesista a atividade é considerada autônoma, assim, ao invés da responsabilidade do médico ser subjetiva, ela é caracterizada como objetiva, visto que eles têm obrigação de atingir determinado resultado. Se tratando do hospital, o diferencial da responsabilidade solidaria ou não decorre do fato se o médico possui ou não vínculo de emprego ou subordinação com o hospital, sendo que o Código Civil determina que o empregador pode ser responsabilidade em conjunto (art. 932, III) ⁶, entendimento reforçado pelo STF. Conclui-se que a responsabilização solidária do hospital irá depender do vínculo que o anestesista possui com ele, logo, caso tenha relação de emprego, será responsável pela indenização e ressarcimento. tarefa 2 O julgado do STJ, por unanimidade, reconheceu a responsabilidade objetiva do hospital, constando da ementa o seguinte: DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICO-HOSPITALAR. SÚMULA N. 83/STJ. REEXAME FÁTICO. SÚMULA N. 7/STJ. DANOS MORAIS. VALOR RAZOÁVEL. DECISÃO MANTIDA. 1. Consoante a jurisprudência desta Corte, a responsabilidade do hospital é objetiva nos casos de falha na prestação do serviço hospitalar, tais como a ausência de equipamento obrigatório. 2. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7/STJ). 3. No caso concreto, o Tribunal de origem concluiu pela ocorrência de falha na prestação de serviços por parte do hospital, a atrair o dever de indenizar pelos danos materiais e morais. Decidir de modo contrário demandaria o reexame das provas produzidas nos autos, o que é vedado em recurso especial. (AgInt no Agravo em Recurso Especial nº XXXXX MS XXXXX/XXXXX-9, Quarta Turma, Rel. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 26 de Agosto de 2019). Assim, é possível verificar que o hospital foi responsabilizado de forma objetiva, pois houve a ausência do equipamento obrigatório, sendo uma falha na prestação de serviço do hospital. Tal situação pode assemelhar-se ao caso 1, visto que, a prestação do serviço hospitalar é assegurar que o paciente terá todas os itens necessários a sua integridade durante a sua estadia e a realização de qualquer procedimento. A diferença seria que no caso do Geromel houve um defeito dentro do quarto e nessa situação seria a falta de um item essencial e obrigatório, mas em ambos os casos a responsabilidade é objetiva, devendo o hospital arcar com os erros. ___________________________________________________________________________________ O julgado do STJ, por unanimidade, reconheceu a responsabilidade subjetiva do hospital, constando da ementa o seguinte: AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. CIRURGIA PARA CORREÇÃO DE FRATURA NO TORNOZELO. COMPLICAÇÕES. ANESTESIA PERIDURAL. PACIENTE EM ESTADO VEGETATIVO. ERRO MÉDICO. CULPA CONFIGURADA. HOSPITAL. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. AÇÃO DE REGRESSO. PROCEDÊNCIA. DANOS MORAIS. VALOR. RAZOABILIDADE. A jurisprudência desta Corte encontra-se consolidada no sentido de que a responsabilidade dos hospitais, no que tange à atuação dos médicos contratados que neles trabalham, é subjetiva, dependendo da demonstração da culpa do preposto. 3. A responsabilidade objetiva para o prestador do serviço prevista no artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, no caso, o hospital, limita-se aos serviços relacionados com o estabelecimento empresarial, tais como a estadia do paciente (internação e alimentação), as instalações, os equipamentos e os serviços auxiliares (enfermagem,exames, radiologia). No caso em apreço, o acórdão recorrido concluiu, com base na prova dos autos, que houve falha médica quando da aplicação da anestesia peridural para correção de fratura no tornozelo da autora, que se encontra em estado vegetativo. 5. A comprovação da culpa do médico atrai a responsabilidade do hospital embasada no artigo 932, inciso III, do Código Civil, mas permite ação de regresso contra o causador do dano. (AgInt no Agravo em Recurso Especial nº 1375970/SP, Terceira Turma, Rel. Min. Ricardo Villas Boâs Cueva, julgado em 10 de junho de 2019). Neste caso, se concluiu que houve de fato uma culpa do médico, logo, como contratado do hospital, existe a responsabilidade solidária. Assim, a situação pode se assimilar ao caso do Henrique, desde que comprovada culpa do médico (imperícia, imprudência ou negligência) e o vínculo empregatício entre o anestesista e o hospital. tarefa 3 Há muitos anos realizei uma mamoplastia redutora. Ao contrário da situação da Astrid, não foi devido a problemas posturais e sim estéticos, mas da mesma forma a cirurgia não foi bem-sucedida. Além de ter tido um problema com a cicatrização, foi descoberto que o médico deixou um fio de sutura dentro do meu corpo. Quanto a não entrega do resultado, isto ocorreu devido a minha alergia ao micropore, o que de fato não decorre da culpa do médico, visto que, não se tinha conhecimento de tal fato até eu demonstrar os primeiros sintomas. O erro no caso foi o fio deixado no meu corpo, que causou com que surgisse mini feridas ao longo do tempo, sendo necessário realizar outro procedimento cirúrgico que acarretou outra cicatriz. Portanto, além da cirurgia não ter sido um sucesso por fatores externos, ainda ocorreu um erro grave médico. Em conjunto, ainda terei que realizar futuramente outra cirurgia para corrigir as cicatrizes que não cicatrizaram de forma correta pela alergia. Neste caso, assim como a Astrid, poderia ajuizar uma ação de indenização por danos (financeiros e estéticos) contra a médica. *Referências bibliográficas ROSENVALD, Nelson; BRAGA NETTO, Felipe. Responsabilidade civil: teoria geral. 1. ed. Indaiatuba, SP: Foco, 2024. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 25 maio 2024. 1 ³ O art. 186 dispõe: “Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. ⁴ O art. 927 afirma: “Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”. ⁵ O art. 934 menciona que: Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz” ⁶ O art. 932, III cita que: São também responsáveis pela reparação civil: (...) III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele.", bem como a Súmula 341, do STF diz: "É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto." ¹ O art. 14 do CDC afirma: “Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.” ² Felipe Braga Netto e Nelson Rosenvald. Responsabilidade civil: teoria geral. 1. ed. (2024, p.17). 1 image1.emf image2.wmf