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CLIMATOLOGIA Ronei Tiago Stein Análise climatológica e a climatologia geográfica Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever as diferenças entre análises climatológicas e sua importância na climatologia geográfica. Identificar o impacto da climatologia geográfica na população. Relacionar a climatologia geográfica aos fenômenos geográficos. Introdução A climatologia, como subdivisão da geografia física, preocupa-se em estudar a evolução dos fenômenos atmosféricos e sua especialização, ou seja, trata do estudo geográfico dos climas. Com o aprimoramento das tecnologias (satélites, radares etc.), esta ciência vem se tornando cada vez mais importante no dia a dia da humanidade. É graças à climatologia que tempestades, furações e tornados podem ser previstos com antecedência, permitindo evacuar as pessoas que se encontram em áreas de risco. Também é graças a esta ciência que prejuízos econômicos podem ser evitados, pois a agricultura (um dos principais setores da sociedade) depende dos dados fornecidos pela meteorologia. Mas talvez a mais importante descoberta dos meteoro- logistas diga respeito às alterações climáticas que vem afetando todo o Planeta. Queimadas, desmatamentos e excessiva queima de combustíveis fósseis estão causando o aquecimento global, colocando o clima global em desequilíbrio. Neste capítulo, iremos entender melhor a importância da climatologia em nossas vidas, além de examinar como os dados climatológicos são obtidos e transmitidos e relacionar a climatologia geográfica como os fenômenos geográficos. Análises climatológicas Por um longo período da história humana, a meteorologia e a climatologia permaneceram como parte de um só ramo do conhecimento no estudo da atmosfera terrestre. Nos séculos XVIII e XIX, porém, a sistematização do conhecimento científi co, produzido segundo princípios de lógica e método, possibilitou a fragmentação do conhecimento em ramos específi cos, dando origem à ciência moderna. Desta forma, o estudo da atmosfera pela meteoro- logia foi incluído ao campo das ciências naturais (ao ramo da física), sendo de sua competência o estudo dos fenômenos isolados da atmosfera e do tempo atmosférico. Tempo atmosférico: estado momentâneo da atmosfera em um determinado lugar, ou seja, o conjunto de atributos que a caracterizam naquele instante, como radiação (insolação), temperatura, umidade (precipitação, nebulosidade etc.) e pressão (ventos, etc.). O surgimento da climatologia ocorreu pouco tempo após a sintetização da meteorologia. A climatologia tem sua atenção voltada ao estudo da especia- lização dos elementos e fenômenos atmosféricos e de sua evolução. Logo, a climatologia integra-se como uma subdivisão da meteorologia e da geografia. O tempo e o clima são conceitos relacionados à climatologia. O tempo diz respeito ao comportamento da atmosfera em diferentes intervalos curto e limitados, em uma determinada região do planeta, bem como a soma da ação de diversas variáveis atmosféricas (chuva, sol, vento etc.) (ALMEIDA, 2007). Já o clima da referida região seria o comportamento médio da atmosfera por um período, de pelo menos 30 anos, intervalo este que recebe a denominação de Normais. Análise climatológica e a climatologia geográfica2 Normais climatológicas: valor médio de um elemento climático (radiação, tem- peratura, pressão ou umidade) referente a um número de anos suficiente para se poder admitir que ele representa o valor predominante daquele elemento no local considerado. Nesse intuito, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) fixou o tempo de 30 anos, iniciando no primeiro ano de cada década (exemplos: 1901–1930; 1931–1960; 1941–1970; 1961–1990; 1971–2000), (IPMA, [2019]). O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET, [2019]) menciona que no caso de estações para as quais a mais recente Normal Climatológica não esteja disponível, seja porque a estação não esteve em operação durante o período de 30 anos ou por outra razão qualquer, Normais Provisórias podem ser calculadas. Normais Provisórias são médias de curto período, baseadas em observações que se estendam por um período mínimo de 10 anos. Em relação à abordagem do clima, Cunha e Vecchia (2007) mencionam que existem diferentes formas, sendo as mais comuns a climatologia tradicional (também denominada de climatologia clássica ou separativa), cujas bases foram criadas por Wilhelm Köppen, e a climatologia dinâmica, que teve em Max Sorre um de seus principais precursores e idealizadores. Wilhelm Köppen (1846–1940): considerado o precursor da ciência meteorológica moderna, suas descobertas influenciaram profundamente os rumos das ciências da atmosfera. Apresentava enorme interesse pelas áreas da geografia, meteorologia, climatologia e botânica. Max Sorre (1880-1962): geógrafo francês, cujos trabalhos na área de geografia, biologia e humana foram reconhecidos mundialmente. Na climatologia tradicional, elementos como temperatura do ar, pressão atmosférica, umidade, precipitação, direção e velocidade dos ventos e radiação solar, são tratados de maneira independente e, justamente por isso, muitas vezes considerados isoladamente. A principal crítica a essa visão clássica está 3Análise climatológica e a climatologia geográfica justamente no fato da conexão entre os elementos do clima não ser considerada, o que, definitivamente, não representa a realidade (CUNHA; VECCHIA, 2007; BARROS; ZAVATTINI, 2009; FERREIRA, 2012). Desta forma, a climatologia tradicional atual vem perdendo espaço para a climatologia dinâmica. A climatologia dinâmica (ou climatologia atual), em lugar de separar os elementos do tempo, como na visão tradicional de clima, tem como princípio essencial os tipos de tempo, e cada tipo de tempo é analisado em seus elementos constitutivos (BORSATO, 2000; CUNHA; VECCHIA, 2007). Assim, o obje- tivo primordial da abordagem dinâmica é considerar os elementos climáticos de maneira integrada, considerando a impossibilidade de tratá-los de maneira dissociada quando o que se busca é a compreensão da realidade. A meteorologia, por ser uma ciência muito ampla, apresenta um vocabulário próprio. Acesse o link a seguir para conhecer mais sobre este vasto vocabulário: https://qrgo.page.link/BdxTx Em escala mundial, a climatologia dinâmica é normalmente mais utilizada. Dos diferentes elementos climáticos que a compõem, alguns são obtidos por observação visual direta do fenômeno, e outros, por meio de leituras e indi- cações de instrumentos especiais, conforme relata Torres e Machado (2011). As observações meteorológicas são feitas de acordo com a hora universal. O horário-padrão fixado é o Tempo Médio de Greenwich (TMG), e não a hora local, o que, no caso de grande parte do território brasileiro, significa leituras diárias às 9h, às 15h e às 21h. Em horário de verão, as leituras seriam às 10h, às 16he às 22h, mantendo-se, assim, um padrão internacional de observações: às 12h, às 18h e às 24h TMG. Existem diferentes tipos de estações (também denominadas observações) meteorológicas: Estação de superfície: por meio de equipamentos instalados na super- fície, é possível obter dados meteorológicos (Figura 1a). Análise climatológica e a climatologia geográfica4 Estação em altitude: balões atmosféricos medem temperatura, umi- dade, pressão, vento, transmitindo os dados para a superfície terrestre (Figura 1b). Estação por satélite: satélites que fotografam as nuvens (movimento, altura etc.) na camada atmosférica. Um processador de imagens efetua a montagem do mosaico e um transmissor encaminha-o para um receptor em terra (Figura 1c). Estação por radar: as informações são obtidas por meio de radares, que auxiliam na previsão do tempo (como a probabilidade de chuva) em períodos de curto prazo (Figura 1d). Figura 1. Na climatologia dinâmica, existem diferentes tipos de estações meteorológicas, como: (a) de superfície; (b) emaltitude; (c) por satélite; (d) por radar. Fonte: Suwin/Shutterstock.com; Pande Putu Hadi Wiguna/Shutterstock.com; appsky/Shutterstock. com; Seth Lively/Shutterstock.com. (a) (b) (c) (d) Existem dois tipos de estações de superfície climatológicas: as estações climatológicas principais e as ordinárias, ou auxiliares. A estação climatológica principal analisa pressão atmosférica, precipitação, umidade, temperaturas do ar (média, máxima e mínima), direção e velocidade de vento, radiação, insolação, temperatura do solo, quantidade, tipo e altura de nuvens e visibi- lidade do horizonte. Já a estação auxiliar tem sua atenção voltada para fins 5Análise climatológica e a climatologia geográfica climatológicos, analisando basicamente a temperatura do ar (média, máxima e mínima), precipitação e umidade do ar. Climatologia geográfica e sua importância Além das previsões do tempo e das pesquisas em diferentes áreas e setores, a climatologia fornece informações sobre o tempo e o clima para as áreas de defesa civil; agricultura; aviação e navegação; setor energético e de ge- renciamento de recursos hídricos; estudos de impacto ambiental e controle de poluentes. Além disso, a climatologia exerce um importante papel social, pois é capaz de prever catástrofes causadas por eventos climáticos (furações, tornados, enchentes, terremotos, maremotos etc.) com uma certa antecedência, o que permite evacuar locais de risco, salvando inúmeras vidas humanas. É pela climatologia também que são evitadas perdas na economia, na agricultura e na sociedade. A agricultura mundial se vale de dados sobre precipitação pluviométrica e temperatura, por exemplo, para planejamento de culturas. Caso seja constatado, por exemplo, que em certo local as chuvas serão escassas em determinado ano, é possível informar os agricultores para não realizarem o plantio, evitando-se perdas econômicas. Na verdade, todos os setores da sociedade estão interligados pela meteoro- logia e climatologia (pois ambas as ciências estão relacionadas). A indústria do turismo, representada por hotéis, bares e restaurantes, recorre a dados meteorológicos para preparar suas acomodações e receber os clientes. A construção civil também analisa as informações meteorológicas, uma vez que raios, rajadas de vento e chuvas fortes atrapalham os trabalhos nos canteiros de obras e geram desperdício de materiais. O transporte de produtos depende diretamente das condições climáticas, pois qualquer problema de visibilidade no trajeto atrapalha a entrega do frete. Como é feita a previsão do tempo? Aliado aos avanços tecnológicos em diversas áreas do conhecimento, a cli- matologia tem trazido uma relativa estabilidade social a um mundo cada vez mais globalizado. Reconhece-se, porém, que estudar o clima não é tarefa fácil, pois é muito complexo e tem variado naturalmente ao longo das eras, forçado por agentes, quer externos, como oscilações das atividades solar, dos parâmetros orbitais terrestres e até de raios cósmicos galácticos, quer internos, como variação do calor armazenado, da temperatura superfi cial dos oceanos Análise climatológica e a climatologia geográfica6 e da cobertura de nuvens. Somam-se a essa variação climática as atividades da humanidade, que, globalmente, já ultrapassou os 7,5 bilhões de habitantes (STEINKE, 2012). Antes de compreendermos exatamente a importância da climatologia em nossas vidas, precisamos entender melhor como são obtidos os dados dos elementos meteorológicos. No Brasil, as observações meteorológicas são realizadas pelos Ministérios da Agricultura, Aeronáutica e Marinha. As observações dos Ministérios da Aeronáutica e da Marinha estão direcionadas à navegação aérea e marítima. Já o Ministério da Agricultura, por meio do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é responsável pela coordenação e pelo desenvolvimento das atividades meteorológicas no país (TORRES; MACHADO, 2011). As previsões do tempo no Brasil são de responsabilidade do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o qual é vinculado ao Ministério da Agricultura. Este órgão foi criado em 1909, possui sua sede em Brasília e visa prover informações meteorológicas através de monitoramento, análise e previsão do tempo e do clima por todo o território nacional. Mas como exatamente é feita a previsão do tempo? O Inmet tem uma estrutura organizacional com sede em Brasília, cinco coordenações e dez distritos de meteorologia, distribuídos estrategicamente por capitais, com o propósito de estabelecer parcerias para melhor atender os usuários no país e de cooperar internacionalmente para elaboração e desenvolvimento de novos métodos e produtos de tempo e clima (INMET, [2019]). Na sede do distrito, além da seção de apoio administrativo, existem as seções técnicas de observações meteorológicas, de previsão do tempo e de telecomunicações. Constam do Centro Regional de Comunicações, localizado em Brasília, cinco centros coletores, nove subcentros coletores e mais de 400 estações terminais (Figura 2). Os centros coletores estão localizados nas cidades de Belém, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Cuiabá́. Os subcentros coletores estão localizados nos municípios de Rio Branco, Manaus, Floriano, Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Florianópolis. As estações 7Análise climatológica e a climatologia geográfica terminais estão localizadas nas estações climatológicas principais e ordinárias (TORRES; MACHADO, 2011). Figura 2. Fluxograma das observações meteorológicas realizadas no Brasil. Fonte: Adaptada de Torres e Machado (2011, p. 244). Estações climatológicas Subcentros coletores Centros coletores Centro nacional e Centro regional BRASÍLIA M an au s Fl or ia no Fo rt al ez a Sa lv ad or Ri o Br an co B. H or iz on te Sã o Pa ul o Cu rit ib a Fl or ia nó po lis Belém Recife Cuiabá Rio de Janeiro Porto Alegre A M , R R A P, PA M A , P I RN , C E PB , P E A L, B A , S E M T, M S AC , R O G O M G , E S RJ SP PR RS SC O Centro Regional de Telecomunicações, em Brasília, recebe e organiza os dados meteorológicos do Brasil. Em seguida, estes dados são transmitidos ao Centro Meteorológico Mundial de Washington (EUA), que troca essas informações com os outros dois centros meteorológicos mundiais, localizados na Austrália e na Rússia (TORRES; MACHADO, 2011). O sistema global de telecomunicação meteorológica do Programa de Vigilância Meteorológica Mundial é formado por um circuito principal que interliga os centros meteoro- lógicos mundiais de Washington, Moscou e Melbourne (Austrália) (Figura 3). Análise climatológica e a climatologia geográfica8 Figura 3. Fluxograma do sistema global de telecomunicação meteorológica. Fonte: Adaptada de Torres e Machado (2011, p. 245). Centro meteorológico mundial Centro metereológico e eixo regional de telecomunicações Eixo regional de telecomunicações Circuito tronco principal Ramal do circuito tronco Melbourne Brasília Cairo Nova D eliTóquio Nairobi Paris Br ac kn el l Praga M oscou W as hi ng to n A instalação de uma estação climática requer alguns cuidados, de forma a evitar prejuízos na coleta análise dos dados climatológicos. Assim, a Or- ganização Meteorológica Mundial recomenda que sejam evitadas (INMET, 2011, documento on-line): presença de fontes industriais de calor: redes de alta tensão, chaminés de fábrica; proximidade a coberturas (ou telhados); lugares íngremes ou abrigados; presença de vegetação alta ou ocorrência de aglomerações; 9Análise climatológica e a climatologia geográfica locais mal drenados, com a presença de lagos ou outros recursos hídricos (como rios, córregos, nascentes); solo coberto com piso impermeabilizante (concreto), pois isso pode interferir na análise dos dados climatológicos, principalmente tem- peratura (em vez disso, o piso deve estar coberto por uma vegetação rasteira de gramíneas). Para saber mais sobreestações meteorológicas, seu funcionamento e cuidados na instalação, leia nota técnica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), disponível no link a seguir. https://qrgo.page.link/QxTWH Relação entre climatologia geográfica e fenômenos geográficos A climatologia, como parte integrante da geografi a, concentra suas atenções na superfície do planeta, onde se dá a conexão dos processos atmosféricos, geomorfológicos, hidrológicos e biológicos e onde o homem, vivendo em sociedade, produz e organiza seu espaço. Da mesma forma que a geografi a, a climatologia trabalha com várias orientações metodológicas dependendo da temática adotada, dos objetivos e da escala de análise (CONTI, 2001). Em se tratando da escala de análise, esta impõe-se a todo estudo ligado à climatologia, uma vez que se manifesta em todos os locais do planeta. Para facilitar o desenvolvimento de estudos dessa natureza, a delimitação da área de estudo constitui um dos primeiros passos do trabalho da climatologia (MENDONÇA; DANNI-OLIVEIRA, 2007). A escala climática mede dimensão, ou ordem de grandeza, espacial (extensão) e temporal (duração), segundo a qual os fenômenos climáticos são estudados. Análise climatológica e a climatologia geográfica10 Segundo Mendonça e Danni-Oliveira (2007), o clima pode ser estudado segundo sua dimensão espacial e sua dimensão temporal, sendo as duas dimen- sões, de forma geral, empregadas conjuntamente nos mais variados estudos. As escalas espaciais ganham maior destaque na abordagem geográfica do clima, destacando-se as escalas macroclimáticas, mesoclimáticas e microclimáticas. O Quadro 1 apresenta um pequeno resumo de cada um destes tipos de escala. Fonte: Adaptado de Mendonça e Danni-Oliveira (2007). Ordem de Grandeza Escala horizontal Escala vertical Temporalidade das variações mais representativas Exemplificação espacial Macroclima 2.000 km 3 a 12 km Algumas semanas a vários decênios O globo, um hemisfério, oceano, continente, mares, etc. Mesoclima 2.000 km a 10 km 12 km a 100 metros De várias horas a alguns dias Região natural, montanha, região metropolitana, cidade, etc. Microclima 10 km a alguns metros Abaixo de 100 metros De minutos a um dia Bosque, uma rua, uma edificação/ casa, etc. Quadro 1. Organização das escalas espacial e temporal do clima Os fenômenos geográficos são processos naturais, intensificados pela ação humana, e assim, acabam alterando o clima. Logo, a climatologia geográfica visa estudar e compreender estes fenômenos geográficos. Alguns dos principais fenômenos geográficos relacionados ao clima são: inversão térmica, efeito estufa (aquecimento global), ilhas de calor e chuva ácida. A inversão térmica é um fenômeno que acontece naturalmente em vá- rios lugares da Terra. Nas grandes cidades, porém, contribui para agravar o problema da poluição. Dela resulta a impossibilidade do ar frio se elevar. Retido nas camadas mais baixas da atmosfera, impede que o ar relativamente mais quente desça. Assim, os poluentes ficam próximos do solo (ALMEIDA; RIGOLIN, 2002). 11Análise climatológica e a climatologia geográfica O efeito estufa é um mecanismo natural e necessário do planeta Terra, responsável por deixar a temperatura numa média de 15ºC no globo terrestre, ideal para o equilíbrio de grande parte das formas de vida no planeta. O efeito estufa é um fenômeno natural e extremamente importante para a manutenção da vida na Terra. Antes da Revolução Industrial, havia um equilíbrio de emissão e absorção dos gases de efeito estufa no planeta, em que o fluxo de entrada destes gases para a atmosfera era igual ao de saída (biossíntese), estabilizando a temperatura terrestre (ALMEIDA, 2007). A elevada utilização de combustíveis fósseis, os desmatamentos e as queima- das, no entanto, provocaram um desequilíbrio nesse ciclo e o consequente aquecimento global. Os gases emitidos na atmosfera capturam parte da radiação infravermelha que a Terra devolve para o espaço, aumentando a temperatura atmosférica. O gás de efeito estufa de maior importância é o dióxido de carbono, principal composto resultante da combustão de combustíveis. Quando presente em grandes quantidades, o gás carbônico, juntamente com outros poluentes, acaba formando uma camada de poluentes mais espessa, o que dificulta a saída de calor para o espaço (Figura 4). Com esta camada de poluentes, o calor fica retido na Terra, provocando um aumento na temperatura média do globo (MOREIRA, 2012). Análise climatológica e a climatologia geográfica12 Figura 4. O efeito estufa ocasiona aumento da temperatura terrestre. Fonte: Adaptada de Designua/Shutterstock.com. Atm osfera Muitas vezes, a temperatura da região central das grandes cidades é dife- rente da temperatura dos bairros mais afastados. As médias térmicas são bem mais altas nas áreas centrais do que na periferia ou zona rural. Isso acontece em virtude da grande concentração de prédios, que impedem a circulação do ar. O asfalto, a falta de áreas verdes e a concentração de veículos também contribuem para esse aumento da temperatura. Essas áreas são denominadas de ilhas de calor. A água da chuva é normalmente ácida. Mas a presença de poluentes no ar atmosférico (ácido sulfúrico, ácido clorídrico, trióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio) torna a água da chuva ainda mais ácida. As regiões desenvolvidas do Hemisfério Norte, com muitas indústrias, grandes cidades e, consequen- temente, grandes emissões de poluentes, são as mais afetadas pela chuva ácida. Dentre as consequências, tem-se a mortandade da vegetação (devido ao aumento de acidez do solo), mortandade de animais (principalmente peixes, pois a água fica mais ácida), além de prejuízos econômicos, como corrosão de obras civis (estátuas, prédios, etc.). O aquecimento global está vinculado ao efeito estufa, e, como o próprio nome já indica, é o aumento da temperatura do planeta, causado pelo intenso acúmulo de gases poluentes na atmosfera. Diversos são os gases lançados na 13Análise climatológica e a climatologia geográfica atmosfera, entre eles dióxido de carbono, o metano, os clorofluorcarbonos (CFCs) e o óxido nitroso. Estes gases formam uma camada que funciona como uma espécie de cobertor em torno da Terra, impedindo que a radiação solar, refletida pela superfície terrestre em forma de calor, se dissipe no espaço. O aquecimento global é o responsável pelo contínuo derretimento das calotas polares, aumentando o nível do mar, principalmente em regiões equa- toriais. O Ártico e a Antártica são considerados o termômetro das alterações ocorridas no clima. As baixas temperaturas dos polos ajudam a manter o clima global ameno, alimentando as correntes marítimas, resfriando as massas de ar e devolvendo ao espaço a maior parte da energia solar que recebem. As alterações nos ambientes polares podem quebrar o equilíbrio do planeta, acentuando manifestações climáticas extensas, como tempestades, ondas de calor e secas (BARRY; CHORLEY, 2013). Todas estas alterações climáticas são constatadas nos climogramas: gráficos que representam a quantidade de chuvas e a temperatura de um determinado local, medidas por uma estação meteorológica durante um ano inteiro. Esses dados são comparados com anteriores, permitindo a observação de alterações climáticas na superfície terrestre. A Figura 5 apresenta um exemplo de climograma. Figura 5. Temperaturas em Brasília, médias do mês de janeiro, 1963 a 2017. Fonte: INMET ([2017], documento on-line). 19 63 19 64 19 65 19 66 19 67 19 68 19 69 19 70 19 71 19 72 19 73 19 74 19 75 19 76 19 77 19 78 19 79 19 80 19 81 19 82 19 83 19 84 19 85 19 86 19 87 19 88 19 89 19 90 19 91 19 92 19 93 19 94 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 20 16 20 17 Temperaturas mínimas médias de janeiro (1963 a 2017) 18,7 18,7 18,7 18,8 18,7 18,617,4 Temperatura mínima média Média climatológica (17,4ºC) Análise climatológica e a climatologia geográfica14 No climograma da Figura 5, vemos que a média das temperaturas aumentou nos últimos 54 anos. Com auxílio de tecnologias modernas (satélites, estações espaciais), a climatologia vem oferecendo dados e informações cada vez mais precisas sobre chuvas, secas, temporais, furacões e geadas, o que permite tomar decisões a fim de salvar vidas e evitar perdas econômicas. ALMEIDA, D. H. C. Mudanças climáticas: premissas e situação futura. 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