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CLIMATOLOGIA
Ronei Tiago Stein
Análise climatológica e a 
climatologia geográfica
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Descrever as diferenças entre análises climatológicas e sua importância 
na climatologia geográfica.
  Identificar o impacto da climatologia geográfica na população.
  Relacionar a climatologia geográfica aos fenômenos geográficos.
Introdução
A climatologia, como subdivisão da geografia física, preocupa-se em 
estudar a evolução dos fenômenos atmosféricos e sua especialização, 
ou seja, trata do estudo geográfico dos climas. Com o aprimoramento 
das tecnologias (satélites, radares etc.), esta ciência vem se tornando cada 
vez mais importante no dia a dia da humanidade.
É graças à climatologia que tempestades, furações e tornados podem 
ser previstos com antecedência, permitindo evacuar as pessoas que 
se encontram em áreas de risco. Também é graças a esta ciência que 
prejuízos econômicos podem ser evitados, pois a agricultura (um dos 
principais setores da sociedade) depende dos dados fornecidos pela 
meteorologia. Mas talvez a mais importante descoberta dos meteoro-
logistas diga respeito às alterações climáticas que vem afetando todo o 
Planeta. Queimadas, desmatamentos e excessiva queima de combustíveis 
fósseis estão causando o aquecimento global, colocando o clima global 
em desequilíbrio.
Neste capítulo, iremos entender melhor a importância da climatologia 
em nossas vidas, além de examinar como os dados climatológicos são 
obtidos e transmitidos e relacionar a climatologia geográfica como os 
fenômenos geográficos.
Análises climatológicas
Por um longo período da história humana, a meteorologia e a climatologia 
permaneceram como parte de um só ramo do conhecimento no estudo da 
atmosfera terrestre. Nos séculos XVIII e XIX, porém, a sistematização do 
conhecimento científi co, produzido segundo princípios de lógica e método, 
possibilitou a fragmentação do conhecimento em ramos específi cos, dando 
origem à ciência moderna. Desta forma, o estudo da atmosfera pela meteoro-
logia foi incluído ao campo das ciências naturais (ao ramo da física), sendo de 
sua competência o estudo dos fenômenos isolados da atmosfera e do tempo 
atmosférico.
Tempo atmosférico: estado momentâneo da atmosfera em um determinado lugar, 
ou seja, o conjunto de atributos que a caracterizam naquele instante, como radiação 
(insolação), temperatura, umidade (precipitação, nebulosidade etc.) e pressão (ventos, 
etc.).
O surgimento da climatologia ocorreu pouco tempo após a sintetização da 
meteorologia. A climatologia tem sua atenção voltada ao estudo da especia-
lização dos elementos e fenômenos atmosféricos e de sua evolução. Logo, a 
climatologia integra-se como uma subdivisão da meteorologia e da geografia.
O tempo e o clima são conceitos relacionados à climatologia. O tempo 
diz respeito ao comportamento da atmosfera em diferentes intervalos curto e 
limitados, em uma determinada região do planeta, bem como a soma da ação 
de diversas variáveis atmosféricas (chuva, sol, vento etc.) (ALMEIDA, 2007). 
Já o clima da referida região seria o comportamento médio da atmosfera por 
um período, de pelo menos 30 anos, intervalo este que recebe a denominação 
de Normais.
Análise climatológica e a climatologia geográfica2
Normais climatológicas: valor médio de um elemento climático (radiação, tem-
peratura, pressão ou umidade) referente a um número de anos suficiente para se 
poder admitir que ele representa o valor predominante daquele elemento no local 
considerado. Nesse intuito, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) fixou o 
tempo de 30 anos, iniciando no primeiro ano de cada década (exemplos: 1901–1930; 
1931–1960; 1941–1970; 1961–1990; 1971–2000), (IPMA, [2019]).
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET, [2019]) menciona que no 
caso de estações para as quais a mais recente Normal Climatológica não esteja 
disponível, seja porque a estação não esteve em operação durante o período 
de 30 anos ou por outra razão qualquer, Normais Provisórias podem ser 
calculadas. Normais Provisórias são médias de curto período, baseadas em 
observações que se estendam por um período mínimo de 10 anos.
Em relação à abordagem do clima, Cunha e Vecchia (2007) mencionam que 
existem diferentes formas, sendo as mais comuns a climatologia tradicional 
(também denominada de climatologia clássica ou separativa), cujas bases 
foram criadas por Wilhelm Köppen, e a climatologia dinâmica, que teve em 
Max Sorre um de seus principais precursores e idealizadores.
Wilhelm Köppen (1846–1940): considerado o precursor da ciência meteorológica 
moderna, suas descobertas influenciaram profundamente os rumos das ciências da 
atmosfera. Apresentava enorme interesse pelas áreas da geografia, meteorologia, 
climatologia e botânica.
Max Sorre (1880-1962): geógrafo francês, cujos trabalhos na área de geografia, biologia 
e humana foram reconhecidos mundialmente.
Na climatologia tradicional, elementos como temperatura do ar, pressão 
atmosférica, umidade, precipitação, direção e velocidade dos ventos e radiação 
solar, são tratados de maneira independente e, justamente por isso, muitas 
vezes considerados isoladamente. A principal crítica a essa visão clássica está 
3Análise climatológica e a climatologia geográfica
justamente no fato da conexão entre os elementos do clima não ser considerada, 
o que, definitivamente, não representa a realidade (CUNHA; VECCHIA, 2007; 
BARROS; ZAVATTINI, 2009; FERREIRA, 2012). Desta forma, a climatologia 
tradicional atual vem perdendo espaço para a climatologia dinâmica.
A climatologia dinâmica (ou climatologia atual), em lugar de separar os 
elementos do tempo, como na visão tradicional de clima, tem como princípio 
essencial os tipos de tempo, e cada tipo de tempo é analisado em seus elementos 
constitutivos (BORSATO, 2000; CUNHA; VECCHIA, 2007). Assim, o obje-
tivo primordial da abordagem dinâmica é considerar os elementos climáticos 
de maneira integrada, considerando a impossibilidade de tratá-los de maneira 
dissociada quando o que se busca é a compreensão da realidade.
A meteorologia, por ser uma ciência muito ampla, apresenta um vocabulário próprio. 
Acesse o link a seguir para conhecer mais sobre este vasto vocabulário:
https://qrgo.page.link/BdxTx
Em escala mundial, a climatologia dinâmica é normalmente mais utilizada. 
Dos diferentes elementos climáticos que a compõem, alguns são obtidos por 
observação visual direta do fenômeno, e outros, por meio de leituras e indi-
cações de instrumentos especiais, conforme relata Torres e Machado (2011).
As observações meteorológicas são feitas de acordo com a hora universal. 
O horário-padrão fixado é o Tempo Médio de Greenwich (TMG), e não a hora 
local, o que, no caso de grande parte do território brasileiro, significa leituras 
diárias às 9h, às 15h e às 21h. Em horário de verão, as leituras seriam às 10h, 
às 16he às 22h, mantendo-se, assim, um padrão internacional de observações: 
às 12h, às 18h e às 24h TMG.
Existem diferentes tipos de estações (também denominadas observações) 
meteorológicas:
  Estação de superfície: por meio de equipamentos instalados na super-
fície, é possível obter dados meteorológicos (Figura 1a).
Análise climatológica e a climatologia geográfica4
  Estação em altitude: balões atmosféricos medem temperatura, umi-
dade, pressão, vento, transmitindo os dados para a superfície terrestre 
(Figura 1b).
  Estação por satélite: satélites que fotografam as nuvens (movimento, 
altura etc.) na camada atmosférica. Um processador de imagens efetua a 
montagem do mosaico e um transmissor encaminha-o para um receptor 
em terra (Figura 1c).
  Estação por radar: as informações são obtidas por meio de radares, 
que auxiliam na previsão do tempo (como a probabilidade de chuva) 
em períodos de curto prazo (Figura 1d).
Figura 1. Na climatologia dinâmica, existem diferentes tipos de estações meteorológicas, 
como: (a) de superfície; (b) emaltitude; (c) por satélite; (d) por radar.
Fonte: Suwin/Shutterstock.com; Pande Putu Hadi Wiguna/Shutterstock.com; appsky/Shutterstock.
com; Seth Lively/Shutterstock.com.
(a) (b)
(c) (d)
Existem dois tipos de estações de superfície climatológicas: as estações 
climatológicas principais e as ordinárias, ou auxiliares. A estação climatológica 
principal analisa pressão atmosférica, precipitação, umidade, temperaturas 
do ar (média, máxima e mínima), direção e velocidade de vento, radiação, 
insolação, temperatura do solo, quantidade, tipo e altura de nuvens e visibi-
lidade do horizonte. Já a estação auxiliar tem sua atenção voltada para fins 
5Análise climatológica e a climatologia geográfica
climatológicos, analisando basicamente a temperatura do ar (média, máxima 
e mínima), precipitação e umidade do ar.
Climatologia geográfica e sua importância
Além das previsões do tempo e das pesquisas em diferentes áreas e setores, 
a climatologia fornece informações sobre o tempo e o clima para as áreas 
de defesa civil; agricultura; aviação e navegação; setor energético e de ge-
renciamento de recursos hídricos; estudos de impacto ambiental e controle 
de poluentes. Além disso, a climatologia exerce um importante papel social, 
pois é capaz de prever catástrofes causadas por eventos climáticos (furações, 
tornados, enchentes, terremotos, maremotos etc.) com uma certa antecedência, 
o que permite evacuar locais de risco, salvando inúmeras vidas humanas.
É pela climatologia também que são evitadas perdas na economia, na 
agricultura e na sociedade. A agricultura mundial se vale de dados sobre 
precipitação pluviométrica e temperatura, por exemplo, para planejamento 
de culturas. Caso seja constatado, por exemplo, que em certo local as chuvas 
serão escassas em determinado ano, é possível informar os agricultores para 
não realizarem o plantio, evitando-se perdas econômicas.
Na verdade, todos os setores da sociedade estão interligados pela meteoro-
logia e climatologia (pois ambas as ciências estão relacionadas). A indústria 
do turismo, representada por hotéis, bares e restaurantes, recorre a dados 
meteorológicos para preparar suas acomodações e receber os clientes. A 
construção civil também analisa as informações meteorológicas, uma vez que 
raios, rajadas de vento e chuvas fortes atrapalham os trabalhos nos canteiros 
de obras e geram desperdício de materiais. O transporte de produtos depende 
diretamente das condições climáticas, pois qualquer problema de visibilidade 
no trajeto atrapalha a entrega do frete.
Como é feita a previsão do tempo?
Aliado aos avanços tecnológicos em diversas áreas do conhecimento, a cli-
matologia tem trazido uma relativa estabilidade social a um mundo cada vez 
mais globalizado. Reconhece-se, porém, que estudar o clima não é tarefa 
fácil, pois é muito complexo e tem variado naturalmente ao longo das eras, 
forçado por agentes, quer externos, como oscilações das atividades solar, dos 
parâmetros orbitais terrestres e até de raios cósmicos galácticos, quer internos, 
como variação do calor armazenado, da temperatura superfi cial dos oceanos 
Análise climatológica e a climatologia geográfica6
e da cobertura de nuvens. Somam-se a essa variação climática as atividades 
da humanidade, que, globalmente, já ultrapassou os 7,5 bilhões de habitantes 
(STEINKE, 2012).
Antes de compreendermos exatamente a importância da climatologia 
em nossas vidas, precisamos entender melhor como são obtidos os dados 
dos elementos meteorológicos. No Brasil, as observações meteorológicas 
são realizadas pelos Ministérios da Agricultura, Aeronáutica e Marinha. As 
observações dos Ministérios da Aeronáutica e da Marinha estão direcionadas 
à navegação aérea e marítima. Já o Ministério da Agricultura, por meio do 
Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é responsável pela coordenação 
e pelo desenvolvimento das atividades meteorológicas no país (TORRES; 
MACHADO, 2011).
As previsões do tempo no Brasil são de responsabilidade do Instituto Nacional de 
Meteorologia (Inmet), o qual é vinculado ao Ministério da Agricultura. Este órgão foi 
criado em 1909, possui sua sede em Brasília e visa prover informações meteorológicas 
através de monitoramento, análise e previsão do tempo e do clima por todo o território 
nacional.
Mas como exatamente é feita a previsão do tempo? O Inmet tem uma 
estrutura organizacional com sede em Brasília, cinco coordenações e dez 
distritos de meteorologia, distribuídos estrategicamente por capitais, com o 
propósito de estabelecer parcerias para melhor atender os usuários no país e 
de cooperar internacionalmente para elaboração e desenvolvimento de novos 
métodos e produtos de tempo e clima (INMET, [2019]). Na sede do distrito, além 
da seção de apoio administrativo, existem as seções técnicas de observações 
meteorológicas, de previsão do tempo e de telecomunicações.
Constam do Centro Regional de Comunicações, localizado em Brasília, 
cinco centros coletores, nove subcentros coletores e mais de 400 estações 
terminais (Figura 2). Os centros coletores estão localizados nas cidades de 
Belém, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Cuiabá́. Os subcentros coletores 
estão localizados nos municípios de Rio Branco, Manaus, Floriano, Fortaleza, 
Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Florianópolis. As estações 
7Análise climatológica e a climatologia geográfica
terminais estão localizadas nas estações climatológicas principais e ordinárias 
(TORRES; MACHADO, 2011).
Figura 2. Fluxograma das observações meteorológicas realizadas no Brasil.
Fonte: Adaptada de Torres e Machado (2011, p. 244).
Estações climatológicas
Subcentros coletores
Centros coletores
Centro nacional e 
Centro regional
BRASÍLIA
M
an
au
s
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Belém Recife Cuiabá Rio de Janeiro Porto Alegre
A
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 M
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G
O
M
G
, E
S
RJ SP PR RS SC
O Centro Regional de Telecomunicações, em Brasília, recebe e organiza 
os dados meteorológicos do Brasil. Em seguida, estes dados são transmitidos 
ao Centro Meteorológico Mundial de Washington (EUA), que troca essas 
informações com os outros dois centros meteorológicos mundiais, localizados 
na Austrália e na Rússia (TORRES; MACHADO, 2011). O sistema global de 
telecomunicação meteorológica do Programa de Vigilância Meteorológica 
Mundial é formado por um circuito principal que interliga os centros meteoro-
lógicos mundiais de Washington, Moscou e Melbourne (Austrália) (Figura 3).
Análise climatológica e a climatologia geográfica8
Figura 3. Fluxograma do sistema global de telecomunicação meteorológica.
Fonte: Adaptada de Torres e Machado (2011, p. 245).
Centro meteorológico mundial
Centro metereológico e eixo regional de telecomunicações
Eixo regional de telecomunicações
Circuito tronco principal
Ramal do circuito tronco
Melbourne
Brasília
Cairo
Nova D
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Nairobi
Paris
Br
ac
kn
el
l
Praga
M
oscou
W
as
hi
ng
to
n
A instalação de uma estação climática requer alguns cuidados, de forma 
a evitar prejuízos na coleta análise dos dados climatológicos. Assim, a Or-
ganização Meteorológica Mundial recomenda que sejam evitadas (INMET, 
2011, documento on-line):
  presença de fontes industriais de calor: redes de alta tensão, chaminés 
de fábrica;
  proximidade a coberturas (ou telhados);
  lugares íngremes ou abrigados;
  presença de vegetação alta ou ocorrência de aglomerações;
9Análise climatológica e a climatologia geográfica
  locais mal drenados, com a presença de lagos ou outros recursos hídricos 
(como rios, córregos, nascentes);
  solo coberto com piso impermeabilizante (concreto), pois isso pode 
interferir na análise dos dados climatológicos, principalmente tem-
peratura (em vez disso, o piso deve estar coberto por uma vegetação 
rasteira de gramíneas).
Para saber mais sobreestações meteorológicas, seu funcionamento e cuidados na 
instalação, leia nota técnica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), disponível 
no link a seguir.
https://qrgo.page.link/QxTWH
Relação entre climatologia geográfica e 
fenômenos geográficos
A climatologia, como parte integrante da geografi a, concentra suas atenções 
na superfície do planeta, onde se dá a conexão dos processos atmosféricos, 
geomorfológicos, hidrológicos e biológicos e onde o homem, vivendo em 
sociedade, produz e organiza seu espaço. Da mesma forma que a geografi a, a 
climatologia trabalha com várias orientações metodológicas dependendo da 
temática adotada, dos objetivos e da escala de análise (CONTI, 2001).
Em se tratando da escala de análise, esta impõe-se a todo estudo ligado à 
climatologia, uma vez que se manifesta em todos os locais do planeta. Para 
facilitar o desenvolvimento de estudos dessa natureza, a delimitação da área 
de estudo constitui um dos primeiros passos do trabalho da climatologia 
(MENDONÇA; DANNI-OLIVEIRA, 2007).
A escala climática mede dimensão, ou ordem de grandeza, espacial (extensão) e 
temporal (duração), segundo a qual os fenômenos climáticos são estudados.
Análise climatológica e a climatologia geográfica10
Segundo Mendonça e Danni-Oliveira (2007), o clima pode ser estudado 
segundo sua dimensão espacial e sua dimensão temporal, sendo as duas dimen-
sões, de forma geral, empregadas conjuntamente nos mais variados estudos. As 
escalas espaciais ganham maior destaque na abordagem geográfica do clima, 
destacando-se as escalas macroclimáticas, mesoclimáticas e microclimáticas. 
O Quadro 1 apresenta um pequeno resumo de cada um destes tipos de escala.
 Fonte: Adaptado de Mendonça e Danni-Oliveira (2007).
Ordem de 
Grandeza
Escala 
horizontal
Escala 
vertical
Temporalidade 
das variações 
mais 
representativas
Exemplificação 
espacial
Macroclima 2.000 km 3 a 12 km Algumas 
semanas a vários 
decênios
O globo, um 
hemisfério, 
oceano, 
continente, 
mares, etc.
Mesoclima 2.000 km 
a 10 km
12 km 
a 100 
metros
De várias horas 
a alguns dias
Região natural, 
montanha, 
região 
metropolitana, 
cidade, etc.
Microclima 10 km a 
alguns 
metros
Abaixo 
de 100 
metros
De minutos 
a um dia
Bosque, uma rua, 
uma edificação/
casa, etc.
 Quadro 1. Organização das escalas espacial e temporal do clima 
Os fenômenos geográficos são processos naturais, intensificados pela ação 
humana, e assim, acabam alterando o clima. Logo, a climatologia geográfica 
visa estudar e compreender estes fenômenos geográficos. Alguns dos principais 
fenômenos geográficos relacionados ao clima são: inversão térmica, efeito 
estufa (aquecimento global), ilhas de calor e chuva ácida.
A inversão térmica é um fenômeno que acontece naturalmente em vá-
rios lugares da Terra. Nas grandes cidades, porém, contribui para agravar 
o problema da poluição. Dela resulta a impossibilidade do ar frio se elevar. 
Retido nas camadas mais baixas da atmosfera, impede que o ar relativamente 
mais quente desça. Assim, os poluentes ficam próximos do solo (ALMEIDA; 
RIGOLIN, 2002).
11Análise climatológica e a climatologia geográfica
O efeito estufa é um mecanismo natural e necessário do planeta Terra, responsável por 
deixar a temperatura numa média de 15ºC no globo terrestre, ideal para o equilíbrio 
de grande parte das formas de vida no planeta.
O efeito estufa é um fenômeno natural e extremamente importante para 
a manutenção da vida na Terra. Antes da Revolução Industrial, havia um 
equilíbrio de emissão e absorção dos gases de efeito estufa no planeta, em 
que o fluxo de entrada destes gases para a atmosfera era igual ao de saída 
(biossíntese), estabilizando a temperatura terrestre (ALMEIDA, 2007). A 
elevada utilização de combustíveis fósseis, os desmatamentos e as queima-
das, no entanto, provocaram um desequilíbrio nesse ciclo e o consequente 
aquecimento global.
Os gases emitidos na atmosfera capturam parte da radiação infravermelha 
que a Terra devolve para o espaço, aumentando a temperatura atmosférica. O 
gás de efeito estufa de maior importância é o dióxido de carbono, principal 
composto resultante da combustão de combustíveis. Quando presente em 
grandes quantidades, o gás carbônico, juntamente com outros poluentes, 
acaba formando uma camada de poluentes mais espessa, o que dificulta a 
saída de calor para o espaço (Figura 4). Com esta camada de poluentes, o 
calor fica retido na Terra, provocando um aumento na temperatura média do 
globo (MOREIRA, 2012).
Análise climatológica e a climatologia geográfica12
Figura 4. O efeito estufa ocasiona aumento da temperatura terrestre.
Fonte: Adaptada de Designua/Shutterstock.com.
Atm
osfera
Muitas vezes, a temperatura da região central das grandes cidades é dife-
rente da temperatura dos bairros mais afastados. As médias térmicas são bem 
mais altas nas áreas centrais do que na periferia ou zona rural. Isso acontece 
em virtude da grande concentração de prédios, que impedem a circulação 
do ar. O asfalto, a falta de áreas verdes e a concentração de veículos também 
contribuem para esse aumento da temperatura. Essas áreas são denominadas 
de ilhas de calor.
A água da chuva é normalmente ácida. Mas a presença de poluentes no ar 
atmosférico (ácido sulfúrico, ácido clorídrico, trióxido de enxofre, dióxido de 
nitrogênio) torna a água da chuva ainda mais ácida. As regiões desenvolvidas 
do Hemisfério Norte, com muitas indústrias, grandes cidades e, consequen-
temente, grandes emissões de poluentes, são as mais afetadas pela chuva 
ácida. Dentre as consequências, tem-se a mortandade da vegetação (devido ao 
aumento de acidez do solo), mortandade de animais (principalmente peixes, 
pois a água fica mais ácida), além de prejuízos econômicos, como corrosão 
de obras civis (estátuas, prédios, etc.).
O aquecimento global está vinculado ao efeito estufa, e, como o próprio 
nome já indica, é o aumento da temperatura do planeta, causado pelo intenso 
acúmulo de gases poluentes na atmosfera. Diversos são os gases lançados na 
13Análise climatológica e a climatologia geográfica
atmosfera, entre eles dióxido de carbono, o metano, os clorofluorcarbonos 
(CFCs) e o óxido nitroso. Estes gases formam uma camada que funciona como 
uma espécie de cobertor em torno da Terra, impedindo que a radiação solar, 
refletida pela superfície terrestre em forma de calor, se dissipe no espaço.
O aquecimento global é o responsável pelo contínuo derretimento das 
calotas polares, aumentando o nível do mar, principalmente em regiões equa-
toriais. O Ártico e a Antártica são considerados o termômetro das alterações 
ocorridas no clima. As baixas temperaturas dos polos ajudam a manter o clima 
global ameno, alimentando as correntes marítimas, resfriando as massas de 
ar e devolvendo ao espaço a maior parte da energia solar que recebem. As 
alterações nos ambientes polares podem quebrar o equilíbrio do planeta, 
acentuando manifestações climáticas extensas, como tempestades, ondas de 
calor e secas (BARRY; CHORLEY, 2013).
Todas estas alterações climáticas são constatadas nos climogramas: 
gráficos que representam a quantidade de chuvas e a temperatura de um 
determinado local, medidas por uma estação meteorológica durante um ano 
inteiro. Esses dados são comparados com anteriores, permitindo a observação 
de alterações climáticas na superfície terrestre. A Figura 5 apresenta um 
exemplo de climograma.
Figura 5. Temperaturas em Brasília, médias do mês de janeiro, 1963 a 2017.
Fonte: INMET ([2017], documento on-line).
19
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20
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20
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Temperaturas mínimas médias de janeiro (1963 a 2017)
18,7 18,7 18,7
18,8
18,7
18,617,4
Temperatura mínima média Média climatológica (17,4ºC)
Análise climatológica e a climatologia geográfica14
No climograma da Figura 5, vemos que a média das temperaturas aumentou 
nos últimos 54 anos. Com auxílio de tecnologias modernas (satélites, estações 
espaciais), a climatologia vem oferecendo dados e informações cada vez mais 
precisas sobre chuvas, secas, temporais, furacões e geadas, o que permite 
tomar decisões a fim de salvar vidas e evitar perdas econômicas. 
ALMEIDA, D. H. C. Mudanças climáticas: premissas e situação futura. São Paulo: LCTE 
Editora, 2007.
ALMEIDA, L. M. A.; RIGOLIN, T. B. Geografia. São Paulo: Editora Ática, 2002.
BARROS, J. R.; ZAVATTINI, J. A. Bases conceituais em climatologia geográfica. Mercator, v. 
8, n. 16, p. 255-161, 2009. Disponível em: http://www.mercator.ufc.br/mercator/article/
view/289. Acesso em: 1 jul. 2019.
BARRY, R. G.; CHORLEY, R. J. Atmosfera, tempo e clima. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.
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Análise climatológica e a climatologia geográfica16

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