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Pós-graduação em
Direito Constitucional
Aula 14 - A dupla dimensão objetiva e subjetiva, a 
multifuncionalidade e a classificação dos direitos e garantias 
fundamentais
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Aula 14 - A dupla dimensão objetiva e subjetiva, a 
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SUMÁRIO
AULA 14 ................................................................................................................................................. 3
A DUPLA DIMENSÃO OBJETIVA E SUBJETIVA, A MULTIFUNCIONALIDADE E A CLASSIFICAÇÃO DOS 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS ............................................................................................ 3
BLOCO 01 ..................................................................................................................................... 3
BLOCO 02 ..................................................................................................................................... 6
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Aula 14 - A dupla dimensão objetiva e subjetiva, a 
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AULA 14
PROFESSOR INGO SARLET
 🏳 A DUPLA DIMENSÃO OBJETIVA E SUBJETIVA, A MULTIFUNCIONALIDADE E A CLASSIFICAÇÃO 
DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
BLOCO 01
1. Dimensão Subjetiva
a) Noções introdutórias
Dimensão mais conhecida, tradicional e até mesmo originária dos direitos fundamentais. Se refere, 
basicamente, a sua condição de direitos subjetivos, ou seja, direitos oponíveis pelo titular ao seu destinatário, 
reclamando o objeto de determinado direito fundamental e sua satisfação.
Sua noção não é originária do direito público, muito menos do direito constitucional, mas foi apropriada do 
direito privado.
De todo modo, se adota um conceito comum que remete ao fato de que um direito subjetivo sempre tem 
três elementos estruturantes internos:
	Titular do direito (sujeito ativo): detentor do direito a quem a ordem jurídica atribui determinadas 
faculdades e poderes jurídicos.
	Objeto do direito.
	Destinatário (sujeito passivo): em face de quem se exercerá o direito. Pode ser tanto o Estado 
quanto um particular, ou até mesmo os dois ao mesmo tempo se as peculiaridades do caso concreto 
permitirem.
Esses três elementos, por si só, não esgotam a noção de direito subjetivo, pois este envolve um outro 
elemento que deve estar presente: a exigibilidade, ou seja, a possibilidade concreta atribuída pela ordem 
jurídica ao titular do direito para que possa buscar sua concretização, exigi-lo de fato pelas instâncias 
competentes para tanto. O titular do direito, caso seu direito não seja satisfeito, atendido ou respeitado por 
uma parte, pode recorrer sua exigibilidade pela via judiciária.
A existência de um direito subjetivo sempre pressupõe uma norma de direito objetivo que reconheça esse 
direito a alguém, a um determinado titular.
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Na sua condição de direitos subjetivos1, os direitos fundamentais podem ser classificados conforme a 
sua função exercida na arquitetura constitucional e também conforme o seu objeto (um dos elementos 
estruturantes), ou seja, aquilo que é protegido por um determinado direito fundamental.
b) A teoria dos quatro status de Jellinek
Do ponto de vista histórico, na evolução da compreensão atual do funcionamento dos direitos fundamentais 
e quais suas tipologias enquanto direitos subjetivos, é possível recuperar diversas concepções a seu respeito, 
sendo que há um grande número de elementos comuns e um certo nível de consenso entre elas.
Uma das principais, se não a principal, teorização sobre o tema supramencionado, ainda não se tratando 
na época de direitos fundamentais no sentido atual do termo, é a concepção desenvolvida por um jurista 
e publicista alemão, Georg Jellinek (1851 – 1911), que escreveu a obra “Sistema dos Direitos Subjetivos 
Públicos”.
Nessa obra, Jellinek propõe a “teoria dos quatro status” dos quais se situam e operam os direitos fundamentais, 
que na época eram chamados de direitos subjetivos públicos a partir de uma visão sob a égide do direito 
administrativo alemão, especialmente a partir da segunda metade do século XIX.
O cidadão se encontrava em face do poder estatal no regime de estatutos, sendo que esse regime era 
demarcado por um status subjectionis (submissão) onde o cidadão era subordinado ao ius imperium, ao 
poder e à autoridade do Estado.
Nessa condição/status não se falava em direitos subjetivos do cidadão, mas um status marcado pelo 
reconhecimento de direitos subjetivos em face do Estado chamado de status libertatis ou status negativus, 
se tratando de direitos de liberdade de caráter negativo, ou seja, direitos à abstenções por parte do Poder 
Público na intervenção de determinados bens jurídicos dos cidadãos protegidos por esses direitos e 
especialmente de suas liberdades públicas.
O status activus trata dos direitos à cidadania e o status positivus se refere aos direitos às prestações estatais, 
também conhecido como direitos positivos.
Portanto, tratam-se de um status de sujeição (subjectionis) e três status (libertatis/negativus, activus e 
positivus) marcados por direitos e funções diferenciadas.
Se referem a uma teoria prevista para o direito público alemão na segunda metade do século XIX, mas 
também permanece atual, pois ao analisar as classificações modernas de direitos fundamentais quanto a 
suas condições de direitos subjetivos e as funções exercidas por esses direitos na ordem constitucional, 
verifica-se que essas classificações, de algum modo, gravitam em torno da proposta inicial de Jellinek.2
1 Direitos e posições jurídicas exigíveis por alguém em face de outrem.
2 Ainda assim, os direitos fundamentais não são mais apenas direitos subjetivos públicos no sentido de que o destinatário 
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2. Classificação
Como já mencionado, podem ser encontradas classificações que praticamente incorporaram a teoria de 
Jellinek e a adequaram ao constitucionalismo contemporâneo, como a classificação do professor português 
José Carlos Vieira de Andrade em sua obra “Direitos Fundamentais na Constituição portuguesa de 1976” 
onde trata desse tema.
Outras classificações, de algum modo, extraem elementos que dialogam e sintonizam com a classificação de 
Jellinek.
A classificação que o Professor Ingo Sarlet particularmente adota é fundada justamente na multifuncionalidade 
e na diferenciação entre o objeto desses direitos fundamentais enquanto direitos subjetivos, com a divisão 
dos direitos fundamentais em direitos negativos (direitos de defesa, segundo os alemães) e direitos 
positivos3 (direitos de prestação, também segundo os alemães), sendo que tal divisão já foi incorporada 
em grande medida, inclusive no ponto de vista terminológico, no direito constitucional e na jurisprudência 
constitucional brasileira.
No mundo anglo-americano, utiliza-se os termos positive rights e negative rights. No direito continental 
europeu se tem preferido falar em direito de prestações positivas e direitos de defesa.
3. Multifuncionalidade
Deve-se ter em mente que no direito constitucional que normas não se confundem com os textos 
constitucionais ou mesmo legais que as preveem, mas são sempre o resultado da interpretação de 
determinados textos.4
Outro aspecto importante é que, ao se falar em um direito fundamental utilizando formulações do juristaalemão Robert Alexy, normalmente se fala que um direito fundamental é inicialmente a partir de um 
sentido amplo, como um todo. Isso se decodifica em diversas posições jurídicas subjetivas e também em 
diversas decorrências de sua dimensão objetiva e que, portanto, há de se ter cautela, pois cada uma dessas 
manifestações particulares têm o seu próprio objeto, podendo ser um direito negativo ou direito prestacional.
Por exemplo, em relação ao direito à saúde, a CF/1988 apenas a menciona genericamente como um dos 
direitos sociais básicos, assim como todos os outros direitos previstos no artigo 06º. Não há qualquer tipo de 
densificação/especificação do objeto ou alcance desses direitos enunciados.
dos direitos é sempre o Estado, mas há também direitos fundamentais cujo destinatário possa ser particular (pessoas físicas ou 
jurídicas). Como exemplo, temos os direitos dos trabalhadores.
3 O direito positivo (prestacional) pode ser subdivido em dois grupos, conforme será demonstrado ao final do segundo bloco da 
aula.
4 Ainda considerando que existem normas sem texto correspondente, como o princípio da proporcionalidade, direito ao mínimo 
existencial, direito à proteção de dados, etc, bem como há textos sem norma, como o preâmbulo da CF/1988.
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Ao mesmo tempo, sabemos que constam em outras partes da Constituição, especialmente no Título da 
Ordem Social, vários desses direitos são melhores densificados por um conjunto de regras e princípios 
constitucionais. No caso do exemplo dado, o direito à saúde é previsto nos artigos 196 e seguintes.
Nesses artigos são encontradas outras manifestações e dimensões do mesmo direito à saúde inicialmente 
previsto no artigo 06º: a saúde é um direito de todos, de caráter universal; acesso universal e igualitário aos 
bens e serviços de saúde; deveres do Estado de implementação desse direito por meio de políticas públicas; 
institui o SUS como garantia institucional; etc.
Dessa forma, se denota tanto uma dimensão negativa do direito à saúde (o titular não pode ter sua saúde 
afetada ou violada pelo Estado ou por terceiros) quanto uma dimensão positiva (direito a atendimento 
médico/hospitalar, medicamentos, procedimentos, etc).
O direito à saúde, portanto, engloba todas as dimensões por ser um direito negativo e positivo ao mesmo 
tempo, assim como outros direitos fundamentais que não são direitos sociais, como a liberdade de 
comunicação e expressão, de forma que o Estado não pode intervir na possibilidade de manifestação (direito 
negativo) ao mesmo tempo que deve garantir as condições mínimas ao exercício desse direito (direito 
positivo).
Conclui-se que as dimensões positivas e negativas estão presentes em todos direitos fundamentais.5 
Todo direito fundamental, em maior ou menor medida, também na sua condição de direito subjetivo, se 
decodifica em várias posições subjetivas que têm objetos distintos entre si.
BLOCO 02
4. Dimensão Objetiva
a) Noções Introdutórias
É um tema bastante teórico, mas ainda assim de alta repercussão prática, estando completamente 
incorporado ao discurso constitucional, tanto da doutrina quanto da jurisprudência do STF.
É um produto de exportação jurídica da Alemanha, especialmente no segundo pós-guerra. Se trata de 
uma concepção ainda criticada no país, mas já foi afirmada ao longo do tempo e assumida, com algumas 
particularidades, em vários Tribunais constitucionais pelo mundo.
Importante ressaltar que, embora estejam vinculados entre si, a dimensão objetiva não se confunde com 
direito objetivo, cujas normas veiculam princípios e regras.
Dimensão objetiva é a ideia de que os direitos fundamentais, para além de sua condição tradicional de 
5 Nos casos concretos, a depender de suas peculiaridades, uma dessas dimensões (negativa ou positiva) será preponderante a 
outra, mas não de forma que a exclua.
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direitos subjetivos, também representam e expressam valores da ordem jurídica como um todo.
Por exemplo, tem-se o direito à propriedade. É um direito clássico liberal, constante na maioria das 
Constituições do mundo e nos principais tratados/convenções internacionais de direitos humanos. Em 
primeira linha, é um direito individual (subjetivo) oponível ao Estado e aos particulares.
Todavia, há de se saber porque a propriedade é protegida mediante o reconhecimento de direitos e garantias 
fundamentais. Isso se dá porque a propriedade, como tal, é um valor central6 de uma ordem política, 
econômica e social e, portanto, jurídica e capitalista.
Verifica-se que, ao se falar em dimensão objetiva, se fala que os direitos fundamentais, afinal, além de 
sua condição de direitos individuais, possuem valores centrais para a ordem jurídica que são veiculados 
via princípios e regras constitucionais que então reconhecem, entre outras categorias de normas, também 
direitos e garantias fundamentais.
Portanto, a dimensão objetiva vai além da dimensão subjetiva (individual), é uma dimensão transindividual.
Por si só, não gerou e nem trouxe maior significado e valor agregado à teoria e prática dos direitos e garantias 
fundamentais.
Seu maior destaque foi quando o Tribunal Constitucional Federal alemão agregou a essa dimensão 
algumas importantes consequências jurídicas que acabaram servindo para dar maior proteção aos direitos 
fundamentais, não na condição de direito subjetivo, embora tenha reflexos nesse, mas com uma parte 
autônoma que reflete na dimensão objetiva.
Esse ganho de proteção e normatividade dos direitos fundamentais via dimensão objetiva foi chamado por 
Vieira Andrade como uma espécie de “mais-valia jurídica” dos direitos fundamentais no sentido de um valor 
agregado no ponto de vista jurídico normativo.
b) Desdobramentos
Foram extraídas algumas consequências, categorias ou institutos a partir da dimensão objetiva dos direitos 
fundamentais:
	Eficácia irradiante dos direitos fundamentais: via direito objetivo (princípios e regras), os valores 
subjacentes devem irradiar por todas as áreas do direito. Como consequência, na década de 
1950/1960, todo o ordenamento jurídico deveria ser interpretado e aplicado sempre em conformidade 
com os direitos fundamentais e seus valores subjacentes expressos e manifestados pela dimensão 
objetiva. A constitucionalização da ordem jurídica, com origem na Alemanha, se dá a partir desse 
efeito irradiante extraído da dimensão objetiva dos direitos fundamentais.
6 Da mesma forma que a liberdade, assim como algumas liberdades especiais como a de manifestação. Reunião, associação, etc. 
Ou também a dignidade da pessoa humana.
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Ainda existem críticas que afirmam que a dimensão objetiva e suas consequências passaram a 
aumentar a possibilidade de intervenção do Poder Judiciário em relação de políticas públicas e outros 
fatores estatais dos outros Poderes.
Atualmente, diante da dominância dessa noção, não se questiona mais a constitucionalização da 
ordem jurídica, apenas sua limitação e assim por diante.
	Deveres de proteção estatais: os direitos fundamentais, além de serem direitos subjetivos, implicam, 
do ponto de vista objetivo, deveres de proteção que vinculam o Estado. Por serem deveres, não se 
tratam de direitos subjetivos, mas possuem um aspecto objetivo que se aplicam ao Estado.
Pode-se questionar que o dever do Estado em proteger os direitos fundamentais é uma questão 
óbvia. Entretanto, não era tão óbvio anteriormente e ainda segue não sendo.Essa ideia de dever 
de proteção surgiu a partir, principalmente, das décadas de 1960/1970 com decisões do Tribunal 
Constitucional Federal da Alemanha. Tanto é que, atualmente, no plano de direito internacional de 
direitos humanos, o dever de proteção ainda é uma das obrigações do Estado, junto com respeito e 
a efetivação, o que se reproduz no direito interno pelas Constituições.
Em algumas ordens constitucionais, inclusive, levou bastante tempo para ser incorporada a ideia 
de que esses deveres de proteção de direitos fundamentais são vinculantes e, consequentemente, 
podem ser cobrados do Estado, o que também influencia na própria dimensão subjetiva dos direitos 
fundamentais.
Portanto, é a partir dos deveres de proteção em sua reflexão objetiva que se passou a também 
sustentar a existência de direitos subjetivos à proteção de direitos fundamentais por parte do Estado.
	Sanção do Estado em função do não atendimento dos seus deveres de proteção: existem duas 
formas em que o Estado não cumpre com seus deveres de proteção. A primeira é a omissão, momento 
em que o Estado nada faz para cumprir seu dever de proteção de um direito fundamental, enquanto 
a segunda é fazer algo insuficiente, que não dê conta e não satisfaça o dever de proteção.
Ambas situações podem ser controladas pelo Poder Judiciário em relação ao Poder Legislativo e ao 
Poder Executivo, e até mesmo ao próprio Poder Judiciário.7
	Proibição de proteção insuficiente: é dessa dimensão protecional dos direitos fundamentais que 
vem a categoria de “proibição de proteção insuficiente”, ou seja, o Estado não pode ficar aquém 
ou ausente no nível de proteção de direitos fundamentais. É uma categoria já incorporada pela 
jurisprudência do STF e utilizada em vários tipos de ações judiciais ligadas aos direitos à vida, à 
educação, à saúde, ao meio ambiente, etc.
Pode ser considerada uma espécie de dupla face/dimensão do princípio da proporcionalidade, que 
7 A um juiz ou um tribunal que não cumprir com seu dever de proteção também poderá caber um recurso para que um Tribunal 
Superior ou o Constitucional possa corrigir ou reformar decisões de instâncias inferiores por não cumprirem de forma adequada 
o dever de proteção que também incumbe ao Poder Judiciário.
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envolve, em primeira linha, a clássica proibição de excesso de intervenção e, por outro lado, está a 
proibição de proteção insuficiente.
	Direitos à organização e procedimento e direitos à participação na organização e procedimento: 
um dos principais meios pelo qual o Estado exerce seu dever de proteção é a criação de instituições, 
órgãos ou organizações responsáveis pela efetivação de direitos e mediante estabelecimento de 
procedimentos de técnicas processuais adequadas à proteção de direitos.
O SUS, por exemplo, é um órgão criado pelo Estado para efetivação do direito à proteção e promoção 
da saúde. O CONAMA é um órgão responsável pela regulação de matéria ambiental e um dos maiores 
responsáveis por uma normativa infralegal de proteção ao meio ambiente. Conselhos de Defesa 
do Consumidor e Conselhos Tutelares são outros exemplos de órgãos criados que podem ter sido 
criados pela própria Constituição ou por lei específica que estão envolvidos na proteção e promoção 
de direitos fundamentais da mais diversa natureza.
A extinção ou esvaziamento de um desses órgãos pode levar a déficits ou níveis insuficientes de 
proteção de determinado direito fundamental.
Por fim, a ausência ou supressão de técnicas processuais e procedimentos adequados à proteção 
de direitos humanos também implica em um grande déficit ou quase anulação da possibilidade real 
processual de proteção do direito fundamental em questão.
5. Conclusão
A classificação dos direitos fundamentais, a partir das dimensões subjetiva e objetiva, que estão sempre 
interligadas em razão de uma influenciar a outra, pode-se formular uma classificação muito prestigiada de 
direitos fundamentais que envolve, como critério, a multifuncionalidade e o objeto de cada posição subjetiva 
fundamental que distingue os direitos fundamentais em direitos de defesa (negativos) e direitos à prestações 
(positivos).
Os direitos à prestações (positivos), por sua vez, se subdividem em direitos às prestações em sentido amplo 
(lato), envolvendo prestações de natureza fática e normativa que correspondem ao direitos à proteção a sua 
dimensão subjetiva, e em direitos às prestações em sentido estrito (stricto), que são os direitos sociais na 
sua dimensão de direitos a prestações materiais do Estado em termos de justiça social que se destinam à 
compensação de desigualdade fática.
Sugestões para leitura:
• FENSTERSEIFER, Tiago. SARLET, Ingo Wolfgang. O status oecologicus e o direito à participação. 2020. 
Disponível em: https://www.conjur.com.br/2020-jun-12/direitos-fundamentais-status-oecologicus-
direitos-participacao
• GUEDES, Néviton. Princípio da proibição da insuficiência deve ser aplicado aos direitos sociais. 2015. 
Disponível em: https://www.conjur.com.br/2015-jun-15/constituicao-poder-proibicao-insuficiencia-
https://www.conjur.com.br/2020-jun-12/direitos-fundamentais-status-oecologicus-direitos-participacao
https://www.conjur.com.br/2020-jun-12/direitos-fundamentais-status-oecologicus-direitos-participacao
https://www.conjur.com.br/2015-jun-15/constituicao-poder-proibicao-insuficiencia-aplicado-aos-direitos-sociais
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aplicado-aos-direitos-sociais
• SARLET, Ingo Wolfgang. Direitos fundamentais e pandemia V — o STF e o acesso à informação. 2020. 
Disponível em: https://www.conjur.com.br/2020-jul-03/direitos-fundamentais-direitos-fundamentais-
pandemia-stf-acesso-informacao
Jurisprudência STF:
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. DIREITO À SAÚDE. TRATAMENTO 
MÉDICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENTES FEDERADOS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 
REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. O tratamento médico adequado aos necessitados se insere no rol 
dos deveres do Estado, porquanto responsabilidade solidária dos entes federados. O polo passivo pode ser 
composto por qualquer um deles, isoladamente, ou conjuntamente.
(STF; RE 855178 RG/SE; Relator: Ministro Luiz Fux; Órgão Julgador: Tribunal Pleno; Data do Julgamento: 
05/03/2015; Data da Publicação: 16/03/2015). Grifo não original. Disponível em: https://jurisprudencia.stf.
jus.br/pages/search/repercussao-geral7141/false
HABEAS CORPUS. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DESMUNICIADA. (A)TIPICIDADE DA CONDUTA. 
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS PENAIS. MANDATOS CONSTITUCIONAIS DE CRIMINALIZAÇÃO 
E MODELO EXIGENTE DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS EM MATÉRIA PENAL. CRIMES DE 
PERIGO ABSTRATO EM FACE DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. LEGITIMIDADE DA CRIMINALIZAÇÃO 
DO PORTE DE ARMA DESMUNICIADA. ORDEM DENEGADA.
1. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS PENAIS. 1.1. Mandatos Constitucionais de Criminalização: 
A Constituição de 1988 contém um significativo elenco de normas que, em princípio, não outorgam direitos, 
mas que, antes, determinam a criminalização de condutas (CF, art. 5º, XLI, XLII, XLIII, XLIV; art. 7º, X; art. 227, 
§ 4º). Em todas essas normas é possível identificar um mandato de criminalização expresso, tendo em vista os 
bens e valores envolvidos. Os direitos fundamentais não podem ser considerados apenas como proibições 
de intervenção (Eingriffsverbote), expressando também um postulado de proteção (Schutzgebote). Pode-
se dizer que os direitos fundamentais expressam não apenas uma proibição do excesso (Übermassverbote), 
como também podem ser traduzidos como proibições de proteção insuficiente ou imperativos detutela 
(Untermassverbote). Os mandatos constitucionais de criminalização, portanto, impõem ao legislador, para 
o seu devido cumprimento, o dever de observância do princípio da proporcionalidade como proibição de 
excesso e como proibição de proteção insuficiente. 1.2. Modelo exigente de controle de constitucionalidade 
das leis em matéria penal, baseado em níveis de intensidade: Podem ser distinguidos 3 (três) níveis ou graus 
de intensidade do controle de constitucionalidade de leis penais, consoante as diretrizes elaboradas pela 
doutrina e jurisprudência constitucional alemã: a) controle de evidência (Evidenzkontrolle); b) controle 
de sustentabilidade ou justificabilidade (Vertretbarkeitskontrolle); c) controle material de intensidade 
(intensivierten inhaltlichen Kontrolle). O Tribunal deve sempre levar em conta que a Constituição confere ao 
legislador amplas margens de ação para eleger os bens jurídicos penais e avaliar as medidas adequadas e 
https://www.conjur.com.br/2015-jun-15/constituicao-poder-proibicao-insuficiencia-aplicado-aos-direitos-sociais
https://www.conjur.com.br/2020-jul-03/direitos-fundamentais-direitos-fundamentais-pandemia-stf-acesso-informacao
https://www.conjur.com.br/2020-jul-03/direitos-fundamentais-direitos-fundamentais-pandemia-stf-acesso-informacao
https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search/repercussao-geral7141/false
https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search/repercussao-geral7141/false
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necessárias para a efetiva proteção desses bens. Porém, uma vez que se ateste que as medidas legislativas 
adotadas transbordam os limites impostos pela Constituição – o que poderá ser verificado com base no 
princípio da proporcionalidade como proibição de excesso (Übermassverbot) e como proibição de proteção 
deficiente (Untermassverbot) –, deverá o Tribunal exercer um rígido controle sobre a atividade legislativa, 
declarando a inconstitucionalidade de leis penais transgressoras de princípios constitucionais.
2. CRIMES DE PERIGO ABSTRATO. PORTE DE ARMA. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALDIADE. A Lei 10.826/2003 
(Estatuto do Desarmamento) tipifica o porte de arma como crime de perigo abstrato. De acordo com a lei, 
constituem crimes as meras condutas de possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, 
transportar, ceder, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo. Nessa 
espécie de delito, o legislador penal não toma como pressuposto da criminalização a lesão ou o perigo de 
lesão concreta a determinado bem jurídico. Baseado em dados empíricos, o legislador seleciona grupos ou 
classes de ações que geralmente levam consigo o indesejado perigo ao bem jurídico. A criação de crimes de 
perigo abstrato não representa, por si só, comportamento inconstitucional por parte do legislador penal. A 
tipificação de condutas que geram perigo em abstrato, muitas vezes, acaba sendo a melhor alternativa ou 
a medida mais eficaz para a proteção de bens jurídico-penais supraindividuais ou de caráter coletivo, como, 
por exemplo, o meio ambiente, a saúde etc. Portanto, pode o legislador, dentro de suas amplas margens de 
avaliação e de decisão, definir quais as medidas mais adequadas e necessárias para a efetiva proteção de 
determinado bem jurídico, o que lhe permite escolher espécies de tipificação próprias de um direito penal 
preventivo. Apenas a atividade legislativa que, nessa hipótese, transborde os limites da proporcionalidade, 
poderá ser tachada de inconstitucional.
3. LEGITIMIDADE DA CRIMINALIZAÇÃO DO PORTE DE ARMA. Há, no contexto empírico legitimador da 
veiculação da norma, aparente lesividade da conduta, porquanto se tutela a segurança pública (art. 6º e 
144, CF) e indiretamente a vida, a liberdade, a integridade física e psíquica do indivíduo etc. Há inequívoco 
interesse público e social na proscrição da conduta. É que a arma de fogo, diferentemente de outros objetos 
e artefatos (faca, vidro etc.) tem, inerente à sua natureza, a característica da lesividade. A danosidade é 
intrínseca ao objeto. A questão, portanto, de possíveis injustiças pontuais, de absoluta ausência de significado 
lesivo deve ser aferida concretamente e não em linha diretiva de ilegitimidade normativa.
4. ORDEM DENEGADA.
(STF; HC 104410/RS; Relator: Ministro Gilmar Mendes; Órgão Julgador: Segunda Turma; Data do Julgamento: 
06/03/2012; Data da Publicação: 27/03/2012). Grifo não original. Disponível em: https://jurisprudencia.stf.
jus.br/pages/search/sjur206595/false
https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search/sjur206595/false
https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search/sjur206595/false
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	Bloco 01
	Bloco 02

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