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Direito Constitucional II Profa. Léia Carneiro EMENTA DOGMÁTICA GERAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS; DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS; DIREITOS SOCIAIS E A ORDEM SOCIAL; DIREITOS DA NACIONALIDADE; DIREITOS POLÍTICOS; REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS; ORGANIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO NA CONSTITUIÇÃO; ORGANIZAÇÃO DOS PODERES; PODER LEGISLATIVO E PROCESSO LEGISLATIVO. PODER EXECUTIVO. PODER JUDICIÁRIO. FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA. FORMATO AVALIATIVO 1º AVALIAÇÃO: MODELO ORAL DE PROVA. 2ª AVALIAÇÃO: RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS PRÁTICOS; 3ª AVALIAÇÃO: ELABORAÇÃO DE UMA PEÇA PROCESSUAL REFERENTE AOS REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS. O CRONOGRAMA DAS AVALIAÇÕES SERÁ DISPONIBILIZADO NA PRÓXIMA AULA. VAMOS NOS APRESENTAR? MURAL DOS SONHOS. DOGMÁTICA GERAL Os Direitos Fundamentais são, em essência, o conjunto de prerrogativas e garantias que visam assegurar ao indivíduo um mínimo existencial digno, bem como a sua participação na vida em sociedade. Eles representam conquistas históricas, fruto de lutas e evoluções sociais, e sua incorporação nas Constituições modernas reflete a primazia do ser humano no centro do sistema jurídico. Os Direitos Fundamentais possuem características que os distinguem e os tornam únicos no universo jurídico. Destacamos as seguintes: Historicidade: Não nascem prontos, são fruto de um processo evolutivo contínuo, moldado pelas experiências sociais e pelas demandas de cada época. A Revolução Francesa, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e as Constituições pós-guerras são exemplos claros dessa evolução. Inalienabilidade: Não podem ser transferidos, vendidos ou renunciados. São inerentes à pessoa humana. Irrenunciabilidade: Em regra, não se pode abrir mão deles. Embora haja discussões sobre a disponibilidade de certos direitos em situações específicas, a regra geral é a sua irrenunciabilidade. · Imprescritibilidade: Não se perdem pelo decurso do tempo. Mesmo que não sejam exercidos por longos períodos, sua titularidade permanece. · Universalidade: Destinam-se a todas as pessoas, independentemente de nacionalidade, raça, sexo, credo ou qualquer outra distinção. ·Limitabilidade (ou Relatividade): Apesar de sua importância, nenhum direito fundamental é absoluto. Podem ser limitados para harmonização com outros direitos ou com o interesse público, desde que observados os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. · Complementaridade e Interdependência: Funcionam em conjunto, de forma integrada, e muitas vezes um direito depende do outro para sua plena efetividade. Por exemplo, o direito à educação está intrinsecamente ligado ao direito à liberdade de expressão e ao desenvolvimento da personalidade. Os Direitos Fundamentais desempenham papéis cruciais em uma sociedade democrática: Função de Defesa (ou Negativa): Atuam como limites ao poder do Estado, protegendo o indivíduo contra ingerências indevidas. É a clássica ideia de direitos de liberdade, que exigem uma abstenção por parte do poder público. Função de Prestação (ou Positiva): Impõem ao Estado o dever de atuar para garantir a efetividade de certos direitos, como saúde, educação, moradia. São os direitos sociais, que demandam uma ação estatal para sua concretização. Função de Proteção: Exigem que o Estado proteja os indivíduos de violações de direitos por outros particulares. Aqui, o Estado atua como garantidor das relações sociais, assegurando que, por exemplo, um empregador respeite os direitos de um empregado. Função de Proibição de Excesso (Übermassverbot): Impede que o Estado, ao exercer sua competência legislativa ou administrativa, atue de forma desproporcional ou excessiva, violando direitos fundamentais. Função de Proibição de Insuficiência (Untermassverbot): Impede que o Estado seja omisso ou que atue de forma insuficiente na proteção dos direitos fundamentais, deixando de adotar as medidas necessárias para sua efetivação. A doutrina classicamente classifica os Direitos Fundamentais em "gerações" ou "dimensões", o que reflete a evolução histórica de sua percepção e reconhecimento: Primeira Dimensão (Direitos de Liberdade): Surgem com as revoluções liberais do século XVIII, como a Francesa e a Americana. Focam-se na proteção do indivíduo contra o Estado. Incluem direitos civis e políticos, como liberdade de expressão, de associação, de ir e vir, e o direito ao voto. · Segunda Dimensão (Direitos de Igualdade): Fruto das lutas sociais e operárias do século XIX e início do XX. Impõem ao Estado uma atuação positiva para garantir condições mínimas de existência digna. Abrangem direitos sociais, econômicos e culturais, como direito à saúde, educação, trabalho, previdência social. · Terceira Dimensão (Direitos de Fraternidade/Solidariedade): Emergentes no pós- Guerras Mundiais e com o avanço tecnológico. Dizem respeito a direitos de titularidade coletiva ou difusa. Exemplos são o direito ao meio ambiente equilibrado, à autodeterminação dos povos, à paz e ao desenvolvimento. Quarta Dimensão: Alguns autores, como o professor Norberto Bobbio, já discutem essa dimensão, que estaria ligada à globalização, à biotecnologia e à proteção de dados. No entanto, sua conceituação e abrangência ainda são objeto de debate. Um dos desafios mais complexos na aplicação da dogmática é a colisão de Direitos Fundamentais. Ocorre quando dois ou mais direitos fundamentais aparentemente entram em conflito em uma situação concreta. Pense, por exemplo, na liberdade de imprensa em contraposição ao direito à privacidade e à honra. Nesses casos, a solução não é a anulação de um direito em favor do outro, mas sim a busca por uma harmonização prática, ponderando os interesses em jogo. O Princípio da Proporcionalidade surge como ferramenta essencial para essa ponderação, orientando a aplicação de medidas que sejam adequadas, necessárias e proporcionais em sentido estrito. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em diversos julgados, tem aplicado a técnica da ponderação, buscando conciliar os direitos em aparente conflito. Um caso emblemático é a discussão sobre a biografia não autorizada, onde se ponderaram a liberdade de expressão e o direito à privacidade e à imagem. · Eficácia: Refere-se à capacidade da norma constitucional de produzir seus efeitos jurídicos e sociais, ou seja, de ser efetivamente cumprida e de gerar consequências no mundo real. Uma norma é eficaz quando ela "funciona" na prática. · Aplicabilidade: Diz respeito à possibilidade de a norma ser imediatamente invocada e utilizada para resolver um caso concreto, sem a necessidade de uma lei posterior que a detalhe ou a regule. Uma norma é aplicável quando ela pode ser usada "direto ao ponto". Eficácia e Aplicabilidade dos Direitos Fundamentais · Eficácia Plena: São as normas que já produzem todos os seus efeitos desde a promulgação da Constituição, não necessitando de regulamentação infraconstitucional. Exemplo: Art. 5º, V da CF/88 – "é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem". · Eficácia Contida: Também produzem efeitos desde a promulgação, mas podem ter sua abrangência restringida por lei posterior. Exemplo: Art. 5º, XIII da CF/88 – "é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer". · Eficácia Limitada: Não produzem todos os seus efeitos desde a promulgação, dependendo de lei posterior para sua plena efetividade. Exemplo: Art. 7º, XI da CF/88 – "participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei".