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Imprimir INTRODUÇÃO A demanda do ser humano por água em suas atividades do cotidiano é evidente. Escovar os dentes, tomar banho, cozinhar, lavar vasilhames e muitas outras ações são tarefas que realizamos todos os dias e que requerem o uso da água. Como consequência da utilização de água, há a geração de esgoto. A água é um bem essencial para a vida, mas é preciso que ela esteja dentro de padrões de qualidade ideais para seus usos preponderantes. Nesta aula estudaremos o conceito de esgoto, suas características e as soluções para os possíveis problemas gerados por sua má distribuição. Espero que você esteja motivado a aprender e aplicar esses conhecimentos no dia a dia. Vamos lá? Aula 1 DEFINIÇÕES GERAIS SOBRE TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS A demanda do ser humano por água em suas atividades do cotidiano é evidente. SISTEMA DE TRATAMENTO DE EFLUENTES Aula 1 - De�nições gerais sobre tratamento de águas residuárias Aula 2 - Sistemas de tratamento de esgotos domésticos Aula 3 - Sistemas de coleta e transporte de esgotos Aula 4 - Reúso Aula 5 - Revisão da unidade Referências 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 1/29 O QUE É ESGOTO? O esgoto sanitário, também chamado de águas residuárias, contém aproximadamente 99,9% de água. A fração restante é constituída de sólidos e está relacionada à presença de diversas impurezas, como matéria orgânica, sólidos, bactérias, vírus, produtos químicos e metais pesados. É a fração relativa ao valor restante de 0,1% que torna necessário o processo de tratamento de esgoto, na intenção de enquadrar o e�uente �nal à legislação ambiental relacionada (Von Sperling, 2014). A qualidade da água e, consequentemente, do esgoto é representada por meio dos parâmetros que indicam as características físicas, químicas e biológicas. Os principais parâmetros físicos são: cor, turbidez, temperatura. Dentre os parâmetros químicos, destacam-se: pH, alcalinidade, dureza, acidez, metais, nutrientes, oxigênio dissolvido, matéria orgânica. Por �m, como parâmetros biológicos, temos: vírus, bactérias, fungos e algas. Além disso, o esgoto pode ser chamado de águas cinzas ou águas negras. Águas cinzas referem-se às águas residuais provenientes de atividades domésticas que não contêm fezes humanas. Em geral, essa classi�cação inclui águas provenientes de pias de cozinha, chuveiros, banheiras e máquinas de lavar roupa. Essas águas normalmente apresentam menos impurezas e patógenos do que as águas negras. Águas negras, por outro lado, são as águas residuais que contêm fezes humanas e urina, juntamente com a descarga de vasos sanitários. Essas águas são consideradas mais contaminadas e podem carregar uma variedade de patógenos e microrganismos prejudiciais à saúde humana. O tratamento adequado das águas negras é crucial para evitar a disseminação de doenças. É fundamental que o esgoto gerado seja coletado e transportado de maneira apropriada. Mas qual é o percurso comum do esgoto? O esgoto gerado nas residências é coletado por meio de tubulações (instalações hidrossanitárias) e encaminhado para tratamento, que visa à remoção de impurezas. Esse tratamento pode ser descentralizado, quando ocorre próximo à fonte de geração, normalmente a partir de sistemas de tratamento unifamiliares, ou centralizado, quando envolve a coleta do esgoto da maioria das residências e seu posterior encaminhamento para uma estação de tratamento de esgoto (ETE). Em áreas urbanas, geralmente adota-se um sistema centralizado de tratamento de esgoto, no qual todo o esgoto gerado pela população é tratado em uma única ETE. No entanto, esse sistema apresenta algumas desvantagens, como a necessidade de grandes obras de engenharia, áreas amplas para sua implantação, elevados investimentos �nanceiros, rede coletora complexa e extensa, e geração de grandes volumes de lodo. Embora apresente vantagens, o sistema centralizado não está disponível para todas as residências, especialmente para aquelas situadas em áreas afastadas dos centros urbanos, como comunidades rurais, aldeias indígenas, ocupações urbanas, quilombos, locais com �uxo intermitente de pessoas, ilhas ou hotéis onde o sistema biológico de tratamento não seja viável. Nesses casos, recomenda-se optar por soluções de tratamento descentralizadas, em que o esgoto seja tratado em locais próximos ao ponto de geração. Esses sistemas são ideais para áreas rurais, assentamentos informais, territórios quilombolas ou indígenas que não possuem acesso a uma rede coletora de esgoto. Além disso, apresentam as seguintes vantagens: Requisitos de baixo consumo de energia que produzem uma área útil menor. Baixos requisitos de manutenção. Possibilidade de reúso de água. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 2/29 Reaproveitamento de subprodutos. Independentemente do sistema adotado, a �nalidade do tratamento é garantir que o e�uente tratado esteja em conformidade com os padrões normativos (legislações). Em outras palavras, após o tratamento, é necessário que o e�uente esteja de acordo com as normas estabelecidas pelas legislações em vigor para que possa ser reutilizado ou lançado em um corpo receptor. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 3/29 SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO Sistema de esgotamento sanitário (SES) é um conjunto de obras e instalações que tem o objetivo de coletar, tratar e dispor, de forma adequada, os esgotos gerados (águas residuárias), seja nas casas, na indústria ou no comércio. Logo, esse sistema é formado por tubulações que coletam o esgoto no ponto em que é produzido e o encaminham para uma estação de tratamento de esgoto. Na ETE, o esgoto é tratado para se enquadrar nos padrões de lançamento. Em seguida, é encaminhado para a destinação �nal, que geralmente é um corpo receptor. O sistema de coleta de esgoto pode ser unitário ou separador. Con�ra, a seguir, a diferença entre esses tipos: Sistema unitário: promove a coleta de águas pluviais e esgotos domésticos e industriais em um único sistema de tubulações. Vantagens: simpli�ca a infraestrutura, pois utiliza um único sistema de tubulações. Desvantagens: o custo de implantação é elevado por causa da necessidade de dimensionar as tubulações para a capacidade máxima de pico (chuvas intensas). O tratamento de esgotos combinados pode ser mais complexo e caro em função da presença de águas pluviais. Sistema separador: efetua a separação dos esgotos domésticos e industriais das águas pluviais. Ou seja, existem sistemas distintos para a coleta de águas pluviais e esgotos sanitários. Vantagens: permite um dimensionamento mais preciso das redes, pois o esgoto terá uma destinação separada das águas pluviais. Além disso, esse sistema reduz a carga nos sistemas de tratamento de esgoto, visto que as águas pluviais muitas vezes não precisam de tratamento e podem ser lançadas nos corpos receptores. Desvantagens: pode exigir uma infraestrutura mais complexa por causa da necessidade de sistemas separados para cada tipo de água (água residuárias e águas pluviais). Em áreas urbanas densas, pode ser desa�ador alocar espaço para redes separadas. Outro ponto negativo é a presença de ligações clandestinas e parasitárias, pelas quais por vezes a água da chuva é encaminhada para ETEs e o esgoto, para redes de drenagem pluvial. No Brasil, como mencionado anteriormente, o sistema separador é comumente adotado. Essa escolha pode ser in�uenciada por fatores como características geográ�cas, climáticas e demandas especí�cas de cada região. Ambos os sistemas têm suas vantagens e desvantagens, e a escolha por um deles geralmente depende das condições locais e dos recursos disponíveis para a implantaçãoDIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_AE_SNIS_2022.pdf. Acesso em: 29 jan. 2024. BRUNI, J. C. A água e a vida. Tempo Social, São Paulo, v. 5, n. 1/2, p. 53-65, 1993. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ts/article/view/84942/87671. Acesso em: 17 jan. 2024. Aula 5 BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional. Secretaria Nacional de Saneamento. Panorama do Saneamento Básico no Brasil 2021. Brasília, DF: Secretaria Nacional de Saneamento do Ministério do Desenvolvimento Regional, 2021. LISBÔA, E. G. et al. Aplicação de um modelo multicriterial para auxiliar a seleção de tecnologias de tratamento de águas residuais em zonas urbanas. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n. 4, p. 20739–20768, abr. 2020. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/9129/7739. Acesso em: 17 jan. 2024. REIS, R. C. de C.; MACHADO, A. V. M.; OLIVEIRA, P. A. D. de. Aplicação do processo hierárquico analítico como auxílio na tomada de decisão para escolha do sistema de esgotamento sanitário em comunidade de pequeno porte. In: SEVEN PUBLICAÇÕES ACADÊMICAS. Tecnologias e suas abordagens. São José dos Pinhais, PR: Seven Events, 2023. Disponível em: https://sevenpublicacoes.com.br/index.php/editora/article/view/1251. Acesso em: 18 dez. 2023. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 29/29 https://storyset.com/ https://www.shutterstock.com/pt/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm#:~:text=%E2%80%9CEstabelece%20as%20diretrizes%20nacionais%20para,11%20de%20maio%20de%201978.%E2%80%9D https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm#:~:text=%E2%80%9CEstabelece%20as%20diretrizes%20nacionais%20para,11%20de%20maio%20de%201978.%E2%80%9D https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm#:~:text=%E2%80%9CEstabelece%20as%20diretrizes%20nacionais%20para,11%20de%20maio%20de%201978.%E2%80%9D https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/Arquivos_PDF/Snis/AGUA_E_ESGOTO/REPUBLICACAO_DIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_AE_SNIS_2022.pdf https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/Arquivos_PDF/Snis/AGUA_E_ESGOTO/REPUBLICACAO_DIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_AE_SNIS_2022.pdf http://www.aquapolo.com.br/ https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/Arquivos_PDF/Snis/AGUA_E_ESGOTO/REPUBLICACAO_DIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_AE_SNIS_2022.pdf https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/Arquivos_PDF/Snis/AGUA_E_ESGOTO/REPUBLICACAO_DIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_AE_SNIS_2022.pdf https://www.revistas.usp.br/ts/article/view/84942/87671 https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/9129/7739 https://sevenpublicacoes.com.br/index.php/editora/article/view/1251e manutenção do sistema de esgoto. A seguir, apresentam-se as estruturas que compõem o sistema de esgotamento sanitário (SES): Ligação domiciliar: são as instalações que coletam o esgoto nas residências e o encaminham para a rede pública. Cabe ao morador fazer essas instalações de forma adequada. Rede coletora: é a rede pública responsável por coletar os esgotos gerados em domicílios, comércio ou indústria e encaminhá-los para a ETE. A rede coletora é constituída de coletores-tronco, que recebem esgotos de diversas redes, e interceptores, que são tubulações responsáveis por receber o esgoto dos coletores-tronco. Estação elevatória: o esgoto é transportado por gravidade, por isso a rede coletora tem uma inclinação. Contudo, com o aumento das distâncias de transporte, as tubulações podem �car cada vez mais profundas. Por essa razão, são instalados, ao longo da rede, bombas e acessórios que transportam o esgoto de um ponto mais baixo para um ponto mais elevado. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 4/29 Linha de recalque: tubulação instalada após a estação elevatória. Estação de tratamento de esgoto (ETE): unidade que trata o esgoto. Emissário: tubulação que transporta o esgoto tratado até o corpo receptor. No Brasil, diversas normas e leis direcionam a coleta, o tratamento e a disposição dos e�uentes. As principais normas e legislações estão elencadas a seguir: NBR 8160 – Sistemas prediais de esgoto sanitário: traz orientações quanto ao projeto de instalação predial de esgoto sanitário. Ou seja, refere-se a todas as tubulações e acessórios que coletam o esgoto nas residências e o transportam até a rede coletora. NBR 9814 – Execução de rede coletora de esgoto sanitário: apresenta orientações relativas à execução da rede pública de esgoto, ou seja, aquela que coleta o esgoto nas residências e o encaminha até a ETE. NBR 12209 – Elaboração de projetos hidráulico-sanitários de estações de tratamento de esgotos sanitários: apresenta as recomendações para projetos de ETE. Além disso, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) elabora legislações com o objetivo de regular o lançamento de e�uentes em corpos hídricos. CASE: UMA APLICAÇÃO PRÁTICA Além das normas mencionadas no bloco de estudos anterior, podemos destacar as resoluções veiculadas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que tem a função de estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade do meio ambiente, inclusive dos recursos hídricos. Dentre as várias legislações publicadas por esse órgão, destacam-se as Resoluções nº 357 e 430. A Resolução Conama nº 357 estabelece a classi�cação de corpos d’água e os padrões de qualidade ambiental para recursos hídricos no Brasil. Também fornece diretrizes para o gerenciamento da qualidade da água, incluindo critérios e padrões para diversos poluentes em diferentes corpos d’água. Já a Conama nº 430 dispõe sobre condições, parâmetros, padrões e diretrizes para a gestão do lançamento de e�uentes em corpos de água receptores. Vale destacar que cada Estado pode ter suas próprias legislações relativas ao padrão de lançamento, as quais tendem a ser mais restritivas do que os padrões nacionais. Vamos analisar um caso real de aplicação prática da Resolução Conama nº 430. A ETE de uma cidade recebe regularmente esgoto com as características apresentadas na Tabela 1, a seguir. Tabela 1 | Concentrações médias recebidas na ETE Parâmetros Concentração média Demanda bioquímica de oxigênio (DBO) 400 mg/L Sólidos sedimentáveis (SSed) 4 ml/L pH 6 Fonte: elaborada pela autora. Após passar pelo tratamento, o esgoto exibe as características apresentadas na Tabela 2. Tabela 2 | Concentrações médias recebidas na ETE após tratamento 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 5/29 Parâmetros Concentração média Demanda bioquímica de oxigênio (DBO) 90 mg/L Sólidos sedimentáveis (SSed) 2 ml/L pH 7 Fonte: elaborada pela autora. Analisando os resultados, você acha que o esgoto pode ser lançado? Consulte a Resolução Conama nº 430 antes de responder. A Tabela 3, a seguir, apresenta as condições e os padrões para lançamento de e�uentes com base na Resolução Conama nº 430. Tabela 3 | Concentrações médias recebidas na ETE, segundo a Resolução Conama nº 430 Parâmetros Concentração média Padrão Conama nº 430 Demanda bioquímica de oxigênio (DBO) 90 mg/L 120 mg/L Sólidos sedimentáveis (SSed) 2 ml/L 1 ml/L pH 7 5 - 9 Fonte: elaborada pela autora. Logo, apesar de os parâmetros DBO e pH estarem dentro do limite permitido, a concentração de SSed não atingiu o limite mínimo requerido. Por essa razão, o e�uente não pode ser lançado, e, em caso de desobediência a essa proibição, a ETE pode receber uma multa. VIDEO RESUMO No vídeo a seguir você terá a oportunidade de relembrar o caminho percorrido pelo esgoto, analisando desde sua geração nas residências até o seu transporte e tratamento. Além disso, você observará, na prática, a importância de tratar o esgoto antes de lançá-lo no corpo receptor. Espero que este vídeo seja uma excelente oportunidade para que você perceba como esses elementos estão interligados. Aproveite essa experiência de aprendizagem! Saiba mais Conhecer os parâmetros de lançamento de e�uentes é muito importante. Para aprofundar seu entendimento sobre esse assunto, acesse a Resolução Conama nº 430 a seguir e �que por dentro de todos os parâmetros exigidos. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições de lançamento de e�uentes, complementa e altera a resolução nº 357 de 17 de março de 2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama. Diário O�cial da União, Brasília, DF: 16 maio 2011. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 6/29 http://conama.mma.gov.br/?option=com_sisconama&task=arquivo.download&id=627 INTRODUÇÃO Na aula anterior, você aprendeu a de�nição correta de esgoto e conheceu todos os elementos que transportam o esgoto do ponto em que ele é gerado até a estação de tratamento (ETE). Mas o que acontece na ETE? Quais poluentes são removidos? Toda ETE é igual? Nesta etapa de aprendizagem, vamos entender todos os processos que ocorrem em uma ETE. Além disso, descobriremos que as ETEs não são iguais, pois dependem do clima e relevo da região, da quantidade de área disponível, dos recursos �nanceiros, do tamanho da população, dos hábitos das pessoas que integram a comunidade ao redor, entre outros fatores. Espero que você esteja motivado a aprender e aplicar esses conhecimentos no dia a dia. Vamos lá? ETAPAS DO TRATAMENTO DE ESGOTO O esgoto coletado é encaminhado para a estação de tratamento de esgoto (ETE). Na ETE, o esgoto passa por processos físicos, químicos e/ou biológicos, os quais têm o objetivo de remover as impurezas do e�uente. Tais processos são conhecidos como tratamento preliminar, primário, secundário e terciário. Con�ra, a seguir, as principais características de cada um deles: Tratamento preliminar (TP): tem o objetivo de remover sólidos grosseiros do esgoto, como lixo e areia. É composto tipicamente por grades, que retêm o lixo, e por desarenadores, que retêm areia. Além disso, é comum que nessa etapa aconteça a medição de vazão. O tratamento preliminar consiste em uma etapa física de remoção na qual não há retirada de matéria orgânica ou de patógenos. Contudo, o TP é obrigatório em todas as ETEs, pois a remoção de sólidos grosseiros protege as etapas subsequentes e evita o entupimento das tubulações. Tratamento primário: fase na qual ocorre, basicamente, a remoção de sólidos sedimentáveis e, por consequência, de uma pequena parcela de matériaorgânica. É uma etapa física de remoção de poluentes, a qual não é obrigatória em todas as ETEs. Tratamento secundário: é comumente chamado de tratamento biológico, pois usa bactérias em seu processo. No tratamento secundário ocorre a remoção de matéria orgânica e, eventualmente, de nutrientes e patógenos. Além disso, esse tratamento pode acontecer por bateladas. Tratamento terciário: promove a remoção de poluentes especí�cos que não foram excluídos no tratamento secundário, como nutrientes e patógenos. No Brasil, tipicamente as ETEs são dotadas de tratamento preliminar seguido de um ou dois sistemas de tratamento secundário. O tratamento primário pode ou não ser usado antes do tratamento secundário. Já o tratamento terciário, que deve vir após o tratamento secundário, ainda é pouco usado no Brasil. Aula 2 SISTEMAS DE TRATAMENTO DE ESGOTOS DOMÉSTICOS Na aula anterior, você aprendeu a de�nição correta de esgoto e conheceu todos os elementos que transportam o esgoto do ponto em que ele é gerado até a estação de tratamento (ETE). 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 7/29 O tratamento secundário ou tratamento biológico usa a atividade de bactérias para a estabilização da matéria orgânica, de modo que o tratamento anaeróbio utiliza bactérias anaeróbias, ou seja, que não usam oxigênio. O tratamento aeróbio, por sua vez, usa bactérias aeróbias, ou seja, que usam oxigênio. Uma síntese dos níveis de tratamento será apresentada na Tabela 1, a seguir. Tabela 1 | Níveis de tratamento do esgoto sanitário e principais características associadas Aspecto Níveis do tratamento Preliminar Primário Secundário Terciário Contaminante removido Areia e sólidos grosseiros. DBO particulada e sólidos sedimentáveis. DBO solúvel, DBO particulada e sólidos não sedimentáveis. Carga orgânica ou sólidos adicionais, nutrientes e patógenos. E�ciências de remoção - Coliformes: 30- 40% SST: 60-70% DBO: 25-40% Coliformes: 60-99% SST: 65-95% DBO: 60-99% Variável. Depende do processo e do contaminante. Mecanismo de tratamento predominante Físico Físico Biológico Físico, químico ou biológico. Cumprimento dos padrões usuais de lançamento Não Não Normalmente sim Usualmente sim Aplicação No início de toda ETE. Estágio intermediário de um tratamento mais completo. Tratamento parcial. Tratamento mais completo (para matéria orgânica). Reúso de água em atividades que requerem maior qualidade. Cumprimento com padrões de lançamento de microrganismos, N e P. Nota: DBO – Demanda bioquímica de oxigênio; SST – Sólidos suspensos totais; N – Nitrogênio; P – Fósforo. Fonte: adaptada de Von Sperling (2014). TECNOLOGIAS DE TRATAMENTO DE ESGOTO Diversas alternativas de tratamento de esgoto são consolidadas no Brasil. Na Tabela 2, a seguir, encontra-se uma síntese dos principais sistemas usados no país. Tabela 2 | Principais sistemas de tratamento usados no Brasil Processo Tecnologia Descrição Observação 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 8/29 Tratamento primário Decantador primário Tanques de decantação, nos quais ocorre a remoção de sólidos via sedimentação. - Tratamento primário Tanques sépticos - Geralmente usados para pequenas populações. Tratamento secundário Lagoa de estabilização e variantes Grandes tanques escavados no solo, com taludes e fundos impermeabilizados. Esgoto bruto é tratado por processos naturais envolvendo algas e bactérias. Podem ser aeróbias, anaeróbias ou facultativas. Tratamento secundário Disposição do e�uente no solo Aplicação do e�uente no solo, geralmente logo após outro tratamento secundário. Sistema aeróbio. Tratamento secundário Sistemas alagados construídos (wetlands) Consiste em áreas inundadas com vegetação adaptada. Sistema aeróbio. Tratamento secundário Reator anaeróbio de manta de lodo (UASB) - Sistema anaeróbio. Tratamento secundário Filtro biológico percolador (FBP) Amplamente aplicado como etapa de pós-tratamento de e�uentes de reatores UASB, visando à remoção complementar de matéria orgânica e, a depender das cargas orgânicas aplicadas, de nitrogênio amoniacal. Sistema aeróbio. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 9/29 Tratamento secundário Lodos ativados Elevada qualidade do e�uente e baixo requisito de área. Complexidade operacional, nível de mecanização e consumo energético. Estabilização da matéria orgânica por microrganismos aeróbios. Existe a possibilidade de uso em batelada. Sistema aeróbio. Fonte: adaptada de Von Sperling (2014). Vale ressaltar que as lagoas dependem de um rigoroso projeto e acompanhamento geotécnico. São usualmente aplicáveis para cidades de pequeno e médio portes, em função da limitação de área. Também são viáveis para países em desenvolvimento com climas favoráveis em termos de temperatura e insolação. Algumas con�gurações das lagoas de estabilização são: Lagoas facultativas. Lagoas anaeróbias. Lagoas de alta taxa. Lagoas de maturação. Lagoas de polimento. Sobre a aplicação no solo, essa tecnologia pode ser considerada uma forma de disposição �nal, de tratamento ou ambas as alternativas. Um poluente no solo tem basicamente quatro possíveis destinos, como a�rma Von Sperling (2014): Retenção na matriz do solo. Retenção pelas plantas. Aparecimento na água subterrânea. Coleta por drenos subsuper�ciais. Atenção: é necessário considerar os riscos sanitários e ambientais da alternativa adotada. A aplicação inadequada poderá afetar o solo, a água subterrânea, as águas super�ciais e trazer problemas à população exposta. Em relação aos reatores UASB, vale destacar que correspondem à tecnologia de tratamento de esgoto mais utilizada no Brasil (unidades únicas ou seguidas de pós-tratamento), pois trata-se de um sistema aplicável em comunidades de todos os portes. A concentração elevada de biomassa possibilita a redução do volume requerido para os reatores, além de uma menor geração de lodo, o qual, por sua vez, é estabilizado no próprio reator, não necessitando de tratamento em etapas futuras. Por causa da estabilização anaeróbia da matéria orgânica, ocorre a produção de biogás, que pode ser aproveitado como energia. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 10/29 Nos �ltros biológicos percoladores, a biomassa cresce aderida a um meio suporte, que consiste em materiais como pedra britada (n 4 e 5) e anéis plásticos. No Brasil, essa tecnologia é muito usada após reatores UASB. Nesse caso, o e�uente dos reatores UASB é distribuído no topo do FBP por meio de distribuidores rotativos (movidos pela carga hidráulica do e�uente ou via motorizada) e percola pelo meio suporte em direção aos drenos de fundo. Além disso, o tratamento biológico, especialmente dos lodos ativados, pode ocorrer via batelada. Nesse contexto, o tanque de aeração também funcionará como tanque de sedimentação, gerando economia de espaço na ETE. CASE REAL DE UMA ETE Uma cidade possui uma ETE composta por tratamento preliminar seguido de reator UASB e FBP. Essa ETE foi projetada para receber uma vazão de 200 L/s. Contudo, atualmente a quantidade de esgoto que chega à ETE é muito maior que a capacidade de tratamento e, por causa disso, parte do esgoto é lançada sem tratamento no rio. Você foi contratado para analisar a necessidade de expansão dessa ETE. Quais os passos a serem desenvolvidos nesse projeto? Qual a vazão média recebida atualmente? Inicialmente, é preciso calcular a vazão do projeto, ou seja, quanto de esgoto é gerado na cidade. Essa quantidade está diretamente relacionadacom a quantidade de água consumida nas residências. Estima-se que 80% da água que entra em uma residência saia em forma de esgoto. Logo, se em uma residência são consumidos 750 litros/dia, a quantidade de esgoto gerada é 750 * 0,8 = 600 litros/dia. Observação importante: a quantidade de água consumida em sua residência pode ser encontrada na conta de água. Pegue a sua conta e veri�que quantos metros cúbicos de água foram consumidos. Agora, multiplique o valor encontrado por 0,8. Prontinho! Você chegou à quantidade de esgoto gerada em sua casa mensalmente. Muita coisa, não é? Vamos dar continuidade ao nosso projeto. A fórmula a seguir é usada para calcular a vazão média de esgoto, também chamada de vazão de projeto: Custom Code Pop: população de projeto. QPC: quota per capita. R: coe�ciente de retorno esgoto/água (80%). Coe�cientes de variação K , K e K . No site do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), coletamos informações sobre o consumo de água. Na nossa cidade, o consumo de água por habitante é de 185 litros/habitante/dia. Supondo que essa cidade possua 170 mil habitantes, qual a vazão média de projeto? Substituindo os valores na fórmula, temos que: Isso signi�ca que essa ETE recebe uma vazão de 91 L/s a mais do que sua capacidade. Portanto, precisamos expandir o sistema de tratamento. os 1 2 3 Qdméd = Pop (hab.)×QPC( L hab.d )×R 86.400 s d Qdméd = 170000×185( L hab.d )×0,8 86.400 s d Qdméd = 291 L/s 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 11/29 Uma alternativa para a expansão da estação de tratamento de e�uentes (ETE) é a implementação de um sistema de lodos ativados. Esse método de tratamento envolve um tanque de aeração no qual o esgoto é submetido à injeção de ar ou oxigênio. A alta taxa de aeração do esgoto otimiza a e�ciência do tratamento, resultando em um e�uente de qualidade excepcional. Após a fase de aeração, o e�uente passa por um período de repouso no tanque de sedimentação, onde, por causa da ação da gravidade, a massa de lodo é decantada, e o sobrenadante pode ser direcionado para reúso ou para o corpo receptor. Quanto ao ciclo de operação, os sistemas de lodos ativados podem ser de �uxo contínuo ou em batelada. No �uxo contínuo, a aeração ocorre em um tanque (chamado de tanque de aeração), sendo seguida pela etapa de decantação em um segundo tanque. Assim, o processo ocorre de forma contínua. Na operação em batelada, um único tanque desempenha o papel de tanque de aeração e de sedimentação. Ou seja, o tanque é primeiramente preenchido com e�uente. Em seguida, a aeração se inicia. Após um determinado período, os aeradores são desligados, permitindo um tempo de repouso durante o qual ocorre a sedimentação da massa de lodo. VÍDEO RESUMO No vídeo a seguir você terá a oportunidade de relembrar o caminho percorrido pelo esgoto, analisando desde sua geração nas residências até o seu transporte e tratamento. Além disso, você recordará as principais tecnologias de tratamento adotadas no Brasil. Espero que este vídeo seja uma excelente oportunidade para que você perceba, na prática, como esses elementos estão interligados. Aproveite essa experiência de aprendizagem! Saiba mais O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) é o sistema de informações mais importante do Brasil. Consulte a página do SNIS e descubra qual é o índice de atendimento em sua cidade. Quanto maior o índice de atendimento, maior a qualidade de vida de uma população. Acesse o conteúdo sugerido a seguir: SNIS – Série Histórica. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, 22 jun. 2015. INTRODUÇÃO Aula 3 SISTEMAS DE COLETA E TRANSPORTE DE ESGOTOS O tratamento de esgotos domésticos evoluiu ao longo do tempo, passando de simples despejos nos rios para sistemas mais avançados. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 12/29 http://app4.mdr.gov.br/serieHistorica/ O tratamento de esgotos domésticos evoluiu ao longo do tempo, passando de simples despejos nos rios para sistemas mais avançados. No início, as águas residuais eram lançadas diretamente em corpos d’água, causando poluição e doenças. Atualmente, os avanços tecnológicos levaram à implementação de estações de tratamento, onde processos biológicos e químicos removem impurezas. No Brasil, existem diferentes sistemas de tratamento, como o de lodo ativado, UASB e o de lagoas de estabilização, os quais foram estudados nas aulas passadas. Nesse contexto, as bacias de esgotamento sanitário desempenham papel um crucial, coletando e encaminhando os e�uentes para tratamento. Hoje, a conscientização ambiental impulsiona inovações que promovam a e�ciência e a sustentabilidade no tratamento de esgotos, garantindo a preservação dos recursos hídricos. Nesta etapa de aprendizagem aprofundaremos nosso conhecimento sobre esses assuntos. Vamos lá? PANORAMA SOBRE TRATAMENTO DE EFLUENTES Até o início do século XX, a administração das águas era referida como fase pré-higienista. Nessa época, o descarte de esgoto ocorria em fossas ou até mesmo nas ruas, sem qualquer sistema de drenagem ou tratamento. O século XX foi marcado por uma mudança signi�cativa a partir da conscientização das doenças transmitidas pela água. As pessoas começaram a canalizar o esgoto para locais mais distantes, inaugurando, assim, a fase higienista. Somente em 1970, com a implementação da Lei da Água Limpa, nos Estados Unidos, teve início a fase corretiva, caracterizada pelo princípio do tratamento de esgoto. Atualmente, encontramo-nos na fase do desenvolvimento sustentável, em que a atenção ao tratamento de e�uentes é constante, juntamente com os esforços contínuos para a recuperação dos corpos d’água. Como aprendemos em aulas passadas, o Brasil tem o domínio de diversas tecnologias de tratamento de esgoto, porém a universalização do saneamento, ou seja, a garantia de acesso a esse bem para 100% da população, ainda é um grande desa�o. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) (Brasil, 2022), apenas cerca de 51% do esgoto coletado é tratado no Brasil. A Figura 1, a seguir, apresenta o índice de tratamento de esgoto por Estado, e a Figura 2 mostra o índice de coleta. Figura 1 | Índice de tratamento de esgoto por Estado Fonte: Brasil (2022, p. 61). 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 13/29 Figura 2 | Índice de coleta de esgoto por Estado Fonte: Brasil (2022, p. 61). Observe que o índice de tratamento é, em suma, menor que o índice de coleta, o que signi�ca que mesmo nos locais onde ocorre coleta de esgoto, parte dele é lançado nos corpos receptores sem tratamento. Estão listadas, a seguir, as principais legislações sobre tratamento de esgoto no Brasil: 1912 – Adoção do sistema separador absoluto: sistemas de esgotos sanitários passaram a ser obrigatoriamente projetados e construídos independentemente dos sistemas de drenagem pluvial. 2007 – Lei do Saneamento nº 11.445/07: estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico. 2011 – Conama nº 430: estabelece as condições e padrões de lançamento de e�uentes em corpos d’água no Brasil. 2020 – Lei Federal nº 14.026/20, chamada de Lei Nacional do Saneamento Básico: estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico no Brasil e atualiza o marco legal do saneamento básico. É conhecida como nova lei do saneamento. Plano de saneamento Atualmente, o Plano de Saneamento Básico (PSB) é um instrumento que tem a �nalidade de planejar, acompanhar e avaliar ações de saneamento básico. Esse documento deve ser elaborado contemplando um horizonte temporal de curto, médio e longo prazo. Além disso, segundo a Lei nº 14.026, os planos de saneamento básicoprecisam ser compatíveis com os planos das bacias hidrográ�cas e com os planos diretores dos municípios em que estiverem inseridos, ou ainda com os planos de desenvolvimento urbano integrado das unidades regionais por eles abrangidas. O PSB deve conter o diagnóstico da situação atual, objetivos do plano, ações de emergência e contingência e mecanismos para avaliar a e�ciência do plano. BACIAS DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO E REDE DE ESGOTAMENTO O Sistema de Esgotamento Sanitário (SES) constitui um conjunto de estruturas e dispositivos com o objetivo de coletar, transportar, tratar e dispor os resíduos líquidos (originados das atividades diárias da população) de maneira adequada do ponto de vista sanitário e ambiental. Pode ser categorizado como unitário ou separador absoluto, como aprendemos em aulas anteriores. Em resumo, no sistema unitário a coleta, o transporte e o tratamento dos esgotos sanitários e das águas pluviais são realizados de forma conjunta. Já no sistema separador absoluto, há tubulações distintas para o esgoto 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 14/29 sanitário e as águas pluviais. Durante o planejamento das redes de esgotamento sanitário, o traçado das tubulações que coletam e transportam os esgotos segue as características topográ�cas e o planejamento urbanístico da região, como as orientações que constam no plano diretor. O conjunto de redes de esgotamento sanitário inserido em uma ou mais bacias hidrográ�cas é denominado bacia de esgotamento sanitário. A primeira etapa da gestão da bacia de esgotamento sanitário é a delimitação da área da bacia. Para esse processo, usa-se o levantamento topográ�co, em que ocorre o cadastro técnico da bacia estudada, assim como da área, relevo e outras informações pertinentes. A projeção populacional também é uma etapa importante, na qual se calcula a estimativa da população para curto, médio e longo prazo. Por meio do número de habitantes, é possível estimar a vazão de esgoto gerada na bacia. Quanto ao modelo de traçado da rede coletora na bacia de esgotamento sanitário, Tsutiya e Além Sobrinho (2000) propuseram dois tipos principais: Perpendicular: esse traçado ocorre quando a cidade é atravessada ou circundada por cursos d’água. A rede de esgoto é composta por vários coletores-tronco independentes, com traçado perpendicular ao �uxo d’água. Um interceptor marginal recolhe os e�uentes dos coletores-tronco e os direciona para o destino apropriado. Leque: é usualmente adotado em áreas acidentadas, onde os coletores percorrem os fundos dos vales ou a parte baixa das bacias, recebendo os coletores secundários. Isso cria um padrão semelhante à espinha de um peixe. A determinação do traçado da rede leva em consideração as profundidades mínimas e máximas, sendo crucial o conhecimento desses valores. A atenção ao nível do lençol freático é fundamental, recomendando-se que a profundidade não ultrapasse 1,5 m. Em casos de declividade acentuada, essa profundidade pode ser excedida, o que demandará o uso de estações elevatórias de esgoto (EEE). O sistema de esgotamento sanitário é projetado para funcionar por meio da gravidade, mas, por causa das características da bacia, nem sempre o SES opera dessa maneira. Assim, por meio de bombas, o e�uente é recalcado de uma parte mais baixa para uma parte superior da rede coletora. Por esse motivo, o traçado da bacia sanitária deve estar de acordo com características topográ�cas do terreno, de forma que a movimentação de terra seja minimizada. CASE SOBRE SISTEMA DE TRATAMENTO DE ESGOTOS O sistema separador absoluto surgiu nos Estados Unidos em 1879. Nesse sistema, a rede de esgoto é designada exclusivamente para receber águas residuais, enquanto as águas pluviais são conduzidas por uma rede independente. Antes disso, as redes eram unitárias. Aqui no Brasil, o sistema separador só chegou anos depois. Por esse motivo, era comum encontrar cidades com os dois sistemas implantados. No traçado da bacia de esgotamento sanitário, a declividade mínima de uma tubulação de esgoto é um parâmetro importante para garantir o transporte e�ciente dos resíduos. A declividade é a inclinação da tubulação em relação ao plano horizontal, sendo medida em porcentagem ou graus. Vale destacar que a escolha da declividade adequada depende de vários fatores, incluindo o diâmetro da tubulação, o tipo de material transportado e as normas locais. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 15/29 A declividade mínima é necessária para evitar o acúmulo de sedimentos e resíduos sólidos na tubulação, que pode levar a entupimentos e obstruções. Também é fundamental para manter o �uxo constante via gravidade, sem necessidade de bombeamento. Em geral, a declividade mínima recomendada para tubulações de esgoto varia entre 1% e 2%, o que signi�ca que a tubulação deve inclinar-se de 1 a 2 m a cada 100 m de comprimento. No entanto, as normas locais podem apresentar requisitos especí�cos, e é importante consultar as regulamentações do seu município ou país para garantir conformidade. A partir de agora, vamos analisar um exemplo real. Está animado? A Figura 3 ilustra o esgotamento de uma rua. A Casa A foi construída recentemente, contudo a cota do terreno é inferior à cota da rua. Dessa forma, a ligação domiciliar �cou abaixo da rede coletora. Qual a solução para essa situação? Figura 3 | Rede coletora de esgoto, com destaque para a inclinação da tubulação Fonte: elaborada pela autora. Dados para a resolução desse problema: Cota do P1 = 2 m abaixo do nível do terreno. Cota do P2 = 0,25 m abaixo do nível do terreno. Distância entre P1 e P2 = 92 m. Inclinação da rede domiciliar = 2%. É importante lembrar que, conforme as diretrizes estabelecidas pela NBR 8160, que trata dos Sistemas Prediais de Esgoto Sanitário – Projeto e Execução, são recomendadas as seguintes inclinações mínimas para assegurar um escoamento e�caz: Para diâmetros nominais iguais ou inferiores a 75 mm: 2%. Para diâmetros iguais ou superiores a 100 mm: 1%. Logo, a inclinação da rede domiciliar está no limite recomendado pela norma. Vamos, então, veri�car se a inclinação da rede coletora se encontra dentro do que é sugerido. Note que, com base na Figura 4, a inclinação entre P1 e P2 pode ser calculada por meio da trigonometria. Figura 4 | Inclinação da rede coletora de esgoto via trigonometria Fonte: elaborada pela autora. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 16/29 Portanto, pela imagem, temos que: Distância a = 92 m. Distância b = 2- 0,25 = 1,75 m. A declividade é encontrada pela fórmula a seguir: Logo, a declividade da rede coletora está adequada. O que fazer? Nos casos em que mesmo com a declividade adequada da rede coletora e da ligação domiciliar a tubulação �que abaixo da cota da rede coletora, será preciso instalar uma bomba de recalque no domicílio. Diferentemente das estações elevatórias de esgoto, essa bomba de recalque é de encargo do morador. VIDEO RESUMO Neste vídeo você terá a oportunidade de conhecer peculiaridades sobre a rede coletora de esgoto. Será possível relembrar o caminho percorrido pelo esgoto, o qual é gerado nas residências. Mas, desta vez, aprofundaremos nosso entendimento sobre o transporte desse resíduo. Além disso, você encontrará um histórico sobre o sistema de esgotamento sanitário no Brasil e um panorama geral da situação atual. Espero que este vídeo seja uma excelente oportunidade para que você perceba, na prática, como esses elementos estão interligados. Aproveite essa experiência de aprendizagem! Saiba mais O engenheiro Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, natural do Rio de Janeiro e nascido em 1864, tornou-seuma �gura proeminente no campo do saneamento no Brasil até sua morte, em 1929. Ele advogava pela necessidade de desenvolver planos urbanos antes de implementar infraestrutura e foi responsável pela elaboração de cerca de 28 planos para diversas cidades brasileiras, incluindo o controverso Plano de Santos. Seu trabalho Notes sur le tracé sanitaire des villes (1916) foi reconhecido com um prêmio na França. Enquanto liderava a Comissão de Saneamento de São Paulo, Brito destacava a importância dos planos municipais para assegurar um crescimento equilibrado, embora tenha enfrentado resistência, o que evidencia os desa�os persistentes na elaboração de planos urbanos no Brasil. Para obter mais informações sobre Saturnino de Brito, faça a leitura do artigo sugerido a seguir: BOTELHO, M. H. C. Saturnino de Brito e o saneamento urbano. DAE, v. 62, n. 196, ed. especial, p. 57-68, jul. 2014. Declividade (%) = 1,75 92 *100 = 1,9% 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 17/29 http://revistadae.com.br/artigos/artigo_edicao_196_n_1565.pdf INTRODUÇÃO Nas aulas anteriores você conheceu a correta de�nição de esgoto e analisou todos os elementos que o transportam do ponto em que é gerado até a estação de tratamento (ETE). Além disso, foi possível aprofundar o entendimento sobre as tecnologias e níveis de tratamento do esgoto. Nessa etapa de aprendizagem vamos veri�car a importância do reúso e descobrir o motivo pelo qual devemos preservar os recursos hídricos e economizar água em nossas atividades domésticas. Por �m, vamos conhecer uma aplicação real de reúso de água no Brasil, delimitando suas vantagens e limitações. Espero que você esteja motivado a aprender e aplicar esses conhecimentos no dia a dia. Vamos lá? ESCASSEZ HÍDRICA A água tem origem incerta para alguns cientistas, mas, segundo Bruni (1997), ela se originou a partir da liberação de gases na formação da Terra. Dois gases em especial (oxigênio e hidrogênio) se unem e liquefazem, ou seja, transformam-se em líquido. Certamente você já se deparou com a expressão: “A água do mundo está prestes a se esgotar”. No entanto, é importante esclarecer que essa a�rmação é incorreta. Embora a água global não esteja em vias de se esgotar, o ciclo hidrológico é permanente e constante. Ou seja, a quantidade de água na Terra é praticamente invariável. Contudo, a água potável, isto é, a água limpa e com qualidade, está cada vez mais escassa e cara. Essa é uma preocupação real, que merece concentração de esforços para o combate à crise global. Como já foi discutido em aulas anteriores, a água utilizada em diversas atividades, sejam elas domésticas, industriais ou comerciais, é designada como esgoto ou águas residuárias. O esgoto contém uma variedade de contaminantes que precisam ser removidos em estações de tratamento de esgoto (ETEs). No entanto, vale destacar que esse processo é dispendioso e não acessível a todos. De acordo com dados do SNIS, apenas uma porcentagem limitada do esgoto no Brasil passa por tratamento, privando milhões de brasileiros do acesso a condições básicas de higiene. O esgoto não tratado é despejado em rios e mares, o que resulta na contaminação das águas super�ciais e dos lençóis freáticos. É essa água poluída que, posteriormente, é coletada para ser tratada em estações de tratamento de água (ETAs). Quanto mais poluída a água, mais oneroso torna-se o processo de tratamento, fato que se re�ete em contas mais elevadas para cada cidadão brasileiro. Ou seja, a água pode até não acabar, mas o tratamento de esgoto é uma ferramenta para garantir que mais pessoas tenham acesso a água com padrões de qualidade adequados. Aula 4 REÚSO Nas aulas anteriores você conheceu a correta de�nição de esgoto e analisou todos os elementos que o transportam do ponto em que é gerado até a estação de tratamento (ETE). 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 18/29 Além disso, o Brasil possui uma distribuição não uniforme, em que a oferta de água é menor em algumas regiões quando comparada à de outras. Logo, o reúso é uma ferramenta que possibilita que a água potável seja destinada para �nalidades mais nobres e a água de reúso seja usada para �ns menos nobres, como limpeza urbana, paisagismo, irrigação e outras atividades. Vale ressaltar que o esgoto é fonte de contaminação. Mesmo que o reúso seja uma ferramenta e�ciente, é preciso �car atento à segurança desse processo, a �m de evitar a contaminação do solo e a propagação de doenças. Por isso, é fundamental que exista uma legislação adequada e a padronização dos parâmetros de qualidade. Basicamente, a literatura aponta dois tipos de reúso: direto e indireto. O reúso direto ocorre quando e�uentes, depois de tratados, são encaminhados para o reúso. Por outro lado, o reúso indireto acontece quando o e�uente, após tratado, é direcionado para os corpos receptores. Nesse caso, ocorre a captação do corpo receptor para consumo humano. O reúso indireto já acontece no Brasil, seja de forma planejada ou não. Porém muitas lacunas precisam ser preenchidas para que o reúso direto se torne uma realidade no contexto brasileiro, assim como já é em outros países. Além disso, para promover a racionalização da água, são necessárias abordagens integradas que envolvam governos, setor privado e comunidades. Isso inclui a implementação de políticas e�cazes, investimento em infraestrutura hídrica, educação pública sobre o uso responsável da água e o desenvolvimento e a adoção de tecnologias mais e�cientes. A conscientização sobre a importância da água e a mudança de comportamento também desempenham um papel crucial na busca por soluções sustentáveis para os desa�os relacionados à água, como a necessidade de racionalizar os recursos hídricos. EXEMPLOS DE REÚSO E RACIONALIZAÇÃO NO BRASIL E NO MUNDO Com base no contexto de origem da água, entende-se que esta não pode ser recriada, por isso o reúso é importante. O reúso pode ser classi�cado como local ou externo. O reúso local consiste na reutilização da água no próprio domicílio. Acontece, por exemplo, ao se usar a água da máquina de lavar roupa para lavar as calçadas, ou com a utilização de águas cinzas para regar o jardim. Já o reúso externo ocorre a partir das estações de tratamento de esgotos (ETEs). Nesse caso, o e�uente gerado nas residências é coletado e tratado. Em seguida, é encaminhado para o reúso, que pode estar relacionado com a agricultura, indústria, paisagismo, lavagem de ruas e outros �ns menos nobres. O tema reúso é relativamente recente no Brasil, e são poucas as normas e leis que apresentam diretrizes referentes a esse assunto. No entanto, alguns Estados são pioneiros nessa área e possuem regulamentações próprias que incentivam o reúso. A seguir, serão apresentados exemplos de reúso no Brasil e no mundo: Aquapolo/SP: o projeto Aquapolo é o maior empreendimento para a produção de água de reúso da América do Sul e o quinto maior do planeta. Está localizado em São Paulo. Nesse projeto, a ETE ABC trata os esgotos gerados na região, porém parte do esgoto tratado não é lançado no corpo receptor, e sim encaminhado para uma estação de produção de água (EPA). Na EPA, o esgoto tratado, que nesse caso é chamado de e�uente secundário, passa por processos físicos e biológicos que removem os poluentes que não foram totalmente retirados na ETE. A partir de então, essa água de reúso �ca pronta para ser usada em processos industriais, gerando economia �nanceira e de recursos naturais para a região. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 19/29 Embrapa/Sudene: a Embrapa desenvolveu um projeto de saneamento rural com vistas ao reúso de águas cinzas, que consiste na integraçãode um �ltro e tanque de reúso. Logo após, o e�uente segue para um sistema produtivo. Dessa forma, as águas cinzas são usadas na produção agrícola. Destaca-se que a água cinza é o e�uente gerado por uma residência, exceto o esgoto sanitário. Ou seja, as águas cinzas são produzidas em chuveiros, pias, máquinas de lavar e em outros processos domésticos. Israel/Agricultura: Israel é um país localizado em uma região árida com escassez hídrica. Contudo, atualmente cerca de 90% do esgoto gerado é tratado e usado na agricultura, fazendo de Israel uma potência agrícola. Esses representam alguns casos bem-sucedidos de reúso de água. É importante ressaltar que a opção mais e�caz de reúso é quando o e�uente passa pelo tratamento terciário, pois esse processo reduz e elimina contaminantes do esgoto, proporcionando maior segurança. É válido observar que em alguns países há uma distinção entre água de reúso e água reciclada. Segundo a literatura, a água reciclada refere-se à reutilização da água da chuva, mas no Brasil é comum também utilizar o termo água de reúso. As vantagens primordiais da utilização das águas pluviais incluem a melhoria da qualidade, a redução da carga nos sistemas de drenagem, a prevenção de inundações e alagamentos, a diminuição das despesas com energia elétrica, entre outros benefícios. No Brasil, a NBR 15527, de 2019, aborda o aproveitamento de água de chuva de coberturas para �ns não potáveis e estabelece diretrizes para projeto e uso. No contexto especí�co da coleta de água da chuva, o processo envolve a instalação de um �ltro na calha, seguido pelo armazenamento da água em reservatórios. Essa água pode ser aproveitada em diversas atividades, como a lavagem de calçadas, a irrigação de jardins, o abastecimento de sanitários e outras ações menos nobres. Além da prática de reúso, a racionalização do consumo de água emerge como uma ferramenta adicional no enfrentamento da escassez hídrica, pois tem foco direcionado à promoção de um uso consciente desse recurso pela população. A racionalização da água refere-se ao uso e�ciente e consciente desse recurso natural precioso, na intenção de maximizar sua disponibilidade, minimizar desperdícios e garantir sua sustentabilidade a longo prazo. Envolve a implementação de práticas e políticas que promovam a gestão responsável da água em diversas atividades humanas, como agricultura, indústria e consumo doméstico. Os principais aspectos relativos à racionalização da água incluem políticas públicas, uso de tecnologias sustentáveis e consumo consciente. APLICAÇÃO DE REÚSO EM CONTEXTO UNIFAMILIAR Para contextualizar sua aprendizagem, imagine a seguinte situação: uma família de cinco pessoas mora em uma região com grande escassez de água. Além disso, em alguns períodos do ano, principalmente no calor, a família estoura o orçamento, pois a conta de água triplica o valor disponível. Diante disso, você foi contratado para avaliar o consumo de água dessa residência e propor uma solução sustentável de reúso. Vamos ao passo a passo de resolução? Passo 1: o primeiro passo é saber a quantidade de água que essa família consome. Uma boa dica é investigar a conta de água da família. Você pode fazer esse teste na sua própria casa. É muito simples: 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 20/29 Pegue a conta de água e, no campo “consumo mensal”, veri�que a quantidade exibida, a qual geralmente aparece em metros cúbicos. Agora, o volume consumido deve ser transformado de metros cúbicos para litros. Para isso, é só multiplicar o valor encontrado por 1.000. Em seguida, deve-se dividir o valor encontrado pela quantidade de pessoas na residência e pelo número de dias do mês. Por exemplo, supondo que o consumo mensal (Ct) obtido na conta de água tenha sido 30 m , temos que: Logo, o consumo per capita da família é 200 L/hab.dia. Com base nos dados do SNIS, observamos, na Figura 1, que esse consumo está acima da média de consumo nacional. Essa família realmente precisa rever seus consumos, não acha? Figura 1 | Consumo per capita de água (L/hab.dia) por Estado Fonte: Brasil (2022, p. 37). Passo 2: propor uma reeducação ambiental frente ao consumo de água acima da média nacional, contemplando as seguintes recomendações: Veri�car todas as torneiras, conexões e identi�car vazamentos, consertando-os, caso existam. Adotar o hábito de fechar a torneira enquanto escova os dentes e toma banho. Usar máquina de lavar roupa e louça somente em sua capacidade máxima. Instalar torneiras e chuveiros com reguladores de vazão para reduzir o consumo de água sem comprometer a e�ciência. Passo 3: em seguida, será preciso de�nir uma estratégia de reúso. Diante de tantas possibilidades, optou-se por reutilizar a água da máquina de lavar para a lavagem das calçadas. ● Para isso, precisamos determinar o consumo de água da máquina de lavar. Em média, cada ciclo de lavagem de uma lavadora comum com capacidade para 12 kg consome 200 litros de água. Supondo que essa família lave roupa duas vezes por semana, o consumo de água da máquina (Cm) de lavar será: 3 Ct = 30 m3*1000 = 30000 Litros Ct = 30000 Litros 5 habitantes*30 dias = 200 Litros hab*dia Cm = 200 litros*2 = 400 Litros/semana 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 21/29 Passo 4: o quarto passo é a efetuação de uma estimativa da economia gerada. O consumo mensal da residência é de 30 mil litros, e o consumo de água da máquina de lavar é de 400 litros por semana, ou seja, 1.600 litros por mês. Logo, ao reutilizar a água da máquina, pode haver uma redução de 5,33% no consumo de água e, consequentemente, na conta de água dessa família. Supondo que em média a família pague R$ 300 por mês, após a implantação do sistema de reúso a conta cairia para R$ 284. Agora, deixo um desa�o para você, caro estudante. Qual o nível de consumo de água da sua casa? Esse consumo está acima ou abaixo do consumo médio para seu Estado? Qual o consumo da máquina de lavar da sua residência? Quantas vezes por semana a máquina de lavar da sua casa é acionada? A racionalização do uso da água é essencial para garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos, preservar o meio ambiente, atender às necessidades crescentes da população mundial e enfrentar os desa�os das mudanças climáticas e escassez hídrica. VIDEO RESUMO Neste vídeo você terá a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre reúso. Será possível analisar casos reais que ilustram como essa prática impacta positivamente o meio ambiente. Espero que este vídeo seja uma excelente oportunidade para que você perceba, na prática, como esses elementos estão interligados. Aproveite essa experiência de aprendizagem! Saiba mais O projeto Aquapolo traz um exemplo de aplicação prática do reúso no Brasil, visto que é capaz de produzir água para atender a uma cidade com 500 mil habitantes, reinserindo esgoto tratado em um novo ciclo sustentável. Além disso, o sistema garante o fornecimento com menores custos e gera economia de água potável. Conheça mais sobre esse projeto, que coloca o Brasil em destaque no quesito reúso, acessando o site o�cial do Aquapolo: AQUAPOLO. Página inicial, [s. d.]. ESGOTO E SEU TRATAMENTO Aula 5 REVISÃO DA UNIDADE 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 22/29 http://www.aquapolo.com.br/ O esgoto é originado das atividades humanas e composto principalmente por água, matéria orgânica, sólidos, nutrientes e microrganismos. Por causa da elevada carga orgânica e da possibilidade de contaminar água e solo, gerando doenças à população, torna-se importante o tratamento do esgoto. Ele pode ocorrer por processos que envolvem etapas físicas, químicasou biológicas, visando, sobretudo, à remoção de matéria orgânica, sólidos, microrganismos e nutrientes. O sistema de tratamento de esgoto consiste em um conjunto de elementos com o propósito de coletar, transportar, tratar e dispor adequadamente o esgoto. A estação de tratamento de esgoto (ETE) é o local onde acontece esse tratamento, que é dividido em níveis: preliminar, primário, secundário e terciário. Adicionalmente, o tratamento é desenvolvido por meio de diversas tecnologias. No Brasil, grande parte do tratamento de esgoto emprega a abordagem secundária, que se baseia no tratamento biológico. Nesse processo, bactérias desempenham um papel crucial na estabilização da matéria orgânica. A estabilização, nesse contexto, refere-se ao processo de redução da carga orgânica, tornando-a menos suscetível a causar impactos ambientais adversos. Figura 1 | Tratamento do esgoto e suas etapas principais 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 23/29 Fonte: adaptada de Brasil (2021, p. 90). O tratamento biológico pode ser aeróbio ou anaeróbio, cada um apresentando vantagens especí�cas. A seguir, serão listadas principais tecnologias utilizadas no Brasil para esse �m: Fossas sépticas: essa é uma tecnologia de nível primário, a qual promove a remoção física dos sólidos via decantação. O nível de estabilização da matéria orgânica é baixo. Reator UASB: trata-se de um reator anaeróbio de �uxo ascendente pelo qual acontece o processo biológico anaeróbio, que trata o esgoto com a utilização de microrganismos em condições de ausência de oxigênio. Essa tecnologia é compacta e apresenta baixa produção de lodo, porém não remove signi�cativamente nutrientes e patógenos. Lodos ativados: o processo biológico aeróbio que utiliza lodos ativados (injeção de ar ou oxigênio) decompõe a matéria orgânica presente no esgoto. Pode envolver tanques de aeração e sedimentação 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 24/29 separados ou em bateladas. Lagoa anaeróbia: lagoa de tratamento de esgoto sem oxigênio dissolvido. É mais profunda que a lagoa aeróbia e pode apresentar odores se não for bem operada. Lagoa facultativa: lagoa de tratamento com diferentes zonas de oxigenação, permitindo condições aeróbias e anaeróbias. Apresenta boa e�ciência na remoção de matéria orgânica e patógenos. Lagoa de maturação: lagoa �nal no processo de tratamento, onde ocorre a maturação do e�uente tratado. Melhora a qualidade do e�uente antes da disposição �nal ou do reúso. Wetlands: sistema natural ou construído que utiliza plantas e microrganismos para tratar o esgoto. É efetivo na remoção de nutrientes e poluentes. Filtro biológico percolador: estrutura que utiliza camadas de material �ltrante para promover a oxidação e a decomposição de poluentes. O e�uente passa através do �ltro, sendo tratado biologicamente. REVISÃO DA UNIDADE O vídeo a seguir apresenta um compilado das principais tecnologias de tratamento de esgoto. Além disso, você terá a oportunidade de resolver um estudo de caso que envolve uma tomada de decisão sobre qual tecnologia usar para a situação apresentada. Espero você com total animação! Boa aula! ESTUDO DE CASO Para contextualizar sua aprendizagem, imagine a seguinte situação: você trabalha para uma empresa que projetará uma solução para o esgotamento sanitário de três localidades. Você �cou encarregado de escolher os níveis de tratamento e as tecnologias usadas no tratamento do esgoto dessas áreas. Com base nas características apresentadas a seguir, você deve propor uma rota de tratamento, além de justi�car suas decisões para seu chefe. Localidade 1: cidade com 50 mil habitantes, dentre os quais mais de 90% residem em área urbana. Trata-se de uma cidade histórica, que recebe muitos turistas durante o ano. O clima costuma ser chuvoso durante boa parte do ano. Além disso, o relevo é acidentado. Localidade 2: cidade com mais de 800 mil habitantes e que já possui duas estações de tratamento de esgoto (ETEs). Será construída uma terceira ETE para atender ao elevado crescimento populacional dessa cidade. A população que vive perto das ETEs atuais reclama de odores desagradáveis. Localidade 3: comunidade rural situada no interior do Nordeste cuja principal atividade de subsistência é a agricultura familiar. Levando em consideração essas informações, elabore um estudo detalhado e construa soluções de tratamento de esgoto para as localidades descritas. Além disso, você deverá propor uma rota de reúso – direto ou indireto, externo ou interno – para cada uma das regiões. REIS, R. C. de C.; MACHADO, A. V. M.; OLIVEIRA, P. A. D. de. Aplicação do processo hierárquico analítico como auxílio na tomada de decisão para escolha do sistema de esgotamento sanitário em comunidade 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 25/29 https://sevenpublicacoes.com.br/index.php/editora/article/view/1251 https://sevenpublicacoes.com.br/index.php/editora/article/view/1251 de pequeno porte. In: SEVEN PUBLICAÇÕES ACADÊMICAS. Tecnologias e suas abordagens. São José dos Pinhais, PR: Seven Events, 2023. LISBÔA, E. G. et al. Aplicação de um modelo multicriterial para auxiliar a seleção de tecnologias de tratamento de águas residuais em zonas urbanas. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n. 4, p. 20739–20768, abr. 2020. Para propor uma rota de reúso, lembre-se de veri�car se já existe regulamentação dedicada a esse assunto na sua cidade. Por �m, considere que não existe uma única resposta correta, mas sua escolha deve ter embasamento. Bom trabalho! Re�ita O Brasil possui tecnologia disponível para a ampliação do sistema de tratamento sanitário. A escolha da tecnologia adequada dependerá de diversos fatores, como clima, localização, hábitos populacionais, atividade econômica da região e também questões �nanceiras. Vale ressaltar que uma tecnologia não é necessariamente melhor do que outra. Pelo contrário, elas se complementam e são adaptadas a diferentes contextos. Para resolver esse estudo de caso, comece pesquisando quais soluções já são adotadas em localidades com características semelhantes às das situações apresentadas. Além disso, você pode buscar artigos que abordem a tomada de decisão quanto a tecnologias de tratamento de esgoto a serem implementadas. Nesse sentido, recomendamos a leitura dos dois trabalhos a seguir: RESOLUÇÃO DO ESTUDO DE CASO Agora vamos resolver o estudo de caso apresentado anteriormente. Inicialmente, lembre-se de que não existe uma única solução. Por isso, será apresentada, a seguir, uma resposta genérica que ajudará você a embasar a sua própria sugestão de resolução. Localidade 1: essa cidade é classi�cada como de porte médio, e a maior parte da população vive na zona rural. Logo, podemos imaginar que essa localidade não tem grandes áreas disponíveis para a construção de uma ETE. Por essa razão, devemos usar tecnologias de tratamento que sejam mais compactas. Além disso, o terreno da cidade é acidentado, ou seja, podemos implementar um sistema de lagoas, porém o gasto com o nivelamento do terreno seria elevado. Assim, em função da limitação da área, sistemas com lagoas não seriam indicados. Sistema de tratamento proposto: tratamento preliminar + UASB + FBP. Rota de reúso: parte do e�uente tratado poderá ser usado para lavagem de ruas e rega de plantas, já que se trata de uma cidade turística, onde as ruas costumam estar mais sujas. Localidade 2: a cidade possui muitos habitantes e, assim como na Localidade 1, devemos optar por sistemas compactos. Em grandes cidades, é comum que cada vez mais a população se aproxime da área ao redor da ETE. Portanto, devemos evitar sistemas extensivos, comolagoas e sistemas que demandem maior atenção por conta da geração de odores. Sistema de tratamento proposto: tratamento preliminar + lodos ativados. Rota de reúso: parte do e�uente tratado poderá ser usado para lavagem de ruas e rega de plantas. 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 26/29 https://sevenpublicacoes.com.br/index.php/editora/article/view/1251 https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/9129 https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/9129 Localidade 3: para essa localidade, podemos propor a separação das águas cinzas das águas negras. As águas negras devem ser encaminhadas para uma fossa séptica e as águas cinzas, para um círculo de bananeira, onde poderá acontecer o reúso. Sistema de tratamento proposto: fossa séptica (águas negras) e círculo de bananeira (águas cinzas). Rota de reúso: círculo de bananeiras. Essa é apenas uma possível solução. Lembre-se de que você pode usar tecnologias diferentes, mas sua resposta deve ser justi�cada. RESUMO VISUAL O diagrama a seguir destaca a rede coletora, encarregada de coletar e conduzir os resíduos gerados nas residências até uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Além disso, ela apresenta os níveis do processo de tratamento dentro da ETE, incluindo os elementros removidos em cada etapa e outras informações relevantes. Fonte: elaborada pela autora. Aula 1 BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classi�cação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de e�uentes, e dá outras providências. Diário O�cial da REFERÊNCIAS 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 27/29 União, Brasília, DF: 18 mar. 2005. Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/legislacao/Resolucao/2005/res_conama_357_2005_classi�cac ao_corpos_agua_rtfcda_altrd_res_393_2007_397_2008_410_2009_430_2011.pdf. Acesso em: 16 jan. 2024. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições de lançamento de e�uentes, complementa e altera a resolução nº 357 de 17 de março de 2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama. Diário O�cial da União, Brasília, DF: 16 maio 2011. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=114770. Acesso em: 16 jan. 2024. PHILIPPI JUNIOR, A.; GALVÃO JUNIOR, A. de C. Gestão do saneamento básico: abastecimento de água e esgotamento sanitário. Barueri, SP: Manole, 2012. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520444122/. Acesso em: 18 maio 2023. VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 4. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014. Aula 2 SNIS – Série Histórica. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, 22 jun. 2015. Disponível em: http://app4.mdr.gov.br/serieHistorica/#. Acesso em: 17 jan. 2024. VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 4. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014. Aula 3 ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 8.160: sistemas prediais de esgoto sanitário – projeto e execução. Rio de Janeiro: ABNT, 1999. BOTELHO, M. H. C. Saturnino de Brito e o saneamento urbano. DAE, v. 62, n. 196, ed. especial, p. 57-68, jul. 2014. Disponível em: http://revistadae.com.br/artigos/artigo_edicao_196_n_1565.pdf. Acesso em: 16 jan. 2024. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução Conama nº 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições de lançamento de e�uentes, complementa e altera a resolução nº 357 de 17 de março de 2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama. Diário O�cial da União, Brasília, DF: 16 maio 2011. 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Atualiza o marco legal do saneamento básico e altera a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, para atribuir à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) competência para editar normas de referência sobre o serviço de saneamento, a Lei nº 10.768, de 19 de novembro de 2003, para alterar o nome e as atribuições do cargo de Especialista em Recursos Hídricos, a Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005, para vedar a prestação por contrato de programa dos serviços públicos de que trata o art. 175 da Constituição Federal, a Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, para aprimorar as condições estruturais do saneamento básico no País, a Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, para tratar dos prazos para a disposição �nal ambientalmente adequada dos rejeitos, a Lei nº 13.089, de 12 de janeiro de os 14/01/2025, 14:22 wlldd_241_u4_tra_agu_eflu https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202402/WHITE_LABEL/TRATAMENTO_DE_AGUA_E_EFLUENTES/LIVRO/U4/index.html 28/29 https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/legislacao/Resolucao/2005/res_conama_357_2005_classificacao_corpos_agua_rtfcda_altrd_res_393_2007_397_2008_410_2009_430_2011.pdf. https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/legislacao/Resolucao/2005/res_conama_357_2005_classificacao_corpos_agua_rtfcda_altrd_res_393_2007_397_2008_410_2009_430_2011.pdf. https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=114770 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520444122/ http://app4.mdr.gov.br/serieHistorica/ http://revistadae.com.br/artigos/artigo_edicao_196_n_1565.pdf https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=114770 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11445.htm Imagem de capa: Storyset e ShutterStock. 2015 (Estatuto da Metrópole), para estender seu âmbito de aplicação às microrregiões, e a Lei nº 13.529, de 4 de dezembro de 2017, para autorizar a União a participar de fundo com a �nalidade exclusiva de �nanciar serviços técnicos especializados. Diário O�cial da União, Brasília, DF: 16 jul. 2020. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019- 2022/2020/lei/l14026.htm#:~:text=%E2%80%9CEstabelece%20as%20diretrizes%20nacionais%20para,11%20de %20maio%20de%201978.%E2%80%9D. Acesso em: 17 jan. 2024. BRASIL. Secretaria Nacional de Saneamento. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento: diagnóstico temático – serviços de água e esgotos – 2021. Brasília, DF: Secretaria Nacional de Saneamento, Ministério das Cidades, 2022. Disponível em: https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/Arquivos_PDF/Snis/AGUA_E_ESGOTO/REPUBLICACAO_ DIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_AE_SNIS_2022.pdf. Acesso em: 29 jan. 2024. TSUTIYA, M. T.; ALÉM SOBRINHO, P. Coleta e transporte de esgoto sanitário. São Paulo: Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da USP, 2000. Aula 4 ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15527: água de chuva: aproveitamento em áreas urbanas para �ns não potáveis: requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2007. AQUAPOLO. Página inicial, [s. d.]. Disponível em: http://www.aquapolo.com.br. Acesso em: 17 jan. 2024. BRASIL. Secretaria Nacional de Saneamento. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento: diagnóstico temático – serviços de água e esgotos – 2021. Brasília, DF: Secretaria Nacional de Saneamento, Ministério das Cidades, 2022. Disponível em: https://antigo.mdr.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/Arquivos_PDF/Snis/AGUA_E_ESGOTO/REPUBLICACAO_