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CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA
GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
MANHÃ
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FILME: CISNE NEGRO
Diretor: Darren Aronofsky
Rio de Janeiro, 08 de MAIO 2024
ALUNAS: Adriana Dantas Gomes
 Claudia da Silva de Medeiros
 Danieidy Goulart da Silva Rodrigues
O filme retrata uma bailarina que perde a compreensão da realidade quando uma outra bailarina ameaça sua posição de dançarina protagonista em
“O lago dos cisnes”.
Professora: Simone Gomes Costa
2.0 - Psicologia Analítica de Carl Jung
Para iniciar nossa análise da personalidade da personagem Nina, do filme "Cisne Negro", optamos por adotar uma abordagem fundamentada na teoria psicológica de Carl Gustav Jung. Por meio do viés Junguiano, almejamos lançar elementos intrínsecos da personalidade de Nina. Jung ressalta a importância de conceitos como o inconsciente coletivo, os arquétipos e o processo de individuação. Jung postulou a existência de um inconsciente coletivo, além do inconsciente pessoal, que abriga elementos compartilhados pela humanidade, como símbolos, mitos e padrões universais. Os arquétipos, sendo imagens primordiais nesse inconsciente coletivo, exercem influência sobre o comportamento humano e são expressos através de símbolos encontrados em sonhos, arte e religião.
Um outro aspecto relevante é o processo de individuação, que consiste na busca pela totalidade e integração das diversas partes da psique. Isso implica em reconhecer e integrar tanto os aspectos conscientes quanto os inconscientes da personalidade, com o intuito de alcançar um estado de equilíbrio e autoconhecimento.
Além disso, Jung desenvolveu a teoria dos tipos psicológicos, que descreve diferentes modos pelos quais as pessoas percebem e interagem com o mundo. Esses tipos são classificados em termos de atitudes (introversão e extroversão) e funções psicológicas (pensamento, sentimento, sensação e intuição).
Em suma, a abordagem da psicologia analítica de Jung ressalta a importância do inconsciente, dos arquétipos, do processo de individuação e dos tipos psicológicos para a compreensão da personalidade e do desenvolvimento humano. Vieitas Vergueiro, P. (2008)
Energia psíquica
Jung e Freud discordaram na descrição da libido. Jung não compartilhava a visão de Freud de que a libido era especificamente de natureza sexual, mas sim uma energia vital, extensa e não caracterizada. Ele deu menos ênfase ao papel do sexo em sua teoria da personalidade. Jung empregou o termo libido de duas maneiras distintas: primeiramente como uma energia vital difusa e universal, e posteriormente, seguindo uma abordagem similar à de Freud, como uma energia psíquica mais focalizada que impulsiona o funcionamento da personalidade, a qual ele denominou de psique. Quando alguém dirige uma quantidade significativa de energia psíquica para uma ideia ou sensação específica, isso indica que essa ideia ou emoção possui um alto valor psíquico e pode exercer uma grande interferência na vida da pessoa (Schultz e Schultz, 2002).
Ego
Segundo Schultz e Schultz, (2002), o ego representa o núcleo da consciência, sendo a parte da psique dedicada à percepção, ao raciocínio, às sensações e às lembranças. É a nossa própria consciência, responsável por conduzir as atividades cotidianas enquanto estamos despertos, agindo de forma seletiva ao permitir apenas uma parcela dos estímulos que nos cercam serem admitidos em nossa consciência (Schultz e Schultz, 2002).
Extroversão e introversão 
Segundo Ramos (2005), a inclinação principal, a extroversão, é mais evidente e consciente. Já a introversão, como inclinação secundária, é menos evidente e mais inconsciente.
Se uma pessoa é naturalmente extrovertida, é provável que também tenha traços introvertidos menos perceptíveis, e vice-versa.
Por exemplo, uma pessoa que parece muito sociável pode ter momentos em que prefere ficar sozinha e pensar sobre suas próprias ideias, mesmo que não perceba isso completamente.
É importante entender que ninguém é totalmente extrovertido ou introvertido. Existem características conscientes e inconscientes se complementam para nos ajudar a nos adaptar ao mundo ao nosso redor. Mesmo que uma tendência seja mais forte, a outra ainda está presente e influencia nosso comportamento e pensamento.
Persona e Sombra
A persona é descrita como uma espécie de máscara social que cada indivíduo utiliza para interagir com o mundo ao seu redor. Essa máscara é formada por uma série de comportamentos, atitudes e características que a pessoa escolhe, muitas vezes alinhados às expectativas sociais e culturais do ambiente em que se encontra. Embora a persona desempenhe um papel significativo na vida de cada indivíduo, representando a maneira pela qual eles se apresentam e se ajustam às diferentes situações sociais, uma identificação excessiva com ela pode ser prejudicial, impedindo o desenvolvimento de outros aspectos da personalidade.(Schultz e Schultz, 2002)
Anima e Animus
 Os arquétipos anima e animus indicam que tanto homens quanto mulheres expressam características, temperamentos e atitudes associadas ao sexo oposto, permitindo a observação de aspectos femininos na psique masculina e aspectos masculinos na psique feminina.(Schultz e Schultz, 2002)
Inconsciente pessoal 
O inconsciente pessoal é descrito como uma camada da psique humana que retém as experiências individuais de uma pessoa. Essas vivências englobam memórias, emoções, desejos e pensamentos que não estão presentes na consciência imediata, mas que podem ser explorados por meio de técnicas como análise dos sonhos e associação livre. Essa faceta da psique é singular para cada indivíduo e pode exercer influência sobre seu comportamento e percepções de maneira inconsciente (Schultz e Schultz, 2002).
Inconsciente coletivo
Schultz e Schultz (2002) descrevem o nível mais profundo da psique como um reservatório de experiências herdadas não apenas das sociedades humanas, mas também de estágios pré-humanos, contendo memórias ancestrais que moldam sutilmente nossas percepções, pensamentos e ações.
Complexos
À medida que acumulamos experiências em nosso inconsciente pessoal, começamos a organizá-las em o que Jung denomina de complexos. Um complexo é um conjunto ou padrão de emoções, lembranças e desejos no inconsciente pessoal. (Schultz e Schultz, 2002). A noção de “complexo” é fundamental para estabelecer o desenvolvimento da personalidade. É ela que permite a ligação entre as variadas experiências particulares do indivíduo com os componentes arquetípicos, além de expressar com exatidão a história personalizada do desenvolvimento da consciência e autoconscientização do indivíduo, permitindo também identificar os elementos desconexos desse processo. 
Jung designa complexos o “aglomerado de associações que formam grupos autônomos, com tendência de movimento próprio e que vivem sua vida independentemente de nossa intenção” (JUNG, 1985, p. 67 apud WEINMANN, 2015).
Individualização
 
Segundo o que Schultz e Schultz (2002) , é importante entender que cada um de nós é único, e isso é algo natural e inevitável. Porém, esse processo de se tornar quem realmente somos pode ser afetado por coisas ao nosso redor, como oportunidades que temos na escola ou no trabalho, nossa situação financeira e até mesmo como nos damos com nossos pais e filhos.
Então, para nos tornarmos verdadeiramente nós mesmos, precisamos deixar para trás certos comportamentos e ideias antigas e enfrentar o que está dentro de nós, nossos sonhos e desejos mais profundos. Isso pode significar expressar nossa criatividade escrevendo, pintando ou encontrando outras formas de arte, e nos deixarmos levar pelo que sentimos, sem pensar demais.
Também é importante equilibrar o que está escondido dentro de nós com o que sabemos conscientemente, para que nenhum lado da nossa personalidade se sobressaia demais. Quando chegamos à meia-idade, é crucial entender que quem mostramos parao mundo pode não ser quem realmente somos, e precisamos aceitar até mesmo os lados mais escuros de nós mesmos.
Além disso, parte desse processo é aceitar e abraçar partes de nós que talvez não sejam tradicionalmente associadas ao nosso sexo. Isso pode ser difícil, mas também pode abrir portas para uma nova criatividade e compreensão de nós mesmos.
Referências Bibliográficas
1-WEINMANN, Amadeu de Oliveira; EZEQUIEL, Verônica da Silva. Encontros sinistros: uma análise do filme Cisne negro. Arq. bras. psicol.,  Rio de Janeiro ,  v. 67, n. 2, p. 91-104,   2015 .   Disponível em . acessos em  04  maio  2024.
2 Vieitas Vergueiro, P. (2008). "Jung, entrelinhas: reflexões sobre os fundamentos da teoria junguiana com base no estudo do tema individuação em Cartas." Psicologia: Teoria e Prática, 10(1), 125-143
3 Schultz, D. P., & Schultz, S. E. (2002). Teorias da personalidade. Artmed Editora.
4Ramos, Luís Marcelo Alves. 2005. "Disposição Principal e Secundária de Extroversão e Introversão." Campinas: ETD – Educação Temática Digital, v.6, n.2, p.137-180, jun. ISSN: 1676-2592.

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