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Começaremos as 19h15 Os Programas de Transferência de Renda no Brasil Professora: Mirele Vicente da Silva Gomes Nutricionista Sanitarista Os Programas de Transferência de Renda Estratégia de enfrentamento da pobreza, tendo como eixo central o repasse monetário às famílias, articulado à possibilidade de acesso e inserção a demais serviços sociais nas áreas de educação, saúde, trabalho na perspectiva da autonomização das famílias beneficiárias Cenário Os programas de transferência de renda foram elaborados em um momento histórico cuja conjuntura socioeconômica estava marcada pelo grande crescimento do desemprego, com formas de ocupações precárias e instáveis, sem proteção social que garantida pelos benefícios da Previdência Social e ainda, pela queda da renda oriunda do trabalho, o aumento da pobreza e da desigualdade social. Histórico O desenvolvimento dos Programas de Transferência de Renda no Brasil iniciou-se em 2001, penúltimo ano do segundo mandato (1999-2002) do Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Ampliaram-se os programas de iniciativa do Governo federal, com a criação do Programa Bolsa Escola e Bolsa Alimentação. Esses programas atingiram uma abrangência geográfica e foi aplicado um grande volume de recursos, que foram apontados, no discurso do então Presidente da República, como o eixo central de uma "grande rede nacional de proteção social" O ano de 2003 inaugurou um novo momento no desenvolvimento dos Programas de Transferência de Renda, quando iniciou-se o Governo do Presidente Lula, que assumiu como prioridade para o enfrentamento da fome e da pobreza, no país, situando as Políticas Sociais enquanto importantes mecanismos na construção desse projeto. Foi destacada a necessidade da construção de uma proposta para Unificação dos Programas de Transferência de Renda, representada pela instituição do Programa Bolsa Família, lançado ainda em 2003. O Programa Bolsa Família (PBF) Criado pela Lei nº 10.836, de 09 de janeiro de 2004, e regulamentado pelo Decreto nº 5.209, de 17 de setembro de 2004, que sofreu várias alterações. Foi o principal programa de transferência de renda do governo federal, substituído no governo Bolsonaro pelo Programa Auxílio Brasil (PAB); Em 2023 volta a se chamar PBF no governo Lula Breve histórico do PBF Teve origem como um programa estratégico no âmbito do Fome Zero – uma proposta de política de segurança alimentar, orientando-se pelos seguintes objetivos: BRASIL. MDS, 2006. Breve histórico do PBF combater a fome, a pobreza e as desigualdades por meio da transferência de um benefício financeiro associado à garantia do acesso aos direitos sociais básicos – saúde, educação, assistência social e segurança alimentar; promover a inclusão social, contribuindo para a emancipação das famílias beneficiárias, construindo meios e condições para que elas possam sair da situação de vulnerabilidade em que se encontram BRASIL. MDS, 2006. Objetivos básicos do PBF: I - promover o acesso à rede de serviços públicos, em especial, de saúde, educação e assistência social; II - combater a fome e promover a segurança alimentar e nutricional; III - estimular a emancipação sustentada das famílias que vivem em situação de pobreza e extrema pobreza; IV - combater a pobreza; e V - promover a intersetorialidade, a complementariedade e a sinergia das ações sociais do Poder Público. Art. 4º Decreto nº 5.209 de 2004. Beneficiários do PBF: Até o governo Bolsonaro Famílias elegíveis para participar do Bolsa Família: As famílias em situação de extrema pobreza com renda mensal de R$ 89,00 (oitenta e nove reais) por pessoa; As famílias pobres, entendidas como aquelas com renda mensal de até R$ 178,00 (cento e setenta e oito reais) por pessoa. Art. 18 Decreto nº 5.209 de 2004. Benefícios concedidos pelo PBF: O programa tinha cinco tipos de benefício: I - O benefício básico, no valor de R$ 89,00 (oitenta e nove reais), concedido a famílias em situação de extrema pobreza; II - O benefício variável, no valor de R$ 41,00 (quarenta e um reais) por beneficiário, até o limite de R$ 205,00 (duzentos e cinco reais) concedido às famílias pobres e extremamente pobres que tenham, sob sua responsabilidade, gestantes, nutrizes, crianças (entre zero e doze anos) e adolescentes até 15 (quinze) anos, até o máximo de 5 (cinco) benefícios por família; III - O benefício variável, vinculado ao adolescente, no valor de R$ 48,00 (quarenta e oito reais) por beneficiário, até o limite de R$ 96,00 (noventa e seis reais) por família, destinado a unidades familiares que se encontrem em situação de pobreza ou extrema pobreza e que tenham em sua composição adolescentes com idade entre 16 (dezesseis) e 17 (dezessete) anos matriculados em estabelecimento de ensino, sendo pago até o limite de 2 (dois) benefícios por família; IV - O benefício variável de caráter extraordinário, que constitui-se de parcela do valor dos benefícios das famílias atendidas pelos Programas Remanescentes que, na data da sua incorporação ao Programa Bolsa Família, exceda o limite máximo fixado para o Programa Bolsa Família. V - O benefício para superação da extrema pobreza, no limite de um por família, destinado às unidades familiares beneficiárias do Programa Bolsa Família apresentem soma da renda familiar mensal e dos benefícios financeiros previstos nos incisos I a III igual ou inferior a R$ 89,00 (oitenta e nove reais) per capita. Art. 19 Decreto nº 5.209 de 2004. Condicionalidades do PBF: I - na área de educação: para as crianças ou adolescentes de 6 (seis) a 15 (quinze) anos de idade, a matrícula e a frequência mínima de 85% (oitenta e cinco por cento) da carga horária escolar mensal; e para os adolescentes de 16 (dezesseis) e 17 (dezessete) anos de idade, cujas famílias recebam o Benefício Variável Vinculado ao Adolescente - BVJ, a matrícula e a frequência mínima de 75% (setenta e cinco por cento) da carga horária escolar mensal; Condicionalidades do PBF: II - na área de saúde: para as gestantes e nutrizes, o comparecimento às consultas de pré-natal e a assistência ao puerpério, visando à promoção do aleitamento materno e dos cuidados gerais com a alimentação e saúde da criança; e para as crianças menores de 7 (sete) anos, o cumprimento do calendário de vacinação e o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil; Condicionalidades do PBF: III - na área de assistência social: para as crianças e adolescentes de até 15 (quinze) anos, em risco ou retiradas do trabalho infantil, a frequência mínima de 85% (oitenta e cinco por cento) da carga horária relativa aos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos - SCFV. Suspensão ou cancelamento dos benefícios: As famílias atendidas pelo Programa Bolsa Família permanecerão com os benefícios liberados mensalmente para pagamento, exceto nas seguintes situações: I – comprovação de trabalho infantil; II – descumprimento de condicionalidade que acarrete suspensão ou cancelamento dos benefícios concedidos; III – omissão de informações ou prestação de informações falsas para o cadastramento que habilitem indevidamente; IV – desligamento por ato voluntário do beneficiário ou por determinação judicial; Art. 25 Decreto nº 5.209 de 2004. V – alteração cadastral na família, cuja modificação implique a inelegibilidade ao Programa; VI – ausência de saque dos benefícios financeiros por período superior ao estabelecido pelo Ministério; VII – esgotamento do prazo: Para ativação dos cartões magnéticos da conta indicada; Para revisão de benefícios. VIII – desligamento em razão de posse do beneficiário do PBF em cargo eletivo remunerado em qualquer esfera de Governo; IX – recebimento do benefício do seguro-desemprego, hipótese em que os benefícios financeiros do PBF, serão suspensos. Art. 25 Decreto nº 5.209 de 2004. Alguns resultados do PBF... PERFIL DA POBREZA: Entre 2003 e 2011, a renda per capita brasileira cresceu mais de 40,0%,de cerca de R$ 550,00 para pouco mais de R$ 770,00; e a desigualdade medida pelo coeficiente de Gini diminuiu 9,2%; A extrema pobreza teve queda de 8,0% para pouco mais de 3,0% da população, e a pobreza recuou de 16,0% para 6,0%. Alguns resultados do PBF... PERFIL DA POBREZA: Alguns resultados do PBF... ESCOLARIDADE: Ocorreu melhora no perfil educacional da população e o estrato que mais avançou foi o dos extremamente pobres; o único que permaneceu com o mesmo perfil foi o dos não pobres. Alguns resultados do PBF... TAMANHO MÉDIO DAS FAMÍLIAS: O tamanho médio das famílias muito mais homogêneo entre os estratos, houve queda em 20,0% do tamanho das famílias extremamente pobres, que se tornaram basicamente indistinguíveis das famílias pobres e apenas pouco maiores que as famílias vulneráveis. Programa Auxílio Brasil Novo programa de Transferência de Renda Programa Auxílio Brasil (PAB) Programa criado em substituição ao Programa Bolsa Família, criado pela Medida Provisória nº 1.061 de 09 de agosto de 2021 e regulamentado pelo Decreto nº 10.852 de 8 de novembro de 2021. Faixa de renda de pobreza e extrema pobreza Como era no Programa Bolsa Família Famílias com renda per capita de até R$ 89,00 eram consideradas em situação de extrema pobreza, enquanto aquelas com renda per capita entre R$ 89,01 e R$ 178,00 eram consideradas em situação de pobreza. Novas faixas de renda para o Programa Auxílio Brasil Famílias com renda per capita de até R$100,00 passam a ser consideradas em situação de extrema pobreza, enquanto aquelas com renda per capita entre R$100,01 e R$200,00 serão consideradas em situação de pobreza. Benefícios do PAB: Benefício Primeira Infância (BPI): pago por criança, no valor de R$ 130,00 para famílias que possuam em sua composição crianças com idade entre 0 e 36 (trinta e seis) meses incompletos. Benefício Composição Familiar (BCP): pago por pessoa, no valor de R$ 65,00 para famílias que possuam em sua composição: a) Gestantes e/ou b) pessoas com idade entre 3 (três) e 21 (vinte e um) anos incompletos A família apenas receberá esse benefício relativo aos seus integrantes com idade entre 18 e 21 (vinte e um) anos incompletos se estiverem matriculados na educação básica. Para as gestantes o benefício será encerrado após a geração da 9ª (nona) parcela. Benefícios do PAB: Benefício de Superação da Extrema Pobreza (BSP): valor calculado de forma que a renda per capita da família supere o valor da linha de extrema pobreza, fixada em R$100,00 mensais por pessoa. No caso da família receber BPI e/ou BCF, esses valores serão somados à renda familiar quando for calculado o valor do BSP da família. O valor mínimo pago a cada membro da família é de R$25,00. Famílias unipessoais em situação de extrema pobreza também são elegíveis ao BSP. Benefícios do PAB: A família pode receber, cumulativamente, os 3 benefícios financeiros. Os benefícios BPI e BCF serão pagos até o limite de 5 (cinco) benefícios por família, considerados em conjunto. No caso de haver mais de 5 (cinco) pessoas na família elegíveis ao recebimento desses benefícios, a família será contemplada com aqueles financeiramente mais vantajosos Benefício Compensatório de Transição Valor complementado na parcela mensal das famílias beneficiárias que, porventura, tiveram redução no valor do benefício, após a revogação do Programa Bolsa Família e a implementação do Auxílio Brasil. O pagamento será feito enquanto a família for beneficiária e não alcançar o mesmo patamar financeiro que possuía no PBF. Será concedido no mês de novembro/ 2021 exclusivamente, e mantido até que o valor recebido pela família no PAB seja igual ao valor recebido no PBF, ou até que a família não se enquadre mais nos critérios de elegibilidade. A revisão do valor do benefício será feita a cada 6 meses e a revisão de elegibilidade todos os meses. Condicionalidades Saúde Vacinação e acompanhamento nutricional peso e altura de crianças menores de 7 anos. Pré-natal de gestantes. Educação Frequência escolar mensal mínima de 60% para os beneficiários de 4 e 5 anos. Frequência escolar mensal mínima de 75% para os beneficiários de 6 a 15 anos e 16 a 21 anos incompletos que tenham benefícios atrelados a eles. Condicionalidades Outros Auxílios: O Auxílio Esporte Escolar Bolsa de Iniciação Científica Júnior Auxílio Criança Cidadã Auxílio Inclusão Produtiva Rural Auxílio Inclusão Produtiva Urbana A Inserção do Nutricionista no Sistema Único de Saúde Ao longo de todo o processo de formulação e implementação do SUS no Brasil, observa-se a relevante inserção técnico-política do nutricionista nos diferentes níveis de organização dos serviços de saúde, nas distintas esferas administrativas e nas distintas instâncias de gestão social do sistema. Nutricionista nos órgãos de planejamento e gestão do Sistema Único de Saúde Nutricionista nos Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica Nutricionista nos serviços de atenção de média e alta complexidades O nutricionista nos órgãos de Planejamento e Gestão do SUS O nutricionista na gestão das políticas de alimentação e nutrição O nutricionista tem ocupado distintos espaços nos diferentes níveis hierárquicos de organização dos serviços (central, regional, local) das três esferas administrativas (federal, estadual e municipal). A atuação do nutricionista nas atividades de planejamento e gestão das políticas públicas do setor saúde e em outros setores que fazem interface com o SUS – como educação, desenvolvimento social e agricultura - também tem sido evidenciada. Nível Central Desenvolvimento de ações diretivas, de planejamento e normatização de serviços e programas. Nível Regional Desenvolvimento de ações administrativas, de planejamento, organização, direção, controle, supervisão e avaliação dos serviços e programas. Nível Local Desenvolvimento de ações dirigidas ao atendimento das necessidades nutricionais da população assistida pelas unidades de saúde. Planejamento na área de alimentação e nutrição Os municípios desempenham um papel fundamental na implantação e gestão dos programas e ações vinculados a essas políticas, adequando-os ao perfil epidemiológico e à realidade da sua rede de Atenção Básica. Os nutricionistas atuam na coordenação dos programas do Ministério da Saúde voltados para a promoção da saúde e atenção nutricional na Atenção Básica, devendo conhecer bem seus objetivos, as referências legais (decretos, portarias), os materiais de apoio, cursos relacionados e sistemas de informações vinculados. ATIVIDADE PARA NOTA AV2 GRUPOS DE 4 a 5 PESSOAS APRESENTACÃO ORAL COM SLIDE CRITÉRIOS DE AVALIACÃO – Até 4 pontos, prova 0 a 6 Conteúdo Apresentação Participação do grupo Temas da atividade Política Nacional de Alimentação e Nutrição Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB) Vigilância Alimentar e Nutricional – VAN Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A Estratégia de Fortificação da Alimentação Infantil com Micronutrientes em pó – NutriSUS Programa Nacional de Suplementação de Ferro Programa Nacional de Controle dos distúrbios por deficiência de iodo Estratégia de identificação e tratamento do Beribéri Leitura recomendada... Decreto nº 10.852 de 8 de novembro de 2021. Referências BRASIL. Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004. Cria o Programa Bolsa Família e dá outras providências. BRASIL. Decreto nº 5.209, de 17 de setembro de 2004. Regulamenta a Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, que cria o Programa Bolsa Família e dá outras providências. image1.jpeg image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.emf image19.emf image20.emf image21.png image22.emf image23.png image24.png image25.png