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/ São Luís 2018 BRUNO CASTRO TAVARES A IMPORTÂNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE GESTÃO DE MANUTENÇÃO São Luís 2018 A IMPORTÂNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE GESTÃO DE MANUTENÇÃO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Pitágoras de São Luís, como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Engenharia Mecânica. Orientador: Eduardo Moreira BRUNO CASTRO TAVARES BRUNO CASTRO TAVARES A IMPORTÂNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE GESTÃO DE MANUTENÇÃO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Pitágoras de São Luís, como requisito parcial para a obtenção do título de graduado em Engenharia Mecânica. Aprovado em: __/__/____ BANCA EXAMINADORA Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a) Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a) Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a) Dedico este trabalho primeiramente a Deus por mais esse sonho concretizado, aos ensinamentos de todos os professores e ao apoio dos familiares. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por me dar força de vontade em seguir nessa jornada sem pensar em desistir. Agradeço aos meus familiares pelo apoio e incentivo e por sempre respeitar minhas decisões e sempre aumentar nossa autoestima nos momentos de dificuldade. Agradeço pelos amigos de faculdade por sempre torcerem e apoiarem nessa caminhada. Agradeço aos professores da instituição. Obrigado pela paciência em educar e pela partilha de conhecimentos Enfim, um muito obrigado a todos que me apoiaram em mais uma vitoriosa jornada. TAVARES, Bruno Castro. A Importância da implantação na Gestão de Manutenção.2018. Número total de folhas: Trabalho de Conclusão de Curso em Engenharia Mecânica-Faculdade Pitágoras, São Luís, 2018. RESUMO A manutenção é vista como um conjunto de técnicas que visam à conservação de instalações e equipamentos por um maior tempo possível ,objetivando à maior disponibilidade e máximo desempenho, sendo também uma arma importante na segurança dos funcionários, já que grande parte dos acidentes são causados por um funcionamento ruim dos equipamentos. Os objetivos próprios de uma gerência de manutenção moderna são: maximizar a produção com menor custo e a mais alta qualidade sem infringir normas de segurança e causar danos ao meio ambiente. Sua essência consiste em: adicionar valor aos bens ou serviços durante o processo de transformação. Segundo esse conceito, todas as atividades produtivas que não adicionarem valor aos bens devem ser consideradas como perdas e eliminadas, ponto em que a manutenção se encaixa perfeitamente. Palavras-chaves: Manutenção. Manutenção Produtiva Total (TPM). Perdas e Eficiência Global do Equipamento (OEE). TAVARES, Bruno Castro. A Importância da implantação na Gestão de Manutenção.2018. Número total de folhas: Trabalho de Conclusão de Curso em Engenharia Mecânica-Faculdade Pitágoras, São Luís, 2018. ABSTRACT Maintenance is seen as a set of techniques aimed at conserving facilities and equipment for as long as possible, aiming for greater availability and maximum performance, and is also an important weapon in employee safety, since most accidents are caused equipment malfunction. The goals of modern maintenance management are to maximize production at the lowest cost and the highest quality without violating safety standards and causing damage to the environment. Its essence is to: add value to the goods or services during the transformation process. According to this concept, all productive activities that do not add value to the goods should be considered as losses and eliminated, where maintenance perfectly fits. Keywords: Maintenance. Total Productive Maintenance (TPM). Losses and overall efficiency of the equipment (OEE). SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................................21 2 CONCEITO E HISTORICO DA GESTÃO DA MANUTENÇÃO ............................. 23 3 IMPORTANCIA DA GESTÃO DA MANUNTENÇÃO.............................................28 4 TIPOS DE MANUTENÇÃO E SUAS VANTAGENS...............................................31 4.1 MANUTENÇÃO CORRETIVA..............................................................................31 4.2 MANUTENÇÃO PREVENTIVA............................................................................31 4.3 MANUTENÇÃO PREDITIVA................................................................................32 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................34 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 37 21 1 INTRODUÇÃO Com o custo da produção e a manutenção cada vez mais elevada e agravada pela crise financeira do Brasil, empresas vem tentando levar aos seus clientes serviços mais assertivos e com custos cada vez mais baixos. Elevando a importância da manutenção e adequando-a para os mais diversos setores da economia. A manutenção tem sua evolução dividida em quatro etapas, levando em consideração que a produtividade não era tão importante. Por esta razão não era parte estratégica das empresas, resumia-se basicamente as atividades serviços de limpeza, lubrificação e/ou manutenção corretiva. A primeira etapa da manutenção ocorreu no período antes da segunda guerra mundial, quando a indústria era pouco mecanizada, os equipamentos eram simples e na maioria das vezes superdimensionados. Já a segunda fase ocorreu depois da segunda guerra mundial, período em que a população mundial demandava de uma série de produtos. Neste momento viu-se a necessidade de transformar o método de fabricação, pois a produção sofria com a falta de mão de obra qualificada de todo tipo. Neste mesmo período era necessário produzir em larga escala, logo a disponibilidade dos equipamentos foi se tornando vital para a linha de produção das empresas, surgindo assim a manutenção preventiva, que na época era tida basicamente como intervenções realizadas em intervalos fixos. Depois destas transformações houve um grande aumento no valor das manutenções para as empresas, forçando para que houvesse um maior planejamento e controle da manutenção. Na década de 70 acelerou-se o processo de mudanças industriais como um terceiro momento, devido à quantidade de dinheiro investido nestes equipamentos e o aumento do valor dos mesmos, fazendo com que as empresas a buscassem meios para aumentar a vida útil destes ativos. Quando o sistema Just- in- time foi implantado nas empresas a preocupação com o bom funcionamento dos equipamentos aumentou, devido os estoques reduzidos e a filosofia de eliminar desperdícios na linha de produção, qualquer pequena pausa na produção ou entrega, naquele momento poderia parar a fábrica,ou reduzir sua produção, com isto reafirma o conceito de uma manutenção que tem enfoque na real 22 condição do equipamento, sua vida útil, quando e quanto a empresa poderá contar com ele. Com o mercado cada vez mais exigente e focado na produtividade e confiabilidade nas máquinas e equipamentos, olha-se para o sistema interno das empresas e questiona-se como uma Gestão de Manutenção pode ser aplicada para diminuição do tempo de manutenção aumentando assim a produtividade? O objetivo geral é delinear as etapas da Gestão da Manutenção no âmbito industrial, com o propósito de tornar o setor parte estratégica da gestão da empresa, configurando-se como um diferencial competitivo. Tem comoobjetivos específicos: • Conceituar manutenção e seu histórico; • Relatar a importância da Gestão da Manutenção na indústria; • Conhecer os tipos de manutenção e suas vantagens. Para o desenvolvimento desta pesquisa foi utilizado o método bibliográfico, que conforme Lakatos e Marconi (2014), é baseado no levantamento de referências teóricas publicadas por meios escritos, eletrônicos e mesmo de comunicação áudio visuais, como livros, periódicos especializados, trabalhos de pesquisa de cunho científico, sites da web, documentários, dentre outros. Assim, seguindo o método definido para construção textual desta proposta de trabalho, a pesquisa foi pautada em livros de referência, artigos e diversos materiais acadêmicos e científicos, além de manuais oficiais de fabricantes de componentes de SCL de referentes à temática e disponíveis em bases de dados eletrônicas Google Acadêmico e Scientific Electronic Library Online (SciELO), assim como o banco de dados da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação. Foram pesquisados os termos, juntos e/ou separados: a) “Manutenção industrial”; b) “Manutenção”; c) “Gestão da manutenção”; d) “Ferramentas no sistema de gestão da manutenção”. Foram incluídos trabalhos publicados nos últimos dez anos, ou seja, a partir de 2008. 23 2 CONCEITO E HISTORICO DA GESTÃO DA MANUTENÇÃO Manutenção é o termo usado para abordar a forma pela qual as organizações tentam evitar as falhas ao cuidar de suas instalações (SLACK;CHAMBERS ; JOHNSTON, 2002) Os primeiros registros de manutenção datam do século x, quando os vikings dependiam fortemente da manutenção para manter seus navios em perfeitas condições para as batalhas (PASCOLI apud SILVA, 2004). A atividade de manutenção é, provavelmente, tão antiga quanto o homem. Existem registros datados de mais de 3.000 anos sobre a movimentação de cargas pesadas sobre rodas, que incluíam a aplicação de lubrificantes. Também as caravelas que conduziam os descobridores do Novo Mundo levavam os seus próprios carpinteiros. (NAGAO, 1999, p,84) Ao longo da história, foram resolvidas as falhas nas indústrias, com o surgimento das primeiras máquinas eram os próprios usuários que realizavam as reparações. As intervenções foram realizadas após as falhas ocorrerem, ou quando elas estavam prestas a ocorrer. Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, os encarregados da manutenção buscavam resolver e prevenir as falhas que ocorreram no equipamento para não haver maiores impactos na produtividade. (GARRIDO, 2004). Segundo Alves (2004), as indústrias eram pouco mecanizadas e as paradas de produção pouco importavam. As técnicas de manutenção empregadas eram precárias e simples, limitando-se a limpezas, às rotinas de 22 lubrificações e à inspeção visual. As competências técnicas e gerenciais dos profissionais eram mínimas. Desde o início do século XX a manutenção vem ganhando importância dentro do setor produtivo e, de acordo com Nagao (1999), a mesma tem se destacado. Cada vez mais como área fundamental para o sucesso das empresas, pois o impacto de uma manutenção inadequada e ineficiente pode definir a rentabilidade do negócio e a sobrevivência do empreendimento. Todo o equipamento, máquina ou ferramenta necessita de uma mantenabilidade. Xenos (1998) aborda que a manutenção, além de indispensável, pode ser considerada como a base de toda atividade industrial. Conforme Nepomuceno (1989), toda e qualquer fábrica ou instalação industrial, ou ainda 24 qualquer atividade que pretende fabricar alguma coisa, precisa de vários meios que permitam a produção. Para Filho (2000), a manutenção é uma função empresarial da qual se espera o controle constante das instalações, assim como o conjunto de trabalho de reparo e revisões necessárias para garantir o funcionamento regular e o bom estado de conservação das instalações produtivas, serviços e instrumentação dos estabelecimentos. De Acordo com Olmedo (1993),a manutenção pode ser definida como o conjunto de atividades e recursos aplicados aos sistemas ou equipamentos, visando garantir a consecução de sua função dentro de parâmetros de disponibilidade, de qualidade, de prazos, de custos e de vida úteis adequados. Já a associação brasileira de normas técnicas, em uma versão revisada, designada como NBR-5462, define manutenção como a combinação de todas as ações técnicas e administrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter e recolocar um item em um estado no qual possa desempenhar uma função requerida (ABNT, 1994). Garrido (2004) diz que a manutenção é vista como um conjunto de técnicas que visam à conservação de instalações e equipamentos por um maior tempo possível (objetivando à maior disponibilidade) e máximo desempenho, sendo também uma arma importante na segurança dos funcionários, já que grande parte dos acidentes são causados por um funcionamento ruim dos equipamentos. Para Mishawaka (1993), os objetivos próprios de uma gerência de manutenção moderna são: maximizar a produção com menor custo e a mais alta qualidade sem infringir normas de segurança e causar danos ao meio ambiente. Para Tubino (1997) sua essência consiste em: adicionar valor aos bens ou serviços durante o processo de transformação. Segundo esse conceito, todas as atividades produtivas que não adicionarem valor aos bens devem ser consideradas como perdas e eliminadas, ponto em que a manutenção se encaixa perfeitamente. O planejamento estratégico é um processo gerencial utilizado para orientar as ações e respostas de uma empresa às demandas do ambiente em que está inserida. Implica em analisar tanto o meio externo como as condições internas a serem utilizadas para enfrentar os desafios da evolução empresarial. Todas as empresas com sistemas administrativos razoavelmente estruturados passam por períodos de elaboração ou revisão de seus Planejamentos Estratégicos, formulando 25 objetivos e programas de ação, para adaptar-se a mercados em contínua mudança e preservar clientes e rentabilidade. O planejamento estratégico é uma das ferramentas mais importantes e mais utilizadas no gerenciamento das organizações. Kaplan & Norton introduziram conceitos importantes como o de Mapas Estratégicos (2004) e BSC (2001) para, respectivamente, divulgar e gerenciar o planejamento estratégico. Também, através de experimentos práticos, mostraram como o alinhamento estratégico é essencial para o sucesso da condução das estratégias de uma organização. Para o planejamento estratégico da manutenção em máquinas de acesso, fizeram-se necessárias algumas ferramentas de controle, como a Matriz de Criticidade e o ciclo PDCA através do histórico de manutenção dos equipamentos. Momento em que foram avaliados diversos aspectos que poderiam aumentar a prioridade da manutenção e colocar as ocorrências em um gráfico de Pareto para que haja a definição de metas. A criticidade é o atributo que expressa a importância que um equipamento tem no processo produtivo, seja em relação à produção, segurança, qualidade, meio ambiente, ou outro aspecto específico. Quanto maior for o impacto de uma determinada falha ocorrida em um equipamento, maior será a criticidade desse equipamento. Para Siqueira (2005) a criticidade está diretamente relacionada às consequências que as falhas geram para o processo. Falhas críticas são aquelas que produzem condições perigosas ou inseguras de operação, podendo causar danos materiais, econômicos ou ambientais. Segundo Siqueira (2005) o nome deste tipo de manutenção é preditiva, que nasceu em um ambiente extremamente exigente tanto em relação a segurança quanto ao meio ambiente. Este tipo de manutenção segue uma relação de fatos que marca a terceira geração, a saber: O surgimento e a incorporação da manutenção preditiva pelas empresase a utilização de softwares potentes para alimentar os dados da empresa fornecendo dados para a melhor gestão da manutenção. Ainda segundo Siqueira (2005) outro fato importante é que neste período a confiabilidade começa a ser utilizado pela engenharia e manutenção. A Manutenção Centralizada em Confiabilidade (MCM) também conhecida pela sigla inglesa (RCM) Manutenção Centralizada em Confiabilidade, buscava incorporar maior confiabilidade nos projetos sendo caracterizada como uma meta pelas empresas; 26 porém a falta de comunicação entre os setores de engenharia, manutenção e operação, impedia a melhoria na busca. De acordo com Siqueira(2005) na quarta etapa continuam alguns conceitos buscados na terceira, como a disponibilidade nos equipamentos que talvez seja mais importante, a busca da gestão da manutenção e a confiabilidade. Onde agora tem como desafio a minimização de falhas prematuras ou falhas de mortalidade infantil, através da pratica da análise de falhas. Tendendo a diminuição da manutenção preventiva devido à paralisação do equipamento para sua execução, dando cada vez mais lugar a manutenção preditiva, fenômeno que também ocorre na corretiva não programada. Onde finalmente começa a acontecer uma grande mudança na pratica da manutenção que é a terceirização ou aprimoramento da contratação, que buscam contratos de longo prazo. Apesar de existirem na indústria pessoas responsáveis pela manutenção, estes ainda eram subordinados à função operação e executavam manutenção corretiva emergencial, o que implicava em conserto após falha e eventual indisponibilidade de máquina. Apenas com a II Guerra Mundial, no final da década de 30, e com a necessidade de produções cada vez maiores e mais enxutas, é que se começou a praticar o monitoramento de máquinas e equipamentos com base no tempo, caracterizando o que hoje se conhece por manutenção preventiva. Assim, a função manutenção, corretiva e preventiva, viria a assumir dentro da indústria posição hierárquica igual à da função produção (FILHO, 2008). O aumento dos registros de ocorrências de manutenção, bem como os altos gastos com peças de reposição, que ficaram ainda mais evidentes com a prática da manutenção preventiva, impulsionaram as empresas a desenvolver o setor, entre as décadas de 40 e 50, aprimorando o planejamento e a gestão da manutenção, com o advento da Engenharia de Manutenção em nível departamental, subordinada a uma gerência de manutenção (CAMPOS JÚNIOR, 2006). O foco no controle e prevenção de falhas passou a fazer parte do cotidiano da equipe de manutenção e trouxe bons resultados em termos de aumento da confiabilidade e disponibilidade de máquinas e equipamentos, diminuição dos riscos de segurança e saúde do trabalhador, entre outros. Ainda assim, as interrupções frequentes e os custos gerados pela manutenção preventiva tiveram repercussões negativas na produtividade, afetando o custo dos produtos. Aliado a tal fato, o avanço tecnológico, com difusão dos computadores a partir de meados da década 27 de 60, trouxe inovações para controle, medição e análise de falhas, tanto em termos de tratamento de dados quanto em termos de disponibilidade de novos instrumentos e equipamentos. Assim, foram desenvolvidos critérios de previsão de falhas, com equipes focadas no melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, através de controles estatísticos, estudos das avarias e uso de sistemas informatizados. Neste contexto, surge a Manutenção Preditiva e a área de Planejamento e Controle da Manutenção - PCM (FILHO, 2008). 28 3 IMPORTANCIA DA GESTÃO DA MANUNTENÇÃO Os equipamentos de produção têm sofrido ao longo dos tempos evoluções importantes. Os equipamentos de produção são cada vez mais automatizados. Tornam-se mais compactos, mais complexos e são utilizados de forma mais intensa. Os equipamentos são mais “caros” (investimentos mais elevados) com períodos de amortização mais pequenos. A exigência imposta por novos métodos de gestão da produção, o “Just-in-Time” exige a eliminação total dos problemas e avarias das máquinas. Para uma Manutenção programada e organizada com antecedência, deverão ser fixadas as tarefas, os métodos e os recursos necessários para as intervenções de Manutenção a executar. O plano de Manutenção deverá conter o conjunto de ações baseado no tempo, descrevendo as atividades de Manutenção específica e a períodos definidos. O plano de Manutenção determina a qualidade do trabalho da Manutenção. Pinto (1995) refere que a preparação do programa de Manutenção é uma atividade que requer experiência, pois não só as atividades de Manutenção devem ser indicadas como também a periodicidade do trabalho deve ser fixada tendo em conta as características e a disponibilidade do equipamento. Dentro do período de garantia dos equipamentos devem obviamente tomar-se precaução de forma a operar-se com eles em conformidade com quaisquer instruções que façam parte do contrato com o fornecedor de modo a assegurar as garantias dadas por este. Segundo Ferreira (1998), manutibilidade é a probabilidade de recuperar um sistema nas condições de funcionamento especificadas, em prazos de tempo estabelecidos, quando as ações de Manutenção são efetuadas nas condições e com os meios previstos. Assis (1997) afirma que a manutibilidade representa tudo o que poderá influenciar a aptidão de um sistema para receber Manutenção (facilidade de acesso, condições de segurança, precisão, economia). A manutibilidade dos sistemas está diretamente relacionada com a rapidez e facilidade com que as intervenções de Manutenção podem ser realizadas (Pinto, 1995). Ferreira (1998) apresenta ainda uma definição para manutibilidade como sendo a fiabilidade com que as reparações e o restante trabalho da Manutenção são efetuado e afeta diretamente a disponibilidade dos equipamentos para efetuarem o 29 serviço requerido. Pois, o tempo gasto na reparação de avarias e nas ações de Manutenção preventiva contribuem para a diminuição do tempo de exploração dos sistemas. O modelo de Manutenção a adoptar deverá ser em função das características da instalação industrial, devendo ser coerente com os equipamentos existentes e com a sua exploração. Qualquer equipamento, sistema ou instalação, seja ele mecânico, eléctrico/electrónico, hidráulico ou pneumático, está sempre sujeito a um processo progressivo de degradação, em consequência da utilização ou até por causas fortuitas. Isto requer que sejam efetuadas reparações, inspeções, rotinas preventivas, substituições de órgãos ou peças, mudanças de óleo, limpezas, correção de defeitos, fabricação de componentes, pinturas, etc., para que se possa repor os níveis de operacionalidade. Este conjunto de ações forma o leque de atividades, ou a missão, da Função Manutenção (Pinto, 1995). Embora as atividades do serviço de Manutenção variem com a dimensão e o tipo de empresa, bem como a política adoptada, segundo Pinto (1999), é possível agrupar essas atividades em duas áreas funcionais: - Funções primárias, que estão relacionadas com o trabalho diário efetuado pelo serviço de Manutenção. As funções primárias incluem a Manutenção dos equipamentos e instalações, incluindo as tarefas de planeamento, programação e controlo dos trabalhos de Manutenção, quer seja na elaboração de planos ou na emissão de ordens de trabalho, tendo ainda a função técnica do estudo dos processos de avarias no equipamento, a elaboração de registos históricos, a determinação de custos, a gestão e formação do pessoal afeto ao serviço, entre outros. As funções primárias incluem ainda a inspeção, lubrificação e limpeza dos equipamentos, a instalação de novos equipamentos e a participação na sua concepção e construção; - Funções secundárias, que são adjudicadasao serviço por razões de experiência precedente ou outras. Alguns exemplos de funções secundárias são os estudos e projetos, a proteção e segurança industrial, a higiene e segurança no trabalho, controlo das fontes de poluição, entre outros. Os objetivos da função Manutenção são os de melhorar a Fiabilidade dos equipamentos, diminuindo o número de avarias verificados, melhorar a 30 manutibilidade dos equipamentos, diminuindo os tempos de reparação e consequentemente, aumentar a disponibilidade. Segundo Takahashi (1993) o gerenciamento da manutenção tem que considerar os seguintes pontos: a) restringir os investimentos em equipamentos desnecessários; b) utilizar ao máximo os equipamentos existentes; c) melhorar a taxa de utilização do equipamento para a produção; d) garantir a qualidade do produto, através do uso do equipamento; e) reduzir a mão-de-obra de baixo custo, através da melhoria dos equipamentos; f) reduzir os custos de energia e materiais adquiridos, através de inovações no equipamento e melhorias dos métodos de sua utilização. Segundo Takahashi (1993) uma das desculpas para impedir a manutenção planejada é que não há tempo suficiente. A razão para o tempo insuficiente é o fato de que o departamento de operações não paralisaria o equipamento apenas para as atividades de manutenção. Segundo Takahashi (1993) as vantagens de um plano de manutenção podem ser resumidas da seguinte forma: • O número de etapas pode ser identificado e o trabalho transformado em rotina. • As exigências de recursos humanos podem ser planejadas, de modo a tornar disponível o pessoal necessário. • Os erros na aquisição de materiais, peças, sobressalentes e subcontratação de serviços podem ser evitados. • A qualidade pode ser verificada e podem ser adquiridos materiais de melhor qualidade. • Através da criação de planos de trabalho detalhados, os cronogramas podem ser preparados e coordenados com os planos de produção. • Os ciclos de reparo podem ser identificados para que possam ser tomadas as medidas em tempo hábil. 31 • Os padrões para o trabalho de reparo podem ser identificados, permitindo que o trabalho seja executado de forma eficiente. • Planos de reparo simultâneos podem ser criados. • O senso de responsabilidade das pessoas pode ser estimulado. • Através de atividades de trabalho planejadas, um grande volume de trabalho pode ser realizado de forma mais eficiente. 32 4 TIPOS DE MANUTENÇÃO E SUAS VANTAGENS Os tipos de manutenção existentes são caracterizados pela maneira como é feita a intervenção nos equipamentos, sistemas ou instalações. Existe uma gama bem grande de denominações para classificar os tipos de manutenção. Neste trabalho, serão abordados seis tipos, considerados como principais por diversos autores, são eles: manutenção corretiva não planejada e planejada, manutenção preventiva, manutenção preditiva, manutenção detectiva e engenharia de manutenção. 4.1 MANUTENÇÃO CORRETIVA A manutenção corretiva é a forma mais primitiva de manutenção, como foi mostrado anteriormente na Evolução da Manutenção. Ela se baseia simplesmente na correção de uma falha ou do desempenho menor que o esperado, ou seja, é uma manutenção de emergência. É dividida em duas classes: não-planejada e planejada (KARDEC; NASCIF2009). A manutenção corretiva não-planejada corrige a falha de maneira aleatória, uma quebra inesperada, sempre após a ocorrências do fato, sem acompanhamento ou planejamento anterior. Como Kardec e Nascif (2009) bem explicam, ela atua em um fato já ocorrido, não há 25 tempo para preparação do serviço, e infelizmente ainda é mais praticado do que deveria. Gera altos custos pois a quebra inesperada acarreta perdas na produção, perdas de qualidade, custos indiretos de manutenção, e ainda pode ter consequências inesperadas para o equipamento, pois a extensão dos danos pode ser bem maior. A manutenção corretiva é a forma mais óbvia e mais primária de manutenção, pode sintetizar-se pelo ciclo "avaria-repara", ou seja, a reparação dos equipamentos é feita depois de ocorrer a avaria. É a forma mais cara de manutenção quando encarada do ponto de vista total do sistema. Este tipo de manutenção origina: - Baixa utilização anual dos equipamentos e máquinas e, como tal, das cadeias produtivas; - Diminuição da vida útil dos equipamentos, máquinas e instalações; - Paragens forçadas para reparação em momentos inoportunos correspondentes a épocas de elevada produção, ou até a épocas de crise geral. 33 É óbvio que é impossível eliminar completamente este tipo de manutenção, pois muitas vezes não se pode prever o momento exato em que ocorrerá um defeito que obrigará a uma manutenção corretiva de emergência. Segundo Vianna (1991) “atividade que existe para corrigir falhas decorrentes dos desgastes ou deterioração de máquinas ou equipamentos. São os consertos das partes que sofreram a falha, podendo ser: reparos, alinhamentos, balanceamentos, substituição de peças ou substituição do próprio equipamento”. A manutenção paliativa é idêntica à manutenção curativa, variando no objetivo imediato. Esta manutenção é executada após a ocorrência de avarias, sendo neste caso o objetivo imediato a reposição em funcionamento das instalações ou equipamentos, ficando a resolução final da avaria adiada para um futuro em que o funcionamento das instalações/equipamentos não seja já tão crítico (por exemplo, no final do horário de laboração ou fim-de-semana). 4.2 MANUTENÇÃO PREVENTIVA A Manutenção Preventiva, como o próprio nome sugere, consiste num trabalho de prevenção de defeitos que possam originar a paragem ou um baixo rendimento dos equipamentos em operação. Esta prevenção é feita baseada em estudos estatísticos, estado do equipamento, local de instalação, condições eléctricas que o suprem, dados fornecidos pelo fabricante (condições óptimas de funcionamento, pontos e periodicidade de lubrificação, limpeza, ajuste, etc.), entre outros. É de grande importância a existência de um escritório de planeamento da manutenção (Gabinete de Métodos) composto por pessoas qualificadas tendo funções de preparação de trabalho e de racionalização e optimização de todas as ações. Daqui advém uma manutenção mais produtiva e mais eficaz. A existência de uma biblioteca organizada, contendo: manuais de manutenção, manuais de pesquisas de defeitos, catálogos construtivos dos equipamentos, catálogos de manutenção (dados pelos fabricantes) e desenhos de projeto atualizados. 34 Segundo Vianna (1991) a manutenção preventiva é uma filosofia, uma série de procedimentos, ações, atividades ou diretrizes que podem, ou não, ser adotados para se evitar, ou minimizar a necessidade de manutenção corretiva. Segundo Almeida (2000) o problema com esta abordagem é que o modo de operação e variáveis específicas da planta industrial ou do sistema afeta diretamente a vida operacional normal da maquinaria. O tempo médio entre as falhas (MTBF) não será o mesmo para uma bomba que esteja trabalhando com água e uma bombeando polpas abrasivas de minério. 4.3 MANUTENÇÃO PREDITIVA Ainda destaca a diferença mais substancial entre a manutenção corretiva e a preditiva: “(...) Talvez a diferença mais importante entre manutenção reativa e preditiva seja a capacidade de se programar o reparo quando ele terá o menor impacto sobre a produção. O tempo de produção perdido como resultado de manutenção reativa é substancial e raramente pode ser recuperado. A maioria das plantas industriais, durante períodos de produção de pico, operam 24 horas por dia. Portanto, o tempo perdido de produção não pode ser recuperado.” ALMEIDA (2000, p. 4) É a Manutenção Preventiva efetuada no momento exato, quando existe evidência experimental da avaria iminente. Esse momentoé detectado através de análises estatísticas e análises de sintomas. Entende-se por controle preditivo de manutenção, à determinação do ponto óptimo para executar a manutenção preventiva num equipamento, ou seja, o ponto a partir do qual a probabilidade do equipamento falhar assume valores indesejáveis. A determinação desse ponto traz como resultado índices ideais de prevenção de falhas, tanto sob o aspecto técnico como pelo aspecto económico, uma vez que a intervenção no equipamento não é feita durante o período que ainda está em condições de prestar o serviço, nem no período em que suas características operativas estão comprometidas. Neste tipo de manutenção, a decisão de intervenção preventiva é tomada. Este tipo de manutenção permite refinar os sistemas de manutenção preventiva, sendo a manutenção envolvida por um esforço conjunto onde: as unidades são descentralizadas, os especialistas em manutenção são envolvidos nos projetos dos 35 equipamentos e decisões sobre preparação de equipamentos (“set up”) e mantêm contatos com fornecedores para assegurar qualidade. 36 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Mediante a análise teórica dos aspectos levantados sobre a gestão da manutenção apresentados ao longo deste trabalho, conseguiu-se demonstrar as novas tendências relacionadas à manutenção, bem como os caminhos que as organizações estão tomando, visando gerar uma estratégia ideal. Os sistemas tradicionais utilizam ferramentas que, no curso das últimas décadas, tem demonstrado sua eficácia. No entanto, somente os meios tradicionais muitas vezes não são suficientes para se atingir a excelência em termos de gestão. Conclui-se que este trabalho é de suma importância para pesquisadores e estudantes do tema abordado por instigar a novos paradigmas e também por contribuir para que as empresas possam cada vez mais investir em equipamentos de alta qualidade e um rígido controle de qualidade. Considera-se, portanto, que foram alcançados todos os objetivos traçados para este trabalho e, apesar não existir um único caminho ou metodologia corretos e ideais para o gerenciamento estratégico do setor de manutenção, há práticas, conceitos e técnicas diversos que, se aplicados corretamente e coerentemente, poderão garantir excelentes resultados para a organização. 37 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Márcio Tadeu de. Manutenção Preditiva : Confiabilidade e Qualidade. Itajubá: 2000. 5 p. Disponível em: Acesso em: 10 out. 2007. ALMEIDA, M. T. Manutenção Preditiva: Confiabilidade e Qualidade. 2000. Disponível em: . Acesso em 06 out. 2011. ANDRADE, Ednardo B. Apostila de Gestão da Manutenção. Florianópolis, CEFET/SC, 2002. 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