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na mente de outrem o propósito criminoso até então inexistente. O erro da assertiva 
reside na informação “participar”, que não remete, necessariamente, à execução 
material do delito. 
 
27. Sobre os crimes contra a honra, assinale a assertiva CORRETA: 
(A) É sempre admissível, em se tratando do delito de difamação, a exceção da verdade. 
(B) A injúria se consuma no momento em que o ofendido toma conhecimento da ofensa 
irrogada. 
(C) No caso da injúria, a circunstância de a vítima ser maior de 60 anos ou portadora de 
deficiência configura causa de especial aumento de pena. 
(D) Em todas as espécies de delito contra a honra, a retratação cabal pelo querelado, 
antes da sentença, isenta de pena. 
 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Tema abordado na rodada 5 da turma ponto a ponto do MPMG. 
 
(A) INCORRETA. Consoante o Art. 139, Parágrafo Único, a exceção da verdade é 
admitida somente se o ofendido for funcionário público e a ofensa for relativa as suas 
funções. 
Art. 139 - Parágrafo único - A exceção da verdade somente se 
admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa 
ao exercício de suas funções. 
(B) CORRETA. Consuma-se o crime no momento em que o ofendido toma 
conhecimento da ofensa. Para que exista a injúria não é necessário que a vítima se sinta 
ofendida. É suficiente que a atribuição de qualidade negativa seja capaz de ofender um 
homem prudente e de discernimento. Trata-se de um delito formal com dolo de dano. 
Mesmo que o agente deseje macular a honra subjetiva da vítima, não é necessário que 
ocorra esse resultado. Basta a possibilidade de sua produção. 
(C) INCORRETA. A circunstância de a vítima ser maior de 60 anos ou portadora de 
deficiência configura forma qualificada do crime. A Lei 9.459/1997 incluiu o §3º no art. 
140, punindo com maior rigor a injúria consistente na utilização de elementos 
referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem. Posteriormente, a Lei 10.741/2003 
modificou o dispositivo, acrescentando-lhe a atual parte final, de modo a abranger 
também a ofensa referente à pessoa idosa ou portadora de deficiência. É forma 
qualificada do crime. 
(D) INCORRETA. Consoante o Art. 143: 
Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata 
cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de pena. 
 
44 
 Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado 
a calúnia ou a difamação utilizando-se de meios de comunicação, 
a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos 
mesmos meios em que se praticou a ofensa. 
Retratação é o ato de se desdizer, de retirar algo que foi afirmado. Significa a admissão, 
pelo agente, de que não é verídico o fato desonroso imputado ao ofendido. A retratação 
deve ser inequívoca, total e incondicional. É um ato unilateral, que não depende da 
aceitação do ofendido. É pessoal e incomunicável, não se transmitindo aos coautores. 
Produz efeitos apenas em âmbito penal, de modo que não afasta a possibilidade de 
demanda cível objetivando a reparação por danos morais. 
Aplicabilidade restrita aos crimes de calúnia e difamação de ação privada – Por 
expressa disposição legal, a retratação tem lugar apenas nos crimes de calúnia e 
difamação. Pressupõe o legislador que, ao reconhecer a falsidade da imputação, o 
agente restaura a honra objetiva da vítima, ou seja, a sua reputação perante o meio 
social. Ademais, como o dispositivo fala em querelado, infere-se que a retratação 
apenas é admissível nos crimes de ação penal privada. Por conseguinte, não pode ser 
utilizada nos crimes de ação penal pública, em que, aliás, vigora o princípio da 
indisponibilidade (caso do art. 145, parte final e parágrafo único). 
Para isentar o agente de pena, funcionando como causa de extinção da punibilidade, a 
retratação deve ocorrer antes da sentença de primeira instância. Se o crime for de 
competência originária de Tribunal, a retratação deve preceder o acórdão. 
Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se 
de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos 
mesmos meios em que se praticou a ofensa. 
 
28. Sobre a perspectiva da teoria finalista, que influenciou intensamente a reforma do 
Código Penal Brasileiro (1984), é INCORRETO afirmar: 
(A) O dolo é considerado como “dolo natural”, não o integrando a consciência da 
ilicitude. 
(B) O dolo exige representação real da ação típica, não bastando uma consciência 
potencial, ainda que não se exija uma representação refletida. 
(C) O ilícito pessoal não se esgota no desvalor de resultado e se co-constitui pelo 
desvalor da ação, devendo, o resultado, ser considerado como “obra do autor”. 
(D) A culpabilidade mantém-se como uma categoria psicológica, desprovida de aspectos 
valorativos/normativos. 
 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. O dolo, no modelo finalista, em superação aos modelos causalista e 
neokantista, afastou o conteúdo da consciência da ilicitude, mantido na culpabilidade

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