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43 na mente de outrem o propósito criminoso até então inexistente. O erro da assertiva reside na informação “participar”, que não remete, necessariamente, à execução material do delito. 27. Sobre os crimes contra a honra, assinale a assertiva CORRETA: (A) É sempre admissível, em se tratando do delito de difamação, a exceção da verdade. (B) A injúria se consuma no momento em que o ofendido toma conhecimento da ofensa irrogada. (C) No caso da injúria, a circunstância de a vítima ser maior de 60 anos ou portadora de deficiência configura causa de especial aumento de pena. (D) Em todas as espécies de delito contra a honra, a retratação cabal pelo querelado, antes da sentença, isenta de pena. GABARITO: B COMENTÁRIOS Tema abordado na rodada 5 da turma ponto a ponto do MPMG. (A) INCORRETA. Consoante o Art. 139, Parágrafo Único, a exceção da verdade é admitida somente se o ofendido for funcionário público e a ofensa for relativa as suas funções. Art. 139 - Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. (B) CORRETA. Consuma-se o crime no momento em que o ofendido toma conhecimento da ofensa. Para que exista a injúria não é necessário que a vítima se sinta ofendida. É suficiente que a atribuição de qualidade negativa seja capaz de ofender um homem prudente e de discernimento. Trata-se de um delito formal com dolo de dano. Mesmo que o agente deseje macular a honra subjetiva da vítima, não é necessário que ocorra esse resultado. Basta a possibilidade de sua produção. (C) INCORRETA. A circunstância de a vítima ser maior de 60 anos ou portadora de deficiência configura forma qualificada do crime. A Lei 9.459/1997 incluiu o §3º no art. 140, punindo com maior rigor a injúria consistente na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem. Posteriormente, a Lei 10.741/2003 modificou o dispositivo, acrescentando-lhe a atual parte final, de modo a abranger também a ofensa referente à pessoa idosa ou portadora de deficiência. É forma qualificada do crime. (D) INCORRETA. Consoante o Art. 143: Art. 143 - O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de pena. 44 Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa. Retratação é o ato de se desdizer, de retirar algo que foi afirmado. Significa a admissão, pelo agente, de que não é verídico o fato desonroso imputado ao ofendido. A retratação deve ser inequívoca, total e incondicional. É um ato unilateral, que não depende da aceitação do ofendido. É pessoal e incomunicável, não se transmitindo aos coautores. Produz efeitos apenas em âmbito penal, de modo que não afasta a possibilidade de demanda cível objetivando a reparação por danos morais. Aplicabilidade restrita aos crimes de calúnia e difamação de ação privada – Por expressa disposição legal, a retratação tem lugar apenas nos crimes de calúnia e difamação. Pressupõe o legislador que, ao reconhecer a falsidade da imputação, o agente restaura a honra objetiva da vítima, ou seja, a sua reputação perante o meio social. Ademais, como o dispositivo fala em querelado, infere-se que a retratação apenas é admissível nos crimes de ação penal privada. Por conseguinte, não pode ser utilizada nos crimes de ação penal pública, em que, aliás, vigora o princípio da indisponibilidade (caso do art. 145, parte final e parágrafo único). Para isentar o agente de pena, funcionando como causa de extinção da punibilidade, a retratação deve ocorrer antes da sentença de primeira instância. Se o crime for de competência originária de Tribunal, a retratação deve preceder o acórdão. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa. 28. Sobre a perspectiva da teoria finalista, que influenciou intensamente a reforma do Código Penal Brasileiro (1984), é INCORRETO afirmar: (A) O dolo é considerado como “dolo natural”, não o integrando a consciência da ilicitude. (B) O dolo exige representação real da ação típica, não bastando uma consciência potencial, ainda que não se exija uma representação refletida. (C) O ilícito pessoal não se esgota no desvalor de resultado e se co-constitui pelo desvalor da ação, devendo, o resultado, ser considerado como “obra do autor”. (D) A culpabilidade mantém-se como uma categoria psicológica, desprovida de aspectos valorativos/normativos. GABARITO: D COMENTÁRIOS (A) CORRETA. O dolo, no modelo finalista, em superação aos modelos causalista e neokantista, afastou o conteúdo da consciência da ilicitude, mantido na culpabilidade