Prévia do material em texto
Desenvolvimento, subdesenvolvimento e dependência PROF. JEAN BITTENCOURT SOCIOLOGIA O que é desenvolvimento? Atualmente, definimos desenvolvimento como a combinação entre crescimento econômico e melhoria das condições de vida da população de um determinado país; O desenvolvimento é medido através do IDH(índice de desenvolvimento humano) numa escala de 0 a 1. Leva em conta fatores como expectativa de vida, taxa de mortalidade infantil, saneamento, escolaridade média, renda per capta, entre outros; O crescimento econômico é medido por meio do PIB (Produto interno bruto); Os países que apresentam IDH inferior 0,85 são considerados subdesenvolvidos; Os países desenvolvidos estão concentrados na América do Norte, Europa Ocidental e Oceania (Nova Zelândia e Austrália) mais o Japão e a Coreia do Sul. O debate sobre o desenvolvimento Depois da II Guerra Mundial (1939-45), vários especialistas concluíram que a melhor forma de se evitar novas guerras seria promovendo o desenvolvimento das nações pobres, além de combater crises econômicas sempre que elas surgissem, pois o capitalismo gera crises cíclicas; Surgiu o debate teórico sobre o desenvolvimento que ficou conhecido como “desenvolvimentismo” fomentado pela ONU; Na América Latina, esse debate foi tratado por um órgão chamado CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe); A CEPAL Num primeiro momento, a CEPAL entendeu que o ponto de partida do desenvolvimento seria incentivar a industrialização patrocinada pelo Estado, buscando-se superar o chamado modelo agrário-exportador. Os pesquisadores da CEPAL também deram muito destaque à exploração que os países pobres sofriam dos países ricos no comércio internacional (divisão internacional do trabalho). Esse diagnóstico ficou conhecido como relações centro-periferia; Com base nesse diagnóstico, eles defenderam o fechamento das economias dos países pobres, prática conhecida como protecionismo, visando incentivar a indústria nacional protegendo-a da concorrência externa; Essas propostas da CEPAL foram adotadas principalmente pelos governos do Brasil e da Argentina. A teoria da dependência Na década de 1970, alguns pesquisadores começaram a perceber que o modelo desenvolvimentista não estava funcionando bem. Houve aumento da desigualdade social e da pobreza relativa nos países que o adotaram, observando-se apenas o crescimento do PIB; Começaram a surgir várias críticas ao modelo, chamando-se atenção para as enormes diferenças de desenvolvimento técnico-científico e tecnológico entre as nações; Desde o fim da II Guerra, o desenvolvimento do capitalismo passou a depender muito mais do investimento em ciência, tecnologia e educação. A industrialização patrocinada pelo Estado mediante o protecionismo da indústria nacional não seria capaz por si só de resolver o problema do subdesenvolvimento; Surgiu, então, a teoria da dependência. De acordo com essa teoria, o fosso que separa os países ricos dos países pobres tendia a aumentar no contexto da revolução técnico-científico-informacional. Teoria da dependência(cont.) Nesse sentido, o protecionismo defendido pelo modelo desenvolvimentista atrapalhava a modernização da indústria nacional, deixando-a obsoleta e pouco competitiva no comércio internacional, além de reduzir a qualidade dos produtos e serviços aos consumidores internos; Os teóricos da dependência passaram a sustentar que a única forma de superar o subdesenvolvimento seria a economia nacional se abrir para a concorrência externa, visando absorver as novas tecnologias criadas nos países ricos e altamente industrializados. Isto forçaria os empresários nacionais (capital nacional) a se modernizar e ser mais competitivo; Ao lado disso, cada país deveria investir naquilo que faz de melhor, dadas as suas condições naturais e sua trajetória de inserção na economia internacional. No caso do Brasil, houve uma revalorização do chamado agronegócio. Teoria da dependência (cont.) Ou seja, cada país deveria se especializar em oferecer um determinado produto demandado pelo comércio internacional, em vez de querer produzir vários itens ao mesmo tempo. Assim, enquanto os países ricos se especializam em produzir tecnologia, os países pobres buscariam atrair investimentos estrangeiros (implantação de indústrias multinacionais) e exportar commodities (extrativismo mineral, vegetal e agronegócio); Esse modelo ficou conhecido como desenvolvimento associado e dependente. Isto é, para os autores da teoria da dependência, somente haveria uma saída para o subdesenvolvimento através da associação do capital nacional com os capitais estrangeiros, inserindo o país na globalização de acordo com sua vocação econômica. Desenvolvimento associado e dependente Esse modelo promoveria o aumento dos níveis de emprego e renda, por conseguinte do consumo interno, além de modernizar constantemente a indústria nacional e os negócios no país. Ele passou a ser adotado em vários países periféricos, entre eles o Brasil, a partir da década de 1990. O modelo de desenvolvimento associado e dependente deveria ainda fazer uma opção pelo regime democrático, ao invés de regimes autoritários que caracterizaram o modelo desenvolvimentista, pois o regime democrático é o único que permite conhecer as reais necessidades da população em geral, dos trabalhadores e do empresariado, buscando atendê-las, dada a liberdade de expressão, de associação, de imprensa e de voto. O modelo associado e dependente foi acusado pelos críticos de ser neoliberal, de desmantelar a indústria nacional, de aprofundar a dependência e de reduzir a soberania dos países subdesenvolvidos. Desenvolvimento e dependência na Amazônia Historicamente, a região amazônica conheceu a economia de subsistência e os ciclos econômicos baseados no extrativismo vegetal, com destaque para as drogas do sertão e a borracha; Esse modelo extrativista, no entanto, gerava pouco impacto ambiental e durou até o fim da Segunda Guerra, com o declínio da demanda internacional por látex; A partir da década de 1950, o modelo desenvolvimentista passou a preconizar o incentivo ao desenvolvimento econômico das regiões brasileiras que apresentavam descompasso quando comparadas ao Sul-Sudeste industrializado. A Amazônia se tornou, então, alvo de intervenção do Estado através de projetos desenvolvimentistas. Desenvolvimento e dependência na Amazônia (Cont.) O objetivo desses projetos era incentivar a instalação de indústrias na Amazônia mediante concessão de incentivos fiscais e financiamento estatal. Para coordenar esse processo, em 1966, o governo federal criou a SUDAM(Superintendência para o desenvolvimento da Amazônia); Então sob o Regime Militar (1964-1986), acreditava-se que a Amazônia não só deveria se industrializar como também ser ocupada (projetos de assentamento) e se integrar ao resto do país através de infraestrutura de estradas, telecomunicações e eletrificação; Houve também grande incentivo à indústria da mineração, da pecuária, da madeira e do beneficiamento de castanha-do-pará. Foi também criada a zona franca de Manaus(1967). Desenvolvimento e dependência na Amazônia (cont.) A implantação de projetos de assentamento e industrialização gerou enorme impacto social e ambiental. Após um entusiasmo inicial, o governo perdeu o controle sobre esses projetos e observou-se muito desvio de dinheiro público, além de má gestão desses recursos; Cidades como Belém, Manaus, Macapá, Marabá, dentre outras, cresceram rapidamente, sem planejamento urbano adequado, recebendo populações interioranas (êxodo rural) e migrantes de outras regiões do país, sobretudo nordestinos e sulistas atraídos pela promessa de emprego, fartura de água e concessão de terras. Desenvolvimento e dependência na Amazônia (Cont.) Como resultado, embora atingido o objetivo da integração nacional, a Amazônia sofreu as seguintes consequências: 1)- boom demográfico; 2)- aumento da pobreza e da criminalidade nos grandes centros urbanos; 3)- conflitos agrários; 4)- Desterritorialização de populações indígenas e tradicionais; 5)- degradação do meio-ambiente, com destaque para o desmatamento e a poluição dos rios e dos mananciais de água. Slide 1: Desenvolvimento, subdesenvolvimento e dependência Slide 2: O que é desenvolvimento? Slide 3: O debate sobre o desenvolvimento Slide 4: A CEPAL Slide 5: A teoria da dependência Slide 6: Teoria da dependência(cont.) Slide 7: Teoria da dependência (cont.) Slide 8: Desenvolvimento associado e dependente Slide 9: Desenvolvimento e dependência na Amazônia Slide 10: Desenvolvimento e dependência na Amazônia (Cont.) Slide 11: Desenvolvimento e dependência na Amazônia (cont.) Slide 12: Desenvolvimento e dependência na Amazônia (Cont.)