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FACULDADE DE DIREITO DE SANTO ANDRÉ CURSO DE BACHARELADO EM DIREITO DIREITO CONSTITUCIONAL: O PODER CONSTITUINTE E SUA DIVISÃO YASMIN CRISTINA DA SILVA FERREIRA SANTO ANDRÉ 2024 YASMIN CRISTINA DA SILVA FERREIRA DIREITO CONSTITUCIONAL: O PODER CONSTITUINTE E SUA DIVISÃO Dissertação apresentada ao Programa de Graduação em Direito da Faculdade de Direito Santo André - FADISA, como requisito parcial para obtenção da nota que compõe o primeiro bimestre da disciplina de Direito constitucional I - Teoria de constitucionalismo. Orientador: Prof. Ivan Antônio Barbosa SANTO ANDRÉ 2024 1 RESUMO O poder constituinte representa a capacidade de uma sociedade de estabelecer sua própria ordem jurídica fundamental, sua constituição, em momentos de ruptura institucional ou de necessidade de reforma política. Por sua vez, os três poderes, concebidos como distintos e independentes, são fundamentais para garantir o equilíbrio de poder, a separação de funções e o respeito aos direitos individuais dos cidadãos. Este trabalho irá explorar a interconexão entre o poder constituinte e os três poderes, destacando sua importância na governança democrática e na proteção dos direitos humanos. 2 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO………………………………………………………4 1.1. A DIVISÃO DOS PODERES……………………………………..5 1. Poder legislativo………………………………………………….5 2. Poder executivo………………………………………………….6 3. Poder legislativo…………………………………………………7 1.2. A FISCALIZAÇÃO DOS PODERES……………………………..8 CONCLUSÃO…………………….……………………….…………….…10 BIBLIOGRAFIA……………………….…………………………….……13 3 1. INTRODUÇÃO O poder constituinte é a capacidade de uma sociedade para estabelecer, reformar ou modificar sua própria ordem jurídica fundamental, ou seja, sua constituição. Esse poder é exercido em momentos de ruptura institucional, como revoluções, independências nacionais, guerras civis ou períodos de transição política. Um exemplo notável de exercício do poder constituinte é a Revolução Americana (1775-1783), que resultou na independência das Treze Colônias britânicas na América do Norte e levou à redação da Constituição dos Estados Unidos em 1787. A Revolução Americana foi influenciada pela filosofia política iluminista, que enfatizava a separação de poderes como um meio de prevenir o abuso de autoridade e proteger os direitos dos cidadãos. A Constituição dos Estados Unidos estabelece três ramos de governo distintos e independentes: o Poder Legislativo, responsável pela elaboração das leis; o Poder Executivo, responsável pela implementação das leis e políticas governamentais; e o Poder Judiciário, responsável por interpretar as leis e garantir sua aplicação justa e imparcial. Essa separação de poderes visa garantir o equilíbrio de poder e a proteção dos direitos individuais dos cidadãos. Assim, a Revolução Americana não apenas resultou na independência dos Estados Unidos, mas também influenciou profundamente a estrutura do governo do país, promovendo a adoção da separação de poderes como um princípio fundamental da governança democrática. 4 1.1. A DIVISÃO DOS PODERES A Constituição dos Estados Unidos estabelece três ramos de governo distintos e independentes: 1. Poder Legislativo Este ramo é responsável por representar os interesses do povo, promover o debate público, e tomar decisões que afetam a vida dos cidadãos, pela criação das leis. Os principais elementos do Poder Legislativo incluem: ● Parlamento ou Congresso: É o órgão central do Poder Legislativo em muitos sistemas políticos. É composto por representantes eleitos pelo povo (em sistemas democráticos) ou designados de acordo com outros critérios (em sistemas não democráticos). O parlamento ou congresso é responsável pela elaboração, discussão e aprovação de leis. ● Câmaras ou Casas Legislativas: Em muitos países, o Poder Legislativo é bicameral, o que significa que possui duas câmaras ou casas legislativas. Por exemplo, nos Estados Unidos, temos o Senado e a Câmara dos Representantes. Cada câmara pode ter diferentes funções, responsabilidades e formas de representação. ● Funções Legislativas: O Poder Legislativo tem várias funções principais, incluindo a elaboração de leis, a autorização de despesas públicas, o controle do poder executivo, a representação dos interesses dos cidadãos, e a fiscalização do governo. ● Processo Legislativo: O processo legislativo inclui várias etapas, desde a proposição de uma lei até a sua promulgação. Isso geralmente envolve a apresentação de projetos de lei, discussão e debate em comissões parlamentares, votação nas câmaras legislativas e, eventualmente, a sanção ou veto pelo chefe do poder executivo. ● Controle e Fiscalização: O Poder Legislativo também desempenha um papel crucial no controle e fiscalização do Poder Executivo. Isso inclui a supervisão das ações do governo, a realização de investigações parlamentares, a aprovação de nomeações para cargos públicos e a fiscalização do orçamento e das despesas governamentais. 5 O poder Legislativo desempenha um papel fundamental no sistema político de um país, representando os interesses do povo, elaborando leis, fiscalizando o governo e promovendo o debate democrático. 2. Poder Executivo Este ramo é responsável pela implementação e execução das leis, políticas e programas governamentais. O principal órgão do Poder Executivo em muitos sistemas políticos é o governo, liderado pelo chefe de estado ou chefe de governo, dependendo da estrutura do governo de cada país. Aqui estão alguns aspectos-chave do Poder Executivo: ● Chefe de Estado e Chefe de Governo: Em alguns países, como os Estados Unidos, o chefe de estado e o chefe de governo são duas pessoas distintas. O presidente é o chefe de estado, enquanto o primeiro-ministro é o chefe de governo. Em outros países, como o Reino Unido, a mesma pessoa ocupa ambos os papéis. ● Implementação de Políticas e Leis: O Poder Executivo é responsável por executar e implementar as leis aprovadas pelo Poder Legislativo. Isso inclui a administração de programas governamentais, a aplicação da lei e a supervisão de várias agências governamentais. ● Governo Central e Governos Locais: O Poder Executivo pode se manifestar tanto no nível central (governo federal, nacional ou central) quanto no nível local (governos estaduais, provinciais ou municipais). Em muitos países, há uma divisão clara de responsabilidades entre o governo central e os governos locais. ● Funções Administrativas: Além da implementação das leis, o Poder Executivo é responsável pela administração do Estado, incluindo a nomeação de funcionários públicos, a gestão do orçamento do governo, a formulação de políticas públicas e a representação do país em assuntos internacionais. ● Relação com o Poder Legislativo: Embora o Poder Executivo seja responsável pela implementação das leis, ele frequentemente trabalha em conjunto com o Poder Legislativo na formulação de políticas e na aprovação de legislação. O Poder 6 Executivo também pode ter o poder de vetar legislação aprovada pelo Poder Legislativo, dependendo do sistema político de cada país. O Poder Executivo desempenha um papel crucial na administração do Estado, na implementação das leis e políticas governamentais, e na representação do país tanto interna quanto externamente. Ele é responsável por garantir que as políticas e programas governamentais sejam executados de forma eficaz e eficiente. 3. Poder Judiciário Sua função primordial é interpretar as leis, garantindo sua aplicação justa e imparcial. O Poder Judiciário desempenha um papel essencial na proteção dos direitos individuais, na resolução de disputas legais e na manutenção do estado de direito. Aqui estão alguns aspectos importantes do Poder Judiciário: ● Independência Judicial: O Poder Judiciário deve ser independente dos outros poderes do Estado, como o Poder Executivo e o Poder Legislativo, para garantir sua imparcialidade e integridade. Isso significa que os juízes devem ser protegidos de influências externas e não devemsofrer pressões políticas ou econômicas ao tomar decisões judiciais. ● Interpretação das Leis: Uma das principais funções do Poder Judiciário é interpretar as leis e a Constituição do país. Os tribunais são responsáveis por aplicar o direito às situações concretas, decidindo casos com base nos princípios legais estabelecidos. ● Resolução de Disputas: O Poder Judiciário é responsável por resolver disputas legais entre partes ou indivíduos. Isso inclui casos civis, criminais, administrativos e constitucionais. Os tribunais ou juízes decidem sobre a legalidade das ações das partes envolvidas e aplicam as leis pertinentes para resolver a disputa. ● Proteção dos Direitos Individuais: O Poder Judiciário desempenha um papel crucial na proteção dos direitos individuais dos cidadãos. Os tribunais garantem que os direitos fundamentais consagrados na Constituição sejam respeitados e aplicados em todos os aspectos da vida pública e privada. 7 ● Controle de Constitucionalidade: Em muitos países, os tribunais têm o poder de revisar a constitucionalidade das leis e ações governamentais. Isso significa que eles podem declarar leis ou atos do governo inconstitucionais e, portanto, inválidos. ● Aplicação da Justiça: Por meio de seus julgamentos, o Poder Judiciário busca garantir que a justiça seja feita em todas as áreas da sociedade. Isso inclui punir os culpados por crimes, proteger os inocentes e garantir que as disputas sejam resolvidas de maneira justa e equitativa. Em resumo, o Poder Judiciário desempenha um papel fundamental na manutenção do estado de direito, na proteção dos direitos individuais e na resolução imparcial de disputas legais. Sua independência e integridade são essenciais para garantir a confiança da população no sistema judicial e na democracia como um todo. 1.2. A FISCALIZAÇÃO DOS PODERES A fiscalização entre os poderes é um dos pilares fundamentais de qualquer sistema democrático, garantindo que nenhum ramo do governo exerça poder de forma absoluta ou abusiva. Essa interação dinâmica entre o Poder Executivo, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário é essencial para a manutenção do estado de direito e o funcionamento equilibrado das instituições democráticas. O princípio da separação de poderes, desenvolvido por pensadores políticos como Montesquieu, estabelece que cada ramo do governo deve ter funções distintas e independentes, ao mesmo tempo em que compartilha responsabilidades de modo a garantir o controle mútuo. Nesse contexto, a fiscalização entre os poderes emerge como um mecanismo crucial para evitar o abuso de autoridade e promover a transparência e a prestação de contas. No âmbito do Poder Legislativo, a fiscalização se manifesta por meio de uma série de mecanismos de controle sobre o Poder Executivo. O Legislativo exerce supervisão sobre as ações do Executivo por meio da aprovação de leis, orçamentos e nomeações para cargos governamentais. Além disso, tem o poder de realizar audiências e investigações para examinar a conduta do governo e garantir que esteja agindo de acordo com os interesses do povo. Por outro lado, o Poder Executivo também desempenha um papel na fiscalização dos outros poderes. Em sistemas parlamentaristas, o Executivo pode dissolver o parlamento e convocar 8 eleições antecipadas, exercendo assim um certo controle sobre o Legislativo. Além disso, o Presidente ou Primeiro-Ministro tem o poder de veto sobre a legislação aprovada pelo Legislativo, embora esse veto possa ser anulado mediante uma votação qualificada. No que diz respeito ao Poder Judiciário, sua função de fiscalização se concentra principalmente na interpretação das leis e na revisão judicial das ações do Executivo e do Legislativo. Os tribunais têm o poder de declarar leis ou atos governamentais inconstitucionais e, portanto, inválidos. Essa capacidade de revisão judicial garante que os outros poderes atuem dentro dos limites estabelecidos pela Constituição e respeitem os direitos fundamentais dos cidadãos. A independência do Poder Judiciário é um componente crucial da fiscalização entre os poderes. Ao ser protegido de influências externas e políticas, o Judiciário pode tomar decisões imparciais e justas, assegurando que os princípios constitucionais sejam respeitados e aplicados de maneira equitativa. Em suma, a fiscalização entre os poderes é um elemento vital da democracia, garantindo o equilíbrio de poder e a proteção dos direitos individuais. Através desse sistema de freios e contrapesos, os poderes executivo, legislativo e judiciário trabalham em conjunto para assegurar a governança democrática, a transparência e a justiça em uma sociedade livre e democrática. 9 CONCLUSÃO A história política e jurídica da humanidade é marcada por momentos de transformação significativa, nos quais as sociedades se veem diante da necessidade de redefinir suas estruturas de governo e estabelecer princípios fundamentais para uma convivência democrática e justa. Nesse contexto, o poder constituinte emerge como um conceito central, representando a capacidade soberana de uma nação para moldar sua própria ordem jurídica e política. Um dos exemplos mais marcantes do exercício do poder constituinte ocorreu durante a Revolução Americana, um período de agitação política e social que culminou na independência das Treze Colônias britânicas na América do Norte. Inspirada pelos ideais iluministas de liberdade, igualdade e separação de poderes, a Revolução Americana levou à redação da Constituição dos Estados Unidos em 1787. A Constituição dos Estados Unidos estabeleceu um sistema de governo baseado na divisão dos poderes em três ramos distintos e independentes: o Poder Legislativo, responsável pela elaboração das leis; o Poder Executivo, encarregado de executar e implementar as leis; e o Poder Judiciário, incumbido de interpretar as leis e garantir sua aplicação justa e imparcial. Essa divisão de poderes, concebida como um sistema de freios e contrapesos, visa evitar a concentração excessiva de autoridade em uma única instituição ou indivíduo, prevenindo assim o abuso de poder e promovendo a governança democrática e transparente. No entanto, para que esse sistema funcione efetivamente, é crucial que haja mecanismos robustos de fiscalização entre os poderes. A fiscalização entre os poderes é essencial para garantir que cada ramo do governo atue dentro dos limites estabelecidos pela Constituição e respeite os princípios democráticos e os direitos individuais dos cidadãos. O Poder Legislativo exerce controle sobre o Executivo por meio da aprovação de leis, orçamentos e nomeações para cargos governamentais, além de realizar audiências e investigações para fiscalizar as ações do governo. Por sua vez, o Poder Executivo também exerce controle sobre o Legislativo e o Judiciário em sistemas parlamentaristas, através do poder de dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, bem como do poder de veto sobre a legislação aprovada pelo Legislativo. Já o Poder Judiciário exerce controle sobre os outros poderes por meio da revisão judicial das leis e ações governamentais, garantindo que estejam em conformidade com os princípios 10 constitucionais. A independência do Poder Judiciário é fundamental para a eficácia desse processo de fiscalização, assegurando que os tribunais possam tomar decisões imparciais e justas, livres de influências políticas e externas. Assim, a fiscalização entre os poderes garante que o sistema de governo democrático opere de maneira equilibrada e responsável, promovendo a transparência, a prestação de contas e o respeito aos direitos fundamentais dos cidadãos. Em conclusão, o poder constituinte, a Revolução Americana, a divisão dos três poderes e sua fiscalização são os pilares fundamentais da democracia moderna, assegurando que o governo seja exercido com base nos princípios da soberania popular, do estado de direito e da separação de poderes. É por meio desses mecanismos que as sociedades podem garantiruma governança justa, transparente e responsável, promovendo assim o bem-estar e a liberdade de todos os seus cidadãos. 11 BIBLIOGRAFIA DE CARVALHO, L. A. DO N.; FILGUEIRA, P. PODER CONSTITUINTE E SUAS CARACTERÍSTICAS. JICEX, v. 10, n. 10, 2017. DO CONTEÚDOMÍNIMO QUE ESSAS OUTRAS NORMAS DEVEM TER., A. C. É. A. M. I. D. É. A. N. Q. T. J. DA E. DAS O. L. E. O que é a Constituição? Disponível em: . Acesso em: 23 mar. 2024. MORAES, J. Q. DE. O poder constituinte e a força. Estudos Avançados, v. 3, n. 7, p. 67–86, 1989. RODRIGUES, L. N. A Revolução Americana. Disponível em: . Acesso em: 23 mar. 2024. Disponível em: . Acesso em: 23 mar. 2024. 12