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SUSTENTABILIDADE E EMPREENDEDORISMO Olá! Empreendedorismo sustentável é um estilo de negócio que busca respostas além do lucro. Ao contrário do que se pode supor, não se trata apenas de empresas que atuam somente de forma sustentável. A ideia é criar um modelo de negócio inovador, focado na renovação de recursos, qualidade de vida e impacto no futuro organizacional. Para que as empresas se envolvam com responsabilidade no empreendedorismo sustentável, elas precisam se posicionar contra o desperdício e a degradação ambiental e, a longo prazo, modelos de negócios menos individualistas são mais benéficos para a sociedade. Bons estudos! AULA 1 – EMPREENDEDORISMO: CONTEXTO HISTÓRICO 1 EMPREENDEDORISMO: CONTEXTO HISTÓRICO Embora o campo dos estudos de empreendedorismo seja relativamente novo para muitos, as ideias que deram origem ao termo não são. O ato de empreender é tão antigo quanto a civilização humana. Assim como as mudanças econômicas, sociais, políticas e de poder são fruto do trabalho humano, o empreendedorismo também é. Sob o ponto de vista histórico, pode-se afirmar que os empreendedores sempre existiram e contribuíram para o desenvolvimento da sociedade em que estão inseridos, tornando cada vez mais positiva sua atitude em relação a eles (PARON e SHANE, 2007). Hisrich e Peters (2009), em menção à origem e os conceitos do termo empreendedor, afirmam que ele tem sido usado desde a Idade Média para descrever tanto um participante quanto um líder de grandes projetos de produção (construção de castelos, fortalezas, etc.) O empreendedorismo surgiu no século XVII com o início da industrialização que ocorria por todo o mundo devido à Primeira Revolução Industrial que ocorreu na Grã-Bretanha. O conceito de risco esteve ligado à atividade empresarial no século XVII, pois quando o empresário celebrava contratos ou prestava serviços com o Estado, assumia um certo grau de risco. Nos séculos XVIII e XIX, o conceito de empreendedor começou a ganhar um caráter mais próximo de empresário diferenciando-o do capitalista (HISRICH & PETERS, 2009). Manduca et al. (2016) relatam que, em 1942, o economista austríaco Joseph Alois Schumpeter publicou o livro “Capitalismo, Socialismo e Democracia”. Nesta obra, o autor cunhou a frase “destruição criativa” para descrever o processo de destruir sistematicamente as maneiras de fazer as coisas e substituí-las por novas. Na concepção deste autor, o sistema capitalista que existe na maioria dos países tem um importante efeito de alavanca sobre o empreendedorismo, uma vez que a concorrência e os movimentos do mercado geralmente são alcançados por meio de iniciativas empresárias. Mais de 70 anos se passaram e essas considerações são atuais. Os países mais desenvolvidos e criadores de riquezas estimulam o empreendedorismo de inúmeras formas (MANDUCA, 2016). O autor ressalta que parte importante das conquistas da civilização, do desenvolvimento econômico, tecnológico e do modo de https://www.voitto.com.br/blog/artigo/livros-de-empreendedorismo vida atual está relacionada, de algum modo, com um conjunto de iniciativas empreendedoras. Segundo Dornelas (2005), o papel do empreendedor foi e continua sendo fundamental para a sociedade. O empreendedorismo não é, portanto, um modismo, mas uma tecnologia que remove barreiras comerciais e culturais, fecha distâncias, globaliza e inova conceitos econômicos, cria relacionamentos e novos empregos, quebra paradigmas e gera renda para a sociedade. 1.1 Empreendedorismo no Brasil O empreendedorismo no Brasil surgiu e tomou forma na década de 1990, A entrada de capitais e fornecedores estrangeiros no mercado brasileiro, bem como o aumento da competitividade devido à abertura econômica promovida por políticas neoliberais no início dos anos 1990, impulsionaram o empreendedorismo no Brasil. Setores econômicos e manufatureiros que perderam espaço devido à inabilidade de competir com os preços dos importadores e começaram a investir em ideias e métodos empresariais para criar novas empresas, negócios e produtos inovadores. Cabe ressaltar as razões pela qual indivíduos, com ou sem qualificação profissional, têm se tornado empreendedores no Brasil: Na 'década perdida' dos anos 1980, um número impressionante de pessoas perdeu o emprego e teve que lutar com o subemprego, 'pequenos empregos' temporários, lojas próprias e atividades informais (OLIVEIRA, 1995, p. 47). De acordo com levantamentos feitos pelo GEM, SEBRAE e próprio Governo Federal, o empreendedorismo no Brasil vem crescendo muito nos últimos anos nos mais diversos segmentos e atividades econômicas. Cabe esclarecer que o Global Entrepreneurship Monitor – GEM é um consórcio de equipes de pesquisadores na área de empreendedorismo vinculados a renomadas instituições acadêmicas e de pesquisa em mais de 100 países. O GEM é a única pesquisa em âmbito global que coleta dados sobre o empreendedorismo diretamente com os indivíduos empreendedores, o que possibilita a captura de dados sobre a economia informal, além das atividades econômicas formais, especialmente nos países de baixa e média renda. https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/tendencias-de-negocio-para-empreender-em-2022,591dd967936ef710VgnVCM100000d701210aRCRD 1.2 Conceito de empreendedor Atualmente sabemos sobre a importância do empreendedor para o desenvolvimento social e econômico de um país. Mas qual o significado e a origem dessa palavra? Manduca et al. (2016), define: Empreendedor vem da palavra francesa Entrepreneur e pode ser entendido como “empreiteiro”, uma pessoa que assume risco e começa algo novo. O uso deste termo deu origem à palavra inglesa Entrepreneurship, referindo-se a todos aqueles que tenham em si os hábitos, costumes, disciplina e comportamentos do empreendedorismo. Empreender, então, sempre esteve vinculado à firme decisão de fazer alguma coisa (MANDUCA et al. 2016, pg. 3). Segundo Joseph Schumpeter (1985), o indivíduo empreendedor é aquele que para obter lucro assume riscos, se antecede aos fatos e enxerga o futuro da organização (DORNELAS. 2005). Dornelas (2005) explica que o empreendedor é o indivíduo que enxerga uma oportunidade de negócio assumindo riscos. Acrescenta o autor que, o empreendedor é um indivíduo insatisfeito com a sua situação e transforma seu inconformismo em descobertas e propostas positivas para si e para os outros. Kirzner (1979), define o empreendedor como aquele que cria um equilíbrio e uma posição clara e objetiva diante de um ambiente de caos e turbulência identificando uma oportunidade. No conceito GEM, o empreendedorismo é qualquer tentativa de criação de um novo negócio, seja uma atividade autônoma e individual, uma nova empresa ou a expansão de um empreendimento existente. 1.3 O nascimento do conceito de empreendedorismo sustentável A aceleração do crescimento populacional global e a expansão da capacidade produtiva no século XX possibilitaram o reconhecimento que recursos e serviços naturais são escassos e seu esgotamento representa uma séria ameaça ao bem-estar presente e futuro da humanidade (ESPINOSA, 1993). Borges (2014) afirma que, até a primeira metade do século XX, as empresas surgiam e se expandiam com pouca preocupação com seu impacto ambiental e social, pois o progresso era visto como consequência de crescimento e do desenvolvimento econômico. O autor salienta que a expansão dos mercados consumidores e o número de empresas levaram ao aumento da geração de resíduos e do consumo de matérias- primas. Todas essas eram situações em que havia a percepção de que os recursos naturais e a capacidade de todo o planeta de absorver a poluição eram infinitos. Borges (2014), ressalta: Foi somente a partir dos anos1960 que se passou a questionar o modelo de desenvolvimento vigente, e, em decorrência desse questionamento, começaram a surgir discussões, mesmo que de forma incipiente, sobre a viabilidade de empreendimentos mantidos nos padrões de consumo intensivo em matérias-primas e seus impactos no ambiente e na sociedade. Tal preocupação acabou gerando frutos, como a Conferencia de Estocolmo, realizada em 1972, que marcou o início dos debates sobre as preocupações mundiais relativas às questões ecológicas. Em 1987, é lançado o documento “Our common future” (nosso futuro comum), como resultado dos trabalhos da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), na qual surge o conceito de desenvolvimento sustentável (BORGES, 214, p. 2). A primeira das grandes conferências ambientais da história foi realizada em Estocolmo, em 1972, e foi chamada de Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Posteriormente, várias conferências foram realizadas em todo o mundo para conscientizar a sociedade sobre a necessidade de considerar o meio ambiente em todas as atividades realizadas, dado o processo de degradação ambiental. Em 1983 foi criado a Comissão Mundial do Meio Ambiente pelas Nações Unidas, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Comissão Brundtland, que em relatório publicado em 1987 e intitulado “Nosso futuro comum”, apresenta o conceito de desenvolvimento sustentável, isto é: aquele que utiliza os recursos naturais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem as suas necessidades, ou seja, aquele desenvolvimento que alia o crescimento econômico à preservação ambiental (FOGLIATTI et al., 2011). As principais conferências ambientais internacionais foram as de Estocolmo, em 1972; a Eco-92 ou Rio-92; a Rio+10 em 2002, e a Rio+20 em 2012. O quadro a seguir resume as principais conferências ambientais internacionais: Quadro 1 - Principais Conferências Ambientais Conferência de Estocolmo Primeira conferência ambiental realizada no mundo pela Organização das Nações Unidas (ONU). Foi realizada na Suécia em 1972. Reuniu líderes de 113 países e 250 organizações internacionais. ECO-92 Conhecida também como Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento ou como Cúpula da Terra, foi organizada pela ONU. Foi realizada no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, em 1992. Reuniu 172 países e cerca de 1400 organizações não governamentais. Conferência das Partes Protocolo de Kyoto Órgão supremo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que reuniu países Parte para participar de conferências ambientais. A Convenção-Quadro discutiu, na ECO-92, tendências do aquecimento global, objetivando elaborar metas para redução da concentração de gases de efeito estufa. Em 1995, ocorreu a Conferência das Partes 1 em Berlim. Em 1996, ocorreu a Conferência da Partes 2 em Genebra. Em 1997, foi realizada a Conferência das Partes 3 em Kyoto. Rio+10 Conhecida também como Cúpula de Joanesburgo ou Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, foi organizada pela ONU. Foi realizada em Joanesburgo, na África do Sul, em 2002. Reuniu 189 países e centenas de organizações não governamentais. Rio+20 Conhecida também como Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, organizada pela ONU. Foi realizada na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, em 2012. Reuniu 193 países-membros da ONU e contou com a maior cobertura midiática da história. Fonte: Adaptado de Lago, 2013. 1.4 Empreendedorismo sustentável O empreendedorismo sustentável, também chamado de “empreendedorismo orientado para a sustentabilidade” por alguns especialistas, caracteriza-se pela aplicação de modelos de negócios que equilibrem a proteção do planeta com o progresso tecnológico e a qualidade de vida das pessoas. O empreendedorismo sustentável busca a lucratividade por meio de um processo humano que respeita os fatores que beneficiam a sociedade, com foco especial em atitudes duradouras e colaborativas que pensam no futuro e na próxima geração. Esta é uma forte consciência coletiva e ética no sentido mais elevado para a busca do bem comum. O desenvolvimento sustentável visa integrar a tríade social, econômica e ambiental, conciliando rentabilidade financeira e crescimento econômico com equidade e bem-estar social, proteção ambiental e uso racional dos recursos naturais. Neste contexto, Borges (2014) afirma que o empreendedorismo é visto como um agente de mudança social, especialmente no crescimento econômico e passou a ser considerado também um veículo que pode colaborar para o desenvolvimento sustentável. Um aspecto importante nessa mudança de postura é a busca por responsabilidade social empresarial através de um comportamento organizacional que integra aspectos sociais e ambientais. Neste sentido, o empreendedorismo sustentável pode ser definido como a descoberta, desenvolvimento e exploração de oportunidades relacionadas a nichos sociais e ambientais que gerem benefícios econômicos e melhorias nessas áreas (BORGES, 2014). Para Donaire (2009), a responsabilidade das empresas pode assumir diversas formas, onde incluem proteção ambiental, projetos filantrópicos e educacionais, equidade nas oportunidades de emprego e serviços sociais gerais. Segundo Borges (2014), existem diversos tipos de empreendedorismo sustentável e considera-se três tipos de indicadores: O nicho da sustentabilidade que é explorado (ambiental ou social). Os negócios ambientais podem ser classificados em quatro categorias principais: produtos ecoeficientes, turismo e lazer na natureza, agricultura orgânica e extrativismo, e reciclagem e reutilização. Os negócios sociais podem ser classificados em quatro categorias principais: produtos para grupos com necessidades especiais, microcrédito, comércio justo e negócios na base da pirâmide. A motivação para a incorporação da sustentabilidade (se ela é objetivo do empreendedor ao criar o negócio ou apenas um meio utilizado para realizar ganhos financeiros); A utilização ou não dos pressupostos da responsabilidade social empresarial pela empresa nascente. 1.5 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir paz e prosperidade para as pessoas em todos os lugares. Essas são as metas que as Nações Unidas estão contribuindo para ajudar o Brasil a alcançar a Agenda 2030. Para tanto, foram definidos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), dos quais 169 são objetivos coletivos que reúnem diferentes níveis de governo, organizações, empresas e sociedade em âmbito internacional, nacional e local. Essa agenda está pautada em cinco áreas de importância (ou chamados 5 Ps): Figura 1 – Cinco áreas - 5PS Fonte: shre.ink/lqM2 Cabe salientar que, tanto empresas quanto governos, instituições e pessoas, podem atuar em benefício dos ODS. No entanto, não basta só as empresas atuarem nos objetivos, nem que somente os governos se envolvam, da mesma maneira que só a sociedade civil também não consegue atingir as metas. É preciso trabalhar de forma integrada, unificada e global. A prática da sustentabilidade no empreendedorismo é uma consequência das visões de mundo e das atitudes dos empreendedores. As ações sustentáveis no empreendedorismo sugerem que essa perspectiva faça parte modelo de negócios das empresas, assim como estejam incorporadas na cultura organizacional. O empreendedorismo sustentável pode ser aplicado para definir projetos que combinam a geração de riquezas com o desenvolvimento consciente do meio social e ambiental. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARON, R.; SHANE, S. A. Empreendedorismo:uma visão do processo. São Paulo: Thomson Learning, 2007. BORGES, C. M.; Empreendedorismo Sustentável. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. DORNELAS, J. Empreendedorismo Transformando Ideias em Valores. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2005. ESPINOSA, H. Desenvolvimento e meio ambiente sob nova ótica. Ambiente. 7(1):40- 4,1993. FOGLIATTI, M.; CAMPOS, V. FERRO, M.; SINAY, L.; CRUZ, I. Sistema de Gestão Ambiental para Empresas. 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2011 GEM - Global Entrepreneurship Monitor. Empreendedorismo no Brasil: 2019. Curitiba: IBQP, 2020. HISRICH, R.; PETERS, M. Empreendedorismo. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. KIRZNER, I. Perception, opportunity, and profit: studies in the theory of entrepreneurship. Chicago: University of Chicago Press, 1979. LAGO, A. Conferências de desenvolvimento sustentável. Brasília: FUNAG, 2013 MANDUCA, A; et al. Empreendedorismo: uma perspectiva multidisciplinar. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. 15 set. 2015. Disponível em: https://shre.ink/lqM2. Acesso em: jul. 2023. OLIVEIRA, M. Valeu! Passos na trajetória de um Empreendedor. São Paulo: Nobel, 1995.