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IntrProcMats 1 Introdução ao Processamento de Materiais José Adilson de Castro Luciano Pessanha Moreira Luiz Carlos Rolim Lopes Escola de Engenharia Metalúrgica Industrial de Volta Redonda Universidade Federal Fluminense IntrProcMats 2 Etapas de Produção de Aços IntrProcMats 3 Etapas de Acabamento de Aços IntrProcMats 4 Segundo Módulo Prof. Luciano Pessanha Moreira 2. Processamento e aplicações de materiais metálicos II 2.1 Introdução 2.2 Classificações dos Processos de Conformação Mecânica Processos Volumétricos Processos de Conformação de Chapas 2.3 Comportamento Mecânico dos Materiais Propriedades Mecânicas Efeitos do Encruamento, Temperatura e Taxa de Deformação 2.4 Processos de usinagem Corte Ortogonal, Desbaste e Acabamento IntrProcMats 5 Biblio Livros AMSTEAD, B. H., OSTWAD, P.F. e BEGEMAN, M. L., Manufacturing Processes, 8a Ed., John Wiley & Sons, 1986. BRESCIANI FILHO, E. et al., Conformação Plástica dos Metais, Ed. da UNICAMP, Campinas, São Paulo, 1997. HELMAN, H. e CETLIN, P.R., Fundamentos da Conformação Mecânica dos Metais. Ed. Guanabara Dois, Rio de Janeiro, 1983. KALPAKJIAN, S., Manufacturing Processes for Engineering Materials. SCHEY, J. A., Introduction to Manufacturing Processes. McGraw Hill, New York, 3a Ed., 2000. Internet Centro de Informação Metal Mecânica www.cimm.com.br MATTER www.matter.org.uk IntrProcMats 6 Introdução � Os processos de fabricação de peças metálicas por conformação mecânica são responsáveis pela produção de um grande número de produtos; � Diversos materiais metálicos podem ser conformados, destacando-se os aços, as ligas de alumínio, as ligas de cobre e as ligas de titânio, entre os materiais empregados industrialmente; � Os produtos conformados apresentam uma grande gama de geometrias, desde as mais simples até as mais complexas, representadas pelos produtos de grandes comprimentos como perfis, chapas, folhas, tubos, barras e peças diversas como eixos, engrenagens, bielas, entre outros; � A conformação mecânica, também denominada conformação plástica, representa um conjunto de processos em que a modificação da forma e das dimensões da peça metálica ocorre pela ação de tensões mecânicas que causam a deformação plástica dessa peça, sem que haja remoção de material como ocorre nos processos de usinagem. Assim, nos processos de conformação não há variação do volume das peças conformadas. Processos de Conformação Mecânica dos Metais IntrProcMats 7 Processos de Conformação Mecânica Mecanismo básico : mudança de forma por processo de deformação plástica Conformação de materiais policristalinos (metais) : sem mudança de volume (regime incompressível) Desvantagens ou inconvenientes : 1. Esforços necessários são elevados (>> consumo de energia) 2. Custo elevado de usinagem/fundição de ferramental Característica : produção em grande escala IntrProcMats 8 Processos de Conformação Mecânica Classificação Geral Processos Volumétricos ou Massivos Dimensões do esboço metálicos muito próximas. Exemplo: Esboço plano Largura (W) ~ Espessura (t) Processos de Conformação de Chapas Dimensões do esboço metálicos muito distintas. Exemplo: Esboço plano Largura (W) >> Espessura (t) IntrProcMats 9 Processos Volumétricos ou Massivos IntrProcMats 10 Processos de Conformação de Chapas IntrProcMats 11 Processos de Conformação Mecânica Outras classificações 1. Esforço predominante 2. Temperatura de trabalho 3. Forma do esboço ou produto final 4. Região de deformação 5. Fluxo do material 6. Produto IntrProcMats 12 Classificações : Esforço predominante 1) Compressão direta: predomina a solicitação externa por compressão sobre a peça de trabalho. Nesse grupo podem ser classificados os processos de forjamento (livre e em matriz) e laminação (plana e de perfis). 2) Compressão indireta: as forças externas aplicadas sobre a peça podem ser tanto de tração quanto de compressão, mas as que efetivamente provocam a conformação plástica do metal são de compressão indireta, desenvolvidas pela reação da matriz sobre a peça. Exemplos: trefílação e extrusão de tubos e fios, e a estampagem profunda (embutimento) de chapas. 3) Estiramento: onde a peça toma a forma da matriz através da aplicação de forças de tração em suas extremidades, é o principal exemplo é o estiramento de chapas finas. 4) Cisalhamento: onde ocorrem forças cisalhantes suficientes ou não para romper o metal no seu plano de cisalhamento. Os melhores exemplos deste tipo de processo são a torção de barras e o corte de chapas. 5) Flexão: as modificações de forma são obtidas mediante a aplicação de um momento fletor. Esse princípio é utilizado para dobrar chapas, barras e outros produtos. Por exemplo, processos de dobramento livre, dobramento de borda, dobramento de matriz e calandragem. IntrProcMats 13 Esforço predominante Processo Ilustração Laminação Trefilação Extrusão Forjamento Estampagem (profunda) Estiramento de chapas Dobramento Calandragem Corte IntrProcMats 14 Esforço predominante Trabalho Semi-produtos ou produtos Processo Força Preponderante a quente a frio Aços Não ferrosos X Placas / Chapas Barras / Perfis Placas / Chapas BarrasLaminação Compressão direta X Chapas Trefilação Compressão indireta X Barras / Arames Fios Barras / Arames Fios / Tubos X Tubos Barras / Tubos / Perfis Extrusão Compressão indireta X Peças pequenas Peças longas X Peças forjadas Forjamento Compressão direta X Peças pequenas forjadas X Peças grandes estampadasEstampagem (profunda) Compressão indireta em parte X Peças de chapas estampadas Estiramento de chapas Tração X Peças de chapas estiradas Dobramento Flexão X X Peças de chapas e tiras dobradas Calandragem Flexão X Tubos Corte Cisalhamento X X Peças cortadas de chapas ou Perfis pequenos diversos IntrProcMats 15 Classificações : Temperatura � Quando a temperatura de trabalho T é maior que a temperatura que provoca a recristalização do metal, o processo é denominado trabalho a quente e, abaixo desta temperatura, trabalho a frio. � No trabalho mecânico a frio, provoca-se o aparecimento do efeito de encruamento do metal, ou seja, o aumento da resistência mecânica com a deformação plástica. � O trabalho mecânico a frio permite aumentar a resistência mecânica de certos materiais não-ferrosos que não podem ser endurecer por meio de tratamentos térmicos. � No trabalho mecânico a quente, a deformação plástica é realizada numa faixa de temperatura, e durante um determinado tempo, em que o encruamento é eliminado por mecanismos de recuperação e recristalização do metal. IntrProcMats 16 Classificações : Temperatura Frio Morno T /Tfusão 0.6 Temperatura Homóloga T /Tfusão IntrProcMats 17 Classificações ... 3. Forma do Esboço ou Produto Final Placas, chapas, perfis : laminação, estampagem ... Tubos, barras, fios : trefilação, extrusão ... 4. Região de Deformação Localizada : laminação, trefilação, extrusão Generalizada : estampagem profunda, forjamento IntrProcMats 18 Classificações ... 5. Fluxo de Deformação do Material Contínuo ou quase-estacionário : laminação, trefilação, extrusão 6. Produto final (Acabamento) Intermitente : Estampagem, forjamento Primário : semi-acabado Secundário : acabado IntrProcMats 19 Classificações... 5. Fluxo de Deformação do Material Intermitente : Estampagem profunda IntrProcMats 20 Processos de Conformação Mecânica Variáveis Independentes 1. Material de partida (% química) 2. Geometria do esboço de partida 3. Geometria do ferramental 4. Lubrificação 5. Temperatura de trabalho 6. Velocidade de processamento 7. Quantidade de deformação IntrProcMats 21 Processos de Conformação Mecânica Variáveis Dependentes 1. Esforços/Energia/Potência 2. Propriedades finais do produto 3. Temperatura final ou de saída 4. Acabamento superficial 5. Tolerâncias6. Escoamento do material IntrProcMats 22 Comportamento Mecânico dos Materiais Medidas Carga P Alongamento ∆L Máquina universal de ensaios Ensaio de tração uniaxial IntrProcMats 23 Ensaio de Tração Uniaxial Corpos de provas IntrProcMats 24 Ensaio de Tração Uniaxial Corpos de provas IntrProcMats 25 Tração Uniaxial Definições : curva tensão-deformação IntrProcMats 26 Tração Uniaxial : Medidas de Engenharia Tensão de engenharia 0 A PS = Deformação de engenharia 0 0 0 L LL L Le − =∆= onde 0 A Área inicial da seção transversal 0 L Base de medida inicial IntrProcMats 27 Tração Uniaxial : Medidas Verdadeiras Tensão verdadeira A P=σ Deformação verdadeira =ε⇒=ε 0 L Lln L dLd onde A Área atual da seção transversal 0 L Base de medida atual IntrProcMats 28 Tração Uniaxial : Medidas Verdadeiras X Engenharia Aço C qualidade EEP 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 T en sã o ( M P a) Deformação Engenharia Verdadeira IntrProcMats 29 Tração Uniaxial : Relações entre “S x e” e “σ x ε” Tensão Deformação VerdadeiraEngenhariaDefinição A P=σ 0 A PS = =ε 0 L Lln 0 0 L LL e − = IntrProcMats 30 Encruamento � Fenômeno pelo qual um material endurece devido à deformação plástica (Trabalho à Frio) � Mecanismo de endurecimento : aumento de imperfeições e discordâncias e promovidas pela deformação � Mecanismo de deformação plástica : escorregamento (Cisalhamento) de planos atômicos � A medida que se aumenta o encruamento maior é a força necessária para produzir uma maior deformação � Pode ser removido através de tratamentos térmicos (Recristalização) IntrProcMats 31 Encruamento IntrProcMats 32 Encruamento IntrProcMats 33 Encruamento (a) Variação nas propriedades mecânicas, reveladas por um ensaio de tração, do níquel com quantidades cada vez maiores de deformação por laminação. (b) Recuperação das propriedades mecânicas de acordo com ciclos de recozimento de 1 hora nas temperaturas indicadas (Meyers e Chawla, 1983) IntrProcMats 34 Encruamento σ ε Trabalho a frio IntrProcMats 35 Encruamento na Tração Uniaxial Equação de Hollomon nKε=σ onde K Coeficiente de resistência n Expoente de encruamento (Regime de deformações plásticas) IntrProcMats 36 Encruamento na Tração Uniaxial... Alumínio 1100-0 )Klog()log(n)log( +ε=σ IntrProcMats 37 Ductilidade � Capacidade ou medida de quanto um metal pode escoar plasticamente sem que ocorra fratura � Medidas de ductilidade (%)100 L LL e 0 0f f − =Deformação na fratura (%)100 A AA q 0 f0 − =Redução de área IntrProcMats 38 Resiliência e Tenacidade � Resiliência : Capacidade de um metal absorver energia quando deformado elasticamente e liberá-la quando descarregado Energia de deformação elástica por unidade de volume εσ= 2 1U 0 Área sob a região elástica da curva σ - ε � Tenacidade : capacidade para absorver energia no domínio plástico IntrProcMats 39 Taxa de Deformação onde Verdadeira L v dt L/dL dt L/dL dt d TD ===ε=ε& Engenharia 0 0T0D L v dt L/dL dt L/dL dt dee ====& v Velocidade da travessa da máquina de ensaios D L Comprimento de deformação T L Comprimento total IntrProcMats 40 Efeito da Taxa de Deformação Variação no limite de escoamento em função da taxa de deformação e temperatura de teste para uma liga de alumínio (Dieter, 1988) IntrProcMats 41 Taxa de Deformação mKε=σ & onde K Coeficiente de resistência m Expoente de sensibilidade a taxa de deformação 12 ε>ε &&Mesmo material : 2 ensaios )ln( )ln( m 12 12 m 1 2 1 2 εε σσ =⇒ ε ε = σ σ &&& & IntrProcMats 42 Taxa de Deformação Ensaio de tração com mudanças na taxa de deformação ao longo do ensaio (Meyers e Chawla, 1983 e Dieter 1988) IntrProcMats 43 Efeito da Taxa de Deformação Valores do parâmetro m da equação para três metais obtidos em ensaios de compressão (Helman e Cetlin, 1983) IntrProcMats 44 Efeito da Taxa de Deformação Limite de escoamento em função da quantidade de deformação e temperatura obtido para três metais em ensaios de compressão (Helman e Cetlin, 1983) IntrProcMats 45 Efeito da Temperatura Em geral, quando T aumenta : Resistência ao escoamento diminui aumentando a ductilidade Temperatura homóloga f h T TT = onde T Temperatura de trabalho (0K) f T Temperatura de início de fusão (0K) IntrProcMats 46 Efeito da Temperatura Alterações microestruturais que podem ocorrer devido à conformação plástica a frio e a quente nos processos de laminação e extrusão IntrProcMats 47 Temperatura na Conformação Evolução do processo de recuperação das propriedades mecânicas de um material encruado sofrendo tratamento de recozimento de recristalização, Callister (1997) IntrProcMats 48 Laminação a Quente IntrProcMats 49 Laminação Mecanismos de deformações dos metais (a) escala do sistema (distribuição de tensões e deformação e atrito) (b) microestrutura observada por microscópio ótico (grãos e fases) (c) microestrutura observada por microscópio eletrônico (discordâncias, precipitados e sub-grãos) (d) retículo cristalino (átomos de soluto e defeitos estruturais) IntrProcMats 50 Processamento Termomecânico Passe #1 T1 ε1 ε1 . Passe #2 T2 ε2 ε2 . t1-2 P1 P2 IntrProcMats 51 Processamento Termomecânico Laminação convencional TMCR Resfriamento com Água R : Laminação de desbaste F : Laminação de acabamento Tempo T em pe ra tu ra TMCR + Resfriamento Acelerado IntrProcMats 52 Processamento Termomecânico Aspectos Microestruturais Recristalização Alta Temperatura final de laminação Baixa Convencional TMCR Grão Matriz Bandas de deformação Nucleação na matriz Ampliação Nucleação adicional devido ao TMCRM ic ro es tr ut ur a pa rc ia lm en te tr an sf or m ad a M ic ro es tr ut ur a au st en ít ic a IntrProcMats 53 Processamento Termomecânico Tamanho de grão : (a) aço de laminação convencional e (b) um aço TMCP (a) (b) IntrProcMats 54 Parâmetros de Laminação a Quente 1) Temperatura de Reaquecimento da placa - Austenitização do aço; - Depende da composição química do material; - Dissolução de precipitados (de microligas Nb, V, Ti); 2) Temperatura de Não Recristalização (Tnr) - Temperatura abaixo da temperatura de recristalização estática da austenita deformada; - Depende da composição química do material; 3) Temperatura de acabamento - Temperatura (normalmente superficial) da chapa logo após o passe final de laminação; - Depende das propriedades mecânicas desejadas do produto final; IntrProcMats 55 Parâmetros de Laminação a Quente 4) Temperatura de bobinamento - Temperatura da tira na entrada da bobinadeira - Depende das propriedades mecânicas desejadas do produto final 5) Temperatura de transformação de Austenita para Ferrita (Ar3) - Temperatura de transformação austenita- ferrita no resfriamento ; - Depende da composição química do material e taxa de resfriamento; 6) Redução por passe 7) Taxa de deformação 8) Tempo entre passes IntrProcMats 56 Laminação de Acabamento (Quente) Quais são as principais variáveis ? Temperatura de reaquecimento Temperaturas inicial e final de acabamento Taxa de resfriamento Deformação por passe Taxa de deformação por passe Tempo entre passes IntrProcMats 57 Laminação Classificação de produtos laminados Primeira classificação: planos e não-planos • Planos : cuja forma da seção transversal é retangular, sendo que a largura do produto é várias vezes maior do que a sua espessura • Produtos não-planos : formas em geral complexas e variadas. É o caso de perfis tais como H I, U, trilhos ... Segunda classificação: acabados e semi-acabados IntrProcMats 58 Laminação Classificação de produtos laminados (ABNT NBR 6215) Produtos semi-acabadosou intermediários • Blocos : área da seção transversal > 22.500 mm2 e relação altura / espessura 80 mm e largura/espessura > 4 IntrProcMats 59 Laminação Classificação de produtos laminados (ABNT NBR 6215) Produtos acabados (Laminações a quente e a frio) • Bobinas : possuem largura mínima ~ 500 mm • Bobina fina a quente : espessuras entre 1,20 - 5,00 mm e largura > 500 mm • Bobina grossa : espessura > 5,0 e 500 mm • Bobina fina a frio : espessuras entre 1,38 - 3,00 mm e largura > 500 mm IntrProcMats 60 Laminação Classificação de produtos laminados (ABNT NBR 6215) Produtos acabados (Laminações a quente e a frio) • Chapas : planos com espessura mínima ~ 0,38 mm e largura mínima ~ 500 mm • Chapas grossas : espessura > 5,0 e largura > 500 mm obtida por laminação a quente com espessuras máximas 152 mm (laminador reversível) e 12,7 mm (contínuo) • Chapas finas a quente : espessuras entre 1,20 - 5,00 mm e largura > 500 mm • Folhas : espessuras