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Sistematização da Informação Expediente Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou parcialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotostática ou outros, sem a autorização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. Ficha catalográFica catalogação na Publicação biblioteca centro universitário ateneu Farias, Karla Meneses. Sistematização da informação. / Karla Meneses Farias – Fortale- za: Centro Universitário Ateneu, 2018. p. ISBN: 1. Dado, informação e conhecimento. 2. Abordagem sistêmica. 3. Sistema educacional. 4. Organização da educação escolar. I. Centro Universitário Ateneu. ReitoR: Prof. Cláudio ferreira Bastos PRó-ReitoR administRativo financeiRo: Prof. rafael raBelo Bastos PRó-ReitoR de Relações institucionais: Prof. Cláudio raBelo Bastos PRó-ReitoRa acadêmica: Profa. flávia alves de almeida diRetoR de oPeRações: Prof. José Pereira de oliveira cooRdenação nead: Profa. luCiana rodrigues ramos ficha técnica autoRia: Karla meneses farias design instRucional: emanoela de araúJo PRojeto gRáfico e diagRamação: franCisCo erBínio alves rodrigues caPa: franCisCo Cleuson do n. alves tRatamento de imagens: franCisCo erBínio alves rodrigues Revisão textual: João Paulo de souza Correia Seja bem-vindo!Seja bem-vindo! Caro aluno, a partir de agora, você conhecerá a disciplina Sistema- tização da Informação. Embarque nessa viagem para trocar experiências, conhecimento e enfrentar desafios. Durante esse percurso, você terá a oportunidade de ampliar os seus saberes e construir novos conhecimentos. Esta disciplina está dividida em quatro capítulos e você estudará sobre informação, sistemas de informação e as formas de sistematizar e utilizá-la, serão abordados os conceitos, a aplicabilidade e as formas de uso da informação no contexto do ambiente escolar. A partir da leitura e da interação, você será capaz de sistematizar, organizar e usar as informações no âmbito escolar, tendo em vista as atribuições e as rotinas de uma secretaria escolar. Encontrará também uma variedade de informações, dicas e atividades que ajudarão a melhorar o seu rendimento nos estudos desta disciplina. Aproveite! Bons estudos! SumárioSumário DADO, INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO ..................................... 7 1. O que são dados? .......................................................................... 8 2. Conceito de informação – relações com o conhecimento ............ 12 3. Gestão da informação e do conhecimento ................................... 21 ABORDAGENS SISTÊMICAS ......................................................... 27 1. Teoria Geral dos Sistemas ........................................................... 28 2. Evolução dos sistemas de informação ......................................... 33 3. Classificação dos sistemas de informação ................................... 35 4. Recursos envolvidos nos sistemas de informação ....................... 36 SISTEMA EDUCACIONAL ............................................................... 41 1. Conceitos, estrutura e funcionamento .......................................... 42 2. Legislação e normas .................................................................... 43 3. Informatização – bases de dados no contexto da educação ....... 47 ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR: GESTÃO ................ 53 1. Administração da educação: concepções e teorias ..................... 54 2. Projeto Político Pedagógico (ppp): procedimentos e rotinas .............................................................. 59 3. O (a) secretário (a) escolar e a sistematização da informação ..................................................... 60 Referências ...................................................................................... 65 7 DaDo, informação e conhecimento INTERNET R E G IS T R O ORDENAÇÃO TRANSFORMAR MAPEAR RECEPTOR PR O FI SS IO N A L COLETA T E C N O L O G IA INTERPRETAÇÃO ARMAZENAR FLUXO ARMAZENAMENTO CIÊNCIA MEDIAÇÃO GESTÃO SI G N IF IC A D O S RELAÇÕES SI ST E M A T IZ A Ç Ã O O R G A N IZ A C IO N A L ESTRUTURAÇÃO SISTEMAS SIGNO C O N T E X T O • Conhecer e distinguir dado, informação e conhecimento; • Conceituar informação no contexto organizacional; • Apresentar aspectos sobre a gestão da informação; • Relacionar dado, informação e conhecimento; • Analisar e refletir sobre as mudanças necessárias nas organizações, do perfil dos profissionais à luz da era da informação. . Capítulo 01 8 1. o que são DaDos? Dados são a coleção de evidências relevantes sobre um fato observado (SOR- DI, 2008). Observe que quando definimos dados se inclui a palavra coleção que remete à ideia de conjunto, o que se entende pela junção de várias evidências que darão origem aos dados. Onde vale destacar que um dado isolado não tem sentido, este precisa ter um propósito. Veja um exemplo que ajudará você a compreender melhor o conceito de da- dos: imagine um funcionário, ao chegar ao seu trabalho, na secretária da escola, onde ao adentrar ou deixar o seu ambiente de trabalho, esse funcionário passe o seu crachá no dispositivo coletor de dados da portaria responsável por averiguar\registrar o trâmite exclusivo de funcionários que equivale ao “bater o ponto”. Essa ação gera um registro no sistema de controle de acesso ao ambiente de trabalho, onde consta os seguintes dados: • Matrícula do funcionário: 4020; • Data: 29 de novembro de 2015; • Horário: 7 horas e 30 minutos; • Dispositivo de leitura: 18HF. Desse modo, o conjunto dos quatro dados coletados constata um fato isola- do: o detalhamento de como ocorreu o trâmite do funcionário de matrícula: 4020, no dia 29 de novembro de 2015, ou seja, as evidências relevantes do fato são: o dispo- sitivo pelo qual ele passou e o horário do ocorrido. A geração destes registros deve ser compreendida como dados, pois, conforme foi afirmado anteriormente, os dados são apenas evidências de um fato, não transmitem significados. Na prática, “os principais fatos que ocorreram em uma organização são reali- zados e registrados por intermédio de transações de negócios, aos quais geram um conjunto de dados que evidenciam o fato independente de este ser registrado ou não pela organização”, o que aqui foi denominado de dados (SORDI, 2008, p. 8). 9 Figura 01: Dados. Fonte: https://goo.gl/4GZAUx Conforme Sordi (2008), é pertinente observar que mesmo no momento da captura/coleta dos dados ocorre um processo de filtragem dos dados relacionados ao fato observado que são determinados de acordo com a percepção do observador, considerando-se sua relevância. No exemplo da batida do ponto, poderia ser feito o registro de outros elemen- tos como: • A foto do funcionário; • O registro do horário com maior detalhamento; • A obtenção da digital; • A impressão de um cupom com tais dados, dentre outros aspectos. Sordi (2008) coloca que somente os estímulos do ambiente que passam pelo filtro do observador serão registrados como dados, ou seja, só se registra aquilo que o observador, no caso do exemplo, considerada importante para o registro do ponto dos funcionários da escola, outros aspectos não são considerados. Figura 02: Evidências registradas em tapeçaria de Bayeux (tapetes). Fonte: https://goo.gl/d6ANr2 10 O autor destaca também que uma constatação básica sobre os dados é a seguin- te: nos dados existe uma facilidade para a sua estruturação e captura, sendo facilmente desenvolvidas e implementadas estruturas para seu armazenamento, transferência e pro- cessamento, conforme pode ser observado no exemplo citado (SORDI, 2008). A facilidade de retratar um conjunto de dados que represente um fato faz com que estes sejam considerados facilmente explicitados ou simplesmentede natureza explícita. É por essa razão que, na definição de dados apresentada anteriormente, há a palavra evidências, ou seja, estão disponíveis e visíveis a todos, não há a necessidade de nenhuma análise ou cálculo para a obtenção de tais dados. Observe que com a revolução científica e tecnológica dos últimos anos as tecnologias relacionas à informação também tiveram um ganho significativo, o que acarretou no surgimento de instrumentos específicos para a coleta e o armazenamen- to de dados relativos às diversas atividades e rotinas, tais como máquinas, equipa- mentos eletroeletrônicos, dentre outros. A exemplo do que acabou de ser explicado, nos últimos anos, iniciou-se, nas secretarias de escolas, faculdades e demais instituições de ensino, a implantação de sistemas informatizados e de gerenciamento com o objetivo de: • Diminuir o fluxo de uso de papel; • Diminuir a burocracia, passando a trabalhar com arquivos eletrônicos; • Promover uma maior agilidade; • Garantir um retorno mais rápido para as solicitações feitas; • Viabilizar rotinas, dentre outros. 11 Observe que atividades como as matrículas dos alunos passaram a ser feitas pelo computador, podendo ser atualizadas a qualquer momento. O sistema infor- matizado passou a gerar o número de matrículas; em escolas particulares, gerou os boletos de pagamento, os boletins bem como o controle e o cadastro de professores e funcionários passou a ser feito por meio do uso das tecnologias e da internet, o gerenciamento dos estoques de materiais de expediente e didáticos, dentre inúmeros outros exemplos que podem ser citados referente à inserção dessas tecnologias no contexto educacional. Em um segundo momento, os sistemas começaram a controlar a frequência dos alunos e dos professores e, em colégios de grande porte, até a entrada passou a ser realizada por catraca eletrônica, utilizando cartão magnético e até a impressão digital, conforme exemplo anterior. Paralelamente, controlou-se a parte financeira – contas a pagar e a receber – bem como o controle de material – livros, revistas, jornais, papelaria e o controle e a distribuição de demais materiais dentre outros aspectos conforme foram exemplifi- cados anteriormente. Tudo isso viabilizou a geração de uma rotina diferenciada para os (a) secretários (a) escolares. Perceba que a inserção das tecnologias e a sistematização dos dados pas- sou a ser mais rápida e, com isso, ganhou-se na otimização do tempo, mas também acarretou a necessidade de estar alinhado com o uso das tecnologias, o que, por sua vez, vai surgir a necessidade de “mudança na cultura” da organização da escola. Mudança na cultura organizacional – mudança no contexto organizacional en- globa alterações fundamentais no comportamento humano, nos padrões de trabalho e nos valores em resposta a modificações ou antecipando alterações estratégicas, de recursos ou de tecnologia (HERZOG, 1991). 12 Outro aspecto que Sordi (2008) coloca e que você deve saber é que com a inserção dessas tecnologias algumas funções e atividades deixaram de existir, pois as máquinas, os computadores, quantificam e facilmente transmitem e co- municam os dados. Pode-se assinalar que a coleta e o armazenamento dos dados não requerem muito envolvimento humano, em inúmeras situações, podem e ocorrem sem interven- ção do homem. Essa, portanto, é uma grande diferença entre o dado e a informação (conceito que você conhecerá mais adiante). Figura 03: Armazenamento de dados. Fonte: https://goo.gl/zbKgKV Os dados configuram-se como sendo um conjunto de evidências acerca de fatos que, isoladamente, fora de um contexto, não produzem significado ao observado e que podem ocorrer sem a participação ou a interação humana. 2. conceito De informação – relações com o conhecimento Desde os tempos mais remotos os homens se comunicam e buscam infor- mações como forma de gerar conhecimento e, consequentemente, o seu desen- volvimento. Em diferentes épocas e com diferentes níveis de evolução e recursos disponíveis, os homens buscaram meios para interação e registro de informações e conhecimentos produzidos (FARIAS, 2014). 13 Quanto a esses registros, pode-se salientar que foram utilizados desde pe- dra, madeiras, barro, tábuas de argilas, papiro, pergaminhos, couro, papel até chegar nos suportes eletrônicos e digitais (planilhas entre outros) disponíveis na atualidade. Então, vale destacar que a partir do momento em que você manipula, organiza, con- solida, atribui um significado ou propósito aos dados estes geram as informações. A informação, a cada dia, vem sendo produzida com uma rapidez e quantida- de significativas, assim sendo, saber identificar, usar e sistematizar a informação tornou-se uma necessidade eminente da sociedade e principalmente dos profissio- nais que lidam diariamente com esse tipo de produto. Saber utilizar e encontrar informações são essenciais para estar preparado para agir, produzir e desenvolver atividades que vão desde simples informações solicitadas até aquelas que exigem um grau de atenção e esforço mais elaborado, sofisticado. Observe a figura a seguir que demonstra de forma clara como hoje em dia a informação está a um toque dos dedos, contudo, saber encontrar a informação necessária é o grande desafio. Figura 04: A informação e acessibilidade. Fonte: https://goo.gl/bWXPC4. Com a difusão da rede mundial de computadores, a internet, a quantidade de informações produzidas e disseminadas cresceu em proporções significativas e nunca antes vistas. Com isso, saber encontrar e organizar as informações é impres- cindível para ser um profissional de destaque. No decorrer deste curso, serão apresentadas as questões referentes ao uso e a aplicabilidade da informação. Assim sendo, segue um conceito sobre informação: “é um conhecimento inscrito (gravado) sob a forma escrita (impressa ou numérica), oral ou audiovisual” (LE COADIC, 1996, p. 5). Em outras palavras, a informação traz um elemento de sentido que é comunicado por meio de diversos suportes, sejam estes impressos, eletrônicos, audiovisuais, dentre outros. 14 Já que a informação é um conhecimento vale destacar que o conhecimento, por sua vez, é um saber que é resultado do ato de conhecer, apreender um objeto. Conhecer é ser capaz de formar ideias sobre determinada coisa, objeto, situação (LE COADIC, 1996). Retomando o conceito de informação é pertinente salientar a aplicação de alguns conceitos de conhecimento, sejam estes: • Conhecer pode ir da simples identificação que é o conhecimento comum. Pode ser também à compreensão exata e completa dos objetos, fenômenos que é o conhecimento científico, dentre outros que poderiam ser citados. Por meio do link a seguir, você conhecerá um pouco mais sobre os diversos tipos de conhecimentos. O vídeo, do professor João Almeida, aborda de maneira simples e direta os tipos de conhecimento e a sua aplicabilidade. Disponível em: . Desse modo, o conhecimento\saber refere-se a um conjunto articulado e or- ganizado de informações a partir da qual uma ciência poderá originar-se. Ciência “é um conjunto de conhecimentos racionais certos ou prováveis obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis que fazem referência a objetos de uma mesma natureza” (LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 19). Já que foi abordado o conceito de ciência, vale apena você assistir ao vídeo “O que é ciência? ” em que a professora Dra. Luciana Massi discute o tema e apresenta alguns aspectos e características sobre ciência de maneira simples e objetiva viabili- zando o seu entendimento. Disponível em: . 15 Com a evolução da ciência e a valorização dos diversos tipos de conhecimen- tos a informação ganha maior importância na vida prática, onde ter acesso a informa- ção é algo essencial, visto estarmos vivenciando a sociedade dita da informação. Veja que a informação precede a comunicação, a tecnologia, o conhecimento e a ação, por isso mesmo há a necessidade de suagestão, sistematização. Administrar os fenômenos relacionados à informação é uma tarefa extrema- mente complexa porque, envolve muitos elementos organizacionais que se integram entre si. Todavia, não existe uma lógica ou uma sequência lógica, não há ordem, ao contrário, há um caos integrador, cuja complexidade exige recursos e competências específicas para gerenciá-lo e onde o contexto é fator importante para o seu entendi- mento e aplicação (VALENTIM, 2008). Valentim (2008) coloca ainda que compreender que a gestão da informação deve ser vista como um processo que cria boas condições às pessoas de um determi- nado espaço organizacional, para apreender, criar, gerar conhecimento, compartilhar/ socializar conhecimento, bem como usá-lo para atingir metas e objetivos organizacio- nais em um ciclo que se inicia, desenvolve-se e se retroalimenta. Assim, voltando ao exemplo dos dados referentes à entrada e à saída dos funcionários da secretária da escola, a partir do momento em que o setor de recursos humanos consolida os dados de forma a extrair enfoques, motivações e propósitos, estes dados passam a ser considerados informações, pois possuem sentido e estão dentro de um contexto. Observe que a mediação humana possibilitou que o dado passasse a ser informação. Veja que a diferença entre dado e informação é muito sutil. Outro exemplo que pode ser destacado é que um documento escrito em um idioma que o leitor não conhece, não passará de dados para ele. Já para um leitor que conhece, entende o idioma, aquele documento tem sentido, valor atribuído, portanto, passa a ser uma informação para aquele leitor que soube extrair sentidos e significados. A informação pode ser interpretada como o dado trabalhado, com propósito, significado para o seu leitor, observador. Sordi (2008, p. 9) coloca que “ao se manipularem os dados, organizando-os, consolidando-os, ou seja, dando lhes um propósito – o que genericamente se denomina processamento de dados – gera-se informações”. 16 Desse modo, é interessante que você compreenda que a informação é a inter- pretação de dados segundo um propósito relevante e de consenso para o público-alvo (leitor) (SORDI, 2008). Destaca-se que para existir a informação, necessita-se da mediação humana para assim definir os seus propósitos, sentidos e significados. Sordi (2008) destaca que a mediação humana é importante não apenas para definir os propósitos, mas também para estabelecer os significados de cada uma das unidades que compõe a análise. Mas você pode estar se perguntando: “por que preciso entender essa me- diação humana para a geração da informação e o que isso tem de relevante? ”. A resposta é bem simples e será apresentada a partir de um exemplo para facilitar a sua compreensão. Imagine que você trabalha na secretária de uma escola e a diretora solicita a taxa de evasão de um ano X. Quando você recolher esses dados e enviá-los para a diretora, eles serão apenas dados, mas a partir do momento que a diretora analisa os dados, atribuindo significado, por exemplo, ela identifica que houve um aumento em virtude da mudança dos professores ou porque as salas estão sem ventilação ade- quada. Essa análise (mediação) torna aqueles dados em informações que serviram para a tomada de decisões e demais providências, se for o caso. Ou seja, a informa- ção gera uma mudança naquele ser que a absorve, por isso, a necessidade dessa mediação humana para ser informação. Os conceitos referentes à informação devem ser de comum acordo entre os envolvidos com a informação para que haja interpretações coerentes dos dados, independentemente de quem as realize (SORDI, 2008). Informação, segundo George Miller (1966, apud LE COADIC, 1996), é algo de que necessitamos quando nos deparamos com uma escolha. Qualquer que seja seu conteúdo, a quantidade de informação necessária depende da complexidade da escolha. Se nos deparamos com um grande espectro de escolhas igualmente prová- veis, se qualquer coisa pode acontecer, precisamos de mais informações do que se encarássemos uma simples escolha entre alternativas. 17 McGarry (1999) coloca que a informação pode ser definida de diferentes for- mas, por isso, ele salienta que esta pode ser: • Algo que reduz a incerteza em determinada situação; • Considerada como um quase sinônimo do termo fato; • Definida em termos de seus efeitos no receptor; • Um reforço do que já se conhece; • Aquilo que é permutado com o mundo exterior e não apenas recebido pas- sivamente; • A liberdade de escolha ao selecionar uma mensagem; • A matéria-prima da qual se extrai o conhecimento. A partir desses exemplos você já pode ressaltar algumas características da informação, sejam estas: • Requer a definição de unidades de análise; • O consenso entre as pessoas responsáveis pelo processamento e o público da informação; • Envolvimento intelectual humano de forma mais intensa e complexa do que o exigido para a geração de dado (SORDI, 2008). McGarry (1999) ainda afirma que a informação deve ser ordenada, estru- turada ou contida de alguma forma, senão permanecerá amorfa. Ou seja, para a informação vir a ser, agregar sentido, ela precisa dessa mediação humana, do seu uso. Nessa perspectiva, Brookes busca novos sentidos para o termo informação, es- tabelecendo que esta seja: [...] um elemento que provoca transformações nas estruturas. Assim, quando se envia uma mensagem (conjunto de informações) a um ser consciente, baseada em um código conhecido tanto pelo sujeito emis- sor como pelo sujeito receptor, esta mensagem pode ser interpretada e, a partir daí, adquirir sentido. Ao utilizar essa informação (com sen- tido) para resolver determinado problema ou se informar sobre qual- quer situação, o sujeito social produz conhecimento. Tal conhecimento pode ser a simples identificação de determinado objeto ou a compre- ensão exata e completa deste mesmo objeto (BROOKES, 1980, p. 58). 18 A informação, para chegar ao seu receptor/leitor, precisa de um veículo. Esse meio deve possuir um atributo essencial para que possa ser compreendido pelo re- ceptor. Deve ser discriminável. Em outras palavras, é preciso que o receptor/leitor possa distinguí-lo dos fenômenos que o cercam (McGARRY, 1999). Onde vale des- tacar que existem três classes de veículos para a transmissão de informações, sejam estas: sinais, símbolos e signos. Veja algumas definições sobre estes veículos: • Sinal: é a forma de signo que enfatiza a necessidade de que será seguido por algum tipo de ação e que requer algum tipo de reação do receptor (McGARRY, 1999); • Signo: é um indício físico da presença imediata da coisa ou evento que representa (McGARRY, 1999); • Símbolos: são um tipo especial de signo, representam um objeto, ideia ou evento, mas a intenção é causar o mesmo tipo de reação emocional, como se o que representam estivesse presente (McGARRY, 1999). Em outras palavras, a informação precisa de uma mediação humana para ser comunicada e, por sua vez, necessita também de um veículo para essa transmissão, tendo em vista produzir significados e sentidos ao seu receptor/leitor, tendo os mais variados propósitos. A figura a seguir apresenta o fluxo informacional. Figura 05: Fluxo Informacional: processo de criação, uso, armazenamento, recuperação de comunicação. Criação da Informação Sistema de Armazenamento, Recuperação da Informação.Fatos, ideias e imagens se transmutam da mente do autor para uma inscrição de informação. Seleção, Entrada, Classificação, Armazenamento, Recuparação, uso. I = Informação K = Conhecimento Realidade Assimilação, Apropriação da informação pelo indivíduo I K Fonte: Barreto (2004). A partir da leitura da figura 05, você pode notar que todas as etapas pelas quais passam a informação até chegar ao usuário final são essenciais para que, de fato, a informação possa encontrar-se disponível para os diferentes indivíduos. 19 Assim, verificamos que para que a informação possa ser disponibilizada pelos indi- víduos, esta necessitaser selecionada/adquirida, tratada, armazenada para, em seguida, ser disponibilizada conforme exposto na figura 05. Ao final do processo, a informação deverá ser assimilada e poderá possibilitar a geração de novos conhecimentos. Observe que a informação se apresenta como elemento essencial para a realização de qualquer atividade pelos indivíduos, desde a simples resposta a uma questão até o posicionamento crítico em situações que exijam tomadas de decisões. Compreende-se que a informação e todo o seu processo de criação, recupera- ção e uso são extremamente pertinentes para que se possa estabelecer a produção de conhecimentos. Na atual conjuntura socioeconômica, a informação passou a ter um valor imen- surável, posto que sintoniza as relações humanas, estabelece os elos de comunicação e propicia o desenvolvimento das sociedades e dos indivíduos (BARRETO, 2004). Observe que os dados propiciam o surgimento da informação e a apreensão dessas informações possibilita a geração do conhecimento. Mas afinal, o que é conhecimento? Para Sordi, o conhecimento pode ser compreendido a partir das seguintes afirmações: Partindo da perspectiva de que o ato de aquisição do conhecimen- to é denominado cognição [...]. Tal ato é uma resultante psicológica de cada indivíduo em função de sua percepção das informações, de fatos, de suas aprendizagens anteriores (vivências) e do seu raciocí- nio. (SORDI, 2008, p. 22). Ou seja, a geração do conhecimento ocorre quando o indivíduo tem ciência de fatos, de verdades e de informações que, agregados às suas experiências anteriores, quando processados segundo a capacidade individual, é que se produz o conheci- mento, fruto dessa reflexão e introspecção (SORDI, 2008). 20 Uma vez que o conhecimento é produzido, este pode ser disseminado, com- partilhado ou pode se manter tácito (na mente do indivíduo). Sordi (2008, p. 12) afirma que o conhecimento “é o novo saber, resultante de análises e reflexões de informações segundo valores e modelo mental daquele que o desenvolve, proporcio- nando a este melhor capacidade adaptativa às circunstâncias do mundo real”. Para que o conhecimento da sociedade não se perca e possa ser compartilhado, ele é registrado em um dado suporte: livro, imagem, foto, disco, dentre outros, passando a se constituir em um documento (CINTRA et al, 1994, p. 14). Retomando os dois termos anteriormente descritos (dados e informação), pode-se afirmar que o conhecimento é uma atividade muito mais difícil e complexa e que requer uma reflexão, introspecção tendo em vista a sua geração, o comparti- lhamento e a disseminação. A partir das colocações feitas, seguem as características diferenciais entre dado, informação e conhecimento que possibilitarão que você compreenda melhor tais termos. Quadro 01: Características diferenciais entre dado, informação e conhecimento. Aspectos Dado Informação Conhecimento Estruturação, captura e transferência. Fácil Difícil Extremamente difícil Principal requisito para a sua geração. Observação Interpretação pessoal Análise e interpretação Natureza Explícita Predominantemente explícita Predominantemente tácita Percepção de valor no contexto administrativo. Baixa Média Grande Foco Operação Controle e gerenciamento Inovação e liderança Abordagens administrativas que os promovem. Execução de transações de negócios processa- mento de dados. Gerenciamento de siste- mas de informação. Gestão do conhecimento, aprendizagem organizacional. Fonte: Sordi (2008). 21 Por meio na análise do quadro e das informações anteriormente apresenta- das, é possível que você relacione cada termo e compreenda os níveis de cada um, do mais simples (o dado), passando pela informação até o mais complexo que é o conhecimento. A disponibilização da informação é destacada como uma das dimensões da informação de qualidade que deve ser observada pelo administrador da informação. Observa-se que entre os quatro atributos referentes à disponibilidade está o “tempo decorrido entre solicitar e acessar a informação” (SORDI, 2008). A partir dos conceitos apresentados, vale a pena você conhecer um pouco mais sobre uma área nova e que possui significativa importância para as organiza- ções na atualidade que é a gestão da informação e do conhecimento. 3. Gestão Da informação e Do conhecimento Desde os primórdios, os indivíduos buscam formas de se integrar e estabele- cer elos com o seu ambiente, criando, assim, estratégias de comunicação, siste- matização e organização dos conhecimentos produzidos. Tal preocupação com as informações e o seu processamento ganharam maior impulso a partir de meados da década de 1940, quando do fenômeno da grande produção da informação anun- ciada, principalmente por Vannevar Bush. Todavia, a expressão “explosão da infor- mação” só aparece no New York Times da edição de 30 de abril de 1961, atribuída supostamente a Frank Fremont-Smith (FARIAS, 2014). A história do homem e das civilizações está irremediavelmente atrelada aos fe- nômenos da linguagem, à escrita, à produção de informações e aos conhecimentos. Do gesto à fala; da língua aos códigos; da oralidade à escrita, todos os fenômenos humanos e culturais passam pela capacidade do homem de se expressar por símbo- los e sinais, de cuja experiência e correlação nascem os processos de comunicação e de informação (LE COADIC, 1996). 22 A partir das questões colocadas, salientamos o exemplo expresso por Basalla quando este afirma que: [...] os homens necessitam de água, por isso, cavam poços, constro- em barragens em rios e riachos, e desenvolvem tecnologia hidráulica. Precisam de abrigo e defesa, então, constroem casas fortes, cidades e máquinas militares. Necessitam de comida, por isso, domesticam plantas e animais. Precisam se mover por meio do ambiente, então, inventam barcos, carroças, carruagens, bicicletas, automóveis, aviões e espaçonaves. Em cada uma dessas instâncias humanas [...], usam a tecnologia para satisfazer uma necessidade urgente e imediata (BA- SALLA, 1989, p. 06). A informação possui, portanto, um importante papel na atual conjuntura social, visto que, a cada momento, transformações oriundas das mais diversas partes do mundo influem direta ou indiretamente na vida cotidiana dos indivíduos. No que se refere às organizações, formais e informais, não é diferente, em- bora as motivações sejam díspares, estas necessitam de estruturação e organização de modo a obterem seus objetivos e metas. Nessa perspectiva, a informação é vi- sualizada como um insumo para os indivíduos e as organizações terem acesso à informação e se utilizarem desta para a tomada de decisões, resolução de problemas, comunicarem-se, dentre outros aspectos correlatos (BARRETO, 2004). A informação e o conhecimento tornaram-se os fatores mais relevantes no am- biente das organizações que é, a cada dia, mais competitivo, sendo estes elementos con- siderados os principais componentes para manter o nível de competitividade envolvendo produção, troca e venda de produtos e serviços (ROMANI; BORSZCZ, 2006). Para se falar em gestão do conhecimento, é imprescindível entender e abordar as respectivas distinções entre dado, informação e conhecimento. Então, vale apena relembrar os conceitos, sejam estes: • Dados são entendidos como valor sem significado e que servem para com- por as informações (letras, figuras); • A informação é o dado trabalhado com significado, sendo este organizado, processado e estruturado; 23 • Conhecimento é a informação com valor agregado, serve para a tomada de decisões e se constrói a partir da reflexão dos indivíduos. Desse modo, a gestão do conhecimento pode ser: [...] plausivelmente segmentada em cinco estágios: os dados gerados transformam-se em informação, que se transforma em conhecimento; o conhecimento resulta em ações informadas e estas produzem resul- tados de negócio (MURRAY, 2004, p. 217-218). Para Davenport e Marchand (2004), a gestão da informação segue as se- guintes etapas: •Mapear; • Adquirir/capturar/criar; • Empacotar; • Armazenar; • Aplicar/compartilhar/transferir; • Inovar/evoluir/transformar. Em vista disso, você deve entender que a gestão do conhecimento é de suma importância para todos os profissionais que direta e indiretamente trabalham com a informação e a produção de conhecimento. Onde a educação continuada é substancial. Assim, destacamos a percepção de Murray (2004, p. 217), que coloca que “um verdadeiro processo do conhecimento, aprendizagem é fundamental”. 1. Descreva o seu entendimento sobre dados. 24 2. Relacione as principais características e os aspectos sobre os dados. 3. Descreva o seu entendimento sobre informação. 25 4. Relacione as principais características e os aspectos sobre a informação. 5. Relacione dado, informação e conhecimento. Muitas organizações tendem a coletar dados e informações que não são úteis para as operações correntes nem para a tomada de decisão. São informações para referência futura ou uma eventual necessidade. Mas se a informação não for usada para decisões operacionais ou de administração, passa a não ter valor. É conveniente também que façamos a distinção entre informações e dados. Dados são as representações originais e detalhadas de eventos no mundo físico. Para que os dados se tornem úteis na tomada de decisão eles precisam ser tratados, isto é, transformados em informações. Informações são, portanto, dados trabalhados de modo que sejam úteis. Os profissionais que administram uma instituição, um setor, usam informações, não dados. E o conhecimento é o resultado da reflexão do entendimento dessas informações (ROSINI, 2014).