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Guia da disciplina Geografia Urbana do Brasil Curso: Licenciatura em Geografia Guia da Disciplina: Geografia Urbana do Brasil Professor: Marcelo Werner da Silva Geografia Urbana do Brasil I. Apresentação da disciplina A disciplina introduz o aluno do curso de Licenciatura em Geografia no conhecimento da geografia urbana do Brasil. Muitos conhecimentos teóricos são vistos na disciplina de Geografia Urbana, mas na presente disciplina temos a oportunidade de detalhar os conhecimentos sobre as cidades e sobre a urbanização aplicados ao caso brasileiro. Apesar da experiência urbana ter pontos em comum em todos os países do mundo, as cidades do mundo subdesenvolvido (ou do 3º Mundo) tem certas especificidades, apontadas sobretudo pelo grande geógrafo brasileiro, Milton Santos, que analisou muitos aspectos da urbanização brasileira. Deste modo, a urbanização brasileira foi feita muito tempo depois de ter sido realizada nos países desenvolvidos. Isso levou a uma urbanização muito mais acelerada, tornando-se dramáticos certos aspectos de exclusão de amplos setores da população urbana brasileira. Da mesma maneira o campo brasileiro se modernizou tecnologicamente, o que explica o êxodo rural para as cidades, mas mantendo uma estrutura agrária anacrônica. Assim na disciplina veremos, em um primeiro momento, o processo de urbanização brasileiro, desde a colônia até chegarmos à situação atual, definida, por alguns autores, como de metropolização do espaço (urbano). Ao chegar neste ponto veremos que grande parte da população brasileira vive em cidades e grande parte desta população urbana vive nas chamadas “regiões metropolitanas”. Portanto analisaremos a dinâmica das regiões metropolitanas e como as cidades brasileiras se relacionam entre si, formando a “rede urbana brasileira”. Fenômeno mais recente, que também será analisado, é o da “involução metropolitana” e o fortalecimento das chamadas “cidades médias”. O próximo passo será analisar a grande desigualdade socioespacial das cidades brasileiras, que levam à grande pobreza urbana, à disseminação de favelas, que constamos ao percorrer qualquer cidade brasileira, e não somente as grandes cidades. Essa grande exclusão está ligada ao privilégio concedido ao capital imobiliário, historicamente privilegiado em detrimento da população urbana, gerando uma complexa questão habitacional no país. Deste modo também serão analisados os movimentos sociais que lutam por uma cidade que atenda aos interesses de seus moradores, movimentos de luta pelo “direito à cidade”, conceito de Henri Lefebvre que foi apropriado inclusive por esses movimentos. Tais lutas envolvem aspectos da maneira como a cidade é planejada, motivo pelo qual é importante analisar os marcos legais do planejamento urbano no Brasil, que desde a Constituição de 1988, assume a forma da luta pela implantação do “Estatuto da Cidade”, regulamentação que inova em muitos aspectos mas que para ter força de lei tem que ser detalhado em um plano diretor, motivo pelo qual certos aspectos que poderiam alterar a cidade para melhor só são implantados através da pressão dos movimentos sociais que lutam por uma cidade mais justa. Aqui também entram a problemática da mobilidade urbana (ou falta dela), questão dramática por impor aos moradores das cidades grandes deslocamentos, perda de tempo e dinheiro decorrente de uma concepção de cidade que sempre privilegiou o transporte individual em detrimento do público. Como o país não é uma ilha e sofre os impactos da chamada globalização da economia, analisaremos também a inserção do país em uma rede de cidades mundiais e a busca por projetos de requalificação urbana que adequem às cidades às necessidades deste mundo globalizado. Aí entram os projetos realizados em várias cidades do pais que sediaram jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e sobretudo a cidade do Rio de Janeiro, que além da Copa do Mundo também sediou os Jogos Olimpícos de 2016. Além das reformas que visam esses grandes eventos mundiais, muitas cidades têm realizado reformas que buscam, por exemplo, revalorizar aspectos ligados ao seu passado, como forma de valorização turística. Por último analisaremos a problemática ambiental urbana das cidades brasileiras, aspecto hoje muito valorizado, devido às mudanças climáticas e ao manejo da água, por exemplo, que levam a problemas de abastecimento das cidades. Outra questão é a própria ambiência urbana, que sai prejudicada pela excessiva impermeabilização do solo, poluição dos rios e córregos urbanos, ausência de árvores e parques, produção de lixo urbano, dentre outras questões, cada vez mais importantes pela dimensão alcançada pela urbanização brasileira. O capítulo final procurará apontar as dinâmicas mais recentes da urbanização brasileira. II. Organização da disciplina Para desenvolver os aspectos apontados, organizamos o curso em quinze aulas, conforme abaixo: Aula Título 01 Introdução: O fenômeno urbano no Brasil 02 O processo de urbanização no Brasil até o início do século XX 03 O processo de concentração urbana e as metrópoles brasileiras 04 A dinâmica das regiões metropolitanas no Brasil 05 A rede urbana brasileira 06 Involução metropolitana, desmetropolização e a dinâmica das cidades médias no Brasil 07 Desigualdades socioespaciais nas cidades brasileiras 08 A questão da habitação no Brasil 09 A luta pelo direito à cidade no Brasil 10 Marcos legais para o planejamento urbano no Brasil 11 Mobilidade urbana nas cidades brasileiras 12 A inserção do Brasil na rede de cidades mundiais 13 Projetos de Requalificação urbana nas cidades brasileiras 14 Problemática ambiental nas cidades brasileiras 15 Geografia urbana do Brasil: balanço e perspectivas futuras III. Atividades e processo de avaliação da disciplina As atividades propostas em cada uma das aulas disponibilizadas pela disciplina buscam avaliar a compreensão do conteúdo apresentado e promover a reflexão complementar ao texto explicativo. É fundamental a realização, por parte do aluno, das atividades e exercícios para que o conhecimento seja efetivamente fixado. Os estudantes, mesmo tendo acesso a materiais complementares e sugestões de consultas para o aprofundamento do aprendizado, devem se comprometer com as atividades propostas nas aulas para um contínuo debate com os tutores a distância e presenciais. Ao mesmo tempo, recomenda-se a visita a bibliotecas para a consulta ao material complementar indicado nas aulas. Vale ressaltar que todo o processo de ensino e aprendizagem nesta disciplina será mediado por seus mediadores (nos polos e à distância) e, quando se fizer necessário, pelo contato com o seu coordenador, que acompanhará de perto o desempenho dos alunos. Cabe informar aqui as atividades de cada um destes profissionais. Ao coordenador compete propor atividades para as seções de tutoria presenciais e preparar/participar da correção das avaliações da disciplina, bem como eventualmente participar dos fóruns de discussão quando forem organizados. Por sua vez, aos mediadores presenciais compete organizar, sob orientação do coordenador da disciplina, os encontros presenciais e auxiliar na condução das atividades que façam com que os objetivos de cada aula sejam atingidos, tirando eventuais dúvidas dos alunos. E aos tutores à distância compete o acompanhamento das aulas semanais, dos debates e atividades extras e a correção das avaliações juntamente com o coordenador da disciplina, bem como esclarecer as dúvidas dos alunos e alunas. São duas as modalidades de avaliação da disciplina: ADs (avaliações à distância) e APs (avaliações presenciais). Serão realizadas duas ADs e três APs e as notas de cada uma destas comporá a média final do aluno. O acesso às ADs se dá pela plataforma, onde são postadas as propostas que deverão ser repostadas pelo mesmo canal no prazo estabelecidoem cronograma. As APs, que no período exepcional da pandemia serão realizadas também remotamente, verificam o conteúdo apreendido nas aulas postadas na plataforma. Todas as avaliações presenciais versarão sobre conteúdos das aulas da disciplina, buscando a reflexão sobre os temas associados a cada uma das aulas. IV. Método de estudo Não apenas em nossa disciplina, mas em todo o sistema de ensino à distância, é fundamental que o aluno assuma a responsabilidade de autogerir o tempo dedicado aos seus estudos e, para tanto, deve apresentar valores e atitudes como: decisão e vontade para tais tarefas, cumprimento do tempo indicado para o estudo, capacidade de uso adequado dos instrumentos de estudo, além de assiduidade e disciplina. É importante ressaltar que as leituras tanto das aulas em si quanto as complementares devem ser efetuadas de maneira calma e constante, acompanhando a distribuição das atividades propostas no cronograma semestral. Não é viável que o aluno estabeleça uma relação esporádica com os instrumentos de estudo. Ele deve ser assíduo, criando familiaridade com os instrumentos e com as linguagens do seu material. Esta assiduidade consiste, por exemplo, no estudo diário mesmo que por quinze minutos apenas. O hábito da leitura possibilita que nossos alunos transformem-se em leitores críticos do material da nossa disciplina e do mundo como um todo. Além do mais, para fixar os momentos do texto em que o aluno verdadeiramente toma posse do seu conteúdo, sugerimos que ele sublinhe frases, envolva com círculos as palavras e conceitos mais importantes e faça anotações paralelas, praticando o que se chama de leitura marcada. No momento da leitura também sugerimos a busca imediata em dicionários do significado de palavras desconhecidas ou o contato com a tutoria da disciplina para esclarecimento de dúvidas conceituais. São desejadas em um bom estudo posturas como ampliar vocabulário e não acumular dúvidas. Ainda sugerimos aos nossos alunos a síntese do material estudado, pois fazendo pequenos resumos das aulas “controlamos” melhor aquilo que estamos aprendendo. Por fim, a sistemática é trabalhar uma aula por semana, conforme pode ser verificao no cronograma da disciplina. Neste sentido, não deixar acumular material e dúvidas é o que indicamos aos alunos e alunas. E para tanto, recomendamos que as dúvidas sejam anotadas em forma de tópicos e a consulta seja feita diretamente aos tutores à distância por email ou na sala de tutoria. Em outras palavras, pedimos para que os alunos e alunas não deixem para tirar todas as suas dúvidas no encontro presencial (que não está ocorrendo agora devido à pandemia), pois muitas vezes não há tempo para trabalhar um conteúdo mais extenso nestes momentos. Utilizando adequadamente os recursos humanos e materiais disponibilizados por nossa disciplina, comprovaremos a ideia de que estudar à distância não é estudar sozinho. Bibliografia de referência CARLOS, Ana Fani Alessandri; OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino (orgs.). Geografia das Metrópoles. São Paulo: Contexto, 2006. SANTOS, Milton e SILVEIRA, María Laura. O Brasil: Território e Sociedade no início do Século XXI. Rio de Janeiro; São Paulo: Ed. Record, 2001. SOUZA, Marcelo Lopes de. O desafio metropolitano: um estudo sobre a problemática sócio-espacial nas metrópoles brasileiras. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. Indicações bibliográficas complementares ABREU, Maurício de Almeida. Evolução Urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: IPP, 2006. 4. ed. CORRÊA, Roberto Lobato. Estudos sobre a Rede Urbana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. SANTOS, Milton. A urbanização brasileira. São Paulo: EDUSP, 2005. 5. ed. SANTOS, Regina Bega dos. Movimentos Sociais Urbanos. São Paulo: Ed. UNESP, 2008. SPOSITO, Eliseu Savério et. al (orgs.). Cidades médias: produção do espaço urbano e regional. São Paulo: Expressão Popular, 2006. Sobre o professor responsável pela disciplina: Marcelo Werner da Silva é doutor em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente é professor associado da Universidade Federal Fluminense, lotado no Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional, situado na cidade de Campos dos Goytacazes/RJ. Também é docente no Programa de Pós-Graduação em Geografia do mesmo instituto. Atua em projetos de pesquisa relacionados a Geografia Histórica Urbana, particularmente sobre a urbanização das sociedades humanas e os fenômenos ligados à circulação e aos transportes. Guia da Disciplina: Geografia Urbana do Brasil Geografia Urbana do Brasil II. Organização da disciplina III. Atividades e processo de avaliação da disciplina IV. Método de estudo Bibliografia de referência Indicações bibliográficas complementares Sobre o professor responsável pela disciplina: