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4
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – UFPA
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS 
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA
LINHA: EDUCAÇÃO GEOGRÁFICA E PROCESSOS ESPACIAIS
Educação geográfica nos novos bairros de Altamira: Escolas públicas como territórios educativos
Altamira-Pará 
Janeiro/2024
Educação geográfica nos novos bairros de Altamira: Escolas públicas co
1.EDUCAÇÃO GEOGRÁFICA NOS NOVOS BAIRROS DE ALTAMIRA: ESCOLAS PÚBLICAS COMO TERRITÓRIOS EDUCATIVOS 
2.INTRODUÇÃO 
Nesta pesquisa, investiga-se sobre como se desenvolve construção das novas territorialidades e as relações de pertencimento dos alunos que estudam nas EMEIF Florêncio Filho e Maria Luiza de Holanda e que residem no Reassentamento Urbano Coletivo (RUC) Jatobá e no Loteamento Cidade jardim (Buriti), onde estão instaladas essas duas escolas, ambos os bairros que surgiram a partir da construção da UHE Belo Monte e que estão localizados na cidade de Altamira-PA. O estudo concentra-se na análise da forma em que os professores de geografia de ambas as escolas trabalham conceitos da geografia como a desterritorialização, territorialização e a forma que os alunos absorvem esses conhecimentos trazendo para o seu dia a dia e para o sentimento de pertencimento (identitário), lembrando que esses indivíduos possuem uma organização socioespacial construída nesse contexto vivido.
Na atualidade, o processo de urbanização das cidades brasileiras vem acompanhado de um conjunto de debates que se estendem desde um possível desenvolvido socioeconômico creditado aos investimentos do grande capital, ao avanço das desigualdades sociais que se tornam visíveis nas diferentes formas de ocupação dos espaços geográficos. Com isso, mediado pelo fenômeno de intensificação da malha urbana, observa-se a existência de espaços cada vez mais segmentados esegregados, que nem sempre conseguem atender as necessidades dos diferentes coletivos que habitam esses territórios. 
O contexto do Município de Altamira, localizado no Sudoeste do Estado do Pará, não foi diferente. Com a implantação do grande empreendimento que significou a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu, a partir de 2011, passou por mudanças significativas de expansãourbana (MIRANDA NETO, 2017), tendo a empresa Norte Energia S.A (NESA), comoresponsável pelo gerenciamento das ações que demarcaram sua construção até o momento desua operacionalização: “Com o empreendimento hidrelétrico, a cidade passa por um processode redefinição urbana, com a requalificação de áreas localizadas às margens dos igarapés evalorização de outras, antes consideradas periféricas no arranjo da cidade” (HERRERA, MIRANDA NETO, 2017, p. 45). 
Em decorrência do processo de reordenamento urbano que se materializou na cidade, em que foram construídos cinco novos bairros previstos no Projeto Básico Ambiental (PBA), os denominados Reassentamentos Urbanos Coletivos (RUC), os quais foram concluídos no ano de 2015: Jatobá, São Joaquim, Casa Nova, Laranjeiras e Água Azul, que abrigam uma média de 3,5 mil famílias reassentadas. Foi construído ainda um sexto bairro, denominado Tavaquara, finalizado em 2019, para atender as famílias de indígenas e pescadores impactados pelo projeto hidrelétrico, como destaca Miranda Neto (2017).
Além desses RUC, o contexto altamirense abriu oportunidades para que outros grandesempreendimentos imobiliários se instalassem a partir de 2012, e que “alteram as características morfológicas e a paisagem da cidade” (HERRERA, MIRANDA NETO, 2017, p. 46), são eles: Terras de Bonanza, Cidade Jardim; Cidade Nova, Viena e São Francisco. 
No escopo desse debate que se articulam os espaços sociais, territorialização e transformações urbanas, emerge a necessidade de desenvolver pesquisas que focalizem questões que evidenciem os impactos que essas transformações ocasionam na sociedade local quanto a elaboração de políticas públicas para a população, bem como, reflexões que focalizem o papel que as escolas públicas de educação básica ocupam no contexto de um amplo processo de reorganização espacial, a exemplo do vivenciado na cidade de Altamira, a partir da relação entre espaço, cidade e a oferta da educação básica.
Os efeitos dessas mudanças no espaço ou nas condições socioespaciais sobre os modos em que a vida da população passa a ser organizada e sobre seus sentimentos de pertença podem incidir em como as oportunidades educacionais são possibilitadas em dado território e como a instituição escolar é percebida pela comunidade. Assim, a escola como território educativo, frente às condições externas que definem as politicas educacionais, os currículos e às práticas escolares influenciam tanto no acesso, na permanência como nos processos de aprendizagens dos estudantes, como situam Alves e Soares (2007). 
A metodologia adotada é do tipo qualitativa e que envolveu a pesquisa de campo, no qual foram entrevistados quatro professores de geografia das EMEIF Florêncio Filho e Maria Luiza de Holanda, ambas as escolas são pertencentes a rede municipal de ensino no município de Altamira-PA. O período da coleta de dados ocorreu no mês de outubro de 2024, com entrevistas individuais através de um questionário aplicado sem a gravação de áudio e posteriormente foi feita análise das respostas. A faixa etária dos entrevistados variou entre 34 e 37 anos, onde todos os participantes foram homens, enquanto as demais entrevistadas foram mulheres. O tempo das entrevistas também variou, algumas durando cerca de 20 minutos e outras se estendendo até 30 minutos, refletindo a profundidade e complexidade das narrativas compartilhadas pelos participantes.
TERRITÓRIO E DESTERRITORIALIZAÇÃO
O conceito de território e suas derivações são fundamentais na Geografia, sendo amplamente discutidos como ferramentas essenciais para a análise da realidade humana. O território é o recorte espacial definido por relações de apropriação, poder e de controle sobre recursos e fluxos baseado em aspectos políticos, econômicos e culturais (Haesbaert, 2006; Saquet, 2007; Sposito, 2004), sendo um recurso teórico fundamental para compreender a relação entre a sociedade e seu espaço (Haesbaert, 2004). O território contém formas diversas de apreensão e de manifestação individual e coletiva de um Estado, grupo cultural, classe social ou atividade econômica. Neste sentido, o território é fruto da ação dos atores sociais, os quais dominam e se apropriam dos espaços, transformando-os em território, o que se dá a partir das relações de poder entre os atores sociais (Haesbaert, 2004, 2005, 2007, 2007a). Ou seja, ao habitar um espaço e tomar consciência deste, as pessoas o transformam em um território (Haesbaert, 2007). Nesta perspectiva, Sousa (2013) acentua que o território [...] é fundamentalmente um espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder. A questão primordial, aqui, não é, na realidade, quais são as características geoecológicas e os recursos naturais de uma certa área, o que se produz ou quem produz em um dado espaço, ou ainda quais as ligações afetivas e de identidade entre um grupo social e seu espaço. Estes aspectos podem ser de interesse crucial importância para a compreensão da gênese de um território ou do interesse por torná-lo ou mantê-lo (...), mas o verdadeiro Leitmotiv traz embutida, ao mesmo tempo um ponto de vista não interessado em escamotear conflitos e contradições sociais, a seguinte questão inseparável, uma vez que o território é essencialmente um instrumento de exercício de poder: quem domina ou influencia quem nesse espaço, e como? (Souza, 2013, p. 89).
4. JUSTIFICATIVA
A justificativa para esta pesquisa situa-se na relevância sociocultural que as escolas ocupam nesses processos de desterritorialização e reterritorialização que marcam a vida das famílias e os percursos formativos dos estudantes que residem nesses assentamentos urbanos e que marcam as relações que o contexto espacial geográfico mantém com os processos educativos. Para Haesbaert (2002, 2012), o significadode desterritorialização não é entendido como o fim dos territórios, mas remete a um processo de reestruturação espacial ocasionado por condições políticas, econômicas e culturais, ou seja, a “[...] A desterritorialização que ocorre numa escala geográfica e geralmente implica uma reterritorialização em outra escola (HAESBAERT, 2002, p. 132-133). Temos aí, elementos analíticos sobre o papel do Estado e as pressões das forças sociais orientados por políticas sociais que podem contribuir para as superações das desigualdades sociais e educacionais ou acirrá-las ainda mais. 
O principal motivo no qual me interessa em realizar essa pesquisa, é por ser professor da área de geografia na rede de ensino público de Altamira desde 2012, profissão que me permite entender melhor e assim, repassar para a sociedade em geral os benefícios que foram trazidos para a educação do Município de Altamira, em especial aos moradores desses bairros que foram criados a partir das condicionantes da UHE Belo Monte. Entendero que de fato melhorou na vida desses estudantes; se as escolas mais próximas de suas residências garantem maior acessibilidade ao âmbito escolar e se tem conseguido reduzir as dificuldades no acesso, permanência e terminalidade dos estudos, principalmente por não precisarem mais enfrentar percursos longos; enfim, contribuir de uma certa forma com o processo de melhoria da educação no nosso município. 
Desse modo, as pesquisas que tencionam o papel da escola em bairros que apresentam algumas vulnerabilidades são importantes para analisar de que forma a instituição educativa pode fazer diferença na vida dos estudantes e no próprio desenvolvimento da localidade. Esse estudo pode contribuir na compreensão dos desafios que se colocam diante dos processos de reordenamentos urbanos e dos impactos social, cultural e político na vida da população que foi remanejada dos bairros mais centrais para bairros periféricos, como é o caso dos bairros novos criados na cidade de Altamira, por envolver necessariamente a análise do espaço urbano numa perspectiva de maior profundidade, de modo a ser possível elaborar uma leitura da cidade por meio das alterações que ocorrem em sua forma, estrutura e função, possibilitando compreender a transformação do espaço social e a distribuição de oportunidades educacionais, por meio da relação de análises entre o contexto socioespacial e a escola. 
Por oportunidade educacional entendem-se as chances de acesso à educação escolarizada, as condições que as instituições educativas possuem ao ofertar o processo de ensino e aprendizagem e, como dos profissionais da educação promovem a formação considerada adequada para cada etapa de escolaridade (RIBEIRO, 2005). Nessa direção, o fato de a escola, muitas vezes representar o único equipamento público nesses bairros mais distantes da cidade, pode dificultar o acesso das famílias aos serviços públicos, ou ainda, aos demais recursos culturais valorizados, ocasionando desigualdades educacionais, baixos desempenhos e baixos índices na media da escolaridade dos moradores locais.
5 – OBJETIVOS: 
OBJETIVO GERAL: 
• Analisar como as escolas públicas do loteamento Cidade Jardim Altamira e do RUC São Joaquimabordam os temas/questões que abrangem as transformações socioespaciais e territoriais que ocorreram na cidade de Altamirano decorrer da implantação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
OBJETIVOS ESPECIFICOS 
•Investigar como as escolas públicas que foram construídas no loteamento Cidade Jardim Altamira e no Reassentamento Urbano Coletivo São Joaquim desenvolvem suas ações pedagógicas sobre a educação geográfica e relacionam com as vivências dos estudantes locais.
• Identificar como os profissionais da educação se posicionam sobre o papel que as escolas ocupam nesses bairros novos, no caso, o loteamento Cidade Jardim Altamira e o RUC São Joaquim, criados no processo de reordenação urbana de Altamira-PA; 
•. Examinar como as escolas investigadas trabalham na área de educação geográfica com conhecimentos que produza/fortaleça o sentimento de pertença dos estudantes em relação ao espaço social em residem atualmente;
6. HIPÓTESES:
Como hipótese verifica-se que ações pedagógicas em relação aos temas/questões que abrangem as transformações socioespaciais e territoriais que ocorreram na cidade de Altamirano decorrer da implantação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte inda se mantém afastada de debates mais qualitativos, concorrendo para as discussões sobre a educação geográfica não consiga estabelecer relações entre as escolas e a vida comunitária diante desses arranjos socioespaciais resultantes do processo de reordenamento urbano deflagrado pela construção da Usina Hidrelétrica.
7 - METODOLOGIA 
A pesquisa envolve um conjunto de procedimentos elaborados com a finalidade de decodificar a realidade e construir conhecimentos, com isso, as bases epistemológicas deste estudo fundamentam-se nos princípios da pesquisa qualitativa por essa abordagem permitir estudar as relações sociais na dinâmica real das esferas da vida, como observa Flick (2009); ao mesmo tempo superaram os contornos dos métodos objetivistas e universais das pesquisas quantitativas, se colocando contrária a “[...] um padrão único porque admitem que a realidade é fluente e contraditória e os processos de investigação dependem também do pesquisador – sua concepção, seus valores, seus objetivos (CHIZZOTTI, 2008, p. 26). 
Desse modo, a adoção da pesquisa qualitativa possibilita ao pesquisador apreender e considerar os diferentes conhecimentos e práticas dos participantes dentro da multiplicidade de perspectivas e contextos sociais a eles relacionados, permitem ainda a reflexidade da comunicação e interpretação do pesquisador em campo como parte explicita da produção do conhecimento. 
Ao buscar elaborar procedimentos coerentes com o objeto de estudo proposto neste projeto de pesquisa, propõem-se aqui uma abordagem da pesquisa qualitativa por corresponder ao caminho mais apropriado para o foco desta investigação, por ser um tipo de pesquisa que prima mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados da investigação (BOGDAN; BIKLEN, 1994). Essa perspectiva ocorre porque os métodos qualitativos estão associados a um processo de investigação particular manifestada pelas formas específicas como seus objetos serão observados e descritos a partir de etapas não sequenciais segundo discute Flick (2005). 
Ao definir a abordagem qualitativa, sob a qual se debruçará a pesquisa proposta,destaca-se que não se trata de não se trata de um estudo comparativo, mas investigativo interpretativo, fundamentado na abordagem orientada pelo método da cartografia social, a partir da contribuição por Passos e Alvarez (2015). Essa estratégia de estudo se distingue por nãoantagonizar “teoria e prática, pesquisa e intervenção, produção de conhecimento e produção da realidade” (ALVAREZ; PASSOS, 2015, p. 131) e, ao deslocar nossas certezas, reverte o “[...] sentido tradicional de método: um hódos-meta, isto é, o método da cartografia dá primado ao caminho da investigação, ao seu processo, e não às metas preestabelecidas a serem alcançadas” (PASSOS; KASTRUP, 2016, p. 208-209, grifo dos autores). 
Desse modo, em busca de ampliar a compreensão e reflexão da realidade altamirense resultante desse reordenamento urbano, situando convergências e dissonâncias entre as ações e práticas pedagógicas em duas escolas da rede pública municipal, no caso, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Luiza da Silva Holanda, localizada no loteamento Cidade Jardim, e a Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental João e Maria, escolas que foram construídas como parte das condicionantes da UHE de Belo Monte.
A técnica de pesquisa a ser adotada, será as entrevistas coletivas com os sujeitos da pesquisa, no caso, professores da área das Ciências Humanas (Geografia, História e Estudos Amazônicos) e estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, além de dialogar com os pais dos estudantesdas escolas investigadas e com os profissionais da Secretaria Municipal de Educação, que poderão fornecer informações sobre processo de construção e operacionalização das escolas. 
A pesquisa contará ainda com uma pesquisa documental tendo por base, a proposta pedagógica das escolas, o documento de criação e autorização de funcionamento das escolas nos dois bairros indicados, bem como, o Projeto Básico Ambiental (PBA), que ajudarão nos procedimentos de levantamento dos dados referentes à reorganização espacial de Altamira, a caracterização dos bairros investigados, e demais informações que se fazerem necessárias no percurso da pesquisa. 
8. REFERENCIAL TEÓRICO-CONCEITUAL
Frente as mudanças ocorridas na malha urbana do município de Altamira-PA em decorrência das transformações socioespaciais provocadas pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, situar a forma como as instituições educativas, ainda que percebidas como tradicionais – não necessariamente por suas práticas pedagógicas, mas, como resultado de um forte legado histórico-cultural cartesiano –, buscam propor em suas ações formativas discussões referentes a educação geográfica, de modo a propor conhecimentos aos estudantes sobre a espaço geográfico e suas transformações no município de altamira-PA. De acordo com Milton Santos, (1978, p.122): “O espaço é um verdadeiro campo de forças cuja formação é desigual. Eis a razão pela qual a evolução espacial não se apresenta de igual forma em todos os lugares”. Isso significa que o espaço, por ser construído processual e historicamente, possui uma estrutura organizada composta por formas e funções que podem se transformar de acordo com cada sociedade. 
Podemos dizer que o espaço é organizado socialmenteestando, portanto, articulado às transformações sociais feitas pelos homens. (SANTOS, 1979), reproduzindo a totalidade a partir das transformações impulsionadas pela sociedade; expressa ainda o desenvolvimento das forças produtivas, das relações de produção e das necessidades de circulação e distribuição. Dito de outra forma, o espaço é produto e condição da dinâmica socioespacial, e seu movimento vincula-se aos interesses e necessidades de cada coletivo social. 
Quando estudamos contextos que passam por um processo de reordenamento urbano que altera de forma expressiva a espaço geográfico de um território, é preciso ponderar como os empreendimentos na Amazônia, na magnitude da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, impacta e determina e estruturação da cidade e a reestruturação de sua malha urbana, pois a implantação dessa UHE é exemplo adequado de como se consolida um modelo de projeto desenvolvimentista empregado comumente na região amazônica desde a segunda metade do séc. XX até os dias atuais, como evidenciam o trabalho desenvolvido por Pase et al. (2016, p. 46), que definiram as hidrelétricas como uma efetivação de projetos neoliberais, representados “principalmente por consórcios formados pelo Estado e por empresas de capital privado”, deflagrando um extenso processo de desapropriação de grandes áreas, expansão do perímetro e construção de novos bairros para reassentamento dos atingidos, sem que sejam planejadas de forma estratégica esse reordenamento e o atendimento qualitativo da população impactada por todas essas transformações, perdendo vínculos identitários de seus antigos modos de vida.
Para melhor compreensão desses impasses e controvérsias que marcam a implementação da hidroeletricidade, as investigações de Herrera e Moreira (2013) dão conta do aumento populacional na região que originou um acelerado processo de construção de edificações e pavimentação das ruas; a abertura do mercado imobiliários com vendas de lotes tanto no município de Altamira, como no município de Vitóriado Xingu e Brasil Novo. 
Já a pesquisa elaborada por Miranda Neto e Herrera (2016), evidenciaa existência de impacto positivo com a consolidação da obra da UHE de Belo Monte na cidade, de modo particular, ao reordenamento urbano da sede municipal de Altamira, diante das materialização de algumas ações previstas no Plano Básico Ambiental, elaborado com a finalidade de minimizar os conflitos vinculados à alteração nas condições de vida das populações residentes, sobretudo, àquelas famílias em situação de vulnerabilidade social residentes em áreas sujeitas a alagamento nas margens dos Igarapés Altamira, Ambé, Panelas e na orla da cidade às margens do rio Xingu. 
9. CRONOGRAMA
	Atividades/semestre
	Abril a Junho/2024
	Agosto a dezembro/2024
	Março a Junho/2025
	Agosto a dezembro/2025
	Realização das disciplinas obrigatórias do programa e da linha de pesquisa
	
	
	
	
	Reelaboração do Projeto de pesquisa
	
	
	
	
	Revisão de literatura do projeto de pesquisa.
	
	
	
	
	Realização da pesquisa de campo
	
	
	
	
	Análises e sistematização parciais dos dados de campo
	
	
	
	
	Elaboração do relatório parcial e qualificação.
	
	
	
	
	Analises, sistematização finais dos dados de campos 
	
	
	
	
	Produção do relatório da dissertação e defesa do mestrado
	
	
	
	
10. REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS
ALVAREZ, Johnny; PASSOS, Eduardo. Cartografar é habitar um território existencial. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana de (Org.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2015, p.131-149. 
ALVES, Maria Tereza G.; SOARES. As pesquisas sobre efeito das escolas: contribuições metodológicas para a Sociologia da Educação. Revista Sociedade e Estado. vol. 22, n. 2, 2007.
ARROYO, Miguel G. Currículo, território em disputa. Petrópolis: Vozes, 2011 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição de 22 de setembro de 1988. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 22 set. 1988. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf. Acesso em: 30 nov. 2021.
_______. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF, 20 dez. 1996. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/lei9394_ldbn1.pdf. Acesso em: 30 nov. 2021.
BOGDAN, Roberto C.; BIKLEN, Sari Knopp. Investigação qualitativa em educação. Tradução Maria João Alvarez, Sara Bahia dos Santos e Telmo Mourinho Baptista. Porto: Porto Editora, 1994. 
CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa Qualitativa em Ciências Humanas e Sociais. – 2ª Ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. 
CURY, Carlos Roberto Jamil. Gestão democrática da educação: experiências e desafios. Revista brasileira de política e gestão da educação, ANPAE, São Bernardo do Campo, v.18, n. 2, p.163-174, jul./dez. 2002. 
FLICK, Uwe. Introdução à Pesquisa Qualitativa. – 3ª Ed. – Porto alegre: Artemd, 2009. 
HAESBAERT, Rodolfo. O mito da desterritorialização. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. 
HAESBAERT, Rodolfo .Territórios alternativos. Niterói: Eduff; São Paulo: Contexto, 2002.
HERRERA, José Queiroz; MOREIRA, R. P. Resistência e conflitos sociais na Amazônia Paraense: a luta contra o empreendimento Hidrelétrico de Belo Monte. Campo-Território: Revista de Geografia Agrária. v. 8, n. 16, 130-151, 2013. 
MIRANDA NETO, José Queiroz; HERRERA, José Queiroz. Altamira-PA: novos papéis de centralidade e reestruturação urbana a partir da instalação da UHE Belo Monte. Confins [Online], 28 | 2016, Disponível em: . Acesso em 9 dezembro de 2021.
MIRANDA NETO, José Queiroz de; HERRERA, José Antônio. Expansão urbana recente em Altamira (PA) Novas tendências de crescimento a partir da instalação da UHE Belo Monte. Ateliê Geográfico- Goiânia-GO, v. 11, n. 3, dez./2017, p. 34-52, 
MIRANDA NETO, José Queiroz de. Os nexos de re-estruturação da cidade e da rede urbana: as implicações espaciais da instalação da Usina de Belo Monte em Altamira-PA e em sua região de influência. Revista Formação (ONLINE). Vol. 24; n.43, set-dez/2017. p. 65- 95. 
PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia. Sobre a validação da pesquisa cartográfica: acesso à experiência,consistência e produção de efeitos. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; TEDESCO, Silvia (org.). Pistas do método da cartografia: experiência da pesquisa e o plano comum. Porto Alegre: Sulina, 2016. v. 2. 
PASE, Hemerson Luiz et al. O conflito sociopolítico em empreendimentos hidrelétricos. São Paulo, Ambiente & Sociedade, v. XIX, n. 2 p. 45-66. 2016. 
RAFFESTIN, C. Por uma geografia do poder. São Paulo: Editora Ática, 1993. 
SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova. São Paulo: Hucitec, Edusp, 1978. 
 SANTOS, Milton. Espaço e Sociedade. Petrópolis: Vozes, 1979.

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