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FICHA 01 - FILOSOFIA (PROF. JOSÉ LOURENÇO NETO) 
 
“A Origem da Filosofia” 
 
O termo Filosofia Grega é utilizado para designar o período que se estende desde o nascimento da filosofia 
na Grécia Antiga, no final do século VII a.C. ao fim do período helenístico e a consolidação do período medieval 
da filosofia, no século VI d.C.. 
 
A filosofia grega é dividida entre três períodos principais: pré-socrático, socrático (clássico ou antropológico) e 
o helenístico. 
 
O "Milagre Grego" 
 
O chamado "milagre grego" tem referência a uma transição relativamente rápida da consciência mítica para a 
consciência filosófica na Grécia Antiga. Os gregos possuíam uma forte tradição oral pautada nas narrativas dos 
mitos, o que dava conta de construir o pensamento coletivo e sua leitura de mundo. A partir do final do século VII 
a.C., surge a filosofia como a atitude de explicar o mundo de forma lógica e racional. Durante muitos anos, 
considerou-se essa passagem da mitologia para a filosofia como algo sem muita explicação, um milagre. 
Entretanto, não foi propriamente um milagre o que levou os gregos a filosofar. Uma série de fatores afetaram o 
contexto grego e culminaram nessa mudança: 
 
● o comércio, as navegações e a diversidade cultural; 
● o surgimento da escrita alfabética; 
● o surgimento da moeda; 
● a invenção do calendário; 
● o surgimento da vida pública (a política). 
 
 
Todos esses fatores reunidos tornaram possível que os gregos buscavam um conhecimento mais 
desmistificado que se aproximasse das questões humanas. Encontraram na razão humana, uma ferramenta 
para a construção de um novo tipo de conhecimento. Através do pensamento metódico e regrado oferecido pela 
razão, os gregos passaram a racionalizar as questões práticas do cotidiano e encontrar uma certa ordenação 
das coisas e do universo. 
 
O surgimento da filosofia na Grécia Antiga, por volta do século VI a.C., é frequentemente atribuído aos 
chamados **pré-socráticos**. Eles foram os primeiros pensadores a procurar explicações racionais e naturais 
para o mundo, afastando-se das explicações mitológicas e religiosas que dominavam a época. 
 
Os pré-socráticos foram pioneiros em investigar a origem e a constituição do cosmos, questionando a 
natureza das coisas e buscando princípios fundamentais (arché) que pudessem explicar o universo. 
 
Aqui estão alguns dos principais pré-socráticos: 
 
1. **Tales de Mileto** (c. 624-546 a.C.): Considerado o primeiro filósofo ocidental, Tales acreditava que a água 
era o princípio fundamental de tudo. Ele foi um dos primeiros a sugerir que o mundo poderia ser explicado sem 
recorrer aos mitos. 
 
2. **Anaximandro** (c. 610-546 a.C.): Discípulo de Tales, Anaximandro propôs que o princípio fundamental não 
era a água, mas o "ápeiron" (o infinito ou indeterminado), algo sem forma definida que gerava tudo o que existe 
no mundo. 
 
3. **Anaxímenes** (c. 585-528 a.C.): Defendeu que o ar era o princípio originário de tudo. Para ele, o ar, em 
suas diversas transformações (como condensação e rarefação), daria origem aos diferentes elementos e formas 
do mundo. 
 
4. **Heráclito de Éfeso** (c. 535-475 a.C.): Conhecido por sua teoria do "fluxo eterno", Heráclito acreditava que 
tudo está em constante mudança e que o fogo era o princípio fundamental, simbolizando transformação e 
renovação contínua. 
 
5. **Parmênides de Eléia** (c. 515-450 a.C.): Parmênides, por outro lado, argumentava que a mudança e a 
multiplicidade eram ilusórias. Para ele, a verdadeira realidade era imutável e única. Sua visão radical contrastava 
com as ideias de Heráclito. 
 
6. **Pitágoras de Samos** (c. 570-495 a.C.): Pitágoras é mais conhecido por suas contribuições à matemática, 
mas ele também via a matemática e os números como fundamentais para entender a estrutura do universo. Para 
ele, tudo no cosmos estava relacionado a proporções e harmonia matemática. 
 
7. **Empédocles de Agrigento** (c. 495-435 a.C.): Ele propôs que o universo era formado por quatro elementos: 
terra, água, fogo e ar. Esses elementos estariam em constante combinação e separação, regidos por forças 
opostas: amor e discórdia. 
 
Os pré-socráticos ajudaram a estabelecer a base do pensamento filosófico ocidental, pois buscavam explicações 
racionais e não sobrenaturais para os fenômenos naturais. Suas ideias prepararam o terreno para os grandes 
filósofos posteriores, como Sócrates, Platão e Aristóteles.

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