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Derivado da expressão latina hyphén , o hífen – “traço em forma de arco invertido para assinalar a união de duas letras ou de duas partes de um vocábulo” (FERREIRA, 2004) – teve sua utilização modificada pela nova ortografia. O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa dedica três das 21 bases (tópicos) às modificações em relação ao uso do hífen, que segue empregado em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares; nas formações por prefixação, recomposição e sufixação; bem como em ênclises e mesóclises. O hífen, ou traço-de-união, é um sinal com várias funções na escrita. É usado na composição de palavras que têm sentidos diferentes, como por exemplo: “amor perfeito” para diferenciar de “amor-perfeito”; “copo de leite” para diferenciar de “copo-de-leite”; e “sem vergonha” para diferenciar de “sem-vergonha”. Veja a seguir a chave prática para o uso do hífen, elaborada pelo Instituto Antônio Houaiss (2008, p.61). Veja a Tabela . Observações a. Nas palavras compostas por sufixação, emprega-se o hífen somente naquelas terminadas por sufixos de origem tupi-guarani, como “açu”, “guaçu” e “mirim”, quando o primeiro elemento termina em vogal acentuada graficamente ou quando a pronúncia exige a distinção gráfica dos dois elementos: amoré-guaçu , anajá-mirim , capim-açu . b. Não se emprega o hífen em palavras cujo prefixo ou elemento antepositivo termina em vogal e o segundo elemento começa por “r” ou “s”, que se duplicam: antirreligioso , contrarrega , cosseno , extrarregular , infrassom , minissaia , eletrossiderurgia , microssistema . c. Não se emprega o hífen em palavras cujo prefixo ou elemento antepositivo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente: antiaéreo , coeducação , extraescolar , aeroespacial , autoestrada , agroindustrial , hidroelétrico. d. Adjetivos pátrios compostos como euro , indo , sino , franco , anglo , luso , afro, ásio etc. são grafados sem hífen quando funcionam adjetivamente como elemento mórfico, por exemplo: eurocomunista , afrolatria , francofonia , sinofilia , lusofilia . Quando se trata da soma de duas ou mais identidades, o hífen tem de ser empregado: euro-africano , euro-afro-americano , indo- português , anglo -americano , franco-suíço , sino- japonês , ásio-europeu etc. e. No caso de “bem”, sugerimos manter as formas que os dicionários registram habitualmente e só fazer alterações nas palavras que o texto do Novo Acordo Ortográfico citou, estendendo, então, essa ortografia aos seus cognatos: benfazejo (benfazer ), benfeito , benfeitor , benquerença (benquerer , benquerido ). No caso de “mal”, o Novo Acordo diz que pode aglutinar-se ou não. Fiquemos, pois, com a tradição lexicográfica: “mal” como elemento (advérbio) só recebe hífen diante de vogal (mal-afamado ), “h” (mal-humorado ) e “l” (mal-limpo ). Quando mal significa “doença”, há sempre hífen (mal-caduco , mal-canadense ). f. O Novo Acordo é lacunar em relação ao emprego ou não do hífen em palavras formadas com os prefixos “ab”, “ad”, “ob”, “sob” e “sub” seguidos da consoante “r”. Esses são os únicos casos, no português, em que o “r” dos grupos “br” ou “dr” não representa uma vibrante velar (por exemplo, em “abraço”). Será preferível, por esse motivo, manter a grafia consagrada (ab-rogar , ad- renal , ob-rogar , sub-região etc.), por se tratar de duas sílabas separadas, com o “b” ou “d” fechando a sílaba anterior e o “r” abrindo a seguinte. g. O Novo Acordo estabelece que, nos casos de formações por prefixação, recomposição e sufixação, empregue-se o hífen quando o primeiro elemento termine por letra igual à que inicia o elemento seguinte. Tal regra deve ser mantida em todos os casos em que ocorrer esse encontro, mas não com o “pre” átono, portanto, a grafia fica preenchimento , predefinido , preconcebido etc. 4. PONTUAÇÃO Observe a importância da pontuação e da entonação no texto a seguir, extraído da obra de Fernandes e Dourado (2002): O TESTAMENTO Um homem rico, sentindo que estava morrendo, pediu o papel e a caneta e escreveu: “Deixo os meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho jamais será paga a conta ao alfaiate nada aos pobres.” Não teve tempo de pontuar e morreu. Eram quatro os herdeiros. Chegou o sobrinho e fez estas pontuações na cópia do bilhete: “Deixo os meus bens à minha irmã? Não! Ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta ao alfaiate. Nada aos pobres.”