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TEORIA GERAL DO PROCESSO PENAL PROFA. MARINA DELLA TORRE AVISO LEGAL ESTE MATERIAL TEM FINALIDADE EXCLUSIVAMENTE ACADÊMICA, PORTANTO QUALQUER MENÇÃO A MARCAS, NOMES OU EMPRESAS TEM O PROPÓSITO MERAMENTE ILUSTRATIVO. ESTE MATERIAL FOI PRODUZIDO E DESTINADO ESPECIALMENTE PARA OS ALUNOS DO CURSO DE DIREITO DA UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP E COLIGADAS NO SISTEMA EAD. O PRESENTE MATERIAL FOI PRODUZIDO ATRAVÉS DE INFORMAÇÕES PRÓPRIAS OU COLETADAS EM DIVERSOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO E CONTÉM ILUSTRAÇÕES PRÓPRIAS OU COLETADAS EM BANCOS DE IMAGENS DE ORIGEM PRIVADA OU PÚBLICA, BEM COMO CONTEÚDOS EXTRAÍDOS DE SITES PÚBLICOS DA INTERNET. É VEDADA A UTILIZAÇÃO DESTE MATERIAL PARA FINALIDADES DIVERSAS DAS QUAIS FOI CONCEBIDO. É PROIBIDA A REPRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO, TRANSMISSÃO, EXIBIÇÃO, PUBLICAÇÃO OU DIVULGAÇÃO, TOTAL OU PARCIAL, EM QUAISQUER MEIOS, DOS SLIDES, TEXTOS, FIGURAS E OUTROS ELEMENTOS QUE COMPÕEM ESTE CONTEÚDO, SEM AUTORIZAÇÃO PRÉVIA E EXPRESSA DA TITULAR (PROFA. MARINA DELLA TORRE). 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Salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar em todo o país 45 dias depois de oficialmente publicada. Esse período é chamado de vacatio legis, em que a lei ainda não é eficaz, não podendo produzir nenhum efeito. Art. 2º do CPP – rege as normas processuais, segundo o qual “a lei processual aplicar-se-á, desde logo, sem prejuízo dos atos realizados sob a vigência de lei anterior.” Isso significa que o legislador adotou o princípio da aplicação imediata das normas processuais: o ato processual será regulado pela lei que estiver em vigor no dia em que ele for praticado (tempus regit actum). Os atos anteriormente praticados não serão retroagidos, pois eles permanecem válidos, já que praticados segundo a lei da época. A lei processual só alcança os atos praticados a partir da sua vigência (dali para frente). Lei mais severa – As normas de natureza processual aplicam-se aos processos em andamento, ainda que o fato tenha sido cometido antes de sua entrada em vigor e mesmo que sua aplicação se dê em prejuízo do agente. É que sua aplicação no tempo não se encontra regida pelo art.5º, XL, CF, o qual proíbe a lei retroagir para prejudicar o acusado. Esse dispositivo se refere somente à lei penal e não processual. A lei processual não se interessa pela data em que o fato foi praticado. Pouco importa se cometido antes ou depois da sua entrada em vigor, pois ela retroage e o alcança, ainda que mais severa. Da aplicação do princípio tempus regit actum derivam dois efeitos: 1. Os atos processuais realizados sob a égide da lei anterior são considerados válidos e não são atingidos pela nova lei processual, a qual só vige dali em diante. 2. As normas processuais têm aplicação imediata, pouco importando se o fato que deu origem ao processo é anterior à sua entrada em vigor. Encerra-se a vigência da lei com sua revogação expressa ou tácita. Uma lei só pode ser revogada por outra que determine expressamente a cessação de sua eficácia, ou, ainda, que seja incompatível ou regule inteiramente a matéria anteriormente tratada (revogação tácita). Revogada uma lei processual, não mais poderá ser aplicada, uma vez que a incidência da posterior será imediata, regulando o processo daí em diante. ENTRADA EM VIGOR DE LEI PROCESSUAL NOVA QUANDO O PRAZO RECURSAL JÁ HAVIA SE INICIADO – De acordo com o art. 3º da Lei de Introdução do Código de Processo Penal (Decreto-lei n.3.931/41), “o prazo já iniciado, inclusive o estabelecido para a interposição de recurso, será regulado pela lei anterior, se esta não prescrever prazo menor do que o fixado no Código de Processo Penal”. Tal regra, embora trate especificamente da entrada em vigor do CPP, em 1º de janeiro de 1942, pode ser aplicada, por analogia, a todos os prazos que estejam em curso quando da entrada em vigor de uma nova lei processual. A natureza penal ou processual de uma norma deve ser verificada de acordo com o seu conteúdo, e não meramente pelo instrumento legislativo em que está contida, posto que existem, excepcionalmente, regras de conteúdo processual no Código Penal (pedido de explicações em juízo nos crimes contra a honra – art.144, do CP) e vice-versa. São as chamadas normas heterotópicas. Assim como existem leis que tratam integralmente de determinados crimes e que,, em razão da sua abrangência, contêm normas de direito material e também processual, como a Lei n. 11.343/2006 (Lei de Drogas) que além de definir os crimes e as penas dos delitos ligados a entorpecentes, prevê o respectivo procedimento apuratório. Para se estabelecer quando uma norma tem conteúdo penal ou processual, podem ser utilizados os seguintes critérios: A. Aquela que cria, extingue, aumenta ou reduz a pretensão punitiva ou executória do Estado, tem natureza penal. Exemplos: Lei que cria ou revoga causas extintivas da punibilidade; que aumenta ou reduz a pena; que altera o prazo prescricional ou decadencial; que cria ou revoga causa interruptiva ou suspensiva da prescrição etc. B. Aquela que gera efeitos exclusivamente no andamento do processo, sem causar alterações na pretensão punitiva estatal, tem conteúdo meramente processual. Exemplos: a que cria novas formas de citação; que trata dos prazos procedimentais ou recursais; que estabelece o número máximo de testemunhas; que dispõe sobre a forma e o momento da oitiva de testemunhas ou do interrogatório do acusado em juízo etc. Normas híbridas ou mistas: São aquelas que possuem conteúdo concomitantemente penal e processual, gerando, assim, consequências em ambos os ramos do Direito. Em tais casos, em atenção à regra do art. 5º, XL, da CF, a lei nova deve retroagir sempre que for benéfica ao acusado, não podendo ser aplicada ao reverso, para prejudicar o autor do delito praticado antes da sua entrada em vigor. RESUMINDO, se a lei nova contiver conteúdo misto (penal e processual) e tornar maiores os requisitos para a obtenção do benefício, não poderá ser aplicada àqueles que tenham cometido o delito antes de sua entrada em vigor. 2- EFICÁCIA DA LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO A lei processual penal aplica-se a todas as infrações penais cometidas no território brasileiro, sem prejuízo das convenções, tratados e regras de direito internacional. Vigora o princípio da ABSOLUTA TERRITORIALIDADE (lex fori ou locus regit actum), segundo o qual, os processos e julgamentos realizados no território brasileiro, aplica-se a lei processual penal nacional (soberania nacional). A territorialidade vem consagrada no art.1º do CPP que reza: Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código, ressalvados: I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional; II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100); III - os processos da competência da Justiça Militar; IV - os processos da competência do tribunal especial (Constituição,art. 122, no 17); V - os processos por crimes de imprensa. Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos ns. IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso. (vide artigo) Exceções – as exceções mencionadas neste artigo não são exceções à territorialidade da lei processual brasileira, mas apenas à territorialidade do Código Processual Penal. É possível também a aplicação de outras normas processuais positivadas na C.F. em leis extravagantes, por exemplo, nos casos de crimes de responsabilidade, de crimes militares, eleitorais, falimentares, entorpecentes, infrações de menor potencial ofensivo etc. O inciso I – contempla verdadeira hipótese de excludente da jurisdição criminal brasileira, isto é, os crimes serão apreciados por tribunais estrangeiros segundo suas próprias regras processuais. A lei processual brasileira também se aplica aos atos referentes às relações jurisdicionais com autoridades estrangeiras que devem ser praticados em nosso país, por exemplo, o cumprimento de carta rogatória, homologação de sentença estrangeira, procedimento de extradição etc. 2.1 - Extraterritorialidade da lei penal e territorialidade da lei processual REGRA: Não se confunde o fato criminoso com o processo penal que o apura. Quando uma infração penal é cometida fora do território nacional, em regra, não será julgada no Brasil. EXCEÇÃO: Existem, entretanto, algumas hipóteses excepcionais de extraterritorialidade da LEI PENAL brasileira em que será aplicada a lei nacional embora o fato criminoso tenha se dado no exterior. Ex: crime contra a vida ou liberdade do Presidente da República (art. 7º, I, a,, do CP). Neste caso, é claro que o trâmite da ação penal deverá obedecer as regras do CPP brasileiro, uma vez que a ação penal tramitará no Brasil. EM RESUMO: A lei penal brasileira pode ser aplicada a fato ocorrido no exterior (extraterritorialidade da lei penal), mas a ação penal seguirá os ditames da lei processual brasileira (territorialidade da lei processual). Para que fosse possível se falar em extraterritorialidade das regras processuais nacionais, seria preciso que o CPP brasileiro fosse aplicado em ação em tramitação no exterior, o que não existe.