Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

TEORIA GERAL DO 
PROCESSO PENAL
PROFA. MARINA DELLA TORRE
AVISO 
LEGAL
 ESTE MATERIAL TEM FINALIDADE EXCLUSIVAMENTE ACADÊMICA, PORTANTO
QUALQUER MENÇÃO A MARCAS, NOMES OU EMPRESAS TEM O PROPÓSITO
MERAMENTE ILUSTRATIVO.
 ESTE MATERIAL FOI PRODUZIDO E DESTINADO ESPECIALMENTE PARA OS ALUNOS
DO CURSO DE DIREITO DA UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP E COLIGADAS NO
SISTEMA EAD.
 O PRESENTE MATERIAL FOI PRODUZIDO ATRAVÉS DE INFORMAÇÕES PRÓPRIAS OU
COLETADAS EM DIVERSOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO E CONTÉM ILUSTRAÇÕES
PRÓPRIAS OU COLETADAS EM BANCOS DE IMAGENS DE ORIGEM PRIVADA OU
PÚBLICA, BEM COMO CONTEÚDOS EXTRAÍDOS DE SITES PÚBLICOS DA INTERNET.
 É VEDADA A UTILIZAÇÃO DESTE MATERIAL PARA FINALIDADES DIVERSAS DAS
QUAIS FOI CONCEBIDO.
 É PROIBIDA A REPRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO, TRANSMISSÃO, EXIBIÇÃO,
PUBLICAÇÃO OU DIVULGAÇÃO, TOTAL OU PARCIAL, EM QUAISQUER MEIOS, DOS
SLIDES, TEXTOS, FIGURAS E OUTROS ELEMENTOS QUE COMPÕEM ESTE CONTEÚDO,
SEM AUTORIZAÇÃO PRÉVIA E EXPRESSA DA TITULAR (PROFA. MARINA DELLA TORRE).
 É PERMITIDO AOS ALUNOS A VISUALIZAÇÃO PARA USO PESSOAL, GERAÇÃO DE
CÓPIA DIGITAL PARA USO PESSOAL E IMPRESSÃO DE CÓPIAS PARA SEU PRÓPRIO
ESTUDO, SEM SEPARAÇÃO DAS PARTES, A FIM DE DAR FIEL ENTENDIMENTO AOS
OBJETIVOS PROPOSTOS.
 O ALUNO NÃO ADQUIRE QUAISQUER DIREITOS SOBRE ESTE MATERIAL E ASSUME
TODA A RESPONSABILIDADE, EM ÂMBITO CIVIL E CRIMINAL, QUANTO AO USO
INDEVIDO DESTE CONTEÚDO.
1- EFICÁCIA DA LEI PROCESSUAL NO 
TEMPO
 ATIVIDADE – período situado entre a entrada em vigor e a revogação de uma lei,
durante o qual ela está viva, vigente, produzindo efeitos e alcançando todas as
situações ocorridas sob a sua égide.
 EXTRATIVIDADE – é a incidência de uma lei fora do seu período de vigência. Se for
anterior à sua entrada em vigor, chama-se retroatividade. Se for posterior, surge a
ultratividade.
 Só excepcionalmente uma lei alcança um período anterior à sua vigência ou
posterior à sua revogação.
 Salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar em todo o país 45 dias
depois de oficialmente publicada.
 Esse período é chamado de vacatio legis, em que a lei ainda não é eficaz, não
podendo produzir nenhum efeito.
 Art. 2º do CPP – rege as normas processuais, segundo o qual “a lei processual
aplicar-se-á, desde logo, sem prejuízo dos atos realizados sob a vigência de lei
anterior.”
 Isso significa que o legislador adotou o princípio da aplicação imediata das
normas processuais: o ato processual será regulado pela lei que estiver em vigor
no dia em que ele for praticado (tempus regit actum).
 Os atos anteriormente praticados não serão retroagidos, pois eles permanecem
válidos, já que praticados segundo a lei da época.
 A lei processual só alcança os atos praticados a partir da sua vigência (dali para
frente).
 Lei mais severa – As normas de natureza processual aplicam-se aos processos em
andamento, ainda que o fato tenha sido cometido antes de sua entrada em
vigor e mesmo que sua aplicação se dê em prejuízo do agente.
 É que sua aplicação no tempo não se encontra regida pelo art.5º, XL, CF, o qual
proíbe a lei retroagir para prejudicar o acusado.
 Esse dispositivo se refere somente à lei penal e não processual.
 A lei processual não se interessa pela data em que o fato foi praticado. Pouco
importa se cometido antes ou depois da sua entrada em vigor, pois ela retroage e
o alcança, ainda que mais severa.
 Da aplicação do princípio tempus regit actum derivam dois efeitos:
1. Os atos processuais realizados sob a égide da lei anterior são considerados válidos
e não são atingidos pela nova lei processual, a qual só vige dali em diante.
2. As normas processuais têm aplicação imediata, pouco importando se o fato que
deu origem ao processo é anterior à sua entrada em vigor.
 Encerra-se a vigência da lei com sua revogação expressa ou tácita.
 Uma lei só pode ser revogada por outra que determine expressamente a
cessação de sua eficácia, ou, ainda, que seja incompatível ou regule
inteiramente a matéria anteriormente tratada (revogação tácita).
 Revogada uma lei processual, não mais poderá ser aplicada, uma vez que a
incidência da posterior será imediata, regulando o processo daí em diante.
 ENTRADA EM VIGOR DE LEI PROCESSUAL NOVA QUANDO O PRAZO RECURSAL JÁ
HAVIA SE INICIADO – De acordo com o art. 3º da Lei de Introdução do Código de
Processo Penal (Decreto-lei n.3.931/41), “o prazo já iniciado, inclusive o
estabelecido para a interposição de recurso, será regulado pela lei anterior, se
esta não prescrever prazo menor do que o fixado no Código de Processo Penal”.
 Tal regra, embora trate especificamente da entrada em vigor do CPP, em 1º de
janeiro de 1942, pode ser aplicada, por analogia, a todos os prazos que estejam
em curso quando da entrada em vigor de uma nova lei processual.
 A natureza penal ou processual de uma norma deve ser verificada de acordo
com o seu conteúdo, e não meramente pelo instrumento legislativo em que está
contida, posto que existem, excepcionalmente, regras de conteúdo processual
no Código Penal (pedido de explicações em juízo nos crimes contra a honra –
art.144, do CP) e vice-versa. São as chamadas normas heterotópicas.
 Assim como existem leis que tratam integralmente de determinados crimes e que,,
em razão da sua abrangência, contêm normas de direito material e também
processual, como a Lei n. 11.343/2006 (Lei de Drogas) que além de definir os
crimes e as penas dos delitos ligados a entorpecentes, prevê o respectivo
procedimento apuratório.
 Para se estabelecer quando uma norma tem conteúdo penal ou processual, podem
ser utilizados os seguintes critérios:
A. Aquela que cria, extingue, aumenta ou reduz a pretensão punitiva ou executória do
Estado, tem natureza penal. Exemplos: Lei que cria ou revoga causas extintivas da
punibilidade; que aumenta ou reduz a pena; que altera o prazo prescricional ou
decadencial; que cria ou revoga causa interruptiva ou suspensiva da prescrição etc.
B. Aquela que gera efeitos exclusivamente no andamento do processo, sem causar
alterações na pretensão punitiva estatal, tem conteúdo meramente processual.
Exemplos: a que cria novas formas de citação; que trata dos prazos procedimentais ou
recursais; que estabelece o número máximo de testemunhas; que dispõe sobre a
forma e o momento da oitiva de testemunhas ou do interrogatório do acusado em
juízo etc.
 Normas híbridas ou mistas: São aquelas que possuem conteúdo concomitantemente
penal e processual, gerando, assim, consequências em ambos os ramos do Direito. Em
tais casos, em atenção à regra do art. 5º, XL, da CF, a lei nova deve retroagir sempre
que for benéfica ao acusado, não podendo ser aplicada ao reverso, para prejudicar o
autor do delito praticado antes da sua entrada em vigor.
 RESUMINDO, se a lei nova contiver conteúdo misto (penal e processual) e tornar
maiores os requisitos para a obtenção do benefício, não poderá ser aplicada àqueles
que tenham cometido o delito antes de sua entrada em vigor.
2- EFICÁCIA DA LEI PROCESSUAL PENAL NO 
ESPAÇO
 A lei processual penal aplica-se a todas as infrações penais cometidas no território brasileiro,
sem prejuízo das convenções, tratados e regras de direito internacional.
 Vigora o princípio da ABSOLUTA TERRITORIALIDADE (lex fori ou locus regit actum), segundo o
qual, os processos e julgamentos realizados no território brasileiro, aplica-se a lei processual
penal nacional (soberania nacional).
 A territorialidade vem consagrada no art.1º do CPP que reza:
Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código,
ressalvados:
I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional;
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos
crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal
Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100);
III - os processos da competência da Justiça Militar;
IV - os processos da competência do tribunal especial (Constituição,art. 122, no 17);
V - os processos por crimes de imprensa.
Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos ns. IV e V,
quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso. (vide artigo)
 Exceções – as exceções mencionadas neste artigo não são exceções à
territorialidade da lei processual brasileira, mas apenas à territorialidade do Código
Processual Penal.
 É possível também a aplicação de outras normas processuais positivadas na C.F.
em leis extravagantes, por exemplo, nos casos de crimes de responsabilidade, de
crimes militares, eleitorais, falimentares, entorpecentes, infrações de menor
potencial ofensivo etc.
 O inciso I – contempla verdadeira hipótese de excludente da jurisdição criminal
brasileira, isto é, os crimes serão apreciados por tribunais estrangeiros segundo suas
próprias regras processuais.
 A lei processual brasileira também se aplica aos atos referentes às relações
jurisdicionais com autoridades estrangeiras que devem ser praticados em nosso
país, por exemplo, o cumprimento de carta rogatória, homologação de sentença
estrangeira, procedimento de extradição etc.
2.1 - Extraterritorialidade da lei penal e
territorialidade da lei processual
 REGRA: Não se confunde o fato criminoso com o processo penal que o apura.
Quando uma infração penal é cometida fora do território nacional, em regra, não será
julgada no Brasil.
 EXCEÇÃO: Existem, entretanto, algumas hipóteses excepcionais de extraterritorialidade
da LEI PENAL brasileira em que será aplicada a lei nacional embora o fato criminoso
tenha se dado no exterior. Ex: crime contra a vida ou liberdade do Presidente da
República (art. 7º, I, a,, do CP). Neste caso, é claro que o trâmite da ação penal
deverá obedecer as regras do CPP brasileiro, uma vez que a ação penal tramitará no
Brasil.
 EM RESUMO: A lei penal brasileira pode ser aplicada a fato ocorrido no exterior
(extraterritorialidade da lei penal), mas a ação penal seguirá os ditames da lei
processual brasileira (territorialidade da lei processual). Para que fosse possível se falar
em extraterritorialidade das regras processuais nacionais, seria preciso que o CPP
brasileiro fosse aplicado em ação em tramitação no exterior, o que não existe.

Mais conteúdos dessa disciplina