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Contextualização Fática: 
Os acusados Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister 
foram denunciados pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual. 
Conforme a denúncia, no dia 18 de maio de 2020, durante uma operação policial no 
Complexo do Salgueiro, os acusados teriam, de forma livre e consciente, no exercício de 
suas funções, em comunhão de ações, efetuado disparos de arma de fogo contra pessoas 
que estavam no interior de uma residência, resultando na morte de João Pedro Matos Pinto, 
de 14 anos. 
O crime teria sido cometido sob motivo torpe, baseado na suposição de que criminosos 
estavam no local, sem qualquer base concreta para isso, bem como resistência ou reação 
proveniente do interior do imóvel. 
Além disso, os acusados, com ajuda de outros policiais não identificados, teriam alterado a 
cena do crime ao plantar armas e outros objetos para simular um confronto armado, 
configurando a prática de fraude processual. 
 
Análise Crítica: 
No Habeas Corpus em questão, os impetrantes alegam uma série de irregularidades 
processuais, e entre elas: o excesso do número de testemunhas arroladas pelo Ministério 
Público. 
Alegam os impetrantes, que o juízo da 4ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo 
incorreu em erro ao considerar a quantidade de réus, para admitir as 26 testemunhas da 
acusação, sendo uma média de 08 para cada réu. 
A defesa está correta nesse sentido, uma vez que, artigo 401 do Código de Processo 
Penal, o número máximo permitido deveria ser de 8 testemunhas arroladas pela acusação e 
8 pela defesa. 
No entanto, conforme expõe Nucci, a doutrina sugere que, em processos mais complexos, a 
interpretação judicial pode permitir um número maior de testemunhas, especialmente 
quando se tratam de fatos diferentes. A jurisprudência tem aceitado a ampliação do número 
de testemunhas, levando em consideração a pluralidade de fatos imputados, e não apenas o 
número de réus. 
Em abono a esse entendimento, Renato Brasileiro de Lima, no "Manual de Processo Penal", 
destaca que há controvérsia sobre o número de testemunhas quando o processo envolve 
mais de um delito ou mais de um corréu. Porém, defende que, para a acusação, o número 
de testemunhas é estabelecido conforme a quantidade de fatos imputados, 
independentemente do número de acusados. Já para a defesa, o número leva em conta 
tanto os fatos quanto os acusados. 
No mesmo sentido, Eugênio Pacelli de Oliveira e Douglas Fischer, em seus comentários 
sobre o Código de Processo Penal, afirmam ser consolidado doutrinária e 
jurisprudencialmente que o número de testemunhas e dá por fato criminoso, não por peça 
acusatória. Explicam: havendo um réu e um fato criminoso, cada parte (acusação e defesa) 
poderão arrolar até 8 testemunhas. Havendo dois réus e um fato criminoso, haverá até 8 
testemunhas para a acusação e até 8 testemunhas para cada um dos processados. 
Assim, no presente caso, os dois fatos imputados (homicídio e fraude processual) justificam 
que o Ministério Público possa arrolar até 16 testemunhas, baseado-se nos fatos criminosos 
imputados, e não na quantidade de réus envolvidos, razão pela qual a decisão está correta 
quanto a determinação do número de testemunhas. 
Superada a questão do rol de testemunhas, cumpre pontuar que, em sede preliminar, os 
pacientes apresentaram as seguintes alegações: inépcia da denúncia; ausência de justa 
causa em relação a Fernando Meister, devido a prova técnica que refuta sua autoria; 
improcedência das qualificadoras na denúncia; uso de prova ilícita; e violação das garantias 
de notificação/citação e defesa obrigatória no inquérito. 
Na fase do artigo 397 do CPP, a autoridade coatora decidiu dar continuidade à ação, 
rejeitando algumas preliminares e se abstendo de se manifestar sobre outras. 
Quanto à alegação de nulidade, por suposto uso de prova ilícita e violação das garantias de 
notificação/citação e defesa obrigatória no inquérito, conforme o artigo 14-A do CPP, deve 
ser afastada. Isto, pois não foi demonstrado prejuízo a nenhum dos acusados, que estão 
acompanhados por defesa técnica, como consta na decisão contestada. 
Além disso, de acordo com entedimento do STF, irregularidades na fase de inquérito não 
contaminam a ação penal, conforme precedentes (RHC 198.182 AgR, 1.ª T., rel. Rosa 
Weber, 08.06.2021). A jurisprudência do STF também esclarece que nulidades processuais 
dizem respeito apenas aos defeitos de ordem jurídica que afetam atos praticados na ação 
penal condenatória. O princípio do pas de nullité sans grief exige, sempre que possível, a 
demonstração de prejuízo concreto pela parte que alega o vício (Nucci), o que não ocorreu 
no presente caso. 
 
— 
O juiz responsável pelo caso rejeitou as preliminares levantadas pela defesa, quanto à 
inépcia da denúncia; ausência de justa causa com relação a determinado réu, e etc., 
mantendo o andamento da ação penal. 
A defesa recorreu da decisão por meio de embargos de declaração, e em resposta, o juiz 
acolheu parcialmente os embargos, questionando apenas sobre o número de testemunhas, 
momento no qual foi concedida a liminar para que, na audiência designada para 05/09/2022, 
fosse ouvido o número máximo de 16 testemunhas, aguardando a oitiva das demais após o 
julgamento do mérito.

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