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N O Ç Õ ES D E R EC U R SO S M AT ER IA IS 405 Dessa forma, os indicadores de gestão de estoques vão auxiliar no monitoramento e performance dos principais objetivos, e assim permitir a mensuração das políticas adotadas. Por essa razão, os indicadores de estoques pos- suem cada vez mais importância dentro da gestão de estoques. A seguir, conceituamos os principais indicadores aplicados a gestão de estoques, bem como as fórmulas matemáticas referentes aos respectivos cálculos. Nível de serviço É um indicador responsável por mensurar a efi- ciência do almoxarifado, calculando o percentual de requisições dos demais setores da organização que são atendidas com relação ao total de requisições. Nível de Serviço = Número de Requisições Atendidas Números de Requisições Efetuadas O administrador de materiais deve procurar o equilíbrio entre a disponibilidade de capital e o nível de serviço. Giro de Estoque (Índice de Rotatividade) É a quantidade de vezes que o estoque de determi- nado item é renovado, em determinado período. Giro de Estoque = Valor Consumido no Período Valor de Estoque Médio no Período Um alto giro de estoque significa menos capital imobilizado, o que, obviamente, é uma situação dese- jada para a organização. Com a venda de um produto, a organização calcula o giro de estoque, comparando o custo da mercadoria vendida com o custo do estoque médio em um deter- minado período. Giro de Estoque = Custo da Mercadoria Vendida Custo do Estoque Médio Taxa de cobertura de estoque (Antigiro) Esse indicador corresponde ao período de tempo que um estoque cobre o consumo ou a demanda da organização, ou seja, informa o período em que o esto- que médio será capaz de atender à demanda média. Em regra, o antigiro é calculado em dias. Antigiro (Dias) = Período (dias) Giro de Estoque Acurácia do estoque É determinada pela relação entre a quantidade física existente no estoque e aquela existente nos registros de controle. Acurácia = Quantidade Física no Estoque Quantidade Existente no Sistema de Controle A acurácia em nível elevado traz como vantagens o nível de serviço adequado ao cliente e um ressupri- mento mais eficaz. Custos de estoques O estoque é um investimento (que envolve com- prometimento de recursos) e, alternativamente, pode- ria ser aplicado em outras atividades. Assim, a gestão de estoques tem por objetivo encontrar um equilíbrio entre os custos de manuten- ção do suprimento regular dos materiais e aos seus níveis de estoques. Além do próprio custo do item material (compra ou produção), podemos didaticamente dividir em 3 categorias os outras custos relacionados aos estoques: z Custo Diretamente Proporcional São os famosos custos de carregamento, ou seja, aqueles que crescem com o aumento da quantidade média em estoque (quanto maior estoque, maior o custo de carregamento). O custo de carregamento é composto pelo custo de armazenagem somado com o custo de capital. CC = CA + CK Onde: CC = Custo de Carregamento CA = Custo de armazenagem CK = Custo de capital z Custo de armazenagem Os custos de armazenagem são aqueles inerentes da necessidade de se manter ou carregar os estoques. Seguem os principais custos de armazenagem tra- zido pela literatura especializada: � Custo de espaço físico; � Custo de perdas; � Custo de furtos e roubos; � Custo de obsolescência; � Custo com seguro para o estoque. z Custo de capital Podemos definir o custo de capital sendo o valor no qual ocorre a deterioração do valor investido pela opção de imobilização na aquisição do estoque. O custo de capital pode ser calculado através dos juros que incidem sobre o valor de compra ou de pro- dução do item estocado. CK = j × P Onde: CK = custo de capital j = taxa de juros (geralmente anual) P = Custo estimado para compra ou produção do item. 406 z Custo Inversamente Proporcional São os custos no qual decrescem com o aumento da quantidade média em estoque. Caso os itens sejam adquiridos nos mercados, são chamados de custos de pedido; caso sejam produzidos internamente, são os custos de produção. Custos Inversamente Proporcionais Custo de Pedido Adquiridos de Terceiros Custo de Produção Produzidos Internamente Dica Quanto menor for o estoque médio, maior será o número de pedidos e consequentemente maior o custo de pedido. Exemplificando, vamos admitir que um custo por pedido de compras equivale a R$100,00, para uma demanda anual de 2000 unidades: EMPRESA TAMANHO DO PEDIDO ESTOQUE MÉDIO (PEDIDO/2) Nº DE PEDIDO POR ANO CUSTO DO PEDIDO ANUAL X 2000 1000 1 R$ 100,00 Z 500 250 4 R$ 400,00 Portanto, constatamos quanto menor for o estoque médio, maior será o custo de pedido anual. z Custos Independentes São os famosos custos fixos de manter um estoque, ou seja, independe da quantidade de itens estocada. Exemplo clássico exposto pela literatura espe- cializada é o custo de aluguel do depósito de arma- zenagem, pois mesmo que não tenha nenhum item armazenado, o seu custo não alterará. Outro exemplo de custo independente bastante cobrado nas provas de concursos são o custo com os recursos humanos do almoxarifado, pois independe do número e quantidade de itens armazenados. Sintetizando, mesmo que o nível de estoque seja zerado, a organização ainda incorrerá nestes custos independentes de armazenagem. Existe ainda um outro custo de estoque muito difí- cil de mensurar: custo por falta de estoque, podendo acarretar o descumprimento de contratos, aplicação de multas e no pior cenário a insatisfação e conse- quentemente a perda do cliente. Métodos de previsão de consumo Um ponto crucial na gestão de estoques é a previ- são de consumo (demanda), pois ela permite estimar quais os produtos, quantos e quando eles serão com- prados pelos clientes. Segundo Dias (2019), são características básicas da previsão de consumo: z É o ponto de partida de todo planejamento empresarial; z Não é uma meta de vendas; z Sua precisão deve ser compatível com o custo de obtê-la. As informações utilizadas na previsão da deman- da, normalmente, são divididas em duas categorias, são elas: z Qualitativas São as informações oriundas de especialistas sobre os fatores que podem afetar a demanda, a partir de pesquisas de mercado ou de opiniões dos gerentes, compradores ou vendedores. z Quantitativas São informações de fatores que podem afetar dire- tamente a demanda, tais como a evolução das vendas no passado, variáveis como aumento populacional, renda, a influência da propaganda, entre outras. Ainda podemos classificar as técnicas de previsão de consumo em outros três grupos, são eles: Projeção: são aquelas que admitem que o futuro será repetição do passado ou as vendas evoluirão no tempo futuro da mesma forma do que no pas- sado; segundo a mesma lei observada no passado, este grupo de técnicas é de natureza essencialmente quantitativa. Exemplificando: é quando o gestor responsável projeta (define) que as vendas para o próximo ano serão no mesmo quantitativo do ano corrente (repe- tição do passado). Vendas Realizadas Ano 2020 Projeção de Vendas Ano 2021 Produto “A” • 2000 Unidades Produto “A“ • 2000 Unidades Explicação: procuram-se explicar as vendas do passado mediante leis que relacionem as mesmas com outras variáveis cuja evolução é conhecida ou previsí- vel. São basicamente aplicações de técnicas de regres- são e correlação. Exemplificando: através de técnicas estatísticas é possível correlacionar a evolução do consumo de álcool em gel com o aumento da população e a conti- nuação da pandemia. Vendas Realizadas Ano 2020 ↑ 50% Variáveis •Aumento população •Pandemia Projeção de Vendas Ano 2021 Produto Álcool em Gel • 2000 Unidades Produto Álcool em Gel • 3000 Unidades N O Ç Õ ES D E R EC U R SO S M AT ER IA IS 407 Predileção: funcionários experientes e conhece- dores de fatores influentes nas vendas e no mercado estabelecem a evoluçãodas vendas futuras. Exemplificando: Ocorre quando através de opi- niões de especialistas (gerentes, vendedores, analistas de mercado) consegue estabelecer a evolução de ven- das para o futuro. Pesquisa de Evolução de Vendas ano 2021 Gerente Loja ”A” Gerente Loja ”B” Vendedor Analista de Mercado = 2000 Unidades = 3000 Unidades = 4500 Unidades = 2500 Unidades Média Aritmética Vendas Esperadas para ano 2021 3000 Unidades Dentre os métodos quantitativos, há cinco técnicas matemáticas usuais para calcular a previsão de con- sumo, vejamos: z Método do último período Este modelo mais simples consiste em utilizar como previsão para o período seguinte o valor ocorri- do no período anterior. z Método da média móvel Este método é uma extensão do anterior, em que a previsão para o próximo período é obtida calculan- do-se a média dos valores de consumo nos n períodos anteriores. CM = C₁ +C₂ +C₃ +....+ Cn n CM = Consumo Médio C = Consumo nos Períodos Anteriores n = Número de Período Fonte: Dias, Marco Aurélio P.. Administração de Materiais (p. 28).2019. 7º edição. Atlas. z Método da média móvel ponderada Este método é uma variação do modelo anterior em que os valores dos períodos mais próximos rece- bem peso maior que os valores correspondentes aos períodos mais anteriores. Vejamos um exemplo prático: A demanda de um item material teve o seguinte comportamento nos últimos 3 meses (n=3): MÊS QUANTIDADE (UNIDADE) Janeiro 10 Fevereiro 8 Março 14 Vamos calcular a demanda para o mês de abril (atual), utilizando o método da média móvel ponderada. Primeiramente, é necessário atribuir os pesos às demandas anteriores. Importante! O peso atribuído ao mês mais recente deve ser o maior de todos. Normalmente, não é inferior a 50% (0,5). MÊS QUANTIDADE (UNIDADE) PESO Janeiro 10 20% Fevereiro 8 30% Março 14 50% Agora é só aplicar a fórmula: Previsão = (0,5 x 14) + (0,3 x 8) + (0,2 x 10) Previsão = 7 + 2,40 + 2 Previsão = 11,40 Logo, a previsão para o mês de abril utilizando o método móvel ponderada é de 11,40 unidades. z Método da média com ponderação exponencial Este método elimina muitas desvantagens dos métodos da média móvel e da média móvel pondera- da. Além de dar mais valor aos dados mais recentes, apresenta menor manuseio de informações passadas. Apenas três valores são necessários para gerar a pre- visão para o próximo período: � A previsão do último período; � O consumo ocorrido no último período; � Uma constante que determina o valor ou pon- deração dada aos valores mais recentes. z Método dos mínimos quadrados Esse método é usado para obter a equação de uma reta que mais se aproxima de todos os dados da demanda de estoque ao longo do tempo. Sistemas de reposição de estoques A avaliação de um sistema de reposição de esto- ques leva à procura de respostas para duas questões básicas que envolvem a Gestão de Materiais: Quando Repor? Quanto Repor? Diante dessas questões, dois sistemas se apresen- tam como respostas para operacionalizar o controle de estoques, são eles: z Sistema de Revisão Contínua (Sistema “Q”, ou ainda Sistema de Estoque Mínimo). Esse sistema é baseado em um determinado nível de estoque, que sinaliza a necessidade de repor uma certa quantidade de material, sempre que esse nível de estoque for atingido. Esta quantidade é o famoso Ponto de Pedido (Pon- to de Ressuprimento/Revisão ressuprimento/revisão). 408 É conhecido por Sistema “Q”, pois é um sistema de Quantidade Fixa. Muitos autores também o deno- minam sistema de reposição contínua pelo fato de a reposição ocorrer continuamente em função da flu- tuação dos níveis de estoque. Para sua prova de concurso, é de suma importância conhecer os conceitos sobre a reposição de estoques! Requisitos (conceitos) inerentes ao sistema de reposição Contínua (sistema “Q”): Ruptura de estoque É quando o estoque chega a zero (insuficiência de estoque) e não se pode atender uma necessidade de demanda. Com a ruptura do estoque advêm os custos por fal- ta de estoque. Tempo de reposição (TR) É o intervalo de tempo entre a emissão do pedido e a chegada do material. O Tempo de Reposição (TR) é usualmente chamado de Lead Time. Ponto de Pedido (PP) É a quantidade de um determinado material em estoque que, sempre que atingida, deve provocar um novo pedido de compra. O ponto de pedido é calculado através da seguinte fórmula: PP = (C x TR) + ES Onde: PP = Ponto de pedido C = Consumo médio TR = Tempo de reposição Es = Estoque de segurança. Lote de compra (LC) É a quantidade de um determinado item de mate- rial especificado no pedido de compras. Estoque de Segurança (ES) É a quantidade “extra” em estoque, capaz de cobrir eventuais situações imprevisíveis, tais como: � Aumento imprevisto no consumo; � Atraso nas entregas de materiais; � Cancelamento de pedidos. O estoque de segurança também é conhecido como estoque mínimo ou estoque reserva, ou ainda, esto- que “pulmão”. Estoque Máximo (Emáx) É o máximo de itens em almoxarifado, ou seja, é a soma do estoque de segurança com o lote de compra. Um método simples para operacionalizar o siste- ma de revisão contínua é o chamado sistema de duas gavetas (ou duas caixas). Fonte: Alt & Martins. Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. Editora Saraiva. Para iniciar o processo, os itens são armazenados nessas duas gavetas. A menor, a gaveta A, tem uma quantidade de material suficiente para atender o período de reposição somado à quantidade do esto- que de segurança, que, em outras palavras, é a quan- tidade equivalente ao ponto de pedido (PP) ou ponto de ressuprimento. A gaveta B possui a quantidade para atender o con- sumo previsto para o período, em outras palavras, é o lote de compra. As requisições de material são atendidas retiran- do-se os itens da gaveta B. Quando ela estiver vazia, deverá ser solicitado um pedido de compras para repor os itens dessa gaveta. Enquanto a reposição não é feita, as requisições deverão ser atendidas pela gaveta A. Após o recebimento dos itens para reposição na gaveta B, deve-se completar o nível da gaveta A com os itens restantes da gaveta B, e, novamente, as requi- sições de materiais serão atendidas pela gaveta B. z Sistema de Revisão Periódica (Sistema P, ou ain- da Sistema de Estoque Máximo) Os pedidos para reposição de estoques ocorrem em intervalos fixos, periodicamente, de acordo com uma rotina, sempre ao término de uma revisão. Segundo Gonçalves, um exemplo deste sistema é aquele utilizado em supermercados que, semanal- mente, fazem uma revisão dos estoques de seus itens. Dois parâmetros básicos precisam ser decididos para administrar um sistema de revisão periódica, são eles: � Definição da periodicidade em que as revisões serão realizadas. � Determinação do nível de estoque máximo. Revisão Revisão Revisão Fonte: Dias, Marco Aurélio P. Administração de Materiais (p. 100). 7º edição. Atlas. Métodos de avaliação de estoques A avaliação adequada dos materiais recebidos e localizados no estoque é uma importante questão para a Administração de materiais. Avaliar os itens em estoque refere-se a uma esti- mativa de quanto capital encontra-se imobilizado