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83 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ENFERMEIRO O local no qual ela se alimenta deve ser, na medida do possí- vel, tranquilo para que possa realmente se concentrar na tarefa de alimentar-se e para fazê-lo prazerosamente. A refeição da criança deve ser preparada com óleo ou gor- dura, temperos suaves (cheiro verde, cebola, alho) e pouco sal. Inicie oferecendo uma refeição por dia e depois aumenta até atingir três. Caso a criança não esteja mamando no peito, deve receber cinco refeições por dia. Não se recomenda o uso isolado de leite como refeição no primeiro ano de vida (exceto o materno). A alimentação da criança é crucial para seu crescimento e desenvolvimento. O ato de alimentar-se não é apenas biológico, mas também social e psíquico. Desse modo, é importante que desde o momento do desmame, seja alimentada em condições adequadas. Violência e Agravos A violência pode ser descrita como: uso abusivo ou injusto do poder, assim como o uso da força que resulta em ferimentos, sofrimento, tortura ou morte. Podendo ser subdivididas em: estrutural e sistêmica e a do- méstica. O que é violência estrutural e sistêmica ? para Minayo, a violência estrutural “caracteriza-se pelo des- taque na atuação das classes, grupos ou nações econômica ou politicamente dominantes, que se utilizam de leis e instituições para manter sua situação privilegiada, como se isso fosse um direito natural”. Refere-se às condições extremamente adversas e injustas da sociedade para com a parcela mais desfavorecida de sua po- pulação. Ela se expressa pelo quadro de miséria, má distribuição de renda, exploração dos trabalhadores, crianças nas ruas, falta de condições mínimas para a vida digna, falta de assistência em educação e saúde. Trata-se, portanto, de uma população de ris- ca, sofrendo no dia-a-dia os efeitos da violação dos direitos hu- manos, confirmando as palavras de Mahatma Gandhi: a pobreza é a pior forma de violência. A violência sistêmica brota da prática do autoritarismo, pro- fundamente enraizada, apesar das garantias democráticas tão claramente expressas na Constituição de 1988. Suas raízes, no Brasil, encontramse no passado colonial. Ainda hoje, as mani- festações da violência sistêmica são inúmeras, e o Estado tem se mostrado bastante ineficaz no combate à tortura legal e aos maustratos aos presos, bem como à ação dos grupos de exter- mínio. Constantes violações das direitos humanos permanecem, em sua maioria, impunes. “Essa falência em implementar a lei enfraquece a vigência e dificulta o fortalecimento da legitimida- de do governo democrático como promotor da cidadania”. O que é Violência Doméstica ? Violência doméstica é o abuso do poder exercida pelos pais ou responsáveis pela criança ou adolescente. Apesar de nem todas as pessoas inseguras serem espancadoras, a maioria dos espancadores são inseguros e procuram afirmar seu poder de dominação pela força física. Existem vários tipos de violência doméstica: violência física (bater, beliscar, empurrar, chutar), a violência psicológica (xingar, humilhar, agredir com palavras), o abuso sexual, a negligência e o abandono. Em termos estatísticas, no Brasil, cerca de 70% dos casos de violência contra crianças e jovens, tem as pais como agres- sores. Essas agressões, em geral descontroladas, são conside- radas como medidas de educar e disciplinar, próprias do poder dos pais. No entanto, com frequência, tais “medidas educativas” ultrapassam o razoável e tornamse atos violentos de abuso do poder parental. Dados levantados a partir dos processos abertos pelo Servi- ço de Advocacia da Criança (SAC), ligado à Ordem dos Advoga- dos do Brasil, mostram que os pais são os principais agentes de violência contra os filhos ate 18 anos em São Paulo. Vale lem- brar que esses dados referemse apenas aos casos notificados de violência. Um grande número de agressões feitas a crianças e adolescentes não consegue ultrapassar a barreira do silêncio imposta pela família. Um levantamento inédito do MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos), realizado em 1998 no Brasil, revelou que pais, avôs, tios e irmãos foram os autores de 34,4% dos homicí- dios infantis no ano anterior. Amigos e vizinhos são responsáveis por 4,6% das mortes violentas. O autor do crime não é conheci- do em 55,3% dos casos. Muitos dos crimes investigados ocorreram na própria casa das crianças ç44,3% dos casos) comprovando que o ambiente domestico é, em muitos casos, perigo e não proteção para as crianças. A maneira mais eficaz de diminuir o número de crianças e adolescentes que morrem por causa da violência doméstica, se- gundo especialistas, é detectar os abusos o mais cedo possível. Isso porque, antes da agressão fatal, é comum ocorrerem atos de abuso físico isolados que podem servir de alerta. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que mé- dicos e professores são obrigados a denunciar todos os casos suspeitos ou confirmados de maustratos a crianças aos órgãos competentes. Entretanto, a maioria das denúncias de abuso físico, sexual e psicológico contra criança continua sendo feita por vizinhos e por telefonemas anônimos, como revelaram os dados divulgados pelo jornal Folha de São Paulo: apenas 17,7% das denúncias foram feitas por profissionais; 34,4% por vizinhos e 30,7% por telefonemas anônimos. Para completar esse tem, cabe ressaltar que a violência contra as mulheres tem cifras alarmantes e crescentes, e que o maior número de casos ocorre contra meninas e mulheres, den- tro de suas próprios casas, pelas mãos de seus pais ou padrastos e maridos ou companheiros, numa proporção superior a 70% das denúncias, no Brasil O que é Violência Policial ? Essa forma pode ser considerada como violência sistêmica, na medida em que para muitos estudiosos os seus efeitos são considerados reflexos do passado político brasileiro. Há pelo menos quatro concepções diferentes de violência policial, que são relevantes para a compreensão e a redução de sua incidência no Brasil e que tem implicações importantes para a formulação e a implementação de estratégias de controle. 84 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ENFERMEIRO 1. O uso da força física contra outra pessoa de forma ilegal, não relacionada ao cumprimento do dever legal ou de forma proibida por lei. 2. O uso desnecessário ou excessivo da força para resolver pequenos conflitos ou para prender um criminoso de forma ile- gítima. 3. Os usos irregulares, anormais, escandalosos ou chocan- tes da força física contra outras pessoas. 4. O uso de mais força física do que um policial altamente competente consideraria necessário em uma determinada situ- ação. A análise das formas de controle da violência policial no Brasil revela que existem mecanismos voltados para o controle do uso ilegal e legitimo da força física pelos policiais, mas inexis- tem, ou são débeis, os mecanismos voltados para a controle ao uso irregular e/ou pouco profissional da força física pelos poli- ciais. Esse controle seletivo da violência não é acidental, mas sim está associado à distribuição extremamente desigual do poder político na sociedade brasileira, que sempre favoreceu as elites políticas e policiais em detrimento dos cidadãos e dos policiais que trabalham em contato direto com os cidadãos. Durante o regime autoritário (196485), o governo federal promoveu claramente ou tolerou violência policial como um ins- trumento de controle político, mais especificamente de controle da oposição ao regime autoritário? Desde a transição para a democracia, o apoio governamen- tal ao uso da violência policial como instrumento de controle político diminuiu no país e praticamente desapareceu nos esta- dos das regiões Sul e Sudeste. Embora essa modalidade de uso da violência policial tenha diminuído, ainda não desapareceu, passando a ser usada sobretudo como instrumento de contro- le social e mais especificamente como instrumento de contro- le da criminalidade. Além disso, com o declínio da usa político da violênciapolicial, o problema da violência policial se tornou mais visível, ou melhor emergiu como um problema diferente e independente do problema da violência política, afetando não apenas os oponentes do governo ou do regime político mas também, e principalmente, a população pobre e marginalizada. Vale ressaltar que o controle da violência, particularmen- te da violência praticada pelas Forças Armadas e pela Policia, é uma das condições necessárias para a consolidação do estado de direito e de regimes políticos democráticos. A violência policial ainda é um tipo de violência que preo- cupa cada vez mais os cidadãos, os próprios policiais, os gover- nantes, os jornalistas e os cientistas sociais, em parte porque é praticada por agentes do Estado que têm o obrigação cons- titucional de garantir a segurança pública, a quem a sociedade confia a responsabilidade do controle da violência, Os casos de violência policial, ainda que isolados, alimentam um sentimento de descontrole e insegurança que dificulta qualquer tentativa de controle e pode até contribuir para a escalado de outras formas de violência. Quando os responsáveis não são identificados e punidos, ela é percebida como um sintoma de problemas graves de orga- nização e funcionamento das polícias. Se esses problemas não forem solucionados, podem gerar problemas políticos, sociais e econômicos sérios e podem contribuir para a desestabilização de governos e de regimes democráticos. Para que as práticas de controle possam funcionar, devem estar apoiados em teorias o pelo menos em idéias sobre a natu- reza e a origem da violência policial que sejam empírica e nor- mativamente válidas. Os quatro tipos de práticas de controle, apresentados a seguir, relacionados aos quatro tipos de violên- cia mencionados. Assim, “o primeiro tipo de estratégia enfatiza importância de mecanismos de controle externo formal/legal das polícias, através dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, auxilia- dos pelo Ministério Público. Este tipo de estratégia está relacio- nada à concepção jurídica da violência policial, na medida em que visa a controlar principalmente usos ilegais da força física por policiais. Governantes, legisladores e juizes têm tipo de co- nhecimento e informação mais relevantes para a avaliação e o controle do usa ilegal do que do uso desnecessária ou excessivo da força física por policiais. O segundo tipo de estratégia enfatiza a importância de me- canismo de controle interna formal/legal das policias, par meio dos dirigentes e administradores das polícias e particularmente corregedorias de polícia. Esse tipo de estratégia está mais re- lacionado à concepção política da violência policial, na medida em que visa a controlar principalmente usos ilegítimos da força física por policiais. Dirigentes e administradores de polícia têm um tipo de conhecimento e informações mais relevante para avaliação e controle do uso desnecessário ou excessivo do que uso ilegal da força física por policiais. O terceiro tipo de estratégia enfatizo a importância de me- canismos de controle externos e informal/convencional das po- lícias, através da imprensa, da opinião pública, da universidade grupos de pressão, particularmente das organizações de Direitos Humanos, nacionais e estrangeiras. Frequentemente, este tipo de controle é incentivado mediante a criação de um ‘ombuds- man’, conselhos civis, conselhos comunitários e comissões para monitorar o desempenho da polícia. Este tipo de estratégia mais relacionado à concepção jornalística de violência policial, na me- dida em que visa a controlar principalmente usos irregulares ou anormais da força física por policiais. É um tipo de estratégia que depende de um tipo de conhecimento e informação controlado pelos jornalistas e pelas organizações da sociedade civil. O quarto tipo de estratégia enfatiza a importância de meca- nismos de controle interno e informal/convencional das polícias, através da profissionalização das polícias e dos policiais, apoia- dos em ‘standards’ claros e precisos de competência e respon- sabilidade profissional. Este tipo de estratégia está mais relacio- nado à concepção profissional da violência, na medida em que visa a controlar principalmente usos antiprofissionais, nãopro- fissionais ou poucoprofissionais da força física por policiais. E um tipo de estratégia que depende de um tipo de conhecimento e informação controlado pelos policiais e pelas associações profis- sionais dos policiais. Os quatro tipos de estratégias tendem a ser defendidos por grupos diferentes, dentro e fora das polícias, na medida em que cada um deles tende a fortalecer um determinado grupo, aquele que tem maiores condições para exercer de fato o controle da atividade policial. Mas não são necessariamente incompatíveis ou conflitantes e podem ser adotados de forma complementar ou suplementar. Normalmente, políticas voltadas para o contro- le da violência estão baseadas em combinações de tipos diferen- tes de estratégia e não num único tipo. 85 CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS ENFERMEIRO Do policial contemporâneo, mesmo do mais simples esca- lão, se exigirá, cada vez mais, discernimento dos valores éticos. Devese dar mais importância às academias de Polícia, às escolas alternativas de oficiais e soldados, ao ensino de pesquisa e às ba- ses da construção de uma polícia cidadã. Professores habilitados não apenas em conhecimento técnico, mas em relacionamentos interpessoais são fundamentais na formação de policiais que atuam com base no lei e na ordem hierárquica, na autonomia moral e intelectual. Uma policia como instituição de serviço à cidadania e à segurança pública tem tudo para ser valorizada e respeitado. Para tanto, precisa resgatar a consciência de sua im- portância, de seu papel social e, por conseguinte, a autoestima. Na nossa História, atos extremamente violentos, em que muitas vezes ocorreu o coação de pessoas, foram encabeçados pelo Estado ou tiveram o seu consentimento. Sobre as raízes da violência no Brasil, da MATTA afirma que ela se associa fundamentalmente à estrutura de poder vigente numa sociedade. “Atitudes violentos são classificadas comu- mente como formas de ação resultantes do desequilíbrio entre fortes e fracos. Entretanto, elas deveriam ser analisadas como um processo que permeia o sistema. Nesse discurso, onde pre- domina a razão prática, a violência não é um mecanismo social e uma expressão da sociedade, mas uma resposta a um siste- ma. Nessa lógica, a violência está tão reificada quanto o poder, o sistema, a capitalismo, etc., como um elemento que é visto de modo isolado, individualizado, da sociedade na qual ela faz sua aparição. Como se a violência e o violento fossem acidentes ou anomalias que um determinado tipo de sistema provoca e não uma possibilidade real e concreta de manifestação da sociedade brasileira. A estrutura de poder, desde o período colonial, é respon- sável pela negação das direitos da maioria da população. Hoje, podemos exemplificar essa tese com a violência resultante dos conflitos agrários ou das chacinas. “Não é possível analisar a violência de uma única maneira, toma-la como um fenômeno única. Sua própria pluralidade é a única indicação do politeísmo de valores, da palissemia do fato social investigado. O termo violência é uma maneira cômoda de reunir tudo o que se refere à luta, ao conflito, ao controle, ou seja, à parte sombria que sempre atormenta o corpo individual ou social. Assim, a violência pode, ainda, ser classificada como: conflitos sociais e políticos, repressão, terrorismo, guerras civis e tiranias. Infelizmente, a estrutura de poder que tem prevalecido no Brasil no século XX pressupõe a negação dos direitas da maioria da população. Uma visão abrangente da história pode levar-nos à compreensão dos percursos ao autoritarismo no Brasil e, neste caso, o circuito das práticas arbitrárias deve ser analisado objeti- vamente. O funcionamento ao estrutura de dominação envolveum processo complexo, que tem como centro: o desequilíbrio social entre os fortes e os fracos. O jogo político de forças produz e reproduz a ordem das ruas. Muitos governos privilegiaram a autoridade em detrimento do consenso; concentraram o poder político em torno de pou- cos, deixando de lado as instituições representativas, que pas- saram a ter um caráter meramente cerimonial; restringiram a li- berdade; suprimiram as oposições ou coagiramnas a simulação. Na ideologia autoritária, a utilização da violência se torna ne- cessária, para a manutenção da desigualdade entre os homens. A ordem, nesse conjunto de idéias, ocupa lugar de destaque: crença cega na autoridade e, por outro lado, desprezo pelos in- feriores, débeis e socialmente aceitáveis como vítimas. A institucianalização de mecanismos repressivas sobre as camadas excluídas é de longa data no Brasil. Prisões arbitrá- rias, torturas, raptos, maus tratos, descasos, perseguições ou a opressão detectada na prisão, representam nitidamente a po- der do Estada sabre a população marginalizada. E esse o pon- ta fundamental paro a discussão: em que medida as mudanças dos regimes políticos no Brasil alteraram o cotidiana da maioria excluída da população? A alteração é mínima ou inexistente. As rupturas políticas em nossa história praticamente não ocorrem, no nível das relações sociais e pessoais. Novos governos, ao as- sumir o poder praticam velhas políticas e se preocupam em edi- ficar um imaginário popular calcado na “nova ordem” vigente. A constatação dessa “longa duração” em nossa História é primor- dial para o compreensão da mentalidade sobre as práticas polí- ticas e, principalmente, sobre as estratégias para o manutenção do poder. Numa análise sobre o passado brasileiro, são valiosas as palavras de MARIANO: “O legado que o período escravocra- ta quase 400 anos e os quase 40 anos de período de exceção, ao Ditadura Vargas ao período militar nos deixaram, foi uma força policial ineficiente, corrupta e autoritária. A lógica do aparato re- pressivo do estado autoritário é a lógica da defesa do status quo das elites conservadoras. O obscurantismo pelo que passou o estado brasileiro forjou um modelo de polícia alicerçado em dois pilares: o arbítrio e a violência. A questão que se deve colocar hoje, no meu entendimento, é: a transição democráti- co no Brasil forjou um modelo de polícia democrática? No meu modo de ver a resposta é não. Se não forjou um modelo novo, o legado autoritária ainda está presente nas instituições policiais, e o que mais caracteriza esse engodo é a dualidade da função policial... quero trabalhar aqui com a hipótese de que a inquisitoriedade é também uma característica da ineficiência policial e do descontrole da polícia. No mesmo Seminário, MARIANO respondeu o questão: O Sr. Não acha que a violência policial e o abuso do poder atende em parte os interesses da sociedade, que clama pelo fim da cri- minalidade, e que a imprensa, TV e jornal faz coro, até justifican- do a ação policial, por mais violenta que ela seja? “A policia preventiva e ostensivo não foi uma invenção dos militares com o golpe de 64; desde o Brasilcolônia nós temos um setor militarizado da polícia, passando pelo Império, e isso só foi mudando de nome, tanto que alguns comandos da Po- licia Militar costumam dizer que têm mais de 100 anos. O de São Paulo diz que tem 160 anos. Eu acho que tem 70. Mudar a partir de 70 já é difícil, imagine em 160 anos! Essa história de que nós temos tradição desde o época do Brasil Imperial ou o Brasil Colonial é para dificultar qualquer perspectiva de mudan- çae as polícias sempre foram treinadas mais para a repressão do que para a prevenção. As Polícias Militares da Brasil ainda têm muita dificuldade ao fazer prevenção, porque enquanto a lógica policial deve ter caráter civil, a lógica da estrutura militar é a de caçar criminosos, e de caçar marginais, caçar bandidos, então é de chegar depois, não precisa chegar antes, e, evidentemente,