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Programação VI Encontro da Associação de Estudos e Crioulos e Similares Universidade Federal da Bahia Salvador, BA 24, 25 e 26 de março de 2010 www.abecs.netABECS Associação Brasileira de Estudos e Similares Programação VI ABECS DIA HORA 24 de março 25 de março 26 de março 8:30-9:00 Cerimônia de Abertura do VI Encontro da ABECS 9:00-10:30 Conferência Conferência Conferência Modelos Teóricos da A pesquisa sobre A natureza das Crioulística as línguas línguas crioulas indígenas Alan Baxter brasileiras Jean-Louis Stella Telles 10:30- 11:00 Café Café Café 11:00-13:00 Sessão de Sessão de Sessão de Comunicações Comunicações Comunicações 15:00-17:00 Mesa Redonda Conferência Mesa Redonda Os crioulos do Golfo significado das estudo dos da Guiné línguas crioulas do crioulos e afins no Golfo da Guiné Brasil: balanço e Tjerk Hagenmejer para os modelos de perspectivas Jean-Louis crioulização Dante Lucchesi Gabriel Antunes Tjerk Hagemeijer Gabriel Antunes 17:00- 17:30 Café Café Café 17:30- 19:00 Minicursos Minicursos Minicursos 19:00-21:00 Sessão de pôsters Assembleia da Jantar de Exposição: ABECS confraternização 20 anos de Papia Apresentação cultural Coquetel VI Encontro da ABECS 1 UFBA, 24-26 de março de 2010 www.abecs.netCLASSIFICAÇÃO TIPOLÓGICA E GENEALÓGICA DAS LÍNGUAS AFRICANAS Geralda de Lima V. Gustavo Gurgel do Sumário. 1. Dois tipos de classificação. 1.1. Classificação tipológica ou estrutural. 1.2. Classificação genealógica ou histórica. 1.2.1. Classificação microcósmica. 1.2.2. Classificação macrocósmica. 2. Classificação tipológica de Guthrie (1948). 2.1. Critérios classificatórios de Guthrie. 2.1.1. Critérios principais. 2.1.1.1 Sistema de classes compartilhado. 2.1.1.2. Raizes lexicais compartilhadas. 2.1.2. Critérios subsidiários. 2.1.3. Refinamentos propostos por Crabb. 2.2. Metodologia de Guthrie. 2.3. Bantu Stricto Sensu versus Bantu Lato Sensu. 3. Classificação genealógica de Greenberg (1955). 3.1. Línguas Sudanesas Orientais e Ocidentais de Westermann (1911). 3.2. Revisão da classificação de Westermann por Greenberg. 3.3. Classificação de Greenberg. 3.3.1. Niger-Kordofan. 3.2.1.1. Niger-Kongo. 3.2.1.2. Kordofan. 3.3.2. Nilo-saariano. 3.3.3. Afro-Asiático. 3.3.4. 3.4. Características do Niger-Kordofan. 3.5. Metodologia de Greenberg. 1 Professora Adjunta do Mestrado em Ciências da Linguagem : Africanista, Universidade Federal de Rondônia, Campus de & Bolsista de Desenvolvimento Regional DCR - do CNPq. 2 Mestre em Geografia. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares Afro- Amazônicas - GEPIAA - da Universidade Federal de Rondônia.3.6. Por que o Bantu faz parte do 1. Dois tipos de classificação. As duas mais importantes classificações das línguas africanas são a de Guthrie (1948) que é tipológica e a de Greenberg (1955) que é genealógica. 1.1. Classificação tipológica ou estrutural. Tipologicamente uma língua pode ser : (a) ou aglutinante (como as línguas bantu ou o esquimó) (b) ou isolante (como o chinês ou o vietnamita) (c) ou inflexional (como o grego ou o latim) (A) As línguas AGLUTINANTES são línguas nas quais as fronteiras entre os radicais e os afixos são nítidas, como, por exemplo, em lingala, swahili, luba, Kongo e nas demais línguas Por exemplo, em lingala : Ver de "eu farei um trabalho" [ nakosala mosala ] na-ko-sala mo-sala PV1sg-FUT-trabalhar PN3-trabalho "tu farás trabalhos" [ bokosala misala ] bo-ko-sala mi-sala PN3-trabalho Assim, enquanto que, em eu e tu são palavras separadas, em lingala são apenas morfemas que não podem ser usados como palavras independentes. A forma verbal inteira constituída pela seqüência "PV-FUTURO- RADICAL" constitui uma única palavra. (B) As línguas ISOLANTES (ditas também "analíticas") são línguas caracterizadas pela presença de palavras exclusivamente monomorfêmicas (que, muitas vezes, são também monossilábicas) e pela ausência de afixos. Por exemplo, em chinês: "ele comeu a comida" [ ta chi fan le ] = [ ta chi le fan ] ta chi fan le ta chi le fan ele comer comida PASSADO ele comer PASSADO comida Assim, a palavra comeu em português correspond às duas palavras chinesas monossilábicas separadas, porque o passado le pode ser opcionalmente separado do verbo chi. (C) As línguas inflexionais são línguas nas quais as fronteiras entre o radical e os afixos se fundem ou são imprecisas. Assim, por exemplo, a palavra deus em latim : Filius dei filho de Deus 2A palavra para Deus apresenta formas diferentes de acordo com o caso que é utilisado. Ao contrário de uma língua aglutinante como o lingala, um morfema separado para o caso genitivo em Dei, o caso nominativo em Deus e o caso acusativo em Deum não pode ser facilmente isolado, uma vez que os vários casos se fundem com radical. Do ponto de vista estrutural, as línguas são agrupadas de acordo com a presença ou, a ausência de determinados traços que podem ser fonéticos, fonológicos, morfológicos ou sintáticos. Os seguintes elementos podem notadamente ser examinados: o sistema de casos, o sistema de gênero, o inventário fonético, o sistema fonológico, a estrutura silábica, a estrutura da palavra, a estrutura frasal, a ordem das palavras, a negação, a interrogação, o sistema verbal, as construções relativas, etc. 1.2. Classificação genealógica ou histórica. A hipótese básica para esse tipo de classificação é que, no passado, diversas línguas tinham sua origem numa única Para determinar relações genealógicas, é preciso comparar a forma e o significado dos morfemas lexicais e gramaticais dessas línguas. Dois tipos de classificação genealógica podem ser distinguidos. 1.2.1. Classificação microcósmica. A classificação microcósmica que utilisa o método comparativo tal como foi aplicado às línguas indo-européias. Esse método pretende identificar famílias a partir das corresponências entre os sons. Pode ser ilustrado nos seguintes exemplos de reconstruções comparativas : swahili zulu Duala Pedi Proto- bantu enviar tuma loma roma *tuma três tatu lalo raro *tatu bochecha tama lama rama *tama Para obter-se as formas reconstruídas acima (as quais são convencionalmente precedidas por um asterisco em Histórica), os d. erentes segmentos têm que ser comparados. Os comparativistas são guiados por princípios gerais tais como : (a) o segmento que aparece com o maior número de contextos e é o menos marcado mais atestado) dentro do inventário universal dos sons é o preferido como a forma a ser reconstruída na língua ancestral; (b) as línguas têm a tendência de se tornarem menos complexas com o passar do tempo; (c) que tiverem sido estabelecidos os segmentos reconstruídos, leis/regras de correspondência fonéticas são propostas, tais como, no caso dos exemplos acima : 3em zulu, 1> em duala, r em pedi o em duala e Pedi 1.2.2. Classificação macrocósmica. Esta classificação é baseada na comparação de itens lexicais e gramaticais sem que seja acompanhada por leis de correspondência (como é o caso com o Método Comparativo). Nesse tipo de comparação rotulado Método da Comparação em Massa "mass comparison" somente as evidências são levadas em conta, excluindo-se, notadamente, evidências de outra natureza tal como etnológica ou antropológica. Para excluir risco de relacionar línguas sem relação genética relacionável, 20% é posto como o mínimo aceitável de percentagem de correspondências entre duas línguas. 2. Classificação tipológica de Guthrie (1948). 2.1. Critérios classificatórios de Guthrie. Guthrie determinou uma série de critérios principais e subsidiários, que permitem classificar as línguas bantu 2.1.1. Critérios principais. 2.1.1.1 Sistema de classes compartilhado. A identificação de um sistema de pelo menos 5 classes gramaticais compartilhadas que apresentem as seguintes características: (a) os prefixos são os morfemas indicadores das classes (cujo número, de acordo com cada língua, varia de 10 a 20) às quais pertencem as palavras bantu; (b) há uma associação regular de pares de classes para indicar a oposição entre o singular e o plural. Existe também palavras vinculadas a uma única classe cujo prefixo é similar, às vezes, a um prefixo singular e, outras vezes, a um prefixo plural; (c) os prefixos nominais ditos independente regem a concordância dos demais prefixos (adjetival, pronominal, verbal) e infixos que, são ditos dependentes; (d) não existe nenhuma correlação dos classificadores com a noção de gênero masculino versus feminino. 2.1.1.2. Raizes lexicais compartilhadas. A identificação de uma parte compartilhada do vocabulário que seja relacionada através de regras a um conjunto de raizes comuns hipotéticas. 2.1.2. Critérios subsidiários. 2.1.2.1. A identificação de um conjunto de radicais a partir dos quais a maioria das palavras são formadas através de um processo aglutinativo, radicais que apresentam as seguintes características : 4(a) a estrutura fonotática padrão de um RADICAL é : "Consoante + Vogal + Consoante"; (b) quando um SUFIXO GRAMATICAL é ligado a este radical, obtem-se uma BASE verbal; (c) quando um SUFIXO LEXICAL, i.e. não-gramatical, é ligado a um radical, obtém-se um TEMA nominal (d) quando um elemento morfológico sem significado nitidamente identificável é inserido entre radical e o(s) sufixo(s) obtem-se uma EXPANSÃO, cuja estrutura fonotática é "Vogal + Consoante" ou, simplesmente "vogal"; (e) o único caso de radical que ocorre sem prefixo é imperativo verbal; (f) um sistema vocálico balanceado observável nos radicais, que consiste numa vogal aberta "a" com um número igual de vogais anteriores ou psoteriores. 2.1.3. Refinamentos propostos por Crabb. Um refinamento desses critérios de Guthrie acima apresentados foi proposto por D. Crabb (1969) com o de dois critérios adicionais propostos para definir as línguas bantu stricto sensu de Meinhof (1899) e Guthrie (1948), em oposição com as línguas bantu lato sensu, que incluem les langues des Grassfields (Cameroun): (a) a identificação de um prefixo nominal "mu-" no singular da classe 1, a qual concentra as palavras que compartilham o traço semântico humano; (b) a identificação deste prefixo nominal "mu-" no singular da classe 3. Em caso de dúvida a respeito da classe 1 ou 3 do prefixo "mu-", basta observar o comportamento tonal diferenciado da concordância (c) a identificação de um prefixo nominal "ma-" no classe 6, como o plural das palavras para olho, dente ou seio. 2.2. Metodologia de Guthrie. Guthrie utiliza um método que ele chama de prático e que funciona da seguinte maneira: (a) ele escolhe uma LÍNGUA específica, por exemplo o mongo da zona C ou Luba da zona L; (b) ele constitui GRUPOS com base nessas línguas, com base em critérios tipológicos (lexicais, gramaticais, fonológicos, fonéticos e tonais); (c) ele reune esses groupos em agrupamentos regionais maiores denominados ZONAS. Em cada caso recorre a isoglossas para demarcar as diferentes zonas, com base em critérios que podem mudar de uma zona para outra. Guthrie distinguiu ao todo 16 zonas. 78 grupos e 650 línguas bantu (além dos inúmeros dialetos contidos nessas línguas). 5No mapa abaixo estão delimitadas as zonas do domínio bantu. Essas zonas são tipologicamente agrupadas em 5 áreas maiores, ou sejam, (a) a área do Noroeste (NW) com as 3 zonas A, B, C; (b) a área do Sudoeste (SW) com as 3 zonas H, K, R.; (c) a área do Centro (Ce) com as 4 zonas D, L, M, N; a área do Nordeste (NE) com as 4 zonas J, E, F e G; e a área Sudeste (SE) com as duas zonas P e S. As zonas são subdivididas em grupos que contém línguas individuais: Zona A (com 9 Grupos ): Guiné Equatorial, Gabão, Congo- Brazzaville; Zona B (com 8 Grupos): Gabão, Congo-Brazzaville, Congo-Kinshasa; Zona (com 9 Grupos): Congo-Brazzaville, Congo-Kinshasa; Zona D (com 6 Grupos): Congo-Kinshasa; Zona E (com 7 Grupos): Quênya, Tanzânia; Zona F (com 3 Grupos): Tanzânia; Zona G (com 6 Grupos): Tanzânia, Quênya, Somália, Comoros; Zona H (com 4 Grupos): Congo-Brazzaville, Congo-Kinshasa, Angola; Zona J (com 6 Grupos): Congo-Kinshasa, Ruanda, Burundi, Uganda, Quênya, Tanzânia; Zona K (com 5 Grupos): Congo-Kinshasa, Angola, Zâmbia, Namíbia; Zona L (com 6 Grupos): Congo-Kinshasa, Zâmbia; Zona M (com 6 Grupos): Congo-Kinshasa, Zâmbia, Tanzânia; Zona N (com 4 Grupos): Zâmbia, Botsuana, Moçambique, Malaui, Tanzânia; Zona P (com 3 Grupos): Tanzânia, Moçambique, Malaui; Zona R (com 4 Grupos): Angola, Namíbia, Botsuana; Zona S (com 6 Grupos): Botsuana, Moçambique, África do Sul, Suazilândia, Lesoto. 2.3. Bantu Stricto Sensu versus Bantu Lato Sensu. A família bantu stricto sensu corresponde ao bantu de Guthrie. Quanto à família banto dita lato sensu, ela inclui uma parte das línguas do grupo rotulado Grassfields, que eram até então consideradas (ou semi-bantu) e não bantu. Esa reclassificação parcial baseia-se em critérios estabelecidos por Crabb e Greenberg, principalmente o do presença de uma consoante nasal bilabial "m" (ou de um vestígio dela como, por exemplo, "b", dentro do prefixo nominal das três classes 1 ("mu"), 3 ("mu") e 6 ("ma"), ao passo que, nestas mesmas três classes, as outras línguas (ao qual pertence a família bantu) apresentam apenas prefixos vocálicos sem "onset" nasal. 3. Classificação genealógica de Greenberg (1955). Joseph Greenberg classifica as línguas africanas nas 4 seguintes megafamílias ou "phyla" : Niger-Kordofan, Nilo-Saariano, Afro-Asiático e Convém observar que muitas das idéias de Greenberg oriundam-se numa classificação prévia proposta por Westermann (1911) que distinguia um conjunto de línguas ditas Sudaneses Ocidentais e um conjunto de línguas ditas Sudaneses Orientais. 3.1. Línguas Sudanesas Orientais e Ocidentais de Westermann (1911). 6Westermann distinguia a família das Línguas Sudaneses Orientais que corresponde grosso modo ao Nilo-Saariano de Greenberg e a família das Línguas Sudaneses Ocidentais que corresponde grosso modo ao Niger-Kongo de Greenberg. Westermann fez um estudo detalhado do Sudanês Ocidental e de sua relação com as línguas bantu que observou através de uma comparação entre um grande número de raízes proto-sudanesas que tinha reconstruído e as reconstruções proto-bantu de Meinhof (1899) e de Bourquin (1923). 3.2. Revisão da classificação de Westermann por Greenberg. Com base nas propostas anteriores de Westermann (1911), Greenberg reclassificou as línguas africanas com alguns achados importantes : (a) mostrou que a família Sudanesa Ocidental de Westermann e a família das línguas bantu constituem uma única megafamília genética denominada Niger-Kongo, a qual se opõe à família Sudanesa Oriental de Westermann redenominada Nilo- Saariana; (b) este filo Niger-Kongo, por sua vez, reparte-se em 6 sub-divisões mencionadas logo abaixo, entre as quais está o Benue-Kongo; (c) a família bantu não passe de um sub-grupo de um sub-grupo do Benue- Kongo e não deve mais ser considerada uma sub-família coordenada com as outras; (d) o Kordofan é coordinado com Niger-Kongo com qual forma uma família mais ampla denominada Niger-Kordofan. 7ALMN 9BC 20 so 40 30 R 10 30 10 H 20 30 HKR 30 20 50 10 to K 2 20 10 M 20 40 R N 30 P 30 L 20 Koo 40 10 40 30 20 30 A 0 ZONES ET GROUPES DE LANGUES BANTOUES 8A B (Banta) Austronesian 3.3. Classificação de Greenberg. 3.3.1. Niger-Kordofan. 3.2.1.1. Niger-Kongo. Niger-Kongo reparte-se em 6 sub-famílias: 1. Atlântico-Oeste. 2. Mande. 3. Voltaico (ou Gur). 4. Kwa (Exemplo: Yoruba, Ewe, Fon). 5. Benue-Kongo. 5.1. Plateau. 5.2. 5.3. Cross-River. 5.4. 5.4.1. Non-Bantu. 5.4.2. Bantu Lato Sensu. 5.4.2.1. Bantu dos Grasslands. 5.4.2.2. Bantu Stricto Sensu (Guthrie). 6. Adamawa-Leste. 3.3.1.2. Kordofan. 9o Kordofan é constituído por cinco pequenos grupos de línguas com números reduzidos de falantes. 3.3.2. Nilo-saariano. Nilo-Saariano reparte-se em 6 sub-famílias: 1. Songhai. 2. Saariano. 3. Maban. 4. Fur. 5. Chari-Nilo. 6. Koman. 3.3.3. Afro-Asiático. Afro-Asiático reparte-se em 5 sub-famílias: 1. Semítico. 2. Egipciano. 3. Berbere. 4. Cuchítico. 5. Chádico. 3.3.4. Koisan. Koisan reparte-se em 3 sub-famílias : 1. Koisan Sul-Africano. 2. Sandawe. 3. Hatsa. 3.4. Características do Niger-Kordofan. De acordo com Gregersen (1977). as línguas Niger-Kordofan eram faladas em 1977 por cerca de 100 milhões de pessoas, o que correspondia à metade da população africana. A sub-família Kordofan tem somente cerca de 200.000 falantes, as línguas da sub-família Niger-Kongo compreendendo resto da população mencionada. Quanto à população bantufone, gira ao redor de 60 milhões de locutores. o termo "bantu" foi proposto em 1862 por W. Bleek (1862) que é considerado a fundador da bantuista. Nas suas análises comparativas, Bleek identificou as seguintes características : (a) a organização dos nomes bantu em 18 classes, singulares e plurais; (b) a descrição dos sistemas de concordâncias vinculadas às classes; (c) a identificação de vários processos fonéticos de assimilação, de palatalização, de harmonia vocálica etc. Carl Meinhof (1899) destacou-se no final do século XIX pelas suas reconstruções preliminárias do proto-bantu. 10As línguas Niger-Kordofan compartilham a existência de classes nominais e de concordâncias que se manifestam através de prefixos. Aqui estão uma amostra do parentesco : Cl. Kordofan Atlântico Voltaico Kwa Benue Proto-Bant (Norte) (Oti) (Togo) Kongo 1 gu u o u *mu 2 --- a-ba ba ba ba *ba 3 gu --- u o u *mu 4 gi i i i 5 li e-de di li *di 6 m a-ma a N a *ma 7 a-ka ki ki 8 i-ci bi bi *bi 9 i-n i *n 10 a-na i *n 11 u-du lu *du 12 ka ka ka *ka 13 a-ka si ti ti 14 u-bu bu bu bu *bu 15 ku ku ku *ku 19 V-pV fu pi *pi Nas línguas Niger-Kordofan, os significados das classes distinguem notadamente as categorias semânticas humano, coisa, planta, líquido e animal mas não os gêneros masculino e feminino. A quase totalidade das línguas da megafamília (ou filo) Niger- Kordofan são tonais. A exceção mais notável é a língua bantu Swahili. A presença de "clicks" que est somente atestada no sul da área bantu deve-se a empréstimos feitos a línguas da família Koisan. 3.5. Metodologia de Greenberg. A metodologia empregada por Greenberg é guiada pelos seguintes 3 princípios : (a) a necessidade de somente comparar itens cujos significado e sons são relacionados; (b) a necessidade de recorrer a comparações de massa, isto é, com muitas línguas ao mesmo tempo, ao invés de comparar pares de línguas; (c) a necessidade de levar somente en conta evidências meramente 11método de Greenberg pode ser ilustrado pela seguinte tabela : um dois três cabeça olho orelha boca sang su & soti jung sing a II 2 wate iba + tati no(do) to(go) # jabodo toro = tfu * agozo daho samo sumo 8 II 4 ili iwa + ita ilo ewu oto enu II 5 bali + tato (li)to (le)iso (ku)toi # tilo = ndi jasko kela sim sumo II 7 kiet iba + ita ete utong # inua lakoi we taha i kebbe a onde I = Saariano : 1. Berti; 3 Teda; 6 Kanuri; 8 Zaghawa II = Niger-Kongo : 2 Kotopo (Adamawa); 4 Ahlo (Togo); 5 Proto- Bantu; 7 Efik 3.6. Por que o Bantu faz parte do Niger-Kongo? Greenberg apresenta os três argumentos seguintes para mostrar que a família Bantu não constitui um grupo separado do Niger-Kongo : (a) as correspondências regulares observadas entre o Proto-Bantu e o Proto- Sudanês Ocidental; (b) as semelhanças formais entre os respectivos sistemas de classificadores: gu:u, ba:ba; gi:i, li:li, ga:a, ma:ma, bu:bu; ki:ki, ku:ku, ka:ka, tu:ti As semelhanças observam-se também no campo do conteúdo semântico de várias classes : cl. 1/2 : seres humanos Bantu + Kordofano, Atlântico, Voltaíco, Kwa, Benue-Kongo cl. 3/4 : nomes de árvores, corda, rabo, caminho, fogo, vassoura Bantu + Kordofano, Benue-Kongo cl. 5/6 : ovo, cabeça, nome, olho, dente, seio, língua, ano Bantu + Kordofano, Atlântico, Benue-Kongo cl. 7/8 : pescoço, espinha Bantu + Kwa, Benue-Kongo 12/13 : noms de diminutivos Bantu + Kwa, Benue-Kongo cl. 14 : noms abstratos. Bantu + Kwa, Benue-Kongo cl. 15 : orelha, perna, braço, joelho. Bantu + Kwa, Benue-Kongo (c) 64 morfemas lexicais compartilhados entre línguas do Adamawa-Leste e o Proto-bantu: Amostra : ADAMAWA-LESTE BANTU 12Radical Língua animal, carne Zande animal, carne Zande pássaro Gbaya noi pássaro Gbaya cachorro Sango cachorro Sango orelha Zande tue orelha Zande morrer Sango kui morrer Sango comer Barambo le comer Barambo frango Gbanziri koko frango Gbanziri pedra Gbaya ta pedra Gbaya árvore Gbaya te árvore Gbaya Greenberg sustenta que o Bantu não é diretamente ligado ao Niger- Kongo mas sim a uma de suas sub-famílias : Niger-Kongo Benue-Kwa Benue-Kongo Benue-Kongo Leste Sul Bantu. Seu principal argumento é ter identificado a existência de uma sub-família chamada "CROSS-RIVER" (conhecida antigamente como SEMI-BANTU) dentro da sub-família Benue-Kongo, que compartilha certas inovações com o Bantu mas não com as outras sub-famílias do Niger-Kongo. 13Niger-Congo Kordofanian Atlantic Mande Dogon West Volta-Congo East Kru Kwa Benue-Congo Adamawa. (Ega Ubangi Akan Ga.. Gbe) West Benue-Congo East Yoruboid, Central Nigerian Ukaan Jukonoid) Cross River Bantoid Ayere-Akan. Nupoid, Idomoid Delta Cross Bendi Upper Cross Lower Cross Keyboid Central (Ogoni) Delta Dakoid Mambiloid Tikar South Bantoid Williamson & Blench 2000; Jarawan Tivoid Bedoid Schadeberg Ekoid Mbe. Grassfields 2003 Nyang BANTU Aqui estão algumas inovações que diferenciam o Bantu e o Cross- River do restante da megafamília Niger-Kongo: (a) ocorrência de "m" ou "n" em prefixos nominais, que são ausentes nos prefixos pronominais correspondentes: PROTO-BANTU PN cl. 1 *mu cl. 1 cl. 3 *mu cl. 3 cl. 5 *ma cl. 5 cl. 9 *n cl. 9 cl. 10 *n cl. 10 14(b) inovações lexicais. Cognatos de certas palavras bantu são amplamente em várias do Niger-Kongo mas não de outras Assim, por a palavra tem os cognatos "dem-gal" em fulani (Atlântico), em more (Voltaico), em efik (Cross- River), "à-dé" em ewe (Kwa), e em twi (Kwa). Quanto à palavra proto-bantu *-bumu por exemplo, nenhum cognato se encontra fora da área bantu; (c) certas palavras Niger-Kongo não mais como itens independentes em bantu onde são apenas mantidos como petrificados. Assim, por exemplo, * bi criança em Proto-Niger-Kongo não ocorre mais em bantu, exceto dentro do verbo *-bi+ad- dar à luz (cf. os atuais reflexos em nyamwezi e em swahili). REFERÊNCIAS. BLEEK, W.A Comparative Grammar of South African Languages. Westmead, England: Gregg International, 1862/1971. CRABB, David W. Ekoid Bantu Languages of Ogoja. Cambridge: Cambridge University Press, 1969. DE BLOIS K. F. "The augment in the Bantu languages", Africana Linguistica IV. Tervuren, Belgique: AnnalesMusée Royal de l'Afrique Centrale,87-165. DONEUX, Jean Léonce. Histoire de la Linguistique Africaine: Des précurseurs aux années 70. Collection Langues et Ecritures.Aix-en-Provence, France: Publications de l'Université de Provence. 264 pp, 2003. GREGERSEN, A. 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