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TEMPLATE PADRÃO ÚNICO DO DESAFIO PROFISSIONAL ORIENTAÇÕES IMPORTANTES ANTES DE COMEÇAR: Este é o template padrão único para a realização do seu Desafio Profissional. Para todas as disciplinas, o template será o mesmo. O que muda é a proposta do seu desafio. Portanto, para que você conheça o desafio proposto para a sua disciplina, é preciso: 1) Acessar o seu AVA; 2) Clicar na disciplina que será avaliada; 3) Entrar em “Notas e Avaliações”; 4) Clicar em “Responder Avaliação III”. Além disto, é fundamental que você faça a leitura atenta da questão na íntegra antes de iniciar o preenchimento deste template. Agora, vamos às etapas de realização do seu desafio profissional. ETAPA 1: Apresentação do Desafio Profissional Seu papel ativo nesta etapa é apenas ler tudo com atenção e entender qual solução (ou soluções) você apresentará ao final da atividade. Então, leia todas as orientações da Etapa 1 do seu Desafio Profissional. ETAPA 2: Materiais de referência (ambientação) do seu Desafio Profissional Nesta etapa, você deve analisar os materiais de referência e inteirar-se do conteúdo que o(a) professor(a) indicou para que você tenha mais segurança e conhecimento na hora de analisar o caso. Depois que você tiver feito a leitura e já estiver munido de mais informações, você deve eleger três aspectos do desafio proposto que sejam os mais relevantes, do seu ponto de vista, para a solução do desafio. Por exemplo: que estratégia inovadora foi usada? Que decisão polêmica ou uma atitude inesperada você localizou? Qual foi o erro do profissional que aplicou a fórmula? O que o profissional esqueceu de observar? Seu papel ativo nesta etapa é apontar esses três aspectos e justificar suas escolhas. Estudante, escreva aqui os três aspectos e justifique suas escolhas. Anote assim neste template: o que chamou atenção + por quê. 1. A ausência de um modelo linguístico surdo na escola. Por quê: Chamou-me a atenção porque a criança surda necessita desse espelhamento para construir sua identidade. O input linguístico natural em L1 não ocorre com a mesma fluência e riqueza cultural apenas com professores ouvintes que sinalizam, o que compromete o desenvolvimento infantil pleno. 2. Correções oralizadas e falta de exploração de expressões não manuais (ENMs). Por quê: Esse aspecto é alarmante porque revela uma prática pedagógica enraizada no oralismo e no desconhecimento da gramática visual-espacial da Libras. Ignorar as ENMs significa ignorar a sintaxe da língua de sinais. 3. O uso predominante de gestos caseiros e apontações sem valor pronominal. Por quê: Evidencia o claro atraso no desenvolvimento linguístico para crianças de 2 a 4 anos. Mostra que elas estão em sério risco de privação linguística e necessitam de uma intervenção urgente focada na transição para os sinais convencionais e na organização temporal. ETAPA 3: Levantamento de conceitos teóricos Aqui, você deve aproximar a teoria da prática. Seu papel ativo nesta etapa é pesquisar conceitos, autores, teorias etc., que possibilitem a compreensão da solução do desafio. Você pode usar o seu livro da disciplina ou ainda o material apresentado na etapa 2. Para isto, faça uma lista comentada de conceitos-chave, cada um explicado em duas ou três linhas. Por exemplo: Nome do conceito → definição curta → como ajuda a entender o caso. Lembre-se de que é como montar uma “maleta de ferramentas teóricas” para usar na próxima etapa. Estágio de múltiplas combinações (Quadros, 1997) → Fase (geralmente a partir dos 2 anos) em que a criança adquire a habilidade de combinar sinais para formar estruturas complexas. → Ajuda a entender a defasagem das crianças do caso, que deveriam estar combinando sinais, mas seguem presas a gestos isolados. Privação Linguística (Sacks) → Atraso ou falta de acesso a uma primeira língua (L1) natural e estruturada nos anos iniciais de vida. → É essencial para compreender a gravidade do cenário: sem intervenção, as crianças do caso podem sofrer danos cognitivos e sociais severos. Modelo Linguístico Surdo → Adulto surdo fluente em Libras que atua como referência cultural, identitária e gramatical para a criança. → Justifica a necessidade imediata da escola de não depender apenas de ouvintes, mas de inserir profissionais surdos no cotidiano escolar. Expressões Não Manuais (ENMs) → Movimentos faciais e corporais que possuem função gramatical e sintática (como intensidade, negação, interrogação) na Libras. → Ajuda a propor soluções práticas para corrigir as falhas das professoras do caso, que se comunicam de forma engessada e oralizada. ETAPA 4: Aplicação dos conceitos teóricos ao Desafio Profissional Neste momento, você deve começar a construção da sua análise. É aqui que você vai usar sua “maleta de ferramentas” para solucionar o desafio. Seu papel ativo nesta etapa é aplicar cada conceito que julgue importante e conectá-lo com algo que acontece na situação analisada. Você fará isso por meio de uma lista de tópicos, respondendo: Como o conceito X explica o que aconteceu na situação Y? O que a teoria X nos ajuda a entender sobre o problema central? Que soluções possíveis a teoria aponta (e por que elas fazem sentido)? Como o conceito X explica o que aconteceu na situação Y? O conceito de Privação Linguística (Sacks) explica perfeitamente por que as crianças de 2 a 4 anos da instituição estão restritas a gestos caseiros e predomínio do "agora". Por nascerem majoritariamente em famílias ouvintes e frequentarem uma escola sem modelo surdo adequado, elas não receberam o input linguístico necessário nos primeiros anos para desenvolver a L1 no ritmo esperado. O que a teoria X nos ajuda a entender sobre o problema central? A teoria sobre o Estágio de Múltiplas Combinações de Quadros nos ajuda a entender que a escola precisa focar estrategicamente em promover a união de sinais, a estruturação pronominal e o uso de classificadores. Além disso, a teoria do Modelo Linguístico Surdo esclarece que a insegurança das professoras ouvintes é sintoma de um ambiente que tentou fazer "inclusão" sem a participação do sujeito central da cultura surda, prejudicando a internalização da gramática visual. Que soluções possíveis a teoria aponta (e por que elas fazem sentido)? A teoria aponta como soluções: (1) a contratação de um educador surdo, o que faz sentido para garantir o espelhamento identitário; (2) a substituição das correções orais pela "modelagem linguística" visual (oferecer a frase em Libras corretamente quando a criança errar, sem interrompê-la), o que respeita a gramática visual; e (3) a criação de rotinas visuais e narrativas utilizando ENMs para estimular a explosão vocabular e a noção temporal das crianças. A ETAPA 5 É A MAIS IMPORTANTE DE TODO O PROCESSO, POIS É A ETAPA QUE SERÁ AVALIADA! ENTÃO, PRESTE MUITA ATENÇÃO! ETAPA 5 – AVALIATIVA: Redação do produto - Memorial Analítico. Chegou a hora de transformar todo o seu percurso investigativo em um texto claro, bem estruturado e objetivo. Seu papel ativo nesta etapa é desenvolver um Memorial Analítico. Este será o produto final do Desafio Profissional, que será avaliado com nota de zero a dez e terá peso três na média final desta disciplina. Vamos reforçar o que é um memorial analítico? É basicamente você mostrando o caminho que percorreu: o que leu, como interpretou, que teorias usou, que conclusões tirou e o que aprendeu com tudo isso. Para ajudar você, segue o passo a passo do que não pode faltar no Memorial Analítico (ordem recomendada, pois cada item fará parte da composição da sua nota): Resumo do que você descobriu (1 parágrafo) – vale 1 ponto Contextualização do desafio (1 parágrafo): Quem? Onde? Qual a situação? – vale 0,5 ponto Análise (1 parágrafo): use de 2 a 3 conceitos da disciplina, mostrando como eles explicam a situação. Dê exemplos diretos e contextualizados – vale 2 pontos Propostas de solução (até 2 parágrafos): o que você recomenda? Por quê? Qual teoria apoia sua ideia? – vale 3 pontos Conclusão reflexiva (até 2 parágrafos): O que você aprendeu com essa experiência? – vale 2 pontos Referências (somente o que você realmente usou, incluindo o livro) – vale 0,5 ponto Autoavaliação (1 parágrafo): o que você percebeu sobre seu próprio processo de estudo? – vale 1 ponto Checklist rápido antes de entregar: Meu texto não passou de 6000 caracteres. Meus conceitos fazem sentido, e não estão só “porque sim”. Conectei teoria + situação. Apresentei soluções plausíveis. Incluí referências. Mostrei que aprendi algo. Tenho orgulho do que escrevi. Lembre-se de que este trecho deve ser copiado e colado no campo de resposta da questão, dentro de Notas e Avaliações. Lembre-se também de salvar este documento em PDF e colocá-lo como anexo à sua resposta. Resumo Neste trabalho, percebi que não basta uma escola se dizer "inclusiva" no papel. Para que as crianças surdas aprendam a Libras como sua primeira língua (L1), o ambiente precisa ser realmente bilíngue e oferecer um contato real com a cultura surda, com profissionais preparados. Contextualização O caso mostra uma escola de Educação Infantil que começou a receber crianças surdas de 2 a 4 anos. O problema é que os professores são ouvintes, estão inseguros e acabam corrigindo os alunos usando a voz (oralização), além de não usarem as expressões faciais corretamente. Por causa disso, as crianças estão bem atrasadas: se comunicam só com gestos inventados em casa, não conseguem organizar começo, meio e fim nas histórias e não têm muita noção de tempo. Análise Esse atraso das crianças pode ser explicado pelo conceito de Privação Linguística, que o autor Oliver Sacks aborda. Como elas não tiveram contato com a língua de sinais desde bebês, o desenvolvimento delas acaba travando. Segundo a autora Ronice Quadros, com essa idade, elas já deveriam estar no Estágio de Múltiplas Combinações, ou seja, juntando sinais para formar frases e usando bem o espaço. Mas isso não acontece na escola do caso porque falta um Modelo Linguístico Surdo (um adulto surdo para elas terem como referência) e porque as professoras ouvintes não exploram as Expressões Não Manuais (ENMs), que são fundamentais na gramática da Libras. Propostas de solução Para resolver essa situação, proponho atividades no dia a dia da escola que ajudem a dar um "salto" no vocabulário dessas crianças. A escola pode usar linhas do tempo com imagens e sinais (mostrando o que é ontem, hoje e amanhã) para organizar a rotina, além de brincadeiras que forcem o uso de expressões do rosto. Outra mudança importante é na atitude das professoras: elas devem parar de corrigir as crianças falando em português. Se a criança fizer um sinal errado, o professor deve apenas fazer o sinal certo em Libras para a criança ver, sem interromper a brincadeira. Pensando na gestão da escola, é urgente contratar um professor ou instrutor surdo para ser o modelo dessas crianças. Além disso, a equipe precisa de um treinamento contínuo para entender de vez que a Libras é a L1 dessas crianças, e que o Português vai ser ensinado só depois, como L2, na modalidade escrita. Conclusão reflexiva Fazer esse trabalho me fez entender que, como a maioria das crianças surdas nasce em famílias de ouvintes, a escola acaba sendo o único lugar onde elas podem realmente recuperar o tempo perdido e aprender a se comunicar. Pensando na minha futura atuação profissional na área pública e na educação, vejo que a inclusão exige preparo técnico e gestão de verdade. Só assim a gente consegue garantir os direitos desses alunos e ajudar para que eles cresçam com autonomia e identidade. Referências QUADROS, R. M. de. Educação de surdos: a aquisição da linguagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. SACKS, O. Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. FMU. Estudos Surdos IV (Capítulo sobre Aquisição da Libras como L1). Autoavaliação Ao fazer esse desafio, percebi que consegui conectar bem a teoria que estudamos com a prática do que acontece em uma sala de aula e na gestão escolar. Sinto que ainda preciso estudar um pouco mais sobre algumas regras de gramática da Libras, como os classificadores, mas já me sinto bem mais seguro para pensar em um projeto educacional que respeite de verdade a forma como o surdo aprende.