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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS 
ESCOLA DE DIREITO, NEGÓCIOS E COMUNICAÇÃO 
CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS 
 
 
 
 
JHENNIFER COSTA BENTO 
 
 
 
 
A OPERAÇÃO BARTER NO AGRÓNEGOCIO E A GESTÃO DE RISCO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GOIÂNIA – GO 
2024
 
 
JHENNIFER COSTA BENTO 
Matrícula n° 2020.2.0021.0003-5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A OPERAÇÃO BARTER NO AGRÓNEGOCIO E A GESTÃO DE RISCO 
 
 
 
 
 
 
Monografia apresentada ao Curso de Ciências 
Econômicas da Pontifícia Universidade Católica de 
Goiás, como requisito parcial à obtenção do título de 
Bacharel em Ciências Econômicas. 
Orientador: Prof. Me. Gesmar José Vieira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GOIÂNIA – GO 
2024
 
 
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS 
ESCOLA DE DIREITO, NEGÓCIOS E COMUNICAÇÃO 
CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS 
 
 
 
 
 
JHENNIFER COSTA BENTO 
Matrícula n° 2020.2.0021.0003-5 
 
 
 
 
 
 
A OPERAÇÃO BARTER NO AGRÓNEGOCIO E A GESTÃO DE RISCO 
 
 
Monografia apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em 
Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, avaliada pela 
seguinte banca examinadora: 
 
 
 
 
 
Prof. Me. Gesmar José Vieira 
 
 
 
Prof. Me. Edilson Gonçalves de Aguiais 
 
 
 
Prof. Me. Wagno Pereira da Costa 
 
 
 
GOIÂNIA-GO 
DATA DA APROVAÇÃO 13/06/2024 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço primeiramente a Deus pela minha vida, por me guiar durante toda está 
jornada acadêmica. Reconheço e sou grata pelo privilégio de poder estudar e aprender. 
Que a minha dedicação ao conhecimento seja sempre um reflexo da sua grandeza e 
bondade. 
À minha mãe, Sueli, que me ensinou sobre a garra de uma mulher forte. Obrigada 
por muita das vezes ter deixado de se proporcionar melhores condições de vida, para que 
eu tivesse melhores condições de vida para que meus sonhos se tornassem realidade. Essa 
conquista é nossa. 
Ao meu pai, Ronivon, por todo amor, carinho, paciência, segurança. Por todo 
suporte necessário para que eu chegasse até aqui. Essa conquista é nossa. 
Ao meu irmão, Jefferson, por ser meu parceiro de risadas e confidente em todos 
os momentos, lembrando-me sempre do meu potencial. 
Ao meu namorado e melhor amigo, Lucas, por sempre acreditar no meu 
potencial, por sempre me ouvir e fazer o melhor para me ver feliz. Essa conquista também 
é sua. 
Agradeço do fundo do meu coração por tudo que meus pais e meu irmão fizeram 
por mim. Seu amor, apoio e orientação foram fundamentais para eu alcançar este 
momento significativo em minha vida acadêmica. Que nossa família continue sendo um 
porto seguro de amor, apoio e inspiração, enquanto embarcamos juntos em novos desafios 
e conquistas. Sou eternamente grata. Obrigada. 
Agradeço ao corpo docente do curso de Ciências Econômicas da PUC Goiás. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"O que vale na vida não é o ponto de partida e 
sim a caminhada. Caminhando e semeando, no 
fim terás o que colher.” 
Cora Coralina
 
 
 
RESUMO 
 
O presente trabalho teve como resultado realizar uma análise sobre a operação de Barter 
no agronegócio e sua influência na gestão de risco. Este estudo teve como objetivo geral 
analisar a operação de Barter no agronegócio e sua influência na gestão de risco. O 
problema central investigado neste estudo é: como a operação de Barter contribui para a 
estabilidade financeira das empresas do setor agrícola? Por meio dessa abordagem, será 
realizada uma investigação detalhada das principais fontes acadêmicas e científicas 
relacionadas ao tema em questão. O presente trabalho foi estruturado em três capítulos 
principais, cada um contribuindo para uma compreensão abrangente da operação de 
Barter no contexto do agronegócio e seu impacto na gestão de risco. 
Palavras-chave: Barter. Crédito Agrícola. Gestão. Risco. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1: Esquematização do processo da Operação Barter ......................................... 22 
Figura 2: Exemplo prático da Operação Barter ............................................................. 26 
Figura 3: Organograma setorial das operações de Barter .............................................. 33 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 10 
 
1 FUNDAMENTAÇÃO HISTÓRICA E TEÓRICA ............................................................. 13 
1.1 ASPECTOS HISTÓRICOS ............................................................................................... 13 
1.2 O AGRONEGÓCIO E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO .............................. 15 
1.3 TEORIA DO RISCO .......................................................................................................... 17 
 
2 OPERAÇÃO BARTER E GESTÃO DE RISCO ................................................................ 21 
2.1 O CONTEXTO BARTER NO AGRONEGÓCIO ........................................................... 21 
2.2 BENEFÍCIO DA OPERAÇÃO BARTER PARA O AGRONEGÓCIO ........................ 25 
2.3 DESAFIOS DE IMPLEMENTAÇÃO DA OPERAÇÃO BARTER .............................. 27 
 
3 IMPACTOS DA OPERAÇÃO BARTER NO AGRONEGÓCIO E SUA INFLUÊNCIA 
NA GESTÃO DE RISCO ......................................................................................................... 30 
3.1 IMPACTOS DA OPERAÇÃO BARTER NO AGRONEGÓCIO .................................. 30 
3.2 FATORES DE RISCO NA OPERACIONALIZAÇÃO NO BARTER .......................... 32 
3.3 A INFLUÊNCIA DO BARTER NA GESTÃO DE RISCO ............................................ 34 
CONCLUSÃO .......................................................................................................................... 36 
 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 38 
 
 
 
10 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
O agronegócio é atualmente reconhecido como o motor impulsionador da 
economia brasileira, desempenhando um papel crucial na geração de renda, emprego, 
modernização e criação de valor. Sua relevância para a estabilidade econômica do país é 
confirmada por diversos estudos. 
Desta forma, a Operação Barter surge como uma prática comum no agronegócio 
brasileiro, representando um modelo de troca de produtos agrícolas por insumos, 
especialmente utilizado em transações comerciais entre produtores rurais e empresas do 
setor. Essa operação se destaca pela flexibilidade e eficiência na movimentação de 
mercadorias, contribuindo para otimizar recursos e mitigar riscos financeiros. 
No contexto do Barter, os agricultores oferecem parte de sua produção como 
pagamento pelos insumos agrícolas adquiridos, estabelecendo um mecanismo de troca 
que beneficia ambas as partes envolvidas. A prática da Operação Barter também 
desempenha um papel significativo na gestão de riscos para os produtores, uma vez que 
permite garantir insumos essenciais para a produção, mesmo em períodos de volatilidade 
nos preços agrícolas. Além disso, essa abordagem contribui para fortalecer a parceria 
entre os agentes do agronegócio, promovendo relações comerciais mais sustentáveis e 
colaborativas ao longo da cadeia produtiva. 
A presente pesquisa tem como objetivo geral realizar uma análise sobre a 
operação de Barter no contexto do agronegócio e sua influência na gestão de risco. Nesse 
contexto, os objetivos específicos delineados são os seguintes: conceituar Barter no 
contexto específico do agronegócio, compreendendo seus elementos e características 
distintivas; identificar os principais benefíciosem: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2004/lei/l11076.htm. Acesso em: 19 abr, 2024. 
BRASIL. Lei nº 8.929, de 22 de agosto de 1994. Institui a Cédula do Produtor Rural e 
dá outras providências. Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8929.htm. Acesso em: 19 abr, 2024. 
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de São Paulo, 2017. (Nota técnica). 
39 
 
 
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10 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
 
 
 
		2024-06-17T18:33:22-0300que a prática do Barter oferece para as 
empresas envolvidas no setor agroindustrial, destacando suas contribuições para 
otimização de recursos e fortalecimento de parcerias; e identificar os desafios enfrentados 
na implementação do Barter no contexto do agronegócio, explorando as barreiras e 
complexidades que podem surgir durante a execução dessa estratégia. A abordagem 
sistemática desses objetivos proporcionará uma compreensão aprofundada da dinâmica 
do Barter no agronegócio e de seu impacto na gestão de riscos para os agentes envolvidos 
na cadeia produtiva. 
A Operação Barter, uma prática recorrente no agronegócio, suscita 
questionamentos cruciais quanto ao seu impacto e influência na dinâmica desse setor. Um 
dos problemas centrais a serem investigados é o seu real impacto no agronegócio, 
11 
 
 
considerando sua amplitude e alcance ao longo da cadeia produtiva. Além disso, é 
necessário compreender como essa operação afeta diretamente a gestão de risco das 
empresas do setor, o que constitui outro ponto importante a ser abordado. Assim o 
problema no qual se baseiam este trabalho é: Como a operação de Barter contribui para a 
estabilidade financeira das empresas do setor agrícola? 
Diante dessa questão, a hipótese que se julga pertinente é que a operação de 
Barter no agronegócio contribui significativamente para a estabilidade financeira das 
empresas agrícolas ao reduzir a dependência de flutuações de preços das commodities e 
melhorar o planejamento de fluxo de caixa. Isto permite que as empresas agrícolas 
mantenham um equilíbrio financeiro mais constante e resiliente frente às incertezas do 
mercado. É válido citar que a utilização da Operação Barter é esperada para estar 
positivamente correlacionada com a eficiência operacional do setor de crédito agrícola, a 
redução dos custos de transação financeira e melhoria da competitividade no setor 
agrícola, por ser um meio alternativo e prezar pela segurança de transações. Em segundo 
lugar, acredita-se que o Barter exerça uma influência significativa na gestão de risco das 
empresas do agronegócio. Ao estabelecer acordos de troca com fornecedores e clientes, 
espera-se que as empresas possam reduzir sua exposição aos riscos de mercado, tais como 
a volatilidade de preços e flutuações cambiais. 
Quanto a metodologia adotada neste trabalho, este consistirá em uma análise 
descritiva fundamentada em revisão de literatura. Por meio dessa abordagem, será 
realizada uma investigação detalhada das principais fontes acadêmicas e científicas 
relacionadas ao tema em questão. A análise descritiva permitirá uma compreensão 
aprofundada dos conceitos, teorias e práticas pertinentes ao assunto, enquanto a revisão 
de literatura fornecerá uma base sólida para a construção do conhecimento. Essa 
metodologia possibilitará uma análise crítica e abrangente dos elementos relevantes, 
contribuindo para uma melhor compreensão e interpretação dos resultados alcançados. 
O presente trabalho estrutura-se em três capítulos principais, cada um 
contribuindo para uma compreensão abrangente da operação de Barter no contexto do 
agronegócio e seu impacto na gestão de risco. No primeiro capítulo insere-se a 
fundamentação histórica e teórica em que serão explorados os aspectos históricos 
relacionados à prática do Barter, delineando suas origens e evolução ao longo do tempo. 
Além disso, examinaremos a interconexão entre o agronegócio e o desenvolvimento 
econômico, destacando o papel desempenhado por essa atividade na dinâmica econômica 
12 
 
 
global. A teoria do risco será abordada para estabelecer um alicerce conceitual sólido para 
a análise subsequente. 
No segundo capítulo discorre-se sobre a operação de Barter e gestão de risco, 
com o foco voltado para a operacionalização do Barter no contexto específico do 
agronegócio. Também serão discutidos detalhes sobre o contexto em que o Barter é 
frequentemente aplicado, destacando seus benefícios fundamentais e os desafios 
enfrentados durante sua implementação. Esta seção visa proporcionar uma compreensão 
clara dos elementos práticos envolvidos na operação de Barter. 
Finalmente no capítulo três, trata-se sobre os Impactos da Operação de Barter no 
Agronegócio e sua Influência na Gestão de Risco, a análise se aprofundará nos impactos 
resultantes da aplicação do Barter no setor agroindustrial. Abordaremos especificamente 
os fatores de risco associados à operacionalização do Barter e sua influência direta na 
gestão de risco nas empresas do agronegócio. Este capítulo visa fornecer insights cruciais 
sobre como a operação de Barter molda o cenário de riscos enfrentados pelas 
organizações no agronegócio. 
 
 
13 
 
 
1 FUNDAMENTAÇÃO HISTÓRICA E TEÓRICA 
Neste capítulo, será tratado sobre os aspectos históricos no contexto da operação 
de Barter no agronegócio e como ele tem impacto significativo no desenvolvimento e 
crescimento econômico do País. 
 
1.1 ASPECTOS HISTÓRICOS 
 
Nas últimas décadas, o agronegócio brasileiro passou por profundas 
transformações econômicas e tecnológicas, reforçando sua importância como gerador de 
riqueza e suprimento alimentar e consolidando o Brasil como um dos líderes na produção 
e exportação de produtos agrícolas. 
Para Abbade (2014) em 2020, o país conquistou o posto de segundo maior 
exportador de grãos, representando 19% do mercado global desses produtos, incluindo 
arroz, cevada, soja, milho e trigo, além de liderar a produção e exportação de soja e 
ostentar o maior rebanho bovino do mundo, junto com a liderança na exportação de carne 
bovina. Ademais, o Brasil se destaca como o maior produtor e exportador de café e 
açúcar, e o terceiro maior produtor de frutas. 
Essa ascensão do agronegócio brasileiro está intrinsecamente ligada à crescente 
demanda por commodities, juntamente com as limitações dos recursos naturais e as 
pressões ambientais em curso. Segundo Abbade (2014), diante desse cenário, os 
produtores rurais enfrentam uma constante pressão para aumentar os rendimentos por 
unidade de área produzida, o que demanda um acesso ampliado ao crédito rural. 
Esse crédito é fundamental para financiar o custeio, investimentos, 
comercialização e industrialização dos produtos agropecuários, e não apenas no Brasil, 
mas também em outros países, como os Estados Unidos, onde o Farm Credit System 
(FCS) desempenha um papel crucial na sustentação da renda e produção agrícola. 
Segundo Araújo & Leyi Li (2019) apesar dos esforços para ampliar o volume 
de crédito oficial, muitas vezes ele não é suficiente para suprir a crescente demanda dos 
produtores, levando-os a buscar fontes alternativas de financiamento fora do Sistema 
Nacional de Crédito Rural (SNCR). Além de bancos e cooperativas de crédito, outras 
entidades, como fornecedoras de insumos, tradings, agroindústrias e exportadoras, 
também desempenham um papel importante no fornecimento de crédito aos produtores 
rurais, especialmente na cultura de grãos 
14 
 
 
Conforme Linhares, Campos & Castro Júnior (2024), nesse contexto, emerge a 
Operação Barter, uma modalidade de financiamento na qual os insumos agrícolas são 
comercializados para a produção com pagamento realizado mediante a entrega do grão 
após a colheita, eliminando a necessidade de transação monetária direta. Esse modelo de 
crédito comercial representa uma alternativa valiosa para os produtores rurais, 
complementando o crédito oficial e contribuindo para o desenvolvimento contínuo do 
agronegócio brasileiro. 
A Operação Barter, também conhecida como troca ou permuta, é amplamente 
utilizada no agronegócio brasileiro. Para Sacheo (2021), nesse formato, os produtores 
rurais adquirem insumos agrícolas, como sementes, fertilizantes e defensivos, 
diretamente dos fornecedores, comprometendo-se a pagar pela mercadoria após a 
colheita, mediante a entrega da produção agrícola, geralmente grãos como soja, milho, 
trigo ou arroz.Henschel (2023), essa operação é especialmente relevante em contextos nos 
quais os produtores enfrentam dificuldades de acesso ao crédito tradicional ou em 
momentos de instabilidade econômica, pois permite que obtenham os insumos 
necessários para a produção sem a necessidade de dispor de recursos financeiros 
imediatos. Além disso, a Operação Barter pode contribuir para reduzir os custos de 
produção e os riscos associados à flutuação de preços no mercado. 
Para os fornecedores de insumos agrícolas, essa modalidade de negociação 
oferece a garantia de que receberão pagamento pelos produtos fornecidos, uma vez que 
ficam com uma parte da produção dos agricultores como garantia. Isso pode reduzir o 
risco de inadimplência e aumentar a liquidez dessas empresas. 
De acordo com Silva; Lapo (2012); Ávila (2017). no entanto, a Operação Barter 
também apresenta desafios e limitações. Por exemplo, a flutuação nos preços das 
commodities agrícolas pode afetar a rentabilidade tanto dos produtores quanto dos 
fornecedores de insumos. 
Questões logísticas, como armazenamento e transporte dos produtos agrícolas, 
podem representar desafios adicionais. Apesar dos desafios, a Operação Barter continua 
sendo uma importante ferramenta de financiamento no agronegócio brasileiro, 
especialmente para pequenos e médios produtores, contribuindo para o desenvolvimento 
e a sustentabilidade do setor. 
 
15 
 
 
1.2 O AGRONEGÓCIO E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO 
 
A agricultura é uma atividade de grande impacto econômico, especialmente em 
países em desenvolvimento, onde os recursos agrícolas e naturais podem impulsionar o 
crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável. Segundo Bragagnolo; Barros, 
(2015). Em 2009, a área total de terras agricultáveis no mundo era de 4,9 bilhões de 
hectares, dos quais o Brasil detinha 5,41% desse total. Por sua vez, o continente africano 
possuía 23,75% da área agricultável global. 
Conforme dados do IBGE (2017), segundo os dados mais recentes do Censo 
Agropecuário de 2017, o Brasil possui 5.073.324 estabelecimentos rurais, abrangendo 
uma área total de 351.289.816 hectares. O número de produtores ativos é de 
aproximadamente 15.105.125 pessoas. De acordo com Silva (2023), a agricultura 
brasileira apresenta uma notável concentração de renda bruta agrícola. Em 2017, menos 
de 1% dos estabelecimentos rurais respondiam por cerca de 50% do valor total da 
produção. 
O Brasil é reconhecido como um dos principais produtores agrícolas do mundo, 
com capacidade de fornecimento de alimentos em escala global. O país se destaca na 
produção de cana-de-açúcar, laranja, café, mamão, feijão, soja e abacaxi. Além disso, é 
líder mundial em exportação de açúcar bruto centrifugado, carne de frango, café, suco de 
laranja e o segundo maior exportador de soja e carne de soja. Apesar dos avanços recentes, 
o Brasil ainda possui um grande potencial a ser explorado na agricultura. 
O agronegócio desempenha um papel fundamental no desenvolvimento 
econômico de muitos países ao redor do mundo. Este setor abrange uma ampla gama de 
atividades, desde a produção agrícola até a comercialização e distribuição de produtos 
alimentícios. Sua importância é evidente não apenas na geração de alimentos, mas 
também na criação de empregos, na movimentação da economia e no fornecimento de 
matérias-primas para outras indústrias. 
Quando tratado via conceito, o desenvolvimento econômico na visão de Furtado 
(1961; 1980; 2000) tem relevância significativa quando aplicado ao contexto do 
agronegócio. Também enfatiza a importância de compreender as particularidades 
regionais para promover um crescimento econômico mais equilibrado e sustentável, e 
lembrar que há diferenças entre crescimento e desenvolvimento econômico. 
Crescimento econômico significa o aumento da capacidade produtiva da 
economia e, portanto, da produção de bens e serviços de determinado país ou 
16 
 
 
área econômica. O crescimento é calculado mediante a evolução de 
crescimento anual do Produto Nacional Bruto – PNB ou Produto Interno Bruto 
- PIB. O crescimento de uma economia é indicado ainda com a mensuração do 
crescimento da sua força de trabalho, a receita nacional poupada e investida e 
o grau de aperfeiçoamento tecnológico. Já desenvolvimento econômico é o 
crescimento econômico acompanhado da melhoria do padrão de vida da 
população e por alterações fundamentais na estrutura econômica e social que 
possibilitam a distribuição mais equânime das riquezas produzidas 
(FURTADO, 1961, p. 13). 
 
No agronegócio, implica, também, em reconhecer as diferentes condições 
climáticas, geográficas e socioeconômicas em que as atividades agrícolas são realizadas, 
adaptando políticas públicas de acordo com as necessidades específicas de cada região. 
Além disso, o enfoque de Furtado (2000), na distribuição de renda pode ser 
aplicado ao agronegócio, com destaque para a necessidade de políticas que garantam uma 
repartição mais justa dos benefícios econômicos gerados por essa atividade. Envolve a 
implementação de medidas que assegurem que os ganhos sejam compartilhados de forma 
mais equitativa entre pequenos produtores e grandes empresas do setor, contribuindo para 
reduzir disparidades socioeconômicas. 
Outro aspecto relevante para Parré, Borges (2022), é a defesa de um papel ativo 
do estado no planejamento e orientação do desenvolvimento econômico, algo que pode 
ser aplicado ao agronegócio por meio da implementação de políticas que promovam a 
modernização, diversificação e sustentabilidade da agricultura. Isso inclui investimentos 
em infraestrutura rural, apoio à pesquisa e inovação tecnológica, assim como medidas de 
proteção ambiental e social. 
Em muitas economias, o agronegócio é um dos principais motores do 
crescimento econômico, contribuindo significativamente para o Produto Interno Bruto 
(PIB). O Brasil, a exemplo, é um dos principais produtores agrícolas do mundo e seu 
agronegócio desempenha um papel crucial na sustentação da economia nacional, gerando 
empregos e renda. 
Além de impulsionar a economia nacional, o agronegócio também desempenha 
um papel importante no desenvolvimento regional. Muitas vezes, as áreas rurais 
dependem fortemente da agricultura e da pecuária para sua subsistência, e um setor 
agrícola próspero pode levar ao desenvolvimento de infraestrutura, educação e serviços 
básicos nessas regiões. 
O agronegócio não se limita apenas à produção de alimentos. Ele engloba 
também a produção de biocombustíveis, fibras naturais, produtos florestais e muitos 
outros itens que são essenciais para a economia global. Essa diversidade de produtos e 
17 
 
 
atividades contribui para a estabilidade e resiliência do setor em face de choques 
econômicos e climáticos. Além disso, o agronegócio desempenha um papel crucial na 
segurança alimentar global. Com o aumento da população mundial, a demanda por 
alimentos está em constante crescimento, e o setor agrícola é responsável por garantir que 
essa demanda seja atendida de maneira sustentável e eficiente. 
Nas últimas décadas, o Brasil registrou um notável crescimento econômico, com 
boa parte desse avanço atribuída às atividades do setor agrícola. Uma análise da trajetória 
do país em relação aos fatores de produção agrícola, produtividade e desenvolvimento 
econômico revela o destaque do Brasil no consumo de fertilizantes, nos investimentos de 
capital por hectare e no rendimento produtivo agrícola por hectare. Embora o aumento da 
área cultivada no país não seja expressivo, observa-se um significativo crescimento na 
área agricultável ao longo dos últimos anos. 
No entanto, o agronegócio também enfrenta uma série de desafios, incluindo 
questões ambientais, como o desmatamento e a poluição, preocupações com a segurança 
alimentar e a saúde pública, e a necessidade de adoção de práticas agrícolas sustentáveis 
para garantir a viabilidade a longo prazodo setor. 
O agronegócio desempenha um papel fundamental no desenvolvimento 
econômico global, fornecendo alimentos, empregos e matéria-prima para outras 
indústrias. No entanto, para garantir sua sustentabilidade a longo prazo, é essencial 
enfrentar os desafios que o setor enfrenta e adotar práticas agrícolas e comerciais 
sustentáveis. 
1.3 TEORIA DO RISCO 
Para De Paulo (2007), a teoria do risco na economia é uma área fundamental que 
examina como indivíduos, empresas e governos lidam com a incerteza nos mercados 
financeiros e nas tomadas de decisão. Em um mundo em que a certeza é rara, a 
compreensão e gestão do risco são cruciais para o sucesso econômico. Essa teoria se 
baseia na ideia de que os agentes econômicos enfrentam uma série de possíveis 
resultados, cada um com sua própria probabilidade de ocorrência e consequências 
associadas. 
Grande parte das decisões tomadas pelas pessoas envolvem um nível de 
incerteza sobre suas possíveis consequências. Especificamente, ao investir em 
ativos financeiros e em projetos de investimento, há uma variedade de fluxos 
financeiros incertos. Embora a ideia de risco como uma medida de incerteza 
em relação a eventos futuros não seja nova, foi somente com o 
desenvolvimento do cálculo de probabilidades e da estatística que o risco 
18 
 
 
passou a ser tratado de maneira quantitativa, em contraste com abordagens 
predominantemente qualitativas que o caracterizavam anteriormente 
(GALDÃO; FAMÁ, 1998). 
 
Para Securato (1993), o termo incerteza é reservado para situações em que há 
múltiplos resultados possíveis, mas as chances de ocorrência são desconhecidas. Já o 
termo risco é aplicado a situações em que todos os resultados possíveis podem ser 
identificados e suas probabilidades de ocorrência são conhecidas. Embora o conceito de 
risco seja relativamente intuitivo, sua definição não é simples. 
 
[...] explorar o risco como a probabilidade de não alcançar um objetivo 
estabelecido previamente. Considerando um conjunto de eventos que podem 
ocorrer ao buscar certos objetivos, os eventos que levam ao sucesso na 
realização desses objetivos são considerados como sucessos, enquanto aqueles 
que não o fazem são considerados fracassos. O risco, então, é a soma das 
probabilidades dos eventos classificados como "fracasso". (SECURATO, 
1993, p. 28). 
 
Um dos principais conceitos na teoria do risco na visão de Pindyck; Rubinfelf 
(1994) é a aversão ao risco, que descreve a preferência dos indivíduos por escolhas que 
minimizem a possibilidade de perda. Isso é especialmente relevante nos mercados 
financeiros, onde os investidores buscam maximizar retornos enquanto minimizam a 
exposição a perdas potenciais. Além disso, a teoria do risco examina como as pessoas 
avaliam e quantificam o risco, levando em consideração fatores como a utilidade esperada 
e a probabilidade de diferentes resultados. 
No contexto empresarial, a teoria do risco desempenha um papel crucial na 
gestão estratégica e financeira. Empresas precisam avaliar e mitigar uma variedade de 
riscos, incluindo riscos de mercado, operacionais, financeiros e estratégicos. Isso pode 
envolver o uso de instrumentos financeiros derivativos, como contratos de futuros e 
opções, para proteger contra flutuações nos preços das commodities ou taxas de câmbio. 
Além disso, a diversificação de produtos e mercados pode ajudar as empresas a reduzir 
sua exposição a riscos específicos. 
No nível macroeconômico, os governos enfrentam desafios relacionados ao 
risco, especialmente em áreas como política monetária, fiscal e regulatória. Neste caso, 
os bancos centrais procuram equilibrar os riscos de inflação e desemprego ao definir taxas 
de juros, enquanto os legisladores enfrentam o desafio de promover o crescimento 
econômico sem aumentar excessivamente a dívida pública. 
19 
 
 
A teoria do risco permite entender que as decisões econômicas são tomadas em 
um ambiente de incerteza, onde os resultados futuros são desconhecidos e podem variar 
de acordo com uma série de fatores imprevisíveis. Isso cria um dilema para os agentes 
econômicos, que precisam avaliar e enfrentar os riscos associados a suas escolhas. 
Um dos principais conceitos na teoria do risco é a diferenciação entre risco e 
incerteza. Enquanto o risco refere-se a situações em que as probabilidades de resultados 
possíveis são conhecidas, a incerteza surge quando não há informações suficientes para 
atribuir probabilidades precisas aos diferentes resultados. Lidar com a incerteza é 
especialmente desafiador, pois os agentes econômicos precisam fazer escolhas com base 
em estimativas ou intuições, em vez de informações concretas. 
Na prática Baraldi (2018) fala que a teoria do risco se aplica a uma ampla gama 
de contextos econômicos. Por exemplo, os investidores enfrentam riscos relacionados à 
volatilidade dos preços dos ativos, às condições econômicas globais e às mudanças 
regulatórias. Para gerenciar esses riscos, eles podem diversificar suas carteiras, investir 
em ativos considerados menos arriscados ou utilizar instrumentos financeiros derivativos, 
como contratos de opções e futuros. 
No contexto empresarial, a teoria do risco influencia as decisões relacionadas a 
investimentos, produção, marketing e gestão de pessoal. As empresas precisam avaliar e 
mitigar uma série de riscos operacionais, financeiros e estratégicos para garantir sua 
sobrevivência e sucesso a longo prazo. Isso pode envolver a implementação de políticas 
de gestão de risco, o desenvolvimento de planos de contingência e a adoção de estratégias 
de diversificação. 
Além disso, a teoria do risco também é relevante para a formulação de políticas 
econômicas pelos governos. Os formuladores de políticas precisam considerar uma 
variedade de riscos e incertezas ao tomar decisões sobre questões como política 
monetária, fiscal, comercial e regulatória. Isso pode envolver a análise de dados 
econômicos, modelos de previsão e consultas a especialistas para entender e mitigar os 
riscos associados a diferentes cursos de ação. 
Portanto, a teoria do risco na economia é uma ferramenta poderosa para entender 
e gerenciar a incerteza nos mercados financeiros e nas tomadas de decisão econômica. 
Ao reconhecer e enfrentar os riscos de forma proativa, os agentes econômicos podem 
tomar decisões mais informadas e maximizar suas chances de sucesso em um ambiente 
econômico dinâmico e imprevisível. 
20 
 
 
Em resumo, a teoria do risco na economia é uma ferramenta essencial para 
entender e gerenciar a incerteza nos mercados financeiros e nas decisões econômicas. Ao 
reconhecer e mitigar os riscos, os agentes econômicos podem tomar decisões mais 
informadas e reduzir a probabilidade de resultados adversos. 
21 
 
 
2 OPERAÇÃO BARTER E GESTÃO DE RISCO 
 
Neste capítulo, será feita a análise da operação Barter no contexto do 
agronegócio e sua relação intrínseca com a gestão de riscos. Busca também viabilizar o 
entendimento sobre os benefícios da operação Barter para o agronegócio, e investigar os 
desafios e oportunidades para a sua implementação frente à necessidade dos agentes do 
agronegócio. 
 
2.1 O CONTEXTO BARTER NO AGRONEGÓCIO 
 
A estrutura das organizações empresariais passou por uma significativa evolução 
ao longo do tempo, especialmente no que diz respeito à alocação de custos e riscos. Da 
mesma forma que as formas legais das empresas têm evoluído, desde empresas 
individuais até grupos corporativos e, mais recentemente, até mesmo alianças entre 
empresas - as joint ventures - a organização das transações entre os agentes econômicos 
visa principalmente a redução de riscos e a busca por maior segurança. 
 
[...] a prática de organização empresarial alcançou um estágio tão avançado 
que um grau de incerteza conhecido e previsível é praticamente considerado a 
ausência de incerteza, já que os riscos são distribuídos entre grupos 
suficientementegrandes para reduzir a incerteza a níveis insignificantes. Nesse 
contexto, a incerteza é mitigada porque é previamente conhecida e porque os 
diversos atores envolvidos têm a capacidade de lidar com ela [...] (KNIGHT, 
2014, p 32). 
 
O setor do agronegócio desempenha um papel fundamental na economia 
brasileira, sendo reconhecido como seu principal motor de crescimento. Sua contribuição 
para a geração de renda e emprego, juntamente com sua capacidade de modernização e 
agregação de valor, reiteram sua importância para a estabilidade econômica do país. 
Dentro desse contexto dinâmico Henschel; Queiroz; Gimenes (2023), fala que o 
crédito rural emerge como um elemento-chave para o fomento do setor, sendo vital para 
o financiamento das operações de custeio e investimento necessárias para manter a 
competitividade das commodities brasileiras nos mercados globais. No entanto, a escassez 
e a dificuldade de acesso ao crédito rural oficial representam desafios significativos para 
os produtores rurais e empresas do agronegócio. Diante dessas limitações, muitos buscam 
alternativas de financiamento no mercado, buscando diversificar suas fontes de capital 
para sustentar as atividades. 
22 
 
 
A partir do desenvolvimento da realização da permuta, surgiu uma nova forma 
de estruturação de negócios conhecida como Barter, utilizando esse tipo de contrato como 
instrumento. Embora "Barter", em inglês, seja a tradução literal de permuta, no Brasil, 
esse termo passou a designar uma operação específica no agronegócio, que envolve a 
troca de produtos, mas não se limita a isso. Portanto, o termo é utilizado de maneira 
distinta da permuta tradicional. 
O Barter começou a ser utilizado no Brasil no início dos anos 1990, com o 
interesse das empresas comerciais de grãos na aquisição de soja produzida no cerrado. 
Em termos de negociação, essa operação envolve uma estratégia comercial que visa trocar 
insumos pela produção, permitindo o travamento de preços, um mecanismo importante 
para os agricultores devido à segurança nas negociações. Além da troca e do travamento 
de preços, o Barter também possibilita o financiamento da produção rural. 
 
Nessas transações, é possível que o agente interessado nos produtos rurais - 
conhecido como offtaker - liquide financeiramente a operação. Para garantir a 
segurança do negócio, o offtaker muitas vezes realiza o hedging do preço das 
commodities em bolsas de mercadorias nacionais e internacionais, podendo 
contar com o apoio de instituições financeiras para antecipar o pagamento aos 
compradores (REIS, 2026, p. 269) 
 
O Barter pode assumir uma variedade de modalidades e configurações, 
adaptando-se às especificidades do mercado regional e às relações entre os agentes 
envolvidos no processo. Essa forma de negociação pode ser implementada de maneira 
simples, envolvendo apenas três partes: o produtor rural, a revenda e a empresa 
comercializadora/agroindustrial ou cerealista, a Figura 1, abranger toda a cadeia 
produtiva, sendo formalizada por meio de diversos instrumentos financeiros específicos 
do setor agrícola. 
 
Figura 1: Esquematização do processo da Operação Barter 
 
Fonte: TERRA MAGNA, 2021. 
 
23 
 
 
A Figura 1 apresentada ilustra um esquema de "Operação de Barter simples," 
explicando a troca triangular para o financiamento da produção rural, envolvendo três 
partes principais: o fornecedor de insumos, o produtor rural e a trading. Primeiramente, 
o fornecedor de insumos cede crédito ao produtor rural. Esta etapa é crucial, pois permite 
ao produtor rural acesso imediato aos insumos necessários para iniciar a produção, sem 
necessidade de desembolso inicial de capital. O crédito cedido pelo fornecedor garante 
que o produtor possa preparar a terra e plantar as culturas sem preocupações financeiras 
imediatas. 
Em seguida, o produtor rural firma um contrato de Cédula de Produto Rural 
(CPR) ou de Cessão de Valor (CV) com a trading. Este contrato formaliza o compromisso 
do produtor de entregar uma quantidade especificada de grãos após a colheita. Com o 
contrato firmado, o produtor pode então solicitar os insumos ao fornecedor. Após a 
colheita, o produtor rural cumpre sua parte do acordo entregando os grãos à trading, que 
atua como intermediária no processo. 
Por fim, a trading paga a operação em dinheiro ao fornecedor de insumos. Essa 
etapa finaliza a transação triangular, garantindo que o fornecedor de insumos receba o 
pagamento de forma segura e previsível. A trading também facilita a comercialização dos 
produtos agrícolas, proporcionando uma alternativa financeira viável e ajudando a mitigar 
os riscos de mercado para o produtor rural. 
Essa estrutura de operação Barter oferece vários benefícios, incluindo a redução 
da necessidade de capital inicial para os produtores, a segurança financeira para os 
fornecedores de insumos e a garantia de comercialização para os produtos agrícolas, 
promovendo assim uma cadeia produtiva mais eficiente e menos arriscada. 
Araújo (2022) descreve os seguintes instrumentos como garantia, a citar: 
• Cédula de Produto Rural (CPR): Criada pela Lei Nº 8.929 de 1994, a CPR 
é um título representativo de promessa de entrega futura de produto agropecuário e pode 
ser emitida pelo produtor rural ou suas associações, inclusive cooperativas. Este é o 
principal instrumento para financiamento da cadeia produtiva do agronegócio, pois 
permite ao seu emissor obter recursos para o desenvolvimento de suas produções rurais 
ou empreendimento. Trata-se de um título cambial negociável em mercado de balcão 
organizado e pode ser emitido em duas modalidades: CPR Física: Sua liquidação acontece 
através da entrega do produto pelo emitente na quantidade e qualidade descritas na cédula. 
CPR Financeira: A modalidade da CPR Financeira foi criada pela Lei Nº 10.200 de 2001 
24 
 
 
e, diferentemente da CPR física, seu pagamento se dá através da liquidação financeira, 
no vencimento, do valor descriminado na cédula (BRASIL, 1994; ARAÚJO, 2022); 
• a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA): É um investimento de renda 
fixa emitido pela CAIXA e que tem como lastro empréstimos e financiamentos realizados 
pela CAIXA relacionados com a produção, comercialização, beneficiamento ou 
industrialização de produtos ou insumos agropecuários ou de máquinas e implementos 
utilizados na atividade agropecuária (ARAÚJO, 2022); 
• o Certificado de Depósito Agropecuário (CDA) e o Warrant Agropecuário 
(WA): O CDA e o WA estão previstos e regulados do art. 1º ao 22 da Lei 11.076/04. São 
títulos executivos extrajudiciais que reproduzem um sistema que já existia no meio 
industrial, levando-o para o agronegócio. O Warrant Agropecuário (WA) é uma promessa 
de pagamento em dinheiro que confere direito de penhor sobre o CDA correspondente. É 
a parte monetária do que representa um produto agrícola. O Certificado de Depósito 
Agropecuário (CDA) é uma promessa de entrega futura de produtos agropecuários, 
derivados, subprodutos e resíduos de valor econômico depositados (BRASIL, 2004; 
ARAÚJO, 2022); 
• e o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CDCA): São títulos de 
renda fixa lastreados em recebíveis originados de negócios entre produtores rurais, ou 
suas cooperativas, e terceiros, abrangendo financiamentos ou empréstimos relacionados 
à produção, à comercialização, ao beneficiamento ou à industrialização de produtos, 
insumos agropecuários ou máquinas e implementos utilizados na produção agropecuária. 
Nessas operações, as empresas cedem seus recebíveis para uma securitizadora, que 
emitirá os CRAs e os disponibilizará para negociação no mercado de capitais, geralmente 
com o auxílio de uma instituição financeira (ARAÚJO, 2022). 
O agronegócio em questão, dado a sua natureza repleta de riscos em todas as 
fases de produção e comercialização, requer a adoção de processos decisórios complexos. 
Nesse cenário, a determinação dos custosda produção agrícola desempenha um papel 
crucial, permitindo ao produtor planejar de forma mais precisa os riscos e incertezas 
associados a essa atividade. Isso possibilita uma análise mais aprofundada dos elementos 
envolvidos e facilita a tomada de decisões mais eficazes na gestão de sua produção. 
Assim, a Operação Barter não se resume apenas a um meio de obtenção de 
recursos para o financiamento do produtor, mas também representa uma alternativa para 
a gestão de custos e riscos em sua atividade agrícola. Portanto, o estudo desse mecanismo 
25 
 
 
assume uma importância significativa, fornecendo insights valiosos para aproveitar ao 
máximo suas características e funcionalidades. 
 
2.2 BENEFÍCIO DA OPERAÇÃO BARTER PARA O AGRONEGÓCIO 
 
A Operação Barter consiste na troca de insumos por produção, oferecendo uma 
medida de segurança adicional para o fornecedor de insumos. Essa prática permite que o 
fornecedor receba o valor antecipadamente, antes do prazo acordado para pagamento. 
Além disso, Albernaz e Ávila (2017) ressaltam que as commodities mais comuns 
utilizadas como moeda de troca pós-colheita incluem produtos tradicionais como soja, 
milho, sorgo e café. 
De acordo com Albernaz e Ávila (2017), os benefícios descritos até agora foram: 
• Estabilidade: Os preços dos insumos agrícolas podem sofrer alterações ao 
longo de toda a safra, porém, esta operação estabelece um preço fixo entre as partes, 
proporcionando estabilidade e segurança para ambas; 
• Fluxo de Caixa: O produtor agropecuário não precisa se preocupar com a 
necessidade de financiar um capital de giro, pois dado o início na operação, o 
financiamento é assegurado desde a compra dos insumos agrícolas até a entrega dos 
grãos; 
• Proteção Cambial: Nessa operação, o financiamento é realizado na 
mesma moeda em que a produção agrícola é recebida, garantindo que mesmo diante das 
oscilações cambiais e de preço da commodity durante o plantio e a safra, o produtor 
receberá o lucro acordado; 
• Taxa de Juros: No Barter, a taxa de juros é prefixada desde o início das 
negociações das trocas, o que significa que caso essas taxas de juros aumentem, o 
produtor pagará a taxa previamente estabelecida lá no início. 
 
O Barter se estabeleceu como uma alternativa real para o financiamento 
agrícola, caracterizado por ser menos burocrático e mais rápido. Nesse modelo, 
o produtor recebe os insumos e, em troca, entrega a commodity, em contraste 
com os bancos, onde, após obter o financiamento, o produtor precisa buscar os 
insumos em diferentes fornecedores. No entanto, essa abordagem pode resultar 
em melhores negociações, uma vez que o pagamento é feito à vista. 
(ALBERNAZ e ÁVILA, 2017, p.19) 
 
 
 
26 
 
 
Figura 2: Exemplo prático da Operação Barter 
 
 Fonte: Dados disponibilizados, Corteva Agriscience (2019) 
 
A Figura 2 acima compara a situação financeira de um produtor rural que utiliza 
a Operação Barter com um que não a utiliza, destacando os conceitos de risco e segurança. 
Primeiramente, para o produtor sem troca, a análise é dividida em dois cenários: o preço 
da saca de produto hoje a R$ 35,00 e amanhã a R$ 20,00. No cenário de hoje, com o preço 
da saca a R$ 35,00, o custo de produção é de 50 sacas, totalizando R$ 1.750,00, e a receita 
bruta é de 105 sacas, totalizando R$ 3.675,00, resultando em um lucro de R$ 1.925,00. 
No entanto, no cenário de amanhã, se o preço da saca cair para R$ 20,00, o custo aumenta 
para 87,5 sacas, ainda totalizando R$ 1.750,00, enquanto a receita bruta permanece 105 
sacas, mas com valor reduzido para R$ 2.100,00, resultando em um lucro reduzido e, em 
alguns casos, até prejuízo. 
Em contraste, para o produtor com troca (Operação Barter), a estabilidade 
financeira é mais evidente. No cenário de hoje, o custo de produção também é de 50 sacas, 
totalizando R$ 1.750,00, e a receita bruta permanece 105 sacas, totalizando R$ 3.675,00, 
resultando em um lucro de R$ 1.925,00. No cenário de amanhã, mesmo que o preço da 
saca caia para R$ 20,00, o custo de produção continua a ser 50 sacas, totalizando R$ 
1.750,00, e a receita bruta continua 105 sacas, totalizando R$ 2.100,00, o que ainda resulta 
em um lucro de 55 sacas, equivalendo a R$ 1.100,00. 
Portanto, a Operação Barter proporciona mais previsibilidade e estabilidade 
financeira ao produtor rural. Esta prática protege o produtor contra as oscilações de preço 
do mercado agrícola, mantendo uma margem de lucro estável e mitigando os riscos 
financeiros associados às flutuações de mercado. Enquanto os produtores sem troca 
27 
 
 
enfrentam alta volatilidade e risco de mercado, os produtores que utilizam a Operação 
Barter desfrutam de maior segurança e estabilidade em suas operações financeiras. 
As empresas que fornecem insumos agrícolas, por meio de seus setores 
financeiros, avaliam a situação do produtor antes de liberar o crédito. Após a análise dos 
documentos, a empresa um técnico para inspecionar a propriedade, especialmente a 
qualidade do solo. Entre os aspectos avaliados está a textura do solo, que influencia na 
capacidade de retenção de água. Além disso, é necessário que a área plantada não seja 
utilizada pela primeira vez para o cultivo em questão. Se os requisitos não forem 
atendidos, a área é considerada de alto risco. 
Além dos benefícios do Barter para o agronegócio, torna-se evidente que essa 
prática desempenha um papel crucial na fortificação e sustentabilidade desse setor. Isto 
é, ao oferecer uma alternativa sólida de financiamento para os produtores rurais, o Barter 
não apenas auxilia na superação dos desafios relacionados à disponibilidade de crédito, 
mas também contribui para a estabilidade financeira e operacional das fazendas. 
Além disso, ao estabelecer relações de troca entre produtores e fornecedores de 
insumos agrícolas, o Barter fomenta uma dinâmica econômica benéfica para ambas as 
partes, impulsionando o crescimento do agronegócio e fortalecendo as cadeias produtivas. 
Em última análise, os benefícios do Barter vão além dos aspectos financeiros e 
operacionais, estendendo-se também aos aspectos sociais e ambientais do agronegócio. 
Ao proporcionar maior segurança e liquidez aos produtores rurais, essa prática 
contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades agrícolas e para a 
preservação dos recursos naturais. Diante desses benefícios, fica claro que o Barter é uma 
ferramenta valiosa que desempenha um papel significativo na promoção da resiliência e 
do crescimento do agronegócio, sendo essencial para o sucesso e a prosperidade do setor 
no cenário econômico atual. 
 
2.3 DESAFIOS DE IMPLEMENTAÇÃO DA OPERAÇÃO BARTER 
 
Para Ávila (2017), um dos principais impulsionadores do desenvolvimento do 
setor agrícola, da comercialização e da industrialização das produções, o crédito rural 
desempenha um papel fundamental no crescimento do país, fornecendo um valioso 
suporte aos produtores rurais para aumentar tanto a quantidade quanto a qualidade de suas 
colheitas. 
28 
 
 
Isso se reflete na adoção de novas tecnologias agrícolas, que são aplicadas em 
várias etapas do processo: desde a aquisição de insumos agrícolas, como fertilizantes, 
defensivos, sementes e maquinário, antes mesmo do plantio, até os cuidados constantes 
durante a fase de cultivo para combater pragas e garantir uma produção saudável. Essa 
assistência se estende também para além das fronteiras da propriedade rural, abrangendo 
operações logísticas para o transporte e armazenamento dos produtos, facilitando sua 
distribuição para os mercados. 
 
A incerteza é uma das características mais marcantes do setor rural, levando a 
oscilações no fluxo de caixa, uma vez que os produtores rurais estão sujeitos a 
uma série de variáveis imprevisíveis. Isso inclui fatores climáticos, condições 
sanitárias, sazonalidades das safras e volatilidades nos mercados interno e 
externo. Além disso, as incertezasrelacionadas a mudanças nas políticas 
agrícolas também desempenham um papel significativo nesse cenário. 
(ARAÚJO; LEYI LI, 2019, p. 242) 
 
Acompanhando o avanço do setor rural e as mudanças nas formas de negociação, 
juntamente com a diversificação das moedas utilizadas, o agronegócio tem se 
modernizado continuamente na aquisição de equipamentos, maquinários e insumos. Essa 
evolução deu origem a novos métodos de pagamento, como o sistema de Barter. 
Araujo (2022) fala que o Barter representa uma forma acessível de crédito para 
produtores de todos os portes, permitindo-lhes adquirir insumos agrícolas e pagar parte 
desse montante com sua própria produção, originando assim o conceito de "troca-troca". 
As revendas de insumos agrícolas fornecem os materiais essenciais para o plantio, 
incluindo fertilizantes, sementes, defensivos e equipamentos. Em contrapartida, o 
produtor liquida essa dívida após a colheita, utilizando parte de sua produção, como grãos 
de soja, milho, café, entre outros. 
 
Diante dos desafios enfrentados pelos produtores rurais para garantir 
financiamento agrícola, as instituições financeiras do setor privado passaram a 
explorar alternativas de crédito mais seguras. Na década de 1990, a escassez 
de oferta de crédito impulsionou a busca por novas formas de financiamento. 
Como resposta, surgiu a Cédula de Produto Rural (CPR), uma modalidade de 
negociação que utiliza commodities agrícolas como garantia de pagamento. 
Com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito rural, a operação de Barter foi 
desenvolvida após o governo enfrentar desafios na expansão do crédito no 
setor (ALBERNAZ, 2017, p. 38). 
 
Para Reis (2021), apesar de ser uma modalidade de troca, o Barter incorpora 
mecanismos de segurança durante as negociações. O offtaker, responsável pelos produtos, 
determina os preços das commodities por meio de hedge em bolsas nacionais e 
29 
 
 
internacionais, em colaboração com instituições financeiras que viabilizam a antecipação 
do valor acordado aos compradores. 
Longo tempo de negociação, que pode resultar em prejuízos para distribuidores 
ou fabricantes de insumos. Além disso, a quantidade de documentação 
envolvida, como certidões, documentos e assinaturas, torna o processo 
operacional demorado. (Costa e Girotto, 2021, p. 142) 
 
Implementar a operação Barter no contexto do agronegócio apresenta uma série 
de desafios significativos que precisam ser enfrentados pelos envolvidos. Embora ofereça 
vantagens, como a segurança na negociação e a antecipação de valores, a operação 
também traz consigo obstáculos que requerem atenção e estratégias específicas para 
serem superados. 
Diante desses desafios, é fundamental que os participantes da operação Barter 
adotem estratégias de mitigação de riscos e implementem medidas para agilizar o 
processo de negociação. Isso pode incluir a realização de análises de risco detalhadas, a 
adoção de tecnologias que simplifiquem e automatizem os procedimentos burocráticos, e 
a diversificação das fontes de financiamento para reduzir a dependência de taxas de juros 
elevadas. 
Portanto, embora a operação Barter ofereça benefícios significativos para o 
agronegócio, sua implementação enfrenta uma série de desafios que exigem atenção e 
estratégias específicas para serem superados. A superação desses obstáculos é essencial 
para garantir o sucesso e a sustentabilidade dessa modalidade de negociação no setor 
agrícola. 
 
 
 
 
 
30 
 
 
3 IMPACTOS DA OPERAÇÃO BARTER NO AGRONEGÓCIO E SUA 
INFLUÊNCIA NA GESTÃO DE RISCO 
 
Neste capítulo seguinte analisa os impactos da operação Barter no agronegócio 
e sua influência na gestão de risco. Na primeira seção, "Impactos da Operação Barter no 
Agronegócio", serão explorados os efeitos dessa prática específica no contexto do 
agronegócio, destacando suas implicações e benefícios para os diferentes agentes 
envolvidos. Em seguida, "Fatores de risco na Operacionalização do Barter", serão 
discutidos os principais desafios e obstáculos enfrentados ao implementar o Barter no 
agronegócio, identificando as fontes de risco e as potenciais consequências. Por fim, "A 
influência do Barter na Gestão de Risco", será examinado como a prática do Barter afeta 
a gestão de risco nas operações agrícolas, incluindo estratégias para mitigar os riscos 
associados a essa modalidade de troca. 
 
3.1 IMPACTOS DA OPERAÇÃO BARTER NO AGRONEGÓCIO 
 
A operação Barter tem se mostrado uma ferramenta valiosa no contexto do 
agronegócio, oferecendo aos produtores uma alternativa flexível para a aquisição de 
insumos essenciais. Ao trocar produtos agrícolas por insumos como sementes, 
fertilizantes e defensivos agrícolas, os agricultores podem contornar a necessidade 
imediata de capital, o que é especialmente relevante em um setor marcado pela 
sazonalidade e pela volatilidade de preços. 
Silva (2012) fala que, essa modalidade de negociação também pode contribuir 
para a redução dos custos de produção, uma vez que os produtores muitas vezes 
conseguem obter condições mais favoráveis na aquisição de insumos por meio do Barter. 
Essa vantagem pode ser especialmente importante em momentos de instabilidade 
econômica ou de flutuações nos preços das commodities agrícolas. 
Além disso, a operação Barter pode ser uma estratégia eficaz para gerenciar o 
risco associado às oscilações de preços no mercado agrícola. Ao garantir o acesso 
antecipado aos insumos necessários para a próxima safra, os produtores podem reduzir 
sua exposição a variações nos preços desses insumos ao longo do tempo, ajudando a 
estabilizar os custos de produção e a planejar de forma mais eficaz suas atividades 
agrícolas. 
31 
 
 
No entanto, é importante reconhecer que a operação Barter também apresenta 
desafios e limitações. Por exemplo, os produtores podem enfrentar dificuldades para 
encontrar fornecedores dispostos a participar desse tipo de negociação, especialmente em 
regiões onde essa prática não é comum. Além disso, a dependência excessiva de 
determinados fornecedores de insumos pode limitar a capacidade dos produtores de 
buscar as melhores condições de mercado. 
A participação do produtor rural no mercado está em constante crescimento, 
tornando-o mais exposto aos riscos. Sua renda e permanência no mercado dependem da 
gestão eficaz desses riscos. Assim, a gestão de riscos e impactos no agronegócio 
concentra-se cada vez mais em dois tipos principais de risco: o risco de preço, relacionado 
ao mercado e à comercialização dos produtos, e os riscos inerentes à produção agrícola e 
pecuária. 
Araújo (2022) fala que embora as operações de "Barter" ofereçam vantagens, 
elas também podem acarretar diversos riscos para as revendas agrícolas, como risco de 
preço, risco de crédito, risco operacional e risco legal. Esses riscos podem levar as 
revendas a desistir dessas operações, seja pela falta de familiaridade com métodos de 
proteção contra riscos, seja pela preferência por métodos de comercialização mais 
tradicionais para evitar riscos. 
O Brasil, como importante exportador de commodities agrícolas, pode se 
beneficiar do comércio nesse setor, mas também está sujeito à volatilidade dos preços 
internacionais devido a mudanças nos estoques globais e na demanda. Isso faz com que 
os produtores nacionais enfrentem riscos significativos tanto na produção quanto nos 
preços, gerando incerteza. 
Desta forma, a gestão de risco, conforme, desempenha um papel importante na 
estratégia de qualquer organização, sendo o processo pelo qual as organizações analisam 
sistematicamente os riscos associados às suas atividades para obter vantagem sustentada 
em cada atividade individual e em todas as atividades em conjunto. 
A operação Barter oferece uma série de benefícios estratégicos que podem 
revolucionar a economia do agronegócio. Primeiramente, ao trocar produtos por insumos, 
os produtores conseguem reduzir suaexposição a oscilações de preços no mercado, o que 
proporciona maior previsibilidade financeira. Além disso, essa troca direta de produtos 
permite uma otimização dos recursos disponíveis, eliminando a necessidade de recursos 
financeiros imediatos. 
32 
 
 
Henschel (2023) ainda mostra outro ponto importante é o fortalecimento das 
parcerias entre produtores e fornecedores de insumos, criando uma rede colaborativa no 
setor agropecuário. Exemplos reais de sucesso evidenciam o impacto positivo da 
operação Barter no agronegócio, como o aumento da eficiência na produção e o 
fortalecimento da resiliência financeira dos produtores em períodos de instabilidade 
econômica. 
No entanto, é importante considerar os desafios e questões éticas associados a 
essa prática, como os desafios logísticos na troca direta de produtos e a importância da 
transparência e conformidade com regulamentações para evitar problemas legais e éticos. 
A tecnologia tem desempenhado um papel fundamental na evolução da operação Barter, 
com o surgimento de plataformas online que facilitam o processo de troca e a integração 
de contratos inteligentes baseados em blockchain, proporcionando maior segurança e 
transparência às transações. 
Portanto, os impactos da operação Barter no agronegócio são variados e 
multifacetados, e sua eficácia depende de uma série de fatores, incluindo as condições 
específicas do mercado, as preferências dos produtores e a disponibilidade de parceiros 
comerciais dispostos a participar desse tipo de transação. 
 
3.2 FATORES DE RISCO NA OPERACIONALIZAÇÃO NO BARTER 
 
A gestão de risco é um conceito que se dedica à análise e discussão das incertezas 
inerentes aos negócios. Para tanto, requer um planejamento, organização e gerenciamento 
eficazes dos recursos disponíveis, sejam eles financeiros, materiais, operacionais ou 
humanos. Dessa forma, busca-se minimizar os impactos dos riscos existentes na empresa 
e otimizar o aproveitamento das oportunidades. Quando se fala em Barter, a gestão de 
risco na operação é uma prática fundamental para garantir a viabilidade e a 
sustentabilidade dessa modalidade de financiamento no agronegócio. O Barter, que 
consiste na troca de insumos por produtos agrícolas, envolve várias etapas que necessitam 
de uma cuidadosa avaliação de riscos para minimizar possíveis prejuízos para todas as 
partes envolvidas. 
As incertezas exercem influência significativa no processo de tomada de 
decisão e estão intimamente ligadas à possibilidade de ocorrência de 
consequências indesejadas para a organização. Nesse contexto, o risco pode 
ser compreendido como o grau de incerteza em relação à probabilidade de 
ocorrência de perdas, sejam elas de natureza financeira ou não. (SILVA, 2012) 
 
33 
 
 
Os fatores de risco e a gestão estão recebendo crescente atenção em diversos 
setores da economia, destacando-se sua importância fundamental no agronegócio. A 
gestão de risco na operação de "Barter" é de extrema importância para mitigar impactos 
negativos e proteger os produtores contra flutuações cambiais, taxas de juros e variações 
nos preços de commodities e insumos. O primeiro passo para uma gestão de risco eficaz 
é identificar todas as ameaças e oportunidades, seguido de um planejamento minucioso 
de cada um dos processos e atividades. 
 
Figura 3: Organograma setorial das operações de Barter 
 
Fonte: Cônsôli; Marino. L; Marino, M., (2011; pág. 276). 
 
Henschel (2023), as transações de Trocas são abrangentes em vários 
departamentos da estrutura de um canal de distribuição, como evidenciado na Figura 3. 
Para efetuar essas transações de forma eficaz, é essencial que áreas como comercial, 
marketing, trading, crédito, jurídico e contabilidade estejam devidamente organizadas. 
Nos canais de grande porte, equipes de profissionais especializados são 
responsáveis por cada etapa do processo. No entanto, nos canais de pequeno e médio 
porte, que compõem a maioria do setor de distribuição agrícola, as transações de Trocas 
geralmente envolvem um número reduzido de profissionais, uma vez que suas estruturas 
não comportam especialidades interdepartamentais. 
Um desafio recorrente em muitos canais no Brasil é a ausência de processos 
transparentes e bem definidos para as Trocas entre profissionais de diferentes setores. A 
falta de comunicação entre os envolvidos nos processos, juntamente com a centralização 
34 
 
 
da comercialização de commodities agrícolas (hedges) nas mãos dos sócios gestores, 
aumenta a exposição do canal aos riscos. 
É comum encontrar na gestão das Trocas uma série de controles e arquivos 
paralelos de processos utilizando ferramentas do pacote Microsoft Office. Como 
resultado, a falha na comunicação frequentemente ocorre devido à falta de integração 
desses controles com o sistema de gestão ERP1 do canal. Outros desafios gerenciais 
relacionados às trocas incluem a presença de profissionais com baixo ou nenhum 
conhecimento técnico da operação, a falta de critérios e normas operacionais, a ausência 
de comunicação entre os setores comercial e administrativo, bem como a falta de 
controles de exposição aos riscos de mercado e desempenho, entre outros. 
 
3.3 A INFLUÊNCIA DO BARTER NA GESTÃO DE RISCO 
 
É relevante observar que, segundo Marques e Mello (1999), o Barter é mais do 
que apenas uma troca; embora não envolva dinheiro, essa operação inclui precificações 
estruturadas. Produtores em maior escala podem obter melhores ofertas no mercado 
devido ao volume negociado, em relação à participação de cada produtor no mercado. 
Para Spagnoli (2024) a operação de Barter oferece uma série de benefícios aos 
agricultores. Além do hedge, que garante o travamento de preços e margens de lucro, ela 
também proporciona: 
Mitigação dos riscos: Ao negociar antecipadamente, funciona como uma 
garantia de venda da colheita, protegendo o agricultor contra oscilações de 
preços. Proteção cambial: O crédito é tomado na mesma moeda do 
recebimento da produção, garantindo que o agricultor receba seu lucro 
conforme o combinado, independentemente das flutuações cambiais. Custo-
benefício: Todo o financiamento, desde a compra dos insumos até a entrega 
dos grãos, é coberto. Além disso, a operação é formalizada através de escritura 
pública em cartório, com custos definidos previamente (SPAGNOLI, 2024). 
 
Marques e Mello (1999) explicam que as chamadas operações de "troca-troca" 
ou até mesmo o escambo entre produtores, que ocorrem nas negociações entre produtores 
e compradores de commodities, são formas de contratos de compra antecipada do 
produto. Nesses contratos, o produtor se compromete a entregar o produto no momento 
da colheita em troca do recebimento de insumos necessários para o plantio. 
 
1 O planejamento de recursos empresariais (ERP) é um sistema de software que ajuda você a administrar 
toda a empresa, oferecendo suporte à automação e aos processos de finanças, recursos humanos, produção, 
cadeia de suprimentos, serviços, procurement e muito mais. 
35 
 
 
Sendo assim, no mercado brasileiro, a operação de Barter tem ganhado destaque 
devido aos seus benefícios. Existem diversas modalidades, sendo uma das mais 
procuradas o Pacote Tecnológico. Esses pacotes incluem um grupo específico de insumos 
necessários para o cultivo, como sementes, herbicidas, fungicidas, além de serviços e 
locações de máquinas e equipamentos. Cada offtaker2 define os itens que compõem esses 
pacotes tecnológicos oferecidos. 
Desta forma, para os autores citados acima, como em qualquer operação 
comercial, a Operação de Barter apresenta riscos tanto para quem oferece quanto para 
quem toma o crédito: 
A gestão ineficiente (perda de controle): Um dos principais problemas da 
Operação de Barter é a perda de controle sobre os insumos retirados ou 
devolvidos pelo agricultor. Se não houver uma contabilidadeou estrutura 
administrativa bem-organizada, pode haver divergências entre o valor na 
revenda e o controle do produtor. Endosso de CPR: Este problema pode ser 
mais grave, pois as CPRs geralmente são emitidas em um valor maior do que 
o necessário pelo produtor. Se as distribuidoras de insumos entrarem em 
Recuperação Judicial, os produtores podem não receber os insumos e ainda se 
comprometerem a entregar sua produção a terceiros, mesmo sem ter recebido 
os insumos. Altas taxas de juros: As taxas de juros das Operações de Barter 
costumam ser em torno de 3%, o que pode resultar em um valor final da CPR 
significativamente maior do que o valor dos insumos adquiridos. Isso é 
considerado ilegal, pois apenas as instituições que fazem parte do sistema 
financeiro nacional podem cobrar taxas de juros acima de 1%. No entanto, nem 
sempre é fácil para o produtor se proteger contra essa prática (LINHARES; 
CAMPOS; CASTRO JÚNIOR, 2022; HENSCHEL, 2023). 
 
Albernaz (2017) resume o Barter como um gerenciador de riscos, onde a 
operação se torna uma estratégia comercial que envolve a troca de insumos por produção, 
por meio do travamento de preços das commodities negociadas. Esta é uma estratégia 
muito procurada pelos produtores agrícolas devido à segurança durante as negociações e 
à proteção contra oscilações cambiais ou de preço das commodities agrícolas produzidas 
e previamente negociadas entre as partes. 
Araújo (2022) complementa que, no Barter, o preço de venda da mercadoria já 
está fixado no momento da negociação, deixando uma lacuna para o caso do produtor que 
deseja realizar o Barter, mas não encontra o preço satisfatório para seu produto no 
momento do negócio. 
Sendo assim, a Operação de Barter, como uma modalidade de troca de insumos 
por produtos agrícolas, desempenha um papel significativo na gestão de riscos para os 
produtores, principalmente no controle dos preços de negociação da sua produção. Ao 
estabelecer contratos de compra antecipada do produto, onde os produtores se 
 
2 Comprador contratual da produção (de uma empresa). 
36 
 
 
comprometem a entregar a produção no momento da colheita em troca de insumos 
necessários para o plantio, o Barter oferece uma certa previsibilidade nas transações 
comerciais. 
Essa previsibilidade é importante para minimizar os riscos associados às 
oscilações de preços das commodities agrícolas e às flutuações cambiais, proporcionando 
uma maior estabilidade financeira aos agricultores. Além disso, o Barter contribui para a 
redução da incerteza ao permitir que os produtores travem os preços das commodities 
negociadas no momento da negociação. 
Essa fixação de preços oferece uma segurança adicional aos produtores, pois 
garante que eles receberão um valor predefinido pela sua produção, independentemente 
das variações do mercado. Portanto, ao integrar o Barter em suas estratégias comerciais, 
os produtores conseguem gerenciar de forma mais eficaz os riscos associados à 
volatilidade dos preços e às condições cambiais, promovendo uma gestão mais robusta e 
sustentável de suas operações agrícolas. 
 
37 
 
 
CONCLUSÃO 
 
A partir do objetivo geral que foi analisar a operação de Barter, no contexto no 
agronegócio e sua influência na gestão de risco, registrou-se a relevante participação 
relevante do processo para as empresas do agronegócio e produtores, como uma via de 
comercialização da produção e aumento de vendas. 
Além de que, foi possível observar que o principal motivo para o uso do Barter 
é a falta de liquidez no mercado. Isso sugere que os produtores recorrem a esse processo 
de troca como uma alternativa quando não dispõem de recursos financeiros adequados 
para financiar suas produções. 
No contexto da agricultura, a Operação Barter é um tema bastante presente no 
mercado, porém ainda é pouco explorado pela academia, havendo escassez de estudos 
sobre essa temática específica no contexto do agronegócio brasileiro. Isso abre 
oportunidades para a produção de trabalhos inéditos e relevantes que abordem diversos 
aspectos dessa operação. 
O Barter oferece uma oportunidade de acesso ao crédito para produtores de todos 
os portes, permitindo que utilizem insumos agrícolas como forma de pagamento parcial 
por meio de sua própria produção, originando o conceito de "troca-troca". As revendas 
de insumos agrícolas fornecem os materiais essenciais para o plantio, incluindo 
fertilizantes, sementes, defensivos e equipamentos, aos produtores. 
Em troca, após a colheita, os produtores liquidam essa dívida utilizando parte de 
sua produção, como grãos de soja, milho, café, entre outros. A agricultura desempenha 
um papel crucial na economia brasileira, sendo o Brasil um dos principais países 
exportadores de alimentos. 
Assim, comprova-se a hipótese, que o Barter contribui significativamente para a 
estabilidade financeira das empresas do setor agrícola ao oferecer uma forma eficiente de 
gestão de riscos. Ao permitir a troca de insumos por produtos agrícolas, o Barter 
possibilita o controle dos preços de negociação da produção, reduzindo a exposição às 
oscilações de preços das commodities e às flutuações cambiais. 
A previsibilidade nos custos e receitas garante uma maior segurança financeira, 
facilitando o planejamento e a tomada de decisões estratégicas. Além disso, ao travar os 
preços das commodities no momento da negociação, o Barter reduz a incerteza 
econômica, proporcionando uma base mais sólida para o desenvolvimento sustentável 
das empresas agrícolas. 
38 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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safra via Barter. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2017. 
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