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Material (Módulo 2) sobre criminalidade no ciberespaço: história e evolução dos crimes cibernéticos; conceito, classificação, características e principais modalidades. Estruturado em cinco aulas e aborda redes sociais, coleta de dados, IoT e riscos de internet banking.

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Seja bem-vindo ao Módulo 2 - CRIMINALIDADE NO CIBERESPAÇO.
Como vimos, o ciberespaço tornou-se uma área de intercomunicação social. Essa incrível revolução tecnológica eclodiu uma nova realidade relacional entre países e culturas espalhadas pelo mundo, contribuindo decisivamente ao movimento de globalização que se expandiu na década de 1990. Por conta disso, desenvolveu-se uma simbiose entre os mundos real e virtual, condensados hoje de tal forma, que está cada vez mais difícil estabelecer seus próprios limites.
Assim, sabe-se que a preocupação dos países com o avanço das novas modalidades de crimes cibernéticos é histórica e está presente há muitas décadas. Neste módulo, vamos entender a linha histórica dos crimes cibernéticos, além de conceituar, por meio de suas características, os diversos tipos de crimes cometidos no ciberespaço, classificados em diferentes modalidades, juridicamente.
OBJETIVOS DO MÓDULO
Compreender a história e a evolução da criminalidade no ciberespaço e conceituar o que é um crime cibernético. Além disso, entender a classificação dada às diferentes modalidades de crimes cibernéticos, de acordo com suas características.
ESTRUTURA DO MÓDULO
Aula 1 – Uma Abordagem Histórico-evolutiva da Criminalidade no Ciberespaço.
Aula 2 – Conceito de Crime Cibernético.
Aula 3 – Classificação dos Crimes Cibernéticos.
Aula 4 – Características dos Crimes Cibernéticos.
Aula 5 – Principais Modalidades de Crimes Cibernéticos.
Aula 1 – Uma Abordagem Histórico-evolutiva da Criminalidade no Ciberespaço
CONTEXTUALIZANDO...
Na segunda metade do século XX, já era grande a preocupação dos países em conter o avanço de novas modalidades criminosas, historicamente não comuns, entre as quais se destacaram nesse contexto os crimes cometidos contra bens jurídicos imateriais, como a propriedade intelectual, assim como delitos de ofensa à honra e à intimidade das pessoas.
Entretanto, apesar não lesarem bens corpóreos, esses crimes se materializavam somente após conduta praticada no espaço físico. Já em relação à internet, a possibilidade de múltiplas relações propiciou o surgimento de um novo tipo de criminalidade, impulsionado pelas sensações de anonimato e liberdade que a realidade virtualizada proporciona a seus usuários.
Nesta aula, vamos fazer uma análise histórica sobre a criminalidade no ciberespaço ou, em outras palavras, entender a evolução histórica dos crimes cibernéticos.
AS MÚLTIPLAS RELAÇÕES NO CIBERESPAÇO
O avanço da rede Internet e a popularização dos aparelhos celulares providos de conectividade à rede atraíram milhares usuários ao ciberespaço.
Figura 1: Mundo real e mundo virtual.
Fonte: Pixabay (2020).
A construção desse ambiente é coletiva, ampliado exponencialmente pela participação ativa daqueles que expressam suas ideias ou acionam estruturas cibernéticas, como plataformas e aplicações, ou ciberfísicas, como Internet of Things (IoTs), por exemplo.
Figura 2: O ciberespaço é uma criação coletiva.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Assim, registramos uma massiva produção de dados e o surgimento de um novo modelo de economia baseado no valor das informações.
A coleta predatória de dados por parte de grandes empresas interessadas nas preferências dos consumidores traz consigo um grande debate acerca da violação de privacidade das pessoas.
Da mesma forma se sucede com a difusão das chamadas “redes sociais” e dos aplicativos de mensageria. Trata-se de interfaces ambíguas:
Figura 3: Ações benéficas e malignas que podem surgir das redes sociais.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Muitas vezes, os usuários estão despreocupados com os riscos à própria segurança quando realizam postagens reveladoras de seu paradeiro e patrimônio.
Nesse ambiente, a força de uma entidade virtual (perfil, conta etc.) está diretamente ligada à sua publicidade, o que estimula a cultura da autopromoção. Veja:
Figura 4: Ações diferentes podem ter origem na autopromoção.
Fonte: Freepik (2020), adaptado por labSEAD-UFSC (2020).
As duas situações apontadas na figura anterior exemplificam uma possível vítima e um possível criminoso, respectivamente. Contudo, em ambos os casos, acima de seus interesses pessoais está o desejo de notoriedade.
Por fim, a tendência migratória ao meio virtual dos serviços mais utilizados pelo cidadão, como estatais, bancários e comerciais, também representa forte vetor determinante a uma sociedade de risco.
Figura 5: Serviços de internet banking trouxeram novos riscos para o usuário.
Fonte: Pixabay (2020).
Os provedores dessas plataformas condicionam suas respostas aos dados pessoais sensíveis inseridos pelos usuários. Este, por sua vez, é todo dia testado no que concerne à sua percepção de segurança, questionando-se sobre quais redes, ambientes e arquivos acessar, ainda tendo que se autenticar por vários fatores, como senhas, biometria etc.
Essa realidade de múltiplas relações, estabelecida por meio da Internet, propiciou o surgimento de um novo tipo de criminalidade, impulsionado pela sensação de anonimato e liberdade que a realidade virtualizada proporciona aos seus usuários.
Ao se virtualizar como membro de uma rede, a pessoa pode assumir muitas faces, como utilizar falsas identidades e mascarar sua própria origem, explorar as vulnerabilidades dos demais usuários com os quais este perfil falso se relaciona e agir com o propósito deliberado de praticar atos ilícitos.
Figura 6: Hackers utilizam a anonimidade para cometer crimes cibernéticos.
Fonte: Pixabay (2020).
Considerando a constante migração de hábitos e rotinas, antes somente vistas no mundo natural, por aplicações disponíveis para acesso no ambiente cibernético, a tendência será de uma concepção mais ampla do fenômeno da delinquência cibernética, caso não haja o efetivo controle desta.
O atual cenário de criminalidade no ambiente virtual pode ser superado pela virtualização da própria criminalidade, o que implicaria um processo transformador, em que todos os crimes passariam a ser virtuais ou cibernéticos, em razão da iminência de um mundo cada vez mais digital.
A realidade mostra que não apenas os delitos contra honra e patrimônio são cometidos no ambiente cibernético, mas outros capazes de afetar a saúde, a integridade física e até a vida das pessoas.
Em alguns países, existem alas hospitalares equipadas com aparelhos capazes de prover sobrevida a pacientes e que são controlados por sistemas. Um ataque capaz de interromper o funcionamento dessas máquinas pode caracterizar um múltiplo homicídio, dependendo de sua não detecção e da proporcionalidade do ataque.
Figura 7: Segurança cibernética.
Fonte: Freepik (2020), adaptado por labSEAD-UFSC (2020).
Resumindo a evolução da cibercriminalidade no mundo, destacamos:
Figura 8: Resumo da evolução da cibercriminalidade.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Essa história pode ser compreendida por meio da cronologia de marcantes fatos que se sucederam a partir da década de 1970, os quais são exibidos a seguir.
Década de 1970
1971 – John Draper, um phreak de telefone, descobriu que um apito dado como prêmio em caixas de cereal Cap'n Crunch produzia os mesmos tons que os computadores de comutação telefônica da época. Ele construiu uma "caixa azul" com o apito que lhe permitiria fazer chamadas telefônicas de longa distância gratuitas e depois publicou instruções sobre como fazê-lo.
Saiba mais
Phone phreak é um termo usado para descrever programadores de computadores obcecados com redes de telefonia, que é a base da rede de computadores modernos.
1973 – Um caixa de um banco local de Nova York usou um computador para desviar mais de dois milhões de dólares.
Para conhecermos a Década de 1980, clique nas setas a seguir.
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Figura 9: Invasão das redes de dados.
Fonte: Freepik (2020), adaptado por labSEAD-UFSC (2020).
1981 – Ian Murphy, conhecido pelos seus fãs como Capitão Zap, foi a primeira pessoa condenada por um crime cibernético da história. Ele invadiu a rede da empresa AT&T e mudou o relógio interno para cobrar, nos horários de pico, tarifas somente exigidas fora desse período. Sua pena foi de prestação de 1.000horas de serviço comunitário e 2 anos e 6 meses de liberdade condicional.
1982 – Elk Cloner, um vírus, foi escrito como uma piada por um garoto de 15 anos. Esse fato se destacou por ser um dos primeiros vírus a deixar um sistema operacional original e se propagar. Ele atacou os sistemas operacionais Apple II e se espalhou por meio de disquetes infectados.
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Agora, sigamos para conhecer sobre a Década de 1990.
Década de 1990
1994 – Um estudante no Reino Unido arquitetou um ataque informático para invadir o programa nuclear da Coreia, a NASA e outras agências dos Estados Unidos usando apenas um computador pessoal e um programa de blueboxing encontrado on-line.
1995 – Surgiram os vírus de macro escritos em linguagens de computador incorporadas em aplicativos. Essas linguagens de macro são executadas quando o aplicativo é aberto, como documentos de texto, planilhas, PDFs e até imagens, pois se trata de uma maneira fácil de os hackers inserirem malware (malicious software), nos sistemas operacionais das vítimas.
Figura 11: Ataques cibernéticos podem ser realizados por diversas pessoas.
Fonte: Pixabay.
1999 – O “Melissa Virus” foi lançado e se torna uma das infecções mais virulentas até hoje, resultando historicamente em uma das primeiras condenações para alguém que está escrevendo malware. O “Melissa Virus” era um macrovírus desenvolvido com a intenção de assumir contas e enviar e-mails em massa. O criador desse vírus foi acusado de causar mais de US $ 80 (oitenta milhões de dólares) em danos a redes de computadores e, por esse motivo, condenado a 5 anos de prisão.
Anos 2000
2000 – A partir dessa década, os números e os tipos de ataques on-line aumentaram exponencialmente. Ataques de negação de serviço (DDoS) foram lançados, várias vezes, contra a AOL, Yahoo!, Ebay e muitos outros.
Figura 12: Aumento da conexão a partir dos anos 2000.
Fonte: Pexels (2020).
Esse ataque não é uma invasão de sistema, mas uma técnica que procura tornar as páginas hospedadas indisponíveis na rede por sobrecarga.
Figura 13: DDoS torna a página indisponível.
Fonte: Pixabay (2020).
Para tanto, o atacante efetua um comando a centenas de máquinas por ele infectadas e controladas, para que acessem simultaneamente uma mesma página. Nesse ano, o famoso vírus I love you se espalhou pela Internet.
2003 – SQL Slammer se tornou o worm mais rápido da história. Ele infectou servidores SQL e criou um ataque de negação de serviço (DDos) que afetou 75.000 máquinas em menos de 10 minutos.
2006 – Um hacker conseguiu invadir o sistema automatizado de inscrições de várias instituições de ensino americanas, e resolveu dividir as informações com os demais, inclusive as vulnerabilidades que o permitiram entrar nos sistemas das universidades. O método acabou sendo desabilitado da Internet, porém, o culpado não foi encontrado.
2008 – Ataques hackers foram feitos de uma estação terrestre contra sistemas de controle de satélites americanos. Entre os possíveis autores estão militares chineses.
Os satélites chamados Landsat-7 e Terra AM-1 eram controlados pela NASA e utilizados para previsão climática. No mesmo ano, ataques de redirecionamento de tráfego por ação de malware atingiram milhões de usuários no mundo.
Cerca de 26 mil sites foram usados por um grupo hacker para redirecionar o seu tráfego para um código JavaScript próprio. O código malicioso ficava escondido nos sites, totalmente invisível aos usuários, porém, podiam ser ativados pelos hackers. Outra ação neste sentido foi atribuída a um membro do grupo hacker Krygenics, que conseguiu acessar os registros do Comcast.net, gerenciado pela empresa Network Solutions. Assim, as pessoas que tentavam acessar os seus e-mails na página da Comcast eram automaticamente redirecionadas à página dos hackers.
2010 a 2020
2010 – Um malware chamado Stuxnet, descoberto por uma empresa de segurança da Bielorrússia, foi projetado especialmente para atacar o SCADA, que é o sistema operacional industrial usado para controle das centrífugas nucleares do Irã. Esse foi um dos primeiros ataques a sistemas ciberfísicos catalogados na história.
2011 – A empresa Sony teve sua divisão de games, chamada PlayStation Network, invadida.
Figura 14: Invasão de sistemas é crime cibernético.
Fonte: Freepik (2020).
Hackers não identificados penetraram na rede, derrubaram e ainda roubaram dados pessoais de mais de 77 mil usuários do serviço, o que forçou a empresa a lidar com muitas reclamações e até com alguns processos.
2014 – A empresa Yahoo! revelou uma invasão de hackers que acabou comprometendo a segurança de 500 milhões de contas do serviço. No mesmo ano, a Sony Pictures, a divisão cinematográfica da marca Sony, também foi atacada.
Figura 15: Vazamento de informações.
Fonte: Pexels (2020).
Ela teve sua rede novamente violada, desta vez por um grupo de hackers conhecidos como Guardians of Peace (Guardiões da Paz), que vazaram informações sobre funcionários e executivos do estúdio.
2016 – Cibercriminosos resolveram fazer um ataque DDoS colossal contra a Dyn, uma empresa norte-americana que opera serviços de DNS. Os sistemas dela não suportaram a enorme demanda requisitada e interrompeu seus serviços, deixando clientes como Amazon, Netflix, PayPal, Spotify, Tumblr, Twitter, Xbox Live e PlayStation Network fora de serviço.
Figura 16: Páginas fora do ar.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Empresas de mídia digital e lojas virtuais dos Estados Unidos também ficaram fora do ar. Esse incidente ficou conhecido como “o apagão da internet estadunidense” e foi atribuído a hackers originários da Coreia do Norte, considerando que uma das reivindicações feitas para cessar o ataque era de que a empresa cancelasse a estreia de “The Interview”, um filme de comédia que satirizava Kim Jong-un, líder supremo do país.
2017 – No mês de maio, mais de 230 mil sistemas ao redor do planeta foram sequestrados por um malware denominado WannaCry. Esse vírus, na verdade, foi um ransomware, que é um malware que consegue encriptar os arquivos de um computador e condicionar a desencriptação ao pagamento de um resgate para os criminosos.
2018 a 2020 - As instâncias de hacking, roubo de dados e infecções por malware disparam.
O número de registros roubados e máquinas infectadas sobe para milhões, a quantidade de danos causados aos bilhões. A tecnologia móvel traz consigo o advento de novas modalidades de ataques e crimes cibernéticos.
Após o governo chinês ser acusado de recentes invasões a sistemas governamentais americanos, como o ataque aos sistemas de controle de satélites em 2008, a mídia internacional passa a usar a expressão “Guerra Cibernética”.
CIBERCRIMES NO BRASIL
O Brasil não está imune a esta realidade: somos o segundo país no mundo em perdas econômicas por ataques cibernéticos, atrás apenas da China, que ocupa a primeira posição. O número de ciberataques acontece devido ao grande número de pessoas conectadas à Internet.
Figura 17: Ataques virtuais no Brasil.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Nesses países, o crescimento da acessibilidade à rede é proporcional ao índice de aquisição de dispositivos móveis. O número de aparelhos conectados ultrapassou o número de habitantes do país pela primeira vez em 2018. Essa realidade impacta decisivamente no aumento da criminalidade no meio cibernético.
Saiba mais
Segundo o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, em 2019, setenta milhões de brasileiros foram vítimas de atos ilícitos cibernéticos, gerando um prejuízo ao país superior a vinte bilhões de dólares. Para mais informações, acesse aqui.
Registra-se a ocorrência de um largo rol de crimes no país, compreendendo, por exemplo:
Figura 18: Principais crimes denunciados ao Sistema de Segurança Nacional.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Essas são as principais modalidades delitivas rotineiramente noticiadas às forças que integram a Segurança Pública no Brasil.
Além desses registros, as empresas responsáveis pelo provimento de segurança da informação e pela resposta a incidentes nas corporações também trazem dados estatísticos queapontam, em geral, o aumento do número de ataques realizados no país, destacando os casos de outros malwares. Para conhecer, clique nos ícones a seguir.
Ransomware – sequestro de dados pessoais.
A Internet das Coisas, do mesmo modo, já demonstra como se alargará nos próximos anos o espaço de oportunidade para criminosos.
Os ataques já acontecem em câmeras, normalmente muito baratas, que têm sensores, como o microfone, capazes de repassar dados às empresas e podem ser acessadas de forma remota. Além disso, as pessoas não alteram as senhas que vêm da fábrica e obedecem a um padrão facilmente detectável, gerando assim grande vulnerabilidade, explorável aos atacantes da rede.
Aula 2 – Conceito de Crime Cibernético
CONTEXTUALIZANDO...
Como conceituar o cibercrime? Você já deve ter ouvido pelo menos alguns desses termos: crimes digitais, crimes virtuais, e-crimes, crimes eletrônicos, crimes informáticos, crimes telemáticos.
Nesta aula, vamos entender qual definição de crime cibernético e o que dizem os autores da área sobre a terminologia correta desse tipo de crime.
O QUE É CRIME CIBERNÉTICO?
O que é, afinal, um crime cibernético? A compreensão mais óbvia, baseada em toda construção doutrinária desenvolvida até aqui, é a que se trata de um termo que engloba as possíveis tipologias criminais que podem ocorrer no ciberespaço.
Conforme se tem demonstrado, o surgimento e desenvolvimento dessa nova dimensão paralela de vivência humana trouxe consigo novos fenômenos sociais que não preexistiam, entre os quais vemos uma nova cultura delitiva.
A Internet simplesmente promoveu a
Aula 3 – Classificação dos Crimes Cibernéticos
CONTEXTUALIZANDO...
Com o avanço da tecnologia, a invenção de novos delitos praticados no ciberespaço foi impulsionada.
Nesta aula, vamos aprender sobre as diferentes formas de classificação dos crimes cibernéticos. Boa aula!
FORMAS DE CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES CIBERNÉTICOS
Embora se conceba a criminalidade no ambiente cibernético como algo ainda novo, há de se considerar o importante trabalho de autores sobre o tema, gerando uma especializada doutrina. Ainda assim, há divergências quanto a conceitos e métodos sobre o objeto.
Nesse sentido, quando o assunto é taxonomia, também encontramos distintas abordagens, especialmente quanto às formas de classificação dos crimes cibernéticos.
Figura 22: Crimes cibernéticos.
Fonte: Pixaby (2020), adaptado por labSEAD-UFSC (2020).
Os doutrinadores elegeram escopos diferentes para estabelecer suas classificações, a figura abaixo representa de forma sucinta tais formas de classificação:
Figura 23: Classificação dos crimes cibernéticos.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Vamos estudar de forma mais detalhada cada uma delas!
Quanto ao bem jurídico afetado
Esta classificação foi apresentada por Ulrich Sieber e considera o valor ou interesse de alguém que é protegido por lei, sobre o qual se baseia o Direito Penal para criar normas penais incriminadoras. Sob essa óptica, os delitos são classificados como: econômico, contra direitos individuais e contra direitos supraindividuais.
Clique nas setas a seguir, para conhecê-los.
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Figura 24 : Fraudes econômicas. Fonte: Pixabay (2020).
Delitos econômicos
Trata-se dos delitos que atentam contra bens jurídicos de natureza patrimonial. Nessa seara, estão abrangidos crimes clássicos como o furto, evidentemente com viés tecnológico, e novas modalidades delitivas como o ransomware.
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Agora, vejamos quanto à forma de cometimento.
Quanto à forma de cometimento
Essa classificação, inaugurada por Hervé Croze e Yves Bismuth, é a mais encontrada em livros e artigos científicos sobre o tema. Para sua taxonomia, são considerados a instrumentalização tecnológica e o meio onde é cometido o crime. Veja, a seguir, a forma como são elencados os delitos.
Figura 26: Diferença entre os delitos informáticos.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Agora sigamos para a classificação quanto à existência de tipo específico.
Quanto à existência de tipo específico
Esta classificação tem sua base alicerçada na existência ou não de norma específica para uma determinada conduta, descrevendo-a como um delito com características que o torna um tipo cibernético único. Com apoio nessas ideias, Roberto Chacon de Albuquerque divide as modalidades delitivas em dois grupos:
Delito cibernético específico
Refere-se à conduta praticada exclusivamente no ambiente cibernético e que o legislador penal estabelece um tipo específico para qualificá-la como criminosa.
Figura 27: Invasão de dispositivos de informática.
Fonte: Freepik (2020).
É o caso da invasão de dispositivo de informática, segundo o Art. 154-A do Código Penal Brasileiro.
Delito cibernético comum
Consideram-se todos os crimes suscetíveis de ocorrer no meio cibernético, mas não exclusivamente por força de lei. Trata-se de crimes que também se consumam no meio físico ou natural. Citam-se aqui os crimes contra honra e crimes patrimoniais, como exemplo.
Novo crime cibernético
Recentemente, foi inserido o Art. 218-C no Código Penal, tornando crime a “divulgação de cena de estupro e de estupro de vulnerável, e de sexo ou pornografia sem autorização dos envolvidos”.
Figura 28: Crimes cibernéticos também estão no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Fonte: Pixabay (2020).
Embora se celebre a tipificação como de um novo crime cibernético, por finalmente criminalizar a chamada “vingança digital” (divulgação de arquivos íntimos por motivo de vingança), a legislação deixou em aberto no tipo a possibilidade de o crime ser cometido em meio não cibernético. Trata-se, portanto, de um delito cibernético comum.
Aula 4 – Características dos Crimes Cibernéticos
CONTEXTUALIZANDO...
Os crimes cibernéticos possuem características específicas, e aqueles que cometem esses delitos acabam utilizando-as para praticar seus crimes. Por exemplo, a possibilidade de sermos usuários anônimos na Internet contribui para a perpetuação de crimes cibernéticos, nesse sentido, a anonimidade é uma das características do ciberespaço.
Nesta aula, vamos estudar as demais características presentes nos crimes cibernéticos.
PRÁTICAS ILÍCITAS NO CIBERESPAÇO
Conforme abordado nos tópicos anteriores, a cibercriminalidade apresenta elementos diferenciadores da criminalidade comum. Não se trata apenas de conduta ilegais realizadas mediante a utilização de um computador, conectado ou não a uma rede.
A complexidade dos ambientes desenvolvidos reflete na grande diversidade dos delitos, que vão desde a manipulação de caixas bancários à pirataria de programas de computador, passando por abusos nos sistemas de telecomunicação e chegando até as mais profundas camadas da Deep Web, onde há propagação de discursos de ódio e compartilhamento de pedofilia.
Os ataques costumam ocorrer no espaço cibernético, visando os mais diversos objetivos, alvos e aplicando variadas técnicas. Desse modo, tanto dispositivos quanto serviços com acesso à internet podem ser atingidos por essas ações motivadas por diversos interesses.
Figura 29: Interesses por trás dos crimes cibernéticos.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Desenha-se, portanto, um contexto em que novas práticas ilícitas surgem a todo tempo e em uma velocidade proporcional às novas tecnologias. Quando aplicativos são criados e se apresentam no mercado, logo criminosos exploram suas vulnerabilidades ou estudam a forma de melhor utilizá-los como meio para práticas delitivas.
Figura 30: Aplicativos são alvos de crimes.
Fonte: Pixabay (2020).
Aplicativos são sistemas e o funcionamento destes é abstraído do usuário, o qual não imagina estar executando códigos quando faz um “clique”. Por desconhecimento, sobretudo, quanto às rotinas de segurança, as pessoas facilmente são vitimadas por:
· Engenharia social – convencidas a fornecer uma senha.
· Intrusão – desabilitam fatores de proteção.
Todas essas condutas revelam vulnerabilidades que os criadores desses processos não haviam previsto e que careciam de uma proteção sistêmica mediata.
Figura 31: Segurança dos sistemas.
Fonte: Pixabay (2020).
Porém, a solução ao problemaapresentado anteriormente não se perfaz somente por meio de novas estratégias corporativas de segurança no seu emprego, mas também pela aplicação de novas formas de controle e de incriminação das condutas lesivas.
É grande o impacto ao Estado nesse contexto, pois lhe é exigida a adoção de políticas públicas criminais destinadas à prevenção e repressão desse fenômeno, de modo a reduzir e prevenir, de forma eficaz, os cibercrimes.
Figura 32: Crimes cibernéticos passaram a ser um problema do Estado.
Fonte: Pixabay (2020), adaptado por labSEAD-UFSC (2020).
Em geral, ainda que se trate de delitos comuns, ou seja, daquelas condutas antijurídicas que podem ser praticadas fora do ciberespaço, o modus operandi aplicado nesses crimes é composto por elementos peculiares que permeiam uma compreensão ontológica acerca desse tipo de criminalidade.
Os crimes cibernéticos possuem características peculiares, capazes de tornarem esse tipo de ofensa criminal de difícil repressão.
Figura 33: Crimes cibernéticos e suas características.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Conheçamos, a seguir, as especificidades de cada uma dessas características.
Virtualidade
Em se tratando de condutas praticadas no ambiente cibernético, os elementos da conduta, os agentes e o bem jurídico violado são imateriais. Compreende-se, então, que há a prevalência de duas premissas:
Figura 34: Premissas do ambiente cibernético.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Diante disso, precisamos considerar a dificuldade de adequação do fato a tipos tradicionais, pois alguns deles exigem a presença de elementos normativos aparentemente incompatíveis com o ambiente cibernético. Um exemplo:
Figura 35: O crime de furto é um crime tradicional.
Fonte: labSEAD-UFSC (2020).
Como se trata de dados subtraídos, o elemento normativo não é físico, o que pode trazer discussões quanto à tipicidade da conduta. Da virtualidade, derivam duas características, como a anonimidade dos agentes e transnacionalidade, ou seja, o lugar do crime.
Confira!
Anonimidade
Os criminosos praticam as ações descritas nos tipos, mas estão sempre representados por entidades virtuais, utilizando nickname, por exemplo. Em uma dimensão onde todas as pessoas que estão presentes interagem por meio de contas e perfis, é impossível a ação direta por mãos humanas.
Figura 36: No ciberespaço podemos ter diversos perfis.
Fonte: Pixabay (2020).
Sempre haverá uma interface entre os mundos real e digital. Esse enlace constitui apenas uma camada que separa a pessoa do ciberespaço.
Entre o usuário de seu provedor de conexão há um dispositivo, entre esse provedor de conexão e o provedor responsável pela administração da aplicação que acessa o usuário, há camadas intermediárias, e assim por diante.
Na dimensão virtualizada, a acessibilidade a determinados ambientes artificiais pode passar por várias camadas.
Em cada uma delas, o agente pode se utilizar de meios para se anonimizar. O uso de máquinas virtualizadas e VPN, sigla para virtual private network, são exemplos de mascaramentos.
Transnacionalidade
Este aspecto se relaciona à conduta, pois os atos executórios geralmente são realizados em um país, mas os resultados podem ocorrer no mundo natural e localizarem-se em território estrangeiro.
Figura 37: Um crime pode ocorrer em qualquer local do mundo, e atingir um país específico.
Fonte: Freepik (2020).
Nessa condição, questões relacionadas ao local do crime e à competência para persecução penal acabam chegando aos tribunais. Algumas dessas controvérsias ainda não foram decididas nas cortes superiores do Brasil.
Dinamismo
Outra característica dos crimes cibernéticos está relacionada com as inovações tecnológicas permanentes, as quais geralmente se desenvolvem mais rápido do que implementações de soluções normativas. Isso é uma realidade mundial.
Figura 38: Bigdata.
Fonte: Pixabay (2020).
Mesmo em países considerados hiperestruturados em relação à sua defesa cibernética, como é o caso dos EUA, há grande preocupação com o poder invasivo das novas tecnologias, especialmente com a chegada de Internet das Coisas, Internet of Things (IoTs).
Esses microdispositivos trazem consigo sensores e sistemas embarcados programados a coletar dados para processamento analítico e uso de inteligência artificial.
Entretanto, considera-se grande o risco de estas informações serem acessadas por governos estrangeiros e utilizadas na chamada guerra cibernética, uma vez que podem revelar a fragilidade dos sistemas de uma nação.
Em razão disso, três aspectos levaram a crescente necessidade de cooperação entre as forças de segurança dos Estados e o setor privado quanto ao tratamento de dados de tráfego de provedores, servidores e empresas de hospedagem:
· A magnitude dos possíveis danos, cujas consequências podem ser internacionais e até globais dessa classe de crimes.
· A facilidade de comprometimento de infraestruturas críticas desses países.
· A baixa resiliência e o limitado poder de resposta, tanto dessas estruturas governamentais quanto de estruturas particulares em geral à ataques cibernéticos por parte de um país.
Especialidade Técnica
No caso dos delitos cibernéticos específicos, os criminosos demonstram o conhecimento técnico exigido para sua execução. Mesmo nos crimes comuns praticados no ciberespaço, é exigido, no mínimo, vida ativa no meio virtual.
Figura 39: Hackers também podem ser chamados de cibercriminosos.
Fonte: Pixabay (2020).
Embora estabelecida a chamada Era da Informação, admite-se a existência de certo número de pessoas desprovido de acesso digital, o que torna impossibilitada a sua prática. Para que um agente seja capaz de postar um simples comentário difamatório em uma rede social, logicamente é preciso estar conectado a ela.
Vale mencionar que nos casos dos crimes mais especializados, como os delitos financeiros arquitetados tecnologicamente, as organizações cibercriminosas funcionam como empresas e possuem integrantes especializados para cada tipo de trabalho e ocupação.
Uma empreitada dessa natureza pode conter a estrutura de uma organização empresarial, com a diferença que esses cibercriminosos trabalham sem horários, feriados e/ou fins de semana. Normalmente se organizam da seguinte forma, que conhecemos, clicando nos números a seguir.
Aula 5 – Principais Modalidades de Crimes Cibernéticos
CONTEXTUALIZANDO...
Nesta aula, vamos entender como estão dispostas na legislação algumas das principais modalidades de crimes cibernéticos, e como esses crimes se diferenciam de crimes tradicionais.
CRIMES E A LEGISLAÇÃO
Em se tratando de ambiente exclusivamente virtualizado, cujas dimensões são imensuráveis e essencialmente dinâmicas, novas modalidades criminosas surgem a todo tempo.
Assim, aos governos dos países resta estabelecer políticas públicas de prevenção e repressão aos ilícitos. Para tanto, considera-se que a característica da especialidade exige um aparelhamento cada vez mais técnico, capacitado e em condições de se atualizar quanto às ações ofensivas diuturnamente criadas e propagadas na web.
Figura 40: Aumento de segurança cibernética por parte dos governos.
Fonte: Freepik (2020).
Já se admite a existência de um mercado voltado ao cibercrime, sendo consideradas como principais regras de sobrevivência:
· Ambiente propício pelo anonimato.
· Baixo custo e risco operacional.
· Grandiosa lucratividade.
Não é o objetivo deste tópico estabelecer uma listagem taxativa acerca dos crimes cibernéticos, mas vamos catalogar as condutas consideradas mais conhecidas no mundo virtual, com destaque àquelas que o legislador definiu um tipo específico à sua criminalização, confira:
Crimes cibernéticos mais conhecidos
Invasão de dispositivo de informática e desenvolvimento e compartilhamento de malware.
O conceito jurídico do crime de invasão de dispositivo de informática está insculpido no Código Penal Brasileiro, vejamos:
Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorizaçãoexpressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita. (caput do Art. 154-A do Código Penal).
O parágrafo primeiro do mesmo artigo supramencionado estabelece que incorre nesse delito:
Quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput”; (caput do Art. 154-A do Código Penal).
O Art. 266 do Código Penal, em seu parágrafo primeiro, traz a interrupção ou perturbação de serviço informático ou telemático de informação de utilidade pública como crime cibernético, descrevendo as ações de impedir ou dificultar o restabelecimento desses serviços.
Quando isso ocorre pelo meio virtual, na maioria das vezes é pela via de ataque à disponibilidade de sistemas, efetuada por meio da ação conhecida como DoS (Denial of Service).
A negação de serviço é o objetivo desse ataque, que visa à sua sobrecarga, a qual impedirá a disponibilidade para os demais usuários. Na modalidade distribuída (DDoS), é executada normalmente por redes Botnet, que atacam por obediência a um comando remoto.
Temos, além disso, alguns crimes específicos de cada categoria. Confira:
Crimes contra a honra pelo meio eletrônico
Antes do advento do artigo acima citado, a divulgação de imagens íntimas era tipificada, neste artigo, como crime cibernético comum.
A especialização, por vontade da legislação, destacou desta categoria que abrange aquelas condutas lesivas ao bem jurídico “honra” da vítima, quando o autor se utiliza da via tecnológica para materializar seu ilícito.
Figura 41: Crimes contra a honra.
Fonte: Pixabay (2020).
Agora, a divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia, por meio da rede Internet, está disposta no Art. 218-C do Código Penal.
Aplicável a qualquer propagação das condutas acima mencionadas, assim como de cenas de nudez ou de sexo não consentidas pela vítima.
Nesse caso específico, reporta-se o avanço legislativo em punir a chamada vingança digital ou pornô, ainda muito noticiada em delegacias de polícia, especialmente nos casos de ruptura de relacionamentos amorosos.
A Lei 11.829/2008 acrescentou o abuso infanto-juvenil por meio da Internet como crime cibernético ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Figura 42: Compartilhamento de arquivos com imagens de pedofilia é crime.
Fonte: Pixabay (2020).
Foram tipificadas as condutas de armazenamento e compartilhamento (venda, troca, divulgação etc.) de arquivos digitais que contenham cenas de sexo ou ostentem nudez de crianças e adolescentes.
Crimes de ódio, apologia e discriminação étnico-racial pela Internet
Esses crimes se popularizam cada vez mais no país, onde muitas pessoas confundem o exercício de direitos constitucionalmente consagrados, como a liberdade de expressão e manifestação do pensamento, com ações ilícitas. São crimes contra direitos supraindividuais.
No Brasil, ainda há escassez legislativa quanto a esse tipo delitivo, quando perpetrado no ambiente cibernético.
Furto mediante fraude pela via eletrônica
Tendo por base o Código Penal, em seu §4°, II, do Art. 155, trata-se da subtração de recursos financeiros pelo meio eletrônico e no cenário real do espaço virtual, sendo geralmente precedido por ataques utilizados para obtenção de dados pessoais e credenciais de acesso.
Nos casos de atentados contra instituições financeiras, cujos sistemas são amplamente protegidos por algoritmos criptográficos, os criminosos se utilizam de técnicas de engenharia social, tais como phishings, as falsas páginas com formulários para preenchimento de dados; e keyloggers, os copiadores de caracteres digitados, para conseguir as informações que lhe permitem acessar as contas de suas vítimas.
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Estelionato eletrônico
Da mesma forma que ocorre nos crimes acima, delinquentes cibernéticos usam e abusam de engenharia social para levar pessoas a erro e obter vantagens indevidas. Um clássico exemplo são os sites de leilões virtuais, que diariamente levam centenas de pessoas a enviar elevadas quantias financeiras a organizações criminosas, acreditando estar pagando o “lance” dado para aquisição de bens.
Na realidade, o sítio eletrônico apresenta elementos gráficos que convencem as vítimas a crerem em sua real existência, mas, atraídos pelos baixos valores ofertados, acabam transferindo os valores, geralmente para conta de “laranjas” que integram o grupo criminoso.
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Mencionamos apenas os delitos cometidos no ciberespaço considerados mais recorrentes nos dias atuais.
Não se excluem quaisquer outras condutas praticáveis em uma dimensão virtual, na qual é possível um ataque por um drone operado por mãos humanas, podendo acarretar na morte de uma pessoa no mundo real.
Crimes de menor potencial e contravenções também são muito comuns na rede Internet, como perturbação da tranquilidade por meio de mensagens eletrônicas, por exemplo.
Nas próximas aulas, você terá um acesso a uma abordagem descritiva acerca das principais modalidades delitivas perpetradas no ciberespaço, com ênfase no tratamento legal dispensado pelo legislador brasileiro e na Convenção de Budapeste sobre o Cibercrime.

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