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Vieira, José Antônio
 Produção textual e científica [ebook]. / José Antônio Vieira, 
Luciana Martins Arruda. – São Luís: UEMAnet, 2021.
 62 f.
 ISBN: 978-65-89787-44-0.
 1.Texto acadêmico. 2. Normas da ABNT. 3.Ética 
científica. 4.Plágio. I.Arruda, Luciana Martins II.Título. 
CDU: 028:373.3
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO
Os materiais produzidos para os cursos ofertados pelo UEMAnet/UEMA para o Sistema Universidade 
Aberta do Brasil - UAB são licenciados nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não 
Comercial – Compartilhada, podendo a obra ser remixada, adaptada e servir para criação de obras 
derivadas, desde que com fins não comerciais, que seja atribuído crédito ao autor e que as obras 
derivadas sejam licenciadas sob a mesma licença.
Reitor 
Gustavo Pereira da Costa
Vice-Reitor
Walter Canales Sant´ana
Pró-Reitora de Graduação
Zafira da Silva de Almeida
Núcleo de Tecnologias para Educação
Ilka Márcia Ribeiro S. Serra - Coordenadora Geral
Sistema Universidade Aberta do Brasil
Ilka Márcia R. S. Serra - Coord. Geral
Lourdes Maria P. Mota - Coord. Adjunta | Coord. 
de Curso
Coordenação do Design Educacional
Cristiane Peixoto - Coord. Administrativa
Maria das Graças Neri Ferreira - Coord. 
Pedagógica
Professores Conteudista
José Antônio Vieira
Luciana Martins Arruda
Revisão de Linguagem
Jonas Magno Lopes Amorim 
Designer de Linguagem
Jonas Magno Lopes Amorim 
Designer Pedagógico 
Márcio dos Santos Rodrigues 
Diagramação
Luis Macartney Serejo dos Santos
Designer Gráfico
Marcos Adriano Gatinho Lopes
UNIDADE 01 – Conhecimento, pesquisa e texto científico
1.1 O conhecimento científico ................................................................................08
1.2 A pesquisa científica .........................................................................................09
1.3 Objeto de estudo/pesquisa e problemática .......................................................11
1.4 O que é texto científico/acadêmico? ................................................................14
RESUMO .............................................................................................................14
EFERÊNCIAS .....................................................................................................15
.
UNIDADE 02 – Gêneros acadêmicos – resumo, resenha e artigo
2.1 Os gêneros textuais acadêmico-científicos: conceitos iniciais .........................17
2.2 Tipos de produções científicas .........................................................................19
RESUMO .............................................................................................................39
REFERÊNCIAS ..................................................................................................40
UNIDADE 03 – Normas, organização e regulamentação da escrita 
científica
3.1 A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) ......................................43 
3.2 Paráfrase .........................................................................................................44
SUMÁRIO
3.3 Discurso citado ................................................................................................50
3.4 CITAÇÃO .........................................................................................................53
3.5 FORMATAÇÃO ................................................................................................59
RESUMO .............................................................................................................61
REFERÊNCIAS ..................................................................................................62
UNIDADE 04 – Ética na escrita do texto científico
4.1 – Conceito de ética científica ............................................................................64
4.2 – Concepção de plágio......................................................................................67
RESUMO .............................................................................................................70
REFERÊNCIAS ..................................................................................................71
5
APRESENTAÇÃO
 Este é o e-Book da disciplina de Produção Textual Científica. É com muita 
satisfação e dedicação que elaboramos este trabalho. Temos o objetivo de apresentar 
conceitos, estratégias e técnicas de produção acadêmico-científica por meio de 
uma metodologia dinâmica e inovadora, com foco no desenvolvimento prático e 
autônomo, e apoio do uso de tecnologias da informação e da comunicação para a 
Educação Superior.
 Nosso material está fundamentado nos principais conceitos teóricos 
e metodológicos, com a missão de auxiliar a promoção e consolidação do 
conhecimento profissional e científico na área de linguagem. A ideia é contribuirmos 
com a formação científica de qualidade, a partir do planejamento que reconheça a 
importância do conhecimento científico e do fazer científico.
 
 A sociedade atual vive uma ebulição de informações e, consequentemente, 
de novos saberes do senso comum. Porém, é de conhecimento universal, que, ao 
contrário desta diversidade de produções desenvolvidas no cotidiano, a sociedade 
possui uma grande demanda de produção técnico-científico. Isto é, necessidade de 
novos conhecimentos sistemáticos que, fundamentados pela atividade científica, 
podem contribuir com a resolução de problemas sociais de diversas ordens.
6
 É com essa premissa, e com o objetivo de auxiliá-lo(a) na produção de 
conhecimentos científicos, que pretendemos mostrar como podemos desenvolver 
essa forma de saber, bem como entender quais práticas estão associadas ao domínio 
das técnicas de produção destas formas de trabalhos acadêmico-científicos. 
 Por isso, dividimos este e-Book em quatro Unidades. A primeira, 
“Conhecimento, pesquisa e texto científico”, abordará as características da formação 
do espírito científico, e dos produtos resultantes do fazer científico. A segunda 
abordará os tipos de produção de gêneros acadêmicos presentes na ciência – 
resumo, resenha e artigo, bem como, desenvolver uma grande e necessária reflexão 
sobre a produção de conhecimento teórico-metodológico na sociedade. 
 Na terceira apresentaremos as definições institucionais de regras e 
normatizações da prática de escrita e desenvolvimento de pesquisa científica. Ao 
final, na quarta unidade, apresentaremos algumas noções sobre ética na escrita do 
texto científico, plágio e tipos de plágio.
 Assim, por meio da leitura deste e-Book, esperamos contribuir com a 
aquisição de informações e conhecimentos sobre a prática de escrita científica 
presente no contexto acadêmico científico.
Bons estudos!
7
CONHECIMENTO, PESQUISA E 
TEXTO CIENTÍFICO
Figura 1 - Compartilhamento de conhecimento
Fonte: https://www.pngwing.com/en/free-png-nslfc
 Olá! Vamos iniciar os estudos sobre a prática e produção de textos acadêmico-
científicos, um conteúdo de muita importância para todos que estão desenvolvendo 
pesquisas e/ou disciplinas relacionadas à prática de investigações. A temática 
que desenvolvemos nesta unidade tem como foco a compreensão de conceitos e 
Objetivos
Demonstrar os conceitos dos elementos que alicerçam a produção científica;
Apresentar a base epistemológica da produção de textos acadêmico-científicos; 
nas universidades, faculdades e em institutos de pesquisas brasileiros;
Apresentar concepções gerais de conhecimento, pesquisa e texto científico;
Demonstrar as noções que fundamentam teórica e metodologicamente a produção 
escrita de textos científicos.
1
UNIDADE
8
concepções sobre os elementos que estruturam o fazer científico na universidade e 
institutos de pesquisas.
 
 É de saber geral que o conhecimento é uma das bases de sustentação 
da sociedade. Podemos compreendê-lo como fundamentação para possíveis 
resoluções de problemas que vivenciamos em sociedade. Entre as formas de 
conhecimento existentes, vamosComo a intertextualidade se 
manifesta no texto? Julia Kristeva foi a primeira a usar o termo intertextualidade, 
em 1967, e a apresentá-lo para a comunidade científica. Em virtude disso, todos os 
trabalhos que se dedicam à abordagem desse tema não podem deixar de citá-la e 
nem tampouco de evidenciar a sua importância para os estudos da linguagem. 
 Kristeva (1974, p. 440) defende o ponto de vista de que “todo texto se constrói 
como mosaico de citações; todo texto é absorção e transformação de um outro 
texto que o antecedeu e lhe deu origem.” Logo, entende-se que a intertextualidade, 
conforme propõem Koch e Elias (2012, p. 86), 
é o elemento constituinte e constitutivo do processo de escrita/leitura e 
compreende as diversas maneiras pelas quais a produção/recepção de 
um dado texto depende de conhecimentos de outros textos por parte 
dos interlocutores, ou seja, dos diversos tipos de relações que um texto 
mantém com outros textos. 
 As autoras enfatizam que a intertextualidade pode ocorrer de maneira 
explícita e/ou implícita.
a) Intertextualidade explícita – ocorre quando há citação da fonte do intertexto, 
como acontece nos discursos relatados, nas citações e referências; nos resumos, 
resenhas e traduções; nas retomadas de textos de parceiro para encadear sobre 
ele ou questioná-lo na conversação. (KOCH; ELIAS, 2012, p. 87)
46
b) Intertextualidade implícita – ocorre quando não há citação expressa da fonte, 
cabendo ao interlocutor recuperá-la na memória para construir o sentido do texto, 
como nas alusões, na paródia, em certos tipos de paráfrases e ironias. (KOCH; 
ELIAS, 2012, p. 94)
A paráfrase ou “metáfrase”, como nomeia Oliveira et al (2013, p. 60), é a imitação 
de um texto escrito por outro autor, em prosa ou em verso. Quando utilizamos a 
paráfrase, reescrevemos, com nossas palavras as informações contidas no texto 
original, empregando sinônimos no intuito de preservar as ideias principais nele 
contidas. Os autores destacam que é comum fazer-se inversões das estruturas 
frasais do texto reescrito, entretanto é obrigatória a citação e referência ao autor da 
obra parafraseada.
Exemplo de paráfrase:
a) Texto original: “Educar, formando o caráter, eis o problema máximo cuja solução 
o momento reclama angustiosamente”. [VINÍCIUS. O mestre na educação. 10. 
ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009]. 
b) Paráfrase do texto acima: A educação deve empenhar-se, antes de mais nada, 
em formar homens de bem. 
 De acordo com Meserani (1995), a paráfrase sempre remete a uma obra que 
lhe é anterior para reafirmá-la, esclarecê-la, deixando a intertextualidade marcada. 
Trata-se de um processo de reescrita que pode incluir outros tipos de textos além 
dos literários, como os de caráter científico, por exemplo, e ainda a linguagem não 
verbal. 
Atenção
A escrita do texto acadêmico-científico utiliza-se tanto da 
intertextualidade explícita quanto da implícita e esse uso 
pode ocorrer de modo simultâneo ou não.
47
Considerando as semelhanças existentes entre a paráfrase e o texto parafraseado, 
Cruz e Zanini (2009, p. 1906) explicam que Meserani (1995) classifica a paráfrase 
em dois tipos2:
a) Paráfrase Reprodutiva – é a tradução quase literal de um outro texto, servindo 
para reiterar, fixar, insistir, explicar, sintetizar, melhorar linguisticamente o texto, de 
forma parcial ou total. Tradicionalmente se conceitua a paráfrase reprodutiva como 
sendo simples reprodução, visto que o conteúdo do texto original é mantido no 
texto derivado e não conta com expansão de ideias. Porém, esse tipo se distingue 
da cópia, onde há a transcrição total. Na reprodução, o objetivo é escrever o que 
for relevante da obra, necessitando assim por parte do produtor a habilidade de 
sintetizar. Neste caso não se pode falar em criatividade, pois se trabalha basicamente 
“no eixo de substituições semânticas, da sinonímia” (MESERANI, 1995, p. 100). 
São exemplos de paráfrases reprodutivas os textos de imprensa, as notícias, os 
resumos de novelas. 
 Apresentamos a seguir a resenha da obra A anomalia poética, de Silvina 
Rodrigues Lopes, publicada na Revista de Estudos Linguísticos & Literários do 
Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, Matraga. 
2 Esses conceitos foram discutidos no artigo “Paráfrase: campo de criação e trabalho nos textos 
dos detentos”. Disponível em http://www.ple.uem.br/3celli_anais/trabalhos/estudos_linguisticos/
pfd_linguisticos/080.pdf
Atenção
Os textos acadêmico-científicos que constam neste e-Book, 
como o resumo e a resenha, são exemplos de paráfrase 
reprodutiva.
48
Figura 06 - Capa da obra resenhada
 
Fonte: https://www.amazon.com.br/ANOMALIA-POETICA-SILVINA-RODRIGUES-LOPES/
dp/8566421191
 
 O outro tipo de paráfrase proposto por Meserani (1995) e explorado por Cruz 
e Zanini (2009, p. 1906) é a “Paráfrase Criativa”.
b) Paráfrase Criativa – é aquela que “ultrapassa os limites da simples reafirmação 
ou resumo do texto original”, indo além da simples transcrição literal. Neste tipo 
de paráfrase, o texto se desdobra e se expande em novos significados. Podemos 
entender que há um afastamento do texto original, ficando, contudo, no campo 
da semelhança, ou seja, há a mesma perspectiva, convergindo com o texto 
original, porém, expandindo-o. O texto parafrástico, nesta categoria, não discorda, 
mas distancia-se do texto original, indo além da simples reiteração. Trata-se de 
perspectivas diferentes. 
SUGESTÃO DE LEITURA
Acesse a referida resenha através do link disponível a seguir: 
https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/matraga/article/
view/56362/36898
49
 Enquanto a paráfrase reprodutiva se aproxima da reprodução, a paráfrase 
criativa possui sua dose de criação, dando origem a um novo discurso, sem, contudo, 
divergir do texto que lhe deu origem. Como exemplo de paráfrase criativa, podemos 
citar as Fanfics, processo de escrita no qual o sujeito utiliza a sua criatividade e 
reflexão, transformando o texto parafrástico em um novo discurso, uma nova voz.
 Koch e Elias (2017, p. 102) apresentam uma lista de expressões que 
funcionam como introdutoras de paráfrase, a saber:
	Isto é;
	Ou seja;
	Ou melhor;
	Quer dizer;
	Em síntese;
	Em resumo;
	Em outras palavras etc.
 Essas expressões promovem a ligação entre o que foi e o que será dito, 
criando um novo texto ancorado no anterior: o que foi parafraseado. Embora 
existam autores que percebem a paráfrase como sendo um discurso sem voz e 
apresentando uma linguagem pouco evoluída, Sant’Anna (1985) não desvaloriza 
o trabalho realizado pelo autor da paráfrase. Segundo ele, ao reformular e restituir 
 SAIBA MAIS
A palavra “Fanfic” é uma abreviatura inglesa do termo fan fiction, 
um conceito que se refere à criação de qualquer tipo de obra a 
partir de uma história já existente. Este tipo de ficção é feito por fãs 
que recriam histórias de outros autores. A Fanfic pode ser aplicada 
em um romance, uma série de televisão, uma história em quadrinhos, 
enfim, a qualquer história já publicada. Do ponto de vista histórico, 
este fenômeno surgiu na década de 1930, quando alguns fãs de quadrinhos criaram suas 
próprias histórias inspiradas em seus personagens favoritos.
Fonte: https://conceitos.com/fanfic/ 
50
o sentido de um texto, o autor da paráfrase dá origem a um novo discurso que 
exigiu do seu produtor criatividade e trabalho reflexivo. Esse trabalho não deve ser 
confundido com plágio (assunto a ser tratado na próxima Unidade) ou uma mera 
reprodução textual.
 
3.3 – Discurso citado
 Vimos que os discursos são produzidos a partir do conhecimento de outros 
discursos que circulam na sociedade. Fazer referência ao discurso do outro é algo 
bastante comum no nosso dia a dia. 
 
SUGESTÃO DE LEITURA
Amplie seus conhecimentos sobre paráfrase, intertextualidade e 
Fanfic.
Leia o livro Intertextualidade, de Tiphaine Samoyault, publicado 
pela editora Hucitec, em 2008. Disponível no link: https://dtllc.
fflch.usp.br/sites/dtllc.fflch.usp.br/files/Intertextualidade%20-%20Livro%20completo.pdf 
Leia os artigos Parafrasear: Por quê? Pra quê?, de Onici Claro Flôres, publicado na Revista 
Letrônica. Disponível no link: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/letronica/article/
view/23314 
Leia A intertextualidade: um conceito em muitos olhares, de Gutemberg Lima da Silva e 
Roberta Varginha Caiado, publicado nos Anais do GELNE. Disponível em: http://www.gelne.com.
br/arquivos/anais/gelne-2014/anexos/708.pdf 
SUGESTÃO DE VÍDEO
Assista ao vídeo O que é Fanfic? Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=kKwJ2xMcwys 
51
 Quando nos referimos aos discursos veiculados no contexto acadêmico-
científico, dizemos que não é proibido usar as ideias e os conceitos produzidos por 
outros autores. No entanto, devemos saber como fazer isso, ou seja, como inserir o 
“discurso alheio” ou de “outra pessoa” em nossos textos, sem cometer plágio. Para 
isso, é fundamental indicar a referência do discurso que foi citado diretamente ou 
indiretamente.
 Bakhtin (2000, p. 88) esclarece que nossas palavras não são “objetos virgens 
ainda não designados”, mas elas se cruzam e se encontram com as palavras do 
outro, de modo que todo discurso é essencialmente dialógico. Duas justificativas 
sustentam essa asserção: i) o discurso é construído entre pelo menos dois 
interlocutores que, por sua vez, são seres sociais; e ii) todo discurso se constrói 
como um “diálogo entre discursos”, ou seja, todo discurso mantém relações com 
outros discursos. 
 Do ponto de vista do autor, “a palavra é uma espécie de ponte lançada entre 
mim e os outros. Se ela se apoia sobre mim numa extremidade, na outra apoia-se 
sobre o meu interlocutor. A palavra é um território comum do locutor e do interlocutor” 
(BAKHTIN, 2000, p. 63).
 O discurso citado ou “discurso alheio”, conforme Bessa e Bernardino (2011) e 
Maingueneau (2008), pode se manifestar de dois modos: discurso direto e discurso 
indireto.
a) Discurso citado direto – procura conservar a integridade e a autenticidade do 
discurso alheio, esforçando-se para delimitar esse discurso com fronteiras nítidas e 
estáveis (itálico, aspas ou presença de um verbo introdutor). Só existe através do 
discurso citante, que constrói como quer um simulacro da enunciação citada. Nele, 
o locutor se constitui como simples porta voz das palavras do outro, que ocupam o 
tempo ou espaço na frase. 
 Maingueneau (2008, p. 141) explica que por mais fiel que o discurso direto 
seja, “é sempre apenas um fragmento do texto submetido ao enunciador do discurso 
citante, que dispõe de múltiplos meios para lhe dar um enfoque pessoal”. 
52
b) Discurso citado indireto – o enunciador citante tem uma infinidade de maneiras 
para traduzir as falas citadas porque não são as palavras exatas que são relatadas, 
mas sim o conteúdo do pensamento. O locutor faz uso de suas próprias palavras, 
remetendo a um outro como fonte do “sentido” dos propósitos que ele relata. O 
discurso indireto não reproduz um significante, mas dá um equivalente semântico 
integrado à enunciação citante; e é o interlocutor que se encarrega do conjunto da 
enunciação. Nele, verifica-se a existência de apenas uma situação de enunciação; 
as pessoas e os dêiticos espaço-temporais do discurso citado são identificados em 
relação à situação de enunciação do discurso citante. 
 Maingueneau (2008, p. 150) esclarece que “as falas relatadas no discurso 
indireto são apresentadas sob a forma de uma oração subordinada objetiva direta, 
introduzida por um verbo dicendi (contaram-nos que...)”, geralmente usados nas 
declarações e citações.
 Portanto, o discurso citado (direto ou indireto) é compreendido como 
fenômeno dialógico por meio do qual os sujeitos descontroem o discurso alheio e 
constroem o próprio para se posicionar em relação a um conteúdo ou temática, ao 
outro, a ele mesmo, ao seu próprio discurso (CUNHA, 2008).
Atenção
O discurso científico geralmente emprega o discurso 
indireto para conservar o conteúdo temático e separar os 
discursos citante e citado.
53
3.4 – CITAÇÃO
 De acordo com a NBR (Norma Técnica Brasileira) 10520/02, criada pela 
ABNT, citação é a “menção de uma informação extraída de uma outra fonte”. A 
citação pode ser utilizada para esclarecer, ilustrar ou sustentar um determinado 
assunto, ela garante respeito ao autor da ideia e ao leitor. 
 O Manual de Normatização da UEMA (universidade Federal do Maranhão), 
publicado em 2019, apresenta as características da citação:
a) Pode ser do tipo direta, indireta ou citação de citação;
b) Pode ser curta ou longa;
c) Pode estar localizada no interior do texto ou no rodapé da página.
SUGESTÃO DE SITE
Amplie seus conhecimentos sobre discurso citado. Acesse 
o portfólio Discurso citado: trazendo outras vozes para 
nossos textos, desenvolvido pela UNISINOS. Disponível em: 
http://portfolio.unisinos.br/discursocitado/index.html 
Leia a dissertação de mestrado Referência ao discurso do outro: uma análise 
de problemas de relações de sentido entre discurso citado direto e discurso 
citante no gênero monográfico, defendida pelo pesquisador José Cezinaldo 
Rocha Bessa, na UFRN, em 2007. Disponível em: https://bdtd.ibict.br/vufind/
Record/UFRN_deaa87bb56d5f1eb41c8b84ee8e83a9a
Atenção
A citação deve vir acompanhada da indicação de autoria, que 
pode aparecer inserida no texto ou entre parênteses. O ponto 
final deve ficar após o fechamento dos parênteses, pois a 
indicação da responsabilidade faz parte da sentença ou frase.
54
•	 Tipos de citação
A) Citação direta – é a transcrição literal e fiel de um trecho consultado. Ela deve 
ser colocada entre aspas duplas e o autor deve ser referenciado, juntamente com o 
ano da publicação e a página.
Exemplo: Carvalhal (2006, p. 07) explica que “Comparar é um procedimento que 
faz parte da estrutura de pensamento do homem e da organização da cultura. Por 
isso, valer-se da comparação é hábito generalizado em diferentes áreas do saber 
humano e mesmo na linguagem corrente, onde o exemplo dos provérbios ilustra a 
frequência de emprego do recurso”.
 Quando a autoria não fizer parte do texto, deve aparecer entre parênteses, 
com as letras maiúsculas, seguida do ano e paginação, quando for possível 
identificar.
Exemplo: Utilizar a comparação “é hábito generalizado em diferentes áreas do 
saber humano e mesmo na linguagem corrente, onde o exemplo dos provérbios 
ilustra a frequência de emprego do recurso” (CARVALHAL, 2006, p. 07).
B) Citação indireta – consiste na citação livre do texto, ou seja, é a reprodução de 
algumas ideias do autor, sem que suas palavras sejam transcritas.
Exemplo: A comparação não é exclusiva da literatura comparada e não é o seu 
emprego sistemático que caracteriza a sua atuação (CARVALHAL, 2006).
C) Citação de citação - citação direta ou indireta retirada de uma obra em que 
não se teve acesso ao documento original. Registra-se o sobrenome do autor 
do documento original, e data, seguido da expressão “apud” (citado por) e do 
sobrenome, data e página do documento consultado.
Exemplos: A túnica submucosa em répteis consiste de tecido conjuntivo frouxo, 
infiltrado por grandes vasos sanguíneos e linfáticos, bem como tecido linfoide, na 
forma de nódulos. (PERNKOPF; LEHNER, 1937 apud LUPPA, 1977). 
55
Platão (428 a.C.; séc. V apud ABBAGUANO, 2000, p.75), afirmava que o pensamento 
é uma atividade do intelecto ou da razão em oposição aos sentidos e à vontade. 
•	 Formas de apresentação
A citação direta, indireta ou a citação de citação, quando está localizada no interior 
do texto, pode ser classificada de duas formas: curta ou longa. 
A) Citação curta – quando a citação tiver até três linhas, ela deve ser transcrita 
entre aspas duplas dentro do texto, com indicação da fonte de onde foi retirada, 
incluindo a paginação.
Exemplo: Para Saviani (1994, p.23) “Refletir é o ato de retomar, reconsiderar os 
dados disponíveis, revisar, vasculhar numa busca constante de significado.”
B) Citação longa – quando a citação tiver mais de três linhas, ela deve sertranscrita 
sem aspas. Em parágrafo independente, com recuo de 4 cm da margem esquerda, 
digitada em espaço simples nas entrelinhas, com fonte menor que a do texto e 
indicação de página.
Exemplo:
O desenvolvimento do pensamento tem início com o nascimento e termina 
com a aquisição do raciocínio lógico e formal, é comparável ao crescimento 
orgânico: como este o desenvolvimento do pensamento reflexivo. Orienta-
se sempre para um estado de equilíbrio (PALANGANA, 1998, p.81)
 Além das características apresentadas, a citação pode ser indicada por 
sistemas de chamada (numérico e autor-data) e notas de rodapé (de referência 
e explicativas).
Atenção
Os exemplos apresentados aqui foram de citação direta.
56
•	 Sistemas de chamada
 As citações que aparecem no texto podem ser indicadas mediante os 
sistemas numérico ou autor-data. O autor deve adotar um só tipo de sistema e 
utilizar durante todo o trabalho.
A) Sistema numérico - as citações devem ter numeração arábica única e 
consecutiva. A indicação numérica pode ser feita entre parênteses ou situada 
pouco acima da linha de texto, em expoente à linha do mesmo, após a pontuação 
que fecha a citação. São utilizadas para indicação das fontes consultadas, ou para 
explicações que se fizerem necessárias, remetendo para a lista de referências, na 
mesma ordem em que aparecem no texto. Ressalta-se que este tipo de sistema 
não deve ser utilizado quando há notas de rodapé.
Exemplos: Segundo Romanelli “o apego ao dogma e à tradição escolástica e 
literária fazia com que a educação não tivesse interesse pela ciência.” 
Segundo Romanelli “o apego ao dogma e à tradição escolástica e literária fazia com 
que a educação não tivesse interesse pela ciência.” ¹
B) Sistema autor-data - a fonte indicada no sistema autor-data deve ter sua 
chamada pelo sobrenome do autor, pela entidade responsável ou ainda, pelo 
título de entrada, seguido(s) do ano e da página, separados por vírgula e entre 
parênteses, podendo vir antes ou após a citação. 
Exemplo: Os programas de educação em saúde promovem o reconhecimento 
por parte da população das suas necessidades de saúde, a adoção de medidas 
adequadas para satisfazê-las, objetivando fazê-la participante e co-responsável 
pela sua saúde e da comunidade. (BRASIL, 2000, 2001, 2002).
57
•	 Notas de rodapé
Segundo o “Manual para normatização de trabalhos acadêmicos da UEMA” (2019, 
p. 74), consistem na complementação e no esclarecimento das informações de um 
texto. Podem ser de referências ou explicativas. Apresentam-se da seguinte forma: 
a) indicadas na mesma folha do texto que pretendem esclarecer e/ou complementar; 
b) digitadas dentro das margens, com fonte menor que a do texto, em espaço 
simples; 
c) separadas do texto por um espaço simples entrelinhas e por um traço de 5 cm, a 
partir da margem esquerda; 
d) precedidas de algarismos arábicos ao alto ou ao lado.
Dividem-se em: notas de referência e notas explicativas.
A) Notas de referência - indicam fontes consultadas de uma maneira sequencial ou 
remetem a outras partes da obra onde o assunto é abordado. Podem apresentar-se 
da seguinte forma: 
a) a primeira citação de cada documento deve ter sua referência completa;
b) para indicar um documento diferente de autor já referenciado em nota anteriormente 
e não muito distante, deve-se fazer a referência utilizando-se a expressão latina “Id” 
(mesmo autor), seguida do título e dos outros elementos da referência;
c) para indicar o mesmo documento, já referenciado em notas anteriormente, na 
mesma página ou nas páginas subsequentes, deve-se fazer a referência de forma 
abreviada, utilizando-se a expressão latina “Ibid” (na mesma obra);
d) após o sobrenome, para se indicar um documento do mesmo autor já referenciado 
não muito distante, podendo ser ou não na mesma página, intercalados com 
58
referências de outros autores, deve-se fazer a referência de forma abreviada, 
utilizando-se a expressão latina “op.cit” (obra citada);
e) para se indicar a mesma página de um documento já referenciado anteriormente, 
e não muito distante, porém intercalada com outras referências, deve-se utilizar a 
expressão latina abreviada “loc.cit” (no lugar citado) após o sobrenome do autor;
f) para se indicar várias passagens de um documento já referenciado, devesse fazer 
a referência utilizando-se a expressão latina passim (aqui e ali) após o sobrenome 
do autor;
g) para remeter o leitor à consulta de outras páginas do mesmo documento, ou para 
um outro documento, utiliza-se, na referência, a expressão abreviada Cf. (conferir, 
confrontar).
h) para indicar que não se quer citar todas as páginas da obra referenciada, utiliza-
se a expressão latina abreviada “et. seq.” (seguinte ou que se segue); 
Exemplo: __________________ 
 FOUCAULT, 1994, p. 17 et. seq.
B) Notas explicativas - são usadas para tecer comentários, esclarecimentos ou 
considerações complementares que não possam ser incluídos no texto, devendo 
apresentar numeração única e consecutiva para cada capítulo ou parte.
No texto 
Exemplo: os pais estão sempre confrontados diante das duas alternativas: 
vinculação escolar ou vinculação profissional. 4 
No rodapé 
Exemplo:
__________________ 
4 Sobre essa opção dramática, ver também Morice (1996, p.269-290)
59
3.5 – FORMATAÇÃO
 Conforme mencionamos na primeira seção desta unidade, a ABNT 
(Associação Brasileira de Normas Técnicas) é a entidade responsável por criar as 
NBRs (Normas Técnicas Brasileiras) que serão utilizadas para a formatação dos 
textos acadêmico-científicos.
 O Manual para normatização de trabalhos acadêmicos da UEMA (2019, p. 
78) explica que “A formatação do trabalho acadêmico consiste na observação das 
normas e padrões com o objetivo de uniformidade”. As chamadas “Normas para 
apresentação gráfica” são empregadas para formato e imagens, espaçamento, 
paginação, numeração progressiva, abreviaturas e siglas, equações e fórmulas, 
ilustrações e tabela. 
 De um modo geral, os trabalhos acadêmicos são formatados considerando: 
i) os elementos textuais: introdução, desenvolvimento, conclusão; e ii) os 
elementos pós-textuais: referências, glossário, apêndice(s), anexo(s), índice.
Referências
 As referências devem ser inseridas nos textos acadêmicos depois de feitas 
as Conclusões ou Considerações finais. A apresentação das referências é 
um item indispensável e de suma importância em qualquer trabalho acadêmico-
científico, pois conferem credibilidade ao texto, sinalizam para o leitor quais foram 
SUGESTÃO DE LEITURA
Para saber mais sobre os tipos e como fazer citações, 
consulte o Manual para normatização de trabalhos 
acadêmicos da UEMA (2019). Disponível no link: https://
www.biblioteca.uema.br/wp-content/uploads/2019/05/
Manual-de-Normaliza%C3%A7%C3%A3o-2019-1.pdf
60
as fontes/obras pesquisadas e que constam no interior do texto produzido. Dos três 
gêneros estudados neste e-Book, o que contém um maior número de referências é 
o artigo.
 As referências apresentam elementos como: autoria, título e subtítulo (se houver), 
edição, local, editora, ano da publicação, mês, dia e hora, descrição física, série e 
coleção, notas.
Existem vários modelos de referências usados para fins específicos: Monografia 
no todo (livros, manuais, dissertações, teses), parte de monografia (capítulos 
de livros, volumes), fascículo de periódico, artigo científico, eventos científicos 
(congressos, simpósios), artigo e/ou matéria de jornal, documentos jurídicos, 
documentos iconográficos (pinturas, gravuras, fotografias, desenhos técnicos, 
transparências, cartazes, filme, entre outros), documentos cartográficos (mapas, 
globos, atlas, fotografias aéreas, entre outros), documentos audiovisuais (imagens 
em movimento e registros sonoros nos suportes: disco de vinil, cd’s, vídeos, blu-
ray, fita magnética entre outros), documentos tridimensionais (esculturas, maquete, 
fosseis, objetos de museus, monumentos, entre outros), partituras, correspondência 
(bilhete, carta, cartão,entre outros), patente, documentos civis e de cartórios, 
documentos eletrônicos.
SUGESTÃO DE LEITURA
Para saber mais sobre os tipos e como fazer referências, 
consulte o Manual para normatização de trabalhos 
acadêmicos da UEMA (2019). Disponível em: https://
www.biblioteca.uema.br/wp-content/uploads/2019/05/
Manual-de-Normaliza%C3%A7%C3%A3o-2019-1.pdf 
61
RESUMO
 Nesta Unidade, aprendemos sobre as normas que organizam e regulamentam 
a escrita científica e sobre a importância da ABNT para a leitura, produção, 
divulgação e preservação dos textos acadêmico-científicos, assim como para as 
pesquisas de um modo geral. 
 Estudamos que a paráfrase é um elemento constitutivo e fundamental na 
construção desses textos, juntamente com os discursos citado direto e indireto e o 
emprego dos diferentes tipos de citação. Na condição de pesquisadores, precisamos 
conhecer e aplicar as normas de formatação dos elementos textuais e pós-textuais 
que estruturam a pesquisa científica.
62
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Tradução: Maria Ermantina Galvão G. 
Pereira. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
BESSA, J. C. R.; BERNARDINO, R. A. dos S. A Referência ao discurso do 
outro em textos acadêmicos de estudantes de curso de Letras/Português. 
CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABRALIN, 7, 2011, Curitiba. Anais. Curitiba: 
UFPR, 2011, p.2068-2081.
CUNHA, D. de A. C da. Do discurso citado à circulação dos discursos: a reformulação 
bakhtiniana de uma noção gramatical. Matraga, Rio de Janeiro, v. 15, n. 22, jan./
jun., 2008. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/matraga/
article/view/27911/19983. Acesso em: 30 jun. 2021. 
 
KOCH, I.; ELIAS, V. M. Escrever e argumentar. São Paulo: Contexto, 2017.
KOCH, I.; ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: 
Contexto, 2012.
KRISTEVA, J. Introdução à semanálise. São Paulo: Perspectiva, 1974. 
MAINGUENEAU, D. Análise de textos de comunicação. 5. ed. ampl. Tradução de 
Cecília P. de Souza e Délcio Rocha. São Paulo: Cortez, 2008.
MESERANI, S. O intertexto escolar. 4.ed. São Paulo: Cortez, 1995.
OLIVEIRA, J. L. de (org.); CRAVEIRO, M.; CAMPETTI Sobrinho, G. Guia prático 
de leitura e escrita: redação, resumo técnico, ensaio, artigo, relatório. Petrópolis, 
RJ: Vozes, 2013.
SANT’ANNA, A. R. Paródia, Paráfrase e CIA. Série Princípios, 2.ed. Ed. Ática, 
1985.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO. Manual para normalização de 
trabalhos acadêmicos. Sistema Integrado de Bibliotecas da UEMA. – 3. ed. rev., 
atual. e ampl. – São Luís: EDUEMA, 2019.
63
ÉTICA NA CONSTRUÇÃO DO ARTIGO 
ACADÊMICO-CIENTÍFICO (PLÁGIO)
 Objetivos
Discutir a importância da ética na produção de artigos acadêmico-cien-
tíficos;
Entender o conceito de plágio e as consequências acarretadas para os 
pesquisadores que o cometem;
Apresentar os tipos de plágio.
4
UNIDADE
Figura 07 - Proibido plágio acadêmico
Fonte: https://bibliotecaucs.wordpress.com/2014/07/16/plagio-academico-e-crime/
64
Figura 08 - Integridade e ética na pesquisa
Fonte: http://www.uems.br/midiaciencia/plagio/ 
 Nas Unidades anteriores, discutimos sobre o processo de produção de 
resumos, resenhas e artigos, assim como as regras que orientam o saber científico. 
Nesta Unidade, vamos priorizar o artigo acadêmico-científico e discutir os conceitos 
de ética e plágio. Para isso, dividimos a unidade em duas seções. Na primeira, 
apresentamos o conceito de ética e defendemos a sua importância para a construção 
do artigo. Na segunda, expomos o conceito e os tipos de plágio.
4.1 – Conceito de ética científica
 A construção de um artigo científico demanda do pesquisador o cumprimento 
e o registro de etapas como consultar várias fontes de pesquisa para fundamentá-
lo teoricamente, desenvolver uma metodologia utilizando métodos adequados, 
selecionar e analisar dados para a construção do corpus, apresentar os resultados 
e conclusões provenientes da pesquisa. Para desenvolver todas essas etapas 
de maneira segura e ser reconhecido no meio acadêmico, é fundamental que ele 
respeite a ética científica. 
 A palavra Ética, de origem grega, vai muito além da ciência e apresenta duas 
etimologias possíveis: 1ª.) a palavra éthos pode ser traduzida por “costume”; e 2ª.) 
ela também pode significar “propriedade do caráter”. A primeira serviu de base para 
a tradução latina moralis e a segunda orienta a utilização atual que damos à palavra 
65
ética. Segundo Moore (1975, p. 4), “Ética é a investigação geral sobre aquilo que é 
bom”. Ela engloba o estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana 
e à noção que julgamos ter sobre o bem e o mal. 
 Ser um pesquisador ético é um consenso universal. O pensamento científico, 
assim como a maneira como ele é registrado nas pesquisas, evitando o plágio, 
segue condutas que tentam garantir a integridade dos métodos e fontes utilizados. 
Entretanto, as condutas éticas nem sempre são respeitadas pelo pesquisador.
 Apresentamos, a seguir, alguns exemplos de má conduta que violam o 
conceito de ética científica:1
	Autoria indevida (por meio de plágio, autoplágio, abuso de autoridade);
	Conflitos de interesse que podem comprometer os resultados da pesquisa;
	 Falsificação ou manipulação de dados/resultados;
	 Falta de rigor científico (falta de cuidado com a coleta e análise de dados, 
por exemplo);
	Descumprimento de exigências legislativas e regulamentares.
 Esses exemplos violam a ética científica e afetam a imagem do pesquisador. 
Quando ele age desse modo, a sua reputação no meio acadêmico passa a ser 
questionada. 
 Em se tratando de pesquisas que envolvem seres vivos e, em particular, 
experimentos em humanos, a ética científica é bem mais rigorosa. Visando garantir 
a integridade ética, algumas Universidades e Institutos de pesquisa criam os 
chamados “Comitês de Ética em Pesquisa”.
4.1.1 – Comitês de ética
 Os comitês de ética são fundamentais para garantir a segurança da pesquisa, 
do pesquisador e dos demais sujeitos participantes. Eles contribuem para a adoção 
1 Exemplos retirados do site https://www.enago.com.br/academy/o-que-e-a-etica-na-pesquisa/ 
Acesso em: 10 de jul. 2021.
66
de procedimentos adequados nos trabalhos acadêmico-científicos que exigem um 
estudo mais detalhado.
 Cada comitê possui regras específicas e que devem estar de acordo com 
as Resoluções do Conselho Nacional de Saúde. Quanto mais o pesquisador 
conhecer e respeitar essas regras, maiores serão as chances de ele desenvolver 
uma pesquisa ética e obter bons resultados, contribuindo para que a sua pesquisa 
e a instituição a qual está vinculado sejam reconhecidas socialmente pelos serviços 
prestados.
No entendimento de Batista, Andrade e Bezerra (2012, p. 150),
Os comitês de ética em pesquisa são responsáveis pela avaliação ética 
dos projetos de pesquisa; ademais, devem informar e educar seus 
membros e a comunidade quanto a sua função no controle social. Para 
alguns pesquisadores, os comitês de ética são alvo de muitas críticas; 
todavia, na atualidade, são imprescindíveis no campo das pesquisas e 
publicações.
 Assim como ocorre em outras universidades, a Universidade Estadual do 
Maranhão também possui o seu próprio Comitê de Ética em Pesquisa com Seres 
Humanos, o CEP/UEMA.
 De acordo com as informações que constam no site da PPG (Pró-Reitoria de 
Pesquisa e Pós-Graduação)2,
O Comitê de Ética em Pesquisa, da Universidade Estadual do Maranhão 
(CEP/UEMA), credenciado pelo Conselho Nacional de Ética em 
Pesquisa, é um colegiado multidisciplinar e multiprofissional. De caráter 
deliberativo, atua com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da 
ciência ancorado em princípios éticos, funcionando de acordo com as 
recomendações da Resolução nº. 466, de 12 de dezembro de 2012, do 
Conselho Nacional de Saúde — Conselho Nacional de Saúde/Ministério 
da Saúde.
 Em suma, os Comitês de Ética em Pesquisa atestam a qualidade das pesquisas 
realizadas e das informações contidas nos artigos científicos produzidosno Brasil. Isto 
porque exigem do pesquisador a descrição detalhada de todas as etapas da pesquisa, 
antes de depois de ela ser desenvolvida, garantindo a veracidade dos dados, e retorno de 
tudo o que foi produzido. Essas informações são documentadas em formulários, relatórios 
e outras formas de registro.
2 Informações disponíveis em: https://www.ppg.uema.br/?page_id=3630. Acesso em: 28 de jun. 
2021.
67
4.2 – Concepção de plágio
 Na terceira Unidade, vimos que dos três gêneros acadêmico-científicos 
estudados, o artigo científico é o que possui um número maior de referências. 
Durante a escrita de um artigo, quando copiamos ou parafraseamos o trecho de 
uma obra e não apresentamos esta fonte nas referências, deixamos de ser éticos 
e passamos a cometer plágio.
 O plágio é definido como o ato de assinar ou apresentar uma obra intelectual 
de qualquer natureza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual) 
contendo partes de uma obra que pertença a outro autor, sem colocar os créditos 
para esse autor original. (GERHARDT e SILVEIRA, 2009, p. 92)
Sobre a produção/reprodução de discursos, Foucault (2001, p. 275) informa que
SUGESTÃO DE LEITURA
Para saber mais sobre a ética na pesquisa científica, 
leia o texto Comitê de ética em pesquisa no Brasil. 
https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-151/
comite-de-etica-em-pesquisa-no-brasil/amp/ 
 ATENÇÃO
Para saber mais sobre a ética na pesquisa científica, leia o texto 
Comitê de ética em pesquisa no Brasil. https://ambitojuridico.
com.br/edicoes/revista-151/comite-de-etica-em-pesquisa-
no-brasil/amp/ Devemos lembrar que as citações diretas, 
as indiretas e as citações de citações já apresentam 
alguns elementos como sobrenome do autor ou autores, ano 
de publicação e página. Porém, isso não é o suficiente, já que as 
informações devem ser apresentadas por completo nas referências. Só 
assim evitamos o plágio.
68
O discurso, em nossa cultura (e, sem dúvida, em muitas outras), não era 
originalmente um produto, uma coisa, um bem: era essencialmente um 
ato […]. E quando se instaurou um regime de propriedade para os textos, 
quando se editoram regras estritas sobre os direitos do autor, sobre as 
relações autores-editores, sobre os direitos de reprodução, etc. – ou seja, 
no fim do século XVIII e inícios do século XIX – é nesse momento em que 
a possibilidade de transgressão que pertencia ao ato de escrever adquiriu 
cada vez mais o aspecto de um imperativo próprio da literatura. Como se o 
autor, a partir do momento em que foi colocado no sistema de propriedade 
que caracteriza nossa sociedade, compensasse o “status” que ele recebia, 
reencontrando assim o velho campo bipolar do discurso, praticando 
sistematicamente a transgressão, restaurando o perigo de uma escrita na 
qual, por outro lado, garantir-se-iam os benefícios da propriedade.
 Todos os discursos científicos produzidos no Brasil têm a sua propriedade 
intelectual respaldada cientificamente e juridicamente. Isto significa dizer que 
existem leis para amparar e resguardar o fazer científico, registrado sob a forma de 
artigos, por exemplo.
•	 O que acontece com o pesquisador que viola os direitos autorais ao 
construir um artigo científico?
 Quando o pesquisador constrói o seu trabalho acadêmico utilizando cópias 
de textos de terceiros, sem sua autorização ou deixando de indicar/referenciar 
a respectiva fonte, ele pode ser considerado um plagiador das ideias do outro, 
mesmo que ele tente mascarar o conteúdo copiado. Ao agir assim ele passará a 
sofrer sanções jurídicas e acadêmicas, podendo, até mesmo, ter o seu diploma 
cassado e vindo a perder o título de Graduado, Especialista, Mestre ou Doutor.
 O Código Penal Brasileiro, caput do art. 184 assevera que a pena para quem 
violar os direitos autorais são de três meses a um ano de prisão, ou multa, uma 
vez que transgride os direitos morais e/ou patrimoniais do autor da obra. Nesse 
sentido, o plágio é considerado um crime e está previsto na lei 9.610 (Lei de direitos 
autorais).
 Atualmente, existem alguns programas de computador utilizados para 
detectar o plágio em trabalhos acadêmicos chamados de “Programas contra plágio” 
ou “Farejadores de plágio”. São eles: o “Plagius”, “Farejador de plágio”, “Plagium”, 
“Plagiarisma” e “Plag.pt”.3
3 Para obter mais informações sobre o funcionamento desses programas, consulte o site https://
www.techtudo.com.br/noticias/2018/04/conheca-cinco-programas-gratis-para-detectar-plagio.ght-
ml. Acesso em: 10 jul. 2021.
69
4.2.1 – Tipos de plágio
 Dependendo da quantidade do conteúdo que foi copiado, o plágio acadêmico 
pode ser divido basicamente em três tipos: plágio integral, plágio parcial e plágio 
conceitual (GERHARDT e SILVEIRA, 2009). Vejamos o conceito de cada um deles:
a) Plágio integral – corresponde à transcrição, sem citação da fonte de um texto 
completo;
b) Plágio parcial – representa cópia de algumas frases ou parágrafos de diversas 
fontes, para dificultar a identificação;
c) Plágio conceitual – é a apropriação de um ou vários conceitos, ou de uma 
teoria, que o autor de um texto apresenta como se fossem seus. 
 Conforme propõe a legislação, ainda existem outros conceitos relacionados 
ao plágio. São eles:
a) Heteroplágio – o fato de um autor apropriar-se de obra de outra pessoa. 
b) Autoplágio – o fato de um autor copiar trechos seus e distribuí-los em diferentes 
artigos como se fossem originais. 
 SAIBA MAIS
Para saber mais sobre o plágio acadêmico, consulte a cartilha 
Nem tudo o que parece é: entenda o que é plágio, elaborada por 
pesquisadores da Universidade Federal Fluminense. Disponível 
em: http://ppgeducacao.sites.uff.br/cartilha-iacsproacuff-sobre-
plagio/ 
70
RESUMO
 Nesta Unidade, estudamos os conceitos de ética e de plágio na construção 
do artigo acadêmico-científico. Vimos que existem algumas condutas éticas que, 
quando são violadas, afetam a imagem e a reputação do pesquisador no meio 
acadêmico. Para garantir a integridade da pesquisa, do pesquisador e de todos 
os demais sujeitos envolvidos no fazer científico, existem os comitês de ética em 
pesquisa, como o CEP/UEMA. Vimos que o ato de cometer plágio é considerado um 
exemplo de má conduta ética e que existem diferentes tipos de plágio, dependendo 
da quantidade do conteúdo copiado/plagiado pelo pesquisador, identificado como 
“plagiador”. Ao agir assim, ele poderá sofrer sanções acadêmicas e jurídicas.
SUGESTÃO DE LEITURA
Para saber mais sobre os tipos de plágio, leia o livro 
Plágio acadêmico, escrito por Marcos Wachowicz e 
José Augusto Fontoura Costa, publicado pela UFPR. 
Disponível em: http://www.gedai.com.br/wp-content/
uploads/2018/08/plagio_academico_ebook.pdf
71
REFERÊNCIAS
BATISTA, K. T.; ANDRADE, R. R. de; BEZERRA, N. L. O papel dos comitês de ética 
em pesquisa. Rev. Bras. Cir. Plást. v. 27, n. 1, 2012. Disponível em: https://www.
scielo.br/j/rbcp/a/ZZS4CNSWR6BLhZK4rgZRMKm/?lang=pt&format=pdf . Acesso 
em: 28 de jun. 2021.
CÓDIGO PENAL BRASILEIRO. Lei de direitos autorais no. 9.610. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm. Acesso em: 09 jul. 2021.
FOUCAULT, M. Ditos e escritos III: estética: literatura e pintura, música e cinema. 
Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001.
GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. (Orgs.). Métodos de pesquisa. Coord. 
Universidade Aberta do Brasil – UAB/UFRGS e pelo Curso de Graduação 
Tecnológica – Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural da SEAD/
UFRGS. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.
MOORE, G. E. Princípios éticos. São Paulo: Abril Cultural, 1975.apresentar elementos e métodos de produção do 
saber científico que são desenvolvidos por meio da escrita de textos acadêmicos.
 
 Para isso, dividimos esta primeira Unidade em quatro tópicos. No primeiro, 
refletimos sobre as características do conhecimento científico. Em um segundo 
momento, no tópico 02, apresentamos os conceitos e concepções sobre a pesquisa 
científica, possibilitando uma reflexão em relação aos princípios norteadores da 
produção textual em contexto acadêmico. No tópico 03, propomos uma discussão 
sobre a formulação de objetos e problemas de pesquisas, compreendendo-os 
como base fundamental para a prática científica. Por fim, abordamos, no tópico 04, 
o conceito de texto acadêmico-científico.
 A seguir, apresentamos os principais objetivos desta nossa primeira unidade.
Boa leitura! E Bons Estudos!
1.1 - O conhecimento científico
Para este primeiro tópico da Unidade 01 de nosso material, retomamos conceitos 
sobre a produção de saberes na sociedade, no sentido de demonstrar as 
características fundamentais do fazer científico.
9
 Para Demo (2000, p. 29) “conhecimento científico é o que busca fundamentar-
se de todos os modos possíveis e imagináveis, mas mantém consciência crítica de 
que alcança este objetivo apenas parcialmente, não por defeito, mas por tessitura 
própria do discurso científico”. Segundo o autor, o processo de argumentação 
desenvolvido por trabalhos científicos, precisam ser estruturados de forma que 
“permitam ser desmontados e superados”
É preciso enfatizar que o conhecimento científico é discutível. Não pela mera 
polêmica, mas discute-se uma tese porque se chega a outra melhor elaborada. 
Não é a crítica pela crítica. Mas, como Pedro Demo bem colocou é a crítica e 
autocrítica porque só assim é possível ter as alterações, revisões e substituições 
dos paradigmas.
1.2 - A pesquisa científica
 Nesta sessão temos o objetivo de apresentar o conceito de pesquisa 
científica. Compreendemos que é importante para os estudantes e pesquisadores 
de universidades, faculdades e institutos de pesquisa, entenderem que o processo 
de escrita científica transcende o domínio sobre as técnicas de escrita de um texto 
acadêmico. Para que possamos desenvolver pesquisas e consequentemente 
produzir novos conhecimentos científicos, é necessário compreendermos que a 
prática de pesquisa é, nos dias de hoje, um exercício e trabalho de profissionais de 
diferentes áreas de conhecimento. 
Atenção
O senso comum presente na sociedade possui em sua estrutura 
diferentes formas de conhecimento.
É importante reconhecermos que o conhecimento científico, diferente 
de outros presentes na sociedade, tem por especificidade fundante a 
adoção de metodologias públicas e rigorosas, que buscam em sua essência 
a constituição de fundamentos e argumentos científicos, com objetividade e neutralidade.
Porém, é possível dizermos que há condições que influenciam na produção do 
conhecimento científico, assim como outros saberes do senso comum, como o religioso.
10
 As pesquisas científicas têm como propriedade fundamental a busca por 
melhorias na qualidade de vida da sociedade, bem como resolução de problemas 
sociais. Não diferente, os trabalhos científicos materializados em textos, sejam 
aqueles desenvolvidos no início, no desenvolvimento, ou ao final da pesquisa, se 
caracterizam no ambiente universitário, como gêneros acadêmicos com diferentes 
estruturas. Como exemplo, podemos citar: resumo, resenha, artigos, e entre outros.
Conforme vimos até aqui, foi possível perceber que a pesquisa científica se 
caracteriza enquanto um procedimento que faz uso de metodologias próprias com 
o objetivo de desenvolver conhecimentos científicos. Richardson (1999, p. 22) nos 
afirma que “O método científico é o caminho da ciência para chegar a um objetivo. 
A metodologia são as regras estabelecidas para o método científico [...]” 
Neste sentido, também podemos retomar as contribuições de Demo (2006, p. 10), 
A pesquisa pode significar condição de consciência crítica e cabe com 
o componente necessário de toda proposta emancipatória. Para não ser 
mero objeto de pressões alheias, é mister encarar a realidade com espírito 
crítico, tornando-a palco de possível construção social alternativa. Aí, já 
não se trata de copiar a realidade, mas de reconstruí-la conforme nossos 
interesses e esperanças. É preciso construir a necessidade de construir 
caminhos, não receitas que tendem a destruir o desafio de construção. 
SUGESTÃO DE VÍDEO
Para saber mais sobre o conteúdo assista ao vídeo 
“Metodologia do conhecimento científico” com Pedro 
Demo. Acesse o link: https://www.youtube.com/
watch?v=7hLqaJLQ5Q4 
11
Figura 2 - Capa do Livro Introdução à Metodologia da Ciência
Fonte: www.amazon.com.br 
1.3 - Objeto de estudo/pesquisa e problemática
 Para o desenvolvimento de qualquer forma de pesquisa, independentemente 
de áreas de estudo, sempre precisamos ter em vista o desenvolvimento de um 
objeto de estudo. É a formulação e definição de um problema e ou fenômeno social 
como elemento de análise e reflexão teórico-científica.
 Ribeiro (2016, p. 119), ao retomar os estudos de Bachelard (1996), propõe 
reconhecermos que “a constituição de um objeto de pesquisa seria correlata à 
inscrição de um nome próprio, um nome para que não seja mais preciso apontar o 
dedo. [...] Trata-se, portanto, de despir-nos desses caminhos imaginários – que são 
aqueles baseados em um julgamento moral|”.
 Conforme vimos, o desenvolvimento de um objeto de estudo está interligado 
a inscrever-se enquanto pesquisador dentro de uma proposta de problematização 
de um fenômeno da linguagem, e enfrentar os imaginários possíveis que podem 
contribuir com a resolução ou diagnóstico do problema levantado.
12
 Segundo Ribeiro (2016), é possível entender que o desenvolvimento de 
um objeto de estudo/pesquisa pode configurar-se como a construção singular do 
pesquisador que produz um texto acadêmico.
- O problema científico
Toda atividade científica requer o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos que 
se caracterizam de formas diferentes, porém, todos possuem uma relação com a 
formulação de um objeto de estudo, que consequentemente se constitui a partir do 
desenvolvimento de um problema de pesquisa.
A problemática se estrutura inicialmente por meio da dúvida de um pesquisador.
 Ao se filiar a um campo teórico de investigação científica, este pesquisador 
desenvolve e seleciona métodos e técnicas científicas que o auxiliarão no 
desenvolvimento de seu estudo sobre o fenômeno problematizado.
1.4 - O que é texto científico/acadêmico?
 Os textos científicos, também são conhecidos como trabalhos acadêmicos, 
que se caracterizam como uma produção textual, uma narrativa escrita que faz 
uso de conceitos e teorias para fundamentar uma reflexão e/ou uma análise de 
fenômenos sociais de diferentes áreas, resultados de pesquisas científicas.
 Esta forma de produção é própria da comunidade acadêmico-científica, 
que no Brasil é representada em grande parte pelas universidades. Entre suas 
características, o texto científico tem uma linguagem própria e específica da área de 
estudo, mas de forma geral, se organiza por meio de uma linguagem objetiva, que 
evita ambiguidade, e tem entre como uma de suas preocupações, a informatividade 
e clareza em seus conceitos.
Para Ribeiro (2016, p. 122),
A escrita do texto acadêmico, para um pesquisador da área de linguagem, 
diferentemente de outras áreas de conhecimento, constitui-se como 
suporte e produto de uma investigação científica. É pela escrita de tal texto 
que os resultados da pesquisa empreendida são divulgados, à medida 
que tal escrita se configura como produto dessa investigação.
13
 A autora nos reforça a concepção de que, ao escrever um texto científico, 
precisamos atender duas etapas de investigação. A primeira é a de apresentar para 
sociedade os resultados da pesquisa, e a segunda é compreender que o texto 
concluído funciona como prova material da experiência científicadesenvolvida a 
partir do desenvolvimento de um objeto de estudo.
Para Vieira e Fabiano (2013, p. 251),
A produção escrita de textos acadêmicos possui em sua estrutura 
procedimentos teórico-metodológicos, como a apresentação de um 
problema, a criação de um objeto de pesquisa e a utilização de outros 
discursos, como argumentação e sustentação da investigação, que é 
realizada pelo jovem-pesquisador.
 Alguns gêneros textuais acadêmico-científicos não possuem em sua 
estrutura a necessidade de objetos de estudos específicos, o resumo e a resenha 
por exemplo. Porém, estas produções são oriundas da análise de outros textos 
acadêmicos que podem conter em sua estrutura, um objeto de pesquisa definido.
 
 Assim, a escrita de textos científicos demanda de quem escreve um domínio 
sobre a produção e identificação de problemas de pesquisa, objetos de estudo, e toda 
articulação de procedimentos teórico-metodológicos utilizados como mecanismos 
de argumentação.
•	 Os tipos e as correspondências
 Um conteúdo importante para lembrarmos são os conceitos universais de 
tipologias textuais, como texto narrativo, descritivo e argumentativo. 
 Estas formas de textos estão presentes e estruturam os gêneros textuais. No 
contexto acadêmico, podemos citar como exemplos a escrita de resumos, resenhas 
e artigos científicos.
14
Tabela1 - Redação técnico-científica
Redação técnico-científica
Precisão do vocabulário, a exatidão dos pormenores.
Imparcialidade e comunicabilidade: eficácia e a exatidão da comunicação
Esclarecer, informar
Objetividade
Não permite ambiguidade
Uniformidade na estrutura, na terminologia e no estilo.
Linguagem denotativa
Função referencial
Fonte: elaborada pelos autores
RESUMO
 Nesta Unidade estudamos o conceito de conhecimento científico e as 
características fundamentais do fazer científico, como o uso das metodologias 
adequadas, a escolha do objeto de estudo e do problema de pesquisa. Também 
aprendemos a diferença entre o texto científico e o texto técnico. Para que um texto 
seja considerado científico, ele deve obedecer a alguns princípios básicos, como 
clareza, coesão e coerência, objetividade, correção e emprego adequado das 
normas gramaticais. Portanto, o conhecimento científico apresenta características 
específicas e não deve ser confundido com o conhecimento produzido pelo senso 
comum.
 SAIBA MAIS: CARACTERÍSTICAS
O Texto científico - revela pesquisa, possui rigor científico e visa 
publicação. Ex. monografias, teses, resenhas e artigos científicos.
O Texto técnico - relativo às profissões, a atividades empresariais 
e repartições públicas. Ex. atas, memorandos, circulares, 
requerimentos, relatórios, avisos entre tantos outros.
Proximidades 
As redações técnico-científicas apresentam características que são regidas pelos mesmos 
princípios básicos (no sentido amplo) que orientam a estruturação de qualquer texto 
escrito, ou seja: clareza – coesão e coerência – objetividade, correção e obediência 
às normas gramaticais.
15
REFERÊNCIAS
BACHELARD, G. A formação do espírito científico. Contribuição para a psicanálise 
do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.
DEMO, P. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000.
_____. Pesquisa: princípio científico e educativo. 12. Ed. São Paulo: Cortez, 2006
RIBEIRO, M. A. de O. Para não apontar o dedo: a constituição de um objeto de 
pesquisa In. TOLOMEI & LIMA (Orgs.) Entre Fronteiras: reflexões entre linguística 
e literatura. São Luís: EDUFMA, 2016.
RIBEIRO, M. A. de O. Contornando Nevoeiros: A escrita de um objeto de pesquisa In. 
TOLOMEI & LIMA (Orgs.) Entre Fronteiras: reflexões entre linguística e literatura. 
São Luís: EDUFMA, 2016.
VIEIRA, J. A; CAMPOS, S. F; “Da Formação à Produção Escrita na Graduação”, p. 
251 -268. In: Rumos da linguística brasileira no século XXI. São Paulo: Blucher, 
2016.
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Na primeira Unidade, apresentamos os conceitos fundamentais que norteiam 
a produção científica em instituições de pesquisa e Ensino Superior do país. A partir 
disso, na segunda Unidade, vamos desenvolver o conhecimento sobre os gêneros 
textuais característicos do contexto acadêmico-científico.
Entre os diversos gêneros textuais acadêmicos, vamos trabalhar com aqueles 
previstos na ementa de nossa disciplina. Para isso, faremos uma breve descrição 
de conceitos e características dos gêneros acadêmicos mais utilizados no ambiente 
universitário, bem como, demonstraremos técnicas de produção que o auxiliarão no 
reconhecimento, e análise dessas formas de produções científicas.
Inicialmente temos uma breve apresentação conceitual, para posteriormente 
indicarmos as funções, tipos e estruturas organizacionais do resumo, da resenha 
e do artigo científico. Os exemplos consideram todas as normas da Associação 
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), bem como os instrumentos de normatização 
GÊNEROS TEXTUAIS ACADÊMICO-
CIENTÍFICOS – RESUMO, RESENHA E 
ARTIGO
Objetivos
Apresentar o conceito de gênero textual acadêmico-científico;
Demonstrar as características dos gêneros acadêmicos: resumo, resenha 
e artigo científico;
Desenvolver técnicas e procedimentos da produção escrita científica.
2
UNIDADE
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de trabalhos acadêmicos da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Porém, 
as normas específicas serão retomadas posteriormente, em outra unidade deste 
e-Book.
Ao tratarmos sobre essas formas de produções escritas do ambiente 
acadêmico, é muito importante lembramos que os gêneros acadêmico-científicos 
são desenvolvidos com o propósito de documentar e comunicar o resultado de uma 
investigação, isto é, de uma pesquisa científica.
Para Severino (2014), a documentação pode ser classificada de três formas: 
a temática, a bibliográfica e a geral. Esses gêneros podem ser utilizados com o 
intuito de registrar e estudar textos conceituais e/ou narrativos que pretendemos 
apropriar e/ou analisar.
Nesta segunda Unidade, vamos abordar o resumo e a resenha. Ao final 
apresentaremos também algumas considerações sobre a organização textual e 
técnicas de escrita do artigo científico, compreendendo esses trabalhos como os 
principais gêneros mobilizados na prática científica, seja para fins de estudo, ou 
para produção de trabalhos que apontem resultados de pesquisas.
2.1 – Os gêneros textuais acadêmico-científicos: conceitos iniciais
As discussões sobre o conceito de gêneros textuais e o ensino deles retoma 
anos de reflexões e demonstra, na história, a importância desse tema para o 
contexto acadêmico. Ao mesmo tempo, é perceptível as diferentes abordagens 
desses estudos que retomam a teoria dos gêneros consolidada por Mikhail Bakhtin 
(2003), em especial, a publicação do capítulo dos “Gêneros dos Discursos”.
Os estudos sociointeracionistas bakhtinianos nos demonstraram que as 
práticas discursivas e os gêneros se organizam histórica e socialmente por meio 
de diferentes esferas sociais definidas pela experiência que desenvolvemos em 
sociedade. Ou seja, os gêneros, mesmo estáveis, sofrem alterações e mudanças 
conforme suas manifestações, já que são frutos de práticas socioculturais.
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Entre essas práticas, há aquelas caracterizadas por serem produzidas no 
contexto acadêmico-científico. Podemos citar os resumos acadêmicos que são 
desenvolvidos para fins de estudo de uma leitura de disciplina, ou apresentação de 
um artigo científico, ou, uma resenha que escrevemos como forma de avaliação ou 
para construção de repertório argumentativo ou publicação. Por fim, podemos citar 
os artigos científicos, que produzimos para conclusões de cursos, disciplinas ou 
para publicação de resultados de investigações científicas.
2.1.1 O gênero textual
Para Marcuschi (2008, p. 189), “os gêneros textuais não são frutos de 
invenções individuais, mas formas socialmente maturadas em práticas comunicativas 
na ação linguageira”.
Conforme vimos acima, Marcuschi (2008) explica que os gêneros textuais, 
mesmo que considerados frutos de produções particulares dos sujeitos em 
sociedade,se caracterizam também como uma prática, uma ação, um ato de uso 
da linguagem em comunidade.
2.1.2 O gênero textual acadêmico-científico
A produção de gêneros, dentro de um contexto acadêmico, se define por 
meio de funções e características ligadas a práticas de pesquisa e investigação, 
desenvolvendo, desta forma, uma modalidade de classificação de gêneros ligada 
ao contexto da produção escrita de textos científicos.
Para Aranha (2007), o discurso acadêmico possui uma estrutura linguístico-
argumentativa específica para o contexto científico que influencia de forma 
vertical a prática do pesquisador, gerando a necessidade de que se desenvolva 
conhecimentos sobre a produção do texto científico. Pois, é a partir dos gêneros 
textuais desta comunidade (científica) que se materializam a prática de investigação, 
e consequentemente, a divulgação, promoção e consolidação de experiências 
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de pesquisas. Em consonância, Mota-Rotth & Hendges (2010) apontam que a 
produção textual acadêmica desenvolvida no contexto universitário contribui com o 
letramento acadêmico-científico de alunos da graduação e pós-graduação.
Entre os tipos de gêneros textuais acadêmico-científicos, vamos apresentar 
conceitos e técnicas de produção do resumo, da resenha e do artigo, além de, por 
meio da leitura e produção destes gêneros textuais acadêmicos, refletir sobre a 
prática e produção científica.
2.2 Tipos de produções científicas 
Neste tópico, abordaremos as características estruturais da produção de 
textos científicos. Para isso, apresentaremos o conceito e as formas de organização 
da escrita de resumos, resenhas e artigos científicos.
2.2.1 – Resumo
Os resumos acadêmicos ou mesmo aqueles característicos de sinopses de 
livros, filmes e demais trabalhos de sínteses, se configuram como apresentações 
concisas das informações e dados que estão presentes no texto fonte analisado.
Salvador (1978, p. 17-19) conceitua resumo como “uma apresentação 
concisa e frequentemente seletiva do texto de um artigo, obra ou outro documento, 
pondo em relevo os elementos de maior interesse e importância”.
A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) apresenta 03 (três) 
formas de classificação do resumo: indicativo, informativo e crítico.
- Resumo indicativo: produção escrita que descreve a natureza, a forma e 
a finalidade do que é escrito, não transcende o objetivo de apontar indícios. Não 
descarta a necessidade de leitura do texto resumido.
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- Resumo informativo: escrita que possui a característica específica de 
apresentar informações. Pode substituir a leitura do texto fonte resumido.
- Resumo crítico, ou resenha crítica: será objeto deste material no próximo 
tópico.
 No entendimento de Salvador (2008), o resumo tem por finalidade “apresentar 
uma visão geral de investigações feitas sobre uma determinada questão, com o 
objetivo de reunir conhecimentos sobre o tema que deve ser exposto e também, 
ainda segundo o autor, sem discussão ou julgamento” (p. 17). Ou seja, é um texto 
que se propõe a sintetizar as principais informações presentes no texto original que 
apresenta os conhecimentos que serão reorganizados de forma resumida.
2.1.1.1 – O resumo em contexto acadêmico
Ao contextualizar a produção de gêneros, Schneuwly e Dolz (1999) expõem 
que o resumo se constitui num “eixo de ensino/aprendizagem essencial para o 
trabalho de análise e interpretação de textos e, portanto, um instrumento interessante 
de aprendizagem” (p. 15). Ou seja, é uma ferramenta que auxilia a apropriação de 
conceitos teóricos que mobilizaremos numa produção acadêmico-científica.
No contexto da pesquisa, é comum desenvolver a prática de resumir, pois 
é uma ação regular, compreendida pelos professores da educação superior como 
forma de estudo e apropriação dos conhecimentos que circulam na Academia.
Esse gênero acadêmico também possui a característica de apresentar uma 
imagem de sujeito autorizado a divulgar conhecimentos originados pela pesquisa e 
investigação desenvolvidas. É uma forma de possibilitar a criação de um sentido de 
verdade ao situar o discurso científico num lugar enquanto conhecimento validado 
cientificamente.
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•	 As etapas de planejamento do resumo
1. Ler e reler o texto;
2. Destacar os conceitos importantes e fundamentais do texto;
3. Pontuar palavras-chave do assunto;
4. Grifar itens e frases importantes para a compreensão do texto; 
5. Organizar as ideias principais do texto, questionando: o que está sendo dito 
no texto? Como eu explicaria este assunto para alguém?
6. Escrever o texto com suas palavras;
7. Iniciar pelo assunto básico/geral e depois passar para os assuntos específicos;
8. Não copiar trechos do livro-texto.
•	 Procedimentos para a escrita de um resumo
a) Leitura atenciosa do texto;
b) Definir o tema (assunto) abordado;
c) LER o texto por parágrafos, sublinhando as palavras-chave para serem a 
base do resumo;
d) Fazer um resumo dos parágrafos;
e) Reler o texto e identificar as ideias coerentes e coesas;
f) Escrever uma primeira versão do resumo articulando o resumo dos 
parágrafos;
g) Analisar os conceitos apresentados em comparação com a compreensão 
que se tem sobre a posição do autor do texto fonte resumido.
Atenção
Por que resumir um texto?
- Sintetizar textos longos auxilia o acadêmico em todas as disciplinas.
- Reforçar as ideias principais e lembrar dos postos-chave do 
conteúdo.
Qual a finalidade de um resumo?
Resumir é um ato de ler, analisar e escrever em poucas linhas o essencial para o leitor.
Preparar um resumo é também uma atividade de estudo e não só de avaliação.
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ATENÇÃO !
O resumo não possui comentários pessoais!
 Texto 1 - Exemplo do gênero resumo de artigo científico
A LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS A PARTIR DAS OBRAS LITERÁRIAS 
OBRIGATÓRIAS DO PAES PARA ALUNOS DO TERCEIRO ANO DAS ESCOLAS 
PÚBLICAS DE BACABAL
Fonte: https://conilufma.com.br/downloads/2021/CADERNO-DE-RESUMOS-
compactado-17062021.pdf
Erika Vanessa Melo Barroso (UEMA)
Todos os anos acontece o Processo Seletivo de Acesso à 
Educação Superior da Universidade Estadual do Maranhão 
(UEMA) – PAES, que serve como ponte para que muitos 
estudantes do último ano do Ensino Médio entrem no nível 
superior, nesse processo a UEMA disponibiliza uma lista de obras 
literárias a serem lidas pelos candidatos, entende-se que alguns 
candidatos a uma vaga no PAES podem não ter conhecimento dessas obras ou não ter acesso 
as mesmas. Dessa forma, esse trabalho se deu em virtude de oferecer um Projeto de Extensão 
com alunos do Ensino Médio das escolas públicas da Regional de Bacabal para contribuir com a 
preparação deste aluno para o PAES da UEMA, pois vemos o quanto o aluno vestibulando tem 
dificuldade em escrever a sua redação principalmente os alunos da escola pública, infelizmente 
essa é a realidade vivida por nós nesse momento, esperamos, com esse projeto, minimizar 
esse problema e contribuir para que esses alunos consigam conquistar as vagas oferecidas pela 
UEMA. Com isso buscou-se através deste projeto trabalhar as obras literárias obrigatórias do 
PAES e auxiliar os alunos na produção de textos. Esse projeto será uma forma de possibilitar aos 
alunos das escolas da rede pública o conhecimento das referidas obras em leitura comentada, 
instigando ainda a produção textual ao final de cada obra lida. Entende-se que um leitor se 
destaca onde chega, pois, um dos principais efeitos da leitura é o aprimoramento da linguagem, 
da expressão, pois, a leitura é uma forma de lazer, de prazer, de aquisição de conhecimento, 
de enriquecimento cultural e de interação. Assim, diante dessa perspectiva espera-se que, ao 
final do curso, o aluno tenha lido todas as obras literárias indicadas para o PAES e dessa forma, 
possa ter adquirido conhecimento de leitura suficiente para realizar todas as provas do PAES e, 
principalmente, escrever uma boa redação. E, assim, esse projeto terá contribuído para minimizar 
uma das maiores dificuldades em nossa educação, que é a leitura.Palavras-chave: Leitura. Ensino. Produção Textual. Obra Literária.
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2.2.2 – A resenha
Neste subtópico apresentamos conceitos, reflexões e discussões sobre 
a produção de uma ferramenta importante para o desenvolvimento de práticas 
científicas. A elaboração de uma resenha prevê, além do domínio linguístico de sua 
estrutura, o conhecimento sobre o tema central que é base do texto fonte objeto da 
resenha. A resenha é uma produção requisitada pelo professor e demanda uma 
necessidade de posicionamento crítico por parte do autor que a contextualiza e 
defende a obra objeto de análise.
A resenha é uma das produções textuais mais utilizadas no contexto 
universitário científico. Todo sujeito que vivencia a experiência acadêmica, ao cursar 
a graduação ou cursos de pós-graduação, desenvolvem atividades de estudo que 
permitem a apropriação e mobilização de conhecimentos teóricos.
Ao mencionarmos essas atividades acima, fazemos relação com duas práticas 
que precisamos desenvolver durante a formação. A primeira está relacionada à 
apropriação do conhecimento teórico-científico que mantemos contato durante 
os estudos em diferentes níveis. A segunda, é que após o desenvolvimento da 
apropriação para uma prática científica, é necessário mobilizar esses conceitos em 
análises de dados que subsidiam uma investigação.
A resenha, mesmo possuindo a finalidade de analisar textos e emitir 
julgamentos, opiniões e posições do autor sobre o texto fonte/original, não se 
configura como prática sem limites. Há uma necessidade e pressuposto para a sua 
produção. Para ser elaborada, ela requer conhecimento sobre o que é a ciência, 
suas formas de produção e domínio sobre o estudo e a leitura de outros textos 
relacionados ao texto original que é objeto de análise pelo resenhista.
Assim, vejamos as características, objetivos e técnicas para o desenvolvimento 
deste gênero acadêmico-científico.
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•	 As divisões
Para a metodologia científica, conforme a ABNT, a resenha crítica é uma 
das modalidades de resumos que ganhou grande espaço no contexto acadêmico 
por funcionar não só como uma produção textual com vistas à apropriação de 
conhecimentos teóricos, mas também se consagrou enquanto forma de trabalho 
requisitado para fins avaliativos e de ponto de partida para o desenvolvimento de 
outros textos acadêmicos. 
Com a conquista de maior espaço e a consolidação enquanto produção 
textual tradicional dentro da comunidade científica, foi elevada à categoria específica 
e tornou-se para os estudos metodológicos um gênero acadêmico específico.
•	 A Resenha crítica
Podemos conceituar a resenha como produção escrita que, além de sintetizar 
o objeto e principais informações do texto, demarca durante sua construção uma 
avaliação crítica do sujeito que a escreve, pontuando aspectos de ordem positiva e 
negativa. Trata-se de um texto que ao mesmo tempo que aponta dados presentes 
no texto fonte, também emite, de forma construtiva, não pejorativa, opinião particular 
do autor sobre a estrutura, abordagem e estilo do texto original.
•	 O objetivo do gênero resenha, as condições e exigências para produ-
ção
A resenha, de forma geral, configura-se como produção que visa divulgar 
manifestações culturais como livros, filmes, peças etc. É uma produção opinativa. 
No contexto acadêmico, as características básicas da divulgação e julgamento não 
se alteram. Porém, a condição de domínio sobre a temática é desenvolvida com 
maior rigor e apresenta-se como condição da produção de uma resenha crítica o 
conhecimento teórico científico sobre o assunto do texto que é resenhado.
Para Motta-Roth & Hendges (2010, p. 27), “esse gênero discursivo é usado 
na academia para avaliar – elogiar ou criticar - o resultado da produção intelectual 
em uma área de conhecimento”. Ao mesmo tempo, retomando os ensinamentos de 
25
Cavalcante (2013), podemos compreender a resenha crítica como uma produção 
acadêmica que se caracteriza pela análise e intepretação de um texto, livro ou 
capítulo. É um gênero acadêmico que ultrapassa a noção de resumo de informações 
e traz comentários e referências complementares sobre o texto resenhado.
O suporte e seu contexto de circulação
As resenhas são desenvolvidas em contexto pedagógico tanto como 
ferramenta de avaliação, como de estudo, mas em contexto acadêmico-científico 
transcende e torna-se também objeto de publicação que visa divulgação de uma 
prática de investigação.
Motta-Roth & Hendges (2010, p. 27-28) afirmam que “o resenhador 
basicamente descreve e avalia uma dada obra a partir de um ponto de vista 
informado pelo conhecimento produzido anteriormente sobre aquele tema”.
•	 Dicas para a escrita
O tamanho da resenha está relacionado com o seu suporte (veículo que 
a sustenta), pois o lugar destinado a sua publicação depende do espaço que o 
veículo reserva para esse tipo de texto. Para melhor compreender esta diversidade 
de estilos relacionados ao tamanho da resenha, busquem ler resenhas publicadas 
em revistas científicas.
•	 Elementos estruturais da resenha
Lakatos (1991) apresenta como estrutura da resenha crítica os seguintes 
elementos:
a) Referência bibliográfica – Autor, título, imprensa, número de páginas, ilus-
tração, etc.
b) Credenciais do Autor – Informações do autor, filiação ao campo científico, 
nome de quem realizou o estudo, informações de tempo e espaço da pro-
dução.
c) Conhecimento sobre o assunto – Assunto do texto/obra, característica do 
texto/obra, conhecimentos prévios que auxiliam na compreensão do texto/
obra resenhado.
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d) Considerações/julgamentos do autor - Conclusões, posições, recursos 
utilizados.
e) Indicações de referências do autor – Modelo e filiação teórica – método 
utilizado.
f) Apreciação/avaliação do resenhista - Como situa a produção e o autor 
em relação ao campo de investigação e às condições sócio-históricas da 
produção - mérito da obra/texto – contribuição social e científica - estilo - ca-
racterísticas da organização linguístico-textual
Na mesma linha do que vimos acima, Severino (2013, p. 183-184) apresenta 
algumas características sobre o gênero resenha.
Para o autor, há uma lógica redacional entre os elementos que compõem a 
resenha.
a) O cabeçalho aponta os dados bibliográficos completos da publicação 
resenhada, por meio de informações sobre o autor do texto. Podendo ser dispensada 
em caso do autor ser conhecido no contexto acadêmico.
Para o reconhecido autor de obras de metodologia, a síntese que 
desenvolvemos do texto precisa ser objetiva, apresentar os pontos principais e 
mais significativos presentes no texto/obra que é analisado.
Em relação à avaliação crítica que desenvolvemos sobre o texto que 
resenhamos, ressaltamos a possibilidade de se destacar no texto aspectos positivos 
e negativos da obra que é objeto da resenha, assim como podemos evidenciar as 
contribuições do conteúdo para os mais diversos setores da sociedade. Já a crítica 
relacionada a pontos negativos, precisa ser dirigida às ideias que são apresentadas 
e não ao autor enquanto pessoa.
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•	 O desenvolvimento da crítica
Os elementos que compõem a estrutura de uma resenha, a síntese do 
conteúdo e a avaliação crítica, não são desenvolvidos de forma linear, o julgamento 
que se faz na crítica não funciona como um complemento do resumo de informações, 
mas sim como objeto de destaque e fundamento da produção. A presença da voz 
do resenhista faz parte de toda produção, inserindo-se de forma articulada em todo 
texto.
•	 Sugestões/recomendações
- A crítica pode desenvolver-se de forma moderada, técnica e respeitosa;
- Os resenhistas, assim como outros críticos, se tornam objetos de análises 
do outro, que possivelmente podem qualificá-lo como “detratores da obra” ou de 
não compreenderam a produção que resenhou;
- Conforme discutimos, Severino (2013) destaca que é importante 
contextualizar o que se analisa e seus impactos e funções na área de estudo e/ou 
cultura aos quais estão vinculados; 
- Quem escreve uma resenha podeapresentar suas próprias ideias e 
defender seu ponto de vista, concordando ou não com o autor do texto resenhado;
- Incluir pequenas passagens ilustrativas, demarcando aspas e citando a 
página e o ano.
Atenção
A resenha não possui capas, páginas de rosto etc.
É importante demarcar considerações introdutórias e 
contextualizar o tema.
Apresentar dados iniciais sobre o autor, como: quem é ele, sua área 
de formação, publicações, e posição dentro do contexto acadêmico.
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Texto 2 - Exemplo do gênero resenha crítica
A anomalia poética, de Silvina Rodrigues LOPES. Belo Horizonte: 
Chão da Feira, 2019.
Natália Barcelos Natalino - UERJ
Quase quinze anos separam as edições portuguesa e brasileira 
de A anomalia poética, título de Silvina Rodrigues Lopes: a 
portuguesa, de 2005; a brasileira, de 2019. Outro título de sua extensa 
obra começou a circular por aqui em 2012, quando a Chão da Feira, editora belo-horizontina, 
reparou, em parte, esta lacuna editorial: trata-se da primeira e única edição brasileira de 
Literatura, defesa de atrito, atualmente esgotada. A Chão da Feira vem realizando, nos últimos 
anos, um esforço notável neste sentido: a parceria da editora com a Prefeitura de Belo Horizonte 
e a Embaixada Portuguesa no Brasil vem possibilitando que alguns títulos portugueses sejam, 
finalmente, viabilizados em terras brasileiras – outros portugueses, como Daniel Faria, Gonçalo 
M. Tavares, Maria Filomena Molder e Raul Brandão, também já foram publicados pela editora. 
Professora universitária, crítica literária, ficcionista, poeta, tradutora e editora, Silvina Rodrigues 
Lopes faz parte de uma tradição de portugueses que encontra no ensaio o investimento na palavra. 
Mesmo que de modo mais latente, percebe-se, nos escritos que compõem A anomalia poética – 
sobretudo naqueles que investem em perspectivas e concepções do literário –, uma problemática 
que se arrasta desde sua celebrada tese de doutorado, defendida em 1993 e publicada em 
1994, na qual a autora se debruça nas inúmeras instâncias e processos de legitimação da (em) 
literatura, considerando elementos que perturbam a sua própria ambiguidade constitutiva. Lopes 
diagnostica diversos fatores constituintes do que ela entende como “processo legitimador e 
fundador da instituição literária”, dentre os quais, a formação teórica, a crítica literária, a opinião 
pública, os direitos de autor e a integração da disciplina de literatura no sistema escolar (LOPES, 
1994). Todos esses mecanismos de circunscrição da literatura parecem ainda estar em jogo em 
A anomalia poética.
Composto por 11 ensaios, originalmente publicados ou apresentados em momentos e meios 
distintos, o livro é dividido em três seções: I. Ficção e testemunho; II. O artifício, a técnica; e III. 
Valor. Nos deteremos, nesta resenha, nos ensaios da primeira seção e no ensaio que dá título 
ao livro. O primeiro deles, “Literatura e circunstância”, foi originalmente publicado em 2003 na 
revista Scripta, coincidentemente também de Belo Horizonte. Apoiada na convicção de que há 
certas circunstâncias que interferem no sentido da singularização, o que implica, ainda, uma 
noção de universalização, Lopes nos mostra que, caso consideremos a ficcionalidade como 
29
parte do literário, a tendência é que a vinculemos à universalidade, passando, desse modo, 
a ignorarmos a singularidade das circunstâncias. Por conseguinte, a ensaísta defende que, 
na medida em que a linguagem-mundo (mais real, menos ficcional) se impõe, um discurso 
questionador e construtivo – logo, pensante – se afirma. Como ela própria anota: “Não se trata 
de recusar a dimensão institucional da literatura, mas de não deixar que ela prevaleça no jogo 
de forças em que as obras são produzidas e recebidas. [...] Sob a designação ‘literatura’ não 
só se inclui uma multiplicidade como um movimento desencadeador do múltiplo” (p. 13). E é 
também nesse mesmo ensaio que Silvina Rodrigues Lopes já começa a revelar, de antemão, 
suas principais recorrências teóricas – Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Jean-Luc Nancy, Jean-
François Lyotard e Maurice Blanchot, por exemplo –, presentes também nos ensaios seguintes. 
“A literatura no limite da ficção”, segundo ensaio, alude a uma questão há muito discutida e que 
parece não se esgotar: o problema da relação entre literatura e ficção. Considerando que, hoje, 
“a própria oposição entre história e ficção foi posta em causa” (p. 34), Lopes entende que, mesmo 
assim, é a ficção – enquanto pura construção de sentidos possíveis – que invade todos os 
domínios da (nossa) existência. São muitos os nós da questão, e por isso ela procura esclarecê-
los organizando o seguinte percurso: 1) recorre ao pensamento ocidental, passando pela 
reformulação da noção de verossimilhança, para evidenciar uma contradição: a desvalorização 
da capacidade de invenção literária; 2) esclarece que, enquanto condição de todo o discurso, 
a ficcionalidade expõe a falha da ficção enquanto puro artifício; e 3) pensa como a figuração 
na literatura pode servir como experiência dos limites da ficção. Antes, esclarece: “O facto de a 
problemática da ficção constituir hoje um aspecto central da teoria literária, o qual interfere com 
uma série de questões – como a do autor, do leitor, da recepção – que tradicionalmente fazem 
parte do campo da teoria e que se veem afetadas por este nó de convergência, que é ao mesmo 
tempo o lugar das mais vivas divergências” (p. 48). Em relação aos aspectos que dizem respeito 
à relação entre ficção e realidade, a ensaísta considera as contribuições de dois autores: Nelson 
Goodman, que abala a distinção entre mundo real e mundos irreais, ao propor a construção de 
versões do mundo ou de mundos, considerando que “há tantas versões do mundo quantas as 
representações que existirem dele, decorrente de uma percepção que varia com o contexto e 
as circunstâncias” (p. 50); Goodman sublinha, ainda, que a distinção a fazer não é exatamente 
entre realidade e ficção, mas entre não-ficção e ficção; e Käte Hamburguer, que estabelece uma 
diferença entre fingimento e ficção, não opondo ficção à realidade, mas sim a enunciado ou 
enunciado de realidade. Trata-se, portanto, de “sempre actualizar oposições do tipo natureza/ 
artifício, mundo real/ mundo ficcional, activo/ passivo, as quais têm por base uma concepção 
da linguagem, enquanto instrumento de representação e comunicação que se auto-anula para 
dar lugar ao outro – as imagens das coisas, a força do agir” (p. 52). Eis o interesse de Silvina 
Rodrigues Lopes: a abertura, tensão ou movimento da linguagem para o exterior, de modo que 
o leitor reinvente a linguagem da obra no confronto com os limites da sua própria linguagem – 
30
já que, segundo Lopes, “a leitura é também ela uma experiência que implica a ficcionalidade 
da linguagem” (p. 59). Logo, “Não se trata de estabelecer uma oposição ou um dilema entre 
ambas, mas de conceber a travessia da primeira como condição da segunda” (p. 56). Partindo 
de uma epígrafe de Friedrich Nietzsche em Humano, demasiado humano, Lopes inicia o 
terceiro ensaio, “Da necessidade à intranquilidade”, dizendo sobre como o termo “humanidade” 
carrega, ainda hoje – lembremos que o ensaio foi publicado pela primeira vez em 1999 –, um 
sentido preciso e, ao mesmo tempo, vago, para chegar à questão de um “devir- -outro”: para 
ela, o homem “foi superando uma fragilidade original face ao exterior” (p. 61), um processo 
que se tornou evidência por conta de uma capacidade de tornar indissociáveis a consciência 
da mortalidade e o desejo de encontro; em suas palavras: “capacidade de dizer ‘sim’, sem 
ignorar que é a afirmação que introduz o tempo pelo qual quem afirma é já outro” (p. 62). A 
impossibilidade do devir-outro decorre da liquidação do humano – seja pelo terror, seja por meio 
de um outro tipo de compulsão ao silêncio. Admite, portanto, que o “terror” assombra ainda hoje 
o nosso cotidiano, e é isso que lhe importa saber: perceber como ele, o terror, surge a partir de 
uma configuraçãopolítica e social, que, embora, em larga medida o ignore, “pois ele [o terror] 
não toma a forma habitual de ameaça mortal pura e simples, mas de morte daquilo que em nós 
é irredutível a automatismos ou se baseia em regularidades biológicas” (p. 62). Reconhece, no 
entanto, que não seria possível falar de terror apenas em sentido absoluto – “ele tem, para além 
disso, o sentido de uma emoção, íntima e social” (p. 63). Ainda, a ensaísta chama a atenção 
para os diferentes modos de imbecilização que nos cercam (a beleza, a força, o dinheiro), o que 
colabora para o “reforço do egocentrismo” (p. 70). Como se não bastasse necessitarmos cada 
vez de mais estímulos, caímos num estado de frustração, caímos na monotonia, como se nos 
esquecêssemos de que “todos os objetos são monótonos, porque são formas apenas finitas” (p. 
70). Daí não conseguirmos mais ficarmos sós, logo, “a possibilidade do encontro desaparece 
perante a universalização de uma interação de permanência” (p. 71). Diz, por fim, que numa 
hipótese catastrofista, caminharíamos para a perda do humano, do relacional – um tempo em 
que não haveria, tampouco, o terror enquanto emoção. E somente assim, da necessidade à 
intranquilidade, por meio desse desvio, nos afirma(ría)mos mortais. São muitas as questões 
que se colocam nas páginas seguintes de A anomalia poética, partindo desde as relações 
de estilo, gênero e exemplaridade, passando pela noção de hipertexto, pelas categorias de 
sujeito-objeto, pela dominação da indústria cultural, chegando até as discussões que põem em 
xeque os campos da arte e da política – considerando discussões sobre consumo, desejo e os 
modos como as sociedades acolhem as obras de arte, por exemplo. Em todas essas questões 
Silvina Rodrigues Lopes procura indagar não só os seus funcionamentos, como também os 
problemas que os cercam, sempre se propondo a assinalar alguns traços característicos das 
transformações pelas quais passaram tais noções ou discussões.
31
Avançando um pouco mais, é em “A anomalia poética”, ensaio que dá título ao livro – não 
sem razão –, que Silvina Rodrigues Lopes assume, de vez, sua postura interrogatória e, em 
certa medida, conflituosa e combativa: Lopes (se) interroga sobre “uma obsessiva vontade de 
classificação” (p. 165) que, segundo ela, se reflete, ainda hoje, em grande parte do discurso 
sobre poesia; uma tendência que, de acordo com o texto, serve a uma lógica de “promoção 
das poéticas” (p. 165), similar às técnicas do marketing – prática que reduz o poema a um 
mero objeto de consumo. Desse modo, o objeto-livro fica refém das críticas dos chamados 
“sacerdotes da poesia”, e não da relação que ele possa estabelecer diretamente com o leitor – 
uma poesia que se leria “sem a ajuda de especialistas” (p. 170). Daí, sua tese: “Um poema não 
é um objecto como os outros: não é um objecto; nunca é como os outros. É essa a sua, a nossa, 
anomalia poética” (p. 166). É essa resistência, esse embate com uma lógica mercantilista, que 
interessa a Silvina – não só esse embate, mas outros também, e o principal: o embate com o 
indizível. Esclarece, como aquela que segue defendendo a defesa do atrito, aquela que advoga 
o duelo: O duelo com o indizível só cada um o pode travar. Ele tanto se pode dar no mais realista 
(entendendo que este adjetivo se refere ao verosímil, à existência de referência ao quotidiano) 
como no menos realista dos poemas. O duelo é sempre com o real; é este, enquanto indizível, 
que resiste em ato ao instituído, à realidade, e impede que esta se feche, impede que esteja 
tudo dito. Sabe-se, entende-se, que o duelo é necessário, que não se pode fazer das linguagens 
fortalezas incólumes à intensidade dos corpos que as constroem e habitam (a sensação de 
que está tudo dito é talvez a mais mortífera). (LOPES, 2019, p. 169-171) Consciente de que 
nem tudo está dito, os escritos de Silvina Rodrigues Lopes direcionam seu olhar não só para 
os estudos de teoria da literatura e os estudos de literatura portuguesa, como também inclinam 
seu pensamento para a arte, acumulando conhecimentos teóricos e filosóficos – sempre na 
tentativa de se inscrever enquanto escreve; a forma ensaística, portanto. Embora nem mesmo 
as editoras portuguesas tenham realizado, até hoje, o trabalho de corporizar uma edição 
sistemática, rigorosa e acessível de toda a sua obra crítica, estamos, por ora, bem servidos com 
a edição brasileira de A anomalia poética, publicação que certamente já vem contribuindo para 
os estudos no campo da literatura. Torçamos para que, a curto prazo, ações de incentivo, apoio 
e distribuição possibilitem avanços como este, afinal, sua obra merece ser publicada, debatida e 
conhecida no Brasil como uma referência indispensável aos campos do comparativismo cultural, 
da teoria da literatura e seus trânsitos nos tempos de agora – um “agora” que, talvez, nem 
mesmo Silvina Rodrigues Lopes imaginasse, quando da preparação dos ensaios, ser ainda um 
sintoma do presente.
REFERÊNCIAS
LOPES, Silvina Rodrigues. A legitimação em literatura. Lisboa: Edições Cosmos, 1994. 
LOPES, Silvina Rodrigues. A anomalia poética. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2019.
Fonte: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/matraga/article/view/56362/36898 
32
2.2.3 – O artigo científico
Uma informação importante para o jovem pesquisador iniciante é que o 
contexto acadêmico-científico brasileiro é caracterizado pelo domínio de pesquisas 
realizadas em universidades públicas, que concentram mais de 95% da produção 
científica do país. Após o desenvolvimento da investigação, uma das ações de 
todo pesquisador é apresentar e disponibilizar seus resultados para a comunidade 
científica poder, em caso de interesse, questionar, avaliar e debater os procedimentos 
e conclusões que a pesquisa realizou e gerou.
Motta-Roth & Hendges (2010, p. 65), afirmam que
O artigo é um texto, de aproximadamente 10 mil palavras, 
produzido com o objetivo de publicar, em periódicos 
especializados, os resultados de uma pesquisa desenvolvida 
sobre o tema específico. Esse gênero serve como uma via de 
comunicação entre pesquisadores, profissionais, professores 
e alunos de graduação e pós-graduação.
Conforme observamos nas palavras das autoras, o artigo científico desenvolve 
uma via de comunicação entre diferentes públicos da comunidade científica. Ao 
mesmo tempo, esse fenômeno fez desse gênero a forma mais utilizada nos dias de 
hoje para apresentar uma pesquisa, e até mesmo, divulgá-la para conhecimento da 
comunidade. As produções do gênero acadêmico-científico artigo são, de acordo 
com Severino (2013, p. 182),
Destinadas especificamente a serem publicadas em revistas 
e periódicos científicos, esta modalidade de trabalho tem por 
finalidade registrar e divulgar, para público especializado, 
resultados de novos estudos e pesquisas sobre aspectos 
ainda não devidamente explorados ou expressando novos 
esclarecimentos sobre questões em discussão no meio 
científico.
33
Para o referido pesquisador, esse gênero possui uma estrutura comum de 
texto científico, mas que ao mobilizar resultados de investigação, precisa colocar em 
evidência os objetivos do texto, a fundamentação teórica utilizada, a metodologia 
desenvolvida, uma análise de dados que participam da pesquisa, bem como as 
considerações que todo processo investigativo nos levou a compreender. Isso, 
além das referências bibliográficas e documentos que permitiram a realização da 
pesquisa.
Em razão disso, neste tópico, apresentaremos mais detalhes de toda 
característica, conceito, e procedimentos que precisamos compreender para 
produzir um artigo científico.
•	 Objetivos do tópico
a) Apresentar o conceito de artigo científico;
b) Demonstrar características e técnicas da produção escrita do artigo científi-
co;
c) Indicar exemplo de produção de um artigo científico
Atenção
Sobre a formatação técnica do texto, as revistas e periódicos 
costumam estabelecer normas específicas para a publicação 
dos artigos, cabendo ao autor se inteirardelas antes de enviar 
seu trabalho à editoria. (SEVERINO, 2013, p. 182).
34
•	 O conteúdo
A produção escrita de um artigo deve apresentar, inicialmente, uma 
introdução ou apresentação que informe ao leitor o assunto, o objeto de estudo, os 
objetivos geral e específicos, a filiação teórica em que se insere dentro da área de 
estudo, os procedimentos metodológicos utilizados e a discussão e reflexão que 
será realizada. Por fim, na conclusão ou considerações finais, ele precisa enfatizar 
as contribuições da pesquisa. Além disso, a escrita do trabalho também pode ser 
dividida em seções e tópicos numerados e com subtítulos.
•	 Os elementos estruturais
1. Introdução - (Problemas/Objetivos/metodologia)
	Apresentar as principais linhas de desenvolvimento da pesquisa.
	Descrever para seu leitor a terminologia empregada para auxiliar a com-
preensão de sua problemática de estudo.
	Não citar os resultados do trabalho.
2. Revisão da literatura
Também conhecida como “quadro teórico”, ou “fundamentação teórica”, 
a revisão da literatura se caracteriza como breve levantamento de conceitos e 
reflexões teóricas relevantes já publicados. Ela funciona como base de sustentação 
teórica do trabalho acadêmico que é desenvolvido.
Atenção
Não podemos compreender esta parte da estrutura do artigo 
científico como uma transcrição ou descrição de pequenos 
textos. Mas sim, como uma reflexão articulada sobre ideias, 
concepções, hipóteses, problemas, e sugestões de outros autores 
que já desenvolveram outras investigações que auxiliam na execução 
da pesquisa que é registrada enquanto texto científico no artigo.
35
3. Materiais e métodos
Este item é a parte do gênero que explica os procedimentos que foram 
planejados e executados para garantir a realização da pesquisa. É obrigatória para 
trabalhos que envolvem práticas experimentais, coleta de dados, entrevistas, ou 
ainda, questionários.
A descrição dos materiais e métodos utilizados na investigação permitem 
que outros pesquisadores repitam os ensaios desenvolvidos, isto é, uma forma de 
colocar a pesquisa em teste e fortalecer seu resultado na comunidade científica. 
As técnicas e processos retirados de outros trabalhos, em especial, aqueles já 
publicados, devem ser referidos por citação de seu autor.
4. Resultados/Discussão/análises
Ao desenvolver os resultados, as discussões e as análises, é importante: 
	Apresentá-los em ordem cronológica;
	Utilizar tabelas e ilustrações, se achar necessário;
	Os dados quantitativos, sempre que possível, precisam passar por uma aná-
lise estatística;
	Comentário sobre os resultados;
	Dar primeiros indícios sobre as conclusões;
	Demarcar opiniões do autor com fundamentação teórica;
	Apresentar uma relação entre causas e efeitos;
	Explicar e comentar sobre contradições, teorias e princípios relativos ao tra-
balho;
	Apontar formas de aplicação e impactos dos resultados obtidos;
	Elaborar, se possível, uma teoria para justificar os resultados obtidos;
	Indicar possibilidade de novas pesquisas a partir das experiências deste tra-
balho.
5. Conclusão/considerações finais.
A finalização de um artigo é o momento que o pesquisador, após desenvolver 
sua pesquisa com base em teorias e procedimentos teóricos, apresenta suas 
respostas, afirmações e opiniões fundamentadas nos resultados e nas respectivas 
discussões que apresentou durante todo o trabalho. Além disso, é preciso lembrar 
36
de alguns pontos:
	Reafirmar, de maneira sintética, a ideia principal.
	Responder a problemática apresentada como justificativa da pesquisa.
	Demonstrar como cumpriu os objetivos do trabalho.
	Apontar possíveis encaminhamentos para futuros trabalhos.
•	 O que é o tema?
É a definição de um assunto. Por meio da vinculação com um campo de 
investigação/área de estudo, escolhemos um tópico que será o tema que será 
investigado.
•	 Pontos importantes para desenvolver
	Planejar o que se vai informar;
	Lembrar que extensão tem relação com profundidade;
	Definir limites;
	Elencar as ideias fundamentais/principais e secundárias;
	Estabelecer articulação entre as ideias e a temática principal;
	Demarcar um enfoque.
•	 Passos para elaboração
Coleta de dados:
	Levantamento da bibliografia;
	Plano de leitura;
	Documentação (anotação da referência);
	Seleção do material coletado.
Divisão preliminar:
	Introdução (projeto de pesquisa);
	Desenvolvimento (fundamentação teórica, explicações, demonstrações, 
análises e discussões);
	Conclusão (recapitulação).
37
Dicas sobre a produção escrita
	O texto precisa ser objetivo e neutralizar posições pessoais do enunciador;
	Fazer uso de primeira pessoa do plural ou terceira do singular na conjuga-
ção dos verbos;
	Apresentar resultados, observações e experiências como exemplos;
	Escrever dentro das normas gramaticais;
	Fazer uso de operadores argumentativos para articular as ideias e os pará-
grafos;
	Usar referências e citações de forma articulada com discussões próprias;
	Evitar uso excessivo de citações;
	Não fazer cópias de outros textos;
	Evitar repetição de palavras;
	Evitar períodos/parágrafos muito longos.
•	 A estrutura pós-textual
As referências bibliográficas
Neste item final do artigo científico, é importante demarcar todas as obras/
textos que foram citados direta ou indiretamente no texto. Não se deve esquecer 
que a lista deve seguir uma ordem alfabética e demarcar as referências conforme 
as normas da ABNT.
Atenção
Na divisão preliminar desenvolvemos um plano de texto 
do procedimento de escrita. Na introdução apresentamos 
a proposta/projeto de pesquisa que realizamos. No 
desenvolvimento descrevemos a fundamentação teórica articulada 
com explicações, exemplos, análises e discussões sobre a pesquisa. 
Finalmente, na conclusão, recapitulamos a proposta inicial de investigação e 
explicamos o que realizamos e quais as respostas que encontramos.
38
•	 Elementos para a apresentação gráfica
Os artigos científicos podem ou não conter em sua estrutura tabelas, gráficos, 
mapas, desenhos, fotos etc. Porém, sempre que fizer o uso desses recursos, o 
pesquisador deve seguir algumas regras.
	As ilustrações se caracterizam pelo uso de quadros, gráficos, mapas, dese-
nhos e fotos. Todas precisam ser identificadas com o termo figura, quadro, 
conforme o caso, precedido por um número arábico;
	As tabelas devem ser produzidas sem traços divisórios internos;
	A sigla deverá ser escrita em letras maiúsculas, entre parênteses, e ser an-
tecedida pelo nome completo do que lhe deu origem quando utilizada pela 
primeira vez;
	As notas de rodapé precisam ficar dentro das margens da página, separa-
das do corpo do texto por um espaço simples e por um espaçamento de 3 
cm, a partir da margem esquerda;
	A contagem das páginas é sequencial em todo o texto e sua identificação 
gráfica é demarcada a partir da primeira página da Introdução, a 2 cm da 
borda superior, ficando o último algarismo arábico a 2 cm da borda direita 
da folha.
 SAIBA MAIS
Para Severino (2013), a listagem das obras/textos que 
colocamos nas referências bibliográficas devem obedecer 
sempre a regra de só descrever as referências de textos 
citados e demarcados no corpo do texto do trabalho. O autor 
faz esta lembrança porque há uma diferença entre referências 
bibliográficas e bibliografia. Sendo que a segunda pode demarcar referências e 
textos não citados, mas que possivelmente foi objeto de leitura do pesquisador. 
Um recurso, utilizado em outros gêneros acadêmicos-científicos, como o projeto.
encontramos.
39
Texto 3 - Exemplo de artigo científico
Fonte:http://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/revistagepadle/article/view/4144/
pdf
RESUMO
 Nesta Unidade, vimos que existem gêneros textuais utilizados no ambiente 
acadêmico com diferentes propósitos: para fins de estudo, para documentar e/ou 
comunicar os resultados de uma pesquisa etc. Os gêneros acadêmico-científicos 
abordados foram o resumo, a resenha e artigo.Sobre o resumo, aprendemos que ele pode ser classificado como indicativo, 
informativo ou crítico, conforme a ABNT. Aprendemos também que o tipo de 
resenha adotado nas produções acadêmicas é a resenha crítica, pois ela permite 
ao pesquisador argumentar e mostrar o seu posicionamento diante do assunto 
comunicado. Por fim, aprendemos que o artigo científico é utilizado pela maioria 
dos pesquisadores para registrar e disponibilizar os resultados de uma 
pesquisa para a comunidade científica. 
 DO ARTIGO CIENTÍFICO AO RESUMO ACADÊMICO: OPERAÇÕES E 
ESTRATÉGIAS DE ESCRITA MOBILIZADAS POR ALUNOS DE GRADUAÇÃO 
EM LETRAS
 Roberto Barbosa Costa Filho 1
 Marcia Candeia Rodrigues
40
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992. 
FRANÇA, J. L. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. 
6. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: UFMG, 2003.
MACHADO, A. R. Revisitando o conceito de resumos. In: DIONISIO, Â. P. et 
al. (Org.) Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002, p. 138-150.
MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, Â. 
P. et al. (Org.) Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002, p. 19-36.
MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São 
Paulo: Parábola Editorial, 2008. 
MEDEIROS, J. B. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, rese-
nhas. São Paulo: Atlas, 1991.
MOTTA-ROTH, D.; HENDGES, G. R. Produção textual na universidade. São 
Paulo: Parábola, 2010
NATALINO, N. B. A anomalia poética de Silvina Rodrigues Lopes. Matraga, Rio de 
Janeiro, v. 28, n. 52, p. 211-214, jan./abr. 2021.
SALOMON, D. V. 1971. Como fazer uma monografia. 10. ed. São Paulo: Martins 
Fontes, 2001.
SALVADOR, Â. D. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. Porto Alegre: 
Sulina, 1978.
SCHNEUWLY, B. & DOLZ, J. Os gêneros escolares: das práticas de linguagem aos 
objetos de ensino. In: Revista Brasileira de Educação, nº 11, 1999, p. 5-16.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 1ª ed., 
2013 (e-pub).
41
NORMAS, ORGANIZAÇÃO E 
REGULAMENTAÇÃO DA ESCRITA 
CIENTÍFICA
Objetivos
Discutir a importância da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) 
para a leitura, produção, divulgação e preservação dos textos acadêmico-
científicos;
Mostrar que a paráfrase é um elemento constitutivo e fundamental para a 
escrita científica;
Apresentar a diferença entre discurso citado direto e indireto;
Compreender as normas e regras que orientam a construção e o emprego 
dos tipos de citação, bem como a formatação dos elementos textuais e 
pós-textuais que estruturam a pesquisa científica.
Figura 03 - Metodologia científica (Fragmentos)
 
Fonte: http://apoioemtudo.blogspot.com/2017/11/normas-da-abnt-orientacoes-tecnicas.html 
3
UNIDADE
42
Figura 04 - Regras de formatação da ABNT
 
Fonte: http://www.portaldotcc.com.br/abnt/ 
 Nas Unidades anteriores, discutimos sobre o processo de aquisição e de 
sistematização do conhecimento científico, assim como a elaboração de alguns 
textos denominados “acadêmico-científicos”, como resumo, resenha, artigo, etc. 
 Nesta unidade, vamos conhecer algumas normas que organizam e 
regulamentam a escrita desses textos, propostas pela ABNT (Associação Brasileira 
de Normas Técnicas). Para isso, dividimos a Unidade em cinco seções. 
 Na primeira seção, apresentamos algumas informações sobre a ABNT 
e discutimos sobre a importância desta entidade para a produção e divulgação 
científica. Na segunda, apresentamos o conceito e os tipos de paráfrases, assim 
como o de intertextualidade, mostrando que eles são essenciais para fundamentar 
a escrita dos textos acadêmico-científicos. Na terceira, abordamos o discurso 
citado direto e indireto, explicando o seu funcionamento no processo de escrita. Na 
quarta, mostramos os tipos de citação e as normas que orientam o seu emprego no 
texto. Na quinta e última sessão desta Unidade, mencionamos algumas normas e 
regras que orientam e organizam a formatação desses textos estruturados a partir 
dos elementos textuais e pós-textuais.
43
3.1 – A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)
Figura 05 – Slogan ABNT
 
Fonte: http://www.abnt.org.br/
 Nesta primeira seção vamos conhecer um pouco mais sobre a ABNT 
(Associação Brasileira de Normas Técnicas) e entender como ela contribui para a 
leitura e a produção dos textos acadêmico-científicos.
 Segundo consta em seu site, a ABNT é uma entidade privada e sem fins 
lucrativos que foi criada em 28 de setembro de 1940, ela é o Foro Nacional de 
Normalização por reconhecimento da sociedade brasileira desde a sua fundação. 
 A ABNT trabalha em sintonia com governos e com a sociedade, contribuindo 
para a implementação de políticas públicas, promovendo o desenvolvimento de 
mercados, defendendo os direitos dos consumidores e, de um modo geral, zelando 
pela segurança de todos os cidadãos.
 Essa entidade é responsável, entre outras coisas, pela elaboração 
dos parâmetros que determinam a padronização de textos acadêmicos por 
meio das Normas Técnicas (NT). Trata-se de um documento técnico que fixa 
padrões reguladores visando garantir a qualidade de um determinado produto, a 
racionalização, a uniformidade dos meios de expressão e a comunicação. Essa 
padronização é importante porque garante que algo pode ser aprendido e ensinado 
44
por qualquer pessoa, uma vez que há o emprego de uma linguagem técnica comum.
Sendo assim, nos perguntamos: a) Qual é a relação existente entre a ABNT e 
a escrita de textos acadêmico-científicos? e b) Por que devemos seguir as 
normas técnicas propostas por ela?
 Uma das inúmeras funções da ABNT é contribuir para a padronização da 
escrita científica estabelecendo regras utilizadas em todo o território nacional, como 
tamanho da fonte do tipo de letra utilizado, espaçamento entre linhas, formatação 
das citações diretas e indiretas e apresentação/organização das referências 
bibliográficas. São essas regras que normatizam, organizam e regulamentam a 
escrita científica contribuindo para o entendimento, a disseminação e a preservação 
das pesquisas desenvolvidas nas Universidades e nos Institutos, por exemplo.
Para a ABNT,
Na realidade, o conhecimento teórico ou prático, desprovido dos meios 
para sua conservação e transmissão, pouco significa em si mesmo. O 
trabalho humano se torna material por meio de procedimentos, regras, 
instruções, modelos, que podem ser repetidos, ensinados e aprendidos. 
Sem essa condição fundamental - a expressão do conhecimento em regras 
compreensíveis pelo outro - a civilização material não tem condições de 
se reproduzir. Ensinar e aprender a criar são atos que requerem uma 
linguagem comum1.
3.2 – Paráfrase
 Vejamos agora o conceito de paráfrase e discutamos a sua importância para 
a construção textual. Entendemos que o saber acadêmico-científico se constrói por 
meio da leitura e da compilação de textos de vários autores. Isto porque nenhum 
pesquisador pode ser considerado como sendo detentor ou a “fonte única” de um 
1 Disponível em: http://www.abnt.org.br/abnt/conheca-a-abnt Acesso em 12 de maio de 2021.
SUGESTÃO DE LEITURA
Para saber mais sobre a ABNT ou o Foro Nacional de 
Normalização da ABNT, faça a leitura do estatuto que está 
disponível no link a seguir: http://www.abnt.org.br/images/
Docspdf/ESTATUTOABNT_abril18.pdf 
45
saber científico, já que todo saber se apoia em outros. Do mesmo modo, a produção 
de um resumo, uma resenha ou um artigo científico requer a construção de uma ou 
mais paráfrases.
 Sant’Anna (1985, p. 17) explica que o termo para- phrasis é de origem grega 
e significava “continuidade ou repetição de uma sentença”. A paráfrase mantém 
com o texto original ou texto-fonte uma relação de intertextualidade porque o novo 
texto não diverge do texto parafraseado, mas assemelha-se a ele, mantendo a 
mesma perspectiva.
 Nesse sentido, o que é intertextualidade?

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