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AUDITORIA E PERICIA AMBIENTAL 2 Faculdade de Minas Sumário NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 3 AUDITORIA AMBIENTAL ................................................................................ 4 Introdução ........................................................................................................ 4 Desenvolvimento ............................................................................................. 6 Conclusão ...................................................................................................... 16 Perícia Ambiental ........................................................................................... 17 Aplicação do VEDA,na Perícia Ambiental ..................................................... 17 Perícia Ambiental e Sua Importância Contra o Dano Ambiental.................... 19 Dano Ambiental .......................................................................................... 20 Perícia Ambiental/ Atividade da perícia e seus efeitos .................................. 23 A importância da perícia ambiental utilizado em processos judiciais ............. 25 A Importância da Perícia Ambiental na Solução de Crimes Ambientais no Brasil ................................................................................................................................. 30 Definições Básicas Sobre Perícia Ambiental e as suas Inovações no Código de Processo Civil .......................................................................................................... 32 Leis de Crimes Ambientais ............................................................................ 35 Crimes Ambientais ......................................................................................... 35 Os Problemas Enfrentados na Perícia ........................................................... 36 A Perícia Ambiental Como Instrumento na Solução de Crimes Ambientais .. 37 REFERÊNCIAS ............................................................................................. 40 3 Faculdade de Minas NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de comunicação. Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 4 Faculdade de Minas AUDITORIA AMBIENTAL Um dos instrumentos utilizados no processo de gestão ambiental das instituições é a auditoria ambiental, segundo Vieira (2011), consiste num conjunto de atividades organizadas, que tem por finalidade a verificação e avaliação da relação entre os processos de produção e os aspectos ambientais inerentes a este. Além disso, segundo Piva (2009), a auditoria ambiental é um importante instrumento que atua na relação entre a economia e o meio ambiente, auxiliando as empresas no conhecimento do seu desempenho ambiental e simultaneamente criando ferramentas para que estes estabelecimentos se adaptem à legislação ambiental. Além disso, ressalta-se que a auditoria ambiental, regida pelas Normas da série ISO 14000 – Sistema de Gestão Ambiental - SGA, visa à minimização dos efeitos nocivos ao ambiente proveniente de atividades industriais e similares. A auditoria ambiental é uma importante ferramenta no tocante à verificação e avaliação entre os processos de produção e os aspectos ambientais de uma determinada organização. Com base nesse cenário, este material apresenta um estudo da Auditoria Ambiental e da sua contribuição no processo de gestão, na perspectiva da evolução e da garantia da continuidade da política de controle, de preservação e de conservação ambiental e na busca de comprometimento das empresas com a questão ambiental. Por meio deste, procurou-se estudar a auditoria ambiental com vistas a apontar sua contribuição no gerenciamento dos resíduos. Introdução A Comissão Brundtland, formada pela Organização das Nações Unidas para estudar a crescente deterioração do meio ambiente humano e dos recursos naturais e as consequências da deterioração para o desenvolvimento econômico e social, definiu, no relatório “Nosso Futuro Comum” (Our Common Future), o desenvolvimento sustentável como o “desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem 5 Faculdade de Minas comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Essa é a definição mais aceita mundialmente do termo desenvolvimento sustentável. Ela se aplica ao meio ambiente na medida em que as necessidades atuais estão diretamente relacionadas aos recursos naturais. Basta pensar na energia fóssil (petróleo, por exemplo) e nas diversas matérias-primas comumente usadas em indústrias. O mundo enfrenta uma série de grandes desafios ao seu meio ambiente. No documento Perspectiva Ambiental Global, o Programa Ambiental das Nações Unidas avaliou a importância relativa de questões ambientais no âmbito das regiões e entre elas. A questão da contaminação e dos resíduos urbanos e industriais foi considerada criticamente importante ou importante em todas as áreas do globo. Com o advento do desenvolvimento acelerado das cidades, do crescimento da população e do uso desenfreado dos recursos naturais, as discussões acerca das questões ambientais estão cada vez mais presentes no mundo inteiro. Neste cenário, é notória a preocupação em relação à geração de resíduos sólidos, com seu enfoque tanto no gerenciamento, quanto na correta destinação desses resíduos. Diante disso, diversos ramos da sociedade sejam comércios, serviços, instituições públicas ou privadas, estão gradativamente se adequando às questões ambientais, melhorando sua eficiência produtiva, promovendo medidas na redução dos seus resíduos. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituído pela lei 12.305/2010 resíduos sólidos é todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólidos ou semissólidos, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível (BRASIL, 2010). Na Conferência do Rio em 1992, os resíduos foram considerados uma das prioridades da Agenda 21, e receberam atenção específica para assegurar a gestão ambientalmente correta de produtos químicos tóxicos, resíduos sólidos e questões 6 Faculdade de Minas relativas a esgoto e a gestão segura e ambientalmente correta dos resíduos radioativos. Auditorias ajudam a conscientizar para os problemas abordados. Realizar auditorias dos sistemas deM. V. A auditoria na Proteção das Unidades de Conservação Situadas em Áreas Urbanas. RCA – Revista de Controle e Administração. Volume II, nº1. Rio de Janeiro. 2006. VIEIRA, F. P. A importância da auditoria ambiental para as organizações. Revista Eletrônica da Facimed. Cacoal, RO, v.3, n.3, p.266-280, jan/jul.2011. A IMPORTÂNCIA DA PERÍCIA AMBIENTAL NA SOLUÇÃO DE CRIMES AMBIENTAIS NO BRASIL OLIVEIRA, Héckzon1 PACHECO, Rosely2 heckzon.oliviera@gmail.com,BenciTec,2017,CRIAR,INOVAR,EMPREENDER. ABUNAHMAN, Sérgio Antônio. Curso Básico de Engenharia Legal e de Avaliações. São Paulo: Pini, 2006. ALMEIDA, J. R. de. Perícia ambiental, judicial e securitária: Impacto, Dano e Passivo Ambiental. Rio de Janeiro: Thex Ed., 2009. ALMEIDA, Josimar Ribeiro de; OLIVEIRA, Simone Gomes de; PANNO, Márcia. Perícia ambiental. Rio de Janeiro: Thex, 2003. 205 p. ALMEIDA, Rodrigo. Avaliação de Danos Causados ao Meio Ambiente. In: 42 Faculdade de Minas TOCCHETOO, Domingos (Org.). Perícia Ambiental Criminal. 3. ed. São Paulo: Milllennium, 2014. Cap. 6. p. 269-292. ALVARENGA, Luciano J. Valoração econômica e indenização na responsabilização civil por danos ambientais: Contributos teóricos e críticos a partir de um diálogo entre direito, ecologia e economia. In: MÁXIMO, Maria Flávia Cardoso; VIEIRA, Gabriella de Castro; ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito ambiental. Imprenta: 18. ed., rev., atual. e ampl. São Paulo, Atlas, 2016.1438 p. ASSIS, M.D.P.C. Perícia, a importância da pericia contábil. 2011. ASSOCIAÇÃO DE NORMAS TÉCNICA BRASILEIRA NBR 14653-1: Informação e documentação de referencia – Normas sobre o trabalho de Pericia. Rio de Janeiro. 2011.gestão de resíduos é um modo de ajudar a reduzir os problemas causados por resíduos em um país, revelando as deficiências do sistema de gestão e dos atores responsáveis e identificando as áreas que necessitam de melhoria. Desenvolvimento Conservação ambiental e crescimento econômico são encarados, frequentemente, como processos que possuem objetivos antagônicos. Existem, tanto na literatura científica quanto nas discussões disseminadas na sociedade, evidências consideráveis que atestam que as pressões existentes sobre as áreas e recursos naturais são determinadas pela agricultura, pela urbanização e pelo crescimento industrial. Reitera-se a ideia com o argumento igualmente irrefutável, de que as nações economicamente mais ricas alcançaram seus êxitos com base em suas perdas ambientais (SEROA DA MOTTA, 1996). Entretanto, a questão ambiental não deve ser entendida dentro desta dicotomia, visto que, dentro do atual conceito de desenvolvimento sustentável, existem argumentos teóricos fortes, que permitem refutar tais extremismos (SEROA DA MOTTA, 1996). Para BENJAMIN (1993) a conscientização humana de que o progresso a qualquer preço não é sustentável em longo prazo, e que os investimentos reparatórios são mais caros que os investimentos preventivos, requer profundas mudanças das práticas atuais, por meio dos novos padrões de produção e consumo. Neste sentido, as práticas de auditoria surgiram num contexto no qual as organizações priorizam a tomada de atitudes precedentes aos acontecimentos, com base na observação e avaliação do sistema de gestão instalado, pretendendo evitar eventos não previstos e as possíveis amplificações de seus resultados. A palavra “auditoria” vem do latim “audire” que significa ouvir. A auditoria é a realização de um exame, ou uma avaliação, reconhecida oficialmente pelos 7 Faculdade de Minas interessados e sistematizada pelos atos e/ou decisões das pessoas, a fim de assegurar que o sistema, programa, produto, serviço e processo aplicáveis perfaçam todas as características, critérios e parâmetros exigidos, sendo que a aplicabilidade, o desenvolvimento e a implementação são incluídos na avaliação de cada componente envolvido (MILLS, 1994; Apud ARAUJO, 2004). As auditorias ambientais surgiram nos Estados Unidos, na década de 70 do século passado, baseadas nas auditorias contábeis. Tinham como objetivo verificar se as leis governamentais estavam sendo respeitadas pelas organizações (ARAUJO, 2004). Seu desenvolvimento foi uma resposta a uma série de manifestações sociais que surgiam pelo mundo, relacionadas aos problemas ambientais pelos quais passava o planeta (PREARO, 2005). O objetivo de tais manifestações era despertar a atenção de governantes, insensíveis aos danos ambientais, e para a formulação de normas para a responsabilização dos culpados e para a regulação da exploração dos recursos naturais (PREARO, 2005). Nesta época, uma série de acidentes ambientais graves teve projeção internacional. Ocorrências grandiosas e fatais como a de Sevezo, na Itália, em 1976, que feriu 220 mil pessoas por causa de um vazamento de tetracloro-dibenzeno- dioxina, ou a de Bhopal, na Índia, 1984, onde houve um vazamento de metil- isocianato, deixando 3.800 mortos e 200 mil feridos, contribuíram para que as atenções se voltassem para a gestão dos processos, nas grandes empresas, que pudessem causar danos ao meio ambiente. As falhas verificadas em quase todos estes acidentes foram de ordem organizacional, e não por deficiências tecnológicas. Isto fez com que o investimento no desenvolvimento de procedimentos de controle tivesse como base as ações de caráter logístico e nas ciências de comportamento (VALLE, 2004). A constituição de 1988 mudou consideravelmente a maneira com que a sociedade brasileira lidava com os assuntos relacionados com o meio ambiente. Aliada a um momento onde a sociedade brasileira expressava sua vontade de ampliar os espaços democráticos conquistados após mais de 20 anos de ditadura militar, a emergência da questão ambiental como um tema de destaque nas relações 8 Faculdade de Minas econômicas no cenário mundial colocou, pela primeira vez, a temática ambiental no âmbito do controle externo da administração pública (LIMA, 2000). Os órgãos públicos passaram a ter a obrigação de criar dispositivos para fiscalizar, gerir e legislar sobre o meio ambiente. Com isso, não só o poder executivo, mas também o legislativo, o Ministério Público e os Tribunais de Contas foram incluídos na missão da proteção ambiental no Brasil. Em novembro de 1991 surgiu o primeiro instrumento que instituiu auditorias de conformidade legal no Brasil. Neste contexto, as metodologias para auditorias ambientais começaram a se desenvolver e as organizações que pretendiam atingir um desempenho ambiental satisfatório passaram a buscar técnicas de gestão ambiental para viabilizar o controle dos aspectos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços. O levantamento do conceito de auditoria ambiental em vários autores evidenciou que a auditoria ambiental é “um processo sistemático para obter, avaliar e reportar fatos de conformidade ou não conformidades ambientais de acordo com critérios definidos previamente” (KUHRE, 1996; ISO 14010; CONAMA Res. 306/2002). A auditoria ambiental constitui-se como um instrumento hábil na determinação da natureza e da extensão das áreas de impacto ambiental de uma atividade pública ou privada. A auditoria detecta analisa e informa a situação real em que se encontra a empresa quanto à conformidade e ao respeito aos controles existentes. Aliado a isso, justifica as medidas apropriadas para reduzir as áreas de impacto, estima o custo dessas medidas e recomenda um cronograma para sua execução. Sua principal função é identificar e documentar quais são as práticas positivas e negativas das empresas em relação ao meio ambiente, dando enfoque aos possíveis e atuais impactos ambientais ocasionados pela atividade econômica. Esses dados coletados na auditoria, posteriormente, servirão de embasamento para propor uma nova política ambiental compatível com os princípios ambientais. (GRIZZI, 2004, p.159) O objetivo principal da auditoria ambiental é “avaliar o grau de conformidade do estabelecimento com a legislação e com a política ambiental da organização, incorporada ao Sistema de Gestão Ambiental, se a empresa o tiver implantado” (NBR ISO 14001), ou conforme colocação de Peno A. Jucem (apud LIMA, 2011, p.3), é a 9 Faculdade de Minas “busca permanente de melhoria da compatibilidade ambiental das ações, processos, produtos e serviços de empresas e instituições”. Considerando esses objetivos, são identificadas para auditoria ambiental finalidades legais, políticas, econômicas e gerenciais. A auditoria pode ser determinada pelo poder público (auditoria pública) ou requerida de ofício por uma organização privada (auditoria privada) (NETTO, 2005). Apesar de não haver um único conceito de auditoria ambiental, e tampouco inexistir um consenso sobre a delimitação do seu conteúdo é possível estabelecer uma classificação das suas principais aplicações: a) Auditoria privada utilizada como instrumento de uso interno das empresas; denominadas auditorias internas. (sistema de gestão ambiental). b) Auditoria privada utilizada como instrumento de uso externo por terceiros interessados no desempenho ou nas condições ambientais das empresas e propriedades, tais como: investidores, compradores, instituições financeiras ou de seguros e a comunidade afetada por determinado empreendimento ou atividade. São as chamadas auditorias externas. A auditoria externa é realizada, necessariamente, por auditores independentes externos à organização, sendo seus resultados avaliados por terceiros, como organização de certificação. (sistema de gestão ambiental).c) Auditoria pública utilizada como instrumento de ações de controle pelo poder público. Essa categoria é realizada pelas empresas, mas são conduzidas e determinadas por órgãos públicos que estabelecem os critérios e forma de sua execução. Em relação às auditorias privadas, OLIVEIRA FILHO (2002) diz que, com o aumento das atenções em relação às questões ambientais, a auditoria ambiental tem um forte compromisso de apresentar, antecipadamente, as soluções para possíveis falhas significativas que podem afetar negativamente a imagem de uma empresa, sobretudo sobre aquelas relacionadas ao mau andamento e desempenho do Sistema de Gestão Ambiental. 10 Faculdade de Minas O lançamento das normas ambientais, da série internacional ISO 14.000, representa a consolidação desse fato, destinado a produzir consequências, mesmo às empresas cuja produção destina-se somente ao mercado interno. A conquista do certificado ISO 14000 será sempre um diferencial importante, tendo em vista o crescimento de uma conscientização ambiental, além do atendimento aos requisitos legais (MIAMOTO, 2001). A International Organization for Standardization – ISO é uma federação mundial de entidades nacionais de normalização que congrega mais de 100 países, representando praticamente 95% da produção industrial do mundo. A ISO busca normas de homogeneização de procedimentos, de medidas, de materiais e/ou de uso que reflitam o consenso internacional em todos os domínios de atividades, exceto no campo eletroeletrônico que é de atribuição da International Eletrotechnical Commission – IEC. (CAGNIN, 2000). As normas vigoram à medida que são aprovadas pelos países membros. O representante brasileiro na ISO é a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. Um dos instrumentos utilizados no processo de gestão ambiental das instituições é a auditoria ambiental, segundo Vieira (2011), consiste num conjunto de atividades organizadas, que tem por finalidade a verificação e avaliação da relação entre os processos de produção e os aspectos ambientais inerentes a este. Além disso, segundo Piva (2009), a auditoria ambiental é um importante instrumento que atua na relação entre a economia e o meio ambiente, auxiliando as empresas no conhecimento do seu desempenho ambiental e simultaneamente criando ferramentas para que estes estabelecimentos se adaptem à legislação ambiental. Além disso, ressalta-se que a auditoria ambiental, regida pelas Normas da série ISO 14000 – Sistema de Gestão Ambiental - SGA, visa à minimização dos efeitos nocivos ao ambiente proveniente de atividades industriais e similares. 11 Faculdade de Minas Fonte: Google, 2018. A ISO 14000 em sua nova versão segue a estrutura de alto nível conhecida como Anexo SL que visa melhorar a compatibilidade com outras normas de sistema de gestão, inclusive com a ISO 9001. Dentro do contexto, as auditorias de sistema de gestão, como a ISO 14.000, fazem parte de um sistema que se retro-alimenta e mantém as seguintes condicionantes (ISRAELIAN et al., 2003): • São autorizadas pela administração superior. • São avaliações de práticas reais, evidentes, comparadas com requisitos estabelecidos. • Têm métodos e objetivos específicos. • São programadas com antecedência. • São realizadas com prévio conhecimento e na presença das pessoas cujo trabalho será auditado; • Realizadas por pessoal experiente, treinado e independente da área auditada. 12 Faculdade de Minas • Resultados e recomendações são examinados e, em seguida, acompanhados para verificar o cumprimento das ações corretivas. • Não têm ação punitiva, mas corretiva e de aprimoramento. Fonte: Google, 2018. A ISO 14001 adota uma abordagem sistêmica que possibilita que a organização atinja o sucesso sustentável em longo prazo e estabelece melhores práticas para: – Proteção ao meio ambiente pela prevenção ou mitigação dos impactos ambientais adversos; – Mitigação de potenciais efeitos adversos das condições ambientais da organização; – Aumento do desempenho ambiental; – Utilização de perspectiva de ciclo de vida que pode prevenir o deslocamento involuntário dos impactos ambientais dentro do ciclo de vida. 13 Faculdade de Minas Este trecho contraria a ideia, segundo COSTA & FILHO (2007), de que as auditorias de sistemas de gestão têm uma conotação negativa, pois são encaradas como um processo de fiscalização e estabelecimento de culpas pelas falhas encontradas. Já no âmbito da auditoria pública brasileira, CAVALCANTI (2008), a define como um conjunto de procedimentos e técnicas específicos de controle, aplicados sobre o processo orçamentário e financeiro, que funciona por meio de acompanhamentos, de avaliações de desempenho das ações e de outros controles específicos. Estabelece também que tais procedimentos objetivam verificar se as ações foram ou são realizadas em conformidade, essencialmente, com as diretrizes, objetivos e metas expressos no Plano PluriAnual (PPA), metas e prioridades da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e com as normas e regras da lei orçamentária e outras legislações correlatas. Constata-se, portanto, o vínculo das práticas de auditoria pública ao cumprimento do planejamento estratégico do país, bem como à legislação relacionada ao tema a que a auditoria se propõe. No caso das práticas de auditoria como ferramenta da gestão ambiental pública no Brasil, SILVA (2006), coloca que “embora a Constituição Federal Brasileira de 1988 tenha demonstrado sua preocupação com o meio ambiente, esse tema, dentro do setor público, inclusive no tocante às Entidades de Fiscalização Superior (EFS), ainda é escasso em termos de pesquisas, notando-se um distanciamento muito grande entre o controle externo e o ambiente”. As análises realizadas apontaram a existência de várias classificações para a auditoria ambiental. A tipologia aplicável às entidades privadas, mais citada na literatura, é mostrada no Quadro 1, o qual discrimina tipos e o que avalia. 14 Faculdade de Minas Tipo O que avalia Auditoria de conformidade legal Adequação à legislação. Auditoria de desempenho ambiental Conformidade com a legislação, regulamentos e indicadores setoriais. Auditoria de sistema de gestão ambiental Cumprimento dos princípios SGA, adequação e eficácia do SGA. Auditoria de certificação Conformidade com os princípios da norma certificadora. Auditoria de descomissionamento Danos ao entorno pela desativação da unidade produtiva. Auditoria de sítios Estágio de contaminação de um local. Auditoria pontual Otimização dos recursos no processo produtivo. Auditoria de responsabilidade O passivo ambiental da empresa. Quadro 1: Tipologia das auditorias realizadas em entidades privadas. Fonte: Silva e Assis (2003, p. 10). A auditoria de responsabilidade recebe destaque especial porque é destinada a avaliar o passivo ambiental das empresas (SILVA; ASSIS, 2003). Para dar início ao processo de implementação de um sistema de Auditorias Ambientais em Unidades de Conservação é necessário que haja o interesse e o investimento pelas partes envolvidas. Tanto dos órgãos responsáveis pela gestão das Unidades de Conservação quanto órgãos de controle externo, como Secretarias, Institutos e Tribunais de Contas, devem realizar esforços neste sentido. Tais esforços não devem ser apenas para que a metodologia se torne difundida entre os funcionários, mas também para que estes a dominem e entendam os processos necessários para a realização das auditorias, para a elaboração de relatórios e para o retorno dos resultados ao conhecimento da gestão da UC. Com este intuito, a realização de cursos de capacitação ministrados por profissionais com a formação de auditoria e familiarizados com o contexto da gestão de UCs em geral, e com a metodologia aquiapresentada é etapa essencial. A 15 Faculdade de Minas capacitação deverá ser direcionada para funcionários das UCs que se incluem dentro do sistema em questão e pelos auditores dos órgãos fiscalizadores. Com isso, duas frentes devem ser organizadas para a implementação do sistema. Na primeira, dentro da própria Unidade de Conservação, com a formação do corpo de auditores internos e, na segunda, a equipe de auditorias externas (de terceira parte). Antes de dar início à auditoria, a equipe de auditores e os funcionários designados pela Unidade de Conservação devem realizar uma reunião de abertura. Nela, a equipe de auditoria apresenta, de forma breve, o tema da auditoria e sua importância no contexto da gestão da Unidade de Conservação, o escopo da auditoria definido na fase de planejamento. A abertura é fundamental para que ambas as partes partam do mesmo conhecimento prévio para a auditoria em campo e para que possíveis dúvidas de lado a lado possam ser sanadas. Os auditores internos, normalmente são membros da equipe fixa de gestão da unidade de conservação que tem como missão garantir que todos os aspectos e requisitos passíveis de auditagem estejam sendo observados. Já os auditores de terceira parte devem ser profissionais ligados a instituições que irão realizar a verificação, através da auditoria ambiental, acerca do cumprimento dos requisitos estabelecidos pela metodologia. Estas instituições tanto podem ser os órgãos gestores (secretarias, institutos, autarquias entre outras), quanto órgãos de fiscalização (como tribunais de contas) ou instituições externas conveniadas ou contratadas para esta finalidade (como universidade, organizações civis, entre outras). São esses auditores que irão atuar na realização da auditoria em si, etapa por etapa, como descritas a seguir. ▪ Escopo da Auditoria Para dar início ao processo da auditoria propriamente dita na Unidade de Conservação é necessário que se forme a equipe de auditores. Esta equipe deve ser composta por profissionais com o devido treinamento, todos familiarizados com a metodologia e suas etapas de aplicação. Formada a equipe, ela reúne-se com o propósito de definir as diretrizes básicas que vão reger as atividades de uma auditoria 16 Faculdade de Minas in loco. Nesta fase define-se, inicialmente, o escopo da auditoria, que é a abrangência da auditoria. O escopo de auditoria geralmente inclui uma descrição breve da localização física, atividades e processos, bem como o período de tempo que será utilizado durante a auditoria. ▪ Escolha dos requisitos Ainda na fase de planejamento, seguindo uma tendência imparcial, a equipe de auditores seleciona, previamente e de maneira aleatória, um conjunto significativo de requisitos para serem auditados dentro da matriz. Vale ressaltar, neste ponto, que a auditoria não se propõe a ser exaustiva, ou seja, a verificar todos os requisitos elaborados para a metodologia. Ao contrário disto, a metodologia para Auditoria Ambiental Pública em Unidades de Conservação deve ser aplicada por amostragem, o que a torna mais dinâmica e de mais fácil e rápida aplicação. ▪ Plano de auditoria Após a definição destas diretrizes básicas, a equipe de auditores deve preparar o plano de auditoria, que é o documento que compila as informações da auditoria, e seu preenchimento ajuda no desenvolvimento das atividades in loco e na confecção do relatório de auditoria, parte da última fase do seu desenvolvimento. ▪ Contato com o Auditado Finalizando a etapa de planejamento, os auditores estabelecem o contato com a Unidade de Conservação. A gestão das UCs indica previamente um ou mais funcionários que se responsabilizam por receber, auxiliar e fornecer informações aos auditores durante a auditoria. Definiu-se ainda a data, hora, e a duração da auditoria. Conclusão A elaboração para Auditoria Ambiental Pública em Unidades de Conservação constitui um processo de longa duração e sua aplicação é um desafio que, novamente dentro do nosso contexto social e político, depende da atuação das autoridades. Dentro do contexto da conservação da biodiversidade e da efetividade de gestão das Unidades de Conservação, pode ser uma ferramenta dinâmica e rápida para 17 Faculdade de Minas identificar e corrigir falhas, buscando a melhoria contínua do sistema de gestão da Unidade de Conservação. A auditoria ambiental por ser uma medida preventiva permite que as empresas, sem cessar suas atividades, busquem alternativas racionais para solucionar os problemas ambientais e, assim, contribuam para a construção de um planeta ecologicamente equilibrado. Entretanto, discutem-se, hoje, questões como divulgação dos resultados de auditoria, a padronização de sua metodologia, a cerificação dos auditores e a pertinência ou não das normas mandamentais de auditoria ambiental. Perícia Ambiental Perícia ambiental essencialmente subdivide-se em perícia ambiental cível e perícia ambiental criminal (PAC). A primeira, é regida pelo Código de Processo Civil e amparada por legislações ambientais (KASKANTZIS, 2005). Já a PAC é regida pelo Código de Processo Penal e por legislações específicas. A perícia ambiental (PA) envolve diversas áreas do conhecimento e da investigação forense, como aspectos sociais, econômicos, ambientais, sanitários e geológicos. A PA pode ser entendida como uma investigação e/ou identificação do que está no meio ambiente, de onde vem, quando ocorreu a alteração e quem foi autor do delito (BOEHM & MURPHY, 2014); (MUDGE, 2008). Esses elementos podem ser utilizados durante a PAC, a qual tem por pilar a Lei 9.605/98, apresentando 24 artigos que requerem PAC, sendo relativos a crimes contra a flora, fauna, ordenamento territorial e poluição, bem como relativos à valoração econômica do prejuízo causado ao meio ambiente. Aplicação do VEDA,na Perícia Ambiental Para entendermos a óptica e égide o pagamento da multa penal consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada em sentença, sendo definido pelo Código Penal, artigos 49 a 52, e valorado pelo juiz criminal (BRASIL, 2007). O valor da multa pode variar de 10 a 360 dias multa, não podendo o dia-multa ser inferior a 18 Faculdade de Minas 1/30 do salário mínimo nem 5 vezes superior a este. Quando o valor máximo for ineficaz, a multa poderá ser aumentada em até três vezes (GAIOTTO, 2013). Dessa maneira, a VEDA apresenta-se como ferramenta para o perito transformar a proporção do dano ambiental em algo mensurável, com intuito de proteção do meio ambiente e como forma de auxiliar o magistrado na decisão do valor de multa a ser aplicada. Embora danos ambientais (DA) sejam de difícil mensuração, a VEDA busca estimar os custos associados à degradação ambiental. Motta (1998) descreve o valor econômico total (VET) de um recurso ambiental como o somatório dos valores de uso (VU) e de não-uso (VNU). Os métodos de valoração desses recursos utilizam-se da definição de VET e dividem-se em métodos de função de produção (MFP) e métodos de função de demanda (MFD). Os MFP são indiretos e estimam o valor do recurso ambiental através da relação entre os impactos das alterações ambientais e os produtos com preços de mercado. Já os MFD podem ser considerados diretos, pois utilizam-se das preferências dos indivíduos (MAIA, REYDON & ROMEIRO, 2004). Cada método apresenta limitações, principalmente associadas ao grau de sofisticação da metodologia e da base de dados exigida (MOTTA, 1998). Os métodos de valoração indireta são mais simples, menos onerosos e estimam o preço do bem ou serviço ambiental através da comparação com produtos comercializáveis. Esses métodos geram estimativas subvalorizadas por considerar apenas o VU dos recursos ambientais, mas, geralmente, possibilitam o uso sustentável do meio ambiente. Todavia, ao seconsiderar que, em muitas situações o valor do bem ambiental está relacionado ao VNU (preservação do habitat natural, valores éticos e culturais, etc.), torna-se necessário a utilização de métodos diretos através da Disposição a Pagar ou a receber da população. Contudo, para efeito de PAC, o estado não tem estrutura nem recursos para aplicação dos MFD (ALMEIDA, 2014). Ademais, a valoração econômica ambiental não se confunde com VEDA. Enquanto a primeira avalia o meio ambiente em si, a VEDA está relacionada às alterações causadas no ambiente em função de atividade, regular ou irregular, que causou o dano a ser valorado. Geralmente, a avaliação de DA é composta por uma parcela objetiva e uma subjetiva (ALMEIDA, 2014). Alguns autores incluem também uma parcela de “lucro cessante” (ou intercorrente), que representa a privação, imposta à coletividade, do equilíbrio ecológico, do bem-estar e da qualidade de vida que aquele recurso ambiental proporcionava antes de sofrer o dano (ALVARENGA, 2016). O mais importante é que 19 Faculdade de Minas a metodologia usada seja clara e de uso expedito, de modo a compatibilizar-se com a demanda de perícias ambientais criminais (SILVA & CORRÊA, 2015). Para Almeida (2014) e Silva & Corrêa (2015), os MFD são laboriosos, custosos e/ou subjetivos. Os métodos de Custo de Viagem e Bens Substitutos são mais aplicáveis à PAC, mas o mais usado na VEDA é o Custo de Reposição, sendo sua principal desvantagem não incluir o eventual valor de ecossistemas quando estes são destruídos (SILVA & CORRÊA, 2015). Embora a função da valoração do dano seja diversa da função da multa penal (reparação do patrimônio lesado x punição), é possível usar os valores obtidos pela aplicação de metodologias de VEDA para auxiliar o magistrado na determinação do valor da multa penal, como preconiza o artigo 19 da Lei 9.605/98. Entretanto, pela diversidade de métodos de VEDA, possibilidade de aplicação de vários métodos para uma mesma situação e pela subjetividade embutida em cada um deles, a aplicabilidade da técnica de VEDA dependerá do caso concreto (ALVARENGA, 2016). Assim, é esperado discrepância entre valores atribuídos ao condenado a depender da metodologia utilizada, fazendo com que a multa penal possa não atender aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Dessa forma, Silva & Corrêa (2015) recomendam a utilização da taxa de juros para cálculo da parcela dos danos indiretos visando a garantir a razoabilidade. Perícia Ambiental e Sua Importância Contra o Dano Ambiental Torna-se relevante ressaltar que o meio ambiente presentemente vem sendo estudado não exclusivamente com a conotação simplesmente ecológica, ligada, claro, ao chamado ambiente natural, mas ao mesmo tempo acaba envolvendo um conjunto de outras questões e preocupações, que envolvem aspectos físicos, artificiais, urbanísticos, históricos, paisagísticos e outros talvez ainda nem explorados, por serem importantes e essenciais à sobrevivência do homem. O dano ambiental, que são vivenciados na época presente torna-se cada vez mais complicado, e isso acaba por envolver questões de diversas áreas do 20 Faculdade de Minas conhecimento. Deste modo, a procura de soluções para esses problemas passa, fundamentalmente, por um compartilhamento de saberes. Acerca deste problema, surge um novo profissional para amenizar estes impactos: o perito ambiental. Para tentar minimizar e reverter os impactos e/ou danos ambientais, há a necessidade de um especialista com atuação multidisciplinar para auxiliar o legislador a fazer uma aplicação correta e eficaz da lei a ser cumprida. Dano Ambiental O meio ambiente é um dos bens que mais têm chamado a atenção e causado preocupação em parte da sociedade, em juristas e cientistas, sendo inclusive garantido pelos ordenamentos jurídicos. (ANTUNES, 2016, p.1438). O planeta passa por uma séria crise ambiental, que vem se agravando a cada dia. A atuação indiscriminada e inconsequente do homem na busca dos bens naturais (que são limitados), necessários à satisfação de seu bem estar, tem sido fator determinante para o desequilíbrio e a progressiva destruição de ecossistemas. Nas sociedades modernas, o crescimento econômico vem sendo observado com um acompanhamento de um processo de degradação ambiental e de destruição de ecossistemas. Esse procedimento, que de alguma forma sempre houve, produziu um salto bem maior com a revolução industrial no século XVIII, em que as atividades humanas passam a alcançar uma linha jamais antes idealizada. Deste modo tem-se conhecimento que o uso intenso de combustíveis fósseis (primeiramente o carvão, depois o petróleo) consente o desenvolvimento do setor de transportes, do comércio e das atividades industriais em muitos países, pressionando com tudo isso o apoio de recursos naturais (ROMEIRO, 2003, p.318). O dano ambiental apresenta-se como um fato físico-material e também pode se associar á um fato jurídico considerado por uma norma e sua inobservância, e apenas pode cogitar-se de um dano se a conduta for avaliada injurídica no referente ordenamento legal. Resumindo, sempre deve existir uma norma que impeça certa atividade ou proteja apontado bem ecológico. É claro que, no ato da subsunção dos 21 Faculdade de Minas acontecimentos ao texto da norma sempre vai existir influência da atitude pessoal do intérprete (MACHADO, 2016, p.1407). Por muitas vezes, o mau uso da terra pode acabar gerando graves danos ambientais, que refletem na maioria das vezes muitos prejuízos para o homem, e isso pode vir a causar em casos extremos perdas de vidas humanas. Sendo assim, entende-se que os relevos estabelecem os pisos a propósito de os quais se fixam as populações humanas, desenvolvendo suas atividades, derivando daí valores econômicos e sociais que lhes são conferidos. Em função de suas particularidades e dos processos que sobre eles atuam, proporcionam, para as populações, tipos e níveis de benefícios ou riscos dos mais variados. Suas maiores ou menores estabilidades procedem, ainda, de suas convergências evolutivas e das interferências que podem sofrer dos demais componentes ambientais ou da ação do homem (GUERRA, 2011, p.45). Os problemas que passaram a avançar contra a sociedade nos derradeiros tempos, peculiares de uma sociedade de risco, se depararam com a necessidade de reconstrução de novos padrões (não negando os tradicionais, mas dando-lhes novos contornos), a fim de que o direito possa responder com segurança e efetividade as demandas sócio-político-econômicas emergentes, tendo sucessivamente em vista a dignidade humana, bem como da assistência independente do meio ambiente (FERNANDES, 2010 p.55). A assistência ao ambiente não se abrevia somente à conservação, mas à organização e a racionalização do uso dos recursos, com a intenção de defender o futuro do homem. Constata-se que há, de certa maneira, uma multiplicidade de fatores que se juntam ao procedimento de desequilíbrio e inquietação do meio ambiente. Na visão de Silva (2013, p.78): 22 Faculdade de Minas “Meio ambiente, é a influência mútua do conjugado de subsídios naturais, artificiais e culturais que propiciem o desenvolvimento tranquilo da vida em todas as suas configurações” (SILVA, 2013 p.78), Para MEZZOMO, 2008, p.23, O aquecimento global, a extinção de espécies da fauna e flora, dentre outros, denotam de forma clara o caráter crescente que tal problema vem adquirindo. Torna-se importante destacar que, por um lado com o passar dos tempos á exploração desordenada dos recursos naturais e a contaminação do ambiente são características constatadas, tanto por países desenvolvidos como em desenvolvimento, e a natureza, em muitos casos, não consegue repor seus recursos renováveis na velocidade de sua utilização, nem recuperar os meiosimpactados. Isso sem fazer referência à exploração dos recursos naturais não renováveis. Esse cenário culmina em situações de conflitos, decorrentes da limitação do bem ambiental e da crescente concentração populacional, e tem gerado demandas judiciais cada vez mais complexas envolvendo questões ambientais (BELTRÃO, 2009, p.477). Em relação à reparação do dano ambiental, não há que cogitar se o causador do dano deveria prevê-lo ou não, se agiu com dolo ou culpa, o que realmente importa é que o meio ambiente não pode sofrer a consequência sem que sejam tomadas providências com o intuito de reparação. Tudo que for passível de recuperação deverá ser recuperado, e o que não for deverá ser indenizado em moeda corrente, revertendo esses valores para a preservação ambiental, a fim de que o infrator não fique impune (LIMA, 2010, p. 65). A Constituição Federal, em seu art. 225, § 2o, determina que: “Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com a solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.” O §3o acrescenta: “As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar o dano” (MIRRA, 2004, p.251). 23 Faculdade de Minas O crescente interesse da sociedade em questões relativas à proteção ambiental tem implicado em diferentes demandas de perícias relacionadas a esta área. Perícia Ambiental/ Atividade da perícia e seus efeitos Pode-se dizer que, com a chegada da globalização, o resultado que se teve foi o uso descontrolado dos recursos naturais, e também o estilo de vida se tornou extremamente consumista e isso acabou produzindo o que se conhece como degradação ambiental, gerando numerosos riscos. Conforme descrito na Lei nº 9.605/98 (lei dos crimes ambientais), dano ambiental pode acontecer, contra a fauna, a flora, a administração ambiental, o ordenamento urbano e o patrimônio cultural, por ação de poluentes, ou outros casos específicos, configurando dessa forma, uma vasta gama de objetos de estudo (ALMEIDA, 2009, p.55). Com a instituição da Lei da Ação Civil Pública, de 1985, cresceram, em quantidade e complexidade técnica, os conflitos ambientais levados a juízo. Assim, há a necessidade crescente de aparelhamento do poder judiciário par a absorção e solução dos embates apresentados. O necessário meio para o cumprimento do prescrito normativo mostra-se como um arcabouço, que: “O esforço de se proteger o meio ambiente e solucionar esses conflitos, que na maioria das vezes resultam num alto custo ambiental e social, tem demandado, nos últimos anos, a construção de teorias, princípios, métodos e instrumentos inovadores, tanto na área do Direito quanto nas diversas áreas do conhecimento relacionadas com a questão ambiental” (CUNHA; GUERRA, 2008, p. 266). Segundo Cunha; Guerra (2008, p.222), a Perícia é utilizada em processos judiciais, estando disciplinada pelos artigos 420 a 439 da Seção VII – Da Prova Pericial (CAPÍTULO VI – DAS PROVAS), do Código de Processo Civil (CPC). Nos processos que se destinam a defender o meio ambiente, está interligada a Ação Civil Pública Ambiental juntamente com a perícia ambiental que tem como objetivo desvendar os problemas ambientais, punindo os causadores dos danos ambientais 24 Faculdade de Minas fazendo com que eles tomem providências a respeito, com indenização ou reparação do âmbito. Neto (2010, p.44), define perícia ambiental, como um procedimento metódico previamente planejado, fornecendo ao final do trabalho resultados consistentes, reconhecidos pela comunidade científica. As atividades de investigação do dano ambiental devem ser conduzidas de forma técnica e independente, sem a intervenção ou ingerências das partes do processo. Sendo que seu objetivo fundamental é a prova, visando informações necessárias para responder de forma técnica e imparcial, os quesitos formulados pelas partes. Em geral, as principais atividades da perícia ambiental incluem: a pesquisa documental; exame do local do evento; amostragens de campo; testes analíticos; análise e discussão de resultados; conclusões; respostas dos quesitos e; elaboração do laudo pericial. A atividade pericial ambiental é vinculada à legislação tutelar do meio ambiente, a legislação ambiental, que regulamenta a proteção ambiental nos níveis federal, estadual e municipal, no âmbito de uma nova disciplina do Direito, o direito ambiental (CUNHA; GUERRA, 2008, p.90). A perícia ambiental, importante especialidade de perícia e relativamente nova no Brasil, tem evoluído consideravelmente nos últimos anos, principalmente devido ao aprimoramento da legislação ambiental, que, cada vez mais, visa a proteger os diversos compartimentos que compõem o bem jurídico “meio ambiente”. Essa modalidade pericial consiste em atividade profissional de relevante interesse social, de natureza complexa e ainda em fase inicial de estruturação, que requer uma prática multidisciplinar e atuação de profissionais especializados para o trato das questões envolvidas, além de exames, estudos e pesquisas que fundamentem o desenvolvimento de seus aspectos jurídicos, teóricos, técnicos e metodológicos (SOARES; SALVADOR, 2015, p.95). Pode-se dizer, que o empenho que por muitas vezes, nota-se de se proteger o meio ambiente e resolver muitos conflitos, na maioria das vezes procedem num elevado custo ambiental e social, tem demandado, nos últimos anos, a construção de teorias, princípios, métodos e instrumentos inovadores tanto na área de Direito quanto 25 Faculdade de Minas nas diversas áreas do conhecimento relacionadas com a questão ambiental. Dentro neste processo, encontra-se a Perícia Ambiental, uma extraordinária especialidade de perícia, relativamente nova no Brasil, mas que tem evolucionado respeitosamente nos últimos anos, sobretudo devido ao aperfeiçoamento da legislação ambiental (CUNHA; GUERRA, 2008, p.245). Sendo assim, quando se realiza uma perícia ambiental, do mesmo modo como as outras modalidades de perícia, necessita ser desempenhada por técnico que tenha comprovada sua idoneidade profissional e possuidor de conhecimentos técnico- científicos especializados para verificação da complexidade da verdade dos fatos denunciados (SAROLDI, 2009, p.10). O Novo Código de Processo Civil (NCPC) não alterou muito a respeito deste tema, mas trouxe algumas inovações, que serão abordadas a seguir. A função de perito judicial está disciplinada nos artigos 156 a 158, da Seção II, do Capítulo III, do Título IV, da Parte Geral, que trata dos auxiliares da justiça. O juiz será assistido por perito, sempre que “a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico” (art. 156, caput, NCPC). Tratando-se de perícia complexa, que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, como normalmente ocorre com as perícias ambientais, o juiz poderá nomear mais de um perito e a parte indicar mais de um assistente técnico (art. 475, do NCPC) (FREIRE, et.al. 2014, p.61). A importância da perícia ambiental utilizado em processos judiciais É fato que frequentemente o procedimento produtivo traz em si elementos prejudiciais ao meio ambiente. Isso exige que o poluidor tenha consciência do fato de que aufere lucro e deixa para a coletividade os prejuízos ambientais que necessita reparar. A perícia ambiental é um meio de prova aproveitado por muitas vezes, em processos judiciais, segundo Correia (2003, p. 4), sujeito à mesma regulamentação prevista pelo Código do Processo Civil (CPC), com a mesma prática forense, mas 26 Faculdade de Minas que irá atender a demandas específicas advindas das questões ambientais, onde o principal objeto é o dano ambiental ocorrido, ourisco de sua ocorrência. 27 Faculdade de Minas Segundo o que tange o art. 421 do CPC, as partes envolvidas no processo são incumbidas de indicarem assistentes técnicos e apresentarem os quesitos a serem respondidos claramente pelo perito. Os quesitos devem ser formulados segundo cada caso respeitando suas peculiaridades de forma personalizada, e feito por um profissional devidamente habilitado, pois os advogados têm conhecimento da sequencia lógica para enunciá-las porem desconhecem certas peculiaridades e terminologia especifica da meteria o que pode prejudicar uma das partes (VENDRAME, 2006). Conforme visão de Oliveira (2010, p.45): “O perito ambiental é alguém escolhido pelo juiz e de confiança deste. Cabe a ele levantar todos os dados possíveis acerca das causas, dimensões e naturezas dos danos ambientais causados, podendo (ou mesmo devendo) para isso contar com a ajuda de uma equipe multidisciplinar escolhida por ele mesmo e que seja de sua confiança. Mais uma vez, isto se deve à dificuldade de se dimensionar ou qualificar danos ambientais, pois tal tarefa exige conhecimentos especializados, dificilmente, alcançáveis por apenas uma pessoa.” A perícia pode ser de iniciativa de uma das partes interessadas ou, do juiz no caso do processo não apresentar os elementos suficientes para a elucidação dos autos que levem a um julgamento justo. O objetivo do perito é de sempre buscar provas materiais embasadas em dados científicos obtidos por meio de procedimentos analíticos que possibilitem o esclarecimento das indagações geradas no processo através de investigação, mensuração e avaliação de dados gerando um laudo conclusivo coeso e direto (MARTINS JUNIOR, 2006, p.40). Deste modo, de forma ilustrativa através da figura 1 é demonstrado de forma mais clara, o fluxo da prova pericial no âmbito do processo judicial. 28 Faculdade de Minas Deste modo, a Perícia Ambiental vem tornado-se, peça-chave nestes novos tempos, no qual a dinâmica e a velocidade das mudanças ocorridas na sociedade contemporânea promoveram um rápido processo de transformações no meio ambiente em decorrência da ação do homem, causando de forma acelerada e acentuada o desequilíbrio, a redução e até mesmo o desaparecimento espécies e ecossistemas (ALMEIDA; OLIVEIRA; PANNO, 2003, p.205). 29 Faculdade de Minas Por sua vez, Almeida (2009, p.215) destaca que: “Na perícia ambiental, devem ser apurados e quantificados todos os danos causados ao meio ambiente, tais como ao solo, aos lençóis freáticos, à fauna, à flora, à paisagem, à saúde, à cultura, entre outros. A amplitude dessa avaliação demanda conhecimento técnico em áreas diversas, difícil de ser alcançada por um único profissional. A complexidade da perícia ambiental exige, portanto, uma atuação multidisciplinar, o que a diferencia da tradicional perícia judicial.” Em outras palavras, “a perícia ambiental tem como objetivo o estudo e a preservação do meio ambiente, o que abrange a natureza e as atividades humanas” (NADALINI, 2013, p.34). É comum o envolvimento de equipe multidisciplinar com outros profissionais das mais diversas especializações em ações que necessitam de uma equipe técnica capacitada nas áreas em questão. Por isso, o art. 158 do novo Código prevê que o perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá pelos prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, independentemente das demais sanções previstas em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção das medidas que entender cabíveis (FREIRE, 2014, p.55). A característica de ter uma função auxiliar em juízo e de ser destinada a fornecer dados na fase instrucional do processo, para a formação dos elementos de prova que serão utilizados pelo magistrado, poder proferir sua sentença com a adequada fundamentação que, confere ao laudo pericial uma função primordial junto à decisão final do processo. O laudo pericial deve ser claro, objetivo, fundamentado e conclusivo. Todos os dados e elementos que o perito julgar importantes e que possam contribuir efetivamente para o convencimento do juiz devem ser levantados. 30 Faculdade de Minas O mesmo deve ocorrer nas perícias fora da esfera da Justiça (MARTINS JUNIOR, 2006, p.40). Deste modo, considera-se relevante ressaltar que o dano ao meio ambiente, vem sendo cada vez mais, considerado um objeto de estudo para a perícia ambiental, e isso envolve seus aspectos abióticos, bióticos e socioeconômicos, compreendendo a natureza e as atividades humanas. Constatou-se deste modo que, a perícia ambiental, vem cada vez mais sendo importante, pois visa esclarecer tecnicamente a existência ou não de ameaça ou dano ambiental, produzindo a prova e o laudo pericial e assessorando o juiz na formação do seu convencimento. A Importância da Perícia Ambiental na Solução de Crimes Ambientais no Brasil O modelo atual de desenvolvimento econômico torna-se cada dia mais insustentável, comprometendo assim o equilíbrio ecológico do planeta e por sua vez a qualidade de vida de todos os seres humanos. Devido ao aumento do consumo, estimula-se o consumismo exacerbado, tornando-se insustentável a sobrevivência com qualidade dos seres humanos. A partir da década de 70, surgem as Auditorias e Perícias nos Estados Unidos e Inglaterra, sendo que hoje seu emprego é muito aplicado na América do Norte principalmente nos Estados Unidos e Canadá como ferramentas instrutivas preventivas ou corretivas. No Brasil somente após a criação da Lei nº 9.605/98 que trata sobre os crimes ambientais houve uma preocupação com sua aplicabilidade; com essa novidade a 31 Faculdade de Minas legislação ambiental brasileira passou então a contar com instrumento importantíssimo na preservação ambiental, através da responsabilização e aplicação de sanções sejam eles penais ou administrativas, aos causadores de tais danos sendo considerados agora, crimes ambientais. Portanto, a nova legislação permitiu a formação de subsídios necessários para as empresas, onde possam se tornar conscientes, sempre buscando seu aprimoramento, evitando assim problemas relacionados à degradação do meio ambiente. Com advento da Lei da Ação Civil Pública que foi editada em 1985 (Lei nº 7.347, 24/07/85), os conflitos ambientais, foram levados a Juízo tanto em quantidade, tão quanto na sua complexidade. Com finalidade de guardar o ambiente e solucionar tais conflitos, por consequência, elevados custos ao meio ambiental e também ao meio social, demandado por muitos anos, com base em teorias, princípios, métodos considerados inovadores no campo do Direito Ambiental relacionado a questões ambientais. O principal objetivo consiste em descrever, conceituar a importância das perícias ambientais no Brasil, sendo que em dias atuais, é vista como prova em lides processuais, sendo sua regulamentação prevista no novo CPC1, de acordo com as práticas forenses vigentes, sempre atendendo as demandas específicas a questões relacionadas ao meio ambiente, focando assim, dano ao meio ambiente ou possível risco de sua ocorrência. A Auditoria e Perícia Ambiental surgiram nos Estados Unidos e Inglaterra, em meados de 70, sendo que hoje seu emprego aplicado principalmente na América do Norte em destaque Canadá e Estados Unidos com a utilização de instrumentos preventivos ou corretivos. No Brasil somente após a criação da Lei nº 9.605/98, a sua aplicabilidade ainda é nova, porém, já fornecem subsídios necessários para que haja nas empresas, conscientização e aprimoramento para que evitem problemas 1 CPC Código de Processo Civil, Criado pela lei nº 5.589, de 11 de janeiro de 1973 possui todas as normas relacionadas aos processos judiciais deorigem civil. Ou aquelas fora da esfera penal, tributário, trabalhista e eleitoral e outros 32 Faculdade de Minas relacionados, principalmente na geração de resíduos, uso de energia renováveis e no tratamento de efluentes. Com isso, a Perícia Ambiental tornou-se fundamental na sociedade atual, promovendo assim mudanças significativas devido à interferência do homem, causando um desequilíbrio e desaparecimento de algumas espécies do ecossistema (ALMEIDA; OLIVEIRA; PANNO, 2003). Definições Básicas Sobre Perícia Ambiental e as suas Inovações no Código de Processo Civil A Perícia trata-se de uma diligência na qual é realizada na maioria das vezes por peritos, com a finalidade de esclarecer, evidenciar ou elucidar fatos que geram dúvidas ou incertezas. Portanto, é uma investigação, com base em exames, verificando a verdade, ou fatos a serem esclarecidos, é necessário que haja pessoas altamente capacitadas e tenham uma habilidade profissional com reconhecida experiência quando na qual a matéria será abordada e idoneidade moral (SILVEIRA, 2006). Para ASSIS, (2011) a perícia pode acontecer em qualquer área quando houver alguma controvérsia ou a pendência, incluindo em situações empíricas. Já a perícia ambiental é um meio de prova utilizada em lides que envolvam questões ambientais, regulamentada e prevista no CPC, de acordo com as práticas forenses, mas sempre buscando atender as questões específicas que envolvam questões ambientais, onde o seu principal objeto é o dano ambiental ocorrido, ou ate mesmo um possível risco do mesmo ocorrer. 33 Faculdade de Minas Vejamos agora um quadro comparativo sobre as inovações do NCPC2 2015 e CPC 7 NCPC 2015 CPC 73 Art. 464. Considera como prova pericial, sendo um conjunto de exames necessários, como vistorias e avaliações. Art. 420. A prova pericial pode ser um exame, vistoria ou avaliação. § 2º. Através de ofício ou requerimento das partes, cabe ao magistrado, à substituição da prova, para que possa determinar uma nova produção de prova mais simplificada, quando o ponto de divergência é menor complexidade. Não há uma correspondência no CPC de 1973 § 3º. Para o Magistrado a prova técnica simples, constituída por um especialista, sobre determinado ponto divergência que venha causar, ou que demande conhecimentos especiais. Não há uma correspondência no CPC de 1973 § 4º. Durante as arguições, o perito nomeado, deverá ter uma formação específica na área na qual se pretende discutir, podendo o perito, utilizar de recursos tecnológicos para que sejam assim esclarecidos os fatos. Não há uma correspondência no CPC de 1973 § 2º. Tendo conhecimento de sua nomeação, o mesmo terá um prazo de Não há uma correspondência no CPC de 1973 2 NCPC Novo Código de Processo Civil. Houve uma reformulação do Código do Processo Civil passando a vigora a partir de 17 de março de 2016. 34 Faculdade de Minas cinco dias: I – Para que possa propor seus honorários; II – Exibir seu currículo, com devida comprovação de suas habilidades específicas; III – Contatos, como e-mail, no qual serão encaminhadas todas as intimações pessoais. § 2º. Cabe ao perito e seus assistentes de cada uma das partes envolvidas, o seu acesso como também o devido acompanhamento em diligências e exames a serem realizados, com prévia antecedência mínima de cinco anos. Não há uma correspondência no CPC de 1973 Art. 471. As partes estando em comum acordo, podem escolher o perito, devendo indicá-lo mediante a um requerimento, desde que: I – sejam completamente capazes; II – a lide possa ser discutida por auto composição. Não há uma correspondência no CPC de 1973 Art. 473. O laudo pericial deve conter: I – Uma exposição dos objetos da perícia realizada; II – Uma análise técnica ou científica do perito; III – A indicação de um método utilizado, de forma clara e explicativa. IV – uma resposta conclusiva a todos os quesitos assim apresentados pelo juiz de forma com as partes e Ministério Público. Não há uma correspondência no CPC de 1973 35 Faculdade de Minas § 1º. Em se tratando sobre a gratuidade em relação à justiça, cabe aos órgãos que competem cumprir conforme a determinação judicial com preferência, em prazo estabelecido. Não há uma correspondência no CPC de 1973 § 2º. A prorrogação de prazo conforme descrito §1º deve-se requerida motivadamente Não há uma correspondência no CPC de 1973 Fonte: Adaptado do NCPC 2015 Leis de Crimes Ambientais A Lei 9.605/98 em sua matéria trata sobre crimes ambientais, dispondo ao longo do seu texto com sanções penais e administrativas, provenientes de condutas e atividades que lesam o meio ambiente, dando assim outras providências necessárias. Sendo considerada a primeira lei que realmente criminalizou condutas, nocivas ao meio ambiente antes tratado apenas como contraversões penais, de acordo com Artigo 26 da Lei 4771/65 também conhecida como Código Florestal. Devido à fraca rigidez ou ausência de punibilidade, a maioria dos crimes ambientais da época era tratada com certo descaso. Com penas baixas, que não ultrapassavam três meses a um ano muitas das vezes eram convertidas em multas. Realidade totalmente diferente a conduta atual do novo Código. Outro instrumento importante a meio ambiente foi a CF/88 em especial no seu artigo 225 § 3º no qual traz uma preocupação, com meio ambiente e trazendo a responsabilidade para aqueles que agridem o meio ambiente. Crimes Ambientais De acordo com Sampaio (2010) podemos classificar os crimes ambientais em: 36 Faculdade de Minas •Crimes contra fauna; • Crimes contra flora; • A Poluição hídrica; • A Poluição sonora; • A Poluição do ar; • Contaminação do solo: • Crimes contra ordenamento urbano e patrimônio cultural. Podendo então definir que crimes contra fauna são aqueles que se enquadram no comércio ilegal, ou seja, na venda, na exposição de venda, na aquisição, na guarda e transporte para exportação de espécies estando vivas ou abatidas, ovos, filhotes, larvas sem que haja uma autorização ambiental ou em desacordo com mesma. Temos ainda, a danificação ou destruição dos seus ninhos, abrigo ou habita natural. Outro fato que de grande relevância é a introdução de espécies consideradas estrangeiras no Brasil sem a devida autorização e estudo podendo assim causar impactos ambientais a determinadas espécies. Os Problemas Enfrentados na Perícia A decisão de preservar, ou não, meio ambiente, estimula conflitos de interesses e acaba gerando um custo a sociedade que acaba por arcar e, podendo ser justificado pela determinação do valor econômico dos recursos em questão. Daí a necessidade de tal discussão para que haja a valoração do meio ambiente aplicando assim diversas metodologias, como também trazem controvérsias geradas pelo tema. Ao longo do trabalho pode-se verificar que valor de um recurso ambiental não se dá apenas por uma simples expressão matemática ou apenas números ou cifras, estando ali implícitas inúmeras questões que ao longo procuramos abordar. A perícia ambiental é uma importante especialidade na área de perícia, porém muito nova no Brasil, contudo há se destacar uma evolução considerável nos últimos anos, com melhor aprimoramento da legislação ambiental, visando assim à proteção de diversas divisões nas quais compõem o bem jurídico “meio ambiente”. 37 Faculdade de Minas A perícia ambiental é uma atividade, de cunho social, com natureza bem complexa, tendo na sua fase de estruturação a necessidade de certa prática associada a uma equipe multidisciplinar, com profissionais especializados e legalmente habilitados aos seus conselhos profissionais. As perícias ambientais procuram sempre atender às demandasque decorrem a respeito de questões ambientais, onde seu principal objetivo é o dano ambiental ocorrido ou que por ventura possa ocorrer. Podemos ainda ter uma concepção que a maioria dos danos ambientais pode causar efeitos irreversíveis, e as ações de cunho ambiental devem seguir o caninho baseado nos princípios da Prevenção, da Precaução e do Não Retrocesso. Por se tratar de uma matéria extremamente complexa na qual envolvem o dono e aos interesses da coletividade. A Perícia Ambiental Como Instrumento na Solução de Crimes Ambientais Segundo Nunes (1994) a Perícia é realizada por um técnico, ou pessoa que comprove e tenha idoneidade, para verificar e esclarecer um fato ou estado que acabando sendo objeto de legítimo para concretizar uma prova ou oferecer a Justiça ou poder de julgar. De acordo com a norma técnica NBR (Norma Brasileira Regulamentar) 14653-1: 2011 podemos definir a perícia como sendo uma atividade de cunho técnica realizada por profissional qualificado de forma específica, tais como: Administradores, Bacharéis em Direito, Biólogos, Gestores Ambientais, Contadores entre outros, que possam averiguar e esclarecer fatos ou até verificar o estado de um bem, apurando as causas que motivaram a alcançar determinado evento, avaliando seus bens, custos, seus frutos ou direitos. A atividade perícia no campo ambiental é coordenada pelo Novo Código de Processo Civil, assim como as demais modalidades de perícia que são submetidas à prática forense. A perícia surgiu da necessidade de uma demanda, que se se iniciou pelas ou por uma das partes interessadas em busca de provas, atos e fatos que são levantados para então fundamentar a um possível direito a ser pleiteado. 38 Faculdade de Minas A perícia também pode surgir a partir da necessidade do juiz, para que haja um conhecimento esclarecer de atos e fatos ALMEIDA, (2011, p.21). Observe agora algumas peculiaridades sobre a perícia ambiental. Destaca-se entre elas a principal que é de um laudo ambiental e um laudo técnico. Ao primeiro momento apresentam a mesma finalidade, porem há uma diferença entre Laudo Pericial e Laudo Técnico. É sobre a competência legal para sua realização, ou seja, por mais que ambas tenham fundamento técnico e são realizadas por profissionais habilitados, há uma diferença na competência legal para sua realização. O laudo pericial apresenta algumas divergências básicas em sua aplicação, o responsável pela sua realização e responsável pela sua condução desenvolvimento dos seus trabalhos é pessoa uma designada pela lei, ou seja, peritos oficiais, ou nomeadas pelo juiz para atuar perito nomeado. Já o laudo técnico é um documento que resulta também de uma analise técnica por uma pessoa que apesar de não ter conhecimento técnico sobre o assunto, não tem a competência legal para atuar como perito seja ele oficial ou nomeado. Para Abunahman (2006) existem três espécies de “provas específicas”: - Exame: é uma inspeção mais superficial, pois analisa as coisas, pessoas ou documentos, para verificação de fatos que possam surgir ou até mesmo circunstâncias ao interesse do litígio; - Vistoria: é considerada sendo a mesma inspeção, porem realizada sobre bens e imóveis; - Avaliação (ou Arbitramento): que consiste na apuração de valores, em espécie, de coisas, direitos e obrigações em litígio. Observa-se que os papeis do perito e assistente técnico. Durante toada a execução da perícia é indispensável à presença de algumas pessoas que são fundamentais para sua elaboração. O perito após ser escolhido pelo magistrado, os seus assistentes técnicos serão escolhidos pelas partes no processo. Alguns procedimentos que ocorrem durante uma perícia ambiental. Primeiro passo consiste na leitura completa e criteriosa dos autos. Nesse momento que o perito tem a consciência do processo. Com isso possibilita o profissional estruturar todas as suas ações que serão realizadas no processo, a fim de obter um melhor embasamento as 39 Faculdade de Minas suas decisões enquanto perito, ainda no mesmo procedimento, o perito deve identificar, os seus Assistentes Técnicos e por sua vez das partes para então solicitar as informações necessárias tais como: documentos, como também para marcar data e hora da vistoria ao local a ser analisado. O próximo passo é buscar instrumentos legais (urbanística/ambiental/ específica) como também informações a respeito da temática da pericia e consequentemente enquadrar ou não a atividade ou o dano decorrente da mesma dentro de padrões legais. Logo após é realizada uma visitação do local para tomada de informações por meio de fotos, relatos de funcionários pessoas que moram próximo ao local. Nesse momento, o perito reúne todos os materiais das fases anteriores e começando assim redigir, reproduzir os anexos e montar assim o laudo final para entrega a juiz que solicitou a pericia. Com a elaboração final do laudo pericial dá-se por meio de uma a leitura e análise dos fatos: Documentos técnicos disponíveis, Interpretação cartográfica, topográfica, aerofotogramétrica e imagens de satélite Cruzamento dos resultados de campo, laboratório e escritório. Por fim procede-se a redação, digitação, reprodução dos anexos e montagem do laudo. 40 Faculdade de Minas REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. Série de Normas ISO 14000. Sistemas de gestão ambiental: especificações e diretrizes para uso. NBR ISO 14001. Rio de Janeiro: ABNT, 1996. BENJAMIN, A. H. V. Dano Ambiental: prevenção, reparação / Coordenador, Antonio Herman V. Benjamin. São Paulo. Revista dos Tribunais, 1993. BRASIL. Lei nº 4.771 – Código Florestal. Brasil, 1965. BRASIL. Lei n° 12.305, de 02 de Agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a lei 9.605, de 12 de Fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 03 Ago. 2010. BRASIL. Lei nº 9.985/00 – Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Brasil, 2000. CAMPOS, Lucila Maria S.; LERÍPIO, Alexandre A. Auditoria Ambiental: uma ferramenta de gestão. São Paulo: Atlas, 2009. CAGNIN, C. H. 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