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Denominação do módulo: MV ...: Realizar a esterilizaçāo dos diversos materiais Central de Material e Esterilização Manual de Apoio Introdução O material médico-cirúrgico usado nos serviços de saúde alberga hospedeiros suscetíveis e os mais diversos microrganismos em uma inter-relação íntima, portanto, necessitando de uma consideração especial, visando uma maior segurança dos pacientes e os profissionais. O controlo, organização e centralização dos serviços de Esterilização deste sector representa um papel importante no rompimento da cadeia epidemiológica das infeções sendo uma medida essencial e eficaz na prevenção e controle da disseminação de microrganismos. É de extrema importância a participação dos profissionais de saúde no processo de esterilização e monitoria dos processos de esterilização no referido contexto. É necessário que tenham o entendimento e a perceção do seu papel na prevenção e controle das infeções em qualquer unidade sanitária. Devem ser periodicamente treinados e capacitados em cursos de aprimoramento que lhes propiciem o entendimento de sua função e de sua importância. A transferência de microrganismos do material médico-cirúrgico contaminado para o paciente ocorre pelo contacto do material não estéril que não tenha passado pelos processos de esterilização e monitoria e controle frequente e mesmo com a diminuição do impacto desta transferência por meio da higienização, descontaminação, lavagem, a realização da limpeza dos materiais com recursos máquinas termodesinfectoras são fundamentais para a redução de infeções no sítio cirúrgico. Central de material e esterilizaçāo (CME) CME..é um sector destinado a limpeza,ao acondicionamento,a esterilizaçāo, armazenamento e a distribuiçāo dos materiaias para saúde. 1.Objectivos · Receber,conferir,processar e desinfetar e ou esterilizar artigos para o uso hospitalar livre de microrganismos. · Assegurar o processo de esterilizaçāo visando a qualidade do serviço prestado por meio de monitorizaçāo quimica,fisica e biologica.Garantindo assim a segurança do usuário. · Prevenção e controle de Infecção relacionada a assistência à saúde. · Determinar medidas preventivas que reduzem o risco de contaminação. 2.Tipos: · Descentralizada: onde cada sector é responsável por todo o procedimento de limpeza até a sua esterilização. Este é pouco seguro e menos utilizado. · Parcialmente centralizada: na qual já se vê o início de concentração dos serviços de esterilização e cada sector usuário fica responsável pela limpeza e desinfecção no próprio ambiente de trabalho. Centralizada, é a que garante maior segurança, onde todo o processo, desde a limpeza das sujidades até a esterilização e armazenagem, é efectuado e controlado. · Este último é o mais recomendado devido o avanço tecnológico e a necessidade de aprimoramento e padronização das técnicas de processamento de materiais. 3.Estrutura fisica da central de material e esterilizaçāo A construçāo da (CME) necessita a observância de regulamento técnico normativo que,para cada actividade desenvolvida no CME deve haver um ambiente obrigatório com dimençoeēs minimase instalaçoēs necessárias; Pisos-devem ser lavaveis,com o minimo de juntas em bom estado de conservaçāo,anti derrapante. Paredes-devem ser lavaveis e resistentes a abrasāo sem juntas e em bom estado. As superficies devem ser impermeaveis,lisas,lavaveis,de cor clara e de facil manutençāo. As janelas do CME devem ser protegidas com telas milimetricas para evitar a entrada de insectos e roedores, e em casos de abertura nao seja desnecessaria. A ventilaçāo mecânica ou natural é permitida na área suja, porém deve ser evitada na área limpa e esteril. As bancadas devem ser usadas para inspeção, secagem, preparo,embalagem,conferȇncia,e apoio. Devem ser de fácil higiénizaçāo e favorecer a ergonómia do funcionário. O CME deve ser dividido minimamente em trés áreas separadas por barereiras fisicas, 4, Actividades principais da CME 1.Receber, desinfetar e separar os produtos para a saúde. 2.Lavar, secar,inspencionar,lubrificar, empacotamento os produtos para saude. 3.Receber roupas limpas vindas da lavanderia. 4.Esterilizar os produtos por meio de métodos físicos, químico, físicos-químico. 5.Realizar o controle microbiológico e o prazo de validade de esterilização dos produtos. 6.Acondicionar e distribuir os instrumentais e roupas esterilizadas. 7.Zelar pela segurança e proteção dos funcionários desse setor. 5.Fluxo de actividades e pessoas A área física da CE deve permitir o estabelecimento de um fluxo contínuo e unidirecional do artigo médico-hospitalar, evitando o cruzamento de artigos sujos com os limpos e esterilizados. ÁREA/SALA DE RECEPÇÃO E LIMPEZA ÁREA/SALA DE DESINFECÇÃO SALA PREPARO E ESTERILIZAÇÃO SALA DE ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO Sector sujo Sector limpo Sector limpo Sector limpo 6.CRITÉRIOS RECOMENDADOS PARA O PROCESSAMENTO DOS ARTIGOS De acordo com BRASIL, 1994 os artigos são classificados de acordo com risco de causar infecções e potencial de contaminação em: a) Artigos críticos Entram em contato com tecidos estéreis ou com o sistema vascular e penetram em órgãos e tecidos, bem como todos os que possuem alto risco de causar infeção. Estes requerem esterilização para satisfazer os objetivos a que se propõem. Ex.: agulhas, roupas, instrumentos cirúrgicos e soluções injetáveis. b) Artigos semi-críticos São aqueles que entram em contato com mucosa e pele não íntegra do paciente ou com mucosas íntegras e exigem desinfecção de médio ou alto nível ou esterilização. O risco potencial de transmissão de infecção é intermediário, porque as membranas apresentam certa resistência à entrada de esporos. Alguns deles necessitam de desinfecção de alto nível e outros de desinfecção de nível intermediário (material para assistência ventilatória, espéculo otológico, circuitos, etc.) realizada com hipoclorito de sódio a 1% por 30min. c) Artigos não críticos Entram em contato com pele íntegra e superfícies. Risco de transmissão de infecção baixo. Se esses materiais estiverem contaminados com matéria orgânica devem receber desinfecção de nível baixo, e na ausência de matéria orgânica devem receber limpeza apenas. Desinfecção de baixo nível com quaternário de amônia ou hipoclorito a 0,025%. 7.Limpeza e organizaçāo do CME O Centro de Material e Esterilização (CME) é responsável pela limpeza, preparo, esterilização e armazenamento de produtos para saúde passíveis de processamento. Tem por finalidade garantir ao usuário e a equipe de saúde a utilização de artigos estéreis em boas condições de preservação e funcionalidade. Conforme a RDC nº 15 (BRASIL, 2012), a infra-estrutura da CME está dividida por áreas: Recepção e Limpeza; Preparo e Esterilização; Armazenamento e Dispensação. Em relação à estrutura física, o CME constitui-se de duas áreas distintas: área contaminada, destinada a receber materiais sujos, efetuar sua limpeza, descontaminação e secagem e, área limpa, onde os materiais são conferidos, selecionados, acondicionados, identificados, esterilizados, armazenados e distribuídos para as demais unidades (BRASIL, 2012). Sendo assim, o CME deverá estar limpo e organizado para execução de todas etapas do processamento de artigos. O CME constitui um ambiente de trabalho que apresenta riscos ocupacionais, expondo os profissionais da saúde a fluidos corpóreos veiculadores de microrganismos, substâncias orgânicas e inorgânicas contaminadas. Por isso, é de extrema importância a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI). O uso de EPI neste setor diminui o risco de contato direto da pele e mucosas com qualquer material contaminado e os produtos químicos necessários ao processo. Portanto, a equipe de profissionais que atua no CME deve utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) específicos de acordo com a atividade a ser desenvolvida EPI: Gorro, máscara, óculos de proteção, luvas de borracha, avental impermeável,sapato fechado impermeável e antiderrapante, luvas de procedimento (na sala de preparo e esterilização). Limpeza concorrente do CME Frequência a ser realizada: a cada plantão; Materiais utilizados: água, detergente neutro, compressas descartáveis para higiene, álcool 70%, esponja, materiais utilizados na limpeza pela empresa terceirizada; Limpeza concorrente de pias e bancadas: diária, realizada pelo profissional escalado; Pias: no final de cada plantão as pias deverão ser lavadas com detergente neutro e esponja, secas com compressas, e desinfetadas com compressas embebidas em álcool a 70%; Mesa do preparo: essa superfície deverá ser limpa ao final de cada plantão,utilizando-se compressas embebidas em álcool a 70% e passando-as por toda a extensão da mesa, no mesmo sentido, secando em seguida; Autoclave: realizar limpeza diária da câmara interna da autoclave com solução de detergente neutro e, posteriormente, umedecidas apenas com água até a remoção total dos resíduos de detergente. Isso aumenta a vida útil do equipamento e evita a obstrução do dreno com resíduos liberadas pelo sistema de barreira estéril. Realizar limpeza diária da face externa da autoclave . Limpeza terminal do CME Orientações para Higiene e Limpeza A limpeza terminal do CME deverá ser executada pela empresa terceirizada, a qual tem a responsabilidade de providenciar o treinamento de seus colaboradores. No entanto, faz-se necessário pactuar a rotina, os horários e o acompanhamento do serviço realizado. Além disso, este procedimento é realizado de forma conjunta, pois a equipe de limpeza não deverá manipular os materiais (sujos e/ou limpos); Observação: aguardar a secagem completa das prateleiras e bancadas (tanto do preparo quanto do arsenal) antes de colocar os pacotes e caixas de instrumentais no lugar. Embora a limpeza terminal seja de responsabilidade da terceirizada, é importante que os seguintes princípios sejam observados: I. Do mais limpo para o mais sujo; II. Da esquerda para direita; III. De cima para baixo; IV. Do distante para o mais próximo; V. Usar sempre panos e/ou mops limpos; VI Caso seja necessário utilizar álcool a 70%. 8.Fluxograma do material . A SOBECC (2009) destaca a necessidade de manter neste setor um fluxo contínuo e unidirecional do artigo, evitando o cruzamento de artigos sujos com os limpos e esterilizados. Além disso, aponta a importância de se evitar, sempre que possível, que o trabalhador escalado para a área contaminada transite pelas áreas limpas e vice-versa. 9.ETAPAS DO PROCESSAMENTO DE MATERIAL PARA ESTERILIZAÇÃO 1.1 – Lavagem do material manual . 9.1Limpeza de instrumentos: Limpeza e o processo de remoção de sujidades realizado pela aplicação de energia mecânica (fricção), química ( soluções detergentes, desincrostantes ou enzimática ) ou térmica. A utilização associada de todas estas formas de energia aumentam a eficiência da limpeza. A matéria orgânica presente ( óleo, gordura, sangue, pus e outras secreções ) envolve os microrganismos, protegendo-os da ação do agente esterilizante. Por essa razão, a limpeza constitui núcleo de todas as ações referentes aos cuidados de higiene com os artigos e áreas hospitalares, além de ser o primeiro passo nos procedimentos técnicos de desinfecção e esterilização. 9.2-Detergentes: São produtos que contém tensoativos em sua formulação, com a finalidade de limpar através de redução da tensão superficial, umectação, dispersão, suspensão e emulsificação da sujeira. 9.3-Detergente Enzimático: À base de enzimas e surfactantes, não-iônico, com pH neutro, destinado a dissolver e digerir sangue, restos mucosos, fezes, vômito e outros restos orgânicos de instrumental cirúrgico, endoscópios e artigos em geral 9.4 Técnica; • Uso obrigatório de EPI completo ( máscara, óculos protetores, gorro, avental plástico, propés/botas, luvas de borracha de cano longo ); • Receber e conferir material sujo das unidades, na própria bandeja, sem descartáveis e pérfuro-cortantes; • Selecionar os delicados, pontiagudos, de anestesia, materiais elétricos, etc; • Abrir os instrumentais, com exceção das pinças pontiagudas ( Backaus, Pozzi ),para reduzir risco ocupacional; • Materiais leves devem ficar sobre os pesados a fim de evitar danos (os delicados lavar manualmente); • Se a CME dispuser de máquinas, o material continuará a ser processado nelas.Caso contrário, obedecer as etapas seguintes: • Fazer enxágüe prévio dos instrumentais com jato de água fria ( para remoção de restos de sangue e matéria orgânica); • Colocar os instrumentais imersos em sabão neutro líquido ou detergente enzimático, tendo o cuidado de abrir as pinças, excepto as pontiagudas ( evitar acidente com o servidor ). Obs: não utilizar detergente de uso doméstico; ao longo do tempo danifica os instrumentais; • Deixar agir na solução de acordo com as orientações do fabricante; • Retirar desta solução e lavar friccionando com escova, observando ranhuras,articulações,cavidades e concavidades. Lavar os delicados separadamente; • Enxaguar em água corrente abundantemente, secar e encaminhar para preparo. 9.5.Lavagem do material por máquinas 9.6..Lavadoras Ultra-sônicas: emitem vibrações ultra-sônicas na água aquecida para remover a sujidade das superfícies externa e interna dos instrumentos com ajuda de soluções químicas; 9.7. Lavadoras esterilizadoras ( a 121o C e alta pressão): de acordo com o nome, existem dois ciclos: um de lavagem ( não remove toda a matéria orgânica dos instrumentas), e outro de esterilização ( devido a alta temperatura a matéria orgânica não removida na lavagem adere-se aos instrumentais dificultando a remoção na limpeza manual ),necessitando de lavagem manual posterior; 9.8. Lavadora descontaminadora ( descontaminadora térmica,desinfectora e sanitizadora ): essa máquina emite numerosos jatos de água, através de espargidores, que são estrategicamente dispostos para remover a sujidade, proporcionando excelente limpeza, sem danificar os instrumentais. O ciclo inicia um banho de água fria ( reduz a impregnação de matéria orgânica ), e depois, água quente ( até 85o C), com detergente, seguido de enxágüe múltiplos 9.9.Erros de limpeza SOBECC, 2013; RUTALA, 2008; PSALTIKIDIS, RIBEIRO, 2011 refere que a equipe de enfermagem deve ser capacitada para evitar os seguintes erros durante o processo de limpeza: I.Não usar escova de limpeza adequada para lúmens; II. Não desmontar um instrumental antes de realizar a limpeza; III. Lavar produtos com sujidade ressecada sem pré-umectação; IV. Não realizar a limpeza manual dos materiais canulados antes de colocar na lavadora ultrassônica com retrofluxo; V. Detergente em concentração subótima ou saturada pelo reuso. VI. Não permitir o tempo de contato suficiente do detergente, não preencher lumens ou não promover a imersão completa do produto; VII. Não trocar a solução de detergente a cada uso; VIII. Deixar os dispositivos em solução de detergente por tempo prolongado; IX. Fazer enxágue incompleto. “ limpeza necessita ser entendida e executada como o ponto primordial para o processamento dos materiais, sem a qual as demais etapas não garantem segurança ao usuário” (PSALTIKIDIS 10. Secagem • Secagem minuciosa com compressas limpas e/ou ar comprimido; • Fazer revisão observando integridade das funções de cada instrumental e presença de sujidade; • Lubrificação das articulações quando necessário; • Encaminhar os materiais para a área de preparo. 11 – Área de preparo dos instrumentais cirúrgicos • Separar por tipo: pinças, tesouras, afastadores, etc, inspecionando os materiais; • Solicitar à enfermeira a substituição de materiais danificados ou quebrados,quando necessário; • Montar bandejas conforme relação de instrumentais padronizada; • Acondicionar em bandejas, caixas perfuradas ou pacotes, tendo o cuidado de colocar os materiais leves sobre os pesados a fim de evitar danos; • Juntar e amarrar frouxamente peças delicadas como: ganchos, espátulas, etc,para evitar que caiam ao abrir a bandeja em sala de cirurgia; • Proteger os instrumentospontiagudos para evitar danos aos materiais e acidente de trabalho. Para tanto pode-se usar envelope aberto de papel cirúrgico ou compressa de gaze 7,5 x 7,5 cm. 12.Empacotamento do material -A embalagem ou envolcro deve assegurar a integridade do material a ser esterilizado,garantindo sua protecao quanto a accao dos agentes esternos; conter: Tipo de material, especialidade, sector, data, Assinatura 12.1 Identificação e especificaçāo do material - Usar preferencialmente fita teste para autoclave; - Colocar nome do material, especialidade, setor de origem, data e assinatura -A escolha do tipo de embalagem depende do meio esterilizante a ser usado. Existem dois tipos de embalagens;descartaveis e reutilizaveis Descartaveis; (Papel grau cirurgico,papel crepado,sms,tyvek Reutilizaveis: (tecido de algodao, estojo metalico, vidro refratado,container rigido,caixas metalicas. 13.Criterios para seleção da embalagem: Permeabilidade ao agente esterilizante; Impermeabilidade a partículas microscópicas; Resistência às condições físicas do processo de esterilização; -Adequação ao material a ser esterilizado; Flexibilidade e resistência à tração durante o manuseio; Se proporciona selagem adequada; Ausência de resíduos tóxicos (corantes e alvejantes) e nutrientes microbianos ( amido ). 13.1 Tecido de Algodão Os campos de algodão utilizados como sistema de barreira devem seguir a terminologia, as características e as especificações para confecção dos tecidos determinadas pela Associação Brasileira de Norma técnicas (ABNT) na NBR 14027 para campo simples e NBR 14028 para campo duplo. Eles tem indicação restrita para esterilização a vapor; devem ser lavadas a cada uso para a restauração da umidade das fibras, facilitando assim a penetração do agente esterilizante; e por isso também não deve passar por processo de calandragem ou ser passado a ferro para que a fibra não resseque e dificulte a penetração do agente esterilizante. (SOBECC, 2013; APECIH,2010) PEREIRA, 2010, informa estudo que refere que os campos duplos de algodão padronizados pela ABNT tem uma capacidade limite de manter barreira microbiana por 65 reprocessamentos. As frequentes lavagens e esterilizações, fazem com que as fibras de algodão encolham e aumentem de tamanho sucessivas vezes, gerando desgaste do material, diminuição de sua gramatura, ocasionando assim, quebra da barreira microbiana. Por isso a necessidade de monitoramento da vida útil desse material e controle efetivo do número de processamento. Além disso outros fatores interferem negativamente no uso do tecido como: 1. Impossibilita a visualização do conteúdo; 2. Difícil controle operacional da quantidade de reprocessamento e avaliação da perda da barreira microbiana; 3. Baixa vida útil por desgaste precoce das fibras; 4. Baixo grau de eficiência como barreira microbiana; 5. Ausência de resistência à umidade, 6. Alta absorção podendo impregnar-se com produtos químicos. 13.2. Papel grau cirúrgico É um laminado com duas faces de papel ( uso industrial ) ou uma face de papel e outra com filme transparente. O papel grau cirúrgico (PGC) é um sistema de barreira estéril descartável, muito utilizado por ser compatível com vários tipos de métodos de esterilização disponíveis, como vapor sob pressão, óxido de etileno, entre outros. Possui legislação específica, NBR, ABNT 14990:2004, está disponível em gramatura de 60 a 70 mg/m². Tem entre outras vantagens (SOBECC, 2013; APECIH,2010): • Permitir visualização do conteúdo interno quando associado ao filme plástico, evitando ex-cesso de manuseio; • Estar disponível em várias apresentações e formatos comercialmente; • Ter impresso na embalagem setas com indicação da direção de abertura, garantindo me-nor desprendimento de fibras; • Ter impregnado na embalagem indicador químico classe 1, com indicação de mudança de cor quando esterilizado (indicador de exposição); • Apresentar boa relação custo-benefício; • Garantir barreira microbiana; • Possui fechamento hermético através de selagem térmica; • Ser biodegradável, não agredindo o meio ambiente . Esta embalagem tem como desvantagem: não ser recomendável para produtos de conformação complexa, grande e pesado; ter baixa resistência a rasgos e trações, necessitando de proteção nas pontas ou dupla embalagem para embalar artigos com características perfurocortantes; e ser incompatível com a esterilização por plasma de peróxido de hidrogênio e calor seco, Não pode ser reaproveitado porque torna-se impermeável ao agente esterilizante após uma esterilização; (SOBECC, 13.3.Papel crepado • Atóxico, biodegradável; Composto de celulose tratada, resiste até 150º C por 1 hora; • Permeável ao vapor e óxido de etileno; • É flexível mas menos resistente à tração que o tecido e não tecido; • Funciona como barreira microbiana efetiva; • Guarda memória das dobras. 13.4.Papel Kraft Observação: • O papel Kraft vem caindo em desuso devido à fragilidade e vulnerabilidade como barreira microbiana após a esterilização. Além da presença do amido, corante e outros produtos tóxicos que podem se depositar sobre os artigos. 13.5.Não tecido • Sintético, resultado da união de três camadas de não tecido, 100% polipropileno; • Barreira microbiana; • Maleável, facilitando a confecção dos pacotes; • Resistente às condições físicas do processo de esterilização; • Atóxico e livre de furos; • Permeável ao vapor, óxido de etileno e plasma de peróxido de hidrogênio; • Não guarda memória nas dobras. 13.6.Tyvec • Compatível com óxido de etileno, vapor, radiação gama e plasma de peróxido de hidrogênio; • Alta resistência à tração e perfuração; • Excelente barreira microbiana; • O uso em larga escala é limitado pelo alto custo. 13.7.Caixas metálicas • Podem ser usadas por vapor, se as mesmas forem perfuradas e recobertas por embalagens permeáveis ao vapor. 13.8.Containers • Apresentam perfurações na tampa e fundo, onde são colocados filtros permeáveis ao vapor e impermeáveis a microorganismos. 14.Identificacao ou rotulagem das embalagens A identificação da embalagem possibilita a identificação do produto, rastreabilidade e o recall em situações claramente definidas pela Comissão de Controle de Infecção do Estabelecimento de Assistência à Saúde, deve conter (BRASIL, 2012, SOBECC, 2013): • Nome do produto; • Número do lote; • Data da esterilização; • Data limite de uso; • Método de esterilização; • Nome do responsável pelo preparo. 15. Area de armazenamento de material estéril Após a esterilização é importante observar: a) Em relação aos pacotes: • Não retirá-los imediatamente após o final do ciclo; deixar o ar circular na autoclave para evitar choque térmico; • Não colocar o material estéril quente em superfícies compactas ao sair da autoclave; • Observar a integridade e presença de umidade nos pacotes e embalagens; • Observar mudança na coloração da fita indicadora; • Manusear o mínimo possível e com delicadeza. b) Em relação ao ambiente: • Manter o ambiente fechado, limpo e seco; • Manter a temperatura ambiente entre 18 e 22o C; • Restringir o acesso e movimentação na sala. c) Em relação a estocagem: • Usar prateleiras móveis, preferencialmente em aço inoxidável, favorecendo a limpeza; • Usar estantes com cestos removíveis; • Observar que a distância entre o material e o piso deve ser de no mínimo 30cm e em relação ao teto 50 cm; • Estocar separadamente de materiais não estéreis. d) Em relação ao período de estocagem: Em condições adequadas de estocagem, manuseio e integridade da embalagem, é observaçoes: Material esterilizado em autoclaves: • Campos de algodão – 7 dias • Papel grau cirúrgico selado – indeterminado Material esterilizado em estufa: • Caixa – 7 dias Material esterilizado em Plasma de Peróxido de Hidrogênio: • Tecido não tecido – 30 dias • Tyvec – indeterminado Em relação a paramentação na área de guarda: Usar roupa privativa(uso exclusivo para o setor), baretes , máscaras e sapatos. Referencias bibliograficas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DENORMAS TÉCNICAS (ABNT). Esterilização - Esterilizadores a vapor com vácuo, para produtos de saúde. NBR nº 11816; 2003. ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE DE INFECÇÃO RELACIONADA A ASSISTÊNCIA A SAÚDE (APECIH). Limpeza, Desinfecção e Esterilização de artigos em Serviços de Saúde, 1. ed. São Paulo: APECIH; 2010. ASSOCIATION THE ADVANCEMENT OF MEDICAL INSTRUMENTATION (AAMI); AMERICAN NATIONAL STANDARD INSTITUTE INC (ANSI); INTERNATIONAL ORGANIZATION STANDARDIZATION (ISO). Sterilization of Health Care Products - Chemical Indicators. Part 1 - General requirements: ANSI/AAMI/ISO 11140 - 1; 2005. BALSAMO, A.C.; et al. Remoção de biofilme em canais de endoscópios: avaliação de métodos de desinfecção atualmente utilizados. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo, v. 46, n. spe, p. 91-98, Out. 2012 .