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LABORATÓRIO DE PRÁTICA PEDAGÓGICA IV: AULA – 4 LABORATÓRIOS ESCOLARES Prezado aluno, Nos anos 1980, os aportes teóricos interacionistas, resultantes das pesquisas realizadas por Vygotsky e Piaget, passaram a ser divulgados no Brasil, mostrando que a aprendizagem ocorre quando há a participação ativa dos aprendizes. Desde então, as escolas têm implementado ações e recursos para colocar os alunos no centro do processo de construção de novos conhecimentos. Nesse contexto, os laboratórios escolares são vistos como recursos fundamentais para a promoção de aprendizagens. Afinal, eles permitem aos alunos experimentar diferentes situações relacionadas aos conteúdos escolares. Nesta unidade de ensino, você vai estudar os laboratórios escolares e verificar quais são os tipos de laboratórios existentes. Além disso, você vai ver que as experiências oportunizadas por esses espaços podem potencializar a construção de conhecimentos Bons estudos! 4. LABORATÓRIO ESCOLAR De acordo com informações da Secretaria da Educação do Paraná (2013), a palavra "laboratório" tem origem no francês "laboratoire", derivado do termo latino "laborare", significando "local de trabalho," O prefixo "labor" sugere que este é um local onde atividades são realizadas mediante esforço ou trabalho, exigindo, portanto, um espaço organizado para a condução de atividades planejadas com objetivos específicos, especialmente atividades experimentais. Existem diversos tipos de laboratórios, cada um com finalidades distintas, incluindo os laboratórios escolares. A existência de laboratórios escolares remonta a um período considerável. No entanto, abordagens de ensino variam na concepção desse espaço escolar. No contexto do ensino tradicional, por exemplo, os laboratórios eram utilizados como locais nos quais os professores realizavam demonstrações para os alunos, empregando materiais que não estavam disponíveis na sala de aula. A perspectiva construtivista de ensino, fundamentada em princípios teóricos interacionistas, enfatiza a importância da participação ativa dos alunos no processo de construção do conhecimento. Sob essa abordagem, os laboratórios escolares, concebidos como ambientes externos à sala de aula, equipados com materiais específicos para explorar uma determinada área do conhecimento, passaram a ser percebidos de forma diferente. Na abordagem construtivista, os laboratórios são ambientes de aprendizagem destinados à experimentação pelos alunos, proporcionando o contato com exemplos práticos relacionados aos estudos conduzidos em sala de aula. Exemplos de laboratórios focados na realização de atividades experimentais incluem laboratórios de ciências da natureza, laboratórios disciplinares (biologia, física, ciências, etc.) e laboratórios de cursos técnicos. No contexto das atividades experimentais realizadas nos laboratórios, o papel do professor é crucial. É responsabilidade dele planejar atividades alinhadas aos objetivos propostos e aos conteúdos abordados em uma disciplina específica. Além disso, cabe ao professor orientar e acompanhar as atividades propostas, realizando intervenções eficazes que estimulem as capacidades cognitivas dos alunos e a construção de novos conhecimentos. O professor também desempenha um papel importante ao sugerir diferentes formas de registro, buscando se aproximar dos registros feitos por cientistas e permitindo que possam ser revisitados posteriormente. Ao longo de todo o processo, é incumbência do professor propor instrumentos de avaliação que possibilitem a verificação das aprendizagens nos diferentes tipos de conteúdo (conceituais, procedimentais e atitudinais), ao mesmo tempo em que esses instrumentos servem como fonte de informações para o planejamento de novas ações. Além disso, o professor é responsável pela gestão do tempo durante a realização das atividades. É crucial que o professor considere a variedade de atividades propostas, gerenciando o tempo de maneira eficaz. Algumas atividades, especialmente aquelas que exigem observações a longo prazo, podem estender-se por vários dias. No entanto, outras atividades precisam ser concluídas em um único dia para evitar a perda dos esforços empreendidos. Nestes casos, é essencial assegurar que o tempo alocado para a realização da atividade seja adequado. Embora a situação ideal seja contar com um espaço dedicado fora da sala de aula para atividades experimentais, quando essa estrutura não está disponível, outros locais podem ser adaptados para esse fim. Em algumas situações, a própria sala de aula pode ser transformada em um laboratório, desde que as atividades sejam cuidadosamente planejadas e que a integridade e a segurança dos alunos sejam garantidas. Desta forma, nas situações de laboratório, é aconselhável priorizar atividades experimentais que estimulem questionamentos e proporcionem a formulação de hipóteses e explicações sobre o tema em estudo, a partir das problematizações apresentadas pelo professor. Dependendo dos objetivos estabelecidos e da disponibilidade de espaços e materiais, as atividades experimentais podem ser conduzidas em grupos. O professor tem a opção de instruir todos os grupos a realizarem a mesma atividade, permitindo assim a socialização e comparação dos resultados. Alternativamente, ele pode sugerir que cada grupo realize uma atividade diferente relacionada ao mesmo tema, fomentando a partilha de resultados e proporcionando interações entre os alunos para favorecer novas aprendizagens. O objetivo ao criar atividades no laboratório é proporcionar aos alunos a chance de construir novos conhecimentos por meio da experimentação. Isso inclui manipular diversos materiais, formular e testar hipóteses, desenvolver soluções para os problemas apresentados e criar argumentos para justificar a relevância das soluções encontradas. 4.1 A experiência como potencializadora das aprendizagens Ao investigar a aprendizagem humana, o psiquiatra norte-americano William Glasser (2017), observou que a mera exigência de memorização no ambiente escolar não contribui efetivamente para a aprendizagem. De acordo com suas conclusões, a maioria dos alunos tende a esquecer os conceitos após a aula, a menos que seja proporcionada uma aprendizagem prática. A partir de seus estudos, Glasser (2017), desenvolveu uma pirâmide de aprendizagem, na qual ilustrou as percentagens de aproveitamento oferecidas por diferentes abordagens de ensino (Figura 1). Segundo ele, enquanto as pessoas retêm apenas 10% dos conteúdos lidos, a taxa de retenção aumenta para 80% quando elas estão envolvidas ativamente em alguma prática. Figura 1. Pirâmide de William Glasser Fonte: Adaptada de Projetos Pedagógicos Dinâmicos (2017). Entretanto as ideias de Glasser não são pioneiras. Teóricos interacionistas, como Jean Piaget e Lev Vygotsky, já haviam demonstrado em suas teorias que a aprendizagem ocorre apenas quando o sujeito ativamente participa na construção do conhecimento. A participação ativa dos sujeitos se dá quando a situação proposta desestabiliza suas certezas e os desafia a adquirir mais conhecimento. Em outras palavras, para que a aprendizagem ocorra, é essencial que o sujeito mobilize suas capacidades cognitivas para lidar com o novo elemento, com o desconhecido. Atividades prontas, verbalizações e demonstrações por parte do professor não desestabilizam os conhecimentos já construídos. Geralmente, essas práticas levam à mecanização de procedimentos e à memorização de conteúdo. Por outro lado, a experimentação, proporcionada pelas atividades de laboratório, tem a capacidade de mobilizar as capacidades cognitivas dos sujeitos, motivando-os a aprender. Através da experimentação, eles partem de uma situação-problemae interagem com o objeto de conhecimento. Para se tornarem catalisadoras da aprendizagem, as atividades de experimentação não devem ser concebidas como simples execuções de um roteiro predefinido. É essencial que sejam planejadas de maneira a permitir a investigação por parte dos alunos. O conhecimento construído através dessa abordagem investigativa torna-se significativo para o aluno e o capacita a aplicar esses conhecimentos em diversas situações. As atividades de experimentação, quando pensadas sob essa perspectiva, desempenham um papel crucial na formação dos alunos, não apenas do ponto de vista acadêmico, mas também para o pleno exercício da cidadania. As atividades de experimentação facilitam a integração de diversos tipos de conteúdo no contexto pedagógico. Além de abordar os conteúdos conceituais relacionados aos objetivos propostos, os alunos adquirem conhecimentos procedimentais relacionados ao "saber fazer" e atitudinais referentes às atitudes adequadas em situações específicas. Os laboratórios e as atividades de experimentação desempenham um papel fundamental na promoção de uma aprendizagem significativa e contextualizada dos conteúdos escolares. Para alcançar os objetivos propostos, é crucial que o professor compreenda a importância dessas atividades na formação de seus alunos e proponha situações apropriadas, nas quais os alunos possam efetivamente experimentar os procedimentos inerentes à produção científica. 4.2 Tipos de laboratórios escolares As instituições de ensino podem contar com variados tipos de laboratórios, os quais são determinados pelos objetivos estabelecidos e pela disponibilidade de materiais e espaços. A seguir, serão apresentados três dos laboratórios mais comuns encontrados nas escolas: o de ciências, o de informática e o de aprendizagem. Laboratório de ciências O laboratório de ciências, conforme indicado por Bartzik e Zander (2016), é essencial para a aprendizagem nesta disciplina, exigindo a realização de atividades práticas que permitam aos alunos interagir com materiais concretos, como objetos, instrumentos, microscópios, entre outros. Tais atividades propiciam a participação ativa dos alunos, promovendo uma aprendizagem mais contextualizada e significativa, ao estabelecer uma relação entre a teoria e a prática. Conforme destacado por Bartzik e Zander (2016), as atividades práticas proporcionam aos alunos aquisição de conhecimentos que as aulas teóricas, por si só, não abrangeriam. O laboratório de ciências desempenha um papel crucial no desenvolvimento de aulas práticas nesta disciplina, permitindo que os educandos construam novos conhecimentos ao experimentar situações inerentes à produção científica. Nos laboratórios de ciências, os alunos aprendem por meio da realização de pesquisas, formulação de hipóteses, experimentação, observação, registro e elaboração de conclusões. As atividades proporcionadas nesse espaço são fundamentais para o desenvolvimento do pensamento científico. Em uma aula teórica, o aluno assimila as informações do conteúdo por meio das explicações do professor, ao passo que, em uma aula prática, ao ter contato físico com o objeto de análise, ele descobre o significado da atividade, seu propósito e o conhecimento que a aula lhe proporcionará (BARTZIK; ZANDER, 2016, p. 33). Laboratório de informática A sociedade contemporânea está cada vez mais dependente de recursos tecnológicos, e a integração das tecnologias nos contextos educativos é uma necessidade já estabelecida. Os alunos atuais, sendo nativos digitais, cresceram imersos em um mundo repleto de tecnologias. Portanto, é responsabilidade da escola utilizar os recursos tecnológicos em prol da aprendizagem. Os laboratórios de informática, definidos como espaços físicos equipados com computadores interligados por uma rede, devem ser espaços de aprendizagem centrados na pesquisa e na produção de conhecimento. Sempre que possível, esses laboratórios devem ser utilizados além do horário das aulas, permitindo que os alunos realizem atividades, pesquisas e acessem sites educativos. Isso também proporciona à comunidade o acesso ao mundo digital. Apesar da disseminação das tecnologias, o acesso a elas continua sendo bastante desigual. No Brasil, um país de grandes dimensões e marcadas desigualdades, nem todos têm acesso a computadores e, especialmente, a uma ampla rede de internet que permita seu uso para diversas finalidades. Mesmo diante dessas disparidades, as demandas para aprofundar o conhecimento em tecnologias são crescentes e estão presentes em várias esferas da vida. Se, há pouco tempo, o acesso aos caixas eletrônicos podia ser uma dificuldade para alguns, atualmente, algumas transações bancárias realizadas por meio do computador demandam o uso simultâneo do celular para a leitura de códigos de barras. O mundo do trabalho, cada vez mais, exige o domínio de tecnologias. Se a escola não incorporar essas tecnologias em suas práticas educativas e não promover a inclusão digital de seus alunos, ela estará reforçando as desigualdades, privando seus educandos do acesso a ferramentas fundamentais para o pleno exercício da cidadania e para a leitura crítica do mundo. Laboratório de aprendizagem Os laboratórios de aprendizagem têm como foco principal atender alunos com dificuldades de aprendizagem e aqueles que apresentam defasagem entre a faixa etária e o nível de conhecimento. Concebidos como espaços pedagógicos dentro da escola, esses laboratórios buscam investigar as causas das dificuldades de aprendizagem dos alunos e implementar ações que contribuam para superá-las. As atividades desenvolvidas nesses laboratórios proporcionam interação com os conhecimentos escolares, com outras pessoas (adultos e crianças) e com recursos diversos, visando promover novas aprendizagens. Essas ações são cuidadosamente planejadas para atender às necessidades específicas dos alunos que enfrentam dificuldades escolares. Os laboratórios de aprendizagem desempenham um papel crucial na escola, permitindo que ela cumpra sua função na promoção da aprendizagem de todos os alunos, levando em consideração suas diferentes habilidades e respeitando seus ritmos individuais de aprendizado. Ao oferecer atendimento individualizado, geralmente conduzido por um professor voluntário ou escolhido pela equipe escolar, o laboratório de aprendizagem capacita o aluno com os recursos necessários para sua efetiva integração na sala de aula. Dessa forma, o laboratório de aprendizagem se configura como uma extensão da sala de aula e um espaço de apoio às práticas docentes. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARTZIK, F.; ZANDER, L. D. A importância das aulas práticas de ciências no Ensino Funda-mental. @rquivo Brasileiro de Educação, Belo Horizonte, v. 4, n. 8, p. 31– 38, maio-ago. 2016. GLASSE, W. Projetos pedagógicos dinâmicos. PPD, [S. l.], ago. 2017. PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Superintendência da Educação. Departamento da Educação Básica. Orientações para utilização do laboratório escolar de ciências da natureza. Curitiba: SEED/PR, 2013.