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ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS PARA
UMA BOA FORMAÇÃO DE PASTAGENS
FORMAÇÃO DE PASTAGENS
SUMÁRIO
1.QUALIDADE E QUANTIDADE DE SEMENTES
2.CONSERVAÇÃO E CORREÇÃO DO SOLO
3.PREPARO DO SOLO E SEMEADURA
4.MANEJO INICIAL
5.DICAS PARA FORMAÇÃO DE PASTAGENS
6.CUIDADOS ESPECIAIS NO PLANTIO
7.CUIDADOS ESPECIAIS NO PREPARO DO SOLO
8.ESCOLHER O CAPIM QUE O BOI GOSTA DE COMER
Ter um bom sistema de pastejo é essencial para fornecer aos
animais alimento diário de forragem de boa qualidade com o objetivo
de atender suas exigências nutricionais. A pastagem é um dos
principais fatores que interferem na produção animal. O engenheiro
agrônomo Robson Mengatti, coordenador de desenvolvimento
tecnológico da Barenbrug, dá sete dicas para implantar uma
pastagem produtiva e rentável.
Defina as características da área e ser plantada e identifique os
fatores limitantes como regime pluviométrico, estrutura do solo,
ocorrência de pragas e qualidade da mão-deobra disponíveis. Essas
características são decisivas e podem levar ao insucesso caso não
seja escolhida uma forrageira que se adeque a essas limitações.
Faça uma amostragem criteriosa do solo da área a ser reformada. As
glebas devem ser homogêneas, recomenda-se um tamanho máximo
de 20 hectares, de onde devem ser amostrados de 15 a 20 pontos.
Deve-se evitar áreas próximas a malhadouros, cochos, bebedouros,
formigueiros e demais pontos que não representem a situação média
de fertilidade da área.
Escolha a forrageira mais adaptada ao sistema e à região. De uma
maneira geral, as plantas mais produtivas também são as mais
exigentes em fertilidade e cuidados de manejo. O grupo das mais
exigentes inclui a maioria dos panicuns, capins-elefante e os tiftons.
O grupo intermediário inclui as braquiárias de uma forma geral e
alguns panicuns, como o massai. Já o grupo menos exigente é
formado pela braquiária decubens, as humidícolas e andropogon.
Prepare o solo para receber a semente. As etapas e implementos
utilizados são muito variáveis em função das condições do terreno e
também deve-se levar em conta a disponibilidade de maquinário.
Geralmente, recomenda-se que no momento do plantio o solo esteja
corrigido, preparado mecanicamente e livre de restos vegetais.
A forma como a semente vai chegar ao solo pode ser variável —
semeadura aérea, em linha, a lanço ou manualmente —, mas é
muito importante que o produtor cubra as sementes após o plantio ou
pelo menos faça o uso de um rolo compactador. Resultados
experimentais mostram que a diferença de germinação entre
sementes jogadas na superfície e enterradas a um centímetro de
profundidade pode ser até três vezes superior para o segundo caso,
passando de 23% para 70% de emergência.
Após o plantio, monitore frequentemente o pasto em relação ao
ataque de pragas e, principalmente, à infestação de daninhas. Caso
siga a dica anterior, de cobertura/compactação das sementes, em
virtude da maior emergência de plântulas e cobertura de solo, esses
problemas são significativamente minimizados, além de poder
adiantar o pastejo em algumas semanas. Contudo, o monitoramento
deve ser constante para evitar surpresas desagradáveis. Para
confirmar que o pasto foi bem iniciado, deve constatar pelo menos de
10 a 20 plântulas no caso das braquiárias e 30 a 40 no caso dos
panicuns.
O momento do primeiro pastejo é o ponto final da formação do pasto.
Nesta fase, como existe geralmente uma quantidade maior de
plântulas do que realmente via ficar estabelecido na área, e as
mesmas se encontram adensadas, competindo por recursos, a altura
de entrada dos animais é ligeiramente superior ao recomendado no
pasto estabelecido.
Esta é uma avaliação subjetiva e difícil de estabelecer parâmetros
claros, mas o produtor deve olhar a arquitetura das plantas. Quando
as folhas de cima começam a se dobrar e o pasto deixa de ter o
aspecto inicial de folhas “espetadas”, o produtor pode colocar os
animais. Esse pastejo deve ser intenso (muitos animais) e por pouco
período de tempo. O objetivo é fazer um desponte inicial, permitindo
que entre luz na base da touceira e isso vai estimular o perfilhamento
e melhor estruturação da planta.
ESCOLHA DA ESPÉCIE FORRAGEIRA
Considerando-se que numa propriedade normalmente existem
diferentes categorias animais com diferentes aptidões,
diferentes tipos de solo e que estão sujeitos a ataques de
pragas e doenças, além da possibilidade de secas e geadas, à
diversificação das espécies forrageiras ainda é a melhor opção.
As espécies forrageiras utilizadas para gado de corte e leite
podem variar em função da exigência animal. Normalmente as
espécies de gramíneas utilizadas para gado de corte não são tão
exigentes em fertilidade quando comparadas às utilizadas com
gado de leite, consequentemente apresentam um valor
nutricional menor.
Para melhor entendermos esta situação, podemos citar as
braquiárias, como as gramíneas forrageiras mais utilizadas no
estado e que normalmente são utilizadas para gado de corte.
Por outro lado os panicuns, tiftons, napier, plantados em menor
escala são normalmente utilizados para gado leiteiro, o que não
inviabiliza o seu uso para gado de corte, desde que se atendam
alguns preceitos.
Apesar destas considerações, dentre as forrageiras mais tradicionais
ou mais indicadas na região, pode-se considerar que praticamente
todas são adequadas à produção intensiva de leite a pasto
(Brachiária decumbens, Brachiária brizantha cv . Marandu, Panicum
maximum cvs. Mombaça e Tanzânia, Coastcross, Tifton85).
Praticamente todas estas proporcionam produção de leite acima de
10L/vaca/dia, desde que devidamente fertilizadas e com manejo
apropriado.
A utilização das leguminosas em consórcio apresentam uma série de
vantagens, porém alguns cuidados precisam ser tomados, pois
facilmente encontramos casos de insucessos relacionados
principalmente pela sua baixa persistência, hábitos de crescimento
das gramíneas, maior exigência nutricional de algumas espécies
comparada à maioria das gramíneas, exigirem maior atenção e
conhecimento no manejo com os animais, além de algumas espécies
não tolerarem determinados tipos de solos.
O hábito de crescimento da espécie forrageira deve ser levado em
consideração no momento da escolha. Normalmente plantas de
hábito de crescimento cespitoso, por possuírem seus pontos de
crescimentos mais elevados e com isso serem mais susceptíveis a
eliminação destes pontos com o pastejo, são menos resistentes do
que plantas de crescimento estolonífero, por possuírem seus pontos
de crescimento menos elevados. Sendo assim sugere-se para
pastejos contínuos a utilização de plantas de hábito de crescimento
estolonífero e para pastejos rotacionados plantas de hábito de
crescimento cespitoso.
Os teores de proteínas e de digestibilidade também são fatores que
devem ser considerados na escolha da espécie forrageira, pois vão
refletir diretamente no consumo e consequentemente no ganho de
carne ou leite. Quanto maiores estes teores, melhores serão as
respostas obtidas. Devemos ter bem claro que a escolha de espécies
de melhor qualidade (teor proteína elevado, boa palatabilidade e
digestibilidade entre outros) naturalmente exigirá solos de melhor
fertilidade e manejo adequado tanto da forrageira quanto do animal,
porém comportará animais de genética mais apurada, com melhores
resultados, além de abrigar um maior número de animais por
hectare.
QUALIDADE E QUANTIDADE DE SEMENTES
Um aspecto básico e fundamental para obtermos uma boa
formação de pastagens é a aquisição de sementes com
certificação de origem. O setor de produção de sementes de
pastagens tem evoluído muito nos últimos anos, principalmente
a partir da última década e com isso tem a cada dia
disponibilizado ao produtor rural, produtos certificados de alta
qualidade.
A aquisição de sementes de “atravessadores” comuns no
passado, vem decrescendo, fruto principalmente de uma
consciência do pecuarista que tem buscado implantar uma
pastagem de qualidade, com sementes de alta germinação,
pureza e vigor, isenta de pragas e doenças, aliada a fiscalização
dosórgãos competentes.
Quando nos referimos a qualidade e quantidade de sementes a
serem semeadas em uma determinada área, relacionamos
naturalmente com o Valor Cultural (VC), que nada mais é do que a
percentual entre a pureza e a germinação da semente, representada
pela seguinte fórmula:
Pureza = Representa o percentual de
sementes puras em relação ao total da amostra;
Germinação = Representa o percentual de germinação das
sementes puras capazes de germinar e produzirem plântulas
normais.
No caso da germinação cabe detalharmos um pouco mais, uma vez
que o teste da viabilidade de germinação pode ser estimado pelo
teste de tetrazólio. O teste de tetrazólio é um teste que estima o
percentual de sementes viáveis, diferentemente do teste de
germinação que apesar de ser um teste mais demorado podemos
afirmar que é mais seguro, principalmente se no lote amostrado
tiverem sementes dormentes. Estas sementes não seriam
detectadas pelo teste de tetrazólio.
Ex.: Uma semente com 50% de pureza e 80% de germinação, possui
um VC = 40%.
Todas estas informações, Valor Cultural, Pureza, Germinação,
validade do lote deverão estar estampadas na embalagem da
semente.
Costuma-se sugerir a aquisição de sementes com VC mais elevado,
desta forma evita-se o transporte de “enchimentos” como terra e
palha, o que consequentemente torna o frete mais acessível, diminui
a mão de obra e o tempo gasto na atividade.
Em se tratando de sementes de leguminosas a de se considerar a
escarificação e a inoculação das sementes antes da semeadura.
Os quadros a seguir apresentam sugestões de recomendações de
quantidades de sementes a serem utilizadas para algumas espécies
mais cultivadas no estado.
*Condições de Plantio: Referente ao preparo de solo, potencial de
invasoras, equipamento a ser utilizado, época de plantio, condições
climáticas, topografia (susceptibilidade à erosão) e objetivos de uso
da forragem.
CONSERVAÇÃO E CORREÇÃO DO SOLO
Antes de iniciarmos a correção e o preparo da área
propriamente dito é indispensável fazermos um trabalho de
conservação de solo na propriedade. Este trabalho irá variar em
função de cada caso, e vão desde a adequando estradas,
construção de curvas de nível (terraços), bacias de captação
(casos excepcionais) e descompactação do solo. A correção do
solo necessariamente precede de uma amostragem
representativa da área para envio ao laboratório a fim de que se
realize a análise física e química. Em seguida sugere-se uma
calagem com adubação para correção do pH, macro e
micronutrientes em função da interpretação dos resultados da
análise.
As quantidades dos insumos a serem aplicados irão variar
muito em função da espécie forrageira que está se implantando.
De uma maneira geral as braquiárias sp. toleram níveis maiores
de acides e são menos exigentes em fertilidade do solo. Por
outro lado os panicuns. e a maioria das leguminosas são
espécies mais exigentes e que além de exigirem um nível de
fertilidade elevado, são pouco tolerantes a acidez do solo.
Recomenda-se que a calagem preferencialmente seja realizada com
um período em torno de 90 dias antes da semeadura. Neste caso a
adubação poderá ser realizada no momento da semeadura. Na
formação de pastagens o nutriente mais importante quase sempre é
o fósforo, sem desconsiderar a necessidade dos demais, que deve
ser verificada por meio da análise do solo.
Outra opção é a adubação orgânica, que tem dado boas respostas,
pois proporciona uma disponibilidade de nutrientes e um aumento no
teor de matéria orgânica de forma lenta, porém eficiente.
Os melhores resultados tem sido obtidos através da combinação da
adubação química com a orgânica. A adubação orgânica
normalmente é recomendada em solos com baixo teor de matéria
orgânica e CTC, de textura mais leve, o que não impede o seu uso
em sistemas intensivos conjuntamente com a adubação química,
propiciando maiores ganhos.
Sugere-se a utilização de adubos orgânicos que estejam disponíveis
no município ou região a fim de diminuir o custo com o transporte.
Um aspecto importante da adubação orgânica é a quantidade a
ser aplicada. É importante que seja utilizada quantidade muito
acima daquela que se costuma utilizar. Quantidades abaixo de
5.000 kg/ha não têm efeito prático, a não ser que sejam
repetidas anualmente. Como referência sugere-se a utilização de
10.000 kg/ha para esterco de gado, cama de frango, cama de
poedeira, etc.
PREPARO DO SOLO E SEMEADURA
O preparo de solo deve ser realizado de forma que propicie uma
cobertura mais uniforme possível das sementes e com isso
garanta uma boa germinação. Os equipamentos (subsolador -
arado
- grade aradora – grade niveladora), e o número de operações
irá variar em função das condições de cada propriedade.
Normalmente se utiliza duas mãos de grade aradora, sendo uma
para incorporar o calcário, e duas niveladoras, sendo uma para
nivelamento do solo e outra para incorporação da semente. Quando
optarmos pela substituição das espécies forrageiras na área, sugere-
se o planejamento antecipado das operações, utilizando-se práticas
como o sistema de integração agricultura-pecuária, ou ainda cultivo
mínimo. Estas práticas eliminam ou diminuem a concorrência da
espécie a ser estabelecida com a anterior.
A semeadura pode ser realizada através de semeadeiras em linhas
ou a lanço. O sistema de semeadura a lanço é o mais largamente
utilizado e consiste na distribuição a lanço da semente como o
próprio nome sugere com posterior incorporação da semente com
grande leve (niveladora) ou rolo compactador. Sementes de menor
tamanho, apresentam um grau de dificuldade maior na regulagem do
equipamento em função da pequena quantidade de sementes
requerida por hectare. Nestes casos em que os equipamentos
disponíveis na propriedade não propiciem uma regulagem adequada,
pode-se usar algum tipo de enchimento disponível para facilitar a
distribuição.
A profundidade de plantio ira variar em função da espécie e
consequentemente do tamanho da semente. Sementes menores e
mais leves como exemplo dos panicuns e do estilosantes entre
outros, requerem incorporação a profundidades menores que irão
variar de 0,5 a 2,0 cm.
Já no caso das braquiárias e de algumas leguminosas com
sementes maiores permitem um plantio a profundidades que variam
de 2,0 a 4,0cm. Muito embora o período de plantio possa ser
realizado de setembro (início das chuvas) até março (final das
chuvas), o período mais indicado para o plantio é aquele que
coincide com o início do período das águas (out. – nov.). Plantios
tardios (jan. – mar.), podem comprometer a formação e a
disponibilidade de pastagem a curto prazo.
MANEJO INICIAL
O manejo inicial de uma pastagem é um fator determinante para
uma boa formação. A entrada dos animais irá variar em função
de inúmeros fatores como a espécie, intensidade de chuvas,
adubação entre outros, mas normalmente ocorre por volta dos
50 a 70 dias após o plantio.
Costuma-se utilizar animais mais leves que se disponha na
propriedade para evitar o pisoteio excessivo e danoso, pois
nesta fase as plantas são jovens e menos resistentes, além de
que uma quantidade alta de animais por hectare, permitira que
os animais façam o desponte uniforme da forrageira e
permaneçam o mínimo possível na área, retornando ao local por
volta de 28 a 42 dias, variando em função da espécie, condições
edafoclimáticas e de manejo.
Esta prática, apesar de simples proporcionará na pastagem a
quebra da dominância apical e com isso ocorrerá um maior
perfilhamento, consequentemente teremos uma maior produção
de massa por hectare de forragem, uma melhor formação com
melhor cobertura do solo.
Após a retirada dos animais recomenda-se realizar uma adubação
nitrogenada em cobertura, o que favorecerá a rebrota e o
perfilhamento, e resultará numa maior produção de massa seca por
hectare, além do retorno dos animais num período mais curto.
A dosagem mínima deverá de 50 kg/ha de nitrogênio por hectare
(120 kg/ha de uréia). Dados de pesquisa mostram que doses
menores não apresentam resultados satisfatórios.
Casoo número de plantas (stand de plantas) esteja muito baixo,
sugere-se realizar o manejo inicial tardiamente, permitindo assim que
as plantas produzam sementes e somente após este período sejam
introduzidos os animais, esta prática irá favorecer a queda de
sementes ao solo e com o pisoteio propiciara uma “ressemeadura
natural” .
DICAS PARA FORMAÇÃO DE PASTAGENS
1- O primeiro passo, adquirir sempre sementes fiscalizadas, de
empresas idôneas, que prezam pela qualidade de suas
sementes. Os preços entre empresas do mesmo nível se
eqüivalem.
Exigir sempre que a sacaria venha etiquetada e acompanhadas
de boletins de análise e atestado de garantia como prevêem as
normas de comercialização de sementes fiscalizadas.
2- Quando o plantio for posterior a compra, observar para a boa
armazenagem das sementes, em local seco, ventilado e sobre
estrados.
3- Escolher a espécie que melhor se adapte ao sistema de
produção adotado dentro de sua propriedade, que seja adaptada
a sua região no que diz respeito a clima e altitude.
4- Em se tratando da região Sul, atentar-se que contamos com
duas estações bem distintas sejam elas plantio de verão e
plantio de inverno e as sementes destinadas para cada uma
delas devem ter sua época ideal para semeadura respeitada.
5- O preparo de solo deve ser o convencional, gradeando o solo,
nivelando o bem para ficar bem destorroado facilitando germinação
das sementes e proporcionando o melhor controle de plantas
daninhas.
6- Algumas espécies, na maioria delas as de inverno, respondem
bem ao plantio direto, já as de verão principalmente as tropicais, não
é aconselhável este sistema.
7- As áreas a serem plantadas, deveram ser corrigidas e adubadas
de acordo com as deficiências descritas no boletim de análise de
solo.
8- Não misturar as sementes a serem plantadas com fertilizantes
nitrogenados e potássicos, pois os mesmos são higroscópicos.
9- Fertilizantes fosfatados como Super Fosfato Simples e Triplo,
Fosfatos Reativos e Naturais bem como calcário podem ser
misturados as sementes, devendo a mistura ser feita no mesmo dia
do plantio, da forma mais homogênea possível.
10- Após o plantio, recomenda-se usar um rolo compactador, para
um bom estabelecimento das pastagens, aumentando a área de
contato entre as sementes e o solo, minimizando problemas como
falta de água, na falta do rolo recomenda-se uso de grade dentada
tipo á "Tapadeira" para que as sementes fiquem na média enterradas
1 cm, quando a forma de semeadura for aérea recomenda-se um
acréscimo de 30% na quantidade de sementes.
CUIDADOS ESPECIAIS NO PLANTIO
- muitos equipamentos usados para plantio (principalmente as
esparramadeiras de calcário) não permitem regulagens para
quantidades inferiores a 7 kg - 8 kg de sementes por hectare. Se
for necessário plantar quantidades menores que estas, areia,
fosfato de rocha, calcário, esterco seco e moído, pó-de-serra, ou
casca de arroz, podem ser misturados às sementes para
aumentar o volume a ser plantado;
- alguns fertilizantes, como cloreto de potássio, uréia e sulfato
de amônia, não podem ser misturados com as sementes porque
causam sua morte. Por outro lado, o superfosfato simples
granulado pode ser misturado, desde que o plantio ocorra no
mesmo dia em que a mistura foi preparada;
- a rolagem, imediatamente após a distribuição das sementes,
favorece o seu contato com o solo, posicionando-se na profundidade
adequada e possibilitando uma emergência rápida e homogênea das
plantinhas. No entanto, ela não deve ser feita caso hova logo após a
distribuição das sementes (porque a chuva,por si só, promove o
enterrio a maior parte das sementes) nem, tampouco, em solos muito
argilosos, especialmente, quando úmidos;
- em plantios aéreos ou feitos com "matracas", devem-se utilizar
sementes com altas % VC;
- trabalhar com o depósito de semente s da semeadeira sempre
cheio diminui a excessiva separação (estratificação) das sementes
pesadas das leves. Se isso não for feito, as sementes pesadas (de
melhor qualidade) tenderão a ser plantadas primeiro e as mai s leves
vão ficando para o fim. Esse problema ocorre dentro do depósito por
causa da trepidação da máquina em movimento, e pode resultar em
grande desuniformidade no estabelecimento da pastagem.
CUIDADOS ESPECIAIS NO PREPARO DO SOLO
- as ações para o controle de erosões, com o a construção de
terraços e curvas de nível, devem ser executadas após o
nivelamento do solo;
- o destorroamento excessivo, resultante de número exagerado
de gradagens, deve ser evitado a todo custo;
- a calagem deve ser feita entre 60 e 90 dias antes do plantio,
para que o calcário tenha tempo de reagir no solo;
- Observação: é muito importante esperar que o material vegetal
incorporado ao solo pela aração apodreça antes do plantio;
caso contrário, as sementes morrerão por causa dos efeitos da
fermentação deste material;
ESCOLHER O CAPIM QUE O BOI GOSTA DE
COMER
Os bovinos preferem forrageiras com muitas folhas e poucos
colmos. São as folhas que alimentam e engordam o boi. As
forrageiras mais apreciadas por estes animais são a paiaguás, a
piatã e a marandu. Em seguida a decumbens, a humidícola e a
xaraés. Esta última, apesar de possuir muitas qualidades, os
bovinos não gostam muito porque seus colmos são mais duros
que as outras braquiárias, informa a pesquisadora Valéria
Pacheco Euclides, da Embrapa Gado de Corte.
Da família dos panicuns, que inclui os capins Mombaça, Massai,
Zuri e o Tanzânia, este último é mais aceito pelos animais,
apesar de seus colmos serem mais grossos que do capim-
massai, ela é menos fibrosa, por isso a preferência pelo
Tanzânia. A planta apresenta boa proporção de folhas, com altos
conteúdos de proteína e digestibilidade proporcionando ótimos
ganhos de peso por animal. É uma cultivar para solos muito
férteis e apresenta alta capacidade de suporte. Outra vantagem
do Tanzânia é a facilidade de maneja-la, além de apresentar boa
produção de sementes e resistência a cigarrinha-das-pastagens.
Os animais são muito seletivos e avaliam os alimentos. "Quanto mais
grosso o colmo mais difícil de arrancar e mastigar", explica a
pesquisadora Valéria que acrescenta: "o instinto do animal é pegar o
que é mais fácil e o que enche mais a boca, a chamada bocada".
Já as plantas leguminosas tropicais, como o calopogônio,
centrosema, arachis, guandu e outras, não são as preferidas dos
bovinos e a explicação é porque elas apresentam uma substância
chamada tanino que dão a percepção de secura e adstringência na
língua e no palato.
É a sensação de boca amarrada quando se come banana verde. As
leguminosas apresentam taninos em maior ou menor grau o que
interfere na palatabilidade dos animais fazendo com que eles comam
menos a planta.
Algumas delas os animais aceitam bem, como o estilosantes Campo
Grande, e outras, os animais aceitam somente no período seco. Em
pastagens consorciadas os animais preferem a gramínea ao invés da
leguminosa, apontam as pesquisas.

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