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27/05/2022 20:54 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_1
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Base das relações privadas
Unidade 1 - Da pessoa natural
Autor: Marcelo Paiva de Medeiros
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Introdução
Nesta unidade, estudaremos temas interessantes, atemporais e que tem uma
relevância enorme no cotidiano de qualquer pessoa (seja física, jurídica, pública ou
privada).
Estamos iniciando uma jornada pelas bases das relações privadas e, desta forma,
abordaremos a “natureza jurídica da própria relação jurídica” (por mais estranha que
possa parecer, essa expressão fará todo sentido mais à frente), das normas civis, das
pessoas e um emaranhado de elementos e qualidades típicas dos direitos da
personalidade e capacidade civil.
Para tanto, utilizaremos importantes referenciais teóricos (doutrina especializada já
apresentada no plano de ensino) e 03 normas importantíssimas ao tema: A
Constituição Federal de 1988, o Código Civil de 2002 e a Lei de Introdução às Normas
do Direito Brasileiro (Lei 4.657/42 alterada pela Lei 12.376/10 – “LINDB”).
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Desta forma, algumas de�nições prévias precisam ser bem delineadas, para facilitar o
entendimento da matéria.
Conceitos como a própria de�nição de “Direito Civil”, diferenciação entre o “público e o
privado” bem como linhas históricas ligadas à origem do direito brasileiro são
fundamentais à compreensão de institutos futuramente estudados.
Apesar das diferentes classi�cações, fato é que, no Brasil, as relações veri�cadas entre
os indivíduos nos mais variados aspectos da vida civil, são pautadas com base em uma
rica e intrincada produção de regulamentos positivados em lei (inclusive codi�cados).
Esta é uma característica que a doutrina chama de “Civil Law”, sistema de origem
romano-germânico de direito “legislado”, escrito e positivado. Diferente do “Common
law”, típico sistema de origem britânica, no qual a construção jurídica é formada
especialmente pelas decisões de juízes, tribunais e regras de costume.
Contudo, em que pese alguns doutrinadores empregarem relevância a diferenciação
entre ambos, vale nesta unidade destacar que o Direito é “Uno”, “Geral” e somente é
segmentado para �ns didáticos ou com intuito de ser melhor compreendido.
Esta nova visão foi importante para evolução da disciplina e será mais
pormenorizadamente abordada ao longo das unidades.
Além de conceitos básicos, traremos à tona importantes discussões, tais como o
necessário aprofundamento nos re�exos da LINDB em todo ordenamento jurídico, o
processo de publicização do direito (atualmente apelidado de “Direito Civil
Constitucional”), curiosidades dos atributos da capacidade civil, da personalidade,
nascimento e morte da pessoa natural, dentre tantos outros.
Pois bem, feitas estas primeiras considerações, seguiremos no estudo apresentando
um a um os tópicos que compõem esta unidade, ressaltando a importância da
consulta a bibliogra�a e re�exões propostas nas atividades complementares que
completam o material de estudos.
Bons estudos!
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1. Teoria da relação jurídica
O homem é um ser social! Esta a�rmação é um dos pilares da sociologia que
reconhece a necessidade dos indivíduos em viver em sociedade.
Trata-se de construção histórica, milenar e que remonta à época dos caçadores
coletores, que se agrupavam em bandos para obterem melhores resultados em suas
buscas, protegerem-se mutuamente e prosperarem enquanto agrupamento.
Nos dizeres dos professores Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho (2019), o primeiro
passo para conseguir conceituar o direito é reconhecer a sua característica
essencialmente humana, de “um instrumento necessário ao convívio social”.
E tem razão os nobres professores, pois basta analisarmos a situação da fabulosa
história �ctícia de Robson Crusoé.
Enquanto a personagem principal vivia sozinha na ilha, não importava o surgimento do
fenômeno jurídico (direito civil). Que importância teria reconhecer seu direito de
propriedade sobre sua cabana se ele era o único morador da ilha?
Porém, após aparecimento do índio, houve a necessidade social de se implantar regras
de conduta, capazes de propiciar o convívio ordeiro e pací�co entre ambos.
A metáfora de Crusoé traz a rea�rmação de que somos, portanto, animais sociais e
nesta relação cotidiana e inevitável “com os outros”, surgem in�nitas possibilidades e
necessidades de regulamentação, por parte das ciências jurídicas.
O Direito neste contexto, assume função de disciplinar essas relações sociais, ao passo
que o faz por meio da produção de leis (como o Código Civil e a LINDB por exemplo),
eleva os fenômenos naturais e sociais à condição de fatos e relações jurídicos.
Tais relações eminentemente tuteladas pelo direito passam pela concepção do “viver
em sociedade sob a regulamentação de um Estado”.
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Em razão da amplitude do tema, não se poderá abordar com profundidade as teses
que explicam a origem e natureza dos Estados como conhecemos hoje, porém, não é
demais frisarmos que a base das relações privadas aqui estudada tem ligação umbilical
com a disposição do ordenamento público, aqui entendido pela �gura estatal.
São as bases do chamado “contrato social”. Hobbes, Rousseau, dentre tantos outros
�lósofos teorizaram a existência de um “instrumento �cto”, composto de regras
“pactuadas” intuitivamente em que, visando garantir liberdade, propriedade privada,
segurança e tantos outros elementos indispensáveis à vida em sociedade, seus
indivíduos abriam mão de uma autonomia absoluta, permitindo que o Estado passasse
a tutelar por meio das relações jurídicas o cotidiano de seu mais importante elemento:
o povo!
Pode-se dizer que uma relação jurídica consiste em “vínculo intersubjetivo
concretizado pela ocorrência de um fato cujos efeitos são veiculados pela lei, na qual
uma relação anteriormente denominada apenas como social, passa a ser tipi�cada por
uma norma jurídica e, portanto, elevada a condição de Relação jurídica”.
Dois requisitos devem se fazer presentes: a) material – relação intersubjetiva, a saber,
entre duas ou mais pessoas; b) formal – tutela dos interesses das partes envolvidas por
uma norma jurídica (REALE, 2007). Tais requisitos podem ser detalhados em 4
elementos fundamentais, sendo eles: sujeito ativo, sujeito passivo, vínculo de
atributividade e objeto.
Conforme exposto no início desta unidade, sendo o homem um ser social,
necessitando de contato com seus pares, uma relação será sempre veri�cada entre
duas pessoas ou mais – sejam elas pessoas físicas, pessoas jurídicas ou, até mesmo,
entes despersonalizados como se verá mais adiante.
Na relação jurídica, as pessoas em interação serão denominados de sujeitos, podendo
ser considerados como ativos ou passivos, dependendo de sua posição na relação.
Via de regra e, considerando a complexidade das relações humanas, o sujeito ativo
tem a capacidade de agir em defesa de seus interesses (direito subjetivo) e o sujeito
passivo tem a obrigação de prestar uma conduta em favor do sujeito ativo.
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Sujeito ativo seria, portanto, nas relações jurídicas obrigacionais, um “credor da
prestação ou obrigação principal ou o bene�ciário principal da relação” na qual o
sujeito passivo passa, nessa de�nição, a �gurar como titular do dever jurídico, de
devedor daquelaos bens arrecadados
passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizados nas
respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União, quando situados em
território federal.
Logo, se o ausente reaparece após 10 anos do trânsito em julgado da decisão que
concedeu a sucessão de�nitiva, não poderá mais reaver seu patrimônio.
Síntese
Finalizando a unidade 1 das bases das relações privadas e estudadas as linhas
introdutórias que servirão de fundamento para os mais variados ramos do direito,
difícil imaginar nas ciências jurídicas uma disciplina tão rami�cada e de aplicação
subsidiária quanto o Direito Civil.
Desse modo, aprendemos juntos:
● Os fundamentos do direito privado: vocês puderam perceber que as normas
introdutórias (LINDB), conceitos e normatização civil (art. 1º ao 40 do CC/02) são
costumeiramente veri�cados em outros segmentos como Direito do Trabalho,
Ambiental, Empresarial, Administrativo, Tributário e tantos outros.
● Diferenciação entre Lei e norma, bem como, mecanismos de validação das leis no
plano nacional e internacional, dentre outros aspectos de hermenêutica jurídica foram
habilidades essenciais desenvolvidas nesta unidade.
● Compreender que o direito civil, aqui entendido como “direito do cidadão” ou que
“disciplina as relações jurídicas da pessoa é, sem sombra de dúvida, a grande base do
que se convencionou chamar de Direito Privado, regendo genericamente todas as
relações jurídicas dos indivíduos, antes do seu nascimento até a sua morte.
O Direito civil “está em tudo”. Do despertar ao adormecer, cada um de nós somos
bombardeados por seus conceitos, de�nições e regramentos, ainda que na maioria
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das vezes, imperceptíveis.
Diante de tais constatações, é possível passar a reconhecer os fenômenos jurídicos em
seu próprio cotidiano.
Apenas a título de ilustração, se pensarmos numa rotina básica de quem acorda em
sua residência, toma café, pega um transporte para trabalhar, estuda a noite em uma
instituição de ensino e retorna para o conforto do lar, poderíamos identi�car
incontáveis relações jurídicas típicas e que guardam regulamentação no direito civil.
Nesta pequena rotina acima descrita, facilmente destacamos:
● Direitos da Personalidade (proteção ao Nome, Intimidade); 
● Capacidade civil (para aquisição de bens como o pãozinho); 
● Atos e negócios jurídicos (celebração de compra e venda de passagens); 
● Obrigações (pagamento, contraprestação); 
● Contratos (com instituição escolar, de trabalho, de transporte); 
● Propriedade privada (proteção à moradia), dentre outras.
Assim, enveredar-se pelos férteis campos do Direito Civil é, antes de mais nada,
propiciar correto entendimento sobre os direitos da personalidade, seus mecanismos
de proteção e importância da separação entre pessoa física e patrimonial
(especialmente para evitar “confusão” patrimonial).
Por �m, após concluirmos esta unidade, será possível discernir entre as diferenças de
tutela jurídica para o caso de “Ausência” de uma pessoa, com ou sem representante
nomeado e os requisitos delegados pela norma civil para efetiva partilha de bens.
Assim, em síntese �nal, destacamos que nesta primeira unidade observou-se que a
condição humana, a proteção de sua dignidade e dos direitos a ela inerentes   foram
alvo de especial atenção do legislador civilista e constitucional.
“O novo direito civil”, ou “direito civil contemporâneo” vem sendo irradiado de
in�uência constitucional e também por disposições do plano internacional (matérias
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de direitos humanos, tratados internacionais, como o Estatuto da Pessoa com
De�ciência) estando em franca ebulição conceitual e demandando diversas releituras,
conforme serão abordadas nas unidades a seguir.
O direito como um todo vem sofrendo, ao longo dos anos, um processo de
publicização no qual, independentemente da maior ou menor participação do Estado,
normas e garantias constitucionais ou de ordem pública vem sendo aplicados
diretamente no âmbito privado, havendo doutrinadores da lavra do professor Luiz
Edson Fachin, Flávio Tartuce, Rodolfo Pamplona Filho e Pablo Stolze, referindo-se ao
“Direito Civil-Constitucional” em reforço da aplicação horizontal dos direitos
fundamentais nas relações privadas.
Download do PDF da unidade
Bibliografia
BEVILAQUA, Clovis. Teoria geral do Direito Civil , Campinas: RED livros , 1999, p 81. 
DINIZ, Maria Helena. Curso Direito Civil Brasileiro - Teoria Geral do Direito Civil - Vol.
1 - 36ª Ed. Saraiva: São Paulo.  2019 
FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil , 1: parte
geral e LINDB. São Paulo: Atlas, 2015. 
LOPES, Miguel Maria Serpa. Lei de Introdução ao Código Civil . Rio de Janeiro: Freitas
Bastos, 1959, v.1, p.8 
NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito . p.297-303.38ªed.- Rio de Janeiro:
Forense, 2016 
REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito . 26º ed. Saraiva: São Paulo, 2002. p.
216 
STOLZE, Pablo, PAMPLONA Filho, Rodolfo. Novo Curso De Direito Civil - Parte Geral -
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Vol. 1 - 21ª Ed. Saraiva: São Paulo,  2019. 
TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil - Vol. Único - 5ª Ed. Saraiva: São Paulo 2015.prestação principal (STOLZE; PAMPLONA FILHO, 2019).
Ambos passam, portanto, a contrair obrigações entre si, que podem ser de “dar, fazer
e não fazer”. A título de exemplo, se Ana decide vender seu celular para um vizinho,
entre eles será realizado um contrato de compra e venda. Considerando-se a
obrigação de entregar o celular, Ana é o sujeito passivo – tem o dever de entregar o
bem, e o vizinho é o sujeito ativo – terá o seu interesse de receber o celular satisfeito.
Se consideramos a obrigação de dar dinheiro – de pagar pelo celular no exemplo
supra, os polos se invertem. Veja-se que, em uma relação jurídica obrigacional, há
direitos e deveres recíprocos, de modo que a posição no polo ativo ou passivo da
relação muda conforme a prestação sob análise.
Esse conjunto de direitos e deveres recíprocos constitui o vínculo de atributividade ou
intersubjetivo. Ele pode ser de�nido como liame, vínculo reconhecido juridicamente
entre os sujeitos. Pode decorrer estritamente da lei ou de acordo de vontades, a
exemplo dos contratos. A inexistência deste liame acarreta a inexistência da relação
jurídica.
Já o objeto é entendido como “elemento motriz da relação”, é a pessoa, a prestação ou
a coisa sobre a qual recai o vínculo de atributividade. A relação jurídica gira em torno
do objeto.
Como exemplo de uma relação jurídica, podemos citar a relação entre um motorista
de ônibus e um passageiro que sobe ao veículo em um determinado ponto.
Os sujeitos, que até então não haviam estabelecido uma relação jurídica, agora têm
um vínculo entre si, cujo objeto será a e�ciente prestação do serviço de transporte
contratado pelo passageiro (obrigação de fazer).
O passageiro nessa relação tornou-se o sujeito ativo, recebeu o direito de exigir uma
prestação de serviços e�ciente e de qualidade. O motorista, por sua vez, tornou-se,
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então, o sujeito passivo, ele terá a obrigação de prestar os serviços dentro dos padrões
previstos na relação jurídica instalada.
Os exemplos são incontáveis e podem ser observados nas suas atividades cotidianas,
bastando re�etir sobre os pontos destacados aqui.
Veja-se que, quando o objeto é uma prestação obrigacional, os sujeitos ativo e passivo
são determinados – exemplos dos contratos de compra e venda e transporte. Tal não
ocorre quando o objeto da relação jurídica é uma coisa (direito reais) ou a própria
pessoa (direitos da personalidade).
O proprietário de um imóvel tem o direito de usar, gozar e dispor da sua propriedade
conforme os parâmetros legais. Espera-se que qualquer pessoa, que a coletividade em
geral, respeite o exercício do seu direito real. A mesma dinâmica se dá em relação aos
direitos da personalidade, como os direitos à honra e à imagem.
Se alguém invade o imóvel ou divulga informações falsas sobre o titular do direito em
questão, haverá descumprimento do dever geral de não provocar danos a outrem,
surgindo o dever de reparar o dano causado. Nessas situações, descreve-se a relação
jurídica da seguinte forma: o sujeito ativo é o titular do direito real ou pessoal, e o
sujeito passivo é a coletividade. O sujeito passivo apenas será individualizado em
hipótese de lesão ao direito (REALE, 2007).
2. Lei de introdução às normas do
direito brasileiro
O direito brasileiro sempre foi �liado a escola do Civil Law, de origem germânica-
romana, pela qual a lei é fonte primária do sistema jurídico.
Deste modo, por uma tendência natural, buscou-se normatizar até mesmo alguns
conceitos e referências hermenêuticas aplicadas a todo o ordenamento jurídico,
tamanha necessidade do estado nacional positivar suas regras de conduta.
Assim, chegou-se a produção de uma “norma de sobredireito”, ou seja, uma norma
jurídica que visa regulamentar outras normas (FARIAS; ROSENVALD, 2015).
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Nascida como “LICC” (Lei de Introdução ao Código Civil), a Lei ainda n.º 4.657/42,
posteriormente foi alterada pela Lei 12.376/10 e renomeada como “Lei de Introdução
às Normas do Direito Brasileiro – LINDB”.
Originalmente, a Lei de Introdução possuía 19 (dezenove) artigos que trazem em seu
conteúdo regras quanto à vigência das leis (art. 1º e 2º), aplicação da norma jurídica no
tempo (3º a 6º) e no que concerne à sua subsistência no espaço, em especial nas
questões de direito internacional (art. 7º a 19º). A Lei 13.655/2018 incluiu novos
dispositivos referentes à atividade hermenêutica no âmbito do Direito Público.
Em linhas gerais, a LINDB aponta ainda as fontes do direito privado em completo da
própria lei e, em seu artigo 4º, de�ne o que seriam as “fontes formais secundárias”,
destacando: analogia, costumes e os princípios gerais do direito.
Dentro dessa gama de previsões legais, no momento, nos interessa especialmente o
estudo dos arts. 1º ao 6º. Os demais serão objeto de estudo em disciplinas futuras.
Importantíssimo destacar que a LINDB não faz parte do Código Civil, sendo de�nida na
clássica obra de Serpa Lopes (1959) como uma espécie de lei anexa, publicada
originalmente junto ao Código Civil para facilitar sua aplicação. Apesar de promulgada
na qualidade de Decreto-Lei em 1942, entende-se que foi recepcionada pela
Constituição Federal de 1988 enquanto lei ordinária.
Aprofundando em parte os estudos, apresentamos a seguir 4 (quatro)   conceitos
essenciais ao estudo das normas no direito brasileiro, quais sejam, a de�nição
terminológica de lei, vigência, lacuna e antinomia legal.
2.1 Vigência
Pode-se de�nir a lei como uma regra geral imposta coercitivamente à obediência de
todos. Trata-se, portanto, de uma norma vinda de autoridade competente e dirigida a
todos, indistintamente, por razão de sua força coercitiva.
Essencial faz-se a distinção entre lei e norma.
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Norma é regra de conduta, um comando que expressa “a vontade estatal”, que atua
por meio do Poder Legislativo e sua típica função de legislar. “Esta vontade” é, então,
consubstanciada na lei, portanto, o meio clássico de expressão da norma é a lei escrita,
o chamado direito positivo.
Pode-se dizer, nessa linha, que a norma está contida nas leis. Contudo, a norma
jurídica também decorre de outras fontes do Direito, a exemplo dos costumes e
princípios gerais do direito. Parte da doutrina se refere à norma como resultado do
processo de interpretação das fontes do direito, de modo que ela não se confundiria
com o texto legal.
As leis guardam hierarquia quanto a sua fonte e origem, devendo em todas as esferas guardar
compatibilidade temática e formal para com a Constituição Federal, sob pena de caracterização
de inconstitucionalidades.
Pois bem, sendo concebida a lei como uma das fontes do direito – mas não a única – a
LINDB consagra no artigo 1º regras sobre a vigência legal, dispondo que, salvo
disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias
depois de o�cialmente publicada. Já no plano internacional, a obrigatoriedade da lei
brasileira, quando admitida, inicia-se três meses depois de o�cialmente publicada (art.
1º, §1º).
Note-se que o termo “vigência legal” se refere um critério estritamente temporal. Uma
norma está em vigor até que ocorra sua revogação, salvo hipótese de lei temporária, a
exemplo da Lei da Copa.
Trata-se da “força vinculante da norma”, elemento que a torna de observância
obrigatória sob pena de aplicação da sanção legal pertinente. Excepcionalmente, uma
lei poderá produzir efeitos mesmo tendo sido revogada. Vide, como exemplo, as regras
de transição previstas no artigo 2.038 do Código Civil.
A vigência é,portanto, a existência social e jurídica da norma. Se ela entrar em vigor,
deve ser obedecida e aplicada.
Ora, a�rmar que uma determinada lei está em vigência ou que ela entrou em vigor
signi�ca dizer que essa lei deve, obrigatoriamente, ser respeitada. Signi�ca que
aqueles que não a observarem estarão sujeitos às penalidades previstas.
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Por outro lado, denomina-se vacatio legis o lapso temporal entre o ato de publicação e
a entrada em vigor da lei. A lei não produzirá efeitos durante a vacatio legis (art. 1º
LINDB).
Segundo a doutrina, existem dois motivos para sua existência:
1- Cognitivo
2- Instrumental
Caso venha a ocorrer nova publicação do texto legal dentro do prazo de vacatio legis
previsto, o prazo do artigo adicionado ou reti�cado começará a correr da nova
publicação. Porém, se a correção do texto legal for providenciada após sua entrada em
vigor, será necessária a elaboração e publicação de lei nova (art. 1º, §§ 3º e 4º LINDB).
Geralmente, o prazo da vacatio legis conta com previsão em um dos últimos artigos de
uma lei. No Código de Processo Civil de 2015 (CPC/2015), por exemplo, consta: “Art.
1.045. Este Código entra em vigor após decorrido 1 (um) ano da data de sua publicação
o�cial.” A lei poderá entrar em vigor na data de sua publicação quando sua matéria for
de menor repercussão (art. 8º, Lei-Complementar nº 95/1998).
Uma vez em vigor, a lei somente deixa de integrar o ordenamento jurídico se
modi�cada ou revogada por outra lei (art. 2º LINDB), regra referida pela doutrina como
princípio da continuidade (FARIAS; ROSENVALD, 2019). A revogação pode ser total (ab-
rogação) ou parcial (derrogação). O CPC/2015, por exemplo, ab-rogou o CPC/1973 e
derrogou alguns dispositivos do Código Civil/2002.
A revogação poderá, ainda, ser expressa ou tácita. De acordo com o art. 2º, § 1º da
LINDB: “A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja
com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei
anterior”. Logo, havendo incompatibilidade entre as regras de leis diversas, valerá a lei
mais nova.
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Para aplicação desta norma, é preciso que as leis sob análise compartilhem a mesma
hierarquia legal: duas leis ordinárias, por exemplo. Lei ordinária posterior à
Constituição Federal de 1988 não é capaz de revogar dispositivo constitucional, sendo
este último hierarquicamente superior.
É importante referir que um costume contrário à lei não é capaz, per si, de provocar
sua revogação. Segue-se a chamada vedação ao desuetudo, ou costume negativo. O
jogo do bicho, por exemplo, mesmo que amplamente praticado em determinados
locais, não faz com que essa prática seja considerada ilícita pelo Direito brasileiro
(FARIAS; ROSENVALD, 2019).
2.2 Antinomia jurídica
Acerca das antinomias legais, mais precisamente “possíveis con�itos” entre leis, para
resolver os casos que lhe são apresentados, o Poder Judiciário procura, dentro da
sistemática do direito, a norma que se deve aplicar à hipótese sub judice.
Existem basicamente 2 grandes eixos de análise das antinomias. Uma leva em
consideração o “Tempo” (art. 6º) e a outra o “Espaço” (art. 7º), sendo objeto de estudo
neste momento o primeiro caso.
Tais operações consistem em transferir para um caso particular e concreto a decisão
que se encontra na regra abstrata. Esta é a premissa maior de um silogismo, e,
partindo dela, o juiz aplicará a lei ao caso concreto.
A antinomia legal ocorre quando há dúvidas em relação à qual lei deverá ser aplicada
em determinada situação. A parte do Direito que trata da questão temporal denomina-
se Direito Intertemporal.
Em outras palavras, a dúvida instaura-se pois o fato jurídico ocorreu na data X, quando
uma determinada lei tinha vigência. Mas ocorre que, posteriormente, essa lei fora
revogada, surgindo uma nova lei que disciplina o assunto em questão. Nesse caso,
haverá con�ito entre qual lei deverá ser aplicada sobre os efeitos de um fato que
ocorreu na vigência de uma lei passada, mas que está sendo discutido sob a égide da
lei atual.
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Estamos diante de um caso típico de con�ito de leis no tempo. Acerca do problema, a
LINDB forneceu algumas instruções em seu artigo 6º, que apresenta a seguinte
redação: “A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito,
o direito adquirido e coisa julgada.”
Dessa forma, a regra geral é que as leis não retroagem – a saber, não se aplicam a
fatos anteriores à sua entrada em vigor, mas há exceções. Uma nova lei poderá
retroagir desde que respeite:
a. Direito adquirido - são aqueles cujos titulares possam exercer desde já, a
exemplo do cumprimento de todos os requisitos legais para aposentadoria;
b. Ato jurídico perfeito - é o que já produziu efeitos, segundo a lei vigente ao tempo
em que se efetuou, a exemplo de um contrato já integralmente cumprido;
c. Coisa julgada (caso julgado) - decisão judicial sob a qual não cabe mais recurso,
já tornada de�nitiva;
Portanto, a regra é a irretroatividade da lei. Excepcionalmente, a própria lei prevê
hipóteses de retroatividade benigna. De acordo com o art. 5º, inciso XL da CF/88: “a lei
penal não retroagirá, salvo para bene�ciar o réu”.
Há, ainda, hipótese de ultratividade – aplicação de norma revogada a atos jurídicos
futuros, quando já se encontra em vigor outra lei. De acordo com o Código Civil, aplica-
se a lei sucessória em vigor no momento do óbito. Sendo assim, o processo de
inventário e partilha referente à herança de alguém que faleceu quando estava em
vigor o CC/1916 deverá observar sua disciplina legal, mas já estando em vigor o
CC/2002.
É preciso identi�car, ainda, que a repristinação somente ocorrerá quando a lei
revogadora assim expressamente determinar. A repristinação consiste na entrada em
vigor de lei revogada, a partir do momento que sua lei revogadora foi, também,
revogada. Diz o art. 2º, § 3º da LINDB que: “Salvo disposição em contrário, a lei
revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência”.
Imaginemos que lei nova revogue expressamente o Código Civil de 2002. Este fato, por
si só, não implica que o CC/1916 passa ao estado de vigência. Para tanto, a lei
revogadora do CC atual precisaria indicar, expressamente, a repristinação do CC/1916.
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Em estreita sintonia com este artigo da LINDB, a CF/88 estabeleceu em seu artigo 5º,
XXXVI, que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
julgada”.
Para além do critério cronológico de resolução da antinomia jurídica, sintetizado na
máxima “lei posterior prevalece sobre lei anterior”, há outros dois: o critério
hierárquico – “lei superior prevalece sobre lei inferior” e o critério da especialidade –
“lei especial prevalece sobre lei geral”.
Diante da crescente complexidade do ordenamento jurídico, muitos doutrinadores
têm adotado a teoria do diálogo das fontes. Trata-se de proposta desenvolvida pelo
jurista alemão Erik Jayme, introduzida no Brasil pela Profa. Claudia Lima Marques
(2004). De acordo com essa proposta, as normas não se excluem, mas se
complementam. Em caso de antinomia, deve ser realizada interpretação sistemática,
extraindo-se a norma jurídica mais adequada para resolução do caso concreto.
2.3 Lacuna
Por vezes, o juiz não encontra na legislação escrita uma norma a aplicar ao casoconcreto. Poderia ele se recusar a decidir sob tal pretexto? Evidentemente não, sob
pena de se conturbar a ordem social. Compete ao Estado, através do Poder judiciário,
solucionar os con�itos entre particulares, e a esse mister não poderá fugir.
Quando a lei é omissa sobre algum aspecto, ou sobre a solução de alguma relação
jurídica, diz-se que há uma lacuna da lei. Esta é inevitável em qualquer ordenamento
jurídico, porque o legislador, por mais profícuo que seja, não pode prever todos os
casos e ocorrências decorrentes das incontáveis relações humanas.
De acordo com o art. 4º da LINDB: “Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de
acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.” Estes são os
instrumentos de integração da lei, diante da sua incapacidade de regulação exaustiva
das relações sociais. Vejamos cada um deles:
Analogia: diante da ausência de lei disciplinadora, o magistrado aplicará ao caso
concreto a norma prevista para situação semelhante, dada a identidade de razões ou
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�nalidades. O fundamento desse recurso reside no princípio da igualdade jurídica:
deve-se conferir a mesma solução para casos iguais ou semelhantes, na medida em
que se desigualarem.
Há alguns contextos nos quais ela não se aplica, tais como leis �scais e �ança. No
direito penal, ela nunca é utilizada para prejudicar o acusado, ou seja, in malam partem
. Por ser um princípio democrático, só poderá ser aplicada in bonam partem , em
benefício do acusado. A analogia pode ser legal, quando referente a lei em sentido
estrito, ou jurídica, quando relacionada à norma jurídica em sentido amplo.
Ex. Sobre a admissibilidade do recurso especial, a jurisprudência do Superior Tribunal
de Justiça considera que, quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é
genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o
entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal – “É inadmissível o
recurso extraordinário, quando a de�ciência na sua fundamentação não permitir a
exata compreensão da controvérsia”.
A analogia não se confunde com a interpretação extensiva da lei. Nesta segunda
hipótese, existe lei aplicável ao caso, apenas se estabelecem novos e legítimos limites
da norma, realizando o juiz uma interpretação menos literal para alargar o alcance da
regra. Vide, como exemplo, a extensão da Lei Maria da Penha a mulheres transexuais.
Costumes: são práticas sociais reiteradas, dotadas de continuidade, uniformidade e
obrigatoriedade. Exemplo interessante é o cheque pré-datado. A rigor, o cheque é
título de crédito que consiste em ordem de pagamento a vista. Por conta dessa prática
social, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o seguinte entendimento: “Caracteriza
dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado” (Súmula nº 370).
O cheque é pago na data da apresentação ao banco, independentemente da data
prevista no documento cambial. Nesse caso, aquele que antecipa a apresentação do
título de crédito viola a boa-fé objetiva – a saber, a expectativa de que o cheque
somente seria apresentado na data futura ali inserida. Por isso, será devida
indenização por danos morais.
Os costumes são classi�cados em:
a) Secundum legem
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3. Pessoa Física
O Código Civil de 2002, a exemplo do seu antecessor (Código de Beviláqua – 1916)
cuida primeiro da pessoa natural/física como sujeito de direito.
É um dos temas mais importantes de toda a disciplina, visto que inegavelmente o
homem e a condição humana representam o cerne das relações jurídicas, como visto
em unidades anteriores.
Seguindo a teoria utilizada como base para o Código Civil de 2002, podemos de�nir
como pessoa natural o ser humano livre de qualquer adjetivação, ou seja, o ser
humano independentemente de sexo, crença, idade, religião etc.
b) Praeter legem
c) Contra legem
Princípios gerais do direito: regras abstratas, virtuais, que estão na consciência e que
orientam o entendimento de todo o sistema jurídico, em sua aplicação integração.
Remontam às bases do direito romano, sendo sintetizados em três máximas: não lesar
ninguém, dar a cada um o que é seu, viver honestamente.
Você quer ler?
Vamos consultar a LINDB? O texto integral está disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/Lei/L12663.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/Lei/L12663.htm
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Mas apenas reconhecer a condição humana da pessoa natural não bastaria à
legislação civilista. Era preciso dar-lhe atributos típicos, capazes de diferenciá-lo de
coisas, objetos e animais não-humanos. Surge, então, outro fenômeno: a
personalidade jurídica.
3.1 Personalidade jurídica
Clovis Beviláqua (1999), em sua teoria geral do direito civil, leciona que a personalidade
jurídica tem por base a personalidade psíquica, somente no sentido de que sem essa
última não poderia o homem ter elevado a condição da primeira e, certamente, o
indivíduo vê na sua personalidade jurídica a projeção de suas qualidades psíquicas.
Todavia, a personalidade jurídica é mais do que um processo superior de atividade
psíquica. É uma criação social decorrente da necessidade de pôr em movimento o
aparelho jurídico.
A nível conceitual, a personalidade jurídica é atributo reconhecido a determinadas
pessoas que lhes confere uma aptidão geral e abstrata de ser titular de direitos e
obrigações na ordem jurídica, bem como a possibilidade de reclamar uma proteção
jurídica mínima – os chamados direitos da personalidade, alvo de estudos em unidade
futura (FARIAS; ROSENVALD, 2019).
Sendo assim, juridicamente, é pessoa todo ser humano dotado de personalidade
jurídica. Logo, em que momento se dá a aquisição de personalidade jurídica?
A tendência moderna, valendo-se de uma interpretação mais “constitucional”, busca
despatrimonializar o conceito de pessoa natural, tentando não mais tratá-la como
sinônimo de “pessoa física”. Esta discussão restringe-se a campo eminentemente
acadêmico, vez que, na prática, os conceitos são idênticos.
Na primeira parte do art. 2º do Código Civil, o legislador dispõe que “A personalidade
civil da pessoa começa do nascimento com vida”.
Desta forma, a normativa civil indica marco temporal especí�co, dispondo que, no
momento em que há o nascimento com vida, adquire-se a personalidade jurídica. E
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isso faz toda a diferença, visto que da personalidade decorre a titularidade de uma
série direitos (extra)patrimoniais.
Não podemos, portanto, deixar de mencionar a proteção constitucional da pessoa
natural que pode ser veri�cada no art. 1º, III da CF, porque, a�nal de contas, este
dispositivo prevê expressamente que um dos fundamentos da República Federativa do
Brasil é a dignidade humana.
Seguindo a linha de raciocínio do legislador pátrio, “nascer com vida” signi�ca operar-
se o funcionamento do aparelho cardiorrespiratório do recém-nascido (Resolução
01/88 do Conselho Nacional de Saúde), independentemente da forma humana e de
tempo mínimo de sobrevida, em respeito ao princípio da dignidade da pessoa
humana.
Você sabia?
“O Nascimento com vida” não é unanimidade no mundo quando assunto é marco
de assunção da personalidade. O art. 30 do Código Civil Espanhol dispõe que
“somente se reputará nascido, se possuir forma humana e tempo mínimo de
sobrevida.”
A segunda parte do art. 2ºdo CC prevê: “Mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os
direitos do nascituro”.   A doutrina diverge a esse respeito, ganhando destaque na
controvérsia duas teorias:
Teoria Natalista (Eduardo Espínola, Vicente Raó, Silvio Rodrigues):
Teoria Concepcionista (Teixeira de Freitas, Silmara Chinelato):
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Você sabia?
Existe uma teoria intermediária, referida por alguns autores, como a professora
Maria Helena Diniz, denominada teoria da personalidade formal ou condicional,
segundo a qual, o nascituro teria formalmente personalidade para titularizar
direitos personalíssimos, mas, quanto aos direitos patrimoniais, estes só seriam
consolidados sob a condição de nascer com vida.
Certo é que o nascituro possui vida “intra-uterina” recebendo tratamento diferenciado
perante ao embrião que é gerado in vitro .
Conforme o entendimento de Limongi França, nascituro é o ente concebido, ainda não
nascido, sendo, portanto, sujeito de diversos direitos, como por exemplo, direito à
vida, proteção ao pré-natal, legado, dentre outros.
Mas qual seria a teoria adotada pelo Código Civil Brasileiro? Não há unanimidade na
doutrina. Independentemente de qualquer teoria, o nascituro tem proteção jurídica.
A renomada professora Maria Helena Diniz em construção interessante, classi�ca
dentro da teoria adotada no código de 2002 (concepcionista), a Personalidade Jurídica
em material e formal.
Para a professora, a personalidade jurídica formal atribui ao nascituro direitos
fundamentais, como a vida, alimentos, dentre outros elementares e dispostos a
propiciar, justamente, seu desenvolvimento intrauterino.
Já a “material” diz respeito aos direitos patrimoniais, que o nascituro tem a salvo desde
a concepção, porém só terá efetivado após certi�cação do nascimento com vida!
Você quer ler?
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Alimentos: �rme jurisprudência do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS
Agravo de instrumento 7000.64.29096) reforçada pela recente lei de alimentos
gravídicos (lei 11.804/08), que reconhece ao nascituro o direito (patrimonial) aos
alimentos. 
Dano Moral (Nascituro): Jurisprudência do próprio STJ (REsp 931.556/RS e REsp
399.028/SP) tem admitido, sob inegável in�uência concepcionista, ao sentir de
Pablo Stolze, direito à indenização por dano moral em favor do nascituro. 
O natimorto (nascido morto), segundo a doutrina, como se pode veri�car no
enunciado n° 01 da I Jornada de Direito Civil, possui proteção jurídica, como o
direito ao nome, à imagem e a sepultura (memória).
3.2 Teoria das incapacidades e legitimidade
Nota-se que a “personalidade é invenção do Direito”. Por isso, dizemos que
personalidade é atributo ou valor jurídico. Poderá, inclusive, ser atribuída a entes não
humanos, a exemplo das pessoas jurídicas – a exemplo das fundações, associações e
sociedades.
A personalidade possui certos atributos, certos elementos que a caracterizam. São
eles, dentre muitos outros, a capacidade, o nome e o estado.  Avançando na temática,
importante estudarmos o instituto da capacidade.
O artigo 1º do CC/2002 prevê que toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem
civil. Alguns autores, como Teixeira de Freitas, entendem que a capacidade é a medida
da personalidade, sendo, portanto, possível mensurar seu conceito e re�exos.
Para que se possa conceituar capacidade, deve-se desdobrá-la em capacidade de
direito, genérica ou geral, na qual a capacidade de direito é aquela que toda pessoa
tem. Se a capacidade de direito é genérica, e qualquer pessoa a possui, segundo o
ensinamento de Orlando Gomes, ela se confunde com a noção de personalidade.
Contudo, com a consagração dos direitos da personalidade na legislação civil, a
personalidade jurídica ganhou uma segunda conotação: conjunto de características
essenciais à pessoa, como integridade física, nome, imagem, voz, dentre outras. Dessa
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forma, deixou de haver uma total coincidência entre personalidade jurídica e
capacidade de direito.
Além dessa modalidade, a capacidade poderá ser também de fato. Nem toda pessoa
possui capacidade de fato ou de exercício. Trata-se da aptidão para praticar
pessoalmente os atos da vida civil. Ausente essa capacidade, haverá incapacidade civil,
que poderá ser absoluta ou relativa.
Assim, somente quando a pessoa natural for dotada de capacidade de fato e de
direito, ter-se-á a chamada capacidade civil plena.
Não podemos confundir, no entanto, capacidade com legitimação, uma vez que esta
última é a idoneidade para o exercício de determinados direitos, ou seja, há situações
em que a pessoa, mesmo sendo capaz, não terá legitimação su�ciente para pleitear
um determinado direito em juízo.
A legitimidade traduz, no dizer de Calmon de Passos, pertinência subjetiva para a
prática de determinado ato, ou seja, mesmo capaz, uma pessoa pode estar impedida
de praticar determinado ato. Neste caso, falta-lhe legitimidade. (Ex. dois irmãos que,
mesmo capazes, não podem casar entre si – art. 1.521, IV do C.C.).
Já a incapacidade é a restrição legal para a prática, por si só, de atos na vida civil. Por
meio desse conceito, extraí mos que, somente o legislador poderá apontar quem são
os incapazes, não sendo admissível a incapacidade negocial ou contratual.
A incapacidade comporta gradação nos seguintes moldes:
a. Incapacidade civil absoluta (art. 3º CC/2002);
b. Incapacidade civil relativa (art. 4º CC/2002).
Os absolutamente incapazes são representados (vontade expressa na pessoa do
representante), enquanto os relativamente incapazes são assistidos (apenas
“auxiliados” mediante prática de atos da vida civil em conjunto). A representação ou
assistência legal será prestada por um tutor – no casos das crianças e adolescentes, ou
curador, para as demais hipóteses, nas quais se faz necessário o processo de
interdição.
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INCAPACIDADE
Segundo o art. 3º do Código Civil, são absolutamente incapazes de exercer
pessoalmente os atos da vida civil: os menores de dezesseis anos (impúberes), que são
aqueles com dezesseis anos incompletos.
Em 2015, foram suprimidos os incisos II e III, que tratavam da pessoa com de�ciência e
daqueles que apresentassem di�culdades em se expressar, tendo o legislador
respeitado a Convenção Americana das Pessoas com De�ciência (NY) deslocando
aquelas pessoas à condição de plenamente capazes, exceto se a dependência for
causa de impossibilidade de manifestar vontade – hipótese transferida do art. 3º ao 4º
pelo Estatuto da Pessoa com De�ciência.
Houve, portanto, signi�cativa mudança na teoria das incapacidades, sendo importante
observar que, apesar da exclusão das pessoas com de�ciência do rol de incapacidades,
as mesmas poderão passar por interdição ou buscar a tomada de decisão apoiada
enquanto mecanismos de proteção limitados ao âmbito negocial e patrimonial.
A curatela consiste na nomeação de curador mediante procedimento judicial especial,
a saber, representante legal responsável por agir em conjunto com o curatelado na
prática de atos negociais e patrimoniais. Na tomada de decisão apoiada, por sua vez, a
própria pessoa com de�ciência elege duas ou mais pessoas idôneas para auxiliá-la na
prática de negócio jurídico por tempo determinado (art. 1.783-A CC).
É importante destaca que as menções a pessoas com de�ciência mental
desapareceram dos artigos 3° e 4° do CC/2002. “A�nal, a pessoa com de�ciência, emuma perspectiva digni�cante, passou a ser considerada capaz”, conta Stolze. Muitos
apontam que a de�ciência mental pode vir a provocar incapacidade civil, a depender
do quadro sob análise, de modo que pessoas capazes poderão ser interditadas –
contrariando-se a lógica do sistema.
Pela exegese do art. 4º do CC/2002, são incapazes, relativamente a certos atos, ou à
maneira de os exercer:
I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos
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II- os ébrios habituais, os viciados em tóxicos
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem
exprimir sua vontade
IV- Os pródigos
Por �m, o parágrafo único do artigo 4º implementado pelo Código Civil de 2002, trata
dos indígenas em remissão a legislação especial.
Neste caso, quanto à capacidade dos índios, o art. 8º do Estatuto do Índio (Lei
6.001/73), considera, regra geral, nulo de pleno direito, o ato praticado pelo índio, não
representado, ressalvada a hipótese de revelar consciência e conhecimento do ato
praticado.
Frise-se que o regime de tutela previsto do Estatuto do Índio não foi recepcionado pela
Constituição Federal de 1988, conforme entendimento da Justiça Federal brasileira.
Logo, aos indígenas aplicam-se as mesmas regras previstas na parte geral do Código
Civil.
3.3 Emancipação
No diploma civil brasileiro, a maioridade é atingida aos 18 anos. Trata-se igualmente de
uma regra geral etária, porém, como será melhor estudado aqui, pode sofrer
supressões nos exatos termos da lei de regência civil.
Algumas questões de ordem prática surgem neste caso. A maioridade se completaria
no primeiro instante do dia do aniversário ou é necessário que o dia complete 24 h?
Washington de Barros Monteiro a�rma que a maioridade é atingida no primeiro
instante do dia em que se completa 18 (dezoito) anos. Todavia, mesmo antes dos 18
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anos, a capacidade civil poderá ser antecipada, nos termos do parágrafo único do art.
5º do Código Civil, mediante a emancipação.
A emancipação é instituto jurídico que antecipa a capacidade plena. A emancipação, no
entanto, não repercute na imputabilidade penal e pode ser subdividida por:
a. Voluntária: art. 5º, parágrafo único, I, 1ª parte;
b. Judicial: art. 5º, parágrafo único, I, 2ª parte;
c. Legal: art. 5º, parágrafo único, II a V do C.C.
Emancipação voluntária
Emancipação judicial
Emancipação legal
Você sabia?
Menor emancipado não comete crime, e eventual conduta por ele praticada,
descrita como infração penal, é reputada como ato infracional, devendo ser
responsabilizado nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente. Menor
emancipado deve respeitar norma administrativa especí�ca: o art. 140, I do
Código de Trânsito Brasileiro estabelece que a imputabilidade penal é condição
para ser condutor de veículo.
3.4 Fim da pessoa natural
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A extinção da pessoa natural pode ocorrer de duas maneiras: com a morte ou
declaração de ausência, sendo que, a depender de sua modalidade, haverá
consequências patrimoniais e afetas aos direitos da personalidade (art. 6º do Código
Civil).
A tanatologia é o estudo da morte no campo da medicina legal. Segundo esta ciência, a
morte é um processo. A noção comum de morte, segundo a professora Maria Helena
Diniz, é a parada cardíaca prolongada e a ausência de respiração. Todavia, para efeito
de transplante, o critério mais seguro é a morte encefálica por ser irreversível – art. 4º
da Resolução 1.480 de 1997 do Conselho Federal de Medicina.
O óbito deve ser declarado por médico ou caso não haja, duas testemunhas que
possam fazê-lo (art. 77 da LRP – Lei de Registros Públicos). O registro é feito no livro de
óbitos.
Esta é a chamada morte real, aquela veri�cada quando há cessação total das
atividades vitais do corpo humano e comprovada pelo atestado de óbito, que será
levado a registro. Esta é a espécie de morte mais simples, pois há prova da
materialidade e constatação por pro�ssional da medicina.
O citado art. 6º do CC/02 de�ne que “a existência da pessoa natural termina com a
morte, presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a
abertura de sucessão de�nitiva”.
O dispositivo trata, na segunda parte, da ausência! Instituto importante de ser
aprofundado e que será melhor abordado mais à frente, em tópico especí�co desta
unidade. Antes disso, é preciso apresentar as hipóteses de morte presumida que
dispensam o procedimento para declaração da ausência:
a. Se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida (art. 7º,
I CC);
b. Se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado
até dois anos após o término da guerra – esgotamento das buscas (art. 7º, II, p. u.
CC);
c. Pessoas detidas por agentes públicos e desaparecidas em razão da (acusação de)
participação em atividades políticas entre 02.09.1961 e 05.10.1988 (Lei nº
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9.140/95).
Obs1. Morte civil ou �ctícia: ocorre quando uma pessoa, ainda viva, é considerada
como se estivesse morta. Existem apenas reminiscências dessa espécie de morte no
nosso ordenamento, como podemos notar ao analisar no direito sucessório os
institutos da deserdação (art. 1961, C.C.) e da exclusão do herdeiro por indignidade
(art. 1.814, C.C.). Em ambas as situações, o sujeito, ainda vivo, é tratado como se morto
fosse.
Obs2. Comoriência: traduz a situação de morte simultânea. Vale dizer, nos termos do
art. 8º do CC, se duas pessoas falecerem na mesma ocasião, sem que se possa
precisar, se qualquer delas precedeu à outra, considerar-se-ão simultaneamente
mortas.
A lei alude à ocorrência da morte na mesma ocasião, e não no mesmo lugar. A
comoriência, regida no art. 8º do CC, traduz a denominada presunção de morte
simultânea. Com a morte, a transmissão do patrimônio é automática. É, desta forma,
regra passível de aplicação, somente se não houver indicação da ordem cronológica
dos óbitos. Reconhecida a simultaneidade das mortes, abrem-se cadeias sucessórias
distintas, de maneira que um comoriente não herda do outro.
O art. 8º do CC/02 dispõe expressamente que, “se dois ou mais indivíduos falecerem na
mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos
outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos”.
4. Direitos da personalidade
Uma das mudanças da parte geral do novo Código Civil Brasileiro (2002) consiste na
inserção de um capítulo próprio, a tratar dos direitos da personalidade (arts. 11 a 21).
Isto porque o estudo dos direitos da personalidade representa a quebra do paradigma
estritamente patrimonial que permeou a legislação privada brasileira, desde as
ordenações manuelinas e �lipinas.
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Mas a evolução social e do pensamento mostrou que o homem não deveria ser
protegido apenas no âmbito patrimonial. Era preciso, principalmente, proteger sua
essência!
Na realidade, não se trata bem de uma novidade, tendo em vista a Constituição
Federal trazer uma proteção até mais abrangente, principalmente em seu art. 5º,
caput, que consagra alguns dos direitos fundamentais da pessoa natural (TARTUCE,
2005).
Mas a a�rmação no diploma civil, reconhecido como espinha dorsal da regulação da
vida privada, fora um avanço importante na consolidação da proteçãodos direitos da
pessoa.
4.1 Conceito
Nós já estudamos o conceito de personalidade jurídica e sua correlação com a pessoa
natural. Agora, é hora de analisarmos o conjunto de direitos decorrentes deste
instituto.
Se os direitos da personalidade são inerentes à condição humana, então, podemos
conceituá-la como sendo aqueles direitos afetos à pessoa e à sua dignidade. São os
direitos que o ser humano possui sobre os seus atributos fundamentais sejam eles
físicos, intelectuais, psíquicos e morais.
A de�nição da professora Maria Helena Diniz é cristalina.   “Assim, são direitos
subjetivos da pessoa de defender o que lhe é próprio, ou seja, a sua integridade física
(vida, alimentos, próprio corpo vivo ou morto, corpo alheio, partes separadas do
corpo); a sua integridade intelectual (liberdade de pensamento, autoria cientí�ca,
artística, literária) e sua integridade moral (honra, segredo pessoal, pro�ssional,
doméstico, imagem, identidade pessoal, social e familiar).”
Parte da doutrina debruçou-se ao longo dos anos na análise sobre a natureza jurídica
de tais direitos, desdobrando-se em uma corrente positivista e outra jusnaturalista.
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Para os positivistas, a exemplo de Gustavo Tepedino, direitos de personalidade seriam
apenas aqueles atribuídos, reconhecidos e positivados pelo Estado por meio de leis.
Já os adeptos da corrente jusnaturalista, como Fredie Didier Jr., Pablo Stolze e Carlos
Bittar, anotam que os direitos da personalidade são inerentes à condição humana, não
havendo necessidade sequer de positivação.
Defendem os jusnaturalistas que pensar do contrário, seria legitimar, por exemplo,
atrocidades cometidas na Segunda Guerra Mundial e Alemanha Nazista, nas quais,
amparados no direito positivado, suprimiu-se garantias, reduzindo pessoas a
condições sub-humanas ou equiparando-se ao tratamento jurídico das “coisas”.
Seja qual for a corrente adotada, o importante é compreender que a dimensão cultural
do direito, como criação do homem para o homem, deve sempre conservar o
conteúdo mínimo de atributos que preservem a sua própria condição como um valor a
ser tutelado (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2019).
Nessa linha, de acordo com Luciano Dalvi, “os direitos da personalidade transcendem a
positivação, pois são direitos inerentes e indissociáveis à condição humana e,
obrigatoriamente, não podem ser tachados de forma a limitá-los.”
É notório que a evolução da sociedade seja mais rápida do que as leis, surgindo novas
formas de agressão à personalidade humana que reclamam novas formas de proteção
pela legislação vigente.
4.2 Classificação e características
Como já salientamos ao longo da unidade, classi�cação é o meio pelo qual
doutrinadores estudam e tentam explicar os mais variados institutos jurídicos.
Assim, apesar de haver diferentes maneiras de apresentar os direitos da
personalidade, vamos nos à classi�cação de Rubens Limongi França: direito à
integridade física (à vida, ao corpo vivo e morto, a partes separadas do corpo); à
integridade intelectual (liberdade de pensamento, direito de autor, de inventor, de
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esportista); à integridade moral (liberdade civil, política e religiosa, honra,
honori�cência, recato, imagem, segredo, identidade pessoal/nome, familiar e social).
Segundo parcela doutrina, o nascituro também possui tais direitos, devendo ser
considerado pessoa na ordem civil. Aquele que foi concebido, mas ainda não nasceu,
possui personalidade jurídica formal: tem direito à vida, à integridade física, a
alimentos, ao nome, à imagem como já visto anteriormente.
Assim, personalidade é atributo jurídico que dá a um ser humano o status de pessoa.
Da personalidade decorrem os direitos da personalidade, dotados das seguintes
características (art. 11 CC/2002):
a) Absolutos
b) Vitalícios
c) Indisponíveis
d) Extrapatrimoniais
e) Impenhoráveis
f) Ilimitados
g) Imprescritíveis ou perpétuos
4.3 Disciplina legal
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A cláusula geral de tutela dos direitos da personalidade reside na dignidade humana,
fundamento da República Federativa Brasileira (art. 1º, III CF/1988). Os meios de tutela
estão estampados no art. 12 do CC/2002: “Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a
lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras
sanções previstas em lei.”
Observe-se que a tutela dos direitos da personalidade pode ser preventiva ou
repressiva. A primeira se dá em momento anterior à lesão, a exemplo do impedimento
de publicação de obra que contém informações falsas sobre uma dada pessoa. A
segunda tem lugar após o ato lesivo, a exemplo de pedido de retratação por parte do
autor de matéria jornalística difamatória.
Já o art. 13 do CC/2002, trata da integridade física e veda a disposição do próprio
corpo, a não ser em casos de exigência médica e desde que tal disposição não importe
em permanente diminuição da integridade física ou contrarie os bons costumes.
Considerando a disponibilidade relativa dos direitos da personalidade, a exegese desse
dispositivo não é simples, sobretudo a interpretação de quais seriam os bons
costumes a serem utilizados como parâmetro em uma sociedade cada vez mais plural.
O transplante de órgãos é permitido expressamente, desde que realizado em
conformidade com os parâmetros legais.
O art. 14 do CC/2002, por sua vez, proíbe a comercialização de órgãos ou partes do
corpo, sendo apenas possível sua disposição gratuita, com objetivo altruístico ou
cientí�co, sendo possível a revogação do ato de disposição a qualquer tempo. Logo, a
doação de corpo para estudos acadêmicos a universidades requer autorização prévia
do doador.
O art. 15 do CC/2002 se refere ao direito à recusa de tratamento médico. De acordo
com o texto legal: “Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a
tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.” Todo ato médico deve ser antecedido
do consentimento livre e esclarecido do paciente e/ou do seu representante legal.
Atualmente, a jurisprudência brasileira admite uma hipótese em que é possível
praticar intervenção médica contrariando a recusa de tratamento médico por parte do
paciente: quando este último estiver em situação de risco iminente de morte. Do
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contrário, a recusa deve ser respeitada. O exemplo clássico é dos pacientes
Testemunhas de Jeová que recusam transfusão de sangue.
Esse entendimento foi con�rmado pela doutrina, vide o Enunciado nº 533 do CJF: “O
paciente plenamente capaz poderá deliberar sobre todos os aspectos concernentes a
tratamento médico que possa lhe causar risco de vida, seja imediato ou mediato, salvo
as situações de emergência ou no curso de procedimentos médicos cirúrgicos que não
possam ser interrompidos”.
Os arts. 16 a 19 do CC/2002 con�rmam a proteção do nome da pessoa natural, sinal
que representa a mesma no meio social, bem como do pseudônimo, nome atrás do
qual se esconde o autor de uma obra cultural ou artística. Isso, em sintonia com as
previsões anteriores da Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/73) e da Lei de Direito
Autoral (Lei nº 9.610/98).
O nome, com todos os seus elementos, merece o alento legal, indeclinável, por ser
direito inerente à pessoa. Pode ser formado pelas seguintes partes (art. 16 CC/2002):
a. Prenome: nome inicial em formato simples ou composto. Ex. João e Maria Júlia
respectivamente.
b. Sobrenome: nomede família, indicativo da �liação, também nos formatos
simples ou composto. Ex. Medeiros, Santos, Villas-Boas.
c. Agnome: destaque ao grau de parentesco ou �liação. Ex. Filho, Neta, Júnior.
d. Hipocorístico: parcela que representa o diminutivo de um prenome, podendo ser
adicionado ao nome civil como se verá. Ex. Chico, Fafá.
Além das características compartilhadas com os demais direitos da personalidade civil,
o nome civil apresenta algumas características especiais. O nome civil é obrigatório,
diante da necessidade de individualização das pessoas; exclusivo, sendo possível a
homonímia entre pessoas naturais diante do grande volume populacional; e
relativamente imutável – ao longo da vida, é possível a mudança do nome civil
excepcionalmente.
Vale destacar as principais hipóteses de mudança do prenome ou sobrenome
conforme a lei e jurisprudência nacional.
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Hipóteses de mudança do prenome
Hipóteses de mudança do sobrenome
Hipótese de relevância social é a reti�cação do nome e sexo de pessoa transexual. O
STF, ao julgar a ADIN nº 4.275, estabeleceu que tal averbação no registro civil de
pessoas naturais independe de prévia decisão judicial ou realização de cirurgia.
Atualmente, uma pessoa transexual pode fazer requerimento perante cartório,
observado o procedimento previsto no Provimento nº 73/2018 do Conselho Nacional
de Justiça (CNJ).
A disciplina legal do nome civil prossegue no art. 17 do CC/2002, de acordo com o qual
“o nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou
representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção
difamatória”.
Havendo �ns comerciais, o uso de nome alheio requer autorização prévia
necessariamente (art. 18 CC/2002), ainda que não haja cunho vexatório. Tal ensejaria
dano moral in re ipsa, nos moldes como já se dá com o uso comercial de imagem sem
autorização prévia (Súmula 403 STJ - “Independe de prova do prejuízo a indenização
pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com �ns econômicos ou
comerciais”).
O art. 20 do CC/2002 consagra expressamente a proteção da imagem, sub-classi�cada
em imagem retrato (aspecto físico da imagem, a �sionomia de alguém) e imagem
atributo (repercussão social da imagem). Esse dispositivo tem redação que merece ser
esclarecida, com o devido cuidado.
A disciplina abarca ainda a proteção dos direitos da personalidade de pessoa morta.
Em se tratando de morto que sofreu lesão à imagem por exemplo, terão legitimidade
para promover a ação indenizatória os descendentes, ascendentes e o cônjuge,
inserido aqui também o convivente.
Finalizando o tratamento quanto aos direitos da personalidade, con�rma o art. 21 do
CC/2002 o direito à inviolabilidade da vida privada, já reconhecido no art. 5º, X, CF/88,
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ao lado da intimidade, da honra e da imagem das pessoas. Sendo, portanto, inviolável
a vida privada da pessoa natural e cabendo sempre medidas visando proteger essa
inviolabilidade.
Nada mais atual do que a�rmar que a intimidade não deve ser concebida somente no
plano físico, mas também no plano virtual, do ambiente da internet, sendo inviolável o
domicílio eletrônico de uma determinada pessoa (TARTUCE, 2015).
Sobre a interpretação dos artigos referidos, vale mencionar a conclusão do STF sobre a
publicação de biogra�as não autorizadas na ADIN 4815 (DJ. 01.02.2016). Por
unanimidade, julgou-se procedente o pedido para dar interpretação conforme à
Constituição aos artigos 20 e 21 do Código Civil, sem redução de texto, para, em
consonância com os direitos fundamentais à liberdade de pensamento e de sua
expressão, de criação artística, produção cientí�ca, declarar inexigível o consentimento
de pessoa biografada relativamente a obras biográ�cas literárias ou audiovisuais,
sendo por igual desnecessária autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes
(ou de seus familiares, em caso de pessoas falecidas).
O direito à integridade intelectual reúne tudo aquilo que é fruto da mente humana, a
exemplo da liberdade religiosa, liberdade de expressão, liberdade sexual, direitos
autorais (L. 9.610/1998) e Direito à propriedade industrial (L. 9.279/1996). Por
excederem a disciplina legal da parte geral do Código Civil e serem abordados de
modo interdisciplinar em outros momentos do curso, lições a respeito serão
aprofundadas em outros componentes curriculares.
5. Ausência
Valendo-se dos conceitos inicialmente trabalhados quando da análise das hipóteses de
extinção da pessoa natural, tem-se na ausência uma de suas modalidades mais
relevantes e que denota um estudo próprio, devido, principalmente, aos
desdobramentos jurídicos do instituto.
Iniciamos frisando que a “Ausência” é, antes de mais nada, um estado de fato, em que
uma pessoa desaparece do seu domicílio sem deixar rastros, notícias ou
representante, que administre o seu patrimônio.
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O Código Civil, a partir do art. 22, estabelece um procedimento de transmissibilidade
dos bens: aberta a sucessão de�nitiva, o ausente é reconhecido presumidamente
morto.
Num primeiro momento, opera-se uma transmissão provisória. Passados 10 anos, da
sucessão provisória, abre-se a sucessão de�nitiva, caso em que, os herdeiros recebem
os bens em caráter de�nitivo, sendo o ausente, considerado nesta última fase, morto
por presunção.
A sentença ou decisão judicial que reconhece a abertura da sucessão de�nitiva é
registrada em livro especial no cartório, e não no livro de óbito.
Haverá também, morte presumida, nas situações descritas no art. 7º do CC, mas sem
declaração de ausência, mediante procedimento de justi�cação. As situações
consagradas no art. 7º do CC não se confundem com a ausência, pois traz situações de
guerra ou tragédias (acidentes aéreos, por exemplo) em que o falecimento das vítimas
é extremamente provável.
Nas hipóteses do art. 7º do CC, existem fundamentos razoáveis que justi�cam a
presunção de morte.
A sentença, i n casu, será registrada no livro de óbito. O magistrado procede a uma
busca aprofundada, aferindo a probabilidade concreta do óbito e a data aproximada
da morte. Nos desaparecimentos ocorridos na época da ditadura, resta viabilizada a
utilização dessa via. Devido à importância do instituto, vejamos o   diploma em sua
íntegra:
Art.7º. “Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: I. Se for
extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;II. Se alguém, desaparecido
em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da
guerra.Parágrafo único – A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser
requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença �xar a data
provável do falecimento”.
5.1 Curadoria dos bens do ausente
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Ocorrerá, no momento da constatação do desaparecimento da pessoa, quando algum
interessado busca o Poder Judiciário, informando o fato.
Nesse momento, ocorrerá a declaração da ausência e será nomeada pelo juiz uma
pessoa que terá o munus público de administrar os bens do ausente, isso porque ainda
há a esperança de retorno da pessoa desaparecida.
O curador deverá ser o cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado
judicialmente e nem de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência.
Na falta do cônjuge, a curadoria será exercida pelos pais ou descendentes,nessa
ordem, sendo que os mais próximos precederão aos mais remotos. Caso o ausente
não seja casado, mas viva em união estável, o seu companheiro poderá ser nomeado
como curador.
Enunciado nº 97, CJF:
Art.7º. “Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: I. Se for
extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;II. Se alguém, desaparecido
em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da
guerra.Parágrafo único – A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser
requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença �xar a data
provável do falecimento”.
Ao curador aplicar-se-á, no que couber, as regras referentes à tutela e curatela
previstas nos capítulos do direito de família e sistematizadas nos arts. 759 a 763 do
novo CPC.
Assim, a lei estabelece cautelas no sentido de preservar o acervo patrimonial para um
possível retorno do ausente ou para eventual e futura sucessão, no caso de o retorno
não ocorrer em um determinado espaço de tempo.
Cabe ao juiz, conhecendo o pedido de declaração de ausência, veri�car eventual
estado de abandono patrimonial para nomear o curador. O curador nomeado é
civilmente responsável pelos prejuízos que vier a causar por dolo ou mera culpa (art.
160 do CC).
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Entre as obrigações do representante dos bens do ausente, estão o exercício da boa
guarda e conservação dos bens, a arrecadação de outros existentes, a prestação de
caução, a prestação de contas ao �nal da gestão, além da apresentação de balancetes
mensais das receitas e despesas.
É necessário que o curador tenha a livre administração de seus bens; excluem-se os
condenados por crime de furto, roubo, estelionato, falsidade contra a família ou contra
os bons costumes, tenham ou não cumprido a pena; pessoas de mau procedimento,
aqueles que exercem função pública incompatível com a boa administração da
curatela.
Note que a curadoria é para os bens do ausente, e não para a pessoa do ausente, ou
seja, o objetivo da curadoria não é a regência de pessoas, mas a administração de seus
bens.
A curatela perdura, em regra, por um ano, durante o qual o magistrado ordena
publicação de editais, de dois em dois meses, convocando o ausente a reaparecer para
tomar posse dos seus bens.
A curadoria cessa pelo comparecimento do ausente, do seu procurador ou de quem o
represente, pela certeza da morte e pela sucessão provisória.
5.2 Sucessão Provisória
Dentro de 01 ou 03 anos da arrecadação dos bens, os interessados dispostos no art.
27 do CC/02 requererão a abertura da sucessão provisória, uma vez que não cabe ao
juiz declarar de ofício a ausência e, consequentemente, abrir, ainda que
provisoriamente, a sucessão.
Será o prazo de 01 ano na situação do desaparecimento da pessoa sem deixar
representante, e de 03 anos, se a pessoa desaparecida deixar representante com
poderes su�cientes para gerir seu patrimônio e assim aceitar fazê-lo.
O objetivo da diferença dos prazos dá-se em razão da eventualidade do retorno do
ausente. O mandante ou representado, provavelmente, está convenientemente
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resguardado da lapidação de seus bens se deixou alguém que lhe inspirou con�ança.
Logo que passe em julgado, a sentença que determinar a abertura da sucessão
provisória, o testamento será aberto, se existir, e ocorrerá o inventário e a partilha dos
bens.
Conforme o art. 28 do CC, a sentença que determinar a abertura da sucessão
provisória só produzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa.
Doravante, os herdeiros poderão imitir-se na posse dos bens do ausente, mediante
garantia da restituição deles (penhores e hipotecas), em caso de reaparecimento do
ausente.
O herdeiro que tiver direito à posse provisória, mas não tiver condições patrimoniais
de prestar a garantia que lhe é imposta �cará excluído da sucessão provisória,
devendo o juiz nomear curador que administre os bens que lhe caberiam, ou, pode
ainda se con�gurar a possibilidade de a administração ser exercida por outro herdeiro
que lhe preste garantia.
No entanto, atendendo aos princípios da probidade e da boa-fé objetiva, essa exclusão
pode ser atenuada, uma vez que é permitida a este herdeiro justi�car sua falta de
meios na impossibilidade patrimonial de manutenção dos bens que lhe caberiam,
garantindo, assim, pelo menos metade dos rendimentos do respectivo quinhão (art.
34, CC).
Em se tratando de herdeiros necessários (ascendente, descendente e cônjuge), esses
poderão entrar na posse dos bens do ausente, independentemente de garantia (art.
30, § 2°, CC/02), o que também deveria ser concedido ao convivente diante da regra do
art. 226 da CF.
Esses herdeiros adquirem desde logo a posse com seus frutos e rendimentos e são
liberados do dever de prestar contas. Já quanto aos outros sucessores, para maior
proteção dos bens no caso do retorno do ausente, deverão capitalizar metade do que
lhes couber, prestando contas anualmente ao juiz (art. 33, CC/02).
Em caso de retorno do ausente e se constatar que a ausência foi de má-fé, o ausente
perde para os sucessores os frutos e rendimentos de seus bens durante o período em
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que esteve ausente, uma vez que se valoriza o trabalho do sucessor e a posse justa,
aplicando-se consequentemente uma sanção ao que não assumiu os seus deveres,
afastando, assim, a possibilidade de enriquecimento ilícito (art. 33º, parágrafo único do
CC/02).
Os herdeiros, em posse dos bens do ausente só poderão alienar ou hipotecar esses
bens, com autorização judicial, no sentido de evitar perda ou ruína. Em caso de
desapropriação, forma de alienação compulsória, esta poderá ocorrer mesmo no caso
presente em razão dos interesses e necessidades públicos.
Ademais, os sucessores provisórios �carão representando ativa e passivamente o
ausente, correndo contra eles as ações pendentes e futuras (art. 32º, C.C.), ou seja, os
sucessores provisórios são herdeiros presuntivos, por isso, estando os herdeiros
empossados nos bens do ausente, possuem a representação processual, seja como
autor, seja como réu.
O curador deixa assim de representar os bens do ausente. O múnus da defesa da
posse caberá aos que nela serão imitidos.
5.3 Sucessão definitiva
Após passados dez anos do trânsito em julgado da sentença que concede a abertura
da sucessão provisória, poderão os interessados requerer a sucessão de�nitiva e o
levantamento das cauções prestadas (art. 37 CC).
Nessa etapa, consolida-se a presunção de morte do ausente e os sucessores passam a
ser proprietários dos bens por ele deixado, conforme as regras do Direito Sucessório. A
sucessão de�nitiva também pode ser providenciada se o ausente já contar com oitenta
anos de idade e as últimas notícias a seu respeito são de cinco anos atrás (art. 38 CC).
De acordo com o art. 39 do CC, “regressando o ausente nos dez anos seguintes à
abertura da sucessão de�nitiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes,
aquele ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-
rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem
recebido pelos bens alienados depois daquele tempo”.
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O parágrafo único do artigo referido determina que, se o ausente não retornar nesse
período e nenhum interessado promover a sucessão de�nitiva,

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