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Profa. Dra. Maria Sílvia Motta Logatti Disciplina: Psicologia Analítica e Práticas Integrativas Complementares logattim@gmail.com Breve resumo: Arquétipos: Os arquétipos podem ser similares aos complexos, já que são coleções de imagens associadas carregadas de emoção. Enquanto os complexos são componentes individualizados do inconsciente pessoal, os arquétipos são GENERALIZADOS E DERIVAM DOS CONTEÚDOS INCONSCIENTES. Os principais arquétipos descritos por Jung são: a persona, a sombra, a anima, o animus, a grande mãe, o sábio, o herói e o self. Dinâmica da personalidade: A motivação dos homens se origina de causas passadas (causalidade) e de objetivos teleológicos (teleologia). Progressão e Regressão: Para atingir a autorrealização, as pessoas precisam adaptar-se não apenas a seu ambiente externo (progressão), mas também a seu mundo interno (regressão). Métodos de Investigação: Teste de associação de palavras, Análise dos sonhos, Imaginação Ativa e Psicoterapia (sugeriu quatro estágios de desenvolvimento na história da psicoterapia) Tema da Aula: Nise da Silveira (1905-1999) Para Frayze, ela de e ser considerada uma das figuras lendárias da cultura brasileira, uma vez que contribuiu para que a problemática da loucura fosse deslocada do campo da psicopatologia médica para o campo da cultura. Nise da Silveira nasceu em Maceio. De 1921 a 1926 cursou a Faculdade de Medicina da Bahia, onde se formou como a única mulher entre os 157 homens daquela turma. Está entre as primeiras mulheres no Brasil a se formar em medicina. Casou-se com o sanitarista Mario Magalhães, seu colega de turma com quem viveu ate seu falecimento em 1986. O casal não teve filhos, por um acordo entre ambos que queria dedicar-se intensamente na carreira média. Nos anos de 1930, militou no Partido Comunista Brasileiro e foi uma das poucas mulheres a assinar o “Manifesto dos trabalhadores intelectuais ao povo brasileiro”. Em 1933 foi aprovada em um concurso público para trabalhar na área de psiquiatria. Em 1936, foi presa por ligações com o comunismo, permanecendo encarcerada por 18 meses. Após ser solta, vive com o marido na semiclandestinidade, afastada do serviço público até 1944. O percurso profissional de Nise Em 1944, foi reintegrada ao serviço público e iniciou seu trabalho no “Centro Psiquiátrico Nacional II” no “Engenho de Dentro” no Rio de Janeiro. Por sua discordância com os métodos adotados nas Enfermarias Psiquiátricas, recusando-se a aplicar técnicas psiquiátricas que considerava agressiva aos pacientes (confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoques, lobotomia, insulinoterapia, uso exacerbado de psicotrópicos) foi transferida para o trabalho com terapia ocupacional, atividade então menosprezada pelos médicos. Assim, em 1946, fundou a “Seção de Terapêutica Ocupacional. No lugar das tradicionais tarefas de limpeza e manutenção que os pacientes exerciam sob o título de terapia ocupacional, ela criou ateliês de pintura e modelagem com a intenção de possibilitar aos doentes reatar seus vínculos com a realidade através da expressão simbólica e da criatividade. Pode-se dizer que Nise revolucionou a psiquiatria então praticada no país. Entre 1983 a 1985 o cineasta Leon Hirszman realizou o filme “Imagens do Inconsciente”, trilogia mostrando obras realizadas pelos internos a partir de um roteiro criado por Nise da Silveira. Conheceu pessoalmente Jung e este também conheceu as obras de seus pacientes, depois de ver essas obras, Jung orientou-a estudar mitologia como uma chave para a compreensão dos trabalhos criados pelos internos. Foi supervisionanda de Marie-Louise Von Franz, assistente de Jung. O Museu de Imagens do Inconsciente Em 1952, ela fundou o “Museu de Imagens do Inconsciente”, no Rio de Janeiro, um centro de estudo e pesquisa destinado à preservação dos trabalhos produzidos nos estúdios de modelagem e pintura, valorizando-os como documentos que abriam novas possibilidades para uma compreensão mais profunda do universo interior do esquizofrênico. Embora seja considerada uma das pioneiras na história da arteterapia no Brasil, Nise da Silveira não aceitava essa denominação ao seu trabalho, preferindo designá-lo terapêutica ocupacional. Ela considerava que a palavra arte trazia uma conotação de valor, de qualidade estética, que não tinha em vista ao utilizar a atividade expressiva com seus pacientes. Além disto, o objetivo do seu trabalho era a livre criação por parte dos pacientes, sendo apenas acompanhado por uma monitora, mas não dirigido por ela. Apesar de não ter uma preocupação com a qualidade estética, as obras feitas no Museu tem, além de um valor terapêutico, um valor estético. Um dos maiores críticos de arte da época, Mário Pedroso, passou a frequentar o museu e reconheceu ali “verdadeiras” obras de arte. A partir de um reconhecimento tão importante quanto estes, os frequentadores do ateliê de pintura e modelagem ganharam um lugar no “mundo externo”, passando de marginais, loucos e psiquiatrizados para artistas e até gênios aos olhos do público. Mas afinal, qual seria o objetivo deste tipo de trabalho? Para Nise, seu trabalho não tinha a função de distrair, mas de contribuir efetivamente para o tratamento dos pacientes. Apoiada na teoria junguiana, considerava a criatividade artística uma função psíquica natural e estruturante, cuja capacidade de cura estava em dar forma, em transformar conteúdos inconscientes em imagens simbólicas. A atividade criadora permitiria não somente dar forma ao seu tumulto emocional, como transformá-lo por meio dessa expressão, dando forma, mesmo que rudimentar, ao inexprimível pela palavra. Para Nise, a própria condição psicótica seria uma “inundação” do consciente por imagens arquetípicas do Inconsciente Coletivo. Estas ganhavam forma nas pinturas, nos desenhos e nas esculturas de seus pacientes. O homem, enquanto artista, e também os psicóticos são considerados por ela como portadores e plasmadores da alma inconsciente e ativa da humanidade. Ambos podem ser considerados visionários, já que dispõe de um saber misterioso que os levam a dizer o indizível sem que eles mesmo nem saibam o porquê. O psicótico é sempre habitado por este mistério e encontra um oásis no ateliê de pintura, desde que ali tenha liberdade. A casa das Palmeiras. Em 1956, Nise da Silveira cria outra instituição pioneira chamada “Casa das Palmeiras”, que vai atender pacientes em regime de portas abertas. Ela tinha um profundo respeito por seus pacientes e compreendia-os sempre como seres humanos. Assim, os símbolos expressos na arte não são vistos apenas como simples projeções de conteúdos inconscientes, mas como mecanismos à sua transformação qualitativa, contribuindo para o equilíbrio psíquico. Nesta, perspectiva, ao externalizar no papel o drama interior vivido de modo desordenado, o indivíduo, além de dar forma a suas emoções, despontencializa figuras ameaçadoras. Nise morre no dia 30 de outubro de 1999, somete após a morte de todos os pacientes-artistas que cuidou ao longo de mais de cinco décadas. Era um desejo seu que as pessoas aprendessem a morrer, e pode-se dizer que até seus últimos momentos de vida permaneceu lúcida conscientemente livre. Fim! Obrigada pela atenção!