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27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD2… 1/30 Bases das relações privadas Unidade 2 - Das pessoas jurídicas Autora: Marcelo Paiva de Medeiros Iniciar Introdução Prosseguindo no estudo das bases do direito privado, iniciamos esta segunda parte da disciplina com a estrutura e funcionamento das pessoas jurídicas, passando pela de�nição de domicílio, classi�cação dos bens e �nalizaremos com aprofundamento na teoria dos fatos jurídicos. Trata-se de temas abrangentes e que servirão de conhecimentos válidos a possibilitarem a compreensão de todos os demais pontos da parte especial do Código Civil e incontáveis outras relações jurídicas. Ao passo que os estudos avançam, percebe-se a relevância destes temas como alicerce para a construção de sólidos conceitos acerca das bases do direito privado. Sendo assim, abordaremos a seguir a de�nição de pessoa jurídica e um breve histórico sobre sua acepção enquanto ente personi�cado, diverso da pessoa natural. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD2… 2/30 1. Pessoa jurídica Nas palavras dos professores Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho (2019), o homem é um ser gregário por excelência e tende a se unir com outros, pelas mais variadas razões, sendo certo a�rmar que a teoria da pessoa jurídica antes de mais nada, deve sobremaneira um tributo à sociologia. Partindo-se desta natureza eminentemente associativa derivada da “noção sociológica”, pode-se, num primeiro momento, de�nir pessoa jurídica , como um grupo humano, criado na forma da lei, com personalidade jurídica própria, para a realização de determinados �ns. Fato é que o Direito precisou adaptar e implementar normas que reconhecessem estes agrupamentos como entes personi�cados e sujeitos de direitos e obrigações desatrelando-os das pessoas naturais que os compusesse. Tradicionalmente, portanto, a doutrina de�ne como “pessoa jurídica”, os entes abstratos criados por coletividade de pessoas naturais para obtenção de �ns comuns, nascendo da necessidade de elas se associarem, sempre com patrimônio e �nalidade próprios, distinguindo-se das pessoas naturais que as compõem. A Pessoa Jurídica goza de personalidade também própria. É, portanto, um ente moral, uma entidade criada pelo ser humano ao qual o ordenamento jurídico atribui personalidade e que deverá atender à função social, o que signi�ca atribuir a ela responsabilidade social e conteúdo ético aos seus atos. Tais conhecimentos são extremamente úteis e se mostraram ao longo das décadas de evolução do direito civil brasileiro como um instituto imprescindível a construção de todo o sistema social contemporâneo que inegavelmente busca na norma civilista fundamento de sustentação. Bons estudos! 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD2… 3/30 Você que ler? Enunciado nº 53, CJF: “Deve-se levar em consideração o princípio da função social na interpretação das normas relativas à empresa, a despeito da falta de referência expressa.” Os requisitos caracterizadores da pessoa jurídica são: a) Vontade humana criadora; b) Licitude de seus �ns; c) Um agrupamento de pessoas ou a destinação de um patrimônio afetado a um �m especí�co; d) O atendimento às formalidades legais. Sobre sua origem (início da pessoa jurídica), na ótica de Pablo Stolze, Rodolfo Pamplona Filho (2019) e da doutrina majoritária, o Código Civil adotou a Teoria da realidade técnica de Ferrara . Essa teoria é a adotada pelo art. 45 do CC/02, revelando-se a mais equilibrada ao reconhecer que a pessoa jurídica é personi�cada pela técnica do direito, mas não nega a sua atuação social. Assim, nos termos do art. 45 do Código Civil, a existência legal da pessoa jurídica deriva da inscrição de seu ato constitutivo (contrato social ou estatuto) no registro público competente, em geral, Junta Comercial ou Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas . O registro da pessoa jurídica é ato constitutivo da sua personalidade. Diferentemente do registro civil de pessoas naturais, cuja natureza é meramente declaratória. Quando efetuado o registro, a aquisição da personalidade jurídica já se deu anteriormente, a partir do nascimento com vida. Excepcionalmente, para efeito de constituição e funcionamento, sob pena de inexistência (Caio Mário), alguns tipos de pessoas jurídicas exigem autorização especial, à exemplo dos Bancos (do Banco Central) e das seguradoras (na SUSEP - Superintendência de Seguros Privados). 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD2… 4/30 Você sabia? Pessoa jurídica pode sofrer dano moral. É �rme na jurisprudência brasileira ( súmula 227 do STJ, Ag. Rg. no REsp 865.658/RJ ) o entendimento segundo qual pessoa jurídica pode sofrer dano moral. Aliás, se dano moral é lesão a direito da personalidade, o próprio art. 52 do CC , admite que a pessoa jurídica possa titularizar tais direitos naquilo que couber, logo, pode sofrer dano moral. Todavia, há quem sustente o contrário, criticando o reconhecimento deste tipo de dano, pela ausência da dimensão psicológica da pessoa jurídica ( Wilson Melo da Silva, Arruda Alvim - ver também enunciado 286 da IV Jornada de Direito Civil ). Insta salientar que essa corrente é a minoritária . 1.1 Estrutura e funcionamento Muitas são as classi�cações quanto a sua estrutura, mas vamos nos �liar a construção doutrinária a partir das lições dos professores Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho (2019), que assim as tipi�cam: a) Quanto à composição b) Quanto à nacionalidade c) Quanto ao regime (função) 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD2… 5/30 Você sabia? A seguir inserimos dois enunciados da CJF que muito contribuem para esta discussão.Enunciado nº 144, CJF: “A relação das pessoas jurídicas de Direito Privado, constante do art. 44, incs. I a V, do Código Civil, não é exaustiva.” Enunciado nº 142, CJF: “Os partidos políticos, os sindicatos e as associações religiosas possuem natureza associativa, aplicando-se-lhes o Código Civil.” 1.2 Classificação Nos termos da redação original do art. 44 do CC , constituíam-se pessoas jurídicas de direito privado, as Associações, Sociedades, Fundações e após implemento da Lei 10.825/03, também as organizações religiosas e os partidos políticos. Com intuito de melhor explanar sobre a matéria, façamos a análise de cada uma das espécies de pessoa jurídica citadas acima: 1.2.1 Sociedades São as pessoas jurídicas de direito privado que objetivam o lucro com o intuito de reparti-lo entre os sócios. São pessoas colegiadas. Conforme estabelece o art. 981 CC, os sócios obrigam-se a contribuir com bens ou serviços para o exercício de atividade econômica e partilha, entre si, dos resultados. Podem ser simples ou empresariais. Simples : As sociedades simples são aquelas cujo objeto não diz respeito a uma atividade típica de empresários (arts. 997 a 1.038, CC), notadamente as que se organizam para realizarem atividades de natureza cientí�ca, literária ou artística. Empresariais: são aquelas cujo objeto se traduz em uma atividade empresarial (arts. 982 e 966, CC), será considerada empresária quando for organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços e explorarem a atividade econômica como empresas, por meio da conjugação dos quatro fatores de produção: capital, mão de obra, insumo e tecnologia. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD2…6/30 Há sociedades empresariais que tem tal natureza, por força de lei, como a por ações e simples, como a cooperativa (art. 982, parágrafo único CC/2002), ou seja, a sociedade por ações sempre será considerada empresarial, e a cooperativa sempre será considerada sociedade simples, independentemente de seus objetos. 1.2.2 Associações (arts. 53-61, CC) As associações têm o mesmo conceito de sociedade, possuindo, entretanto, diferença especí�ca em sua de�nição, ou seja, não visam a lucro. Em outras palavras, as associações são sociedades que não têm interesse de repartir lucro entre os associados, embora nada as impeça de ter lucro em termos técnicos – ativo superior ao passivo. São exemplos de associações os clubes recreativos. Assim, são as pessoas jurídicas de direito privado constituídas pela união de pessoas que se organizam para a consecução de �ns não econômicos, o que signi�ca dizer que não há busca de divisão de resultados. Poderá haver obtenção de lucros por parte da associação, o que não poderá ocorrer é a partição desses lucros. 1.2.3 Fundações As fundações privadas são constituídas por acervo patrimonial particular, ao qual a Lei confere personalidade, daí serem pessoas não colegiadas. De acordo com o art. 62 do CC, as fundações decorrem da personi�cação de um patrimônio para a realização de �ns determinados. Para tanto, o instituidor deverá, por escritura pública ou testamento, destinar parte de seu patrimônio, por meio de dotação especial de bens livres, para um determinado �m não econômico, podendo, ainda, estabelecer a maneira pela qual ela será administrada. 1.2.4 Organizações religiosas O § 1º do art. 44 do CC, se refere às organizações religiosas, dispondo que terão regimes próprios, e que serão livres a criação, a organização, a estrutura interna e o 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD2… 7/30 funcionamento destas entidades, sendo proibido ao Estado negar-lhes reconhecimento ou registro. A segunda parte da norma tem fundamento constitucional e evita a possibilidade de discriminação religiosa. Você sabia? O Brasil é um “Estado Laico”. Mas apesar desta separação entre Estado e Religião, a lei não afasta o controle de legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame pelo Judiciário da compatibilidade de seus atos com a lei e com seus estatutos. Figura 1 - Estado Laico. Fonte: Senado Federal 2019 1.2.5 Partidos políticos Os partidos Políticos apresentam natureza de associações que garantem a autenticidade do sistema representativo e devem buscar promover o regime democrático. São regidos pela Lei nº 9096/95, que reitera, no art. 7º, a natureza de pessoa jurídica de direito privado, cujos estatutos serão registrados primeiro no Tribunal Superior 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD2… 8/30 Eleitoral e depois no cartório competente do Registro Civil das Pessoas Jurídicas, da capital federal. O § 3º do art. 44 do CC, diz que os partidos políticos terão regimes próprios e serão organizados e funcionarão de acordo com lei especí�ca. Sua submissão a lei especial não lhes retira, contudo, a natureza associativa. 1.3 Extinção da pessoa jurídica Tem-se fundamentalmente, três formas básicas de dissolução da pessoa jurídica: Convencional; Administrativa; e Judicial. 1.3.1 Dissolução convencional É aquela em que os próprios sócios ou administradores deliberam a extinção da pessoa jurídica, ou seja, há um distrato. Essa modalidade de dissolução é mais comum em sociedades. 1.3.2 Dissolução administrativa Esta é aquela que resulta da cassação da autorização especí�ca de constituição e funcionamento da pessoa jurídica. Algumas pessoas, a exemplo das instituições bancárias, necessitam de autorização especí�ca para funcionamento. 1.3.3 Dissolução judicial Deriva de um processo resultando numa sentença, como se dá, por exemplo, no procedimento judicial de falência da Lei 11.101/05. Nem toda sociedade está sujeita a lei de falências. Você sabia? 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD2… 9/30 As sociedades que não estão sujeitas à falência podem ter a sua dissolução judicial regulada pelo art. 1.218 do CPC, que remete ao rito do processo previsto no CPC de 1939 (arts. 655 a 674 do CPC/39). 1.3.4 Desconsideração da pessoa jurídica ( disregard doctrine ) Ainda no campo da “extinção da pessoa jurídica”, temos a teoria da desconsideração como uma modalidade atípica, pois essa não encerra a pessoa jurídica em de�nitivo, mas propicia um “afastamento temporário de sua personalidade” para permitir que os credores lesados possam satisfazer os seus direitos no patrimônio pessoal do sócio ou administrador que cometera o ato abusivo. Rolf Serick na Alemanha fora um dos grandes juristas a trabalhar com o tema. Rubens Requião trouxe a matéria para o Direito Brasileiro. Fábio Ulhôa pontua que ao aplicar a doutrina da desconsideração pretende-se a superação episódico da personalidade jurídica. Segundo Fábio Ulhoa a pretensão é de afastar temporariamente a �gura da pessoa jurídica, para atingir o sócio ou administrador responsável por cometer o ato abusivo ou que dessa prática se bene�ciou. Assim, “levanta-se o véu” para que seja satisfeito o direito do credor, retornando-se a situação anterior, depois de tal providência, ou seja, volta tudo ao normal. Em mais de uma oportunidade, o STJ tem a�rmado que a regra geral no âmbito da desconsideração é a teoria maior , que, além da insolvência da pessoa jurídica, exige também, a demonstração do abuso do sócio caracterizado pelo desvio de �nalidade ou confusão de patrimônio (Art. 50 do CC). O desvio de �nalidade consiste na utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza (art. 50, § 1º CC). Vide o uso da pessoa jurídica para participação em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. Confusão patrimonial, por sua vez, consiste na ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por (art. 50, § 2º CC): 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 10/30 cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insigni�cante; e outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. A mera expansão ou a alteração da �nalidade original da atividade econômica especí�ca da pessoa jurídica não será considerada desvio de �nalidade, entendimento doutrinário que ganhou contornos legais com a alteração realizada no CC/2002. Parcela doutrinária critica tal determinação, pois o encerramento irregular de uma pessoa jurídica pode ser importante indício de conduta fraudulenta. Também assumiu status legal a denominada desconsideração da personalidade jurídica inversa ou invertida (art. 50, § 3º CC). Nesse caso, a desconsideração se dá para alcançar bens do sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros. O exemplo clássico é a compra de bens com recursos próprios em nome da empresa para lesar ex-cônjuge em processo de divórcio. Observe-se que, em situações jurídicas especiais, para facilitar a satisfação do Direito violado, adota-se a teoria menor, que se contenta simplesmente com a demonstração do descumprimento da obrigação ou insolvência da pessoa jurídica. É o que se dá no âmbito do Código de Defesa do Consumidor (art. 28, §5º CDC), em que é dispensada a prova doato abusivo. Atenção! A teoria menor da desconsideração aplica-se, também, ao direito ambiental (art. 4º da Lei de Crimes Ambientais). 2. Domicílio Etimologicamente, a palavra domicílio remonta ao Direito Romano - “ domus ”, cujo signi�cado é de casa, local em que, segundo o Prof. Álvaro Villaça, a família reunia-se e cultuava seus antepassados. Comumente, o réu é demandado no seu domicílio . 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 11/30 2.1 Morada, residência e domicílio A morada é o lugar em que a pessoa física se estabelece temporariamente. Importante notar que a morada, normalmente, tem caráter provisório, transitório. A noção de residência é mais abrangente do que a de morada, pois diversamente desta última, pressupõe estabilidade, constituindo-se pelo lugar em que a pessoa física se estabelece habitualmente. Exemplo: O imóvel onde você “reside” com sua família com intuito de sempre voltar ao �nal do dia. Ainda que isso não seja veri�cado todos os dias. Já exemplo de morada, pode ser aquela casa ou chalé nas montanhas em que uma família passa suas férias, ou seja, ocasionalmente e sem �ns de ali permanecer por longo período. O domicílio possui um “plus” em relação à residência. Deste modo, o domicílio é conceito mais abrangente, uma vez que, traduz o lugar em que a pessoa física �xa a sua residência com intenção de permanência ( animus manendi ), convertendo-o em centro de sua vida jurídica. Portanto, o domicílio abrange a noção de residência, acrescido do “plus”, caracterizado pela presença da intenção de permanência ( animus manendi ). Ex: Imóvel indicado no contrato de abertura de conta corrente junto a bancos. No que tange à mudança de domicílio, o art. 74 do CC é responsável por regular o tema, visto que “Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar”. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, que deixa, e para onde vai, ou se tais declarações não �zer, da própria mudança, a partir das suas próprias circunstâncias. Você sabia? O que se entende por domicílio aparente ou ocasional? Essa doutrina fora desenvolvida por um civilista Belga, chamado Henri de Page . 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 12/30 Domicílio aparente ou ocasional trata-se de uma �cção jurídica, baseada na teoria da aparência. À luz do art. 73 do CC , em relação às pessoas que não tenham domicílio certo, a exemplo dos pro�ssionais do circo e ciganos, considera- se domicílio o lugar em que forem encontradas. Está em análise na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 7.774/14, que visa proibir a violação de tendas ciganas. Segundo o texto, qualquer indivíduo que entrar nesse tipo de tenda sem autorização do proprietário, ainda que seja policial, terá a mesma punição prevista no Código Penal para invasão de domicílio. 2.2 Modalidades e importância O domicílio poderá ser: Convencional ou voluntário : é o mais comum, �xado por simples ato de vontade segundo a autonomia privada. Especial ou de eleição : é regulado no art. 78 do CC e art. 111 do CPC. Trata-se do domicílio escolhido pelas próprias partes no contrato, que se presta a �xar onde serão cumpridos os direitos e deveres decorrentes da convenção e possíveis litígios decorrentes da avença. Legal ou necessário : decorre diretamente da lei. Sobre essa espécie de domicílio, duas regras regulam o assunto, quais sejam: 76 e 77 do CC. Têm domicílio necessário : 1. Incapaz; 2. Servidor Público; 3. Militar; 4. Marítimo; 5. Preso. O Marítimo é marinheiro da Marinha Mercante (Privada): não pertencente às Forças Armadas, não é militar. O domicílio do Marítimo é o do local onde estiver matriculado o navio. O domicílio do preso é o do lugar onde cumpre a sentença. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 13/30 O domicílio do incapaz é do representante ou assistente. A despeito dessa regra, a Súmula 383 do STJ estabelece que “a competência para processar e julgar as ações conexas de interesse do menor é em princípio o foro do domicílio do detentor de sua guarda”. No tocante ao domicílio do servidor público , imprescindível notar que, o local onde exerce suas funções permanentemente será considerado como seu domicílio, aplicando-se essa regra a qualquer espécie de demanda, não se restringindo às relações pro�ssionais. Lembra a Professora Maria Helena Diniz (2019) que o servidor público tem domicílio no local onde exerce funções permanentes, e não simplesmente comissionada. Salienta ainda a professora, que a obtenção de uma simples licença não altera o domicílio legal. O domicílio da pessoa jurídica é regulado no art. 75 do Código Civil. De acordo com ele: Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: da União, o Distrito Federal; dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações [domicílio natural], ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos [domicílio convencional ou estatutário]. Assim como se dá em relação à pessoa natural no tocante ao seu domicílio pro�ssional (art. 72 CC/2002), tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. Em caso de pessoa jurídica com administração ou diretoria sediada em outro país, será considerado seu domicílio, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 14/30 3. Bens Em adição aos elementos já estudados nos 2 tópicos anteriores, é no objeto da relação jurídica que se veri�ca “a materialização” do direito civil através da tutela jurídica dos bens. Considera-se “bem” tudo aquilo que existe no universo e que é útil ao homem. Gagliano e Pamplona Filho (2019) de�nem bem a�rmando que: “é tudo aquilo que, ao existir fora do ser humano, material ou não, possuindo valoração econômica ou não, esteja sob o domínio e poder de seu titular.” Com base na doutrina de Orlando Gomes , bem jurídico é toda utilidade física ou ideal que seja objeto de um direito subjetivo . Ex. Tanto uma camisa, como a imagem e honra de um cidadão são bens jurídicos. O “bem”, portanto, revela-se como “o objeto” das relações jurídicas, sendo que neste tópico da matéria, a grande discussão na doutrina refere-se à diferença entre “bem e coisa”. Vejamos o que doutrinadores clássicos lecionam sobre a matéria: 3.1 Bem X Coisa As de�nições acerca de ambos conceitos extrapolam os �ns acadêmicos e são conhecimentos importantes a serem assimilados no estudo da disciplina. A despeito de ter havido profunda divergência doutrinária no passado, chegando-se a tratar ambos os termos como sinônimos, atualmente prevalece o entendimento de que coisa é espécie de bem , uma vez que se limita a objetos corpóreos. Assim, nem todo bem será “corpóreo” e é importante que percebamos desde já que para o direito, há muitos bens que apesar de ter valor agregado, não necessariamente terão representação física. Ex.: direito à imagem e direitos autorais. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 15/30 Ao avançarmos neste tópico, serão apresentadas algumas situações onde conhecer esta diferenciaçãofacilitará a compreensão do estudo. 3.1.1 O que se entende por patrimônio jurídico? Assim, nem todo bem será “corpóreo” e é importante que percebamos desde já que para o direito, há muitos bens que apesar de ter valor agregado, não necessariamente terão representação física (Ex: Direito a imagem e Direitos autorais, são bons exemplos de “bens” não corpóreos e que tem grande valor econômico). Em posse de tal informação, faz-se necessário compreender agora o que se entende por “patrimônio jurídico”. Na linha da doutrina clássica, patrimônio seria a representação econômica da pessoa. Modernamente, a doutrina, quanto à natureza jurídica, de�ne-o como uma universalidade de direitos e obrigações , podendo compreender, segundo alguns autores, direitos da personalidade (fala-se aqui em patrimônio moral). Em suma, os autores modernos, a exemplo de Gagliano e Pamplona Filho (2019) a�rmam que, para além de mera representação econômica da pessoa, o conjunto de direitos da personalidade traduz o que se denomina de patrimônio moral . Conclui-se então, que a noção de bem jurídico é genérica, abrangendo utilidades materiais (coisas), bem como, utilidades ideais (a exemplo da honra, ou da própria vida). 3.1.2 O que é estatuto jurídico do patrimônio mínimo? O estatuto jurídico do patrimônio mínimo , tese desenvolvida por Luiz Edson Fachin (2006), sustenta que, na perspectiva constitucional da dignidade da pessoa humana, as normas civis devem resguardar sempre para cada pessoa um mínimo de patrimônio para que tenha vida digna. Ex.: legislação do bem de família. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 16/30 Você quer ler? Importante para aprofundamento, ler uma lei bem sucinta, porém extremamente relevante: a Lei n.º 8.009/90 que instituiu o “Bem de Família”. Esta lei foi um marco na legislação brasileira, visto que em menos de 4 anos após início da vigência da CF/88 o Legislador, por meio dela, reconheceu o instituto da dignidade da pessoa humana e do patrimônio mínimo como direito inviolável, impedindo que pessoas perdessem a sua casa e tudo que fosse destinado a proteger a família! 3.2 Classificação dos bens O uso de “Classi�cação” no direito é uma ferramenta essencial para melhor compreensão dos institutos. Sobre os bens, propomos a seguinte subdivisão: 3.2.1 Bens imóveis e móveis Os bens imóveis são aqueles que não podem ser removidos sem perder as suas características ou essência. Ex.: terreno não pode ser transportado. A partir da disciplina legal, a doutrina desenvolveu a seguinte classi�cação dos bens imóveis: Por sua natureza 🡪 Ex.: solo (art. 79 CC) Por acessão arti�cial 🡪 Ex.: construções e plantações (art. 79 CC) Por acessão natural 🡪 Ex.: frutos, árvores (art. 79 CC) Por disposição legal 🡪 arts. 80 e 81 CC Por sua vez, consideram-se imóveis para os efeitos legais: os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram; o direito à sucessão aberta. Os bens são considerados imóveis, por expressa disposição legal, assim como ocorre, por exemplo, com a hipoteca. O direito à sucessão aberta corresponde ao direito de herança, cuja natureza também é imobiliária por determinação legal. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 17/30 O direito à herança, por ter natureza imobiliária, explica o excesso de formalismo quando da sua cessão, à exemplo da escritura pública (art. 1.793 do CC), bem como, a exigência de outorga uxória, segundo respeitável doutrina (Francisco Cahali), nos termos do art. 1.647 do C.C. De acordo com o art. 81 do CC, não perdem o caráter de imóveis as edi�cações que forem removidas para outro local conservando-se sua unidade, bem como os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Os bens móveis, por sua vez, são aqueles suscetíveis de movimento próprio ou de remoção por força alheia sem que isso altere a sua substância ou destinação econômica (art. 82 do CC). Exemplos de bens que podem ser transportados sem a perda das suas características são: cadeira, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, automóveis etc. Estes são os bens móveis por sua própria natureza. Por força de lei (art. 83 do CC) consideram-se móveis para os efeitos legais: as energias que tenham valor econômico; os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. Dentro desta esfera podemos destacar uma espécie de bens móveis que tem movimento próprio: os bens semoventes. A título de exemplo temos o cavalo, gado etc. Os navios e as aeronaves são bens móveis especiais, uma vez que, por exceção, admitem hipoteca, e tem registro peculiar. Vale observar que o art. 84 do CC cuida dos bens móveis empregados na Construção Civil: “Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio”. A doutrina acusa, ainda, a existência dos bens móveis por antecipação, como árvores e frutos extraídos. Enquanto incorporados ao solo e à árvore respectivamente, são considerados bens imóveis por sua própria natureza. Uma vez retirados, tornam-se bens móveis. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 18/30 O CDC, adotando peculiar classi�cação, subdivide os bens, quanto ao direito potestativo de reclamar por vício de qualidade (art. 26 do CDC) em: duráveis e não duráveis. O prazo decadencial para reclamar de bens duráveis é de 90 (noventa) dias, para os bens não duráveis é de 30 (trinta) dias. Tem-se, aqui, a chamada garantia legal. 3.2.2 Bens fungíveis e infungíveis O critério da (in)fungibilidade se refere à (im)possibilidade de substituição do bem por outro da mesma espécie, qualidade e quantidade (art. 85 CC). Livros são bens fungíveis, enquanto um vestido exclusivo é bem infungível. A infungibilidade pode derivar das próprias características do bem, ou ainda da vontade humana – a exemplo de uma joia de família ou livro autografado. 3.2.3 Bens consumíveis e inconsumíveis De acordo com o art. 86 do CC/2002, são bens consumíveis aqueles cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação. A partir do dispositivo identi�ca-se uma consumibilidade natural, a exemplo dos alimentos, e também jurídica, referente aos bens passíveis de alienação – a saber, de transferência de titularidade, como um computador. 3.2.4 Bens divisíveis e indivisíveis A (in)divisibilidade se refere à (im)possibilidade de fracionar o bem sem alteração de sua substância, diminuição do seu valor ou prejuízo ao uso a que se destina. São exemplos de bens divisíveis o dinheiro e os grãos em geral – café, milho etc. A indivisibilidade por decorrer da própria natureza do bem, como um animal; da própria lei, a exemplo do módulo rural (art. 65 Lei 4.504/64); ou ainda da vontade das partes, como o pagamento de um bem em parcela única. 3.2.5 Bens singulares e coletivos 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 19/30 São bens singulares aqueles que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais (art. 89 do CC/2002). A doutrina classi�ca os bens singulares em: Simples (coesão natural) – a exemplo dos animais; Compostos (coesão arti�cial) – a exemplo de um edifício. Os bens coletivos, como o nome já sugere, se referem à reunião de bens singulares. Esta reunião de bens singulares é chamada universalidade, podendo se tratar de uma universalidade de fato ou universalidade dedireito. A universalidade de fato consiste na a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária (art. 90 do CC/2002). Tem-se como exemplo clássico uma biblioteca. Ela é composta por diversos bens, especialmente livros, sendo estes bens singulares que podem ser objeto de relações jurídicas próprias. A universalidade de direito, por sua vez, refere-se ao complexo de relações jurídicas de uma pessoa, dotadas de valor econômico (art. 91 do CC/2002). O patrimônio e a herança são exemplos de universalidades de direito. 3.2.6 Bens no e fora do comércio Há, ainda, a classi�cação dos bens no e fora do comércio, conforme a (im)possibilidade de alienação. Os bens no comércio podem ser apropriados ou alienados a título oneroso ou gratuito, a exemplo de uma casa vendida ou carro doado. Já os bens fora do comércio são inalienáveis, podendo a inalienalidade decorrer: De sua própria natureza, a exempla da água corrente; De disposição legal, a exemplo dos bens públicos e do bem de família convencional; Da vontade humana, a exemplo dos contratos realizados com cláusula de inalienabilidade. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 20/30 Questão interessante é analisar o corpo humano e suas partes à luz desta categoria. Admite-se a alienação do corpo ou de suas partes desde que na modalidade gratuita e obedecidos os requisitos legais. São exemplos a doação do corpo morto para instituições de ensino e pesquisa, bem como a doação de órgãos inter vivos ou post mortem. A venda de cabelo é tolerada, considerando-se que sua retirada não implica em quaisquer prejuízos à integridade psicofísica do sujeito. 3.2.7 Principal e acessório Merece especial atenção a classi�cação dos bens reciprocamente considerados, que podem ser: principal e acessórios. Bem principal é o que existe por si mesmo. Acessório é aquele cuja existência pressupõe a do principal, acompanhando-o, de acordo com o princípio da gravitação jurídica (art. 92 do CC/2002). Vale lembrar que, segundo o princípio da gravitação jurídica, o acessório segue o principal . Os principais bens acessórios são: fruto, produto e benfeitoria. ● Fruto ● Produto ● Benfeitorias Você sabia? 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 21/30 Toda benfeitoria é arti�cial, obra do homem, não existe benfeitoria natural. À luz das regras do Código Civil, não se deve confundir acessão com benfeitoria. A construção é uma acessão arti�cial. Assim, uma “laje”, “puxadinho” é uma acessão. Há algumas categorias importantes que não se confundem com os bens acessórios: Acessão : a acessão é modo originário de aquisição da propriedade que importa no aumento do volume do bem principal, a exemplo da formação de ilha (acessão natural) e das construções e plantações (acessão arti�cial). Pertenças : A pertença é a coisa que, sem integrar o bem principal, justapõe-se ou acopla-se a ele, para facilitar a sua utilização (art. 93 do CC), conservando, entretanto, a sua autonomia. Tanto é que, em regra, negócio jurídico que tenha o bem principal como objeto não alcança as pertenças. Ex.: Ar condicionado, escada de incêndio. Partes integrantes : são bens que se unem ao principal formando um todo único, conferindo-lhe funcionalidade. Ex.: a lâmpada em relação ao abajur, o pneu em relação ao carro. 3.2.8 Dos bens quanto aos titulares do domínio Sob esse aspecto, os bens se dividem em públicos e particulares . O artigo 98 do Código Civil considera públicos os bens que pertencem à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; todos os demais são considerados particulares. Tem-se, no caso, verdadeira de�nição por exclusão. Ampliando o entendimento do art. 98 do CC, temos o Enunciado nº 287 do Conselho da Justiça Federal (CJF) que dispõe: “O critério da classi�cação dos bens públicos indicado no art. 98 do Código Civil não exaure a enumeração dos bens públicos, podendo ainda ser classi�cado como tal o bem pertencente a pessoa jurídica de direito privado que esteja afetado à prestação de serviços públicos.” Os bens públicos, por sua vez, dividem-se em três espécies (art. 99 do CC/2002): 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 22/30 ● Bens públicos de uso comum do povo ● Bens públicos de uso especial ● Bens públicos ou dominicais 4. Teoria do Fato Jurídico A matéria estudada neste tópico é o ponto de partida para compreensão da dinâmica das relações jurídicas. Por hora, nos limitaremos na Unidade II a conceituar os institutos e classi�cá-los de acordo com o referencial bibliográ�co apresentado no plano de ensino, fazendo a ressalva que cada uma das modalidades será aprofundada nas Unidades III e IV. A primeira vista pode parecer complicado, mas todas as categorias apresentadas a seguir integram nosso cotidiano. A chuva que faz transbordar o rio de uma cidade é fato jurídico em sentido estrito. Achar um tesouro e dele se tornar proprietário é um ato-fato jurídico. Comprar um celular é um ato jurídico, dentre tantos outros exemplos. Passa-se à análise técnica de cada uma dessas categorias. Começamos pela de�nição de fato jurídico em sentido amplo , que é todo acontecimento, natural ou humano apto a criar, modi�car ou extinguir relações jurídicas . Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho (2019) lecionam que fato jurídico é todo fato relevante para o Direito que de�agra efeitos na órbita jurídica. Mas não basta a existência de um fato, e sim, a relevância deste fato, sem o que, não interessará ao Direito. Isto porque, o Direito valora os fatos por meio das normas jurídicas, não sendo todos os fatos que têm relevância para o mundo jurídico. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 23/30 Em outras palavras, para que um fato seja considerado um fato jurídico é mister que haja uma norma pertencente a um determinado sistema jurídico que atribua um efeito jurídico a esse fato. 4.1 Classificação e Interpretação Os fatos jurídicos podem decorrer da natureza ou da atuação do homem. Para �ns de melhor compreender esta disciplina, adotaremos a classi�cação exposta no Novo Curso de Direito Civil, da lavra dos professores Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho (2019) que assim dispõe: 4.1.1 Fato jurídico em sentido estrito: É o acontecimento natural, ordinário ou extraordinário, de�agrador de efeitos jurídicos. O fato jurídico em sentido estrito é um fato da natureza, ou seja, independe da vontade humana. O fato jurídico em sentido estrito subdivide-se em: 1. Fato jurídico em sentido estrito ordinário, como nascimento, morte natural, decurso do tempo. 2. Fato jurídico em sentido estrito extraordinário: tem carga de imprevisibilidade ou inevitabilidade, a exemplo de um furacão natural na praia de Pernambuco. As ações humanas também são fatos jurídicos. Subdividem-se em: lícitas e ilícitas. Pablo Stolze per�lha da ideia de que as ações humanas lícitas denominam-se ato jurídico em sentido amplo e as ações humanas ilícitas, ato ilícito. Releva notar, que o ato ilícito é tratado em categoria diversa daquela relativa aos fatos jurídicos. Até pela própria sistemática adotada no Código Civil, o codi�cador inseriu os atos ilícitos num título separado do ato jurídico e do fato jurídico. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 24/30 Existe na doutrina quem entenda o ato ilícito como espécie de ato jurídico (Machado Neto). Entretanto, Pablo Stolze adota posicionamento contrário,no sentido de reservar a expressão “ato ilícito” à ação humana antijurídica, inclusive pelo fato de o seu tratamento se dar de forma autônoma no Código Civil (Zeno Veloso). OBS: O tema ato ilícito e abuso de direito serão estudados na disciplina destinada à responsabilidade civil. O ato jurídico em sentido amplo subdivide-se em: 1) Ato jurídico em sentido estrito; 2) Negócio jurídico. 4.1.2 O ato jurídico em sentido estrito Também denominado de ato não-negocial, traduz um comportamento humano voluntário e consciente, cujos efeitos jurídicos são previamente determinados em lei. Ao realizar um ato jurídico em sentido estrito, não signi�ca a inexistência de autonomia privada. Tem-se um comportamento humano, consciente e voluntário, apenas não há escolha dos efeitos jurídicos deste ato. Portanto, no ato jurídico em sentido estrito, não existe liberdade na escolha dos efeitos jurídicos do ato que se realiza. São exemplos deste tipo de ato o domicílio e o reconhecimento de �liação. Em ambos os casos, os efeitos jurídicos são previamente previstos em lei e não podem ser modi�cados pelo exercício da autonomia privada. Repita-se, no ato jurídico em sentido estrito não há autonomia da vontade na escolha dos efeitos jurídicos . Diferentemente, o negócio jurídico, pedra de toque das relações econômicas mundiais, é, na sua essência, de estrutura mais complexa do que o ato jurídico em sentido estrito. No negócio jurídico há declaração de vontade emitida segundo o princípio da autonomia privada, pela qual o agente visa realizar e atingir determinados efeitos escolhidos, nos limites dos princípios da função social e da boa-fé objetiva. Nos contratos em geral e no testamento há margem para exercício da liberdade de escolha, por exemplo. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 25/30 Por conta da diagnose diferencial entre ato jurídico em sentido estrito e negócio jurídico, pode-se observar que o CC de 2002 adota a teoria dualista, regulando os negócios jurídicos no artigo 104 e seguintes e o ato jurídico em sentido estrito apenas no artigo 185 do CC . Você sabia? A teoria do ato-fato jurídico, brilhantemente desenvolvida por Pontes de Miranda, traduz um comportamento que, posto derive do homem, é desprovido de vontade consciente na sua realização ou na projeção do resultado jurídico alcançado. No ato fato-jurídico, a voluntariedade e consciência em direção ao resultado jurídico existente é irrelevante para que os efeitos jurídicos previstos em lei sejam produzidos. Exemplo: Uma criança de três anos que compra uma bala realiza um ato fato- jurídico, pois não possui consciência e voluntariedade. Não pode se falar em negócio jurídico, haja vista que compra e venda por incapazes é nula de pleno direito. Em relação a um jovem de 15 anos, é inegável que pela própria idade detém consciência ao realizar determinada compra, pode-se dizer que há, nessa situação, negócio jurídico socialmente aceito. Art. 1.264 CC/2002 - “O depósito antigo de coisas preciosas, oculto ou de cujo dono não haja memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente.” O denominado “achado de tesouro” é ato-fato jurídico, na medida em que a propriedade de quem o achou será constituída independentemente de ter havido uma busca intencionalmente direcionada a este �m. 4.1.3 Negócio Jurídico O negócio jurídico, por sua vez, é de profundidade �losó�ca muito maior. Isso porque, consiste em uma declaração de vontade que tem o potencial de modular os efeitos jurídicos dele derivado. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 26/30 Pressupostos do negócio jurídico Quadro 1 - Tabela de Pressupostos, Fonte não informada. 4.1.4 Plano de existência O plano de existência é o plano substantivo, correspondendo à estrutura do negócio jurídico. Este merece ser analisado em subtópico especí�co tamanha sua relevância ao instituto. Ao analisar os pressupostos de validade, parte-se do pressuposto que o negócio jurídico existe. Deste modo, o plano de validade é adjetivo do negócio jurídico. Para o negócio jurídico existir, é necessário: manifestação de vontade, agente emissor, objeto e forma (salvo a situação do silêncio). Porém, para existir e ser válido é preciso quali�car esses mesmos pressupostos de existência. Assim, a manifestação de vontade deve ser totalmente livre e de boa-fé, agente capaz e legitimado, objeto deve ser lícito, possível e determinado ou determinável, e por �m, a forma deve ser livre ou prescrita em lei. Veri�ca-se a existência do negócio jurídico em que há dolo, porém, não a sua validade. Lembrando que aprofundaremos o estudo do dolo e demais vícios dos negócios jurídicos nas próximas unidades. As expressões grifadas em negrito correspondem à quali�cação (plano de validade) dos pressupostos de existência: Objeto lícito, possível, determinado ou determinável: todo negócio jurídico pressupõe um objeto, sem o qual, não terá existência. Se o objeto é ilícito, o negócio jurídico existe, mas é inválido. Ex. A compra e venda de drogas ilícitas. Licitude para a doutrina brasileira não signi�ca apenas adequação a lei, mas também, ao padrão médio de moralidade, sendo a boa-fé objetiva e a função social “cláusulas abertas” pelo qual devem ser interpretados os negócios jurídicos 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 27/30 em geral. Este e demais requisitos de validade do objeto serão estudados nas unidades seguintes. Forma prescrita ou não defesa em lei : para o negócio jurídico existir, em regra, pressupõe uma forma ou um meio pelo qual a vontade se manifeste: verbal, escrita, mímica. Se não houver uma forma, veículo da vontade, o negócio jurídico simplesmente não existe. Ex. No momento em que se faz um gesto com a mão no ponto de ônibus, o contrato de transporte passa a existir. Agente capaz e legitimado: se no contrato houver agente, porém não capaz, o negócio jurídico é inválido. Vontade livre e de boa-fé: se não houve vontade o negócio é inexistente. Se a vontade não é totalmente livre por coação moral, por exemplo, o negócio é inválido. Síntese Finalizando a unidade 2 das bases das relações privadas e estudadas a estrutura e funcionamento das pessoas jurídicas, de�nição de domicílio, classi�cação dos bens e primeiras linhas acerca da teoria do fato jurídico, o(a) aluno(a) será capaz de identi�car nas relações jurídicas em geral, todos os elementos contidos no plano de ensino. Para quase todos os atos da vida civil e no exercício pro�ssional serão exigidos dos operadores do direito o conhecimento destes tópicos. Com relação aos elementos ensejadores dos fatos, atos e negócios jurídicos a relevância ganha contornos ainda maiores. Saber diferenciar estes três institutos a partir da natureza jurídica, elementos constitutivos e características de cada um, propiciará ao(à) aluno(a) domínio de boa parte das demais disciplinas estudadas nas bases do direito privado, servindo de alicerce para o aprofundamento que virá (vícios do negócio jurídico, responsabilidade civil, dentre outros). Nesta unidade, você teve oportunidade de aprender: que pessoas Jurídicas existem de maneira autônoma, com patrimônio, proteção e regras próprias, sem se confundir 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 28/30 com as pessoas físicas que as componham. A importância de se conhecer as regras de �xação de domicílio bem como a diferenciação junto aos termos: moradia e residência. Pode compreender que os bens podem ser físicos (imóveis,móveis, etc) ou incorpóreos (direitos autorais por ex), e que, portanto, podem ter valor econômico independentemente de sua natureza. E, por �m, compreender as linhas introdutórias do fato, ato e negócio jurídico que serão aprofundadas nas próximas unidades. Download do PDF da unidade Bibliografia BEVILAQUA, Clovis. Teoria geral do Direito Civil . Campinas: RED livros , 1999. COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de direito comercial : direito de empresa – 23. ed. – São Paulo : Saraiva,. 2011. DINIZ, Maria Helena. Curso Direito Civil Brasileiro - Teoria Geral do Direito Civil - Vol. 1 - 36ª Ed. Saraiva: São Paulo. 2019. FACHIN, Luiz Edson. O estatuto jurídico do patrimônio mínimo . 2. ed. atual. São Paulo: Renovar, 2006. GOMES, Orlando. Introdução ao Direito Civil - Volume único. 21ª Ed. Gen, São Paulo. 2016 LOPES, Miguel Maria Serpa. Lei de Introdução ao Código Civil . Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1959, v.1, p.8. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 29/30 NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito . p.297-303. 38ªed. - Rio de Janeiro: Forense, 2016. STOLZE, Pablo. PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso De Direito Civil - Parte Geral - Vol. 1 - 21ª Ed. Saraiva: São Paulo, 2019. TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil - Vol. Único - 5ª Ed. Saraiva: São Paulo 2015. 27/05/2022 20:56 FE_BL3_DIR_BARELP_19_E_2 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=Xf10kRYqEJNmBNxYaVik8A%3d%3d&l=hOdswcC7BMxmDzbrnNK6xQ%3d%3d&cd=lWD… 30/30