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04/03/2024 1 Viroses Oncogênicas Viroses Oncogênicas • Os cânceres surgem por alterações no material genético e nos mecanismos de controle do ciclo celular; • A infecção viral é um dos fatores envolvidos na oncogênese -> Em torno de 15% dos casos podem ser atribuídos a infecção viral; • Vírus oncogênicos mantém o ciclo replicativo das células infectadas ao invés de destruí-las -> Transformação celular; Viroses oncogênicas Viroses oncogênicas • Os virus induzem neoplasias introduzindo o seu material genético na célula hospedeira e causando efeitos disruptivos no ciclo celular; • Desativação do reparo de DNA; • Estimulo a replicação das células; • Bloqueio da apoptose; • Infecções crônicas; • Incorporação do DNA viral nas células infectadas; • Fatores genéticos e ambientais também participam do processo de oncogênese; HTLV – Vírus Linfotrópico para celular T de humanos • Retrovirus, RNA+, envelopado; • Quatro tipos (HTLV 1, 2, 3 e 4), sendo o HTLV 1 o de maior prevalência; • Proteína de superfície gp46 – Receptores GLUT-1 e NRP-1 04/03/2024 2 HTLV – Vírus Linfotrópico para celular T de humanos • A principal via de transmissão é a amamentação; Também pode ser transmitido por sexo e transfusão; • O HTLV-1 infecta as células TCD4 e TCD8 – não são detectadas partículas virais no soro -> Disseminação por contato celular; • Proteína viral TAX ativa a transcrição viral, na célula essa proteína estimula a replicação celular ao mesmo tempo bloqueia o reparo de DNA; HTLV – Vírus Linfotrópico para celular T de humanos • A infecção é assintomática na maior parte dos infectados – Pequena proporção de células T transformada; • Uma pequena porção dos infectados: • Paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV -> Desenvolvimento neurológico; • Leucemia/Linfoma de Células T do adulto; • Doenças inflamatórias: Uveíte, dermatite, artrite HTLV – Vírus Linfotrópico para celular T de humanos • Diagnóstico: • Sorologia -> Detecção de anticorpos; • Métodos moleculares -> PCR e co-cultivo celular; • Epidemiologia: • Estima-se de 15 a 20 milhões de pessoas infectadas; • Transmissão via sexual do homem para mulher; HPV – Papilomavirus humano • Virus DNA circular, não envelopado; • Estão agrupados em 5 gêneros: Alpha,Beta,Gamma, Mu e Nupapillomavirus; • Proteínas L1 e L2 formam o capsídeo; • Proteínas E1 a E8 -> atividade celular; Transmissão do HPV A transmissão do HPV se dá pelo contato direto da pele ou mucosa com o vírus. Na pele a transmissão ocorre a partir da abrasão do tecido que permite a passagem do vírus para as células basais; A transmissão dos subtipos oncogênicos ocorre através do sexo; 04/03/2024 3 Patogênese do HPV Manifestações do HPV A interação dos subtipos na mucosa ou na pele pode ocasionar manifestações clínicas diversas Manifestações do HPV A interação dos subtipos na mucosa ou na pele pode ocasionar manifestações clínicas diversas Manifestações clínicas do HPV • Verrugas cutâneas • Papiloma Oral • Condiloma: • Câncer de Cérvix; Aspectos epidemiológicos • A OMS estima que mas 600 milhões de pessoas estão infectadas por HPV mundialmente; • No Brasil o câncer de colo de útero representa uma das principais causas de óbito entre mulheres; Vacina HPV • A vacina do HPV é oferecida no SUS para meninas entre 9 e 14 anos e meninos entre 11 e 14 anos; • Os sorotipos presentes na vacina são o 6 e 11 relacionados a verrugas genitais e os sorotipos 16 e 18 relacionados ao câncer de colo de útero; • A OMS recomenda até 90% de cobertura vacinal em meninas até os 14 anos; 04/03/2024 4 Diagnóstico HPV • Exame Papanicolau (citologia cervicovaginal) – Indicado para mulheres entre 25 e 59 anos que já iniciaram a vida sexual; • Inspeção visual do colo uterino e coleta de material para exame laboratorial; • Citopatologia; • Histopatologia; • As técnicas moleculares podem auxiliar a determinar o tipo de HPV; Herpesvirus humano 8 • HHV8 é um virus de RNA de fita dupla linear, envelopado; • A infecção ocorre pelo contato sexual, transfusão, compartilhamento de agulhas, saliva e leite materno; • Forma lítica e latente; • A principal oncogênese relacionada ao HHV 8 é o sarcoma de kaposi. Sarcoma de Kaposi • Em indivíduos imunocompetentes a evolução da doença é lenta -> Geralmente não precisa de tratamento ou apenas tratamento local; • Nas pessoas com AIDS a doença é mais agressiva e se espalha da pele para os tecidos internos; 04/03/2024 5 Herpesvirus de humanos 4 (HHV- 4) • Também conhecido com Vírus Epstein Barr (EBV); • Virus DNA envelopado; • A infecção ocorre pelo contato direto com secreções orais e utensílios contaminados; • Apresenta forma lítica e forma latente; • O EBV está associado a mononucleose, câncer, linfomas e infecções oportunistas em pacientes imunossuprimidos; Herpesvirus de humanos 4 (HHV- 4) • O HHV-4 infecta linfócitos BB e se instala em plasmócitos: • Infecção aguda -> mononucleose infecciosa; • Infecção crônica -> Linfócitos de memória retém o material genético viral -> indivíduos assintomáticos continuam secretando partículas virais ao longo da vida; • A maioria dos indivíduos contrai o HHV-4 antes de completar 5 anos de vida; • Estima-se que cerca de 90 a 95% da população mundial está infectada pelo HHV-4; Herpesvirus de humanos 4 (HHV- 4) • Mononucleose infecciosa: • Incubação por cerca de 30 a 50 dias; • Fadiga que pode durar de 2 semanas a vários meses; • Febre alta, Faringite e Adenopatia; • A doença pode apresentar complicações neurológicas, hematológicas e hepáticas; • Aspectos laboratoriais: • Sorologia pode servir como diagnóstico diferencial para faringite estreptocócica; • Linfócitos atípicos, linfocitose, aumento no nível de imunoglobulinas, Herpesvirus de humanos 4 (HHV- 4) Hepatites • A hepatite viral é uma doença que causa inflamação de fígado e pode ser causada por 5 tipos de vírus diferentes; • Dentre esses os tipos B e C estão associados ao hepatocarcinoma; TIPO VIRUS TRANSMISSÃO A Hepatovirus Fecal-Oral B Orthohepadnavirus Transmissão parenteral, perinatal e sexual C Hepacivirus Transmissão parenteral, perinatal e sexual D Deltavirus Transmissão parenteral, perinatal e sexual E Hepevirus Fecal-Oral 04/03/2024 6 Mecanismo oncogênico nas hepatites • Tanto o HBV quanto o HCV são capaz de causar infecções crônicas em seus portadores; • Os vírus se multiplicam de forma não-citolítica e o controle da infecção se dá por ação dos linfócitos T citolíticos; • Ocorre uma inflamação crônica no tecido hepático que pode levar a cirrose, descompensação e carcinoma hepatocelular; Mecanismo oncogênico do HBV • O HBV induz o aumento da replicação dos hepatócitos como resposta a ação dos linfócitos T citotóxicos; • As células infectadas apresentam aumento de radicais livres e peróxidos; • Proteínas virais podem inibir a ação do supressor tumoral p53; • Fragmentos do DNA viral se integram ao DNA tumoral; Marcador Nome Relevância HBsAg Antígeno de superfície do vírus hepatite B Indicador da infecção aguda. Aparece nos primeiros dias da infecção. Caso continue sendo detectado após 6 meses, indica hepatite crônica. HBeAg Antígeno E do vírus hepatite B Aparece cerca de uma semana depois do HBsAg e indica uma infecção mais intensa, sua persistência após 20 semanas indica doença crônica; Anti-HBs Anticorpo contra o HBsAg O IgG anti-HBs reagente pode indicar imunidade vacinal na ausência de outros marcadores de infecção. Ele continua reagente mesmo após a cura da doença Anti-HBc Anticorpo contra o HBcAg (antígeno cerne) A presença do IgM anti-HBc após a fase aguda indica possível cronificação da infecção. A presença do IgG anti-HBc indica contato prévio com o vírus Sorologia do HBV FIM