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João Manuel – Medicina Nove de Julho 
TRANSMISSÍVEIS	-	VÍRUS	
	
HPV	
Nem	todos	os	HPV	causam	câncer,	só	os	de	alto	
risco	oncogênicos	(16	e	18)			de	baixo	risco	(6	
e	 11).	 Vírus	 que	 infectam	 invertebrados,	 não	
são	envelopados,	logo,	resistem	mais,	são	vírus	
de	DNA,	logo	muta	menos,	as	células	alvos	(tro-
pismo	pelos	queratinócitos)	são	as	células	epite-
liais	da	pele.		
	
Tem	dois	tipos	de	proteínas	produzida	pelo	seu	
genoma,	a	E	(Early	-	cedo)	e	L	(late	–	tardio)	
• Proteínas	 estruturais	 (L1	 e	 L2):	 for-
mam	o	capsídeo		
• Proteínas	 não	 estruturais	 (E1	 a	 E8):	
importante	na		replicação	do	vírus.	
	
Ciclo	 do	 HPV:	 Precisa	 de	 uma	 micro	 lesão,	
uma	micro	abrasão,	para	atingir	a	camada	basal,	
já	que	a	camada	superfície	é	de	tecido	queratini-
zado	 e	morto.	O	vírus	 infecta	a	 célula	da	 ca-
mada	basal	e	começa	a	expressar	as	primeiras	
proteínas	 (não	 estruturais);	 Promovem	 o	 au-
mento	do	número	de	 células	da	 camada	basal,	
promovendo	 seu	 espessamento	 (verruga,	 con-
diloma	ou	papiloma);	Células	basais	se	diferen-
ciam	 e	 promovem	 a	 transcrição	 de	 diferentes	
genes	virais;	Genes	tardios	(proteínas	estrutu-
rais)	 codificam	 proteínas	 estruturais	 e	 são	 ex-
pressos	 apenas	 na	 camada	 superior	 terminal-
mente;	A	célula	infectada	amadurece	e	se	direci-
ona	para	a	superfície,	o	vírus	é	liberado	com	as	
células	mortas	da	camada	superior.		
	
	
	
Tipos	de	HPV:	Existem	mais	de	200	tipos,	mas	
os	importantes	são	os	de	mucosa	sendo	eles:	6	e	
11	(baixo	risco)	e	16	e	18	(alto	risco).	
OBS.:	Tabaco	é	um	dos	fatores	para	o	desenvol-
vimento	de	câncer	no	colo	do	útero.		
	
Patologia	 do	 HPV:	 O	 tropismo	 tecidual	 e	 a	
apresentação	da	doença	dependem	do	tipo	de	pa-
pilomavírus	 humano;	 O	 vírus	 persiste	 na	 ca-
mada	basal	e	então	produz	vírus	nos	queratinó-
citos	 terminalmente	 diferenciados;	 Os	 vírus	
causam	a	multiplicação	 benigna	 das	 células,	
formando	verrugas;	As	verrugas	regridem	es-
pontaneamente,	 como	 resultado	 da	 resposta	
imune;	Alguns	tipos	estão	associados	a	displasias,	
que	 podem	 tornar-se	 cancerígenas	 com	 ação	
de	cofatores.		
	
Desenvolvimento	de	neoplasias:	O	HPV	é	um	
fator	etiológico	para	o	 câncer	 cervical.	 	Na	cé-
lula	 transformada,	não	 há	 produção	 de	 vírus,	
porém	elas	continuam	a	dividir-se	em	função	do	
estímulo	 viral	 (proteínas	 E).	 HPV	 de	 alto	 risco	
(16	e	18)	podem	iniciar	o	desenvolvimento	de	
carcinoma	 cervical	 e	 canceres	 de	 orofaringe,	
esôfago,	pênis	e	ânus.		
	
Divisões	à	mutações	à	podem	levar	a	metásta-
ses.		
	
Transformação	 celular:	As	 proteínas	 não	 es-
truturais	E5,	E6	e	E7	promovem	proliferação	ce-
lular,	aumento	do	tempo	de	vida,	replicação	de	
DNA	não	programada,	resistência	a	apoptose	e	
evasão	 da	 resposta	 imune,	 sendo	 esses	 riscos	
oncogênicos.	 Proteína	 E6	 inativa	 p53	 e	 a	 E7	
liga-se	a	pRb.			
	
	
O	HPV	é	classificado	em	mais	de	200	tipos,	mas	
seguindo	 a	 premissa	 de:	 Tipos	 genitais,	 Tipos	
não-genitais	e	Epidermodisplasia	verruciforme.		
	
Epidermodisplasia	verruciforme:	Doença	au-
tossômica	recessiva	(Rara)	-	incapazes	de	mon-
tar	uma	resposta	imune	adequada	contra	de-
terminados	HPVs;	Lesões	de	pele	surgem	preco-
cemente	na	 infância;	Transformações	malignas	
João Manuel – Medicina Nove de Julho 
se	iniciam,	em	geral,	na	quarta	e	quinta	décadas	
de	vida	e	predominam	nas	áreas	foto	expostas,	
sugerindo	papel	importante	da	radiação	ultravi-
oleta.		
• Lesões	cutâneas	verrucosas	disseminada	
	
	
	
	
Tipos	não	genitais:	Proliferação	benigna	e	au-
tolimitada;	Mais	comuns:	Tipos	virais	1	e	4;	Su-
perfícies	 queratinizadas	 (geralmente	 mãos	 e	
pés);	 A	aparência	 da	 verruga	 (abaulada,	 plana	
ou	plantar).		
	
	
Tipos	 genitais:	 é	 a	 IST	 mais	 prevalente	 no	
mundo.		
	
	
	
Papilomatose	de	laringe:	Causada	geralmente	
por	HPV	de	baixo	risco,	normalmente	afeta	cri-
anças	e	impede	a	passagem	de	ar.	Normalmente,	
devido	a	Infecção	na	hora	do	parto.	(HPV	6	e	11)	
	
Impacto	do	HPV:	Ed 	um	câncer	totalmente	pre-
venıv́el;	após	identificar	a	lesão	deve-se	tratar.		
	
	
Ciclo	HPV	–	colo	uterino:	infecta	as	células	da	
camada	 basal,	 expressa	 proteínas	 virais	 (E6	 e	
E7),	 estimulando	a	proliferação	das	células	 in-
fectadas,	ao	se	aproximar	da	superfície,	expres-
sam	as	proteínas	tardias,	montam	as	partículas	
viras,	o	capsídeo	e	na	hora	da	descamação	das	
células	superficiais	elas	saem	–	liberação	para	a	
superfície.		
	
Transmissão:	Contato	direto:	fissuras	na	pele	
ou	 mucosa	 em	 relações	 sexual	 ou	 na	 hora	 do	
parto.	 Contato	 indireto:	 fômites,	 ambientes	
contaminados,	toalhas.		
	
A	maioria	das	infecções	são	latentes,		período	de	
Incubação	de	6	semanas	a	2	anos.	Atinge	a	mu-
cosa	da	boca,	a	via	respiratório	superior,	conjun-
tiva,	vagina,	colo	uterino	e	reto.		
	
Tratamento:	Estimuladores	de	respostas	inatas	
e	inflamatórias;	interferon;	uso	tópico	ou	intra-
lesional	de	cidofovir,	que	pode	tratar	verrugas	
(induz	apoptose	por	meio	da	inibição	da	DNA	po-
limerase	da	célula	hospedeira).		
	
Prevenção:	Vacina	à	 tetravalente	e	divalente	
pelo	sus	ou	nonavalente	pelo	particular.		
	
Sistema	 imune:	 Evasão	 do	 sistema	 imune:	
HPV	pode	suprimir	ou	ocultar	respostas	imunes	
protetoras;	níveis	baixos	de	expressão	do	antí-
geno;	 queratinócito	 é	 local	 imunologicamente	
privilegiado.		
Resposta	 imune:	O	anticorpo	para	a	proteína	
L1,	neutraliza	o	vírus	(produzida	também	pela	
vacina).		
	
	
	
	
 
 
João Manuel – Medicina Nove de Julho 
HIV	
Ed 	um	retrovírus	(enzima	transcriptase	reversa),	
tem	um	curso	lento	de	Infecção.	Tem	dois	tipos	
de	 antigênicos	 (HIV-1	 e	 HIV-2).	Matéria	 gené-
tico;	2	fitas	de	RNA	fita	simples	positivo	(sen-
tido	5	́	à	3	́).	Ed 	um	vírus	envelopado	(lipopro-
teico	–	resiste	pouco	ao	ambiente)	e	possui	pro-
teínas	estruturais	 (capsídeo	e	 envelope)	 e	não	
estruturais.	
• Proteínas	estruturais:	
o Capsídeo:	p17	e	p24.	
o Envelope:	gp120	e	gp41.	
	
• Proteínas	não	estruturais:	
o Protease.	
o Transcriptase	reversa.	
o Integrasse:	 integração	 do	 genoma	
viral	ao	genoma	da	célula	alvo.		
	
Tropismo	celular:	ocorre	através	de	dois	reco-
nhecimentos:		
• Primeiro:	 CD4	 (glicoproteína):	 linfóci-
tos	TCD4+,	monócitos,	macrófagos,	CD.	
	
• Segundo:	 receptores	 de	 quimiocinas:	
CCR5	(M-trópico)	ou	CXCR4	(T-trópico).	
o CCR5:	macrófagos,	CD,	LTCD4+.	
o CXCR4:	LTCD4+.	
	
Quais	células	podem	ser	infectadas	pelo	HIV?	to-
das	as	células	que	tenham	esses	dois	receptores:	
CD4	e	CCR5	e/ou	CXCR4,	como	os	LTCD4,	macró-
fagos	e	células	dendríticas.		
	
Replicação:		
1. Adsorção:	120	e	gp41;	ligam	com	os	re-
ceptores	(CD4	e	CCR5/	CXCR4);	
2. Penetração:	fusão	de	membranas;	gp41	
3. Desnudamento:	perda	do	capsídeo	viral	
e	exposição	do	material	genético.	
4. Transcriptase	reversa:	faz	DNA	a	partir	
de	RNA	(tem	o	RNA,	ela	faz	uma	fita	com-
plementar,	degrada	o	RNA	e	faz	outra	fita	
complementar	à	DNA	dupla	fita).		
5. Transporte	+	integração:	transporte	do	
DNA	viral	para	o	núcleo	e	integração	dele	
no	cromossomo	celular	(provírus).		
6. Transcrição.	
7. Tradução:	síntese	das	proteínas	virais		
8. Montagem:	montagem	de	partículas	vi-
rais	
9. Liberação:	 liberação	 viral	 por	 brota-
mento.		
OBS.:	A	maturação	ocorre	fora	das	células		
	
	
	
Transmissão:	Ocorre	de	maneira	sexual;	san-
guínea	(transfusão	e	compartilhamento	de	dro-
gas	 injetáveis);	vertical	 (mãe-filho);	ocupacio-
nais	(materiais	perfurocortantes).		
	
Fatores	que	aumentam	risco	de	transmissão	do	
HIV	numa	relação	 sexual	à	alta	viremia	 (du-
rante	a	fase	da	infecção	primária	e	na	imunodefi-
ciência	avançada);	presença	de	outra	IST	(úlce-
ras	 resultantes	de	sífilis	e	herpes,	por	exemplo,	
aumentam	 muito	 o	 risco	 de	 transmissão	 do	
HIV).		
	
HIV	nos	fluídos	corporais:	sangue	(18.000)	>	
sêmen	>	fluído	vaginal	>	líquido	amniótico	>	sa-
liva	(1).	
	
OBS.:	 A	 carga	 viral	 é	 considerada	 indetectá-
vel	quando	o	número	de	partículas	de	HIV	em	
um	mililitro	de	sangue	está	abaixo	de	50.	
	
	
Patogênese:O	primeiro	contato	é	com	a	região	
de	mucosa	(entra	no	tecido	conjuntivo	por	úlce-
ras,	 fissuras),	 onde	 o	 vírus	 infecta	 macrófago,	
células	dendrıt́icas	e	LTCD4,	se	proliferando	na	
região.	Células	infectadas	que	vão	para	corrente	
sanguínea,	 carregando	 o	 vírus,	 causando	 uma	
viremia.	pode	ir	também	pelas	vias	 linfáticas	e	
atingir	os	linfonodos.	No	inıćio	tem	predomínio	
de	 M-trópico,	 após	 atingir	 os	 linfonodos/cor-
rente	 sanguínea,	 o	 predomínio	 é	 de	 T-trópico.	
Quando	o	número	de	TCD4	está	 em	um	 limite	
crítico	ocorre	o	aparecimento	de	doenças	opor-
tunistas.	Normalmente,	o	 indivíduo	vai	a	óbito	
devido	as	infecções	oportunistas.		
	
João Manuel – Medicina Nove de Julho 
	
	
A	doença	causada	pelo	HIV	começa	com	uma	in-
fecção	 aguda,	 que	 é	 apenas	 parcialmente	 con-
trolada	 pela	 resposta	 imune	 do	 hospedeiro,	 e	
evolui	para	uma	infecção	crônica	progressiva	de	
tecidos	linfoides	periféricos.	
	
Resposta	imune:	
• Inata:	produção	de	interferon	(controla	
a	replicação	viral	na	infecção	aguda).	
• Adaptativa	 celular:	 controle	 da	 repli-
cação	viral	na	infecção	aguda.	
• Adaptativa	humoral:	redução	da	disse-
minação	 do	 HIV	 na	 fase	 crônica	 da	 in-
fecção;	 anticorpos	 (IgG):	 gp120,	 gp40	 e	
p24	(proteína	do	capsídeo).		
	
Diagnóstico:	 sorológico	 com	 anticorpos	 anti	
HIV;	até	pode	diagnosticar	por	PCR,	mas	é	ape-
nas	no	começo.	IgG	presente	significa	que	está	
infectado	(não	existe	cura,	nem	vacina).	Conta-
gem	de	células	LTCD4+	(citometria	de	fluxo).	
	
	
	
AIDS:	doença	caracterizada	por	disfunção	grave	
do	sistema	imunológico	do	individuo	infectado	
pelo	vírus	HIV;	sua	evolução	é	marcada	por	uma	
considerável	destruição	de	linfócitos	TCD4.		
-	Número	de	LTCD4	<	200cél/mm3		
-	Aumento	da	carga	viral	/	viremia	
-	Destruição	do	tecido	linfoide	
-	População	viral	homogênea	
-	Desenvolvimento	de	infecções	oportunista,	
tumores	e	alterações	neurológicas.		
Tratamento:	é	feito	com	terapia	antirretroviral	
de	alta	eficiência	(HAART/TARV).	Eles	são	inibi-
dores	da	transcriptase	reversa;	de	fusão,	de	pro-
tease;	e	de	integrase.	São	antagonista	a	CCR5.		
	
Prevenção:	utilização	de	preservativos;	redução	
de	 danos;	 testagem	 regular	 de	 HIV;	 exame	 de	
HIV	 e	 outras	 ISTs	 no	 pré	 natal;	 diagnosticar	 e	
tratar	outras	IST.		
	
PEP	 (profilaxia	pós-exposição):	 Após	 a	 expo-
sição,	a	pessoa	tem	de	4	a	72	horas	para	iniciar	
o	tratamento	com	antirretrovirais	por	um	perí-
odo	de	28	dias.	Esse	 tratamento	 impede	que	a	
pessoa	se	infecte	com	o	HIV.		
PREP:	 (profilaxia	 pré-exposição):	 método	 de	
prevenção	à	 infecção	pelo	HIV	que	consiste	na	
utilização	 de	 antirretrovirais	 por	 pessoas	 que	
não	 estão	 infectadas	pelo	HIV,	mas	que	 se	 en-
contram	altamente	vulneráveis	ao	vírus.	
	
	
	
	
	
Paciente	de	Berlim	é	um	termo	usado	para	se	
referir	a	Timothy	Ray	Brown,	uma	das	duas	úni-
cas	 pessoas	 conhecidas	 a	 serem	 consideradas	
curadas	 do	vírus	 da	 imunodeficiência	 hu-
mana	(HIV).	 Em	 1995,	 Brown,	 que	 trabalhava	
em	 Berlim,	 foi	 diagnosticado	 com	 HIV	 e,	 em	
2005,	 foi	 diagnosticado	 com	leucemia	 mieloide	
aguda.	Em	2007,	o	prof.	Gero	Hütter,	da	Univer-
sidade	 Livre	 de	 Berlim,	 decidiu	 transplantar	
uma	medula	óssea	em	um	paciente,	mas	deci-
diu	encontrar	um	doador	que	mostrasse	uma	al-
teração	no	CCR5R32	no	DNA	que	garantiria	a	
resistência	à	infecção	pelo	HIV.	O	efeito	do	trans-
plante	de	 tal	doador	 foi	 a	remoção	do	vírus	do	
corpo	 do	 paciente,	 confirmada	 pelo	menos	 até	
2016	por	exames	periódicos	subsequentes.	Ti-
mothy	 Ray	 Brown	 morreu	 em	 setembro	 de	
2020,	o		óbito	aconteceu	em	decorrência	de	uma	
leucemia,	doença	contra	a	qual	lutou	pelos	últi-
mos	cinco	meses.	
	
Dois	pacientes	foram	tratados	em	2013,	
mas	o	HIV	foi	encontrado	novamente	em	menos	
de	um	ano.	Em	2019,	a		University	College	Lon-
don	anunciou	outro	transplante	de	medula	óssea	
bem-sucedido	 de	 um	 doador	 portador	 de	 uma	
mutação	no	gene	CCR5,	resultando	na	remoção	
do	vírus	do	corpo	três	anos	antes.

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