Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAU – UVA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA – CCET GRADUAÇÃO BACHARELADO EM ENGENHARIA CIVIL MARIANA MEDEIROS XIMENES ESTUDO TEORICO-EXPERIMENTAL DE VIGAS DE CONCRETO ARMADO REFORÇADAS COM CHAPAS DE AÇO COLADAS POR MEIO DE ADESIVO EPOXI E PARAFUSADAS. SOBRAL - CE 2016 MARIANA MEDEIROS XIMENES ESTUDO TEORICO-EXPERIMENTAL DE VIGAS DE CONCRETO ARMADO REFORÇADAS COM CHAPAS DE AÇO COLADAS POR MEIO DE ADESIVO EPOXI E PARAFUSADAS Monografia apresentada como requisito parcial à Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA para obtenção do título de Engenheiro Civil, sob orientação do Prof. Dr. Ricardo José Carvalho Silva. SOBRAL - CE 2016 Monografia apresentada como requisito necessário para obtenção do título de Engenheiro Civil. Qualquer citação atenderá às normas da ética científica. ________________________________________________________ Mariana Medeiros Ximenes Monografia aprovada em ____/____/____ _____________________________________________________________ Orientador: Prof. Dr. Ricardo José Carvalho Silva _____________________________________________________________ 1º Examinador: Prof (a). Me. Aldecira Gadelha Diogenes _____________________________________________________________ 2º Examinador: Prof (a). Me. Mauro Cézar Nogueira _____________________________________________________________ Coordenador do Curso Prof. Me. Caio Sander Andrade Portella Dedico em primeiro lugar a Deus. Aos meus pais e minha irmã por todo amor e incentivo. A minha amada amiga Myrlla Passos Lopes (IN MEMORIAN). AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar a Deus pela vida, saúde, por toda sabedoria, por sempre me mostrar que está presente em minha vida me proporcionando momentos bons ao lado de pessoas maravilhosas e por me mostrar que todo esforço vale a pena. A minha mãe e ao meu pai que são a minha base, que apesar de todas as dificuldades não desistiram de ver esse sonho virar realidade, por todo incentivo, apoio, amor e dedicação que tiveram e tem por mim. A minha irmã que sempre foi um exemplo para mim, pelo apoio e incentivo. À minha Vó Tereza e meu Vô Amadeu por toda atenção e por terem me ajudado muito quando eu precisei, durante a minha jornada estudantil. Ao meu namorado por todo amor, paciência e compreensão, por estar ao meu lado sempre me dando apoio nos momentos que mais precisei. Ao Prof. Ricardo José Carvalho Silva pela excelente orientação, pela dedicação e paciência que teve comigo, por ter me ajudado a desenvolver um projeto de pesquisa e me tornar uma bolsista do CNPq. A Carla Simone, pois foi quem me ajudou a entrar no Grupo de Estudos de Estruturas e Materiais (GEM) e graças a isso desenvolvi uma pesquisa muito interessante que contribuiu muito para minha formação e também a realização dessa pesquisa. Além de todo incentivo e apoio. À Jennifer que sempre me ajudou no decorrer da graduação. Ao Syllas, que foi quem furou quase todas as minhas vigas, além disso, me ajudou muito nos ensaios, sempre muito otimista. Ao Carlos que também me ajudou com a furadeira, na hora dos ensaios e em todos os momentos que surgiam algumas dúvidas em relação aos diversos trabalhos. Ao Miguel que além de ajudar a furar as vigas me ajudou na modelagem computacional das vigas. A todos demais que fazem parte do Grupo de Estudos de Estruturas e Materiais. À coordenadora do laboratório de Materiais e Estruturas, Aldecira Gadelha com quem tive a honra desenvolver dois semestres de monitoria e pela indicação para ingresso no GEM. Aos demais professores da Engenharia Civil, que muito contribuíram, não somente na realização deste trabalho, mas desde o início do curso. À Construtora CALTECH pelo fornecimento do aço usado na armadura das vigas e pela confecção das mesmas. À construtora CAMERON que me forneceram as fôrmas e o concreto para confecção das minhas vigas. À Juiany pelo companheirismo e por sempre estar pronta a ajudar, apesar disso foi quem me ajudou a levar as vigas para o laboratório de materiais da UVA. Aos demais colegas de turma que tive o prazer de conhecer e que fizeram parte da minha formação acadêmica. À Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, por todo o suporte. A todos que de uma maneira ou de outra, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho e para minha formação acadêmica. “Sonhos determinam o que você quer. Ação determina o que você conquista.” (Aldo Novak) http://pensador.uol.com.br/autor/aldo_novak/ RESUMO O reforço em estruturas de concreto armado está sendo utilizado com mais frequência na construção civil, pois é muito comum ocorrer manifestações patológicas, associada a diversos fatores. Em estruturas de concreto armado, o reforço é um procedimento frequente, visto que ele tem a finalidade de aumentar a capacidade da peça. Portanto o presente trabalho tem como objetivo analisar a eficiência de um tipo reforço estrutural em vigas de concreto armado através de chapas de aço, de diferentes dimensões, coladas com adesivo estrutural e como forma de auxiliar na ancoragem foram introduzidos parafusos. Para isso foram ensaiadas experimentalmente, cinco vigas, que receberam denominações de X1, X2, X3, X4 e X5. A viga X1 não recebeu reforço, servindo somente como referência para as demais e as outras quatro receberam reforço. Das quatro vigas com reforço, duas são reforçadas com chapas coladas com adesivo epóxi com parafusos para ajudar na ancoragem das chapas nas vigas, que são a X3 e X5, e duas reforçadas com chapas somente coladas com adesivo epóxi, que são a X2 e X4. Além disso, as chapas possuem os comprimentos diferentes, mantendo iguais a largura e a espessura. Com os resultados obtidos nos ensaios, foram feitas comparações das vigas reforçadas com a viga de referência. A partir das comparações concluiu-se que o reforço se mostrou eficiente tanto a resistência como a aderência, visto que todas as vigas reforçadas romperam com carga maior do que a viga de referência. Palavras-chaves: Reforço. Vigas. Chapas de aço. Parafusos. ABTRACT Strengthening of reinforced concrete structures is being used more frequently in construction, as is so often the case pathological manifestations associated with several factors. Reinforced concrete structures, reinforcement is a frequent procedure, since it is intended to increase the capacity of the piece. Therefore this study aims to analyze the efficiency of a structural reinforcement type in reinforced concrete beams using steel sheets of different dimensions, glued with structural adhesive and as an aid in anchoring screws were introduced. To this were experimentally tested five beams, receiving designations X1, X2, X3, X4 and X5. The X1 beam did not receive reinforcement, serving only as a reference for the other and the other four received reinforcement. The four beams with reinforcement, two are reinforced with plates glued with epoxy adhesive with screws to help anchor the plates on the beams, which are the X3 and X5, and two reinforced plates only glued with epoxy adhesive, which are the X2 and X4 . Moreover, the plates have different lengths while maintaining the same width and thickness. With the results obtained in the tests, comparisons of the beams reinforced with the reference beam were made. From the comparisons it was concludedna resistência mecânica da viga, e a aderência do reforço ao concreto. 46 Para esse estudo Muniz ensaiou cinco vigas de concreto armado com seção transversal em forma retangular. Das cinco peças, uma não receberia o reforço, servindo apenas como referência para as demais. O experimento foi realizado através do método de “ensaio de Stuttgart”, onde foram ensaiadas cinco vigas de concreto armado. As vigas estudadas por Muniz receberam denominações de M1, M2, M3, M4 e M5 todas com as mesmas dimensões 80 cm x 15 cm x 10 cm, como mostra a Figura 2.29, elas se diferenciam no ensaio, por ter uma viga referência a qual não vai ser reforçada, e as demais pelas variações do reforço que são o tamanho e a espessura das chapas metálicas. Figura 2.29 – Esquema das dimensões das vigas. Fonte - Muniz (2015). Para a armadura das vigas Muniz utilizou barras de aço CA50 de 6,3 mm diâmetro tanto para a armadura longitudinal, à flexão, quanto para armadura transversal, ao esforço cortante, em todas as vigas, como mostra a Figura 2.30. Figura 2.30 – Detalhamento das vigas. Fonte - Muniz (2015). Na primeira etapa de ensaios as quatro vigas que seriam reforçadas M2, M3, M4 e M5, foram pré-fissuradas com uma carga de 50 kN que foi aplicada de forma gradativa e uniformemente para em seguida reabilita-la, este procedimento foi realizado nas quatro peças distintamente e na seguinte ordem: M2, M3, M4 e M5. As 47 fissuras encontradas foram marcadas com pincel na cor azul, de modo a identificar a fissura e marcar a carga em kN que causou esta fissura. O reforço das vigas M2, M3, M4 e M5 foi feito através da adição de chapas de aço de diferentes tamanhos e espessuras, a chapa utilizada na viga M2 tinha dimensões de 4 cm x 50 cm e espessura de 2 mm, a chapa utilizada na viga M3 tinha dimensões iguais a da viga M2 porém a sua espessura é de 3 mm, a chapa utilizada na viga M4 tinha dimensões de 8 cm x 50 cm e espessura de 2 mm, a chapa utilizada na viga M5 tinha dimensões iguais a da viga M4 porém com espessura de 3 mm, todas fixadas com adesivo estrutural de base epóxi, Sikadur 31. O procedimento de reabilitação das peças ocorreu logo após o pré- fissuramento das mesmas, que em seguida receberam uma limpeza na sua face inferior a qual iria receber o reforço e a demarcação da posição das chapas, a Figura 2.31 mostra as vigas de Muniz já reforçadas em fase de cura. Figura 2.31 – Vigas já reforçadas em fase de cura. Fonte - Muniz (2015). Seis dias após a reabilitação das vigas de Muniz, que foram pré-fissuradas, tempo necessário para a cura final do adesivo estrutural, ocorreu o ensaio até a ruptura, com todas as vigas, inclusive a de referência. O procedimento de ensaio foi o mesmo, no início repetiu-se a aplicação de uma carga inicial de 5 kN, posteriormente a carga foi aplicada de maneira gradativa e uniforme de 10 em 10 kN verificava-se o surgimento de fissuras, como também, a evolução das fissuras já existentes, sempre as demarcando a principio com um pincel de cor azul e para a continuação das fissuras nas peças reabilitadas um pincel de cor preta, Foram analisados também os mecanismos de ruptura das vigas. 48 Muniz também realizou ensaios de resistência por compressão axial em três corpos de prova moldados no mesmo dia da concretagem das vigas, a fim de saber a resistência do concreto utilizado nas vigas, e também realizou ensaio de resistência à tração pelo “brazilian test” em três corpos de prova moldados no dia da concretagem das vigas. A primeira viga a ser ensaiada até a ruptura foi a viga de referência, sem reforço, que apresentou carga máxima de 60 kN e o modo de ruptura foi por flexão, como mostra a Figura 2.32. Figura 2.32 – Viga M1 após a ruptura. Fonte - Muniz (2015). A viga M2 que foi inicialmente pré-fissurada, quanto à resistência aos carregamentos e a quantidade de fissuras, ela não se diferenciou muito da viga M1 e rompeu-se ao atingir a carga de 52 kN por desprendimento da chapa de aço do substrato de concreto, o que, segundo Muniz (2014), sugere que o adesivo estrutural não proporcionou aderência eficiente ao reforço. A Figura 2.33 mostra a viga M2 após a ruptura. Figura 2.33 – Viga M2 após a ruptura. Fonte - Muniz (2015). A viga M3 que também foi inicialmente pré-fissurada, quando submetida ao ensaio até a ruptura suportou carga máxima de 53 kN e se rompeu por desprendimento da chapa de aço do substrato de concreto, o que, segundo Muniz (2014), sugere que o adesivo estrutural não proporcionou aderência suficiente ao 49 reforço, Muniz também afirma que este tipo de reforço necessita ainda de uma ancoragem auxiliar, como por exemplo, a utilização de parafusos prendendo a chapa na viga. A Figura 2.34 apresenta a viga M3 após a deformação. Figura 2.34 – Viga M3 após a ruptura. Fonte - Muniz (2015). A viga M4 também foi inicialmente pré-fissurada e quando submetida ao ensaio até a ruptura suportou carga máxima de 60 kN, conforme mostra a Figura 2.35, e se rompeu também por desprendimento da chapa de aço do substrato de concreto, o que, segundo Muniz (2014), o que concretiza que somente o adesivo estrutural não proporciona aderência eficiente ao reforço. Figura 2.35 – Viga M4 após a ruptura. Fonte - Muniz (2015). Por fim a viga M5 foi ensaiada até a ruptura e não diferente das demais vigas reforçadas já ensaiadas rompeu-se ao atingir uma carga de 63 kN por desprendimento da chapa de aço do substrato de concreto, o que, segundo Muniz (2014), demostra que o adesivo estrutural não proporcionou aderência eficiente ao reforço, além de que nenhuma das vigas atingiu a mesma carga de ruptura da viga referência. A Figura 2.36 mostra a viga M5 após a deformação. 50 Figura 2.36 – Viga M5 após a ruptura. Fonte - Muniz (2015). Através dos resultados do estudo experimental, Muniz pôde concluir que as vantagens de se utilizar o reforço por adição de chapa de aço e adesivo epóxi em relação a outros métodos são, que não há necessidade de se cortar a viga preservando suas armaduras longitudinal e transversal, a mudança geométrica da viga, ou seja, o aumento de seção é praticamente irrelevante, a aplicação do reforço é rápida e não necessita de mão de obra especializada como outros métodos e também têm a vantagem de não apresentar vibrações ou ruídos durante sua aplicação. E que esse método de reforço se mostrou pouco eficiente, tendo em vista que todas as vigas que foram reabilitadas romperam por desprendimento da chapa de aço do substrato, além disso, o colapso de todas se deu com uma carga inferior a carga da viga referência. Por conta disso Muniz sugere que ao utilizar este tipo de reforço, deve-se também utilizar meios auxiliares de ancoragem da chapa de aço no elemento estrutural, de modo que o reforço não se desloque ou desprenda, podendo o mesmo proporcionar a eficiência pretendida. 51 3.0 PROGRAMA EXPERIMENTAL Esse capítulo apresenta como foi realizado o estudo experimental das vigas reforçadas, bem como a geometria e o detalhamento delas, os materiais utilizados para suas confecções e os tipos de ensaios realizados. Para realização da pesquisa foram ensaiadas cinco vigas sendo uma sem reforço, que serviu como referência, e as outras quatro seriam reforçadas. Das quatro vigas reforçadas, duas foram reforçadas somente com chapa de aço colada com adesivo epóxi e as outras duas foram reforçadas com chapa de aço colada com adesivo epóxi e quatro parafusos para auxiliarem na aderência entre a chapa e a viga. Além disso, as chapas possuem os comprimentos diferentes, mantendo iguais a largura e a espessura. 3.1 Materiais 3.1.1 Concreto Para a confecção das cinco vigas foi utilizado um concreto com o respectivo traço em massa de 1: 2: 2 (cimento; areia; brita). Essa dosagem tinhao objetivo de chegar a uma resistência característica à compressão do concreto aos 28 dias (fck) de 30 MPa (megapascal). Os materiais utilizados foram: cimento CP-II-Z-32 da marca Poty, areia de rio lavada e uma brita com dimensão máxima de 19 mm oriunda de rocha calcária e água potável, mostrados na Figura 3.1. A Tabela 1 mostra as características dos materiais utilizados, diâmetro máximo do agregado graúdo, massa unitária, massa específica e módulo de finura do agregado miúdo. Tabela 1 – Características dos materiais utilizados na confecção do concreto. MATERIAIS CIMENTO BRITA 1 AREIA Dmáx (mm) - 19 - Massa Unitário (kg/dm³) 1,42 1,4 1,5 Massa Específica (kg/dm³) 3,15 2,72 2,58 MF - - 2,8 52 Figura 3.1 – Materiais utilizados na confecção do concreto. Fonte - Autor (2016). 3.1.2 Barras de aço Os vergalhões usados foram de CA-50 para todas as armaduras. Tanto para as armaduras longitudinais como para as transversais utilizaram-se vergalhões de 6,3 mm de diâmetro, para a secundária também foram usados vergalhões com diâmetro de 6,3 mm. Na Tabela 2 têm-se as propriedades características dos vergalhões de aço utilizado como armadura das vigas. Tabela 2 – Características do aço utilizado nas vigas. Diâmetro Nominal (DN)(mm) CA Massa Nominal Resistência característica de escoamento (fy) (Mpa) Limite de resistência (Mpa) Alongamento mínimo 10Ø 6,3 50 0,245 500 550 8% 3.1.3 Chapas de aço As chapas de aço utilizadas no reforço das vigas vêm de dois lotes distintos e suas características estão representadas na Tabela 3, dos dados da tabela retira-se a sua tensão média de escoamento que é fy = 371 MPa e sua tensão média de ruptura que é frupt = 523,5 MPa e a Figura 3.2 mostra as chapas de aço e os parafusos utilizados no reforço. Tabela 3 – Características das chapas utilizadas no reforço. Lote fy (MPa) frupt (MPa) fy/frupt D850650101 327 470 0,70 D850650501 415 577 0,72 53 Figura 3.2 – Chapas de aço e os parafusos utilizados no reforço. Fonte – Autor (2016). 3.1.4 Adesivo epóxi O adesivo estrutural utilizado foi o Sikadur 31, como mostra a Figura 3.3, pois o mesmo oferece uma consistência ideal para reforço em elementos tanto verticais como horizontais e é especialmente formulado para ancoragens em geral e colagens de concreto velho em concreto novo e chapas metálicas ao concreto. Esse adesivo epóxi vem em uma embalagem com dois materiais separados: A que é uma resina epóxi e B que é um endurecedor. Para sua utilização, o fabricante aconselha que faça uma homogeneização dos componentes A e B separadamente e em seguida misture os dois por cinco minutos até o produto atingir uma coloração homogênea e sem a presença de grumos e assim pode ser aplicado no reforço. Algumas de suas propriedades são: mistura (a+b): cinza escuro; densidade (a+b): 1,68 kg/l; relação, em volume, a:b = 1:1; vida útil da mistura (pot-life): 50 minutos a 23°c; tempo aberto: 30 minutos a 35°c (adesividade após a aplicação); Consumo (a+b): 1,7 kg/m² por mm de espessura; Cura inicial: 24 horas; 54 Cura final: 7 dias. As resistências Mecânicas (14 dias a 23°C) aproximadas: compressão: 74 MPa; flexotração: 50 MPa; aderência: 3,5 MPa (falha no concreto); aderência: 15 MPa (Aço); módulo de elasticidade: 4,3 GPa. Figura 3.3 – Adesivo epóxi utilizado no reforço. Fonte – Autor (2016). 3.2 Detalhamento das vigas ensaiadas 3.2.1 Geometria das vigas ensaiadas Para o desenvolvimento deste trabalho foram ensaiadas pelo método de “Ensaio de Stuttgart” cinco vigas de seções transversais retangulares medindo 10 x 15 cm e com um comprimento de 80cm, como mostra a Figura 3.4. Deste modo, foi possível estudar o reforço na região submetida à flexo-compressão sem a presença do esforço cortante, no segmento central do vão, e nas regiões submetidas ao esforço cortante constante, nos segmentos externos da viga. 55 Figura 3.4 – Geometria das vigas. Fonte – Autor (2016). 3.2.2.1 Armaduras No detalhamento das vigas foram utilizados na armadura longitudinal principal (tração) duas barras de aço de diâmetro de 6,3mm, assim como na armadura secundária (compressão) e na armadura transversal, cujo espaçamento é de 6 cm entre os estribos e 2 cm das extremidades. A Figura 3.5, mostra o detalhamento das vigas, que são todas iguais e a Figura 3.6 mostra as armaduras longitudinais e transversais montadas antes da concretagem das vigas. Figura 3.5 – Detalhamento das vigas. Fonte – Autor (2016). 56 Figura 3.6 – Armadura das vigas. Fonte – Autor (2016). 3.2.2.2 Concretagem das vigas A confecção das vigas ensaiadas foi com concreto convencional dosado in situ, seguindo um procedimento rigoroso de acordo com a norma visando atingir a resistência mecânica desejada. Todas as peças tinham a mesma dosagem e foram produzidas com material de mesmo lote em um único dia, visto que a finalidade era analisá-las de forma comparativa. A fim de assegurar o cobrimento ideal, foram utilizados espaçadores de 1 cm presos as armaduras longitudinais antes da concretagem. No interior das fôrmas foi aplicado um óleo desmoldante para facilitar o processo de desforma e em seguida as armaduras foram inseridas cuidadosamente. As fôrmas foram posicionadas próximas ao local de produção do concreto de modo a facilitar o transporte e a introdução deste nas fôrmas se deu através do uso de pá e colher de pedreiro. Em seguida prosseguiu-se com o adensamento manual do concreto que foi realizado com auxílio de uma haste metálica de acordo com as especificações da NBR 5738 (ABNT, 2007), a fim de evitar segregação do material e ninhos de concretagem. Após a concretagem, as vigas foram submetidas a cura úmida em intervalos regulares a fim de evitar a retração plástica e garantir o processo de hidratação do cimento. A Figura 3.7 ilustra toda a etapa de concretagem desde a montagem das peças, produção do concreto e introdução do concreto nas fôrmas. 57 Figura 3.7 – Processo de concretagem das vigas. Fonte – Autor (2016). 3.3 Montagem dos ensaios Os ensaios foram realizados no Laboratório de Materiais e Estruturas do Departamento de Engenharia da Universidade Estadual Vale do Acaraú. As vigas foram ensaiadas em uma prensa universal com a utilização de adaptadores, que são formas metálicas, padrão, existentes com dois apoios flexíveis distantes entre si 62 cm, e um dispositivo para a distribuição da carga em dois pontos simétricos. A Figura 3.8 mostra a prensa utilizada nos ensaios, a Figura 3.9 mostra detalhes da prensa e a Figura 3.10 mostra detalhes dos adaptadores. O experimento foi feito através do ensaio de cinco vigas de concreto armado pelo método de “Ensaio de Sttutgart”. 58 Figura 3.8 – Prensa utilizada nos ensaios das vigas. Fonte – Autor (2016). Figura 3.9 – Detalhes da prensa utilizada nos ensaios. Fonte – Pontes (2013). 59 Figura 3.10 – Detalhes dos adaptadores utilizados na prensa. Fonte – Pontes (2013). 3.3.1 Ensaio de Stuttgart Para compreender como funciona a distribuição de tensões em uma viga de concreto armado, na maioria dos ensaios experimentais, é utilizado o ensaio de Stuttgart. Para explicar essa configuração de carregamento deve-se recorrer aos estudos sobre o concreto armado feitos pelos pesquisadores Leonhardt e Walther, na Alemanha, no início do século passado. Foram esses pesquisadores que desenvolveram o ensaio de Stuttgart, através de ensaios experimentais com vigas de concreto armado biapoiadas. O método do ensaio tem o objetivo de criar na viga ensaiada, um trecho com flexão pura, sem cisalhamento, como é o caso do trecho BC, através de duas cargas concentradas simétricas em uma viga biapoiada, assim como estabelece trechos solicitados àflexão simples, como é o caso dos trechos AB e CD, mostrados na Figura 3.11. 60 Figura 3.11 – Configuração do ensaio de Stuttgart. Fonte – Autor (2016). Na prensa utilizada nos ensaios realizados para esta pesquisa foram utilizados adaptadores que serviriam como apoios e como pontos de aplicação das cargas, para realização do ensaio de Stuttgart e a Figura 3.12 ilustra o esquema de aplicação das cargas e dos apoios realizadas nas vigas. Figura 3.12 – Esquema de aplicação de cargas. Fonte – Autor (2016). 61 3.3.2 Ensaio à compressão axial O ensaio de resistência à compressão axial foi realizado a fim de verificar a resistência das vigas ensaiadas, para isso foram moldados seis corpos de prova (CP) cilíndricos de 10x20cm no momento da concretagem das vigas, de acordo com a NBR 5738 (ABNT, 2003). O adensamento foi executado manualmente com o auxílio de uma haste metálica. Para isto foram inseridas nos moldes duas camadas de concreto com aproximadamente a mesma espessura, cada camada recebeu quinze golpes, sempre aplicados pela mesma pessoa visando à uniformidade do adensamento. Após 24 horas os corpos de prova foram desmoldados e submetidos à cura úmida, onde foram mergulhados em um tanque com água. No período de cura, um dos seis CP desapareceu, restando, portanto somente cinco que seriam submetidos somente ao ensaio de resistência à compressão axial. Os ensaios foram realizados seguindo os preceitos da NBR 5739 (ABNT, 2007), que consiste em centralizar o CP nas faces dos pratos de carga, de maneira que a carga aplicada fosse o mais uniforme possível. Após a ruptura do corpo de prova, utilizou-se a carga que foi dividida pela área de seção axial da amostra ensaiada, para obter a tensão de ruptura em MPa, formula indicada pela NBR 5739. A Figura 3.13 ilustra a realização do ensaio. Figura 3.13 – Ensaio de corpo de prova à compressão axial. Fonte – Autor (2016). 62 3.4 Procedimentos de ensaio das vigas Antes de iniciar os ensaios as cinco vigas foram marcadas com as seguintes denominações de X1, X2, X3, X4, e X5. A viga X1 não receberia o reforço, pois serviria somente como referência para as demais e as outras quatro receberam reforço. Das quatro vigas com reforço, duas seriam coladas com adesivo epóxi com parafusos para ajudar na ancoragem das chapas nas vigas, que seriam a X3 e X5, e duas receberiam reforço somente com chapas coladas com adesivo epóxi, que seriam a X2 e X4. Além disso, as chapas possuíam os comprimentos diferentes, mantendo iguais a largura e a espessura. 3.4.1 Pré-fissuração A primeira etapa dos ensaios foi a pré-fissuração, onde as vigas que receberiam o reforço seriam pré-fissuradas para posteriormente, em outra etapa, serem reforçadas. A carga de pré-fissuração das vigas que receberiam o reforço foi cerca de 70% do valor da carga de ruptura das mesmas, portanto as vigas foram pré- fissuradas com uma carga de 50 kN. Então, as quatro vigas que seriam reforçadas foram devidamente posicionadas na prensa hidráulica, como mostra as Figuras 3.14, 3.15, 3.16 e 3.17, onde receberam uma carga inicial de 5 kN que foi retirada logo em seguida, esse procedimento foi realizado a fim de acomodar os materiais da viga e garantir a eficácia nos resultados do ensaio. Figura 3.14 – Vista lateral da viga X2 devidamente posicionada na prensa hidráulica. Fonte – Autor (2016). 63 Figura 3.15 – Vista lateral da viga X3 devidamente posicionada na prensa hidráulica. Fonte – Autor (2016). Figura 3.16 – Vista lateral da viga X4 devidamente posicionada na prensa hidráulica. Fonte – Autor (2016). 64 Figura 3.17 – Vista lateral da viga X5 devidamente posicionada na prensa hidráulica. Fonte – Autor (2016). Posteriormente, aplicou-se carga de forma progressiva até atingir o valor 50 kN com o intuito de pré-fissurar as vigas, uma de cada vez, na seguinte ordem X2, X3, X4 e X5. As fissuras encontradas foram marcadas com pincel na cor azul. As Figuras 3.18, 3.19, 3.20 e 3.21 ilustram as vigas após a pré-fissuração com as marcações das fissuras encontradas. Figura 3.18 – Viga X2 pré-fissurada. Fonte – Autor (2016). Figura 3.19 – Viga X3 pré-fissurada. Fonte – Autor (2016). 65 Figura 3.20 – Viga X4 pré-fissurada. Fonte – Autor (2016). Figura 3.21 – Viga X5 pré-fissurada. Fonte – Autor (2016). 3.4.2 Reforço das vigas Após a pré-fissuração as vigas seriam reabilitadas para então ser reforçadas. Das quatro vigas que receberiam o reforço com chapas coladas duas delas receberiam também parafusos para auxiliar na aderência entra a chapa e a viga. As chapas utilizadas no reforço tinham comprimentos diferentes, mantenho iguais a largura e espessura, que era de 10 cm e 3 mm, respectivamente. A viga X2 recebeu reforço com a chapa de aço somente colada com dimensões de 50 cm de comprimento, 10 cm de largura e 3 mm de espessura. A viga X3 recebeu reforço com a chapa de aço colada e parafusada com dimensões também de 50 cm de comprimento, 10 cm de largura, 3 mm de espessura e 4 furos com diâmetros de 6,3 mm. A viga X4 recebeu reforço com a chapa de aço somente colada com dimensões de 30 cm de comprimento, 10 cm de largura e 3mm de espessura. E a viga X5 recebeu reforço com a chapa de aço colada e parafusada com dimensões também de 30 cm de comprimento, 10 cm de largura, 3 mm de espessura e 4 furos com diâmetros de 6,3 mm. A Figura 3.22 mostra o detalhamento das chapas de aço e a Figura 3.23 mostra o detalhamento das vigas com o reforço. 66 Figura 3.22 – Detalhamento das chapas utilizadas nos reforços. Fonte – Autor (2016). Figura 3.23 – Detalhamento das vigas com o reforço. Fonte – Autor (2016). Antes de receberem o reforço as vigas foram marcadas no local onde seria feita a colagem e os furos. Esse procedimento foi realizado para que não houvesse erros no momento da colagem e colocação dos parafusos nas vigas. Após as marcações, as vigas foram hachuradas, no local onde seria feita a colagem das chapas, com esmerilhadeira e as vigas que receberiam parafusos foram furadas com furadeira, como mostra a Figura 3.24. As Figuras 3.25, 3.26, 3.27 e 3.28 mostram as vigas já com as hachuras e com os furos. 67 Figura 3.24 – Viga X3 sendo furada com furadeira. Fonte – Autor (2016). Figura 3.25 – Vista inferior da viga X2 hachurada. Fonte – Autor (2016). Figura 3.26 – Vista inferior da viga X3 hachurada e furada. Fonte – Autor (2016). 68 Figura 3.27 – Vista inferior da viga X4 hachurada. Fonte – Autor (2016). Figura 3.28 – Vista inferior da viga X5 hachurada e furada. Fonte – Autor (2016). Após as marcações as vigas estavam prontas para receberem o reforço. Para aplicação do reforço nas cinco vigas foi utilizada uma embalagem (A + B) de 1 kg do produto. Inicialmente efetuou-se a homogeneização dos componentes A e B separadamente, em seguida foi feita a mistura de ambos em sua totalidade até obter um material uniforme e homogêneo. A mistura da resina de base epóxi (embalagem A) com o endurecedor (embalagem B) foi realizada manualmente por cinco minutos após abertura das embalagens de acordo com as indicações do fabricante. Em seguida o adesivo foi aplicado nas chapas, por meio de uma espátula metálica, com uma camada de aproximadamente 2 mm e logo depois, quando a chapa já estava com o adesivo, ela foi posta no local marcado nas vigas e levemente pressionada para melhor contato entre a chapa e a viga. Nas vigas furadas foi introduzido adesivo estrutural dentro dos furos e após a colagem das chapas, os parafusos foram inseridos no local dos furos, a Figura 3.29 mostra as vigas já reforçadas. 69 Figura 3.29 – Vista inferior das vigas reforçadas. Fonte – Autor (2016). 3.4.3 Ensaio até a ruptura Sete dias após a realização do reforço, temponecessário para cura final do adesivo epóxi, as cinco vigas foram ensaiadas até a sua ruptura. No início do ensaio se repetiu a aplicação de uma carga inicial de 5 kN, como na primeira etapa, com o objetivo de acomodar a viga, que logo após foi retirada. Posteriormente foi aplicado carga de maneira progressiva e uniforme, de 10 em 10 kN verificava-se o surgimento de fissuras, como também, a evolução das fissuras já existentes, procedendo dessa forma até a ruptura. As fissuras que iam surgindo eram marcadas com pincel de cor preta para diferenciar das fissuras já existentes, pois na pré- fissuração utilizou-se pincel de cor azul, conforme ilustras as Figuras 3.30, 3.31, 3.32, 3.33 e 3.34. Desse modo foi possível verificar a aderência do reforço, a resistência mecânica das mesmas e fazer uma análise do modo de ruptura. Figura 3.30 – Viga X1 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). 70 Figura 3.31 – Viga X2 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). Figura 3.32 – Viga X3 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). Figura 3.33 – Viga X4 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). Figura 3.34 – Viga X5 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). 71 3.5 Análises computacionais das vigas ensaiadas A análise computacional foi realizada por meio do software Abaqus versão 6.13 que é baseado em elementos finitos. Foram analisadas como se comportaram as vigas X2, X3, X4 e X5 que foram reforçadas com chapas de aço coladas com resina epóxi e parafusadas bem como a X1 que não recebeu reforço, servindo apenas como referência. A análise computacional tem como objetivo analisar as tensões principais de tração e compressão para que possa entender e/ou justificar o modo de ruptura das vigas ensaiadas experimentalmente. Para a estruturação da modelagem foram feitas algumas inclusões de dados para que o programa pudesse trabalhar com a viga de acordo com a realidade, portanto na aba materiais, o gráfico tensão-deformação de tração e compressão do concreto foi estimado empiricamente pelo método descrito no item 2.1.4.4 do CEB- FIP Model Code 1990, adotando-se um fck = 30 MPa. Já no gráfico adotado para o aço foi o descrito no item 8.3.6 da ABNT NBR 6118: 2004, com uma patamar de escoamento igual a 500 MPa. O módulo de elasticidade utilizado para o concreto de 30 MPa foi 26,07159 GPa e para o aço, que inclui as armaduras longitudinal e transversal, os parafusos e a chapa de aço, foi de 200 GPa. A densidade utilizada para o concreto foi de 2400 kg/m³ e para o aço foi de 7800 Kg/m³. O coeficiente de Poisson utilizado para o concreto foi de 0,2 e para o aço foi de 0,33. Para a interação entre os materiais, foi utilizado um coeficiente de atrito entre o concreto e aço (chapa, armaduras e parafusos) de 0,7, a Tabela 4 mostra as características dos materiais tanto do concreto como do aço, que inclui as armaduras, os parafusos e as chapas de aço. Tabela 4 – Características dos materiais usados no Abaqus. CARACTERÍSTICAS CONCRETO AÇO MÓDULO DE ELASTICIDADE 26,07159 GPa 200 GPa DENSIDADE 2400 kg/m³ 7800 Kg/m³ COEFICIENTE DE POISSON 0,2 0,33 ELEMENTOS (TIPO) C3D4 C3D6 72 Para o concreto, armadura longitudinal e transversal e parafusos foi utilizado o tipo de elemento C3D4, um tetraedro linear com 4 nós, exemplificado na Figura 3.35. Quanto as dimensões dos elementos para o concreto utilizou-se dimensão de aproximadamente 2 cm, para armadura longitudinal e transversal utilizou-se dimensão de aproximadamente 1 cm e para os parafusos utilizou-se dimensão de aproximadamente 0,3 cm. Figura 3.35 - Elemento C3D4 utilizado para o concreto, armaduras e parafusos. Fonte – Autor (2016). Para a chapa de aço, o tipo de elemento utilizado foi o C3D6, um prisma triangular linear com 6 nós, mostrado na Figura 3.36. A dimensão utilizada para a chapa de aço foi de aproximadamente 1 cm. As dimensões são aproximadas porque o Abaqus gera a malha de modo que fique o mais próximo possível do valor estipulado. No entanto, ainda há alguns elementos que ficam bastante distorcidos. Figura 3.36 - Elemento C3D6 utilizado para a chapa de aço. Fonte – Autor (2016). Para as análises das vigas primeiramente foi informado ao software as características dos elementos para que o programa pudesse trabalhar o mais próximo da realidade, após a informação das características aplicou-se uma carga de 30 kN nos pontos de aplicação de carga de acordo com o ensaio de Stuttgart, que é quando a viga está na iminência de fissurar, e observou-se as tensões principais de tração e compressão das vigas. 73 4.0 RESULTADOS E DISCUSSÕES Neste capítulo são apresentados os resultados obtidos nos ensaios experimentais, mostrando os valores de resistência à compressão axial do concreto, através do ensaio dos corpos de prova, bem como os mecanismos de ruptura das vigas submetidas ao ensaio de Stuttgart. A partir desses resultados foi possível verificar as causas de ruptura do elemento estrutural e avaliar a eficiência do reforço aplicado. 4.1 Resistência a compressão axial Através dos resultados obtidos pelo ensaio de resistência à compressão axial de corpos-de-prova cilíndricos verificou-se que as amostras atingiram resistência média de 30,3 MPa, um resultado satisfatório considerando que a resistência mínima pretendida era de 30 MPa. Foram ensaiados cinco corpos de prova à compressão axial e para o cálculo da resistência média foram retirados os dois que apresentaram maiores desvios nos resultados, portanto a resistência média foi calculada a partir dos três corpos de prova restantes, seguindo as recomendações da NBR 5739 (2007). A Tabela 5 apresenta as cargas de ruptura para os três corpos de prova, através da divisão desta carga pela área da seção circular do CP obtém- se a resistência à compressão axial de cada corpo de prova e fazendo uma média aritmética dos três tem-se o valor da resistência média. TABELA 5 - Cargas de ruptura e resistências à compressão dos corpos de prova CP CARGA DE RUPTURA (kN) ÁREA DA SEÇÃO TRANSVERSAL (cm²) RESISTÊNCIA (MPa) CP 1 238 78,5 30,32 CP 2 226 78,5 28,79 CP 3 249 78,5 31,72 Resistência média à compressão = 30,3 MPa 4.2 Ensaio de stuttgart realizado Nos “Ensaios de Stuttgart” reproduzidos em laboratório ficou possível verificar os mecanismos de ruptura nas vigas estudadas e também a carga de ruptura. As quatro vigas que seriam reforçadas foram submetidas a um ensaio de pré-fissuração 74 com aplicação de uma carga de 50 KN, posteriormente foram reabilitadas e após o período de cura foram submetidas ao ensaio de ruptura, em quanto à viga de referência, sem reforço, foi submetida apenas ao ensaio de ruptura. 4.2.1 Viga X1 no ensaio de Stuttgart A viga X1, ilustrada na Figura 4.1, servirá apenas como referência para as vigas reforçadas, ela não recebeu reforço e nem foi submetida ao ensaio de pré- fissuração. É através dessa referência que será analisado se o reforço é eficiente. Figura 4.1 – Viga X1 antes da ruptura. Fonte – Autor (2016). Dando inicio ao ensaio, a viga foi devidamente posicionada na prensa hidráulica onde recebeu uma carga de 5 kN que logo foi retirada, essa carga foi aplicada a fim de acomodar os materiais da viga e garantir a eficácia nos resultados do ensaio, a seguir foi aplicado carga de 10 kN em 10 kN, a cada intervalo analisa- se o estádio em que se encontrava a mesma. Até atingir o carregamento de 30 kN a viga ainda não apresentava nenhuma fissura visível, ou seja, até este momento a viga encontrava-se no estádio I. Com o acréscimo no carregamento até 40 kN o concreto esgotou sua resistência á tração, sofreu plastificação e apresentou as primeiras fissuras. A partir desse momento a viga encontrava-se no estádio II e a armadura longitudinal passaria a absorver as tensões normais de tração da viga, seguindo com o ensaionovas fissuras foram aparecendo e as existentes foram intensificadas. A viga manteve-se no estádio II até atingir 90 kN. Ao intensificar a carga, a viga sofreu a ruptura, entrando no estádio III, com uma carga de 111 kN e passou a apresentar 14 fissuras visíveis. A viga chegou à ruptura por flexão com deformação plástica excessiva do aço, como esperado, e a Figura 4.2 mostra a viga X1 após a ruptura. 75 Figura 4.2 – Viga X1 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). 4.2.2 Viga X2 no ensaio de Stuttgart Figura 4.3 – Viga X2 antes da ruptura. Fonte – Autor (2016). A viga X2 mostrada na Figura 4.3, foi inicialmente submetida ao ensaio de pré-fissuração com um carregamento de 50 kN onde surgiram 4 fissuras como apresentado na Figura 4.4, logo em seguida a peça foi reabilitada com a adição de uma chapa de aço, de 10 cm de largura, 50 cm de comprimento e 3 mm de espessura, colada com adesivo estrutural de base epóxi. A chapa foi colada na face inferior onde já havia sido marcada anteriormente. Figura 4.4 – Viga X2 pré-fissurada. Fonte – Autor (2016). 76 Na última etapa do ensaio a viga X2 recebeu carga até a sua ruptura. Esta se manteve no estádio I até a aplicação da carga de 30 KN. Com 40 kN as fissuras já marcadas na pré-fissuração começaram a se abrir e a viga entrou no estádio II, mantendo-se neste até alcançar a carga de 110 kN com 14 fissuras visíveis. Ao prosseguir com o ensaio a viga não abria mais fissuras, mas ainda suportou uma carga de 115 kN quando se rompeu e atingiu o estádio III, ainda com as 14 fissuras, como mostra a Figura 4.5. Vale salientar que com a carga de 55 kN o reforço descolou na extremidade esquerda, portanto a carga de ruptura foi suportada apenas pela armadura longitudinal, logo o mecanismo de ruptura da viga X2 foi flexão com deformação plástica excessiva com descolamento da chapa. FIGURA 4.5 – Viga X2 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). O que se pode destacar da viga X2 em comparação com a viga X1 é o fato de não ter surgido fissuras na região de flexão pura devido à adição do reforço. Quanto à carga de ruptura, a viga X2 se mostrou mais resistente, pois se rompeu com uma carga superior a da viga X1. 4.2.3 Viga X3 no ensaio de Stuttgart Figura 4.6 – Viga X3 antes da ruptura. Fonte – Autor (2016). 77 A viga X3 mostrada na Figura 4.6 também foi inicialmente pré-fissurada com um carregamento de 50 kN onde surgiram 3 fissuras como apresentado na Figura 4.7. Logo em seguida a peça foi reabilitada com a adição de uma chapa de aço de 10 cm de largura, 50 cm de comprimento e 3 mm de espessura, colada com adesivo estrutural de base epóxi e com 4 parafusos. A chapa e os parafusos foram posicionados na face inferior onde já havia sido marcada anteriormente. Figura 4.7 – Viga X3 pré-fissurada. Fonte – Autor (2016). Na última etapa dos ensaios a viga X3 recebeu carga até a sua ruptura. Esta se manteve no estádio I até a aplicação da carga de 40 KN entrando para o estádio II ao receber a carga de 50 KN quando apareceram as primeiras fissuras no local marcado na pré-fissuração, mantendo-se neste estádio até alcançar a carga de 110 kN com 18 fissuras visíveis. A partir desse momento a viga não apresentou mais fissuras, porém suportou o carregamento de 132 kN quando se rompeu, entrando no estádio III ainda com 18 fissuras como mostra a Figura 4.8. Vale salientar que à medida que ia sendo aplicada a carga o reforço ia se descolando da viga e que os parafusos geraram campos de tensões fazendo a viga se romper por cisalhamento por compressão diagonal (esmagamento da biela), porém a viga se mostrou muito dúctil, até antes do esmagamento da biela, pois suportou uma grande deformação. A Figura 4.9 mostra a biela esmagada e o reforço descolado. 78 Figura 4.8 – Viga X3 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). Figura 4.9 – Esmagamento da biela e reforço descolado da viga X3 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). O que se pode destacar da viga X3, assim como na viga X2 em comparação com a viga X1 é o fato de não ter surgido fissuras na região de flexão pura devido à adição do reforço. Quanto à carga de ruptura, a viga X3 se mostrou mais resistente do que a viga de referência e também mais resistente que a viga X2, pois se rompeu com uma carga superior. Isso pode ser explicado pelo fato de o parafuso ter auxiliado na ancoragem, porém induziu a viga a se romper por cisalhamento por compressão diagonal (esmagamento da biela), um mecanismo de ruptura que não é muito comum de acontecer. 4.2.4 Viga X4 no ensaio de Stuttgart 79 Figura 4.10 – Viga X4 antes da ruptura. Fonte – Autor (2016). A viga X4 mostrada na Figura 4.10 também foi inicialmente pré-fissurada com um carregamento de 50 kN onde surgiram 3 fissuras como apresentado na Figura 4.11. Logo em seguida a peça foi reabilitada com a adição de uma chapa de aço de 10 cm de largura, 30 cm de comprimento e 3 mm de espessura colada com adesivo estrutural de base epóxi. A chapa foi colada na face inferior onde já havia sido marcada anteriormente. Figura 4.11 – Viga X4 pré-fissurada. Fonte – Autor (2016). Após a reabilitação a viga X4 foi submetida ao ensaio onde recebeu carga até sua ruptura. Esta se manteve no estádio I até a aplicação da carga de 40 kN entrando para o estádio II ao receber a carga de 50 kN quando apareceu a primeira fissura mantendo-se neste até alcançar a carga de 130 kN com 21 fissuras visíveis. Ao atingir a carga de 135 kN ocorreu a ruptura e a viga entrou no estádio III com 22 fissuras como mostra a Figura 4.12. Vale salientar que surgiram várias fissuras entre os pontos de aplicação de carga, no entanto o reforço não deslocou como mostra a Figura 4.13. À medida que ia sendo aplicada a carga, a viga ia deformando e como o reforço não havia descolado, mostrando que teve boa aderência à viga, ele puxou consigo a região em que estava colado, como mostra a Figura 4.14. Portanto não se pode dizer que a viga X4 se rompeu por flexão com deformação plástica excessiva 80 do aço, porque como o reforço não descolou da viga, ele ainda estava suportando a carga. O reforço suportou a carga aplicada até o concreto atingir sua deformação máxima. Logo o mecanismo de ruptura da viga X4 foi flexão por esmagamento da zona comprimida. Figura 4.12 – Viga X4 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). Figura 4.13 – Reforço da viga X4 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). Figura 4.14 – Reforço da viga X4 puxando a região em que está colado. Fonte – Autor (2016). 81 O que se pode destacar da viga X4 em comparação com a viga X1 é o surgimento de muitas fissuras na região de flexão pura, devido à aderência da chapa ao concreto ter sido eficiente e o reforço não ter descolado e sim puxado a região em que ele estava colado, gerando as fissuras. Quanto à carga de ruptura a X4 se mostrou mais resistente do que a X1 e também mais resistente do que as vigas X2 e X3, pois apresentou uma carga superior e o seu reforço não descolou. O fato da viga X4 ter suportado uma carga superior que as demais vigas ensaiadas foi devido a aderência entre a chapa e a viga ter se mostrado muito eficiente. 4.2.5 Viga X5 no ensaio de Stuttgart Figura 4.15 – Viga X5 antes da ruptura. Fonte – Autor (2016). A viga X5 mostrada na Figura 4.15 também foi inicialmente pré-fissurada com um carregamento de 50 kN onde surgiram 2 fissuras como apresentado na Figura 4.16, logo em seguida a peça foi reabilitada com a adição de uma chapa de aço de 10 cm de largura, 50 cm de comprimento e 3 mm de espessura colada com adesivo estrutural de base epóxi e com 4 parafusos. A chapa e os parafusos foram posicionados na face inferior onde já havia sido marcada anteriormente. Figura 4.16 – Viga X5 pré-fissurada. Fonte – Autor (2016).82 Após a reabilitação a viga X5 foi submetida ao ensaio onde recebeu carga até sua ruptura. Esta se manteve no estádio I até a aplicação da carga de 30 kN entrando para o estádio II ao receber a carga de 40 kN quando apareceu a primeira fissura mantendo-se neste até alcançar a carga de 120 kN com 18 fissuras visíveis. Ao atingir a carga de 125 kN ocorreu a ruptura e a viga entrou no estádio III com ainda 18 fissuras como mostra a Figura 4.17. Vale salientar que o reforço não descolou da viga, como mostra a Figura 4.18, mas os parafusos geraram campos de tensões induzindo a formação de fissuras na região onde eles estavam, como mostra a Figura 4.19, fazendo a viga se romper por flexo-cisalhamento. Figura 4.17 – Viga X5 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). Figura 4.18 – Reforço da viga X5 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). 83 Figura 4.19 – Formação de fissuras na região dos parafusos na viga X5 após a ruptura. Fonte – Autor (2016). O que se pode destacar da viga X5 em comparação com a viga X1 é que não houve formação de fissuras na região de flexão pura devido os parafusos terem induzido o surgimento das fissuras na região onde eles estavam, assim como ocorreu com a viga X3, porém na viga X5 não houve esmagamento da biela. Quanto à carga de ruptura a viga X5 se mostrou mais resistente que a viga de referência, pois se rompeu com uma carga superior, porém se mostrou menos resistente que a viga X4 mostrando que o auxilio da ancoragem com o uso de parafusos para a chapa de aço de menor comprimento não foi eficiente. 4.3 Análises das tensões das vigas através do software abaqus A análise computacional foi realizada por meio do software Abaqus CAE versão 6.13 que é baseado em elementos finitos, no entanto Para as vigas X1, X2, X3, X4 e X5 foram feitas somente análises lineares para uma simples orientação dos campos de compressão (bielas) e campos de tração (tirantes). 4.3.1 Viga X1 na análise do software Através da análise computacional feita na viga X1 é possível observar que os campos de tração surgiram na região da armadura longitudinal e campos de compressão na região entre os pontos de aplicação da carga, porém como a viga está dimensionada no domínio 2 a resistência a tração é menor do que a resistência a compressão e devido a isso a viga se rompeu por flexão com deformação plástica excessiva, como pode ser visto na Figura 4.20. 84 Figura 4.20 – Viga X1 rompida e com as tensões principais de compressão e de tração. Fonte – Autor (2016). Viga X1 – carga de ruptura = 111 kN Ruptura por flexão com deformação plástica excessiva Tensões de compressão Tensões de tração 85 4.3.2 Viga X2 na análise do software Na análise computacional da viga X2 apareceram campos de tensões de compressão e de tração assim como na viga X1, só que na viga X2 devido a colagem da chapa de aço surgiram campos de tensão de tração e compressão também entre a chapa e a viga. Logo com a formação desses campos de tensões entre a viga e a chapa, o reforço não resistiu e descolou e então a viga se rompeu por flexão com deformação plástica excessiva com descolamento da chapa, como pode ser visto na Figura 4.21. Figura 4.21 – Viga X2 rompida e com as tensões principais de compressão e de tração. Fonte – Autor (2016). Viga X2 – carga de ruptura = 115 kN Ruptura por flexão com deformação plástica excessiva com descolamento da chapa Tensões de compressão Tensões de tração 86 4.3.3 Viga X3 na análise do software Na análise computacional da viga X3 é possível observar a formação dos campos de tensão de tração e compressão. Inclusive, na região em que o parafuso está ancorado ao reforço é possível observar que há o surgimento de uma biela que se sobrepõe com a biela principal causando a ruptura por compressão diagonal, visto que essa região já sofre com a ação do cisalhamento, como mostra a figura 4.22. Figura 4.22 – Viga X3 rompida e com as tensões principais de compressão e de tração. Fonte – Autor (2016). Viga X3 – carga de ruptura = 132 kN Ruptura por cisalhamento por compressão diagonal Tensões de compressão Tensões de tração 87 4.3.4 Viga X4 na análise do software Na análise computacional da viga X4 assim como na viga X1 é possível observar que os campos tensão de tração surgiram na região da armadura longitudinal e os campos de tensão de compressão na região entre os pontos de aplicação da carga e da mesma forma que na viga X2 surgiram campos de tensão de tração e compressão também entre a chapa e a viga, porém na viga X4 não houve descolamento da chapa e então a viga veio a se romper por flexão por esmagamento da zona comprimida, pois o reforço resistiu as tensões geradas de acordo com o aumento da carga, como mostrado na Figura 4.23. Figura 4.23 – Viga X4 rompida e com as tensões principais de compressão e de tração. Fonte – Autor (2016). Viga X4 – carga de ruptura = 135 kN Ruptura por flexão com esmagamento da zona comprimida Tensões de compressão Tensões de tração 88 4.3.5 Viga X5 na análise do software Na análise computacional da viga X5 assim como nas demais vigas é possível observar a formação de campos de tensão de tração e compressão e na região onde o parafuso está ancorado ao reforço é possível observar que há o surgimento de uma biela que se uni com a biela principal, no entanto como a chapa de aço colada na viga X5 tem comprimento menor que a da X3 e por essa região não ter ação do cisalhamento isso teria gerado um campo de tensão que induziu a viga a se romper por flexo-cisalhamento, como mostrado na Figura 4.24. Figura 4.24 – Viga X5 rompida e com as tensões principais de compressão e de tração. Fonte – Autor (2016). Viga X5 – carga de ruptura = 125 kN Ruptura por flexo-cisalhamento Tensões de compressão Tensões de tração 89 5.0 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS 5.1 Conclusões O principal objetivo desta pesquisa é verificar a eficiência dos reforços utilizados em vigas de concreto armado através da adição de chapas de aço coladas com adesivo estrutural de base epóxi e através da adição de chapas de aço coladas com adesivo epóxi e parafusadas considerando a influência na resistência mecânica da viga e a aderência do reforço ao concreto, analisando as vantagens e desvantagens entre eles. Através dos resultados obtidos nos ensaios pode-se concluir que esse objetivo foi cumprido, pois o reforço se mostrou eficiente visto que todas as vigas se romperam com uma carga superior a da viga de referência. Porém, houve diferenças nos resultados quando comparadas as vigas somente coladas com as coladas e parafusada e também em relação ao comprimento do reforço. Quando comparados os resultados das vigas é possível perceber que a viga X4, que foi reforçada com uma chapa de comprimento menor e somente colada, se mostrou a mais eficiente quanto à resistência e quanto a aderência, pois suportou uma carga superior que a carga da viga de referência e demais vigas. Ela suportou uma carga cerca de 22% maior que a da viga de referência e seu reforço não descolou, mostrando que a aderência também foi eficiente. Com relação aos furos através dos resultados foi possível concluir que é uma boa forma de ancoragem para esse tipo de reforço só que a posição na qual ele for colocado tem que ser levada em consideração, pois ele gera uma sobreposição de tensões. Na viga X3, que tem reforço com chapa de maior comprimento colada e parafusada, os parafusos, que estavam em uma região de cisalhamento se mostraram eficiente, pois a viga se rompeu com uma carga considerável em relação a viga de referencia e as demais vigas, porém eles induziram a ruptura por cisalhamento por compressão diagonal, esmagamento da biela comprimida, que é um tipo de rupturaque não é muito comum de ocorrer. Já no casa da viga X5, que tem o reforço com chapa de aço de comprimento menor colada e parafusada, o parafuso também gerou uma sobreposição de tensões, deixando a região onde ele estava ancorado frágil induzindo a viga a se romper por flexo-cisalhamento. Portanto o reforço de vigas de concreto armado por meio de chapas de aço coladas além de ter se mostrado eficiente tem as vantagens de que não há 90 necessidade de se cortar a viga preservando suas armaduras longitudinal e transversal, não há mudança geométrica da viga, ou seja, o aumento de seção é praticamente irrelevante, a aplicação do reforço é rápida e não necessita de mão de obra especializada como em outros métodos, também têm a vantagem de não apresentar vibrações ou ruídos durante sua aplicação, o que não acontece com o reforço por meio de chapas de aço com a utilização de parafusos para auxiliar na ancoragem, pois é preciso furar as vigas e isso gera muita vibração além do desgaste físico de quem está furando. 5.2 Sugestões para trabalhos futuros Como uma forma de explorar o conhecimento sobre reforço em vigas e visto que é um tema bem abrangente, a seguir são apresentadas algumas sugestões para trabalhos futuros, nesta área de pesquisa: Uso de reforço sem parafuso para auxiliar na ancoragem, no caso melhorar a aderência no reforço com chapas de aço coladas, visto que é um tipo de reforço de fácil execução; Ou se houver mesmo a necessidade de um mecanismo auxiliar para ancoragem, mudar a posição do parafuso de modo que ele não gere tensões; Adotar outros tipos de reforço como no caso o reforço com fibra de carbono. 91 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, T. G. M. de. Reforço de vigas de concreto armado por meio de cabos externos protendidos. Universidade de São Paulo. São Carlos, 2001. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 5738: Concreto - Procedimentos para moldagem e cura de corpos-de-prova. Rio de Janeiro: ABNT, 2008. ______. NBR 5739: Concreto – Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos. Rio de Janeiro: ABNT, 2007. ______. NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto - Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2014. BARROS, A. R. de. Avaliação do comportamento de vigas de concreto auto- densável reforçado com fibras de aço. Universidade Federal de Alagoas. Centro de Tecnologia. Maceió, 2009. BASTOS, P. S. dos S., Fundamentos do concreto armado. Notas de aula, UNESP, Bauru, 2006. BEBER, A. J. Avaliação do desempenho de vigas de concreto armado reforçadas com lâminas de fibras de carbono. Porto Alegre: CPGEP/UFRGS, 1999. CÁNOVAS, M. F. Patologia e Terapia do Concreto Armado. São Paulo, Pini, 1988. CARNEIRO, M. D. Estudo téorico-experimental do reforço de vigas através da adição de barras de aço e adesivo epóxi. Projeto de Graduação - Universidade Estadual Vale do Acaraú, Sobral, 2013. CARNEIRO, R. J. de F. M. Análise de vigas protendidas de pontes reforçadas à flexão com polímeros estruturados com fibras de carbono submetidas a carregamento estático e cíclico. Universidade de Brasília. Brasília, 2006. CLÍMACO, J. C. T. de S. Estruturas de concreto armado: Fundamento de projetos, dimensionamento e verificação. 2ª Ed. Revisada. Brasília, Finatec, 2008. FUSCO, P. B. Estruturas de concreto: Solicitações tangenciais. Ed. Pini. São Paulo, 2008. MACHADO, A. de P. Reforço de estruturas de concreto armado com fibras de carbono. São Paulo, 2002. MUNIZ, R. H. do N. Estudo téorico-experimental do reforço de vigas através da adição de chapas de aço e adesivo epóxi. Projeto de Graduação - Universidade Estadual Vale do Acaraú, Sobral, 2013. 92 PERELLES, D. H. Estudo analítico do comportamento de uma viga biapoiada de concreto armado reforçada com um compósito de fibra de carbono. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2013. PIMENTA, T. M. Comportamento estrutural de vigas de concreto armado reforçadas com chapas metálicas, coadas com geopolímero, e com mantas de sisal coladas com resina epóxi. Projeto de Graduação - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2012. PONTES, A. E. de A. Análise experimental da influência de furos verticais em vigas de concreto armado. Universidade Estadual Vale do Acaraú, Sobral, 2013. REIS, A. P. A. Reforço de vigas de concreto armado por meio de barras de aço adicionadas ou chapas de aço e argamassa de alto desempenho. Dissertação (Mestrado) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998. REIS, L. S. N. Sobre a recuperação e reforço de estruturas de concreto armado. Tese (Mestrado em Engenharia de Estruturas) – Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2001. SILVA, E. A. da. Técnicas de recuperação e reforço de estruturas de concreto armada. Universidade Anhaembi Morumbi, São Paulo, 2006. SILVA, P. A. S. C. M. Comportamento de estruturas de betão reforçadas por colagem exterior de sistemas de CFRP. Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, 2008.that the reinforcement has proved effective both resistance and adhesion, since all beams reinforced with broken load greater than the reference beam. Keywords: Reinforcement. Beams. Steel plates. Screws. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS mm milímetro cm centímetro m Metro dm³ Decímetro ao cubo m² Metro ao quadrado cm² Centímetro ao quadrado l Litro kg Quilograma N Newton kN Quilonewton kg/dm³ Quilograma por decímetro ao cubo kg/l Quilograma por litro kg/m² Quilograma por metro quadrado kNm Quilonewton metro MPa Megapascal GPa Gigapascal NBR Norma Brasileira Regulamentadora ELU Estado Limite último PRF Polímero Reforçado com fibra CEN Comité Europeu de Normalização CP-II-Z Cimento Portland composto com pozolana CP Corpo de prova LISTA DE FIGURAS Figura 2.1 - Fissuração de vigas contínuas sujeitas a cargas concentradas............ 24 Figura 2.2 - Modelo resistente global de vigas de concreto armado......................... 24 Figura 2.3 - Força na armadura transversal.............................................................. 24 Figura 2.4 - Estádio Ia e Ib das seções de concreto armado sob flexão pura.......... 25 Figura 2.5 - Estádio II das seções de concreto armado sob flexão pura.................. 26 Figura 2.6 - Estádio III das seções de concreto armado sob flexão pura ................ 27 Figura 2.7 - Diagrama dos domínios de deformações.............................................. 27 Figura 2.8 - Tração uniforme na reta A..................................................................... 28 Figura 2.9 - Tração não uniforme no domínio 1........................................................ 28 Figura 2.10 - Casos de solicitação e diagrama genérico de deformações do domínio 2 ........................................................................................................................... ..... 29 Figura 2.11 - Casos de solicitação e diagrama genérico de deformações do domínio 3................................................................................................................................. 30 Figura 2.12 - Casos de solicitação e diagrama genérico de deformações do domínio 4................................................................................................................................. 30 Figura 2.13 - Casos de solicitação e diagrama genérico de deformações do domínio 4A.............................................................................................. ................................ 31 Figura 2.14 - Compressão não uniforme no domínio 5............................................. 32 Figura 2.15 - Compressão uniforme na reta b........................................................... 32 Figura 2.16 - Viga com ruptura por flexão com deformação plástica excessiva do aço...................................................................................................................... ....... 33 Figura 2.17 - Viga com ruptura por flexão com esmagamento da zona comprimida................................................................................................................ 34 Figura 2.18 - Viga com ruptura por cisalhamento por tração diagonal..................... 34 Figura 2.19 - Viga com ruptura por cisalhamento por compressão diagonal............ 35 Figura 2.20 - Viga com ruptura por esmagamento da mesa devido ao esforço cortante..................................................................................................................... . 36 Figura 2.21 - Viga com ruptura por deficiência da ancoragem da armadura longitudinal......................................................................................................... ....... 36 Figura 2.22 - Viga com ruptura por deficiência de ancoragem da armadura de reforço..................................................................................................................... .. 37 Figura 2.23 - Reforço realizado por meio de aço e adesivo estrutural...................... 38 Figura 2.24 - Reforço realizado por meio de chapas de aço coladas e parafusadas............................................................................................................... 41 Figura 2.25 - Dimensões das vigas em estudo......................................................... 43 Figura 2.26 - Extensômetro locado no centro da viga............................................... 43 Figura 2.27 - Descolamento da chapa de aço da viga.............................................. 44 Figura 2.28 - Fissuração da viga reforçada com manta de sisal............................... 45 Figura 2.29 - Esquema das dimensões das vigas..................................................... 46 Figura 2.30 – Detalhamento das vigas...................................................................... 46 Figura 2.31 - Vigas já reforçadas em fase de cura.................................................... 47 Figura 2.32 - Viga M1 após a ruptura........................................................................ 48 Figura 2.33 - Viga M2 após a ruptura........................................................................ 48 Figura 2.34 - Viga M3 após a ruptura........................................................................ 49 Figura 2.35 - Viga M4 após a ruptura........................................................................ 49 Figura 2.36 - Viga M5 após a ruptura........................................................................ 50 Figura 3.1 - Materiais utilizados na confecção do concreto...................................... 52 Figura 3.2 - Chapas de aço e os parafusos utilizados no reforço............................. 53 Figura 3.3 - Adesivo epóxi utilizado no reforço......................................................... 54 Figura 3.4 - Geometria das vigas.............................................................................. 55 Figura 3.5 - Detalhamento das vigas......................................................................... 55 Figura 3.6 - Armadura das vigas............................................................................... 56 Figura 3.7 - Processo de concretagem das vigas..................................................... 57 Figura 3.8 - Prensa utilizada nos ensaios das vigas................................................. 58 Figura 3.9 - Detalhes da prensa utilizada nos ensaios.............................................. 58 Figura 3.10 - Detalhes dos adaptadores utilizados na prensa.................................. 59 Figura 3.11 - Configuração do ensaio de Stuttgart.................................................... 60 Figura 3.12 - Esquema de aplicação de cargas........................................................ 60 Figura 3.13 - Ensaio de corpo de prova à compressão axial.................................... 61 Figura 3.14 - Vista lateral da viga X2 devidamente posicionada na prensa hidráulica................................................................................................................... 62 Figura 3.15 - Vista lateral da viga X3 devidamente posicionada na prensa hidráulica................................................................................................................... 63 Figura 3.16 - Vista lateral da viga X4 devidamente posicionada na prensa hidráulica................................................................................................................... 63 Figura 3.17 - Vista lateral da viga X5 devidamente posicionada na prensa hidráulica................................................................................................................... 64 Figura 3.18 - Viga X2 pré-fissurada........................................................................... 64 Figura 3.19 - Viga X3 pré-fissurada...........................................................................64 Figura 3.20 - Viga X4 pré-fissurada........................................................................... 65 Figura 3.21 - Viga X5 pré-fissurada........................................................................... 65 Figura 3.22 - Detalhamento das chapas utilizadas nos reforços.............................. 66 Figura 3.23 - Detalhamento das vigas com o reforço................................................ 66 Figura 3.24 - Viga X3 sendo furada com furadeira.................................................... 67 Figura 3.25 - Vista inferior da viga X2 hachurada..................................................... 67 Figura 3.26 - Vista inferior da viga X3 hachurada e furada....................................... 67 Figura 3.27 - Vista inferior da viga X4 hachurada..................................................... 68 Figura 3.28 - Vista inferior da viga X5 hachurada e furada....................................... 68 Figura 3.29 - Vista inferior das vigas reforçadas....................................................... 69 Figura 3.30 - Viga X1 após a ruptura........................................................................ 69 Figura 3.31 - Viga X2 após a ruptura........................................................................ 70 Figura 3.32 - Viga X3 após a ruptura........................................................................ 70 Figura 3.33 - Viga X4 após a ruptura........................................................................ 70 Figura 3.34 - Viga X5 após a ruptura........................................................................ 70 Figura 3.35 - Elemento C3D4 utilizado para o concreto, armaduras e parafusos.... 72 Figura 3.36 - Elemento C3D6 utilizado para a chapa de aço.................................... 72 Figura 4.1 - Viga X1 antes da ruptura....................................................................... 74 Figura 4.2 - Viga X1 após a ruptura.......................................................................... 75 Figura 4.3 - Viga X2 antes da ruptura....................................................................... 75 Figura 4.4 - Viga X2 pré-fissurada............................................................................. 75 Figura 4.5 - Viga X2 após a ruptura.......................................................................... 76 Figura 4.6 – Viga X3 antes da ruptura....................................................................... 76 Figura 4.7 - Viga X3 pré-fissurada............................................................................. 77 Figura 4.8 - Viga X3 após a ruptura.......................................................................... 78 Figura 4.9 - Esmagamento da biela e reforço descolado da viga X3 após a ruptura....................................................................................................................... 78 Figura 4.10 - Viga X4 antes da ruptura..................................................................... 79 Figura 4.11 - Viga X4 pré-fissurada........................................................................... 79 Figura 4.12 - Viga X4 após a ruptura........................................................................ 80 Figura 4.13 - Reforço da viga X4 após a ruptura...................................................... 80 Figura 4.14 - Reforço da viga X4 puxando a região em que está colado................. 80 Figura 4.15 - Viga X5 antes da ruptura..................................................................... 81 Figura 4.16 - Viga X5 pré-fissurada.......................................................................... 81 Figura 4.17 - Viga X5 após a ruptura........................................................................ 82 Figura 4.18 - Reforço da viga X5 após a ruptura...................................................... 82 Figura 4.19 - Formação de fissuras na região dos parafusos na viga X5 após a ruptura...................................................................................................................... . 83 Figura 4.20 - Viga X1 rompida e com as tensões principais de compressão e de tração........................................................................................................................ . 84 Figura 4.21 - Viga X2 rompida e com as tensões principais de compressão e de tração........................................................................................................................ . 85 Figura 4.22 - Viga X3 rompida e com as tensões principais de compressão e de tração........................................................................................................................ . 86 Figura 4.23 - Viga X4 rompida e com as tensões principais de compressão e de tração......................................................................................................................... 87 Figura 4.24 - Viga X5 rompida e com as tensões principais de compressão e de tração.................................................................................................................... ..... 88 LISTA DE SÍMBOLOS σt tensão normal de tração σc tensão normal de compressão d altura útil h altura da viga ≤ menor ou igual que εs deformação especifica do aço εyd deformação de início de escoamento do aço fyd resistência de cálculo ao escoamento do aço da armadura ∞ infinito bw base da viga fc resistência característica do concreto fck resistência característica à compressão do concreto fy tensão de escoamento frupt tensão de ruptura ‰ por mil °c Graus Celsius LISTA DE TABELAS Tabela 01 - Características dos materiais utilizados na confecção do concreto....... 51 Tabela 02 - Características do aço utilizado nas vigas............................................. 52 Tabela 03 - Características das chapas utilizadas no reforço................................... 52 Tabela 04 - Características dos materiais usados no Abaqus.................................. 71 Tabela 05 - Cargas de ruptura e resistências à compressão dos corpos de prova.......................................................................................................................... 73 SUMÁRIO RESUMO................................................................................................................ ..... 7 ABTRACT................................................................................................................... 8 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS..................................................................... 9 LISTA DE FIGURAS................................................................................................. 10 LISTA DE SÍMBOLOS.............................................................................................. 14 LISTA DE TABELAS................................................................................................ 15 1.0 INTRODUÇÃO..................................................................................................... 19 1.1 Objetivos............................................................................................................ 20 1.1.1 Geral............................................................................................... .................. 20 1.1.2 Especifico......................................................................................................... 20 1.2 Justificativa........................................................................................................ 20 1.3 Estrutura do trabalho........................................................................................ 20 2.0 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................... 22 2.1 Considerações iniciais......................................................................................22 2.2 Comportamento de vigas na flexão................................................................. 23 2.3 Estádios de carregamento................................................................................ 25 2.4 Domínios de deformação.................................................................................. 27 2.4.1 Reta A................................................................................................ ............... 27 2.4.2 Domínio 1......................................................................................................... 28 2.4.3 Domínio 2......................................................................................................... 29 2.4.4 Domínio 3......................................................................................................... 29 2.4.5 domínio 4.......................................................................................................... 30 2.4.6 Domínio 4A....................................................................................................... 31 2.4.7 Domínio 5..................................................................................................... .... 31 2.4.8 Reta B..................................................................................................... .......... 32 2.5 Mecanismos de ruptura.................................................................................... 32 2.5.1 Ruptura por flexão............................................................................................ 33 2.5.2 Ruptura de cisalhamento por tração diagonal.................................................. 34 2.5.3 Ruptura de cisalhamento por compressão diagonal, por esmagamento da biela comprimida................................................................................................................ 35 2.5.4 Ruptura por esmagamento da mesa devido ao esforço cortante...................................................................................................................... 35 2.5.5 Ruptura por deficiência de ancoragem da armadura longitudinal................................................................................................................ 36 2.5.6 Ruptura por deficiência de ancoragem da armadura de reforço....................................................................................................................... 36 2.6 Tipos de reforço................................................................................................ 37 2.6.1 Reforço por adição de barras de aço e adesivo epóxi..................................... 38 2.6.2 Reforço por meio da aplicação de polímero reforçado com fibra de carbono...................................................................................................................... 38 2.6.3 Reforço por meio de protensão........................................................................ 39 2.6.4 Reforço por meio de chapas de aço colada e parafusadas............................. 40 2.7 Instruções normativas sobre reforço em vigas.............................................. 41 2.8 Trabalhos na área.............................................................................................. 42 2.8.1 Estudo de Pimenta (2012)................................................................................ 42 2.8.2 Estudo de Muniz (2015)................................................................................... 45 3.0 PROGRAMA EXPERIMENTAL.......................................................................... 51 3.1 Materiais............................................................................................................. 51 3.1.1 Concreto........................................................................................................... 51 3.1.2 Barras de aço................................................................................................... 52 3.1.3 Chapas de aço................................................................................................. 52 3.1.4 Adesivo epóxi................................................................................................... 53 3.2 Detalhamento das vigas ensaiadas................................................................. 54 3.2.1 Geometria das vigas ensaiadas....................................................................... 54 3.2.2.1 Armaduras..................................................................................................... 55 3.2.2.2 Concretagem das vigas................................................................................. 56 3.3 Montagem dos ensaios..................................................................................... 57 3.3.1 Ensaio de Stuttgart........................................................................................... 59 3.3.2 Ensaio à compressão axial............................................................................... 61 3.4 Procedimentos de ensaio das vigas................................................................ 62 3.4.1 Pré-fissuração.................................................................................................. 62 3.4.2 Reforço das vigas............................................................................................. 65 3.4.3 Ensaio até a ruptura......................................................................................... 69 3.5 Análises computacionais das vigas ensaiadas.............................................. 71 4.0 RESULTADOS E DISCUSSÕES........................................................................ 73 4.1 Resistência a compressão axial...................................................................... 73 4.2 Ensaio de Stuttgart realizado........................................................................... 73 4.2.1 Viga X1 no ensaio de Stuttgart......................................................................... 74 4.2.2 Viga X2 no ensaio de Stuttgart......................................................................... 75 4.2.3 Viga X3 no ensaio de Stuttgart......................................................................... 76 4.2.4 Viga X4 no ensaio de Stuttgart......................................................................... 79 4.2.5 Viga X5 no ensaio de Stuttgart......................................................................... 81 4.3 Análises das tensões das vigas através do software abaqus...................... 83 4.3.1 Viga X1 na análise do software........................................................................ 83 4.3.2 Viga X2 na análise do software........................................................................ 85 4.3.3 Viga X3 na análise do software........................................................................ 86 4.3.4 Viga X4 na análise do software........................................................................ 87 4.3.5 Viga X5 na análise do software........................................................................ 88 5.0 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS................... 89 5.1 Conclusões........................................................................................................ 89 5.2 Sugestões para trabalhos futuros................................................................... 90 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................... 91 19 1.0 INTRODUÇÃO As estruturas de concreto armado são projetadas e executadas para atenderem a determinadas solicitações, a que forem submetidas, com resistência necessária, de acordo com as finalidades do projeto e com as recomendações da norma. No entanto, a falta de manutenção ao longo da vida útil, muitas vezes, a insuficiênciade controle de qualidade das edificações e a má interpretação de projetos são situações indesejadas que podem ocorrer na construção e fazer com apareça inúmeros problemas patológicos e até fazer com que a peça não suporte a carga que lhe foi submetida. Diante da necessidade de intervenção para renovação da estrutura duas medidas podem ser tomadas: a demolição ou o reforço da estrutura. Para a escolha de umas das duas medidas vários fatores tem que ser levados em consideração, tais como o custo de cada alternativa, o tempo de duração da obra, a possibilidade de interrupção do uso da estrutura, entre outros. E geralmente a melhor opção é reforçar a estrutura. Existem diversas técnicas de reforço para o aumento da resistência em estruturas de concreto, dentre elas pode-se citar: reforço por adição de barras de aço e adesivo epóxi, reforço por adição de chapas de aço, reforço por meio da aplicação de polímero reforçado com fibra de carbono e reforço por meio de protensão. O presente trabalho consiste no estudo do reforço estrutural de vigas através da adição de chapas de aço, de diferentes espessuras e tamanhos, coladas com adesivo estrutural de base epóxi e parafusadas, para maior aderência entre a viga e a chapa de aço. Para realização deste estudo foram analisadas experimentalmente cinco vigas, sendo uma referencial, ou seja, uma viga comum sem reforço, duas vigas que foram reforçadas com chapas de aço coladas e outras duas que foram reforçadas com chapas de aço coladas e parafusadas. A escolha desse método de reforço se deu por conta do mesmo ser muito utilizado para reforço estrutural de obras tanto de pequeno quanto de grande porte, assim poderíamos verificar sua eficiência, outros fatores importantes para sua escolha foram à disponibilidade de material e mão de obra. Essa pesquisa tem como proposta, avaliar a eficiência dos reforços, tendo em vista sua resistência mecânica, bem como a aderência entre o reforço e o substrato, 20 contribuindo assim com mais resultados experimentais para comparação desse método de reforço. 1.1 Objetivos 1.1.1 Geral O objetivo deste trabalho é verificar a eficiência dos reforços utilizados em vigas de concreto armado através da adição de chapas de aço coladas com adesivo estrutural de base epóxi e através da adição de chapas de aço coladas com adesivo epóxi e parafusadas considerando a influência na resistência mecânica da viga e a aderência do reforço ao concreto, analisando as vantagens e desvantagens entre eles. 1.1.2 Específico Avaliar experimentalmente a eficiência das duas técnicas de reforço propostas para vigas de concreto armado, que consiste em adicionar chapas de aço coladas com adesivo epóxi com e sem parafusos. Comparar as duas técnicas de reforço quanto ao aumento da resistência. Analisar se os resultados foram satisfatórios quanto à aderência do adesivo epóxi e o concreto de ambas as técnicas de reforço. Verificar a influência dos furos causados pelos parafusos nas vigas reforçadas com chapas de aço coladas e parafusadas. Verificar se o reforço mudou o mecanismo de ruptura das vigas reforçadas. 1.2 Justificativa O presente trabalho se justifica na necessidade de aprofundar os estudos sobre reforços em estruturas de concreto armado e complementar a bibliografia a respeito desse assunto, que ainda é escassa. Portanto esse estudo é importante para ampliação do conhecimento destas técnicas. 1.3 Estrutura do trabalho Incluindo esse primeiro capítulo referente à introdução, que apresenta o trabalho de uma forma resumida destacando seus objetivos, o trabalho aqui apresentado divide-se em quatro capítulos, mais as referências bibliográficas. 21 O capítulo 2 contém uma revisão bibliográfica sobre concreto armado e as manifestações patológicas, seguido de uma explicação sobre o comportamento da viga na flexão com os estádios de carregamento e os domínios de deformação. Ainda nesse capítulo descrevem-se os mecanismos de ruptura de vigas de concreto armado, logo em seguida descrevem-se os tipos de reforços que são usados na reabilitação dessas vigas. Também é apresentada nesse capítulo uma instrução normativa Europeia e por fim alguns trabalhos na área de reforço estrutural de outros autores. O capítulo 3 traz é apresentado o programa experimental realizado, no qual se baseou os ensaios das cinco vigas, que inicialmente foram fissuradas e posteriormente reforçadas, e de cinco corpos de prova. Nesse capítulo são descritas as condições de confecção das vigas, o detalhamento das armaduras e dos reforços, a instrumentação dos ensaios, as características dos materiais utilizados e os procedimentos adotados. Também nesse capítulo são descritas análises computacionais feitas nas vigas ensaiadas através do software Abaqus CAE. O capítulo 4 apresenta os resultados obtidos dos ensaios e das análises computacionais realizadas nas vigas, além de algumas discussões e comparações em relação a esses resultados. O capítulo 5 apresenta as conclusões e sugestões para trabalhos futuros. 22 2.0 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA O presente capítulo aborda alguns conceitos fundamentais para um melhor entendimento sobre reforço em vigas, apresentando os principais métodos, expondo suas vantagens, desvantagens e procedimento de aplicação. Serão conceituados temas como estádios de carregamento, domínios de deformação, mecanismos de ruptura e um resumo sobre trabalhos anteriores da mesma linha de pesquisa. 2.1 Considerações iniciais Os problemas patológicos e a necessidade de reforçar as estruturas dependem principalmente da qualidade da edificação construída. Entretanto, a necessidade de reabilitar certas estruturas pode ser causada por uma série de fatores, que podem estar relacionados com a qualidade ou a durabilidade da edificação, tais como: Falta de manutenção da edificação, ou mesmo a utilização incorreta e envelhecimento; Projeto inadequado ou método construtivo incorreto; Erro humano em uma ou mais fases do projeto e/ou construção; Aumento das exigências de segurança; Agressividade do meio onde está a edificação, o que pode comprometer o correto desempenho dos materiais utilizados com o passar do tempo; Ocorrência de acidentes de causa humana (explosões, choques, incêndios, entre outros) ou naturais; Aumento das cargas destinadas à estrutura, tanto por sobrecarga quanto por mudança da utilização da construção. A maioria destas causas podem gerar problemas patológicos e dentre esses fatores, o ultimo citado está ocorrendo com maior frequência até mesmo antes do término da obra. De acordo com Machado (2002) as deficiências de execução e de projeto somam mais de 50 % das principais origens dos problemas patológicos em uma estrutura. Segundo Reis (1998), é importante compreender alguns conceitos utilizados na área de patologia e terapia das construções para um melhor entendimento quanto ao tipo de intervenção a que à estrutura deverá ser submetida, tais como: 23 Durabilidade é a aptidão de uma construção em desempenhar as funções para as quais foi concebida durante um determinado período de tempo, sem que sejam necessários gastos imprevistos para manutenção e reparo. Reparo é a correção localizada de problemas patológicos. Reforço é a correção de problemas patológicos com aumento da resistência ou aumento da capacidade portante das estruturas. Recuperação é a correção dos problemas patológicos de forma a restituir total ou parcialmente o desempenho original da peça. Reabilitação ou intervenção abrange as situações em geral envolvendo tanto o reparo simples como a recuperação e o reforço. Sendo assim pode ser definida como a ação necessária para habilitar à estrutura a cumprir novamente suas funções originais ou habilitar a estrutura a responderas novas condições de uso. Com isso, as manifestações patológicas e a estrutura original devem ser bem estudadas para a aplicação da melhor forma de reforço. 2.2 Comportamento de vigas na flexão Segundo Carneiro (2013), a viga é uma estrutura linear que trabalha em posição horizontal ou inclinada, assentada em um ou mais apoios e que tem a função de suportar carregamentos perpendiculares a seu eixo longitudinal. Segundo a NBR 6118 (ABNT, 2014), vigas são elementos lineares em que a flexão é preponderante, onde elementos lineares são aqueles em que o comprimento longitudinal supera em pelo menos três vezes a maior dimensão da seção transversal, sendo também denominadas barras e a flexão é o esforço físico que ocorre perpendicularmente ao eixo do corpo. Segundo Fusco (2008) nas vigas de concreto armado submetidas à flexão simples, as armaduras devem obedecer simultaneamente aos requisitos decorrentes de momentos fletores e de forças-cortantes. Logo, existem dois modelos simultâneos de comportamento da peça, o comportamento de viga com o leque de fissuração (Figura 2.1) e o comportamento de treliça do modelo de bielas e tirantes originado pelas inclinações das fissuras (Figura 2.2). 24 Figura 2.1 – Fissuração de vigas contínuas sujeitas a cargas concentradas. Fonte – Fusco (2008) Figura 2.2 – Modelo resistente global de vigas de concreto armado. Fonte – Fusco (2008) Na ruptura seja por flexão ou por cisalhamento, há um equilíbrio dos esforços externos com os internos conforme apresentado na Figura 2.3. Figura 2.3 – Força na armadura transversal. Fonte – Fusco (2008) 2.3 Estádios de carregamento 25 Ao analisar o carregamento em uma viga de concreto armado pode-se observar algumas fases bem definidas no comportamento da mesma, que foram denominados, na literatura técnica brasileira como estádios de carregamento. A primeira fase, também denominada de estádio I, é caracterizada por ser o inicio do carregamento, antes do surgimento de qualquer fissura visível, nessa fase as tensões normais que surgem são de baixa magnitude de forma que o concreto consegue resistir às tensões de tração e compressão ainda no regime elástico e os valores de momento fletor não são muito elevados. O estádio I é dividido em duas etapas, o estádio Ia onde a peça não apresenta nenhuma fissura, e o estádio Ib onde a viga está na iminência de apresentar fissuras. De acordo com Clímaco (2008), o estádio I corresponde à fase inicial do ensaio, para valores do momento fletor pouco elevados MI. As tensões normais têm variação linear em relação a sua distância da linha neutra em cada ponto da seção. Quanto à zona de tração nesta fase, a tensão máxima σt é inferior à resistência à tração do concreto, e a tensão máxima na zona comprimida, σc, está distante de atingir a resistência à compressão do concreto. No estádio Ib, com a intensificação das cargas, a um determinado valor de carregamento, as tensões de tração perdem a linearidade e superam a resistência do concreto à tração, já na iminência de fissurar. Ao final do estádio I, o mesmo sofre plastificação na zona de tração, ocorre a deformação no concreto tracionado, como ilustrado na Figura 2.4. Figura 2.4 - Estádio Ia e Ib das seções de concreto armado sob flexão pura. Fonte - Clímaco (2008). O estádio II é caracterizado pelo aparecimento da primeira fissura até a ruptura da mesma. Nessa fase o concreto não resiste mais à tração e a seção 26 encontra-se fissurada na região da tração. Segundo Clímaco (2008), o estádio II compreende a fase de cargas em que o concreto esgota sua resistência à tração, passando as tensões normais de tração a serem absorvidas somente pela armadura longitudinal. Mesmo que a peça já esteja fissurada, o aço tracionado, com σcde zero até a deformação de início de escoamento do aço (εyd), o que implica que a tensão na armadura é menor que a máxima permitida, fyd, é o que mostra a Figura 2.12. Figura 2.12 – Casos de solicitação e diagrama genérico de deformações do domínio 4. Fonte – Bastos (2006). 31 2.4.6 Domínio 4A No domínio 4A os esforços que atuam são força normal de compressão e o momento fletor. A seção transversal tem uma pequena parte tracionada e a maior parte comprimida. Esse domínio é caracterizado pela deformação de encurtamento máxima fixada em 3,5 ‰ no concreto da borda comprimida e a deformação do aço varia entre d a h (d≤ εs ≤h), sendo d a altura útil da seção e h a altura da peça. A linha neutra está dentro da seção transversal, na região de cobrimento da armadura menos comprimida (As2), ou seja, d ≤ x ≤ h, como pode ser visto na Figura 2.13. Figura 2.13 – Casos de solicitação e diagrama genérico de deformações do domínio 4A. Fonte – Bastos (2006). 2.4.7 Domínio 5 Segundo Bastos (2006), no domínio 5 ocorre a compressão não uniforme ou flexo-compressão com pequena excentricidade (flexão composta), a linha neutra não corta a seção transversal, que está completamente comprimida, embora com deformações diferentes e as duas armaduras também estão comprimidas. A Figura 2.14 mostra os limites do domínio 5. 32 Figura 2.14 – Compressão não uniforme no domínio 5. Fonte – Bastos (2006). 2.4.8 Reta B Os esforços que atuam nessa seção é a compressão simples, com a força normal de compressão aplicada no centro de gravidade da seção transversal, como mostra a Figura 2.15. A posição da linha neutra está + ∞, todos os pontos da seção estão com deformação de encurtamento igual a 2 ‰ e as duas armaduras, portanto, estão sob a mesma deformação e a mesma tensão de compressão. Figura 2.15 – Compressão uniforme na reta b. Fonte – Bastos (2006). 2.5 Mecanismos de ruptura Os mecanismos de ruptura em uma viga de concreto armado podem ser e analisados de acordo com as fissuras que ela apresentar, quando submetida ao “ensaio de Stuttgart” e com isso é possível saber as causas da ruptura da peça. O “ensaio de Stuttgart” consiste num sucessivo carregamento de uma viga biapoiada, onde as cargas são concentradas e simétricas. 33 A ruptura é causada por basicamente dois tipos de esforços que são os esforços normais (ação de momento fletor) e esforços tangenciais (ação da força cortante) que podem levar a viga ao estado limite último, cada um desses esforços geram mecanismos de ruptura diferentes de acordo com a taxa de armadura longitudinal e transversal. 2.5.1 Ruptura por flexão Segundo Barros (2009) a ruína por flexão de uma viga de concreto armado ocorre quando, pelo menos, um dos materiais, aço ou concreto, atinge seu limite de deformação. É quando ocorre alongamento último do aço de 10‰ e encurtamento último do concreto de 3,5‰ na flexão, e 2‰ na compressão simples. O primeiro caso é denominado ruptura por deformação excessiva do aço, ocorre quando a viga está subarmada, onde tensões como tração e flexão conseguem induzir grandes deformações na peça (flechas) e muitas fissuras. Esse modo de ruína pode ocorrer nas situações dos domínios 1 e 2, no domínio 1 o aço encontra-se com uma deformação específica constante de 10‰ e o concreto com uma deformação específica variando entre 10‰ e zero e no domínio 2 o aço da armadura apresenta uma deformação específica constante de 10‰ e o encurtamento do concreto da borda superior da seção varia entre zero e 3,5‰. A Figura 2.16 mostra um exemplo de uma viga com ruptura por flexão com deformação plástica excessiva do aço. Figura 2.16 – Viga com ruptura por flexão com deformação plástica excessiva do aço. Fonte – Autor (2016). 34 O segundo caso ocorre quando a peça está superarmada, onde o concreto atinge a deformação máxima de encurtamento antes de o aço atingir seu limite de deformação e ocorre sem aviso prévio, de maneira brusca, até mesmo em concretos de boa qualidade e boa resistência. Esse tipo de ruina acontece no domínio 4 onde o concreto atinge o limite de deformação de 3,5‰ e a peça se rompe bruscamente, por isso o dimensionamento nesse domínio deve ser evitado. A Figura 2.17 ilustra uma viga com ruptura por flexão com esmagamento da mesa comprimida. Figura 2.17 – Viga com ruptura por flexão com esmagamento da zona comprimida. Fonte – Autor (2016). 2.5.2 Ruptura de cisalhamento por tração diagonal Esse tipo de ruptura acontece quando a armadura transversal é deficiente e a ruptura acontece pelo rompimento dos estribos, também pode ocorrer esmagamento do banzo comprimido e ruptura por flexão da armadura longitudinal. É o tipo mais comum de ruptura por cisalhamento e a Figura 2.18 ilustra uma viga com esse tipo de ruptura. Figura 2.18 – Viga com ruptura por cisalhamento por tração diagonal. Fonte – Autor (2016). 35 2.5.3 Ruptura de cisalhamento por compressão diagonal, por esmagamento da biela comprimida Quando solicitado simultaneamente por tração perpendicular (estado duplo), larguras bw muito reduzidas, face às solicitações atuantes, as tensões principais de compressão poderão atingir valores excessivamente elevados, incompatíveis com a capacidade de resistência do concreto por compressão. Teremos, então, uma ruptura por esmagamento de concreto (como se houvesse um pilar inclinado no interior da viga), como mostra a Figura 2.19. Figura 2.19 – Viga com ruptura por cisalhamento por compressão diagonal. Fonte – Autor (2016). 2.5.4 Ruptura por esmagamento da mesa devido ao esforço cortante A insuficiência da armadura transversal, além da ruptura típica de tração pode gerar uma ruptura por compressão na mesa superior, isso se explica pelo fato de a armadura de cisalhamento ser baixa e o aço logo atingir o limite de escoamento. O que acarreta fissuração do concreto (fissuras inclinadas) ao longo de seu comprimento, as fissuras penetram na região da mesa comprimida pela flexão que assim debilitada, pode entrar em processo de ruptura por esmagamento do concreto, mesmo a seção a que pertence estar submetida a momento fletor inferior àquele que atua no meio do vão da viga. A Figura 2.20 mostra uma viga com esse tipo de ruptura. 36 Figura 2.20 – Viga com ruptura por esmagamento da mesa devido ao esforço cortante. Fonte – Autor (2016). 2.5.5 Ruptura por deficiência de ancoragem da armadura longitudinal A armação principal de tração da viga está solicitada sobre o apoio (onde teoricamente se pensaria em solicitação nula), de modo que precisa ser convenientemente ancorada, sob pena de ocorrência de um tipo de ruptura em que a peça entra bruscamente em colapso devido a um deslizamento da armadura longitudinal, usualmente se propagando e provocando também uma ruptura ao longo da altura da viga e a Figura 2.21 mostra um exemplo de viga com esse tipo de ruptura. Figura 2.21 – Viga com ruptura por deficiência da ancoragem da armadura longitudinal. Fonte – Autor (2016). 2.5.6 Ruptura por deficiência de ancoragem da armadura de reforço Esse tipo de ruptura ocorre em viga que já tenham sido reforçadas através da colagem de chapa de aço ou adição de barras de aço e que por alguma falha na 37 execução esse reforço não teve uma boa ancoragem junto a viga, fazendo com que o reforço se descole e não suporte a carga submetida a ele. Nesse tipo de ruptura as fissuras costumam contorna a região do reforço surgindo nas extremidades do mesmo, como mostra a Figura 2.22. Figura 2.22 – Viga com ruptura por deficiência de ancoragem da armadura de reforço. Fonte – Autor (2016). 2.6 Tipos de reforço Reforços estruturais são utilizados com intuito de aumentar a capacidade resistente de um elemento estrutural, que por algum motivo não atendem mais assuas condições originais ou novas necessidades da estrutura. De acordo com Almeida (2001) são muitas as causas que podem levar uma viga de concreto armado necessitar de reabilitação, porém independente destas, pode-se distinguir dois tipos de reforço: o reforço ao momento fletor e o reforço ao esforço cortante. No primeiro caso do momento fletor a necessidade de reabilitação pode surgir por deficiência da armadura longitudinal (de tração) ou por deficiência de mecanismos resistentes à compressão, quer seja pela baixa resistência do concreto ou por insuficiência de armadura na zona comprimida. No caso do esforço cortante é mais comum que o problema ocorra por deficiência dos estribos. Segundo Reis (1998), quando se faz a opção por recuperar uma estrutura de concreto, deve-se procurar empregar técnicas e materiais que proporcionem as propriedades mecânicas desejadas e o maior período de vida útil possível. A seguir serão apresentados alguns tipos de reforços. 38 2.6.1 Reforço por adição de barras de aço e adesivo epóxi Esse tipo de reforço consiste na adição de barras de aço na viga sem aumento da seção transversal, não interferindo na estética da estrutura, nem intervindo em outros elementos estruturais para realização da reabilitação. O reforço deve ser realizado por meio da abertura de sulcos longitudinais na face da viga que apresenta deficiência de armaduras, como pode ser observado na Figura 2.23 e nesses sulcos são introduzidas as armaduras de reforço, preenchendo-se, posteriormente, os espaços vazios com adesivo estrutural epóxi ou com argamassa expansiva de alta resistência, para evitar retração. As barras de aço podem ser adicionadas na face superior quando faltam armaduras de compressão ou de tração (devido ao momento fletor negativo) e na face inferior quando faltam armaduras de tração (devido ao momento fletor positivo). Figura 2.23 - Reforço realizado por meio de aço e adesivo estrutural. Fonte - Reis (1998). Segundo Carneiro (2013) dentre as principais vantagens desse reforço destaca-se: O amplo conhecimento dos materiais e das técnicas utilizadas; O baixo custo quando comparado a outras técnicas de reforço, Rapidez na execução; Não aumento da altura da viga. 2.6.2 Reforço por meio da aplicação de polímero reforçado com fibra de carbono A combinação de fibras e polímeros permite que o elemento de reforço seja confeccionado para atender a uma solução particular, tanto em relação a sua geometria quanto as suas propriedades mecânicas (BEBER, 1999). Dentre as principais vantagens destacam-se: resistência elevada, baixo peso próprio, a grande 39 durabilidade, a capacidade de adquirir formas complexas e a facilidade de aplicação. Soma-se a isto a resistência à corrosão (diferentemente da colagem de chapas metálicas), a baixa expansão térmica, a facilidade de transporte e a resistência à fadiga (PERELLES, 2013). O reforço com polímeros reforçados por fibras (PRF) é utilizado tanto em estruturas novas quanto em estruturas antigas, com execução rápida até mesmo sem interromper o uso da edificação, e, de acordo com Reis (2001) pode melhorar as condições de ductilidade, resistência, flexão e cisalhamento. O uso desse tipo de reforço também apresenta algumas desvantagens, como a dificuldade de visualização de fissuras, devido o tecido, custo elevado, coeficiente de dilatação diferente do concreto e possibilidade de destacamento prematuro nas bordas devido às tensões. 2.6.3 Reforço por meio de protensão O reforço por meios de cabos protendidos se diferencia das outras técnicas de reforço porque não é necessário que a viga se deforme para que o reforço comece a atuar sobre ela, é um reforço com caráter ativo. Segundo Almeida (2001) essa técnica de reforço vem sendo largamente utilizada desde 1950 para o reforço de vigas de pontes de diversos tipos: de concreto armado, de concreto protendido, de aço e mistas. Dentre as principais vantagens deste método são destaca-se: melhor comportamento em serviço, aumento da capacidade portante das vigas, não há necessidade de descarregar a estrutura para que seja feita a execução do reforço, o resultado do reforço é alcançado após a conclusão do trabalho de protensão e podem ser eliminadas grande parte das deformações existentes no elemento ao se aplicar a protensão. Outro aspecto importante que deve ser considerado, é que o aumento da resistência à flexão e ao esforço cortante vem acompanhado de uma redução da ductilidade das vigas, fato que pode mudar o modo de ruptura, pois a ruína se dá por ruptura do concreto e geralmente sem que os cabos de protensão entrem em escoamento. 40 2.6.4 Reforço por meio de chapas de aço colada e parafusadas A reabilitação de vigas através da colagem de chapas de aço e adesivo estrutural de base epóxi é objeto principal desse trabalho e consiste na colagem de chapas de aço, na superfície dos elementos de concreto armado, utilizando adesivo epóxi e para esta pesquisa foram introduzidos parafusos para auxiliarem na ancoragem. A colagem de chapas metálicas, geralmente aplicadas em vigas e lajes, é uma técnica especialmente adequada quando há deficiência nas armaduras existentes e as dimensões dos elementos estruturais e a qualidade do concreto são consideradas adequadas. Para execução desse método utilizam-se finas chapas de aço coladas com resina epóxi ao concreto, onde as espessuras da camada de resina epóxi e das chapas de aço devem respeitar limites máximos de 1,5 mm e 3,0 mm, respectivamente. Trata-se de uma técnica bastante eficiente quando o trabalho é bem executado. Aplica-se, sobretudo em vigas no reforço ao momento fletor, momento torsor e esforço cortante. A eficiência dessa técnica é considerada por Cánovas (1988), de alta eficácia, sendo raras às vezes em que ocorrem falhas por aderência, e sendo essas exceções em sua maioria ocasionadas por uma deficiência no processo de execução, o reforço ter sido mal projetado ou o concreto não ser adequado ao trabalho, ou, ainda, o que segundo ele é mais frequente, devido à formulação da resina epóxi não ser a correta. Um dos problemas apresentados por este tipo de reforço é a ancoragem das chapas coladas na face inferior das vigas para reforço à flexão. Nessa região a tensão de cisalhamento é intensa, de modo que o concreto pode não resistir à tração, havendo um descolamento na extremidade da chapa, devido a isso se pensou no uso dos parafusos, para auxiliarem na ancoragem. Para evitar este tipo perigoso de ruptura, também podem ser utilizadas chapas transversais nas laterais das vigas soldadas ou chumbadores nas extremidades da viga para favorecer a ancoragem. Segundo Silva (2006), a superfície de concreto onde a chapa será colada deve ser escareada e limpa, retirando-se a camada superficial e pedaços soltos de concreto. A superfície da chapa de aço deve ser esmerilhada, para aumento da aderência e retirada de escaras e oxidação. Devem também ser removidos os óleos e a gordura. Após o tratamento das superfícies de contato, é feita a aplicação 41 homogênea do adesivo na chapa de aço e no concreto. Devendo-se ter o cuidado de no momento da colagem, aplicar uma pressão uniforme sobre a chapa até o adesivo epóxi ganhar resistência, de modo que este apresente a espessura desejada. Outra grande preocupação é a corrosão. Estudos mostram que, após longos períodos de exposição, a corrosão do aço é evidente, concentrada principalmente nas extremidades e nos cantos da chapa, e na interface chapa/adesivo/concreto, o que pode comprometer a aderência entre os elementos. É recomendável, portanto, que imediatamente após a instalação, o reforço seja devidamente protegido Carneiro (2006). A Figura 2.24 ilustra os dois métodos de fixação da chapa de aço colada e parafusada. Figura 2.24 - Reforço realizadopor meio de chapas de aço coladas e parafusadas. Fonte - Autor (2016). 2.7 Instruções normativas sobre reforço em vigas No Brasil, apesar da indústria da construção civil estar cada vez mais se dedicando ao reforço, restauro e recuperação de diversas obras, não há um documento que estabeleça regras, diretrizes, ou características sobre reforços em estruturas de concreto armado. Logo na Europa, devido o crescente reconhecimento da importância da manutenção e reabilitação estrutural, no decorrer da década de 80 o Comité Europeu de Normalização (CEN) iniciou a preparação de um conjunto de normas referentes à reparação e proteção de estruturas de betão (concreto armado) que resultou na Norma NP EN 1504 sob o título de “Produtos e sistemas para a proteção e reparação de estruturas de betão”. Esta reúne toda a informação sobre produtos e sistemas para manutenção e proteção, reabilitação e reforço de estruturas de betão (SILVA, 2008). 42 A norma criada pelo CEN NP EN 1504 tem o objetivo de informar e orientar como realizar operações de reabilitação e/ou reforço de estruturas de concreto armado, para isso ela descreve os principais produtos para cada tipo de reforço, seja ele por colagem, por injeção, superficial, entre outros. A referida norma está dividida em 10 partes, inicia-se nas definições e objetivos da norma na parte 1. Nas partes 2 à 7 são referidos os sistemas e produtos que permitem realizar as intervenções de reabilitação e/ou reforço, com o estabelecimento de valores para as propriedades que estes devem apresentar em função da aplicação. As partes 8 e 10 tratam respectivamente, da avaliação da conformidade e da aplicação e controle da qualidade. A parte 9 apresenta os princípios gerais para a utilização de produtos e sistemas. A parte 4 da NP EN 1504 especifica os requisitos e critérios de conformidade para a identificação, comportamento e segurança de produtos e sistemas para colagem estrutural de materiais de construção a estruturas de concreto. Dentre estes requisitos e critérios esta contida a colagem de placas de aço ou de outros materiais à superfície do concreto, para efeito de reforço, que é justamente o reforço usado nesta pesquisa. Como não há no Brasil uma norma específica para reforço em estruturas de concreto armado uma alternativa seria se basear na norma NP EN 1504, pois ela contém muitas informações importantes sobre reforço estrutural de diversos tipos, inclusive o reforço por colagem de chapas metálica a superfície do concreto. 2.8 Trabalhos na área 2.8.1 Estudo de Pimenta (2012) Pimenta (2012) realizou estudos sobre o comportamento estrutural de vigas de concreto armado reforçadas com chapas metálicas, coladas com geopolímero, e com manta de sisal colada com resina epóxi que tinha como objetivo apresentar dois métodos de reforços inovadores, associando um material convencional a um material não convencional. Para isso Pimenta fez um estudo experimental comparativo de três vigas, igualmente armadas, uma delas de referência, outra reforçada com chapa de aço, colada com geopolímero e a terceira reforçada com manta de sisal, colada com adesivo compound, a base de resina epóxi. As vigas tinha dimensões de 10 cm x 20 cm x 220 cm, com concreto de classe C30 e com cobrimento de 2 cm. A Figura 2.25 ilustra as dimensões finais da viga acabada. 43 Figura 2.25 - Dimensões das vigas em estudo. Fonte - Pimenta (2014). Para dimensionamento da armadura da viga Pimenta realizou os cálculos baseado na NBR 6118. Para a armadura longitudinal, à flexão, utilizou duas barras de aço CA50 de 10 mm de diâmetro e para a armadura transversal, ao esforço cortante, que foi dimensionado pelo modelo I da norma ele utilizou barras de aço CA50 de 5 mm de diâmetro a cada 10 cm. O primeiro reforço a ser testado, foi a chapa de aço (material convencional) colada com geopolímero (material não convencional), a chapa possuía espessura de 2mm, comprimento de 2 m e largura de 10cm. No segundo método de reforço foi utilizada como elemento de reforço a manta de sisal (material não convencional) colada com adesivo de base epóxi (material convencional). Os dois reforços foram analisados e comparados com uma viga referência, sem reforço. Para os ensaios foi posto um extensômetro, abaixo e no centro das vigas, como mostra a Figura 2.26, para medir a deflexão da viga e fazer os comparativos. E através de um leitor de carga, verificou-se a carga aplicada até sua ruptura. Figura 2.26 - Extensômetro locado no centro da viga. Fonte - Pimenta (2014). 44 A primeira viga a ser ensaiada foi a viga de referência, sem reforço, que apresentou carga máxima de 50,45 kN e ela correspondeu a um momento máximo de 16,39 kNm, sendo que o momento teórico era de cálculo era de 10,94 kNm. O segundo ensaio foi na viga reforçada com chapa de aço, colada com geopolímero, que apresentou carga máxima foi de 49,35 kN e ela correspondeu a um momento máximo de 16,04 kNm. Mostrando que não houve nenhum aumento da resistência à flexão da viga e a explicação mais cabível, para esse ocorrido, segundo Pimenta (2014) é que o geopolímero não proporcionou a aderência necessária entre os dois materiais, estando, a chapa de aço, ao final do ensaio, praticamente intacta, não apresentando nenhuma deformação, como mostra a Figura 2.27. A aderência é caracterizada pela resistência as forças de cisalhamento que se dão entre os materiais colados, logo o geopolímero utilizado não proporcionou essa resistência ao cisalhamento. E ainda segundo Pimenta (2014) falta dessa aderência, pode ter se dado devido a alta viscosidade do geopolímero, o que dificulta sua mistura manual e sua trabalhabilidade na hora da colagem. Figura 2.27 - Descolamento da chapa de aço da viga. Fonte - Pimenta (2014). O terceiro ensaio a ser realizado foi na viga reforçada com manta de sisal, colada com adesivo epóxi que apresentou carga máxima de 52,68 kN e ela corresponde a um momento máximo de 17,12 kNm. Isto nos mostra que não houve nenhum aumento considerável da resistência a flexão da viga. De acordo com Pimenta (2014) nesse caso, o adesivo compound proporcionou a aderência e resistência ao cisalhamento necessárias a colagem, no entanto verificou-se que a manta de sisal não forneceu capacidade resistente a flexão, não conferindo aumento 45 de carga considerável a viga de concreto armado. Logo, Pimenta (2014) conclui que não é cabível utilizar esse tipo de material no reforço de vigas solicitadas a flexão. A Figura 2.28 mostra a fissuração na viga reforçada com manta de sisal colada com adesivo compound. Figura 2.28 - Fissuração da viga reforçada com manta de sisal. Fonte - Pimenta (2014). Ao final desse estudo Pimenta concluiu que apesar de os resultados da sua pesquisa não terem sido satisfatórios, não sendo possível a aplicação de nenhum dos dois métodos sugeridos no reforço de vigas em flexão, ele acredita que ela tenha contribuído para possíveis aprofundamentos no tema, servindo de parâmetros para estudos futuros que possam realmente trazer resultados na área. Ele ainda sugere que seja repensado o uso do reforço com manta de sisal, uma vez que foi utilizado um adesivo convencional de mercado, com bons resultados comprovados, mas mesmo assim, o reforço não proporcionou aumento de capacidade de carga da viga, sendo sua maior potencialidade observada quando usada em reforço de estruturas de madeira, que possui módulo de elasticidade mais compatível com os das mantas de sisal. 2.8.2 Estudo de Muniz (2015) Muniz (2015) realizou trabalho sobre reforço de vigas através da adição de chapas de aço e adesivo epóxi com o objetivo de verificar a eficiência do reforço de vigas de concreto armado através da técnica de reforço por meio da adição de chapas de aço e adesivo estrutural de base epóxi, considerando a influência