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Imperfeições nos Sólidos Tecnologia dos Materiais Prof. João Victor Soares Chagas • Imperfeições são tudo que afastam o sólido cristalino do conceito de arranjo atômico ordenado periodicamente. • Defeito cristalino é toda irregularidade na rede cristalina com uma ou mais de suas dimensões na ordem do diâmetro atômico. Conceitos fundamentais Os defeitos são classificados como: • Pontuais: associado a uma ou duas posições atômicas. • Lineares: unidimensionais. • Interfaciais: bidimensionais. Conceitos fundamentais Lacuna: Defeito pontual mais simples. • É um sítio vago na rede cristalina, que deveria estar ocupado, mas está faltando um átomo. • Ocorre em todos os sólidos. Defeitos pontuais • 𝑁𝐿 é o número de lacunas. • N é o número de sítios ocupados. • 𝑄𝐿 é a energia para formar a lacuna. • k é a constante de boltzmann. • T é a temperatura. Defeitos pontuais • Autointersticial: Quando um átomo do cristal se encontra comprimido em um sítio intersticial – pequeno espaço vazio que sob circunstâncias normais não estaria ocupado. • Esse átomo produz grandes distorções em sua rede cristalina e na vizinhança, pois o átomo é muito maior que a posição em que está localizado. Defeitos pontuais Defeitos pontuais • Impurezas: Quando o material não é totalmente puro. É um defeito muito comum. • Ligas: Quando intencionalmente adicionam-se átomos de impureza para conferir características específicas ao material. Defeitos pontuais Solução sólida = solvente + soluto sólido Solução sólida pode ser intersticial ou substitucional. • Intersticial: Átomos de impureza preenchem espaços vazios entre os átomos hospedeiros. • Substitucional: Átomos de impureza repõem ou substituem átomos hospedeiros. Defeitos pontuais Defeitos pontuais Parâmetros para avaliar solubilidade: • Tamanho atômico: deve ser similar. • Estrutura cristalina: deve ser a mesma. • Eletronegatividade: deve ser pequena. Se for grande, é maior a chance de criarem um composto intermetálico. • Valência: o soluto tende a dissolver num metal de maior valência. Defeitos pontuais • Quanto maior o fator de empacotamento do material, menor a chance de ocorrência de solução sólida intersticial. • O diâmetro do átomo do soluto deve ser bem menor que o diâmetro do átomo do solvente. Defeitos pontuais Defeitos pontuais Defeitos pontuais Discordâncias: Defeito unidimensional em torno do qual alguns átomos estão desalinhados; Defeitos lineares • Discordância aresta: Defeito linear que fica centralizado sobre a linha definida ao longo da extremidade do semiplano extra de átomos (linha de discordância). • Discordância Espiral: Consequência da tensão cisalhante que é aplicada para produzir a distorção. Tem esse nome devido a trajetória que é traçada ao redor da linha de discordância pelos planos atômicos. Defeitos lineares Defeitos lineares Defeitos lineares • Vetor de Burgers: A magnitude e a direção da distorção da rede associada a uma discordância são expressas em termos do vetor de Burgers. • Embora uma discordância possa mudar de direção e de natureza no interior de um cristal, seu vetor de Burgers será o mesmo em todos os pontos ao longo de sua linha. Defeitos lineares Discordância espiral: Linha de discordância paralela ao vetor de Burgers. Discordância aresta: Linha de discordância perpendicular ao vetor de Burgers. Discordância mista: Linha de discordância nem paralela nem perpendicular em relação ao vetor de Burgers. Defeitos lineares • Os defeitos interfaciais são contornos bidimensionais que normalmente separam regiões dos materiais que possuem estruturas cristalinas e/ou orientações cristalográficas diferentes. Defeitos Interfaciais • Superfícies externas: Contorno ao longo do qual termina a estrutura do cristal. Como os átomos da superfície estão ligados a um número menor que o máximo com os vizinhos mais próximos, maior é seu estado energético, o que implica numa energia associada a superfície. Defeitos Interfaciais Defeitos Interfaciais • Contornos de grão: Contorno que separa dois cristais, ou grãos, que possuem diferentes orientações cristalográficas nos materiais policristalinos. • Na região do contorno existe algum desajuste atômico na transição da orientação cristalina de um grão para o adjacente. Defeitos Interfaciais Defeitos Interfaciais • Nos contornos de grão os átomos estão ligados de maneira menos regular. • Há uma energia associada aos contornos de grão que é função do grau de desorientação dos contornos. • Os grãos crescem em temperaturas elevadas para reduzir a energia total dos contornos. Defeitos Interfaciais • Falhas de empilhamento: Para metais CFC, quando existe uma interrupção na sequência de empilhamento dos planos compactos; • Contornos de fase: Contornos que separam duas fases em materiais multifásicos; Defeitos Interfaciais Defeitos Interfaciais Defeitos Interfaciais • Contornos de Macla: Tipo especial de contorno de grão, através do qual existe uma específica simetria em espelho da rede cristalina. • Átomos de um lado do contorno estão localizados em posições de imagem em espelho em relação aos átomos no outro lado do contorno. Defeitos Interfaciais Defeitos Interfaciais • Macla: Região de material entre esses contornos. • Maclas resultam de deslocamentos atômicos produzidos a partir da aplicação de forças mecânicas de cisalhamento e também durante tratamento térmico de recozimento realizado após deformações. Defeitos Interfaciais • Parede de domínio ferromagnético: Contorno que separa regiões com diferentes direções de magnetização. • Defeitos volumétricos: Poros, trincas, inclusões e outras fases. • Vibrações atômicas podem ser consideradas como imperfeições ou defeitos. Defeitos Interfaciais Defeitos Interfaciais • Microscopia óptica: Microscópio óptico é utilizado para estudar a microestrutura. • Normalmente, uma preparação cuidadosa e meticulosa da superfície é necessária para revelar detalhes importantes da estrutura. • A microestrutura é revelada por um tratamento superficial que emprega um reagente químico apropriado, denominado ataque químico. Microscopia Microscopia • Microscopia eletrônica: Capaz de ampliações muito maiores que o microscópio óptico. • A imagem da estrutura é formada usando feixes de elétrons no lugar de radiação luminosa. • A grande ampliação é consequência dos curtos comprimentos de onda dos feixes de elétrons. Microscopia Microscopia • Microscopia eletrônica de transmissão (MET): Imagem é formada por um feixe de elétrons que passa através da amostra. Os contrastes na imagem são produzidos por diferenças na dispersão ou difração do feixe entre os vários elementos ou defeitos da microestrutura. • Permite ampliações de 1.000.000x. Microscopia • Microscopia eletrônica de varredura (MEV): A superfície de uma amostra a ser examinada é varrida com um feixe de elétrons e o feixe de elétrons refletido é coletado e, então, exibido, na mesma taxa de varredura, sobre um tubo de raios catódicos. • A estrutura deve ser condutora de eletricidade. Microscopia Microscopia • A determinação do tamanho de grão pode ser feita através do método da interseção. • Linhas retas, todas com mesmo comprimento, são desenhadas sobre várias fotomicrografias que mostram a estrutura dos grãos; • São contados quantos grãos são interceptados por cada segmento de linha; Microscopia • Comprimento da linha é dividido por uma média do número de grãos interceptados, em relação a todos os segmentos de linha. • O diâmetro médio do grão é obtido pela divisão desse resultado pela ampliação linear das fotomicrografias. Microscopia • Método do intercepto (Hilliard/Abrams) – ASTM E112: Os interceptos (segmentos) são contados em 3 circunferências concêntricas, inseridas numa micrografia com aumento M. No padrão o comprimento total das linhas teste corresponde a 500mm. O valor N dos interceptos contados é usado na fórmula para calcular 𝑁𝐿, de ondedetermina-se o tamanho médio de grão 𝐿3: Medida de Tamanho de Grão Microscopia Microscopia FIM!